ZOMBIES – COMPLETO + ODISSEY & ORACLE – E AS ORIGENS DO POP BARROCO

É curiosa a semelhança entre o início e o destino das carreiras de três bandas inglesas contemporâneas na segunda metade dos anos 1960: o PROCOL HARUM, engravidado pelo “PARAMOUNTS”; os MOODY BLUES, da primeiríssima fase ( “GO NOW”, 1965 ); e os ZOMBIES, em” BEGGIN HERE” .
Todas fluíram do BEAT para a PSICODELIA e, depois, em direção ao ROCK PROGRESSIVO.
Os ZOMBIES foram a exceção, encerrando a carreira com disco síntese de uma das vertentes do ROCK PSICODÉLICO, o POP BARROCO, no clássico “ODESSEY & ORACLE”, de 1968.
É obra artística e comercialmente bem sucedida. E “cult no úrtimo”, como dizem alguns amigos do interior paulista, com merecida e crescente fama no correr dos tempos.
Mas, notem: “TIME OF THE SEASON”, 1968, o hit perene do álbum, foi “emulado” do primeiro SINGLE de sucesso dos próprios ZOMBIES, em 1964: “SHE IS NOT THERE”, é o nariz de um, e o “nazone” do outro…
Porém, ODESSEY & ORACLE não é um disco seminal.
Eu argumento; entre 1966 e 1967 há SINGLE dos BEATLES ( ELEANOR RIGBY, 1966, que inaugurou o POP BARROCO). E nada menos do que TRÊS dos ROLLING STONES ! ( LADY JANE, 1966; RUBY TUESDAY e DANDELION, 1967 ). E, mais dois clássicos do PROCOL HARUM: “HOMBURG”. E, principalmente, “A WHITER SHADE OF PALE” – hit internacional perene e a música mais tocada na Inglaterra em todos os tempos, ambas de 1967.
Existem outras, mas essas bastam!
E há, principalmente, LONG PLAYS que estabeleceram a vertente. Eu recordo alguns curiosamente de bandas americanas, que pavimentaram o caminho: Os TRÊS PRIMEIROS do “LOVE”; o pouco lembrado e também cult ” PRETTY BALLERINA” , gravado por “THE LEFT BANK”. E, claro, “PET SOUNDS” dos BEACH BOYS. Todos foram realizados entre 1966 e 1967, e nitidamente inspiraram os ZOMBIES.
Acho, também, que o disco dos “RASCALS”, “ONCE UPON A DREAM”, um LP. de R&B PSICODÉLICO, de 1968, tem alguma ligação com “TIME OF THE SEASON” – muitos talvez discordem.
Vou recordar duas músicas gravadas na Inglaterra, em 1968, e SINGLES MAGNÍFICOS, e de sucesso, também incluídos no POP BARROCO, “ELOISE”, de BARRY RIAN. E McARTHUR PARK, com RICHARD HARRIS.
Os ZOMBIES fizeram quase por acaso o disco mais claramente definidor e definitivo da vertente, que subsistiu um pouco além, e talvez tenha findado no clássico do KING CRIMSON, “ISLAND”, 1971.
E para não esquecer, o cerne dos três primeiros discos solo de COLIN BLUNSTONE, o vocalista dos ZOMBIES, são também POP BARROCO, e consequências diretas de “ODISSEY & ORACLE”.
Aliás, a fama e reconhecimento do primeiro entre eles, “ONE YEAR”, 1971, vem crescendo, e muito entre colecionadores e a crítica especializada.
Haja fôlego para encher a paciência de todos, enumerando discos quase VINTAGE! Mas, procurem ouvi-los.
Os ZOMBIES estão no ROCK AND ROLL HALL OF FAME, graças ao reconhecido clássico que fizeram.
E, mesmo assim, como observou há mais de 40 anos meu amigo e de muitos por aqui, Rene Ferri, em seu fanzine “WOOP BOP”, “nunca se colecionaram fotos de COLIN BLUNSTONE “…
POSTAGEM ORIGINAL: 20/10/2019
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SIMPLY RED: BIG LOVE / KAREN SOUZA ESSENTIALS 2 – POP CONTEMPORÂNEO.

Os dois discos são parte da última compra que fiz, uns dias atrás, procurando na Pops Discos Pops, minha loja predileta, em SAMPA.
Pois bem; nada demais, porém estão dentro dos critérios que meu querido falecido amigo Jean Yves Neufville usava quando a entressafra de qualidade apitava na curva. E isto sempre aconteceu e acontecerá. “Pô, Sérgio: eu não peço demais. Apenas um disquinho pop decente para escutar…”
E decentes os dois cds são. Mesmo estando o SIMPLY RED abaixo de seu melhor momento, conserva a verve do R&B bem feito, mas tecnicamente deixando um pouco a desejar. Achei a mixagem algo insípida, homogênea demais.
Para compensar, uma surpresa curiosa: o guitarrista é KENJI SUZUKI, blues-rocker pesado na linha GARY MOORE, famoso no Japão, por ser bom de improviso e Jams Sessions. Conheço um raríssimo e muito bom disco ao vivo dele com o baterista ANTON FIER, e o baixista JACK BRUCE, tocando CREAM e arredores. Tentei obter, mas custa o terceiro olho. Pois bem, SUZUKI, não altera o jogo, faz o esperado, porém abaixo do que fez HEITOR T.P. quando guitarrista do RED.
No conjunto da obra, SIMPLY RED – BIG LOVE é um disco agradável, e valeu o risco pelo preço que paguei: algo em torno de R$ 15,00.
KAREN SOUZA é uma argentina vendida ao mundo como cantora de jazz. Não é; faz um pop chegado ao lounge. Tem voz interessante, canta um tanto previsivelmente em inglês, mas causa interesse por seu charme e timbre.
