CASSANDRA WILSON – COMING FORTH BY DAY

É JAZZ; mas seguindo nova tendência FUSION com o POP e algo de ROCK – se é que posso introduzir assim. Todo o arranjo é quase-jazístico, mas tem uma guitarra distorcida fazendo a voz iconoclasta necessária. Ficou bonito. E foi desse jeito que percebi.
Os que já ouviram o JAZZ da cantora e pianista “PATRÍCIA BARBER”, muito boa por sinal, vão entender a proposta de “CASSANDRA”. Começa pelo uso da guitarra, que perdeu a vergonha de se expor de jeito algo cru e distorcido. Esqueçam um pouco “WES MONTGOMERY” ou mesmo “JIM HALL” e liberem o lado humm… “JEFF BECK”. A guitarra não é o centro do disco, mas está lá e nítida. Não é o primeiro que ouço com esta pegada.
“CASSANDRA” canta o repertório de “BILLIE HOLIDAY”. A seu estilo, que emula “NINA SIMONE” com algum desleixo proposital. Ficou rústico, mas envolvente e desafiador. Acho que não é para todo gosto. Está BLUESY-BANDIDO-TRISTE – “strange fruit”, digamos!
Acho que a turma já deve encontrar o cd por aí. Foi lançado a preço quase -popular, uns R$ 20,00, é recente. E tecnicamente bem feito – e da hora.
Percam tempo com esse disco. E comentem o que ouviram.
POSTAGEM ORIGINAL: 27/08/2018
Nenhuma descrição de foto disponível.

EGBERTO GISMONTI – 1969/1970 – PRIMÓRDIOS DE UM MÚSICO BRASILEIRO SUPERDOTADO

Eu recordo entrevista de EGBERTO GISMONTI, onde ele comentou a versão que o maestro POP francês, PAUL MAURIAT, fizera de “O SONHO”, composição algo famosa por participar de um Festival da Canção:
“Eu reclamei de ele ter retirado uma nota importante do arranjo original. MAURIAT disse que era crucial para que a música ficasse “plana, fluísse”…
Deve ter sido, mesmo…
EGBERTO GISMONTI estudou com NADIA BOULANGER – grande professora, compositora e maestrina contemporânea francesa.
MADAME BOULANGER foi aluna de EDGARD FAURÉ, e amiga próxima de STRAVINSKY!!! – e se tornou professora da nata dos compositores contemporâneos desse planeta, e talvez de outros…
Para ficar em alguns, foram orientados por ela o maestro DANIEL BAREMBOIM, os compositores PHILLIP GLASS, AARON COPLAND e DARIOUS MILHAUD. E, também, QUINCY JONES, PIAZZOLLA e GISMONTI. Se quiserem saber mais, pesquisem; existem outros…
EGBERTO GISMONTI é um superdotado desviante do “MAINSTREAM” da música brasileira. O primeiro álbum dele foi realizado na CULT gravadora ELENCO, em 1969. Eu afirmo que é “JAZZ – BRASIL ABRANGENTE”. Está lá, por exemplo, “composição – tributo” ao guitarrista WES MONTGOMERY…
O disco foi cantado por um iniciante algo tímido, oscilando entre JOÃO GILBERTO e CHICO BUARQUE – de quem ele provavelmente inspirou-se para um certo clima “paroquial” – típico do CHICO anos 1960. ( ouçam a LÍRICA DA MULHER AMADA ).
GISMONTI é de e mora em CARMO, no INTERIOR do RIO de JANEIRO. Talvez o charme algo ingênuo de parte desse disco provenha de lá…
Porém, o lado instrumental já previa o POP URBANO PÓS-BOSSA NOVA.
Os sons MPB que GISMONTI desenvolveu “não derivam de sambas explícitos” . Estão mais próximos, por exemplo, de MARCOS VALLE – outro superdotado que “bate fora do bumbo” da costumeira, esperada, sonoridade da MPB.
EGBERTO compõe arranjos orquestrais sofisticados, como faziam os maestros tropicalistas ROGÉRIO DUPRAT e ARTHUR VEROCAI. Sempre foi um vanguardistas em nossa cultura. Ele é brasileiro, sim! Mas siderando e perscrutando universos musicais variados…
Os arranjos que GISMONTI compôs são eivados por MÚSICA EUROPEIA, algum ROCK, e JAZZ de VANGUARDA. São muito bons e interessantes. Mas, não imediatamente identificáveis como brasileiros.
EGBERTO GISMONTI sempre anteviu um BRASIL além da pauta tradicional. E seu trabalho foi explicitar e parir esta música diferente. Ele é parte da cultura POP proposta por CAETANO, GIL, MILTON e VALLE. É músico brasileiro completo, atípico e inigualável; ajudou a inserir a moderna MPB na música mundial.
Sua linguagem, instrumentação e estética não foi rendição ao feito lá fora; mas conquista e ampliação para o que é feito aqui dentro. Mesmo porque, os meio e sonoridades que adotou foram assumidos como instrumentos para a expressão do que somos. Ele sempre foi e será BRASIL.
O segundo disco de GISMONTI, SONHO 70, é mais bem elaborado. Quem produziu foi ROBERTO MENESCAL, com arranjos e regência de GISMONTI.
É mais JAZZY, com algo dos “SWINGLE SINGERS” nos vocais em que participa DULCE NUNES!!! Algumas faixas trazem moderna linha de baixo, o que as ligam talvez à BOSSA NOVA , mas em “conluio” aos sonhos PROGRESSIVO/FUSION que ele viria fazer. É, talvez, disco precursor de suas reorientações “europeias”. Fica mais perceptível a interação POPULAR/ERUDITO, também bastante nítida em voos futuros de GISMONTI.
Entre 1971 e 1972, EGBERTO gravou três discos dificílimos de encontrar: “ORPHEU NOVO” é outro deles, e faltou aqui. Ele fez TRILHAS SONORAS, e refinou-se paulatina e continuamente. Expôs-se.
Em 1973, o EGBERTO mais ELETRÔNICO, PROGRESIVO E FUSION, decolou rumo a… tudo o que se tornou! ( Pô, TIO SERGIO! Enrole menos…) Foi contratado pela gravadora EMI. E fez, durante muito tempo, dobradinha com a ECM alemã. A música dele tem o clima e o espírito da CULT e sofisticada ECM.
Nesse período, iniciou-se a longa parceria com o poeta, letrista, hoje membro da ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS, GERALDO CARNEIRO – talvez a versão brasileira dos compositores PETE SINFIELD (KING CRIMSON ), ou KEITH REID ( PROCOL HARUM ). E GERALDINHO o completou esplendidamente!
EU assisti a show de JOHN McLAUGHLIN e banda, no Ginásio da “semimorta” PORTUGUESA DE DESPORTOS, em SAMPA, no início da década de 1980. A “LUSA” é o time do coração do maestro e pianista JOÃO CARLOS MARTINS. E meio que segundo ou terceiro time de estimação dos paulistanos. ( Tá bom, tá bom: a gente gosta do JUVENTUS da MOOCA, também…)
O ginásio estava lotado. E o som era de péssima qualidade. Como, aliás, em quaisquer shows ao vivo da época!
Abertura?
Claro, do EGBERTO GISMONTI; que foi ao microfone e disse claro: “OBRIGADO POR TEREM VINDO; VOCÊS NÃO VÃO SE ARREPENDER!!!” …
Sentou-se ao piano e arrebentou…
Noite inigualável!!!! eu já era fã, e assumi de vez e para sempre!
Procure ouvir. EGBERTO é inigualável e imprescindível.
POSTAGEM ORIGINAL:22/08/2020
Nenhuma descrição de foto disponível.

