JOHN COLTRANE – ATLANTIC YEARS – 1959 – 1962/1964

Foi assim: as sessões de gravação foram todas realizadas entre 1959 e 1961. E de lá saíram os LPS GIANT STEPS, COLTRANE JAZZ, BAGS & TRANE, MY FAVORITE THINGS, OLÉ COLTRANE, COLTRANE PLAYS THE BLUES, THE AVANT GARD – COLTRANE E DON CHERRY.
Todos foram lançados entre 1959 e 1964, e relançados “AD NAUSEAN” em todos e quaisquer formatos imagináveis nos 64 últimos anos!. Um acervo artístico memorável! “GAUDIO MAGNO”, diriam os vaticanistas!!!
Há detalhe fundamental. Para alguns, é o fino do fino que “TRANE” produziu. Na opinião do TIO SÉRGIO, JOHN COLTRANE sempre fez música em “ESTADO DE SUPRASSUMO”!!!! Hum…. frase um tanto superlativa…
Eu venho comprando COLTRANE no decorrer de décadas. Muitas vezes, vendendo depois; trocando, errando, latindo pra lua de raiva de ter vendido, e essas infantilidades que colecionadores cometem.
Esta é a minha última safra. Incluindo dois CDS comemorando os 50 anos da ATLANTIC RECORDS. Sei que haverá outras. Aliás, já comecei: edições em LONG PLAYS com vinil azul… ainda não ouvi.
Vou contar, e a maioria de vocês não acreditará. Este pequeno e excelente BOX na foto, contém toda a produção em CDS do genial JOHN… Só que sem as capas originais. Há excelente livreto, fotos, textos; e com surpresa interessante: um dos CDs traz takes alternativos em um estojo imitando as CAIXAS de FITAS de GRAVAÇÃO de ESTÚDIO!!! Sensacional!!!!
Consegui o BOX anos atrás.
Sabem como?
Fazendo merda!
Eu o troquei por BOX magnífico de LPS lançado no início do século atual pela ATLANTIC via RHYNO RECORDS. Cada disco com sua capas original; prensados em vinil de 180 gramas!!!!!!!!!!!
Isto foi no tempo em que PATÓPOLIS, e o mundo inteiro, queriam apenas CDS. Inclusive eu! TIO SÉRGIO foi otário e vulgar…
Pois, bem; como a volta do cipó de aroeira no lombo de quem pensou errado é uma constante, hoje vale baba imensa e não está mais disponível!
Em compensação, esta série de LPS tem sido relançada pela enésima vez; e agora também em uma coleção europeia muito simpática chamada DOL: THE BLUE COLLECTION. Porque – bidu! – os discos vêm prensados em VINIL AZUL. Hoje chegou outro deles, e custou em torno de $ 20,00, uns R$ 100,00 mandacarus. Ouvi dizer que o som é medíocre. Mas, que se… sou cavalheiro…
TIO SÉRGIO, você não passa de um “esperma ensandecido”! (metalinguagem médica para PORRA LOUCA!!!). Pra que vinil, se você não tem pick-up?
Porque sim! seus bobões!!!
É bonito demais, eu estou velho, sai da minha conta, e vocês não têm nada a ver com isso!!!!
POSTAGEM ORIGINAL: 04/05/2023
Pode ser uma imagem de 5 pessoas, polaroid, banca de jornais e texto

TRILHAS SONORAS, COLECIONISMO E COLECIONADORES

Eu conheci um advogado que escondia os discos no meio do jornal. Entrava em casa, enfiava tudo na estante do jeito que dava…
Depois, longe da mulher, olhava o butim e o reposicionava adequadamente, que sumia na “mata densa”; quer dizer, no meio dos outros discos! A esposa não compreendia de que jeito a coleção engordava tanto, pois o “doutor causídico” sempre dizia que havia parado de comprar discos???!!! Um crime quase perfeito!
Outro cliente fanático era funcionário público, e colecionava vinis. Adorava TRILHAS SONORAS. E procurava onde pudesse encontrar músicas que embalavam STREAP TEASES! Conseguiu de montão! E quase chorou, lá pela década de 1990, quando a RHINO lançou uma série só com músicas de… ahnnn provocação: safadezas mesmo! Essa até eu gostaria de ter…
O mais instigante e compulsivo deles, eu acho, é o ERIC CRAUFORD, dono da ERIC DISCOS, aqui de São Paulo. Pasmem; décadas atrás, eu e o meu amigo Silvio Dean, também “gostador” de discos, fomos ao apto onde ele morava, próximo à loja dele!
ERIC nos mostrou sua enorme e incrível discoteca de vinis! E, principalmente, a extensa, rara e “caçada” por todo o planeta COLEÇÃO de TRILHAS SONORA!.
Havia alguns milhares!!!!!
Colecionar trilhas é doideira magistral. Imaginem que é estimado em torno de “milhão” os filmes de longa metragem produzidos até agora!!!! Sem falar das séries para TV, e o imenso universo adjacente e paralelo!!!
TIO SÉRGIO engasgou e não vai repetir… são músicas e discos pra dedéu!!! Talvez sessenta por cento deles tenham trilhas sonoras originais. Não consigo estimar… E foram lançadas em discos mais de 100 mil? Quem sabe? Pense no número que você quiser. Pouco importa…
É quase impossível pesquisar e catalogar completamente tal variedade, seus países de origem, e outras dificuldades para acesso. Principalmente quando se pensa sobre as novas séries ou filmes que, além do tema principal composto especificamente, na maioria das vezes são agregadas músicas de outros artistas.
Em uma frase até desanimadora: colecionar trilhas não tem fim!
Mas, quem sabe se possa especular sobre o talvez padroeiro dessa atividade de compor “trilhas”. Eu penso em VIVALDI. Diz a lenda, que o “padreco” fazia uma composição por dia para entreter seus “alunos”. Fez mais de 1000. Trabalhou a tal ponto, que STRAVINSKY escreveu sobre o nosso adorado “padreco”: “ele não compôs mil músicas, mas a mesma música 1000 vezes!”
Julgue, mas seja compassivo…
Afinal de contas, padre VIVALDI compôs a trilha para educar e talvez espelhar a vida de seus discípulos. Se não é “vero”, é ao menos meritório considerar o “padreco” nosso inspirador…
O fato é que não há criação musical mais realista, e avessa à hipocrisia, do que compor sob encomenda. Dá um trabalhão doido! Tem prazo de entrega e nenhum glamour se pensarmos no processo; na necessidade absoluta de profissionalismo e, inclusive, a responsabilidade implícita de refletir a obra sob a qual ela é inserida…
É magia, técnica e tecnologia. Pensem nos caras e nas meninas que produzem tal “artesania” para abastecer filmes, novelas, peças teatrais e publicitárias! Estou tentando cada vez mais assistir a filmes, vídeos, essas coisas…
Mas, confesso, não tenho ânimo para colecionar TRILHAS: BELEZAS CONSTRUÍDAS DE PROPÓSITO E COM ESFORÇO. E NAS QUAIS SE OBSERVAM QUALIDADES ARTÍSTICAS INDISCUTÍVEIS.
