Parece que falta estudo para certos economistas brasileiros que tem espaço na grande mídia!!
Aliás, finalmente hoje à tarde a Globonews promoveu em debate entre economistas de diferentes pensamentos ( Gustavo Loyola e mais um outro economista x Gonzaga Belluzzo).
Sérgio de Moraes desculpe, mas na Constituição a função do BC não é só baixar a inflação!!!
“Missão Institucional do Banco Central do Brasil (BCB): Garantir a estabilidade do poder de compra da moeda, zelar por um sistema financeiro sólido, eficiente e competitivo, e fomentar o bem- estar econômico da sociedade. monitoramento e de supervisão dessas entidades.
E para isso o único remédio é aumentar o juros?
A nossa inflação não é devido a demanda!!
As empresas estão fechando, o desemprego aumentando, o juros real é o maior do mundo!!
Sérgio de Moraes nada é mais lesivo a população que o desemprego e a falta de dinheiro para comprar comida, o resto é papo furado de liberal que está se enriquecendo com a taxa de juros!!
Sérgio de Moraes mas o que o Campos Neto entregou de bom para o país nestes 2 anos de mandato? A Selic já está neste patamar desde 08/2022 e não vimos nenhuma melhora e as condições econômicas do país só pioram!!
Se vc fosse empresário, vc investiria na produção com uma taxa Selic neste patamar ou deixaria o teu capital aplicado?
Olha, amigão, com a visão que tenho hoje, eu aguardaria momentos melhores.
Mesmo porque passei a maior parte de minha vida adulta, e profissional, como pequeno empresário.
E, a maior parte do tempo , passei tentando investir e sobreviver.
Está errado. Gostemos ou não, a vida econômica e profissional de cada um de nós tem um lado de aposta e risco.
Nós últimos 25 anos, caí paulatinamente na real.
É preciso saber jogar, principalmente em um ambiente continuamente conflagrado.
Em resumo, em vez de bipar nos faz falta uma mesa de bar, para colocar mais claramente nossas vivências e as consequências que isto implica.
Eu digo hoje que você está certo em preservar sua poupança, porque mais tarde ela será re-canalizada para a produção. Mesmo que isto tenha resultado em concentração de renda.
O que sei – e a maioria do mercado sabe – é que não se aposta em governos, ou ondas.
Lula tem boas intenções. Mas, o mercado, esse ogro que congrega todos nós, precisa de garantias ou perspectivas .
Desde que entendo por gente,vejo esse amargo remédio sempre sendo utilizado pelos economistas. Nunca vi essa receita dar certo. Me desculpe mas a incompetência desse caras é muito grande. Os juros brasileiros independente das taxas de inflação sempre foram astronômicos. Somente os bancos se dão bem .
Hoje, o Habeas Corpus do Lula será decidido pelo Supremo. Confesso que estou chateado. Não pelo que poderá acontecer a Lula, a meu ver merecedor das condenações que recebeu, mesmo que por associação de fortíssimos indícios comprobatórios e não apenas por provas explícitas – que existem, sim!
Mas, estou triste pelo vexame institucional que a política e os políticos brasileiros vêm causando.
As trapalhadas e crimes durante o governo LULA pontificaram e expandiram ao inaceitável. Não é legal viver num país que, nos últimos 55 anos, não teve quaisquer dos governos atuando em condições normais.
Não vou descrever de JÂNIO a TEMER a sucessão de intempéries que temos passado. É só ir ao Google.
Agora, é preciso posicionar o LULA no quadro histórico brasileiro. Ele é e foi um personagem suis-generis, um SELF-MADE MAN. Caminhou do absolutamente nada para a PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA, trajetória que exige competência política e talento.
Não entro nessa de que é ( era) ignorante e não deveria ter sido eleito, e por dois exemplos históricos notórios:
ERNESTO GEISEL, General Presidente entre 1974 e 1979, era o mais preparado entre os ditadores. Conhecia a burocracia e o poder, passou por cargos na administração pública dos anos 1930, em diante. E tinha um projeto de país.
Fracassou redondamente! Ele não entendeu o seu tempo e lutou contra as mudanças que o mundo impunha. E nos condenou ao fracasso econômico nos anos 1980.