O disco é um sumário do pop contemporâneo de FM, com o tingimento lounge lambendo o jazzistico. E serve para quem gosta de vocal feminino na fronteira do descartável. Não é disco para meus amigos Pierre Mignacou@Rodrigo Marques Nogueira. Mas cai bem para@Antonio MolitorJogador Número Quinze e todos os que gostam do pop deslavado.
Também valeu a pena pelo preço ultra acessível. R$ 15,00.
Resumindo, tio Sérgio curtiu novidades pelo preço de uma cerveja e um sanduíche de mortadela. Diversão a considerar.
POSTAGEM ORIGINAL: 20/10/2020
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DANDÃO, O PATO DEMÊNCIO, TEM LÁ SUAS RAZÕES

Claro, Dandão é o apelido do ex-Prefeito paulistano FERNANDO HADDAD, depois candidato a Presidente pelo PT contra o incompetente e inominável ogro que elegemos.
Bom, tá certo; talvez a prefeitura de São Paulo seja o pior cargo público do Brasil. Pensando melhor, ser prefeito de grande cidade é mico universal.
Vejam que sorte teve o FHC, Fernando Henrique Cardoso: perdeu a eleição para PREFEITO para o medíocre transtorno vociferante JANIO QUADROS. Mas pensem: se FHC tivesse vencido, provavelmente não teria chegado à PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA. O acaso nos salvou e todo o mundo!
DANDAO foi mal prefeito? Nem tanto. Sua “porção” PATO DEMÊNCIO o fez cancelar a inspeção veicular que, bem ou mal, atenuava a horrenda poluição urbana. Disseram que havia corrupção e etc… Mas ele devia ter engolido esta e mantido o programa. Se havia malfeitos que se apurasse. Se era considerado caro, certamente foi falácia mal construída, porque ninguém que tenha carros, caminhões e etc…pode alegar que pagar uma taxa por anual seja indevido ou muito pesado. Não fez e não faz sentido.
DEMENCIO também era adepto do populismo. Vou contar uma historinha pessoal. Em São Paulo, nós morávamos em um apto de 50m2 de área privativa. Era pequeno. Mas, uma cobertura duplex, em prédio em excelente bairro, com piscina, lavanderia e a 150m do metrô!
Nada espetacular mas, em 2014, pagávamos um IPTU mensal de R$ 69,00, muito adequado pela área etc. Para 2015, a Câmara Municipal e Dandão baixaram para R$ 29,00 mensais e isentaram os meus outros vizinhos…Foi razoável? claro que que não! Não é possível que cidadãos de uma cidade como São Paulo não paguem IPTU – imposto que engloba serviços de coleta de lixo, bombeiros e toda a parafernália urbana necessária.
Em São Paulo, como no Guarujá, 40% da população é isenta do pagamento do IPTU. Eu acho que somente os indigentes, os que moram em locais insalubre, como favelas e cortiços, deveriam ser poupados do imposto.
E isso explica parte das dificuldades financeiras da municipalidade em geral. Ser contra isso também é fundamental. Mas, populistas não topam…
Não basta aumentar impostos, é preciso identificar corretamente os problemas.
Pensei; Haddad nos impingiu as ciclovias; ampliou as vias segregadas para ônibus; baixou a velocidade média nas ruas, um jeito de retardar o colapso. Está certo ou está errado? Ainda não sei. Toda cidade moderna adota ciclovias. Nas paulistanas eu vejo pouca gente usando, e vocês? Quanto aos coletivos, o que mais se poderia fazer? Abrir mais avenidas em espaços que não existem? Talvez caiba ao “Quelônio Alckmin”, nosso governador, apressar o que é urgentíssimo – se houver grana -, a ampliação do metrô e ferrovias urbanas. Estou falando de becos sem saída.
Todo governante que se aventura em Sampa se dá mal. É sina? É incompetência? Não sei. Mas, seja como for, é problema nosso. Tornar a cidade governável, acima de ideologias e ou interesses é questão de sobrevivência.
Eu discordo de Dandão e da maneira como ele pensa o mundo. Mas, tenho compaixão por ele – porque tenho principalmente por nós, que aqui vivemos.
Quando assumiu a Prefeitura, Pato Demêncio reclamou que, certa vez, lhe roubaram um “Max Weber”, “Economia e Sociedade”. Se for o volume dois, eu mando para ele – se ele pedir – eu tenho outro. É mais difícil de encontrar do que qualquer Karl Marx, ainda onipresente por aqui.
POSTAGEM ORIGINAL: 10/10/2015

STEVE CROPPER, POP STAPLES & ALBERT KING – JAMMED TOGETHER, STAX , 1988

Anos atrás, alguém disse que guitarristas como STEVE RAY VAUGHN, RORY GALAGHER, ERIC CLAPTON e um montão, não faziam BLUES, mas ROCK.
Eu fecho com a gravadora BEAR FAMILY, que fez 4 boxes, com três CDS cada, historiando o BLUES do acústico ao elétrico em suas diversas vertentes. Eles garantem que a turma do primeiro parágrafo faz BLUES, sim!
Neste magnífico disco gravado por três luminares do ELECTRIC BLUES AMERICANO, e ricas adjacências, dois deles estão entre os TOP em quaisquer tempo e época: KING e CROPPER.
JAMMED TOGETHER é o BLUES elétrico mais tradicional. Os três são seguidores dos modernos fundadores da guitarra no BLUES, gente como B.B.KING, FREDDY KING, e do próprio ALBERT.
Eles não fazem as pirotecnias dos BLUES ROCKERS da década de 1960/1970 em diante. Usam pouca distorção, cuidam do ritmo, do andamento e do melódico. E não se distanciam do original R&B.