FLORBELA ESPANCA, DEPOIS DE UM BLUES…

Em volta de nós sempre habita o sofrimento, nosso vizinho perene, insistente. Infalível! Nisso a vida é democrática; pois sobra para todos: ricos, pobres, negros, brancos, e o quê mais houver. Basta estar vivo para perceber…
A ninguém é permitido existir sem compaixão, porque o sofrer nos iguala. E compreender o próximo como roto de alma talvez seja a conclusão sobre a vida que mais nos aproxime e revele. Humanos.
Começo desta forma, porque termino falando de FLORBELA – o filme.
Sobrevivi este sábado meio cansado; porque insone militante vi passar no cinema doido dentro da minha cabeça, a sucessão de flagelos que compõem meus pesadelos e medos recorrentes.
A madrugada é uma pantera fria e traiçoeira espreitando.
Tudo bem; nada que um café na padaria não ajudasse a recuperar a parte de mim ainda retida sob o “desanoitecer” rumo ao dia. Mas, fiquei em casa.
Aquela manhã não começou mal. Fui dar uma olhada em meus discos, companheiros eternos que mais bem explicam quem sou, e me resgatam dos escombros cotidianos.
Comecei com álbum raro de JIMMY WITHERSPOON, chamado ROOTS, 1962. Um cantor em estado da arte; gravação magnífica da ATLANTIC RECORDS, e que só os japoneses sabem recuperar. Ouçam; é BLUES essencial; recupera defunto e comove quem ouve – e também ajuda consertar o que houve – seja lá o quê…
É o tipo de obra que faz você compreender porque gente como ERIC CLAPTON, os STONES, e nossos ídolos em geral, gostavam tanto de BLUES.
Fui em frente, e escutei de MOSE ALLISON até a brasileira “CULT” ELIETE NEGREIROS; passei por SUN RA e os FOUR SEASONS; até ser emocionalmente defenestrado pela BANDA BANDALHA seminal dos 1960: THE SEEDS! – pra mim, estão entre o GARAGEM ROCK e o PUNK, e tanto faz a ordem! ROCK ALTERNATIVO é isto aqui!
Esbarrei, também, em dupla americana, chamada NEW WAVE, 1966; mescla inusitado conúbio entre o violão do LUIZ BONFÁ e SIMON & GARFUNKEL. E são acompanhados por craques tipo RON CARTER, CAROL KEYE, e MIKE POST, na guitarra – É! o famoso compositor de trilhas sonoras mesmo…
TIO SÉRGIO, como a banda do Zé Pretinho do JORGE BENJOR, mistura bumbo e violino feito um sarapatel sonoro meio indigesto – mesmo que estimulante. Aprendi a ser exigente com o máximo ecletismo e abertura possível.
Talvez?
Fiz tudo isso e ainda consegui ler a parte política dos jornais sem rir ou vomitar.
E liguei a televisão para assistir algum jogo de futebol, quando encalhei no TELECINE CULT, da NET. Passava filme chamado FLORBELA, dirigido por cineasta que eu não conhecia, VICENTE ALVES do Ó.
Ambientado em Portugal e interpretado por artistas portugueses, conta um momento de crise pessoal e criativa da POETISA FLORBELA ESPANCA, no final dos anos 1920.
É Magnífico!
O filme é um desfile de sutilezas emocionais, e resvala em questões como possível desejo incestuoso, e um quê recôndito de homossexualidade.
Tudo é tratado com elegância e refinamento num país que, ainda na década de 1970, era muito distante da Europa…
Nos é mostrado o PORTUGAL entre 1929/30, sob a ditadura quase medieval de Salazar. Um lugar reacionário, claustrofóbico, e tradicionalista em sua pior concepção…
Os atores estão nunca menos do que excelentes; e DALILA CARMO, que interpreta FLORBELA ESPANCA é perfeita. Transborda emoção, passa sentimentos e contradições nos dando ideia do que deve ser uma pessoa sensível e sofisticada, restringida por uma sociedade nostálgica, inculta, pequena, coalhada de preconceitos, e limitadora de talentos e comportamentos.
Ser mulher em Portugal, naqueles tempos, era barra pesadíssima. FLORBELA morreu em 1930, aos 36 anos, de tristeza e depressão.
E, finalmente, a língua e a linguagem.
Eu gosto demais! Acho precisa e bem resolvida, passando muito longe – por causa da época, inclusive – dessa sistemática destruição ( talvez criativa? ) do português que se fala, hoje, no Brasil.
É filme pra lá de recomendável. Com subsídios para discussões mil sobre todos nós que herdamos língua e jeitos dos portugueses.
E ainda bem que, hoje, PORTUGAL já faça parte da EUROPA!
POSTAGEM ORIGINAL: 18/07/2022
Pode ser uma imagem de 1 pessoa

