CHICK COREA: MEMÓRIAS, DISCOS E MUITO MAIS

Aconteceu em tarde qualquer perdida na década de 1980.
Fui visitar a BARATOS & AFINS, loja cult e imprescindível em SAMPA, conhecida pelos que curtem música, gostam ou colecionam discos. Estão por aqui faz quase meio século!!!!
O Luiz Calanca talvez não se recorde, mas conversamos um pouco sobre discos variados. Ele fez um comentário que sintetiza a posição da loja e do próprio Luiz sobre o que vale a pena ter em estoque e vender.
Esquecido na fluidez de minha memória, e na imprecisão que a idade “conserva”, o LUIZ disse algo assim: “Há discos que eu compro além do que vou vender de imediato. É porque confio no produto. São obras para o tempo julgar!”
É isso! E pegou o disco amarelo na foto, CIRCLE – PARIS CONCERT, e mostrou como exemplo.
Eu já havia comprado aquela
mesma edição brasileira da ECM; álbum duplo, qualidade gráfica e industrial de primeira ordem, lançada por aqui na década de 1970. Tenho orgulho e até ciúme!
Era ousado demais para um roqueiro embebido em cervejas e HARD BLUES. Mas eu já fazia travessia para outras galáxias musicais! Então…
Pois bem, o tal disco me perseguiu; e me intriga até hoje! Era e permanece VANGUARDA. É “Pós FREE JAZZ” perscrutando o “FUSION JAZZ”. Talvez além disso. É intrincada OBRA DE ARTE!
Mas quem está lá?
Claro, CHICK COREA, piano; DAVID HOLLAND, contrabaixo; BARRY ALTSCHULL, bateria; e ANTHONY BRAXTON, sax e outros apetrechos roncadores e sonantes. É gente do primeiro time do “porvir”!
Não foi a primeira vez que dei de cara com o CHICK. Eu já conhecia o BITCHES BREW, 1970, do “MILES DAVIS”. E, também, o grupo “RETURN TO FOREVER”, que fez grande sucesso juntando JAZZ a elementos de música LATINA e de MPB. Um reflexo da revolução que a BOSSA NOVA e, depois, o guitarrista CARLOS SANTANA fizeram no mercado musical e nas sensibilidades.
Mudando de pato a sapato, o TIO SÉRGIO gosta muito de SPACES, álbum lançado em 1974, onde COREA e o guitarrista LARRY CORYELL, organizam FUSION soberba encostando no ROCK PROGRESSIVO. O disco foi um “must” naqueles tempos – e é até hoje!!!!
CHICK COREA nasceu em 1941, fez carreira em alto nível; e na maior parte do tempos desafiando VANGUARDAS, inovando. Gravou de tudo e um pouco mais. É de competência incontestável!!!!
De certa forma, ele retornou para o JAZZ CONTEMPORÂNEO de feitio “mais tradicional” – se isto for possível…
COREA foi um craque na elaboração de melodias, sempre capaz de tocar confortavelmente solo, em grupos, duos, ou quaisquer outras formações que ouvi.
Ele e seu contemporâneo também genial, HERBIE HANCOCK, nascido em 1940, desenvolveram ao limite o MODERNO PIANO JAZZÍSTICO.
E, ao longo de suas carreiras, incluíram teclados elétricos, sintetizadores e outros brinquedinhos da modernidade. Ambos flertaram com o FUNK e o ROCK. Aliás, todos discos de nível estético superior.
HERBIE e CHICK são duas lendas e ritos, que dialogaram quase o tempo todo e por décadas; como se disputassem entre si para ver quem era o mais antenado, competente, gênio e influente.
Estavam empatados, quando CHICK morreu de um câncer raro, em 2021.
Como legado artístico, gravaram em dueto bastante cult e colecionável: COREA/HANCOCK, de 1978. Um testamento de afeto e respeito que seguramente sobreviverá.
Postei aqui o que tenho de CHICK COREA. Ouvi alguns; e estou terminando com LIVE IN MONTREUX, gravado em 1994. É um primor de modernidade melódica. Um disco Imprescindível e até fácil de encontrar.
