Que a modernidade do jazz está concentrada e expandida nesse BOX miraculoso?
E, para complementar, houve o lançamento simultâneo de outro BOX com DVDs, dentro de uma caixa em formato para acondicionar o trompete?
O preço, há uns dez anos ou mais, foi de $145 dólares, frete incluído, entregue na porta de minha casa!
Foi uma pechincha, porque o dólar era suportável; e a caixa não havia se tornado a raridade cult que é, hoje!!!!
É luxo só! É genialidade em seu último ponto”. Não superada, por enquanto, penso. Afinal, é a fase gravada na COLUMBIA RECORDS, trinta anos de arte explícita e bem cuidada!
Os discos são mini-Lps. Os duplos, claro, acondicionando dois. E Há 17 CDS duplos! Inclusive o MILES IN PERSON AT BLACKHAUK, gravado em 1961, em Los Angeles que, na verdade, seria quadrúplo?
Dizer que vai do BE-BOP às diversas variações da FUSION; e mais o quase FREE; e todos os seminais de KIND OF BLUE, passando por SKETCHES OF SPAIN, a NEFERTITI, e AT PLUGUED NICKEL. E caminhando para IN A SILENT WAY, BITCHES BREW, DARK MAGUS, e chegando a STAR PEOPLE; e culminando em YOU´RE UNDER ARREST e AURA?
Estão todos aí e os respectivos shows à cada época. Deslumbrantes!
Tive a honra e a oportunidade de assistir MILES DAVIS, no TEATRO MUNICIPAL, em São Paulo, em 1974. Eu estava lá com amigos, e vi a revolução FUSION in loco!
Banda com duas guitarras, baixo, bateria, metais, e a parafernália percussiva. O show expulsou a metade da audiência, por causa do ROCK FUSION,
O som estava muito alto, e o repertório exalava iconoclastia pura ofendendo os conservadores, que nem sonhavam com tal música “vilipendiando” ambiente tão nobre!
MILES DAVIS tocava um trompete com pedal de guitarras acomplado! Sei, lá! Era “METAL e LISERGIA puros!!!!
Eu jamais esquecerei!
E, para coroar, quando cheguei ao teatro, havia um preto baixinho, de cachecol enorme em torno do pescoço, parado em frente ao teatro e observando a turma chegando!
Era MILES!
O título de matéria sobre o show, no Jornal da Tarde, de Sampa, citava que MILES IS MILES AND MILES AWAY!
Começaram tocando BEAT e R&B feito os YARDBIRDS e, principalmente, os ROLLING STONES.
E foi de LOS ROLLINGS, como dizem os argentinos, de onde saiu DICK TAYLOR, em 1963, e formou os PRETTY THINGS com PHIL MAY e outros caras.
O nome é o de uma canção de BO DIDDLEY, de quem fizeram outros covers e trouxeram o molde de sua base sonora BLUESY – ROCKER.
O dois primeiros discos e varios SINGLES vão por aí. Eles não são para quaisquer ouvidos. Mas, há alguma coisa de original e diferente no que fizeram e fazem…
Da mesma forma que os ROLLING STONES e vários contemporâneos, os PRETTY THINGS enveredaram um pouco para a PSICODELIA.
Em 1968, gravaram seu disco mais importante: S.F.SORROW é um dos primeiros ÁLBUNS CONCEITUAIS do ROCK. E, na época, foi tido como antecessor do conceito desenvolvido por THE WHO, em TOMMY; uma potencial ÓPERA ROCK, como se cunhou naqueles tempos.
PETE TOWNSHEND é fã do disco, que eu acho um tanto chato, mesmo que seminal e histórico.
Fizeram, também, discos sob o nome ELECTRIC BANANA, hoje cultivados por quem gosta de coisas meio heterodoxas e de falsas simplicidades…
A turma do LED ZEPPELIN também era fã. E os levou para a gravadora da banda, a SWAN SONG, em meados dos 1970. Lançaram dois LPs apreciados pela crítica e algum sucesso de vendas: SILK TORPEDOES e SAVAGE EYES, espécies de HARD ROCK. E certamente inspirados pelo modelo vitorioso do HUMBLE PIE, DEEP PURPLE e do próprio ZEPPELIN.
