RECORDANDO O “SR. SPOCK”, “DR. HOUSE” E A “ESCRAVA ISAURA”. TRÊS ÍCONES MUNDIAIS!

 

Se houvesse ocorrido um encontro na BRACARENSE, lá no Rio; ou no VALADARES, aqui sem São Paulo entre os atores “LEONARD NIMOY”, “HUGH LAURIE” e “LUCÉLIA SANTOS”, os “cavalos de santo” do “SR. SPOCK”, “DR. HOUSE” e da “ESCRAVA ISAURA”, eu adoraria ter estado presente, e até pagaria a conta!

Vocês talvez tenham reparado o que têm em comum esses três: tornaram-se ÍCONES INTERNACIONAIS (INTERGALÁTICOS?) muito além da cultura que os projetou.

De Miami a Mianmar, de Pretória a Monróvia, de Pequim a Quixeramobim, do Taiti a Madri, todos mundo sabe ou soube quem são eles!

Quando LUCÉLIA interpretou a Escrava Isaura eu nem quis saber da história. Como todo pretendente a intelectual, naqueles tempos, e respaldado em arrogância e um sempre negado elitismo, eu achava que a televisão era mesmo, e apenas, máquina de fazer doidos.

Houve tempos onde o TIO SÉRGIO se negava a assistir novelas, e ver TV só programas de noticias. Preferia ir com a Angela ao cinema e a outras “atividades-cabeça”, que viventes nos anos 1970 achavam imprescindíveis.

Mas, com o passar do tempo, a vida mais assentada e doméstica, passamos a assistir algumas novelas, etc…

Eu gosto da construção da linguagem, e de um certo contato organizado com a vivência do cotidiano. Então, filmes, séries e o vasto etc… hoje acessíveis via STREAMING e outros meios tornaram-se imprescindíveis.

Eu sei o quanto LUCÉLIA SANTOS extrapolou a si e ao Brasil. O personagem foi “case” cultural de alto impacto.

E tanto a brasileira como HUGH LAURIE, o Dr. HOUSE; e LEONARD NIMOY, o SR SPOCK de Jornada nas Estrelas, todos tornaram-se vítimas do próprio sucesso, nessa viagem à fronteira final que seus inesquecíveis personagens fizeram.

Três bons atores, certamente. Mas, carregam o KARMA do pretenso “único personagem”, sambinhas de uma nota só que injustamente ostentaram. Eles fizeram mais do que isso, e LUCÉLIA é um exemplo nítido.

Porém, como nas discussões políticas eivadas por ideologia, isso não importa: eles são eternamente culpados…

O Sr. SPOCK e o Dr. HOUSE adentraram o meu imaginário e não sairão mais dele.

Claro, são personagens diferentes entre si, mas têm característica em comum: inteligência acima da conta; e fé na razão e na ciência como instrumentos para a resolução de problemas. Sejam lá quais forem…

Eles são de épocas diferentes. Nos tempos do COMANDANTE KIRK nem se cogitava o conceito de inteligência emocional. E, se SPOCK era a razão pura, o Dr. McCOY, o médico da espaçonave, era a expressão do emocional. E a síntese funcional era o CAPITÃO KIRK, a simbiose que tudo decidia, conduzia e fazia dar certo.

Hoje, sabe-se que não é “bem assim” que funciona…

É interessante notar que o “JORNADA nas ESTRELAS”, que estreiou em 1965, é uma série de TV contemporânea ao surgimento do ROCK PSICODÉLICO, do TEATRO do ABSURDO, e da expansão das DROGAS LISÉRGICAS. Entre as novas expressões artísticas e comportamentais que privilegiavam a liberação emocional e comportamental dos indivíduos. Dois anos depois, tivemos 1968 e suas decorrências. Portanto…

A expressão da racionalidade como aspiração deve conter verdades que ainda não sabemos. E a predominância do “non-sense” também continua mistério não solucionado. Dualidades prevalentes na ópera bufa do viver.

Com o Dr. HOUSE é diferente. Em tempos em que se procura o uso da “INTELIGÊNCIA EMOCIONAL” vem esta série onde os personagens são profundamente inteligentes, e abissalmente desequilibrados.

