JOE TURNER – PRAZER EM APRESENTAR

TIO SÉRGIO é “Apenas um rapaz latino-americano”, como canta o BELCHIOR. Mas cultor do BLUES desde sempre; e por andanças das quais não me recordo; visitando loja que não me lembro, em dia e local não determinados. E dei de cara com o CD aí, quase completo – falta a parte de trás.
Garimpar é como exterminar pragas urbanas: foco por foco, disco por disco. É ganhar prazer perdendo horas num balcão em alguma coisa intrigante; e dar de cara com disco imprescindível.
“Foi assim”, cantou WANDERLÉIA, acho, algures em sua carreira, que descobri o CD na foto. Susto bem-vindo! Bom, primeiro vou falar sobre o que ouvi:
Um espetacular disco lançado em 1967, com banda prá lá de afiada, em gravação remasterizada em alto nível, pela “MOBILE FIDELITY SOUND LAB. A data do relançamento não está no encarte. Mas, é coisa de uns 20 e tantos anos.
JOE TURNER é clássico do BLUES moderno, entendendo-se por isso gente que veio da década de 1930, influenciou a geração do ROCK AND ROLL e, posteriormente, o revival do BLUES, dos anos 1960 e daí em diante. Seu grande clássico, “SHAKE RATTLE AND ROLL” ultrapassou décadas.
JOE TURNER é para roqueiros e bluseiros em nível de pós graduação em colecionismo.
Tio Sérgio garante e põe a mão no…copo!
POSTAGEM ORIGINAL: 11/08/2018
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PENT “ENYA” – OUTRA VISÃO SOBRE A CARREIRA DA MOÇA

“PENTÊNYA” – ERA ASSIM QUE ROCKEIROS EMPEDERNIDOS DE MEU CÍRCULO TRATAVAM ESTA MOCA, POR VOLTA DE 1991, QUANDO EXPLODIU MUNDIALMENTE.
TÁ BOM, TÁ BOM! É A JUNÇÃO DE “PENTELHA” COM ENYA. É BOM USAR CIRCUNFLEXO, EM PORTUGUÊS.
ENYA parece à distância moça bonita. E é o grande nome da “NEW AGE”; possivelmente sinônimo e prenúncio da decadência de um estilo que vinha se firmando desde meados da década de 1980. Como sempre, há bons discos; e muitos lamentáveis.
Conheci ENYA no final dos anos 1980, através do seu segundo disco: WATERMARK. É álbum artisticamente muito bom. Um CROSSOVER entre o FOLK, o ROCK PROGRESSIVO e a WORLD MUSIC. Intersecção criadora da NEW AGE.
É cantado em inglês, gaélico e latim. Canções lindas, dinâmicas; melodicamente expressivas. Um susto criativo para a época; fora do POP mais óbvio. Ouçam “ORINOCO FLOW”. Ou “STORMS IN AFRICA” – principalmente o remix para pista de danças. O disco todo é muito bem feito e vale a pena ter.
Em 1992 saiu seu grande sucesso mundial, “SHEPHERD MOON”. Um retrocesso artístico na mesma proporção do reconhecimento popular.
Não se iludam os mais jovens com o “azulzinho” da capa. É música “emasculada” para escutar sob velas intoxicantes e ares e posições meditabundas .
Não associem o sexo tântrico com essa baba-pop melosa. Músicas tão açucaradas que devem ter matado mais diabéticos do que infectados pela COVID-19!
Enfim; pior do que este só o álbum seguinte: “THE MEMORY OF TREES”, lançado em 1995.
TIO SÉRGIO, a gente não entendeu: Se não gosta desses dois discos, por que você os tem na coleção? Resposta: Tenho nada! Pedi emprestado para falar mal🤣🤣🤣 e fotografar!
POSTAGEM ORIGINAL: 11/08/2020
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DIA DOS PAIS, A MÚSICA, O AFETO E A SABEDORIA

Dia dos pais. Percebo-me duplamente órfão: meu pai e meu sogro estão mortos; e eu fui muito amigo de cada um deles. Não fizemos filhos, porque decidimos. E não sinto quaisquer remorsos pela decisão tomada.