Porém, morro de vontade, e vez por outra compro alguma coisa correlata ao ROCK CLÁSSICO, ou a filmes dos anos 1960/1970. E, apesar de não ser a mesma coisa, penso em baixar o que me agrada e manter no computador. Porque isoladamente formariam “pout-pourri” temático sensacional!
Este BOX com dez CDS, “THE FAMOUS MUSIC CATALOGUE”, produzido pela BMG em cima das TRILHAS SONORAS feitas para filmes da PARAMOUNT, foi distribuído promocionalmente em 1997. Para mim foi um achado casual, que visto em conjunto revela uma incrível MISCELÂNEA TEMÁTICA de músicas conhecidas coligidas com objetivo claro.
Quando eu era dono da CITY RECORDS, loja de CDs em SAMPA, alguém, um jornalista ou gente do meio de comunicações, veio trocar por outros discos.
O BOX traz indicações como nome do FILME ou da MÚSICA, o COMPOSITOR, a data de estreia, e mais nada… Não divulgaram o nome dos artistas que interpretam!!! Estão aqui, coisas desde dos anos 1930, até gravações contemporâneas. Há de tudo: R&B, ROCK, COUNTRY, EASY LISTENING, JAZZ, BLUES e o capeta a quatro gravado durante décadas!!!!
As gravações são todas originais, constato hoje! E confesso ser um dos vários casos em que tenho o disco e jamais ouvi direito – quando cheguei a ouvir…
Então, tentei identificar. Dou de cara com “EYES OF THE TIGER”, com o SURIVIVAL, tema de ROCKY 1; CALL ME, com a BLONDIE; e clássicos maravilhosos como JACK JONES cantando CALL ME IRRESPONSIBLE. Ou a baba ostensiva de JOHNNY MATHIS (HUMM… PHODIS…, como dizia minha turma, na décadas de 1960/70) cantando o tema de ROMEU e JULIETA. Há, também, o de BONANZA, série de televisão mundialmente famosa, exibida na década de 1960.
Estão ali, desde CARLY SIMON, em COMING AROUND AGAIN; ao LIVING COLOR, em CULT OF PERSONALITTY. E o belo tema de GHOAST, de MICHEL JARRE. Não faltou THE GODFATHER, conhecidíssimo. Além de várias “surpresas ultra conhecidas”, rodadas em FMS e filmes. E sem, obviamente, comentar o que ainda não consegui ouvir…Enfim, um mundo à disposição. Revivido nessa postagem.
E há o espetacular tema original de PERRY MASON – uma série que rolou entre 1957 e 1966, onde o astro é um advogado criminal craque – muito craque! Foi composto por FRED STEINER, e gravado por RAY CONNIFF e sua Orquestra. Há versão ao vivo com os BLUES BROTHERS; pesada, excelente!
Acho este o mais espetacular entre todos os temas principais de TRILHAS SONORAS. Casamento perfeito entre o enredo, o filme e a música. Todo o clima de mistério “NOIR”, que expõem o que vamos assistir, e interpretado com intensidade talvez não superada!
Não incluído no BOX, mas está entre os meus temas prediletos a abertura da “série inacabável” “LAW AND ORDER”, da UNIVERSAL, escrito por MIKE POST. É perfeito! Denso, tenso, rápido e incisivo!!!
Então, jovens ou joviais desbravadores deem uma olhada nas telas, ouçam alguns clássicos tipo ENNIO MORICONNE; e modernos como ANGELO BADALAMENTI. Observem o quê te mostram os trabalhos, a beleza e os resultados. E foquem inclusive na complementação óbvia, que são as trilhas acessórias, as músicas captadas décadas afora recheando projetos, e dando outro significado à composição, e sentido mais amplo aos filmes…
Se tiverem coragem, há incontáveis milhares de discos para vocês caçarem; e refinar audição, texto e visual.
Eu desejo aos que tentarem saúde, sorte e demência controlada.
Vão precisar!
POSTAGEM ORIGINAL: 26/06/2022
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DUSTY SPRINGFIELD: ALIÁS, MARY CATHERINE ISABEL BERNADETTE O’ BRIEN 1939/1999

O NOME IMPONENTE, “BRITISH”, BATIZOU A GAROTA DE CLASSE MÉDIA QUE ESTUDOU A VIDA INTEIRA EM COLÉGIO DE FREIRAS. MARY ERA TÍMIDA, DISCRETA, EXIGENTE E MAIS OU MENOS CONTINUOU ASSIM ATÉ O FINAL DA VIDA.
AH, IA ESQUECENDO! APRESENTO A VOCÊS A MAIOR CANTORA POPULAR DA INGLATERRA EM SUA GERAÇÃO: “DUSTY SPRINGFIELD” – QUE TAMBÉM ESTÁ NO “ROCK AND ROLL HALL OF FAME”.
Muitos dizem que teve carreira de sucesso, mas errática. Outros, quem sabe fãs ou simplesmente observadores, afirmam que ela era eclética, talentosa, e muito acima da média! DUSTY SPRINGFIELD simplesmente podia cantar “tudo”!
O BOX da foto traz 98 faixas, em mais de 5 horas de música; texto, fotos e tudo o que forma o espectro por onde a moça transitou!
São mais de 16 LONG PLAYS, e incontáveis SINGLES E EPs gravados, em atividade que se estendeu por quase 40 anos, com algumas interrupções longas, e sumiços voluntários.
A moça era gentil, mas geniosa; algo insegura, e trabalhadora determinada. Dizem que compassiva e bem humorada.
Mas da vida pessoal se sabe apenas o que ela deixou que transparecesse. Ou talvez, não! Desconfio que era gay. Outros, também. Mas, e daí!
No BOX acima, gente importante como PAUL McCARTNEY, ELTON JOHN, CAROLE KING, CLIFF RICHARDS, KAREN CARPENTER, os PET SHOP BOYS e um montão confirmam que “BERNADETTE” era o fino!
Cantoras em penca de várias gerações dizem ter sido influenciadas por ela. E é verdade! Procurem por aí.
Disseminaram as línguas ofídicas que a mocinha de convento tocava violão; e uma vez ensaiou coleguinhas e futuras freiras para cantarem BESSIE SMITH! Hummmm…
Borbulhou repressão contida, porém eficiente. Gente como a cantora americana não era boa influência para virginais – supostamente (?) – religiosas e reclusas moças…
DUSTY tinha potência de voz, facilidade para cantar e interpretar acima de qualquer suspeita. Seu timbre original, entre o deliciosamente rouco e o levemente metálico, talvez deva ser descrito como elegante e suave seda negra. ( Nossa, TIO SÉRGIO!!! O que você quer significar com isso? )…
Claro, não passou despercebido da gravadora PHILIPS, onde estreou com um amigo e o irmão no trio vocal THE SPRINGFIELDS, em 1961, na época bem conhecidos no POP.
