BYRDS, 1968 – RIDE, 1994 – BECK, 1998: A CRIAÇÃO E A RECRIAÇÃO DO ROCK PSICODÉLICO AMERICANO DA DÉCADA DE 1960

O QUE OS TRÊS DISCOS SENSACIONAIS TÊM EM COMUM?
VAMOS TENTAR DESCOBRIR:
O “NOTORIOUS BYRD BROTHERS”, LANÇADO EM 1968, É OBRA IMPORTANTE DA PSICODELIA AMERICANA. TALVEZ O DISCO TECNICAMENTE MAIS BEM ACABADO ENTRE OS REALIZADOS POR ELES. UM VERDADEIRO FEITO; PORQUE SEMPRE FORAM JOALHEIROS CAPRICHOSOS E À BEIRA DA PERFEIÇÃO. APENAS CONFIRMANDO, GRAVAVAM PARA O COLUMBIA RECORDS, O QUE DISPENSA EXPLICAÇÕES.
O LP ORIGINAL, E PORTANTO O CD, MESCLAM CANÇÕES DE AMOR, E MÚSICAS DE PROTESTO OU LIBERTÁRIAS, OSCILANDO ENTRE A PERSPECTIVA EXISTENCIAL CINQUENTISTA DOS BEATNICK; E A FALTA DE MÉTODO E A RENÚCIA MATERIAL DOS HIPPIES.
É UM DISCO DE VANGUARDA AMERICANO; INCLUINDO O REFINAMENTO ARTÍSTICO DOS ANOS 1960. HÁ MUITA EXPERIMENTAÇÃO, ARRANJOS BEM CONSTRUÍDOS; INTEGRAÇÃO ENTRE AS FAIXAS; E A ESPETACULAR HARMONIA VOCAL DA BANDA, INSPIRADA EM CONTEMPORÂNEOS COMO OS BEACH BOYS; E CULMINANDO, ANOS DEPOIS, NO “CROSBY, STILLS, NASH & YOUNG”. FINO PRATO E TRATO, PORTANTO!
TALVEZ SEJA O ÁPICE ARTÍSTICO ENTRE OS PICOS ELEVADOS QUE AS BANDAS DE FOLK PSICODÉLICO CONSEGUIRAM. A QUALIDADE DO SOM GRAVADO ESTÁ ENTRE AS MELHORES QUE JÁ ESCUTEI NA VIDA! OBRA EMOCIONANTE! INDISPENSÁVEL!
E TEMOS O “RIDE”, EM “CARNIVAL OF LIGHTS”, SAÍDO EM 1994. É OUVIR E CONCLUIR: O DISCO INTEIRO EMULA O CLIMA DO “NOTORIOUS BYRD BROTHERS”. É O SOM DA “CALIFÓRNIA” ENTRE 1966 E 1969. MESMO O “RIDE” SENDO BANDA INGLESA DE “BRITPOP”. É ROCK ALTERNATIVO COM RETROGOSTO CONSOLIDADO… HUMMMM… NO PASSADO HERÓICO…
É CLARO, COM DIFERENIAIS IMPORTANTES NOS ARRANJOS, O QUE OS ATUALIZOU PARA A “NEO-PSICODELIA”, EM VOGA NOS ANOS 1990. REFORMAR É IMPRESCINDÍVEL – E A TURMA JÁ SABE DESDE OS PRIMÓRDIOS DO “ROCK AND ROLL”; E, DEPOIS, QUANDO METAMORFOSEOU-SE DE “BEAT”, NO INÍCIO DOS 1960; E SEGUIU AMPLIADA, DÉCADAS AFORA, E AINDA SEM FINAL OBSERVÁVEL…
O DISCO É UM EXEMPLO DO CHAMADO “SHOEGAZE”; É LINDO; E IMPRESCINDÍVEL PARA QUEM CURTE “BRITPOP”. E, PARA MIM, FOI O AUGE DA CARREIRA DESSES INGLESES CRIATIVOS.
NA MESMA LINHA, VEIO O AMERICANO “BECK”, E SUA ATUALIZAÇÃO EM SAMPLERS, E OUTRAS TÉCNICAS, DE VÁRIAS PERSPECTIVAS DA HISTÓRIA DO POP/ROCK.
“BECK” É UM CRAQUE. RECRIOU, CRIA E RECRIA SONORIDADES QUE SEMPRE RECONHECEMOS; E SABEMOS QUE FOI ELE QUEM REFEZ… É ARTISTA MUITO ORIGINAL; TEM ASSINATURA.
EM “MUTATIONS”,1998, O ALVO FOI O ROCK PSICODÉLICO AMERICANO”, ONDE OS “BYRDS”, O “JEFFERSON AIRPLANE”, O “GRATEFUL DEAD” E DIVERSOS, TÊM LUGAR DE HONRA E MÉRITO.
É INTERESSANTE, ESCUTAR SEU OUTRO DISCO NESSA VERTENTE: EM “SEA CHANGE”, 2002, BECK, EXÍMIO, FAZ O MESMO COM A “TRADIÇÃO PSICODÉLICA DOS INGLESES”; E INCORPORA PRINCIPALMENTE O ESPÍRITO DE “SYD BARRETT”, NO PINK FLOYD”. AQUI, ESTÃO CITADOS QUATRO DISCOS IMPRESCINDÍVEIS, VISÕES AMPLAS DO MELHOR QUE O ROCK PSICODÉLICO, QUASE PROGRESSIVO, NOS LEGOU.
TENTE!
POSTAGEM ORIGINAL: 08/09/2018
Nenhuma descrição de foto disponível.

