PRESTIGE RECORDS – BOX SENSACIONAL – E OUTROS DISCOS ORIGINAIS

É interessante observar o capitalismo democrático, onde a maioria decide por votos os destinos políticos de um país. Um contraponto curioso aos milhões de pequenos, médios a grandes empreendedores, quase autocracias que tocam os negócios orientados pela visão de seus donos.
Assim é a democracia liberal. Onde prevalece a liberdade individual e de empreender. Sem a iniciativa privada seria impossível a criação de gravadoras como a PRESTIGE, VERVE, BLUE NOTE, ECM, BISCOITO FINO, entre muitas e muitas várias.
É a diversidade equilibrando a concorrência, opiniões e poderes. É tão importante quanto a criação e a criatividade dos artistas.
GRAVADORA BOUTIQUE de alto nível, a PRESTIGE foi criada em Nova York por BOB WEINSTOCK, um colecionador de discos – claro, como sempre! -, que aos 20 anos de idade vislumbrou a chance. Começou gravando e prensando os discos, inicialmente vendidos pelo correio, e depois virou também lojista.
Ler os livretos dessas coleções é uma delícia!
Este, por exemplo, vai fundo em poucas páginas, e recorda engenheiros, gente do marketing, funcionários e os vários que fizeram a gravadora prosperar em ESTADO DA ARTE.
É difícil saber o quê é melhor no catálogo artístico. Se os “LEADERS”, gente como COLTRANE, MILES, GENE AMMONS. Ou os “SIDERS”, músicos em nível de ART BLAKEY, KENNY BURRELL, PERCY HEATH, e incontáveis.
Todos por lá militaram nos 21 anos de existência da gravadora; e até que o “selo” fosse vendido para a “FANTASY RECORDS”. E, daí em diante ganhou o mundo através de reedições diversas e imprescindíveis!
WEINSTOCK orientou o estilo para o HARD-BOP, e o que foi descrito como “DISTINCTIVE BOP, fronteiras com a VANGUARDA de gente como ERIC DOLPHY. E foi fundo no “SOUL – JAZZ” revelando organistas da estirpe de GROOVE HOLMES, JACK MCDUFFY e SHIRLEY SCOTT. Tudo com muito balanço, e festeiro até hoje!
BOB WEINSTOCK, gravava e gostava de JAMS-SESSIONS; incentivava a espontaneidade e a “SELF-EXPRESSION ESTILÍSTICA”, digamos.
Por isso, há poucos takes alternativos nas gravações. Foram, também, pouquíssimos os cantores e cantoras. Curiosamente….
Mas, lá estiveram ETTA JONES e ANNIE ROSS.
Gravou, também, MOSE ALLISON – um dos inovadores do vocal “JAZZY”, como CHET BAKER e JOÃO GILBERTO. Em resumo, alta classe eternizada em conta-gotas nas coleções de quem gosta.
Este BOX tem um pouco de todos, e abre apetites e ouvidos. E cada CD traz a estampa e a evolução dos selos originais.
Postei, também, alguns discos originais, entre 1956 e 1969, alguns remasterizados no Japão, para serem relançados. A PRESTIGE é o fino do fino, entre vários finos e refinados contemporâneos, ou não.
É tudo muito legal de ouvir e colecionar!
Recomendo pra valer!
POSTAGEM ATUALIZADA 21/04/2025
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JOHN LYDON, A LENDA, “P.I.L. METAL BOX” & BEYOND

P.I.L. – THE METAL BOX, 1979 – É A EVOLUÇÃO ARTÍSTICA DE JOHN LYDON – O DIFERENTE!
Eu sempre quis ter esse disco. Uns trinta anos atrás, consegui uma cópia em vinil com a embalagem metálica em mau estado. Eram 3 LPs de 12 polegadas, em rotação 45RPM. Tempos depois, passei para frente… Eu havia aderido aos CDS – fazer o quê!
Agora, comprei essa edição japonesa com três CDs, como a original em vinil. É muito bem remasterizada. A produção gráfica deixa a desejar, porque o texto só vem escrito na língua dos irmãozinhos de olhos puxados… Escutei vários dias para tentar escrever alguma coisa que valha a pena.
Gostei. É obrigatório reconhecer que JOHN LYDON melhorou muito enquanto artista e profissional. Foi criando obra consistente e diferenciada. Na foto, um EP em vinil de 12 polegadas, gravado ao vivo em NOVA YORK, em 2010. Comprei porque achei que seria barato. Não foi… Mas não ouvi; não tenho Pick -up.
A edição de MARÇO 2025 da revista RECORD COLLECTOR traz JOHN LYDON na capa. Matéria imensa, que não li toda. São 14 páginas, espaço somente reservado para gente como BOWIE, McCARTNEY, ou de igual quilate ou fama. É longuíssima entrevista abordando a vida, perrengues a música. Mostra capas de discos que ele gosta, etc…
Mas confesso: eu mal sabia por onde começar a falar sobre o ex – ROTTEN e sua aventura artística; a fama e mística nada recônditas no UNDERGROUND. E e de sua importância para o ROCK após o advento do PUNK. JOHN LYDON, com o P.I.L. – “PUBLIC IMAGE LIMITED” – é considerado o iniciador do PÓS – PUNK, em 1978. Então, fui em drágeas, homeopaticamente.
Mas TIO SÉRGIO, o que é esse tal de PÓS-PUNK?
É vasto Universo expandido abarcando tantas e variadas tendências que se entrelaçam, contradizem, ou reafirmam; talvez bastasse dizer que da NEW WAVE, passando pelo TECHNOPOP, ROCK INDUSTRIAL, MÚSICA EXPERIMENTAL ELETRÔNICA, ROCK ALTERNATIVO, e até o GRUNGE, é tudo obviamente PÓS-PUNK.
E LYDON com o P.I.L. flerta inclusive com sobreviventes meio tortos do KRAUTROCK, tipo o “CAN”; e remanescentes do PROGRESSIVO como “PETER HAMILL” e o “VAN DER GRAAF GENERATOR”. E sem deixar de lembrar do “KING CRIMSON”, cujo álbum RED foi encontrado no CD player de KURT COBAIN – o “GRUNGE” primordial com o NIRVANA -, quando ele se suicidou.
De certa forma, todos de algum modo foram aliciados para orbitar esse “AMPLO RÓTULO RELUZENTE”!
Você tá maluco de vez, TIO SÉRGIO?
Acho que não. Mas muita gente sustentaria que sim… Eu só exponho a controvérsia.
Estão na formação da música do “P.I.L” desde o “CAPTAIN BEEFHEART”; lascas de “ALICE COOPER”; e “JOHN CALE” do VELVET UNDERGROUND. E tudo amalgamado ao GOTHIC ROCK, confeitado por levadas do REGGAE, e coisas de WORLD MUSIC distorcidas via o guitarrista NICK SCOPPELITS, e baixistas alternativos, como BILL LAZWELL; e JAH WOBBLE – e seu ritmo e andamentos marcantes e repetitivos.
