DAVID BOWIE E MARC BOLAN 1967/1974. O GÊNIO DEFINIDOR E O CHATO DEFINITIVO

BOWIE morreu consagrado. BOLAN em decadência paulatina.
São absolutamente contemporâneos, teceram carreiras paralelas que, nada paradoxalmente, se cruzaram entre 1971 e 1974. Compartilharam várias vezes o produtor TONY VISCONTI, e foram as duas figuras chaves do chamado GLITTER, ou GLAM ROCK. Histeria elevada ao cubo e contrastante com o ambiente compartilhado com o ROCK PROGRESSIVO, o HARD e o HEAVY METAL – também ascendentes.
GLITTER É POP e dançar é preciso. Então, a Parada de Sucessos era deles. No primeiro Long Play, 1967, na foto, BOWIE dava ideia do excelente e versátil melodista que sempre foi. Ainda não é o DAVID BOWIE que reconhecemos, mas abre pistas.
Na encarnação enquanto TYRANOSSAURIOUS REX, em quatro long plays, MARC BOLAN mostrou o vocal sempre insuficiente gravando um FOLK PSICODÉLICO meio sem rumo… Até que TONY VISCONTI deu um jeito, e seus HITS mascados e dançantes dominaram a Mídia.
BOWIE, também. Mas, seu talento, energia e versatilidade o levaram muito, mas muito além, até o final da vida.
DAVID BOWIE ajudou a definir a estética musical de seu tempo.
DAVID GILMOUR, do PINK FLOYD, se lembrava de MARC BOLAN no escritório da banda assediando a recepcionista, JUNE CHILDS, com quem se casou.
Aliás “BOLAN-CHILDS”, tornou-se a plaquinha na porta do apto dos dois; e se tornou ÍCONE POP naqueles tempos antigos.
Prefiram BOWIE. Mas, ouçam alguns SINGLES do T.REX. Principalmente GET IT ON e METAL GURU. Arte, diversão e frescuras disseminadas. POP ROCKERS até final.
POSTAGEM ORIGINAL: 27/04/2019
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MIROSLAV VITOUS, UM SUPERDOTADO! BAIXO ACÚSTICO GENIAL EM VANGUARD JAZZ E FUSION

Em cena no “making-of” do DVD “Me and Mr Johnson”, ERIC CLAPTON aponta para o tamanho dos dedos de ROBERT JOHNSON, e comenta sobre o alcance físico do negão no braço e nas travas do violão. Os dedos enormes possibilitavam tocar as notas e os acordes, que certamente o distinguiram na história do BLUES.
Eu acrescento: ainda bem que o JOHNSON não foi urologista…
MIROSLAV VITOUS é um sujeito grandalhão. Se apropria e se aconchega facilmente ao enorme BAIXO ACÚSTICO. É, também, caso raro de superdotado em duas atividades: aos 6 anos tocava violino; aos 9 piano; e aos 14 baixo acústico. Resumindo o “PROLEGÔMENO”, o cara estava graus e graus acima da normalidade.
E, para referendar, MIROSLAV FOI NADADOR DE ALTÍSSIMA PERFORMANCE. Participava da equipe olímpica da antiga Tchecoslováquia! Só não foi para as Olimpíadas porque escolheu fazer música!
Sorte nossa e do mundo inteiro!
VITOUS, como outro artista de dimensão histórica – o bailarino russo RUDOLF NUREYEV, para citar em mesmo nível – aproveitou a excelência da educação física e do ensino das artes propiciada pelos Estados comunistas da EUROPA ORIENTAL, principalmente durante a guerra fria. Na música, ele se destacou a tal ponto que, aos 19 anos, já gravara com artistas populares locais!
EM 1966, VITOUS foi aprovado para cursar a BERKLEE SCHOOL OF MUSIC, em Nova York. Quem o escolheu em concurso foi o tecladista JOE ZAWINUL. Só!
No livreto que acompanha otima edição da BGO inglesa, para THE BASS; um clássico “underground” originalmente batizado por “INFINITE SEARCH”, VITOUS conta que, em PRAGA, na década de 1960, era muito difícil encontrar discos de JAZZ ou do bom POP internacional. No entanto, a rádio FREE EUROPE era ouvida por lá, e sua formação jazzística veio de alguns excelentes programas veiculados. Ele estudava e praticava com as informações que obtinha.
VITOUS conta experiência pela qual eu também passei várias vezes, como colecionador e ouvinte interessado em JAZZ e ROCK: Já nos E.U.A, MIROSLAV perguntava para pessoas ligadas à música se conheciam certos discos e gravações. E a resposta era normalmente “não”. Eu cansei de fazer isso com estrangeiros e ouvir a mesma coisa… Ele conclui que sabia mais de JAZZ morando em Praga, do que a turma do primeiro mundo. Eu digo o mesmo morando a vida toda no Brasil… E não sou o único, com certeza…
MIROSLAV tocou uns tempos com MILES DAVIS, que já estruturava sua FUSION ELÉTRICA. Mas, não era o que a banda necessitava. Ele toca BAIXO ACÚSTICO. E sua grande contribuição foi seguir a tradição de SCOTT LA FARO, um dos “libertadores” do contrabaixo para improvisar e liderar a música dentro de um grupo: LA FARO está, por exemplo, em FREE JAZZ, de ORNETTE COLEMAN…
VITOUS é um solista de vanguarda e não apenas um provedor de ritmos e andamentos. É, também, um dos grandes no uso do ARCO no instrumento. E foi desse contato com a banda de MILES DAVIS que, em 1969, MIROSLAV gravou para a EMBRYO, gravadora de vanguarda, um grande clássico batizado por “INFINITE SEARCH”.
O álbum foi produzido pelo flautista HERBIE MANN, que aproveitou a base do grupo de MILES DAVIS substituindo WAYNER SHORTER no sax.
