E EU ATÉ ACHAVA QUE SABIA PINTAR… E ATÉ ESCREVI UNS VERSOS SOBRE O QUADRO “A CIDADE E OS LIVROS”, QUE FOI “COMETIDO” EM MAIO DE 2012

ÁGUA QUE LAVRA FEITO LAVA;
ENCOBRE O ETERNO QUE NO PASSADO FICOU;
PERMANECE O HOMEM INCOMPLETO:
CONHECIMENTO, WEB, DESAMOR;
TUDO ESMAECE, EVAPORA, PASSA;
MUSEUS BROTARÃO EM CADA ESQUINA ;
A ESTANTE, O PAPEL, E A IMPERMANÊNCIA;
EM CHIP CONCENTRADOS:
MODERNA SINA
O SOLITÁRIO QUE NOS LIVROS NAVEGAVA,
CONTEMPLA A VIDA NO COMPUTADOR.
ABRAÇA O TEMPO ISOLADO EM SI;
HORROR PEQUENO;
PENSANDO BEM: TORPOR!
Não ficou tão ruim..
POSTAGEM ORIGINAL:16/09/2020
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GARY PEACOCK, KEITH JARRET & JACK DEJOHNETTE – TALES OF ANOTHER, 1977

Gravação na E.C.M RECORDS, remasterizada no Japão em SHMCD, portanto qualidade técnica HIGH – END. É Supremo! “Estado da Arte”, digamos “artística”, dentro da visão e produção desse gênio recôndito:
MANFRED EICHER libera o vanguardismo até o limite, mas sem comprometer as melodias. Isto é fundamental para tornar a beleza explícita; e compreensível por mais gente além da vanguarda esperada.
A gravadora E.C.M é vizinha do paraíso. Sucursal do belo neste mundo medíocre. Está aqui, portanto, mais um disco lindíssimo!
Só que: está tudo muito bem, e tudo muito bom… mas, realmente, mas realmente…
O já esperado fez a sua visita. E temos KEITH JARRET, um verdadeiro gênio – vivo ou morto; porém, inconveniente e chato.
Além da performance no piano, somos presenteados com “a sua irrefreável Arte” em música incidental: GEMIDOS, FLATULÊNCIAS, ORGASMOS, SIBILOS, COCHICHOS e outras prendas inenarráveis e muito frequentes!
“KATIANO”, nessa gravação, está com o “Mico-Leão Dourado”! ( explicitei a raça da macaca …) E, mama mia! ( Oi, suecada do ABBA, lembrei de vocês…):
Deu espetáculo à parte GRUNHINDO, RANGENDO, prevendo notas e acordes antes de “cantar” e … tocar!
Para nos enlevar deveras, sua voz lembra o ROD STEWART nos piores momentos; uma “velha dando pití em supermercado por algum motivo qualquer”…
Ninguém merece?
Não! Alguns merecem!
Eu se fosse o PEACOCK, pavão em português, teria aberto asas e lhe bicado a bunda até ele calar a boca e simplesmente tocar!
Então, pensei: vou pedir o endereço do PET SHOP mais próximo, e mandar uma focinheira pra ele. Não fiz; mas cerquei a gralha!
Para ser gênio não precisa ser tão chato e inconveniente. Basta exercitar sua técnica e arte excepcionais!
A Sociedade Humana agradece e o reverencia. E a Protetora dos Animais vai ter menos trabalho.
POSTAGEM ORIGINAL: 17/09/2019
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VIAGEM AOS CONFINS DA ESTANTE: PUB ROCK , PUNK, GÓTICOS, ALTERNATIVOS

 …
Eu os conheço. Só que a nossa convivência não é próxima.
Escolhi exemplares de meninos e uma garota. Todos travessos.
Durante anos, tomei algumas com eles, e também outros, que já mandei para coleções que não a minha.
Ficou a nata da “cárie” musical.
