OREGON – THE MOON AND MIND – VANGUARD – 1979

“TIO SÉRGIO” NÃO CONHECIA O DISCO. PLENAMENTE JUSTIFICÁVEL EM VISTA DA IMENSA DISCOGRAFIA DA BANDA, E A DIFICULDADE PARA SE TER ACESSO; SÃO ARTEFATOS raros, ESCASSOS, E CAROS!
ESTE ÁLBUM É UM POUCO DIFERENTE DOS ANTERIORES EM ORGANIZAÇÃO. EM NENHUMA DAS FAIXA TOCAM OS QUATRO CONJUNTAMENTE – E TALVEZ PELA PRIMEIRA VEZ.
MAS, SERIA PARA REALÇAR A INDIVIDUALIDADE E O TALENTO ENORME, EXPRESSIVO, DE CADA UM DELES?
CERTAMENTE.
O GRANDE “RALPH TOWNER”, VIOLONISTA DE ALTO NÍVEL, AQUI TAMBÉM ESTRAÇALHA NO PIANO. E QUASE EQUIPARANDO-SE AO NOSSO “EGBERTO GISMONTI” – PARA QUEM RALPH PERDE, PORQUE NÃO SABE CANTAR…
AS MÚSICAS SÃO, COMO SEMPRE, INCLASSIFICÁVEIS. EXUBERANTES E BELAS; NO EXTREMO DO BOM GOSTO MELÓDICO, HARMÔNICO E RÍTMICO.
PARA TENTAR DEFINIR, “TIO SERGIO” PROPÕE QUE SEJAM “NÃO – JAZZ JAZZIFICADO”… HUMMMM! “NÃO – FOLK”; “BUCÓLICAS”, “CAMERÍSTICAS” E “NÃO – TRISTES”. VIAJANTES SEM SEREM “LOUNGE”; “PROGRESSIVAS” , MAS NÃO “ROCKS”. INTEGRADAS POR PROXIMIDADE À “WORLD MUSIC”… QUE TAL?
O “OREGON” TANGENCIA UMA ESPÉCIE DE “FUSION – NEW AGE”, MAS LONGE DE SIMPLISMOS E REDUÇÕES COMUNS NO SUB-GÊNERO.
O GRUPO EXISTE HÁ DÉCADAS. FOI CRIADO NA UNIVERSIDADE DO OREGON – SURPREEENDENTE, NÃO! – NOS “SIXTIES”. SÃO MÚSICOS DE FORMAÇÃO ACADÊMICA; GENTE ESTUDADA E CULTA.
“PAUL McCANDLESS” TOCA INSTRUMENTOS DE SOPRO NÃO METÁLICOS. É MUSICO ESPETACULAR! “GLEN MOORE” É BAIXISTA DE ALTA PERFORMANCE ARTÍSTICA. E “COLIN WALCOTT” É RITMISTA MÚLTIPLO. TAMBÉM TOCA SITAR E INSTRUMENTOS ORIENTAIS DE PERCUSSÃO. “COLIN” + O TROMPETISTA DE JAZZ, “DON CHERRY”, + O POLI-RITMISTA BRASILEIRO, “NANÁ VASCONCELOS”, FIZERAM DOIS ÁLBUNS EXPERIMENTAIS MEMORÁVEIS, NA DÉCADA DE 1980, PARA A GRAVADORA E.C.M: “CODONA 1 E 2”. MUITO CONHECIDOS!
O “OREGON” GRAVOU DIVERSOS PARA A “ECM RECORDS”! É BANDA CULT E ULTRA COLECIONÁVEL.
ELES E “EGBERTO GISMONTI” REPRESENTAM, NITIDAMENTE, A “IMAGEM SONORA” DA ” ECM”, PORQUE MEIO ESTRANHOS, NADA CONVENCIONAIS. MAS SE BEM OBSERVADOS, A GENTE PERCEBE DE ONDE VIERAM…
AHHH, E SÓ PRODUZEM MÚSICA DE ALTÍSSIMA QUALIDADE! E, SEMPRE, COM O TEMPERO E RETROGOSTO DO PRODUTOR E CRIADOR DO SELO, “MANFRED EICHER”.
“TIO SÉRGIO” NÃO TEM INVEJA DE NINGUÉM. MAS DE “MANFRED EICHER” EU TENHO! AH, SE TENHO! VAI SER COMPETENTE E PRODUTIVO ASSIM LÁ… NO MUNDÃO, NO UNIVERSO…. ESTÁ BEM?