Estão aí a guitarra de JOHN McLAUGHLIN, já grande músico, que ainda não havia levado seu fraseado curto ao estado da arte; JACK DeJOHNETTE e a sua bateria cheia de estilo, ton-tons e pratos; HERBIE HANCOCK ás no piano elétrico; e o sax de JOE HENDERSON, formado na sonoridade clássica da BLUE NOTE, e exportado para as fronteiras do JAZZ EXPERIMENTAL.
O quinteto é ousadia plena e, ao mesmo tempo, melódico!
Soa europeu? Quem sabe? Mas, nada do chato pedante masturbatório que circunda gênios de fato e, também, os FAKES. Então, junte aos acústicos os eletrificados e você terá um disco denso e consistente, na tradição da melhor “FUSÃO JAZZÍSTICA”, até hoje com lugar marcado na história e nas discotecas mais sofisticadas.
O movimento seguinte de VITOUS foi participar da fase inicial do WEATHER REPORT, com WAYNE SHORTER e JOE ZAWINUL – o seu “descobridor”.
MIROSLAV disse, certa vez, que foi “forçado” a sair substituído por ALPHONSUS JOHNSON, o antecessor do mítico JACO PASTOURIOUS, quando a FUSION da banda tornou-se mais linear e decididamente elétrica, em 1974. Aqui estão dois dos quatro álbuns que gravou com o WEATHER REPORT: SWEETNIGHTER, 1977; e I SING THE BODY ELECTRIC, 1974.
Desse ponto em diante o gigante disciplinado, metodicamente transgressor, praticante incansável do “DOUBLE BASS”, entra em nova etapa. Firme, forte e desafiador como o NADADOR de ponta que também foi.
Ele como todos que dão certo esforçou-se. Procurou um caminho e estilo. Em uma sapecada geral, levantei entre 48 e 58 álbuns de estúdio onde era, ou estava, entre os protagonistas. Há participação em mais 228 discos como artista convidado ou contratado. Nada mal! Concordamos, né?
MIROSLAV VITOUS gravou muito pela E.C.M., de MANFRED EICHER. Discos SOLO eu tenho na foto “MIROSLAV VITOUS GROUP”, 1980, com JOHN SURMAN, soprano; KENNY KIRKLAND, piano e JON CHRISTENSEN, na bateria. E, também, “JOURNEY´S END”, 1983, com a mesma turma, e JOHN TAYLOR substituindo KENNY no piano. Há também, “UNIVERSAL SYNCOPATIONS”, 2003, com CHICK COREA, JOHN McLAUGHLIN e JACK De JOHNETTE….Ahhhhh, vocês todos sabem o que eles tocam….
E há dois do diferenciado guitarrista norueguês TERJE RYPDAL, com MIROSLAV e DeJOHNETTE, lançados em 1979 e 1981. E mais um do saxofonista JAN GARBAREK e o baterista PETER ERSKINE, em1991. Sei que há outros diversos, na ECM, gravadora que é a “CARA” de MIROSLAV VITOUS, além de muitos, muitos outros catálogos afora…
VITOUS não parou, continua em atividade, e, dizem, soberbo! Inclusive em “aventuras” orquestrais. Mas, aí, já extrapola o texto.
Enfim, pesquisar essa gente toda é quase impossível, e as conexões espalham-se mundo e vida afora. Então, convido a todos começar por aqui. É música exuberante feita por gente de alta qualidade técnica e artística.
Procurem saber.
POSTAGEM ORIGINAL: 29/04/2023
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CELLY E TONY CAMPELLO, E O DILEMA DE ESTAR ENTRE DUAS GERAÇÕES

Noite incerta, no meio da quase madrugada, assisti a “BROTO LEGAL” , filme expondo o período de nascimento e quase glória do ROCK BRASILEIRO.
Claro, tio SÉRGIO, o chato, observa que faltou ao roteiro alguma sofisticação sociológica; questionamentos pertinentes, mesmo que não tão estridentes ou militantes.
Reviver aqueles tempos, incentiva o “viajante” a reflexões mais amplas.
E eu vou tentar.
O BROTO LEGAL, entre 1958 e 1962, foi CELLY CAMPELLO. Cantora talentosa, voz delicada e dicção clara e perfeita. E a imagem da menina jovial, “virginal” e de família, mas recatada na medida certa. Ela era SIGNO de um tempo que rumava célere para a extinção…
TONY CAMPELLO, seu irmão, e coadjuvante também talentoso, cantava em bailes, na região de TAUBATÉ, SP. Em 1956, veio trabalhar no SESC, em São Paulo. Foi o antídoto encontrado pelos pais para evitar que ele enveredasse em vida desregrada… Mas, com as noites vagas, descolou jeito de continuar cantando.
Nessas, ele cruzou com o grupo de MARIO GENARI FILHO; músico, produtor, e talvez o primeiro a tentar introduzir, no BRASIL, o ROCK AND ROLL, sucesso da hora, na AMÉRICA.
Ele convidou TONY para cantar em um 78 RPM que pretendia lançar, pela ODEON. CAMPELO gravou o lado A. Mas, para o lado B, o ideal seria uma cantora. Testaram esquecida veterana – eu não sei quem. Quase rolou…quase.
Foi quando TONY sugeriu a irmã, CELLY, de 15 anos! Mas, já apresentando programa na rádio CACIQUE de TAUBATÉ! E causando um pequeno agito regional!
CELLY deu conta do recado muito além do que esperavam! E TONY convenceu o relutante pessoal da ODEON a gravar versão de um HIT mundial da cantora CONNIE FRANCIS: e “ESTÚPIDO CUPIDO” foi explosão instantânea , em 1958!
CELLY virou sucesso arrasador. Excursionou pelo BRASIL; e gravou e vendeu discos, até 1962, quando desistiu da carreira para casar-se com o namorado de adolescência, JOSÉ EDWARD CHACON. Ela tinha 20 anos, gravou mais alguns discos, até 1965. E saiu de cena.
No início da década de 1970, houve certo “REVIVAL” com a novela “ESTUPIDO CUPIDO”. Mas CELLY não voltou a desenvolver carreira. Ela e o marido permaneceram casados até a morte dela, em 2003.