E TIO SERGIO , o dentista metafórico, obturou alguns, extraiu outros. Mas todos têm bons e afiados dentes pra mostrar…
Então, segurem a onda: DR. FEELGOOD, DAVE EDMUNDS E GRAHAM PARKER são três ícones do PUB ROCK.
Sabem o que é isso, sobrinhos?
Em primeiro lugar, tendência britânica, e ROCK´N´ROLL na veia e sem frescura. Guitarra, baixo, bateria e adequado barulho e muita vibração. Claro, é para tocar e ouvir em PUBS, e bares, locupletado por cervejas e alguma comidinha horrorosa feita naquela ilha cinzenta.
Os três estão entre os melhores do subgênero. Pena que o TIO SÉRGIO tenha esquecido de colocar o espetacular disco de WILCO JOHNSON, guitarrista do DR. FELLGOOD, gravado com ROGER DALTREY do…Ah, vocês sabem “quem”….
São para quem não chegou ao rascante, malcriado, e malfeito PUNK. E acha ROCK PROGRESSIVO uma chateação sonolenta e traidora do clássico ROCK AND ROLL.
Na segunda fila tem a genial e poética PATTI SMITH, moça da pesada, amiga de LOU REED e BRUCE SPRINGSTEEN: ela é Rocker alternativa beirando o PUNK. Está lá, também, incrustada feito craca em e casco de navio, coletânea dos PIXIES: americanos precursores do GRUNGE, amigos do non – sense e da barulheira.
Ou seja, são duas encrencas anticonvencionais; e não acompanham bem jantares a luz de vela, e muito menos morar próximo a DELEGACIAS DE POLÍCIA…
Na terceira, e parte da quarta fileira, estão BOX sofisticado dos SISTERS OF MERCY; exemplo de DARK ROCK inglês da melhor cepa. Não serve para colóquios amorosos – a não ser que seja em algum cemitério. Na mesma cova, adormece nada pacificamente ANTHOLOGY dos RAMONES, a primeira banda verdadeiramente PUNK; eles precedem aos SEX PISTOLS e outros excrescentes.
Tudo isso, continua na toca do TIO SÉRGIO. Quando ouço algum grunhido na estante, já chamo direto o zelador para ver o quê é… às vezes, eu tenho medo…
POSTAGEM ORIGINAL: 15/09/2019
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SPIRIT – FUSÃO PSICODÉLICA – 1967 /1973

Estão aqui, os gloriosos primeiros discos do SPIRIT, gravados para a COLUMBIA RECORDS, entre 1967 e 1970, onde se destaca o guitarrista “HENDRIXIANO” RANDY CALIFORNIA. São quatro supra sumos do melhor ROCK PSICODÉLICO feito na América daqueles tempos!
Também está postado o CD DUPLO com os dois álbuns que fizeram na MERCURY RECORDS: “FEEDBACK”, – sem CALIFORNIA -, que voltou à banda para “SPIRIT of 76”.
Nesta fase, tentaram ajustar o grupo para o HARD ROCK ao estilo HUMBLE PIE, SPOOKY TOOTH, por aí… Era a sonoridade em voga do final dos anos 1960 e início da década de 1970, pareando com o nascente ROCK PROGRESSIVO.
SPIRIT foi banda originalíssima que fundiu o ROCK PSICODÉLICO ao BLUES, e com pitadas de JAZZ MODERNO – a contribuição luxuosa do baterista ED CASSADY, padrasto de RANDY CALIFORNIA, e veterano do JAZZ com passagens por grupos de CANNONBALL ADDERLEY, THELONIOUS MONK , GERRY MULLIGHAN, TAJ MAHAL, e outros vários.
A banda “soava claustrofobia”; um clima que, para mim, sempre lembra o 1984, de GEORGE ORWELL; ou coisas de FRANZ KAFKA.
Eram pesados e algo lentos; talvez um pré – BLACK SABBATH mais intelectualizado. Filhos legítimos da ERA HIPPIE e da GUERRA FRIA, portanto embalados no desbunde crítico e anárquico dos contestadores de 1968I
Bingo! O LP de maior sucesso da banda, o espetacular “12 DREAMS OF DR.SARDONICUS”, de 1970, exala isto!