EU, O PROFESSOR! O RESUMO DE UMA FASE QUE VIVI, MAS NÃO SUSTENTEI

Fui, sim, por um ano. Carteira assinada e tudo o mais.
Quase aventura que devo ao meu cunhado, Toninho Paes, em vez de quem assumi poucas aulas semanais, nos estertores de uma escola tradicional aqui de SAMPA, o LICEU EDUARDO PRADO.
A escola estava sendo incorporada ao COLÉGIO E FACULDADE LUSWELL, ainda hoje no bairro de MOEMA, e precisava formar a sua última turma de alunos, e mudar de rumo.
Quer dizer, coube ao TIO SÉRGIO e a outros enterrar de vez uma escola que havia perdido nexo com o real da época.
O ano de 1981 foi, para mim, intenso, prazeroso e muito, mas muito difícil! Foi assim que rolou:
Em junho, eu havia terminado a FACULDADE DE COMUNICAÇÕES SOCIAIS, na FUNDAÇÃO CÁSPER LÍEBRO, uma das melhores do BRASIL, na época, não é Ayrton Mugnaini Jr.? Meu contemporâneo na famosa e tradicional “CÁSPER”.
Eu estava apto a me tornar JORNALISTA, o que somada à minha formação em CIÊNCIAS SOCIAIS, pela FFLCH, da USP, julguei barbada para entrar no mercado. Fui muito bom aluno nas duas faculdades. Eu provo com meus boletins…
Mas, essa é história diferente. E, entre os hipotéticos talento e vocação, muitas vezes sobrepõem-se a realidade e mil intercorrências. Sou mais “professor”, “jornalista” e “sociólogo” hoje, do que jamais consegui ser quando jovem…
É pretensão minha? Talvez, mas assim interpreto. O mundo está repleto de gente na minha situação.
Pois bem:
Marquei horário e compareci. Conversei com a diretoria da Escola. Eles nem pestanejaram: fui contratado na hora e sem questionamentos.
Valeu a minha formação, currículo, essas coisas; e até atividade profissional, pequeno e sofrido empresário. Eu suponho…
Mas pensando melhor, também não importava. Foi um misto de “só tem tu? então vai tu mesmo”; e, “Graças as Deus! apareceu o coveiro que faltava”!
Foi para lecionar no terceiro ano do CURSO TÉCNICO DE ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS. E as matérias para as quais me contrataram foram “RELAÇÕES INTERNACIONAIS” e “NOÇÕES BÁSICAS DE ECONOMIA”. Ministrei aulas de duas a três horas por semana. Tipo entre 4 ou 6 horas no mesmo dia. Não me recordo exatamente. Entrava as 8 horas e saía as duas horas da tarde, toda sexta feira.
Achei ótimo… Até que houve a primeira reunião com outros colegas professores para tomar conhecimento do conteúdo. Era inespecífico; ninguém sabia ao certo o que fazer, a escola há anos não tinha professores para isso… O importante era tocar a bola, não reprovar ninguém e o jogo seguiu.
Então, eu bolei o que achei ideal.
“RELAÇÕES INTERNACIONAIS”, para mim, era o curso que havia feito na USP, por 2 semestres, com o PROFESSOR OLIVEIROS FERREIRA, na época também editor chefe do “ESTADÃO” e padrasto do jornalista WILLIAN WAACK.
OLIVEIROS era um grande intelectual; Liberal demais para seus colegas na USP, e profundo conhecedor de política externa e seus fundamentos.
Ele nos ensinou a sério os conceitos da GEOPOLÍTICA. Estudamos os interesses de cada país em face de sua geografia e potencialidades de projeção de poder. E compreendi as vulnerabilidades estudando mapas e teorias. O fino!
E não deu outra. Em vez de ensinar jargãos de comércio exterior, como F.O.B e outras siglas, e as coisas pequenas de importância relativa, comecei a orientar e discutir com os alunos as GUERRAS DE INDEPENDÊNCIA DAS COLÔNIAS PORTUGUESAS NA ÁFRICA; a saída dos ingleses da antiga RODÉSIA, hoje ZIMBABWE; e, principalmente, o papel do BRASIL como contraponto à influência cubana – impulsionada pelos soviéticos na região.
Eram temas palpitantes em meados dos anos 1970 e início dos oitenta. Tanto é que, de fato, o Sul da África se tornou independente. E o BRASIL, até hoje, tem claros interesses geopolíticos e econômicos na região. Esse movimento todo fez parte de um contraponto civilizatório, na minha opinião.
É o que o PT com o experiente diplomata CELSO AMORIM tenta fazer, desde o primeiro governo LULA, e até agora. É da tradição o ITAMARATI.
O governo de ERNESTO GEISEL, 1974/1979, introduziu essa política com o ministro das Relações Exteriores da época, AZEREDO DA SILVEIRA. E administrou com outro grande diplomata, ÍTALO ZAPPA, que conseguiu conviver e negociar tanto com os governos estabelecidos, quanto os rebeldes revolucionários.
A História é longuíssima, e vitoriosa do ponto de vista geopolítico para o BRASIL, CUBA, RÚSSIA e até os EUA…
Mas, foi ruim para PORTUGAL, que perdeu suas colônias. Em compensação democratizou-se e modernizou-se, também. Se continuasse colonialista, nossos irmãozinhos ibéricos teriam quebrado de vez.
Hoje, o curso moderno de RELAÇÕES INTERNACIONAIS é estratégico e tem currículo muito mais amplo e diferente. Mas, seja como for, estive lá!
A segunda matéria que lecionei foi “INTRODUÇÃO À ECONOMIA”. E, como cantam FRANK SINATRA e o SID VICIOUS, “I DID IT MY WAY”!
O currículo original supunha noções básicas de MICROECONOMIA, teoria que trata as condicionantes econômicas a partir de empresas, famílias, e os indivíduos. Os detalhes, digamos…