No final de 1963, iniciou carreira solo por lá mesmo. Grande parte de suas gravações foram orientadas pelo produtor JOHN FRANZ, e o maestro e arranjador IVOR RAYMONDE – pai de SIMON RAYMONDE, do COCTEAU TWINS – um craque responsável também pelo sucesso dos WALKER BROTHERS, e por gravidade, também SCOTT WALKER.
FRANZ E IVOR tinham estilos de produção muito reconhecidos no BRITISH POP . E lançaram discos de muito sucesso entre 1963 e 1966.
Então, destacaram a voz de DUSTY, que normalmente cantava “alto”, evidenciando seu timbre único. TIO SÉRGIO sempre acha que a voz e interpretação dela sobressaem quando não exagera. Seja como for, a maioria das músicas são de qualidade e muito agradáveis.
DUSTY foi sucesso de público e crítica mais até do que de vendas. Seu repertório atingia os quadrantes do POP, do R&B e da SOUL MUSIC. Gravou BURT BACHARACH, CAROLE KING, e um monte de HITS e compositores da melhor música negra americana.
Foi do POP/BEAT/ inglês, resvalou na ERA DISCO, no TECHNOPOP, etc… com estilo, elegância e qualidade vocal únicos. Legou, também, em 1969, um álbum clássico do POP/SOUL/R&B: DUSTY IN MEMPHIS. Disco produzido por um dos luminares da BLACK MUSIC AMERICANA, JERRY WEXLER, e acompanhado pelos melhores músicos de estúdios da ATLANTIC RECORDS. O mesmo time que consagrou WILSON PICKETT, ARETHA FRANKLIN, OTIS REDDING e tantos e tontos diversos.
DUSTY IN MEMPHIS é o disco de DUSTY SPRINGFIELD para realmente se ter na discoteca! É impecável, essencial e consagrador. Ela cantando no auge da forma, da interpretação e da voz, sob produção impecável e refinada. Confirmou a fama de maior cantora de “SOUL MUSIC” da Inglaterra; é “vero”; e pegou de vez!
Mas é rótulo insuficiente. DUSTY foi mais do que isso: grande cantora POP no mais amplo significado e abrangência do termo!
Para comprovar, em 1987 os PET SHOP BOYS a chamaram para gravarem “WHAT I DONE TO DESERVE THIS?”, single de sucesso internacional, e o segundo maior êxito na carreira dela. Uma guinada certeira ao DANCE TECHNO POP.
DUSTY, dos anos 1980 em diante, continuou gravando com diversos produtores e compositores; novos ou tradicionais. Seguiu carreira algo errante e infrequente, mas formou acervo discográfico curioso, variado e relevante na música moderna.
Seu estilo único é a chave; exala o charme e o porquê…
Mas por atrás desse talento havia um submundo mental próximo do purgatório, e habitado por demônios e comportamento irascível, e até odioso.
Nos estúdio, ou durante os ensaios, atirava nos músicos e técnicos o que tivesse às mãos, quando erravam, ou ela não gostasse do que estavam fazendo! Voavam xícaras, copos, vassouras, etc.
CHRIS WELSH, famoso crítico e jornalista, contou que ela carregava consigo três perucas, batizadas como o nome das cantoras LULU, CILLA BLACK e SANDY SHAW, suas concorrentes diretas, no período áureo.
E quando entrava em fúria, atirava as perucas no chão e as pisoteava, gritando e xingando o nome das outras. DUSTY tinha um lado “mocréia” ( ou mocreia?) insuportável!
Na segunda metade dos anos 1990, DUSTY foi diagnosticada com câncer de mama. PAUL McCARTNEY conta que ele e ela já se conheciam. E se aproximaram muito naquela época, porque LINDA McCARTNEY também estava se tratando de câncer.
LINDA morreu em 17 de abril de 1998. E DUSTY SPRINGFIELD faleceu em 2 de março de 1999, quase aos 60 anos.
Foi no mesmo dia em que estava marcada cerimônia, no Palácio de BUCKINGHAN, onde ela iria receber da Rainha Elizabeth II a O.B.E – a comenda principal do Império Britânico. A mesma já recebida por PAUL McCARTNEY, ELTON JOHN, BRIAN MAY, CLAPTON e inúmeros vários…
DUSTY! Pra gente recordar pra sempre!
POSTAGEM ORIGINAL 10/04/2021
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JEFF BECK – LIVE! DVDS e CDS – SHOW DE ECLETISMO, TÉCNICA E ORIGINALIDADE

Dia qualquer, entrei na padaria perto de casa e pedi Coca Cola e um sanduíche de alguma Mortadela razoável – tem de todo tipo, algumas lixo puro. Preço: R$ 21,00!!! Estava mais ou menos…
Fim de semana seguinte fui à POPS DISCOS, a loja que frequento e das poucas que sobrou em São Paulo, e comprei o BLUE RAY do JEFF BECK, “LIVE IN TOKYO”, gravado em 2014. Custou R$ 25,00.
Um produto completamente original e lacrado, som e imagens de primeira qualidade. Pra resumir, a tecnologia, os impostos, o desenvolvimento de produto, a performance espetacular de um gênio e seus músicos; mais a durabilidade quase indefinida do objeto, e tudo o mais que é preciso para fazer um artefato desse nível, custou um dólar a mais!
Como dizem os economistas versados em Shakespeare, algo de muito podre acontece no reino dos preços relativos no Brasil…
Nesse DVD, JEFF BECK continua o que talvez algum ouvinte desatento diga ser mais do mesmo. Não é. A nova banda que ele montou com os excelentes JONATHAN JOSEPH, bateria; NICOLAS MEYER, guitarra; e RONDHA SMITH, a excepcional ex-baixista que acompanhava o PRINCE, tocam parte do repertório clássico de BECK. Porém, sem os teclados. O que deixa o som fica mais compacto e pesado.
Em linhas gerais, é um mergulho ampliado, agora em teatro imenso, o TOKYO DOME CITY HALL. Um concerto sob o silêncio e atenção dos japoneses, que respeitam os artistas, e aplaudem muito somente ao final de cada música.
É o contrário do que acontece por aqui. No show de JACK BRUCE, em São Paulo, outro músico de gênio, um bando de bocós berrava e avançava sobre a fileira de cadeiras e o corredor central do Teatro Bradesco, cena de agressividade típica de torcida organizada em campos de futebol. Coisa de gente boçal!