ENTÃO, MERGULHE COM ESPÍRITO, E DE CABEÇA. “OREGON” É A TRADUÇÃO PERFEITA DESSAS DUAS POSSÍVEIS IMERSÕES!
POSTAGEM ORIGINAL: 04/06/2021
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Nelson Rocha Dos Santos, Paulo Ricardo e 1 outra pessoa

ARCHIE SHEPP, “FOUR FOR TRANE”, 1964 . DON CHERRY, SYMPHONY FOR IMPROVISERS, 1966.

TIO SÉRGIO GOSTA DELES, E OS COLECIONA. MAS HOJE NÃO OS PREFERE…
A  AUSÊNCIA DE MELODIA MAIS EXPLÍCITA E IDENTIFICÁVEL; DE SINTAXE HARMÔNICA MAIS ESTÁVEL; O EXCESSO DE IMPROVISAÇÕES, MUITAS VEZES COM INSTRUMENTOS E TIMBRES APARENTEMENTE “NÃO CONJUGÁVEIS”, ANDA DESORGANIZANDO A MINHA SENSIBILIDADE – GERALMENTE CURIOSA, OUSADA E VANGUARDISTA. QUALQUER HORA, TALVEZ A IMPLICÂNCIA SE DILUA. A VER!
POIS BEM, COMPREI OS CDS JÁ USADOS. E SOUBE QUE O ANTIGO DONO É ESCRITOR E USAVA O “FREE JAZZ”,  E ADJACÊNCIAS,  PARA INSPIRAR-SE. MAS SÃO PORTOS INÓSPITOS! MESMO QUE PROFUNDOS E ATRACÁVEIS.
O CARA TROCOU OS CDS POR “NIRVANA”, “PEARL JAM”, ‘GREEN DAY” E QUE TAIS: ROCK DE ENERGIA PURA; MAS FEITO POR MÚSICOS DE CÉREBROS MENOS ARGUTOS… PELO JEITO, O ESCRIBA TAMBÉM ENJOOU…
ENTÃO, ELES POUSARAM EM MINHA DISCOTECA. EU TOPEI E APLAUDO: PORQUE MUITO LEGAIS! NO ENTANTO, SÃO ARTEFATOS QUE TENDEM A FICAR ADORMECIDOS – JÁ QUE VÍRUS PERIGOSOS… E HORA QUALQUER, TALVEZ DESPERTEM E INVADAM O MEU SISTEMA.
AFINAL, TIO SÉRGIO NÃO ESTÁ IMUNIZADO, DEU UMA PAUSA, MAS CONTINUA INTERESSADO NO DIFÍCIL E DURO DE OUVIR.
E VOCÊ?
POSTAGEM ORIGINAL: 03/06/2019
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JANIS SIEGEL E FRED HERSCH – “ECLÉTICOS – SELETIVOS” OURIVES DA MÚSICA

Ela foi parte do excelente JAZZY/POP grupo vocal americano MANHATAN TRANSFER. Quatro cantores sofisticados e talentosos, capazes de elevar em nível máximo COLE PORTER, JONI MITCHELL, DJAVAN, SLY & THE FAMILY STONE, TOM JOBIM, e tantos outros. Eles sabiam cantar tudo! E os arranjos esfuziantes e moderníssimos não deixam quietos quem curte um som, ou quer dançar. Eles animam qualquer festa ou reunião entre amigos!
JANIS tem carreira solo tão virtuosa e versátil quanto em grupo. Vai muito bem com trios, quartetos e outras formações. E ajusta em estado da arte a sua voz expressiva e controlada, bela e quente, com o piano de FRED HERSCH.
Os discos aqui postados são todos recomendáveis. Relaxantes sem serem vulgares; e melódicos sem pieguices. Gravações de alto nível artístico e técnico – seguramente!
O meu predileto é “SLOW HOT WIND”, de 1989, em que SIEGEL & HERSCH dão à luz compositores modernos como JAMES TAYLOR, JULIA FORDHAN, JUDY COLLINS entre vários. Escolheram músicas e repertório pouco usuais. E muito interessantes, eu garanto.