Ainda assim, me recrimino por ter discordado além da conta do FERNANDO, meu pai, durante parte de nossas vidas. Nos vinte e cinco últimos anos convergimos, e nos tornarmos amigos e companheiros. Conversamos bastante, e compreendemos as mútuas razões que a vida nos impôs.
Mesmo triste, estou conformado com a ausência dele. E fiquei relativamente em paz com meus atos e falhas. FERNANDO era uma grande pessoa! E ainda bem que o compreendi antes que fosse tarde…
Eu e o ANTONIO, meu sogro, sempre nos demos bem, muito bem! Excelente conselheiro, conversador notável, foi muito amado e apoiado por todos quando ficou doente iniciando a caminhada para a cachoeira dos tempos. Estou em paz com ele, também.
No fundo, hoje tenho a sensação de que ambos me deram mais do que eu consegui retribuir. Ainda estou avaliando a riqueza proporcionada pela convivência. Talvez seja porque percebi o efetivo significado da palavra sabedoria.
E ambos eram sábios.
FERNANDO e ANTÔNIO não ligavam pra música. Gostavam, simplesmente; e nunca entenderam bem o porquê do “filhogenro” viver cercado e fissurado por discos…
Postei uma seleção de cantores, músicos e discos que os dois gostavam, ou gostariam. Sei disso porque adequados ao gosto e à geração a qual pertenceram; e foram testados em reuniões e festas em que estiveram presentes.
É uma pequena homenagem sentida e sincera. E se eu merecer uma qualidade para ser futuramente lembrado, depois que a bola sete for pra caçapa, é a de ter desenvolvido sabedoria.
Vou gostar muito se conseguir ao menos me aproximar do caminho que leva ao conceito que ela contém. Estrada que FERNANDO e ANTONIO percorreram dignamente.
Tenho saudades.
POSTAGEM ORIGINAL: 10/08/2022
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“DIRE STRAIT”! DISCOS DE TEMPOS EM QUE EU ERA “DURO PRA CARAMBA”!!!!

O Brasil costuma siderar entre o céu e o inferno. Claro, as coisas mudam. Paulatinamente. Mas se sempre mantêm aquele gostinho de “NINGUÉM MERECE” cruzando a existência de todos nós.
Eu comecei a trabalhar aos 14 anos de idade. Cedo demais: lugar de criança e adolescentes é e sempre foi na escola!
Porém, resultou de dupla circunstância: a minha sofrível performance enquanto aluno do segundo grau; com notas baixas, insuficiência de aprendizado e insegurança pessoal. E se juntou a uma educação restritiva, mesmo que muito bem intencionada; reação comum dos pais de minha geração, acostumados a reagirem baseados na tradição aprendida, em resposta às necessidades objetivas da vida: éramos de classe média baixa; e começar a ganhar o próprio sustento era comum e imperativo.
Eu senti muito o baque ao entrar no “ginásio” (sei lá, o nome hoje. Não consigo guardar. Trauma?) Não sabia como relacionar-me com o ensino e o ensinado em aulas; e, por isso, fui reprovado duas vezes.
Quem testemunhou foi meu novo/velho amigo Renato Cesar Curi , contemporâneo no RUI BLOEM, cerca 1965/66, companheiro em infindáveis jogos de futebol de botão…e também sofrendo agruras com a professora de matemática, dona MARÍLIA….
Resumindo, meus pais implantaram vigilância irrestrita; marcação cerrada; fui estudar à noite, e … ai de mim se não me virasse, e não me dedicasse pra valer…
Melhorei.
Fui trabalhar em banco, e por isso compreendo o meu velho conhecido e contemporâneo KID VINIL: EU FUI BOY, BOY BOY!!! Girava a cidade de SAMPA levando correspondências, fazendo “coisas”, e trabalhava de segunda a sábado ( “só meio período… ), das 8,30 às 17,00 horas…
Ganhava o formidável e “socialmente justo” “SALÁRIO MINIMO DO MENOR”, equivalente a meio, repito, meio – vou repisar: MEIO SALÁRIO MÍNIMO por mês!
