THE BRITISH INVASION – HISTORY OF BRITISH ROCK – 9 CDS BOX SET – RHINO – 1991

Aqui, um dos tesouros da coroa do TIO SÉRGIO!
Os SINGLES de artistas britânicos que fizeram sucesso na América, entre 1963 e 1969! Quase todos estão aqui, menos os três notórios muquiranas que mais bem administravam os próprios acervos: BEATLES, ROLLING STONES E DAVE CLARK FIVE.
Cada faixa é uma história. Pensou nos HOLLIES, ou PROCOL HARUM? Ahhh, mudou para o DONOVAN, PETER & GORDON, ou SMALL FACES? Todos entraram! E mais um monte de montão!!!!
São 180 gravações originais com a qualidade técnica da RHYNO RECORDS, em um BOX matador! A produção gráfica é de alto nível; inclui um livro de verdade com fotos e texto! É artefato raro e precioso, e faz colecionador uivar pra lua!
Penso que o revival para muitos desses artistas iniciou-se por aqui. Portanto, está claro porque jamais foi reeditado: o preço dos royalties seria proibitivo!
Então, quem tem, tem; os que não conseguiram tomam cerveja, ou pagam preço que é um estupro em dólares no e-BAY – se conseguirem encontrar.
Houve alguns discos deste BOX lançados individualmente. Mas, sumiram. Despencaram na cachoeira dos tempos, para discotecas mundo afora….
Ah, enquanto escrevia esta resenha eu escutava “HURDY GURDY MAN”, com DONOVAN – dizem que há outra versão com JEFF BECK na guitarra, mas jamais comprovaram. Pus pra tocar “ITCHICOO PARK”, com SMALL FACES; “PICTURES OF MATCHSTICK MAN, do STATUS QUO, todos clássicos da psicodelia inglesa.
Agora, vou escutar DUSTY SPRINGFIELD, THEM, MANFRED MANN e TREMELOUS; depois, LULU, CILA BLACK, WALKER BROTHERS, WAYNE FONTANA…
É um mundo VINTAGE que se recusa a ter fim.
Vou tomar algumas beers por vocês!
POSTAGEM ORIGINAL:10/11/2019
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E.C.M. RECORDS – MUSICA PARA INTROSPECÇÃO: UMA GALÁXIA QUASE INFINITA

Não quero deslizar sobre o superficial. Porque álbuns produzidos pela E.C.M. RECORDS não podem ser decifrados pela epiderme. Mas também não se escondem sob as pedras. Porém, “exigem exegese da essência” – para cunhar frase pernóstica, e inconclusiva.
Os conteúdos sempre teimam em escapar, já que dentro de um conceito bem tramado pela produção, que os tornam clara, mas sutilmente diferenciados de um artista para outro. Ahhh, levam a marca de MANFRED EICHER, o produtor e criador da gravadora – sempre!
Muitas vezes, essa turma imensa extrapola para o “FUSION – JAZZ”; ou viajam como “ROCK PROGRESSIVO”; ou se encalacram pelo “JAZZ EXPERIMENTAL”; pelas múltiplas formas do “JAZZ CONTEMPORÂNEO”; da “MÚSICA ERUDITA”; ou de FOLKS VANGUARDESCOS de terras menos plausíveis:
Há um planeta inexplorado de artistas e idéias ainda pouco desvelados. É gente da EUROPA ORIENTAL; AFRICANOS, ou por onde este planeta nos faça viajar! É bom saber que sempre trafegam além da NEW AGE e do LOUNGE habituais.
De algum jeito, os percussionistas, bateristas e outros potenciais espancadores de tambores, pratos, e etcs…, jamais ficam abaixo da linha de sutilezas necessárias para gravar na E.C.M.
Observem PETER ERSKINE, JACK deJOHNETTE, NANA’ VASCONCELOS, MANU KATCHE’, PAUL MOTION, e diversos mais. Podem escolher! Ninguém espanca os instrumentos. Essa turma cria sonoridades contidas, perfeitas.
Agora, pulem para os guitarristas: PAT METHENY, TERJE RYPDAL, JOHN ABERCROMBIE, ou próprio EGBERTO GISMONTI – que não é SACI de um instrumento só!!! Todos se inserem nesta imensa cartografia sonora, que é a E.C.M. E de forma sutil, algo circunspecta, e jamais tímida!
Tá, marcou viagem com pianistas? Existem aos montes a bordo; exuberantes, todos! JOHN TAYLOR, MARILYN CRISPELL, WOLFERT BREDERODE, MARCIN WASILEWSKI; e claro, a única exceção espetacular, e longe do circunspecto: KEITH JARRETT.
Contrabaixistas encontramos solistas ecléticos, estilistas, e o que se puder imaginar: ARILD ANDERSEN, MIROSLAV VITOUS, EBERHARD, WEBER…
Eu paro por aqui. Porque há outros artistas; muitos mais! E um dia eu retorno.
Como em qualquer galáxia, há supernovas, buracos negros, cometas, planetas, estrelas cadentes, astros incandescentes feito o sol, e choques interplanetários. O arcabouço é amplo, e a beleza mais ainda!
Então, é isso: a E.C.M. produz música moderna e original! Portanto, curtam os discos da foto, ou quaisquer que trombarem com vocês. Porque artefatos preciosos, e alguns não tão raros ou caros.
POSTAGEM ORIGINAL: 07/11/2025
Pode ser uma imagem de texto que diz "ECM PETER ERSKINE TRIO JOHN TAYLOR PALLE DANIELSSON AS IT WAS OLD AND NEW MASTERS SERIES Susanne Abbuehi MANU KATCHE TOMASZ STANKO JAN GARBAREK MARCIN WASILEWSKI SLAWOMIR KURKIEWICZ NEIGHBOURHOOD ECM lackDalitinats SAANR GaryPoscock ရေးထိသါေ KalnJuma Tribute Marilyn Crispeli HotoCcsp MarilynCrispeli Amaryllis Gary Peacock Paul Metion"

NA PORTARIA

Acreditem, o que eu vou contar aconteceu mesmo, e tudo junto em menos de cinco minutos!
ANGELA, a minha mulher, foi deixar uns pastéis no apartamento de duas amigas!. É um grande condomínio de classe média, no centro do Guarujá e bem perto da praia. Dezenas de apartamentos pequenos, mas amplos e confortáveis. Ideais para veraneio, morar, curtir férias, essas coisas…
O prédio é bem administrado, mas o fator humano, a galhofa e a descontração à beira mar geram histórias que Deus e o diabo duvidam! O porteiro é o ZÉ, funcionário antigo, querido da fauna e da flora que abrilhantam aquele “micro – circo.”