Aliás, tenham o prazer em conhecer FRED HERSCH. É músico e artista de altíssima qualidade. Arranjador de bom gosto, capaz de realçar repertórios extensos e inusitados, dando-lhes tintura jazzística pessoal, imprescindível e adequada.
HERSCH tem sólida formação musical, e carreira como pianista tão cintilante quanto a de JANIS SIEGEL. Esteve com ART FARMER, JOE HENDERSON, LEE KONITZ, STAN GETZ e CHARLIE HADEN, só para citar alguns. E gravou intensamente tanto solo como em grupo. Ele recebeu um GRAMMY, e sua extraordinária versatilidade é aclamada pelo público, e também pela crítica.
Postei os discos que tenho de FRED; muito poucos – por enquanto: “PLAYS JOBIM”, 2009; “PLAYS RODGERS & HAMMERSTEIN”1996; “AT MAYBECK”, 1994; e o extraordinário “THE FRED HERSCH TRIO”, lançado em 1994, com repertório que vai de ORNETTE COLEMAN a HERBIE HANCOCK, passando por WAYNE SHORTER, MILES DAVIS, e reluzentes de igual nível.
FRED HERSCH gravou muito mais, é só procurar. E há pelo menos mais dois que me põem a babar para a LUA: “SILENT, LISTENING”, 2024, feito para a ECM RECORDS; e “SONGS FROM HOME”, 2020, onde há músicas de JONI MITCHELL, PAUL McCARTNEY, JIMMY WEBB e por aí vai… É considerado talvez o seu melhor álbum entre tantos irrepreensíveis…
FRED E JANIS são dois instigantes bálsamos nesses tempos vorazes e doentios.
Descubram e curtam! Valem a pena!
POSTAGEM REVISADA: 01/06/2024
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FRANGOS, UMA REFLEXÃO. E A TRILHA SONORA POSSÍVEL: CHICKEN SHACK, ATOMIC ROOSTER, E OS ROLLING STONES

Eu adoro! Assado, grelhado, cozido, a passarinho, numa bela canja, por aí… É bicho gordurento, mas tanto faz: humanos dão conta disso…
Pensando bem, que pobre bichinho! Há bilhões e bilhões deles espalhados pelo mundo. Valem nada; e crescem para os nossos prazeres e alimentação. Vivem sob nossos desígnios e poderes. São, metaforicamente, os chineses e os hindus, os africanos e os miseráveis do mundo… Custam barato.
O nascimento é uma sentença de morte: 60 e poucos dias e ponto. Sem história, e nem glória. São precários por necessidade e condicionamentos que o homem lhes impõem… Talvez sejam os maiores oprimidos do reino animal! São devastados e repostos continuamente…
Esses dias, comprei um peito para fazer canja. Não reparei, mas o bicho estava crescido: era um galo quando foi abatido. E se vingou de mim e minha panela de pressão: carne dura, e sem sabor…
Poucas vezes reclamei deles. Mas achei um descaso o bicho estar tão sem gosto. Então, eu o algoz do bicho, pensei comigo: nunca mais! Toda a vez em que for buscar o pobre galináceo vou dar uma geral, e ver se tem o tamanho máximo; e se tenro para o meu deleite.
Eu, você e o mundo somos cruéis com criatura tão útil e indefesa. Hoje, hipocritamente faço orações quando meu prato chega. E, quem sabe, ele reencarne homem ou bicho menos vulnerável.
Para se ter uma ideia do “quê” somos basta verificar a nossa posição na cadeia alimentar.
O resultado não é lisonjeiro.
Ah, fui buscar na coleção alguns discos e artistas que tenham relação com o nobre e supliciado bichinho, estão na foto:
CHICKEN SCHACK ( galinheiro ); ATOMIC ROOSTER (galo atômico), e os ROLLING STONES no clássico ‘LITTLE RED ROOSTER”, de Willie Dixon.
Có, có, có, cocoreco, có, có!!!!!!!!!
POSTAGEM REVISTA: 31/05/2025
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LORD SUTCH – ENTRE O ENIGMA E O CULT COLECIONÁVEL!

MAL SEI POR ONDE COMEÇAR.
ENTÃO, VOU PELO CAMINHO ESCORREGADIO PERCORRIDO POR FARSANTES, OPORTUNISTAS OU SIMPLESMENTE PERSONAGENS ESQUISITOS, IMPROVÁVEIS E CLAUDICANTES QUE LOTAM AS VEREDAS DO SHOW BUSINESS.
