LEOPOLD STOKOWSKI, O GÊNIO ICONOCLATA: & SYMPHONY ORCHESTRA: A PAGAN POEM – CHARLES LOEFFLER – 1958

LEOPOLD STOKOWSKI foi um maestro rebelde e genial, workholic absoluto, mulherengo e chegado à grana e ao glamour como poucos. Foi definido por um especialista como “NA ENCRUZILHADA ENTRE UM GÊNIO TITÂNICO E UM HOMEM DE NEGÓCIOS no ramo da música”… Seus cachês e salários eram altíssimos.
Ele morreu aos 95 anos, em 1977. Nasceu em 1882, na Inglaterra, e viveu a maior parte da vida nos Estados Unidos. Foi profissional por 70 anos e gravou extensiva e variadamente por mais de 60. Produziu a tal ponto, que não consegui contar, ou saber precisamente quantos discos deixou. Olhando a lista por mais de meia hora, concluí que foram em torno de 300 DISCOS!!!!. Talvez mais! STOKOWSKI deu mais de 7.000 CONCERTOS!!!! Aos 27 anos, já era o regente da Sinfônica de Cincinatti; e é tido pela crítica especializada como O MAIS CONHECIDO MAESTRO DE TODOS OS TEMPOS!
“A PARTITURA É UM PEDAÇO DE PAPEL, CHEIO DE MARCAS E APONTAMENTOS, AO QUAL DEVEMOS INFUNDIR VIDA”, escreveu. STOKOWSKI era um construtor e modificador de orquestras; e talvez um conspurcador de obras, lendo e entendendo as composições que executava do jeito dele; inovando nas transcrições e na instrumentação.
Era a antítese de TOSCANINI, outro maestro supremo no início do século XX, notável por ser fiel às partituras e à ideia original do compositor. Parodiando o nosso absurdo país, se no Supremo Tribunal Federal STOKOWSKI teria sido Marco Aurélio Mello, e TOSCANINI o ministro Celso de Melo…
STOKOWSKI fazia o diabo para arrancar ou produzir o som que imaginava ou desejava. Disseram que conhecia e estudava todos os instrumentos de uma orquestra e sabia ao menos manejá-los. Entendia como poderiam ser inseridos diferentemente nos contextos que inventava.
ERA, um ENTUSIASTA DA TECNOLOGIA, e conseguiu experimentar os efeitos e a técnica estereofônica em suas orquestras, bem antes de serem lançadas comercialmente. Usava e inovava no uso e distribuição de microfones, e na amplificação dos sons nos diferentes setores de suas orquestras. Resumindo aproximadamente, era um GÊNIO INQUIETO, ICONOCLASTA e PRODUTIVO.
Seu período áureo foi entre 1915 e 1945. Gravou tudo e todos, de sinfonias a óperas, dos clássicos consagrados aos modernos. Introduziu na América várias obras de STRAVINSKY, ALBAN BERG, SCHOEMBERG… E regeu pela primeira vez o compositor americano CHARLES YES, marco do clássico contemporâneo; e é dele o arranjo e a regência da grande obra de WALT DISNEY, “FANTASIA”. Ciscou por HOLLYWOOD, também…
O maestro gostava de jovens, os prestigiava e incentivava; integrava negros e brancos em corais e na orquestra em tempos onde isso foi impensado. Era um PROFESSOR e, no final de carreira, suas orquestras mudavam os membros tempo todo para abrir espaços aos que chegavam.
CHARLES LOEFFLER foi um compositor e intelectual americano, deixou várias obras escritas, partituras, óperas e algum etc… A edição que mostro aqui não é a minha. Por algum motivo, não consegui postá-la. Eu acho essa gravação belíssima, é obra sensível talvez na linha de BELA BARTÓK; é uma peça moderna de linhagem mais conservadora – ma non troppo!
Ouçam STOKOWSKI. É um marco inexpugnável da cultura universal. E o TIO SÉRGIO aproveita para cunhar frase pernóstica para falar dos WORKHOLICS: “esse cara trabalha feito STOKOWSKI”!
É um grande elogio, acreditem.
POSTAGEM ORIGINAL: 28/06/2019
A Pagan Poem, Op. 14

NIGHT OF THE GUITAR 1988/1989 – NO BRASIL COM WISHBONE ASH, LESLIE WEST & JAN AKKERMAN. EU ESTIVE LÁ!

O show foi em 1989, no PROJETO SP, teatro localizado em zona à época decaída de SAMPA, a Barra Funda, muito próximo à linha do trem.
TIO SÉRGIO soube lendo o Fernando Naporano, que entrevistou um dos idealizadores, o excelente guitarrista PETE HAYCOCK, da CLIMAX BLUES BAND; que, infelizmente, não esteve na “perna” do show, no Brasil.
Uma tarde incerta, fui ao teatro para comprar ingressos para o show imperdível! Imaginem: três craques seminais dos anos 1970, em apresentação conjunta!
Eu estava lá, quando vi alguém, a certa distância, vindo em minha direção. Era, digamos, um “botijão de gás peripatético”. O espectro se materializou, e se aproximou; e imediatamente o identifiquei:
LESLIE WEST era baixinho e imensamente gordo; lembrava o JÔ SOARES usando a cabeleira do CRAQUE COALHADA, personagem do CHICO ANÍSIO, naqueles tempos! Veio caminhando junto com MARTIN TURNER, baixista do WISHBONE ASH, e outra pessoa que não sei quem era.
Passaram perto, e eu acenei pra eles. Foram responsivos e acenaram de volta. Eu não me aproximei, talvez por timidez. Afinal, os dois “moravam” há anos em minha casa e memória. Ídolos! Arrependi-me quase imediatamente…
Na noite do show fomos eu, meus amigos SILVIO DEAN, ALDAHYR RAMOS, NAIEFF HAYDAR, e Edison Jr Batistella , o nosso amigo JUNINHO. O teatro era uma imensa barraca, ao estilo talvez do CIRCO VOADOR, no Rio de Janeiro. Tinha um bar aberto dentro, e bebemos cervejas o tempo inteiro para comemorar! O som era bom o suficiente. A proximidade do palco era total. E os shows foram memoráveis.