Se você quiser uma aula da tradição, e mais atualizada do nunca, procure esse disco.
A ficha técnica da minha edição, 1990, não é das mais completas. Não cita quem são os excepcionais baixista e baterista que participaram, imprescindíveis para que um projeto executado por artistas desse nível arrase!
Tio Sérgio fez umas pesquisas e acha que são respectivamente, DUCK DUNN e ANTON FIG. Mas, não conseguiu comprovar.
Em tempos tão empobrecidos, onde o BLUES e sua tristeza podem ser opção de “cardápio”, JAMMED TOGETHER nos faz entender o porquê do BLUES sempre animar quaisquer festas!
Quem não tiver, não passa de ano em BLUES/ROCK!
Vá atrás!
POSTAGEM ORIGINAL: 11/10/2022

ÍCONES SUPREMOS: VELVET UNDERGROUND & NICO, 1967. KING CRIMSON – IN THE COURT OF THE CRIMSON KING, 1969.

SÓ PRA COLOCAR O SEGUINTE:
“BRIAN ENO” DISSE QUE O “VELVET UNDERGROUND & NICO” VENDEU POUCO, NO LANÇAMENTO. MAS, TODO MUNDO QUE OUVIU MONTOU UMA BANDA DE ROCK”!
SEM FALAR DA CAPA ICÔNICA E INESQUECÍVEL DE “ANDY WHAROL” .OU SEJA, É UM CLÁSSICO SEMINAL!!!
“TIO SÉRGIO” VAI ALÉM E VATICINA:
QUEM CRESCEU NAS DÉCADAS DE 1960 E 1970, GOSTA DE ROCK
OU COLECIONA DISCOS JÁ CONHECE O MAGNÍFICO E ATEMPORAL CLÁSSICO DO “KING CRIMSON”!
ALIÁS, ” IN THE COURT OF THE CRIMSON KING” É O ÁLBUM MAIS EMBLEMÁTICO DE TODOS OS TEMPOS DO CHAMADO “ROCK PROGRESSIVO”! SÃO QUASE SINÔNIMOS!!!
PENSANDO MELHOR: QUASE TODOS JÁ TÊM OU VÃO TER O “VELVET UNDERGROUND & NICO”, TAMBÉM.
SÃO DISCOS INPRETERÍVEIS, INDISPENSÁVEIS, ADORÁVEIS!
POSTAGEM ORIGINAL: 02/10/2020
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PSICODÉLICOS E PROGRESSIVOS – TÓPICOS E ÉPICOS DA MINHA JUVENTUDE

TIO SÉRGIO é generoso e imenso feito o PACÍFICO e o ATLÂNTICO ( juntos, claro ). Então, mostro discos da fase de transição de meu gosto pessoal, que aconteceu mais ou menos entre de 1969 a 1971, e pegou, claro, discos um pouco anteriores.
THE MOODY BLUES – “IN SEARCH OF THE LOST CHORDS”, 1968. Eu já conhecia “NIGHTS IN WHITE SATIN”, compacto lançado aqui, em 1968, e sucesso internacional.
Certo dia em 1969, lá por setembro, eu latindo e babando feito cachorro em frente da máquina de assar frango, fiquei um tempão olhando a vitrine da HI-FI DISCOS, loja icônica em SAMPA, mais de meio século atrás.
Estava lá o LONG PLAY! Eu não tinha grana para comprar – o normal, como sempre!
Porém, eu já namorava a ANGELA, minha esposa e eterno amor que, também criança, perguntou o que eu gostaria de ganhar em meu aniversário! E foi lá e gastou a mesada no LONG PLAY!
Pois bem, é obra de arte da PSICODELIA INGLESA, e viagem sensível da qual não retornei até hoje!!!
PROCOL HARUM – SHINE ON BRIGHTLY, 1968 . É o segundo disco da banda, que escutei, adorei, repeti e curto até hoje. O lado A é PSICODELIA memorável. O lado B é ROCK PROGRESSIVO MEZZO SINFÔNICO, já em desenvolvimento pleno. Há GARY BROOKER, MATHEW FISCHER, ROBIN TROWER e B.J.WILSON em conluio/colóquio e conjunção artística magnífica. “IN HELD TWAS IN I”, peça que ocupa todo o segundo lado, fez com que eu siderasse espaço/tempo!
PINK FLOYD – ATOM HEART MOTHER – 1970 – Viagem imersiva na própria alma, e na própria vida, em álbum fabuloso, em minha opinião o melhor que fizeram.
O grupo odeia o disco, um desenvolvimento a partir das trilhas sonoras que haviam feito para a trilha do filme ZABRISKIE POINT, e outros experimentos. Não sei se fizeram edições melhores.
Talvez agora, 53 anos após o lançamento, nos brindem com edição à altura da obra!
Eu nunca vi uma holandesa. Então, me apeguei à vaquinha da capa!!!!
JETHRO TULL – ACQUALUNG – 1971. Qualquer dia faço um ensaio realmente significativo. Dizer o quê? A banda já era um espetáculo de originalidade, criatividade e beleza, quando gravou a talvez obra prima superior do PROGRESSIVE FOLK/HARD ROCK.
É outro álbum pelo qual babei em vitrines!!! Porém, Tia Cezarina, algo distante do meu cotidiano, falou que estava de viagem para os ESTADOS UNIDOS.
Eu não tive dúvidas, e na cara de pau pedi a ela que trouxesse algum disco de lá. Pediu uma relação. ..
Dois meses depois, telefonou e falou para eu passar no apto dela. Estavam lá “apenas” JEFFERSON AIRPLANE, “THE WORST OF”; JETHRO TULL, “ACQUALUNG”; POCO, “DELIVERING”; RASCALS, “TIME PEACE”, GREATEST HITS”; GRATEFUL DEAD “LIVE” duplo, e alguns SINGLES, que nem vou citar!!!
