JOHN LENNON E A INCOMPLETUDE

Vamos imaginar assim: você é uma pessoa inteligente e o teu amigo, também. Os dois se juntam e se tornam dupla genial, incontestavelmente genial!
Isto é possível? Será que duas pessoas muito talentosas, quando juntas podem transcender as próprias condicionantes e criar algo que as ultrapasse exponencialmente?
Acho que sim. Pensem em LENNON e McCARTNEY, e JAGGER e RICHARDS, só como exemplos. Sempre há outros, em quaisquer épocas.
A última vez que havia escutado um disco inteiro de JOHN LENNON foi há uns 40 anos. Provavelmente, próximo à data de sua morte. Estou retomando o interesse. Primeiro, foi relançada a coletânea POWER TO THE PEOPLE, THE HITS, com 15 de suas principais músicas, e vendida a preço da honra de alguns políticos…
Vale a pena manter.
Passaram a lançar os discos de série, em novas edições, e já a preço de mercado. Estou comprando aos poucos.
Qual a minha opinião sobre o que ouvi?
Tenho gostado; porém acho que LENNON envelheceu. O que não significa ter ficado ruim… Mas nem todo vinho evolui ao envelhecer…
Alguns vinhos são para serem bebidos jovens, como os “Verdes” portugueses, os “Beaujolais” franceses, e os “Labruscos” italianos, todos muito bons e agradáveis… A maioria dos artistas, também não envelheceram bem. A gente os “bebia melhor” quando eram jovens… Escutando o que vem sendo relançado, fragmentos de sua obra, percebo quase nenhuma evolução estritamente musical no decorrer da carreira solo. Por enquanto. Ainda faltam vários álbuns… Então, opino sobre esses
É interessante! JOHN começou PSICODÉLICO quando “todo o mundo” vinha migrando para o PROGRESSIVO, lá por volta de 1971. Ele permaneceu nessa espécie de PSICODELIA TARDIA, mesmo quando o HEAVY METAL e o PUNK passaram a dar as cartas. E, nos EUA, uma certa “involução” para o country começou a se destacar.
LENNON parece não ter sido “molestado” pelas diversas rupturas estilísticas nos tempos de sua carreira solo.
DAVID BOWIE, por exemplo, no espaço de dez anos saiu do PSICODÉLICO para o GLITTER; namorou a SOUL MUSIC; foi ao ART ROCK da fase Berlim ( +- 1975/1978 ). Depois, perscrutou um quase PUNK; flertou com a DISCO MUSIC, e seguiu em frente.
JOHN LENNON continuou, circulou, mais ou menos na mesma.
Estava na dele, é claro. Cada artista deve praticar suas convicções – ou avaliar suas limitações. No entanto, o olhar do tempo sempre revela a História e a trajetória.
O cartunista ANGELI certa vez disse que MILTON NASCIMENTO e JOHN LENNON são piegas. Eu concordo pontualmente. “IMAGINE”, talvez seu principal disco, é eivado por sentimentalismos explícitos e açucarados.
SOME TIME IN NEW YORK CITY revela a face militante, sua visão do mundo naqueles tempos. E também contém pieguices…
Talvez transpareça que o legado pelos BEATLES não encontrou sucessor no JOHN solitário. Aí, é discutível e argumentável, que o jeito mais BEAT, enxuto, está no JOHN LENNON & PLASTIC ONO BAND.
No entanto, JOHN sempre será JOHN; mesmo que traços tênues pareçam relegá-lo a esboço bem feito de um artista incompleto.
É preciso lembrar que a morte precoce e injusta ceifou a construção de carreira que, certamente, traria novas percepções e conexões. PAUL McCARTNEY continua formando acervo relevante… mesmo que prenhe de coisas secundárias…
O tempo refina vinhos de boas cepas e composição. Faltou a LENNON outras vindimas, que só muitos plantios e maturação revelariam a evolução e a qualidade.
A vida que lhe faltou é buraco eterno na alma das gerações que o sucederam. Resta investigá-lo melhor. E isto certamente será feito.
JOHN.
POSTAGEM ORIGINAL 21/05/2021
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B.B.KING E SEU LEGADO

A diversidade imensa de artistas e propostas à disposição do público, é parte do encanto de viver nos tempos atuais.
TIO SÉRGIO sempre foi um desviante, principalmente quando a estética e a arte estão envolvidas. Concordo com a subversão progressista de tentar enxergar o novo, abrir caminhos, ampliar horizontes; e usar das liberdades para agir e modificar. Eu sou amigo de fronteiras perigosas.
Hoje, se gente curte ROCK, BLUES, MPB, RAP ou seja lá o que for, sem a limitação nacionalista, muito comum nas décadas de 1960 e 1970.
Claro! É explicável: sob ditadura você retorna para a defesa do que é mais legítimo na cultura popular e suas tradições. Gostar “só” de MPB era ato de preservação, e militância contra o autoritarismo.
Eu sempre gostei e preferi a música internacional – ROCK, BLUES e JAZZ – em relação à MÚSICA BRASILEIRA.
Eu sei o quê e o quanto perdi por minha ignorância e até preconceito! Da mesma forma, nacionalistas intransigentes de antes, que hoje também curtem e respeitam o legado de outros povos. Mudei; aprendi, sofistiquei meu gosto e incorporei a MPB MODERNA a meu dia-a-dia. No final, ganhamos todos com a amplitude, visão e tolerância. É civilizatório.