Quase a mesma coisa se pode dizer de DILMA ROUSSEFF. Preparo é insuficiente se você não for um estadista, alguém com sensibilidade política, e senso de oportunidade.
Do ponto de vista administrativo, o primeiro governo LULA foi muito melhor que os dois citados. Simplesmente porque montou equipe de gente não comprometida ideologicamente, seguiu o que deu certo no governo FHC, e tocou o barco.
Mas, parou na corrupção instrumentalizada, origem do seu calvário, hoje.
E, à partir do segundo mandato e todo o governo DILMA, instalaram o projeto petista, esse horror de incompetência, autoritarismo, irrealismo, corrupção, irracionalismo, estatismo e corporativismo desvairado.
Quem conhece um pouco de economia sabia que não poderia dar certo. Como não deu, e acabou em IMPEACHMENT.
Eu fico chateado porque uma criatura diferenciada, e um dos políticos mais interessantes do nosso tempo, que poderia ter sido ainda mais útil ao país, tenha se tornado tão igual e até pior dos que sempre criticou.
Com a queda de Lula perdemos todos. Porque reflete a nossa mediocridade estrutural, o sentimento de que por aqui nada funciona…
A queda de LULA e DILMA, somadas à incapacidade do PSDB, e da sociedade como um todo para gerar uma opção de CENTRO, estão na gênese da candidatura BOLSONARO.
Mais um flerte com o extremismo e o fracasso!
Será que merecemos tais castigos? Texto original de 22/03/2017
Entre 1963 e 1965, os BEATLES gravaram 99 músicas, fizeram dois filmes de sucesso “A HARD DAYS NIGHT’ e “HELP”, ambos em 1964. Viajaram se apresentando mundo adentro, explodiram em sucesso global.
A BEATLEMANIA espalhou o novo POP, e confirmou o conceito de tietagem já experimentado por ELVIS PRESLEY, FRANK SINATRA e outros, no passado não distante.
Mas, grana conseguiram relativamente pouca. Muito trabalho e recompensa financeiramente medíocre pelo empreendedorismo e criatividade, e a influência cultural reconhecida.
Verdade: na Inglaterra da época, os impostos ultra extorsivos levaram artistas e outros ricos a emigrarem; houve fuga de capitais e investimentos. É bom pensar nisso para compreender os limites da extração fiscal …
A canção TAXMAN expressa a revolta dos BEATLES contra o Fisco inglês.
REVOLVER, O ÁLBUM
Do ponto de vista artístico é obra marcante.
Por exemplo, o guitarrista GEORGE HARRISON em várias faixas se inspira, na minha opinião, no JEFF BECK “yardbirdiano” e sua guitarra eivada por recursos e sonoridades inovadoras, com muito uso da distorção, sempre controlada mas onipresente, como determinava o figurino. Eram tempos de PSICODELIAS…
REVOLVER mantém a marca dos BEATLES desde RUBBER SOUL, também de 1965. Explosão de ousadias, novas ideias, inovações técnicas e artísticas, vinham num crescendo.
E a preservação dos “Backing Vocals” consagrados de JOHN, PAUL e GEORGE, da bateria eficiente de RINGO STARR, e a produção de GEORGE MARTIN, garantem a identidade marcante do grupo.
Se destaca em REVOLVER a consistência melódica de tirar o fôlego na imensa maioria das composições do quarteto. As músicas são todas diferentes entre si, independentemente da tendência estilística.
Em TAXMAN, por exemplo, a remixagem de GILES MARTIN destaca GEORGE no centro e mais à direita. O baixo de PAUL McCARTNEY está na caixa esquerda, com LENNON na outra guitarra mais atrás. A nova mixagem deixou a música muito mais equilibrada. Abriu espaço para a expressão de cada um deles, submersas nas edições anteriores.
No disco há para todo gosto. Do romantismo de “HERE, THERE AND EVERYWHERE”, até a fantástica “FOR NO ONE” e seu arranjo sofisticado.
Estão lá, também, o R&B de “GOT TO GET YOU INTO MY LIFE”. O PÓS – BEAT ROCK em transição “DR. ROBERT”; e o SUNSHINE POP de “AND YOUR BIRD CAN SING” – em que a guitarra RICKENBACKER tocada por GEORGE, soa ao estilo de ROGER McGUINN, nos BYRDS – grupo americano ícone daquele momento.