E mais não direi.
POSTAGEM ORIGINAL: 03/10/2023
Pode ser arte de 1 pessoa e texto que diz "Shine On Brightly Jicthro Aqualung"

FRANK SINATRA – CAPITOL YEARS SINGLES – 1953/1961

SINATRA ERA GÊNIO COMO CANTOR, E GÊNIO COMO ESTRATEGISTA DA PRÓPRIA CARREIRA FONOGRÁFICA.
ELE PERCEBEU E CRIOU O MODELO POP QUE, AOS POUCOS, PREVALECEU NA INDÚSTRIA DA MÚSICA..
QUANDO MUDOU DA “COLUMBIA RECORDS” PARA A “CAPITOL”, EM 1953, FRANK EXIGIU A SEPARAÇÃO ENTRE OS “SINGLES” E OS “LONG PLAYS, O QUE ELE JÁ VINHA FAZENDO ANTES.
PARA OS “SINGLES” SELECIONAVA CANÇÕES MAIS LEVES, MAIS DANÇANTES, COM COMEÇO, MEIO E FINAL. MÚSICAS QUE DAVAM O RECADO IMEDIATAMENTE PARA O MAIOR NÚMERO DE PESSOAS. NÃO ERA QUESTÃO DA QUALIDADE, MAS DA CARACTERÍSTICA E FINALIDADE DE CADA MÚSICA.
SINATRA PERCEBEU QUE FAZER SINGLES O MANTINHA O TEMPO TODO NAS RÁDIO.
E NOS JUKE-BOXES, MÁQUINAS DE TOCAR SINGLES, ESPALHADAS POR BARES BOATES E CLUBES CLUBES, E CONTROLADAS PELA MÁFIA.
FRANK AS UTILIZAVA PARA MANTER-SE ATUALIZADO E LANÇAR NOVOS AUTORES E IDEIAS, QUE PODERIAM OU NÃO, SER DESENVOLVIDAS. ERAM TESTES E EXPERIMENTOS PARA O MERCADO.
E, DEPOIS, OS SINGLES PODERIAM SER REUNIDOS EM COLETÂNEAS. A CRIAÇÃO DOS LPs POSSIBILITOU ISSO TAMBÉM.
MAS, OS “LONG PLAYS” ERAM OUTRO PAPO. O OBJETIVO ERA USA-LOS PARA O REPERTÓRIO MAIS ELABOEADO; MAIS REFLEXIVO, FOCANDO NO OUVINTE INDIVIDUAL.
NOS ÁLBUNS ENTRAVAM AS MÚSICAS MAIS CONCEITUAIS, ABERTAS E INSTIGANTES. ERAM PARA O SEU PÚBLICO MAIS INTIMISTA E SOFISTICADO.
NELES, SINATRA GRAVAVA O QUE HAVIA DE MELHOR E CRIATIVO NA PRODUÇÃO DOS GRANDES AUTORES DE SUA ÉPOCA.
SINATRA, ALÉM DE SER O MAIOR CANTOR DO MUNDO, ERA UM GRANDE INTÉRPRETE. E TAMBÉM GRAVOU “SINGLES” COM A ELITE DOS COMPOSITORES DE SEU TEMPO; MAS O FEZ DENTRO DO CONCEITO QUE ELE CRIARA, A BREVIDADE E A COMUNICAÇÃO INSTANTÂNEA.
ESTA SEPARAÇÃO ENTRE “LONG PLAYS” E “SINGLES” PERMANCEU COMO NORMA POP. VOCÊS LEMBRAM DO INÍCIO DA CARREIRA DOS “BEATLES” E DOS “ROLLING STONES”, POR EXEMPLO?
ERA COMUM OS “SINGLES” NÃO ENTRAREM NOS LONG PLAYS. COMO EU ESCREVI, ESSA ESTRATÉGIA FOI CRIADA PELO PRÓPRIO FRANK, E COM SUCESSO ABSOLUTO NO MERCADO, ATÉ MAIS OU MENOS 1970…
FRANK SINATRA FOI O GRANDE NOME DA MELHOR CANÇÃO AMERICANA. REUNIU COMPOSITORES DA GRANDEZA DE “COLE PORTER”, “GEORGE GERSHWIN”, ENTRE VÁRIOS. E ENFRENTOU CONCORRÊNCIA DO PORTE DE “ELLA FITZGERALD”, “SARAH VAUGHAN:, “TONY BENNETT” E VASTA E SOFISTICADA MINORIA.
SINATRA GRAVOU PARA A CAPITOL “46 SINGLES”, TODOS NESTE BOX EXCELENTE, QUE INCLUI, TAMBÉM, OS LADOS B E ALGUMAS COISAS A MAIS, NUM TOTAL DE 96 MÚSICAS EM 4 CDS!!! A CAIXA VEM COM LIVRETO EXPONDO O QUÊ ESCREVI.
FRANK FEZ, TAMBÉM, “18 LONG PLAYS” EM 8 ANOS DE “CAPITOL”. PARA ALGUNS, O SEU PERÍODO MAIS FÉRTIL E IMPORTANTE.
EM ABRIL DE 1962 ELE FUNDOU A “REPRISE RECORDS”, E PARA LÁ SE TRANSFERIU COM O SUCESSO DE SEMPRE.
O FENÔMENO SINATRA ULTRAPASSA GERAÇÕES. OS MAIS VELHOS ADORAM O SEU REPERTÓRIO E DÃO DE BARATO QUE FOI O MAIOR CANTOR DE TODOS OS TEMPOS – PELO MENOS ATÉ AGORA…
OS JOVENS O ADMIRAM POR SEU LADO REBELDE, A VIDA AGITADA E NEM SEMPRE MUITO RETA.
