JOCY DE OLIVEIRA: A MÚSICA SÉCULO XX DE JOCY, 1959

Estou algo inseguro para escrever este comentário.
O ideal teria sido estudar mais sobre esta senhora, uma original e verdadeira gênio brasileira, reconhecida internacionalmente.
Mas, no Brasil, muito poucos sabem dela fora do mundo acadêmico e da música de vanguarda. Então, algumas palavrinhas: JOCY é doutora em música, detém outros títulos acadêmicos, e publicou vários livros.
Eu a conheço faz tempo. Mas, reativei a curiosidade quando, recentemente, assisti a um documentário sobre música eletrônica brasileira, chamado “ELETRÔNICA MENTES”.
Lá, aparece JOCY cultuada por D.J.s, músicos de vanguarda, críticos, e etc… porque foi a primeira a compor, gravar e divulgar a MÚSICA ELETROACÚSTICA, no Brasil.
Era novidade revolucionária dos anos 1940, em diante, e que nos legou STOCKHOUSEN, LUCIANO BERIO, XENAKIS, LUKAS FOSS, JOHN CAGE, CLAUDIO SANTORO, PIERRE HENRI, e incontáveis…
JOCY DE OLIVEIRA é importante criadora da modernidade musical, que deu na MÚSICA ELETRÔNICA DE VANGUARDA. E por consequência, em parte do ROCK PROGRESSIVO e seus CROSSOVERS históricos, que inundam a cena atual e alimentam D.J.s., RAVES, o HIP-HOP, FUNKS DE PERIFERIA, e vastíssimo etc…, mundo afora, e Brasil adentro.
A criadora/criativa JOCY nasceu em 1936, e foi amiga, parceira, e correspondente de quase todos aqueles compositores citados. Alguns até compuseram especialmente para ela. Pianista de primeiro time, e carreira internacional com 25 discos gravados.
A mestra também dedicou-se a estudar OLIVIER MESSIEN, e fez álbuns com músicas dele.
JOCY teve a orientação de grandes maestros. Inclusive foi regida por STRAVINSKY, de quem era amiga, e trocava correspondências.
E também por ROBERT CRAFT, talvez o maior e mais cultuado especialista internacional em STRAVINSKY.
De certa maneira, ela desistiu de ser concertista de piano para concentrar-se em “óperas” – entre aspas, mesmo!
O que JOCY faz e cria abrange música, teatro, textos, performances de plásticas diversas. Quer dizer: é e sempre foi artista de vanguarda; a pioneira da arte MULTIMÍDIA no Brasil.
Observem o escopo da professora!!!!
Em 1961, JOCY compôs e tocou no primeiro espetáculo feito por aqui de música eletrônica e MULTMÍDIA, no THEATRO MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO.
No palco, a nata da vanguarda do teatro brasileiro, daqueles tempos: FERNANDA MONTENEGRO, FERNANDO TORRES, SÉRGIO BRITO e ITALO ROSSI.
“APAGUE MEU SPOT LIGHT” é um “DRAMA ELETRÔNICO”, escrito por JOCY; e teve a parte musical dirigida pelo grande maestro e compositor LUCIANO BERIO!!!! Foi sucesso total, durante dez dias! Depois, virou história, correu a Europa…
Um feito artístico de larga envergadura!!!!
A partir daí, JOCY DE OLIVEIRA, professora da UFRJ, pessoa organizada, assertiva e determinada, dedicou-se a compor.
Ela revolucionou a ópera moderna no Brasil, trazendo-a para novo formato, bem mais contemporâneo!
Há nove peças compostas e encenadas por ela, Todas estão registradas em DVDS. São difíceis de achar.
Eu assisti a duas.
JOCY dirige e atua com seu “ENSEMBLE” de músicos sensacionais, onde há um “GUITAR HEROE” peculiar: ALOYSIO NEVES, é o primeiro acadêmico, “professor doutor” em guitarra elétrica do Brasil. Pulou na cova, EDDIE VAN HALEN?
JOCY tem iniciativas. E agrega em suas apresentações cantores e cantoras afinados com sua proposta artística.
Procurem saber da sensacional “CANTATRIZ” GABRIELA GELUDA, por exemplo, e sua performance em “LIQUID VOICES”, um… digamos, duplo monólogo e performance entre dois atores; mediada por “ENSEMBLE” dirigido por JOCY.
Nos últimos 40 dias, eu já assisti duas vezes, no ART CHANELL, Adorei!!!
O disco A MÚSICA SÉCULO XX DE JOCY, foi lançado em 1959.
O LONG PLAY original e os outros relançamentos, tocam em 45RPM. É um tanto fora do convencional. São 13 músicas, com total de 20 minutos! A duração é mais curta dos que os discos de “JOÃO GILBERTO” e do “DAVE CLARK FIVE” considerados “concisos”… hum!
O disco não foi ignorado, mas execrado pela crítica e o público, porque intencionalmente mal compreendido.
JOCY tinha 22 anos, naquela época!!! E tinha cabeça muito além de um barquinho e um violão…
No decorrer de décadas, tornou-se caso à parte na música popular brasileira. Eu diria que é a “anti – BOSSA NOVA”!
Por isso, coloquei foto de CD com os três primeiros discos de JOÃO GILBERTO. Falsos parâmetros para algo tão inovador e contestador.
Mas, como assim, TIO SERGIO??!!!
Vou tentar descrever:
Começo citando algumas faixas do disco: SOFIA SUICIDOU-SE; UM ASSALTO NO MORUMBI; INCÊNDIO; BRASÍLIA SÉCULO I; UM CRIME; A MORTE DO VIOLÃO; SAMBA GREGORIANO, entre outras iconoclastias.
E, agora, algumas do JOÃO: CHEGA DE SAUDADE; DESAFINADO; LOBO BOBO; NOSSO AMOR; A FELICIDADE; AMOR CERTINHO; O BARQUINHO…e uma fieira de clássicos…
Sacaram a VIBE em termos de lírica?
JOÃO, TOM, VINÍCIUS e os bossa – novistas nos brindavam com o otimismo da era JUSCELINO. Cantaram o amor, o sorriso e a flor.
E João trabalhou em seu violão sofisticando o samba. Sua voz foi cuidadosamente posta, em canto com as divisões musicais alteradas, e muito estudadas. Obras de arte.
Uma evolução sofisticada, mas conservadora e de bom gosto evidente. A turma da Bossa Nova conseguiu “jazzificar” o samba, tornando – o rico em estrutura harmônica, o que enriqueceu e favoreceu as improvisações.
Pois, saibam: o contraste com o disco de JOCY é chocante! Procurem escutar no YOUTUBE. É rápido; instigante, diferente, dolorido; e talvez desagradável ao primeiro contato.
É um retrato certeiro de um Brasil despontando, e visto por outro tipo de classe média intelectualizada!
JOCY de OLIVEIRA é paranaense, bem formada, e também da classe média alta.
Ouvir “A MÚSICA SÉCULO XXI”, é descobrir que ela se utiliza – talvez o verbo correto seja emular – de modernidades e ensinamentos dos bossa novistas para subvertê-los e contradizê-los.
Em vários momentos, você “acha” que é Bossa Nova. Mas, não é!
O grupo faz introduções nitidamente inspiradas em STRAVINSKY e outros clássicos modernos. E JOCY os amalgama com rupturas de andamentos, mudanças abruptas de ritmo na narrativa musical, e quebra de métrica; mas que se adaptam livremente ao discurso cantado por ela.
A música de JOCY é uma crítica aberta à sofisticação conservadora de seus companheiros de geração da Bossa Nova. É feita de propósito para contrapor-se ao bom-gosto absorvível de imediato. É constante ela cantar quase à beira da desafinação, fazendo harmonizações na ladeira do atonal… Seria???
As letras de JOCY inspiram-se em cenas de violência e desespero. Expõem o vazio e a depressão de seus personagens, através de sua poesia peculiar, e de observações agudas.
É ironia e iconoclastia combinadas o disco inteiro. Ela escreve bem e criativamente.
JOCY arquitetou essa desconstrução. E a música que ela faz está sintonizada ao caos. Afinal, a mestra entende e se especializou em operar os sons incidentais e sem explicações, que habitam ou recaem sobre as pessoas e as cidades, em colagens eletrônicas, os ancestrais dos SAMPLERS de hoje.
Ela sempre operou na criação do inusitado, que a música de vanguarda, e os computadores de hoje permitem a cada vez mais.
Claro, tudo isso requer organização. E ela existe nitidamente. As músicas sempre acabam abruptamente! O que dá impressão de síntese reticente e inconclusa. Um nada mais a dizer repentino. E pronto! Para não dizer F@-se!
Impressiona!
Eu imagino o susto e a perplexidade do ouvinte comum, uns 64 anos atrás, dando de ouvidos com essa cacofonia mascarada por uma tentativa de JOCY ser doce, contemporânea e alegrinha, de violão “em punho!
Em uma das audições que fiz, sei lá porque este LP juntou-se a outro gravado por JOCY: “HISTÓRIA PARA VOZ, INSTRUMENTOS ACÚSTICOS E ELETRÔNICOS”, lançado em 1981. Disco magnífico, e certamente dificílimo de achar.
Pois bem, de alguma forma casaram-se, e não me perguntem o motivo!
E acabou.
POSTAGEM ORIGINAL: 10/10/2023
Pode ser uma imagem de 3 pessoas