Se comparados à outra performance espetacular do mago, no clássico “PERFORMING THIS WEEK AT RONNIE SCOTT´S”, lançado em 2009, as diferenças ressaltam. A performance é mais JAZZY. Os excepcionais VINNIE COLAIUTA, baterista; a quase menina TAL WILKENFELD no baixo, e o tecladista JASON RABELLO criam estrutura mais sutil, mais voltada à FUSION; e talvez com abertura para o PROGRESSIVO. E vamos incluir a presença de ERIC CLAPTON; de JOSS STONE, excelente cantora de R&B; e da “muito diferente” IMOGEN HEAP, uma estilista cantando! É show inesquecível!!!! Portanto, DVD imperdível!
Conheci o som de JEFF BECK em 1967, na casa do meu amigo SILVIO DEAN, quando por aqui foi lançado o “HAVING A RAVE-UP”, dos YARDBIRDS. Disco/evento imperdível!!!
No lado A do LONG PLAY está BECK na guitarra solo. E o primeiro SINGLE que ele gravou com com o grupo: “HEART FULL OF SOUL”, 1965. E mais outras músicas imperdíveis. No segundo lado quem toca é ERIC CLAPTON, ao vivo, em outra performance antológica, lançada em 1965 como “FIVE LIVE YARDBIRDS” – um E.P. cult e colecionável:
THE YARDBIRDS Foi a primeira banda inglesa que adorei à beira do fanatismo. Ainda idolatro, e sempre os colecionei. Acho que fui o primeiro a escrever sobre eles, no Brasil, lá por 1977…
JEFF BECK é um eclético soberbo! Ele pode tocar “TUDO”. Simplesmente. Procurem o DVD “JEFF BECK ROCK´N´ROLL PARTY, honouring LES PAUL”. Para quem está acostumando com ele na FENDER, precisa ver o que faz ao vivo com uma “GIBSON LES PAUL”!
O DVD é show no “IRIDIUM JAZZ CLUB, NOVA YORK”, em 2010. BECK é o convidado principal, claro. A banda de apoio é excelente. Vão do ROCKABILLY ao R&B. E JEFF vai de SHADOWS a GENE VINCENT; passa por montes de músicas de “LES PAUL”, e acompanha uma cantora e intérprete sensacional que eu só conhecia de nome: IMELDA MAY! A moça arrasa no ROCKABILLY, com estilo e voz adequados! E arrebenta no R&B!!! O show além de uma festa de ROCK AND ROLL clássico, explica os caminhos que JEFF BECK cruzou, e porque chegou em nível tão alto!
Antes de tudo, JEFF BECK FOI um guitarrista de ROCK – e “BEYOND” – originalíssimo, que reinventa e domina seu instrumento a cada performance. Foi um criador de sons e sonoridades. Seu “FINGERPICKING GUITAR”, tocar só com os dedos e sem palheta, é perfeito. Em concerto ele se concentra totalmente. Daí, as execuções brilhantes. JEFF foi profissional de altíssima performance. E um artista que combinava, equilibrava, peso e lirismo.
Em 1973, BECK juntou-se ao baixista TIM BOGERT e ao baterista CARMINE APPICE, ex-integrantes do CACTUS, banda de HARD ROCK AMERICANA. Era intenção antiga que não havia progredido porque BECK sofrera sério acidente de automóvel, que o deixou fora de atividade por um ano e meio.
Quando ele se recuperou, gravaram um CD controvertido. A ideia era mais ou menos seguir o que fizera o CREAM e o WEST, BRUCE & LAING, mas cruzando R&B, HARD ROCK e resquícios da PSICODELIA. Eu acho que não deu certo, porque nenhum dos três conseguia cantar.
Porém, gravaram um álbum duplo ao VIVO, no JAPÃO, que se tornou CULT e colecionável. A insuficiência dos vocais foi compensada pela performance instrumental exuberante. O BECK, BOGERT & APPICE serviu para BECK dar a guinada definitiva na carreira.
Em 1975 GEORGE MARTIN, famoso por sua ligação com os BEATLES, produziu para a EPIC RECORDS o álbum “BLOW BY BLOW”, que levou JEFF BECK a outra perspectiva artística.
O interessante é que a EPIC era filiada à COLUMBIA RECORDS, que desenvolvia projetos com FUSION JAZZ e outras vanguardas, como o ROCK PROGRESSIVO.
Estavam no “CAST” da COLUMBIA artistas em nível de MILES DAVIS, WEATHER REPORT e a MAHAVSHNU ORCHESTRA, do guitarrista JOHN McLAUGHLIN. BECK foi orientado para a FUSION. E os discos que gravou são todos principalmente instrumentais. Em 1977, foi lançado JEFF BECK with JAN HAMMER GROUP – músicos da CENA FUSION e próximos a McLAUGHLIN. O disco exemplifica bem o estilo da época e a opção do artista.
BECK circulou por todos os cantos da modernidade musical, do FUNK à SOUL MUSIC; ao HEAVY, e à FUSION; do R&B ao BLUES; ao PROGRESSIVO ao ELETRÔNICO. Ele cita compositores CLÁSSICOS em várias de suas composições ou performances. Procurem escutar o que ele fez em 1968 com “LOVE IS BLUE”, a baba orquestral de PAUL MAURIAT. Mas, não sem antes ouvir o “seu” BECK´S BOLERO ( de RAVEL). E aproveite para ouvir com atenção “NESSUN DORMA”, de PUCCINI, no CD EMOTION & COMMOTION, 2010. É o articulado ecletismo de JEFF em demonstração explícita.
Em minha opinião, JEFF BECK há muito ultrapassou HENDRIX em técnica e inventividade. A obra dele não é muito extensa, mas é importante e original. E o estilo e sonoridade que criou foram seminais para a evolução do ROCK antes de HENDRIX. Eu tenho a impressão de que muitas vezes BECK realizava fusões dentro das fusões que fazia. Mudava a direção dos solos, dos ritmos, de um estilo musical para outro; criava coisas novas inesperadamente…
JEFF BECK foi um gênio produtivo e operante. Ele está duas vezes no “ROCK AND ROLL HALL OF FAME”. A primeira com os YARDBIRDS. A outra pela carreira solo. Além da música, ele gostava, entendia e colecionava automóveis. E montava carros de corrida e competição. Tinha oficina em casa; e era respeitado no meio automobilístico por seu conhecimento de motores, veículos, essas coisas…
Ele morreu quase repentinamente de MENINGITE BACTERIANA aos 78 anos, em janeiro de 2023. JOHNNY DEPP com quem ele vinha gravando e excursionando o acompanhou até o final.
E nós sentiremos a falta dele pela eternidade.
POSTAGEM ORIGINAL: 30/04/2024
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DISCO MUSIC E SEU TEMPO. DANÇAR? QUEM? EU?????

Lá por volta de 1975, daí e por ali TIO SÉRGIO, “gostante” do ROCK e do BLUES, e estudando CIÊNCIAS SOCIAIS na USP, encarnava ( ou será “ENKARMAVA”) um projeto de intelectual esquerdista, e devidamente “achante” de sua superioridade.
