COLIN VALLON TRIO – RRUGA – ECM RECORDS – 2011

 

Este é um dos discos mais bonitos que ouvi nos últimos dez anos!

Os que me conhecem devem saber que eu gosto muito do conceito, sonoridade, ética e princípios musicais da gravadora ECM. Eles vão fundo e sem preconceitos.

O critério é a qualidade artística e técnica, e certa compatibilidade com a percepção musical estendida, mas compreensível, pela cultura ocidental.

A ECM não é e nunca foi uma gravadora de WORLD MUSIC estrito senso.

De PAT METHENY a EGBERTO GISMONTI, passando por KEITH JARRETT e ARVO PART, navegam e prospectam em quaisquer cantos do mundo, onde a quase infindável quantidade de bandas e propostas se cruzem ou manifestem.

O exótico sempre se mantém. Mas, compreensível o tempo inteiro, porque comunicável através da riqueza propiciada pela estrutura do JAZZ e da MÚSICA EXPERIMENTAL; e até do POP desenvolvidos no ocidente. É o estranhável comunicado sem pastiche, redução ou simplismo mistificador. É sempre novo!

Aqui, mais um exemplo das fronteiras expandidas. COLIN VALLON, ótimo pianista; PATRICE MORET, um baixista que sabe garantir o andamento sutil; e SAMUEL ROHRER, baterista diferenciado. São jovens e suíços, e compuseram o repertório do disco.

O três têm vivências acompanhando jazzistas e músicos populares de arredores próximos e longínquos. Vão da cantora JAZZ – FOLK albanesa, ELINA DUNI; ao saxofonista suíço CYRILLE BUGNON. Eles pesquisaram até o FOLK TURCO substanciado e arranjado em JAZZ, em uma das faixas. E MORET é fã do RADIOHEAD!

Tudo isto perfaz um compósito original, melódico, sofisticado e belo! É “tudo junto ao mesmo tempo agora” – e novo!

RRUGA, algo como jornada, caminho, em língua albanesa, é o primeiro disco deles gravado para a ECM. Traz aquela paz inquieta, mas não a inquietude e urgência que, por exemplo, a música de MILES DAVIS nos transmite!

Se consigo descrever, afirmo que são composições intelectualmente muito bem desenvolvidas. Não há fios deixados soltos. Tudo foi ensaiado; nada parece improvisado, mesmo sendo a música livre, melódica, harmônica e ritmicamente desenhada para voar sem repetições ou “motivos” muito claros.

É obra construída por quem teve tempo para pesquisar, fazer e criar cada passo. Não há exageros; os andamentos são mais lentos, e tudo é costurado pela ação e interdependência entre os três ótimos músicos!

Não é o FREE e nem JAZZ EXPERIMENTAL. Quem sabe um tipo de MULTI-FUSION?

No disco, se observa um baterista de imenso repertório rítmico, quem sabe emulando o atual KING CRIMSON e suas três baterias afinadas diferentemente para também fazer “melodias”, e não somente acompanhar…

SAMUEL ROHRER constrói melodias e sonoridades para contrapontuar a melodia e harmonia do piano tocado por COLIN VALLON. E o faz com tal estilo, controle e destaque, como poucos que conheci. É um músico diferenciado, um grande baterista, que vale a pena observar! O resultado em cada faixa é mágico, quando percebemos a bateria transitando para o melódico, além do percussivo.

Mas, em momento algum há virtuosismo explícito e exacerbado de nenhum dos músicos. Elegância pode ser uma boa aproximação para a música que escutamos aqui.

Este é o único disco de VALLON gravado com a participação de ROHRER – que partiu para carreira solo. É muito possível que não tenha existido espaço para dois protagonistas desse nível em um trio…

A única contraindicação é você não ouvir o quanto antes esse disco irrepreensível. Um ótimo presente para ganhar no natal!

THE STORY OF JAMAICAN MUSIC – 1958/1993 -BOX COM 4 CDS

Tempos atrás, passei horas escutando este box de minha coleção. Ele está comigo há duas décadas ou mais e, confesso, nunca dei muita bola.

Dia desses, comentei que o REGGAE e estendo para a música jamaicana em geral, como o SKA, DUB, ROCK STEADY… são de chatice abissal.

Minha opinião não mudou muito, porém quando se escuta em sequência e sob uma perspectiva histórica, outras nuances e características vêm à tona.

O “BOX” tem quatro CDS e abrange de 1958 até 1993. Portanto, a nata do que foi criado no gênero está contemplada.

A música jamaicana melhora bastante a partir dos anos1970, com estúdios de gravação melhores e músicos mais refinados. O resto, é questão de gosto.