ARETHA FRANKLIN –  ATLANTIC RECORDS 1967/1971 – ORIGINAL ALBUM SERIES

Escrevendo, ouvindo, lendo e conversando criei uma frase que sempre cito: “gosto, mas não prefiro”.
É mais ou menos a minha relação com ARETHA FRANKLIN e as cantoras mais extrovertidas de R&B, POP, SOUL e BLUES. E este box, em edição popular, é muito bem gravado e masterizado, mas sem maiores informações, traz os cinco primeiros álbuns de ARETHA para a ATLANTIC RECORDS.
Dizer de ARETHA que não cantava bem, ou não tinha SOUL, é puro absurdo! Seu carisma e interpretação foram milimetricamente preparados para evidenciar a potência e alcance de sua voz! Ela é dona de um estilo; fez história e tem marca registrada.
Apreciar, ou não, é questão de gosto. ARETHA FRANKLIN antes de ícone e artista imensa foi uma grande mulher e cidadã. O que expôs a sua relevância.
ARETHA já fazia sucesso na COLUMBIA RECORDS, onde esteve desde 1961. Cantava R&B tingido por GOSPEL; fazia música negra mais tradicional.
Explodiu ao ser contratada e modernizada pela ATLANTIC RECORDS, em 1967. E, quem sabe, o planejado tenha sido lançá-la no vácuo de JANIS JOPLIN – desde 1966 a nova estrela da COLUMBIA, onde fundiu o BLUES ao ROCK PSICODÉLICO, acompanhada pelos “Rockers” do BIG BROTHER & HOLDING COMPANY.
Na ATLANTIC, ARETHA FRANKLIN arrebentou conjugando a interface da BLACK MUSIC com o POP. A produção esmerada, e a banda espetacular da casa, tornaram ARETHA ícone da SOUL MUSIC. Ela foi ( é!! ) muito mais cantora, e transitou além, muito além, de JANIS JOPLIN.
Vale reparar em duas característica dissociadas. Mas, Históricas, quem sabe…
1) A gravadora ATLANTIC foi criação de um turco e de um judeu: AHMET ERTGUN e HERB ABRAMSON, e desenvolveu estilo próprio de fazer R&B e a SOUL MUSIC.
Os músicos que tocavam lá, na maioria brancos do sul dos Estados Unidos, utilizavam o estúdio MUSCLE SCHOALS – que virou FAME tempos depois. Foi no sul onde gravou o “Cast ” NEGRO da ATLANTIC, com excepcionais resultados artísticos reconhecidos até hoje!
DUANE ALMANN, guitarrista, tocou em discos de ARETHA. E há outros, vários outros: o baixista JERRY JEMMOTT; BILLY PRESTON, no órgão; BERNARD “PRETTY ” PURDIE, baterista supremo; o guitarrista CORNELL DUPRÉ ; e KING CURTIS, no sax. Todos parte da grande máquina de fazer HITS que foi a gravadora.
2) O FOLK ROCK PSICODÉLICO foi criado em meados da década de 1960, por um PRETÃO de NOVA YORK chamado TOM WILSON. Ele desenvolveu o conceito, juntando guitarras e instrumentos elétricos aos arranjos acústicos da FOLK MUSIC.
Observem “LIKE A ROLLING STONE”, de BOB DYLAN; e também “SOUNDS OF SILENCE”, de SIMON & GARFUNKEL; ou MR. TAMBOURINE MAN, e outras gravações dos BYRDS. Clássicos não superados.
Uma aparente inversão de expectativas? Seria?
Não! Houve, sim, uma grande vitória da arte sobre o racismo. Simplesmente. Não importa se feito por pretos coisas que se considerava de brancos. Ou se a música dos negros foi arranjada e muito bem expressa por brancos e outros…
Lições da arte, e da vida!
ARETHA FRANKLIN morreu anos atrás, em 16 de agosto de 2018. E certamente arrasa no céu com outros “anteriormente convidados”.
TIO SÉRGIO é um chato. E ARETHA FRANKLIN, não!!!
POSTAGEM ORIGINAL: 18/08/2023
Pode ser uma imagem de 6 pessoas e texto