GREGORY HOUSE é um infeliz com problemas crônicos de saúde, abuso de drogas, arrogância sem limites, e relativização da ética beirando o criminoso. Ele foi preso, em alguns capítulos e no final apagou sua identidade aproveitando para “morrer” em incêndio…

Porém, é a criatura genial que resolve problemas raros e complicados – é o que me parece, porque não tenho a menor ideia da parte médica… Como líder, ele constituiu uma equipe heterogênea, composta por outros médicos superdotados e eficazes.

O fascínio dos filmes da série está nos diálogos inteligentes, corrosivos, no “humor do mal”, e nas atitudes politicamente incorretas que HOUSE toma.

E, como quase tudo o que é interessante, também vai contra a moral estabelecida de sua época. Viver é contestar e aprender para aprender…

Pensando um pouco além, e retomando o fiozinho de arrogância que não abandona minh´alma, às vezes eu me surpreendo porque “OSOUTROS”, “OSAMIGOS” e “ASAMIGAS” não fazem o que eu prego e muito menos pensam como eu penso… Que gente cabeça dura, não é mesmo?

É nítido e claro que a maioria não é irracional, mas simplesmente filtra emocionalmente as suas próprias conclusões. Somos todos racionais…

O problema é que muitas vezes “eu gostaria” que muitos fossem mais, hummm, cerebrais…Arrogância nítida, pura e simplesmente.

E, como a gente viu no Sr. SPOCK e vê no DR HOUSE, não é assim que o bicho homem funciona.

Então, vida longa, saudável e próspera! E com muita dissenção e bagunça criativa, o verdadeiro motor da existência e da vida neste SANSARA PSICODÉLICO que coabitamos!

AS BELAS DA TARDE PERDIDA NO TEMPO

HISTORINHAS QUE O TIO SÉRGIO LEMBRA

Uma tarde, paulistana tarde, em bairro próximo a bairro nobre da zona sul da Capital de São Paulo, eu e o então meu amigo Ricardo visitamos outro amigo dele. Evento perdido no tempo. Talvez há uns 49, 50 anos.

Era um cara legal e mais velho do que nós dois. Italiano e algo reservado; arquiteto em fase de projeção que, depois, tornou-se famoso. Morava em casa moderna e ampla que havia construído. Intrigante, cool!

Tinha discos, mas o som não era essas coisas…

O que “eram” demais – e se me recordo, um tanto a mais do que demais!!!! – eram as duas namoradas que coabitavam fazendo um Power Trio harmônico, excitante, fora das normas: uma negra e outra branca. Belas. Mas, nada esfuziantes! Naturalmente integradas aos comportamentos que rolavam no anno domini de 1972, por aí…

A dobradinha literalmente sem bucho incendiou minha imaginação, que perscrutava hipóteses, técnicas, táticas, capítulos e integrações possíveis entre aqueles três. Moderno ao cúmulo; mas, improvável pelo que eu conhecia na prática da vida.

Chegamos lá, recepção casual, sem bebidas ou antipatias, mostraram para nós a aranha capturada dentro da casa. Enorme; perigosa, mas rejeitada em vidro de maionese. Era parte da decoração, um contraponto incômodo.

E veio o cachorro, de raça, talvez pastor alemão. Grande, mas abilolado por uma brincadeira que vi, tempos após, em um estúdio de rádio durante o programa “KALEIDOSCÓPIO”, do Jaques Sobretudo Gersgorin, em meados dos anos 1970:

O pessoal fumava maconha e soltava a fumaça no focinho dos bichos! Eu garanto: cachorro voa; aqueles pobres, ao menos, voavam…Maldade, ontem; e crime, hoje em dia…mas, parte do underground, da contestação periférica à caretice da ditadura…

Este pessoal era da ala psicodélica da esquerda…

A visita foi para bater papo, distrair o ócio. Coisas entre vizinhos, que Ricardo, o meu amigo, e o arquiteto eram.