Claro, fazia parte do meu suposto charme um quê de arrogância, e concessão aos “não conscientes” e aos “não iniciados” em meus saberes e relutantes convicções.
Então, como é que eu poderia gostar de um troço daqueles?
“Nor fucking, man”, se é que dá pra escrever assim! Podiam me passar na máquina de fazer salsichas que eu não iria a uma DISCOTHEQUE!!! E não fui mesmo! E a Angela também odiava tais ambientes…
Lembro que em meio a papos-cabeça, certo dia na mesa de um bar próximo da USP, um colega defendeu a tese de que a BATIDA “DISCO” tinha sido “cientificamente planejada” pelos americanos para alienar a classe trabalhadora!!!
Daí, o mundo de JOHN TRAVOLTA e o vasto etc… POP não passaria de lixo fulgurante, gestado na “GRINGOLÂNDIA” para entorpecer a juventude, e manter o imperialismo urbe et orbe! Éramos assim! Ingênuos, militantes e bem intencionados!
Claro, o mundo inteiro, de norte a sul, de cabo a rabo, do Oiapoque a Marilena Chauí – na frase memorável do falecido jornalista DANIEL PIZA – ouvia e dançava aquilo. Menos eu, …ahnnn…nós…
Eu resisti bravamente; fanaticamente! E a tal ponto que um dos primeiros artigos que escrevi para a REVISTA MÚSICA, onde eu colaborei, na década de 1970, foi uma resenha largando a lenha em RUMOURS, do FLEETWOOD MAC!!!!
Tenho vergonha até hoje só de lembrar! Fiz uma catilinária burra, mal pesquisada e mal escrita, sobre um dos maiores clássicos da MUSICA POP em todos os tempos!
E os caras publicaram! Meu Santo Colombino!!!! Eles publicaram!!!
“RUMOURS” vendeu como chicletes – nas palavras de um crítico americano. E continua vendendo. Merecidamente. E eu devo a mim mesmo fazer outra resenha, e avaliar com mais correção e sobriedade um disco adorável e imperdível!! E, claro, limpar a minha consciência.
Mas, TIO SÉRGIO, que porra era aquilo de DISCO MUSIC?
Ora, apenas uma das formas possíveis e dançáveis do RHYTHM´N’ BLUES. Elementos de música negra acoplados àquela batida repetitiva e identificável; vez por outra acrescido de instrumentação eletrônica, como fizeram no chamado EURODISCO, do final dos anos 1970 Mas que se expandiu “ad-infinitum” com reflexos até hoje, no POP.
Você se recordam de GIORGIO MORODER? E do MEGA-HIT das pistas de dança, DON´T LET ME BE MISUNDERSTUD, com o SANTA ESMERALDA? E da sempre dançante e adorável DONNA SUMMER – hoje ícone inconteste?
E melhor ainda, lembram-se da espetacular “SELF CONTROL”, em suas várias mixagens e SAMPLERS? Canção legal, ritmada e ultra dancável; e com letra climática, descritiva e bem – feita? Mais do que isto: sociológica: porque elucidativa da cultura DISCO e seus curtidores. É ONE HIT WONDER e clássico de LAURA BRANIGAN!
E, talvez, a melhor música da época?
Mas, a batida DISCO viajou bem mais longe. Está em HEART OF GLASS, com o BLONDIE; em I COULD´NT GET IT RIGHT, com a CLIMAX BLUES BAND; e, também, no sensacional CHIC, de NILE RODGERS e BERNARD EDWARDS. Ou em faixas do multissucesso SILK DEGREE, 1976, de BOZZ SCAGGS.
Também inesquecível em várias músicas do RUMORS, do FLEETWOOD MAC!!! E nas faixas DISCO que ressuscitaram os BEE GEES; e deixaram ROBERT STIGWOOD, também grande produtor de MARLEY a CLAPTON, mais rico ainda!!!
Quando assisti entediado a “OS EMBALOS DE SÁBADO A NOITE”, em algum canto repeti o que havia lido de um “resenhador” de filmes: TRAVOLTA seria um sub ator. E que tudo o mais, ele incluído, fosse para o inferno!
Errado! O TRAVOLTA já era bom; e depois se tornou grande ator.! Outra vergonha evidente e memorável que passei…
Mas, o tempo vai e a gente também… hoje, eu adoro “tudo isso que está aqui postado”. E mais um monte! Melhor, quase tudo… Recordo que a RHYNO RECORDS lançou, décadas atrás, BOX com vários CDS dedicados à DISCO MUSIC. Sumiram do mercado. Mas, quem sabe um dia eu ainda consiga pra mim. Tenho esperança…
Depois desse bafão por aqui, podem levar o TIO SÉRGIO para o frigorífico e passar na máquina de fazer salsichas!!!!
Vai sair Salsicha gorda…e ruim.
POSTAGEM ORIGINAL: 30/04/2022
Pode ser uma imagem de 7 pessoas e texto que diz "CHIC COULDN'T GET D BAND BLUES CLIMAX Plus EDITION COLLECTORS CHIC Vela"

SEARCHERS – 1959/2019 – A SEGUNDA BANDA MAIS POPULAR DE LIVERPOOL

Acabaram de vez, em 2019.
Também, pudera! 60 ANOS aí, quase sempre em atividade. Os dois remanescentes, o guitarrista JOHN McNALLY, fundador do grupo; e o baixista FRANK ALLEN, por lá desde 1964, aposentaram-se por tempo de serviços prestados ao ROCK. Bons serviços!
THE SEARCHERS gravaram pouco, mas foram seminais para o BEAT ROCK. Tiveram influência direta nos BYRDS, nas BANGLES, e no BRIT-POP.
Trouxeram o som melódico das guitarras “RICKENBACKER” para o ROCK. Antes, eram muito usadas no FOLK e na COUNTRY MUSIC. ROGER McGUINN e sua turma…, os BYRDS, vieram depois.
Tiveram, também, fortes conexões com os RAMONES – grandes fãs da banda. MARK RAMONE tocou e gravou algumas coisas com eles.
Os SEARCHERS foram os “segundões” em Liverpool, entre 1962 e 1965, perdendo em fama apenas para…ahhh… vocês sabem quem!
Aliás, cometeram erro estratégico na carreira ao se recusarem a ser administrados por BRIAN EPSTEIN, empresário dos… ah vocês conhecem… No pacote, viria música composta por GEORGE HARRISON, e certinha para eles gravarem: “Don’t Bother Me”.
Paciência; perderam a oportunidade. Inclusive por isso mal sobreviveram ao BEAT. Gravaram ótimos SINGLES de transição, que se poderia chamar de PRÉ-PSICODÉLICOS – como quase todos os grandes concorrentes.