E tudo isso para falar do B.B.KING. Ele morreu há mais de uma década. Claro, como velho ROCKER e colecionador de discos, B.B. sempre caminhou ao meu lado…
No começo, não. B.B. KING ERA ÍDOLO DOS MEUS ÍDOLOS. E eu estava para a música dos 1950, como os PUNKS estiveram para o ROCK PROGRESSIVO na década de 1970; e a turma de hoje em relação ao que foi feito de 1980 para trás: ignorância e rejeição.
TIO SÉRGIO e muitos e muitos, achavam que os novos eram os nossos contemporâneos; e não a história traçada, geração após geração, que sempre desemboca na contemporaneidade de nossos sentimentos.
O novo é sempre o eterno movimento que a História nos traz… Mesmo que raramente alguém identifique com discernimento e clareza, o que nunca antes havia sido feito. E menos ainda o quê permanecerá.
Eu estava cego e surdo, é claro! e peço vênia a SANTO COLOMBINO, BUDHA, CRISTO e outros santos e gurus!!!!!!! Por isso, nas cinco últimas décadas vim convergindo para outros espectros, vivências alternativas – sejam em direção ao passado ou para o futuro…
Meu amigo FÁBIO DEAN, também colecionador de discos, especialista e profundo conhecedor do ROCK, BEAT, R&B… e tudo o que for sonoro dos 1950 até meados dos 1970 – e beyond! -, sempre defendeu a tese de que, no fundo, a rotulagem de estilos é apenas classificatória, para sucessores mais bem compreenderem.
Então, o que chamamos de ROCK, BLUES, DO-WOP, R&B…, na década de 1950 vinham todos embolados, muito próximos: ELLA FITZGERALD era perfeitamente possível de ser colocada lado – a -a lado com B.B.KING; e, se bobear, nos arredores de ELVIS PRESLEY.
É verdade, tenham certeza! Para escrever sobre isto, coloquei no CD player um disco do B.B.KING com gravações feitas entre o final dos anos 1940 até 1966, mais ou menos.
Uma delas, “Don´t get around much anymore”, de 1961, foi gravada com a sessão de metais e ritmos da ORQUESTRA de DUKE ELLINGTON. Quer mais? Consigam este pequeno BOX que traça a obra do KING de 1949 até 1962. Ou, o maior deles na foto, mais abrangente, porém, com menos gravações.
É argumentável que B.B.KING tenha sido o principal BLUESMAN da história; e o que mais bem representa a tendência do BLUES mais próxima ao ROCK. É a minha opinião.
B.B.KING gravou, até onde pude pesquisar, comparar e certificar, 60 albuns – claro, alguns já na era do CD. E mais 14 LONG PLAYS de COMPILAÇÕES, HITS e o escambau à oitava!
Legou, também gloriosos e catalogados 290 SINGLES – o primeiro deles, gravado em 1949!! Hey, BIG BROTHERS !!! eu escrevi 290! É só acessar um site chamado “45 CAT”. Herança incrível!
Existe um disco de B.B. com o ERIC CLAPTON, “Ridding with the King”. Não é grande coisa, mas vale a pena ter. E outro muito legal com a cantora de JAZZ BRANCA e CEGA, DIANA SCHURR. Ele fez muitos e muitos álbuns mais. Fiquem à vontade para descobrir!
O legado de B.B.KING como influência e mestria está por todo lado, nas mídias: Em JORNAIS, REVISTAS ESPECIALIZADAS, LIVROS, VÍDEOS, ETC…
Resta dizer que, se a guitarra é icônica e sempre identificável, mesmo que monocórdica; a voz do mestre ganhou força e expressão na maturidade, em meados dos anos 1960, e se manteve até grande parte de sua velhice. Esta voz e timbre, reconhecemos!
Talvez a minha única frustração tenha sido B.B KING não ter feito discos com JOHN MAYALL, seu contraparte inglês. Uma pena; e certamente falha histórica!
No mais, é e sempre será ” THE B.B.KING ORCHESTRA”!
É para ouvir pelo resto da vida, e “per omnia secula seculorum!”
POSTAGEM ORIGINAL: 16/05/2022
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SONNY STITT: SEGUIDOR DE CHARLES PARKER. 

Discografia imensa e variada, que vai do BEBOP ao FUNK JAZZ. A sonoridadeé rebuscada, como a de PARKER. E comandando a banda, SONY STITT tem aquele jeito de falar de negão malandro. É a linguagem do final dos anos 1950. E mais não digo, por falta de elementos e tempo. Ele é um HIP!!!
Mas ouçam esses discos aqui, principalmente “STITT PLAYS BIRD”, de 1963, com reedições às pencas “pelaí”. Esta foi lançada em 2003, e remasterizada como se deve! A gravação original é da ATLANTIC RECORDS.
SONNY está com músicos em nível de JOHN LEWIS, JIM HALL e CONNIE KAY, pesquisem o que eles tocavam… E não vou dizer em homenagem a quem foi gravado o disco, vocês sabem…
Também não percam, se acharem nas garimpagens, “ONLY THE BLUES”, gravado para a VERVE, 1957, em companhia de nobres como OSCAR PETERSON, HERB ELLIS, RAY BROWN e ROY ELDRIDGE! Não queridos, queridas e querides!!! TIO SÉRGIO não vai identificar os instrumentos que a turma dele tocava. É lição de casa e cai em vestibular para enteder de JAZZ.