THE TARANTINO EXPERIENCE MÚSICAS DAS TRILHAS SONORAS DE FILMES DE QUENTIN TARANTINO – BOX COM 6 CDS

Quando vi no site da BEAR FAMILY RECORDS, por $ 42,00 (dólares), frete e impostos incluídos, fui ver o que era.
A ideia é sensacional. 72 músicas, quase todas elas das trilhas sonoras dos filmes do TARANTINO, fiquei interessado.
Afinal de contas, os filmes dele são “ultra americanos”, tanto nos temas como nas trilhas, que combinam SURF, R&B, COUNTRY E POP de rádio A/M, dos ano 1950 em diante.
É legal! Há várias versões originais, como “ESTÚPIDO CUPIDO”, grande hit no início da década de 1960, com a famosa CONCETTA FRANCONERO – ooooooooooooppppsss, mais conhecida como CONNIE FRANCIS!
Há DUANE EDDIE, LOBO, HOWLIN” WOLF, JOHNNY CASH, BIG JOE TURNER, DICK DALE, VENTURES, COASTERS, SURFARIS, SURF CORONADOS, etc… algumas em versões ao vivo, outras em malandros out-takes de estúdio. E boa parte originais.
Há coisas excelentes como a versão dos COWBOY JUNKIES para SWEET JANE, de LOU REED; ou THE IN-CROWD, com DOBIE GRAY – um clássico nos bares e clubes ingleses, dos anos 1960 – o chamado “NORTHERN SOUL” . Ou a versão do URGE OVERKILL, para o clássico de NEIL DIAMOND, GIRL, YOU´LL BE A WOMAN SOON…
Porém, há músicas que são a mais pura enganação, como o clássico DISCO, do “SANTA ESMERALDA”, DON´T LET ME BE MISUNDERSTOOD, dançado até a exaustão, no final dos anos 1970, em versão piorada pelo próprio grupo.
Somando tudo, é um box com bom design, mesmo sem qualquer informação adicional sobre porra nenhuma! É divertido porque traz muita coisa boa, e até surpreendente e meio desconhecida; artistas mais locais.
Mas, tio SÉRGIO tem também os GRASS ROOTS, banda de rádio A/M de imenso sucesso nos anos 1960??!
Tem, sim! Mas versões com o vocal alternativo, que a RHYNO RECORDS lançou dos sucessos deles, na década de 1990!
Pois, é! Nem a gravadora boutique RHYNO conseguiu lança-los nas versões originais, que ficaram para os japoneses fazerem CDS de luxo e para a gravadora MCA, dona dos “master” da DUNHILL fazer duas coletâneas legais. Uma delas até recente!
É isso!
POSTAGEM ORIGINAL: 10/10/2021
Nenhuma descrição de foto disponível.

HARD ROCK, BLUES E ADJACÊNCIAS – E OS DISCOS QUE FORMARAM MINHA DISCOTECA, E OUVI ATÉ CANSAR!!