EM MEUS “ALFARRÁBIOS” ENCONTREI UMA ENTREVISTA DO REFINADO PRODUTOR CHRIS THOMAZ (PROCOL HARUM, ENTRE VÁRIOS ARTISTAS ), SOBRE A SESSÃO DE GRAVAÇÃO QUE O EMPRESÁRIO “MALCOLN MC LAREN” CONTRATOU PARA FAZER O PRIMEIRO DISCO DOS “SEX PISTOLS”, “NEVER MIND THE BULLOCKS”, EM 1976.
AUDIÇÃO E VEREDITO:
THOMAS: “TÁ LEGAL! A BANDA DEIXA PRA LÁ. EU TENHO O MEU TIME NO ESTÚDIO E A GENTE FAZ TUDO ISSO AÍ COM UM PÉ NAS COSTAS”. MAS O CANTOR ( JOHNNY ROTTEN ) NÃO TEM JEITO! ARRUMA OUTRO, PORQUE NÃO HÁ CONDIÇÕES DE FAZER ESSE CARA CANTAR!”
E DEPOIS DISSERAM QUE “LORD SUTCH” NÃO SABIA CANTAR!!!!
NÃO SABIA. MAS, E DAÍ?
DAVID SUTCH sempre foi muito pobre. Trabalhou como auxiliar de mecânico de automóveis; foi encanador; e desenvolveu outra obsessão: o ROCK AND ROLL.
O LORD era híbrido mal feito de “quase – cantor” de ROCK; “quase – ator” ;- e performer aloprado. Contradição explícita para um sujeito “quase tímido”, reservado, e que não saía do quarto durante as turnês. Ele nunca tomou drogas ou passou dos limites. E morava com a mãe e a cachorra.
Por suas bandas, sempre efêmeras, passaram alguns históricos: RITCHIE BLACKMORE, depois guitarrista do DEEP PURPLE; o pianista NICKY HOPKINS; e o organista MATHEW FISHER
( PROCOL HARUM ). Ele gravou alguns SINGLES produzidos pelo histórico doidivana e produtor JOE MEEK. Mas, sem qualquer sucesso.
LORD SUTCH já conhecia SCREAMING JAY HAWKINS, “BLUES-SINGER” e performer americano, que entrava no palco dentro de um caixão junto com uma cobra de borracha… Mas legou ao mundo “I PUT SPELL ON YOU”, 1956, clássico do R&B gravado por muitos, como NINA SIMONE e o CREEDENCE CLEARWATER RIVIVAL…
Baseado nas performances de HAWKINS, em 1961 SUTCH, acompanhado por uma banda de ROCK, começou a desenvolver JACK THE RIPPER, um “GRAND GUIGNOL” sobre o famoso estripador e serial killer inglês. De certa forma, ele tornou-se o antecessor de ALICE COOPER, IGGY POP, ARTHUR BROWN e outros malucos “histórico/histéricos” do ROCK. O show do LORD era anarquia e non – sense puros. As fotos do público assistindo testemunham a paralisia frente ao caos!
É argumentável que seu “espectro de insanidade” e contestação também influenciaram o PUNK-ROCK! Afinal, seus “não – atributos” artísticos tornaram-se a essência do LOW-FI ALTERNATIVO; que ditou regra, em vários casos, de meados dos 1970 em diante…
Em meio a tudo isso, LORD SUTCH meteu-se em política e ajudou a bagunçar o REINO UNIDO com o inacreditável partido que fundou, em 1963:
O “NATIONAL TEENAGE PARTY” tinha um lema: “VOTE FOR INSANITY. YOU KNOW, IT MAKES SENSE”, frase típica dos movimentos “político – nefelibatas”, que desaguaram em 1968…
O partido cativou os mais jovens, porque propunha voto aos 18 anos; e descriminalizar as rádios clandestinas, que desafiavam o monopólio da estatal B.B.C.
LORD SUTCH participou de incontáveis eleições e jamais foi eleito. Ele e seu partido foram escorpiões no sapato da elite inglesa.
O nosso “Lorde de araque” atazanou – e muito – a vida da futuro Primeiro – Ministra MARGARETH THATCHER.
Por caminhos não bem explicados começa o foco maior de nosso interesse nele. No início de 1969, LORD SUTCH andava esquecido no mundo do ROCK, e resolveu tentar carreira nos Estados Unidos. Claro, não deu certo!
