MARVIN GAYE – WHAT´S GOING ON? – 1971 ELEITO, em 2020, PELA REVISTA “ROLLING STONE “, “O MAIOR DISCO DE TODOS OS TEMPOS”!!!

O MUNDO PASSOU POR TRANSFORMAÇÕES CULTURAIS PROFUNDAS DURANTE A DÉCADA DE 1960. HOUVE OTIMISMO E HEDONISMO, E, TAMBÉM, RADICAIS MUDANÇAS DE COMPORTAMENTOS E PROPOSIÇÕES POLÍTICAS.
FORAM TEMPOS PLENOS DE EVENTOS CONTRADITÓRIOS, E MUITAS VEZES SIMULTÂNEOS. MAS FREQUENTEMENTE NÃO COMPREENDIDOS À ÉPOCA. PORTANTO, HÁ O LEGADO DE VASTA COLEÇÃO DE FATOS ESTRUTURANTES PARA O MUNDO CONTEMPORÂNEO.
A HISTÓRIA PASSADA CONDICIONA A “HISTÓRIA FUTURA”, MAS NÃO A DETERMINA. NOVOS FATOS NO CORRER DOS TEMPOS E A TODO MOMENTO, ABREM CAMINHOS PARA A REVISÃO DE IDEIAS E CONCEITOS NESSA INTERAÇÃO ININTERRUPTA .
A HISTÓRIA NÃO TEM FINAL; ELA É UM PROCESSO CONTÍNUO. E A DINÂMICA DO PRESENTE DESTACA A PERCEPÇÃO DO PASSADO, E POSSIBILITA NOVAS CONCLUSÕES, MESMO QUE TRANSITÓRIAS.
O PASSADO, DESTE PONTO DE VISTA, NÃO ESTÁ “MORTO”. OS FATOS ANTES DE SERVIREM COMO BASE CONSISTENTE PARA ANÁLISES, REQUEREM CERTO CONSENSO SOCIAL PARA SE IMPOREM COMO DE IMPORTÂNCIA EFETIVA.
AINDA ASSIM, O QUE É COMPREENDIDO NO PRESENTE COMO A “VERDADE”, SEMPRE PODERÁ SER CONTESTADO E RECUSADO NO FUTURO. A INCERTEZA E A IMPERMANÊNCIA SÃO AS “CONSTANTES INCONTESTÁVEIS” NA HISTÓRIA DOS HOMENS.
“WHAT’ S GOING ON ?”
O CONSENSO ATÉ 2018, CONSIDERAVA A OBRA PRIMA DOS “BEATLES” LANÇADA EM 1967, “SGT PEPPER´S LONELY HEART CLUB BAND”, O MAIOR, MAIS AMPLO E INOVADOR DISCO DE MÚSICA POPULAR GRAVADO EM TODOS OS TEMPOS. FOI PERCEBIDO COMO ESTÁGIO ADIANTE SOBRE O QUE HAVIA SIDO REALIZADO ATÉ AQUELE MOMENTO.
O ÁLBUM COMBINA, EM ALGUMAS FAIXAS, O MAIS MODERNO DO ROCK COM A MÚSICA ERUDITA DE VANGUARDA. E PRESERVA, EM OUTRAS CANÇÕES, ARRANJOS E RITMOS TRADICIONAIS.
E TUDO EMBALANDO LETRAS BEM FEITAS; COMENTÁRIOS POLÍTICOS E DE COSTUMES QUE DESCREVEM O PANORAMA CAMBIANTE DAS RELAÇÕES SOCIAIS EM MEADOS DA DÉCADA DOS 1960. A SOMATÓRIA DESSES FATORES FAZ A OBRA FUNCIONAR COMO “DOCUMENTÁRIO”; UM ÁLBUM CONCEITUAL; CRÔNICA SENSÍVEL REVERBERANDO NO PRESENTE.
“SARGENT PEPPER´S…” FOI GRAVADO COM AS TECNOLOGIAS DE ESTÚDIO MAIS INOVADORAS DA ÉPOCA. O QUE POSSIBILITOU SONORIDADES E RESULTADOS ATÉ HOJE PERCEBIDOS COMO “CONTEMPORÂNEOS”. ESTE DISCO DOS BEATLES SOBREVIVEU E TRANSCENDEU AS DÉCADAS.
É OBRA GRANDIOSA E AINDA VIVA, QUE REFLETE CERTA CONSTÂNCIA DA HISTÓRIA HUMANA EM ALGUNS DE SEUS “MACRO -TEMAS”: LIBERDADE, DROGAS, POBREZA, SOLIDÃO, CONSERVADORISMO, REBELDIA, SOLIDARIEDADE… É O COTIDIANO E SUAS MÁS NÓTÍCIAS; AS GUERRAS, E VÁRIOS ETC…; E SE TORNOU EXEMPLO DE ARTE EM COMPASSO COM A REALIDADE MUTANTE. TUDO CONSIDERADO, É UM SUMÁRIO DA CONTEMPORANEIDADE.
NO ENTANTO, PROFÉTICO MESMO FOI “TOMMY”, OBRA CONCEITUAL CRIADA POR “THE WHO”, EM 1969: METÁFORA SOBRE A ALIENAÇÃO E ATOMIZAÇÃO DO INDIVÍDUO, REPRESENTADO PELO PERSONAGEM TOMMY, GAROTO SURDO E MUDO, MAS CRAQUE OBSECADO POR MÁQUINA ANTECESSORA DOS ATUAIS JOGOS ELETRÔNICOS: O PIMBALL, FLIPERAMA, EM PORTUGUÊS..
OS “TOMMYS” CONVIVEM CONOSCO HÁ DÉCADAS. ESTÃO NOS LARES, NOS BARES, NAS ESCOLAS; EM ÔNIBUS E METRÔS. E PROVAVELMENTE NOS ULTRASSARÃO, PORQUE LINKADOS À VIDA COTIDIANA, QUE É ELETRÔNICA, VIRTUAL, ATOMIZADA; ONIPRESENTE. E INEVITÁVEL!
MAS, OUTRO DISCO MONUMENTAL TOMOU A LIDERANÇA NESSE ETERNO “AGORA”. E A SENSAÇÃO DE ANTECIPAÇÃO QUASE PROFÉTICA FICOU MAIS UMA VEZ EXPLÍCITA.
SERIA “WHAT´S GOING ON”, DE “MARVIN GAYE”, LANÇADO EM 1971, MELHOR, MAIS ADEQUADO E ATUAL DOS QUE OS BEATLES?
Em primeiro lugar, .repare que ambos têm mais de cinquenta anos! E a diferença entre o surgimento de um e outro foram menos de quatro anos.
Mas quê quatro anos!!!!!
