ALVARENGA E RANCHINHO E AS BASES DO COUNTRY ROCK.

Muita gente atribui ao álbum Sweetheart of the Rodeo, dos Byrds, o marco zero do country rock americano. O que essa muita gente não sabe é que tudo começou mesmo foi no palco do Cassino da Urca, no Rio de Janeiro, na década de 40.

Nessa época o governo americano estreitava sua política de boa vizinhança com a América Latina e, em especial, com o Brasil, cujos políticos no poder tinham lá suas quedinhas pelos almofadinhas de Hitler. Nessas missões diplomáticas, além de Walt Disney e Orson Welles, vários empresários americanos vieram para o nosso país dar início a acordos comerciais. Um deles foi Ingram Cecil, apelidado Coon Dog, um famoso e condecorado ás da aviação que esteve em Pear Harbor durante o bombardeio japonês. Ele representava a família de sua esposa Avis Connor, maiorais da citricultura no Estado da Geórgia.

Durante sua estada no Rio de Janeiro, Coon Dog virou arroz de festa dos shows do Cassino da Urca, onde assistiu e se apaixonou pela dupla caipira Alvarenga e Ranchinho, frequentadora da casa desde que os dois se mudaram para o Rio em 1936 vindos de São Paulo. Uma sólida amizade nasceu entre Alvarenga e Dog que não findou com a volta do empresário para os EUA, carregado de discos e partituras autografadas da dupla.

Em 1946, Avis Connor deu à luz o filho do casal, Ingram Cecil Connor III, que durante a infância adorava ouvir do pai suas aventuras na guerra e no Brasil, ao som dos discos de Alvarenga e Ranchinho. Alvarenga, aliás, foi convidado pelo orgulhoso pai para ser padrinho da criança, mas compromissos inadiáveis da dupla, em fase de muito sucesso no rádio e no cinema, impediam que qualquer um deles saísse do Brasil. Uma enorme correspondência, entretanto, foi trocada entre Brasil e EUA, com outros vários discos da dupla sendo enviados para alegria do pequeno Ingram que, desde cedo, tinha evidente inclinação para a música.

Dois fatos, porém, mudaram a vida do garoto na segunda metade dos anos 50. Uma foi a descoberta de Elvis Presley que, junto de Alvarenga e Ranchinho, estava entre suas maiores influências musicais. A outra foi a morte do pai, que se suicidou poucos dias antes do Natal de 1958 depois de uma prolongada depressão agravada pelo alcoolismo. A mãe, também alcoólatra, não demorou muito para se casar com Robert Parsons, cujo sobrenome foi adotado por Ingram.

Ao longo da metade da década de 60, o jovem Ingram Parsons (que logo mais encurtaria o nome para Gram) e Alvarenga ainda trocaram fotos e alguma correspondência. O jovem então morava na Flórida e estudava na Bolles School, já se dedicando à música e formando grupos com seus colegas. Em 1965, ano de sua formatura, sua mãe pagou o preço de anos de alcoolismo e morreu de cirrose. Nunca mais Alvarenga recebeu notícias de Gram Parsons.

Parsons ainda estudou um semestre de teologia na Universidade de Harvard, mas estava mais interessado em folk music e tinha acabado de conhecer o som country de Merle Haggard que, segundo ele, tinha muita semelhança com o que ouvia na infância nos discos de Alvarenga e Ranchinho. Resolvido a virar músico, forma a International Submarine Band e muda-se para Los Angeles em plena psicodelia onde, em 1967, grava o disco Safe at Home que só seria lançado em 1968, após o término da banda.

Nesse ano, após a saída de David Crosby e Michael Clarke, os remanescentes da banda The Byrds, Roger Mc Guinn e Chris Hillman, renovam seu contrato com a Columbia e começam audições com novos músicos candidatos a integrar a banda. Foi nessas que Gram Parsons acabou sendo recrutado por Hillman. Quando a nova formação, acrescida de Kevin Kelley, entrou em estúdio para a gravação de Sweetheart of the Rodeo, lá foi Gram Parsons com seus discos de Merle Haggard e antigos bolachões 78 rotações de Alvarenga e Ranchinho.

O resto é história.