E se escuta nitidamente quando gente como SLY DUMBAR E ROBBIE SHAKESPEARE introduziram maior qualidade ao GÊNERO, com baixo e bateria mais pesados, variados, negros e dançantes, em meados dos 1980.

A coleção neste box é muito bem organizada, com ótimo livreto explicativo e interpretativo e, mesmo pegando em sua maior parte o acervo da GRAVADORA ISLAND, fica nítida a evolução dos diversos estilos, que mantêm como cerne o ritmo e a característica base de guitarras. O que nos dá a permanente sensação da unidade, um tanto óbvia e previsível, atravessando desde a transformação de um RHYTHM´N´BLUES quase tradicional americano; e caminhando lentamente para os ritmos jamaicanos e suas derivações. Tudo é dançável, festeiro, CLARO!l!

São 95 músicas, entre elas o primeiro grande HIT INTERNACIONAL que notei, o excepcional e até hoje delicioso e animador de festas “MY BOY LOLLIPOP,” um SKA cantado por MILLIE SMALL, no início dos anos 1960!

Tem “ISRAELITES”, com DESMOND DEKKER, mega hit em 1968; há “THE HARDER THEY COME “, com o lendário JIMMY CLIFF, quase hino de 1972. Está lá, também, “NO WOMAN NO CRY”, com BOB MARLEY, gravação ao vivo de 1975, em show histórico em Londres, entre tantas várias.

E não se pode esquecer que I SHOTT THE SHERIFF, com ERIC CLAPTON, que obviamente não está na caixa, trouxe o REGGAE para o público do ROCK. E daí em diante, a porteira se abriu!

Nos anos 1980, a MÚSICA JAMAICANA tomou conta das pistas de dança mundo afora. E frequentou inclusive FESTIVAIS DE JAZZ, ao redor do planeta. Os mais velhos talvez se recordem do “histórico e histérico” show de PETER TOSH, no FREE JAZZ FESTIVAL, de SAMPA!

Na época, a REVISTA ISTO É observou que o público presente havia FUMADO UM ALQUEIRE DE MACONHA durante o evento…

Mas, hoje não é somente a música que surgiu na JAMAICA. Se dermos olhada no cenário político, ele expandiu-se quando a globalização econômica e o multiculturalismo se tornaram presentes ( e até hoje ). E, com eles, eclodiu a chamada WORLD MUSIC, denominação para artistas de várias culturas, nacionalidades e localidades colocarem seus trabalhos para o mundo observar e consumir.

De BOB MARLEY a EGBERTO GISMONTI; de MILTON NASCIMENTO a GILBERTO GIL – o nosso REGGAEMAN! -; De NUZRAT FATEH ALI KHAN e FELA KUTI, a incontáveis músicos africanos, do leste europeu e Ásia todos tiveram sua hora.

A MÚSICA JAMAICANA têm DNA forte e identificável. Se olharmos de perto o BLUES e o SAMBA, percebemos que são vastos e característicos, também.

É impossível deixar de observar que, de certa forma, as tendências musicais desse…digamos… VASTÍSSIMO CARIBE , que vai do GOLFO DO MÉXICO à BAHIA, e passando por tanta coisa díspar e diferente, tem em comum um senso de ritmo dançante e sensual, e se comunica intensamente.

Do REGGAE ao AXÉ e o FORRÓ; da GAJIRA à CUMBIA, e etc.. são ritmos que põem o povo pra dançar, e ajudam a congregar pessoas e culturas.

São notáveis algumas técnicas e tecnologias para respaldar a diversão. O “SOUND – SYSTEM”, por exemplo, inventado nos anos 1950, nada mais é do que um D.J. com PICK UP ou CD PLAYER cercado por amplificação e caixas. É tocando em cada esquina da JAMAICA, e se comunica com as RADIOLAS do nordeste, e com os TRIOS ELÉTRICOS BAIANOS.

SÃO TECNOLOGIAS A SERVIÇO DA “MAGIA CULTURAL” PARTICIPANTE.

Em resumo: se a música jamaicana tem pouco a ver comigo; é muitíssimo desejada e curtida em todo o PLANETA TERRA ( quem sabe em outros, também… ). No gênero, tenho certeza de que este BOX histórico é excelente pedida. Um ótimo guia para começar a colecionar os vários subgêneros – que é repleto de discos raríssimos e muito disputados internacionalmente.

Portanto, divirtam-se e respeitem os “Januários” do Pop!