Houve, tempos atrás, polêmica sobre a abertura da música TAURUS, constante no álbum “SPIRIT”, lançado em 1967, e tida como plagiada pelo LED ZEPPELIN, em “STAIRWAY DO HEAVEN”.
Eu discordo. Acho acusação genérica e insuficiente. Afinal, o que existe é uma sequência de acordes encontrados em centenas de outras músicas. Nada demais.
O LED ZEPPELIN foi absolvido, com inteira justiça; mesmo que o ranço do estigma gerado pela discussão permaneça, confundindo o excelente currículo da banda com prontuário…
No entanto, o SPIRIT chegou a excursionar com o LED, que tocou “Fresh Garbage”, em um show, o que para muitos seria indício de fraude….
Sempre que ouço as orquestrações em discos do SPIRIT, me recordo de “CONSTRUÇÃO e DEUS LHE PAGUE” do CHICO BUARQUE. Percebo no arranjo de ROGÉRIO DUPRAT inspirações “orwellianas”, que lembram o “SPIRIT”…
Atentem: não falei em plágio – porque não é mesmo! Eles são contemporâneos; e DUPRAT foi o maestro da TROPICÁLIA, espécie de PSICODELIA À BRASILEIRA.
E, por proximidade lógico-estética-temporal, influências e memórias sempre parecem possíveis…
SPIRIT é banda fundamental! E cai em teste para “rockers” em nível de mestrado.
Não percam! São músicos e discos altamente criativos!
POSTAGEM ORIGINAL:15/09/2019
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JIMMY SMITH, O CARA!

JIMMY estabeleceu o jeito moderno de tocar órgão. E influenciou todo mundo de BRIAN AUGER a KEITH EMERSON; de STEVIE WINWOOD a JOE DE FRANCESCO.
E, também, WALTER WANDERLEY, VALDIR CALMON e ARI BORGER, para ficar nos três brasileiro talvez mais notáveis. Resumindo, SMITH é modelo para músicos do JAZZ ao POP. Unanimidade!
JIMMY SMITH foi um dos que trouxeram o R&B mais próximo do que viria a ser o JAZZ MODERNO. E o caminho inverso, também. Perfeição paradoxal e dançante, ele fazia base e solo simultaneamente!
SMITH nasceu, supõe-se em 1925, e gravou profissionalmente de 1956, em diante. Talvez algo tarde; mas, é daí?
Não parou mais até 2005, quando morreu aos 79 anos.
Grande músico, começou na BLUE NOTE, foi para a VERVE, depois migrou para a PRESTIGE, três gravadoras boutiques de alta qualidade na história do JAZZ.
Ergueu DISCOGRAFIA imensa e talvez integralmente acessível. Tocou, gravou e foi parceiro de Deuses e demônios da música moderna. Um astro em torno de quem muitos sideraram – e ainda sideram.
No entanto, colecioná-lo para valer talvez seja para os completistas. Para mim, basta uma quantidade razoável abrangendo todas as fases.
Talvez porque o Órgão seja instrumento versátil e onipresente além da conta; por isso, limita os conteúdos: tudo tende a ficar “pasteurizado demais”.
É o quê me parece. De qualquer forma, vá de JAIME SILVA -oooopppss, JIMMY SMITH! Ele sempre nos faz dançar e brinca com o cérebro e a sensibilidade do ouvinte.
Acompanhe com alegria e bebidas esfuziantes!😃
POSTAGEM ORIGINAL:14/09/2019
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THE ELECTRIC PRUNES – TRANSIÇÃO ENTRE O ROCK PSICODÉLICO E O PROGRESSIVO -1967 – 1969

Um caso a parte. A banda original existia, mas não era dona do nome ELECTRIC PRUNES, que pertencia ao empresário deles.