VOCÊS CONHECEM “MY WAY” COM O”SYD VICIOUS”, DOS “SEX PISTOLS”? É VERSÃO ICONOCLA’STICA DE UM ASTEROIDE QUE RESVALOU EM UM ASTRO IMENSO…IMPERDÍVEL!!!
FRANK VIVEU INTENSAMENTE!! ENSINOU, DEIXOU MARCA, REPERTÓRIO E VIVÊNCIAS SOBRE O QUE PODE SER CONSIDERADO CORRETO OU ERRADO. E, ACIMA DE TUDO, LEGOU OBRA MUSICAL PRÁ LÁ DE RELEVANTE.
UM GRANDE HOMEM ATÉ EM SEUS ERROS, ENGANOS E ALGUNS QUASE – CRIMES.
ACHO QUE ELE JÁ SAIU DO PURGATÓRIO PARA O CÉU!
HI, FRANK !: WE LOVE YOU!
POSTAGEM ORIGINAL: 04/10/2020
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FUSION & BEYOND – TRANSIÇÃO DE MINHA DISCOTECA À PARTIR DO ROCK EM DIREÇAO À FUSION.

 E DAÍ AO PRESENTE, AO PASSADO E AO IMPENSADO…
Quanta pretensão, né TIO SÉRGIO?
What Porra it´s that?
Pois, é; continuo postando a pedido do nosso amigo@Rene Mina Vernice, e fazendo um voo, quem sabe revoada, espantando discos, abrigando outros, tentando compreender a mim mesmo dentro desse HOBBY que eu levo a sério.
Em certo momento, a curiosidade e a oferta de ideias catapultou meu interesse para coisas que jamais ouvira!
Já contei por aqui, uma visita meio involuntária, e única, a um SALÃO DO AUTOMÓVEL. Foi há uns cinquenta anos.
Sei lá. Meu interesse por máquinas é totalmente utilitário: que não me causem problemas, e façam o básico para o quê foram projetados…
Mas, houve uma apresentação de ballet moderno em um stand luxuoso lá. Sei lá por que? Achei que a música era do SOFT MACHINE – que eu jamais tinha ouvido na vida!
Coisas de ainda adolescente. O que rolava era faixa do PINK FLOYD, na trilha do LA VALLÉE!
Não passei muito longe…
Porém, pouco depois comprei o SOFT MACHINE, 4, de 1970. Dei de cara no MUSEU DO DISCO, e comprei.
Nas primeiras vezes que ouvi não entendi nada!!!! Paulatinamente, fui assimilando. Percebi que não era o JAZZ, do jeito que se pensava tradicionalmente. Tinha algo de ROCK, mas a sinuosidade da interpretação da banda, mesmo sobre uma base às vezes algo monótona, denunciava outra coisa.
Diagnóstico, hoje: FREE JAZZ + ROCK PROGRESSIVO, ETC. : FUSION! Ainda hoje ouço bastante, e me comovo e transporto para quando era jovem.
MILES DAVIS – IN A SILENT WAY, 1968. O disco inaugural da fase FUSION de MILES, que ciscou por lá em vários discos essenciais.
O que dizer de banda formada por JOE ZAWINULL E CHICK COREA, teclados; DAVID HOLLAND, baixo; JACK DeJOHNETTE , bateria; e JOHN McLAUGHLIN, na guitarra.
Álbum etéreo, falsamente calmo, e cheio de climaxes, providos por MILES e cada um deles.
Tornou-se outra paixão.
Descolei o disco lá por 1972. Aqui, um BOX com 3 CDS, e todas as sessões de gravação, além do luxuoso livreto, o texto, fotos e tudo o mais que circunda esse gênio do século XX!
JEFF BECK GROUP- ROUGH AND READY, 1971.
A transição do BLUES ROCK para o RHYTHM´N´BLUES + JAZZ: FUSION!!!! Dançável, ultra audível, o encontro de BECK com a STAX , e outras gravadoras de música negra.
E, dentro, a faixa que, para mim inspirou o estilo FUSION que fez a fama e fortuna da gravadora E.C.M: RHAYNES PARK BLUES, rebatizada como MAX TUNE, é o voo da guitarra de BECK, com a proficiência artística do tecladista MAX MIDLETON. É disco de cabeceira, também.
JACK BRUCE – THINGS WE LIKE, 1969 – eu poderia trazer algum outro disco deste gênio irrequieto, polivalente, teimoso e instigante.
É a intersecção criativa entre a guitarra que JOHN McLAUGHLIN, os saxes de DICK HECKSTALL-SMITH e a bateria de JOHN HISEMAN. Grosso modo, é o que fizeram no GRAHAN BOND ORGANIZATION, redirecionado para o FREE JAZZ, esquecendo um pouco o BLUES. Um disco de FUSION algo heterodoxo. E tem JACK BRUCE arrepiando e transcendendo no baixo, logo após o final do CREAM.
Quer experimentar o sabor da vanguarda musical no final da década de 1970? Esteja à vontade.
JONI MITCHELL – THE HISSING OF SUMMER LAWNS,1975 Foi mais ou menos quando iniciei a minha paixão irrevogável, inegociável, irretratável por JONI!!! Poderiam ser vários outros discos dela, porém…
Fusão FOLK + JAZZ + POP recheada de amarguras, doçuras e belezas melódicas e harmônicas e rítmicas irretocáveis! E a voz e as letras dessa gênio memorável, acompanhada por time de primeiríssima linha – como sempre.
PAT METHENY GROUP – AMERICAN GARAGE -1979. O primeiro disco que dele ouvi. Adoro seu estilo, toque, composições, talento para melodias e harmonias, e a capacidade para trazer alto astral à espetacular gravadora ECM, sempre algo triste, solitária e fria.