E para arrematar, bem azeitado por “DANCE MUSIC MEIO TRIBAL”; misturada nessa “fritada” ROCK do “suis – generis” KEITH LAVENE, estilista da guitarra, de som cortante até os nervo, como bisturi; e pontiagudo – penetrando ouvido adentro feito agulha!
Tudo isso embalando as letras de LYDON, cantadas por ele de maneira peculiarmente estudada e – pasmem!!! – “afinada”: porque cheia de estilo e personalidade, controlando as dissonâncias, interpretando e dando sentido ao trabalho da banda – que é boa e sustenta o impactante e criativo caos gerado!
Pra tentar resumir de outro jeito, fiz um apanhado de conceitos e adjetivos usados para definir a música do “P.I.L”: DARK, ANSIOSA, RITMICAMENTE REPETITIVA, FRIA, AVANT GARDE, DISSONANTE, ABSTRATA, NIILISTA, SARCÁSTICA, HIPNÓTICA, RUDE, ETÉREA, MISTERIOSA, CATÁRTICA e NOTURNA!”
Deu pra sacar?
Provavelmente, porra nenhuma!
Ou quem sabe alguma coisa se depreenda nessa maçaroca diferenciada e cativante…
JOHN LYDON levou o grupo em um crescendo de fama e performance pelos primeiros quatro discos do P.I.L. Depois, ele e banda ao tentar fazer o quinto, chamado de simplesmente ALBUM, se desentenderam. E como havia mais grana para produzir, LYDON saiu do alternativo geral e contratou gente famosa e craque:
GINGER BAKER e TONY WILLIANS na bateria. STEVE VAI, na guitarra e LEON SHANKAR, violino. E junto com BILL LAZWELL, na produção e no baixo, gravaram rapidamente o disco. Ninguém foi creditado nos encartes ou capas, mas todos ganharam bem…
O álbum ficou espetacular!
LYDON já passou dos 69. Esteve com a mesma mulher, a ex -modelo NORA FORSTER de 1979 até 2023, quando ela morreu de ALZHEIMER, aos 80 anos. Ele deixou de fazer shows durante bom tempo para cuidar dela. Pouco depois, seu empresário e amigo desde o começo, JOHN “RAMBO” STEVENS, também morreu, o que o pôs fora de rumo. Antes, ele também se tornara íntimo do tecladista KEITH EMERSON, um suposto antípoda estético – não eram…. Foram vizinhos na Califórnia. E JOHN foi dos primeiros a chegar para o ver o amigo que havia se suicidado. É um cara ético, como a gente percebe nos três casos
Li coisas surpreendentes para um indivíduo tido como drogado e maluco… O que se sabe de verdade, é que fuma loucamente; bebe cerveja LAGER, e torce pelo ARSENAL.
LYDON pode ser muita coisa, mas irracional e ingênuo não é! No decorrer da vida, demostrou ser um cara comunicativo e excelente relações públicas. Ele é muito esperto e inteligente. Li que a sua fortuna é imensa! Um ativo de 245 milhões de dólares: perto de um R$ 1 BILHÃO E MEIO DE REAIS!!! mais ou menos. Você leu corretamente! hummmm!!!!!
Devemos acreditar? ROBERT SMITH ( THE CURE ) muito mais ativo e famoso, e de carreira contínua e bem sucedida, teria um ativo de $ 44 milhões de dólares… O salto cósmico na riqueza de LYDON cheira improvável… Mas, vai saber, né! Por quê ele mentiria, atraindo o fisco contra si mesmo?
Anos atrás, ele perdeu ação contra os SEX PISTOLS, porque se opôs a licenciar as músicas da banda para uma série feita sobre eles… Ainda assim, faturou $ 5 milhões de dólares com a cessão…
Ao contrário da maioria dos punks, JOHN LYDON sempre foi e permanece um eclético e antenado amante de música. Não o compare ou confunda como STEVE VICIOUS, colega nos SEX PISTOLS.
JOHN LYDON gosta de COLTRANE, adora MILES DAVIS, e os citados que o influenciaram, entre muitos e muitos outros. JOHN aprecia RAY DAVIS, NEIL YOUNG e BRYAN FERRY. Sua coleção de discos é imensa e, segundo ele, impossível de ser transportada de LONDRES, onde tem casa, para MALIBU, na Califórnia, onde passou a morar.
Ele está em plena atividade. Eu o assisti com a banda no YOUTUBE, não muito tempo atrás. Entrou na “vibe” de seus pares de geração, THE CURE, SIOUXIE, NEW ORDER, etc… no mesmo tipo de som, algo “PROG” que, no caso dele, faz todo sentido estético.
Enfim, este é um breve perfil de JOHN LYDON, um artista e homem um tanto longe do que aparenta ser! Eu recomendo que ouçam este rebelde surpreendente! O interesse pela obra dele vem aumentando. Vale tentar.
POSTAGEM ORIGINAL 20/04/2025
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“ERA UMA VEZ EM HOLLYWOOD”, DE TARANTINO, E A TRILHA SONORA DO LADO B DA CONTRACULTURA AMERICANA

A discografia aqui postada é pequena, porém reluzente. No filme de TARANTINO, estão mais de trinta músicas. Alguns pingentes preciosos dos MAMA´S & THE PAPAS, PAUL REVERE & The RAIDERS, VANILLA FUDGE, e BOB SEGER e BUFFALO SPRINGFIELD também.
Vêm mesclados com HITS MENORES e ainda onipresentes, mas quase desconhecidos fora dos E.U.A, tipo “SNOOPY X RED BARON, dos ROYAL GUARDSMEN; “SUMMERTIME”, na versão SOUL cheia de estilo, feita por BILLY STEWART; e coisas dos BOX TOPS, LOS BRAVOS, GRASS ROOTS, entre acepipes do POP AMERICANO DA DÉCADA dos 1960, que cito mais à frente…
Os interessados na CONTRACULTURA daquela década precisam assistir ao filme de TARANTINO; vez por outra rola nos canais da HBO. É uma “HISTÓRIA CULTURAL”, quase “ANTROPOLÓGICA” do LADO B dos tempos do “PAZ E AMOR”: A violência excessiva e injustificável, levada ao paroxismo com naturalidade absurda. É defeito repugnante bem americano…
GRAHAN GREENE, o grande escritor inglês, dizia que os americanos são interessantes, porque capazes de cometer as maiores atrocidades com leveza e inocência na alma! Pura verdade!!!
As caras de “bolachas” de LEONARDO DI CAPRIO e BRAD PITT, os atores principais, em performances antológicas, esconde a imensa disposição para perpetrar violências em legítima defesa, ou porque simplesmente foram provocados.
Esta SUBCULTURA DA VIOLÊNCIA EXTREMADA permeia a obra de TARANTINO, e os filmes de CHARLES BRONSON, SCHWARZENEGER, entre tantos e vários. Está nos BANG-BANGS, na imensa produção de filmes de GUERRA, nas SÉRIES POLICIAIS. E na manutenção da PENA DE MORTE em país democrático e “civilizado”!