Mas gravou um disco contestado, de popularidade e aceitação ciclotímica, mal compreendido – ou muito bem compreendido, alegam outros… Horroroso, ou… e inevitavelmente CULT?
LORD SUTCH & THE HEAVY FRIENDS, produzido por JIMMY PAGE, foi eleito o pior disco da história pela BBC, quando lançado em 1970! E ganhou o GUINESS como um “BRILHANTEMENTE INAUDÍVEL CLÁSSICO”. A maioria dos participantes tentaram “esquecer” que lá estiveram, tal o julgamento que à época foi feito…
Porém, TIO SÉRGIO pergunta: como pode ser ruim um disco em que a banda tem a seguinte formação básica?
Estão preparados? JIMMY PAGE e JEFF BECK, nas guitarras; NICK HOPKINS, no piano; JOHN BOHNAN, na bateria; e NOEL REDDING (JIMI HENDRIX ) no baixo; e sem falar em outros músicos de estúdio experientes, e todos no auge da forma artística e técnica?
Vamos em frente:
O segundo álbum, gravado ao vivo em estúdio pelos HEAVY FRIENDS, em 1971, “HANDS OF JACK THE RIPPER”, traz uma sequência esfuziante de ROCK AND ROLL CLÁSSICO, como “ROLL OVER BEETHOVEN”, “GREAT BALLS OF FIRE”, e similares…
Está lá, inclusive, a hilária e estravagante “performance integral ” ao vivo de “HANDS OF JACK THE RIPPER”, com mais de dez minutos de gritos, assassinatos, urros e flatulências. E a inestimável contribuição na algazarra de KEITH MOON ( AHHH vocês sabem quem é ) berrando insanamente ao fundo!
Mais um complemento, a banda que foi ao palco era: RITCHIE BLACKMORE, na guitarra; KEITH MOON, na bateria; NOEL REDDING, no baixo e MATHEW FISHER, no teclado. E mais uns 6 músicos profissionais de estúdio e de outras bandas…
É algazarra beirando a música. É muito legal, sim, majestades!
Eu acho que a má recepção do primeiro disco deveu-se a ele estar totalmente fora do contexto artístico da época. Em 1970, o nascente ROCK PROGRESSIVO ditava as regras. Portanto, o esmero na produção já era indispensável.
Mas os dois álbuns são de ROCK´N`ROLL PESADO PURO E SIMPLES, sem alusões vanguardistas ou vanguardeiras. Não são HARD ROCK; e nem HEAVY METAL E sem quaisquer firulas ou produção mais acurada. Quase LOW-FI! ROCK, e ponto!
De alguns tempos para cá, foram resgatados grupos das décadas de 1960/1970, à época desconhecidos, com a marcante característica de serem básicos, chão duro. Ouçam um deles, o hoje “CULT”: JOSEPHUS!!!!
No primeiro disco dos HEAVY FRIENDS, a banda toca completa em duas faixas, e a dobradinha BECK/PAGE é inesquecível. Nas demais, JIMMY PAGE testa mil coisas, como wah-wahs, delays e câmaras de eco, com liberdade total. Eu diria que são preâmbulos de futuro muito próximo!
Há, também, “BOHNAN” e “REDDING” além do parâmetro básico. E participações excelentes com BECK na guitarra e KENT HENREY, guitarrista do BLUE IMAGE e do STTEPPENWOLF, tocando o fino pesado, também.
Sou suspeito para dizer. Mas este é um dos MELHORES DISCOS DE ROCK QUE OUVI NA VIDA! E a cotação digamos… artística… vem subindo ao longo do tempo.
No último relançamento, há uns dez anos, a RECORD COLLECTOR já deu quatro estrelas para o álbum. E vários elogios, também… Há uma foto histórica nessa postagem: JEFF BECK e JIMMY PAGE no estúdio juntamente com o LORD SUTCH.
Para complicar, observem um aspecto intrigante sobre a “pessoa” do LORD: Os companheiros de banda contavam que se houvesse alguma encrenca, a simples presença dele acalmava os ânimos dos policiais. Os ingleses, sempre formais, o respeitavam por aquilo que ele “representaria”…
DAVID SUTCH foi encontrado morto pela namorada, em junho de 1999. Ele havia se enforcado em casa. Era bipolar, e não aguentou a morte da mãe e da cachorra. Morreu de solidão…
No seu funeral, em LONDRES, estavam centenas de pessoas. E foi a primeira e última vez que se cantou “ROLL OVER BEETHOVEN”, na SAINT PAUL CHURCH.