O primeiro a entrar foi o WISHBONE ASH, em sua formação original com ANDY POWELL e TED TURNER, nas guitarras, MARTIN TURNER, baixo; e o baterista STEVE UPTON. Deram show impecável de uns 40 minutos. Tocaram clássicos indefectíveis como TIME WAS, LIVING PROOF, THE KING WILL COME… , frente a uma plateia de poucas pessoas, e todas entusiasmadas!
Em seguida, subiu no palco LESLIE WEST, acompanhado por baixo e bateria eficientes. Também não negou fogo: repertório do MOUNTAIN, carreira solo, e talvez algo do WEST, BRUCE E LAING. LESLIE era um gritalhão “não galináceo”, algo BLUESY, imagem forte no palco, e HARD-ROCK eficaz. Impressionante!
Em seguida, JAN AKKERMAN, excelente guitarrista, destacado no mitológico FOCUS, foi mais na linha do ROCK PROGRESSIVO e do JAZZ. Fez show correto e sem qualquer vocal ( se bem me recordo…); e talvez um pouco deslocado do ambiente em geral.
Como disse PETE HAYCOCK, a produção tentou incluir RORY GALLAGHER na turnê mundial, mas não foi possível. E nem quero imaginar se tivesse sido!!!!!!! THE NIGHT OF THE GUITAR contou em sua turnê pelo mundo com RANDY CALIFORNIA (SPIRIT), STEVE HOWE (YES), STEVE HUNTER (LOU REED…), ROBBY KRIEGER (DOORS), ALVIN LEE (TEN YEARS AFTER), HAYCOCK, e mais os que tocaram em SAMPA.
O LP duplo saiu no Brasil, na época. O CD aqui postado, e com menos músicas, só saiu lá fora. É bem difícil de se encontrar quaisquer dos dois. Mas, se aparecerem por aí, não titubeiem…
Como vocês percebem nas fotos, sou fã do WISHBONE ASH. E o material postado é todo ao VIVO. Os restantes, são exemplos da arte, em estúdio, de LESLIE WEST. E ao vivo do FOCUS, com JAN AKKERMAN, obviamente!
A noite foi memorável, e infelizmente para os poucos que lá estiveram, mesmo que os ingressos não tivessem custado nenhum absurdo.
Jamais esquecerei do que vi e ouvi!
POSTAGEM ORIGINAL: 26/06/2021
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MARVIN GAYE – WHAT´S GOING ON? – 1971 ELEITO, em 2020, PELA REVISTA “ROLLING STONE “, “O MAIOR DISCO DE TODOS OS TEMPOS”!!!

O MUNDO PASSOU POR TRANSFORMAÇÕES CULTURAIS PROFUNDAS DURANTE A DÉCADA DE 1960. HOUVE OTIMISMO E HEDONISMO, E, TAMBÉM, RADICAIS MUDANÇAS DE COMPORTAMENTOS E PROPOSIÇÕES POLÍTICAS.
FORAM TEMPOS PLENOS DE EVENTOS CONTRADITÓRIOS MUITAS VEZES SIMULTÂNEOS; E FREQUENTEMENTE NÃO COMPREENDIDOS À ÉPOCA. PORTANTO, HÁ VASTA COLEÇÃO DE FATOS ESTRUTURANTES PARA O MUNDO CONTEMPORÂNEO.
A HISTÓRIA PASSADA CONDICIONA A “HISTÓRIA FUTURA”, MAS NÃO A DETERMINA. NOVOS FATOS, NO CORRER DOS TEMPOS E A TODO MOMENTO, ABREM CAMINHOS PARA A REVISÃO DE IDEIAS E CONCEITOS NESSA INTERAÇÃO ININTERRUPTA .
A HISTÓRIA NÃO TEM FINAL; ELA É UM PROCESSO CONTÍNUO. E A DINÂMICA DO PRESENTE DESTACA A PERCEPÇÃO DO PASSADO, E POSSIBILITA NOVAS CONCLUSÕES, MESMO QUE TRANSITÓRIAS.
O PASSADO DESTE PONTO DE VISTA NÃO ESTÁ “MORTO”. OS FATOS ANTES DE SERVIREM COMO BASE CONSISTENTE PARA ANÁLISES, REQUEREM CERTO CONSENSO SOCIAL PARA SE IMPOREM COMO DE IMPORTÂNCIA EFETIVA.
AINDA ASSIM, O QUE É COMPREENDIDO NO PRESENTE COMO A “VERDADE”, SEMPRE PODERÁ SER CONTESTADO E RECUSADO NO FUTURO. A INCERTEZA E A IMPERMANÊNCIA SÃO AS “CONSTANTES INCONTESTÁVEIS” NA HISTÓRIA DOS HOMENS.
“WHAT’ S GOING ON ?”
O CONSENSO ATÉ 2018, CONSIDERAVA A OBRA PRIMA DOS “BEATLES” LANÇADA EM 1967, “SGT PEPPER´S LONELY HEART CLUB BAND”, O MAIOR, MAIS AMPLO E INOVADOR DISCO DE MÚSICA POPULAR GRAVADO EM TODOS OS TEMPOS. FOI PERCEBIDO COMO ESTÁGIO ADIANTE SOBRE O QUE HAVIA SIDO REALIZADO ATÉ AQUELE MOMENTO.
O ÁLBUM COMBINA, EM ALGUMAS FAIXAS, O MAIS MODERNO DO ROCK COM A MÚSICA ERUDITA DE VANGUARDA. E PRESERVA, EM OUTRAS CANÇÕES, ARRANJOS E RITMOS TRADICIONAIS.
E TUDO EMBALANDO LETRAS BEM FEITAS, COMENTÁRIOS POLÍTICOS E DE COSTUMES QUE DESCREVEM O PANORAMA CAMBIANTE DAS RELAÇÕES SOCIAIS EM MEADOS DA DÉCADA DOS 1960. A SOMATÓRIA DESSES FATORES FAZ A OBRA FUNCIONAR COMO “DOCUMENTÁRIO”; UM ÁLBUM CONCEITUAL, CRÔNICA SENSÍVEL REVERBERANDO NO PRESENTE.