Porém, HOLLIES, MANFRED MANN, YARDBIRDS, STONES e os próprios BEATLES suplantaram o basicão e fizeram História em outras tendências do POP. Os SEARCHERS estancaram por ali.
Gosto e sempre gostei deles. Estiveram na ALEMANHA, no início dos anos 1960, como os BEATLES e tantos outros. E têm disco ao vivo gravado no “STAR CLUB” de HAMBURGO. Vibrantes!
Os SEARCHERS legaram DISCOGRAFIA PEQUENA e respeitável, parte dela na foto. Gravaram DEZENAS DE SINGLES e E.P.s – alguns de sucesso mundial; todos estão dispostos aqui em algumas COLETÂNEAS bem adequadas. E em todos os “CDS originais” de carrerira, há faixas bônus, B-sides, Out Takes, e versões de alguns HITS para outras línguas.
Fizeram poucos álbuns. “TAKE ME FOR WHAT I´M WORTH”, de 1965, é o meu disco predileto de todo o BEAT INGLÊS. E está entre os dez dos quais mais gosto. Não preciso dizer que os DISCOS DE VINIL dos SEARCHERS são colecionáveis e valiosos. As primeiras edições dificilmente são encontradas por aí! Estão nas mãos de colecionadores mundo afora.
No final dos 1970, rumaram para um tipo de PUB ROCK, e nele mantiveram a carreira em cassinos, pequenos teatros, cabarés e turnês de “oldies”. Permaneceram até encerrarem, em 2019, com show comemorativo.
Experimentem.
POSTAGEM ORIGINAL 28/04/2022
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BLACK MUSIC CONTEMPORÂNEA: ARTISTAS E DISCOS QUE VALEM A PENA CONHECER!

AMY WINEHOUSE ERA TALENTO PROMISSOR.
ERA.
FEZ TRÊS DISCOS. O PRIMEIRO, “FRANK”, EU MANDEI PRA FRENTE, PORQUE NÃO ERA O TIPO DE CERVEJA QUE EU GOSTO DE TOMAR. ENFATIZANDO, NÃO ERA VINHO PARA O MEU CÁLIX.
O segundo, “BACK TO BLACK” , é bastante bom. Tem arranjos para mim mais palatáveis. É SOUL MUSIC E O R&B clássicos. A banda trabalha muito bem, e AMY canta expressiva e corretamente daquele jeito que alguns acham emular a BILLIE HOLIDAY. Mas, TIO SÉRGIO, o chato de óculos, acha que AMY lembra mais DINAH WASHINGTON.
O disco seguinte e final, “LEONESS HIDDEN TREASURES” tem repertório agradável, seguindo mais ou menos o anterior, com algumas modernizações. Só que se percebe nitidamente que ainda não estava pronto.Em todos, aparece a foto da menina esquálida, viciada, e derretida por drogas.
Nos dois primeiros, ela está cantando algumas insanidades que compôs, experiências da vida jogada no lixo, e sem a poesia de um LOU REED que justificasse o desperdício.
Sobre a pessoa de AMY, cabe paráfrase: “Pobre menina, não tem ninguém”…, que um dia cantaram LENO E LILIAN, destruindo de vez o clássico “HANG ON SLOOPY” ou “LOUIE LOUIE” – tanto faz, são a mesma melodia -; um BEAT clássico, famoso e chato, dos anos 1960…
Em 1994, entraram em minha loja, a CITY RECORDS, na Avenida Paulista, em SAMPA, duas clientes conhecidas. Estava rolando no CD-player, o segundo e ótimo disco do SEAL.
Eu as deixei à vontade, e fui verificar outra coisa. Mas, percebi que as moças olhavam a foto daquele preto enorme, atlético e carismático; e comentaram baixinho entre elas sobre como seria “NAVEGAR AQUELE DESTROIER” ; as dimensões do “instrumento” e como aconchegar o “mastro” em suas respectivas marinas! Quase não disfarçaram o entusiasmo…
Eu percebi tudo, e disse nada, claro…
SEAL foi um elo entre a melhor BLACK MUSIC e o POP comercial. De certa forma substituiu, aqui no Brasil, o gosto e alguma preferência por JOE COCKER, nesse mercado meio indefinido.
Seria?
No início dos anos 1990, SEAL ajudou a revitalizar o R&B e a SOUL MUSIC em geral, com sua voz pessoal, diferenciada, de preto, quase rouca e aveludada.
O estilo de compor e cantar recuperava a tradição da melodia POP, com arranjos modernizados; sutil gosto de vanguarda, e um travo único que só os ingleses conseguem.
Os três discos aqui são excelentes. Tem gente do calibre de JEFF BECK, TREVOR RABIN (YES), e incontáveis tocando, e ampliando o espectro. A produção é de alto nível pelo mago de estúdio TREVOR HORN. Discos imperdíveis, eu acho!
SEAL é nigeriano, com ascendentes africanos e brasileiro. Foi adotado por ingleses e desenvolveu LUPUS, doença degenerativa que deixou as cicatrizes que o marcam.
O negão continua sucesso firme e sólido.
As moças compraram os discos dele. Dois para cada uma… SEAL daria conta delas, tranquilamente…hummmm!!!!
TERENCE TRENT D`ARBY mudou de nome. Desde o fracasso do segundo disco, “NOR FISH OR FLESH”, virou SANANDA MAITREYA. E continua por aí.
Em 1987, ele era a bola da vez na música negra.
Americano, serviu ao exército, na Alemanha, no mesmo batalhão em que ELVIS PRESLEY esteve “lotado”, na década de 1950… É só História, e nada se comunica, é claro!
Lá, começou a cantar, coisa e tal, e migrou para a Inglaterra, onde seu primeiro disco, “INTRODUCING THE HARD LINE”, foi gravado e tornou-se um clássico do R&B moderno.
D`ARBY tem voz rascante, potente, identificável, talvez entre os timbres de MARVIN GAYE e um jeito do STEVIE WONDER cantar. Subiu feito foguete. Depois, caiu feito um míssil! Continua gravando. Já esteve por aqui. Seja como for, o primeiro disco é, sim, muito legal!!!
RIHANA: Quem não ouviu e não gosta de DIAMONDS, sucesso retumbante de uns anos atrás, não captou a essência POP única que só os negros conseguem transmitir. É moça charmosa, bela, com o jeito meio descolado dos marginais de boutique.
Canta muito legal! A menina tem voz límpida, clara; e seu disco, “UNAPOLOGETIC”, 2012, também virou um clássico. É POP no último gole de vodka com energético…
TIO SÉRGIO curte. E de montão! Os arranjos eletrônicos são bem dosados; há melodias agradáveis, e joga a turma na pista de danças para pular, ou roer o pescoço da (o) parceira (o). .. Hummm, TIO SÉRGIO está décadas distante desta hipótese!