O álbum, em geral, tende ao ROCK PSICODÉLICO, com uso de técnicas de estúdio e ELETRÔNICA DE VANGUARDA – para aqueles tempos – em nítido objetivo de transpor os limites do POP usual.
Ouçam “I’M ONLY SLEEPING”, “TOMORROW NEVER KNOWS”, “SHE SAID, SHE SAID”, “I WANT TO TO TELL YOU”, e “GOOD DAY SUNSHINE”. Prestem atenção na fantástica mixagem para o “STEREO” dos SINGLES “”RAIN” a “PAPERBACK WRITER”, que revelam outro mundo!
E sem esquecer YELLOW SUBMARINE, pensada desde o início para RINGO cantar. É “MÚSICA PARA CRIANÇAS” com velados respingos “alucinógenos”… Talvez uma sutil lembrança de outro clássico da “inocência envolvida em fumaças mágicas”: “PUFF…THE MAGIC DRAGON, gravada por PETER, PAUL & MARY, em 1963. Canção que o tempo redefiniu seu “verdadeiro” conteúdo.
É interessante observar a influência do hinduísmo e do misticismo, vividos por todos eles em meados da década de 1960, e representados em arranjos com SITAR, TABLAS e TAMBOURA. A espetacular LOVE YOU TO é deferência ao clima musical desafiador daqueles tempos.
O álbum inteiro é excelente. E seu ponto mais alto e definidor é a melhora técnica exponencial:
“ELEANOR RIGBY” foi ideia concebida por McCARTNEY, depois de ouvir as 4 ESTAÇÕES DE VIVALDI, principalmente o “INVERNO”. GEORGE MARTIN criou o arranjo emulando o “PADRECO”, misturando a obra dele aos picos de suspense da trilha do filme “PSICHO”, de “ALFRED HITCHCOCK”. Lembrem-se da cena antológica onde a personagem é esfaqueada durante o banho!
Resumindo, a combinação de “dois clássicos” gerou uma das melhores músicas da história do ROCK, até hoje CULT e reverenciada.
O fantástico REMIX atual faz juz à obra de arte!
“ELEANOR RIGBY”, é correta e magnificamente cantada por PAUL McCARTNEY, que está posicionado no centro da faixa.
O DUPLO QUARTETO DE CORDAS, com 4 VIOLINOS, 2 VIOLAS e 2 CELOS, perfeitamente dispostos no estúdio, cria um som impactante!
O coro formado por GEORGE, PAUL e JOHN, também está ao centro da faixa, porém posicionados e mais atrás de PAUL. O palco sonoro conseguido nessa nova mixagem é de tirar o fôlego!!!! Intensa, e talvez definitiva!
Há gravação alternativa das cordas, no segundo disco. Mas, soa “clássica” demais… A opção escolhida foi acertadíssima.
O álbum inteiro melhorou muito do ponto de vista técnico e sonoro! Vou falar “como foi conseguido” mais à frente.
REVOLVER E ALGUMAS EDIÇÕES HISTÓRICAS
Não sou BEATLEMANÍACO, mas coleciono discos da banda.
Estes aqui são as versões que tenho e mantenho.
De maneira geral, as versões em ESTÉREO mixadas por GEORGE MARTIN são ruins. Emboladas. A pior delas é a primeira edição em CDS: HORROROSA.
a captação das gravações feitas por GEOFFREY EMERICK, em minha opinião deixam algo a desejar. O som “transborda”, e não se define com clareza…
Por isso, eu prefiro as mixagens feitas em MONO. O resultado é mais natural, mais bem distribuído no palco sonoro criado pelas duas caixas.
Entre as gravações MONO que ouvi, a melhor de todas foi a utilizada na edição americana lançada pela CAPITOL, em 1965. O disco está abaixo e ao centro.
Vocês conhecem as primeiras gravações ao VIVO dos ROLLING STONES, lançadas em EP chamado “FIVE BY FIVE”, e depois ampliadas, em 1966, para o LONG PLAY com o nome de “GOT LIVE IF YOU WANT IT”?
Pois bem, ali fica muito claro o que era remixar para o ESTÉREO o que estava feito em MONO com baixa qualidade: em uma das caixa toca a banda. Na outra, apenas MICK JAGGER canta ( e mal ), e bate palmas. O resultado técnico é horroroso! Mas, quem ligava pra isso? O SHOW é demoníaco! Bom demais!!!!