Com a morte de COREA eu fiquei um pouco mais pobre interiormente. A falta de CHICK é mais um prego no caixão existencial de minha geração. Houve e sei que haverá outras perdas. Infelizmente. É do existir…
Talvez algum dia lancem BOX coligindo a obra completa dele; e à altura do que a SONY fez com HERBIE HANCOCK.
CHICK COREA merece artefato mais eloquente, completo e respeitoso. E definitivo, quem sabe?
Se e quando acontecer, espero que o preço não emascule os homens e nem estupre as mulheres, em suas respectivas contas bancárias.
Artistas como CHICK COREA são sempre provedores de arte. E também de afetos!
Brindes ao CHICK, e com a reverência que ele merece!
POSTAGEM ORIGINAL: 13\02\2021
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OTIS REDDING – “PAIN IN MY HEART”, E NINA SIMONE, : I’M NOT A BLUES SINGER”. AMBOS EM VINIL, 180G.

Pois, é!
Cada um deles chegou no apto do TIO SÉRGIO bonitinho, lacradinho, e por algo em torno de $ 10 BIDENS/TRUMPS, uns R$ 53,00 MANDACARUS! Uma baba!!!! Por preços baixos, eu compro LONG PLAYS apenas pelo prazer de tê-los.
Este é o primeiro disco de OTIS REDDING. que saiu em 1964. Mas não reproduz exatamente a edição original; porque a gravadora reteve os direitos para uso futuro…
Adquiri, também, uma coletânea de EUNICE KATHLEEN WAYMON. Ooopppsss! a grande NINA SIMONE!!! E, que eu saiba, não é um disco original.
Mais uma vez, comprei por gosto e oportunidade. Eu não tenho PICK UP; portanto, não posso ouvi-los. Espero que a qualidade técnica seja suficiente. Se não, valem pelas capas, a curiosidade, e minha admiração.
POSTAGEM ORIGINAL: 04\02\2023
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ROCOL HARUM: A TRANSIÇÃO DO PSICODÉLICO AO PROGRESSIVO, E O GRANDE CONCERTO COM A EDMONTON SYMPHONY ORCHESTRA, 18\11\1971

P
“IN THE AUTUMN OF MY MADNESS, WHEN MY HAIR IS TURNING GREY” …, canta GARY BROOKER, em uma das faixas do disco “SHINE ON BRIGHTLY”, de 1968, do genial, subavaliado e não repetível “PROCOL HARUM”. CLÁSSICO DO ROCK em transição entre a PSICODELIA e o ROCK PROGRESSIVO, é recomendável aos paladares mais sofisticados. É lindo e triste! – e lúgubre.
Quase sempre me vem à cabeça a suíte pesarosa “IN HELD TWAS IN I” quando a INSÔNIA RECORRENTE assola e desencadeia os medos e paranoias, e as desconexões entre os fatos objetivos.
Mas realça o lusco-fusco sonolento que tranca o raciocínio e me faz sofrer antecipadamente por algo que, talvez, jamais ocorra.
Nada mais humano do que sofrer por algo que pode não acontecer!!! É parte do outono da minha vida – loucura? – estou envelhecendo.
O nome “PROCOL HARUM” surgiu de um equívoco. Era pra ter sido PROCUL HORUM – o nome do gato do produtor GUY STEVENS, misturando o “advérbio latino” “PROCUL” – que significa distante, ao longe – e o nome “AHARON”. Na hora de assinar o contrato, soletraram “PROCOL HARUM”, e assim ficou.
A banda tinha KEITH REID, letrista exclusivo, um literato erudito. Ele e GARY BROOKER construíram juntos parceria diferenciada, entre discordâncias e certo mal-estar.
GARY tinha voz inconfundível, foi grande cantor com nítida vocação o para o R&B – além de melodista único, pianista e músico proficiente. Foi o notório BANDLEADER, o forjador do destino e o dono da banda. REID, que compôs profissionalmente a vida inteira, afirma que “se libertou” do tom lúgubre e depressivo da maior parte do que compusera, quando passou a trabalhar com outros parceiros.
Seja lá como a História for interpretada, o PROCOL HARUM sempre foi marcado por um compósito inicial e criativo único, modificado no decorrer do tempo.