BLUES PROJECT & SEATRAIN – 1965/1972 O BLUES FORA DO ÓBVIO E MUITO ALÉM…

 

HOUVE TRÊS NOMES DE BANDAS QUE SEMPRE ME IMPRESSIONARAM : “ELECTRIC PRUNES”, “THE MUSIC EXPLOSION” E…”THE BLUES PROJECT”. NOMES FORTES, MAGNÍFICOS, EXPRESSIVOS, EU ACHO…

VOCÊS SABIAM QUE QUATRO “GUITAR – HEROES’ DA PESADA SÃO DE ORIGEM JUDAICA? VAMOS LÁ: “PETER GREEN”, INGLÊS. E TRÊS MERICANOS: “THAT FAT GUY FROM QUEENS”, COMO DIZIAM NOS ANOS 1970 SOBRE “LESLIE WEST”, CONSAGRADO NO MOUTAIN. E “MIKE BLOOMFIELD” E … “DANNY KALB”.

Mas tio Sérgio, quem é o honrado e último mencionado por sua impertinência?

Eu conto: “DANNY KALB” era o guitarrista dos “BLUES PROJECT”. Dedilhar minimalista, cuidadoso, com estilo identificável a cada audição.

😮 “BLUES PROJECT” foi um grupo espetacular, de vida curta e errática; criado em Nova York, em meados dos anos 1960 e, curiosamente, os integrantes eram todos descendentes de judeus…

Além de KALB, um craque explícito, passaram por lá “STEVE KATZ” e “AL KOOPER”, que ajudaram a fundar outro enorme, histórico e consagrado grupo americano, o “BLOOD, SWEAT & TEARS”, em 1969. A participação de ambos foi marcante!

O “BLUES PROJECT” esteve além da repetição dos STANDARDS DO REPERTÓRIO FOLK DA ÉPOCA. E das tradicionais características dos gêneros pelos quais transitou.

Criou um BLUES verdadeiro, amalgamado ao FOLK com pitadas de JAZZ, COUNTRY, algo de ROCK, mas sempre de vanguarda. Mais para a linha do que fizeram os ingleses a partir de 1966/1967, do que a tradição americana.

Eram PROGRESSIVOS? Certamente, se observarmos os aspectos de vanguarda na música deles.

“Ma non tropo”! Apenas faziam FUSIONS diversas entre elementos de músicas do dia-a-dia. Competentes.

Aqui estão alguns discos que fizeram. Uma coletânea dupla esplêndida, conjugando faixas dos seis Lps da banda. São todos interessantes – eu garanto.

E outros originais de estúdio, já com a formação alterada, mas não muito longe da linha original.

Entre os destaques o vital, cult e imprescindível “LIVE AT THE CAFE AU GO GO: show de técnica, feeling e calor! É pauleira brava!

Você jamais ouvirá uma gravação de “SPOONFUL” tão espetacular como a deles! Sem contar “BACK DOOR MAN”, “JELLY, JELLY BLUES” e “WHO DO YOU LOVE”, inesquecíveis, originais, pesadas e, quem sabe, ainda não superadas!!!!

Para os que colecionam informo que este LONG PLAY saiu no Brasil, em 1966, pela VERVE FORECAST. Eu tive. Consegui, por volta de 1969. Sei que dois dos nossos por aqui@Aldo Portes de FrançaLuiz Sérgio Do Espírito Santo também têm! Portanto, lição de casa para quem não sabia: conseguir uma cópia em vinil ( Quá, duvi-d-o= do!!! ). Tá bom, ao menos procurem em Cds, vale além da pena!!!

Indico, também, curiosidade imperdível: dois discos do “SEATRAIN”, uma dissidência dos “BLUES PROJECT”, gravados em 1971; e que trazem atrativo muito instigante: foram produzidos por “GEORGE MARTIN”!

Sim, aquele senhor fleumático que produziu, também, aquele grupo inglês…ahnnn “THE BEATLES”, quem sabe…

Ah, foi isso mesmo…

“MARTIN” fez um trabalho de produção espetacular para uma banda surpreendentemente boa, que mescla COUNTRY, BLUES e fortes pitadas de ROCK PROGRESSIVO.

As gravações são de clareza absoluta; límpidas; deixando de lado uma talvez esperada aspereza BLUESY. É um trabalho de primeiro nível!

Poucas vezes você ouvirá um violino em música popular tão bem tocado, como fez “RICHARD GREENE”. Performance verdadeiramente mágica; e corretamente integrada com teclados sutis, mas sem perder a referência do BLUES e do FOLK. São dois discos raros e preciosos.

Como sempre, seria possível continuar expondo curiosidades, mas será legal se vocês forem procurar saber também desses moços.

Vale o esforço, porque em troca haverá prazer de ouvir e, quem sabe, colecionar.

Tio SÉRGIO garante!

GENE VINCENT e EDDIE COCHRAN: LET´S ROCK WITH

 

GENE VINCENT, EDDIE COCHRAN e BUDDY HOLLY formaram a trágica trindade do “Rock and Roll”, na segunda metade dos anos 1950.