Pois, é! Mais uma postagem a pedido de meu amigo Rene Mina Vernice . Tudo simultâneo ao que ouvi em minha adolescência. Vim do BEAT, transitei para o PSICODÉLICO – BLUES-HARD-ROCK-PROGRESSIVO, e daí segui…
Esses aí abaixo cansei de ouvir. Não necessariamente como expostos. Mas, vamos lá!
1)LORD SUTCH & HEAVY FRIENDS, o primeiro álbum à esquerda no CD. Disco fascinante, barulhento e de fama e prestígio “ciclotímico”, conforme a época. Sobe e desce na cotação dos críticos!!!
Quando lançado foi execrado.
Pergunta de TIO SÉRGIO e amiguinhos, lá por 1970: como pode ser ruim um disco que tem JEFF BECK, JIMMY PAGE, JOHN BONHAN, NOEL REDDING, NICK HOPCKINS e vários outros? E o inefável LORD SUTCH, vocalista quase PUNK, de tão…hummm … Até hoje ouço e considero um clássico absoluto.
2) JOHN MAYALL & THE BLUESBREAKERS, fase DERAM. Pô, o que dizer do seminal disco gravado com ERIC CLAPTON, em 1965? E outros vários, eternamente, e a partir de 1964? Comecei com uma coletânea cult do cara: LOOKING BACK, 1967! Vá lá e veja por quê? Está neste box aqui…
3) DEEP PURPLE IN ROCK – 1970! Ora, pois, pois!!! Como dizem nosso irmãos lusitanos!!! PUTA DISCO DE HARD ROCK.!!! Tem tudo o que é necessário: barulho, pique, vocal, instrumental, e um lado vanguarda. E o clima adequado; é a cara daqueles tempos.
Eu e amigos limamos o LP ORIGINAL de tanto ouvir!!!
4) HUMBLE PIE – ROCK ON, 1971!!! Disco fantástico e tão cantado e decantado, que vou poupar vocês. Quando dois BOYS, PETER FRAMPTON e STEVE MARRIOTT transcendem os próprios limites e juntam forças.
Deu mais ou menos certo. Porém, a cada ano sobe na lista dos grandes discos do ROCK. Quase fiquei surdo de tanto ouvir SHINE ON e ROLLING STONE. No pináculo da glória POP!!!
5) LED ZEPPELIN – 1 e 2!!!! 1968/1969! Devo dizer alguma coisa? A não ser que junto com PARANOID, do BLACK SABBATH, juntam alguns RIFFS e performances atemporais do ROCK????
6) TEN YEARS AFTER – CRiCKLEWOOD GREEN, 1970. Pique, HARD ROCK/HARD BLUES e ALVIN LEE: pauleira brava demonstrada no festival de WOODSTOCK. Banda quase simbiótica à minha forma de ser e ouvir na juventude…
7) RORY GALLAGHER – TATOO LADY – 1972, acho. O último dos grandes guitarristas independentes. Ninguém introduz uma canção como ele!!! Ninguém fez RIFFS tão perfeitos e em quantidade como o RORY.
Ouvi até ser desconstruído. Esse e todos os que ele fez. Que bom ele não ter entrado para os ROLLING STONES, no lugar do MICK TAYLOR…
😎 CAPTAIN BEYOND, 1972 : Clássico atemporal, total, genial, fenomenal, estrutural e supra-upper- ultra indiscutível.
A mistura explosiva de HARD ROCK e PROGRESSIVO, em performance dinâmica, encadeada, bem produzida; e o que mais vocês disserem em termos e elogios, TIO SÉRGIO aceita!
Ah, ROD EVANS, o vocalista, foi substituído por IAN GILLAN no DEEP PURPLE. Gravou mais dois discos, e desistiu da carreira de músico. Estudou medicina, e se estabeleceu na Califórnia. Por favor, hoje ele é o Dr. EVANS. Compostura, se o encontrarem…
10) BLUE OYESTER CULT: De certa forma, segue o formato e formulação do CAPTAIN BEYOND. É HARD ROCK, algo PROGRESSIVO, músicas todas emendadas, sensacionais, formam este grande disco! Eles fizeram carreira muito legal e sólida.
Mas, nada se equiparou a este disco magnífico!
Ouvi até ficar manco de um dos tímpanos!!!!
Mas, TIO SÉRGIO, ninguém fica manco dos tímpanos!?!?
Na tua turma talvez não.
Mas, eu fiquei…
POSTAGEM ORIGINAL04/10/2023
Pode ser uma arte pop de 3 pessoas e texto

FRANÇOISE HARDY – E O ALEATÓRIO QUE NOS FASCINA!