Eu mesmo fiz o curso técnico de ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS, no COLÉGIO OSWALDO CRUZ, de onde saiu a FACULDADE com o mesmo nome. Foi um jeito de mais ou menos viabilizar alguma profissão. No meu tempo, uma certa objetividade era necessária. Eu já trabalhava desde os 14 anos. Portanto,
Só que, eu não era… digamos…, assim.
Seguindo o jogo, como professor e aproveitando o tanto faz reinante, achei melhor tentar explicar a MACROECONOMIA para a meninada.
É mais fascinante, mais abrangente, e se coadunava com o entendimento que eu havia escolhido para tentar falar de RELAÇÕES INTERNACIONAIS. Tentei explicar um pouco sobre inflação, essas coisas…
E cometi um deslize criativo: peguei um texto fabuloso de KARL MARX, na INTRODUÇÃO À CRITICA DA ECONOMIA POLÍTICA, chamado PRODUÇÃO, CIRCULAÇÃO, TROCA E CONSUMO, e tentei explicar para a meninada como tudo se comunicava, se encaixava, na vida econômica.
Fiz isso, porque até hoje considero uma portentosa lição de ANTROPOLOGIA CULTURAL. O alemão tenta expor o funcionamento da sociedade. É uma visão de conjunto.
Claro, as coisas são muito, mas muito mais complexas. Mas, fosse como fosse, havia uma visão explicativa bem didática.
Explicação que o marxismo vulgar se utiliza para expor dialeticamente “a realidade”.
Mas, deu algum Tilt…como se dizia, oooops!
Fui chamado à direção da escola: religiosa, protestante e ultra-conservadora, que também não sabia o que propor. Quiseram saber de onde eu tirara os ensinamentos?
Enrolei. Eles toparam, porque tanto fazia…
Resumindo, até o final tentei ensinar aos garotos e garotas a ler jornais. Um caminho de aproximação sucessiva com o mundo. Era muito mais realista do que tentar passar conceitos, principalmente marxistas, para filhos de banqueiros, ou no mínimo gente de classe média alta e consumista… Brasil de outros tempos…
Mas, aí entra o fator humano, as circunstâncias da implosão daquela escola, e o passo seguinte da meninada na vida. Iriam para a faculdade.
A escola em total desconstrução liberava os alunos para porra nenhuma.
Eu enquanto professor improvisado não tinha a menor ideia do que era didática. Não sabia ensinar.
Em contrapartida, a sala de aulas era zona total! No primeiro dia de aulas, um gaiato perguntou se podia fumar durante as aulas.
Eu, recém saído da USP e da CÁSPER, nem titubeei:
“É claro que pode”, disse!
Houve explosão atômica a céu aberto! vinte minutos de fumacê, e lá veio o diretor me “explicar” que era terminantemente proibido!!!
Minha autoridade foi pro espaço. Mas contornei com a turma, disse que na faculdade tudo era mais liberal, essas coisas…
Ainda assim, o cheiro de fumaça no fundão, sempre me obrigava a dizer quê…etc, e tal…
A segunda provocação foi quando um simpático vida boa perguntou se eu reprovaria alguém…
“Não, de jeito nenhum”, respondi! E aí não teve mais jeito. Instalou-se a entropia…
A maioria não dava bola pra nada. Mas, alguns gostavam e se interessavam. Tentei mais ou menos encaminha-los…
Fui levando…
Era preciso fazer avalição, dar notas.
De novo, fiz bobagem. E Lembrei da USP.
Para ECONOMIA, pedi que dissertassem sobre a seguinte questão: se o crescimento do Estado na vida econômica não restringiria as liberdades individuais?
Em 1981, a presença da Estado hipertrofiado estava em seu auge. E o país era uma ditadura, com a inflação lá no alto. Eu baseei a pergunta em um texto do economista liberal ROBERT HEILBRONER, que saíra na REVISTA EXAME, e suscitou algum debate.
A ideia do professor era dizer que sem iniciativa privada não haveria liberdades individuais. Uma verdade, aliás…
A minha ideia era ver se a garotada ligava uma coisa à outra – muito difícil até pra mim, que também não acreditava em ideias liberais. Quando eu entrei na USP eu me achava socialista. Na verdade, lentamente, entendi que nunca fui…
No final da década de 1970, eu estava em dolorosa transição ideológica para algum tipo de ideia socialdemocrata. Sofri indizivelmente com essa dúvida, acreditem!
No trabalho final teve de tudo como resposta.
Porém, fiquei impressionado com uma dondoca ( ahhh, como existiam… ) que não estudava nunca, e apresentou um texto bem escrito e correto.
Chamei a moça e não deu outra: o namorado havia escrito por ela. Eu delicadamente disse para refazer com os próprios argumentos. Ficou possessa! Como eu poderia pensar uma coisa daquelas… Refez…
Todo mundo passou, claro. Imagine um libertário sem noção como eu reprovando quem quer que fosse?
No final do ano de 1981, a escola acabou. Eu fui demitido por telegrama.
Daqueles meninos eu soube do destino de três. Um tornou-se médico. Outra era filha do presidente à época do Clube Paulistano, até hoje reduto da elite tradicional paulista. E, como diria o professor OLIVEIROS, “seguiu seu destino manifesto”, que era continuar rica…
Uma terceira, talvez a melhor aluna da turma, tocava piano, era bela e gostava de artes. Não consegui confirmação explícita, mas tornou-se cantora de JAZZ e pianista. Não cito o nome, por enquanto.
E a vida seguiu… Foi muito divertido e instrutivo. Eu deveria ter persistido, procurado dar algumas aulas, essas coisas.
Provavelmente, ninguém se recorda mais de mim!!