Nem vou levar o papo para a POLÍTICA, e o significado último e nada encoberto da ascensão da EXTREMA DIREITA por lá – e mundo afora, também, sejamos justos… Há um CANO FUMEGANTE COMO “HIPÓTESE DE MÉTODO NA RESOLUÇÃO DE CONFLITOS”. Quaisquer conflitos…
E também na pesquisa de armas para destruição em massa, sempre em nome da ciência e das melhores causas. Observem o excepcional filme “OPPENHEIMER”, ganhador do OSCAR, em 2024, o desenvolvimento de vários personagens, e a posterior crise de consciência do personagem principal, horrorizado consigo mesmo e suas responsabilidades!
Há muitas coisas, e fatos passíveis de citação… Sem dizer sobre a hoje mais contida, mas ainda onipresente POLÍTICA DO BIG STICK, nas retóricas da guerra fria e antes dela, o “FALA MANSO, E MOSTRE O PORRETE”… E isto sempre dá ruim….
TARANTINO mescla referências culturais, como a ideia de LIBERDADE e AUTONOMIA DO INDIVÍDUO, criando um filme recheado de metalinguagens que vão de BRUCE LEE ao POP-ROCK, e às programações nas TVS e RÁDIOS daqueles tempos.
Fala do clima entre gente em decadência na INDÚSTRIA CINEMATOGRÁFICA; à CONTRACULTURA HIPPIE DESFIGURADA; da simples vagabundagem desaguando no líder de seita e assassino “diretor” de carnificina histórica, CHARLIE MANSON.
E nem preciso lembrar dos massacres gratuitos em escolas ou nas ruas, sempre motivados por “porra nenhuma”. A rebeldia sem causa transmutada em violência congênita!!!! É tudo bem americano! Eu prefiro a contenção e a cultura humanista da Europa…
QUENTIN TARANTINO tangencia ROMAN POLANSKY e sua “amoralidade pedófila”, e põe em cena a mulher de POLANSKY, a “STARLET”, SHARON TATE, assassinada pela seita de MANSON, em 1969. Essas coisas viraram referências mundiais dessa metamorfose doentia.
Tal geleia cultural desvela o B-SIDE americano e, no filme, explode na violência exagerada com seus extremos cômicos. Ou será que defender-se de alguém quase inoperante usando um “LANÇA-CHAMAS”, e depois tomando algumas com os vizinhos, pode ser considerado legítima defesa de alguém são?
No contexto americano, lembrando GRAHAN GREENE”, e demonstra TARANTINO”, é perfeitamente possível; quase normal; e foi recriado artisticamente de jeito magistral!
Do filme filtra-se uma TRILHA SONORA ORIGINAL. O bom e o ruim do lado a lado.
Estão também por lá, para rechear um pouco mais o pastel gorduroso, o DEEP PURPLE psicodélico do final dos anos 1960; um hit menor de NEIL DIAMOND; os ingleses CHAD AND JEREMY; JOE COCKER, ARETHA FRANKLIN, e os magníficos THE ASSOCIATION e SIMON & GARFUNKEL. Grandes músicas e artistas!!!!
E dá pra você escutar quase inteira “BUFFY SAINT MARIE”, uma boa FOLK SINGER, mas sub-JUDY COLLINS, cantando a belíssima “The Circle Game”, música de JONI MITCHELL…
E terminar desconfiando e com uma pulga de uns dois quilos atrás da orelha, que “AQUARELA”, versão de TOQUINHO e VINÍCIUS DE MORAES de música de um compositor francês, foi muito “inspirada” nela…
ASSISTAM ao filme; e OUÇAM A TRILHA!!!! Ah, e mantenham a sanidade!
POSTAGEM ORIGINAL 20/04/2023
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GENUINAMENTE BRASILEIRO, VOL. 1 E 2 : M.P.B. DE QUALIDADE EM SOM “HIGH END”!

SÃO DUAS MISCELÂNEAS COM ARTISTAS BRASILEIROS MENOS EXPOSTOS, EM REPERTÓRIOS DE QUALIDADE, E GRAVADAS EM ALTO NÍVEL TÉCNICO, PELA “AUDIOPHILE RECORDS”, AQUI MESMO EM NOSSO HOSPÍCIO SOCIAL, VULGO BRASIL.
FORAM FEITAS PARA TESTAR DOIS CONCEITOS DE AUDIOFILIA DESENVOLVIDOS POR “FERNANDO ANDRETTE”, UM DOS MELHORES E O MAIS ATUALIZADO ESPECIALISTA EM EQUIPAMENTOS DE ÁUDIO E VÍDEO. ELE ENSINA COMO MAIS BEM UTILIZA-LOS.
O PRIMEIRO CD, LANÇADO EM 1999, EXPÕE O “SOUND STAGE”, CONCEITO QUE PROCURA “MOSTRAR” O POSICIONAMENTO DE CADA MÚSICO E RESPECTIVOS INSTRUMENTOS NO ESTÚDIO, NO MOMENTO DA GRAVAÇÃO; E A “DETECTAR” OS “PLANOS” EM QUE O OUVINTE PODE PERCEBER OS SONS EMITIDOS, E OUTRAS SUTILEZAS TÉCNICAS, COMO “AMBIÊNCIA”, “FOCAGEM” E “RESPIRO”, IMPRESCINDÍVEIS PARA UMA AUDIÇÃO MAIS PRECISA E REFINADA.
O SEGUNDO CD SAIU EM 2000 E, ATRAVÉS DA OBRA DE “TOM JOBIM”, EXPÕE O CONCEITO AUDIÓFILO DE “TRANSPARÊNCIA”, OU “ORGANICIDADE”. EM POUCAS PALAVRAS, “A GRAVAÇÃO “HIGH END”, ESCREVEU FERNANDO, PRECISA “PASSAR A SENSAÇÃO DA QUASE PRESENÇA FÍSICA DOS MÚSICOS NA SALA DO OUVINTE”.
ESSES DOIS CDS AJUDAM COMPOR O IDEAL DA MÚSICA GRAVADA: A JUNÇÃO DA MAGIA COM A TECNOLOGIA. VALEM A PENA TER E OUVIR ATENTAMENTE.
O CONCEITO, A PRODUÇÃO, ESCOLHA DOS ARTISTAS, EQUIPAMENTOS DE GRAVAÇÃO, E A ORIENTAÇÃO DE REPERTÓRIO FORAM DE FERNANDO ANDRETTE, TAMBÉM EDITOR DA EXCELENTE E LONGEVA – QUASE 40 ANOS! – “ÁUDIO E VÍDEO MAGAZINE”, REVISTA HOJE DISPONÍVEL APENAS NA INTERNET E DE GRAÇA! PROCURE CONHECER.
FERNANDO ENTENDE DO ASSUNTO, E TUDO FOI REALIZADO EM ESTÚDIO MONTADO NO “TEATRO ALPHA”, EM SÃO PAULO, LOCAL DE CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS EXCEPCIONAIS.