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Sérgio de Moraes

Cara, é indescritível a minha surpresa!!!!!! Que história improvável e maravilhosa. Permita que eu ache um jeito de arquivá-la e, por favor, repasse nos grupos junto com o Alvarenga e Ranchinho. Eu sou cheio de recordações, vivências e memórias. Mas, esta? Talvez seja a melhor que li!!!!!!
POSTAGEM DE UM AMIGO, FABULOSA RESENHA FICCIONAL DE 20/03/2020

OS “ENVIAGRADOS” FILHOS DE EVA…

Tio Sérgio, “All Along The Watch Tower”, – Oi, HENDRIX, tudo bem por aí na eternidade? – em seu púlpito silencioso à beira mar já viu coisas que DEUS e o diabo levaram pra discutir no purgatório, sem chegar a conclusão sobre o quê fazer…
E nem poderiam.
Porque, a rigor, ambos têm nada a ver com isso!
Vamos combinar que a saga humana tem seus espaços de liberdade, e certamente os dois partidos polarizados aí sabem disso. Será que respeitam?
Não foi a primeira vez e nem será a última – e ainda bem! Só que hoje foi quase cômico, pra não dizer patético.
Pra variar dois jovens, menino e menina – e sabem o Céu e o inferno por que? – decidiram queimar incenso no altar de Eros bem em frente ao meu prédio! Lugar movimentado, porque ponto turístico…
Mas, sei lá, entende, subiram a rua a pé e pararam numa quina de muro em frente ao mar…e partiram pros prolegômenos…
Estavam vestidos. Tentaram blindar excitações, achar espaços no corpo pra ver se uma nave se acoplava à outra.
Eu de dentro da piscina não acreditei! Era impossível! Já tinha visto situações logisticamente mais favoráveis, em outros cantos…
Mas ali? E ainda a pé?
Aos poucos, foi chegando mais gente. E os dois disfarçavam um pouco. Mas, quando ficavam segundos sozinhos, voltavam ao “clinch”, luta livre…Fizeram incontáveis tentativas. Não rolou. E desceram a rua abraçados e rindo.
Fiquei com pena!
Mas, era muita burrice misturada a tesão incontrolável! O menino estava nítida e naturalmente “enviagrado”. E a garota em pré- fúria uterina…
E eu me recordei da última frase de CONTRAPONTO, romance de ALDOUS HUSLEY, ainda lido na minha geração, em que dois personagens acabam transando no banho…
“Desses será o reino dos céus “…
Postagem original 17/03/2022

SOUTHSIDE JOHNNY AND THE ASBURY JUKES 1976/1981 – R&B DANÇÁVEL E ADJACÊNCIAS!

BOM DEMAIS !

LÁ POR 1977 EU ASSISTI, NA TELEVISÃO, CLIP DE UM DE SHOW DELES. ESTAVAM EM PLENA ASCENÇÃO. EXCELENTES! COM O TEMPO, COMPREI VÁRIOS DISCOS DA BANDA.

“SOUTHSIDE JOHNNY & THE ASHBURY JUKES” FAZIAM UM R&B ANIMADO, DANÇÁVEL E POPULAR. MESCLA BEM ESTRUTURADA DE ROCK AND ROLL, DOO-WOP, R&B, SOUL, FUNK, UM X TUDO QUASE-JAZZ, E TUDO O QUE ERA E É LEGAL EM MÚSICA NEGRA AMERICANA!

HAVIA DETALHE FASCINANTE: “JOÃOZINHO ZONA SUL” É BRANCO, E SUA EXCEPCIONAL BANDA, TAMBÉM! ELE FOI EXCELENTE CANTOR DESSA VERTENTE, ATÉ O FINAL DOS ANOS 1980. MAS, PERDEU A VOZ. E, TALVEZ GANDAIAS EM EXCESSO O TENHAM TIRADO DE FOCO!

JOHNNY LION SE COMPORTAVA E FALAVA COMO MALANDRO AMERICANO DE PERIFERIA. MAS, CANTAVA DEMAIS! TINHA VOZ DE BARÍTONO, POTENTE, BELÍSSIMA, TIMBRE LEMBRANDO UM QUÊ DE FRANK SINATRA; E UM BAITA CARISMA NO PALCO!

A BANDA, MUITO GRANDE, TINHA NAIPE COMPLETO DE METAIS, COM SAX , TROMPETE, ETC; DUAS GUITARRAS, BAIXO, BATERIA, TECLADO E BACKING VOCALS! PIQUE GRANDIOSO!!!

JAMAIS ENTENDI POR QUE NUNCA FORAM CONVIDADOS, NA ÉPOCA, PARA UM DOS INCONTÁVEIS FESTIVAIS DE BLUES, JAZZ, E O ESCAMBAU A QUATRO, REALIZADOS POR AQUI, EM “PATO’POLIS”!