No princípio dos anos 1990, DICK TAYLOR, guitarrista; e PHIL MAY, o vocalista, juntaram-se a JIM McCARTHY, baterista dos YARDBIRDS, e justapuseram os nomes: PRETTY THINGS – YARDBIRDS BLUES BAND. Saíram dois discos colecionáveis até a medula por quem gosta de HARD BLUES e adjacências.
Os discos originais da banda, nessa postagem, são EDIÇÕES LIMITADAS e de alta qualidade técnica. Dignos da trajetória de um cometa que, de vez em quando, nos orbita, passa e volta…
Como KEITH RICHARDS, os PRETTY THINGS sempre estiveram quase mortos, mas ressuscitando e transcendendo o potencial zumbi que neles habita e os acompanha desde o início.
Eles não são para todos os dias e muito menos palatáveis à primeira vista.
Mas, permaneceram na mira dos colecionadores no decorrer dos tempos.
Então, procure ouvir. Quem deles gosta, gosta mesmo!
Você pega o gingado forte de JAMES BROWN, adiciona o senso melódico da MOTOWN e da STAX. O resultado é um combo mixado com ROCK PSICODÉLICO da Califórnia.
Depois, junte alegria extremada no palco, colorido hippie e tempere com fumaças que não vêm de incenso e… pronto: você terá SLY & THE FAMILY STONE.
Os visuais e, principalmente, etnias enganam. ARTHUR LEE, do LOVE; SLY STEWART, e JIMI HENDRIX são negros e profundamente ligados à música de VANGUARDA. No caso, às diversas formas do ROCK PSICODÉLICO.
Nesse BOX tudo o que gravaram na EPIC.
Antes da FAMILY STONE, SLY era produtor e dos bons. Cuidou da obra do expressivo, cult e quase recôndito BEAU BRUMMELS, 1965/1968, excelente banda BEAT da Califórnia, em paulatina e contínua sagração entre os colecionadores e a crítica.
Mas, aí já é outra história imensa, densa; e procurando por um escritor.
Eu a conheço… portanto, quem sabe qualquer hora eu conte…
JIM MORRISON FOI UM DOS QUE INSPIRARAM EM MIM O INTERESSE PELO POP, PELA REBELIÃO POLÍTICA, E POR VIVER, INTELECTUALMENTE, DE MANEIRA INTENSA.
SOU OBSERVADOR DO REAL. MAS, SEM TALENTO PRA MILITÂNCIAS.
DOIS MOMENTOS TORNARAM-ME ADOLESCENTE: EM 1965, QUANDO ESCUTEI “MR . TAMBOURINE MAN”, COM THE BYRDS; E O INÍCIO DE 1967, QUANDO O RÁDIO TOCOU “LIGHT MY FIRE”! ACREDITEM: FORAM MEUS RITOS DE PASSAGEM!
JIM MORREU EM 1971. E EU “COMETI” ESTA COLAGEM EM 1977.
FOI O MEU PRIMEIRO QUADRO. É ARTISTICAMENTE RUIM, MAS CONCEITUALMENTE CORRETO: JIM APARECE EM MEIO AS SUAS DECLARAÇÕES E FRASES, EM FORMATO DE UMA EXPLOSÃO ATÔMICA, QUE SURGE DE UMA BANDEIRA AMERICANA DILASCERADA; E SOBRE UM MAPA AMERICANA RASGADA EM PEDAÇOS E LAVADA EM SANGUE.
É INGÊNUO E POPULISTA. MAS, AINDA HOJE REFLETE OPINIÕES E SENTIMENTOS SOBRE OS GRINGOS…
EU PRETENDI UMA VISÃO DO CONFLITO DE GERAÇÕES EM MEIO À GUERRA FRIA, E DURANTE A DITADURA BRASILEIRA.
JIM TINHA VOZ PORTENTOSA, DE UM BELO TIMBRE, E ALCANCE BARÍTONO.
MAS ERA CANTOR MEDÍOCRE. A RIGOR, SÓ CANTOU RAZOAVELMENTE NO PRIMEIRO LP, THE DOORS, 1967.
NOS RESTANTES, CAPENGOU. E VOLTOU A FAZER TALVEZ A SUA MELHOR GRAVAÇÃO NO ÚLTIMO ÁLBUM, L.A. WOMAN, 1971.