OS DISCOS REÚNEM ARTISTAS DE QUALIDADE, E ENTRE ELES ALGUNS CONSAGRADOS COMO “JANE DUBOC”, “ANDRÉ MEHMARI”, “CÉLIO BARROS”, “NELSON AYRES”, “AMILSON GODOY”, “ULISSES ROCHA” E PAULO BELINATTI,
NÃO SÃO CAROS, E ACHO QUE AINDA PODEM SER ENCONTRADOS NO NO SITE DA REVISTA.
O PRAZER DE OUVIR DÁ COMICHÃO EM COLECIONADORES, AUDIÓFILOS E MELÔMANOS PARA COMPRAR EQUIPAMENTOS MAIS SOFISTICADOS.
SÃO DISCOS QUE VALEM REALMENTE O TEMPO E A GRANA INVESTIDOS! EU RECOMENDO DE OLHOS FECHADOS E OUVIDOS ABERTOS PELA ALTA QUALIDADE ARTÍSTICA E TÉCNICA.
POSTAGEM ORIGINAL: 18/04/2018
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CIÊNCIAS SOCIAIS, USP 1975/1979: MEMÓRIAS DE AULAS DE ECONOMIA. A INFLUÊNCIA DO PROFESSOR PAUL SINGER

Quando estudei Ciências Sociais na FFLCH DA USP, entre 1974 e 1979, o professor PAUL SINGER era um mito, e mantinha influência sobre a faculdade, apesar de não lecionar mais por lá.
O curso, na época, previa dois semestres de aulas sobre ECONOMIA.
Foi um PERÍODO CAÓTICO, porque a INTENSÍSSIMA POLITIZAÇÃO e DOMÍNIO da ESQUERDA na Faculdade de CIÊNCIAS SOCIAIS, entrava em choque com o currículo básico de ECONOMIA.
Em resumo, havia um semestre de micro-economia e outro abordando a macro economia.
Os PROFESSORES que lecionaram a matéria eram TODOS da FEA – Faculdade de Economia e Administração. E, na época, uma escola de economia bastante conservadora, em que DELFIM NETO e os chamados “Delfim Boys” tinham poder e predominância.
Mas, os ALUNOS e a influência de ECONOMISTAS de ESQUERDA, como PAUL SINGER, queriam um curso mais voltado para a economia política, o que era e é razoável.
E o impasse acontecia. Eu me recordo que, no segundo semestre de 1975, quando a primeira parte do curso, macroeconomia, foi dada, os professores foram trocados umas três ou quatro vezes.
Na FEA NINGUÉM QUERIA DAR AULAS PARA NÓS, considerados rebeldes e contestadores demais. Mesmo assim, o semestre foi concluído.
No primeiro semestre de 1976, resolveu-se o impasse. E o curso FOCOU um pouco mais a HISTÓRIA ECONÔMICA e, principalmente, as ECONOMIAS CENTRALMENTE PLANEJADAS. Uma clara concessão à esquerda.
A PROFESSORA HELENA FANGANIELLO, uma das craques da FEA, manteve-se “no cargo” e, mesmo com um certo distanciamento de nós, alunos, conseguiu concluir o curso com aulas que traiam uma certa IRONIA, porque as ECONOMIAS SOVIÉTICA e da EUROPA ORIENTAL já davam sinais de esgotamento decorrente da ineficiência.
Eu sempre gostei de economia, ao contrário da maioria de meus colegas. Eu havia feito um curso de técnico de administração de empresas, em lugar do, à época, científico, ou clássico se quisesse optar.
Resumindo, acho que aproveitei o curso e continuei interessado no assunto.
Como até hoje!
POSTAGEM ORIGINAL: 2022

CLIMAX BLUES BAND – BLUES, PROGRESSIVE BLUES E R&B DE FESTA!

MEU PRIMEIRO CONTATO COM ELES, FOI EM 1978 DURANTE VISITA À “MODERN SOUND”, ESPETACULAR LOJA DE DISCOS QUE NÃO EXISTE MAIS. LÁ, COMPREI ALGUNS LONG PLAYS DOS CARAS. TODOS SENSACIONAIS!
FOI A PRIMEIRA EM QUE ESTIVE NO RIO DE JANEIRO. EU E MEU AMIGO PAULINHO CALDEIRA PEGAMOS A PONTE AÉREA, E FOMOS ASSISTIR AO FREE JAZZ FESTIVAL ( ACHO ), QUE ROLAVA NA CIDADE. A VIAGEM E OS CONCERTOS FORAM INESQUECÍVEIS ENCANTAMENTOS REGADOS A CHOPPS, CERVEJAS E FEIJOADA – DEVIDAMENTE “DERROTADOS” ANTES DE IRMOS PARA O MARACANÃZINHO! VOLTAMOS PARA SAMPA NO MESMO DIA – INFELIZMENTE!
A “CLIMAX BLUES BAND”, EXCELENTE BANDA QUASE DESCONHECIDA NO BRASIL; FAZ “BLUES-ROCK” MISTURADO COM “JAZZ”, “FUNK” &”R&B”. É QUASE UM “PROGRESSIVO PARA FESTAS”, ARRISCO DIZER. MAIS EXATAMENTE, É UM TIPO DE “FUSION DANÇANTE” E ALTO ASTRAL! O CENTRO DA “CLIMAX ” É O DUELO ENTRE O SAX DE “COLIN COOPER” E A GUITARRA DE “PETER HAYCOCK” .
É BOM LEMBRAR QUE “HAYCOCK”, ÓTIMO GUITARRISTA DE QUEM TENHO DISCO SOLO PERDIDO PELAÍ; TAMBÉM FOI O INCENTIVADOR E TOCOU EM GRANDE E FAMOSA TURNÊ “REVIVAL” CHAMADA “NIGHT OF THE GUITARS”, QUE GIROU O MUNDO, PASSANDO INCLUSIVE PELO BRASIL, EM 1989..
ALÉM DE PETER HAYCOCK, PARTICIPOU UMA PLETORA DE “GUITAR HEROES”, COMO “ALVIN LEE”, “ROBBIE KRIEGER”, “RANDY CALIFORNIA”, “LESLIE WEST”, “STEVE HOWE”, “JAN AKERMAN”, E A BANDA “WISHBONE ASH”. HOUVE OUTROS.
EU RECOMENDO BASTANTE OS DISCOS DA “CLIMAX BLUES BAND”. PRINCIPALMENTE “SENSE OF DIRECTION”, “PLAYS ON”, “STAMP ALBUM”, “RICH MAN”, QUE TANGENCIAM O ROCK PROGRESSIVO, MAS ARQUITETADO AO BLUES.
TALVEZ SEJA POSSÍVEL TER COMO REFERÊNCIA O QUE FEZ “JOHN MAYALL BLUESBREAKERS”, NO FINAL DA DÉCADA DE 1960, EM DISCOS COMO “BLUES FROM THE LAURELL CANION” “BARE WIRES” E “CRUZADE” – TODOS INFLUENCIADOS PELO ROCK PSICODÉLICO, E OUTRAS EXPERIMENTAÇÕES…
SERIA?