Além de BROOKER, o único a participar em todos os discos; a sonoridade determinante do órgão, cravo etc… de MATHEW FISHER, marca definitivamente o HIT eterno “A WHITER SHADE OF PALE”, e outras faixas do início, como HOMBURG, QUITE RIGHTLY SO. Todas canções perfeitas e assombrosas.
Há, também, a guitarra icônica, perfeita, grave, pesada, e de inspiração “HENDRIXIANA”, tocada por ROBIN TROWER” – um GUITAR-HERO de verdade! E o excelente e imprescindível baterista B.J.WILSON – que dá show à parte no CONCERTO ao vivo, que resume a fase inicial.
Houve um fugaz baixista que pontuou criativamente os andamentos pesados da banda – mas largou tudo para se tornar acadêmico em ciências espaciais: CHRIS COPPING tocou em “HOME”, mas firmou tendência para o grupo.
O charme adicional do PROCOL é a mistura certeira de R&B e HARD ROCK em certas faixas onde TROWER detona pra valer! Ouçam WHISKEY TRAIN , de “HOME”, 1970; e em “SIMPLE SISTER”, em “BROKEN BARRICADE” , 1971, álbum final com ROBIN TROWER.
Desse ponto de vista, o PROCOL HARUM segue seus contemporâneos FREE, TRAPEZE, HUMBLE PIE… Mas sem perder a identidade.
Ouçam os discos na foto, porque expõem essa transição. ‘A partir de 1972, continuaram lançando ótimos discos, criativos e algo ecléticos, até encerrarem a carreira, em 1977. BROOKER partiu para carreira solo, e 14 anos depois, em 1991, retomou o PROCOL HARUM, com mais sucesso de público do que nunca!
POSTAGEM ORIGINAL: 14\02\2026
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PROGRESSIVOS E SEUS DECORRENTES. ALBUNS MEIO ESQUECIDOS DO “VAN DER GRAAF GENERATOR”, “JETHRO TULL” E “FLASH”

A minha geração, a turma que foi jovem na década de 1970, amadureceu aprendendo a gostar de ROCK PROGRESSIVO. Era parte de uma pretensa evolução rumo a músicas mais sofisticadas.
Eu gosto. Assim como aprecio FUSION, MÚSICA DE VANGUARDA, ROLOS INDEFINÍVEIS, JAZZ… e COISAS QUETAIS.
No início, se caça os grandes nomes. E, como também é comum em pessoas da minha idade, vamos perseguindo coisas em vários níveis conforme aparecem.
Claro, tenho PINK FLOYD, quase tudo do KING CRIMSON e do GENTLE GIANT. E também YES, GENESIS, MOODY BLUES, PROCOL HARUM, e vá juntando sílabas e formando nomes de bandas e grupos que você prefira… É parte do hobby.
Faltava em minha coleção o “THE QUIET ZONE” e “THE PLEASURE DOME” (1977) do VAN DER GRAAF GENERATOR, coleção que formei sem qualquer outra frescura e nas edições originais e não remasterizadas.
São obras excelentes e bem captadas. Arranjei este no E-BAY; e para não fugir da regra, veio com algumas escoriações. É CD mal cuidado. Para colecionadores, é um pecado insuportável ver , nesse estado, objeto tão pequeno e fácil de conservar!
Fui, também, atrás de certos álbuns do JETHRO TULL que achei secundários em seus tempos. Apareceram a bom preço, então comprei “A” de 1980, e “STORM WATCH”, 1978.
Uau!!! foram gravados há quase meio século!!! Pasmem!!!! Eu mal os notei!!!! Para minha surpresa, agora relançados pela PARLOPHONE!!!! e com remasterizações feitas pelo STEVEN WILSON – garantia de qualidade. Enfim, estão integrados ao acervo.
Por fim, um ícone algo raro e precioso; FLASH – “IN THE CAN”, foi lançado em 1972 . É o segundo álbum da banda icônica do guitarrista idem, PETER BANKS – que participou nos dois primeiros Long Plays do YES: TIME AND A WORD,1970; e YES 1969.