Há outros dois ótimos discos nesta postagem, que anos atrás estiveram em catálogo aqui em PATÓPOLIS.
SONNY STITT é para os que mais ou menos acompanham as polêmicas sobre estilos e técnicas desenvolvidas por COLTRANE e PARKER. São escolas diferentes e concorrentes. É pra ouvir e curtir de cabeça aberta, e mente corrediça feito cachoeira.
Desfrutem!
POSTAGEM ORIGINAL: 14/05/2023
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RUSH – THE STUDIO ALBUMS – THE ATLANTIC YEARS 1989/2007 – 7 CDS BOX SET

O RUSH tornou-se uma das melhores bandas de ROCK da História, porque uniu características indispensáveis para trabalhar e ter sucesso:
1) FOCO, estudo e observação dos detalhes;
2) PERSISTÊNCIA, PERFECCIONISMO e COMPETÊNCIA na busca de um estilo e linguagem próprios;
3) Junte isso à PAIXÃO, ao TALENTO, e uma segura administração da SORTE – sempre indispensável;
Quem consegue e faz isto, se põe no caminho certo. O RUSH conseguiu e fez!
O grupo se formou em TORONTO, em 1968. Mas, só foi gravar em 1974. O primeiro álbum, “RUSH”, ainda foi com o baterista, JOHN RUTSEY. No segundo disco, FLY BY NIGHT, assumiu a bateria NEIL PERT , e a formação clássica com GEDDY LEE, baixista e vocal, e o guitarrista ALEX LIFESON projetou de vez a banda.
Iniciaram muito bem, porém anódinos. Nos primeiros discos eram mais um trio de HARD ROCK disputando com o “TRAPEZE”, “WEST BRUCE & LAING”, o “BUDGIE”… Mas de olho no “CREAM”, e admirando “JIMI HENDRIX EXPERIENCE”. Escutavam, claro, “HUMBLE PIE” entre vários. Afinal, bons “livros e professores” também são fundamentais.
E, aos poucos, encontraram voz própria migrando para o ROCK PROGRESSIVO, ou o que lá seja o compósito criativo que desenvolveram e os levou à fama. O “RUSH” vendeu mais de 65 milhões de discos; fizeram discografia de 20 álbuns, só em estúdios. Sempre foram excepcionais AO VIVO; e gravaram mais oito álbuns em concertos mundo afora, e vídeos e montes de etc… mais, em diversos formatos.
NEIL PERT dominou o topo do “ranking” como melhor baterista de ROCK, entre 1980 e 1986. Além de ser o compositor da maioria das letras excelentes que fizeram. GEDDY LEE esteve entre os grandes baixistas, na mesma época. ALEX LIFESON, é bom guitarrista, mesmo não estando no nível técnico dos colegas. Os três são artistas e profissionais impecáveis.
Por isso, o “RUSH” desfruta merecida fama muito bem demonstrada,
e chegou ao ROCK AND ROLL HALL OF FAME, em 2013. Estavam no palco DAVE GROHL e TAYLOR HAWKINGS, do “FOO FIGHTERS”, que fizeram o “discurso de indicação e posse”.
A turma do “METALLICA” e do “DREAM THEATRE”, e incontáveis outras bandas, por décadas a fio vêm agradecendo, penhoradamente, a existência e a influência dos mestres.
E nós também agradecemos!
O BOX chegou em casa, tempos atrás, graças à FADINHA MASTERCARD que, apesar dos correios e da confusão na economia internacional, possibilitou que o TIO SÉRGIO o comprasse por $ 35,00 BIDENS, uns R$ 190 MANDACARUS. Valem cada cent….oooops centavo!
É artefato prático e bonito. Os CDs estão em formato MINI-LP, e as capas foram feitas em materiais lamentáveis, como hoje é usual. São bem gravados, e sem faixas bônus. Também acompanha um livreto “infrabásico”; ridículo para artigo de pretensão bem maior: só letras, nenhum texto ou quaisquer informações pertinentes!!!! É lamentável. Por que? Ora, pois, pois!
Dei uma “ouvida” em PRESTO e COUNTERPARTS. E já conhecia ROLL THE BONES, o melhor entre eles. Os restantes pretendo encarar aos poucos…
Mas o que “salta aos ouvidos” é a melhora na qualidade da voz de GEDDY LEE. Amadurecida, ficou mais agradável, mais contida e bem postada. E menos agreste; perdeu aquela entonação juvenil . Deixou de ser “galinácea”. Ele está cantando melhor.
Ouvi com mais atenção, por curiosidade arqueológica, o disco de COVERS que fizeram: FEEDBACK. É bem instrutivo. Traça de certa forma as inspirações originais da BANDA.
SUMMERTIME BLUES, de “EDDIE COCHRAN””, combina a versão do “BLUE CHEER” com a do “WHO”. É muito bom, pesado, marcante!
Mas, a versão original de “COCHRAN” continua imbatível.
Há versões decentes de HEART FULL OF SOUL e SHAPES OF THINGS, dos “YARDBIRDS”; THE SEEKER, também do “WHO”; SEVEN AND SEVEN IS, original do “LOVE”; e CROSSROADS, emulando o “CREAM”.
Verteram, também, MR.SOUL e a espetacular FOR WHAT IT´S WORTH – uma das maiores canções libertárias em todos os tempos! – ambas gravadas originalmente pelo “BUFFALO SPRINGFIELD”.