TERIA SIDO SUCESSO INSTANTÂNEO E FULMINANTE!

EM MEADOS DOS ANOS 1970, HAVIA DOIS GRANDES NOMES EM NEW JERSEY: “BRUCE SPRINGSTEEN” E “SOUTHSIDE JOHNNY”. ALIÁS, OS DOIS ERAM AMIGOS DE COMER PIZZA JUNTOS; E ABRIR SHOWS UM PARA O OUTRO.

NA DÉCADA DE 1980 DESPONTOU MADONNA, AMIGA E PRÓXIMA DA TURMA DE AMBOS. E, DOS 1990 EM DIANTE, REINOU BON JOVI, QUE REVERENCIA OS TRÊS! BOBBY BANDIERA, EX-GUITARRISTA DOS JUKES, HOJE TOCA COM O “BON JOVI”.

SE HOUVER UMA COMPARAÇÃO POSSÍVEL, MESMO INEXATA, EU DIRIA QUE O NOSSO “TIM MAIA” TINHA CARACTERÍSTICAS DO “SOUTHSIDE”…

A VERSATILIDADE QUE JOHNNY DEMONSTRA EM DIVERSOS GÊNEROS DA MÚSICA NEGRA O DISTINGUE. ELE É BOM DE R&B, SOUL E NO ROCK AND ROLL OLD SCHOOL.

OS CINCO PRIMEIROS DISCOS AQUI NA POSTAGEM, FLUTUAM ENTRE O MUITO BOM E O EXCELENTE.

OS TRÊS INICIAIS, GRAVADOS NA COLUMBIA RECORDS, E PRODUZIDOS POR “STEVE VAN ZANDT”, TÊM PARTICIPAÇÃO ESPECIAL DE ARTISTAS IMPORTANTES, COMO “RONNIE SPECTOR”; E DOS VETERANOS GRUPOS DE “DOO-WOP”: “THE DRIFTERS”, THE COASTERS E “THE FIVE SATINS”.

A PRESENÇA DOS VETERANOS, FAZENDO BACKING VOCALS NOS DISCOS DO “ZONA SUL” PERMANECEM MEMORÁVEIS; SHOWS DE BOLA!!!!

HÁ UM PEQUENO BOX DESTA FASE VENDIDO NOS EUA: ERA BARATO; E COMPENSA PROCURAR CONHECÊ-LOS.

DOIS DISCOS GRAVADOS NA MERCURY. “LIVE”, 1978, EM VINIL ERA UM ÁLBUM DUPLO. E MOSTRA O PESO E A FESTA QUE APRESENTAÇÕES DELES SE TORNAVAM.

E “THE JUKES” É MUITO BEM PRODUZIDO, POR BARRY BECKETT, E FOI GRAVADO NO ICÔNICO “THE MUSCLE SHOALS STUDIOS”, EM 1979.

É DE ALTO NÍVEL, EIVADO POR UM “UM CLIMA NOIR”, COM FAIXAS DE “R&B”, “SOUL” E “BLUES”, QUE LEMBRAM AS TRILHAS DE FILMES POLICIAIS DA DÉCADA DE 1950/1960!!!

DISCO EXCELENTE SOB QUAISQUER PONTOS DE VISTA!

DURANTE OS ANOS 1990, ELE MEIO QUE SUMIU. O DVD DA FOTO, GRAVADO EM 1992, EM PROGRAMA DE TELEVISÃO, NA ALEMANHA, PEGA TODA A ENERGIA E O PIQUE MEIO MARGINAL DA BANDA.

ANTES DA PANDEMIA ,”JOÃOZINHO ZONA SUL” VOLTOU, E FEZ TURNÊ PELA EUROPA E OS EUA. NÃO ROLOU. ELE PARECE “GASTO” PELO TEMPO E PELA ESBÓRNIA “EXERCIDA”..

TALVEZ “JOHNNY LION” NÃO CONSIGA MAIS COLOCAR TODO MUNDO PARA DANÇAR. ENTÃO, QUE TAL CONHECER O PASSADO DIVERTIDO E SABOROSO?
Postagem original: 18/03/2022

JOHN MAYALL – O PROFÍCUO “O DITADOR DO BEM”! ALGUMAS COLETÂNEAS 1964 / 1974

JOHN MAYALL conta, na RECORD COLLECTOR, que para fazer o seu último disco agora lançado, “NOBODY TOLD ME”, “espalhou” que precisava de guitarristas.