O meu primeiro “PIXULÉ OFICIAL” eu gastei quase todo comprando dois LPS e dois compactos simples. Lembro de 96 TEARS, com QUESTION MARK & THE MISTERIANS. Os LONG PLAYS foram “IN”, com THE OUTSIDERS, e TROGGLODYNAMITE, THE TROGGS. Era o bálsamo e a motivação para trabalhar, sei lá…
Hummm!!!
Começo com THE OUTSIDERS, banda americana algo obscura, mas criadora de SINGLE imprescindível para quem curte ROCK de garagem: “TIME WON´T LET ME”, clássico vez por outra ainda tocado rádios mundo afora.
Eu os adorava; e tive acesso ao primeiro LP, também lançado no BRASIL em 1966; misto agradável de BEAT e R&B americanos.
Por isso, comprei “IN”, terceiro álbum deles, que foi lançado por aqui, em 1967; mesclando COVERS e composições originais.
Os TROGGS foram caso interessante no POP/ROCK inglês. Não eram primários, mas básicos. Fizeram o conhecido percurso do BEAT/R&B, que os BEATLES, SEARCHERS, STONES, HOLLIES e outros, percorreram entre 1962 e 1966, mais ou menos.
The TROGGS deram de cara com a sorte grande ao gravar “WILD THING”, em 1966; que os catapultou ( a expressão é essa mesma!) para o sucesso e a fama.
A fórmula inicial foi usada diversas vezes. Gravaram 39 singles. E WILD THING “só” foi suplantada nas parada por “REACH OUT, I´LL BE THERE”, clássico dos FOUR TOPS.
Eram tempos de criatividade indiscutível!
Ouvi em primeira “instância” bandas com BLUES MAGOOS, lançados no Brasil em 1967, em COMPACTO DUPLO, com prensagem repetida nos lado A e B; falha que o tornou raro e precioso.
E também curti THE MUSIC EXPLOSION, entre o BUBBLE GUM e o GARAGE ROCK; o COUNT FIVE; o QUESTION MARK & THE MISTERIANS; e o NEW COLONY SIX e THE PARADES; todos lançados no BRASIL em COMPACTOS SIMPLES.
Formaram a minha dieta básica junto com ROLLING STONES, YARDBIRDS e MANFRED MANN, SEARCHERS, KINKS e BYRDS. “CHOCOLATE WATCH BAND” veio depois. E tudo foi suplantado pelos MOODY BLUES, PROCOL HARUM, e o PINK FLOYD.
Termino insistindo e comentando sobre a pequena joia americana do SUNSHINE POP PSYCH, lançada em 1968: JILL, com GARY LEWIS. Aula de como se resolve uma canção de amor delicada, POP, sofisticada e cheia de alternativas em menos de dois minutos!
São memórias resgatadas no fundo de meu baú existencial.
“Está divertido”, como dizia o meu amigo Ayrton Mugnaini Jr.
POSTAGEM ORIGINAL: 09/08/2024
Pode ser uma arte pop de 3 pessoas, Superman e texto

JACKIE CAIN & ROY KRALL – 1974 ” A WILDER ALIAS ” – GRAVAÇÃO C.T.I

NOS ÚLTIMOS DIAS TENHO ACORDADO E CHUTADO A MINHA PRÓPRIA BUNDA UMAS TRÊS VEZES!!!
Mas como é possível, TIO SÉRGIO, você ter apenas esse disco de JACKIE & ROY? Você nada aprendeu nessa vida compulsiva juntando “rodinhas pretas e metálicas” ?
Você já os conhecia há quase meio século e não fez nada?
Eles gravaram perto de 50 discos! Carreira de 56 anos; da Broadway aos Beatles, passando por Tom Jobim e até esse espetacular disco de FUSION!
Pois é, precisou o Rene Ferri e seu refinado gosto e conhecimento mostrar vários vinis pra turma, para eu olhar mais atentamente essa dupla imperdível. Mea culpa; Mea maxima culpa!