Entre os CDs na postagem, está um CD DUPLO dedicado aos dois, que faz parte da COLEÇÃO BIS, da gravadora EMI – que relançou, em, 2000, coletâneas da turma da JOVEM GUARDA. Mas, todos os CDS foram mal concebidos, e não trazem quaisquer informações sobre artistas e obras.
No repertório, estão 28 músicas, em qualidade técnica aceitável. Porém, CELLY mereceria algo feito pela BEAR FAMILLY RECORDS, especialista no POP/ROCK dos 1950/60. Certamente, os alemães dariam tratamento adequado tanto às músicas, quanto na parte gráfica e textos.
CELLY CAMPELLO foi a primeira TEEN IDOL brasileira. Era contemporânea de outra teenager, também baixinha e superdotada: BRENDA LEE, que forjou carreira de imenso sucesso, saindo do POP indo para o COUNTRY e até o GOSPEL; e continua viva… Postei aqui.
Sem dúvidas, CELLY CAMPELLO influenciou ELIS REGINA que, em 1961, lançou “VIVA A BROTOLÂNDIA”. Certamente, CELLY inspirou RITA LEE, PAULA TOLLER e, talvez, SANDY; entre diversas cantoras que, se repararmos bem… Dizem as boas línguas que TOM JOBIM gostava do jeito de CELLYcantar…
É interessante notar que os TEEN IDOLS explodiram para valer anos depois: STEVIE WONDER, STEVIE WINWOOD e PETER FRAMPTON; e sem focar nas BOYS BANDS tipo MENUDOS, BACK STREET BOYS, NSYNC. Ou, também, os meninos coreanos de agora, e tantos e tontos outros, ao longo das décadas. Opa!!! , não vamos esquecer MICHAEL JACKSON, o maior deles todos!
Há um detalhe “histórico e sociológico” fundamental. CELLY, como NEIL SEDAKA, PAUL ANKA, BRENDA e CONNIE, os TEEN IDOLS da década de 1950, são frutos de uma geração intermediária de artistas. Estão entre o ROCK AND ROLL clássico de ELVIS, CHUCK, JERRY LEE LEWIS, e BUDDY HOLLY.., e a emergência do BEAT, na Inglaterra e nos E.U.A..
Quando CELLY desistiu, em 1962, os BEATLES, os STONES, DYLAN e os BEACH BOYS estavam se firmando, e mudando completamente o panorama da música popular no mundo inteiro!
CELLY não topou fazer a JOVEM GUARDA com ROBERTO e ERASMO CARLOS, em 1966. Ela estava casada e com dois filhos. Preferiu cuidar da família. O lugar que seria dela foi para WANDERLEIA. Com certeza, CELLY não tinha noção do momento histórico. Porém, acertou: ela e TONY tinham nada a ver com o projeto do programa!!! Eram de outra geração e, possivelmente, teria sido um fracasso.
É curioso, CELLY gravou versão de “AS TEARS GO BY”, clássico CULT dos STONES, de 1965, e também vertido por FRED JORGE, o profissional predileto para fazer as versões do POP estrangeiro daquele momento. Ficou algo romântico demais, e ao estilo do que era feito na década de 1950. O que dá a medida dos desafios que CELLY teria, caso enfrentasse as mudança na moda e nos comportamentos. Ela não participou da era BEAT. E não tinha perfil para encarar os novos tempos de completo desregramentos.
“AS TEARS GO BY” é música de transição para o ROCK PSICODÉLICO, e fala de depressão. Em tese, não é para jovens esperançosas e alegrinhas. Eu especulo se a decisão apaixonada, conservadora e imprevista que CELLY tomou, não acabou por favorecer o seu MITO? Mas é muito possível; talvez bem provável!!!
Décadas atrás, eu conheci e me tornei amigo de TONY CAMPELLO. É um excelente sujeito. Aberto, discreto e bem-humorado – um cavalheiro!
Certa vez, na mesa de um bar, na Avenida Paulista, eu contei pra ele que, na primeira vez que andei sozinho de ônibus, em 1959, tocava no rádio “O CANÁRIO “, música singela, bonita e gentil, cantada em dupla por TONY e CELLY. Eu jamais esqueci do momento, da sensação, do bem estar e liberdade que estava provando ao me locomover sem a presença de minha mãe ou do meu pai. E a música transmitia o afeto e a empatia, que só os realmente talentosos conseguem passar.
Enquanto eu pesquisava para o texto, depois de anos, toquei novamente a música. E aqueles instantes únicos voltaram com a emoção e a nitidez de 60 e tantos anos atrás!
TONY CAMPELO se referia sobre a morte da irmã de um jeito delicado e apropriado. Ele não dizia que CELLY havia morrido. E, sim, que estava viajando por um lugar muito melhor!!!
Ele foi, além de cantor, um produtor musical interessante. Lançou SÉRGIO REIS, já no pós – JOVEM GUARDA; E produziu, entre várias outras músicas, PANELA VELHA, talvez o marco inicial desse misto de COUNTRY MODERNO, MÚSICA CAIPIRA, GUARÂNIA, etc…, batizado de SERTANEJO! TONY contribuiu para que essa música híbrida se tornasse o verdadeiro POP do Brasil. Gostemos ou não, é um fato.
TONY também organizou, para a B.M.G, ótima coleção de “CAIPIRAS” de raiz. E fez reviver uma série de “DUPLAS” do passado tidas como artisticamente relevantes. Ele trabalhou, e viveu de música a vida inteira. E conhece muito o POP ROCK da década de 1950 e início dos 60; e a música verdadeiramente popular feita por aqui.
Faz muito tempo que não o vejo. Infelizmente. E, hoje, ele é o decano dos ROCKEIROS brasileiros, com perto dos 90 anos de idade! CELLY e TONY CAMPELO são parte relevante da HISTÓRIA MUSICAL BRASILEIRA, e merecem o nosso respeito, e o resguardo de suas memórias!