O ZÉ é paciente, tolerante, prestativo, mas um tanto teimoso e meio bagunçado; e aconteceu o seguinte:
o PET SHOP entregou o SANSÃO e a MAGUÍ, um cachorrinho babucho e uma gatinha … insidiosa. Estavam limpinhos, perfumados, nos trinques. E o ZÉ foi levar os bichos para as donas. O SANSÃO foi para o 61; e a MAGUI para o 82.
Então,
– “OI ZÉ, é a NORMA do 61. O que foi que aconteceu.? Você deixou um cachorro com a MAZINHA, a empregada!!! Mas ela e você sabem que eu tenho uma GATA!!!!”
– “Ahhh, dona NORMA, eu entreguei a gata pra MAZINHA, no teu apartamento. Fiz tudo certinho…”
– “Que que é isso, ZÉ? Tem um cachorrinho, aqui!!! E a sonsa da MAZINHA também não sabe explicar!!!!”
– “Dona NORMA, eu entreguei um gato! Se virou cachorro, não é culpa minha, vai ver que aconteceu alguma mudança, mutação, sei lá…. Essas coisas acontecem….”
“Mas, ó, eu vou dar uma ligada pro outro apartamento”…
O ZÉ ligou, e atendeu a VERA, dona do cachorro…
– “OI ZÉ, eu estava esperando você ligar. Hoje deixaram uma gatinha por aqui. Eu sou dona do SANSÃO, cadê ele?”
– “Olha, dona VERA, eu deixei um cachorro aí com a ISAURA. E é o SANSÃO. Eu não erro essas coisas. Agora, se o bicho mudou de natureza eu não tenho nada com isso! Essas coisas acontecem!”
– “O que é isso, ZÉ? Cachorro virar gato? ‘Cê tá louco!?!?”
– “Dona VERA, pergunta pra ISAURA, ué?”
-“ZÉ, eu perguntei pra ISAURA, e ela disse que recebeu a gata. Falei forte, e ela respondeu que na outra casa onde trabalha, a dona levou o cachorro pra passear, e o bicho foi atropelado – coitado!
Então, ela comprou uma gata…. E, a ISAURA achou que eu tinha trocado o cachorro pela gata e não tinha contado. – e pegou a gata…. A Isaura acabou o serviço e já foi pro templo rezar…”
Enfim, trocaram os bichos e tudo voltou ao “normal”.
Menos o ZÉ, que já confundiu WHISKAS, comida pra gatos, com PEDIGREE – ração para cães, e deu um certo “frisson” na bicharada…
O ZÉ continua achando que cachorro pode virar gato e vice-versa. Afinal, como ele comentou, “Dona Angela, “tá todo mundo doido, e isso também é muito normal, né!!!!”
POSTAGEM ORIGINAL: 08/11/2025

FLEETWOOD MAC – DISCOGRAFIA 1968/2005 DO BRITISH BLUES AO POP SOFISTICADO, PASSANDO PELA FASE BLUESY-PSICODÉLICA.

Em um dos meus “alfarrábios, ” NEW MUSIC EXPRESS ENCYCLOPEDIA OF ROCK” , edição de 1976 – muito mais de 40 anos atrás ! -, o FLEETWOOD MAC já tinha verbete bastante longo refletindo a importância deles na época.
Formado em 1967, e até 1975, antes de explodirem na América com o álbum “FLEETWOOD MAC”, 1976; havia gravado 13 álbuns originais! Bela performance para 8 anos de vida errática, tumultuada, complexa, complicada e, ao mesmo tempo, excelente do ponto de vista musical e criativo.
O “epicentro” da banda se formou quando MICK FLEETWOOD, baterista; o baixista JOHN MAC VIE, e PETER GREEN, guitarra, deixaram o JOHN MAYALL’S BLUESBREAKERS, em 1967. Esta fase, na gravadora BLUE HORIZON, de MIKE VERNON, está no box à esquerda, item de coleção, e tipicamente BRITISH BLUES.
A outra peça indispensável, a tecladista CHRISTINE PERFECT, eleita nada menos que a melhor cantora de BLUES da Inglaterra, entre 1967 e 1968, no auge do BRITISH BLUES, fazia parte do CHICKEN SHACK, outra Blues Band concorrente e ativa no período.
CHRISTINE teve um HIT, a versão excelente de I’D RATHER GO BLIND, conhecido BLUES. Era casada com JOHN MAC VIE e já estava em carreira solo, mas participando anonimamente de gravações do FLEETWOOD MAC.
Com a saída de PETER GREEN, e a partir do LP KILN HOUSE, 1970, os três formaram um centro coeso e sinérgico, em torno do qual houve diversos bons guitarristas, como BOB WELCH, DANNY KIRWAN E JEREMY SPENCER.
Sempre com retro-gosto forte de BLUES, experiências com ROCK PSICODÉLICO, alguns ensaios “para-progressivos”, e o que mais viesse… chutavam para todos os lados criativamente, e desenvolveram um fundo POP característico.
Entre 1970 e 1975, foram de vez para os ESTADOS UNIDOS e gravaram sete Long Plays, todos saborosos e com o “jeito” daqueles tempos. BARE TREES, foi lançado por aqui, em 1972.
Sem muito sucesso mas estabelecidos, em 1976 o acaso deu as caras e tudo mudou: MICK FLEETWOOD foi checar um estúdio em Los Angeles, e tocou uns demos feitos por uma dupla desconhecida, BUCKINGHAM – @NICKS, e resolveu convidar o guitarrista LINDSEY BUCKINGHAM para integrar a banda. Ele respondeu que só aceitaria, se STEVIE NICKS também entrasse. E FLEETWOOD bancou a parada. Houve discussões com os “MACs”, mas toparam.
Assim, um dos grandes sucessos de todos os tempos, a integração entre os 3 veteranos ingleses e os dois jovens americanos, se revelou. A linda voz ultra pop, sensual, americaníssima de STEVIE NICKS, e a elegância bluesy peculiar no cantar de CHRISTINE MC VIE casaram-se perfeitamente.
LINDSEY BUCKINGHAM, muito bom guitarrista, versátil e pop-rocker, casou bem com a sólida cozinha de MICK FLEETWOOD e JOHN MCVIE – já treinada nas curvas que a música deles havia dado.
Tudo junto e ao mesmo tempo, desaguaram uma das mais bem sucedidas bandas do pop rock de qualquer época!