Mas, gravaram integralmente os dois primeiros discos, clássicos do ROCK PSICODÉLICO AMERICANO.
O primeiro deles, “I HAD TOO MUCH TOO DREAM”, 1967 , é espetacular! Talvez o indício primordial do que, uns doze anos depois, seria batizado “GOTHIK ROCK” .
Em minha opinião, não haveria THE CURE, JOY DIVISION e vários , sem a influência da sonoridade criada pelos PRUNES.
Eu ouvi os ELECTRIC PRUNES, no rádio , em 1967. Enlouqueci!!!!
E meu amigo – irmão SILVIO LUCIANO DEAN havia comprado o COMPACTO SIMPLES, lançado aqui em PATÓPOLIS. Ouvimos até abrir uma fenda!
Então, consegui o primeiro LP deles, em MONO, de alguém cujo pai era piloto de aviões, e trazia mercadorias “não oficialmente”.
Paguei sei lá quanto por ele e o espetacular single “I CAN SEE FOR MILES”, gravado por THE WHO.
Estão entre as melhores compras que fiz em minha vida!
Os membros originais dos ELECTRIC PRUNES participaram meio na marra de parte do terceiro disco, a monumental e intrigante “MASS IN F MINOR”, a missa católica completa, cantada em latim e tocada como ROCK PSICODÉLICO à JEFFERSON AIRPLANE com influências de JIMI HENDRIX. Ou seja, o uso de câmaras de eco, distorção, delay e tudo o mais que a modernidade iconoclasta da era hippie trouxe!
Este álbum foi composto e proposto por um músico de vanguarda DAVID AXELROD, e lançado sob o nome dos ELECTRIC PRUNES. Parte dele foi feita com banda de estúdio, que tomou o lugar da turma original. Foi um sucesso de crítica! e é cult, surpreendente e colecionável!
Talvez muitos não conheçam o quarto disco da “franquia”: “RELEASE OF AN OATH” , uma prece judaica, também composta por AXELROD, com ele e um espetacular time de estúdio em Los Angeles, entre eles a baixista ícone CAROL KAYE – que dá um show na gravação!
Também é disco é imperdível. Um dos elos entre a PSICODELIA e o nascente ROCK PROGRESSIVO. Mas, sem os resquícios da primeira formação da banda.
Os outros dois discos aqui postados são pra cumprir tabela e mais nada.
Eu recomendaria tranquilamente os 4 primeiros discos para quem gosta do gênero. E nome de banda pertencer a empresário era ainda muito comum.
Aqui, no HOSPÍCIO DO SUL, a famosa banda dos anos 1960, “OS INCRÍVEIS”, adotou esse nome porque o original, THE CLEVERS” , pertencia ao empresário e radialista, ANTONIO AGUILAR, com quem havia brigado.
POSTAGEM ORIGINAL: 14/09/2019
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THE WHO – TOMMY – 1969 – EDIÇÃO JAPONESA – SHMCD

ÁLBUM SIMBÓLICO DO ROCK MODERNO PÓS BEAT; SONORIDADE DESVIANDO PARA O ROCK “PSICODÉLICO” E PITADAS DE “PROGRESSIVO”.
VALE MAIS PELO CONCEITO PRETENDIDO, DO QUE PELAS MÚSICAS QUE, PENSANDO BEM, SÃO CONSERVADORAS…
“TOMMY” FOI CONCEBIDO COMO “ROCK CONCEITUAL”‘, NA ESTEIRA DE “S.F.SORROW”, DOS “PRETTY THINGS” , DE 1968; DISCO BASTANTE ADMIRADO POR “PETER TOWNSHEND”, O GUITARRISTA E COMPOSITOR PRINCIPAL DO “WHO”.
PORÉM, “TOMMY” FOI ESPERTAMENTE “VENDIDO” E POSTERIORMENTE REINVENTADO COMO “ÓPERA ROCK”; GRAVADA, FILMADA, E ENCENADA VÁRIAS VEZES, O QUE LHE GARANTIU MERECIDA FAMA E PERENIDADE.