Os dois, marido e mulher, sempre tangenciaram o jazz, como ELLA, BILLIE e a geração deles. Cantaram o melhor do pop e da grande canção contemporânea. Um deleite memorável. Começaram em 1946. E prosseguiram até a morte de ROY KRALL, ótimo pianista e cantor, em 2002. JACKIE, loira voluptuosa e excelente cantora, foi para o celestial ” clube dos artistas” , em 2014, aos 86 anos.
Mas quero comentar esse disco. Um tanto fora do esperado. Porém, totalmente contemporâneo quando foi gravado. Lembra o “RETURN TO FOREVER” na fase com FLORA PURIN cantando. Expõe um travo do que TOM JOBIM E BANDA fizeram no final de carreira. É FUSION e da melhor cepa!
O time que os acompanha é de safra superior. HUBERT LAWS e JOE FARREL nos metais, STEVE GADD, na bateria, entre vários e consistentes músicos. A direção é de DON SEBESKY, e nos estúdios RUDY VAN GELDER e CREED TAYLOR. Para completar, esta edição é japonesa e a gravadora a cult CTI.
Então, pessoal, procure conhecer. Porque chutar o próprio rabo é muito difícil e nada agradável…
Não percam! Percam-se.
POSTAGEM ORIGINAL: 09/08/2020
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“THE GUESS WHO?” HARD ROCK CANADENSE PRIMEIRO LUGAR NO “HIT PARADE” AMERICANO!

No lusco-fusco dos anos 1960, “THE GUESS WHO?” , espocou feito rolha de CHAMPAGNE!
JONI MITCHELL e NEIL YOUNG estavam iniciando carreira. PAUL ANKA, LEONARD COHEN e GORDON LIGHTFOOT, já eram bem conhecidos. O RUSH veio depois.
O GUESS WHO? era de WINNIPEG, e afeito ao BEAT INGLÊS. Seguiram a partir de1962, e do jeito que puderam. RANDY BACHMANN, guitarrista, e o explosivo cantor BURTON CUMMINGS estiveram juntos em diversos grupos, até gravar o LP “WHEAT FIELD SOUL”, em 1969, como THE GUESS WHO? Estão lá dois SINGLES e gloriosos HITS: “THESE EYES” e “LAUGHING”; Discos de Ouro na AMÉRICA, com mais de um milhão de cópias vendidas cada; e há mais de meio século atrás!
Curiosamente, “UNDUN” o lado B de LAUGHING, canção na linha LATIN-POP lembrando o nascente SANTANA, também explodiu!
Não os desdenhem! Eles não pararam por ali.
Em 1970, fizeram “AMERICAN WOMAN”, álbum recordista de vendas; evolução lógica para o HARD/HEAVY ROCK nascentes. Estão ali outros dois SINGLES com mais de um milhão de cópias vendidas no mercado americano e mundo afora:
O clássico da incorreção política, a misógina e algo xenófoba “AMERICAN WOMAN” – bem conhecida na versão feita por LENNY KRAVITZ, também muito boa, mas sem a virulência “ROCKER” do “GUESS WHO?” A canção é uma ode selvagem sobre um cara despejando ódio contra a ex-mulher; uma – HUMMM… americana…E, também não percam a “YARDBIRDIANA” “NO TIME”!
O disco inteiro é bom demais! Talvez expresse Indefinição entre o BLUES – ROCK e o PROTO-METAL. Há ótimo trabalho de guitarras, destacando RANDY BACHMAN. E a performance de um vocalista como poucos: BURTON CUMMINGS tem voz distinta e original, lembrando um pouco o PHILL MOGG do U.F.O.
CUMMINGS cantava com eficiência POP ROCK na tradição americana; e transitava para o ROCK PESADO com naturalidade, como faz, hoje, DAVID COVERDALE.