PAT não por acaso conectou-se à música e às mulheres brasileiras. É criatura do sol, mesmo que circunspecto e compenetrado.
Seus discos e a ECM ajudaram que eu me apaixonasse pela música instrumental, e caminhasse para muitos lados, simultaneamente, e sem preconceitos.
RESENHA MUSICAL: 05/10/2023
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LÁ VEM O NEGÃO, CHEIO DE PAIXÃO, PRA CANTAR, CANTAR CANTAR….

Tio Sérgio acordou, hoje, e abriu a porta; e deu cara com a revista VEJA. Na capa, a ministra ANIELLE FRANCO falando sobre o acontecido com o ex-ministro SILVIO ALMEIDA… O bacobufo que resultou todo mundo já sabe.
Bom, eu sou do tipo que não perde a piada. E me veio à cabeça uma historinha que rolou na década de 1990. Dia incerto, entrou em nossa loja, a CITY MUSIC, no Itaim Bibi, em SAMPA, uma simpática e atraente balzaqueana (calma, crazy people, é currículo base de linguagens do passado não muito distante: significa mulher em torno dos trinta anos ).
A moça chegou animada no BETÃO, “primoamigoirmão” que trabalhava conosco cantando: “LÁ VEM O NEGÃO, CHEIO DE PAIXÃO, PRA TE CATAR, TE CATAR, TE CATAR”… e comentou: “eu tô louca para comprar este CD”… Havia no estoque. Afinal, o ART POPULAR que cantava o HIT, bombava nas rádios.
E o BETÃO, um cara simpático e carismático, brincou: “olha, se chegar aqui um NEGÃO CHEIO DE PAIXÃO para me catar, eu atravesso a rua sem olhar pros lados… Risadas geral; ela comprou e saiu alegre pra curtir.
Por isso, cruzando as coisas, TIO SÉRGIO, o magnânimo, trouxe pra vocês um monte de NEGÃO pegador nos CDS; alguns nem tão conhecidos, mas todos emblemáticos.
Vou pontuar: ISAAC HAYES, voz baixo barítono sensual, cantando no limite do assédio. Há o SEAL, famoso, cheio de cicatrizes, mas ícone da volúpia feminina – vi mulheres comentando como seria velejar o pretão só pra conferir o mastro…
Também veio JOHNNY HARTMANN com JOHN COLTRANE. E quem assistiu a “AS PONTES DE MADISON”, 1995, com CLINT EASTWOOD e MERYL STREEP, vai recordar cena em que o os dois dançam ao som da sedutora voz do negão.
E temos muito e muito mais. Basicamente R&B e SOUL; alguns com pitadas de DISCO MUSIC, com O`JAYS. Também o indefectível MARVIN GAYE, famoso pegador; que é bom nem comentar “SEXUAL HEALING”… hummmm!!!
Porém, há um negão poderoso, talvez a voz mais bem desenvolvida e marcante: LOU RAWLS. O cara teria sido exemplar de perfeição, se não houvesse enfrentado um baita problema: sofreu acidente de carro, em 1958, e quase morreu; sobreviveu com sequelas profundas.
LOU tinha dificuldades para se locomover. No palco, ficava quase parado, e não conseguia expressar-se à altura de seu talento e poderio vocal.
Resumindo, LOU RAWLS legou enorme repertório; lançou em torno de 60 álbuns e vendeu mais de 40 milhões de discos. Mas não realizou plenamente o enorme potencial artístico que tinha.
Uma lástima, indeed! E ainda assim, participava do restrito time das vozes cheias de paixão para nos catar, catar, catar pelo ouvido.
Arrisque! São artistas ariscos e afiados!
POSTAGEM ORIGINAL: 06/10/2024
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MARVIN GAYE – O MAIOR NOME DA BLACK MUSIC – E PEQUENA DISCOGRAFIA

MARVIN GAYE TALVEZ SEJA O MAIOR NOME DA BLACK MUSIC. E WHAT´S GOING ON? – 1971 – FOI  ELEITO PELA REVISTA “ROLLING STONE “, EM 2020, O MAIOR DISCO DE TODOS OS TEMPOS!!!
O MUNDO PASSOU POR TRANSFORMAÇÕES CULTURAIS PROFUNDAS DURANTE A DÉCADA DE 1960. ELAS FORAM DO HEDONISMO E OTIMISMO A RADICAIS MUDANÇAS DE COMPORTAMENTOS E PROPOSIÇÕES POLÍTICAS.
COMO SEMPRE, TEMPOS PLENOS DE EVENTOS SIMULTÂNEOS, MUITAS VEZES CONTRADITÓRIOS, E FREQUENTEMENTE NÃO COMPREENDIDOS À ÉPOCA EM QUE ACONTECERAM.
MESMO ASSIM, HÁ UMA VASTA COLEÇÃO DE FATOS ESTRUTURANTES PARA O MUNDO CONTEMPORÂNEO.
A HISTÓRIA PASSADA CONDICIONA A “HISTÓRIA FUTURA”, MAS NÃO A DETERMINA.
OS FATOS NOVOS, NO CORRER DOS TEMPOS E A TODO MOMENTO, ABREM CAMINHOS PARA A REVISÃO DE IDEIAS E CONCEITOS NESSA ININTERRUPTA INTERAÇÃO.
A DINÂMICA HISTÓRICA, A CADA INSTANTE DO PRESENTE DESTACA A PERCEPÇÃO DO PASSADO, E POSSIBILITA NOVAS CONCLUSÕES, MESMO QUE TRANSITÓRIAS.