Sucesso, influência e vidas curtas demais. Seguiram e consolidaram o ROCKABILLY, a forma inicial e original do lado “branco” do rock americano.

Nem é preciso dizer que eram fãs de ELVIS PRESLEY. E principalmente EDDIE E GENE emulavam o jeito e tom de voz do ídolo.

Talvez os não tão jovens recordem a excelente banda americana dos anos 1980, STRAY CATS, quem sabe o principal nome de um crossover entre o PUNK e o ROCKABILLY, que rolou forte 40 anos atrás, por aí. Pois bem, mesclaram com arte e força EDDIE COCHRAN e GENE VINCENT. Aliás, fizeram um ROCK portentoso citando em pot-pourri trechos das músicas desses dois, e BRIAN SETZER é guitarrista que precisa ser lembrado. Vez por outra ainda toca em rádios. Imperdíveis!

Desastres automobilísticos marcaram a vida desses dois. GENE VINCENT sofreu um atropelamento tão sério, em 1955, que os médicos quiseram amputar sua perna. Mas, duro na queda, como o Dr, HOUSE da série famosa, recusou. Aguentava dores lancinantes e longos períodos de internação, e mesmo assim construiu fama e carreira – mesmo curta por causa do físico.

E para não dizer que o destino não vigia certas almas, VINCENT estava no carro que levava EDDIE COCHRAN e outra cantora para o Aeroporto de Londres, em 1960, quando houve a trágica derrapagem, que jogou para fora EDDIE, e o matou, aos 21 anos e apenas 4 anos de carreira. GENE VINCENT jamais recuperou-se do trauma. Jogo duríssimo.

EDDIE COCHRAN era bom cantor e guitarrista, mas gravou muito pouco. Em vida apenas um LP, SINGING TO MY BABY, em 1957.

Mas a influência dos singles no ROCK mais pesado que se fez, dos anos 1960 para frente, é monumental: SUMMERTIME BLUES e seus vários overdubs de violão elétrico toca até hoje, porque moderno ao extremo. Lembrem-se da versão ao vivo que fez THE WHO, pesada como determina a tradição. Há outras, inclusive a noise-psicodélica feita pelo BLUE CHEER, em 1968. Gritante!

Há várias músicas cults e outros standards inesquecíveis como TWENTY FLIGHT ROCK, C´MON EVERYODY, SOMETHING ELSE e o que se pensar. EDDIE COCHRAN vive!

GENE VINCENT também era bom cantor e teve a sorte de contar no início de carreira, entre 1956 e 1958, com um dos melhores guitarristas da história do ROCK: CLIFF GALLUP, timbre único, sonoridade clara, solos consagrados. GENE legou ao ROCK AND ROLL os classicos BE-BOP A LULA, RACE WITH THE DEVIL, entre várias.

A fase áurea da carreira de VINCENT começou a decair em 1958. Ele gravou alguns outros discos, e faleceu em 1971 de cirrose e consequências da vida trágica e doentia que teve.

Mas fez em Londres, em 1961, no ABBEY ROAD STUDIO, I´M GOING HOME ( to see my baby…), recriada em cima de uma composição de BO DIDDLEY, e acompanhado por um dos bons grupos instrumentais ingleses da era pré-BEATLES, THE SOUNDS INCORPORATED.

Pois bem, para os velhões como eu, a versão arrepiante do TEN YEARS AFTER, no festival de WOODSTOCK, em 1969, é a base para um fantástico show de ALVIN LEE, na guitarra, transformando em HARD-ROCK trechos de clássicos dos anos 1950, em performance histórica.

É por essas e outras que vamos ao rock com GENE & EDDIE.

Tente.

E lágrimas e preces para os dois

VYTAS BRENNER – LA OFRENDA – 1973: ROCK PROGRESSIVO DA VENEZUELA

 

 

Apenas um rapaz latino-americano, com uma ideia na cabeça, algum dinheiro no bolso, e instrumentos de ROCK nas mãos?

Ele é mais do que isso!

Imagine alguém como tantos, fascinado pelo YES, intrigado pela percussão latina do SANTANA; banhado por JETHRO TULL, e ouvindo a reviravolta ao ROCK PROGRESSIVO que THE WHO conseguiu em “Who’s Next”, lá por 1971!?!?

Depois, tempere com uns toques de KRAUTROCK, e pense o tempo inteiro em RICK WAKEMAN.

Pois bem: desse coquetel monte uma banda mesclando teclados, guitarras e instrumentos latinos. Organize tudo isso baseado na sonoridade que emana dos ANDES, em concertação de bom gosto, mas tangenciando clichês – quer dizer flertando com a “EXOTICA”…

E você terá um excelente álbum de ROCK PROGRESSIVO!