Ainda em 1970, RANDY BACHMAN saiu do grupo; dizem que por “impossibilidade comportamental”. Ele é mórmon, acreditem… E BURTON assume de vez a direção da banda. Seguiram com sucesso por bom tempo, e gravaram uns dez “Long Plays” legais! Inclusive o excelente, LIVE AT PARAMOUNT, 1972. Continuaram produzindo SINGLES cativantes que, vez por outra continuam tocando. A coletânea aqui postada é boa referência.
Em 1973, RANDY BACHMAN conseguiu emplacar o BACHMANN, TURNER, OVERDRIVE, depois de “24 audições fracassadas” em várias gravadoras. Foram contratados pela MERCURY.
Eram PESADOS, meio que tangenciando o SOUTHERN ROCK. O disco “NOT FRAGILE”, 1974, é muito popular entre a turma do ROCK também no BRASIL.
O “B.T.O” fez som descomplicado, e permaneceu por bom tempo correndo no vácuo do FOGHAT – o similar inglês. Eram tempos de concorrência mortal na área: DEEP PURPLE, LED ZEPPELIN, BLACK SABBATH, GRAND FUNK RAILROAD e o nascente QUEEN davam as cartas! Um mar só para tubarões!
BURTON CUMMINGS encerrou o “GUESS WHO?” em 1975. Disseram os linguarudos que o grupo acabou por causa dos maus modos e brigas constantes; pancadarias de verdade! Eram quatro “animais de grande porte”, e quando se atracavam …
Há um sinal mórbido e recorrente, no mundo da música. Sempre que dentro de um grupo alguém se destaca, ofídios à volta pregam a separação e a ciumeira. E, na maioria das vezes a mudança dá errado…
TIO SÉRGIO também se lembra de casos emblemáticos em bandas famosas: PAUL REVERE & THE RAIDERS, americanos de extremo sucesso em meados dos anos 1960, faziam um POP ROCK PESADO E GARAGEIRO, muito animado e bem tocado!
Eles tinham MARK LINDSAY, menino bonito, um TEENAGE IDOL, festa para a mulherada, mas cantor no limite inferior do bom. E quando chegaram ao topo, a própria gravadora COLUMBIA prometeu mundos e fundos para LINDSAY, que saiu da banda; e repaginou-se no POP ROMÂNTICO…
Não deu certo; e ele despontou para o anonimato progressivo. Houve momento em que os royalties residuais de seu tempo com os RAIDERS ficaram maiores do que os dele próprio! Foi demitido e sumiu.
O outro caso foi do próprio BURTON CUMMINGS. Voz diferenciada e versátil, ia do POP USUAL até o ROCK; enfeitava alguma BOSSA NOVA e tentou carreira solo. Migrou aos poucos em direção à irrelevância…
Para velhinhos quase à beira de um copo de leite, como o TIO SÉRGIO, essa gente ainda faz som contagiante… E, de quando em vez, o TIO bota pra rolar essa turma toda aqui em casa, à beira mar…
Recomendo sem contraindicações!
POSTAGEM ORIGINAL:07/08/2022
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PAULA TOLLER, ALÉM DE UM “Q.I. DE ABELHA”!

Lá por 1997, eu era sócio de três lojas, em São Paulo, que vendiam CDs: a CITY RECORDS e a CITY MUSIC. Um dia, apareceram algumas meninas que estudavam na USP. Aliás, era normal. Música atrai os mais jovens – ou joviais.
E lembro de uma delas, uruguaia, bolsista, e fascinada pelo KID ABELHA e os ABÓBORAS SELVAGENS; nome que pronunciou de maneira tão peculiar que precisei da “tradução/versão” de outra colega que, rindo e mais acostumada com gandeia brasileira, condescendeu com o gosto da amiga.
Comprou o disco; mas aproveitou e pediu para eu escrever a letra de “GAROTA DE IPANEMA”, em português, porque ela adorava. Eu e o BETÃO, meu amigo e sócio, fizemos em conjunto.
Minha mulher gosta da PAULA. E já vou admitindo que também gosto!