O sucesso foi imediato, o primeiro álbum desta fase, FLEETWOOD MAC, 1976, foi disco de platina e vendeu adoidado mundo afora. O segundo, o histórico RUMORS de 1977, FICOU “APENAS” 31 SEMANAS EM PRIMEIRO LUGAR!!!!!!!!!!, na América; e vendeu 17 MILHÕES DE CÓPIAS. Não vou repetir e nem desenhar…
AHHH, e sem falar dos singles “Go your own way”, “Don´t Stop” e “DREAMS”, que venderam como chicletes…
Não sei dizer quantos discos foram vendidos até hoje, desse álbum. Em 2002 ultrapassavam 30 milhões de cópias! Talvez não tão curiosamente, quando RUMORS saiu as relações entre eles todos já estavam dilaceradas: JOHN e CHRISTINE; LINDSEY e STEVIE não estavam mais casados. O pau cantava seguidamente. Mesmo assim, os discos posteriores, TUSK, THE DANCE, MIRAGE, e TANGO IN THE NIGHT todos foram sucesso.
Se juntarmos o histórico de idas e vindas de membros na banda, com a catarse pós sucesso internacional, dá pra desconfiar que ali estava gente muito difícil de lidar…
Permanentes ímãs de crises, CHRISTINE MAC VIE aposentou-se; STEVIE NICKS virou cult, e os restantes estão por aí – se algum já não morreu – acho que não…
Larguei a lenha neles! Como bom roqueiro da periferia do mundo capitalista, chamei-os de traidores do blues e outros acintes etílico – juvenis!
Ainda bem que nem sei onde foi parar aquela revista. Eu havia entendido nada sobre o disco magnífico, e a enorme influência que o pop refinado, dançável e delicioso que gravaram tinha, e ainda tem, sobre a música e artistas até hoje !
Então, para de ser arrogante, TIO Sérgio! E põe um ponto final nesta resenha também.
POSTAGEM ORIGINAL:06/11/2020
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TERJE RYPDAL, “MELODIC WARRIOR” , 2013: O DISCO MAIS INTERESSANTE QUE OUVI EM 2022!

É comum eu escrever sobre certos músicos, músicas ou discos sobre os quais tenho a impressão de tocar a epiderme do acontecimento musical. E, por isso, de estar apenas no começo para compreender a profundidade da obra composta, ou executada à minha frente.
Tento acondicionar um presente para eu mesmo, e para o leitor. Procuro descrever percepções que não penetram na carne técnica de obras, cujas belezas muitas vezes recônditas, e outras explícitas, vêm com tal carga de sofisticação que exigiria, talvez, exegese para a qual não estou habilitado.
TIO SÉRGIO acha, no entanto, que o belo tem mais a ver com a melodia, sempre a cara do amor à primeira vista!
Claro, música é compósito de vários elementos: harmonia, ritmo, tempo, arranjos e vasto etc… Eu tento fugir do simplismo, mesmo alcançando pouco além do primeiro subsolo do encantamento.
TERJE RYPDAL quando criança estudou piano e instrumentos de sopro. Com o tempo, passou a tocar guitarra inspirado em HANK MARVIN, guitarrista dos SHADOWS.
RYPDAL passou há muito dos 70 anos de idade; portanto, é da mesma geração de CLAPTON, BECK, PAGE, HENDRIX, GILMOUR e ZAPPA. Ele é norueguês. Estudou musicologia e composição na UNIVERSIDADE DE OSLO. E dedicou-se, paulatinamente, à música de vanguarda em diversas vertentes.
O repertório estilístico de RYPDAL conjuga elementos do ROCK PROGRESSIVO, do FUSION JAZZ/ROCK, e principalmente, da MÚSICA CLÁSSICA e do JAZZ CONTEMPORÂNEO.
A geração de jazzistas e músicos clássicos de vanguarda, descendentes da música mais livre do final da década de 1950 em diante, foi se desenvolvendo no sentido da pesquisa de timbres, harmonias e ritmos elaborados.
É comum a proeza técnica sustentando um fascínio pelo “não melódico”, trazer resultados muitas vezes desagradáveis ( para o meu gosto, claro!!!). BRANFORD MARSALIS tem muito disso.
Eu percebo na música de TERJE RYPDAL uma inflexão nítida em direção à beleza melódica. Não é o belo convencional, e traz elementos da tradição. E tudo o que ele faz aponta para o agradável, o viajante, para um som bem cuidado e elegante – por assim dizer.
Seu trajeto artístico passou pelos grupos de GEORGE RUSSELL – pianista, compositor e professor americano, autor do primeiro MÉTODO DE HARMONIA BASEADO EM JAZZ, e não na MÚSICA EUROPEIA.
Estão postados aqui 4 CDS dos conjuntos de RUSSELL, gravados entre 1983 e 1985, onde TERJE e o saxofonista JAN GARBAREK tocaram com outros músicos da gravadora ECM.
Pesquisando pelaí, encontrei 47 discos de RYPDAL – ou com a sua participação. O primeiro deles para a POLYDOR, em 1968. Sua técnica e criatividade foi desenvolvida na gravadora alemã E.C.M, sob a direção do mago MANFRED EICHER. Aliás, o ambiente ideal a música sofisticada, viajante e não restrita a rótulos facilmente definíveis.
Por lá, TERJE participou em discos de GARBAREK, KETIL BYORNSTAD e JOHN SURMAN, pra ficar em poucos. E foi acompanhado por músicos em nível de MIROSLAV VITOUS, JACK DeJOHNETTE, JON CHRISTENSEN e ARILD ANDERSEN,! É a tal constatação imprecisa: “dize-me com quem andas, e eu te direi… Etc… e tal”!
Ao longo dos tempos, TERJE desenvolveu técnica para tocar longas notas delicadamente sustentadas; “sem ataque”. Se houver alguma comparação estilística e musical possível, TERJE RYPDAL “lembraria” DAVID GILMOUR, do PINK FLOYD. E, algumas vezes, JEFF BECK na fase BLOW BY BLOW.
Sua guitarra soa climática, melancólica, cerebral, nórdica e fria; sempre plena de estilo e imaginação. E está inserida no que se poderia chamar ‘EXPERIMENTAL MELÓDICO”…
TERJE cria uma FUSION DE VANGUARDA; ou como li, a “DISSOLUÇÃO DAS FRONTEIRAS ENTRE GÊNEROS MUSICAIS”, que aplica, também, em suas incursões na música clássica contemporânea:
“UNFINISHED HIGH BALLS”, composição dele, foi gravada ao VIVO , em 1976, com a SWEDISH RADIO JAZZ GROUP; e a sua ampla sessão de metais, abarca vários timbres e registros, além de melotron, celesta e percussão. É uma beleza, acredite.