Naqueles tempos, todos queriam o vinil importado, capa dupla. Não só pela música criativa; mas inclusive pelas mamas quase desnudas e atraentes da modelo da capa – fotografadas com mestria e sensualidade.
Ah, o disco realmente é muito bom.
E você perguntará: Mas, TIO SÉRGIO, seu boquirroto, ou digirroto, o que você achou deles?
Minha resposta é a do falecido rei PELÉ!!!
Sei, lá, entende. Ainda não ouvi direito nenhum deles. Apenas recordei o FLASH!!!
Tá postado!
POSTAGEM ORIGINAL: 08\02\2023
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THE FUGS – FIRST ALBUM

Inspiradores do Lou Reed, da turma do Velvet Underground, da Patti Smith e dos suspeitos de sempre. Estão tocando para (contra?) mim, agora!
Formalmente, eram um bando de poetas beatniks sobreviventes fazendo algo parecido com folk. Musicalmente é muito ruim. Mas, se você escutar o primeiro álbum deles, de 1965, encontrará o ovo da serpente do Velvet Underground. Inaudíveis, curiosos, iconoclastas, cultura do contra e o que mais as línguas de cobra e os escorpiões de plantão quiserem.
Eu tenho; não vendo, não troco e não ouço nunca mais!
POSTAGEM ORIGINAL: 06\02\2018
The Fugs - Boobs a Lot

P.I.L. – PUBLIC IMAGE LTD, COM 3 FAIXAS, DUAS AO VIVO, GRAVADAS EM 2010. E HARMONIA: LIVE, 1974. AMBOS EM VINIL!

Eles chegaram na porta do TIO SÉRGIO por $ 22,00 BIDENS, ou TRUMPS, uns R$ 110,00 MANDACARUS.
O P.I.L , BANDA EXPERIMENTAL DE JOHN LYDON, o inefável JOHNNY ROTEN, ícone com os SEX PISTOLS, custou abaixo de R$ 40,00 MANDACARUS! E o HARMONIA… façam as contas.
Eu só compro VINIL na marmita das almas.
HARMONIA é banda de KRAUTROCK formada por três luminares da cena: MICHAEL ROTHER, HANS -JOACHIM ROEDELIUS e DIETER MOEBIUS.
O disco foi gravado na fase áurea, em 1974.
Os caras são tão importantes que BRIAN ENO, criador da AMBIENT MUSIC, e um dos pioneiros do experimentalismo contemporâneo, gravou discos junto com eles.
Aqui, dois vinis caprichados, 180g, etc..
O que tem dentro eu não tenho a menor ideia! Não possuo PICK-UP!
Texto original 04/02/2023
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HISTÓRIAS DA GLOBALIZAÇÃO QUE TIO SÉRGIO SABE E VIU

Anos atrás, a Rádio Bandeirantes de São Paulo fez matéria longa no “AMPARO MATERNAL”, hospital público famoso, antigo e peculiar da cidade de São Paulo, que trata gestantes, mães solteiras e quem mais o procurar faz quase 80 anos
Pois, bem; A repórter entrevistou uma CIDADÃ ANGOLANA, JORNALISTA DE EMPRESA DE SEU GOVERNO que, pela segunda vez, saiu de Angola para ter o filho no Hospital brasileiro! Estava satisfeitíssima com o atendimento, serviço e etc. Na mesma entrevista, a repórter identificou outras várias estrangeiras em situação semelhante…
Quer dizer, o nosso tão criticado SUS, uma construção institucional fantástica, que anos depois demonstrou enorme valia e competência na COVID, era desfrutado por gente de posses de outros países aliados, durante os governos petistas.
Quer dizer, falta verba para a população do Brasil, mas sobrava para fazer populismo externo.
2) Grande amigo meu foi passar 3 meses na Inglaterra e hospedou-se em casa de família cadastrada para receber estudantes. Ração diária regulada, tudo muito apertado e restrito.