Foi isto que o remoto, implausível e quase desconhecido tecladista VYTAS BRENNER fez, em 1973!

As “CHAVES” que fecharam a VENEZUELA esqueceram um rock MADURO no passado! ( hummm…, piadinha infame, né TIO SÉRGIO? )

O Long Play original é raro, precioso e colecionável! O CD também é difícil encontrar. E quem o tocava muito, em meados da década de 1970, era o Jaques Sobretudo Gersgorin, em seu pioneiro e inesquecível KALEIDOSCOPIO, programa de rádio furor entre os esquisitos e amantes do ROCK naqueles tempos.

Procurem conhecer VYTAS BRENNER. Os que não gostarem ganham foto autografada do KIM JONG UN dançando RUMBA! Ou um sorriso amarelo do MESSI, depois do jogo contra a ARÁBIA SAUDITA.

Quem sabe os dois.

TIO SÉRGIO recomenda.

GRAND FUNK RAILROAD – MARK, DON & MEL – COLETÂNEA EDIÇÃO JAPONESA

ABRANGENDO DE 1969/71 – EM MQA CD HQ!

É coletânea famosa, que abrange os cinco primeiros discos do GRAND FUNK: “ON TIME” E “GRAND FUNK”, 1969; “CLOSER TO HOME” e “LIVE ALBUM”, 1970; E “SURVIVAL”, 1971.

Um álbum duplo como apenas doze músicas, algumas bem longas, mas emblemáticas do que a banda fez em sua, digamos, primeira fase.

Claro, nos tempos do CD teria sido possível acrescentar mais algumas músicas para dar aos fãs, e ao consumidor, alguma vantagem, já que estavam disponíveis há décadas, e abrangiam apenas os primeiros cinco discos.

Mas, não fizeram.

Os irmãozinhos de olhinhos puxados sempre foram rígidos com isso. Normalmente, os discos saem com a quantidade original de músicas. Raras exceções…

Ainda assim, para os que gostam da fase inicial, garageira, rude, dura, algo mal acabada, mas genuinamente HARD ROCK, o Tio SÉRGIO aconselha – e muito!!!!

Mas, e sempre tem algum mas, quando acessamos algum produto feito pelos nossos brothers do oriente, como esta edição, encontramos algo simplesmente primoroso!!!

A embalagem é dos sonhos, com encartes, poster, letras, cuidados e acabamentos supremos!

E a remasterização foi feita no estado da arte! O que se ouve é infinitamente superior aos discos normais!!!!

Eu também tenho os cds originais e normais. Mas, para um fã incondicional essa edição, em MQA-CD UHQCD é o suprassumo disponível.

Estejam certos: não tem pra ninguém!!! É pauleira brava em estado superior!!!

Procurem saber!!!

 

CONFESSIN’ THE BLUES – VÁRIOS ARTISTAS. BOX COM 5 VINIS DE 10 POLEGADAS CADA UM!!!

 

GRANDE PRESENTE QUE A “FADINHA MASTERCARD” DEIXOU EM MEU APTO!!!, ANOS ATRÁS!!!!

É UM “WHO IS WHO” DA NATA DO BLUES TRADICIONAL, REMASTERIZADA PARA A MODERNIDADE, COM O MELHOR SOM POSSÍVEL!

TUDO O QUE NOSSOS ÍDOLOS ADORAVAM E VOCÊ TINHA VERGONHA DE PERGUNTAR!!!

OBSERVANDO MELHOR ESSAS PRECIOSIDADES, TEMOS 4 PÔSTERES DESENHADOS EM BICO DE PENA, E SOBRE 4 CANÇÕES FUNDAMENTAIS DO BLUES.

E, AINDA ACOMPANHA UM TEXTO. E 26 MICRO BIOGRAFIAS DOS ARTISTAS PRESENTES NAS 43 FAIXAS.

A INICIATIVA FOI DOS PRÓPRIOS ROLLING STONES, E A CURADORIA DE RON WOOD.

A RENDA FOI REVERTIDA PARA A FUNDAÇÃO “BLUES HEAVEN – WILLIE DIXON”.

CORRAM E COMPREM. VALE MUITO MAIS DO QUE OS R$ 250,00 TUPINIQUINS QUE PAGUEI.

RARO, PRECIOSO, CULT E IMPERDÍVEL – SE VOCÊ AINDA CONSEGUIR ALGUM…

SMALL FACES – OGDENS NUT GONE FLAKE – IMMEDIATE – 1968

 

O SMALL FACES tem o status do THE WHO junto à imprensa inglesa e aos colecionadores em geral.