MAS, NINGUÉM LIGOU. O CARISMA NO PALCO E NA VIDA SEGURAVA SUAS PERFORMACES.
SEMPRE QUE VEJO, OU LEIO, ALGO SOBRE MORRISON EU FICO EMOCIONADO. POUCOS ÍDOLOS SIMBOLIZARAM TÃO BEM O QUE ERA SER JOVEM, EMOCIONALMENTE ENVOLVIDO COM O VIVER, COMPROMETIDO COM A MUDANÇA, E CONTRA O REACIONARISMO DA SOCIEDADE.
E TUDO SOB O PONTO DE VISTA DE UM INDIVÍDUO DONO DE SI, E INSTRUMENTO DE SUA PRÓPRIA RAZÃO E POLÍTICA.
A PERSPECTIVA DE JIM MORRISON ERA A DE UM ARTISTA, E NÃO A DE UM MILITANTE POLÍTICO.
EU MUDEI UM POUCO; ENVELHECI COM LUCIDEZ – ACHO. MAS, PERMANEÇO LIBERTÁRIO INCONDICIONAL. SAÚDO CRITICAMENTE A VIDA E OS INCONFORMISTAS QUE LUTAM PARA QUE ELA SEJA MELHOR, MENOS MEDÍOCRE E MAIS JUSTA!
E, RECORDO PEDACO DE FRASE EM UMA CANÇÃO DOS DOORS: “I WATCH THE RIVER FLOW”…
Tive paciência e consegui mais ou menos saber quantos discos gravou SUN RA e sua ARKESTRA: foram 136. Quer em bom português? Contei cento e trinta e seis discos!
Entre os mitos que o cercam está o de ter criado a própria gravadora, “EL SATURN RECORDS”, prá lá de singular. E quase-famosa por ter feito LPS sem grandes sofisticações gráficas, mas artisticamente instigantes e muito difíceis de serem encontrados pelaí!
SUN RA foi um dos primeiros independentes.
Colecionador sortudo e destemido será quem achar algum daqueles discos. São raros e preciosos!
Quem se interessar pelo “MAGO” deve, também, dar uma olhada na produção do cara por outras gravadoras, como a também cult ESP, e a IMPULSE.
Mas, pode ir direto para as reedições em CDS, da suíça EVIDENCE MUSIC, que vem mapeando a carreira do cara com zelo e respeito.
SUN RÁ era de ecletismo total! Mas, à sua maneira peculiar e subversiva. Teve carreira longa e impressionante.
Começou na década de 1940, e trabalhou compulsivamente por mais de 50 anos! Era superdotado e workholic como JOHN MAYALL ou MILES DAVIS.
Acompanhou grupos de DOO-WOP; gravou BE-BOP; deu canjas várias na transição da música negra dos anos 1940 ao R&B em voga.
Envolveu-se com todo tipo de JAZZ, do RAG ao ROCK; gravou BLUES; meteu o criativo bedelho em mil coisinhas excêntricas e esotéricas.
DIZZY GILLESPIE e THELONIOUS MONK eram fãs se SUN RÁ.
Em 1956 gravou, inclusive, com um “esperma ensandecido” (PORRA-LOCA, para os menos recatados) chamado “YOCHANAN, A SPACE AGE VOCALIST”… um híbrido de cantor de R&B, Proto-RAPPER, ou simplesmente um preto maluco! Tudo isso está no CD duplo “SINGLES”, aqui na postagem!!!!
SUN RA propôs e conseguiu um jeito novo de “re-rever” a música de formas diferentes e nunca feitas! Era criativo, insistente e desbravador. Usou teclados eletrônicos ainda nos anos 1950; abusou de sintetizadores e tudo o que fosse ligado às vanguardas musicais esvoaçantes, ou que o ligasse às coisas cósmicas, míticas, místicas, ou simplesmente fora do eixo… e antes que o PINK FLOYD pensasse nisso…
SUN RA era uma METAMORFOSE GALOPANTE, foi um dos criadores do AFRO-JAZZ.