O ÁLBUM FOI GRAVADO COM AS TECNOLOGIAS DE ESTÚDIO MAIS INOVADORAS DA ÉPOCA, QUE POSSIBILITARAM SONORIDADES E RESULTADOS ATÉ HOJE PERCEBIDOS COMO “CONTEMPORÂNEOS”. O DISCO DOS BEATLES SOBREVIVEU E TRANSCENDEU AS DÉCADAS; É OBRA GRANDIOSA E AINDA VIVA.
“SGT PEPPER´S… ” REFLETE CERTA CONSTÂNCIA DA HISTÓRIA HUMANA EM ALGUNS DE SEUS “MACRO -TEMAS”: LIBERDADE, DROGAS, POBREZA, SOLIDÃO, CONSERVADORISMO, REBELDIA, SOLIDARIEDADE. É O COTIDIANO E SUAS MÁS NÓTÍCIAS; AS GUERRAS, E VÁRIOS ETCs…; EXEMPLO DE ARTE EM COMPASSO COM A REALIDADE MUTANTE. É UM SUMÁRIO DA CONTEMPORANEIDADE.
NO ENTANTO, PROFÉTICO MESMO FOI “TOMMY”, OBRA CONCEITUAL CRIADA POR “THE WHO”, EM 1969: METÁFORA SOBRE A ALIENAÇÃO E ATOMIZAÇÃO DO INDIVÍDUO, REPRESENTADO PELO PERSONAGEM TOMMY, GAROTO SURDO E MUDO, MAS CRAQUE OBSECADO POR MÁQUINA ANTECESSORA DOS ATUAIS JOGOS ELETRÔNICOS: O PIMBALL, FLIPERAMA, EM PORTUGUÊS..
OS “TOMMYS” CONVIVEM CONOSCO HÁ DÉCADAS. ESTÃO NOS LARES, NOS BARES, NAS ESCOLAS; EM ÔNIBUS E METRÔS. E PROVAVELMENTE NOS ULTRASSARÃO, PORQUE LINKADOS À VIDA COTIDIANA, QUE É ELETRÔNICA, VIRTUAL, ATOMIZADA; ONIPRESENTE.
MAS, OUTRO DISCO MONUMENTAL TOMOU A LIDERANÇA NESSE ETERNO “AGORA”. E A SENSAÇÃO DE ANTECIPAÇÃO QUASE PROFÉTICA FICOU MAIS UMA VEZ EXPLÍCITA.
SERIA “WHAT´S GOING ON”, DE “MARVIN GAYE”, LANÇADO EM 1971, MELHOR, MAIS ADEQUADO E ATUAL DOS QUE OS BEATLES?
Em primeiro lugar, repare que ambos têm mais de cinquenta anos! E a diferença entre o surgimento de um e outro foram menos de quatro anos.
Mas quê quatro anos!!!!!
Quando o disco de “MARVIN GAYE” saiu, o pessimismo e o desencanto haviam tomado conta do mundo. A utopia hippie entrara em desuso; e continuaram as guerras e disputas entre potências e seus arsenais nucleares nas alturas. Ficou escancarado que ditaduras se espalhavam por todo o planeta, trivialidades que se repetem, nos tempos atuais. Tudo se reposicionou. Mas essencialmente pouco mudou.
Observe também, que em 1967 já havia brotado um ROCK PESSIMISTA, eivado por drogas, realista e marginal; e longe do “SUNSHINTE POP” e dos BEATLES. De certa forma, o “VELVET UNDERGROUND”, de “LOU REED”, anteviu o que ficara explícito, em 1971; e continua regra até agora…
Sobreviveram do passado vários temas retrabalhados por “MARVIN GAYE” em seu álbum imprescindível: pobreza, vida marginal, violência, drogas, racismo…desigualdade social e racial…
Para entender o “MARVIN GAYE de “WHAT´S GOING ON?”, é preciso notar que, em 1970/1971, foram lançados discos notáveis abordando as mazelas com muita crítica social explícita e militante. Todos eivados por tom pessimista e algo resignado. Inclusive o novo assunto daquele momento, e que todos nós, dali para frente, passamos a nos preocupar: a ECOLOGIA!
Naqueles tempos “JONI MITCHELL” lançou “BLUE”, e “NEIL YOUNG” fez “AFTER THE GOLD RUCH”. Mais além, o “JETHRO TULL” criou “ACQUALUNG” – um olhar esquivo e duro sobre religião, educação, marginalidade e outros temas eternos.
E os “MOODY BLUES”, lançaram álbuns muito vendidos. “A QUESTION OF BALANCE”, 1970; e “EVERY GOOD BOY DESERVES FAVOUR, 1971, são os pioneiros em falar em ECOLOGIA.
E não se pode esquecer CHICO BUARQUE, na mais perfeita descrição poética das agruras da pobreza e do desalento, que ainda nos assolam: “CONSTRUÇÃO” e sua “complementar”, “DEUS LHE PAGUE”, 1971, são canções interativas com elementos de ROCK PSICODÉLICO-PROGRESSIVO SINFÔNICO, em arranjo “claustrofóbico” do maestro ROGÉRIO DUPRAT – que lembra os feitos pela banda americana SPIRIT, em 1968/1970. Isto só para ficar em um exemplo, entre tantos possíveis.
Dado fundamental une as obras daquele contexto histórico relevante: todos são DISCOS DE VANGUARDA, MUSICALMENTE FALANDO. E de acordo com o espírito de “FINAL DOS TEMPOS”.