São ícones!

As duas bandas eram vizinhas, em bairros próximos, e competiam enquanto a “cultura” “MOD” esteve no auge, em meados dos 1960. Depois, confluíram; e tornaram-se amigos.

Muitos daqueles tempos fizeram a mesma trajetória, e saíram do BEAT para o ROCK PSICODÉLICO. THE WHO foi mais longe, e adentrou um pouco ao PROGRESSIVO.

O SMALL FACES também foi um serpentário do ROCK. Cobras criadas, criativas e criadoras, como RONNIE LANE, STEVE MARRIOTT e KENNY JONES estiveram por lá…

Gravaram muitos SINGLES de sucesso, e LPS menos vistosos, porém interessantes. Os discos originais valem uma baba, porque bons e relativamente poucos.

De seu período áureo, entre 1965 e 1968, três compactos foram lançados no BRASIL: o cult e imprescindível “ITCHCOO PARK”, PSICODELIA INGLESA de alto nível; “HERE COMES THE NICE” e “LAZY SUNDAY”, na mesma direção, porém menos inspirados. Apesar do sucesso na Inglaterra, no Brasil jamais aconteceram…

Deles, muitos sabem que o espetacular vocalista e guitarrista STEVE MARRIOTT saiu para o HUMBLE PIE, onde fez dupla cintilante com PETER FRAMPTON.

Mas, na banda permaneceram o baixista RONNIE LANE e o tecladista IAN McLAGAN. Juntos, fizeram a sequência para o “apenas” FACES. Quando atraíram a bordo dois ex-membros do JEFF BECK GROUP: o já famoso cantor ROD STEWART, que deu o gingado “WHITE” SOUL que faltava. E o guitarrista RON WOOD, futuro e definitivo ROLLING STONE.

Em nova configuração, a sonoridade do grupo foi renovada. Fiicou mais pesada. Entre 1969 e 1975, o FACES gravou diversos discos de HARD ROCK / R&B bem legais, e com grande sucesso!

Mas, a banda começou a decair após ROD STEWART focar cada vez mais em sua espetacular e ascendente carreira solo.

E, naufragou pra valer em 1975, com a saída de RON WOOD, que tornou-se e mantem-se parte dos ROLLING STONES há décadas.

Talvez a maior aproximação entre o SMALL FACES e THE WHO, tenha facilitado outros projetos. Com a morte de KEITH MOON, em 1978, o baterista KENNY JONES juntou -se ao THE WHO.

E há um disco cult e colecionável, gravado por PETER TOWNSHEND e RONNIE LANE, em 1977, chamado ROUGH MIX.

Bons amigos, excelentes negócios….

Os discos aqui postados formam o artefato mais colecionável e cult da banda. O projeto gráfico original de OGDENS NUT GONE FLAKE, 1968, é o fino!

São dois LONG PLAYS, acondicionados em capa totalmente redonda, com muitos encartes; e que certamente inspirou o design do “E PLURIBUS FUNK”, o disco da moeda gravado pelo GRANDFUNK, 1971.

OGDENS é exemplo cult do ROCK PSICODÉLICO INGLÊS.

E, claro, é raro e precioso!

A minha edição, em três C.Ds, emula o LP original. Está em caixinha de madeira do tipo usada no brasileiríssimo “queijo Catupiri”. É muito bonita; e difícil de encontrar, hoje em dia…

Tão vibrantes quanto THE WHO, o SMALL FACES merece audição mais atenta. Eu acho banda ótima!

Os SINGLES, principalmente, são excelentes! E a voz única e “WHITE” SOUL de STEVE MARRIOTT teve seguidores notáveis, como MICK HUCKNALL, do SIMPLY RED; e GLEHN HOUGHES, ex – TRAPEZE, DEEP PURPLE e desenvolvedor de carreira solo reconhecida.

SMALL FACES eu recomendo de olhos fechados – mas sorriso e ouvidos abertos!

THE YARDBIRDS – MINHA BANDA BEAT INGLESA PREFERIDA

50 anos atrás, a tia de meu amigo-irmão Silvio Luciano Dean, entrou e viu um pôster com uns sujeitos cabeludos em meio a peles, casacos, e não lembro mais o quê…

E perguntou: “Silvinho, quem são esses moços aí na parede?”

Resposta: São os “YARDBIRDS”, tia!

Escandalizada! A tia quase gemeu : QUEM????!!!! OS VIADOS VERDES???

Que eu saiba não eram…

O pôster retratava a banda na fase final com JIMMY PAGE, na guitarra….