Aventurar-se pelo mundo das coisas, pessoas e ideias é penetrar por veredas insondáveis. A lógica da procura está no decorrer da História que foi ou vai sendo tecida. E, para sermos realistas, na profusão de histórias que iniciam de um jeito e desembocam em outro; e podem requerer artifícios para serem seguidas, e nos levar a infinitas possibilidades que vamos descobrindo no caminho. E, também, às escolhas feitas pelos personagens, muitas vezes circunstanciais e aleatórias. É preciso observar mundos, e perscrutar pedaços de realidades para imaginar “verdades possíveis”.
A História real não se expressa em sequência; e nem é homogênea: pode ser montada do ponto de vista do observador – ou dos vários observadores. E se a verdade considerada científica é uma construção epistemológica, para as coisas mais cotidianas, da existência simples no dia a dia, pode ser a narrativa de cada observador. E isto cabe para artes em geral, e música principalmente….
Ou não?
Deste ponto de vista, tudo pode acontecer e a tudo cabem interpretações entre as muitas escolhas possíveis, mas não feitas; ou que simplesmente não rolaram. O papel do”SE” na História da Arte é intrigante!
Se com livros, discos e opiniões em mãos o percurso atrás de alguma explicação está sujeito a chuvas, furacões e trovoadas; é perfeitamente possível acabar compreendendo a vitória do simplismo; das FAKE NEWS; das repetições; das ideias fixas e do conservadorismo, em geral.
Observem que a maioria dos artistas que descobre uma fórmula de sucesso a repete até os ouvintes não aguentarem mais! Estão faltando BOWIES e CAETANOS. E sobrando elencos quase inteiros do ROCK IN RIO…
Tá bom, TIO SÉRGIO! Você é um TIGRE de BENGALA (ainda, não; ainda, não!) pensativo e falastrão. E o que tem a FRANCISQUINHA a ver com as tuas elocubrações de insano manso?
É mais ou menos o seguinte: como apaixonado por música, e reincidente contumaz; até há poucos meses eu garimpava coisas baratas nos “sites” INTERNET afora. E, caso não gostasse, eu descartava, trocava. O prejuízo era pequeno.
Mas, com a imposição do DÓLAR CURRA, juntado à EXTORSÃO FISCAL ABJETA e aos fretes ABUSIVOS; tudo considerado, as minhas finanças saíram feridas de morte. Então, movi-me retro; como todo mundo que compra de calcinhas a LONG PLAYS. Fiquei tão isolado da economia internacional, como todo o mercado brasileiro de importados… A gente não decola nunca por causa da insanidade fiscal e tributária…
Mas antes do estupro definitivo, descolei três discos da FRANÇOISE HARDY. Quando aportaram à minha … “porta”…, somando a indigestão total cada um custou cerca de $ 6,00 BIDENS, uns R$ 36,00 mandacarus. E mesmo sob o DÓLAR CURRA atual, custaram mais barato do que qualquer CD lançado no Brasil à época, e hoje em dia…
Então, vamos à parte legal da narrativa.
Lá no meio da foto, está o CD FRANÇOISE HARDY, gravado quando ela tinha tinha apenas 18 anos. É o primeirão da musa; um BEAT POP FRANCÊS mambembe. Mas traz o clássico “TOUS LES GARÇONS ET LES FILES”. Foi lançado em 1962 pela VOGUE, e vendeu 5 milhões de cópias no mundo inteiro!!! Um HIT de verdade!
Porém, FRANCISQUINHA não gostou do “rebento”, e relatou pra gente: – “Estou acompanhada pela pior banda do mundo! A minha voz era fina, a melodia simplista, e as letras inconsequentes. Eu fiquei satisfeita de ter feito, mas não orgulhosa”… Ela vendeu mais em dezoito meses, do que EDITH PIAF em dezoito anos!!!! Sacaram a ressaca da gata?
FRANCISQUINHA estudou Ciência Política e Literatura na SORBONNE, mas não concluiu os cursos. Viveu 1968 e suas consequências. Com o tempo, além do sucesso enorme, tornou-se modelo; e depois astróloga com vários livros publicados.
Na FRANÇA, ela era vista como tímida e tristonha. E nem tão bonita assim!!! Ofídios de plantão diziam que FRANÇOISE parecia um aspargo: “alta e magra demais”… Por lá, a turma preferia mesmo a SYLVIE VARTAN, que nasceu na Bulgária…
Mas quando ela atravessou o CANAL DA MANCHA, os ingleses deliraram! Sua imagem causou sensação! JAGGER teve um quase namorico correspondido – mas exigir o mínimo de compostura de MICK é impossível… E até DYLAN escreveu poema homenageando a felina francesa, na contracapa de “ANOTHER SIDE OF BOB DYLAN”… E BOWIE sempre foi apaixonado…
Dos três discos postados, o mais interessante e surpreendente é “MIDNIGHT BLUES” – PARIS LONDON 1968/1972. São dois LPs. originais que ressaltam o hiato em meio à produção habitual de FRANÇOISE: “ONE-NINE-SEVEN-ZERO”, de… ora, ora…, 1969; e FRANÇOISE HARDY, lançado em 1972, são totalmente cantados em Inglês. Há canções compostas por FRANÇOISE e seu parceiro na época, PIERRE TUBBS. E. também COVERS de LEONARD COHEN, BEVERLY MARTIN, BUFFY SAINTE-MARIE, RANDY NEWMAN, LEIBER & STOLLER e NEIL YOUNG.
Para mais bem compreender essa trajetória, surgiu em cena um acaso significativo: a profusão de grupos BEAT ingleses no mercado, lá por 1963/65, que expulsou vários deles para outros cantos.
E migrou para a ITÁLIA o “famoso” “NERO & THE GLADIATORS”, que logo depois foi parar na FRANÇA. E lá, parte formou a banda de SYLVIE VARTAN que abriu para os BEATLES no histórico show no OLYMPIA de PARIS, em 1964. Só isso…
O guitarrista era um certo MICKY JONES; que era e é CRAQUE. Ele ficou uns seis anos na FRANÇA, e gravou com SYLVIE, JOHNNY HALIDAY, e outros. Com FRANÇOISE HARDY fez sessões para o disco ONE NINE, SEVEN, ZERO, de 1969, realçando um BEAT/FOLK à THE BYRDS, SEARCHERS … e outras pitadas transferidas do ROCK PSICODÉLICO….
FRANÇOISE HARDY era precoce. E fascinada com a hipótese de expandir carreira na INGLATERRA, percebeu que havia uma revolução estética que poderia coadunar-se ao seu jeito algo ensimesmado de cantar, contido; FOLKISH, por que, não?
E, após “EN ANGLAIS”, 1968, o primeiro dela gravado por lá, FRANÇOISE fez JOE BOYD, o famoso produtor inglês, saber que ELA gostaria de gravar um disco inteiro de canções compostas por NICK DRAKE.
E lá foram BOYD e DRAKE encontrar-se com FRANÇOISE, em PARIS. Conta BOB STANLEY, músico e criador do grupo pop SAINT ETIENNE, hoje articulista da RECORD COLLECTOR, que se a francesinha era tímida, DRAKE era quase incomunicável. E nenhum falava a língua do outro. O clima frio congelou de vez, e o disco não rolou.
Mas, o fracasso a levou a gravar o “FRANÇOISE HARDY, 1972”, acompanhada por orquestra e banda formada por gente do FAIRPORT CONVENTION e do FOTHERINGAY. Durante a sessão, “quase todo o mundo musical de LONDRES”, apareceu para simplesmente ver, ou tentar gravar com aquele espécime humano magnético, exuberante!
E a história foi ficando mais saborosa. Entre os dois discos cantados em inglês, e enquanto a aventura britânica se fechava, FRANÇOISE gravou, em 1971, seu álbum mais famoso e bem sucedido: “LA QUESTION”, com a icônica guitarrista brasileira TUCA.
Ou seja, MADAME HARDY trocou a frieza dos compatriotas dos STONES… pelo quase ardor latino de toques bossanovistas. Ela se reinventou; se aconchegou. E tornou – se a inspiração para outras. Inclusive CARLA BRUNI, ex – primeira dama da França; excelente, sutil e “caliente” cantora ítalo francesa. FRANÇOISE permaneceu COOL; e bem longe da concupiscência que CARLA inspira e derrama…
FRANÇOISE HARDY tentou bastante entrar no mercado inglês, mas sem grande sucesso. Mesmo assim, a “paixão atávica”por lá despertou; e levou, na década de 1990, grupos como o BLUR e os PET SHOP BOYS a gravarem com ela SINGLES de muito sucesso.
Fecho essa narrativa torta, cheia de altos e baixos feito montanha russa, que vai do BEAT INGLÊS, deságua na FRANÇA, vai até os BEATLES no OLYMPIA, volta para uma francesa que gostava de NICK DRAKE, mas que retorna ao calor latino. Mas sempre perto da contemporaneidade.
E recordo outro herói recôndito e “ziguezagueante”: MICKY JONES, que ajudou a atualizar o POP ROCK FRANCÊS, e voltou para a INGLATERRA; entrou para o SPOOKY TOOTH, passou por incontáveis, e fundou o FOREIGNER, em 1976, onde fez fama, fortuna e lá permanece.
Se alguém acha que isso tudo faz sentido, é porque enxerga razões objetivas na aventura humana pela vida fragmentada que todos vivemos.
Viver é tentar compor acasos aleatórios esparsos e soltos pelaí…
Foi o que tentei!
POSTAGEM ORIGINAL:21/09/2024
Pode ser uma imagem de 5 pessoas e texto