Foi esse tipo de problema que GILES MARTIN e equipe conseguiram resolver!
A NOVA MIXAGEM 2022
Antes de tudo, é bom lembrar que estúdios mais sofisticados com doze, dezesseis canais, só apareceram em torno de 1967. O álbum SGT. PEPPERS, dos BEATLES, já foi gravado com muito mais recursos do que REVOLVER.
Dito isso, vamos combinar que fazer MIXAGENS ou REMIXAGENS é arte combinada à técnica. Se o trabalho for refinado, a diferença no resultado é abissal!!!!
Há semelhanças com a montagem de um filme. Onde o diretor orienta o trabalho dos atores, e também dos câmeras, da fotografia, etc…, e diz como e o quê deve ou não ser filmado.
A arte do montador realça, constrói a narrativa visual das ideias pretendidas.
O diretor de cinema tem função similar à do produtor de discos, que organiza a história “gravada”. A incumbência do engenheiro de gravação é fazer a música tocada pelos artistas soar conforme o planejado, e com boa qualidade para o passo seguinte: as mixagens.
A dificuldade encontrada por GEORGE MARTIN para remixar a edição original de REVOLVER para o STEREO, estava nos limites técnicos da captação da música gravada.
Os BEATLES gravavam direto, e as técnicas existentes em 1965 não permitiam, em cada um dos QUATRO CANAIS, que instrumentos ou vozes, fossem totalmente isolados. A música soava em bloco.
Mas, o problema foi contornado, e quem sabe resolvido com técnica desenvolvida na indústria cinematográfica.
Os filmes, em geral, carregavam um problema de “ruído” nos diálogos, muitas vezes inaudíveis, porque encobertos por outros sons gerados durante as filmagens das cenas.
No projeto do filme GET BACK, a equipe do cineasta PETER JACKSON usou uma nova tecnologia para “de – mixar” e separar dentro de uma cena algum diálogo mal captado, e remontá-lo de maneira audível.
A “de-mixagem” deu flexibilidade para que o projeto se tornasse possível. O que GILES MARTIN e sua equipe fizeram foi adaptar essa nova “técnica” para separar as vozes das guitarras, bateria, baixo, etc… que estavam embolados dentro de cada canal. O resultado foi a “MAGIA DA TECNOLOGIA”, e tudo soou com mais nitidez, recuperando alguns detalhes perdidos.
De posse desse novo acervo, GILES seguiu o mais à risca possível a receita original de GEORGE, seu pai. E remontou REVOLVER em ESTÉREO, e com muito mais equilíbrio.
Por respeito à história do disco e dos profissionais envolvidos, talvez uma REMIXAGEM em MONO, com esses novos recursos, jamais seja feita.
Mas, que deixa a gente curioso, ahhh isso deixa!!! Postagem original: 20/03/2023
O QUE DEU NO “TIO SÉRGIO” EM POSTAR, NA MESMA FOTO, DOIS MONUMENTOS À ALEGRIA DA DÉCADA DE 1960, E O TALVEZ MAIS BELO E GRANDIOSO TRIBUTO À DEPRESSÃO GRAVADO NOS 1980? EU ESCLAREÇO: NADA MAIS ALEGRE E ALTO ASTRAL DO QUE OS CALIFORNIANOS “MAMAS & THE PAPAS” E “THE BUFFALO SPRINGFIELD” – BANDA QUE REVELOU “NEIL YOUNG” E “STEPHEN STILLS” – TIDOS COMO REPRESENTANTES DO “SUNSHINE POP” E DA “PSICODELIA SOFT” DE SEUS TEMPOS. EM CONTRAPONTO, O PROJETO INGLÊS “THIS MORTAL COIL” – TRADUZINDO APROXIMADAMENTE, “ESTA GERINGONÇA MORTAL” -, QUE PRODUZIU NA DÉCADA DE 80 OBRAS DE ARTE DO QUE VIRIA