Há muito o que falar e considerar sobre eles. A maioria é consenso entre a TURMA DO ROCK: quem teve ERIC CLAPTON, JEFF BECK E JIMMY PAGE tenderia a não ser banda qualquer. E não eram! Vou resumir ao essencial:

Transitaram do BEAT ao BRITISH BLUES, e para a PSICODELIA com JEFF BECK e sua guitarra inovadora.

Foi dali que nasceu o LED ZEPPELIN e o RENAISSANCE. Estão na gênese da sonoridade moderna do HEAVY ROCK , esta que ouvimos ainda hoje.

SEMINAIS de verdade!

Foram imensos em 5 anos de vida e turbulência. Uma verdadeira “PAN-ESPERMIA” criativa. Em cada fase uma característica diferente. E tudo o que gravaram parece exaurido. Inclusive série de shows da fase áurea pela ESCANDINÁVIA, FRANÇA e etc… recentemente descobertos, mas que ainda não tenho.

Estão redivivos e os remanescentes excursionam ainda hoje.

ERIC CLAPTON está no Long play “FOR YOUR LOVE”, 1964. E na metade ao vivo de “RAVE-UP”, retirada do FIVE LIVE YARDBIRDS, 1964.

ERIC também acompanhou a gravação ao vivo na excursão inglesa do BLUESMAN americano SONNY BOY WILLIANSOM, 1965.

A outra metade é show de inovação em estúdio, com JEFF BECK em SINGLES monumentais e no Long Play “OVER, UNDER, SIDEWAYS, DOWN” , a famosa versão inglesas “ROGER, THE ENGENEER”.

E JIMMY PAGE está em “LIVE YARDBIRDS”!, show de 1968, já um tanto ZEPPELINIANO, agora remasterizado e trazido para o estado de excelência.

E, também, no magnífico e conceitualmente quasi-LED ZEPPELIN “LITTLE GAMES”, de 1967.

HÁ somente duas músicas gravadas com BECK e PAGE juntos: HAPPENING TEN YEARS TIME AGO e STROLL ON – versão do filme BLOW UP, de MICHELANGELO ANTONIONI.

Sou fã de acariciar os discos, procurar fotos, livros, vídeos e etc; sou um “radical-contido”. E talvez tenha sido o primeiro brasileiro a escrever sobre eles, na década de 1970, no cult fanzine do Rene Ferri, o WOOP-BOP.

O que postei é parte da minha coleção. Tenho alguns boxes, VÍDEOS DVDs, e vários etc…

E tive todos os LONG PLAYS ORIGINAIS, alguns BOOTLEGS, SINGLES, e faixas esparsas em coletâneas “pela aí”.

Claro, é pouca música para tantos discos. Não gravaram muito. Aqui estão edições, reedições, coletâneas, achados, invenções e raspas do fim da barrica do grupo.

QUEM NÃO CONHECE OS YARDBIRDS NÃO PASSA DE ANO EM ROCK´N´ROLL!

Ter os YARDBIRDS na coleção é mais do que obrigatório; é mandatório! Os que já ouviram sabem sobre o quê estou falando.

Tenha!

PETER FRAMPTON – A TRAJETÓRIA DE UM SUPERDOTADO NO ROCK: THE HERD, HUMBLE PIE E SOLO YEARS

É possível começar a postagem de várias formas.

Vou pela mais tradicional: estamos acostumados com precoces como MICHAEL JACKSON, STEVIE WONDER, STEVE WINWOOD, e nos esquecemos de outro famoso menos badalado. PETER FRAMPTON já tocava ganhando algum aos 14 anos de idade!

Em 1967, aos 17, liderava o HERD, excelente banda parte da transição entre o ROCK PSICODÉLICO em direção ao PROGRESSIVO SINFÔNICO. Fizeram ótimo LP, “PARADISE LOST”, e colocaram três SINGLES no topo da parada.

No mágico e definidor ano de 1968, PETER FRAMPTON foi eleito o “FACE OF THE YEAR”, na Inglaterra. Traduzindo, ele era um “teenager” que não fazia parte de uma “BOY BAND”, mas de um grupo de vanguarda.

OUÇAM O HERD! É surpreendente.

FRAMPTON não queria ser cantor, era fã ardoroso de HANK MARVIN, guitarrista dos SHADOWS, ídolo supremo e inatingível. Mas, cantava bem e era bonitão, então assumiu também o vocal. Vejam só! Deu certíssimo!

Outro jeito de começar teria sido dizer que FRAMPTON era filho do professor de artes OWEN FRAMPTON, que incentivou e orientou DAVID BOWIE!

Aliás, PETER e DAVID se consideravam irmãos. Ambos estudaram na mesma escola pública onde lecionava o professor OWEN, que foi a vida inteira amigo e conselheiro de DAVID – que era considerado “parte da família”.