ELECTRIC BLUES (1939 – 2005) – THE DEFINITIVE COLLECTION – BEAR FAMILY RECORDS: 4 VOLUMES – 12 CDS – 291 FAIXAS

Compêndios sonoros magníficos! Como tudo o que a BEAR FAMILY RECORDS realiza. A parte gráfica é de primeira linha. Cada um dos doze CDS tem a reprodução do selo de algumas das mais raras, históricas, ou famosas gravadoras que se dedicaram ao BLUES. Neste caso específico, ao ELECTRIC BLUES.
Há quatro livretos completos, com a história de cada uma das 291 músicas e de quem, onde, quando as gravou. Coisa que só alemão e japonês conseguem fazer com tal meticulosidade, capricho, e imensa “gravidez” de informações substanciais!
No início foi o “verbo”, ( o canto ), harmônica (gaita) e a guitarra acústica. Os pioneiros na década de 1920, como CHARLEY PATTON, BLIND LEMON JEFFEERSON, BIG BILL BROONZY… E, nos anos 1930, SON HOUSE, LEAD BELLY, ROBERT JOHNSON , e vários outros, começaram com instrumentação acústica.
Diversos migraram para o ELECTRIC BLUES, a partir de 1940, e estão aqui presentes.
A primeira gravação conhecida de BLUES com guitarra, ou instrumentação elétrica, foi realizada em 1939. E abre a coleção ANDY KIRK & TWELVE CLOUDS OF JOY, destacando o guitarrista FLOYD SMITH, e a música “FLOYD´S GUITAR BLUES”. A segunda, foi T-BONE WALKER em “MEAN OLD WORLD”, um clássico e standard, de 1942.
E esta coleção termina com NICK MOSS & THE FLIP TOPS em “CHECK MY PULSE”, gravada em 2005.
As outras 288 faixas abrangem o universo; tempos e épocas, em 66 anos repletos de clássicos, hits ou exemplos pertinentes de estilos.
Tem SISTER ROSETTA THARPE, LOUIS JORDAN, LIGHTNING HOPKINS, MUDDY WATERS, JIMMY WHITERSPOON, JIMMY ROGERS, HOWLIN´WOLF, JOHN LEE HOOKER, B.B.KING, LITTLE WALTER, RAY CHARLES, JOE TURNER…
E, também, EDDIE TAYLOR , BO DIDDLEY, SONNY BOY WILLIAMSON, OTIS RUSH, MAGIC SAM, BROWNIE MCGHEE, ELMORE JAMES, CHUCK BERRY, FREDDIE KING, ALBERT COLLINS, OTIS RUSH, BUDDY GUY, SUGAR PIE DE SANTO, KOKO TAYLOR, ARETHA FRANKLIN…
Estão por aqui os mais contemporâneos imprescindíveis como JOHNNY WINTER, THE ANIMALS, YARDBIRDS, TEN YEARS AFTER, SAVOY BROWN, TAJ MAHAL, JEFF BECK, JANIS JOPLIN, AL GREEN, BOBBY BLAND, DENISE LASALLE, RORY GALLAGHER, ELVIN BISHOP, BONNIE RAIT, GEORGE THOROGOOD, R.L.BURNSIDE, ROY BUCHANAN, STEVE RAY VAUGHAN…
Mas, tio SÉRGIO deve ter muito mais!?!?!?
ADIVINHÃO!
São tantos e tantos e mais tantos! que, a cada vez que olho para a relação mais um se destaca.
Se você quer entender de BLUES, principalmente o elétrico, que faz, fez e fará interface com o JAZZ e o ROCK, esta coleção é o caminho e o destino. Não conheço nada melhor e mais completo!
Não é barato. Cada álbum triplo chega por aqui, em PANDEBRAS, por uns $55,00 dólares, R$ 280,00 (GUEDES). Mas vale cada “cent”….ooooppps centavo!
Dê uma lambisgoiada!
POSTAGEM ORIGINAL: 19/09/21
Nenhuma descrição de foto disponível.

QUEEN DOIS MOMENTOS AO VIVO: QUEEN + ADAM LAMBERT – NO ROCK IN RIO – BRASIL EM 2015. & QUEEN + PAUL RODGERS, 2005. DVD LIVE IN SHEFFIELD.

Começo pelo ROCK IN RIO, 2015. Assisti ao SHOW inteiro deles com ADAM LAMBERT no vocal. E achei o seguinte:
QUEEN, O SHOW 1
No primeiro close no vocalista, e eu pensei cá com minhas cervejas: “Era o que faltava, o ALEXANDRE PATO saiu do São Paulo e foi jogar no QUEEN !!!!!!!!!!!!” ADAM LAMBERT é a cara do ex -atacante…
QUEEN, O SHOW 2
Foi legal? Foi. O ADAM LAMBERT canta direitinho, mas transita a uma eternidade do FREDDIE MERCURY. Assim como BRIAN MAY está abaixo, se comparado a seus contemporâneos RITCHIE BLACKMORE, do DEEP PURPLE; TOMMY IOMMY, do BLACK SABBATH; e MICHAEL SCHENKER do U.F.O. Nem vou falar da trinca BECK, PAGE e CLAPTON. BRIAN MAY é e sempre foi um guitarrista correto e de pouca imaginação.
QUEEN, O SHOW 3
ADAM LAMBERT é bom vocalista, mas é americano. Falta a ele a sutileza britânica necessária para um grupo de ROCK INGLÊS. É POP demais e, quando transita para o ROCK, não rola bem. Mas, funcionou nesta turnê. Depois, veremos…
QUEEN, O SHOW 4
O repertório? Ah, fala sério!!!! – é uma coleção de babas e canções POP ridículas; da estatura de LOVE OF MY LIFE, WE ARE THE CHAMPIONS, e quase tudo o que tocaram e cantaram durante a apresentação; e em seus próprios discos. A ex Presidenta Dilma renunciaria no dia seguinte, se tivesse assistido ao show até o final. Com HITS desse nível artístico, eu fico surpreso que nunca estouraram na América – a pátria da baba, das letras melosas e mal escritas, do ridículo executado com profissionalismo.
QUEEN, O SHOW 5
No final, mas que antipáticos! Nem mencionaram ou apresentaram o restante da banda ( Quem é o baixista? E o tecladista, como se chama?) Apenas o filho de ROGER TAYLOR nos foi apresentado; se chama RUFUS e, se bobear, também desponta para o anonimato. Acho que foi isto que assisti e sem colírio alucionógeno.
QUEEN 6
FRED MERCURY e MICK JAGGER sempre foram os dois maiores vocalistas de bandas que já existiram. Supremos no palco, mesmo quando consideramos ROBERT PLANT, IAN GILLAN, JIM MORRISON, MORRISSEY, ou quaisquer outros.
QUEEN 7
Eles começaram no vácuo do LED ZEPPELIN, lá por 1973; como quase todos do HEAVY METAL, ou do HARD ROCK; e, quando o LED acabou o QUEEN deslanchou. Mas longe da qualidade de PAGE, PLANT e companhia ilimitada.
O QUEEN sempre foi mediano. Mas, fez pelo menos dois discos essenciais: QUEEN 2, de 1974; e o clássico absoluto, A NIGHT AT OPERA, 1975 – onde está BOHEMIAN RAPSODY sua melhor e mais sofisticada canção; e um dos SINGLES supremos da história da música popular.
QUEEN 8 ,
As reencarnações do QUEEN não emplacaram bem, porque o FREDDIE MERCURY é insubstituível. Mesmo assim, com PAUL RODGERS ficou bastante bom. Houve um quê de HARD ROCK e BLUES que mais ou menos encaixou. Porque PAUL RODGEERS é, possivelmente, o maior cantor de ROCK de todos os tempos. Tem carreira e luz própria, e repertório superior ao do QUEEN.
QUEEN 9 Este DVD com PAUL RODGERS mescla repertórios de ambos; ficou bom. E deixa mais ou menos no mesmo nível de importância os dois artistas. É justo. E funcionou.
Seja como for, o QUEEN é um dos ícones do POP/ROCK. Tem o que mostrar. E soube construir a carreira durante e após FREDDIE MERCURY. De resto, é opinião pessoal gostar demais, ou nem tanto – com o TIO SÉRGIO aqui.
Ainda assim, tentem.
POSTAGEM ORIGINAL: 19/09/2023
Pode ser uma imagem de texto que diz "RETURN OF THE RETURNOFTHEG CHAMPIONS QUEEN *PAUL RODGERS ·PAULRODGERS EИn NISE ー み団 D 本. UNEINSHEFFIELD MIKEDIN IEDINSTSURRDUNOS LIVEESEUNSOUNN OUNU ESURRDUNG TURN OF THE CHAMPIONS QUEEN PALLRODGERS ·P. RODGERS QUEEN ODG RODGAR RETURN RETURNOF RNOFTHECHAMPIONS OF THE CHAMIPIONS"