Quando o disco de “MARVIN GAYE” saiu, o pessimismo e o desencanto haviam tomado conta do mundo. A utopia hippie entrara em desuso; e continuaram as guerras e disputas entre potências e seus arsenais nucleares nas alturas. Ficou escancarado que ditaduras se espalhavam por todo o planeta, trivialidades que se repetem, nos tempos atuais. Tudo se reposicionou. Mas essencialmente pouco mudou.
Observe também, que em 1967 já havia brotado um ROCK PESSIMISTA, eivado por drogas, realista e marginal; e longe do “SUNSHINTE POP” e dos BEATLES. De certa forma, o “VELVET UNDERGROUND”, de “LOU REED”, anteviu o que ficara explícito, em 1971; e continua regra até agora…
Sobreviveram do passado vários temas retrabalhados por “MARVIN GAYE” em seu álbum imprescindível: pobreza, vida marginal, violência, drogas, racismo…desigualdade social e racial…
Para entender “WHAT´S GOING ON?”, é preciso notar que, em 1970/1971, foram lançados discos notáveis abordando as mazelas com muita crítica social explícita e militante. Todos eivados por tom pessimista e algo resignado. Inclusive o novo assunto daquele momento, e que todos nós, dali para frente, passamos a nos preocupar: a ECOLOGIA!
TIO SÉRGIO vai escavar mais. Naqueles tempos, “JONI MITCHELL” lançou “BLUE”, e “NEIL YOUNG” fez “AFTER THE GOLD RUCH”. Mais além, o “JETHRO TULL” criou “ACQUALUNG” – um olhar esquivo e duro sobre religião, educação, marginalidade e outros temas eternos.
E os “MOODY BLUES”, lançaram álbuns muito vendidos. “A QUESTION OF BALANCE”, 1970; e “EVERY GOOD BOY DESERVES FAVOUR”, 1971, são pioneiros em atentar sobre a ECOLOGIA.
E não se pode esquecer CHICO BUARQUE, na mais perfeita descrição poética das agruras da pobreza e do desalento, que ainda nos assolam: “CONSTRUÇÃO” e sua “complementar”, “DEUS LHE PAGUE”, 1971, são canções interativas com elementos de “ROCK PSICODÉLICO-PROGRESSIVO SINFÔNICO”, em arranjo “claustrofóbico” do maestro ROGÉRIO DUPRAT – que lembra os feitos pela banda americana SPIRIT, em 1968/1970. Isto só para citar um exemplo, entre tantos possíveis.
Dado fundamental une as obras naquele contexto histórico relevante: todos são DISCOS DE VANGUARDA, MUSICALMENTE FALANDO. E de acordo com o espírito de “FINAL DOS TEMPOS”.
E MARVIN GAYE é personagem expressivo: um “SINGER/SONGWRITER”; a tendência que se destacou e tomou conta do mercado musical no início dos 1970. Ele é contemporâneo de outros grandes como PAUL SIMON, JAMES TAYLOR, CARLY SIMON… E GIL, CAETANO e CHICO, também, claro; e todos componentes de um vasto etc…
É bom dizer que MARVIN GAYE sempre foi artista relevante para a BLACK MUSIC, e um dos grandes sucessos da MOTOWN RECORDS. Ele foi foi assassinado com três tiros pelo próprio pai, um pastor pentecostal… , em uma discussão de família! Está na cara que nenhum dos dois eram pessoas equilibradas.
MARVIN GAYE não foi um precursor, mas articulou artisticamente várias ideias e temas correntes na música e na sociedade. O disco “WHAT´S GOING ON” é, antes de tudo e simultaneamente, ÁLBUM CONCEITUAL, e de BLACK MUSIC! Um diferencial único entre seus pares. A faixa título é considerada a “quarta música mais importante da discografia americana”!
Da segunda à sexta faixa, há uma SUÍTE “SOUL/FUNK” com percussão latina mesclada ao JAZZ. Verdadeira FUSION dançante, de músicas ininterruptas e interligadas. E tocadas pelos magníficos e precisos “FUNK BROTHERS”, a banda principal da gravadora “MOTOWN”; portanto, garantia de excelência. As três faixas restantes esbanjam qualidade e ritmo, com destaque para a melhor de todas: “RIGHT ON”, um show!
O álbum é pequeno prontuário dos desencantos e desesperanças. E observação da violência e das iniquidades da sociedade americana. E tudo misturado e exposto em um tom espiritualizado, típico da melhor BLACK MUSIC feita no “HOSPÍCIO DO NORTE…” OOOPPPS, nos ESTADOS UNIDOS A AMÉRICA!
MARVIN canta sobre desemprego, inflação e a crise econômica daqueles dias. Cita, inclusive, a poluição, a superpopulação e outros temas candentes, e cada vez mais preocupantes e onipresentes, ligados à ECOLOGIA. Ele constata o racismo, a violência policial, o ódio e as injustiças contra os pobres e, principalmente, contra os pretos.
A obra não esquece dos que lutaram guerras para nada. Que tal recordar um filme com TOM CRUISE, chamado “Nascido em 4 de Julho? Pois bem, “MARVIN GAYE” é um preto que entendeu o drama daquele “branco” aleijado e descartado, o personagem de CRUISE, que a seu modo interpreta um deserdado da utopia americana, que sentiu e sofreu as iniquidades da sociedade que o usou e o abandonou; como ainda faz com incontáveis…
Pois, é! Acontece com a maioria dos pobres. E muitos e muitos pretos pobres, e pobres e pretos, que também viraram buchas de canhão nas constantes guerras do Império americano mundo afora…
MARVIN GAYE CANTOU A AMÉRICA NUA E CRUA SOB A PERSPECTIVA DOS PRETOS! Mesmo que os temas das letras magistralmente compostas por ele e “RENALDO BENSON”, um dos exuberantes vocalistas do “FOUR TOPS”, já houvessem sido expostos antes de ter sido gravado este álbum.
O caminhar bêbado da HISTÓRIA, a transição do mundo para tempos de radicalização política, ficaram evidentes na presidência de DONALD TRUMP, em 2020, quando o álbum foi escolhido o “Melhor de todos o tempos, pela revista ROLLING STONE.
A recorrente violência contra os pretos, na América; e o recrudescimento do racismo e da xenofobia mundo afora, ajudaram a elevar “WHAT´S GOING ON?” ao status alcançados.
A premiação recebida é para obra de altíssima relevância social e artística. É, simultaneamente, reação cultural ao ultraconservadorismo excludente nesses duradouros tempos de ignorância, falta de compaixão e pouca empatia. E foi realizada através de canções perfeitamente apreciáveis mais de 50 anos depois. O álbum não envelheceu! É verdadeiro marco.
Mas não promoveu a REVOLUÇÃO ou INOVAÇÃO na estética musical, como fizeram os BEATLES, em “SARGENT PEPPERS”. E isto parece claro.