Vieram aos montes! e pasmem, ele “selecionou” “TOD RUNDGREN”, “ALEX LIFESON” (RUSH) , “LARRY McCRAY”, blues man famoso. e, também, o cara da hora, “JOE BONAMASSA”! Tá bom assim!

A crítica vem dizendo que o disco, gravado no estúdio dos “FOO FIGHTERS”, é muito bom e a banda está um show!

Só alguém da mítica estatura de MAYALL, décadas de carreira, 93 discos lançados, entre estúdio, ao vivo e coletâneas, fora os SINGLES e E.Ps, poderia trazer na base do “CONCURSO PÚBLICO” gente desse nível!

MAYALL é, antes de tudo, um MAESTRO, um BANDLEADER! Como ele disse, “meu trabalho é escolher o time, orientar cada um em sua função, e explicar o quê eu quero fazer”. Fez, faz e permanecerá fazendo. “É um ditador do bem”, diz “WALTER TROUT”, guitarrista e gaitista , com quem tocou em vários discos.

Aos 89 anos, se apresenta ao vivo cada vez menos. E continua gravando. Teve um piripaque no palco. Foi socorrido e está bem. Tempos atrás, fazia em média 100 concertos por ano, com sucesso de público e casa cheia. Ao vivo, é um dos mais excitantes e dinâmicos shows do BLUES-ROCK e ADJACÊNCIAS. Eu vi! haja energia!

JOHN tem vida artística gloriosa. Nunca vendeu muitos discos, com exceção do clássico “BLUESBREAKERS WITH ERIC CLAPTON”, referência do BLUES ROCK INGLÊS. Porém, grava e vende consistentemente.

Sua discografia viaja por todos os cantos do BLUES e das várias FUSIONS JAZZÍSTICAS, SOULl e R&B; vai do acústico ao elétrico, com bandas enormes ou quartetos. É sempre uma delicia de ver, ouvir e, mais ainda, colecionar.

É argumentável que esteja para o BLUES o que MILES DAVIS está para o JAZZ. Ele é mm inovador; quê o levou a outras fronteiras. É sempre curioso e atento aos movimentos que a música faz. Um superdotado, “por supuesto”! Gravou com os músicos mais significativos das últimas três gerações. MAYALL sempre tem algo a dizer ou acrescentar!

“Se a banda muda, muda também a minha palheta sonora”, disse. Tudo o que gravou vale a pena – com exceções pontuais.

Para não esticar, vá ao GOOGLE e veja discografias, parceiros e tudo o mais.

JOHN MAYALL é uma autoridade no BLUES e no JAZZZ. Seu pai já colecionava discos. ERIC CLAPTON quando morou e tocou com ele, nos anos 1960, dizia que a coleção de discos de JOHN era sensacional e rara. Deve permanecer.

JOHN MAYALL é, também, “CAVALHEIRO DO IMPÉRIO BRITÂNICO”, como ELTON JOHN, GARY BROOKER, PAUL McCARTNEY, JIMMY PAGE, JEFF BECK, BRIAN MAY e, recentemente, TOM JONES. Há outros.

Como fazem os artista prolíficos, lançou várias coletâneas interessantes.Postei algumas que pegam de 1964 a 1974. A produção na EMI / DERAM, e POLYDOR; hoje ambas parte da UNIVERSAL MUSIC.

Começo por uma que tive em vinil, e jamais vi em CDS: “DOWN THE LINE”, album duplo fantástico, lindo de ter e ouvir, coligia os clássicos dos BLUES BREAKERS, entre 1964 e 1969. Foi lançado pela DERAM, no início da década de 1970.

Duas outras espetaculares: “LOOKING BACK”, 1969, clássico do colecionismo, pega SINGLES, LIVES, etc.. E coisas produzidas por MIKE VERNON. Estão aí raridades com CLAPTON, JACK BRUCE, KEEF HARTLEY, ROGER DEAN, MICK TAYLOR, etc.

Há também, “THROUGH THE YEARS”, espécie de complemento da primeira, lançada em 1971.

Ambas saíram pela DERAM.

Também aqui, duas COLETÂNEAS DUPLAS:

LONDON BLUES, 1964/1969, com 40 faixas, abrangendo tudo e mais um pouco,do que interessa, mais livreto, ficha técnica, um “must”.

E “ROOM TO MOVE” , 29 músicas trazendo a fase POLYDOR, 1969/1974, marcada por FUSÕES de JAZZ/BLUES e CONCERTOS AO VIVO EXUBERANTES!