REST IN PEACE – ou “PIECES”? – LORD DAVID SUTCH!
POSTAGEM ORIGINAL: 29/05/2021
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JANIS SIEGEL – A CULTIVADORA DE PÉROLAS

Ela é parte do excelente JAZZY/POP sofisticado e talentoso grupo vocal americano MANHATAN TRANSFER.
Quatro cantores capazes de elevar em nível máximo COLE PORTER, JONI MITCHELL, DJAVAN, SLY & THE FAMILY STONE, TOM JOBIM, e tantos outros: sabem cantar tudo!
JANIS tem carreira solo tão virtuosa e versátil quanto em grupo. Vai muito bem com trios, quartetos e outras formações. E ajusta em estado da arte sua voz expressiva e controlada, bela e quente, ao piano de FREDDIE HERSCH.
Aliás, tenham o prazer em conhecê-lo. FREDDIE é músico e artista de altíssima qualidade. Arranjador de bom gosto, capaz de realçar repertórios extensos e inusitados, dando-lhes a tintura jazzística adequada e imprescindível aos que procuram seu talento e competências.
Os discos aqui postados são todos recomendáveis. Relaxantes sem serem vulgares; e melodiosos sem pieguices. São gravações em alto nível artístico e técnico – seguramente!
O meu predileto é “SLOW HOT WIND”, de 1989, em que SIEGEL & HERSCH iluminam compositores modernos como JAMES TAYLOR, JULIA FORDHAN, JUDY COLLINS outros vários. Escolheram músicas e repertório pouco usuais. E muito interessantes. TIO SÉRGIO garante.
Um instigante bálsamo para esses tempos vorazes e doentios. Descubram e curtam! Valem a pena!
POSTAGEM ORIGINAL: 29/05/2021
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HORACE SILVER , ENTRE O BE-BOP E O HARD BOP, ENXARCADO POR FUNK E BLUES

Estão aqui talvez uns 30% do que HORACE TAVARES DA SILVA produziu. Não se percam por este nome. Ele era americano, nasceu em 1928,e morreu em 2014. Seu pai era de CABO VERDE.
JOHN MAYALL em uma de suas passagens pelo Brasil, comentou que cruzou com HARACE SILVER nos bastidores do festival que participaram. Eram velhos conhecidos. E, claro, o BLUES os aproximava.
SILVER passou 28 anos na BLUE NOTE RECORDS . Muito tempo para um jazzista de sua geração. E muitos o consideram compositor melhor do que pianista.
Sei, lá. É notório seu capricho no lado melódico, daí ter composto uma série de STANDARDS, “DOODLING”, OPUS THE FUNK e PEACE, entre vários.
HORACE SILVER influenciou pianistas como RAMSEY LEWIS e LES McCANN, notórios cultores de ritmos e coisas mais funkeadas. Mas, também vanguardistas como CECIL TAYLOR.
Gosto dele; o lado BLUESY meio festeiro, tingido por algo meio DARK e GOSPEL e um toque seco, o tornam muito agradável e divertido.
Aqui está uma seleção bem substancial de discos do mestre. Esse box 12 CLASSIC ALBUMS 1953/1962, cerca bem a franga no terreiro, e é barato: uns R$ 140,00 MANDACARUS, na POPS DISCOS.
Mas, escutem antes de comprar.
Eu vou continuar comprando.
POSTAGEM ORIGINAL: 23/05/2023
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KRAUT ! – COLEÇÃO ESPETACULAR E IMPRESCINDÍVEL DO ROCK PROGRESSIVO FEITO NA ALEMANHA

Comprei os BOXES no espaço de uns 4 meses, porque bastante caros! Preços muito mais altos do que a média, por causa do excepcional trabalho para a sua realização.
A BEAR FAMILY RECORDS é a mais perfeita pesquisadora, preservadora e editora de quaisquer coisas relevantes do passado musical gravado. Não tem pra ninguém: não há produtos mais perfeitos, amplos, relevantes e bem feitos na indústria discográfica mundial. Obras de arte, sempre!