THE ANIMALS – DISCOS ORIGINAIS – 1963/1966

Eles, o MANFRED MANN original, ZOMBIES, os ARTWOODS entre outros, discrepavam um pouco da concorrência: usavam ÓRGÃO COMO DIFERENCIAL, instrumento que os BEATS mais próximos ao R&B gostavam muito.
Os ANIMALS além do órgão pilotado por ALAN PRICE, tinham um dos mais espetaculares cantores do Rock: ERIC BURDON. Voz fortíssima, rústica e totalmente bluesy; eu o assisti ao vivo e em forma na década de 1990, em São Paulo, acompanhado pelo grandíssimo e histórico tecladista BRIAN AUGER.
Nem vou falar de alguns dos hits dos ANIMALS, principalmente a óbvia e indefectível HOUSE OF THE RISING SUN, hit supremo, e inclusive imenso também aqui no Brasil, na primeira metade dos anos 1960!
É sempre interessante lembrar que CHAS CHANDLER, o baixista da banda, foi quem descobriu JIMI HENDRIX tocando no CAFE WHA, em NOVA YORK ( TIO SÉRGIO, já esteve lá!!!! ), o levou para a Inglaterra e o colocou no proscênio!
Os ANIMALS foram tão sensacionais quanto os ROLLING STONES. E TIO SÉRGIO recomenda imersão total nesta fase da banda!
Tente!
POSTAGEM ORIGINAL: 04/09/2019
Nenhuma descrição de foto disponível.