Ao contrário do FREE JAZZ, de ORNETTE COLEMAN, onde a liberdade para improvisar era total, a proposta AVANT GARDE de SUN RA é uma construção/desconstrução ativa, mesmo que não-programada, de uma obra musical que requer disciplina, técnica e sensibilidade.
SUN RA é um arquiteto do caos sonoro inteligível. Intervinha nas gravações, trocando músicos durante a execução dos trechos. Dava o tom, a ideia; e se não gostasse do som de um trombone, digamos, fazia o trompetista, por exemplo, executar aquela parte do jeito que quisesse. E, se RA concordasse, ia juntando, gravando tudo de acordo com a sua percepção e gosto.
SUN RA acrescentava ou retirava instrumentos, ideias, frases; e o resultado é uma colagem sonora com liberdade vigiada, livre ‘ma, non tropo”. Fica estranho, mas é coeso e musicalmente instigante. A metáfora que me ocorre, é consertar o motor do avião em pleno voo…
Ele rompeu e subverteu a ideia inicial do FREE JAZZ, e está nas raízes da FUSION, DO ROCK PROGRESSIVO, e é precursor do “AFRO-FUTURISMO” jazístico. SUN RA é um compositor, arranjador, maestro maluco, que dirige sua orquestra ao sabor de si mesmo.
Diferentemente do FREE JAZZ, onde cada um tocava sua parte sem a censura de outros; nos discos dele o comandante supremo é SUN RA. Ele é o diretor de obras do caos. Não sabia onde queria chegar, mas chegava prospectando, caminhando, perscrutando, tocando, construindo, destruindo, mudando a música…
Depois de gravada, claro, restava a obra composta: original, intuitiva, provavelmente não repetível, mas “organizada”, porque “petrificada” em disco.
Se o FREE JAZZ é obra coletiva, o AVANT – GARDE parece, em geral, produto individual: o conceito é do artista.
A história da música popular é um caminho tortuoso, desruptivo, e, ao mesmo tempo, previsível. Muita coisa díspar convive ao mesmo tempo.
Para muitos, o ápice da sofisticação na música popular foi a GRANDE CANÇÃO AMERICANA, de GERSHWIN, COLE PORTER…; e na voz de ELLA, BILLIE, SINATRA, entre vários.
A BOSSA NOVA talvez tenha sido o último ato da grandeza musical “tradicional conservadora”. E, tudo isto, culminando no final dos anos 1950 do século passado!
No mesmo espaço/tempo, o R&B e o ROCK AND ROLL comiam solto com incontáveis grupos de DOO-WOP, ELVIS PRESLEY e contemporâneos.
Além das experiências radicais na MÚSICA CLÁSSICA contemporânea, a ELETROACÚSTICA, por exemplo; à época estavam em curso subvertendo o gosto tradicional, e acrescentando elementos de ruptura.
No BRASIL, em 1959, a compositora JOCY DE OLIVEIRA, contestara sarcasticamente a BOSSA NOVA, em seu LP.
Mas, em 1961, executou no TEATRO MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO a primeira obra de música ELETROACÚSTICA do BRASIL. JOCY esteve e está além de seu tempo…
Talvez a transição entre a década de 1950 e a de 1960 tenha sido o período histórico onde ocorreram as mais significativas erupções e terremotos estéticos.
SUN RA não existiria sem esse amplo painel, composto por contradições procurando sínteses, e de saltos à frente. A entropia foi o FREE JAZZ, sucedido por uma quase-reorganização da vanguarda com o AVANT-GARDE.
Ao mesmo tempo, vieram os Beatles e os formatos tradicionais simplificados tomaram a cena novamente.
Até que…
SUN RA morreu aos 79 anos, em 1993, mas sua ARKESTRA continuou sob a direção, talvez até hoje, do saxofonista MARSHALL ALLEN, que já a trouxe ao Brasil.
Quando eu morrer, vou-me embora pra SATURNO, de onde SUN RA disse que veio. Porque lá sou amigo do Rei…
Quando ROBERTINHO, mais conhecido por ROBERT SMITH, saiu do palco sob aplausos e glória, depois de show do THE CURE, em São Paulo, fiquei pensando sobre a nossa intensa e talvez desmedida alegria enquanto povo – supostamente, quem sabe…
Pensando em indivíduos concretos, talvez todo brasileiro seja “SOLAR” enquanto não trafega pelo underground de si mesmo. Nesse tempo de iras, desacordos e polarizações, a infinita “sadness” deve suplantar alegrias breves…
ROBERT é um dos artistas mais introspectivos dos últimos 50 anos. Um não-brasileiro de alma e postura, mas que agrada e muito, quando por aqui se apresenta.