Tudo considerado, é um BOX decente, colecionável e com preço adequando. E vai fazer a alegria dos fãs do “RUSH” – banda que o TIO SÉRGIO, aqui, também gosta. Mas, não prefere…
POSTAGEM ORIGINAL: 14/05/2022
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ELLA FITZGERALD, HAROLD ARLEN, BILLY MAY E NORMAN GRANZ. E O B.B. KING COM ISSO?

Um de meus fascínios é observar o mundo da música de um metafórico terraço, vendo passar a história da intensa, contraditória, rica e diversificada produção artística entre mais ou menos 1955 E 1962.
O período talvez esteja para a MÚSICA o mesmo que a virada do século XIX para o XX esteve para a FILOSOFIA, ARTES PLÁSTICAS, CIÊNCIAS, ARQUITETURA… O melhor que a razão e a criação humanas haviam chegado – e se instalado.
ELLA FITZGERALD já era cantora suprema no início dos 1950, quando gravava para a DECCA. Sua enorme sensibilidade e técnica estavam meio limitadas por repertório um tanto popularesco, e produções aquém de sua genialidade como cantora e intérprete.
Foi em 1954, quando entrou de sola NORMAN GRANZ, empresário e produtor, e conseguiu negociar e contratar ELLA para a VERVE RECORDS.
Ele talvez tenha sido o primeiro a incentivar a definição do que viria a ser o JAZZ como gênero moderno e autônomo. Algo diverso e à parte das criações musicais da BROADWAY, e do RHYTHM’ AND BLUES imperante na música negra.
NORMAN GRANZ percebeu a grandeza de ELLA FITZGERALD, e providenciou o fino entre os músicos, e a elite de arranjadores e orquestradores para destacar e construí-la como estrela.
Trouxe gênios ou perto disso, comoDUKE ELLINGTON, BILLY STRAYHORN, NELSON RIDDLE, BILLY MAY…, e organizou os famosos e imprescindíveis SONGBOOKS, gravados à partir de 1955.
O primeiro deles foi o “THE COLE PORTER SONGBOOK”. Mas, vou concentrar atenção em “HAROLD ARLEN”, que tinha fama imprecisa de ser um compositor de “BLUES”.
Mas, não apenas isso, é claro. Seu foco maior eram peças e musicais para a BROADWAY.
Ele compôs a clássica “OVER THE RAINBOW”, por exemplo; que faz parte deste disco. Mas ELLA e o maestro BILLY MAY não gostaram do resultado. A escolha para o disco foi imposta por NORMAN GRANZ…
O repertório aqui é uma OVERDOSE DE STANDARDS do BLUES, aqui em sua concepção “JAZZÍSTICA”: “STORMY WEATHER”. “BLUES IN THE NIGHT”, “COME RAIN OR COME SHINE”, “ONE FOR MY BABY”, “I GOT THE RIGHT TO SING THE BLUES” … e várias de igual nível formando álbum excepcional.
As gravações remasterizadas para essa edição em 2001, estão em absoluto estado da arte! E foram realizadas em poucas sessões, quase todas feitas em janeiro de 1961. A produção com TINTURA JAZZY de NORMAN GRANZ, é o Topo do TOP, claro!
ELLA estava com 42 anos e no auge de seu domínio técnico e expressão artística! A voz de pureza e doçura absolutas, a dicção perfeita, e a compreensão das letras e interpretação, estão em nível de poucos cantores de quaisquer épocas!
Mrs. FITZGERALD é a minha cantora predileta entre as imprescindíveis SARAH, BILLIE e DINAH WASHINGTON.
BILLY MAY, o arranjador e maestro deste SONGBOOK, contou que ELLA era tímida, algo insegura, tremendamente crítica, e tinha ouvido musical perfeito.
Foi fácil trabalhar com a Deusa; que acertava no primeiro “take”, mas não se conformava e sempre pedia outros…. Era comum após o término das gravações os músicos, todos do mais alto nível artístico, aplaudirem de pé!
A orquestra e os arranjos de BILLY MAY são absolutamente sensacionais! Os metais tocam à perfeição; a bateria e o baixo BLUESY são precisos e requintados.
A gente ouve tudo com nitidez cristalina; cada instrumento em seu lugar. E quando as cordas participam jamais caem no lacrimoso ou flertam com o brega. É o suprassumo da grande canção americana, que não é JAZZ, mas POP no estamento mais alto!
Mas, TIO SÉRGIO, o que faz B.B.KING por aqui?
Eu penso que ELLA, MAY e GRANZ trouxeram o BLUES NA CONCEPÇÃO JAZZÍSTICA ao APOGEU, nessas gravações. B.B.KING pegou o remo, e foi um dos que o apresentou para o reino do ROCK, e ajudou a desenvolver a fama, contribuindo para defini-lo como estilo autônomo. É curioso observar como B.B.KING em 1950, lembra os ROLLING STONES, em 1964… Ou não?
Mas, não esqueçam: sempre foi B.B.KING ORCHESTRA. E ELLA FITZGERALD fez, também, parte da mesma geração.
Se tudo isso não te convenceu, saiba que a capa original de “ELLA FITZGERALD SINGS THE HAROLD ARLEN SONG BOOK”, é uma ilustração feita por HENRI MATISSE, e sob encomenda…
Desfrute, consiga e mantenha na discoteca. Melhor não há!
POSTAGEM ORIGINAL: 13/05/2020
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MÚSICA BOA EM MATERIAL DE BAIXA QUALIDADE!!!!!