Certo dia, ele deixou um dedo de leite no copo. Nos dias seguintes, a mesma quantidade foi descontada de seu copo diário…Voltou magérrimo e a primeira coisa que pediu quando chegou foi carne e massa em quantidade…
3) Casamento. A noiva, moça de família abastada, casou-se com rapaz inglês de classe média. Vieram os pais do noivo, gente simpática e trabalhadora de Londres… faltava visivelmente um dente na boca da mãe do noivo… e com toda a tradição de serviço de saúde pública dos ingleses…
O Brexit tem a ver com isso, também: faltam recursos para a população local, enquanto o país globalizava seu mercado interno de trabalho…
4) Esposa de amigo é dentista e tem consultório na periferia de São Paulo. Contou que tem alguns clientes que vêm dos EUA para tratar os dentes com ela… No mundo rico isso é caríssimo, e também não tem para todos…
5) Conhecida minha emigrou legalmente para a Alemanha para estudar. Casou-se e teve filhos por lá. Mora em padrão bem abaixo do que desfrutava por aqui.
Ela vem ao Brasil e traz os filhos para cuidar dos dentes e outros procedimentos médicos mais sofisticados. Na socialdemocracia alemã as coisas são mais difíceis…
Escrevi tudo isso para tentar entender um pouco os que acham o globalismo um problema para suas sobrevivências.
E alguns porquês do nacionalismo e da xenofobia. A vida em países mais igualitários é medida em conta-gotas. Os serviços públicos são enxutos e o mais exatos possível. Não há sobras para serem distribuídas.
É impensável ocorrer por lá o que há por aqui, como no Amparo Maternal e outros. Somos pobres e nada frugais com os poucos recursos que detemos, e fazem falta para os “nossos” pobres, necessitados e remediados.
O globalismo é uma ideia humanista e humanitária sofisticada. Um ideal desde os tempos da expansão das navegações, no século XVI. E é correto que continue se expandindo.
Receber imigrantes é uma questão de civilidade e ética. Mas, quais os limites que o bom senso impõe?
Entendem o por quê político – econômico desse “contrafluxo civilizatório”? Entendem melhor o significado do Trump, e de outros, déspotas ou não?

GRATEFUL DEAD – ELEMENTOS PARA OUTRA AUDIÇÃO DA OBRA

Tempos atrás li, no Estadão que BILL KREUTZMANN, baterista e fundador do GRATEFUL DEAD, estava lançando livro de memórias. As que ficaram, claro! Sobreviventes do excesso de drogas, álcool, sexo e tudo o mais que mitificou os anos 1960/1970, da cultura hippie à contestação política e comportamental.
BILL não se lembra dos concertos, jam-sessions ininterruptas, “raves sem D.Js.” , que notabilizaram a banda.
JERRY GARCIA, mito do rock, líder, guitarrista, e também fundador do GRATEFUL DEAD, morreu durante um processo de desintoxicação. Teve um infarto, em 1995, aos 53 anos. Preferiu ser livre e se drogar indefinidamente.
Não teve tempo de escutar o professor, filósofo e historiador, LEANDRO KARNAL, que recentemente ponderou: “é preciso ter cuidados nesse debate sobre a liberação das drogas. Porque todo viciado é um dependente”.
Bidú! Mais claro, impossível.
O GRATEFUL DEAD é, certamente, a banda americana de ACID-ROCK – também conhecido como PSICODELIA – mais famosa da época. Hoje, é uma empresa que produz, vende e mantém o mito em movimento. Feito o KING CRIMSON, e todo o mundo! E quem não faz, é explorado e morre. Portanto, vivas à boa administração!
O DEAD começou como todos: Inspirados nos BEATLES, STONES, e na turma do COUNTRY e do BLUES americanos. O primeiro disco é bastante convencional. Do segundo em diante, para usar a expressão da época, DESBUNDARAM. E nunca mais REBUNDARAM – como gosta de dizer o TIO SÉRGIO.
O charme do GRATEFUL DEAD é a constante improvisação, principalmente nos discos gravados ao vivo. Lembra resquícios de FREE-JAZZ, pela tentativa de expandir a música ad-infinitum.
Mas percebe-se, nitidamente, alguma limitação técnica e repetição no desempenho dos músicos. É forma livre de ver e executar as músicas, que mesclam BLUES, ROCK, e algo de JAZZ; – e exalam, sempre, um quê da COUNTRY MUSIC. Claro, são muito legais, e imprescindíveis para entender a evolução do ROCK.