MARVIN GAYE é produto daquele momento: um “SINGER/SONGWRITER”; a tendência que tomou conta do mercado musical no início dos 1970. Ele é contemporâneo de outros grandes artistas, como PAUL SIMON, CARLY SIMON, JAMES TAYLOR, GIL, CAETANO e CHICO, claro; e vasto etc…
MARVIN GAYE não foi um precursor, mas articulou artisticamente várias ideias daqueles momentos… O disco “WHAT´S GOING ON” é, antes de tudo e simultaneamente, ÁLBUM CONCEITUAL, e de BLACK MUSIC! Um diferencial único entre seus pares. A faixa título é considerada a “quarta música mais importante da discografia americana”!
Da segunda à sexta faixa é uma SUÍTE “SOUL/FUNK com percussão latina mesclada ao JAZZ. Verdadeira FUSION dançante, com faixas ininterruptas e interligadas. E tocada pelos magníficos e precisos “FUNK BROTHERS”, à época a banda principal da gravadora “MOTOWN”; portanto, garantia de excelência. As três faixas restantes esbanjam qualidade e ritmo, com destaque para a melhor de todas: “RIGHT ON”, um show!
O álbum é pequeno inventário dos desencantos e desesperanças. Observação da violência e das iniquidades da sociedade americana, misturadas a um tom espiritualizado típico da melhor BLACK MUSIC feita no “HOSPÍCIO DO NORTE…” OOOPPPS, nos ESTADOS UNIDOS A AMÉRICA!
MARVIN canta sobre desemprego, inflação e a crise econômica da época. Cita, inclusive, a poluição, a superpopulação e outros temas candentes, e cada vez mais preocupantes e onipresentes, ligados à ECOLOGIA. Ele constata o racismo, a violência policial, o ódio e as injustiças contra os pobres e, principalmente, contra os pretos.
O álbum também chama a atenção sobre aqueles que lutaram guerras para nada. Que tal recordar um filme com TOM CRUISE chamado “Nascido em 4 de Julho? Pois bem, “MARVIN GAYE” é um preto que entendeu o drama daquele “branco” aleijado e descartado, o personagem de CRUISE, que a seu modo interpreta um deserdado da utopia americana, e sentiu as iniquidades da sociedade que o usou e o abandonou, como faz com incontáveis…
Pois, é! Acontece com a maioria dos pobres. E muitos e muitos pretos pobres, e pobres e pretos, que também viraram buchas de canhão nas constantes guerras do Império americano mundo afora…
MARVIN GAYE CANTOU A AMÉRICA NUA E CRUA SOB A PERSPECTIVA DOS PRETOS! Mesmo que os temas das letras magistralmente compostas por ele e “RENALDO BENSON”, um dos exuberantes vocalistas do “FOUR TOPS”, já houvessem sido expostos quando ele foi gravado.
Os tempos de TRUMP, a radicalização política à direita, e a recorrente violência contra os pretos, e o recrudescimento do racismo mundo afora, elevaram o disco ao status alcançados. Por isso tudo, os passos que a HISTÓRIA abriga tornou o disco mais relevante, a cada dia.
A premiação recebida é, também, uma reação cultural ao ultraconservadorismo excludente desses tempos de ignorância, falta de compaixão e pouca empatia. WHAT´S GOING ON é disco de altíssima relevância artístico – social. E traz canções perfeitamente apreciáveis 50 anos depois. Um verdadeiro marco.
Mas, não promoveu a REVOLUÇÃO ou inovação na estética musical, como fizeram os BEATLES, em “SARGENT PEPPERS”. E isto parece claro.
Por isso, eu mantenho dúvidas de que seja o melhor disco da história do POP. Se é que isto realmente existe… A revista RECORD COLLECTOR faz listas anuais por gêneros, estilos, etc., o que é mais realista, perspicaz e “mensurável”.
Seja como for, é obra que sempre estará entre as dez melhores. E a sua história e peripécias acompanharemos por muito tempo.
Ouçam e tenham na discoteca: é mandatório.
POSTAGEM ORIGINAL: 03/10/2020
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TRILHAS SONORAS E COLECIONISMO

Colecionadores de trilhas eu conheci alguns. O mais diversificado e compulsivo, eu acho, é o ERIC CRAUFORD, dono da ERIC DISCOS, aqui de São Paulo.
Pasmem! Uns 40 e tantos anos atrás, eu e meu amigo Silvio Dean, outro refinado cultor dos discos, fomos ao apartamento do ERIC, próximo à loja dele, no bairro de Pinheiros, em São Paulo.
E conhecemos sua incrível coleção de LONG PLAYS, principalmente a extensa, rara e “caçada” por todo o planeta COLEÇÃO de TRILHAS SONORAS. Havia alguns milhares!!!!! Hoje, nem consigo imaginar quantos…. É doideira magistral!
Considerem as dificuldades para erguer um patrimônio desse. É impossível saber quantos filmes de longa metragem foram produzidos ao longo da história, e até agora!!!! Fora outros vídeos, curtas metragem, trilhas para o teatro, novelas, séries de Tv, documentários, e vasto etc… não tabulável.
Talvez cinquenta por cento dos longas tenham TRILHAS SONORAS ORIGINAIS. As que foram lançadas em discos, ou disponibilizadas por outros meios são milhares. Pensem nos números que vocês quiserem. Pouco importa… Coleciona – las dá trabalho, e certamente prazer infindável!
Só para esquentar o papo, talvez o padroeiro na atividade de “compor profissionalmente” tenha sido VIVALDI. Diz a lenda, que ele fazia uma composição por dia, para educar os seus “alunos”. Fez mais de 1000…
Era um WORKHOLIC; e trabalhou a tal ponto que STRAVINSKY escreveu sobre o nosso querido padreco: “ele não compôs mil músicas; mas a mesma música 1000 vezes.” Julguem esta possível catilinária, mas sejam compassivos…
O fato é que não há criação musical mais realista, e avessa à hipocrisia, do que compor sob encomenda. Pensem nos caras e meninas que se dedicam a tal artesania. Dá um trabalhão doido! Tem prazo de entrega e nenhum glamour, se pensarmos no processo, e na implícita necessidade absoluta do produto refletir e se adequar ao filme sob a qual ela é inserida…
Dia desses, assisti meio entre o lusco-fusco mental e a sonolência da fria madrugada, a um filme brasileiro sobre jovens algo além da adolescência, e a caminho da maturidade. A ÚLTIMA FESTA é melhor do que eu suporia. Há trilha sonora simples, moderninha e adequada.