Por isso, eu mantenho dúvidas de que seja o melhor disco da história do POP. Se é que isto realmente existe… A revista RECORD COLLECTOR faz listas anuais por gêneros, estilos, etc., o que é mais realista, perspicaz e “mensurável”.
Seja como for, “WHAT’S GOING ON?” sempre estará entre as dez melhores e mais relevantes. E a sua trajetória e peripécias acompanharemos por muito e muito tempo.
Ouçam e tenham na discoteca: é mandatório.
POSTAGEM ORIGINAL :03/10/2020
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MANHATTAN TRANSFER, DOWN IN BIRDLAND, ANTHOLOGY, 1992 E TONIN’ 1994. E CDS DE CHERYLL BENTINE E JANIS SIEGEL.

TALVEZ O MELHOR GRUPO VOCAL AMERICANO, ENTRE OS ANOS 1970 E MAIS DE UMA DÉCADA ATRÁS. CIRCULAM COM MUITA CRIATIVIDADE ENTRE O JAZZ, A GRANDE CANÇÃO AMERICANA E O POP SOFISTICADO.
O CANTORES DO “MANHATTAN TRANSFER” SÃO FÃS E DIVULGADORES DE COMPOSITORES BRASILEIROS. GRAVARAM TOM, DJAVAN, IVAN LINS, MILTON.
PARTICIPARAM EM DISCOS E SHOWS COM VÁRIOS DELES. E, VEZ POR OUTRA, APARECIAM NO BRASIL, E COM SUCESSO, E MUITA CAIPIRINHA…OS CDS DA FOTO SÃO PRAZERES ABSOLUTOS.
A COLETÂNEA DUPLA, “DOWN IN BIRDLAND”, COM 39 FAIXAS, LANÇADA PELA RHYNO 1992, É COLEÇÃO LUXUOSA DA CARREIRA DO QUARTETO.
“TIM HAUSER”, “ALLAN PAUL”, “JANIS SIEGEL” E “SHERYL BENTINE”, TÊM VOZES BELÍSSIMAS; E SÃO O FINO INDIVIDUALMENTE, EM CARREIRAS CONSOLIDADAS. E O GRUPO FUNCIONA EM HARMONIA INVEJÁVEL, COMBINANDO TÉCNICA, PIQUE, ENCANTAMENTO E CARISMA.
EM “TONING”, 1994, RECRIARAM “HITS POP AMERICANOS”, DOS ANOS 1960, COM O TOQUE GLAMUROSO DAQUELES TEMPOS.
ENTÃO, CONVIDARAM OS CANTORES ORIGINAIS PARA A VOZ PRINCIPAL: “FRANKIE VALLI”, “FELIX CAVALIERI”, “SMOKEY ROBINSON”, “LAURA NYRO”, E BEN. E KING”. E, NA FALTA DE ALGUNS, GENTE COMO “PHIL COLLINS”, “JAMES TAYLOR”, “CHAKA KHAN” E “BETTE MIDLER” ASSUMIRAM O LUGAR COM RESULTADOS EXCEPCIONAIS!
ESTE É UM DISCO PARA OS QUE GOSTAM DE MÚSICA POPULAR DANÇÁVEL, ALEGRE E IMORTAL. E, SEGURA FESTAS PARA A TURMA À PARTIR DOS TRINTA ANOS, E ATÉ MENOS…
O “MANHATTAN TRANSFER” FORMA EXEMPLO MAGNÍFICO DO POP AMERICANO CLÁSSICO. E NÃO HÁ CONTRA INDICAÇÕES.
TODO MUNDO VAI ADORAR!
POSTAGEM ORIGINAL 04/07/2022
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DAVID BOWIE, BLACK BOWIE? POSSIVELMENTE TALVEZ! SEMPRE EM TRANSIÇÃO, BOWIE FLERTOU FIRME COM A BLACK MUSIC EM 1975/1976 E 1983.

Tudo na produção artística de BOWIE está
realizado em sequências de relâmpagos e trovões. Vistas individualmente, jamais se esgotam as propostas e provocações. Aqui estão casos nítidos de discos correlatos, até semelhantes, mas não necessariamente consequentes.
Você talvez pergunte ao TIO SÉRGIO a questão que já me ocorreu: se era para se meter em BLACK MUSIC, porque BOWIE não foi namorar com a produção das gravadoras ATLANTIC, MOTOWN ou STAX, as luminares do R&B, do FUNK e da SOUL MUSIC?
Porque já tinham sido muito exploradas, e suas propostas estavam ultrapassadas quando ele fez YOUNG AMERICANS, 1975; e, depois, LET´S DANCE, 1983.
ENTRE 1966 E 1976, o PHILLY SOUNDS, o Som da Filadélfia, criado por KENNY GAMBLE e LEON HUFF, juntava de maneira peculiar o melódico e o dançante no POP, R&B, SOUL e a DISCO MUSIC.
De lá surgiram ótimos artistas pretos por eles produzidos: HAROLD MELVIN & THE BLUE NOTES, BILLY PAUL, O`JAYS, MFSB, JACKSONS, THREE DEGREES, e outros diversos.
Quando DAVID BOWIE entrou no lance a alternativa mais contemporânea era o PHILADELPHIA SOUND. Só para ilustrar, ELTON JOHN também foi na onda e gravou, em 1976, “D’ont Go Breakin My Heart”, com KIKI DEE. E fez mais outro HIT solo “Philadelphia Freedom” – mais explícito impossível, lembram-se?
YOUNG AMERICANS, lançado em 1975, foi imaginado basicamente em cima do PHILLY SOUND. E, como sempre, DAVID BOWIE fez, refletiu e ao mesmo tempo transcendeu tudo o que estava na moda.
Ele e o produtor TONY VISCONTI, imaginaram gravar no SIGMA STUDIO e, se possível, com a excelente banda local, o MFSB (Mothers, Fathers, Sisters & Brothers ), e a coprodução de GAMBLE & HUFF.
O STUDIO SIGMA foi usado; mas o restante não rolou.
Por isso, BOWIE juntou outra banda, como sempre afiada e um tanto surpreendente, destacando dois guitarristas que, no decorrer do tempo, tocaram em vários projetos de BOWIE: o nitidamente PUB-ROCK/ROCKABILLY , EARL SLICK; e CARLOS ALOMAR, craque em fazer bases e ritmos.
Veio, também, DAVID SANBORN, que emulou JR. WALKER, o grande saxofonista nos grandes sucessos da MOTOWN, na década de 1960. SANBORN foi além, criando sonoridade algo suja e distorcida para um tipo de FUNK/JAZZ temperado com ROCK.
Esse time desenvolveu um crossover BLACK-FUNK/LATINO; e YOUNG AMERICANS foi sucesso. Principalmente no EUA, alçando BOWIE ao primeiro lugar na parada americana com FAME – composição dele e JOHN LENNON. Parece inusitado?