O PASSADO, DESSE PONTO DE VISTA, NÃO ESTÁ “MORTO”. OS FATOS ANTES DE SERVIREM COMO BASE DE ANÁLISES, REQUEREM CERTO CONSENSO SOCIAL PARA SE IMPOREM COMO DE IMPORTÂNCIA EFETIVA.
AINDA ASSIM, O QUE É COMPREENDIDO NO PRESENTE COMO A “VERDADE”, SEMPRE PODERÁ SER CONTESTADO E RECUSADO NO FUTURO.
A INCERTEZA E A IMPERMANÊNCIA SÃO AS “CONSTANTES INCONTESTÁVEIS” NA HISTÓRIA DOS HOMENS.
O CONSENSO ATÉ 2018 CONSIDERAVA A OBRA PRIMA DOS BEATLES FEITA EM 1967, “SGT PEPPER´S LONELY HEART CLUB BAND”, O MAIOR, MAIS AMPLO E INOVADOR DISCO DE MÚSICA POPULAR GRAVADO EM TODOS OS TEMPOS. UM ESTÁGIO ADIANTE SOBRE O QUE HAVIA SIDO REALIZADO ATÉ AQUELE MOMENTO.
O ÁLBUM DOS BEATLES COMBINA EM ALGUMAS FAIXAS O MAIS MODERNO DO ROCK COM A MÚSICA ERUDITA DE VANGUARDA. E PRESERVA, EM OUTRAS CANÇÕES, ARRANJOS E RITMOS TRADICIONAIS.
E TUDO EMBALANDO LETRAS BEM FEITAS, COMENTÁRIOS SOCIAIS E POLÍTICOS QUE DESCREVEM O PANORAMA CAMBIANTE DAS RELAÇÕES SOCIAIS EM MEADOS DA DÉCADA DE 1960. EM CONSEQUÊNCIA, ECOAM ATÉ O PRESENTE.
O DISCO FOI GRAVADO COM AS
TECNOLOGIAS DE ESTÚDIO MAIS INOVADORAS DA ÉPOCA, QUE POSSIBILITARAM SONORIDADES E RESULTADOS ATÉ HOJE PERCEBIDOS COMO “CONTEMPORÂNEOS”.
O DISCO DOS BEATLES SOBREVIVEU E TRANSCENDEU AS DECADAS. É OBRA GRANDIOSA E AINDA VIVA.
“SGT PEPPER´S… ” REFLETE CERTA CONSTÂNCIA DA HISTÓRIA HUMANA EM ALGUNS DE SEUS MACRO-TEMAS: LIBERDADE, DROGAS, POBREZA, SOLIDÃO, CONSERVADORISMO, REBELDIA, SOLIDARIEDADE. É O COTIDIANO E SUAS MÁS NÓTÍCIAS, AS GUERRAS, E VÁRIOS ETCs…
“SARGENT PEPPERS…” É UM EXEMPLO DE ARTE EM COMPASSO COM A REALIDADE MUTANTE. E É, TAMBÉM, UM SUMÁRIO DA CONTEMPORANEIDADE.
NO ENTANTO, PROFÉTICO MESMO FOI “TOMMY”, OBRA CONCEITUAL CRIADA POR “THE WHO”, EM 1969: METÁFORA SOBRE A ALIENAÇÃO E ATOMIZAÇÃO DO INDIVÍDUO, REPRESENTADO POR “TOMMY,” GAROTO SURDO E MUDO, MAS CRAQUE OBSECADO POR UMA MAQUINA DE PEBOLIM – A ANTECESSORA DOS ATUAIS JOGOS ELETRÔNICOS.
OS “TOMMYS” CONVIVEM CONOSCO HÁ DÉCADAS. ESTÃO NOS LARES, NOS BARES, NAS ESCOLAS; EM ÔNIBUS E METRÔS. E PROVAVELMENTE NOS ULTRASSARÃO, PORQUE LINKADOS À VIDA COTIDIANA, QUE É ELETRÔNICA, VIRTUAL, ATOMIZADA.
MAS, ANTES DE COCEITUALIZAR OUTRO DISCO MONUMENTAL TOMOU A LIDERANÇA NESSE ETERNO PRESENTE, É BOM DAR UMA CISCADA EM SEU PASSADO E ATIVIDADES.
MARVIN GAYE SEMPRE FOI UM CRAQUE, E ÍDOLO DE PRIMEIRA GRANDEZA.
SUA CARREIRA DISCOGRAFICA NO RHYTHM’N’BLUES E SUA VERTENTE HISTÓRICA, A SOUL MUSIC, É SIMPLESMENTE ESPETACULAR.
POUCOS ARTISTAS DESENVOLVERAM TANTA PRESENCA DE PALCO E IDOLATRIA QUANTO MARVIN!
TANTO ANTES COMO DEPOIS DE “WHAT’S GOING ON?”.
ELE TEVE PLETORA DE HITS TANTO NA “MOTOWN” QUANTO NA “SONY CBS”. SUA VOZ, ESTILO E MUSICALIDADE TALVEZ TENHAM CHEGADO AO AUGE COM SUA “OBRA MAGNA”!
DA MESMA FORMA QUE “TOMMY”, A EVIDÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO QUASE PROFÉTICA FICOU MAIS UMA VEZ EXPLÍCITA.
MAS, SERIA “WHAT´S GOING ON”, DE MARVIN GAYE, LANÇADO EM 1971, MELHOR, MAIS ADEQUADO E ATUAL DOS QUE OS BEATLES?
Em primeiro lugar, repare que ambos têm mais de cinquenta anos! E a diferença entre o lançamento um e outro foram menos de quatro anos.
Mas que quatro anos!!!!!
Quando o disco de MARVIN GAYE saiu, o pessimismo e o desencanto haviam tomado conta do mundo.