K. D. LANG – HYMNS OF THE 49TH PARALEL – BELÍSSIMO!

O paralelo 49, no título, divide quase a totalidade da fronteira entre os Estados Unidos e o Canadá. E foi um jeito poético encontrado para nomear um disco de compositores canadenses, interpretados pela excelente K.D LANG, também nascida no Canadá.
O disco é simplesmente sensacional!
Há composições de astros como LEONARD COHEN, JONI MITCHELL, NEIL YOUNG e outros, interpretados com alma, técnica e um “calor de espírito” tipicamente canadense. Certa simbiose entre o intimista e o simplesmente desolador: metáfora possível seria as florestas nevadas, imensas, e os corações quentes e solitários.
K.D. LANG arrasa na compreensão das músicas e no jeito de transmiti-las, passando para o ouvinte as peculiaridades marcantes desses artistas, e dela mesma.
A belíssima e delicada voz contrasta com o peso de alma e do corpo que ela carrega: leve e triste; e atarracada, profunda e contida.
KATE não é piegas, e muito menos brega. Leiam na foto o repertório escolhido.
E procurem escutar nesse disco HALLELLUJAH, de LEONARD COHEN, versão gravada em estúdio, que eu, você e vários ouvimos em casamentos; inconsequentemente escolhida por incontáveis casais, neste Brasil….
Depois, procurem a histórica, e emocionalmente demolidora gravação de KATE cantando ao vivo!
Ambas são magníficas!
Música é coisa séria para os canadenses, governo incluído, que a protegem.
Eles rivalizam com os americanos no mercado imenso em que coabitam e competem. Há contenciosos abertos e outros velados.
Mas, são dois povos mais integrados do que se imagina. Mesmo ligados politicamente à Inglaterra, os canadenses são, do ponto de vista musical, muito mais próximos aos Estados Unidos.
Porém, com os vizinhos não se confundem estética e artisticamente. Quem os escuta sabe que não são americanos e muito menos ingleses. Têm personalidade única e identificável. E isto sem mencionar o óbvio: a imensa e inescapável influência linguística e cultural da França.
O CD acima é excelente prova do que afirmo.
Recomendo entusiasticamente!
POSTAGEM ORIGINAL: 04/09/2018
Nenhuma descrição de foto disponível.

O PRIMEIRO TIME DA M.P.B. E A LINGUA PORTUGUESA

Permitam-me um pequeno ensaio sem ter ensaiado o suficiente para escrevê-lo. (Ehhh, tio Sérgio! Já começou dizendo bobagens…)
Não tenho conhecimento ou fiz reflexão suficiente para entrar no cosmo individual de um cada desses artistas explêndidos.
E nego que os discos aqui postados estejam, cada um por si, na cogitação do que pretendo dizer.
O papo é outro, mas oblíquo…
Estou encafifado pelo que, há décadas, parece-me injustiça histórica.
A minha geração, os que naceram no início dos anos 1950, penso que observou os estertores de uma visão de Brasil, que oscilava entre o indulgente e o profundamente preconceituoso.
Um Brasil que não se revelava em sua completude a seus habitantes; e, principalmente, à sua elite.
A sociedade brasileira requer análise mais profunda por parte dos que sobre ela pensam.
A minha constatação é que os grandes compositores e letristas brasileiros já deixaram no passado a ideia de uma língua “INCULTA”… Há muito trabalham a beleza sofisticada que nela habita.
A nossa melhor música é conhecida pela qualidade de sua lírica; as letras que dão substância às canções.
OLAVO BILAC escreveu um poema chamado “LÍNGUA PORTUGUESA”, famoso pelo verso inicial “ÚLTIMA FLOR DO LÁCIO, INCULTA E BELA…”
Pois, bem. A intenção de BILAC era uma defesa sentimental-nacionalista da beleza de uma língua ainda supostamente rude. A última entre as línguas latinas criadas a partir do LATIM vulgar, e falada no extremo oeste da Europa… oooopsss: em PORTUGAL, mesmo…
E, de lá, espalhou-se para o BRASIL e a comunidade de países que falam o português.
Se um dia o PORTUGUÊS fora rude e inculto, a partir de CAMÕES e os LUSÍADAS, consolidou-se como língua sofisticada e cheia de recursos.
Lembro-me de um dos grandes professores que tive na FFLCH da USP: José Jeremias de Oliveira Filho. O mestre lecionava LÓGICA e FILOSOFIA DA CIÊNCIA ( não lembro ao certo se o nome das matérias era esse mesmo ).
Certa aula, Jeremias explicou que ao verter um texto complexo, filosofia, por exemplo, do alemão para o português, os recursos da nossa língua permitiam que o texto original se revelasse intacto, do começo ao final, depois de traduzido. O sentido não se perde.
Então, questiono: INCULTA , mesmo que BELA?
Não. Está nítido!
Já em meados dos anos 1990, na CITY RECORDS, uma das lojas de CDS que tive, eu me recordo de duas garotas americanas que iam lá de vez em quando. Elas faziam doutorado em língua e literatura brasileira, na USP. Falavam um ótimo português, e já estavam pra lá de ambientadas com o esculacho tropical pátrio.
Uma delas, ouvindo um CD do CHICO BUARQUE, comentou que o português era a “língua” detentora da mais “perfeita linguagem” sobre o amor que ela conhecia!
O CHICO concordaria, certamente!
TOM JOBIM, CAETANO VELOSO, GILBERTO GIL e CHICO BUARQUE escrevem magnifica e criativamente bem! Todos eles. Não houve revolução, ou moda, que os tirasse do pódio como os quatro maiores entre tantos excelentes!
Depois que BOB DYLAN recebeu o NOBEL DE LITERATURA; e de GERALDO CARNEIRO, poeta e letrista de músicas ( para EGBERTO GISMONTI, por exemplo ) ter sido eleito para ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS, hoje se fala da pertinência de poetas-letristas assumirem cada vez mais a honraria!
Eu concordo plenamente. E dou meu pitaco:
Continuo sobre CHICO. Além das exuberantes canções de amor, e de sua luta intelectual e militante contra a ditadura militar, BUARQUE é arquiteto de letras ultra complexas do ponto de vista poético e de linguagem!
Observem CONSTRUÇÃO, que justaposta a DEUS LHE PAGUE é, para mim, o melhor compósito entre MPB-ROCK PROGRESSIVO -PSICODELIA já feito na MPB!
A orquestração de ROGÉRIO DUPRAT tem ecos claustrofóbicos pertinentes à letra; e, sutilmente, lembra o clima de certas músicas da banda americana SPIRIT, nos anos 1960. É vanguarda pura para 1971!
Somando discos de musicalidade e temas autenticamente brasileiros, aos livros bem escritos e aceitos que lançou; e sempre evidenciando a beleza poética em tudo o que compõe, CHICO BUARQUE é o meu candidato à próxima vaga na ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS.
De certa maneira, TOM, GIL E CAETANO são pontes entre a música brasileira e o POP INTERNACIONAL.
TOM JOBIM, claro, é um dos estruturadores da BOSSA NOVA, e mais afeito ao JAZZ, ao LOUNGE e ao “FALSO EASY LISTENING”. É o mais internacionalizado entre os músicos brasileiros.
Ele foi vítima de versões infantilizadas de suas letras, ou simplificadas de suas músicas, mas soube desfrutar do que lhe trouxe o lado bom da exposição que teve.
GILBERTO GIL, que já chegou à A.B.L. , também pertence ao lado internacionalizado do POP brasileiro. Sempre fez um crossover criativo, que jamais deixou de ser brasileiro, mas é perfeitamente compreensível e absorvido pela linguagem musical internacional.
GIL sempre flertou com sons caribenhos. Afinal, do MÉXICO ao RIO GRANDE DO NORTE, descendo até a BAHIA, são todos “vizinhos” musicais.
A música de GIL propõe, e realiza, uma uma evolução para além do REGGAE e demais sonoridades latinas mais conhecidas. E é orientada por um vasto colorido de ritmos e brasilidades, que dialogam com os latino americanos, mas deles se destacam.
GIL, é letrista exímio, e um estilista da PANBRASILIDADE RITMICA. ( Seria? )
O que nos traz a CAETANO VELOSO. O mais eclético, antenado e vanguardista entre os compositores brasileiros. CAETANO é o sintetizador de um vasto arco anárquico, que vai da música brasileira mais tradicional, passa pela revolução feita por JOÃO GILBERTO; e palmilha cada passo da música brasileira atual, usando recursos de vanguarda; instila gotas ácidas de jazz; e ronda o rock alternativo.
Ele é, também, um estudioso da música de seu tempo, como um DAVID BOWIE intelectualizado, ou um MILES DAVIS mais contido. Bagunçou até a música latina tradicional, com arranjos inesperados para clássicos até bregas.
VELOSO discutiu tudo e com todos; escreveu livros e ensaios. Faz letras e poesia explêndidas. E é um dos preferidos pelo professor PASCOALE, o mestre pop da língua portuguesa, para fisgar, em suas letras, exemplos cultos da aplicação gramatical.
Se BOB DYLAN chegou ao NOBEL, CAETANO também poderia e com méritos semelhantes.
Por escrever em português, CAETANO VELOSO pode ter um atrativo diferente.
Ele criou e lançou uma profusão de discos bem recebidos por público e crítica. Além das poesias escritas, musicadas ou não, que poderiam perfeitamente ser traduzidas para um público maior.
CAETANO VELOSO canta muitíssimo melhor do que BOB DYLAN. É um mestre refinado da língua portuguesa, e meu candidato ao prêmio NOBEL DE LITERATURA.
Então, vamos “caetanear o que há de bom”!
POSTAGEM ORIGINAL: 04/09/2021
Nenhuma descrição de foto disponível.