MARTHA ARGERICH & CLAUDIO ABBADO – TCHAIKOVSKY, PIANO CONCERTO No 1

EU SOU UM ECLÉTICO SELETIVO; E PREFIRO MÚSICA POPULAR À CLÁSSICA. PORÉM, NO ESTADO DE ANOMIA EM QUE ESTAMOS VIVENDO, NÃO HÁ BÁLSAMO ANTI-BARBÁRIE QUE SUPERE OUVIR MÚSICA SENSÍVEL E SOFISTICADA.
“MARTHA ARGERICH” ESTÁ ENTRE AS MAIORES MUSICISTAS DA HISTÓRIA. É GRANDE SOLISTA; CRIATIVA E MUITAS VEZES INOVADORA. E, TAMBÉM, PIANISTA QUE ABDICA DE VIRTUOSISMOS EGOÍSTAS, PARA INTEGRAR-SE À ORQUESTRAS E A GRUPOS DE CÂMARA. MARTHA É OUVINTE ESTUDIOSA E ATENTA DAS PARTITURAS QUE EXECUTA. É UM PRODÍGIO!
AQUI ESTÁ O “CONCERTO PARA PIANO No.1, DE TCHAIKOVSKY, EM ESPETACULAR GRAVAÇÃO AO VIVO, REALIZADA EM 1983. O REGENTE É “CLAUDIO ABBADO”, COM A “FILARMÔNICA DE BERLIM”. TRAZ A PIANISTA EM INTERPRETAÇÃO MUITO DIFERENTE DE OUTRAS QUE CONHEÇO, BEM MAIS CONVENCIONAIS.
MARTHA FAZ “ATAQUES MAIS DECIDIDOS”; E IMPÕE RITMO ALGO ACELERADO EM CADA COMPASSO, PRINCIPALMENTE NO PRIMEIRO MOVIMENTO, MAS DENTRO DO ANDAMENTO TRADICIONAL DA OBRA – SE É O QUE POSSO INFERIR DA AUDIÇÃO, SEM COMETER IMPROPRIEDADES…
O EFEITO É “ROCKÍSTICO” ! ( PÔ, TIO SÉRGIO, MANERA AÍ!!! OLHA ONDE VOCÊ ESTÁ PISANDO!) ; EXUBERANTE!
“MARTHA ARGERICH” É ARGENTINA ESTUDOU JUNTO E, ATÉ ONDE SEI, TEVE NAMORO COM “NELSON FREIRE”. MAS CASOU-SE COM OUTROS – E TEM 4 FILHAS.
USANDO COMO PARÁFRASE, CITO A OBSERVAÇÃO PERFEITA DO FAMOSO COSTUREIRO E EX – DEPUTADO “CLODOVIL HERNANDEZ”, SOBRE A HOMOSSEXUALIDADE E HOMOSSEXUAIS: “BOI PRETO RECONHECE BOI PRETO”.
ENTÃO, MARTHA COM NELSON, OU “STEPHEN KOVACEVICH” OU COM “CHARLES DUTOIS”, COMPUSERAM ESCULTURAS AFETIVAS PERFEITAS! PORQUE UM GÊNIO RECONHECE OUTROS!
POSTAGEM ORIGINAL: 27/08/2018
Nenhuma descrição de foto disponível.