SÃO TRÊS EXEMPLOS: “JOHN COLTRANE” – BLUE WORLD – 2019
“DIANA KRALL” – THIS DREAM OF YOU – 2020.
E “LAZAR US” – TRILHA SONORA DE MUSICAL COMPOSTO POR DAVID BOWIE, 2016
CLARO, “DIANA” E “COLTRANE” SEMPRE SÃO BONS E AGRADÁVEIS. CHEGARAM EM MINHA CASA COMPRADOS DIRETAMENTE DA UNIVERSAL MUSIC.
PORÉM, O MOTIVO DA POSTAGEM É A PÉSSIMA QUALIDADE MATERIAL DAS CAPAS!!!! O PAPELÃO É TÃO FINO E FRÁGIL, QUE RASURARAM QUANDO TENTEI RETIRAR OS DISCOS!!!!!
DOIS PRODUTOS VERGONHOSOS! E COM UM DETALHE: DIANA É NACIONAL; E COLTRANE IMPORTADO. AMBOS SELO “VERVE”, QUE POR DÉCADAS, FOI SINÕNIMO DE QUALIDADE”.
FUI ENGANADO, TAMBÉM, NA COMPRA DE UMA PICHINCHA: A TRILHA DE UM MUSICAL COMPOSTO POR “DAVID BOWIE” E “ENDA WALSH”, CHAMADO “LAZAR US” . É UM ÁLBUM DUPLO, E FOI LANÇADO PELA “SONY MUSICA”, EM 2016. SÓ QUE OS CDS SÃO DE TAL MANEIRA “FINOS”, QUE PARTIRAM AO MEIO QUANDO TENTEI RETIRAR DAS “GRARRAS” DA EMBALAGEM!!!! UM ABSURDO QUE JAMAIS VI ACONTECER!!! É ÓBVIO, EU NÃO CONSEGUI OUVIR!!!!
É INACREDITÁVEL A QUE PONTO CHEGARAM AS GRANDES GRAVADORAS!
POSTAGEM ORIGINAL: 11/05/2025

NOUVELLE – FREE BOSSA – 2000

É o núcleo do incensado e já extinto NOUVELLE CUISINE, sofisticado grupo de JAZZ de São Paulo, com discografia pequena, porém marcante.
Sobraram três craques da formação inicial, o excepcional clarinetista LUCA RAELE; GUGA STROETER, no vibrafone e MAURICIO TAGLIARI, na guitarra. No lugar de CARLOS FERNANDO entrou a cantora ESTELA CASSILATTI sem grande brilho, mas eficiente .
O disco é bastante agradável, mesmo errático e indefinido. De STANDARDS JAZÍSTICOS a DORIVAL CAYMMI; passando por DUKE ELLINGTON, APOLO 9, OTIS REDDING… e terminando em “MULHER RENDEIRA”, de ZÉ do NORTE.
São ótimos compondo TEXTURAS de VANGUARDA. GUGA e LUCA trabalham de jeito moderno CLÁSSICOS do JAZZ; e ousam por saborosos descaminhos pelo TRIP-HOP: procurem ouvir “SAIR do AR”, que é jovial, bem humorada, e ainda atual.
Vivo tocando em casa…
O disco vai legal em FESTAS. Porque tudo é de bom gosto e até inusitado. Se encontrarem por aí a bom preço vale o risco!
POSTAGEM ORIGINAL 09/05/2020
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JOHN COLTRANE – ATLANTIC YEARS – 1959 – 1962/1964

Foi assim: as sessões de gravação foram todas realizadas entre 1959 e 1961. E de lá saíram os LPS GIANT STEPS, COLTRANE JAZZ, BAGS & TRANE, MY FAVORITE THINGS, OLÉ COLTRANE, COLTRANE PLAYS THE BLUES, THE AVANT GARD – COLTRANE E DON CHERRY.
Todos foram lançados entre 1959 e 1964, e relançados “AD NAUSEAN” em todos e quaisquer formatos imagináveis nos 64 últimos anos!. Um acervo artístico memorável! “GAUDIO MAGNO”, diriam os vaticanistas!!!
Há detalhe fundamental. Para alguns, é o fino do fino que “TRANE” produziu. Na opinião do TIO SÉRGIO, JOHN COLTRANE sempre fez música em “ESTADO DE SUPRASSUMO”!!!! Hum…. frase um tanto superlativa…
Eu venho comprando COLTRANE no decorrer de décadas. Muitas vezes, vendendo depois; trocando, errando, latindo pra lua de raiva de ter vendido, e essas infantilidades que colecionadores cometem.
Esta é a minha última safra. Incluindo dois CDS comemorando os 50 anos da ATLANTIC RECORDS. Sei que haverá outras. Aliás, já comecei: edições em LONG PLAYS com vinil azul… ainda não ouvi.
Vou contar, e a maioria de vocês não acreditará. Este pequeno e excelente BOX na foto, contém toda a produção em CDS do genial JOHN… Só que sem as capas originais. Há excelente livreto, fotos, textos; e com surpresa interessante: um dos CDs traz takes alternativos em um estojo imitando as CAIXAS de FITAS de GRAVAÇÃO de ESTÚDIO!!! Sensacional!!!!
Consegui o BOX anos atrás.
Sabem como?
Fazendo merda!
Eu o troquei por BOX magnífico de LPS lançado no início do século atual pela ATLANTIC via RHYNO RECORDS. Cada disco com sua capas original; prensados em vinil de 180 gramas!!!!!!!!!!!