O ÁLBUM, EM TESE, REPRESENTA O AMADURECIMENTO DE UMA BANDA QUE HAVIA SE FIRMADO COMO ÍDOLO PARA ADOLESCENTES REBELDES. E “THE WHO” E OS “ROLLING STONES” SEMPRE FORAM SINÔNIMOS E PARADIGMAS DE REBELDIA E ICONOCLASTIA.
EM 1968, “THE WHO” ESTAVA EM CRISE FINANCEIRA E CRIATIVA; OS QUATRO PRECISAVAM FAZER ALGUMA COISA PRA RESOLVER…
“TOMMY” FOI UM ACHADO! E OS CARAS TIVERAM MUITA SORTE, TAMBÉM.
“ARTHUR” , DOS KINKS, DE 1969, É TAMBÉM MUSICALMENTE CONSERVADOR. PORÉM, MAIS BEM ESCRITO. E CONTA A HISTÓRIA E O MODO DE VIDA BRITÂNICOS COM MUITA IRONIA E SARCASMO; POSTURA EM DIA COM AQUELES TEMPOS REVOLUCIONÁRIOS. VIDE, POR EXEMPLO, O QUE FAZIAM CHICO, GIL E CAETANO, AQUI NO BRASIL. ARTISTAS RELEVANTES EM “PARI-PASU” HISTÓRICO.
NO ENTANTO – E HAJA “NO ENTANTO SIGNIFICATIVO” NISSO! -, “TOMMY” ANTEVIU UMA SOCIEDADE CRESCENTEMENTE BASEADA NA ELETRÔNICA. E QUE EXPUNHA A ALIENAÇÃO E A INCOMUNICABILIDADE ENTRE OS INDIVÍDUOS, A MARCA PROFUNDA DO MUNDO CONTEMPORÂNEO. “TOMMY”, O PERSONAGEM CENTRAL, É CEGO, SURDO E MUDO, MAS CRAQUE EM JOGOS ELETRÔNICOS.
RESUMINDO, O MUNDO EM QUE HOJE VIVEMOS, FOI EXPOSTO MAIS DE MEIO SÉCULO ATRÁS NA OBRA…
PARA OS QUE DUVIDAM, BASTA OBSERVAR EM VOLTA NOS METRÔS, MESAS DE BARES, REUNIÕES DE FAMÍLIA, ESCOLAS… E SE ENXERGARÁ, NO PRESENTE, AQUELE “FUTURO” QUE PETE “TOWNSHEND” INTUIU. DESTE PONTO DE VISTA, “TOMMY” É OBRA DE GÊNIO!
O DISCO É METÁFORA DURADOURA E PODEROSA! E QUEM NÃO CONHECE NÃO PASSA DE ANO EM ROCK’N’ROLL…
PS: A MINHA EDIÇÃO É JAPONESA, REMASTERIZADA EM “SHMCD”, O QUE LHE GARANTE ESTAR ENTRE AS MELHORES TECNOLOGIAS POSSÍVEIS EM TERMOS DE SOM.
POSTAGEM ORIGINAL: 13/09/2020
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FRONTEIRAS ESTÉTICAS: MÚSICA PARA DIAS FRIOS EM TEMPOS ABRASIVOS: NICO, CARLY SIMON, JANIS SIEGEL E JONI MITCHELL

O tempo anda mais ou menos do jeito sombrio que, vez por outra, se reflete dentro mim: nublado; hoje, mais fresco, um quase frio, mas esquentando. O litoral norte paulista é assim no inverno.
A seca está pedindo chuva e, talvez, emulando as paragens nórdicas ou irlandesas, mesmo sendo no Guarujá de frente para o mar tropical.
Eu gosto disso. Prefiro mais do que os dias luminosos e bonitos.
O inverno é um “habitat” em que me dou bem. Acho convidativo à introspecção; mais adequado à reflexão contida, cautelosa e discreta.