Resumindo, é bem legal ouvir; e eu mantenho a pretinha atrevida e suas baforadas de maconha, fotografadas na capa, em minha discoteca.
Não fujam desse TRIO!
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DAVID BOWIE E MARC BOLAN 1967/1974. O GÊNIO DEFINIDOR E O CHATO DEFINITIVO

BOWIE morreu consagrado. BOLAN em decadência paulatina.
São absolutamente contemporâneos, teceram carreiras paralelas que, nada paradoxalmente, se cruzaram entre 1971 e 1974. Compartilharam várias vezes o produtor TONY VISCONTI, e foram as duas figuras chaves do chamado GLITTER, ou GLAM ROCK. Histeria elevada ao cubo e contrastante com o ambiente compartilhado com o ROCK PROGRESSIVO, o HARD e o HEAVY METAL – também ascendentes.
GLITTER É POP e dançar é preciso. Então, a Parada de Sucessos era deles. No primeiro Long Play, 1967, na foto, BOWIE dava ideia do excelente e versátil melodista que sempre foi. Ainda não é o DAVID BOWIE que reconhecemos, mas abre pistas.
Na encarnação enquanto TYRANOSSAURIOUS REX, em quatro long plays, MARC BOLAN mostrou o vocal sempre insuficiente gravando um FOLK PSICODÉLICO meio sem rumo… Até que TONY VISCONTI deu um jeito, e seus HITS mascados e dançantes dominaram a Mídia.
BOWIE, também. Mas, seu talento, energia e versatilidade o levaram muito, mas muito além, até o final da vida.
DAVID BOWIE ajudou a definir a estética musical de seu tempo.
DAVID GILMOUR, do PINK FLOYD, se lembrava de MARC BOLAN no escritório da banda assediando a recepcionista, JUNE CHILDS, com quem se casou.
Aliás “BOLAN-CHILDS”, tornou-se a plaquinha na porta do apto dos dois; e se tornou ÍCONE POP naqueles tempos antigos.
Prefiram BOWIE. Mas, ouçam alguns SINGLES do T.REX. Principalmente GET IT ON e METAL GURU. Arte, diversão e frescuras disseminadas. POP ROCKERS até final.
POSTAGEM ORIGINAL: 27/04/2019
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MIROSLAV VITOUS, UM SUPERDOTADO! BAIXO ACÚSTICO GENIAL EM VANGUARD JAZZ E FUSION

Em cena no “making-of” do DVD “Me and Mr Johnson”, ERIC CLAPTON aponta para o tamanho dos dedos de ROBERT JOHNSON, e comenta sobre o alcance físico do negão no braço e nas travas do violão. Os dedos enormes possibilitavam tocar as notas e os acordes, que certamente o distinguiram na história do BLUES.
Eu acrescento: ainda bem que o JOHNSON não foi urologista…
MIROSLAV VITOUS é um sujeito grandalhão. Se apropria e se aconchega facilmente ao enorme BAIXO ACÚSTICO. É, também, caso raro de superdotado em duas atividades: aos 6 anos tocava violino; aos 9 piano; e aos 14 baixo acústico. Resumindo o “PROLEGÔMENO”, o cara estava graus e graus acima da normalidade.
E, para referendar, MIROSLAV FOI NADADOR DE ALTÍSSIMA PERFORMANCE. Participava da equipe olímpica da antiga Tchecoslováquia! Só não foi para as Olimpíadas porque escolheu fazer música!
Sorte nossa e do mundo inteiro!
VITOUS, como outro artista de dimensão histórica – o bailarino russo RUDOLF NUREYEV, para citar em mesmo nível – aproveitou a excelência da educação física e do ensino das artes propiciada pelos Estados comunistas da EUROPA ORIENTAL, principalmente durante a guerra fria. Na música, ele se destacou a tal ponto que, aos 19 anos, já gravara com artistas populares locais!
EM 1966, VITOUS foi aprovado para cursar a BERKLEE SCHOOL OF MUSIC, em Nova York. Quem o escolheu em concurso foi o tecladista JOE ZAWINUL. Só!
No livreto que acompanha otima edição da BGO inglesa, para THE BASS; um clássico “underground” originalmente batizado por “INFINITE SEARCH”, VITOUS conta que, em PRAGA, na década de 1960, era muito difícil encontrar discos de JAZZ ou do bom POP internacional. No entanto, a rádio FREE EUROPE era ouvida por lá, e sua formação jazzística veio de alguns excelentes programas veiculados. Ele estudava e praticava com as informações que obtinha.
VITOUS conta experiência pela qual eu também passei várias vezes, como colecionador e ouvinte interessado em JAZZ e ROCK: Já nos E.U.A, MIROSLAV perguntava para pessoas ligadas à música se conheciam certos discos e gravações. E a resposta era normalmente “não”. Eu cansei de fazer isso com estrangeiros e ouvir a mesma coisa… Ele conclui que sabia mais de JAZZ morando em Praga, do que a turma do primeiro mundo. Eu digo o mesmo morando a vida toda no Brasil… E não sou o único, com certeza…
MIROSLAV tocou uns tempos com MILES DAVIS, que já estruturava sua FUSION ELÉTRICA. Mas, não era o que a banda necessitava. Ele toca BAIXO ACÚSTICO. E sua grande contribuição foi seguir a tradição de SCOTT LA FARO, um dos “libertadores” do contrabaixo para improvisar e liderar a música dentro de um grupo: LA FARO está, por exemplo, em FREE JAZZ, de ORNETTE COLEMAN…
VITOUS é um solista de vanguarda e não apenas um provedor de ritmos e andamentos. É, também, um dos grandes no uso do ARCO no instrumento. E foi desse contato com a banda de MILES DAVIS que, em 1969, MIROSLAV gravou para a EMBRYO, gravadora de vanguarda, um grande clássico batizado por “INFINITE SEARCH”.
O álbum foi produzido pelo flautista HERBIE MANN, que aproveitou a base do grupo de MILES DAVIS substituindo WAYNER SHORTER no sax.
Estão aí a guitarra de JOHN McLAUGHLIN, já grande músico, que ainda não havia levado seu fraseado curto ao estado da arte; JACK DeJOHNETTE e a sua bateria cheia de estilo, ton-tons e pratos; HERBIE HANCOCK ás no piano elétrico; e o sax de JOE HENDERSON, formado na sonoridade clássica da BLUE NOTE, e exportado para as fronteiras do JAZZ EXPERIMENTAL.
O quinteto é ousadia plena e, ao mesmo tempo, melódico!
Soa europeu? Quem sabe? Mas, nada do chato pedante masturbatório que circunda gênios de fato e, também, os FAKES. Então, junte aos acústicos os eletrificados e você terá um disco denso e consistente, na tradição da melhor “FUSÃO JAZZÍSTICA”, até hoje com lugar marcado na história e nas discotecas mais sofisticadas.