O “quem sabe EP”, THE GOUSTER, lançado em um dos boxes póstumos de BOWIE, e onde estão 4 músicas do YOUNG AMERICANS, com mais três faixas que ficaram fora; hoje talvez simbolize um marco na ascensão fulgurante, e quase ininterrupta, da carreira de DAVID BOWIE, dali até sua morte.
É curioso notar que o álbum STATION TO STATION, 1976, é obra de transição, e finaliza este período com mais alguns R&Bs no SET: GOLDEN YEARS, por exemplo. No entanto, lá fica exposto corte radical para a CULT e influente fase BERLIM, totalmente experimental e KRAUTROCK. Este álbum acomoda os dois lados de maneira brilhante. Verifique.
Em 1983, DAVID BOWIE verga em direção ao R&B pesado e dançável em LET´S DANCE; já com outra banda “compósito” instigante e memorável! A conjugação entre a guitarra SOUL de NILE RODGERS – também coprodutor do disco – e o grande guitarrista de BLUES daqueles tempos, o americano STEVIE RAY VAUGHAN, ressaltou esse molho único.
Ambos desfilaram com outros craques: o baixista CARMINE ROJAS e ao baterista TONY THOMPSON. E tudo combinado a um extraordinário naipe de metais!
Funcionou muito bem! Quase todos conhecem “MODERN LOVE” e” LET´S DANCE”, e talvez outras faixas, que firmam aquele retrogosto do CHIC, de NILE RODGERS e BERNARD EDWARDS – também participante no disco e bem no centro dessa nova BLACK MUSIC.
A turma do ROCK não esquece “CHINA GIRL”, composição de BOWIE e IGGY POP; que de certa maneira segue a fórmula do BLONDIE, em “HEART OF GLASS”, lançado 1981. Ambos são HITS pesados e dançáveis. E tudo junto ressoa à DISCO estilo PHILLY SOUND!
As criações de BOWIE não se restringem. Ao contrario, jogam a música em um ponto futuro. Então, que tal incluir nessa narrativa a fantástica NITE FLIGHTS, música de SCOTT WALKER gravada em ritmo DISCO, no início dos anos 1980, pelos WALKER BROTHERS, Mas redefinida por BOWIE?
“NITE FLIGHTS” está no LONG PLAY “BLACK TIE, WHITE NOISE”, de 1993. Porém, a versão de BOWIE casa algo do DREAM POP com a DISCO MUSIC e o R&B. E possivelmente inspirou um grande HIT lançado por SEAL, 1991. Lembram-se de CRAZY?
Mas aí, é possível que o TIO SÉRGIO esteja delirando?
Talvez, não. Para o gênio musical subversivo de DAVID BOWIE tudo foi possível imaginar, pensar, jogar nas galáxias, ou fazer convergir.
Experimentem. Ousar faz bem! Mesmo que seja apenas ouvindo música.
POSTAGEM ORIGINAL: 29/06/2021
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“JAZZ FOR”… SÉRIE DE COLETÂNEAS DA GRAVADORA “32JAZZ”

PARTE DA SÉRIE SAIU NO BRASIL PELA “TRAMA”, NO FINAL DOS 1990. A GRAVADORA “32JAZZ” FOI CRIADA PELO PRODUTOR “JOEL DORN” EM 1995, UM VETERANO DA “ATLANTIC RECORDS” E OUTRAS GRAVADORAS.
ELE TAMBÉM PERCEBEU QUE O “JAZZ CONTEMPORÂNEO” HAVIA TOMADO CAMINHOS EXPERIMENTAIS, COM AS DIVERSAS FORMAS DO “FREE” E DA “FUSION”, E ULTRAPASSANDO A IDEIA INCRUSTADA NA MÉDIA DO PÚBLICO DE QUE JAZZZ SERIA MÚSICA BASICAMENTE INSTRUMENTAL, AGRADÁVEL E VARIADA.
“DORN” COM CERTEZA OBSERVOU O SUCESSO DA “CONCORD RECORDS”, QUE DEU VIDA NOVA A ARTISTAS CONSAGRADOS NO PASSADO, TRAZENDO-OS AO PRESENTE SOB ORIENTAÇÃO MODERNIZADA, MAS LINGUAGEM ALGO CONSERVADORA. ELE APROVEITOU O ALTO POTENCIAL ARTÍSTICO E TÉCNICO DE MÚSICOS DA ESTIRPE DE “SONNY CRISS”, “HOUSTON PEARSON”, “SONNY STITT”, “KENNY BURRELL”, “HORACE SILVER”, “PAT MARTINO”, ENTRE IMENSOS AINDA EM ATIVIDADE. DEU-LHES UMA GRAVADORA COM RECURSOS, E UMA ORIENTAÇÃO EM SENTIDO AO PÚBLICO MAIS TRADICIONAL.
FUNCIONOU!
A SÉRIE “JAZZ FOR” TEM AO TODO 9 CDS, CINCO LANÇADOS NO BRASIL, E TODOS “TEMÁTICOS” E DELICIOSOS DE OUVIR. EM LINHAS GERAIS, DUVIDO QUE A TURMA DO JAZZ DE QUALQUER IDADE NÃO GOSTE. COLOQUEI, TAMBÉM, UM DISCO DE “DONALD BYRD” APENAS PARA MOSTRAR A EMBALAGEM ORIGINAL QUE A GRAVADORA CRIOU PARA SEUS DISCOS DE CATÁLOGO.
PORÉM, SÃO ÁLBUNS MEIO CAROS; MAS RECOMENDO A GARIMPAGEM E “ARMAZENAMENTO” . SÃO TODOS MUITO BONS!
POSTAGEM ORIGINAL: 02/07/2020
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ELECTRIC PRUNES: BANDA CONCEITO MUTANTE, EM 3 ÁLBUNS SEMINAIS PARA O ROCK PSICODÉLICO

“THE ELECTRIC PRUNES” É UM NOME ULTRA MARCANTE, SONORO, EXPRESSIVO, QUE NOMEIA DIVERSAS BANDAS MONTADAS PARA PROJETOS DIFERENTES, QUE RESULTARAM EM EM DISCOS IDONOCLASTAS E GENIAIS!
“I HAD TOO MUCH TO DREAM LAST NIGHT”, LANÇADO PELA REPRISE, EM 1967, É O DISCO QUE BAGUNÇOU OS MEUS CINCO NEURÔNIOS (GENTE QUE ME CONHECE DIZ QUE EXAGEREI: SÃO DOIS OU TRÊS NO MÁXIMO…)
EU NUNCA OUVIRA ALGO TÃO VANGUARDISTA! SUPERAVA “THE BIG HURT”, SUCESSO CHEIO DE INOVAÇÕES TECNOLÓGICAS, GRAVADO POR “DEL SHANNON”, EM 1966! E TAMBÉM ANTECEDU A “SEE EMILY PLAY”, DO PINK FLOYD”, QUE SAIU UM POUCO DEPOIS…
A RIGOR, “THE ELECTRIC PRUNES” SERIA UM GRUPO DE “GARAGE ROCK” FAKE, MONTADO PELO ENGENHEIRO DE SOM E PRODUTOR “DAVID HASSINGER”, QUE HAVIA TRABALHADO COM DEUS E O MUNDO NO POP, INCLUSIVE OS “ROLLING STONES” E “FRANK SINATRA”” – E DAÍ SE INFERE O ECLETISMO DO CARA!