A trilha sem dúvidas reflete as características desejáveis para a profissão: técnica e imaginação, combinando magia e tecnologia para completar e materializar uma ilusão: o filme. Estou cada vez mais tentado a assistir a filmes, vídeos, essas coisas… Coisa de velho, talvez… Mas confesso: não tenho ânimo para tentar colecionar TRILHAS SONORAS.
No entanto, vez por outra compro alguma coisa correlata ao ROCK e ao JAZZ , ou a filmes da década de 1960. E aqui estão algumas delas. Vejam na foto.
Então, jovens ou joviais desbravadores, deem uma olhada nas telas. Ouçam mestres como ENIO MORICONNE, e outros modernos tipo ANGELO BADALLAMENTI. E sem falar na complementação óbvia, que são as trilhas acessórias, as músicas caçadas décadas afora recheando projetos… Aliás, formam o grosso do que postei…
Se tiverem coragem, há incontáveis milhares de discos soltos “pelaí”. TIO SÉRGIO deseja aos que tentarem saúde, sorte e demência controlada.
Vão precisar!
POSTAGEM ORIGINAL: 23/06/2023
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BLACK TAPE FOR A BLUE GIRL, E “OF THESE REMINDERS” – TRIBUTO DE OUTRAS BANDAS

O Lado cinzento da minha COLEÇÃO agrega modernidades menos consideradas, grupos e artistas que buscam estéticas fora do MAINSTREAM, e com variado grau de “quase – sucesso”. Os diversos discos que retive na DISCOTECA, são instigantes e plenos de boa música.
Nesta postagem, apresento o BLACK TAPE FOR A BLUE GIRL. Exemplo perfeito do chamado DREAM POP, ou ETHEREAL; e por causa dos envolventes e deliciosos vocais femininos nesses grupos, vários ficaram conhecidos por HEAVENLY VOICES. É o caso, também, demais mencionados.
O grupo começou em 1986, e navega pela MÚSICA AMBIENTE e o GHOTIC ROCK, mesclando outras tendências da música eletrônica relevante. Integra, portanto, a galáxia DARK ROCK.
O que nos leva a SAM ROSENTHAL, grande “MICRO-HERÓI ALTERNATIVO AMERICANO”. Ele é um intelectual “multitarefa” neste nicho, onde se tornou mito na Cultura fora do “MAINSTREAM; por sua reputação construída ao longo de uns 40 tantos anos.
Está na foto romance dele distribuído com um dos CD da banda, estratégia de marketing e relações públicas eficaz e muito simpática.
Descobri no GOOGLE que SAM, o filho e um cachorro moram no Oregon, Estado distante mas não remoto, logo acima da CALIFÓRNIA, e a caminho do frio CANADÁ. Por lá, são tolerados comportamentos sociais e sexuais destoantes; experimentos com drogas; e, aos poucos, se transformou em reduto de artistas e pessoas não convencionais.
É, também, centro importante de criação ou conservação de música soberba, como a feita pelo grupo OREGON. Um combo suis-generis de “quasi-JAZZ”, “mezzo WORLD MUSIC”, com pitadas “FOLK – CAMERÍSTICO-PROGRESSIVO”, criado na Universidade do… adivinhem!
Sacaram? Claro que sim!
SAM construiu o “BLACK TAPE FOR A BLUE GIRL”. E mais: montou a PROJEKT, tipo “FUNDÃO DA WEB do ROCK”. que produz e grava ALTERNATIVOS na linha do ROCK GÓTICO, ETHEREAL, COLD WAVE, DREAM POP e prospecções afins – ou nem tanto…
Curiosamente, o que pareceria sonoridade tipicamente europeia, foi potencializada nos EUA! Com o tempo, a gravadora tornou-se quase média empresa, mas lha faltou distribuição e o vasto etc… necessários para manter o negócio próspero. ( gostaram do “lha”?)
SAM ROSENTHAL é um “self-made man alternativo”, tipo Luiz Calanca, da BARATOS E AFINS; ou Rene Ferri, da histórica loja e fanzine WOP BOP. Os três são glórias da “resiliência POP”.
Coloquei na foto alguns discos que tenho do BLACK TAPE FOR A BLUE GIRL. Todos recomendáveis.
E postei, contudo ( ou com tudo, mesmo!!! ), o BOX “OF THESE REMINDERS”, sumo e homenagem de vários artistas contratados pela PROJEKT, fazendo COVERS das músicas do BLACK TAPE. Estão ali STOA, LOVE SPIRALS DOWNWARDS, LYCIA, ATTRITION, THANATOS; ótimos, garanto; e “tão conhecidos” quanto o SAM e sua banda…
O BOX é estética e graficamente belíssimo e moderno, caprichado no limite, como tudo em que ROSENTHAL se meteu. E serve de introdução ao catálogo da PROJEKT – viagem instigante.
Recomendo essa turma toda, e outros mais, com alguma parcimônia e audição antecipada. Assim como o BLACK TAPE FOR A BLUE GIRL e os escritos de SAM ROSENTHAL…
Mas o TIO SÉRGIO confessa: Eu Adoro!!!! E vão permanecer comigo até que a cachoeira das eras me transporte ad infinitum.
Degustem.
POSTAGEM ORIGINAL:23/06/2023
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UNTHANKS – DIVERSIONS VOL 1 – 2011 THE SONGS OF ROBERT WYATT and ANTONY AND THE JOHNSONS

São duas irmãs, RACHEL e BECKY UNTHANK. Aliás, que sobrenome se verdadeiro! Cantam muito bem e com suavidade. Em uníssono, algumas vezes, o que nos dá a dimensão e a intensidade pretendidas para um projeto sui-generis.
Foi gravado ao vivo na UNION CHAPEL, capela com acústica espetacular onde o PROCOL HARUM também gravou um DVD imprescindível, há uns 18 anos.