JOHNNY MATHIS, UM FENÔMENO MUSICAL DE VÁRIOS TALENTOS

Eu fui jovem quando JOHNNY PHODIS…OOOOOPPPS MATHIS, ainda permanecia no auge.
O apelido maldoso foi dado pela geração dos que o contestavam. Lá por 1967/68, comecei a frequentar bailinhos, o jeito herdado das geração anteriores para socialização de jovens a caminho do mesmo: nascimento, escola, profissão, (casamento, casamento, casamento), velhice e morte.
As perspectivas ainda não haviam aflorado para fora do óbvio tradicional. Ao menos aqui no Brasil, na classe média bem média, refletindo o que vinha das “elites”, e atingindo a toda a escala social.
Os bailinhos mais ou menos respeitavam ( e acho que ainda respeitam ) duas sequências mutantes dependendo do clima e do ardor da turma nas pistas.
Havia as músicas RÁPIDAS, para dançar separados, e as esperadas “LENTAS”, para chegar junto, tentar alguma intimidade mais consistente, e geralmente sem maiores consequências – ao menos quando se tinha uns 14 ou 15 anos…
O JOHNNY, como o RAY CONNIFF eram resquícios dos romantismo da década de1950, naqueles meados dos 1960 em profunda transição.
Mas, não os desprezem. Já por aí, entrou JOHNNY RIVERS, nas LENTAS, e em seguida o CREEEDENCE CLEARWATER, para as RÁPIDAS, e mais tantos e tão diversos HITS fugazes.
Claro, fora o escurinho dos bailinhos, o negócio já era o ROCK, e a música brasileira de contestação, pontuando a progressiva subversão e desmonte do consolidado por gerações.
No correr dos tempos, mudou a tecnologia, repertórios; e apressou-se o avanço das liberdades individuais em vários sentidos.
Do final da década de 1960 em diante, o romantismo foi sendo progressivamente substituído por luxúria e liberdades mais plenas nas pistas.
Acho que até hoje canções como “TEACH ME TIGER”, de APRIL STEVENS; e a mais ousada ainda “JE T’ AIME”, MA NON PLUS… de JANE BIRKEN e SERGE GAINSBOURGH, são instigantes, “libertárias e libertadoras”…
Em meio a tudo isso, JOHNNY MATHIS é personagem único.
O pai já havia notado seu talento natural e o colocou para estudar canto. E MATHIS sempre foi persistente, aplicado e disciplinado.
Foi do canto LÍRICO ao JAZZ , e daí ao POP que o consagrou. Dizem que até hoje, quando não está em turnê, começa a praticar às 5,30 da manhã, diariamente, para manter em dia a sua marca registrada há 66 anos, batizada pelos admiradores de VELVET VIBRATO.
O mais interessante é que simultaneamente, na escola, tornou-se atleta de alto rendimento. É inacreditável, mesmo tendo pouco mais de 1,70 metros de altura, JOHNNY bateu comprovadamente UM RECORDE MUNDIAL NA QUADRA DE BASQUETE da escola onde jogava e estudava!
Ele é um dos quatro atletas da História que conseguiram saltar acima de 1,95Metros de altura para arremessar uma bola à cesta!
E só não se tornou profissional, porque aos dezenove anos GEORGE AVKIAN, produtor da COLUMBIA RECORDS, o descobriu e o transformou em SUCESSO IMEDIATO e ABSOLUTO.
JOHNNY MATHIS é um dos mais longevos artista do CAST da gravadora.
Certa vez, declarou que lá descobriram a “essência de sua educação musical”. Ficou na COLUMBIA de 1956 a 1998, e periodicamente alguns de seus discos são relançados.
No começo da carreira, ele foi dirigido por RAY CONNIFF, grande MAESTRO e ARRANJADOR. E sua voz aveludada, quente e personalíssima que os críticos situam como “MIDDLE TENOR”, é capaz de atingir o FALSETTO, nas escalas mais altas, e descer ao TENOR beirando o BARÍTONO.
Ele é considerado grande cantor, do ponto de vista técnico. Mesmo que artisticamente seu repertório muito vasto e nada restrito, muitas vezes não tenha qualidade suficiente para realçar o seu potencial. Mas, isto é opção que assumiu.
Muitos dizem que JOHNNY MATHIS é o cantor perfeito para o “THE GREAT NEW AMERICAN SONGBOOK”, por sua técnica, escolhas e dicção perfeita. Da mesma forma que BILLIE, SARAH, ELLA e FRANK SINATRA encararam e encarnaram o SONGBOOK CLÁSSICO.
Seria?
Mesmo aberto a novos autores, JOHNNY nunca foi chegado a vanguardas musicais. E seu repertório consiste, em grande, de covers de HITS e STANDARDS de seu tempo de carreira. Ao escuta-lo se constata que é recheado por compositores brancos – como sempre foi e ainda é o seu público principal.
JOHNNY é um cantor pouco associado à BLACK MUSIC. A sua voz discrepa muito do cantor mais típico de R&B. Curiosamente, em seu período áureo, muitos fãs não sabiam que ele era preto!!!!
Porém, no início da década de 1970, MATHIS investiu mais no repertório da SOUL MUSIC e do R&B melodioso e romântico.
E, no decorrer do tempo, gravou músicas brasileiras, como AQUARELA DO BRASIL; e de várias partes do mundo também. É um eclético cantor POP.
Ficaram boas suas versões?
Certa vez, ao ser entrevistado, JOHN ROYCE MATHIS disse que se dava bem com gente variada, como a cantora lírica LEONTYNE PRICE, MILES DAVIS, ELLA, SARAH e NAT KING COLE.
Entre seus fãs estão BARBRA STREISAND e DENEECE WILLIANS, com quem também gravou – e afirma que JOHNNY é um dos homens mais bonitos que conheceu.
Dizem que é um cara legal, e muito discreto. Não fala demais, até para preservar-se e manter a voz; e é meio apolítico, mesmo apoiando causas sociais.
O guitarrista que o acompanha, GIL REAGERS, está com ele há 48 anos. E o pianista da banda, o mais novinho da “troupe”, já completou 27 anos por lá. Ele, ao que tudo indica, sabe conviver e manter sua quase orquestra.
Escreveram que JOHNNY MATHIS é o terceiro maior vendedor de discos da América, atrás de ELVIS PRESLEY e SINATRA. Não sei se é verdade…
Mas, JOHNNY vendeu mais 400 milhões de cópias pelo mundo inteiro. São 107 LPS originais ( seis só de canções de natal! ); 239 coletâneas; e, pasmem: 386 SINGLES e EPS!!!!, segundo consta no DISCOGS e a BILLBOARD endossa…E não contei participações e vídeos vários…
Para se ter a dimensão de sua fama, a primeira compilação “JOHNNY MATHIS GREATEST HITS” saiu em 1958, ficou entre os cem mais vendidos da BILLBOARD por quase dez anos. Foram 490 SEMANAS CONSECUTIVAS!!!! E só foi superada por “THE DARK SIDE OF THE MOON” – e vocês sabem quem gravou… – que, em 1983, completou 491 SEMANAS entre as 100 mais…
JOHNNY É PHODIS.
“THE REAL JOHNNY MATHIS” , é uma coletânea tripla e chegou recentemente. Foi lançada em 2014, e tem embalagem bastante caprichada, se comparada ao lixo que tenho visto e até recebido. São três CDS, 54 músicas, abrangendo a sua fase na COLUMBIA RECORDS. Traz nome e data de gravação de cada musica, e seus compositores. Não há qualquer livreto, como ficou “normal” nos tempos correntes. É bastante boa, custou em torno de $ 10,00, com frete e tudo. Resume bem a carreira do JOHNNY. É bem gravada, e para mim basta.
Para encerrar, o moço disse, também, que as três coisas de que mais gosta estão nesta sequência: cantar – por isso não para; cozinhar e JOGAR GOLFE…
A tá, ele é um “ATLETA NATURAL”, como vimos, e quase foi profissional desse esporte, também!!! Dizem pela mídia que encaçapou 9 buracos seguidos em um torneio!!!!
Algum comentário?
JOHNNY MATHIS andou com mulheres – elas o adoram!!! – e homens. E abriu o jogo com o pai, quando tinha 15 anos. Contou que era GAY, e se sentia bem com isso. Mas, assumiu discreta e publicamente, somente em 1982.
Até onde sei, JOHNNY fazia anualmente 35 SHOWS, de duas horas cada. É muito para quem tem 86 anos de idade! Mesmo com histórico de atleta.
Ele é um homem riquíssimo, sua fortuna é calculada em $400 milhões de dólares; coleciona automóveis, e mora sozinho em sua mansão em BEVERLY HILLS. A mesma que um dia fora totalmente destruída por um incêndio.
Quando JOHNNY soube do desastre limitou-se a perguntar se alguém havia ficado ferido. E, como ninguém se machucara, apenas comentou que eram só “coisas”, e tudo estava bem….
JOHNNY MATHIS é gente boa, um americano típico de bem.
E andava sem namorado.
POSTAGEM ORIGINAL:19/08/2022
Pode ser uma imagem de 2 pessoas e texto que diz "THEREAL MATHIS LLUAA 3C.D"