A TURMA DO ROCK NÃO PODE PERDER POR NADA “FM/ LIVE”, PAULEIRA BRAVA GRAVADA EM NOVA YORK, EM 1974, NO “ACADEMY OF MUSIC”; O TEMPLO DE ALTERNATIVOS BARRA PESADA. É BLUES ROCK PESADO DA MELHOR ESTIRPE, EM LINHA COM O “HUMBLE PIE”, O “BAD COMPANY”, E OUTROS TANTOS E TONTOS.
FOI TAMBÉM NO “ACADEMY” QUE “LOU REED” GRAVOU OS SENSACIONAIS “ROCK’ N’ ROLL ANIMAL” E A CONTINUAÇÃO “LOU REED LIVE”, EM 1973. O LADO HARD ROCK, ETC… DO REED.
PROCUREM CONHECER A “CLIMAX BLUES BAND” NO INÍCIO DA CARREIRA, NO CLÁSSICO “CLIMAX CHICAGO BLUES BAND”, DE 1969. ELES MILITARAM NO “BRITISH BLUES” E FORAM CONTEMPORÂNEOS DO “SAVOY BROWN” , “FLEETWOOD MAC” “JOHN MAYALL’ S BLUESBREAKERS, E O “TEN YEARS AFTER”. COLEGAS DE CENA MELHORES ERA IMPROVÁVEL…
DEPOIS DA FASE “BLUES ROCK PROGRESSIVO”, DESAGUARAM NUM “R&B DANÇÁVEL”E FUNKEADO”. E, COM O TEMPO, ADERIRAM À DELICIOSA “FUSION” ENTRE O “FUNK”, O “BLUES”, O “R&B”, E SOTAQUES “DISCO” E “JAZZ POP”. PROCUREM “GOLD PLATED”, LANÇADO EM 1976, ONDE ESTÁ O GRANDE SUCESSO, “COULD´N GET IT RIGHT”, DANÇÁVEL ATÉ À BEIRA DO TÚMULO!
A “CLIMAX” ALEGROU A DÉCADA DE 1970/1980. E FOI SEGUIDA POR GRUPOS TIPO “AVERAGE WHITE BAND”, E TANTOS MAIS. A “C.B.B” FAZ A GENTE DANÇAR A FESTA INTEIRA. E, MAIS AINDA, A SE DELICIAR DE OUVIR MÚSICA BEM FEITA E ALTO ASTRAL!
NÃO PERCAM.
POSTAGEM ORIGINAL: 30/04/2017
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PINK FLOYD, ROGER WATERS & DAVID GILMOUR: E A PASSAGEM PARA O ALÉM.

Eu tenho um grande amigo que não gosta de ser identificado e não frequenta as redes sociais, o FÁBIO. Ele compra somente CDS de altíssimo nível técnico, artístico, ou colecionáveis.
É grande colecionador de vinis originais de ROCK AND ROLL, DOO WOP, e ROCK em geral. principalmente das décadas de 1950, 1960, e 1970. O FÁBIO repassa para mim CDS que não gostou por quaisquer motivos. Nossos gostos batem em várias coisas, e discrepam em outras.
Há pouco tempo fiquei com dois CDS bastante curiosos; tanto pelos artistas com a qualidade técnica das edições. Não tenho nenhum disco solo de “ROGER WATERS”, o ex – baixista do PINK FLOYD. Nunca prestei muita atenção a ele. Porém, e como sempre, foi oportunidade imperdível. Portanto;
O disco é bastante famoso, e foi lançado originalmente em 1992: “AMUSED TO DEATH” é bem gravado, como se esperaria. A edição é JAPONESA da SONY MUSIC, em BSCD2 – tecnologia de ponta, em 2015, ano deste relançamento.
Aqui, vale uma pequena digressão:
O “PINK FLOYD” sempre foi banda ligada à VANGUARDA. Desde os SINGLES no início de carreira, em 1967, ainda com SYD BARRETT, na guitarra; até o último álbum, THE ENDLESS RIVER, 2014, álbum quase todo instrumental, com DAVID GILMOUR, na guitarra; NICK MASON, bateria; e RICHARD WRIGHT nos teclados, os quatro remanescentes originais do grupo.
O PINK FLOYD sempre esteve imerso no ROCK PROGRESSIVO que, paulatinamente, foi se tornando menos experimental, e parte do “MAINSTREAM”. É quase NEW AGE, mas ainda o PINK FLOYD…
Eles cresceram artisticamente fazendo algumas trilhas sonoras para filmes, onde o deixar correr solto permitido pelo ROCK PSICODÉLICO da década de 1960; que marcou o trabalho do grupo daí em frente – e para sempre.
Eu identifico um ponto de fissura que se alargou para a definitiva separação de ROGER WATERS dos restantes: foi o álbum duplo UMMAGUMMA, 1969. Há um disco ao vivo. E o disco de ESTÚDIO foi dividido em quatro partes, para cada um fazer o que desejou. Lá, a participação de WATERS é bem diferente da proposta dos outros três. Mais verborrágica…. e, talvez, indicativa do que fez na carreira solo.
“ZABRISKIE POINT”, 1970, a trilha sonora feita para o cineasta MICHELANGELO ANTONIONI, foi a ignição para a banda desenvolver ideias em “ATOM HEART MOTHER”, 1970; “MEADOWS”, 1971; e explodir em “DARK SIDE OF THE MOON”, 1972. Um quarteto reluzente!
A partir daí, instalou-se o instável e conflituoso caminho para o estrelato, fama, e FÃ CLUB universal. E apesar de terem lançado comparativamente poucos discos, em carreira de bem mais de 55 anos, é um feito épico!
Seja como for, ROGER WATERS manteve a mística e o sucesso compondo quase integralmente “THE WALL”, “THE FINAL CUT” e “ANIMALS”. Depois que saiu, em 1984, o PINK FLOYD nunca mais reluziu.
Com todo esse passado, fiquei surpreso por “AMUSED TO DEATH” ser um disco tão previsível. Ouvi-lo, em minha opinião, é perceber músicas que soam semelhantes; construídas da mesma forma. De criatividade restrita – foi o que achei…
Na maneira de tratar as melodias há um quê proeminente de BOB DYLAN. E o vocal tem algo do pior DAVID BOWIE. ROGER é cantor de pouca inspiração. O álbum é sonolento. Apesar da participação de JEFF BECK e outros iluminados – que estão “foscos”, nesse disco.
A edição especial japonesa de “RATTLE THAT LOCK”, 2015, de DAVID GILMOUR, é um primor! Há CD + DVD convencional gravados em BSCD-2, a tecnologia da SONY MUSIC para alta qualidade. A sonoridade vale o disco.
É um BOX com dois LIVRETOS: em um deles estão as letras e ficha técnica, em inglês; No outro, há o poema PARADISE LOST de JOHN MILTON. E contém texto em japonês explicando tudo – presumo -; uma palheta de guitarra exclusiva e belíssima; e mais alguns acessórios. O BOX é luxo só!!!