POSTAGEM ORIGINAL: 29/04/2023
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PUB ROCK: ISTO AQUI É ROCK’N’ROLL!

Em 1976, o PUNK espalhou – se pelo ROCK, e a imprensa e os relações públicas os venderam como iconoclastia radical “contra tudo aquilo que estava ali “; uma rebeldia inédita em busca pelo “LOW-FI” – o basicão mal acabado.
Um contraste às grandes bandas, à turma do PROGRESSIVO, e ao POP bobinho de sempre – todos desertores e traidores do verdadeiro ROCK ‘ N ‘ ROLL, na opinião de muita gente.
Os PUNKS foram ou tentaram ser tudo isso. Mas como a vida ensina, o buraco pode ser outro, mais específico, e de características híbridas. É bom saber que o tempo todo há outras crateras e orifícios que vivem, concorrem e sobrevivem à pandemia da hora.
Fora da grande mídia sempre houve bom ROCK de verdade; variado e sem regras rígidas, oscilante e acontecendo junto ao modismo do momento.
Saiu o GLAM e assumiu o PUNK? Sim, entre várias sobrevivências, eu complemento.
O ROCK básico sempre esteve rolando. Na Inglaterra, com o final do BEAT, em meados dos 1960, sobreviveram muitas bandas, e surgiram outras levando a bandeira do ROCKABILLY, do R&B e do BEAT modificado. Tocaram em PUBS, CLUBES, RÁDIOS, e entraram para coleções.
Todas foram juntadas sob o nome genérico de PUB ROCK. E aqui estão seis artistas, sendo um deles uma sugestão do tio Sérgio.
DAVE EDMUNDS talvez seja o pioneiro. Grande guitarrista, sobrevivente do BEAT, mas com talento e discografia suficiente para influenciar os STRAY CATS, ELVIS COSTELLO e produzir e incentivar diversos outros.
Esta coletânea é ROCK PURO, e tem faixas desde os anos 1960 com o “LOVE SCULPTURE” , sua banda original. E há, também, com NICK LOWE – outro ícone – e CARLENE CARTER, filha de JOHNNY CASH. Os colecionadores podem procurar o VINIL de EDMUNDS lançado por aqui em 1979, “Repeat when Necessary “. Pau puro!
DR. FEELGOOD é a essência do PUB ROCK. Pesados e simples sem serem simplistas; são básicos, não rudimentares. Por aqui, foram editados discos deles em VINIL, na década de 1970. Quem ainda não ouviu “Roxette” “She does it right” ou “Going back Home” está esquecendo ROCKS. São imperdíveis! Nesse BOX, 49 músicas lançadas apropriadamente em SINGLES.
Vamos dar meia volta para o futuro: imperdível e muito fácil de achar é o Cd gravado em 2014 por WILCO JOHNSON – guitarrista do DR. FEELGOOD e ROGER DALTREY, vocalista do THE WHO, o mais PUB-ROCKER entre os grandes vocalistas do ROCK CLÁSSICO. O disco é uma delícia, foi gravado na CHESS RECORDS, e simbolismo melhor impossível.
Aqui, também, o meu predileto entre eles todos: GRAHAN PARKER & THE RUMORS. Misto de R&B, DOO-WOP, com retrogosto de SKA e ROCK AND ROLL tradicional de primeira linha, trazidos para o clima PUB em meados dos anos 1970. PARKER é um cantor “PUNK” circundado por uma excelente banda de R&B! Original, pesado, algo sutil nas letras e festa garantida.
HEAT TREATMENT, na foto é, para mim, o disco ápice dessa mescla. E, na coletânea, o primeiro disco é ROCK da melhor qualidade. O segundo já encontra o PARKER “compositor”. Algo meio chato entre BRUCE SPRINGSTEEN e BOB DYLAN. “Vai” de gosto, mas eu “fico”…
TIO SÉRGIO “what porra it´s that”? As BANGLES por aqui?
Eu defendo que sim. Nesse “Different Lights” , as meninas revivem a sonoridade, e “quase são” os também ingleses SEARCHERS, banda BEAT ícone dos anos 1960/1970.
Elas tocariam o repertório delicioso em qualquer PUB da época.
E os SEARCHERS, até 2020 faziam o circuito PUB – pequenos clubes. E se aposentaram com “60 anos de contribuições ao ROCK”.
Não percam!
POSTAGEM ORIGINAL: 26/04/2020
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NOVIDADES NOVAS E VELHAS, QUE SE ACONCHEGARAM EM MINHA ESTATANTE.

FRUTOS DE ROLOS ENTRE AMIGOS, E QUE SERÃO APRECIADOS COM O TEMPO. ALIÁS, A MAIORIA EU JÁ CONHECIA; MAS EDIÇÕES JAPONESAS CONFIRMAM O MUST DO COLECIONISMO; ENTÃO…
1) “VASHTY BUNIAN”, 1970, ANOTHER DIAMOND DAY: CULT FOLK DA GRÃ BRETANHA. PEÇA ESSENCIAL DO COLECIONISMO DE DOIDOS COMO O “TIO SÉRGIO”, AQUI…
2) “SPOOKY TOOTH & PIERRE HENRY” CERIMONY, 1969: Rock ‘ELETROACÚSTICO”, emulando coisas do KRAUTROCK, e feito pela consagrada banda inglesa e um compositor francês de vanguarda. O vinil, que eu também tive, é CULT até o último pato morto no embornal….
3) DOORS: THE SINGLES, 2017: Tá, dispensa comentários; é duplo!
4) JOE SATRIANI, FLYING IN A BLUE DREAM, 1989: o atleta da guitarra em estado puro, mas em disco bem trabalhado nas melodias. É o meu predileto do cara! Que, se superou tecnicamente em cada obra lançada, tornando-se “GUITAR HERO” incontrastável. Pra mim, basta este álbum!