TERJE RYPDAL compôs, inclusive, cinco sinfonias. Entre elas, MELODIC WARRIOR, gravada com o sensacional coro HILLIARD ENSEMBLE, e a BRUCKNER ORCHESTER LINZ, dirigidos por DENNIS RUSSELL. É o melhor disco que escutei em 2022!
Vou tentar descrever um pouco esta obra de arte. Eu adoraria “ver” como a partitura foi escrita; sua disposição interna, já que não sei ler música. É por causa da sonoridade complexa.
Gostaria de saber como se expõe, por escrito, uma “treta” daquelas! É um vasto BLEND que incorpora das “intenções” do ROCK PROGRESSIVO até as composições CLÁSSICAS ( ou ERUDITAS) de VANGUARDA!
A guitarra de TERJE RYPDAL se integra à escrita para CORAL e à ORQUESTRA, onde ficam evidentes a capacidade das vozes expressarem-se circundadas por esses dois meios (coral e orquestra).
Não é um DUELO, mas uma ARQUITETURA onde várias vozes simultâneas, e polifonicamente arranjadas, parecem afirmarem-se acima de qualquer possível criação instrumental.
O resultado é mágico!!! Extremamente belo!!!! Se é que bem compreendi; ou pude expressar através de palavras.
TERJE RYPDAL é um INTEGRADOR DE ESTILOS, um “DISSOLVEDOR DE FRONTEIRAS. Um grande artista suficientemente prolífico e instigante para deixar de ser notado.
Tentem! Já!
POSTAGEM ORIGINAL: 06/11/2022
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JACK BRUCE – MAIS ALGUNS CDS E DVDS EM QUE PARTICIPA.

JACK É UM DOS MAIORES BAIXISTAS DE SUA GERAÇÃO E, TAMBÉM, CANTOR SEMPRE RECONHECÍVEL E MUITO ADMIRADO.
JACK É UM SUPERDOTADO CAPAZ DE TRANSITAR COM PROFICIÊNCIA PELO BLUES; EM DIVERSAS TENDÊNCIAS DO ROCK; NA MÚSICA EXPERIMENTAL; E EM VÁRIAS FORMAS DE JAZZ – DO MODERNO À FUSION.
UM CRÍTICO ESCREVEU QUE JACK FUNDIU “BACH” COM “CHUCK BERRY”. “JACK BRUCE” É UM GÊNIO!
BRUCE esteve com todos que lhe interessaram em sua época.
Acho impossível conseguir todos os discos em que participou ou foi autor. E descrevê-lo, disco a disco, tomaria tempo quase biográfico. Currículo enorme! Encantamento e competência espalhados por décadas!
Com GRAHAN BOND, 1964, na primeira experiência profissional que participou, esteve em banda simplesmente ao lado de GINGER BAKER e JOHN MCLAUGHLIN. Só.
Tocou em discos de MICK TAYLOR, JOHN MAYALL, LESLIE WEST, GARY MOORE, MANFRED MANN… e foi além, muito além….
Participou do espetacular clássico da vanguarda jazzística inglesa, lançado em 1991, ESCALATOR OVER THE HILL, da pianista e maestrina de vanguarda, CARLA BLAY, onde cantou com… pasmem!!! LINDA RONSTAND, em banda e projeto seminal espetacular
Não vou comentar o CREAM, com CLAPTON E BAKER, entre dezenas de reuniões e apresentações. E a fulgurante carreira solo do FUSION JAZZ à VANGUARDA EXPERIMENTAL em dezenas de discos. JACK não negava fogo….
Há entre os discos aqui, um raro e precioso do percussionista KIP HANRAHAN, lançado em 1991, com a participação do pianista de vanguarda DON PULLEN! É doideira brava! Acredite.
Para visualizar, é o terceiro disco da terceira fila ao lado do BOX do CREAM.
Nos DVDs, estão presentes BILLY COBHAN. CLEM CLEMPSON, DAVID SANCIOUS, em show na Alemanha, em 1980. Em outro, tocam CARLA BLEY e MICK TAYLOR, apresentação ao vivo em 1975. Excelentes, diga-se! Isso tudo é parte do que JACK BRUCE fez, gravou e felizmente nos legou!
Enquanto eu viver, vou tentar encontrar o que for possível JAACK BRUCE. Eu o assisti, em SÃO PAULO, já doente. E, mesmo assim, mandando ver em seu espetacular e peculiar estilo de cantar e tocar baixo!
JACK é um dos cinco melhores e mais criativos baixistas da História. Não está em primeiro lugar porque, em minha opinião, a honraria pertence à norte-americana CAROL KAYE, craque emérita dos estúdios; lendária e com mais de dez mil sessões de gravação acompanhando de SINATRA aos BEACH BOYS, e até ensinando o pessoal do KISS como fazer as coisas.
Ouçam e cultuem JACK BRUCE. E não esqueçam de CAROL KEYA.
JACK é imprescindível; musicalmente elegante e incomparável!
POSTAGEM ORIGINAL:31/10/2020
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CÉU – E O “NOVO POP UNIVERSAL BRASILEIRO”

RITA LEE há décadas deixou de ser a única “mais perfeita tradução de São Paulo”, como a descreveu CAETANO VELOSO, em SAMPA. E faz todo sentido. Os tempos mudaram, como sempre mudam.
A rebeldia POP de RITA deixou, aos poucos, de chamar a atenção de outras futuras cantoras ícones. E o POP-ROCK foi se tornando um estilo dentro da música brasileira. É parte assumida pela M.P.B.
VANIA BASTOS e NÁ OZZETTI, por exemplo, vieram de um background diferente, a esquerda universitária engajadas e militante. No princípio da carreira de ambas, início dos 1980, fazia sentido uma brasilidade chegada à vanguarda, mas não fundada nas tradições da MPB. Eram desafios ousados. Seguiam mais o WALTER FRANCO de CABEÇA, ou o CAETANO VELOSO em TRANSA.
Com o tempo, principalmente VANIA BASTOS foi assumindo a MPB moderna, mas de moldes mais tradicionais, e tornou-se uma das melhores cantoras do Brasil. A maneira de falar, sentir, compor, cantar e viver das meninas paulistas, tornara-se outra, na década de 1980.