O projeto consiste em repertório de dois dos mais solitários e desolados compositores do POP/FOLK/VANGUARDA: ANTONY HEGARTY e ROBERT WYATT, são ingleses.
Se você acha NEIL YOUNG e JONI MITCHELL desamparados, reflexivos e tristes, vai sentir pena desses dois eleitos. Perto dos quatro, BJORK é um monumento ao calor humano e alegria explícita em estado viral contagiante!
A interpretação das duas moças e adequada banda que as acompanham, capta a essência alternativo-expressivo do repertório escolhido.
O público vibra empolgado a cada intervalo!!!! Depressão, melancolia e recato têm seus fãs.
O cantar bem mais ainda. Elas transmitem a desolação solitária das melodias. É belo, adequada e suavemente triste. Não lembram ANAVITÓRIA.
Tente.
POSTAGEM 16/06/2020
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JERRY LEE LEWIS, O ENCRENQUEIRO SUPERDOTADO QUE ELEVOU O NÍVEL DO ROCK AND ROLL CLÁSSICO

O inesquecível JERRY LEE LEWIS fez um compósito que amalgamou revolução e evolução no ROCK AND ROLL clássico. Ele é um dos grandes integradores do COUNTRY e do RHYTHM´N’ BLUES na formação do ROCK AND ROLL. Pianista criativo, excelente cantor, fundiu os dois gêneros com a expressão do ritmo dos pretos na mão esquerda; e a melodia branca, country, tocada com a mão direita!!! Um feito artístico ultra relevante! FUSION PURO E INAUGURAL!
Postei o que tenho dele. É pouco. Há mais, muito, muito, muito mais por aí. Inclusive uma fase “COUNTRY” esplendorosa e sensacional que ainda não consegui.
Talvez algum dia, eu consiga edições feitas pela BEAR FAMILY RECORDS, completas, totalizantes, e que fazem jus ao grande anárquico “evolucionário” artista que JERRY foi. Hoje, tenho o CD da série ROCKS, expressivo e suficiente, mas não postado.
Trouxe mais álbuns importantes, e dois DVDs legais:
Observe o CD considerado entre os melhores SHOWS ao vivo da História: “LIVE AT STAR CLUB”, 1964. Note, também, THE LONDON SESSION, álbum duplo gravado em ESTÚDIO, e lançado inclusive no BRASIL pela MERCURY, em 1973, com a participação de músicos craques ingleses, em nível de RORY GALLAGER, PETER FRAMPTON, ALBERT LEE, GARY BROOKER, entre outros.
O filme sobre sua vida, “GREAT BALLS OF FIRE”, é sensacional, e o CD com a trilha está na foto. Não deixa de lado os podres, mesmo suavizados, na tela. Inclusive a relação quase incestuosa de JERRY LEE com a prima pré-adolescente, que sequestrou e com quem se casou. E cita seu primo, “tele-evangelista”, o pastor JIMMY SWAGGART, famoso no “Hospício do Norte. É imprescindível para os que se interessam pelo ROCK VINTAGE.
Hoje, para mim, o que tenho basta.
Pois, é; a última encrenca de que me recordo foi no SHOW que JERRY LEE LEWIS deu em SAMPA, anos atrás! O PALACE, casa de shows, no bairro de MOEMA – que não existe mais – estava cheio.
A banda segurava o foguete, enquanto a produção tentava trazer JERRY LEE para o palco. Ele estava “bebasso”, e demorou a eternidade!!! A plateia indócil, estava xingando e gritando. Havia muita gente tão bêbada e drogada quando o astro.
Em certo momento, JERRY entra. Senta-se ao piano e detona, do jeito que conseguiu, uma sequência de seus clássicos. A turba reagiu empaticamente, dançando e pulando; e alguns tentando invadir o palco, mas sendo impedidos.
Em meio ao furdunço, um guapo etilizado suspendeu a namorada no ombro. Tampou geral a visão dos “hooligans” em volta… As consequências vieram imediatamente. Alguns reclamaram na base da grossura. Mas, nem a bunda desceu do ombro, e nem os braços do namorado recolocaram a bunda e a moça no chão…
Não deu outra: alguém tascou certeira dedada no centro do rabo da menina, que ainda estava suspenso no pescoço do cara.
Um berro! xingamentos e o pau cantou perto de mim. E mais alto do que o JERRY LEE!!!!!
Separa daqui, tira de lá; enquanto os seguranças distribuíam fartamente pescoções, porradas e chutes. Verdadeiro festival de MMA ao som de ROCK AND ROLL. Um monte de gente foi “convencida” a se retirar…
O show inteiro durou menos do que uma hora, e JERRY saiu de cena sob protestos generalizados. A banda procurou manter o clima, com o baixista tentando cantar, etc. e tal…
Resumo: foi o caos em estado de catarse; manchando a reputação de nossos tristes trópicos…
Imperdível. E por sorte eu estava lá!
POSTAGEM ORIGINAL: 22/06/2022
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QUANTO O PAU CANTA, QUEM TÁ FORA SE ENCANTA. O SHOW DE JERRY LEE LEWIS E OUTROS ENCONTROS NADA CIVILIZADOS.

TIO SÉRGIO já vai esclarecendo que as fotos de discos do JERRY LEE LEWIS; e dos AMBOY DUKES, a banda do guitarrista TED NUGENT, aqui em sua fase psicodélica; são meros pretextos para contar historinhas.
Os dois sempre foram “ISCAS DE POLÍCÍA”, para recordar ITAMAR ASSUMPÇÃO que, até onde sei, não era encrenqueiro, mas atraía a repressão, por outros motivos e preconceitos.
TED NUGENT é um reacionário e militante de extrema direita. Conta-se que acompanhava a polícia, dentro dos camburões, à procura de bandidos nas ruas…
E minha casa ele não entra…
Nunca fui de briga.
Sou um sujeito light e diplomático. Da turma do deixa isso pra lá…
Passei minha vida negociando, construindo convivências e conveniências, considerando o lado do carneiro… E dialogando com a onça pra ver se ela se interessava por um gambá, digamos; ou, quem sabe, por uma saladinha de tomates e alface… essas coisas.