Entre os seus contemporâneos eu prefiro o JEFFERSON AIRPLANE, também americano da Califórnia. É mais enxuto, musical, experimental na medida certa. E tão desviante filosófica e comportamentalmente quanto o DEAD. Ambos faziam ROCK com estilo e imediatamente identificável.
Eu não percebi que colecionara tantos álbuns da banda!
O GRATEFUL DEAD têm um extenso fã clube, que os idolatra acima de tudo: os DEADHEADS! Eu tangencio. No entanto, para os que gostam, é perfeitamente possível ter acesso a tudo já gravado, porque lançado em incontáveis discos… “póstumos”?
Não. Eles prosseguem, de um jeito ou de outro…
POSTAGEM ORIGINAL: 05\02\2026
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ROD STEWART, O “RODESTRUDE”, E SUA CARREIRA LONGA E OSCILANTE

Sim! Certa vez um amigo que trabalhava em distribuidora de discos mandou o pedido feito por um cliente. Ele queria, entre vários, os novos discos do “RODESTRUDE”, do “MAICON DIAKSON”, do “JOLENO” e do “JOCOQUI”…
Vou traduzir para vocês, gente maldosa: ele encomendou ROD STEWART, MICHAEL JACKSON, JOHN LENNON e JOE COCKER. Pedido feito e confirmado na fonte, o lojista recebeu tudo direitinho…
Sei lá por quais maremotos, encontrei sobre o meu rack esta “preciosidade”: ROD cantando o “THE AMERICAN SONGBOOK”, em um dos volumes que gravou. É uma fratura exposta em algum escaninho de casa.
“Ponhei” pra rodar! Santo Colombino! É pior do que pareceu quando escutei faixas em rádios, e até em CDs, pelas andanças na vida!
Os fãs de ROD STEWART vão me odiar. Mas, tenho opinião nada abonadora sobre o moço, formada nos últimos ( glup? glub? cof!, cof! ) mais de 50 anos!
A turma do ROCK geralmente gosta de seus 3 primeiros LONG PLAYS solos: “THE ROD STEWART ALBUM”, 1969; “GASOLINE ALLEY”, 1970; e “EVERY PICTURE TELLS A STORY”, 1971. São realmente originais e diferenciados. FOLK-BLUES-ROCK vanguardeiro para aqueles tempos, destacando a voz única de ROD.
Para os completistas, saiu por aqui anos atrás, uma coletânea de SINGLES RAROS, gravados na década de 1960, lançados pela COLUMBIA, IMMEDIATTE, e outros descartes. É album que mapeia o ROD antes da fama.
Mas se deve ir além e aquém, claro. São imperdíveis os dois clássicos LPS com o “JEFF BECK GROUP”, TRUTH, de 1968; e “OLA”, 1969. E os esfuziantes e tipicamente HARD ROCK feitos com os FACES – a banda MOD/BEAT espetacular e famosa antes conhecida por SMALL FACES.
ROD STEWART assumiu no lugar do lendário vocalista e guitarrista STEVE MARRIOTT. E lá já estavam o guitarrista RON WOOD, hoje nos ROLLING STONES; e músicos craques como IAN McLAGAN, tecladidta; RONNIE LANE, baixo; e o baterista KENNY JONES, que depois foi para o “THE WHO”, no lugar de KEITH MOON.
Aqui estão os melhores discos lançados por eles: “LONG PLAYER”, cujo original vinha em capa transparente para destacar o vinil; “A NOD IS AS GOOD AS WINK…”; e “OOH, LALA”. Todos legais, e feitos entre 1972 e 1974.
Eu concordo e afirmo que ROD STEWART estava no auge da forma, entre 1968 e talvez 1975. E com prolongamento bem menos criativo até o início dos 1980. Ele ainda cantava bem, e foi acompanhado condignamente em músicas comerciais e de qualidade aceitável.