RAPPERS, D.Js e M.Cs: O ROCK IN RIO 2022 VISTO DA PONTE.

Uns dez anos atrás, eu estava no centro de São Paulo, na região da Rua Santa Efigênia, procurando alguma coisa relacionada a som ou eletricidade, não lembro direito.
Lá, é o reduto e a meca para esse tipo de coisas – e outras mais… Sempre coalhada de gente de todo tipo, em tempos normais abria possibilidades para o rico, o pobre e os próximos à indigência sobreviverem. Um capitalismo vibrante, oscilando entre a corrupção e o contrabando, e a oportunidade real.
De repente, dou de cara com um garoto de uns 16 anos, elegante, fazendo “performance” na rua, meio arriscando RAP, meio HIP-HOP, tentando vender pilhas, capas de celulares, essas coisas de utilidade clara e sempre abundantes em quaisquer cidades do mundo.
Eu estava indo com um amigo para o BAR LEO, boteco caro e CULT de SAMPA, incrustado entre a área comercial e os redutos de prostituição, ainda hoje abundantes por lá.
O garoto me impressionou. Observei um pouco, cheguei perto dele e disse: “Menino, por que você não se transforma em M.C.? Tô vendo talento aí”!
Acreditem, raramente vi alguém tão radiante com qualquer observação ou palavra de incentivo que eu tivesse dito!
O garoto só faltou me beijar!!!
Vejam só; Juntou-se o incentivo a uma incerta tendência clara e paixão de um jovem à procura de hipóteses na vida. Espero que ele tenha tentado, e talvez conseguido.
Eu não gosto de RAP ( RHYTHM AND POETRY – ahhh, não preciso traduzir… ) e não ligo para o HIP-HOP, seu complemento físico e teatral, a dança que o embala, e com ele forma um compósito cultural abrangente, contestatório, jovial e relevante.
Eu me recordo que, em meados da década de 1990, havia um cliente da CITY RECORDS, uma das minhas lojas, que dirigia um dos sindicatos patronais sediados na FIESP, e ficava quase ao lado da loja,, na Avenida Paulista.
Era um senhor que sempre perguntava se tínhamos discos de RAP – e sempre havia. Um dia, disse para ele que não era comum alguém do tipo dele pedir esse tipo de música.
Ele respondeu: “é por que você não sabe como os meus empregados gostam! E eu aprendi a gostar, também. Então, compro e dou de presente…”
Na mesma época, MARTA SUPLICY disputava a PREFEITURA DE SAMPA, e ganhou. Durante a campanha, ela falava demais na “CULTURA HIP-HOP”. Como política perspicaz, sacou o que rolava de verdade, e onde o eleitor jovem podia ser conquistado. Faz mais de 25 anos… Então, é tendência e história cristalizada.
Assistindo aos shows do ROCK IN RIO, vislumbrei vereda esclarecedora. Assisti aos M.Cs e aos D.Js.
São totalmente diferentes; acho que o inverso um do outro, do ponto de vista sociológico e de influência sobre seus públicos.
Vou teorizar ( meu Buddah, me proteja!!!! )
D.Js. trabalham em duas funções e perspectivas diferentes:
quando em estúdio, realmente podem recriar qualquer música sob outra perspectiva, acrescentando, mixando, fazendo novas versões de um hit qualquer. São quase produtores alternativos.
É fascinante como a mesma “música base” se transforma em coisas diferente. O que explica a explosão havida nos últimos talvez 35 anos. BJORK, por exemplo, é “multifacetada” por diversos D.Js, que ampliam sua música única para outras galáxias…
E serve para todo mundo, SEAL, AMY WINEHOUSE… escolham..
Em frente a uma RAVE ou a um grande salão de baile; ou como criador de música própria, o D.J. mixa e coordena o repertório dele e de outros, dá o tom, detecta o clima e o administra.
O curioso, é que a maioria do repertório estabelecido visa o indivíduo e sua dança solitária. A música eletrônica, sempre tocada muito alto, de certa forma impõe a atomização, e não a intercomunicação entre os indivíduos para dançarem juntos e mais intimamente.
No festival, todos dançavam de frente voltados para o D.J. ALOK, por exemplo. E havia nada para ser visto no palco… A não ser tecnologia cara, portanto mais restrita para quem quiser tentar a sorte na profissão.
MCs., ao contrário, visam a comunidade. Falam, dizem suas “poesias e rimas” para um público presente, que dança mais coletivamente, curte e absorve o que ele diz. M.Cs. fazem músicas que ultrapassam o dançar; falam de fatos e relacionamentos; são, também, transmissores de ideologias, e visões de mundo.
O M.C. XAMÃ, que também se apresentou , disse que tomou gosto pela poesia e a rima nas aulas de português que teve na escola. É emblemático: uma das características da boa MPB é o cultivo da palavra. Portanto, nada mais pedagógico do que tentar incentivar o estudo e o desenvolvimento pessoal dos alunos utilizando a arte e sua tecnologia comparativamente mais barata, para ensinar. Faz todo sentido…
Os RACIONAIS MCs são fenômeno artístico-social indiscutível. Assisti a performance deles. São nitidamente veiculadores de consciência. Enquanto grupo eles se impõem, são respeitados e respeitáveis. Não estão simplesmente para brincar. E o público sabe disso, apoia e vai lá por causa da identificação com a mensagem e as vivências.
Os RACIONAIS incomodam. A teatralidade da performance deles, calcada na vida das periferias pobres da cidade de SÃO PAULO, é pesada, intimidadora, violenta. E deixa claro os descontentamentos, os problemas reais que os mais pobres sofrem.
Assisti-los é respeita-los. Porque criadores de linguagem contrastante com a normalidade que as classes mais integradas e privilegiadas cultivam.
A vida dos mais pobres consegue ser expressada pelos RAPPERS, e identificada por seus fãs; porque na sociedade foi desenvolvida linguagem falada muito própria, criativa, inesperada, e talhada verdadeiramente a partir das condições objetivas de vida deles.
Artistas populares e seus admiradores autênticos compartilham de linguagem comum. Com a turma do RAP e do FUNK isto fica muito claro.
Talvez?
Mas, TIO SÉRGIO, WHAT PORRA IT´S THAT AÍ NAS FOTOS?
Tá bom, tá bom! Confesso que me desfiz de alguns discos que hoje fizeram falta para escrever com mais consistência.
Eu tive o primeiro disco do D.J.SHADOW, cuja capa simbolizava como ele criava a sua arte. É a foto ultra expressiva de uma loja de discos de vinis.
Sumiu! E ninguém sabe e ninguém viu…
Outro que tive e gostava era o CD do RAPPER francês GURU. Ultra interessante, e gravado na BLUE NOTE. Era ACID JAZZ de primeira linha. A sofisticação maior a que havia chegado o RAP.
Mas, como sempre, era falatório desabrido, monocórdico, em flagrante contraste com a base instrumental magnífica.
Cadê?
Eu vi o disquinho no ponto de ônibus perto de minha casa, quando morava em SAMPA. Acho que a condução passou e ele tomou…
Esses que estão na foto são R&B de várias “gestações”. E tem algum RAP incluído. Inclusive GIL SCOTT-HERON & BRIAN JACKSON que, muitos argumentam, já faziam RAP antes de virar moda.
E se o TIO SÉRGIO postou pode confiar. São todos muito bons!!!!
POSTAGEM ORIGINAL: 04/09/2022
Pode ser uma imagem de 2 pessoas

JOGAR FUTEBOL DE BOTÃO, UMA DAS MINHAS PERDIÇÕES NOS ANOS 1960/1970!