ELE ORGANIZOU OS “PRUNES” PARA O EMPRESÁRIO “LENNY PONCHER”, QUE DETINHA OS DIREITOS DO NOME.
HASSINGER” USOU, NESSE DISCO, TÉCNICAS DE ESTÚDIO E TECNOLOGIAS INOVADORAS: “DELAYS”, “CÂMARA DE ECO”, “POSICIONAMENTO DE MICROFONES”, E VASTO ETC…, CRIANDO UM ARTEFATO ORIGINAL E INFLUENTE, ATÉ OS DIAS DE HOJE.
“TIO SÉRGIO” DEFENTE QUE OS GRUPOS DE “GOTHIC ROCK” SE INSPIRARAM – E MUITO! – NOS “ELECTRIC PRUNES” DESSE ÁLBUM. OUÇO RESQUÍCIOS EM “THE CURE”, POR EXEMPLO. E “LUVIN” PODERIA TER SIDO GRAVADA POR “ROBERT SMITH” E SUA INFLUENTE BANDA… PROCUREM SABER.
HASSINGER FEZ, TAMBÉM, MAIS DOIS ÁLBUNS REVOLUCIONÁRIOS SOB O SACRO SANTO MANTO DOS “”ELECTRIC PRUNES”, COM IDEIAS DE “DAVID PONCHER”, E A PRODUÇÃO E COMPOSIÇÕES DE “DAVID AXELROD.
TROCARAM A BANDA INTEIRA PARA EXECUTAR O TERCEIRO LONG PLAY, “MASS IN F”, 1968, UMA IDEIA GENIAL: USARAM MISSA CATÓLICA TRADICIONAL, CANTADA EM LATIM, MAS ACOMPANHADA POR UM GRUPO AO ESTILO DOS “BIG BROTHER & THE HOLDING COMPANY”, QUE ACOMPANHAVA “JANIS JOPLIN”… SÓ ISSO!
DEPOIS, GRAVARAM UM CERIMONIAL RELIGIOSO JUDAICO, “RELEASE OF AN OATH”, TAMBÉM DE 1968, COM PROPOSTA SEMELHANTE, ONDE HÁ PERFORMANCE MEMORÁVEL DA MAIOR BAIXISTA DA HISTÓRIA DA MÚSICA POP, “CAROL KAYE!!!” RESUMINDO, SÃO DUAS OBRAS “PSICODÉLICO-PROGRESSIVAS” DE ASSOMBRO ICONOCLASTA E VANGUARDISTA, FEITAS POR “OUTRA” BANDA MONTADA NO CANADÁ, E ACRESCIDA POR ALGUNS AMERICANOS.
“I HAD TOO MUCH TO DREAM LAST NIGHT” É DISCO DE ECLETISMO ABSOLUTO. ABRANGE DE “MÚSICA RUSSA” RETRABALHADA EM “ROCK”; PASSA POR ALGO DE “JAZZ”; E TUDO EIVADO POR PSICODELIA DO COMEÇO AO FIM, “LUVIN” , EMBLEMÁTICA. E INCLUSIVE EM BALADINHA POP PARA BAILINHOS ADOLESCENTES: “ONIE” – ADORÁVEL!
É BOM FALAR DE MÍSSEIS DESTRUIDORES INESQUECÍVEIS, COMO A FAIXA TÍTULO; E ARREBENTA NA “PUNKISH” “GET ME TO THE WORLD ON TIME”, ENTRE VÁRIAS OUTRAS.
EU TIVE O “COMPACTO SIMPLES” COM “I HAD TOO MUCH TO DREAM LAST NIGHT”, QUE SAIU POR AQUI, EM 1967. E CONSEGUI A EDIÇÃO ORIGINAL, EM MONO, DO LONG PLAY, ACHO QUE EM 1968. COMPREI DO FILHO DE UM PILOTO DA FALIDA VARIG. E SEI LÁ COMO CONHECI O CARA… O ÁLBUM ESTEVE COMIGO ATÉ MAIS DE TRINTA E CINCO ANOS ATRÁS…
ESTE ÁLBUM ESTÁ ENTRE OS QUE MAIS OUVI EM MINHA VIDA INTEIRA – E AINDA OUÇO!
NÃO PERCAM, E LAMBUZEM-SE!
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JOHNNY “HORRIVERS” – BRINCADEIRINHA! – SECRET AGENT MAN, THE ULTIMATE ANTHOLOGY, 1964/2006, SOUL CITY RECORDS

Na década de 1960, no Brasil, não tinha pra ninguém! JOHNNY RIVERS era o rei dos bailinhos e festas de adolescentes!
Um dos primeiros discos que adquiri com o meu salário foi o seu clássico “LIVE AT THE WHISKEY A GO-GO, de 1964/65.
Naqueles tempos, foi o melhor “SHOW DE CHURRASCARIA” na face da terra!
O repertório é um caminhão de covers dançáveis, berráveis, puláveis! Nada sofisticados, como deve ser a verdadeira música para tomar cerveja, whisky, caipirinha, etc… e sair dançando. Enfim, JOHNNY foi um dos marcos do “alegre conformismo, solto e sem compromisso”.
O JOHNNY DE CHURRASCARIA era o exato contrário do “SOFISTICADO-FAKE”, e produtivo maestro RAY CONNIFF que, nos bailinhos, se juntava em charme ao JOHNNY nas seleções para se dançar coladinho.
Músicas como “POOR SIDE OF TOWN”, 1966; “BABY, I NEED YOUR LOVING”, 1967; e “THE TRACKS OF MY TEARS”, 1968; foram sucesso internacional, e habitam o imaginário da minha geração. Há outras, e outros discos de RIVERS – principalmente os de ROCKABILLY, tidos como muito legais! JOHNNY RIVERS gravou covers junto com seu material original, durante toda a bem sucedida carreira de 42 anos.
TIO SÉRGIO garante: ele não era bom… Era ótimo de palco; tocava e cantava bem e até com estilo! Foi um “expert” para descobrir, e interpretar de seu jeito, músicas compostas por outros artistas. Principalmente “COUNTRY” e “BLUES”. Então, se “tal música” fez sucesso, JOHNNY gravava; e dava certo!