A paulistana Céu é da geração que despontou neste século XXI; e é bem diferente da geração anterior. Seu primeiro disco, lançado em 2005, foi sucesso internacional. Vendeu muito bem nos Estados Unidos e Europa.
Eu assisti pela TV apresentação dela no programa do JOOLS HOLLAND, na BBC de Londres, anos atrás. CÉU foi anunciada como a “INCREDIBLE CÉU”. Ela e a banda excelente deram show!
CÉU faz POP em FUSÃO com a MÚSICA ELETRÔNICA. Tudo muito bem dosado e atual. Assimila tradições e ritmos da música brasileira, e gera um híbrido ousado, dançável, de irreverência calculada, que interage continuamente com a brasilidade e o mundo. CÉU é moderníssima e contemporânea.
Há um estilo de MÚSICA POP BRASILEIRA rolando. Talvez desde BEBEL GILBERTO, que podemos batizar por “Nova Música Universal Brasileira”, da qual Céu talvez seja, no momento, a representante mais talentosa e expressiva.
Ela vem desenvolvendo jeito próprio; é boa compositora, e faz discos interessantes e muito bem produzidos, arranjados e gravados.
Sua voz é delicada, diferente e diferenciada; e CÉU canta deliciosamente, com sensualidade não escancarada, mas evidente.
Aqui, os três discos que tenho da moça: “VAGAROSA”, de 2009; “CARAVANA SEREIA BLOON”, de 2011; e “TROPIX” de 2016. Todos bem diferentes entre si, mas nitidamente evoluindo de um para o outro.
Aos poucos, ela deixa de ser menina paulistana de classe média, e vai se tornando cantora madura, mas sem perder o frescor e a jovialidade…
Eu gosto e recomendo. CÉU é muito legal para ouvir e curtir.
POSTAGEM ORIGINAL: 31/10/2020
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CHRISSIE HYNDE & THE PRETENDERS, E A GERAÇÃO PÓS-PUNK RETORNAM MAIS PESADOS

Em 1981, em MEMPHIS, no TENESSEE, CHRISSIE HYNDE e os PRETENDERS estavam em um bar lotado. Ela, apertada, foi ao banheiro. Lá, fila imensa de mulheres esperando a vez.
CHRISSIE não teve dúvidas: entrou no banheiro dos homens. Os seguranças tentaram impedir; ela xingou e reagiu. Chegou a polícia, foi algemada e colocada na viatura.
Sentada no banco de traz, CHRISSIE conseguiu soltar as mãos, abriu a janela e chamou o guarda, entregou as algemas: “Isso aqui é teu”.
Aí, piorou: algemaram os pés e as mãos Ela esperneou, chutou e quebrou os vidros da viatura.
Foram pra delegacia, e ela dormiu na cadeia e foi processada por danos ao patrimônio público.
A história correu mundo, viralizou, o que aumentou sua fama de independente, assertiva e isca de encrencas – mas, há um certo exagero aí.
CHRISSIE é americana do OHIO. Adorava os BEATLES, SOUL MUSIC e IGGY POP!
Em 1973, decidiu ir para a INGLATERRA porque falava a língua, e a maioria de seus ídolos eram de lá. Queria viajar e dar um jeito na vida, que andava perigosa. Ela tinha se metido com drogas e gente barra pesada.
CHRISSIE tem 72 anos. Está no ROCK profissional gravando faz 45! É personalidade muito interessante. Teve duas filhas belas com dois músicos conhecidos: NATALIE RAY-HYNDE, 40 anos, é fruto de um relacionamento com RAY DAVIES, compositor importante, um de seus ídolos, e líder dos KINKS, banda cult e inevitável à partir da década de 1960.
E YASMIN KERR, 38 anos, que nasceu de relacionamento mais longo com JIM KERR, líder e cantor dos SIMPLE MINDS; sucesso desde a década de 1980. Estão ambos ainda por aí. CHRISSIE HYNDE tem trajetória no POP – ROCK reconhecida e respeitada.
Um entrevistador perguntou se, por acaso, alguém já havia dito “NÃO” pra ela? E CHRISSIE respondeu: “O NEIL YOUNG, quando nos encontramos para gravar fez a mesma pergunta…”
Ninguém diz não para CHRISSIE HYNDE!
Os PRETENDERS iniciaram a carreira com dois SINGLES de sucesso: “STOP YOUR SOBBING”, e “I GO TO SLEEP”, em 1978/9. Duas músicas do repertório dos KINKS, e compostas por RAY DAVIES.
CHRISSIE e a banda são famosos por terem criado o mais nítido e representativo som da NEW WAVE. Eles se juntaram na INGLATERRA. O estilo, sonoridade, e a voz de CHRISSIE HYNDE são emblemáticos e inconfundíveis.
Pessoa carismática, corajosa, assertiva e independente, CHRISSIE tem características da cultura americana como a resiliência e individualismo. É uma empreendedora!
Liderou os PRETENDERS e, ao mesmo tempo, assumiu as filhas. Contratou duas babás e foi pra estrada fazer turnês.
Perguntaram se ela havia sofrido discriminações para construir e tocar a carreira?
CHRISSIE nega. Diz que sofreu tanto quanto os caras da banda, o que sempre deixou as feministas perplexas e contrariadas.
Ela pratica boxe e preferia andar com homens. “Porque falam menos”; “e a relação com eles é mais direta e igualitária”…
É uma BANDLEADER antenada e profissional. Montou e administra os PRETENDERS, desde 1978. E, como JOHN MAYALL, sabe mandar e obter resultados com seus grupos. Dizem que vai no foco, percebe os pontos altos dos músicos e faz acontecer.
Na longa entrevista que deu recentemente à revista RECORD COLLECTOR ela tocou para o jornalista alguns discos. Perguntou se ele conhecia o SPOOKY TOOTH?
Negativo.
Então, tocou o SPOOKY TWO, e comentou que, hoje, não há cantor de R&B tão espetacular quanto MIKE HARRISON!
Depois, tocou “GO NOW”, 1964, do álbum THE MAGNIFICENTS MOODY BLUES. E sentenciou a excelência daquele POP quase LOW FI, curto, rápido, direto na veia. Observou que os PRETENDERS pretendiam mais ou menos aquilo!
E conseguiram, digo eu!
SOUL + POP + adrenalina dos anos 1980, e sem frescura. E, nessa toada, gravaram 12 álbuns, dezenas de SINGLES, e permanecem sucesso.
CHRISSIE tem várias semelhanças com RITA LEE. Cantoras muito boas e contemporâneas, e que articulam o POP e o ROCK com estilos próprios e proficiência.