O disco é bom; escorreito e enxuto; e a produção é muito bem feita. Mas é PROG moderno e convencional, pontuado por algum FOLK, um “quase-JAZZ”; e a guitarra de GILMOUR, identificável há mais de 50 anos… É melhor do que o de ROGER WATERS.
Estão com ele PHIL MANZANERA, ROGER ENO, DAVID CROSBY, JOOLS HOLLAND, e outros. Ahhh, não apresentar os caras… É disco agradável, e diferente do seu primeiro, também aqui postado.
Tudo considerado, passear por essas duas obras, de dois caras tão significativos, foi muito interessante.
Porém, a cada dia está mais nítido que ambos estão a caminho do acostamento. Afinal, fazem parte de uma geração em despedida. Eu, eles, e vários de vocês estamos a caminho do “bote” que nos levará a fazer a passagem….
A “FINAL CUT”, nesse “ENDLESS RIVER”, que é A EXISTÊNCIA!
POSTAGEM ORIGINAL: 15/04/2022
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PHIL SPECTOR: PARANÓICO, PSICOPATA, TORTURADOR, ASSASSINO, E PRODUTOR GENIAL!

Será que tudo isto é possível em um só cara?
Sim! Porque o compósito humano é o indivíduo. É o agregado que o forma faz sentido. A coerência é presumida em torno do que se sabe sobre cada pessoa. É explicável partindo de cada história, atos, e suas consequências.
Indivíduos são únicos e constro’em vidas únicas, perspectivas próprias; e sempre dentro de um psicológico exclusivo, que não dá para repetir. O resultado, mesmo assim é mensurável; mesmo que imprevisto e imprevisível.
PHIL SPECTOR era um indivíduo especial. Por suas boas qualidades e pela falta delas. Virou um astro combinando “si mesmo” ao que realizou profissionalmente. Em certos momentos foi glorioso! Mesmo fruto do monstro repulsivo, que foi!
Aliás, vamos combinar: No POP há vários monstros repugnantes. MARVIN GAYE era de tal maneira intratável, que seu pai o assassinou com tiros na cara! ROY BUCHANAN matou a própria mãe. LINDOMAR CASTILHO assassinou a esposa por puro machismo, já em época de contestação a tais características masculinas…
PHIL assassinou LANA CLARKSON, em 2003, e pegou prisão perpétua, em 2009. Morreu aos 81 anos. Era um completo doido asqueroso!
Enfim…
Não seguirei cronologia.
Em 1977, PHIL SPECTOR assistiu a show dos RAMONES, no WHISKEY A GO GO, em Los Angeles. Gostou de verdade, e ligou para JOEY RAMONE. Disse a ele que poderia transformá-los na maior banda de ROCK do mundo!
Pô, claro!!! já à procura por novos caminhos, porque a banda não tentar com um dos grandes produtores da História?
Eu suspeito que PHIL SPECTOR percebeu que os RAMONES eram excelentes em seus acordes básicos: e a SONORIDADE DA BANDA perfeita para a pregação que ele fazia, a VOLTA AO “MONO”.
O “WALL OF SOUND”, a grande criação de SPECTOR, não pode ser conseguido em STEREO. Eu explico mais à frente
Breque. ( mas, sem samba… )
Vocês assistiram ao filme sobre a parte final da vida de PHIL SPECTOR, depois de ter matado, com um tiro na boca a mulher que havia descolado em um bar, em 2003, a garçonete LANA CLARKSON?
Andou passando no HBO, acho.
A resposta pra quase tudo está lá. Em cena qualquer, ele simplesmente manda uma banda continuar tocando indefinidamente no estúdio da casa dele. Um músico reclamou. E SPECTOR deu dois tiros no teto!!!!
Ele sempre tratava os músicos e os contratados na porrada, aos palavrões, ou ameaçando com armas.
Era um PSICOPATA!
Os RAMONES aceitaram, e a gravadora contratou PHIL SPECTOR. No GOLD STAR STUDIO, onde as mágicas aconteciam, SPECTOR obrigou os RAMONES a ensaiarem exaustivamente! Colocou os amplificadores acima de 130 decibéis, e o barulho era tal que eles só conseguiam se comunicar via gestos!
Em certo momento, depois de mandar JOHNNY RAMONE repetir o acorde de abertura de “ROCK AND ROLL SCHOOL” por horas!, o guitarrista deu um basta. PHIL tentou evitar na marra que ele abandonasse tudo. Rolou “bacobufo”, e JOHNNY perguntou, “O que você vai fazer? Atirar em mim?”
o nome daquilo tudo é TORTURA!!!
A gravadora, empresário, banda e SPECTOR se acertaram. E o disco “END OF CENTURY”, saiu em 1978. Apesar do imenso desgaste, os RAMONES disseram que a participação do produtor foi “cosmética”! Vale a pena ouvir algumas faixas para constatar, ou não…
Se vocês quiserem saber como um SOM MONAURAL pode ser impactante, procurem a versão para o SINGLE de “I CAN SEE FOR MILES”, do THE WHO, 1968. É demolidora!!! Os RAMONES jamais conseguiram atingir tal impacto…
PHIL SPECTOR foi prestigiado por um histórico de realizações, que dificilmente serão repetidos. Coproduziu para os BEATLES, LENNON, HARRISON, LEONARD COHEN, YOKO ONO … com bons resultados, mas nada que se comparasse ao que fizera no passado. E nem poderia…
Em sua carreira, SPECTOR produziu 23 álbuns, e mais de 50 SINGLES de sucesso, entre 1958 e 2003.
Gravou IKE & TINA TURNER, por exemplo. Lançou grupos vocais femininos de muito sucesso, como as CRISTALS. E as RONETTES, onde cantava sua futura mulher, RONNIE SPECTOR, mantida presa em casa, em um dos vários escândalos que patrocinou em sua vida. Aliás, o nome disso é PARANÓIA!
Entre suas criações estão “UNCHAINED MELODY”, 1966, tema do filme GHOST. E o clássico supremo, “YOU´VE LOST THAT LOVIN FEELING”, 1965, que desbancou YESTERDAY, dos BEATLES! E foi a música mais tocada na AMERICA, durante o século XX!
Ambas foram gravadas pelos RIGHTEOUS BROTHERS. E são exemplos perfeitos do uso da técnica do WALL OF SOUNDS.
SPECTOR entrou para o ROCK AND ROLL HALL OF FAME, em 1989, pelo conjunto da obra artística. Era, também, bom pianista, e curiosamente, produziu muito POP romântico, um contraponto notório com a sua personalidade – muito além de um PUNK, digamos!
O ESTÚDIO E A MÁGICA
“THE WALL OF SOUND” é uma técnica de gravação para capturar músicas gravadas ao vivo, em meio ao “caos e a saturação sonora”. O som “saltava ao redor do estúdio em meio à bagunça sonora e a riqueza de sobre tons” gerados – descreveu um músico. É um jeito, técnica, para criar e manipular o eco.