DAVID GILMOUR – “RATTLE THAT LOCK” – 2015 – BOX SET – EDIÇÃO JAPONESA: 1 CD + 1 CD – VÍDEOS, EXTRAS, BOOKS, POSTER, BRINDES, ENCARTES, UMA PALHETA, E CONFIGURAÇÕES DE AUDIO, VÍDEO e ETC… ETC…

Talvez seja regra circundada por mistérios: um supergrupo de enorme sucesso é empreendimento criativo que transcende a soma das partes que o compõem.
E por mais que tentem, quando há mais do que um talentoso acima da média é difícil que se entendam e continuem operando junto. O segredo não é a a soma, e sim a sinergia.
Aconteceu com os BEATLES, que ao romperem deixaram claro o quanto eram diferentes os quatro integrantes, um em relação a cada outro. E as respectivas carreiras solo demonstram.
Com o PINK FLOYD deu-se o mesmo. Banda muito diferente no cenário musical inglês de 1966, era formada por meninos de classe média alta, ao contrário dos BEATLES, STONES, YARDBIRDS, etc…
Rapidamente saíram fora do BEAT ROCK, e começaram a se apresentar no U.F.O CLUB, lugar de vanguardas. Outro papo.
ROGER WATERS, NICK MASON e RICK WRIGHT estudavam engenharia, gostavam de JAZZ, BLUES e MÚSICA DE VANGUARDA.
SYD BARRETT, o primeiro guitarrista, era filho de um famoso patologista. E sua mãe lecionava em escola de elite, onde foi professora de DAVID GILMOUR, também filho de professores universitários. Ou seja, todos vieram da elite britânica.
GILMOUR ensinou SYD BARRETT a tocar guitarra, foi convidado para entrar na banda, e o substituiu quando enlouqueceu…
A liderança do PINK FLOYD pendia entre GILMOUR e ROGER WATERS – um vanguardista, com eixo maior na música contemporânea. Muito criativo, bom contrabaixista e cantor, foi o principal compositor. Divergências pessoais e principalmente artísticas impulsionaram a saída de ROGER, em 1983. Então, ele exigiu que o grupo fosse desfeito. Brigaram.
Mesmo assim, a banda prosseguiu aos trancos e barrancos sem ele, mas com enorme sucesso. Em 2005, todos chegaram a um acordo. E hoje, o nome pertence a NICK MASON.
Sucesso retumbante para uma proposta de vanguarda, o PINK FLOYD vendeu mais de 250 milhões de discos, ganhou GRAMMYS e está no ROCK AND ROLL HALL OF FAME, desde 1996. Os integrantes remanescentes tornaram-se, e continuam, milionários. Merecidamente, diga-se!
“SIR” DAVID JON GILMOUR, hoje dono de uns $ 150 milhões de dólares em patrimônios variados, lá pelos 30 anos de idade era muito boa pinta.
Há um meme com a foto dele que viralizou na INTERNET anos atrás. Aparece uma velhinha rezando para um suposto JESUS CRISTO.
Loiro, olhos azuis, cabeludo, seria a imagem idealizada do CRISTO no imaginário ocidental….
Mas, é o preclaro futuro SIR DAVID GILMOUR…
Voltando ao que interessa, GILMOUR foi eleito o sexto maior guitarrista da HISTÓRIA pela revista GUITAR WORLD. E o décimo quarto pela revista ROLLING STONE. É instrumentista muito hábil, extraordinário.
Estilo reconhecível no primeiro compasso; é técnico, timbre elaborado, e foi o criador da “FUSION” BLUES/PROGRESSIVO que, sempre, permeou a sonoridade do PINK FLOYD, ajudando a conformar o ROCK PROGRESSIVO, algo lento, suave, melodioso e viajante que distingue a band dos concorrentes.
Em sua carreira solo, de poucos discos e DVDS gravados, com banda perfeita, permanece o guitarrista único, com a levada rítmica característica, e a sua voz pequena, algo BLUESY e rouca, mas personalíssima e bem postada.
RATTLE THAT LOCK – 2015
Foi sucesso artístico e comercial ao longo do tempo. É ótimo álbum, e algo diferente dos anteriores.
Menos rebuscado, traz a guitarra de GILMOUR, o motivo principal para comprar seus discos, “iluminando” as várias composições onde o PROG ROCK MODERNO se destaca.
E há faixas surpreendentes. Como a sofisticada, sensual e misteriosa “THE GIRL IN THE YELLOW DRESS”, “kind of” – digamos – de música francesa, temperada com JAZZ ao estilo da década de 1940. No BOX, inclusive, bela animação por computador.
É interessante a inspiração para “RATTLE THAT LOCK”, a faixa título. Ele estava em uma estação, na França, quando ouviu o “SINAL” que avisava da movimentação dos trens: curto, sonoro e imediatamente distinguível.
DAVID gostou tanto, que entrou em contato com o autor do “JINGLE”, um publicitário francês. O cara não acreditou quando ele anunciou seu nome! e, claro, participa como coautor da faixa.
A música foi criada a partir de uns “5 segundos” de som marcante.
E a canção recebeu diversas remixagens, inclusive por DJ, para tocar em clubes.
Essencialmente, é a clássica levada de GILMOUR na guitarra. Preserva um quê de “ANOTHER BRICK IN THE WALL”, do PINK FLOYD, temperada por “TIME OF THE SEASON” dos ZOMBIES. É animada, dançável e foi sucesso.
DAVID GILMOUR está casado desde 1994 com a jornalista e poetisa POLLY SAMSON, que é autora de vários livros, e diversas letras no disco. Ela fez coisas também para “”ENDLESS RIVER, do PINK FLOYD”.
A presença de uma “profissional” das letras corrigiu, digamos, possíveis imperfeições. DAVID se percebe mais à vontade para cantar, mais bem “encadeado” entre a melodia e o texto.
No BOX muito luxuoso, há dois livros capas duras. O primeiro, com letras e fotos. E, no segundo, o “livro dois” de “O PARAISO PERDIDO”, de “JOHN MILTON”.
É poesia clássica inglesa que descreve a “EXPULSÃO DE SATÃ DO PARAÍSO PARA O INFERNO”; após tentar um “GOLPE DE ESTADO” contra o “AUTORITARISMO DIVINO”. Mas, satã retorna ao Paraíso e “oferece” o fruto proibido para EVA comer. E o mundo deu no que deu…
Metaforicamente, significa a rebelião e a instauração do LIVRE ARBÍTRIO, com a responsabilização do indivíduo por seus atos. POLLY SAMSON compôs letras baseadas nisso. Talvez, de um jeito muito sutil, houvesse a pretensão de criar álbum conceitual.
Seria?
No BOX estão dois discos. Um CD com a gravação original propriamente dita. E o DVD com animações, remixes de faixas, out takes, e um excelente “MAKING OF” – inclusive com ensaios para gravar.
Está lá, talvez o melhor motivo para se ter esse luxuoso BOX. As batizadas “BARN JAMS, ensaios gravados no estúdio da “casinha” de GILMOUR.
É material antigo e inédito. RICK WRIGHT era vivo, e participou com sua harmonização nos teclados, dando o clima para os solos de DAVID, o baixo de GUY PRATT, e a bateria correta de STEVE DI STANISLAO.
Todos integradíssimos, menos RICK WRIGHT, que havia morrido, participaram anos depois na confecção deste álbum.
A presença de PHIL MANZANERA, DAVID CROSBY, GRAHAN NASH, JOOLS HOLLAND e vários músicos, orquestra, e cantores de alto nível artístico e profissional completam o time que gravou a obra.
Estão nesta postagem dois DVDs muito bons; inclusive o LIVE AT POMPEII, da turnê de 2016/2017.
Quer dizer, é um kit completo para entender e degustar sob várias perspectivas, DAVID GILMOUR, e sua memorável arte.
Procure conhecer.
POSTAGEM ORIGINAL: 20/09/2023
Pode ser uma imagem de 1 pessoa e texto