CHRISSIE morou uns tempos na Avenida São Luiz, em São Paulo. Foi em 2004. Disse que adorou a energia da cidade.
Entrosou-se com MORENO VELLOSO, e grupo, filho de vocês sabem quem. Há um vídeo, no YOUTUBE, de show acústico deles em BUENOS AYRES.
Mas, encaixou?
Tio SÉRGIO achou que não. MORENO, KASSIM e + 2 são lights demais pra ela. Faltou um link para o ROCK, fundamental em CHRISSIE como foi para RITA LEE. O show dá soninho.
No momento, está rolando uma efeméride POP significativa. As tendências do PÓS-PUNK estão comemorando 45 anos!
45 anos, turma! Isto quer dizer que o público original dos PRETENDERS, NEW ORDER, SIOUXIE & THE BANSHEES, THE CURE, SMITHS, U2 e outros, hoje tem entre 50 e 65 anos!
ORRA, MEU???
NÃO: PORRA, MEU!!!
Com exceção do U2 mega sucesso ininterrupto, e de carreira muito específica; os artistas daquela geração de músicos e bandas estão em atividade frenética, fechando grandes SHOWS mundo afora, e no BRASIL, também.
O som que faziam sofreu atualização, “ma non tropo”. E todos se tornaram mais pesados.
Assisti vídeos de diversos deles.
Se interpreto corretamente, a sonoridade básica das bandas se inspira no que fez NEIL YOUNG, na fase RUSTY NEVER SLEEP, ou no disco MIRROR, gravado com o PEARL JAM: ROCK ALTERNATIVO PESADO e AGRESSIVO, de uns 30 anos atrás…
Estão mais ou menos soando como THE CURE em WISH, acrescidos por “DELAYS”, e guitarras como tocava THE CURVE e a turma do “SHOEGAZE”!
Fazem som pesado e alternativo, são inspirados herdeiros da vanguarda a qual pertenceram anos atrás! Talvez a dose certa para que o público deles interaja e curta…
O muito bom último disco de CHRISSIE e os novos PRETENDERS, “RELENTLESS” é isso ai. E os vários bons SHOWS disponíveis demonstram. Inclusive em GLASTONBURY, onde DAVID GROHL e JOHNNY MARR, fãs declarados, subiram ao palco e tocaram com ela…
Estava lá, também, seu grande amigo e confidente, PAUL McCARTNEY ( eu acho que é mais do que isso… ), que saiu do backstage para cumprimentar a plateia.
CHRISSIE HYNDE, que sempre foi bela, continua cantando bem. E, paradoxalmente, as guitarras pesadas atraem o público e poupam a voz de CHRISSIE, que também precisa de backing vocals… Assim, como seguram ROBERT SMITH com THE CURE…
É só uma opinião. Mas, não esqueçam as bandas pesadas atuais formadas por meninas, como a ótima e aguerrida DEMY LOVATTO.
Tudo considerado, o ROCK pesado com retrogosto oitentista / noventista voltou à moda.
Confesso que gosto…
Mas, não fui só eu quem envelheceu…
POSTAGEM ORIGINAL: 31/10/2023
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JERRY LEE LEWIS (1935/2022) – “CONFUSION WILL BE MY EPITAPH”!!!!!!

Talvez JERRY LEE LEWIS não tenha se apercebido da existência do KING CRIMSON, e menos ainda de seu letrista, PETE SINFIELD. Pensando melhor, quem sabe, sim. Porque na geração de ROCKERS que o sucederam, literalmente todos são seus fãs…
Agora, a capacidade que JERRY LEE demonstrou a vida inteira para criar confusões, não pode ser subestimada.
Sempre esteve onde a onda quebra. Às vezes, surfou; geralmente se afogou; foi socorrido; foi estigmatizado; mas voltou.
Bebeu muito; rezou mais ainda; quase foi em cana por causa de Impostos não pagos, fugindo da AMÉRICA por 4 anos, até conseguir resolver seus rolos.
Ele gostava de armas, e deu uns tiros pelaí; chegou a ameaçar ELVIS PRESLEY de morte! E foi preso em frente à GRACELAND, em 1976. Eles eram amigos!!!
E acabou falindo, mesmo sobrevivendo…
Enfim, a vida de JERRY LEE LEWIS foi um compêndio de insensatez mesclada com certa genialidade artística, e talentos explícitos. Era quase um autodidata no piano – que tocava com estilo e proficiência!
Se você recordar de ELTON JOHN, no início de carreira, verá alguém tentando barbarizar no piano, fazer malabarismos cênicos…
KEITH EMERSON, ELTON, e até LITTLE RICHARDS!, eram meninos comportados perto de JERRY LEE LEWIS – que tocava com os pés, as mãos, o ombro, pulso e qualquer parte do corpo disponível. Subia no instrumento, espancava o teclado, chegando próximo do que fazia na guitarra PETE TOWNSHEND. E tudo isso sem perder o senso musical…Era um showman fantástico!
JERRY LEE LEWIS conseguiu a proeza de mesclar o R&B dos negros, através de sua esfuziante mão esquerda, a responsável pelo BOOGIE dançante que imprimia ao piano. A mão direita o integrava ao COUNTRY e o HILLBILLY dos brancos, criando híbrido que é a quintessência do ROCK AND ROLL clássico; sua mão direita era ROCK puro! Ele tinha uma apurado senso melódico.
JERRY LEE sempre foi cantor excelente, de voz belíssima e clara; potente, afinadíssima e versátil, que se adaptava com perfeição ao ROCK, ao GOSPEL, ao BLUES; e, obviamente à COUNTRY MUSIC !
Em resumo bastante defensável, JERRY LEE LEWIS e CHUCK BERRY juntos já seriam suficientes para definir tudo o que é o ROCK AND ROLL
Chamar o nosso “preclaro’ e amado de contraditório, complexo, ou quaisquer definições que pudessem trazer alguma coerência para defini-lo em poucas palavras, é uma impossibilidade aguda.
Eu vou tentar aproximação cautelosa.
JERRY LEE LEWIS era cristão. Conhecia a Bíblia, e a lia reverencialmente. Ele e ELVIS PRESLEY eram da ASSEMBLEIA DE DEUS. Sabiam cantar as músicas gospel. Já ROY ORBISON E CARL PERKINS e JOHNNY CASH eram BATISTAS…
JERRY LEE era primo de JIMMY SWAGGART, um dos primeiros “Malafaias”…ooopps, “tele-evangelistas” … nas TVS americanas.