Isto foi no tempo em que PATÓPOLIS, e o mundo inteiro, queriam apenas CDS. Inclusive eu! TIO SÉRGIO foi otário e vulgar…
Pois, bem; como a volta do cipó de aroeira no lombo de quem pensou errado é uma constante, hoje vale baba imensa e não está mais disponível!
Em compensação, esta série de LPS tem sido relançada pela enésima vez; e agora também em uma coleção europeia muito simpática chamada DOL: THE BLUE COLLECTION. Porque – bidu! – os discos vêm prensados em VINIL AZUL. Hoje chegou outro deles, e custou em torno de $ 20,00, uns R$ 100,00 mandacarus. Ouvi dizer que o som é medíocre. Mas, que se… sou cavalheiro…
TIO SÉRGIO, você não passa de um “esperma ensandecido”! (metalinguagem médica para PORRA LOUCA!!!). Pra que vinil, se você não tem pick-up?
Porque sim! seus bobões!!!
É bonito demais, eu estou velho, sai da minha conta, e vocês não têm nada a ver com isso!!!!
POSTAGEM ORIGINAL: 04/05/2023
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TRILHAS SONORAS, COLECIONISMO E COLECIONADORES

Eu conheci um advogado que escondia os discos no meio do jornal. Entrava em casa, enfiava tudo na estante do jeito que dava…
Depois, longe da mulher, olhava o butim e o reposicionava adequadamente, que sumia na “mata densa”; quer dizer, no meio dos outros discos! A esposa não compreendia de que jeito a coleção engordava tanto, pois o “doutor causídico” sempre dizia que havia parado de comprar discos???!!! Um crime quase perfeito!
Outro cliente fanático era funcionário público, e colecionava vinis. Adorava TRILHAS SONORAS. E procurava onde pudesse encontrar músicas que embalavam STREAP TEASES! Conseguiu de montão! E quase chorou, lá pela década de 1990, quando a RHINO lançou uma série só com músicas de… ahnnn provocação: safadezas mesmo! Essa até eu gostaria de ter…
O mais instigante e compulsivo deles, eu acho, é o ERIC CRAUFORD, dono da ERIC DISCOS, aqui de São Paulo. Pasmem; décadas atrás, eu e o meu amigo Silvio Dean, também “gostador” de discos, fomos ao apto onde ele morava, próximo à loja dele!
ERIC nos mostrou sua enorme e incrível discoteca de vinis! E, principalmente, a extensa, rara e “caçada” por todo o planeta COLEÇÃO de TRILHAS SONORA!.
Havia alguns milhares!!!!!
Colecionar trilhas é doideira magistral. Imaginem que é estimado em torno de “milhão” os filmes de longa metragem produzidos até agora!!!! Sem falar das séries para TV, e o imenso universo adjacente e paralelo!!!
TIO SÉRGIO engasgou e não vai repetir… são músicas e discos pra dedéu!!! Talvez sessenta por cento deles tenham trilhas sonoras originais. Não consigo estimar… E foram lançadas em discos mais de 100 mil? Quem sabe? Pense no número que você quiser. Pouco importa…
É quase impossível pesquisar e catalogar completamente tal variedade, seus países de origem, e outras dificuldades para acesso. Principalmente quando se pensa sobre as novas séries ou filmes que, além do tema principal composto especificamente, na maioria das vezes são agregadas músicas de outros artistas.
Em uma frase até desanimadora: colecionar trilhas não tem fim!
Mas, quem sabe se possa especular sobre o talvez padroeiro dessa atividade de compor “trilhas”. Eu penso em VIVALDI. Diz a lenda, que o “padreco” fazia uma composição por dia para entreter seus “alunos”. Fez mais de 1000. Trabalhou a tal ponto, que STRAVINSKY escreveu sobre o nosso adorado “padreco”: “ele não compôs mil músicas, mas a mesma música 1000 vezes!”
Julgue, mas seja compassivo…
Afinal de contas, padre VIVALDI compôs a trilha para educar e talvez espelhar a vida de seus discípulos. Se não é “vero”, é ao menos meritório considerar o “padreco” nosso inspirador…
O fato é que não há criação musical mais realista, e avessa à hipocrisia, do que compor sob encomenda. Dá um trabalhão doido! Tem prazo de entrega e nenhum glamour se pensarmos no processo; na necessidade absoluta de profissionalismo e, inclusive, a responsabilidade implícita de refletir a obra sob a qual ela é inserida…
É magia, técnica e tecnologia. Pensem nos caras e nas meninas que produzem tal “artesania” para abastecer filmes, novelas, peças teatrais e publicitárias! Estou tentando cada vez mais assistir a filmes, vídeos, essas coisas…
Mas, confesso, não tenho ânimo para colecionar TRILHAS: BELEZAS CONSTRUÍDAS DE PROPÓSITO E COM ESFORÇO. E NAS QUAIS SE OBSERVAM QUALIDADES ARTÍSTICAS INDISCUTÍVEIS.
Porém, morro de vontade, e vez por outra compro alguma coisa correlata ao ROCK CLÁSSICO, ou a filmes dos anos 1960/1970. E, apesar de não ser a mesma coisa, penso em baixar o que me agrada e manter no computador. Porque isoladamente formariam “pout-pourri” temático sensacional!