O quarteto fumou maconha; eu não. Odeio a erva. E ficou a observação do natural improvável; e, depois disso, os perfeitamente possíveis trios, ou quartetos, quintetos, múltiplas escolhas e conúbios que sempre aconteceram e acontecem…Sexo é banal…

O tempo passou, nunca mais ouvi falar do Ricardo. Sobre o arquiteto famoso eu soube, mas não falo; das moças não sabia e jamais soube.

Discrição e naturalidade são meios de se penetrar no âmago dos pequenos segredos. Quem fofoca não é convidado. E, antes de tudo, eu sempre fui um cavalheiro…

RENATO VON GLEHN, O BEM-VINDO

Conheci Renato a uns quarente anos. É pai da Isabela, casada com o Toninho, meus cunhados. Nos víamos vez por outra em festas familiares ou ocasiões especiais, e minhas impressões sobre ele sempre foram as melhores. Renato é ( eu mantenho no presente ) das raras pessoas bem-vindas em quaisquer ambientes.

Papeamos diversas vezes. A mesa, os copos, a música – geralmente o bom samba que o Toninho e sua turma sempre nos propiciam -, e mais gente conversando, agregando assunto à vida sempre curta.

Conversar é preciso – porque para gente como “seo” Renato papear é viver! Viveu, vive…

Renato é ( continuo no presente ) um dos grandes contadores de histórias que conheci. Começo, meio e fim. Experiências, invenções, exemplos catados em fragmentos de memória, e transformados no papo que seguia ( segue? )…

Entre os melhores momentos em que cruzamos não foge de mim um final de ano, talvez 20 atrás, em Cotia, na casa do Toninho e da Isabela.

À mesa na varanda, idosa, digna, cult estávamos eu, Renato, meu pai Fernando, o Antonio meu sogro, e um velho e querido amigo de todos nós, Naiff Haidar.

Arrisco afirmar que as pedras de gelo poucas vezes sentiram-se tão honradas e à vontade. A conversa regou o prazer da convivência; esticada ano novo adentro…Inesquecível!

Há três anos Renato deu um passo a frente de todos nós. E estivemos lá honrando sua existência. E, depois, fizemos o que ele fez em incontáveis ocasiões: fomos ao Restaurante do Clube Colping, um aconchegante lugar para comer e beber, no Campo Belo, São Paulo, e ocupamos várias mesas.

Cerca de 50 pessoas entre parentes e amigos. Repetimos a preferência do Renato com dor na vida e alegria triste no coração.

Quando saí, disse a todos: quando eu estiver pela bola sete, e depois de ela cair na caçapa, que todos se encontrem num bar para celebrar a vida pontuada pela morte.

Sempre inevitável como a dor.

Renato gostou do que a turma fez@

LULA, A MERITOCRACIA, A HIPOCRISIA E O POPULISMO

Poucos cidadãos brasileiros tiveram ou têm uma vida tão original e interessante quanto LUIZ INÁCIO DA SILVA. Sim, ele! Se fosse americano, seria considerado como ícone do sistema.

Não sei se vocês estão lembrados, mas ele e o GEORGE BUSH, o filho, se deram para lá de bem quando se conheceram, já que contemporâneos nas presidências.

E por que isto aconteceu?

Eles se reconheceram muito próximos. O americano em sua cultura. E LULA em um dos valores básicos que os americanos – e cá entre nós, todo mundo – reconhecem, que é o trabalho, o foco, o esforço.

Não sejamos hipócritas, sair de torneiro mecânico para líder sindical e de lá para o proscênio brasileiro e mundial exige esforço, dedicação e, principalmente,vocação, foco e talento.

Quem o consegue tem méritos. E, se chegou lá, é um exemplo do que a ideia de meritocracia deve expor para convencer os que dela duvidam.

Seria um grande exemplo por aqui! E uma advertência para os que dela fogem ou a tentam demolir.

LULA é um exemplo do que o indivíduo pode fazer, apesar das dificuldades. Gente diferenciada tem de ser tratada como excepcional, ter reconhecidos os seus méritos, e receber seus direitos. Inclusive ganhando mais, muito mais, se for possível e se dentro da legalidade.