SER O “ROCK GÓTICO”. “T.M.C” , UM PROJETO, MAIS DO QUE UM GRUPO, CRIOU CANÇÕES ORIGINAIS E, PRINCIPALMENTE, VERSÕES DE OUTROS DEPRESSIVOS DE DÉCADAS ANTERIORES. O QUE APROXIMA O “THIS MORTAL COIL” AOS DOIS OUTROS SÃO AS ESCOLHAS QUE FIZERAM DE MÚSICAS DOS “BYRDS”, DE “GENE CLARK”, DO “SPIRIT”, DE “TIM BUCKLEY”, ENTRE VÁRIOS, TODOS PRÓXIMOS AOS “HIPPIES” E AO “SUNSHINE POP”. PORÉM, FIGURAS SOMBRIAS E DEPRESSIVAS, O QUE OS LIGOU À PERSPECTIVA DESSES INGLESES, QUE OS HOMENAGEARAM COM O SOL, A LUZ, E O CALOR TÍPICO DAS ILHAS BRITÂNICAS – EU IRONISO, SE VOCÊS ME ENTENDEM… O RESULTADO NOS LEMBRA QUE SUPOSTAS E EXORBITANTES ALEGRIAS, MUITAS VEZES ESCONDEM ALMAS PENADAS E PENALIZADAS… ESCUTEM OS TRÊS. CADA UM A SEU TEMPO E HORA. OU TODOS JUNTOS, DEPENDENDO DE COMO VOCÊ PERCEBE O MOMENTO… A VIDA REAL É MAIS PRÓXIMA AO PURGATÓRIO DO QUE “ASTRUD GILBERTO’ CANTANDO “GAROTA DE IPANEMA”, OU THE”ASSOCIATIONS”, CANTANDO “WINDY… Postagem original: 20/03/2018
ELA É UMA DAS PRECURSORAS DA SOUL MUSIC. VOCÊS CONHECEM ARETHA FRANKLIN? OU GLADYS KNIGHT? CLARO, NÉ! VEJAM A VOZ E COMO CANTAVA ESSA PRETINHA, UNS DOZE ANOS ANTES DAS OUTRAS.! FOI UMA DAS TRANSIÇÕES DO R&B COM TOQUES GOSPEL PARA A BLACK MUSIC MAIS SECULAR. FAYE ADAMS FOI SUCESSO ENTRE 1953 E 1955. EM 1962, GRAVOU SEU ÚLTIMO SINGLE PARA A “PRESTIGE” , E RETIROU-SE DA MÚSICA SECULAR. PROCUREM NO YOUTUBE. ELE É UM CLÁSSICO! AQUI, EM UMA MISCELÂNEA DA “BEAR FAMILY RECORDS”. POSTAGEM ORIGIANAL 20/03/2020
Leonardo Sakamoto é um jornalista competente, com texto claro e conciso, e muita gente gosta do que ele escreve. Lê-lo é interessante, porque seus temas abrangem o pensamento dos mais jovens, seus comportamentos, atitudes e opiniões a respeito do Brasil moderno. Ele é uma referência para muitos.
Eu acho que seu texto leve e melífluo o coloca ao lado de Lya Luft, colunista da Veja, sua equivalente à direita. Ambos são pouco intensos e passam mensagens politicamente corretas para um público amplo, que prefere ver a política e seus conflitos com um toque humanitário, ainda que realista. É opção de estilo, eu entendo.
Mas, acho que os dois são chatos, e sem substância. É como escutar um Cd do PHIL COLLINS, comer sushi todos os dias, ou ler horóscopo; dá fome, no final.
Eu discordo política e ideologicamente do moço. Mas, o Leonardo tem sido ameaçado por alguns boçais e, por isso não está aceitando críticas e outros acessos em seu blogue.
No início, achei frescura de quem a cada dia é mais contestado por sua postura, em um Brasil que está novamente mudando. Mas, não é. Ele foi fisicamente ameaçado, e isso é inconcebível.
O Leonardo tem todo o direito de escrever o que quiser, pensar o que quiser, e os seus leitores e eventuais contestadores tem o direito de ler, concordar ou discordar.
Eu sempre achei que uma das falhas culturais do Brasil, no início dos anos 1960, foi a ausência de um debate através da mídia entre os contendores de esquerda e de direita. Eu penso, até hoje, que se o ROBERTO CAMPOS e o CELSO FURTADO tivessem suas ideias colocadas em jornais, talvez no exercício de contraditório propiciassem a diminuição das tensões políticas.