Ela estudou canto. Aos poucos, percebi que PAULA canta “adequadamente bem”: ela é, “tipo assim”, pra fixar expressão dos jovens da época, aprendiz de NARA LEÃO e FRANÇOISE HARDI – exagerei, galera? A voz é postada com técnica e charme; mas, é pequena como o de sua coetânea, VIRGINIE BOUTAUD, vocalista do METRÔ – grupo POP brasileiro, um pouco anterior ao KID. E perscruto se FERNANDA TAKAI, do PATO FU, a segue; mas abastecida por conteúdos musicais mais densos…
PAULA TOLLER faz o POP usual, bem ajustado, e longe de experimentações; desvela discreto astral elevado, e sensualidade reservada aos namoradinhos, ao amor adolescente – daqueles eternos enquanto duram…
Moça de classe média alta, estudou Design, mas não se formou; e fala o alemão. É reconhecida por sua notória “pulcritude”. Talvez seja a mais bela cantora de sua geração! Ela foi criada por avô “anfíbio de cirurgião e historiador”, um crossover muito interessante; e por sua avó proprietária de clínica para idosos. Li que o pai dela morava com os três. Da mãe, eu sei nada. PAULA está casada como o cineasta LUI FARIA há uns 40 anos. O que pode indicar a realização afetiva cantada em suas composições ingênuas e juvenis.
Nesta madrugada eu assisti à sua turnê comemorativa dos 40 anos de carreira: “AMOROSA”. O repertório abrange do KID ABELHA em diante. E, claro, tem a profundidade que se pode esperar de artistas que compunham para adolescentes até pouco antes de transitarem para jovens adultos. Funcionou;
Mas vamos combinar que são canções datadas justamente porque os autores envelheceram sem acompanhar o amadurecimento do público. Não construíram a carreira na cronologia emocional que mais ou menos acompanha a todos nós. Este show juvenil estendido por quase duas horas, ficou meio “estrábico”, existencialmente falando…
A banda é integrada – e vamos combinar novamente: não há motivo para não ser; já que são músicos de muito bom nível executando canções e arranjos bastante simples.
E, finalmente, PAULA TOLLER não é “boa de palco”; não sabe se locomover durante o show; parece muito tímida, e talvez cansada. Ela não tem desenvoltura e nem carisma para enfrentar uma plateia. E, talvez por isso, a gravação tenha sido feita neste lugar acanhado e com pouca gente. O bis foi curto demais.
Mesmo assim, é agradável. Mas, faltou gás para aquecer a frigideira.
POSTAGEM ORIGINAL: 04/05/2024
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A INCRÍVEL HISTÓRIA CONTADA POR ALICE COOPER SOBRE BRIAN WILSON E JOHN LENNON

 

Não fui eu quem escreveu. Apenas coligi, porque fantástica!
Esta é uma história que Alice Cooper contou sobre John e Brian Wilson. “Eu estava sentado nos bastidores depois do Grammys de 1974 com Bernie Taupin (letrista de Elton John) e John Lennon. Isto foi quando o Brian estava realmente a ter alguns problemas mentais”, disse Cooper. “Durante o curso da conversa, continuei a ver o Brian pelo canto do olho, apenas a olhar para nós de diferentes ângulos. ” “Finalmente, ele subiu à mesa, inclinou-se e sussurrou ao meu ouvido ‘Ei Alice, apresenta-me a John Lennon. ’ Eu não podia ACREDITAR que estes dois homens nunca se tinham conhecido! Eles estavam virtualmente pescoço a pescoço nos anos 60 como as maiores bandas do planeta, e tenho a certeza que eles devem ter-se cruzado em algum momento. Mas então pensei para mim mesmo: ‘Uau, vou ser eu a apresentá-los e fazer parte da história do rock! ’” “Então eu apenas disse, ‘Brian Wilson, este é John Lennon. John Lennon, este é o Brian Wilson. ’ Lennon foi muito cordial e educado, dizendo coisas como ‘Olá Brian, eu sempre quis te conhecer. Sempre admirei o seu trabalho, e Paul e eu consideramos Pet Sounds um dos melhores álbuns já feitos. ’ Brian agradeceu-lhe e foi-se embora, altura em que Lennon voltou para a sua conversa como se nada tivesse acontecido. ” “Cerca de dez minutos depois, o Brian passou pela nossa mesa novamente, inclinou-se e sussurrou algo ao Bernie, e de repente, Bernie estava a dizer ‘Brian Wilson, este é o John Lennon. John Lennon, Brian Wilson. ’ Lennon foi tão cordial e educado como a primeira vez, dizendo essencialmente a mesma coisa sobre querer sempre conhecê-lo. Logo que Brian se afastou, John olhou para nós dois e disse casualmente no seu sotaque típico de Liverpudliano: “Eu o conheci centenas de vezes. Ele não está bem, sabe? ’” Ficámos impressionados com a empatia e gentileza de John ao lidar com o Brian e agradecidos por o Brian ter encontrado alguma estabilidade mental após tempos tumultuosos. Obrigado ao Boris pela história, foto e vejam a T-Shirt da Alice. É tão Alice Cooper.