POSTAGEM SEM IMPOSTURAS, DISCOS OUVIDOS RECENTEMENTE

TIO SÉRGIO anda ocupado, e sem tempo para fazer andar a fila de discos não escutados, que já vai longa… Vez por outra, perco a vontade. Então puxei alguns CDs aleatoriamente e coloquei pra rodar, enquanto cuidava da cozinha e preparava o almoço:
1) LEE RANALDO: “BETWEEN THE TIMES AND THE TIDES”, 2012, MATADOR Records.
LEE era um dos guitarristas da SONIC YOUTH. Aqui, em viagem solo em ótimas companhias. Em linhas gerais, é menos experimental, e mais próximo ao HARD ROCK e ao PROGRESSIVO. Na linguagem de hoje, dá para enquadra-lo como PROG. Eu gostei bastante; custou merreca: uns 7 dólares com frete , etc…, incluídos.
2) GRAND FUNK RAILROAD: E PLURIBUS FUNK, 1971, CAPITOL
Edição japonesa bem masterizada e com ótima qualidade sonora. Esta capa é vagabunda demais!!!!! Frustrante. Eu quero, mesmo, é a cópia da edição original, redonda feito a moeda que representa.
O GRAND FUNK é ícone da minha juventude, e das gerações posteriores, também. Na década de 1960/70 fizeram bastante sucesso, mesmo execrados pela crítica.
Eu gosto deles; e os coleciono por causa do HARD ROCK duro, garageiro, tecnicamente limitado, mas perfeitos neles mesmos e do jeito que sempre foram.
Muita gente acha que JOHN BOHNAN, baterista do LED ZEPPELIN, é um espancador impiedoso! Eu discordo. Mesmo porque se comparado a DON BREWER , do GRANDFUNK, ele é um Master Class…
3) SONIC YOUTH: DAYDREAM NATION – “Noise Experimental Band” seminal! Estilistas criativos e memoráveis. Todos compõem e cantam. E os dois guitarristas são espetaculares: LEE RENALDO e THURSTON MOORE. Há um baterista, STEVE SHELLEY, adequado para o estilo musical que desenvolveram. E, também, a baixista, KIM GORDON – ícone do ROCK ALTERNATIVO como PATTI SMITH e algumas.
E este disco é sensacional! Havia tempo que eu não curtia! Levantou o meu astral!
4) BESIDE BOWIE – TRIBUTE TO “MICK RONSON”, SOUNDTRACK – 2018 – UNIVERSAL MUSIC.
Ele foi guitarrista de BOWIE, principalmente na fase GLAM. Tem estilo próprio. Sonoridade algo quebrada, mas reconhecível. Aqui, há faixas dele com BOWIE, ELTON JOHN, IAN HUNTER eJOE ELLIOT. E participação com BOWIE e os remanescentes do QUEEN, no tributo ao FREDDIE MERCURY. É disco interessante, e valeu a pena porque o preço foi de “Leite de Pato”: $ 6,00 – com frete e tudo!
5) TEMPEST: Foi uma das bandas de JON HISEMAN, o excelente baterista britânico que tocou e gravou com JOHN MAYALL e vasta “entrourage”. Ele vai escorreito do BLUES ao JAZZ; à FUSION; ao ROCK PROGRESSIVO; e o que mais viesse…
Postei dois álbuns, edições japonesas muito bem remasterizadas, ambos lançados originalmente pela BRONZE RECORDS:
A) TEMPEST, 1973, é disco de ROCK PROGRESSIVO. O time é de primeira divisão: PAUL WILLIANS, vocal; MARK CLARKE, baixo; E o famoso “guitar heroe” ALLAN HOLDSWORTH dando um show!
B) LIVING IN FEAR, 1974. Aqui é um trio com HISEMAN, CLARKE e o guitarrista craque OLLIE HALSALL. É POWER TRIO de verdade, siderando entre o PROGRESSIVO e o HARD ROCK – ao estilo inglês do início dos 1970. É outro discasso!
TIO SÉRGIO trouxe diversão pra todo mundo!
Desfrutem!
POSTAGEM ORIGINAL: 16/08/2025
Pode ser uma imagem de 2 pessoas, catraca e texto que diz "香翻 LERANILDO-BETWETHETE THE TIMES AND HE TIDES R LEE RANALDO BETWEEN 大 አነያ PERIBIS SONIC SONICYOUTH YOUTH DAYDREAM NATION BESIDE BOWIE THEMICKRONSONSTORY THE MICK RONSON STORY SOUNDTRACR SOUNDTRAC TEMDEST TEMPEST"

JOE TURNER – PRAZER EM APRESENTAR!

TIO SÉRGIO é “Apenas um rapaz latino-americano”, como canta o BELCHIOR. E cultor do BLUES desde sempre. Por andanças das quais não me recordo; visitando loja que não me lembro, em dia e local não determinados; eu dei de cara com o CD aí, quase completo – faltava a parte de trás, que depois consegui.
Garimpar é como exterminar pragas urbanas: foco por foco, disco por disco. É ganhar prazer perdendo horas no balcão de algum SEBO xeretando coisa intrigantes; e, às vezes, dar de cara com disco imprescindível!
“Foi assim”, cantou WANDERLÉIA, algures em sua carreira. E eu descobri o CD na foto. Susto bem-vindo!
Bom, primeiro vou falar sobre o que ouvi:
Um espetacular disco lançado em 1967, com banda prá lá de afiada, em gravação remasterizada em alto nível, pela “MOBILE FIDELITY SOUND LAB”. A data do relançamento não está no encarte. Mas, é coisa de uns 30 e tantos anos.
JOE TURNER é clássico do BLUES moderno, entendendo-se por isso gente que veio da década de 1930, influenciou a geração do ROCK AND ROLL e, posteriormente, o “Revival” do BLUES, dos anos 1960 e daí em diante. Seu grande clássico, “SHAKE RATTLE AND ROLL” ultrapassou décadas. Ah, ele deixou outros vários…
JOE TURNER é para ROCKERS, e cultores do BLUES, artista em nível de pós graduação em colecionismo.
Tio Sérgio garante e põe a mão no… copo!
Saúde!
POSTAGEM ORIGINAL: 11/08/2018
Nenhuma descrição de foto disponível.