Ele é um ídolo improvável. E, quem sabe, se aproxime em fama e público a ROGER WATERS. Alguém tão discreto e tímido traria algum significado mais consistente para explicar seu público supostamente SOLAR?
ROBERT SMITH sempre foi um espetáculo de fragilidade. Então, pensei em outros fortes/frágeis e seus percursos sobre essa “tangerina” encoberta por placentas de nuvens”. Ela mesmo, a TERRA…
A ordem na postagem foi supostamente estética. Pra sair menos mal na foto. Então,
Alguém conceberia artista mais ensimesmado, e com a voz mais chorosa e desolada do que NEIL YOUNG?
TIO SÉRGIO trouxe outros. ROBERT WYATT, ex – SOFT MACHINE, é um fiapo de voz, e mora no DESOLATION RAW do ROCK… Aconchegante feito estar sozinho de madrugada no velório de alguém querido é ouvir GENE CLARK, em quaisquer de seus discos. Sua voz belíssima, bem colocada sobre melodias e arranjos FOLK, passam o homem que ele foi: deprimido, solitário, frágil, deslocado.
Mas, pode piorar. Se o relacionamento amoroso vai mal escutar JONI MITCHELL pode ser o tiro de misericórdia no coração dos sofridos. Ela, um gênio em vários sentidos, e nos atrai com suas composições lindas, bem escritas e arranjadas – mas, não disfarçam o eterno buraco que ostenta no peito, na mente, no corpo…
GRAHAN NASH, ex-namorado, escreveu para ela a singela “OUR HOUSE”, gravada por CROSBY, STILLS, ELE e NEIL YOUNG. Talvez pressentindo o gosto da alegria breve. O nosso “ROBERTINHO”, 64 anos, fez o clássico “LOVESONG”, para sua mulher, MARY, com quem está desde a adolescência…
E vamos para o WILD SIDE da existência. Ouçam SCOTT WALKER, principalmente MONTAGUE TERRACE IN BLUE, que não cai nada bem para um ídolo POP provocador de histerias, em meados da década de 1960. SCOTT sempre foi ermo, dark, solitário e recluso. Abdicou do mundo e ponto final…
E que tal um naco de alegria com LOU REED tomando sangria num PERFECT DAY no parque? Nem vou mergulhar na discografia barra pesada que deixou A faixa no álbum TRANSFORMER, é o auge de calor humano que o marido da LAURIE ANDERSON conseguiu. E, por falar nela….
Para vocês aquecerem a alma penada para o verão, mais um pouquinho de cicuta na cachaça…
Conhecem o espetacular disco de 1974 prenunciando o espírito DARK WAVE, gravado por NICO, PHIL MANZANERA, BRIAN ENO, e JOHN CALE?
Procurem. Lá está versão assustadora e cabisbaixa de THE END, consagrada pelos DOORS. O restante do repertório não desatina… é ladeira abaixo…
Pesquisem o lindíssimo “SONGS FROM THE COLD SEAS”, trilha para um filme de HECTOR ZAZOU, com SIOUXIE, JANE SIBERRY, BJORK, SUZANNE VEGA, JOHN CALE, e outros gélidos.
E não percam a alemã UTE LEMPER em PUNISHING KISS, com NICK CAVE, ELVIS COSTELLO, PHILLIP GLASS, TOM WAITS, SCOTT WALKER e KURT WEILL. Um repertório que somente os alemães poderiam “aquecer” com tal proficiência…
Ah, ia esquecendo, a dupla UNTHANKS, em disco ao vivo com músicas de ROBERT WYATT e ANTHONY and the JOHNSONS. Sopa fria, boa para verões quentes… no norte da Europa.
Pra terminar, o grupo americano BLACK TAPE FOR A BLUE GIRL, que talvez o ROBERTINHO conheça, e é a cara dele. Na postagem, um de seus não-hits recônditos: “”THIS LUSH GARDEN WITHIN”. É Dark Wave assumida e consumada.