Este BOX com dez CDS, “THE FAMOUS MUSIC CATALOGUE”, produzido pela BMG em cima das TRILHAS SONORAS feitas para filmes da PARAMOUNT, foi distribuído promocionalmente em 1997. Para mim foi um achado casual, que visto em conjunto revela uma incrível MISCELÂNEA TEMÁTICA de músicas conhecidas coligidas com objetivo claro.
Quando eu era dono da CITY RECORDS, loja de CDs em SAMPA, alguém, um jornalista ou gente do meio de comunicações, veio trocar por outros discos.
O BOX traz indicações como nome do FILME ou da MÚSICA, o COMPOSITOR, a data de estreia, e mais nada… Não divulgaram o nome dos artistas que interpretam!!! Estão aqui, coisas desde dos anos 1930, até gravações contemporâneas. Há de tudo: R&B, ROCK, COUNTRY, EASY LISTENING, JAZZ, BLUES e o capeta a quatro gravado durante décadas!!!!
As gravações são todas originais, constato hoje! E confesso ser um dos vários casos em que tenho o disco e jamais ouvi direito – quando cheguei a ouvir…
Então, tentei identificar. Dou de cara com “EYES OF THE TIGER”, com o SURIVIVAL, tema de ROCKY 1; CALL ME, com a BLONDIE; e clássicos maravilhosos como JACK JONES cantando CALL ME IRRESPONSIBLE. Ou a baba ostensiva de JOHNNY MATHIS (HUMM… PHODIS…, como dizia minha turma, na décadas de 1960/70) cantando o tema de ROMEU e JULIETA. Há, também, o de BONANZA, série de televisão mundialmente famosa, exibida na década de 1960.
Estão ali, desde CARLY SIMON, em COMING AROUND AGAIN; ao LIVING COLOR, em CULT OF PERSONALITTY. E o belo tema de GHOAST, de MICHEL JARRE. Não faltou THE GODFATHER, conhecidíssimo. Além de várias “surpresas ultra conhecidas”, rodadas em FMS e filmes. E sem, obviamente, comentar o que ainda não consegui ouvir…Enfim, um mundo à disposição. Revivido nessa postagem.
E há o espetacular tema original de PERRY MASON – uma série que rolou entre 1957 e 1966, onde o astro é um advogado criminal craque – muito craque! Foi composto por FRED STEINER, e gravado por RAY CONNIFF e sua Orquestra. Há versão ao vivo com os BLUES BROTHERS; pesada, excelente!
Acho este o mais espetacular entre todos os temas principais de TRILHAS SONORAS. Casamento perfeito entre o enredo, o filme e a música. Todo o clima de mistério “NOIR”, que expõem o que vamos assistir, e interpretado com intensidade talvez não superada!
Não incluído no BOX, mas está entre os meus temas prediletos a abertura da “série inacabável” “LAW AND ORDER”, da UNIVERSAL, escrito por MIKE POST. É perfeito! Denso, tenso, rápido e incisivo!!!
Então, jovens ou joviais desbravadores deem uma olhada nas telas, ouçam alguns clássicos tipo ENNIO MORICONNE; e modernos como ANGELO BADALAMENTI. Observem o quê te mostram os trabalhos, a beleza e os resultados. E foquem inclusive na complementação óbvia, que são as trilhas acessórias, as músicas captadas décadas afora recheando projetos, e dando outro significado à composição, e sentido mais amplo aos filmes…
Se tiverem coragem, há incontáveis milhares de discos para vocês caçarem; e refinar audição, texto e visual.
Eu desejo aos que tentarem saúde, sorte e demência controlada.
Vão precisar!
POSTAGEM ORIGINAL: 26/06/2022
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DUSTY SPRINGFIELD: ALIÁS, MARY CATHERINE ISABEL BERNADETTE O’ BRIEN 1939/1999

O NOME IMPONENTE, “BRITISH”, BATIZOU A GAROTA DE CLASSE MÉDIA QUE ESTUDOU A VIDA INTEIRA EM COLÉGIO DE FREIRAS. MARY ERA TÍMIDA, DISCRETA, EXIGENTE E MAIS OU MENOS CONTINUOU ASSIM ATÉ O FINAL DA VIDA.
AH, IA ESQUECENDO! APRESENTO A VOCÊS A MAIOR CANTORA POPULAR DA INGLATERRA EM SUA GERAÇÃO: “DUSTY SPRINGFIELD” – QUE TAMBÉM ESTÁ NO “ROCK AND ROLL HALL OF FAME”.
Muitos dizem que teve carreira de sucesso, mas errática. Outros, quem sabe fãs ou simplesmente observadores, afirmam que ela era eclética, talentosa, e muito acima da média! DUSTY SPRINGFIELD simplesmente podia cantar “tudo”!
O BOX da foto traz 98 faixas, em mais de 5 horas de música; texto, fotos e tudo o que forma o espectro por onde a moça transitou!
São mais de 16 LONG PLAYS, e incontáveis SINGLES E EPs gravados, em atividade que se estendeu por quase 40 anos, com algumas interrupções longas, e sumiços voluntários.
A moça era gentil, mas geniosa; algo insegura, e trabalhadora determinada. Dizem que compassiva e bem humorada.
Mas da vida pessoal se sabe apenas o que ela deixou que transparecesse. Ou talvez, não! Desconfio que era gay. Outros, também. Mas, e daí!