Afinal, falar ou escrever, controla a agressividade e serve como terapia: coloca o contendor como adversário racionalmente compreensível. Acho que as chances do golpe, em 1964, poderiam ter diminuído.
Os franceses se estranharam e se odiaram pela mídia, nos conflitos de 1968. SARTRE e RAIMUND ARON só faltaram se pegar a tapas. O mesmo aconteceu no resto do mundo.
Hoje, estamos nos estranhando, nos isolando e, talvez, o que está acontecendo ao Leonardo Sakamoto seja uma advertência contra a intolerância. Permitir tal nível de agressão é abrir as portas do proto-fascismo e do autoritarismo.
P.S: eu também escrevi bobagens sobre ele, porque não observei o avanço da boçalidade. Peço desculpas.
Estou postando coisas contraditórias e controversas. Artistas variados que talvez tenham nos ruídos e no barulho o cerne desses discos. Alguns também têm fogo pingando, mesmo que lenta e controladamente…
Seriam?
Anos atrás, na revista RECORD COLLECTOR, o entrevistador perguntou a JOHN MAYALL por que o BLUES fez tanto sucesso entre os jovens ingleses em meados dos anos 1960?
Resposta de um cara de mais de 85 anos e 60 de carreira: “porque é música feita com instrumentos elétricos e amplificados, e tem base perceptível no sentimento. Ao vivo é muito legal assistir, e é dançável”. Eu complemento: mesmo que as letras às vezes pareçam tristes, elas são jocosas, berradas, picantes e iconoclastas. Prato cheio para os jovens…
ROGER MCGUINN, guitarrista dos BYRDS, expressou com onomatopeia o porquê do som da banda: CRRRSSSHHHH: o SOM dos MOTORES, da VELOCIDADE e o barulho dos AVIÕES!
Pulei pra frente e achei lugar para o barulho supremo no ROCK: O HEAVY METAL e suas metástases!!!
O RUÍDO e o BARULHO nos acompanham na vida urbana, desde a segunda metade do século vinte… É “perfeitamente audível”, claro!
Coadjuvantes como sirenes, motores barulhentos, freadas e pneus cantando; juntam-se aos carros de bombeiros, de polícia e ambulâncias; e, também, ao martírio atual causado por betoneiras concretando prédios madrugadas adentro! Esqueci os templos e os bares? Não esqueci não.
Esta plêiade sinistra compõe a MÚSICA INCIDENTAL URBANA. Ela se instala no interior de nossos cérebros, e adeus sono, paz e sossego!
Se a arte imita a vida, tudo fica muito bem exposto na MÚSICA:
DAVID GILMOUR, criou o álbum, “RATTLE THAT LOCK”, 2015, depois de ouvir o sinal para embarques numa estação de TRENS na FRANÇA. Daquele fragmento sonoro emblemático, ele compôs um HIT…
Que tal reavivar o CULT contemporâneo “CERIMONY, AN ELECTRONIC MASS”? É álbum de música eletroacústica amalgamada ao ROCK. Foi composta pelo compositor de vanguarda francês, PIERRE HENRY, e o tecladista e cantor GARY WRIGHT, e gravado há mais de meio século, em 1969, pelo grupo inglês SPOOKY TOOTH. A capa “descreve” o conteúdo!
Está entre as primeiras articulações criativas de sons, vozes e RUÍDOS, eivado por… ROCK! Inestimável e inesquecível!
Vamos incluir BRIAN ENO e sua organizada e sutilmente ruidosa AMBIENT MUSIC? Claro, sem ele grande parte do que ouvimos, hoje, não teria sido proposto e criado…
Encontrei no subsolo de minha mente a balbúrdia “INDUSTRIAL ROCK”. Talvez os perpetradores mais famosos sejam os britânicos THROBBING GRISTLE, já em 1977, com THE SECOND ANUAL REPORT. Os integrantes do grupo têm nomes inacreditáveis e adequadamente sonoros, como GENESIS PORRIDGE, COSI FUN TUTTI, etc… Vá ao GOOGLE, lá você saberá…
E busquei na “graxa” os alemães do EINSTÜRZENDE NEUBAUTEN, com suas chapas de metal, britadeiras, serrotes, facas, eletrodomésticos e tudo o quê “barulhasse”. RUÍDOS+BARULHOS = SOM RUIDOSO E BARULHENTO…. ora, pois pois…
E achei o KRAUTROCK, em sua acepção original, compósito de eletrônica e ruídos. E Os DJS, heim?!?! Por décadas, e mundo afora, recortando e colando sons, músicas? Estratégias para preservação do ruído, e do barulho – e por decorrência…
Fui buscar na estante “CABEÇA” de WALTER FRANCO. E “ARAÇA’ AZUL”, de CAETANO VELOSO. Ruídos propositais e estruturados, e de algum jeito descendentes da MÚSICA ELETROACÚSTICA, de STOCKHAUSEN, LUKAS FOSS, e outros tantos e tontos….