POSTAGEM ORIGINAL RECOLHIDA EM 04/08/2021
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ERIC CLAPTON & ROBERTO MENESCAL TIO SÉRGIO EM CAMPANHA EXPLÍCITA



DIZ A LENDA, OU FORAM BOATOS, QUE ERIC CLAPTON QUERIA GRAVAR COM JOÃO GILBERTO, MAS NÃO ROLOU.
FAZIA SENTIDO. JOÃO É UM ESTILISTA SUPREMO DO VIOLÃO; É O PRINCIPAL CRIADOR DA BOSSA NOVA, E ARTISTA INFLUENTE SEMPRE QUE SE FALA NO INSTRUMENTO, E NO JEITO DE CANTAR.
ERIC CLAPTON É MESTRE DO BLUES E DO ROCK. TOCOU OU GRAVOU COM QUASE TODOS QUE IMPORTAM, QUANDO O ASSUNTO É VIOLÃO E GUITARRA. E FLERTOU MUITO COM O “JAZZ POP” EMULANDO A BOSSA NOVA, EM BOA PARTE DOS ÚLTIMOS 25 ANOS.
ENTÃO, SE FALTOU JOÃO! O QUE FAZER?
PARA MIM FICOU ÓBVIO? QUE TAL O “ROBERTO MENESCAL”?
ISSO MESMO! É OUTRO GRANDE MESTRE HISTÓRICO RECONHECIDO, AQUI E LÁ FORA. ALÉM DE CONTINUAR EM BOA FORMA E PRODUZINDO.
UM DISCO JUNTANDO CLAPTON E MENESCAL FACILITARIA UM CROSSOVER BOSSA-POP CHEIO DE SWING; E MODERNÍSSIMO COMO SEMPRE AMBOS FORAM: UM BLUES – BOSSA QUASE JAZZÍSTICO!
O QUE VOCÊS ACHAM?
VAMOS AGITAR? ORA, POR QUE NÃO?
POSTAGEM ORIGINAL: 04/08/2020
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UM SÁBADO A TARDE, EM 1973… SEGUNDA OPINIÃO

Eu me lembro com bastante nitidez de certo sábado à tarde, em 1973. Eu recordo a luminosidade daquele dia, e suponho que tenha sido entre e abril e maio.
Por motivo que não identifico claramente, eu estava tranquilo e feliz. Não alegre, eu sei. Mas, desfrutando momento de rara completude.
Quase 50 anos se foram, mas aquele sábado reteve-se em mim.
Em 1973, ainda não existiam a WOOP BOP e a BARATOS AFINS, as duas lojas que fizeram história por conseguir congregar um certo público que curtia o UNDERGROUND, o ROCK e arredores.
Informações do exterior existiam, mesmo poucas e truncadas, e aguçavam desejos.
Estavam condensadas em publicações como a ROLLING STONE, já circulando por aqui, e jornais alternativos onde esforçados jornalistas, como LUIZ CARLOS MACIEL, nos informavam sobre o novo “perenizado” pós a suposta revolução trazida por HIPPIES e a NOVA ESQUERDA INTELECTUAL.