Eu lembro que RIVERS veio ao Brasil, lá por 1968/69, se bem recordo, e apareceu em programa de entrevistas. Num deles, entregaram uma guitarra “GIANNINI” normal pra ele dar uma palinha. RIVERS pegou, olhou, deu uma afinada, e arrebentou! Vai ser “JOHNNY BE GOOD”! assim, atravessando os tempos!!!!
Eu fui crescendo, sofisticando meu gosto e interesses – ou ficando mais barulhento, sei lá! -, e releguei o JOHNNY à memória.
Hoje, tenho esta excelente coletânea de 36 faixas. Com o tempo, talvez eu pegue o CD com o show completo no WHISKEY A GO-GO; ou quem sabe alguma coisa de ROCKABILLY…
Para uma legião mundial de fãs, “JOHNNY B. GOOD” faz lembrar do “JOHNNY HORRIVERS!” – assim injustamente chamado pela turma do ROCK PESADO naqueles tempos de transição.
Mas quem não o conhece, não imagina o que perdeu!
TIO SÉRGIO e muita, muita gente recomenda!
POSTAGEM ORIGINAL:30/06/2020
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THE RASCALS – “SEE” – 1970, E “SEARCH AND NEARNESS”, 1971, OS DISCOS FINAIS NA  ATLANTIC RECORDS

CERTA VEZ, “OTIS REDDING”, O GRANDE SOUL MEN DE CARREIRA SÓLIDA NOS ANOS 1960, QUIS CONHECÊ- LOS NO ESTÚDIO DA ATLANTIC, ONDE AMBOS ESTAVAM GRAVANDO. NÃO ACREDITAVA QUE ELES FOSSEM BRANCOS!
ERAM.
NO QUARTETO TRÊS SÃO “ITALIANOS” : “EDDIE BRIGATTI”, VOCAL; “FELIX CAVALIERI”, ÓRGÃO E VOCAIS E “DINO DANELLI”, BATERISTA. E HÁ UM “IRLANDÊS”, O GUITARRISTA “GENE CORNISH”.
TODOS SÃO DE NOVA JERSEY, NAS VIZINHANÇAS DE “FRANK VALLI E OS FOUR SEASONS”, “BRUCE SPRINGSTEEN”, “MADONNA” E, MAIS PRA FRENTE, DO “BON JOVI”.
ALIÁS, TODOS SÃO FÃS DESSA MARCANTE E TALENTOSA BANDA LOCAL, QUE INAUGUROU O CHAMADO “BLUE EYED SOUL”! AH, NÃO VOU TRADUZIR!
“STEVE VAN ZANDT”, DA TURMA DE “SPRINGSTEEN”, OS APRESENTOU NO “ROCK AND ROLL HALL OF FAME”. DISSE MARAVILHAS SOBRE O TALENTO, EXCITAÇÃO E A HISTERIA QUE PROVOCARAM DE 1965 A 1972 – SETE ANOS DE SUCESSO E VIDA.
ENTRE 1966 E 1969, OS “RASCALS” DOMINARAM AS PARADAS AMERICANAS. ELES E OS “BEATLES”. O BLEND DE “R&B”, “BLUE – EYED SOUL”, “PSICODELIA”, E “PROTO – ROCK – JAZZ” OS LEVOU AO TOPO. SIM, FIZERAM MUITO SUCESSO DE PÚBLICO; E CRÍTICA, TAMBÉM.
CERTA VEZ, MEU AMIGO FABIO ROBIN DEAN, UM PROFUNDO CONHECEDOR DO ROCK DAQUELE TEMPO, PROVOCOU ARGUMENTANDO QUE “SEE” ERA MAIS BEM REALIZADO DO QUE “ONCE UPON A DREAM” , 1968, UM DOS ALBUNS CLÁSSICOS DA BANDA NA FASE PSICODÉLICA. FIQUEI INTRIGADO! SERIA?
MAS VOLTEI A ESCUTAR O DISCO APÓS DÉCADAS: GOSTEI BEM MAIS! PERCEBI QUE ESTÃO LÁ “RON CARTER”, “BARRY GOLDBERG”, “HUBERT LAWS” E “CHUCK RAYNES”. O NÍVEL “TÉCNICO – ARTÍSTICO” SUBIU COMO SE A BANDA TIVESSE TOMADO “DOIS VIAGRAS” CRIATIVOS!
ARTISTAS INVENTIVOS COMO OS “RASCALS”, COSTUMAM NÃO SE CONTER EM MOLDES. É MERITO E TAMBÉM RISCO. ELES MESCLAM, E VEZ POR OUTRA ALTERNAM, PSICODELIA E SOUL MUSIC. E RUMAM EM DIREÇÃO A UM TIPO DE “FUSION”, GERANDO MÚSICA SOFISTICADA E AGRADÁVEL.
O RISCO TALVEZ TENHA SIDO EMBARALHAR A PERCEPÇÃO DOS FÃS MAIS TRADICIONALISTAS. AFINAL, OS “RASCALS” FIZERAM SINGLES DE SUCESSO EM PROFUSÃO – QUE CONTRASTAVAM COM OS LPS, MAIS BEM ELABORADOS E PENSADOS.
“SEE”, LANÇADO EM 1970, FOI O PENÚLTIMO ALBUM DELES. DEPOIS, ENCERRARAM A CARREIRA NA “ATLANTIC RECORDS” COM “SEARCH AND NEARNESS”, LANÇADO EM 1971.
LOGO DEPOIS, A “COLUMBIA RECORDS” OS CONTRATOU, ONDE FENECERAM COM DOIS ÓTIMOS DISCOS DE “JAZZ – ROCK”: “PEACEFUL WORLD”, 1971; E “THE ISLAND OF REAL”, 1972.
APÓS O FINAL DA BANDA, EM 1973, FELIX CAVALIERI SEGUIU CARREIRA SOLO. E PERMANECE CANTANDO MUITO BEM. E, DIZEM AS “BOAS LÍNGUAS”, QUE É UM CARA LEGAL PARA CONVIVER E TRABALHAR.
ENTÃO, ‘TIO SÉRGIO’ RECOMENDA OS DOIS DISCOS QUE FEZ COM O “HIPER-CULT” GUITARRISTA “STEVE CROPPER”, CRAQUE DE ESTÚDIO E PALCO: “NUDGE IT UP A NOTCH”, QUE SAIU EM 2008; E “MIDNIGHT FLYER”, EM 2010. DOIS ÁLBUNS DE R&B DANÇANTE, E MUITO LEGAIS DE OUVIR.
NÃO MUITO TEMPO ATRÁS, FOI LANÇADO UM BOX COM 7 CDS COBRINDO A FASE “ATLANTIC” INTEIRA. E, APESAR DE JÁ TER TUDO O QUE GRAVARAM, “TIO SÉRGIO” ASSESTOU A MIRA, E VAI DISPARAR A “FADINHA MASTERCARD”, E TRAZER A CAIXA PARA O CONVÍVIO.