Compus vários acordos em situações inacreditáveis. Perdi outros. Na média, ainda pago e como a minha pizza com eventuais transações e negócios no mercado imobiliário.
Mas, tio SÉRGIO, what porra was that? Você era arregão?
Eu diria que fui e sou um profissional da “Porrada Interrompida”. Um administrador de contrariedades. Muito comuns entre condôminos, proprietários e inquilinos, e outras picuinhas cotidianas.
Convenhamos: vou além de um mero “coito interrompido” – ou na linguagem explícita, mas não candente da molecada de hoje, eu não sou “Corta Fodas”.
Porém, sempre que o ápice do impasse culmina em porrada, lá vou eu ver se dá pra contornar, deixar a coisa menos brusca, acomodar… Mas vi coisas. E não tão poucas; em que não intervim, e nem deveria.
Vou contar algumas;
Lá pelos doze anos de idade, tarde incerta cabulei aula junto com outros coleguinhas. Sei lá como ou por que?, fomos parar em campinho no PLANALTO PAULISTA, perto da escola, e jogamos futebol contra a molecada dos arredores. Tudo foi de mal a pior, e acabamos enxotados pela turba local debaixo de pedras. Ainda bem que fuga foi em uma descida. Você se recorda disso Renato César Cury?
Mais uma; Acho que até hoje existe a “PORTUGUESINHA”, que tinha um digamos…. estádio…. em terreno vago perto da rua LOEFGREN, nos limites da hoje CHÁCARA INGLESA.
Estávamos eu e meu “primoirmão” BETÃO assistindo a um jogo/batalha entre duas milícias futebolísticas rivais. Terminou em briga. Não tínhamos nada a ver com aquilo. Mas um delinquente grandalhão tentou me afogar em um córrego, na verdade um corredor de fezes a céu aberto.
Apareceu sei lá de onde um adulto que impediu a minha execução.
Fui crescendo e as histórias melhoraram. Assisti a uma das grandes brigas em campo de futebol do meu tempo. Foi no estádio do NACIONAL ATLÉTICO CLUBE, time hoje quase inexistente, mas que defendia sua honra em um estádio razoável, na Barra Funda, naquela época, bairro operário de SAMPA.
Era a final do campeonato da segunda divisão, lá por 1969, sei lá…
Fomos assistir eu e o BETÃO, levados pelo tio ANTONIO GARINI, o TONICO, jornalista que virou nome de rua.
Tudo corria mal, muito mal, quando de repente eclodiu bacobufo generalizado. Começou dentro do gramado e, como bomba de napalm, espalhou-se e incendiou geral e arquibancadas.
Só foi contido quando chegou a polícia, muitas vezes Instituição especializada em transformar desentendimento em guerra fratricida… e botou pra quebrar.
Não fugiu de minha memória o “huno barrigudo” sentado no topo do alambrado, que cobria de porrada e porretadas qualquer um que se aproximasse. Até que, derrubado por uma facção de torcedores, teve a bunda chutada, ritmicamente, por uns 5 minutos enquanto tentava escapar.
Não conseguiu…foi resgatado pela milicada, que aproveitou para “crismá-lo” para ver se acalmava.
Outra;
Eu tinha, sei lá, uns 19 anos, quando em um bailinho duas tropas de joviais projetos de criminosos se confrontaram, depois que um dos líderes foi jogado escada abaixo na casa da menina que os convidou para o aniversário… A coisa ficou incontrolável, e a polícia cercou as duas pontas da pequena e bucólica rua, onde a infeliz e chorosa aniversariante morava.
Estávamos eu e meu outro “amigoirmão” Aldahyr Ramos. Conseguimos, milagrosamente , fugir da festa sei lá como… Foi literalmente todo mundo preso! Menos a gente.
A última encrenca de que me recordo foi no SHOW que o grande pianista e ROCKER , JERRY LEE LEWIS, deu em SAMPA, anos atrás.
O PALACE, casa de shows que não existe mais, no bairro de MOEMA, estava cheio. A banda segurava o foguete, enquanto a produção tentava trazer JERRY LEE para o palco. Ele estava bebasso, e demorou a eternidade!!! A plateia estava indócil, xingando, gritando. Havia muita gente tão bêbada e drogada quando o astro.
Em certo momento, entra o JERRY. Senta-se ao piano e detona do jeito que conseguiu uma sequência de seus clássicos. A turba reagiu empática, dançando, gritando, e alguns tentando invadir o palco, e sendo impedidos pela segurança.
Em meio ao furdunço, um guapo etilizado suspendeu a namorada no ombro. Tampou geral a visão dos hooligans em volta… As consequências vieram imediatamente. Uns sujeitos reclamaram na base da grossura. Mas, nem a bunda desceu do ombro, e nem os braços do namorado recolocaram a bunda e a moça no chão…
E, não deu outra: alguém tascou certeira dedada no centro do rabo da menina, que ainda estava suspenso no pescoço do cara. Um berro! xingamentos e o pau cantou perto de mim mais alto do que o JERRY LEE!!!!!
Separa daqui, tira de lá; enquanto os seguranças distribuíam fartamente pescoções, porradas e chutes. Um festival de MMA ao som de ROCK AND ROLL. Um monte de gente foi “convencida” a se retirar.
O show inteiro durou menos do que uma hora. JERRY LEE saiu de cena sob protestos generalizados. A banda procurou manter o clima, com o baixista tentando cantar, etc. e tal.
Resumo: foi uma merda. Inesquecível merda para esses nada tristes trópicos… 😀Daquele momento em diante, fugi da maioria dos shows ao vivo.
POSTAGEM ORIGINAL AMPLIADA: 21/06/2025
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BRAD MEHLDAU TRIO – LIVE – 2008 – NONESUCH RECORDS

O DISCO FOI GRAVADO EM NOVA YORK, NO “VILLAGE VANGUARD”, EM CURTA TEMPORADA ENTRE 11 E 15 DE OUTUBRO, DE 2006. SÃO TRÊS FERAS LIDERADAS PELO PIANISTA “BRAD MEHLDAU”. É JAZZ CONTEMPORÂNEO SEM MASTURBAÇÕES EXIBICIONISTAS, E DE ALTA QUALIDADE TÉCNICA E MUSICAL.