5) MOUNTAIN, OVER THE TOP, 1995: Coletânea dupla abrangente da banda do “FAT BOY FROM QUEENS”…, o LESLIE WEST. Está aqui tudo o que é relevante, e algo mais… É o suficiente desse cantor gritalhão, de voz enorme; um botijão de gás peripatético e guitarrista de sutilezas e delicadeza incomparáveis! Vou manter os dois primeiros discos deles, e curtir esse aqui de montão!!!!
6) THE WHO, THE ULTIMATE COLLECTION, 2002: Por aqui, o essencial reproduzido em estilo e qualidade, como os nossos irmãozinhos do extremo oriente costumam fazer. Tudo é de classe; a começar pelo estojo do CDS – aliás, são dois cds! Enfim, irresistível. Fortalece a coleção da banda…
7) HUMPLE PIE, THUNDERBOX, 1974: a banda clássica, mas sem o PETER FRAMPTON. No lugar, está o ótimo guitarrista DAVE CLEMPSON. É Hard Rock /Blues na veia, como se espera. E um dos que faltavam na coleção do TIO SÉRGIO. Enfim;
8/9 KING CRIMSON: LIVE IN TORONTO, 2016 e LIVE IN CHICAGO, 2017. AMBOS DUPLOS. Pois, é!!! A formação e estética do novo CRIMSON, com as três baterias. É o que eu desejava, e muito!!!! Vou apreciar. Eu já escrevi sobre esta fase ultra espetacular, para mim além da crítica; diferenciada e vanguardista. Está próxima do extremo de sofisticação que o ROCK, ou seja lá o que isto for, pode nos brindar. Vai maturar mais um tempo na “adegadiscoteca” pro TIO SÉRGIO se sentir um pouco mais capaz para decifrar os acepipes.
Só por esses dois duplos, eu já me sinto PIMPÃO e VIAJANTE!
Quem sabe, no futuro eu dê notícias sobre essa trempa toda!
É isso!
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“O QUE É QUE TEM NESSA CABEÇA, IRMÃO? UM DIA ELA VAI EXPLODIR”

Pois, é! Sonhei com o WALTER FRANCO. Sei lá o quê, e muito menos por que? Em cima do pescoço todo mundo tem uma cabeça. Pelo menos aquela original, fisiologicamente instalada…
Muita gente tem a coisa parecida com uma mortadela ruim, a massa encefálica cheia de gorduras e carne de terceira…
Não dá pra comer, e não adianta usar pra pensar…
Além dos sete buracos originais de fábrica, o jornalista REINALDO AZEVEDO tem mais uns três, por causa de operações que teve de fazer. Coitado! O cantor CHICO CESAR tinha – ou será que ainda tem? – uma beterraba.
E eu ostento um queijo suíço! Um monte de buracos imensos, mas dentro do cérebro: orifícios e crateras de danificando a memória, o desempenho, o processamento… Às vezes, ela anda fraca, desfalcada, confusa. Outras, quando fincada no lado “massa do queijo”, ainda estanca algumas lembranças; talvez sabedorias; e quem sabe pedaços enferrujados de resquícios de leituras e audições.
É por aí, talvez. Não tenho certeza… Vivo tentando repassar algumas lembranças por aqui, no FACEBOOK. Elas surgem, não se fixam e deixo pra lá um monte de histórias, percepções, “sacações”. Alguma hora voltarão – quem sabe. Espero me lembrar quando chegarem…
Acho que os viventes produtivos e com algo a dizer têm obrigação de fazê-lo. Hoje, pensei no DELFIM NETO. Cadê as memórias de um dos caras que mandou pra valer na economia deste país? Ele ajudou a mudar a cara do Brasil – para o bem e para o mal.
DELFIM foi Secretário da Fazenda de SÃO PAULO, no governo CARVALHO PINTO, uns 60 anos atrás. Palpitou no governo CASTELO BRANCO, e atuou forte nos governos MÉDICE e FIGUEIREDO. Todos durante a DITADURA MLITAR… É um estigma, concordo. Mas não esteve metido em torturas e outros excrementos morais.
DELFIM deu conselhos a todos os presidentes da NOVA REPÚBLICA. Com exceção do COLLOR, e do TROGG, OOOOPPSSS, BOLSONARO!
Ele teve vida longa, lúcida, errada, certa, controversa, mas produtiva, interessante, e muito relevante! Então, cadê o livro de memórias do cara, com ou sem buracos, omissões, invencionices propositais ou não?
Eu dou palpite em um montão de assuntos e coisas. Certos ou errados, não importam. Tento participar à partir de meu limitado espaço e conhecimento.
Escrevo muito sobre música, e de vez em quando erro. Mas, não me importo: geralmente tenho copidesques para ajudar, gente mais sã e sábia como Gerson Périco Ayrton Mugnaini Jr. Cesar Lima.
Uma vez estive em show do SEPULTURA com meu falecido amigo JEAN YVES DE NEUFVILLE. Era ele mesmo! porque o único amigo que tive com a cara do STING… Ele foi cobrir para um jornal, não lembro se Folha de São Paulo ou Estadão; ele trabalhou nos dois. E não lembro onde foi o “Concerto”… Excesso de álcool, certamente…
Mas, gostei; foi muito legal! Porque os irmãos CAVALLERA e banda eram barulhentos, amedrontadores, pesados; entregaram o prometido. Saí zonzo e meio com receio deles…
Sei lá quanto tempo atrás, fui na padaria e comprei três “filões” de pão. Perdi um. Quando cheguei em casa, a Angela não acreditou!!! Nem eu. Buracos no cérebro… comportamentos sem compromisso, ou planejamento…
De uns tempos pra cá, eu e ela anotamos o que é preciso comprar ou fazer. Ponho tudo na agenda – tá bom!, tá bom! de vez em quando esqueço a agenda! – mas geralmente dá certo, por causa do monitoramento via ZAPP. Ou nem sempre….
Dia desses, saí para comprar remédio. Cheguei na farmácia, abri a geladeira, peguei uma garrafa de água mineral, paguei e fui embora. Mal entrei na garagem, dei meia volta e fui buscar a coisa…. Tinha acabado. Tive de procurar outra drogaria…
Assim, não dá; assim não é possível – dizia o F.H.C! Eu preciso ficar mais atento, memorizar; tomar jeito, diz a Angela Paes de Moraes e todo mundo concorda! Se é que tudo isso que escrevi aconteceu mesmo….