O GOLDEN STAR RECORDING era estúdio muito pequeno. E PHIL SPECTOR juntava 36 músicos, todos muito próximos, impossibilitando a captação individual do som de cada um.
Ele usava simultaneamente 4 guitarras ou mais, 4 pianos e teclados, 2 baixos, sendo um deles elétrico. Além de naipes de metais, coro, e se preciso, cordas. Tudo junto e ao mesmo tempo!
PHIL SPECTOR trabalhava sempre com os mesmos músicos de base, o famoso WRECKING CREW, responsável por milhares de gravações de artistas como os BEACH BOYS, e os RIGHTEOUS BROTHERS…
Pertenciam ao grupo gente como a cantora CHER, que fazia BACKING VOCALS e o o guitarrista GLEN CAMPBELL. E, também, dois dos mais perfeitos músicos de estúdio da História, o baterista EARL PALMER, e a baixista CAROL KAYE.
Resumindo, uma constelação de craques talentosos e experientes. Mas, SPECTOR os fazia ensaiar exaustivamente antes de gravar. Sadismo, claro!
Um dos músicos frequentes, era o saxofonista NINO TEMPO, que gravou com a cantora APRIL STEVENS, em 1962, talvez o primeiro grande HIT de sensualidade explícita em disco, “TEACH ME TIGER”. Foi bem antes de JANE BIRKIN e SERGE GAINSBOURGH lançarem “JE T’AIME ”( 1965).
TEMPO contou que o objetivo de PHIL SPECTOR era cansar os músicos de tal forma, até que criassem massa compacta, onde a individualidade de cada um se dissolvesse no todo!!!
Era a TORTURA e o abuso como instrumentos de arte!!! PHIL SPECTOR os tratava como coisa, andava armado, e ameaçando quem não fizesse o que ele ordenava.
Esse grupo tocava em conjunto, em volume muito alto, que era gravado por microfones espalhados pelo teto, e pelo estúdio. Os sinais, durante a gravação, eram “transmitidos” para uma “câmara de eco, digamos “natural” no SUB SOLO DA SALA DE GRAVAÇÃO, também equipada como microfones e caixas acústicas!!!!!!!!!!!!
Lá, se formava uma “saturação” de FEEDBACK retransmitida em tempo real ao estúdio, onde se juntava ao que estava sendo produzido na hora pelos músicos. O resultado era captado no gravador AMPEX 350, na cabine de controle.
Essa “MAGICA ACÚSTICO TECNOLÓGICA” era o segredo do MURO DE SOM. E, segundo entendi, o produto gravado era massa espessa que mais ou menos voava, por causa do Eco gerado!
Na sala de gravação, o engenheiro de som, LARRY LEVINE, organizava a captação, e PHIL SPECTOR dava seus toques finais.
Em rápido resumo, a sonoridade captada só era possível em um estúdio com tais características. E, muito importante: a TÉCNICA DO “WALL OF SOUND” SÓ ERA EFICAZ EM SUA PLENITUDE NAS GRAVAÇÕES EM MONOAURAL!
Não fazia sentido separar tal massa sonora em STEREO, porque perdia o ECO e a FORÇA. Daí a pregação de SPECTOR PELA VOLTA AO “MONO”.
Remasterizar as coisas que PHIL criou é muito difícil de fazer. Um dia, quem sabe, a gente vê tentativas por aí…
Para o meu amigo Elvio Paiva Moreira, que gosta do artista, mas duvido que apreciaria o homem.
POSTAGEM ORIGINAL 15/04/2022
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ROCK PSICODÉLICO DE LOS ANGELES – “WHERE THE ACTION IS!”, NUGGETS 1965/ 1968, RHINO RECORDS – 4 CDS BOX SET

Outro BOX interessante, porém menos luxuoso do que o seu “irmão” sobre SAN FRANCISCO. É parte de relançamentos do “PRÉ-SAL DO MODERNO ROCK AMERICANO”, os “NÃO HITS” amados pela turma que ia e vai além do MAINSTREAM.
É um misto de “CATA-LATAS” e “ANTROPOLOGIA MUSICAL” de uma época inigualável. Traz BOOKLET com FOTOS e TEXTO, é claro! É rescaldo para quem procura completude, clima, e outras visões.
O álbum original é um VINIL DUPLO, lançado em 1972, pela gravadora ELEKTRA. Foi produzido LENNIE KAYE, jornalista que lançou comercialmente pela primeira vez pepitas resgatadas do fundão do ROCK. É um MUST colecionável, que deu início às escavações “eternas” que fazem colecionadores e interessados nos ALTERNATIVOS DO UNDERGROUND. KAYE depois se tornou guitarrista da banda da poetisa e “FREAK-ROCKER” PATTY SMITH.
LOS ANGELES foi “Meca” de invenções e ecletismos; era um polo de ação e não de reflexão “teórica”. A mídia local demorou para sacar o que estava acontecendo. Houve, “por supuesto”, muita incompreensão dos conservadores.
A famosa “SUNSET STRIP” concentrava, na segunda metade dos 1960, clubes e bares onde a nata do ROCK AMERICANO testou fórmulas; juntou forças, e pôs meninos, meninas e adjacências pra curtir e dançar.
Futuras grandes bandas tocaram no “CIRO´S”, no “WHISKEY A GO-GO”, no “THE TRIP”… Depois, a cena espalhou-se, e os frequentadores deram fama a “VENICE BEACH” , “LAURELL CANYON” e “SAN FERNANDO VALLEY”- santuários da contracultura, do novo ROCK, e da vida alternativa.
A cena musical de LOS ANGELES dividiu-se em estilos e tendências muito mais amplos e detalhados do que a de SAN FRANCISCO.
No BOX, dá para identificar a força do “GARAGE ROCK”, com THE SEEDS, MUSIC MACHINE, ELECTRIC PRUNES, STANDELLS, BOB FULLER FOUR, entre incontáveis.
LOS ANGELES foi onde o “FOLK ROCK PSICODÉLICO” emergiu mais forte com os BYRDS, o LOVE, BUFFALO SPRINGFIELD, TIM BUCKLEY, TURTLES, MAMAS AND THE PAPAS, THE ASSOCIATION… e mais “inúmeros poucos”!
Cometas e estrelas ascendentes do futuro “ROCK PROGRESSIVO’ e do “ART ROCK”, como SPIRIT, IRON BUTTERFLY, CAPTAIN BEEFHEART e FRANK ZAPPA, também foram lançados de lá.
Assim como híbridos de BLUES E PSICH, como os DOORS; a fase psicodélica dos MONKEES; e ensaios heterodoxos dos BEACH BOYS, DEL SHANNON e até JAN & DEAN. Todos fizeram discos em “L.A” ou inspirados por lá.
Esta caixa é controversa. Há uma banda batizada com nome absurdo e impróprio para tempos de amor: THE GUILLOTEENS! E, também, UMA DAS MAIS BRILHANTES MICRO-MÚSICAS de toda a galáxia: “JILL”, com GARY LEWIS & THE PLAYBOYS – a beleza e a delicadeza do SUNSHINE POP concentrada em menos de dois minutos!!!! Joia perfeita!