TOM JOBIM não era um músico qualquer. LULA não é um cidadão comum.

Agora vejam: um dos piores traços da cultura brasileira é achar que todos os que chegam lá o fizeram por seus deméritos, e não por esforço e outros predicados.

Somos assim, desconfiamos dos que se destacam. E, claro, estou falando de uma certa grande minoria entre os cidadãos: aqueles que fazem tudo certo e chegam lá.

Que horror!, dirá a massa de SACIS IDEOLÓGICOS. É preciso equalizar, garantir o mesmo ganho para os professores excepcionais e aqueles normais. Vitória do sindicalismo egoísta que nos assola exigindo isonomias, quando precisamos de gente que se destaque, que fuja da média.

Claro, o que deve existir, porque básico em qualquer sociedade mais justa, são igualdades de oportunidades. E, para isso, é pré condição a existência de uma sociedade mais igualitária na base.

Agora quais são ou foram os problemas como o LUIZ INÁCIO? Principalmente quando acusado no MENSALÃO e no PETROLAO?

Basicamente dois:

POLITICAMENTE falando, é o POPULISMO, que o faz e fez disfarçar de todas as maneiras negando aquilo que conquistou, não assumindo que é um homem rico, porque precisa manter sua “base” sob controle. Em decorrência, pessoalmente ele é um hipócrita.

Imaginem se LUIZ IINÁCIO LULA Da SILVA tivesse dito, em 2016: ” “Escuta aqui, companheiro, eu consigo ganhar uns R$ 150.000,00 reais, por baixo, por cada palestra que eu faço. Então eu consigo tirar bruto R$ 3.600.000,00 por ano, descontando os impostos,eu fico com R$ 2.610.000,00, como eu tô fora há 5 anos, então eu consegui faturar livre por baixo, uns R$ 13.050.000,00. Isto sem falar do meu salário e minhas aposentadorias”.

Bom, ele também não fez porque, segundo a LAVA JATO, havia um acordo para receber, no mole, as benesses no SÍTIO E NO APTO DO GUARUJÁ. Havia evidências e provas disso.

QUA’, Pato-cidadão! se ele tivesse feito isso, não seria votado nem pra gandula no campo do São Bernardo! Acabaria a mística petista!!!!!!

Isto nos leva a algumas conclusões: a) ele poderia ter comprado tranquilamente o tal apto no Guarujá; e o tal sítio, também. Mas, se ele nega isso e for provado que é dele, então é sonegador e corrupto e um péssimo exemplo pra todo o mundo.

Tudo isso para dizer que populismo+hipocrisia+desconfiar da meritocracia não pode dar em nada de bom.

TEXTO DE 2015 – NOSSAS CRISES E A FALTA DE ESTADISTAS

Eu evito fazer generalizações. É perigoso e geralmente falso, sob o ponto de vista da lógica mais elementar. Os políticos são todos iguais? Não, mas guardam semelhanças que dá vontade de os colocar na mesma caçamba e mandar para o aterro.
O Brasil funciona, institucionalmente falando. Temos liberdade, podemos apoiar, contestar eleger quem quisermos; em suma, vivemos num pais aberto e que ruma para se tornar cada vez mais democrático. O que não temos é gente, na política, com vocação e características de estadista.
Para começar, ainda nos mantemos nos últimos 50 anos! sem saber se vamos para a esquerda ou para a direita.
Isso atrapalha. Claro, não é preciso unanimidade. Mas, os impasses são demais e permanentes. E, para imobilizar ainda mais a sociedade, não há quem convença a maioria de que um caminho é melhor do que o outro.
Não falo por mim, que tenho opinião formada sobre o assunto: eu sou um liberal democrata e ponto.
Mas, vejo as divisões políticas cada vez mais evidentes. Os grupos de opinião cada vez mais impermeáveis às ideias dos que deles discordam. Continuamos no impasse paralisante. Um eterno grito parado no ar…
E, para complicar, não temos líderes de verdade, gente que diga não quando é preciso, que explique e convoque a maioria para o sacrifício inevitável, que faça valer sua legitimidade para ir contra o senso comum e a corrente dos que impedem, legítima ou ilegitimamente, a tomada das decisões impopulares.
A última eleição foi um festival de insanidade medíocre. Foi reeleita a Dilma, a mais ruinosa e politicamente incompetente figura gerada nos últimos 30 anos. Está levando a economia brasileira à bancarrota. Elegemos, também, o Geraldinho Picolé, que nos brinda a cada dia com sua verdadeira face: um político medroso e limitado. Inadequado para o momento que vivemos; Ele é, também, muito responsável pelo que passamos e vamos passar com a falta d´`agua.
Dilma e Alckmin são dois não-estadistas. Tergiversam sobre a realidade. Difícil saber qual dos dois é pior para enfrentar o que passaremos.
Então, eu faço minhas as palavras do jornalista Luiz Fernando Vianna,na pg. 2 da Folha de São Paulo, hoje. O artigo merece ser lido, mesmo que tenha quase nada a ver com o que escrevi.
No parágrafo final, ele escreveu assim: ‘ SE VENCER, EDUARDO CUNHA ENTRARÁ NOS “ANAIS” DO RIO. E DE TODOS OS BRASILEIROS. Com as devidas adaptações e correta interpretação, é o que nos espera nos governos de Dilma e do Alckmin.