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PRETA! PRETA! PRETINHA! PRETÕES, PRETOS E PRETINHOS! A GENTE VAI OUVIR COMO É LEGAL SER NEGÃO (OOOPSS!) ALÉM DO SENEGAL!!!

Pronto! tem coisa que ainda não ouvi, mas já gostei!
Como assim, TIO SÉRGIO, SEU entediado metido a entendido? Você não vai perpetrar calúnias irrefletidas sobre a turma aí, né?!
Não! Vou não!
Vou é explodir de pimpão por ter discos do pessoal, aí!
Alguns chegaram mais ou menos por agora. Outros, moram nas estantes em muito boa companhia faz décadas. E diversos desde tempos imemoriáveis! Tem quase de tudo, nessa bacalhoada. Mas, basicamente SOUL e R&B; e BLUES também. Porque ninguém é de ferro!
AIN´T NOBODY BLUES, com “JIMMY WITHERSPOON”, é uma seleção de BLUES não óbvios, gravados em MONO, portanto coisas mais antigas. “ISAAC HAYES” gravou em 1979, …TO BE CONTINUED, no crepúsculo da grande produção da SOUL MUSIC dos anos 1970. Ainda há traços de PSYCHEDELIC SOUL misturados a BURT BACHARACH. Acho que foi a primeira vez que vi escrita a palavra RAP. Era para continuar ouvindo, sugere o título. Eu prossegui.
“GIL SCOTT-HERON & BRIAN JACKSON”: WINTER IN AMERICA é o disco clássico deles. HERON é tido como um dos pioneiros da consciência negra na música. Está aí THE BOTTLE e outras pérolas. E mora por aqui faz tempo. Deem, também, boas vindas aos dois!
“ALLEN TOUSSAINT”, traz gravações espetaculares artística e tecnicamente, feitas pelo grande pianista, arranjador, e X TUDO da BLACK MUSIC de New Orleans. Um must imperdível! Um território vasto, integrador de estilos e sutilezas.
“JOHNNY TAYLOR” foi destacado SOULMAN da ATLANTIC RECORDS, fase áurea em 1967. Quem não o conhece, comeu leite condensado na casa do BOLSONARO!
“GREGORY PORTER” é da nova geração do R&B. Sucesso merecido. Canta muito; e seu repertório é bem escolhido. E disco e tecnicamente bem realizado. É fácil encontrar. E vale a pena!
“TEMPTATIONS”, históricos e veteranos, coligindo gravações de SOUL PSICODÉLICO DO GRUPO. É sensacional e indispensável! Traz grandes músicas e HITS, como BALL OF CONFUSION, PSICHEDELIC SHAKE; I CAN´T GET NEXT TO YOU, e mais umas vinte igualmente formidáveis! Quem não gostar, vai ficar assistindo a discursos de LULA por cinco horas seguidas!!!
“MARVIN GAYE” era um monstro em vários sentidos. Pessoa repulsiva, e cantor e compositor celestial. Contradição somente possível entre humanos; e nos COMBOS imperfeitos que todos somos. Aqui, Coletânea da fase SONY. Tem SEXUAL HEALING, e um monte de coisas legais.
“ARTHUR CONLEY ” é tipo um WILSON PICKETT menos dotado (oooppsss, cuidado com as definições, TIOOO!!) também era da ATLANTIC , lá por 1967. TIO SÉRGIO gosta e recomenda. Aqui, CD japonês em MONO…
E algumas palavras sobre “DINAH WASHINGTON”, Ahhhhhhhhhh, todo mundo conhece a “malcriada genial”! Ela sempre instiga verbete maior, e “A ROCKING GOOD WAY” é coletânea lançada pela perfeccionista BEAR FAMILY RECORDS. DINAH sabe cantar de tudo! Tem voz pessoal e afinada, com fraseado e senso de ritmo perfeitos.
É um espetacular álbum de R&B; e também traz alguns ROCKS; coisas ferinas, ou pesadas; outras melodiosas. Mas sempre muito bem cantadas. E lá estão algumas babas imperdíveis como UNFORGETABLE e WHAT A DIFERENCE A DAY MAKES”, que a levaram ao topo das paradas, na década de 1960 – e à perene fama que consolidou.
O CD estava no topo da minha fila, e foi “imposto” pelo meu amigo FABIO DEAN. Então, NÃO TEM ERRO! Foi sendo ouvido com paixão! Tio Sérgio gostou: Pode comprar que é ótimo!
“OTIS REDDING”: SINGS SOUL!!! Autodefinidor. No topo da essência do melhor que ele fez, e que já foi feito.
“THE FIVE ROYALS” , estão no GRAMMY, e no HALL OF FAME do ROCK, e tudo o mais que uma banda clássica de DOO WOP mereceu. Cheio de HITS e de músicas que você já ouviu com outros, discotecas e rádios afora. A Edição também é da BEAR FAMILY RECORDS. Melhor é implausível!
“DON COVAY”: MERCY! KEITH RICHARDS é fã! Tio Sérgio e você também! É clássico da ATLANTIC RECORDS, 1964.
Finalmente, URAL THOMAS & THE PAIN. Disco de 2018 de um experimentado R&B/SOUL SINGER, na linha mais clássica, e até recentemente desconhecido.
Já ouvi o disco inteiro umas 4 vezes! Contém música chamada “SMOLDERING FIRE”; SOUL espetacular e sensual. Fez parte da trilha sonora da minissérie THE INDUSTRY! Embalou cena de sexo das mais sedutoras dos tempos atuais.
Vocês gostarão de tudo!!!! Aposto “dois real”! Não percam!
POSTAGEM ORIGINAL: 21/04/2023
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NEIL YOUNG – SERÁ QUE ELE VALE ALGUMA COISA? É NOTÍCIA VELHA, MAS INTERESSANTE!!!!!