THE NEON PHILLHARMONIC – THE MOTH CONFESSES – JANEIRO 1969

Vou começar da seguinte forma:
Esse disco foi lançado em janeiro de 1969, e no encarte há um sub – título “A PHONOGRAPH OPERA”. TOMMY, do THE WHO, foi lançado em 12 de maio de 1969.
É chatice abissal discutir idades, ideias prévias ou detalhes sobre supostas competições, porque chamar alguma coisa de ÓPERA ROCK tornou-se clichê daqueles tempos em diante, e geralmente era falsa informação, marketing. Pura FAKE NEWS.
Esse disco é uma curiosidade artisticamente bem elaborada, que teve sua gênese em tempos de inventividade incontestável.
O NEON PHILLHARMONIC não era exatamente um grupo – para variar -, mas projeto de um compositor de vanguarda meio escondido chamado “TUPPER SAUSSY”, que concebeu o disco e juntou-se ao cantor de estúdio, DON GANT, e a outros músicos profissionais, e usou parte da ORQUESTRA SINFÔNICA DE NASHVILLE.
O resultado é uma obra PROGRESSIVO-PSICODÉLICA, orquestrada de jeito semelhante aos nossos ARTHUR VEROCAI e ROGÉRIO DUPRAT, e de arranjadores americanos dos discos da COLUMBIA RECORDS, da época.
SAUSSY era um visionário. Embatucou que faria uma ÓPERA POP, e procurou assistir às “piores produções em cartaz” para entender o “porquê de serem consideradas ruins”!!!
E fez uma “ÓPERA” com uma única voz, para ser escutada em disco, e não encenada.
O personagem era “livre como uma mariposa” (MOTH, em inglês ), errática, fascinada pelas luzes e solitária. Metáfora para o nome do álbum e certamente para ele mesmo.
TUPPER era leitor de escritores do realismo fantástico, JORGE LUIS BORGES, principalmente. Tinha formação musical e ousadia suficiente para aproveitar as novas tecnologias de gravação e ideias correntes no final dos anos 1960.
Misturava coisas do dia-a-dia com ficção, elaborava letras misteriosas, livres, típicas de quem havia lido e escutado DYLAN, JAMES JOYCE, KAFKA…, e dava fluxo às ideias de forma subjetiva, a tal “STREAMING of CONSCIENCE”.
Resultado: criou música livre, nada ortodoxa, melódica e algo difícil, e muito original. Desse disco saiu um pequeno mas cult sucesso do “SUNSHINE POP”, a lindíssima “MORNING GIRL”. Consiga o disco para a sua discoteca. É imprescindível.
Uma historinha pessoal:
Esse disco saiu por aqui, na época, e eu o comprei. Certo dia um incauto amigo fez um bailinho na casa dele e pediu para eu “discotecar” a gandaia.
Não tive dúvida e levei “os meus discos”.
Tragédia terminal!!! Num certo momento, e sei lá O porquê, coloquei esse disco pra tocar. Foi protesto em nível de agressão! Alguns amigos me “liberaram” da vitrola…não muito gentilmente…
Quando fui ao quintal para tomar uma cerveja o disco estava com barbante passado pelo furo e amarrado no varal junto com as roupas lavadas!!!
Meu eterno amigo/irmão Aldahyr Ramos, havia pegado o disco, colocado na privada e dado descarga…
Estava secando no varal por causa disso…
Não estragou…
POSTAGEM ORIGINAL: 27/09/2020
Nenhuma descrição de foto disponível.