Era profundamente religioso e temente a Deus! Um americano branco, bastante ignorante, que certamente hoje votaria em DONALD TRUMP.
Porém, JERRY L. LEWIS vivia em crise existencial. Dizia ter criado, e fazia um tipo de música furiosa que, achava ele, iria carregá-lo para o inferno! Compensou gravando muita música GOSPEL.
Faz sentido? “DEFINITIVAMENTE TALVEZ”, responderiam os irmãos LIAN e NOEL GALLAGHER, que não transmitiam qualquer paz de espírito, mesmo tendo montado uma banda turbulenta chamada contraditoriamente…OASIS…
JERRY LEE LEWIS gravou a primeira vez, em 1952. Tinha 16 anos! Explodiu na cena POP entre 1956 e 1958, com alguns dos 30 TOP TEN HITS, que teve durante a carreira: CRAZY ARMS, WHOLE LOTTA SHAKIN´GOING ON, GREAT BALLS OF FIRE…
JERRY meteu-se em confusões insólitas com mulheres. A saga começou muito cedo. Ele teve sete esposas, algumas “simultaneamente”; e casos e causos vida adentro…
Casou-se aos 16 anos, em 1952, com a filha de um pastor. E largou a mulher por causa de música e farras. Foi para o altar novamente meses depois “encorajado” pelos irmãos da “outra” noiva, JANE MITCHUM, que o escoltaram até a Igreja com uma SHOTGUN, aquela espingarda de dois canos e bem… vocês imaginam…
Ainda não divorciado, lá por 1957 casou-se secretamente com a prima-irmã de 13 anos, que ele dizia ter quinze. Mas, jornalistas ingleses descobriram durante turnê, em 1958, que ela tinha 13 anos mesmo! Espoleta o nosso JERRYNHO, heimmm ?!?!?!
E deu em confusão: ela com quinze anos poderia ter casado, se ele estivesse “desimpedido”… Ele estava com 22! E assim, JERRY LEE foi o primeiro artista “cancelado” da música moderna. Uns doze anos antes do SIMONAL; e uns trinta antes do LOBÃO – que também, amalgamou-se à prima menor de idade; mas dançou por causa de política, e porque é boquirroto …
Ahhh, MAYRA GAILE BROWN, a priminha, era filha do baixista da banda! E, anos depois, teve seu livro sobre a relação dos dois filmado: THE GREAT BALLS OF FIRE, com DENNYS QUAID e WYNONA RYDER – adivinhe no papel de quem?
Passou mundo afora, em 1989, foi um grande sucesso, e alavancou mais uma vez a carreira de JERRY LEE. A trilha é algo insossa. E o repertório em boa parte foi regravado.
Tudo considerado, “Bacobufos” iam e vinham, mas ele recuperou-se entre 1960 e 1970. E reinventou-se.
Em 1964, gravou em HAMBURGO, na Alemanha, onde os BEATLES e várias bandas inglesas tocaram antes da fama, um disco reverenciado como entre os melhores shows ao vivo da História da música POP/ROCK, e etc…!
JERRY LEE LEWIS LIVE AT HAMBURG STAR CLUB é fogo, suor e ROCK AND ROLL. Em plena forma, JERRY LEE e os ingleses NASHVILLE TEENS incendeiam a plateia em performance avassaladora!!!!
Alguém escreveu que “não era um disco ao vivo”. “Mas, a cena de um crime!” Um massacre; uma convulsão contínua!!!!
Lá por 1968, LEE LEWIS entrou de cabeça na COUNTRY MUSIC, e teve, no decorrer da carreira, nada menos do que 17!!! TOP TEN na parada da revista BILBOARD!
Críticos disseram que JERRY é o criador do “HARD COUNTRY”, que tem nada a ver com pauleira. É música “não-neandernthalesca”; letras, canções e produção de melhor qualidade, comparativamente ao ramerrão simplório que infesta a música COUNTRY americana, e sua irmã postiça, e nosso “encosto pátrio”, a “SERTANEJA-FAKE”…
( Cala a boca, tio SÉRGIO, e vai atazanar os “bolsonarentos” e “PeTizes”. Porque de música você entende nada…)
Mas, em 1973 ele foi a LONDRES consagrado e gravou um dos melhores “Discos-Tributos” já feitos: JERRY LEE LEWIS – THE LONDON SESSION, originalmente um vinil duplo, que também saiu no Brasil. É um verdadeiro conclave da nata do ROCK INGLÊS!
Os que participaram estavam no auge, ou chegando a ele. PETER FRAMPTON, RORY GALLAGHER, MATHEW FISHER, KENNY JONES, ALVIN LEE, GARY WRIGHT e ALBERT LEE, para citar alguns. E, claro, o próprio KILLER, também em boa forma.
Talvez o último momento memorável da longuíssima carreira de JERRY LEE tenha sido em “THE CLASS OF ´55”, que reuniu os quatro grandes sobreviventes do ROCK AND ROLL CLÁSSICO: JERRY LEE LEWIS, CARL PERKINS, ROY ORBISON E JOHNNY CASH.
Foi gravado em 1986, e com a participação de JOHN FOGERTY, DAVE EDMUNDS, JUNE CASH CARTER, RICK NELSON e músicos de primeira linha do COUNTRY. É muito agradável, bem produzido e gravado no estúdio da SUN RECORDING. Põe CULT e EMBLEMÁTICO nisso!
Em algum momento da década de 1990, eu o assisti no antigo PALACE, casa de shows em São Paulo. Foi bagunça memorável! Teve gente subindo e sendo expulsa do palco, enquanto a banda enganava esperando JERRY, que deu um show curto e mediano. O KILLER estava completamente alcoolizado!
Houve confusão na plateia.
Na minha frente, uma garota subiu no ombro do namorado.
E um moço, com certeza sobrinho de “ÁTILA, O HUNO”, deu ultimatum pra folgada.
O namorado não gostou, e respondeu torto.
O emissário do “MONGOL” não teve dúvidas: dedo indicador em riste, mirou no… no… no… “Marquês do Rabicó” da malcriada e deu-lhe “dedada” exemplar!
Um berro! moça colocada no chão! e começou briga quase generalizada. Os seguranças “ajudaram” o filhote de Átila e o namorado indignado a pensar um pouco melhor na próxima vez!!! (se houve…)
Vejam só: comecei com PETE SINFIELD e terminei quase no pátio da penitenciária!!!
Realmente, “CONFUSION WAS HIS EPITAPH”.