PETER FRAMPTON sempre foi excelente guitarrista, dinâmico e seguro sobre o que pretendia. Aos poucos, tornou-se um estilista. E aos 19 anos, já lenda no UNDERGROUND, juntou-se a STEVE MARRIOTT, que o convidara para entrar para o SMALL FACES – mas os músicos restantes da banda não quiseram.

Mesmo assim, foi com eles para a França gravar e acompanhar o cantor e arrogante supremo, JOHNNY HALLIDAY. Fizeram disco que eu desconhecia, “RIVIERE…OUVRE TON LIT”, que você encontra no Youtube. Ouça a música, é bem interessante!

Em seguida, MARRIOTT e FRAMPTON formaram o HUMBLE PIE.

A voz entre o BLUESY e SOUL de STEVE MARRIOT; e o excelente instrumental mais o vocal entre o POP e o BLUES de PETER FRAMPTON, consolidaram a banda, e seu BLUES/ROCK pesado e algo contido.

Gravaram juntos 4 discos, entre 1969 e 1971, todos bons.

Para FRAMPTON, e eu concordo, o melhor de todos é ROCK ON, de 1971. Espetacular! Não se ouvirá versão mais legal BLUES/ROCKER de “ROLLING STONE”, de MUDDY WATERS, do que a deles. E há “SHINE ON, clássico do HARD BLUES!

Mas, foi o cult ao vivo, gravado, também de 1971, PERFORMANCE ROCKIN´THE FILLMORE, que os levou de fato aos primeiros lugares nas paradas americanas. É um show fantástico!

Porém, quando o disco atingiu o auge, PETER pediu para sair. Foi uma surpresa, tudo caminhando muito bem, porém ele tinha ideias próprias aos 21 anos. Estava na estrada desde os 14, e partiu para carreira solo.

Teria havido influência do amigo BOWIE e seu pai?

Os 4 primeiros LPs, WIND OF CHANGE, 1972; FRAMPTON´S CAMEL, 1973; SOMETHING HAPPENING, 1974 e FRAMPTON, 1975 são todos muito satisfatórios.

Entre o POP e o BLUES/ROCK, mas com FRAMPTON dominando estilo e a técnica. A banda que ele formou é excelente!

Entre os músicos, o exuberante baixista RICK WILLS, um diferenciado que dá show no instrumento e depois tocou, também, com os santos e o mundo! Do FOREIGNER a DAVID GILMOUR ao ROXY MUSIC…

PETER FRAMPTON fez um dos discos mais vendidos de todos os tempos. Talvez o show ao vivo que mais vendeu na história da música pop: “FRAMPTON´S COMES ALIVE!” foi gravado em 1976, e tornou-se um sucesso estrondoso!

PETER FRAMPTON FOI O BON JOVI DOS ANOS 1970.

Eu o assisti, na época, em São Paulo. Realmente, uma farra! E o ápice do conceito que vinha desenvolvendo.

FRAMPTON manteve-se no auge, mas parou por 4 anos, em 1982, para colocar-se em ordem – inclusive os negócios. Apesar do sucesso enorme, quase faliu por má administração, roubos e tudo o que se sabe do submundo da música.

DAVID BOWIE o resgatou do baixo astral, em 1987, e o convidou para tocar no disco “NEVER LET ME DOWN”, e na turnê SPIDER GLASS TOUR.

Depois, ele não sumiu. Passou a pegar mais leve, e inclusive gravou dois outros discos muito elogiados: FINGERPRINTS, instrumental que lhe deu o primeiro GRAMMY, em 2007. E, em 2019, ALL BLUES, um disco FUSION/JAZZ/BLUES, com versões extraordinárias, e primeiro lugar na BILLBOARD BLUES.

A versão de ALL BLUES é sensacional!

Nessa trajetória toda, em 2015 caiu no palco, em meio a uma turnê com STEVE MILLER. Não levou muito a sério. Caiu outras vezes, foi examinado e constataram que estava sofrendo uma doença que provoca falência muscular e fraqueza progressiva. IBM, é a sigla em inglês. Não mata, mas não tem cura. Por isso, continua tocando e gravando para o futuro, enquanto consegue…

FRAMPTON hoje mora em NASHVILLE e promete não se aposentar totalmente. Não seria atitude do feitio do garoto que, em 1967, ouviu o leiteiro comentando com a mãe dele, no portão:

Mas, senhora FRAMPTON, o menino está em todos os programas de televisão! Então, cadê o ROLLS ROYCE?”

Não existia. Ele tinha apenas um MORRIS velho e usadíssimo; batido. O equivalente inglês ao um FUSQUINHA 1962, parado na frente da casa dos pais.

Música sempre deu muita grana para poucos…