Agora, eu vou pra piscina, aplacar o excesso de calor. Minh`alma refrigerada por tanta música alto-astral está fora de meu corpo…
INCLUSIVE UM BOX EXCLUSIVO, O “MORRETÃO” ACIMA À ESQUERDA!
NEM PROCUREM POR AÍ, PORQUE NÃO ENCONTRARÃO!
SÓ EXISTEM 4 CÓPIAS, EM CAIXAS DIFERENTES, COM DESIGNS PARA O MESMO CONTEÚDO. FORAM FEITAS UMA PARA CADA AMIGO QUE PARTICIPOU DE ALGUMA FORMA NO PROJETO, QUE VOU DESCREVER ABAIXO.
ESTA É A MINHA.
A HISTÓRIA É A SEGUINTE: HÁ UNS VINTE ANOS, EU E UM GRANDE AMIGO CONVERSANDO, CONCLUÍMOS QUE ERA POSSÍVEL CRIAR UMA COLETÂNEA DOS BEACH BOYS QUE FUGISSE DO ÓBVIO. E MANTIVESSE A MAIS ALTA QUALIDADE POSSÍVEL.
FIZEMOS!
ELE SELECIONOU 80 MÚSICAS, EM TRÊS CDS, GRAVADAS ENTRE 1962 E 1970, PERÍODO DE PRODUÇÃO MAIS IMPORTANTE DA BANDA. E FEZ PESQUISAS SOBRE TEXTOS RELEVANTES, PARA O PROJETO..
EU CUIDEI DA PARTE GRÁFICA E DA ARTE. PRODUZI AS CAIXAS E CRIEI COLAGENS E ETC E TAL…
FICARAM BEM INTERESSANTES.
Os seguintes são mais conhecidos.
O BOX THE ORIGINALS saiu em 1997, e traz a produção algo dissociada entre 1965 e 1967. Ou seja SURF BEAT e arremedos de PROTOPSICODELIA (SMILEY SMILE, 1967) São mini LPs bem feitos e de qualidade muito superior ao que as séries ORIGINALS se transformaram. Eu tenho outras edições individuais de cada disco bem melhores. Mas, esta é de estimação.
SMILE 1967/2011, projeto megalomaníaco tentado por BRIAN WILSON, em nome da banda, e que gerou imensas reações internas no grupo.
Aqui, na versão terminada em 2011. É CULT, mas não me convence. A somatória das faixas tentou ser uma espécie de compêndio particular da história musical americana.
Acho mal realizado e não suficientemente pensado. Mas, é minha opinião apenas…Muitos acreditam que supera PET SOUNDS. Eu discordo.
SUMMER DREAMS é uma coletânea de 1991. Vista geral de toda carreira, com um bônus de luxo: a versão de CALIFORNIA DREAMIN´, clássico absoluto dos MAMAS & THE PAPAS, em arranjo à BEACH BOYS, e a participação luxuosa de ROGER McGUINN, dos BYRDS, na guitarra. A música é, também, a cara dos BEACH BOYS!
PET SOUNDS SESSIONS, 1996. Eu tenho somente o BOX, sem qualquer recheio. Ganhei de um amigo.
Eu não compraria, porque demais para mim. Acho imersões em geral um exagero: muita coisa entre a masturbação pura e simples, e a completa falta de “ereção” artística. Bastam dois CDS: o original e as sobras significativas. O restante é pra fãs incondicionais.
Qualquer hora, uso esta caixa para algum projeto com a discografia dos BEACH BOYS adequada à época, e mais a meu gosto…
Agora, THE BEACH BOYS – SOUNDS OF SUMMER, THE VERY BEST OF…, CAPITOL, UNIVERSAL, 2022, é a COLETÂNEA IDEAL!!!
Oitenta faixas, abrangendo a carreira toda! Ótimas remasterizações. Acompanha BOOKLET com texto e fotos, em visão ampla, geral e irrestrita do percurso dos moços pela história da brilhante discografia que construíram!!!
Tudo o que importa em BOX/ALBUM com 3 CDS! E o preço final na porta de casa na faixa de $ 25 BIDENS!!!!!!!!!!!!!! Uns R$
140,00 MANDACARUS.