A passagem de ROD pelo BRASIL, em apresentação na PRAIA DE COPACABANA, na passagem do ano ano de 1994, foi merecido e enorme sucesso de público. Sua voz original emulava FRANK VALLI, dos FOUR SEASONS, e a quase rouquidão dos grandes do R&B, como OTIS REDDING, SAM COOKE e JIMMY WITHERSPOON. Um diferencial nítido que, à partir dele, foi usada e abusada no POP usual com grande apelo popular.
O tempo passou e a voz e o canto de ROD STEWART foram decaindo acentuadamente. Se há muito tempo não havia discos artisticamente relevantes, o seu POP já medíocre despencou de qualidade espiral abaixo; “SAILING”, drifting away…
E deu nisso:
A série “THE AMERICAN SONGBOOK”, em 4 volumes, tem o repertório de STANDARDS DO POP CLÁSSICO de sempre. É filha de modismo no final dos anos 1980 e início dos 1990: artistas POP gravando a “GRANDE CANÇÃO AMERICANA”, como se “quase – jazzistas” fossem. Tentavam ressuscitar repertório na linha de ELLA FITZGERALD, BILLIE HOLIDAY, SARAH VAUGHN, SINATRA, TONY BENNETT, etc…, essa gente “medíocre”.
O experimento ficou, em geral, abaixo do padrão. Mesmo assim, dá para escutar “LINDA RONSTAND”, e “ROBERT PALMER”, por exemplo…
Porém, com o RODESTRUDE, não rolou! A voz pequenina não consegue dar conta do desafio com a indispensável afinação. Eu acho os discos ruins, mesmo! E os duetos? Deixa pra lá… bem pra lá…
No entanto, o ROD STEWART do início de carreira vale a pena retomar, escutar e curtir. E o TIO SÉRGIO recomenda a vocês.
POSTAGEM ORIGINAL: 06\02\2022
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VIAGEM À MINHA “ADEGA DE ÓDIOS”, A INSÔNIA! NOTAS SOBRE PROCOL HARUM, GRATEFUL DEAD, PIXIES E AS DANÇAS DO “QUEBRA-BUNDAS”!

“IN THE AUTUMN OF MY MADNESS, WHEN MY HAIR IS TURNING GREY” ..canta GARY BROOKER, em uma das faixas do disco “SHINE ON BRIGHTLY”, de 1968, do genial, subavaliado e não-repetível “PROCOL HARUM”.
CLÁSSICO DO ROCK em transição entre a PSICODELIA e o ROCK PROGRESSIVO, é recomendável para quaisquer paladares. O disco é lindo; e é triste. E a construção das letras é sublime.
O PROCOL HARUM tinha um letrista exclusivo, erudito e sofisticadíssimo: KEITH REID. Ouçam! será marcante.
Quase sempre me vem à cabeça esta faixa quando a INSÔNIA RECORRENTE assola e desencadeia os medos e paranoias; as desconexões entre os fatos objetivos. Mas realça o lusco-fusco sonolento que tranca o raciocínio e me faz sofrer antecipadamente por algo que, talvez, jamais ocorra.
Nada mais humano do que sofrer por algo que talvez não aconteça!!! É parte do outono da minha vida – loucura? – estou envelhecendo.
Tempos atrás li, no Estadão, que BILL KREUTZMANN, baterista e fundador do GRATEFUL DEAD, estava lançando livro de memórias. As que ficaram, claro! Sobreviventes do excesso de drogas, álcool, sexo e tudo o mais que mitificou os anos 1960/1970, da cultura hippie à contestação política e comportamental.
BILL não se lembra dos concertos, jam-sessions ininterruptas, “raves sem D.Js.” , que notabilizaram a banda.
JERRY GARCIA, mito do rock, líder, guitarrista, e também fundador do GRATEFUL DEAD, morreu durante um processo de desintoxicação.
Teve um infarto, em 1995, aos 53 anos. Preferiu ser livre e se drogar indefinidamente. Não teve tempo de escutar o professor, filósofo e historiador, LEANDRO KARNAL, que recentemente ponderou: “é preciso ter cuidados nesse debate sobre a liberação das drogas. Porque todo viciado é um dependente”.
Bidú! Mais claro, impossível.