PROCUREM OUVIR OS RASCALS. HÁ MUITA COISA BOA ALÉM DOS LIMITES DA GALAXIA TRADICIONAL.
TENTEM.
POSTAGEM ORIGINAL:23/06/2024
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DUAS “GUITAR HEROINES” EM ASCENÇÃO : LARI BASILIO e JANE GETTER

Vez incerta, o “TIO SÉRGIO” escutava um programa de RÁDIO onde tocavam ROCK com aquela falsa compreensão do que as coisas significavam.
Colocaram um grupo brasileiro qualquer fazendo um pastiche barulhento e mal acabado dos MAMONAS ASSASSINAS. Piadinhas sem graça com simulacros de HEAVY METAL. E o apresentador engraçadinho comentando, e rindo…
Porém, estavam lá alguns integrantes do ANGRA. E o cara perguntou o que achavam daquilo. Se a memória não falha foi KIKO LOUREIRO quem deu a resposta definidora e definitiva:
“O que ouvimos foi exatamente tudo aquilo que a gente luta contra”. “Nós nos levamos a sério. Somos profissionais e dedicados. Fazemos música a sério.”
É bem isso. Independentemente de gosto, não há dúvidas sobre a qualidade musical e o sucesso conseguido por bandas sérias como o ANGRA, o DREAM THEATRE e vários diversos. Constantemente ensaiando, gravando, fazendo concertos, e tentando impor um “STANDARD” níveis acima da mediocridade.
O ROCK PROGRESSIVO e o JAZZ FUSION – o seu primo bastardo -, quando surgiram foram objetos de teses, artigos sérios de jornais idem, e toda a catilinária depreciativa que afirmava não serem, respectivamente: ROCK e JAZZ… E a história comprovou: os críticos eram tolinhos trêfegos falantes. Estavam bestialmente enganados!
Sempre houve mulheres fazendo música em geral com esmero.
Mas nos estúdios, a baixista americana CAROL KAYE talvez tenha sido a melhor da história. Mais de 10.000 sessões de gravação com a nata dos artistas populares, jazz incluído, que militaram desde os anos 1950 aos 1990 e algo além. Ela está viva e tem vários livros e tutoriais escritos. É referência de SINATRA ao KISS.
Nos dias de hoje, há uma penca de moças dando verdadeiros shows em seus instrumentos. Falando apenas de baixistas lembrem-se de GAIL ANN DORSEY, com DAVID BOWIE; RHONDA SMITH e TALL WILKENFELD, as duas arrasaram com JEFF BECK! E, aqui no Brasil, ANA KARINA SEBASTIÃO.
Todas exímias; tocam o contrabaixo com proficiência e arte.
“Chicoteando o mouse”, dei de cara com duas guitarristas sensacionais! Ambas ligadas ao ROCK e à FUSION. Cada uma a seu modo, são moças estudiosas, dedicadas, trabalhadoras, e já aperfeiçoando o próprio estilo. São jovens, “ma non troppo!!!” As duas tocaram e gravaram com craques do BRASIL e do EXTERIOR.
E nos deixam um baita pernilongo atrás da orelha! Para tocar do jeito que fazem é preciso vasta experiência, método e treino… Além de óbvio talento. Procurem escuta-las.
Vou começar pela brasileira LARI BASILIO.
Paulistana de classe média da ZONA NORTE, começou estudando órgão, mas descobriu-se no violão e na guitarra. Tomou aulas com profissionais como DJALMA LIMA, mas estuda e aprende sozinha. Foi e é incentivada pelos pais a seguir carreira.
LARI tem uns 35 anos, é formada em direito, casada, cristã praticante e frequentadora de IGREJA provavelmente EVANGÉLICA, onde foi descoberta. Ela se acha predestinada, e que o seu talento é dádiva à serviço de DEUS e do próximo… Mas não pense que LARI mistura profissão com religião.
LARI BASILIO é muito simpática e solícita, não parece pessoa fechada. E tem consciência de que é preciso vontade, planejamento, organização, e correr atrás de oportunidades. Ela investe na carreira. Tem atrás de si uma boa infraestrutura de marketing, e filma seus ensaios e apresentações; tem gente cuidando da venda de seus discos. Ela utiliza muito bem as redes sociais. E hoje tem contrato com a IBANEZ, uma das principais marcas de guitarras do mundo, que produz e oferece protótipos para ela. Até onde sei, produz e vende duas guitarras: a LB-1 e a LB-2.
LARI gosta de ROCK oscilando entre o METAL PROGRESSIVO e o JAZZ FUSION. Começou em 2011, com um EP. E hoje está no sétimo disco. Ela foi a primeira mulher a participar do G4 – EXPERIENCE, a convite de JOE SATRIANI, em 2017. No mesmo ano, tocou com STEVE VAI, no FESTIVAL DE GUITARRA DE MALIBU, (USA).
FAR MORE, lançado em 2019, foi gravado em LOS ANGELES, com banda formada por craques estrelados: VINNIE COLAIUTA ( JEFF BECK ), na bateria; GREG PHILLIGANES, teclado e NATHAN EASTS, baixo – ambos muito tempo com ERIC CLAPTON. E a participação especial de JOE SATRIANI.
Procure os vídeos, assista a gravação de seu último disco, e principalmente os da atual turnê mundial que o LARI BASILIO TRIO está fazendo.
Ela já é uma estilista refinada. Toca com notável leveza POP/JAZZY, e surpreendente fluidez. Os arranjos são bastante sofisticados, sua técnica é muito ampla, e os solos tem consistência, precisão e melodia.
O som de LARI BASILIO é luminoso; ao contrário do JANE GETTER PREMONITION.
JANE é professora de guitarra. Tem formação acadêmica, e ensina técnicas para desenvolver escalas e arpejos. É uma “TRIPLE THREAT”: canta, compõe ( é boa letrista ) e toca. E já tem carreira sólida. É claramente mais vinculada ao PROGRESSIVO CONTEMPORÂNEO: PORCUPINE TREE, KING CRIMSON, toques de JEFF BECK, ALLAN HOLDSWORTH, JOHN SCOFFIELD e JOHN McLAUGHLIN. Tudo junto e redefinido… e com peso considerável.
ANOMALIA, lançado em 2021, é o sexto disco que JANE fez. E a banda também é uma constelação. Estão aí ALEX SKOLNICK, ex-TESTAMENT, guitarra; STU HAMM e MARK EGAN, baixos; CHAD WACKERMAN ( FRANK ZAPPA ); e o marido dela, ADAM HOLZMAN, teclados, ex- MILES DAVIS, e membro do PORCUPINE TREE.
O álbum tem conceito sólido e perceptível, e sonoridade um tanto DARK, PESADA, envolvendo a obra inteira. Conseguem um tipo de fusão entre o METAL, O JAZZ e PROG.