Assediem a FADINHA MASTERCARD, e a obriguem a trazer para vocês neste natal!!!
A sorte de nós, contemporâneos, e independentemente de idade ou geração, é termos acesso a material histórico, gravado em décadas anteriores, e recuperados por tecnologias que os trazem com excelente qualidade técnica para os dias de hoje.
É curioso acompanhar as discografias. Há uma característica mais ou menos comum aos “boxes” de CDS feitos dos anos 1990 em diante, principalmente no jazz.
Todos enfatizam e relevam as sessões de gravações, e seus inúmeros “takes” alternativos, OUT TAKES, e outros quitutes. Isto significou uma riqueza de músicas, arranjos, detalhes e técnicas artísticas. E, principalmente, o relançamento de álbuns originais, e a criação de vários outros que já despontam como clássicos.
E porque são!
Todos foram produtos de sessões de gravações recuperadas, geralmente as mesmas de onde foram retirados os discos originais.
Naqueles tempos, gravava-se em série diversas músicas, e depois selecionava-se o que sairia e o que seria arquivado.
Desse ponto de vista, e também do colecionismo, os boxes trazem a produção bruta e integral. Mas, nem sempre as capas dos discos originais e das edições posteriores do material lançados em outros discos, e todos novos clássicos e colecionáveis.
Por isso, é um misto de satisfação pela overdose, e frustração por termos de ir atrás, se quisermos, dos prodigiosos discos e suas capas concebidas originalmente.
A indústria musical sempre faturou e continua ganhando bastante grana conosco, os colecionadores. Eu sou exemplo: tenho quase tudo de BUD POWELL. No entanto, se aparecer uma nova seleção do mesmo, outra capinha, e se não custar caro, ela vem pra minha toca!
Colecionadores são todos infantis. Movem-se no lúdico!
POWELL era um gênio. Reconhecido por MILES DAVIS, CHARLIE PARKER, DIZZY GILLESPIE, THELONIOUS MONK, e o monte de gente com quem também gravou do final dos anos 1940 até meados da década de 1960: J.J.JOHNSON, MAX ROACH, SONNY ROLLINS, craques deste calibre.
Para muitos, BUD fui juntamente com CHARLIE PARKER – com quem não se dava bem – o maior nome da revolução ocorrida no JAZZ em meados do século passado.
O BE BOP, estilo que teve seu ápice nos ano 1940 e 1950, batizado com este nome porque os músicos associavam o andamento rápido, “notas pequenas” e dissonantes, ritmo sincopado e frases que às vezes terminavam abruptamente, com o atrito das marretas pregando trilhos nos dormentes de estradas de ferro!
JAZZ com inspiração nos barulhos que a sociedade Industrial produzia?
BUD POWELL viveu 42 anos. Teve a saúde fragilizada, inclusive a mental, depois de uma surra que levou da polícia ao ser preso por suposta vadiagem, no final dos anos 1940. Ele sofreu muito com diversas internações e acabou por pegar tuberculose, na Europa, que o consumiu e matou.
E para os que se recordam do filme “ROUND MIDNIGHT”, o músico representado pelo personagem de DEXTER GORDON, é um compósito entre BUD POWELL E LESTER YOUNG…
As coleção da BLUE NOTE está recheadas de obras primas. A da VERVE, também, que tem um acabamento gráfico belíssimo e luxuoso, com textos, e relatos de seguidores como HORACE SILVER e TOSHICO AKIYOSHI; fotos e tudo o mais.
Juntei ao material uma foto de POWELL com o trombonista J.J.JOHNSON, cool como quase tudo o que se refere àquele período rico, enfumarado, cult. E, também, um discasso de CHICK COREA chamado REMEMBERING BUD POWELL!
ALLAN BLOOM, crítico literário e cultural, classifica a gravação de “UN POCO LOCO”, pela BLUE NOTE, em 1951, entre as grandes obras de arte produzidas nos EUA! A música veio em três TAKES. É o piano rápido e peculiar de BUD POWELL, acompanhado por baixo, e principalmente pela bateria de MAX ROACH – que engata ao jazz uma percussão latina da pesada, quase trombando com o samba!!!