Porém, eu sinto falta de outro ícone da época e grande sucesso de público, os GRASS ROOTS, que poderiam participar com alguma coisa do primeiro ou segundo LP. E não entendo porque não incluíram um novaiorquino de sucesso internacional, e símbolo do POP dançável, e que fez lá carreira e discos históricos ao vivo: “JOHNNY RIVERS”! “LIVE AT WHISKEY A GO GO!, é um clássico!” -. Mas se quisessem, era só incluir “SUMMER RAIN” – FOLK PSICODÉLICO bem no clima daquela década.
Não devo perdoar a injustificável ausência de FRANK ZAPPA & THE MOTHERS OF INVENTION: o crossover entre a VANGUARDA e a ICONOCLASTIA juvenil.
Tudo contabilizado e ponderado, TIO SÉRGIO recomenda esse BOX para “ecléticos seletivos” e os completistas que andam por aqui. É para manter na coleção eternamente!
POSTAGEM ORIGINAL: 14/04/2020
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Carlos Alberto Santos Rocha e Adalberto Dos Santos Cavalcante

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“CONFESSIN` THE BLUES”: E PARTE DO MEU PRIMEIRO TEXTO NO FACEBOOK!

São 5 LONG PLAYS de DEZ POLEGADAS, típicos do final da década de 1940 e início dos 1950. Traz 44 gravações originais, remasterizadas, e totalmente representativas do melhor BLUES já feito.
Estão aqui os principais artistas: MUDDY WATERS, B.B.KING, BUDDY GUY, HOWLIN`WOLF, ELMORE JAMES, SLIM HARPO, CHUCK BERRY, JOHN LEE HOOKER, ROBERT JOHNSON, JIMMY REED, BO DIDDLEY, e outros mais.
A seleção foi feita pelos 4 “ROLLING STONES” remanescentes à época: MICK JAGGER, RON WOOD, KEITH RICHARDS e CHARLEY WATTS. WOOD, que também é artista plástico, pintou a capa. E há FOTOS dos artistas homenageados; um libreto, e belos textos nas páginas internas do projeto.
A produção GRÁFICA é de alta classe: O BOX reproduz aqueles álbuns antigos que armazenavam diversos discos de de 78 RPM. Os mais jovens talvez não tenham visto. Mas eram normais no passado. Resumindo, é uma edição especial limitada feita pela B.M.G. / UNIVERSAL, e lançada em 2013.
Para a turma que está entre os 50 e os 75 anos de idade, gostar de BLUES era decorrência quase “natural” se você curtisse ROCK. É o meu caso. Eu adorava, e ainda gosto das variações do BLUES nos anos 1960, 1970, 1980 and “BEYOND”. Continuo comprando em CDs e DVDs, já que os coleciono, e os escuto até hoje.
O BLUES que gostávamos na época, não era o TRADICIONAL de ROBERT JOHNSON, JOHN LEE HOOKER, MUDDY WATERS, entre vários. Mas, sim, o BLUES ELETRIFICADO, a B.B.KING; e o modernizado que os ingleses, desde o início dos anos 1960, descortinaram para o mundo.
Pois é, o BLUES é música americana de raiz, antes mais associada ao JAZZ; mas recuperada, reverenciada, e trazida para o mundo POP por bandas inglesas dos anos 1960.
Se não fossem os ROLLING STONES, YARDBIRDS, FLEETWOOD MAC, ANIMALS, MANFRED MANN e infinidade de artistas até hoje em atividade; ícones como B.B. KING e toda a tradição americana teriam tido menos força e, quem sabe, influência bem menor. Muitos já estavam no ostracismo quando o BLUES ressurgiu forte na GRÃ BRETANHA.
Diz a lenda, que os STONES cruzaram com MUDDY WATERS, que pintava as paredes do estúdio, quando foram gravar na CHESS RECORDS, em 1964! Eles ficaram horrorizados! Um destino trágico para quaisquer ídolos em qualquer tempo!
O BLUES espalhou-se graças principalmente a JOHN MAYALL, o mais importante incentivador da geração de ingleses que fazia BLUES.
MAYALL é artista com dezenas e dezenas de álbuns gravados; literalmente acompanhou ou performou com quase todos os grandes nomes do BLUES, tradicionais ou contemporâneos, ingleses ou americanos.
Foi ele quem consagrou ERIC CLAPTON, em 1965; já considerado o melhor guitarrista da Inglaterra, desde os tempos com os YARDBIRDS.
Para saber mais quantos talentos JOHN MAYALL revelou, é só procurar no Google. Ele é um dos que ostentam a comenda de Cavaleiro do Império Britânico; ao lado de PAUL McCARTNEY, ELTON JOHN, JEFF BECK, JIMMY PAGE, e incontáveis.
Mas, por que o BLUES explodiu na GRÃ BRETANHA?
Provavelmente porque os jovens queriam música vibrante como o ROCK AND ROLL da primeira fase – ELVIS PRESLEY, CHUCK BERRY, etc…, mas estilo já meio para o decadente e sem perspectiva. Até que houve a explosão dos BEATLES e da chamada BRITISH INVASION, por volta de 1962/1964.
Grosso modo, na época e como hoje, diversas tendências conviviam. Os BEATLES seriam mais conectados ao ROCK e os ROLLING STONES ao BLUES…
Os clubes e pubs ingleses em geral apresentavam bandas de JAZZ.
Porém, o JAZZ é como a BOSSA NOVA: música urbana para jovens mais sofisticados. A garotada em geral queria agito. Daí o SKIFLE; e depois o BLUES dominou a cena: música mais simples que bate direto nos sentimentos. Tem guitarras elétricas; e combina com paqueras, farras e cervejas…
Pouco a pouco os locais onde se ouvia JAZZ foram migrando para o BLUES, que se revestiu de ROCK; e o resto é o que temos até hoje. Claro, houve renascimento do BLUES também nos EUA – mas no início, e curiosamente, também por influência e exemplo dos ingleses.
O BLUES chegou forte ao BRASIL no começo dos anos 1990, e permanece mais discretamente. Nós temos uma linguagem de POP e ROCK genuinamente nacionais. Mas não há BLUES com identidade brasileira, apesar de bons artistas como NUNO MINDELIS e ANDRÉ CRISTOVAM – que chegou a tocar uns tempos com JOHN MAYALL.
Hoje, no mundo inteiro o BLUES continua firme. Procurem escutar SONNY LANDRETH, JOE BONAMASSA, SUSAN TEDESCHI & DEREK TRUCKS, por exemplo. Sem lembrar do “imorrível” ERIC CLAPTON e da memória do imortal B.B.KING.
Há muito, mas muito mais a ser dito, e infinitamente mais para ser escutado. Portanto, o meu orgulho e honra em apresentar aqui este sensacional BOX!
POSTAGEM ORIGINAL 11/04/2023 e 2013
Pode ser uma imagem de toca-discos