E JANE GETTER é excelente guitarrista, cantora aceitável e toca pesado principalmente uma FENDER STRATOCASTER customizada para ela. Seu estilo é mais filiado à tradição. Há um quê de RITCHIE BLACKMORE, mas vai além…
O disco agradará Pierre MignacValdir ZamboniProtheus MaliDavidson SenomarGerson PéricoNelson Rocha Dos Santos, E agradou também ao TIO SÉRGIO aqui.
São duas apostas certeiras.
ARRISQUEM.
POSTAGEM ORIGINAL:29/06/2023
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YARDBIRDS – 1966 – ROGER, THE ENGENEER / OVER, UNDER, SIDEWAYS, DOWN – AS VÁRIAS EDIÇÕES

MINHA BANDA INGLESA PREDILETA NA ÉPOCA. EU TENHO TUDO O QUE GRAVARAM – OU PERTO DE…
OS DISCOS POSTADOS SÃO ESSENCIALMENTE OS MESMOS EM EDIÇÕES AMERICANA, INGLESA E CANADENSE. É A FASE CLÁSSICA ABSOLUTA, COM JEFF BECK NA GUITARRA SOLO.
OS “YARDBIRDS” ANTECIPARAM O CREAM, HENDRIX, O LED ZEPPELIN, E AS BASES DO HARD ROCK E DO HEAVY METAL. AH, CLARO, QUASE ESQUECI DO RENAISSANCE, BANDA CUJA FORMAÇÃO ORIGINAL TAMBÉM SURGIU DO QUE RESTOU DOS YARDBIRDS, DEPOIS DA SAÍDA DE JIMMY PAGE, EM 1968. MAS É OUTRA HISTÓRIA.
NOS DISCOS POSTADOS, TUDO TEM A VER COM A PERFORMANCE DE JEFF BECK, MAIS DEFINIDORA DO QUE AS DE JMMY PAGE OU ERIC CLAPTON, DOIS MONUMENTOS QUE TAMBÉM PASSARAM PELA BANDA.
ESCUTEI E CURTI OS “YARDBIRDS” A PONTO DE, NO BRASIL, TER SIDO O PRIMEIRO A ESCREVER MAIS LONGAMENTE SOBRE ELES. FOI NO FANZINE “WOP BOP”, EDITADO PELO Rene Ferri, HÁ MAIS DE 45 ANOS!
THE YARDBIRDS É UMA DAS MINHAS REFERÊNCIAS “ESTÉTICO- EMOCIONAL”. E QUEM NÃO OS CONHECER VAI REPROVADO EM “ROCK’N’ROLL”, E SEM DIREITO A SEGUNDA CHAMADA.
IMPRESCINDÍVEIS!
POSTAGEM ORIGINAL: 26/06/2018
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LEOPOLD STOKOWSKI, O GÊNIO ICONOCLATA: & SYMPHONY ORCHESTRA: A PAGAN POEM – CHARLES LOEFFLER – 1958

LEOPOLD STOKOWSKI foi um maestro rebelde e genial, workholic absoluto, mulherengo e chegado à grana e ao glamour como poucos. Foi definido por um especialista como “NA ENCRUZILHADA ENTRE UM GÊNIO TITÂNICO E UM HOMEM DE NEGÓCIOS no ramo da música”… Seus cachês e salários eram altíssimos.
Ele morreu aos 95 anos, em 1977. Nasceu em 1882, na Inglaterra, e viveu a maior parte da vida nos Estados Unidos. Foi profissional por 70 anos e gravou extensiva e variadamente por mais de 60. Produziu a tal ponto, que não consegui contar, ou saber precisamente quantos discos deixou. Olhando a lista por mais de meia hora, concluí que foram em torno de 300 DISCOS!!!!. Talvez mais! STOKOWSKI deu mais de 7.000 CONCERTOS!!!! Aos 27 anos, já era o regente da Sinfônica de Cincinatti; e é tido pela crítica especializada como O MAIS CONHECIDO MAESTRO DE TODOS OS TEMPOS!
“A PARTITURA É UM PEDAÇO DE PAPEL, CHEIO DE MARCAS E APONTAMENTOS, AO QUAL DEVEMOS INFUNDIR VIDA”, escreveu. STOKOWSKI era um construtor e modificador de orquestras; e talvez um conspurcador de obras, lendo e entendendo as composições que executava do jeito dele; inovando nas transcrições e na instrumentação.
Era a antítese de TOSCANINI, outro maestro supremo no início do século XX, notável por ser fiel às partituras e à ideia original do compositor. Parodiando o nosso absurdo país, se no Supremo Tribunal Federal STOKOWSKI teria sido Marco Aurélio Mello, e TOSCANINI o ministro Celso de Melo…
STOKOWSKI fazia o diabo para arrancar ou produzir o som que imaginava ou desejava. Disseram que conhecia e estudava todos os instrumentos de uma orquestra e sabia ao menos manejá-los. Entendia como poderiam ser inseridos diferentemente nos contextos que inventava.
ERA, um ENTUSIASTA DA TECNOLOGIA, e conseguiu experimentar os efeitos e a técnica estereofônica em suas orquestras, bem antes de serem lançadas comercialmente. Usava e inovava no uso e distribuição de microfones, e na amplificação dos sons nos diferentes setores de suas orquestras. Resumindo aproximadamente, era um GÊNIO INQUIETO, ICONOCLASTA e PRODUTIVO.
Seu período áureo foi entre 1915 e 1945. Gravou tudo e todos, de sinfonias a óperas, dos clássicos consagrados aos modernos. Introduziu na América várias obras de STRAVINSKY, ALBAN BERG, SCHOEMBERG… E regeu pela primeira vez o compositor americano CHARLES YES, marco do clássico contemporâneo; e é dele o arranjo e a regência da grande obra de WALT DISNEY, “FANTASIA”. Ciscou por HOLLYWOOD, também…
O maestro gostava de jovens, os prestigiava e incentivava; integrava negros e brancos em corais e na orquestra em tempos onde isso foi impensado. Era um PROFESSOR e, no final de carreira, suas orquestras mudavam os membros tempo todo para abrir espaços aos que chegavam.
CHARLES LOEFFLER foi um compositor e intelectual americano, deixou várias obras escritas, partituras, óperas e algum etc… A edição que mostro aqui não é a minha. Por algum motivo, não consegui postá-la. Eu acho essa gravação belíssima, é obra sensível talvez na linha de BELA BARTÓK; é uma peça moderna de linhagem mais conservadora – ma non troppo!
Ouçam STOKOWSKI. É um marco inexpugnável da cultura universal. E o TIO SÉRGIO aproveita para cunhar frase pernóstica para falar dos WORKHOLICS: “esse cara trabalha feito STOKOWSKI”!
É um grande elogio, acreditem.
POSTAGEM ORIGINAL: 28/06/2019
A Pagan Poem, Op. 14