“MELDHAU” É UM ESTILISTA SUPERDOTADO, E VEM ACOMPANHADO PELO EXATO BAIXISTA “LARRY GRANADIER”, QUE MANTÉM CRIATIVAMENTE O ANDAMENTO, PARA BRAD E O FANTÁSTICO BATERISTA, “JEFF BALLARD” – QUE FAZ SOLOS EM RITMO EM INTENSIDADE ALUCINANTES! – VOEM O TEMPO INTEIRO.
OS TRIO TOCA “WONDERWALL”, DO “OASIS”; E PASSA POR “BLACK HOLE SUN”, DO “SOUNDGARDEN”. DOIS CLÁSSICOS DO ROCK ALTERNATIVO DOS ANOS 1990.
E VIAJA POR “JOHN COLTRANE” E “CHICO BUARQUE DE HOLANDA”, E VISITA OUTRAS MÚSICAS CONTEMPORÂNEAS.
OS ARRANJOS SÃO TODOS TRANSFIGURADOS, E SE ABREM PARA FORMAS QUASE IRRECONHECÍVEIS – COMO COSTUMA SER O JAZZ CONTEMPORÂNEO. OS TRÊS REALIZAM “CONTRA – OBVIEDADES”, NAS QUASE DUAS HORAS E MEIA DE MÚSICA, NESTE ÁLBUM DUPLO.
UM VERDADEIRO “HAMBURGÃO”, UM “BIG BRAD”, FEITO PARA SACIAR A FOME DE QUEM GOSTA DE JAZZ E SEUS ARREDORES!
“MEHLDOU ET CATERVA” COZINHAM “PRATOS” DE ALTO TEOR CRIATIVO. E LIBERAM ENERGIA PARA ILUMINAR UM QUARTEIRÃO, NESSE REPERTÓRIO TEMPERADO COM “BALADAS” E “BLUES” COMPLETANDO CARDÁPIO NUTRITIVO, E DE MUITO BOM GOSTO.
O TRIO EXPÕE VERSATILIDADE TECENDO NO ESPAÇO SONORIDADES RECONHECÍVEIS, MELÓDICAS, MAS SEM CAPOTAR NO TRADICIONAL. ARTE RELEVANTE INCORPORA ESSAS COISAS…
CONFIEM NO TIO SÉRGIO: PORQUE É UM ARRASO! ALIMENTEM-SE!
POSTAGEM ORIGINAL:21/06/2021
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BLUE NOTE RECORDS: FUNK & SOUL JAZZ – & “EVERYTHING I DO GONNA BE FUNKY…FROM NOW ON”…

“MY FRIENDS CALL ME LOU… LOU DONNNNAALLLDSONNN!”
ASSIM COMEÇA UMA ENTREVISTA NO DOCUMENTÁRIO SOBRE A CULT GRAVADORA-BOUTIQUE “BLUE NOTE”. O GRANDE “LOU DONALDSON”, COM AQUELE JEITO “BLACK/HIP” QUE CONSAGROU “LOUIS ARMSTRONG”, APRESENTA-SE AO DOCUMENTARISTA FALANDO NESSA ENTONAÇÃO!
SOBRE A “BLUE NOTE” HÁ MUITO A FALAR E MAIS AINDA A DIZER! AQUI, UM PEQUENO ENCLAVE COM DISCOS “FUNKEADOS”, DANÇANTES, PARA ESQUENTAR QUAISQUER FESTAS!
NINGUÉM RESISTE AO ÓRGÃO DE “JIMMY SMITH”; AO SAX DE “LOU DONALDSON”; AO PIANO COM TRAVO “AFRO-LUSO” DE “HORACE SILVER”; E AO TROMPETE DE “DONALD BYRD”.
ESSA GENTE FAZ O CEMITÉRIO VIRAR BAILE. LEVANTA VIVOS, MORTOS-VIVOS E, HÁ QUEM AFIRME: ATÉ DEFUNTOS CONVICTOS ENTERRADOS! MAS FIQUEM ATENTOS, PORQUE HÁ ZUMBIS CONVERTIDOS FÃS, TAMBÉM!
OS CHURRASCOS NA CASA DO TONINHO, MEU CUNHADO, DEIXARAM LEMBRANÇAS. EU GRAVEI CDS “FESTEIROS”, ANTESSALA DELICIOSA PARA AQUECER O AMBIENTE. ENQUANTO ISSO, A TURMA DO RAIZ 40, QUE FAZ SAMBA, CHORO E A MELHOR MPB, PREPARAVA OS INSTRUMENTOS, E AFIAVA O PALADAR COM CAIPIRINHAS, E MUITAS DIVERSAS VÁRIAS CERVEJAS, LINGUIÇAS, CARNES, E O QUE VIESSE!
O PESSOAL NA FOTO AJUDOU, E MUITO, A INCENDIAR A FESTA PARA A ENTRADA AO VIVO DA OUTRA TURMA.
SÃO TODOS ARTISTAS DO BALACOBACO; MESTRES DO BALANÇO, VEÍCULOS DA ALEGRIA, E COM O CHARME PECULIAR DA NEGRITUDE.
MAS, TIO SÉRGIO, E O “ALLEN TOUSSAINT”, O QUE FAZ AQUI?
ORA, MESMO SENDO DE OUTRA GRAVADORA, É ARTISTA RARO E PRECIOSO. E A FRASE “EVERYTHING I DO GONNA BE FUNKY… FROM NOW ON” É MÚSICA E TITULO DE ÁLBUM DE “TOUSSAINT”. E BALANÇO MAIS REFINADO VAI SER DIFÍCIL ENCONTRAR NESTE PLANETA.
TENTEM, COMPROVEM!
POSTAGEM ORIGINAL: 19/06/2020
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