É estonteante trilhar ou tentar buscar tudo o que JERRY LEE LEWIS gravou ou fez. Foram 121 ÁLBUNS ORIGINAIS; 290 EPS e SINGLES; 660 COLETÂNEAS e 22 VÍDEOS! Que tal?
A veneranda e espetacular gravadora BEAR FAMILY tem os seguintes BOXES do KILLER: SUN RECORDS, com 18 CDS e 623 FAIXAS; SMASH RECORDS: 166 FAIXAS concentradas em 8 CDS. E MERCURY RECORDS, 10 CDS e 226 TRACKS!!!! São 1015 MÚSICAS compiladas!!!!
É overdose até para fanático! Porque coligem “apenas” mais ou menos as fases áureas…Mas, com a morte de JERRY, certamente haverá material para trazer à luz nos tempos vindouros.
Para mim, bastam os discos que postei, e destaco o da primeira foto em cima, lançado pela BEAR FAMILY, na coleção ROCKS, com as 33 faixas essenciais!!!
É coletânea espetacular, e abrange todas as fases, gravações ao vivo e etc…
Para o céu JERRY LEE LEWIS certamente irá. Não sem antes
circundar o purgatório, fazer um bate-e-volta, só para pegar impulso e ascender ao PARAISO.
Que ele finalmente sossegue, e tenha paz. Ele é inesquecível!!!!
Amém!
POSTAGEM ORIGINAL: 04/11/2023
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HERBIE HANCOCK – OUTROS CICLOS DE UM GÊNIO!

Postei recentemente um excepcional BOX contendo a fase na COLUMBIA RECORDS desse artista inquieto e irrequieto. HERBIE HANCOK provavelmente só se equipara a MILES DAVIS em versatilidade, buscas e atitudes de realizar.
Ambos fizeram trajetórias algo próximas: estiveram na BLUE NOTE RECORDS, um dos berços do JAZZ MODERNO. HERBIE sentou teclas por lá entre 1962 e 1969, legando CINCO DISCOS na linha do chamado JAZZ MODERNO. Para gravar, desfrutou talentos de gente insuspeita, técnica e artisticamente, como DEXTER GORDON, FREDDIE HUBBARD, BILLY HIGGINS, DONALD BYRD, HANK MOBLEY, GRANT GREEN e RON CARTER. Ahhh, há outros, diversos vários…
WATERMELON MAN, um clássico/standard do JAZZ-FUNK, é composição dele, e foi lançado em seu primeiro álbum, “TAKIN´OFF”, de 1962.
O menino já chegou chegando! Os LONG PLAYS, na BLUE NOTE, tiveram as contracapas assinadas por críticos de JAZZ históricos, feito NAT HENTOFF, IRA GITLER e LEONARD FEATHER. E o TIO SÉRGIO sublinha que esta gente não gastava neurônios com medíocres. Podem apostar…
Haja vistas a criação da trilha sonora para o filme de MICHELANGELO ANTONIONI, BLOW UP, 1966/1967. É só um aperitivo! HERBIE HANCOCK sempre esteve muito acima da média. É um superdotado!
Além de pianista à beira do prodígio é, também, formado em engenharia elétrica, e participou no desenvolvimento de teclados eletrônicos, e outros babados que ajudaram a revolucionar a música contemporânea.
MILES DAVIS e HERBIE HANCOCK cruzaram talentos na COLUMBIA RECORDS, nas décadas de 1960 e 70. Gravaram muito juntos. Porém, evoluíram paralelamente. Ambos fizeram JAZZ ROCK e FUSION JAZZ de alta qualidade.
Entre 1972 e 1984, HANCOCK gravou 31 albuns por lá! É a fase mais conhecida de sua imensa produção!
MILES DAVIS e HERBIE HANCOCK pesquisaram e criaram música AFRO – EXPERIMENTAL – cada um de seu jeito.
Há pequena e seleta discografia de HANCOCK, na WARNER RECORDS, focando uma espécie de FUSION AFRO -JAZZ. São três discos gravados entre 1969 e 1972: “FAT ALBERT ROTUNDA”, MWANDISHI, e CROSSING – todos na foto.
A carreira dele se ampliou mais ainda, nos últimos 40 anos. E, de certa forma, retorna/avança ao JAZZ INSTRUMENTAL CONTEMPORÂNEO. Fez música menos experimental. Com certeza, um sinal de maturidade, e prosseguiu sem perder a vivência da melhor música e repertório contemporâneos.
HANCOCK gravou, inclusive, obras para a histórica VERVE RECORDS; e aqui postei 5 CDS. Alguns parte do ciclo de “TRIBUTOS” mais técnico e artístico que ouvi na vida!
Em 1994, organizou ANTONIO CARLOS JOBIM & FRIENDS
Estão lá SHIRLEY HORN, JOE HENDERSON, GAL COSTA craques que tais, e se apresentaram no FREE JAZZ FESTIVAL, EM SÃO PAULO.
É mais uma comprovação de que o JAZZ e BOSSA NOVA dialogam e se imbricam muito bem!
HERBIE gravou, também, dois tributos a MILES DAVIS. O primeiro, em 1994, com WAYNE SHORTER, RON CARTER, e TONY WILLIANS. E fez outro, em 2002, celebrando DAVIS & JOHN COLTRANE. Estão lá MICHAEL BRECKER, tenor; ROY HARGROVE, trompete; o baixista JOHN PATITUCCI e o baterista BRIAN BLADE. Alto nível, “por supuesto”.
Em 2007, lançou “RIVER, THE JONI LETTERS”, disco exuberante dedicado a JONI MITCHELL; ao piano, HERBIE apazigua um pouco a música densa e tensa que ela compõe. Participam a própria JONI, NORA JONES, LUCIANA SOUZA, LEONARD COHEN, e CORINNE BAILEY RAY. É aula magna de modernidade musical e sensibilidade apurada!
Procurem conhecer outros discos excelentes: THE NEW STANDARDS, 1996, onde HERBIE fez versões dos BEATLES, NIRVANA, STEVIE WONDER, e vários artistas mais recentes. E, também , o duo com o saxofonista WAYNE SHORTER, lançado em 1997.
TIO SÉRGIO vota que bastariam os tributos a MILES, JONI e TOM JOBIM para consagrar qualquer artista. HERBIE HANCOCK foi além, muito além… Sempre além!
Jamais deixem passar batidos quaisquer discos feitos por este notável, eclético, e imprescindível gênio moderno.
É crime contra o desenvolvimento intelectual e a sensibilidade musical.
Corram atrás!
POSTAGEM ORIGINAL: 05/11/2023
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