Ahhh, e a nossa gênio, JOCY DE OLIVEIRA, 84 anos, compositora, pianista, professora e articuladora de ruídos e sonoridades; a pioneira da música eletrônica no BRASIL, no cenário desde o final da década de 1950? Ela se recusava a repetir o passado, então… pulou direto para o futuro…
Eu trouxe, também, para o banquete TERRY RILEY, compositor erudito contemporâneo, que sutilmente um habitante desse cosmos ruidoso. Você conhece “IN C”, 1968, sua obra mais famosa? É considerada a primeira composição MINIMALISTA.
Mas, TIO SÉRGIO, é barulhenta? Não. Mas, é articulação de notas repetitivas no piano e outros instrumentos. O efeito seria uma sequência de ruídos organizados?
E por falar em “MÚSICA CLÁSSICA, eu duvido que no século XIX RICHARD WAGNER não tenha causado furor e indignação! Se você já ouviu as introduções das óperas do ciclo “OS ANÉIS DOS NIBELUNGOS”, vai escutar uma parafernália de RUÍDOS, DISSONÂNCIAS e o BARULHO CRESCENTE da ORQUESTRAÇÃO enchendo o teatro!!!
MANTOVANNI e MELACHRINO, maestros da suavidade, e das orquestrações inofensivas nas décadas de 1950/1960, jamais regeriam WAGNER, que é “tamanco sem couro”: pau puro!
O mesmo se poderia dizer do estoniano ARVO PART, o maior compositor erudito contemporâneo? Formalmente, é um “conservador”. Mas, que provocaria “INCÊNDIO TOTAL COM SUAS COMPOSIÇÕES”, nas palavras de MICHAEL STIPE, vocalista do R.E.M – e personagem insuspeito de leniência, quando o assunto é transgressão, iconoclastia e barulho! Julgue você…
Para colorir a tela, vou contar “exemplo edificante”, que eu li pelaí:
O “MINISTRY”, foi fundado por ALAIN JOURGENSEN. Era banda barulhentíssima que iniciou no SYNTH POP, e migrou para o ROCK INDUSTRIAL. E, com o tempo, os membros descambaram “barulhagem” adentro…
Certo dia, ALAIN estava em um estúdio ao lado de outro onde ERIC CLAPTON estava gravando. Não se sabe exatamente o quê aconteceu; ouviram uma enorme explosão! E todo mundo saiu correndo para ver! CLAPTON, inclusive: Era o JOURGENSEN testando novas mixagens, altura, volume…coisas leves… bobagens…
É claro que não foi e não é só isso; porque os numerosos e contraditórios estilos e tendências sempre convivem!
Mas, nem pense em escutar música de vanguarda dos últimos 150 anos, sem considerar o BARULHO, RUÍDOS – e altos volumes sonoros em sua criação ou execução.
BARULHO e RUÍDOS são traços, sim, da ICONOCLASTIA e da JOVIALIDADE. Mesmo quando santos e velhinhos fazem das suas, né, KEITH JARRETT e seus gritinhos? Oba, GLENN BRANCA – que inspirou o SONIC YOUTH. E cadê o YNGWIE MALMSTEEN e o DEEP PURPLE & ORQUESTRA??? Gandaia de roqueiros fingindo serem clássicos?
Há um INFERNO de altíssimos DECIBÉIS; e um SANSARA de RUÍDOS. E, também por isso a vida moderna tornou-se um contínuo PURGATÓRIO.
E não adianta internar-se em TEMPLOS ou MOSTEIROS, e onde houver religiosos:
Essa gente é barulhenta pra caramba!!!!! Postagem original 19/03/2024