Os quatro BOXES, cada um com 2 CDS, foram baseados nas regiões geográficas da antiga “ALEMANHA OCIDENTAL”. E trazem livretos excepcionais com fotos, históricos, etc… em qualidade gráfica suprema. Mas pecam por um absurdo: o TEXTO É EM ALEMÃO. E ler “ozalemão” vamos combinar que não dá! Cadê a tradução para o inglês, PÔ!
Mesmo assim, as biografias completas de cada uma das 87 bandas e artistas que aparecem nas coletâneas, são diagramadas de forma que se ter acesso direto ao nome dos integrantes, e a fotos espetaculares de tudo o que gravaram. Ou seja, permite uma comunicação visual direta e imediatamente compreensível.
Os artistas escolhidos são incontestáveis. Mas, incompleto: não há nada dos 3 principais e mais famosos representantes do KRAUTROCK: KRAFTWERK, CAN e AMON DUULL- 2. Questões contratuais, essas coisas, impediram…
Fazem falta? Certamente; porém são bandas e discos de fácil acesso internacional, e a opção adotada é plenamente supletiva e vitoriosa.
Entre as 87 faixas, todas remasterizadas, há várias com mais de 6 minutos. Estão aí 24 de bandas muito conhecidas, como TANGERINE DREAM, EMBRYO, GURU-GURU, PASSPORT, TRIUNVIRAT, LUCIFER FRIENDS, NOVALIS, BIRTH CONTROL, JANE, FRUMPY, ELOY, NEKTAR e KHARTAGO. Não vou citar todos.
As restantes 63 músicas são igualmente representativas, relevantes, e fazem uma cartografia do KRAUTROCK inédita, abrangente e integradora. Por enquanto, não escutei a tudo. Vou fazê-lo aos poucos. É audição difícil, truncada; é “alemão e racionalista” demais para um velhinho já não tão da pesada, feito eu…
A BEAR FAMILY lançou mais dois “BOXES” DUPLOS, com os grupos e artistas da EX-ALEMANHA ORIENTAL! Portanto, mapeamento concluído! CHUCRUTE para todo lado…
É preciso relembrar a espetacular e ainda subestimada participação de BRIAN ENO na consolidação da vertente. Ele tangencia a tudo isto, mas é inglês, portanto…
A concepção de ENO na FASE BERLIM de DAVID BOWIE, 1977/1980; audível nos LPs: LOW, HEROES, LODGER, STATION TO STATION, STAGE – é enunciadora dos novos tempos. Ou alguém ainda duvida que a MÚSICA DE BASE ELETRÔNICA domina progressiva e inexoravelmente, o cenário musical dos últimos quase 50 anos?
Ahnnn, hoje o CONCEITO DE KRAUTROCK é mais abrangente. Então, “aproveito o ensejo” para também recomendar o BEAT e o ROCK PSICODELICO ALEMÃO.
Ouçam THE BOOTS, e principalmente THE LORDS – PSICODELIA de alto nível, mais para o estilo INGLÊS do que para o AMERICANO.
A coleção KRAUT! é matéria para MESTRADO em ROCK ´n´ ROLL. E quem não buscar acesso não ganha o título de “MESTRE”.
Vá atrás. É imprescindível!
POSTAGEM ORIGINAL: 27/05/2021
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BILLY COBHAM – CINCO PRIMEIROS DISCOS SOLO, GRAVADOS ENTRE 1973 E 1975 – ORIGINAL ALBUM SERIES

Estou entre os que não gostam muito de bateristas e percussionistas como líderes de grupos.
Não há razão objetiva; e não é de meu feitio alegar platitudes do tipo “gostos e cores não se discutem”. Porque é falso: cores existem em relação às outras; e não são tão específicas, porque há incontáveis matizes, e vasto etc… Como escolher?
E os gostos são preferências ainda mais difíceis de pontuar, já que tudo tem uma base e mil possibilidades.
Eu simplesmente não aprecio bateristas como líderes de bandas. E talvez por preconceito. Já que alguém em nível dele tem de ser reconhecido entre os melhores. E bateristas e percussionistas são essenciais na música popular moderna.
COBHAM nasceu no PANAMÁ e esteve com muita gente. É baterista preciso, cheio de recursos, e muito requisitado. Tocou, na década de 1970, em discos de MILES DAVIS. Participou da MAHAVISHNU ORCHESTRA, de JOHN McLAUGHLIN, uma das principais implementadoras da FUSION.