Claro, não durou o suficiente, mas deixou marcas não removidas, feito tatuagens.
Existiam grandes lojas que importavam, traziam discos e novidades. Eram tão caros como hoje é, e sempre foram.
Não consigo visualizar claramente se foi na BRUNO BLOIS, na BRENO ROSSI, onde naquela tarde inesquecível comprei dois entre os discos de que mais gosto até hoje.
Eu já conhecia o BOB SEGER. Cantor potente, BLUESY e pesado. Teve dois SINGLES lançados por aqui, “2+2” e “RAMBLING GAMBLIN MAN”, estilingadas certeiras!
SEGER é uma espécie de antecessor de BRUCE SPRINGSTEEN, naquela coisa do americano solitário contra o sistema, sempre “ON THE ROAD”, e torturado pela imprecisão psicológica, feito um JAMES DEAN ou JIM MORRISON, que os antenados de minha geração conheceram. E daí o fascínio que me causou.
BOB chegou ao real sucesso alguns anos depois, 1977/1978, Mas, jamais fez álbum tão bom e consistente quanto “BACK IN 72”.
O disco foi gravado no “MUSCLE SHOALS STUDIO”, onde a elite do SOUL e R&B gravava. Gente como ARETHA FRANKLIN, por exemplo.
Ele é acompanhado por craques como J.J.CALE, JIMMY JOHNSON, BARRY BECKETT, DAVID HOOD e ROGER HAWKINS, para ficar no primeiro time. E mescla SOUL, R&B e ROCK com eficiência e sofisticação. É um grande e desconhecido disco. Brilhando no fundo do poço do ROCK. Experimente.
Também me recordo de ter visto o disco de BOB SEGER e separado. Enquanto isso, rolava no PICK UP disco chegado naquele momento, o primeiro álbum do BLUE OYSTER CULT. Impacto fulminante. Um míssil direto no cérebro e no corpo!
Para mim, é o melhor disco que fizeram.
Está entre o HARD ROCK e o PROGRESSIVO. Tem pegada BLUESY, algumas novidades tecnológicas, como delays e outros “babados”, faixas interligadas e sem espaço, que dão sensação de continuidade, não importando as músicas que se sucedem.
É um disco bastante original de ROCK PESADO americano.
Sim, claramente americano, como um CAPTAIN BEYOND e o KANSAS; ou o DUST e o GRANDFUNK RAILROAD.
O BLUE OYSTER CULT foi grande sucesso, na década de 1970. E tem outros discos bastante bons.
Um pouco antes, em 1972, eu havia comprado o HUMBLE PIE – ROCK ON, de 1971. Este eu lembro bem: estava aberto e foi no MUSEU DO DISCO. Eu estava com meus amigos SILVIO DEAN e FRED FRANCO JR. Talvez o ALDAHYR RAMOS, também.
A capa bizarramente americana não descreve o conteúdo magnífico. E a sequência matadora: começa com SHINE ON, prossegue em altíssimo nível, em repertório variado, que expõe habilidades instrumentais e vocais de STEVE MARRIOTT e PETER FRAMPTON; e as performances corretas do baterista JERRY SHIRLEY e de GREG RIDLEY, no baixo.
É um dos melhores discos da década de 1970. Só isso! E você jamais ouvirá ROLLING STONE, de MUDDY WATERS, em gravação tão precisa, empolgante e explosiva como aqui. Obra de arte vibrante, incomparável!
O álbum vai do BLUES ao HARD ROCK em fogo crescente; explodindo feito vulcão. Não tem jeito de não empunhar um AIR GUITAR quando, no final, FRAMPTON E MARRIOTT duelam e se complementam.
Se você está ou esteve com uns 19 anos; e acha que a vida pode sorrir para sempre, observará que certas coisas e momentos marcam profundamente.
Discos como estes são parte e motivos de a memória daquele inesquecível sábado me sequestrar até hoje.
Desejo a todos que tenham ou venham a ter experiência tão cativante…Justificam viver!
POSTAGEM REDEFINIDA: 03/08/2022
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