LULA E O APTO DO GUARUJÁ

Em 2005, já havia uma cota do empreendimento do Guarujá na declaração de renda do Lula, apresentada ao Tribunal Eleitoral, na época da campanha da reeleição. Aliás, financiado pelo Bancoop, dirigido pelo Vaccari, que faliu e deu prejuízo a outros 3 000 mutuários, que nada receberam, apesar de cotistas, também.

Então, porque será que o único prédio assumido pela construtora OAS, que o terminou, era precisamente onde Lula, Vaccari entre outros notórios tinham apartamento comprado? Pode ser coincidência?

Tá facinho: basta que Lula explique ao Ministério Público o que aconteceu, entre 2006 e atualmente. Se há desconfiança de que Lula recebeu ou receberia o apto de “graça”, ou pelo menos parte dele, com as reformas e tudo o mais incluídas, o histórico desse patrimônio vai revelar.

É sobre esse percurso, o fato sabido que dona Marisa acompanhou a reforma para nada, as declarações contraditórias do próprio Lula, que intrigam a todo o mundo.

Saberemos se Mino Carta é um inocente útil, ou mais um jornalista não tão útil assim.

INSÔNIA 2 – CRÔNICA

 

A cabeça é o cockpit do meu corpo. Nave parada e sem repouso.

Muitas vezes embarco nela e viajo parado e tenso. Sem relaxar, visito problemas, agendas, projetos, dejetos, medos e poucos desejos.

Passo por abismos, cores, dores, ideias, enganos e, mais ao fundo e não tão profundo, percebo a tortura da trilha sonora de zumbidos no ouvido, ou de música qualquer repetitiva e irritante. Sou vítima das músicas que ouvi, ruins ou boas, que se reproduzem em meu “COCKPIT” incessantemente…

Dormir bem é o HIGH-END da vida que poucas vezes eu consigo. Um estado da arte que procuro sem convicção ou método. Minha consciência é tranquila. A minha cabeça, não.

Eu sei que advogo contra mim mesmo; maltrato minha nave, não desço do cockpit.

Mas vou dar um jeito nisso, escancarar minha adega recheada por demônios que não mereço – mesmo que os tenha criado e com eles convivido, ou venha “confalecendo” por causa deles!

Eu perco por esperar. Não espero mais.

INSÔNIA1 – A MEGERA SILENCIOSA – POESIA

 

MEGERA SILENCIOSA, TORTURADORA IMPÁVIDA, SINGRA CONFUSA NO MAREMOTO SURDO

DE MEU DESESPERO

NESSE AFOGAR ETERNO,

PARA ACORDAR INCOMPLETO E VIVER AUSENTE,

NA CALMARIA ABÚLICA DE UM CORPO EXANGUE.

QUASE MORTE:

EXTENSA, PERENE, INCONCLUSA;

QUASE VIDA:

LENTA, DESATENTA, INERME.