Esse texto também dedico a meu “novo amigo”, na verdade “RE-AMIGO” Renato Cesar Curi, a quem descobri pelo Facebook. E que foi companheiro nas torturas e humilhações que a professora de matemática, dona MARILIA, nos submeteu lá por 1965/1966.
Renato, eu, e outro que não consigo reencontrar, CRISTÓVÃO DE ARAUJO, cabula’vamos aulas no RUY BLOEN, para jogar botão.
Juro que é verdade pura!
O TIO SÉRGIO FOI ALUNO MEDÍOCRE NO ENSINO FUNDAMENTAL.
CABULEI VÁRIAS AULAS PARA JOGAR BOTÃO! PAGUEI CARO, PRINCIPALMENTE QUANDO MEU PAI E MINHA MÃE SOUBERAM!!!! HOUVE HECATOMBE SOBRE UM JOVEM SÓ! EU!
BOM, VAI AÍ A PARTE SOFRÊNCIA DO MEU CURRÍCULO ESCOLAR: FIZ OS CINCO PRIMEIROS ANOS, NA ÉPOCA CONHECIDOS POR PRIMÁRIO; DEPOIS, FUI ARREMESSADO PARA O SECUNDÁRIO – O GINÁSIO, HOJE AMBOS REBATIZADOS POR ENSINO FUNDAMENTAL, ACHO .
TOMEI PAU DUAS VEZES ( NO SENTIDO FIGURADO – AINDA BEM!). A PRIMEIRA DELAS FOI POR CAUSA DOS JOGOS DE BOTÃO….
EU ADORAVA!
LAVEI QUINTAL E LOUÇA PARA DESCOLAR TROCADOS, IR AO CENTRO DE SÃO PAULO E TENTAR ENCONTRAR AS TAMPAS, AS LENTES DO VISOR DE CADA RELÓGIO, FEITAS COM PLÁSTICO ESPECIAL, CONHECIDO ENTRE OS JOGADORES POR “CELULÓIDE” – SEI LÁ SE ERA MESMO!!!
PRIMEIRO, ANDEI ATRÁS DAS JÁ USADAS; MUITAS VEZES JOGADAS NO LIXO EM FRENTE DE RELOJOARIAS. OUTRAS, EU SIMPLESMENTE PEDIA AOS RELOJOEIROS.
COM O TEMPO, DESCOBRI AS “FORNITURAS”, LOJAS ESPECIALIZADAS QUE VENDIAM ESSE MATERIAL NOVO, SEM USO, PARA OS PROFISSIONAIS.
E AÍ FOI GRANDIOSO E CONSAGRADOR: LÁ, ELES DEIXAVAM EU ESCOLHER FORMATOS, TAMANHOS E MIL CARACTERÍSTICAS! PARTE DE UMA SÉRIE DE PERIPÉCIAS PARA MONTAR TIMES COMPETITIVOS. FIZ VÁRIOS!
OS VERDADEIROS PRAZERES SÃO DESCOBERTOS QUANDO A GENTE É CRIANÇA. FUTEBOL, BOTÃO E, PRINCIPALMENTE, DISCOS E MÚSICA, SURGIRAM MAIS OU MENOS QUANDO EU TINHA ENTRE OITO E ONZE ANOS DE IDADE. BELEZA!
BOM, MINHA CURIOSIDADE – E DESVENTURA -, TAMBÉM ABRIU PARA QUE EU TENTASSE COMPRAR OS TIMES VENDIDOS EM LOJAS. QUEM SABE DO JOGO PERCEBE QUE ESSES NÃO SERVEM PARA NADA. SÃO INADEQUADOS PARA TOQUES MAIS SOFISTICADOS, COMO LEVANTAR A BOLA E AQUELE VASTO ETC… QUE OS ENTENDIDOS EXIGEM.
MAS, HAVIA UM ATRATIVO QUE HOJE ME TRAZ ORGULHOS: FUI JUNTANDO UMA PENCA DE TIMES DIVERSOS, TODOS BRASILEIROS.
E, NESSA FIXAÇÃO, ALÉM DOS GRANDES, CONSEGUI TIMES CARIOCAS COMO O BONSUCESSO, PORTUGUESA CARIOCA, CANTO DO RIO – ÉHHH, COM FOTO DE JOGADORES!!! O MEIA DIREITA OLHA PARA MIM ATÉ HOJE, E SE CHAMA OU CHAMAVA “DIEICIL”.
TENHO, ENTRE VÁRIOS TIMES PAULISTAS, O JABAQUARA ( DE SANTOS ), FERROVIÁRIA DE ARARAQUARA, NOROESTE DE BAURU E OS GRANDES CORINTHIANS, SANTOS, PALMEIRAS E SÃO PAULO; EM DIVERSAS FORMAÇÕES, ÉPOCAS E ESCALAÇÕES,
ALÉM DE VÁRIAS SELEÇÕES BRASILEIRAS, DA DÉCADA DE 1960 EM DIANTE!
VOCÊS ACREDITAM?
ENTÃO, FIZ BASES DE EUCATEX E OS COLEI. ESTÃO NAS PAREDES DA SALA ONDE OUÇO MÚSICA – MINHA MULHER TOLERA. MAS, ANDO ARREPENDIDO E PLANEJO RETIRA-LOS, CONSERVA-LOS E GUARDA-LOS EM CAIXA APROPRIADA! SÃO PEDAÇOS DE MIM!
DEPOIS DISSO, E COM O TEMPO, ALGUNS ARTESÃOS PASSARAM A PRODUZIR TIMES EM PLÁSTICO, MAIS SOFISTICADOS E ESPECÍFICOS PARA O JOGO. DIGAMOS, MAIS PROFISSIONAIS. EU TENHO UM DELES.
CURIOSAMENTE, A MAIOR LOJA ESPECIALIZADA EM TIMES DE BOTÃO FICAVA NA GALERIA DO ROCK! MAS FECHOU, UNS 35 ANOS ATRÁS!!!!
MEU ÚLTIMO CONTATO AFETIVO COM ESSA COISA FOI QUANDO VISITEI PETRÓPOLIS, E ENCONTREI UM “JOGADOR” DE BAQUELITE – O ANTECESSOR DE TUDO ISSO AÍ! UM SÍMBOLO E PRÊMIO QUE MANTENHO NÃO SEI ONDE…
AH, TOMEI PAU, TAMBÉM, NA TERCEIRA SÉRIE DO GINÁSIO, O FUNDAMENTAL 2!!!I POR CULPA DO “USO INTENSIVO” DO FUTEBOL!
MAS, ESSA É OUTRA HISTÓRIA!
POSTAGEM ORIGINAL: 03/09/2023