SESC – INSTITUIÇÃO DO CAPITALISMO CIVILIZADO E A PECULIAR GRAVADORA DE MÚSICA INDEPENDENTE E NÃO COMERCIAL

TIO SÉRGIO!!! Você enlouqueceu em público novamente?
Isso é título que se proponha para um “texto” em espaço tão pequeno, mas busca de relevância mínima? “What porra it’ s this”?
Peço calma aos sobrinhos. Tá legal; só que ainda está longe do título da dissertação que o PATO DONALD e o TIO PATINHAS tiveram que escrever para passar no vestibular para a UNIVERSIDADE DE PATÓPOLIS: “Faça uma comparação entre a CIVILIZAÇÃO ISLÂMICA PRIMITIVA, e a estrutura contemporânea do CARNAVAL ALEMÃO!!!!
Vai lá, “Pato Cidadão”, morador dessa imensa PATÓPOLIS, chamada BRASIL. Tenta desenvolver…
É o seguinte: tempos atrás, o Nelson Rocha Dos Santos, dileto amigo, contou que fez compras sensacionais na lojinha do SESC. ( e fez, mesmo! ). Aliás, como entusiastas, colecionadores e conservadores de culturas mal vistas ou não amadas; e parte da minoria esfuziante que liga pra essas coisas; ambos, vulgo eu e o Nelson, sabemos perfeitamente que desperdício é, também, não aproveitar oportunidades; ou ficar reclamando hipocritamente de certas iniciativas.
Eu, ele e tantos e tontos mais, mergulhamos direto em busca do peixe grande e insólito; do disco “não óbvio” navegando abaixo da linha d’água. E tá cheio pelaí!
TIO SÉRGIO é consumista quase acrítico de discos e periferias tecnológicas conexas. Não aguentei e fui, mais uma vez, perscrutar o que é que artistas brasileiros e outros “mentes desencaixadas” têm; ou fizeram, ou sei lá…
Tá legal: comprei 25 CDs “sets” – porque alguns têm mais do que único CD – por cerca de R$ 280,00!!! Paguei-os em 6 vezes; e alguns custaram o indignante preço de $ 1,00 ( um Biden ); cerca de R$ 5,00 mandacarus!!!!!!!!!!!!!!!!!
O SESC é mantido pela enorme quantidade de lojas e empresas comerciais existentes; e por seus usuários e associados. Não recebe qualquer subvenção estatal. É INSTITUIÇÃO espalhada pelo BRASIL, que investe em locais ultra aprazíveis e convidativos; promove shows; esporte e muitas e muitas atividades que honram uma associação sem fim lucrativo. Provocando briga, que afirmo que oferece “a seus” associados, e ao público em geral, muito mais do que o sindicalismo puro e simples poderia propor.
O SESC É UMA INSTITUIÇÃO GERADA NO SEIO DO CAPITALISMO COMERCIAL BRASILEIRO. É socialmente relevante e administrado de maneira profissional por gente competente em múltiplas áreas. Propicia à sociedade brasileira contrapartida inestimável! Faz muito, mas muito além mesmo, do que qualquer governo consegue realizar.
A INSTITUIÇÃO não explora o POPULISMO DELETÉRIO de que Prefeitos, governadores, presidentes e políticos em geral se utilizam, trazendo com explícita motivação política ou eleitoral, shows de artistas populares e popularescos; todos muito bem pagos. Mas que contribuem nada para a formação, educação, criação, para a população local, e a sociedade brasileira.
Do acervo do SESC eu adquiri alguns discos e obras nada óbvias, como “Ópera das Pedras”, de DENISE MILAN; QUARTETO CARLOS GOMES; QUARTETOS DE CORDAS DE VILLA- LOBOS; HERMETO PASCOAL e o maestro OLIVIER TONI. Comprei gravações dos eruditos modernos GYORGY LIGETI; LUCIANO BERIO; JOHN CAGE; GILBERTO MENDES; CAMERATA ABERTA; e também do SAXOFONISTA de JAZZ alternativo, ANTHONY BRAXTON – e muitos e muitos outros!
São coisas relevantes, indisponíveis em lojas normais; e imprescindíveis para os que transcendem o cotidiano musical. Tudo isso, acreditem, ajudam ao TIO SÉRGIO aqui, e a outros também, a cometerem suas postagens!
No Brasil, temos gravadoras profissionais (poucas) que acessam e promovem artistas e obras de qualidade. Por exemplo a “BISCOITO FINO”. Empresa culturalmente relevante, com acervo espetacular, e criação de KATI ALMEIDA BRAGA, milionária herdeira de banqueiro e dono de seguradora.
Ela se uniu à cantora OLIVIA HIME, conhecedora de música brasileira como poucas e poucos. E ambas tocam o projeto de quase mecenato, mas equivalente cultural à GRAVADORAS como VERVE, BLUE NOTE, ECM. Não é pouca coisa!
Muitos dirão que empresas precisam viabilizarem-se por conta própria, e gerar lucro – e foi o caso da BISCOITO FINO.
Porém, além da iniciativa privada que tenta enfrentar o mercado, é possível e muito necessário contar com INSTITUIÇÕES da envergadura do SESC.
E por que, não?
Alguns reclamarão que um liberal democrata, como eu, propondo essas coisas não está sendo franco e nem fiel a um ideário.
Mas, estou, sim!
O verdadeiro LIBERALISMO não se constrói em cima de iniquidades sociais. Tornar o indivíduo o instrumento de sua própria política só é possível com incentivo ao mérito; o que não prescinde de uma sociedade equânime, vibrante, organizada, educada, e mais justa para que seja viabilizado.
O apoio coletivo, o incentivo localizado, claro e objetivo têm papel preponderante no financiamento e desenvolvimento para “artes mais difíceis e de resultados menos imediatistas”. É assim no mundo inteiro. E é o caso das obras musicais citadas…
Esse monte de discos adquiridos, talvez se irradiem, e incentivem outros interessados, que acessarão o SESC e impulsionarão um nicho de mercado sempre necessitado de promoção e ajuda.
O mercado estrito senso visa o lucro. Porém, a grande arte, as grandes descobertas, reflexões, teatro, literatura ou ensaios; também a ciência em geral, nem sempre são lucrativos. Ao menos de imediato. E se formos simplesmente UTILITARISTAS e FINANCIALISTAS, espaços imprescindíveis serão negados para inovações agregadoras de civilidade e progresso.
Então, vivas ao inusitado, ao estranho e ao não comercial.
TEXTO ORIGINAL REFEITO EM 09/08/2025
Pode ser uma imagem de 1 pessoa e texto