O COTIDIANO INSONE EU PEREGRINO EXAUSTO

FEITO NAU SEM MÁQUINAS, UM TAXI PERDIDO,

NO MÓRBIDO ENTARDECER DE MAIS UM DIA ROUBADO

MADRUGADAS, INCERTEZAS E OBSCUROS MEDOS;

FRUSTRAÇÕES E REMORSOS DISTORCENDO IMAGENS, AGENDA, PENSAMENTOS E AFAZERES TRÔPEGOS,

DESFILAM PROJETADOS NO INTERIOR DA MENTE,

NA TELA IMPERFEITA QUE A NOITE GUARDA.

ADAGA INVISÍVEL, FERRO IMPLACÁVEL

QUE VIOLA MEU CORPO E APAGA O ÂNIMO,

FLUXO IMPRECISO QUE DESCARRILHA O DIA,

CONSTROI NO VÁCUO QUE EM MIM HABITA

O ALAMBIQUE DE PESARES QUE DESTILO.

PARA TI, INSÔNIA,

MINHA ADEGA DE ÓDIOS EU ESCANCARO!
15/02/2009

MEUS TIMES DE FUTEBOL DE BOTÃO – OS 41 QUE SOBRARAM!!!

Quanta louça tive de lavar, para conseguir um timinho vagabundo vendido em papelarias e lojas de brinquedos!!!!

O retrospecto é mais ou menos o seguinte: antes de colecionar discos, a fixação era o JOGO DE FUTEBOL DE BOTÕES!

Foi dedicação total e a minha primeira inserção na fracassada carreira de vagabundo. Perdi a primeira série do ginásio, hoje FUNDAMENTAL, por causa do jogo!

Eu ficava doido!

Quando eu tinha uns nove, dez anos de idade não pensava em outra coisa!!!! Fiz milagres para conseguir as tampas transparentes, que protegem o mostrador de horas dos relógios. Perambulei e mendiguei a relojoeiros para conseguir as “capinhas” usadas, excelentes “jogadores” e formar os times.

Não havia transeunte que eu deixasse de notar o formato ou tamanho do relógio que usava! Se daria bom jogador, ou não!

Olhei com lascívia para despertadores, relógios pequenos de parede, e tudo o mais que vislumbrasse a hipótese para moldar mais um jogador!

Eu observava futuros zagueiros, volantes, laterais, pontas e outros bichos de meio de campo, defesa, sei lá…

E, principalmente, se tinham formato e tamanho adequados para jogar como atacantes, os “atletas” mais difíceis de “serem formados nas divisões de base”…

Essa minha tara infanto-juvenil foi aplicada com método e muita catimba e safadeza.

Certo dia, apareceu em casa um relógio de bolso. Era do meu pai. Olhei para a lente e não tive dúvida: seria o meu novo MENGÁLVIO, o grande e errático meia-direita do SANTOS, nos tempos de PELÉ, COUTINHO, PEPE, lá por 1963/64!

MENGÁLVIO era Jogador de alto nível técnico, e perdeu posição para outro craque inesquecível, LIMA, espécie de coringa do time, pois jogava em várias posições com proficiência.

Mas, nos meus times o craque era o MENGÁLVIO: chutava bem, encobria, passava. O relógio do meu pai “escondia” o BOTÃO perfeito para o meio de campo, e o jeito como eu jogava.

O meu craque original andava “contundido”, já não fazia o que minha mão determinava, estava rachando e precisava ser substituído…

Um dia, tomei coragem e fui procurar em frente a relojoeiros alguma lente usada que coubesse no relógio do SEO MORAES…

Achei outra mais ou menos parecida… Voltei pra casa, desmontei o relógio, substituí e… deu tudo errado!

Na primeira “olhada” o velho matou a charada, e letal feito um vulcão: espalhou lavas e berros com sua voz de baixo-barítono!

E sequestrou definitivamente o meu futuro meia direita!

Frustração irrecorrível!

Com o tempo, migrei para times feitos artesanalmente, com esmero, técnica, profissionalismo e materiais adequados.