O GRATEFUL DEAD é, certamente, a banda americana de ACID-ROCK, também conhecido como PSICODELIA, mais famosa da época. Hoje, é uma empresa que produz, vende e mantém o mito em movimento. Feito o KING CRIMSON, e todo o mundo! E quem não faz, é explorado e morre. Portanto, vivas à boa administração!
O DEAD começou como todos: Inspirados nos BEATLES, STONES, e na turma do COUNTRY e do BLUES americanos. O primeiro disco é bastante convencional. Do segundo em diante, para usar a expressão da época, DESBUNDARAM. E nunca mais REBUNDARAM – como gosta de dizer o TIO SÉRGIO.
O charme do GRATEFUL DEAD é a constante improvisação, principalmente nos discos gravados ao vivo. Lembra resquícios de FREE-JAZZ, pela tentativa de expandir a música ad-infinitum.
Mas percebe-se, nitidamente, alguma limitação técnica e repetição no desempenho dos músicos. É forma livre de ver e executar as música, que mesclam BLUES, ROCK, e algo de JAZZ; e exalam, sempre, um quê da COUNTRY MUSIC. Claro, são muito legais, e imprescindíveis, para entender a evolução do ROCK.
Entre os seus contemporâneos eu prefiro o JEFFERSON AIRPLANE, também americano da Califórnia. É mais enxuto, musical, experimental na medida certa; e tão desviante filosófica e comportamentalmente quanto o DEAD. Ambos faziam ROCK com estilo e imediatamente identificável.
O GRATEFUL DEAD têm um extenso fã clube, que os idolatra acima de tudo: os DEADHEADS! Eu tangencio. Mas, para os que gostam, é perfeitamente possível ter acesso a tudo o que gravaram, porque lançaram em incontáveis discos… “póstumos”, não. Eles prosseguem, de um jeito ou de outro…
Por causa da insônia acabei assistindo a show dos PIXIES, feito em 2006. É a diferença entre pato e sapato. É ROCK, claro, mas de outra estirpe. Talvez sejam a banda que mais bem definiu a expressão ROCK ALTERNATIVO. Brilharam entre 1987 e 1991, e influenciaram decisivamente a geração GRUNGE, e bandas como o NIRVANA (US) e todo o novo ROCK que decolou de lá e resiste até hoje. Já estiveram por aqui, não faz tempo. Continuam por aí, impunes…
É interessante notar que os PIXIES são o inverso do DEAD e do PROCOL HARUM. Criam música dura, curta, visceral, mas bem tocada. JOEY SANTIAGO, guitarrista, é lenda no PUNK e no GRUNGE;
O vocalista gorducho e gritalhão BLACK FRANCIS, é improvável misto de querubim e rebelde sem nenhuma, mas nenhuma causa mesmo! Vocifera frases desconectadas, que contam fragmentos de histórias ou sensações de alguma vivência.
Se BOB DYLAN “KNOCKS ON THE HEAVEN´S DOOR”; e LOU REED, “WALKS ON THE WILD SIDE, espreitando os portais do inferno urbano. SANTIAGO, et caterva, parecem haver saído de um curso para dragões, e cospem fogo para todo lado!
E há, também, KIM DEAL, a baixista. Espiroqueta abrasiva, com longo prontuário prestado ao ROCK nada convencional; CONTRA-MUSA da mesma forma que ANITA PALLEMBERG, PATTY SMITH, MARIANNE FAITHFULL, NICO…
O público, muito jovem, adora. A gritaria que surge, de repente, casa com o instrumental insinuante e nem sempre óbvio; são enérgicos, e energético!
Os PIXIES Fazem show legal para assistir. Mas será que eu gosto disso?
E por falar em dissonâncias comportamentais, bem mais do que sonoras, dei uma espreitada em algumas performances das moderninhas do PROTO-PORNO-DANCE – GLÚTEO RETAL, que assola o POP.
Haja contravenção, e LUBRIFICANTES e XUCAS, antes e pós BAILES e “RAVES”! As praticantes são, também, notórias ANTI-MUSAS…
E acabei pegando no sono; dormitei e acordei – como está óbvio! A vida nem sempre é linear! E ainda bem!
POSTAGEM ORIGINAL: 01\02\2021
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