Os cinco discos neste pequeno BOX deram poder de fogo para BILLY. O primeiro deles, SPECTRUM, é considerado clássico no gênero, e é o mais “ROCKER” entre todos. Estão lá o guitarrista TOMMY BOLIN, depois no DEEP PURPLE; o excelente baixista LELAND SKLAR, rodado ad-infinitum na música, principalmente no FOLK e no POP; e JAN HAMMER, nos teclados. Claro, vocês os conhecem!
Na sequência, os discos foram se definindo cada vez mais na FUSION, mas com “sotaques” do FREE JAZZ, e o colorido enorme da palheta musical norte americana. Muito bons!
Estão presentes em sua discografia músicos em nível dos irmãos BRECKER: MICHAEL e RANDY, nos sopros. E guitarristas como de JOHN ABERCROMBIE e JOHN SCOFIELD, entre os melhores dos últimos quarenta e tantos anos. Sem falar nos demais músicos. Afinal, craque procura craque…
Para resumir, se você gostar de FUSION, e esse BOX aparecer em sua frente a preço baixo, não perca.
É isso. Eu e muita gente se diverte bastante bastante com o BILLY COBHAM!
POSTAGEM ORIGINAL: 07/05/2023:
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JOHN PIZZARELLI: A ARTE DE SER COOL USANDO VOZ PEQUENA.

Eu gosto muito do cara!
E não só eu; o mundo e PAUL McCARTNEY, também. Ele tocou guitarra no disco do EX-BEATLE gravado em 2012, “Kisses in the Botton”. Em troca, PAUL o instigou a gravar um repertório de músicas dele no estilo JAZZ digamos…pizzarelliano. E deu em “MIDNIGHT McCARTNEY”; um hit internacional.
JOHN PIZZARELLI é ótimo guitarrista, capaz de emular WES MONTGOMERY e DJANGO REINHARDT; dar vida nova aos BEATLES; gravar TOM WAITS, JONI MITCHEL, NEIL YOUNG, BRIAN WILSON, além de um monte de autores novos.
Sua voz pequena e bem postada, herdeira de estilistas como CHET BAKER e JOÃO GILBERTO, casa suavemente com imenso repertório.
Ele não é um mestre da interpretação. Mas, vai do POP ao JAZZ. E sua versatilidade disciplinada, estudada, e ao mesmo tempo COOL e relaxada, traz achados sobre quaisquer autores que escolha gravar. Ele não tem discos ruins. Todos são prazerosos e tecnicamente muito bem gravados.
Recentemente, PIZZARELLI revisitou o fundamental disco de FRANK SINATRA e TOM JOBIM. Não escutei; mas as críticas foram boas. Tá na lista, e um dia vai aparecer em casa…
Vários músicos jovens, como ele, perceberam ser preciso ir além dos clássicos. E PIZZARELLI não se limitou a fazer eternamente o AMERICAN SONG BOOK tradicional. Muito bem comparando, a tocar os eternos e geniais CHICOS e JOBIMS do cancioneiro americano. Mesmo assim, sempre dá nova perspectiva à grande canção americana com arranjos que tangenciam a tradição, mas sempre modernos e de excelente gosto.
Na imensa discografia de PIZZARELLI não faltam COLE PORTER, GERSHWIN, JOHNNY MERCER e muita MÚSICA BRASILEIRA. Aliás, há discos dedicados somente a ela. E, complementando, JOHN PIZZARELLI cai bem em quaisquer festas e reuniões. Seus discos são dançáveis, cheios de balanço. E ele é COOL, POP e MODERNO.
Aqui, alguns entre os quase 40 álbuns que já gravou. Inclusive o icônico com as músicas dos BEATLES. Tudo muito bem e muito bom. De vez em quando PIZZARELLI passa por aqui no Brasil e América Latina, e a turma vai assisti- lo.
JOHN PIZZARELLI, é filho do grande músico, BUCK PIZZARELLI. Ele cresceu rodeado da fina flor do JAZZ , e ilimitada adjacência. JOHN é rapaz de bem, trabalhador incansável, e vem construindo obra relevante, que muita gente ainda vai gostar. Ele é um futuro “clássico” para outras gerações.
Não perca; “se perca’ nos discos que ele gravou!
POSTAGEM ORIGINAL 23/05/2023
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