E passei a jogar sob as regras oficiais da Federação. Fizemos vários pequenos campeonatos no belíssimo campo oficial do Toninho Paes , meu cunhado.

Hoje, não tenho mais vontade de jogar.

Uns vinte e cinco anos atrás, fiquei questionando sobre o quê fazer com o meu acervo de infância?

Decisão: colei-os todos em pranchas de Eucatex, viraram quadros decorativos.

O tempo os deixou feios.

Então, decidi retorná-los ao estado original. Procurei a SILVANA, dona de uma excelente loja de molduras e tintas, onde comprava pincéis, telas, etc…, durante o tempo que cometi umas pinturas. Enjoei daquilo, também…

A SIL desmontou com muito cuidado e quando fui buscar, dei de cara com o meu passado remoto.

Olhando time por time, percebi que tenho 6 do SÃO PAULO!!!! 4 do PALMEIRAS e 3 do CORINTHIANS!

E, também, os times do JABAQUARA, GRÊMIO, GUARANI, entre vários outros… E dois times do FLUMINENSE, VASCO e do FLAMENGO. E até uma raridade, o time completo com fotos do CANTO DO RIO cerca 1965. Lá jogava “DIEICIL”, na meia direita!!!

E notei que tenho apenas dois times do SANTOS! E, por isso, recordei: eu torcia para o time do MORUMBI, o SÃO PAULO, mais ou menos até os 8/9 anos de idade!

Na minha infância – e até hoje – mudar de time, virar casaca, era crime de traição e lesa-pátria. Atitude abominável, inaceitável. O quê me deixou sem esteio por muito tempo, e sob a crítica de amigos, etc… mas, foi libertador.

Os meus sobrinhos ao nascerem ganharam camisas dos times que os pais torciam: meus dois cunhados, um palmeirense e outro corintiano, impuseram e preservaram a dinastia; seguidas fielmente pela garotada!

Mas, eu não.

Mudei por conta própria. Acho que, na época, cansei de ver o SÃO PAULO perder. ..

E sei lá quantas vezes eu me arrependi de ter feito aquilo! Afinal, o sobe-desce nos esportes é parte da brincadeira. Torcer fica entre o cruel e o lúdico. Então, não adianta mudar…

Mas, apaixonados pelo jogo feito eu, quando criança nem sempre têm a resiliência pra suportar…

São memórias fundamentais na minha formação. Inclusive, com a derradeira compra que fiz: solitário BOTÃO de “baquelite”, adquirido numa feira de antiguidades, em PETRÓPOLIS, anos atrás.

O Santos vai mau, obrigado. Mas não o trocarei de jeito nenhum…

SERRA ABAIXO: GUARUJÁ

Aeroportos, estações rodoviárias e ferroviárias … locais de envio para outros micro-mundos. Ritos de passagem, esperas, demoras. Eu tenho calafrios; ansiedade. Gosto de chegar, ver chegar… Viajar? Talvez. Partir? Não. Talvez porque signifique abandono. Deixar quem amamos. O desconforto do desapego. Desaconchego?O terminal Jabaquara fica perto de onde quase acaba São Paulo, num dos pontos de expulsão para o litoral serra abaixo. É limpo como a maioria dos terminais. Mas é simples, algo lúgubre e com o barulho dos aviões que chegam e partem do Aeroporto de Congonhas.O ônibus para o Guarujá saiu às 20,20 horas. Vizinhos de bancos cansados. Dia longo para todos, certamente… E chegar cada um sabe onde. Nenhuma comunicação. Humanos interrompidos.Cheguei às 19,50. Vim de um restaurante recôndito, num bairro nobre agradável. Lugar somente curtido pelos moradores e ou quem lá trabalha. A exceção foi o dia em que entrou Aécio Neves. ..Gosto do lugar. Comida quase boa, bebida gelada e garçons simpáticos. O ônibus saiu na hora; é quase confortável. Ordem : colocar o cinto de segurança. Partimos. E paro por aqui. Os buracos impedem escrever no celular. Minha garrafa de água sumiu.

ORIGINAL 04/02/2020