WALKER BROTHERS – A RESTAURAÇÃO ANTI-BEAT

Eu poderia começar a postagem de duas ou três formas diferentes. Uma delas bastante acadêmica. Mas vou em minhas memórias e vivências.
Ouvi os WALKER BROTHERS pela primeira vez em 1967, na rádio ELDORADO, em SAMPA, que tinha um charme especial: vez por outra tocavam lados B de SINGLES de sucesso.
E tocaram sabe-se lá porquê “AFTER THE LIGHTS GO OUT”, música sensacional! E lado B de um dos maiores HITS da história dos HIT PARADES na Inglaterra: “THE SUN A’INT GONNA SHINE ANYMORE”!
Pois, é; TIO SÉRGIO conseguiu este SINGLE em uma troca com o Ayrton Mugnaini Jr., mais de quatro décadas e meia atrás. Trocamos por COMPACTO SIMPLES NACIONAL de um errático, maluco, e até hoje incompreensível artista chamado NAPOLEÃO XIV. Ele narrava uma fuga do hospício e a polícia atrás, com sirenes e tudo! É objeto CULT até a bengala!!!!,
“THE SUN AIN’T GONNA SHINE ANYMORE” subiu feito foguete em direção ao topo do HIT PARADE, e caiu feito míssil no gosto popular! O sucesso foi tão estrondoso que era cantado nas ruas por sorveteiros, donas de casa, empresários e gente do povo.
E, claro e principalmente, pelas meninas, que promoviam verdadeiro caos em shows e apresentações da banda. Eu vi fotos dos três com as roupas arrebentadas na pista do aeroporto de HEATHROW, em 1966. Obra das garotas em chamas, incentivadas pela comoção geral!!!
Os WALKER BROTHERS, que de Walker e muito menos Brothers tinham nada, eram considerados bonitões, e faziam um POP quase de bons moços, não muito longe da iconoclastia BEAT, mas muito bem arranjado, com orquestras e tudo o mais dentro de sonoridade mais conservadora que, sempre convive nas artes com o lado radical. É muito, muito bom! Ouçam.
Foram uma das primeiras BOYS BAND da história, amados como NSYNC, MENUDOS, e os meninos do COREAN POP até recentemente.
A turma até hoje idolatrada, como os BEATLES, STONES, ANIMALS… de público odiavam os WALKER BROTHERS!
Foram a concorrência inesperada vinda de um grupo algo meloso, e ainda por cima de americanos.
No particular era um pouco diferente: JIMMY HENDRIX excursionou com eles, se davam muito bem, e cada um na sua, em turnês pelo Japão etc…
Em qualquer época foi assim. Lembrem-se que os PUNKS, abalo sísmico de onze anos depois, conviveram no gosto popular com o PINK FLOYD, PROGRESSIVOS e outros “conservadores”.
Parte das aparências, sempre integrantes do marketing…
Mas, teve um lado sério: e você fosse um produtor, arranjador ou profissional de gravadora o que faria se desse de cara com SCOTT WALKER? Um barítono mais colorido do que ELVIS PRESLEY; cantor de baladas contagiosas como SINATRA, e carisma enorme frente ao público em geral, mesmo sendo tímido e recatado?
Eu faria o que a PHILLIPS fez: encontraria um jeito de aproveita-lo de acordo com seus talentos e potencial.
Então, a empresa propiciou ao trio os melhores arranjadores. Juntou músicos eficientes e eficazes, e montou repertório eclético, que ia de clássicos como SUMMERTIME, ou R&B como PEOPLE GET READY, até assombros do POP ADULTO, como o super sucesso, gravado em1965, “MAKE IT EASY ON YOURSELF”, de BURT BACHARACH. A gravação que põe no chinelo qualquer outra que você tenha escutado dessa música. E há centenas, inclusive com DIONE WARWICK.
É sempre curioso saber. Mas, a maior parte dos arranjos foram feitos pelo maestro YVOR RAIMONDS, pai de SIMON RAYMONDS, o criador da DARK DREAM POP banda, cult e importante da década de 1980/1990 COCTEAU TWINS .
A música, como as tentações, surge de onde menos se espera; e sempre faz muito sentido…
A histeria com eles durou perto de três anos, três LONG PLAYS, e vários SINGLES. Depois, vieram outros tempos. Nos anos 1970 gravaram mais três discos sem grande repercussão, e a vida seguiu.
Antes disso, em 1968 SCOTT WALKER já estava gravando solo. e fez quase uma dezena de LPS. Rejeitou uma proposta feita por ANDY WILLIANS, ótimo e conhecido cantor, profissional ao extremo, que ofereceu a SCOTT dois milhões de dólares, e toda a estrutura para que se tornasse o novo FRANK SINATRA, na América.
Grana a beça há 55 anos!!!!
Ele rejeitou!
SCOTT seguiu carreira independente, livre, cantando e compondo do jeito que quis, e cultivando o recato e a timidez. Atitude que sempre lhe deu ar de mistério e um séquito de fãs, como DAVID BOWIE, e o PULP, banda BRITPOP de sucesso – para quem SCOTT arranjou e orquestrou disco excelente, nos anos 1990…
SCOTT WALKER é um herói do POP ALTERNATIVO.
E há também, e paralelamente, incursões periódicas feitas por SCOTT na música EXPERIMENTAL ELETRÔNICA. Gravou talvez uns 8 discos que, mesmo quase quatro anos após sua morte, ainda não foram adequadamente avaliados.
Eu espero – e faz tempo! – algum BOX com as loucuras, pesquisas e sei lá mais o quê feitos por ele.
Seja como for, a História com os WALKER BROTHERS, e os excelentes discos solos “normais” permanecem.
SCOTT é um “futurista” ainda não totalmente mapeado, estudado ou compreendido. Mais um excêntrico superdotado para importunar a “boa ordem” que a vida costuma pedir…E de vez em quando é bom rejeitar….
POSTAGEM ORIGINAL: 03/09/2020
Nenhuma descrição de foto disponível.

ANNIE HASLAN AO VIVO NO BRASIL!!

A
DISCO RARO E PRECIOSO. GRAVADO NO PALÁCIO DE CRISTAL
EM PETRÓPOLIS, TALVEZ 20 ANOS ATRÁS.
ANNIE ATÉ HOJE CANTANDO MUITO BEM. HÁ CLIP DELA COM FLAVIO VENTURINI
GRAVADO AGORA, 2023, NO MARAVILHOSO ‘SONASTÉRIO”, ESTÚDIO EM LUGAR PARADISÍACO
NA SERRA, EM MINAS GERAIS,
´”POETRY OF BIRDS” É MUITO BONITO. PROCURE NO YOUTUBE
POSTAGEM ORIGINAL: 03/09/2023
Moonlight Shadow