O fino do fino de JOHN MAYALL, estão nas 69 músicas, em 4 discos, lançadas apenas em CDS, em 1992.

A coletânea “SO MANY ROADS” é um BOX COM 4 CDS, que congrega as duas fase mais conhecida de MAYALL, entre 1964 e 1974. Foram juntadas 74 faixas, inclusive o raríssimo EP de MAYALL e PAUL BUTTERFIELD, de 1967.

Eu recomendo este BOX, por trazer a nata do período, em gravações remasterizadas, e digna qualidade e relevância.

Fora esse aqui, ainda temos para ouvir mais uns 48 anos de boa música!

Há mais duas ou três fases, na carreira de JOHN MAYALL, todas longas e profícuas, mais ou menos demarcadas por décadas ou gravadoras por onde passou.

Eu sou fã de carteirinha e “colecionador completista”.

Infelizmente não vou poder comprar o HIPER BOX 1964/1974, que colige TUDO o que ele gravou na LONDON/POLYDOR, em 30 CDS, ou seja a ampliação destes na foto da postagem, em discos com as capas originais e vasto etc…

Eu tenho quase tudo o que ele gravou, e mais: o ingresso autografado de seu primeiro show no Brasil.

A performance de MAYALL, vital e discográfica, é digna de MILES DAVIS! E ambos se destacam pela incrível qualidade do conjunto das obras!!

Perca-se na música de JOHN MAYALL. Ele está vivo, ainda atuando, e vai muito além do MITO!!!
POSTAGEM ORIGINAL: 16/03/2023

NOUVELLE CUISINE – 1988 – MÚSICA DE QUALIDADE, E CAPA MATADORA!!!

DIA DESSES, ZAPEANDO A TV DEI DE CARA COM O EXCELENTE PROGRAMA DE CHARLES GAVIN, “O SOM DO VINIL”.

ERA REPRISE DE UMA ENTREVISTA COM A CULT, ECLÉTICA E MULTI TALENTOSA BANDA BRASILEIRA “NOUVELLE CUISINE”. E. TALVEZ EM VIRTUDE DA MORTE DE CARLOS FERNANDO, O CROONEER, UM CANTOR TÉCNICO E INSPIRADO.

GAVIN REPASSOU TRAJETÓRIA COM A BANDA, DESTACANDO OS DIVERSOS DISCOS QUE GRAVARAM.

O PRIMEIRO ÁLBUM DELES, NA FOTO, CHAMOU MINHA ATENÇÃO PELA CAPA, UMA REPRODUÇÃO DE OBRA DE ARCHANGELO IANELLI. EU ADOREI!

E FUI ATRÁS DO VINIL POR CAUSA DA ARTE GRÁFICA. ACHEI; COMPREI E PAGUEI R$ 11,00 MANDACARUS, UNS TRÊS DÓLARES!

MAS, COMO NÃO TENHO PICK-UP, DEMOREI UM POUCO, E FUI OUVIR NO “STREAMING”: TIVE UM “INSIGHT SIGNIFICATIVO E DEVORADOR!!”

DEPOIS, OBSERVANDO O REPERTÓRIO, IDENTIFIQUEI MÚSICAS NÃO TÃO CONHECIDAS MISTURADAS A CERTOS STANDARDS “POP/JAZZÍSTICOS”, EXECUTADOS POR MÚSICOS DE QUALIDADE INDIVIDUAL INDISCUTÍVEL!

“ACERTEI NO MILHAR”, COMO DIZ CLÁSSICO E QUASE FAMOSO SAMBA DO PASSADO. É BOM ALÉM DO MÁXIMO!!!!

TENTE!

Postagem original: 15/03/2019

TIO SÉRGIO, O RANZINZA, E A VELHICE

É uma beleza! Nunca fiz tanto exercício involuntário!

Outro dia, a luz acabou. Deu estalo e tudo ficou escuro! Beleza, esperei. Voltou lentamente feito eu…

Levantei do sofá, religuei o equipamento e a televisão. Fui ao banheiro e voltei. Sentei…

Mas, esqueci o óculos no banheiro. Então, levantei e fui lá buscar. E sentei novamente…

Esqueci o controle remoto do outro lado da sala. Levantei, peguei, sentei; liguei no jogo do Corinthians…

Senti sede. Saí do sofá e fui à cozinha. Peguei um copo d`água. Bebi, voltei, sentei. Mas, esqueci o controle remoto na cozinha…

Soltei um baita palavrão, e bem alto! Fui buscar o controle…

Senti calor, levantei e fui lavar o rosto. Voltei, me estiquei no sofá… Tudo turvo! Cadê a porra do óculos?