“NEIL YOUNG” VENDEU 50% DOS DIREITOS SOBRE SEU “CATÁLOGO MAIS ANTIGO” DE MÚSICAS E GRAVAÇÕES, PARA A HIPGNÓSIS, UMA EMPRESA DE INVESTIMENTOS.
OS CARAS PAGARAM O PREÇO DE $150 MILHÕES DE DÓLARES!!! , UNS R$ 900 MILHÕES DE MANDACARUS!!!
NOTEM: ELE MANTEVE O CONTROLE SOBRE OUTROS 50%!!!! CONTINUAM SÓ DELE!
O CATÁLOGO ANTIGO INTEIRO, E VASTO ETC… ESTÁO SENDO RELANÇADOS.
É ASSIM QUE FUNCIONA: “OS MALDITOS CAPITALISTAS!” VÃO DISSEMINAR O “SACRO-SANTO CANADENSE” FEITO VÍRUS!!!
QUE TAL?
POSTAGEM ORIGINAL 23/04/2021
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ROCK DE GARAGEM, BUBBLEGUM E BEATNICKS… E OS ENSINAMENTOS DE DOSTOIÉVSKI PARA ANTROPÓLOGOS E MUSEÓLOGOS.

Para mim, parte da década de 1960 trouxe dias menos sombrios. Mesmo que imersos na DITADURA MILITAR. Motivo?
Eu era jovem, perambulava entre a consciência política ainda não adequadamente despertada, e o interesse ascendente em coisas culturais. E comecei a prospectar e colecionar discos de ROCK!
No início dos 1970, resolvi melhorar o meu inglês e comecei a procurar curso para fazer. Fui em duas escolas de referência, em São Paulo: a CULTURA INGLESA e a UNIÃO CULTURAL BRASIL – ESTADOS UNIDOS. Assisti aulas promocionais em ambas. Escolhi a CULTURA INGLESA.
Pois bem; foi quando rolou o que vou descrever. E por consequência, a minha “inflexão” e posterior “reflexão” ética (nossa, TIO SÉRGIO, manera aí!).
Eu tive em vinil a maioria dos discos da postagem. Todos bem legais: tive os FUGS, grupo FOLK BEATNIK ALTERNATIVO, inaudível para os mais sensíveis; até os HUMAN BEINZ, protopsicodélicos dançantes criadores, em 1968, de clássico dos bailes daqueles tempos em diante: Quem não conhece “NOBODY BUT ME”, não foi jovem em 1969!
E há dois discos contidos no CD dos BUCKINGHAMS, excelente banda contratada pela COLUMBIA RECORDS. São pequenas joias POP gravadas em 1967 e 1968. E, mais importante, foi a primeira intervenção de JAMES WILLIAN GUERCIO, produtor requintado. E o criador do “JAZZ – ROCK”, antecessor da “FUSION”, que se consolidou como expressão do enorme “MIX” de conceitos que passaram a ser o dia-a-dia da criatividade musical.
A criação de GUÉRCIO foi muito contestada na época, e algo além… Principalmente pelos JAZZISTAS e JAZÓFILOS mais clássicos. GUERCIO foi um inovador da linguagem musical POP! No fundo, instaurou possibilidade para artistas de alto nível se reciclarem frente às mudanças do mercado. Creiam; não é pouca coisa!
Com os BUCKINGHAMS, ele esboçou e produziu o que depois desenvolveu com o BLOOD, SWEAT & TEARS, e o CHICAGO TRANSIT AUTHORITY, dois sucessos merecidos e retumbantes! Procure ouvir!!
Na contramão, trago os SHADOWS OF KNIGHT e a CHOCOLATE WATCH BAND, bandas do mais ( im ) perfeito ROCK DE GARAGEM da História! Imprescindíveis, também.
Mas, aqui estão dois originais que foram salvos pelo TIO SÉRGIO da “extinção por maus tratos e tortura”. Explico em partes, como recomendam os princípios da dissecção…ooopss, what porra it´s that, TIO SÉRGIO? – pô, disse metaforicamente, é claro:
“THE MUSIC EXPLOSION” foi uma das invenções da dupla de empresários, JERRY KASSENTEZ e JEFFREY KATZ, que produziu e vendeu como chicletes músicas comerciais dançáveis do final dos 1960 até meados dos 1970. A banda gravou um LP ( que tive o “original massacrado”… ) e vários SINGLES. “A LITTLE BIT OF SOUL”, 1967, estourou! Curiosamente, o LADO B, “I SEE THE LIGHT”, é garageira radical e matadora! Eu escuto até hoje! Vou contar a história do “salvamento” desse LP logo mais…
O duo K&K foi um dos criadores do chamado “BUBBLEGUM”. Subgênero meio fake, festeiro e juvenil, que legou “artistas montados sob encomenda”, que transitavam entre as bandas e projetos da dupla e no grande entorno.
Ficaram quase famosos grupos como “1910 FRUITGUM CO.” e “OHIO EXPRESS”, notórios frequentadores das trilhas sonoras dos bailinhos e paradas de sucesso. Ambos gravaram muitos SINGLES de sucesso. Só que o primeiro álbum do “OHIO”, é imperdível: puro GARAGE ROCK!!!
O maior sucesso da era do BUBBLEGUM foram os ARCHIES, criados por “DON KIRSCHNER”, concorrente fortíssimo. Mas, “KASSENETZ & KATS” eram os caras! Depois, se envolveram em outras formas de ARTE POP, CINEMA, e etc…
Outro disco que “salvei” foi KICKS, com PAUL REVERE & THE RAIDERS, banda de verdade que andava mais ou menos por ali.
Transitavam do POP radiofônico ao ROCK DE GARAGEM com tudo o que uma… digamos… “BOYS BAND DA PESADA” poderia fazer de melhor! Tinham imenso FAN CLUB, e um grande “TEEN IDOL” , o cantor MARK LINDSAY. Tocavam bem; e a sonoridade e produção da COLUMBIA RECORDS garantia o restante!