INCERTO SÁBADO À TARDE, EM 1973…

Eu me lembro com bastante nitidez de certo sábado, em 1973. Recordo a luminosidade daquele dia; deve sido entre e abril e maio.
Por motivo que não identifico claramente, eu estava tranquilo e feliz. Não alegre eu sei. Mas, desfrutando momento de rara completude. Palavra mágica e conclusiva.
Quase 50 anos se foram, mas aquele sábado reteve-se em mim.
Em 1973, ainda não existiam a WOP BOP ou a BARATOS AFINS, as duas lojas que fizeram história por conseguir congregar um certo público que curtia o UNDERGROUND, o ROCK e arredores.
Informações do exterior existiam, mesmo poucas e truncadas. Aguçavam desejos. Estavam condensadas em publicações como a ROLLING STONE, já circulando por aqui; e jornais alternativos onde esforçados jornalistas, como LUIZ CARLOS MACIEL, nos informavam sobre o novo “perenizado” pós a suposta revolução trazida por HIPPIES e a NOVA ESQUERDA INTELECTUAL. Claro, não durou o suficiente, mas deixou marcas não removidas – feito tatuagens.
Existiam grandes lojas que importavam, traziam discos e novidades. Mas eram tão caros como hoje é, e sempre foram…
Não consigo visualizar claramente se foi na BRUNO BLOIS ou na BRENO ROSSI, onde naquela tarde inesquecível comprei dois entre os discos de que mais gosto até hoje.
Eu já conhecia o BOB SEGER. Cantor potente, BLUESY e pesado. Teve dois SINGLES lançados por aqui, “2+2” e “RAMBLING GAMBLIN MAN”, estilingadas certeiras!
SEGER é uma espécie de antecessor de BRUCE SPRINGSTEEN, naquela coisa do americano solitário contra o sistema, e sempre “ON THE ROAD”; torturado pela imprecisão psicológica, feito um JAMES DEAN ou JIM MORRISON, que os antenados de minha geração conheceram. Vem daí o fascínio que me causou.
BOB chegou ao sucesso de verdade alguns anos depois, lá por 1977/1978, Mas, jamais fez álbum tão bom e consistente quanto “BACK IN 72”. O disco foi gravado no “MUSCLE SHOALS STUDIO”, onde a elite da SOUL MUSIC e do R&B gravava. Gente como ARETHA FRANKLIN, por exemplo.
Nesse álbum ele está acompanhado por craques, como J.J.CALE, JIMMY JOHNSON, BARRY BECKETT, DAVID HOOD e ROGER HAWKINS, para ficar no primeiro time. E mescla SOUL, R&B e ROCK com eficiência e sofisticação. É um grande e desconhecido disco, TIO SÉRGIO garante. Brilhando no fundo do poço do ROCK. Experimente.
Também me recordo de ter visto o disco de BOB SEGER e separado para comprar. Enquanto isso, rolava no PICK UP outro chegado naquele momento, o primeiro álbum do BLUE OYSTER CULT. Mais um Impacto fulminante. Míssil direto no cérebro e no corpo! Para mim, até hoje é o melhor disco que fizeram.
Está entre o HARD ROCK e o PROGRESSIVO. Tem pegada BLUESY, algumas novidades tecnológicas, como “delays” e outros “babados”; faixas interligadas e sem espaço, e dão sensação de continuidade, não importando as músicas que se sucedem.
O BLUE OYSTER CULT foi grande sucesso, na década de 1970. E fez outros discos bastante bons. É álbum bastante original de ROCK PESADO americano. Sim, claramente “Made in America”, como um CAPTAIN BEYOND e o KANSAS; ou o GRANDFUNK RAILROAD.
Um pouco antes, eu havia comprado o HUMBLE PIE – ROCK ON, de 1971. Eu lembro bem: estava aberto e foi no MUSEU DO DISCO. Os meus amigos SILVIO DEAN, FRED FRANCO JR. e ALDAHYR RAMOS, estavam lá!
A capa bizarramente americana não descreve o conteúdo magnífico. E a sequência é matadora: começa com SHINE ON, prossegue em altíssimo nível e repertório variado, expondo habilidades instrumentais e vocais de STEVE MARRIOTT e PETER FRAMPTON; e as performances corretas do baterista JERRY SHIRLEY e de GREG RIDLEY, no baixo.
O álbum vai do BLUES ao HARD ROCK em fogo crescente; explodindo feito vulcão. Não tem jeito de não empunhar um “AIR GUITAR” no final, quando FRAMPTON E MARRIOTT duelam e se complementam. E você jamais ouvirá ROLLING STONE, de MUDDY WATERS, em gravação tão precisa, empolgante e explosiva como aqui. É um dos melhores discos da década de 1970! Só isso! Obra de arte vibrante, incomparável!
Se você está ou esteve com uns 19 anos; e acha que a vida pode sorrir para sempre, observará que certas coisas e momentos marcam no “fundo profundo…”
Aproveitei para trazer outros discos que rodeavam o meu espírito, naqueles tempos. São parte e também motivos de a memória daquele inesquecível sábado me sequestrar até hoje.
Desejo a todos que tenham ou venham a ter experiência tão cativante…
Justificam viver!
POSTAGEM ORIGINAL REDEFINIDA : 06/08/2025
Pode ser uma imagem de 3 pessoas e texto