No BOX acima, gente importante como PAUL McCARTNEY, ELTON JOHN, CAROLE KING, CLIFF RICHARDS, KAREN CARPENTER, os PET SHOP BOYS e um montão confirmam que “BERNADETTE” era o fino!
Cantoras em penca de várias gerações dizem ter sido influenciadas por ela. E é verdade! Procurem por aí.
Disseminaram as línguas ofídicas que a mocinha de convento tocava violão; e uma vez ensaiou coleguinhas e futuras freiras para cantarem BESSIE SMITH! Hummmm…
Borbulhou repressão contida, porém eficiente. Gente como a cantora americana não era boa influência para virginais – supostamente (?) – religiosas e reclusas moças…
DUSTY tinha potência de voz, facilidade para cantar e interpretar acima de qualquer suspeita. Seu timbre original, entre o deliciosamente rouco e o levemente metálico, talvez deva ser descrito como elegante e suave seda negra. ( Nossa, TIO SÉRGIO!!! O que você quer significar com isso? )…
Claro, não passou despercebido da gravadora PHILIPS, onde estreou com um amigo e o irmão no trio vocal THE SPRINGFIELDS, em 1961, na época bem conhecidos no POP.
No final de 1963, iniciou carreira solo por lá mesmo. Grande parte de suas gravações foram orientadas pelo produtor JOHN FRANZ, e o maestro e arranjador IVOR RAYMONDE – pai de SIMON RAYMONDE, do COCTEAU TWINS – um craque responsável também pelo sucesso dos WALKER BROTHERS, e por gravidade, também SCOTT WALKER.
FRANZ E IVOR tinham estilos de produção muito reconhecidos no BRITISH POP . E lançaram discos de muito sucesso entre 1963 e 1966.
Então, destacaram a voz de DUSTY, que normalmente cantava “alto”, evidenciando seu timbre único. TIO SÉRGIO sempre acha que a voz e interpretação dela sobressaem quando não exagera. Seja como for, a maioria das músicas são de qualidade e muito agradáveis.
DUSTY foi sucesso de público e crítica mais até do que de vendas. Seu repertório atingia os quadrantes do POP, do R&B e da SOUL MUSIC. Gravou BURT BACHARACH, CAROLE KING, e um monte de HITS e compositores da melhor música negra americana.
Foi do POP/BEAT/ inglês, resvalou na ERA DISCO, no TECHNOPOP, etc… com estilo, elegância e qualidade vocal únicos. Legou, também, em 1969, um álbum clássico do POP/SOUL/R&B: DUSTY IN MEMPHIS. Disco produzido por um dos luminares da BLACK MUSIC AMERICANA, JERRY WEXLER, e acompanhado pelos melhores músicos de estúdios da ATLANTIC RECORDS. O mesmo time que consagrou WILSON PICKETT, ARETHA FRANKLIN, OTIS REDDING e tantos e tontos diversos.
DUSTY IN MEMPHIS é o disco de DUSTY SPRINGFIELD para realmente se ter na discoteca! É impecável, essencial e consagrador. Ela cantando no auge da forma, da interpretação e da voz, sob produção impecável e refinada. Confirmou a fama de maior cantora de “SOUL MUSIC” da Inglaterra; é “vero”; e pegou de vez!
Mas é rótulo insuficiente. DUSTY foi mais do que isso: grande cantora POP no mais amplo significado e abrangência do termo!
Para comprovar, em 1987 os PET SHOP BOYS a chamaram para gravarem “WHAT I DONE TO DESERVE THIS?”, single de sucesso internacional, e o segundo maior êxito na carreira dela. Uma guinada certeira ao DANCE TECHNO POP.
DUSTY, dos anos 1980 em diante, continuou gravando com diversos produtores e compositores; novos ou tradicionais. Seguiu carreira algo errante e infrequente, mas formou acervo discográfico curioso, variado e relevante na música moderna.
Seu estilo único é a chave; exala o charme e o porquê…
Mas por atrás desse talento havia um submundo mental próximo do purgatório, e habitado por demônios e comportamento irascível, e até odioso.
Nos estúdio, ou durante os ensaios, atirava nos músicos e técnicos o que tivesse às mãos, quando erravam, ou ela não gostasse do que estavam fazendo! Voavam xícaras, copos, vassouras, etc.
CHRIS WELSH, famoso crítico e jornalista, contou que ela carregava consigo três perucas, batizadas como o nome das cantoras LULU, CILLA BLACK e SANDY SHAW, suas concorrentes diretas, no período áureo.
E quando entrava em fúria, atirava as perucas no chão e as pisoteava, gritando e xingando o nome das outras. DUSTY tinha um lado “mocréia” ( ou mocreia?) insuportável!
Na segunda metade dos anos 1990, DUSTY foi diagnosticada com câncer de mama. PAUL McCARTNEY conta que ele e ela já se conheciam. E se aproximaram muito naquela época, porque LINDA McCARTNEY também estava se tratando de câncer.
LINDA morreu em 17 de abril de 1998. E DUSTY SPRINGFIELD faleceu em 2 de março de 1999, quase aos 60 anos.
Foi no mesmo dia em que estava marcada cerimônia, no Palácio de BUCKINGHAN, onde ela iria receber da Rainha Elizabeth II a O.B.E – a comenda principal do Império Britânico. A mesma já recebida por PAUL McCARTNEY, ELTON JOHN, BRIAN MAY, CLAPTON e inúmeros vários…
DUSTY! Pra gente recordar pra sempre!
POSTAGEM ORIGINAL 10/04/2021
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