PAUL & THE RAIDERS gravaram mais de 30 SINGLES de sucesso, e alguns álbuns que ficam bem em qualquer coleção de BEAT e GARAGE ROCK. Ouçam no álbum KICKS a cheia de pique CORVAIR BABY, que vale o disco.
Agora, vou narrar os salvamentos e a ressurreição. Durante um mês frequentei a UNIÃO CULTURAL, mas “não a escolhi”. Por lá, havia uma discoteca gerenciada por uma senhora que tratava os discos como o BOLSONARO trata os opositores; e LULA cuida da lógica.
Olhando a pequena estante, enxerguei dois LPs jogados, sujos, capas vilipendiadas; claramente manuseados com o desdém estúpido dos desinteressados: “KICKS”, de PAUL REVERE & THE RAIDERS, e “A LITTLE BIT OF SOUL”, do MUSIC EXPLOSION. Eram vistos como lixos descartáveis…
Uma tarde, houve o “descolamento e, ao mesmo tempo, o deslocamento” dos objetos. Acho que por desmaterialização que só o CAPITÃO KIRK, da nave ENTERPRISE, fazia na época… Ainda não havia a “INTERNET DAS COISAS”. Acho que a combinação de magia e tecnologia fez os discos migrarem para a minha coleção…
Eu tratei bem deles. Foram lavados, curados, capas recompostas, entre diversos atos de afeto. Hoje, tenho quase certeza de que sobrevivem por aí.
O que nos leva aos ensinamentos da ARQUEOLOGIA, da ANTROPOLOGIA e de DOSTOIÉVSKI:
Um ANTROPÓLOGO americano respondeu para o colega ARQUEÓLOGO mexicano, que lhe havia questionado sobre os “males do imperialismo, e os desvios das riquezas culturais de seu país para outros locais.
Ele simplesmente disse:
“Você está certo. Nós e outros tiramos daqui e de vários lugares parte de suas relíquias, e as levamos para Museus. Foram, também, para coleções particulares metade do patrimônio arqueológico “removido”.
“Mas, eu te pergunto, disse ao colega: O quê aconteceu com a outra metade?”
E o professor mexicano respondeu constrangido:
“pois, é; perdeu-se ou foi destruída…”
E um grande dilema ético se instalou: Roubar, mas preservar? Ao invés de “respeitar” e perder um passado relevante e precioso? Uma escolha de Sofia?
Durante muito tempo, senti-me um transgressor por causa da materialização daqueles discos em outro lugar… Depois, li CRIME E CASTIGO, de DOSTOIÉVSKI. É sobre a racionalização de um crime hediondo; um assassinato cometido pelo personagem principal contra uma criatura nefasta e deletéria.
Considerando as devidas proporções, eu sou o RASKOLNIKOFF do colecionismo. Eu e muita, mas muita gente, né pessoal?
Por agora, é isso!
POSTAGEM ORIGINAL 21/04/2022
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PRESTIGE RECORDS STORY- 1949/1971 – BOX SET

É interessante observar o capitalismo democrático, onde a maioria decide por votos os destinos políticos de um país. Um contraponto curioso aos milhões de pequenos, médios a grandes empreendedores, quase autocracias que tocam os negócios orientados pela visão de seus donos.
Assim é a democracia liberal. Onde prevalece a liberdade individual e de empreender. Sem a iniciativa privada seria impossível a criação de gravadoras como a PRESTIGE, VERVE, BLUE NOTE, ECM, BISCOITO FINO, entre muitas e muitas várias.
É a diversidade equilibrando a concorrência, opiniões e poderes. É tão importante quanto a criação e a criatividade dos artistas.
GRAVADORA BOUTIQUE de alto nível, a PRESTIGE foi criada em Nova York por BOB WEINSTOCK, um colecionador de discos – claro, como sempre! -, que aos 20 anos de idade vislumbrou a chance. Começou gravando e prensando os discos, inicialmente vendidos pelo correio, e depois virou também lojista.
Ler os livretos dessas coleções é uma delícia!
Este, por exemplo, vai fundo em poucas páginas, e recorda engenheiros, gente do marketing, funcionários e os vários que fizeram a gravadora prosperar em ESTADO DA ARTE.
É difícil saber o quê é melhor no catálogo artístico. Se os “LEADERS”, gente como COLTRANE, MILES, GENE AMMONS. Ou os “SIDERS”, músicos em nível de ART BLAKEY, KENNY BURRELL, PERCY HEATH, e incontáveis.
Todos por lá militaram nos 21 anos de existência da gravadora; e até que o “selo” fosse vendido para a “FANTASY RECORDS”. E, daí em diante ganhou o mundo através de reedições diversas e imprescindíveis!
WEINSTOCK orientou o estilo para o HARD-BOP, e o que foi descrito como “DISTINCTIVE BOP, fronteiras com a VANGUARDA de gente como ERIC DOLPHY. E foi fundo no “SOUL – JAZZ” revelando organistas da estirpe de GROOVE HOLMES, JACK MCDUFFY e SHIRLEY SCOTT. Tudo com muito balanço, e festeiro até hoje!
BOB WEINSTOCK, gravava e gostava de JAMS-SESSIONS; incentivava a espontaneidade e a “SELF-EXPRESSION ESTILÍSTICA”, digamos.
Por isso, há poucos takes alternativos nas gravações. Foram, também, pouquíssimos os cantores e cantoras. Curiosamente….
Mas, lá estiveram ETTA JONES e ANNIE ROSS.
Gravou, também, MOSE ALLISON – um dos inovadores do vocal “JAZZY”, como CHET BAKER e JOÃO GILBERTO. Em resumo, alta classe eternizada em conta-gotas nas coleções de quem gosta.
Este BOX tem um pouco de todos, e abre apetites e ouvidos. E cada CD traz a estampa e a evolução dos selos originais.
É muito legal de ouvir e ter!
Recomendo pra valer!
POSTAGEM ORIGINAL 19/04/2020
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