A utopia hippie entrara em desuso; e continuaram as guerras e disputas entre potências com seus arsenais nucleares nas alturas. Ficou escancarado que ditaduras se espalhavam por todo o planeta. Trivialidades que se repetem, em 2023, os tempos atuais. Tudo se reposicionou. Mas, essencialmente pouco mudou…
Observe também, que em 1967 já havia nascido um ROCK PSICODÉLICO PESSIMISTA, realista e marginal, e longe do “SUNSHINTE POP” e dos BEATLES.
De certa forma, o “VELVET UNDERGROUND”, de LOU REED, anteviu o quê em 1971 já estava explícito, e continua regra até agora…
Sobreviveram do passado vários temas trabalhados por MARVIN GAYE em seu disco imprescindível: pobreza, vida marginal, violência, drogas…desigualdade racial…
Para entender o “MARVIN GAYE de WHAT´S GOING ON?”, é preciso notar que em 1970/1971 foram lançados discos importantes abordando as mazelas constantes, com muita crítica social militante. E todos eivados por tom pessimista e algo resignado.
Inclusive o novo assunto daquele momento, e que todos nós, dali para frente, passamos a nos preocupar: a ECOLOGIA!
Naqueles tempos “JONI MITCHELL” lançou “Blue”, e “NEIL YOUNG” fez “AFTER THE GOLD RUSH”. E, um pouco além, o “JETHRO TULL” criou “ACQUALUND” – um olhar esquivo e duro sobre religião, educação, marginalidade e outros temas eternos.
E os “MOODY BLUES”, havia lançados álbuns muito vendidos. “A QUESTION OF BALANCE” e “EVERY GOOD BOY DESERVES FAVOUR”, são os pioneiros em falar sobre ECOLOGIA.
E não vamos esquecer CHICO BUARQUE, na mais perfeita descrição poética das agruras da pobreza que nos assola, em “CONSTRUÇÃO”, para ficar em um exemplo, entre tantos vários. Há dado fundamental que une as obras daquele contexto histórico relevante: todos são DISCOS DE VANGUARDA, MUSICALMENTE FALANDO. E de acordo com o espírito de final dos tempos!
MARVIN GAYE, é produto de seu tempo: um “SINGER/SONGWRITER”, a tendência que tomou conta do mercado musical no início dos anos 1970. É também contemporâneo de outros grandes artistas, como PAUL SIMON, CARLY SIMON, JAMES TAYLOR, GIL, CAETANO e vasto etc…
MARVIN GAYE não foi um precursor, mas articulou artisticamente várias ideias de seu tempo…O disco “WHAT´S GOING ON?” é, antes de tudo, um ÁLBUM CONCEITUAL, e de BLACK MUSIC. Um diferencial único entre seus pares.
A faixa título é considerada a “quarta música mais importante da discografia americana”.
Da segunda à sexta faixa é uma SUÍTE “SOUL/FUNK- com percussão latina mesclada ao JAZZ: verdadeira FUSION dançante, com faixas ininterruptas e interligadas. E tocada pelos magníficos e precisos “FUNK BROTHERS”, a banda principal, à época, da gravadora “MOTOWN”, garantia de excelência.
As três faixas restantes esbanjam qualidade e ritmo, com destaque para a melhor de todas: “RIGHT ON”, um show!
O álbum é um resumo dos desencantos e desesperanças; e a observação da violência e das iniquidades da sociedade americana, misturadas a um tom espiritualizado típico da melhor BLACK MUSIC do “Hospício do Norte…”
MARVIN canta sobre desemprego, inflação e a crise econômica da época. Cita inclusive a poluição, a superpopulação e outros temas candentes ligados À ECOLOGIA, e ainda onipresentes.
E constata o racismo, a violência policial, o ódio e as injustiças contra os pobres e, principalmente, contra os pretos.
O disco chama a atenção sobre aqueles que lutaram guerras para nada. Vamos recordar um filme com TOM CRUISE chamado “Nascido em 4 de Julho?
Pois bem, MARVIN GAYE é um preto que entendeu o drama daquele “branco” aleijado e descartado, o personagem de TOM CRUISE, que a seu modo interpreta um deserdado da utopia americana, e sentiu as iniquidades da sociedade que o usou e o abandonou.
Como acontece com a maioria dos pobres. E muitos e muitos pretos pobres, e pobres e pretos, que também viraram buchas de canhão nas constantes guerras do Império americano mundo afora…
MARVIN GAYE cantou a América nua e crua, pela perspectiva dos pretos! Mesmo que os temas centrais das letras magistralmente compostas por ele e “RENALDO BENSON”, um dos “FOUR TOPS, já estivessem sido expostos quando ele foi gravado.
Pois bem, os passos que a HISTÓRIA abriga tornou o disco dia-a-dia mais relevante. Os tempos de TRUMP, a recorrente violência contra os negros, e o recrudescimento do racismo mundo afora elevaram o disco ao status que agora tem.
É, também, uma reação cultural ao ultraconservadorismo excludente desses tempos de ignorância, falta de compaixão e pouca empatia.
“WHAT´S GOING ON?” é disco de altíssima relevância social. E traz músicas perfeitamente apreciáveis 50 ano depois.
É um verdadeiro marco artístico. Mas, não promoveu a REVOLUÇÃO ou inovação musical como fizeram os BEATLES, em “SARGENT PEPPERS”.
Por isso, eu tenho dúvidas de que seja o melhor disco da história do POP. Se é que isto realmente existe… A revista RECORD COLLECTOR faz listas por gêneros, estilos, etc., o que parece mais realista.
Seja como for, é obra que sempre estará entre as dez melhores. E a sua história e peripécias acompanharemos por muito tempo.
Ouçam e tenham na discoteca: é mandatório.
POSTAGEM ORIGINAL 06/10/2023
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