O movimento seguinte de VITOUS foi participar da fase inicial do WEATHER REPORT, com WAYNE SHORTER e JOE ZAWINUL – o seu “descobridor”.
MIROSLAV disse, certa vez, que foi “forçado” a sair substituído por ALPHONSUS JOHNSON, o antecessor do mítico JACO PASTOURIOUS, quando a FUSION da banda tornou-se mais linear e decididamente elétrica, em 1974. Aqui estão dois dos quatro álbuns que gravou com o WEATHER REPORT: SWEETNIGHTER, 1977; e I SING THE BODY ELECTRIC, 1974.
Desse ponto em diante o gigante disciplinado, metodicamente transgressor, praticante incansável do “DOUBLE BASS”, entra em nova etapa. Firme, forte e desafiador como o NADADOR de ponta que também foi.
Ele como todos que dão certo esforçou-se. Procurou um caminho e estilo. Em uma sapecada geral, levantei entre 48 e 58 álbuns de estúdio onde era, ou estava, entre os protagonistas. Há participação em mais 228 discos como artista convidado ou contratado. Nada mal! Concordamos, né?
MIROSLAV VITOUS gravou muito pela E.C.M., de MANFRED EICHER. Discos SOLO eu tenho na foto “MIROSLAV VITOUS GROUP”, 1980, com JOHN SURMAN, soprano; KENNY KIRKLAND, piano e JON CHRISTENSEN, na bateria. E, também, “JOURNEY´S END”, 1983, com a mesma turma, e JOHN TAYLOR substituindo KENNY no piano. Há também, “UNIVERSAL SYNCOPATIONS”, 2003, com CHICK COREA, JOHN McLAUGHLIN e JACK De JOHNETTE….Ahhhhh, vocês todos sabem o que eles tocam….
E há dois do diferenciado guitarrista norueguês TERJE RYPDAL, com MIROSLAV e DeJOHNETTE, lançados em 1979 e 1981. E mais um do saxofonista JAN GARBAREK e o baterista PETER ERSKINE, em1991. Sei que há outros diversos, na ECM, gravadora que é a “CARA” de MIROSLAV VITOUS, além de muitos, muitos outros catálogos afora…
VITOUS não parou, continua em atividade, e, dizem, soberbo! Inclusive em “aventuras” orquestrais. Mas, aí, já extrapola o texto.
Enfim, pesquisar essa gente toda é quase impossível, e as conexões espalham-se mundo e vida afora. Então, convido a todos começar por aqui. É música exuberante feita por gente de alta qualidade técnica e artística.
Procurem saber.
POSTAGEM ORIGINAL: 29/04/2023
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PUB ROCK: ISTO AQUI É ROCK’N’ROLL!

Em 1976, o PUNK espalhou – se pelo ROCK, e a imprensa e os relações públicas os venderam como iconoclastia radical “contra tudo aquilo que estava ali “; uma rebeldia inédita em busca pelo “LOW-FI” – o basicão mal acabado.
Um contraste às grandes bandas, à turma do PROGRESSIVO, e ao POP bobinho de sempre – todos desertores e traidores do verdadeiro ROCK ‘ N ‘ ROLL, na opinião de muita gente.
Os PUNKS foram ou tentaram ser tudo isso. Mas como a vida ensina, o buraco pode ser outro, mais específico, e de características híbridas. É bom saber que o tempo todo há outras crateras e orifícios que vivem, concorrem e sobrevivem à pandemia da hora.
Fora da grande mídia sempre houve bom ROCK de verdade; variado e sem regras rígidas, oscilante e acontecendo junto ao modismo do momento.
Saiu o GLAM e assumiu o PUNK? Sim, entre várias sobrevivências, eu complemento.
O ROCK básico sempre esteve rolando. Na Inglaterra, com o final do BEAT, em meados dos 1960, sobreviveram muitas bandas, e surgiram outras levando a bandeira do ROCKABILLY, do R&B e do BEAT modificado. Tocaram em PUBS, CLUBES, RÁDIOS, e entraram para coleções.
Todas foram juntadas sob o nome genérico de PUB ROCK. E aqui estão seis artistas, sendo um deles uma sugestão do tio Sérgio.
DAVE EDMUNDS talvez seja o pioneiro. Grande guitarrista, sobrevivente do BEAT, mas com talento e discografia suficiente para influenciar os STRAY CATS, ELVIS COSTELLO e produzir e incentivar diversos outros.
Esta coletânea é ROCK PURO, e tem faixas desde os anos 1960 com o “LOVE SCULPTURE” , sua banda original. E há, também, com NICK LOWE – outro ícone – e CARLENE CARTER, filha de JOHNNY CASH. Os colecionadores podem procurar o VINIL de EDMUNDS lançado por aqui em 1979, “Repeat when Necessary “. Pau puro!
DR. FEELGOOD é a essência do PUB ROCK. Pesados e simples sem serem simplistas; são básicos, não rudimentares. Por aqui, foram editados discos deles em VINIL, na década de 1970. Quem ainda não ouviu “Roxette” “She does it right” ou “Going back Home” está esquecendo ROCKS. São imperdíveis! Nesse BOX, 49 músicas lançadas apropriadamente em SINGLES.
Vamos dar meia volta para o futuro: imperdível e muito fácil de achar é o Cd gravado em 2014 por WILCO JOHNSON – guitarrista do DR. FEELGOOD e ROGER DALTREY, vocalista do THE WHO, o mais PUB-ROCKER entre os grandes vocalistas do ROCK CLÁSSICO. O disco é uma delícia, foi gravado na CHESS RECORDS, e simbolismo melhor impossível.
Aqui, também, o meu predileto entre eles todos: GRAHAN PARKER & THE RUMORS. Misto de R&B, DOO-WOP, com retrogosto de SKA e ROCK AND ROLL tradicional de primeira linha, trazidos para o clima PUB em meados dos anos 1970. PARKER é um cantor “PUNK” circundado por uma excelente banda de R&B! Original, pesado, algo sutil nas letras e festa garantida.
HEAT TREATMENT, na foto é, para mim, o disco ápice dessa mescla. E, na coletânea, o primeiro disco é ROCK da melhor qualidade. O segundo já encontra o PARKER “compositor”. Algo meio chato entre BRUCE SPRINGSTEEN e BOB DYLAN. “Vai” de gosto, mas eu “fico”…
TIO SÉRGIO “what porra it´s that”? As BANGLES por aqui?
Eu defendo que sim. Nesse “Different Lights” , as meninas revivem a sonoridade, e “quase são” os também ingleses SEARCHERS, banda BEAT ícone dos anos 1960/1970.
Elas tocariam o repertório delicioso em qualquer PUB da época.
E os SEARCHERS, até 2020 faziam o circuito PUB – pequenos clubes. E se aposentaram com “60 anos de contribuições ao ROCK”.
Não percam!
POSTAGEM ORIGINAL: 26/04/2020
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