THE BRIT BOX – 1984 / 1999 – RHYNO 2007

O INDI ROCK BRITÂNICO PÓS PUNK E ALÉM NEW WAVE. 78 MÚSICAS MAPEANDO TUDO!
COLEÇÕES FAZEM PARTE DE UM “HABITAT” MAIS AMPLO; E FORMAM CONCEITO MAIS RESTRITO. QUEM GOSTA DE TUDO CRIA DISCOTECA; PORQUE AMPLA, GERAL E IRRESTRITA.
O COLECIONADOR É, POR PRINCÍPIO, UM “SELETIVO”. PORTANTO, ESCOLHE SE APROFUNDAR EM PREFERÊNCIAS; SEJAM POUCAS OU MUITAS. HÁ OPÇÕES VARIADAS: ESTILOS, ÉPOCAS, ARTISTAS, GRAVADORAS, ETC… CADA UM ESCOLHE.
PARA COLECIONAR LEGAL, EU ACHO IMPORTANTE A NOÇÃO DE ASCENDÊNCIA E CONSEQUÊNCIA DOS OBJETOS. QUER DIZER: VOCÊ CONHECERÁ MELHOR SE VIAJAR PARA O ANTES E O APÓS. O TERRENO FICA MAIS BEM MAPEADO.
EU TENHO DISCOTECA BASTANTE ECLÉTICA E, DENTRO DELA, VÁRIAS COLEÇÕES.
NA PARTE DO ROCK EU FOCO, BASICAMENTE, DO “ROCK AND ROLL ANOS 1950”, AO “ROCK PROGRESSIVO”, “FUSIONS” DIVERSAS; PASSANDO PELO “BEAT”, “PSICODELIA”, “HARD ROCK” E MIL ARTIMANHAS.
NO ENTANTO, ESCALEI A DISCOTECA PARA ALÉM DOS ANOS 1980, MANTENDO O QUE ACHO MAIS INTERESSANTE. ENTÃO, CORTEI MUITA COISA E MANTIVE OUTRAS, TIPO ESTE BOX MAGNÍFICO.
INTERESSANTÍSSIMO, ALIÁS!
CERTA VEZ, ASSISTI A UM FILME ALGO CHATO MAS PROFUNDO, “LOST IN TRANSLATION”, COM BILL MURRAY. O TÍTULO EM PORTUGUÊS EU ESQUECI. O TEMA BÁSICO, A MEU VER, VIAJAVA FORA DA TRILHA SONORA REPLETA DE “BRIT POP”, “SHOEGAZE”, “NEO-PSICODELIA”, GUITARRAS E EFEITOS.
ENTÃO, LEMBREI DO “BRIT BOX”, AQUI. SÃO QUATRO CDS, E O REPERTÓRIO VAI DOS “SMITHS”, EM 1985, ATÉ “GAY DAD”, COM OH, JIM, EM 1999 (???).
VOCÊ GOSTA DE “STONE ROSES”, “RIDE”, “TEENAGE FAN CLUB”? OU CURTE “BLUR”, “MY BLOOD VALENTINE” OU “JESUS & MARY CHAIN”? PREFERE VIAJAR COM “THE VERVE”, “ECHO & THE BUNNYMEN”, “CURVE”, “RIALTO” “SPIRITUALIZED” E “LUSH”? ESTÃO TODOS AQUI! E MAIS UM MONTE DE NÃO FAMOSOS, CULTS E/OU IMPRESCINDÍVEIS.
O BOX É UM LATIFÚNDIO POP IMENSO! BELAS E FERAS CANTANDO: “LIZ FRASER”, DO “COCTEAU TWINS”; “LAETITIA SADIER”, DO “SAINT ETI’ENNE” E OUTRAS MENINAS VIAJANTES QUE POVOARAM A ÉPOCA.
É, TAMBÉM, ARTEFATO ESTETICAMENTE MARAVILHOSO, UM MUST IMPERDÍVEL ACONDICIONADO EM CAIXA COM DESIGN MATADOR; CONTEÚDO MUITO LEGAL DE ESCUTAR E TER; E TRAZ EXCELENTE LIVRO COM FOTOS E TEXTOS; EXPONDO CADA FAIXA, AS BANDAS E MÚSICOS; NO CONTEXTO ARTÍSTICO ONDE ESTAVAM INSERIDOS. É VISÃO AMPLA DAS MELODIAS TÍPICAS DO POP INGLÊS “PÓS BEATLES”.
PARA QUEM PRETENDE COLECIONAR AQUELES TEMPOS, É EXCELENTE COMEÇO!
SE AINDA ACHAR POR AÍ, NÃO PERCA; PERCA-SE NELE!
POSTAGEM ORIGINAL: 27/09/2020
Nenhuma descrição de foto disponível.

THE WHO: ROCK IN RIO 2017, OUTROS SHOWS E A ESSÊNCIA DA OBRA.

Os que se interessam por ROCK acho que não se surpreenderam com o que viram na televisão. Assistiram ao MITO, finalmente. Mas, a todo MITO deve corresponder um RITO, que pode ser mais ou menos convincente.
O RITO é o show, a performance. E, há mais de 40 anos THE WHO deixou de se apresentar com a plástica iconoclasta convincente.
E por que?
Porque envelheceram. E permanece, e sempre houve insuficiência artística em ROGER DALTREY. O que ele tinha ou tem como performer e carisma jamais se expressaram no palco enquanto cantor.
DALTREY desafina e geralmente não aguenta os shows. E, nos discos solo, muitas vezes ficam “visíveis/audíveis suas falhas, que, muitas vezes, são honestamente incorporadas às gravações.
Claro, é apenas minha opinião…
Mas, jamais o vi DALTREY ao vivo igualar-se ao que fez no FESTIVAL DE WOODSTOCK, 1969, onde o quarteto teve performance memorável, e talvez não superada em eletricidade e emotividade. Foi um dilúvio sobre a plateia!
THE WHO, sob quaisquer critérios, é um dilúvio de emoções inigualável. SÃO E FORAM “A” BANDA DE ROCK PESADO. Ponto!
Meu coração dispara até hoje sempre que escuto, ou assisto ao que fizeram em “SEE ME, FEEL ME” e “SUMMERTIME BLUES”.
Talvez o mesmo deva ser dito sobre “THE WHO LIVE AT LEEDS”, de 1971, até hoje justamente considerado um dos tops em apresentações ao vivo.
PETER TOWNSHEND, claro, também não toca ou pode tocar como antigamente. Ele tem problemas de saúde que o impedem. E, mesmo sendo compositor do primeiro time da música popular do século vinte, e autor de um dos HINOS DO ROCK de todos os tempos: “MY GENERATION”; esperar do talentoso PETE algo acima de sua capacidade física é desrespeito inaceitável!
Com tudo isso, e daí?
A carreira da banda é espetacular entre os LPS “THE WHO SINGS MY GENERATION” e “QUADROPHENIA”. E todos os discos são excelentes, inclusive o clássico seminal e meio chato “TOMMY”.
E sem dizer que a constelação de SINGLES está entre as mais sensacionais da HISTÓRIA DO ROCK!!!! .
Observe na foto a sequência dos três CDS que compõem “THE WHO ESSENTIAL”, 2020, aula magna resumida! E a maioria foi reproduzida na apresentação que vimos, aqui, no ROCK IN RIO, 2017.
Vou contar uma historinha pessoal. Como quase todos da minha geração de OLD ROCKERS (roqueiro velho, mesmo…) eu adoro THE WHO!
No final dos anos 1960, gastei uma baba do meu irrisório salário para adquirir um LP dos ELECTRIC PRUNES, e dois SINGLES; um deles foi THE WHO, “I CAN SEE FOR MILES/ PICTURES OF LILY”, edição da MCA americana, e DOIS dos melhores ROCKS de todos os tempos, em gravação MONO acima do espetacular!
Até então, eu não havia escutado nada de tão violento e abrangente, do ponto de vista sonoro. Em cd até agora acho que não conseguiram reproduzir o impacto do SINGLE!
Voltando ao show, fiquei surpreso com as excelentes performances do filho de RINGO STARR, o também baterista ZACK STARKEY!!! E do baixista (seria o PINO PALADINO?); e, não juntei nome à figura conhecida do velhinho dos teclados, nitidamente debilitado, mas autenticamente ROCKER!!!!
Senti encantamento e compaixão!
O show em si foi mediano, claro, mas inesquecível! Homenagem justa e mútua de nós para eles e deles para nós.
Cobriram a obra toda e deu para se fazer uma avaliação artística da ascensão, do auge e da decadência do MITO.
Claro, eles como toda aquela geração, flertam com o final inexorável. Mas, eles vão para o PANTEÃO. Em vez do descanso eterno e nada pacífico nas tumbas do POP.
THE WHO é e foi imprescindível!!!
POSTAGEM ORIGINAL: 24/09/2023
Pode ser uma imagem de 4 pessoas e texto