Ficou no banheiro!

Levantei, praguejei e fui buscar o óculos. De novo!

Gol do Corinthians! Saí correndo, mas não consegui ver… Sentei. Deu sede novamente…

Mas fiquei no sofá. Que morra seco! a sede continuou… Levantei, e fui tomar água; aí me liguei: estava quase esquecendo o óculos…, sei lá por quê, eu havia tirado!

Voltei de óculos e sentei no sofá…

Mudei o canal. Dane-se o Corinthians…, eu torço pro Santos! Tô zapeando, e encontro nada pra assistir.

Calor “africano! Levantei de novo, fui olhar o mar…mas, esqueci o óculos no sofá…

Ahhh, que vá tudo pro inferno! ou pra outro lugar pior!
Postagem original: 14/03/2022

PAIS E FILHOS: AMBIVALÊNCIAS, AFETOS, E A EXISTÊNCIA NADA SÁBIA QUE TODOS VIVENCIAMOS

 

Estudiosos americanos fizeram pesquisa e concluíram: filhos não trazem felicidade!

Em meu caso, mesmo não tendo filhos ( cuidado! nós dois sabemos como se faz… ), é possível que eles estejam certos: filhos, pelo que observo, dão alegrias, tristezas, orgulho, preocupações e um infindável prontuário de sensações e motivos. Mas, certamente frustrações, raivas e risos.

Eu acho que a maioria das mulheres e homens sente a necessidade e até a urgência de serem pais. Eu nunca senti isso. O prejuízo é meu, e o eventual alívio também é.

Das pessoas que conheço, a maior parte se tornou pai à revelia de si mesmo. Eu não posso provar isto; mas constatei.

Não que tenham ficado infelizes, apenas viraram pais e continuaram o “HEAVY METAL” da vida, porque viver é na maior parte do tempo pauleira brava, performance furiosa no palco da existência. Mas, no final, todos acham legal, e que valeu a pena.

Não duvido, mas não me aventurei e nem vou.

Eu e meu pai nos últimos trinta anos da vida dele tornamo-nos muito próximos, amigos. Almoçávamos ou nos víamos toda semana. Ficou uma relação muito diferente da que tínhamos entre pai e filho. Ele envelheceu e eu amadureci.

Fernando era um homem de caráter, valores e honestíssimo. E, no decorrer da vida, tornou-se pessoa muito bem humorada, e agradável. Todos acabaram por gostar muito dele. Era carismático.

Mas, tivemos uma relação bastante conflituosa, nos primeiros 35 anos de minha vida. As respostas que eu dava às perguntas que ele fazia eram tão incoerentes quanto as perguntas que eu fazia e as respostas que ele dava…

É da vida não enxergar as razões do mais velhos quando se é jovem. E vice-versa e versa-vice forever and ever!

Seu Fernando foi um homem autoritário; mas responsável, lutador e bem intencionado. Aliás, um traço visível nas gerações nascidas antes dos anos 1950. Dentro de suas limitações ele e minha mãe dirigiram o destino de nós, os três filhos que, bem ou mal, nos formamos e enfrentamos o PUNK e o BLUES do dia-a-dia com alguma arte e bravura.

Os dois foram vencedores; e, como a maioria dos pais, jamais souberam a extensão dessa vitória – para mais ou para menos.

Pais e filhos erram porque todo mundo erra. Mesmo os que não são pais, já que filhos todos somos.

Para ser original, vou escrever que errar é humano; e complementar que continuar errando é sina, já que viver permanece a escolha perplexa que cada indivíduo faz e mantém – e na maior parte da existência à revelia de si mesmo.

Quando meu pai morreu eu não levantei da plateia gritando Bravo! Mas, aplaudi de pé um ser humano digno e original.

Eu só chorei a perda daquela pessoa amada, imprescindível e completa em si mesmo tempos depois.

É do compósito humano imperfeito que todos somos, expressar algum retardamento emocional e perplexidades colecionadas e mal definidas.

Permanecemos incompletos até que a vida despenque cachoeira dos tempos abaixo…

Acho que é isso. Ou, não…
Publicação original 13/03/2013

Todas as reações:

2Sergio Luiz Simonetti e Magno Batista