No calor, eu tomo cervejas. No frio, também; mas alterno com vinhos. Sou amigo dos fermentados; evito destilados – alcoólicos demais para o meu gosto.
Parece que a indústria da música está encontrando jeito de sobreviver e ganhar dinheiro na era digital.
Há tempos, a bola da vez se tornou o “STREAMIN”, serviços que tocam e oferecem músicas a preços certamente possíveis e competitivos.
O som é o melhor possível!
Aliás, sem o artefato limitador, o COMPACT DISC, a música digital se expande, ganha contornos e qualidade jamais alcançados!
Goste-se ou não, a qualidade do som digital superou, há muito, o som do DISCO DE VINIL. Agora redivivo, ainda que para poucos. No entanto, ao contrário de minhas previsões e até vaticínios, leva jeito de permanecer.
Os taxistas ficaram em polvorosa por causa do Huber. Mas, pouca gente se importou com a derrocada em que entrou a indústria da música dos anos 1990 em diante. A culpa foi da pirataria, dos preços altos, e do MP3.
Uma parte importantíssima da indústria cultural foi à bancarrota; e teve de se reinventar na marra. Porém, a maioria do mundo gostou das novas tecnologias – os CDS, DVDS, LDS, e, agora, do STREAMIN. E principalmente de saborear o delicioso trabalho dos artistas sem pagar.
Bater bumbo, tocar guitarra, reger, compor, cantar produzir, investir, etc… não comove muita gente. Seria “não trabalho”; por isso teria de ser de graça…” um direito adquirido”…
Somos muito hipócritas, isto sim!
Enquanto penso nisso, escutei quatro cantoras bastante diversas artística e existencialmente.
Vocês devem, e precisam conhecer o espetacular grupo vocal americano, THE MANHATTAN TRANSFER, de bastante sucesso dos anos 1980 e 1990.
Eles sempre cuidaram em alto nível da formação do repertório. Gravaram o fino da GRANDE CANÇÃO AMERICANA. E, também, artistas brasileiros de ponta como DJAVAN, IVAN LINS, MILTON NASCIMENTO, TOM JOBIM, entre vários.
O MANHATTAN TRANSFER fazia um delicioso, competente, e dançante JAZZ-POP. Procurem ouvi-lo.
Na formação do quarteto, uma das vocalistas, a excepcional JANIS SIEGEL, tem carreira solo independente – como todos eles, aliás -, e faz discos bonitos e sofisticados.
Mais uma vez, escutei o disco em que ela é acompanhada somente pelo pianista FRED HERSH: “SHORTY STORIES”, lançado em 1989 pela ATLANTIC RECORDS. O repertório de compositores atuais é fabuloso, sensível e irrepreensível.
Está no clima dessa época do ano, e ajuda a espantar o horror que estamos enfrentando nesses dias politicamente cálidos e destrutivos.
Ouvi, também, um pouco de CARLY SIMON, e hoje gosto mais do que antes. Ela sempre me pareceu pouco profunda em sua perene crise existencial de menina rica.
Agora, acho, encontrou sentido e nicho próprio no tempo e no espaço. Ouvi-la é delicioso; e compreendê-la talvez seja imprescindível. CARLY canta o cotidiano da mulher urbana, liberada e autônoma.
De passagem, observo a foto da capa de “NO SECRETS”, que discretamente nos fazia imaginar, o quê JAMES TAYLOR desfrutara, quando foram namorados, na década de 1970…
Hum… é humano, ué!
Existia aqui em PANDEBRAS, um pequeno BOX com os 5 primeiros CDs de CARLY. Foi barato quando lançado, e permanece muito agradável e recomendável para os mais adultos.
Então, emendei para JONI MITCHELL, minha cantora e artista múltipla predileta, em seu queixoso, lúgubre e solitário clássico pleno de D.Rs: “BLUE”, lançado em 1971, é obra de arte explícita. Obrigatória para quem aprecia boa música.
Depois, adentrei o portal cósmico para o suicídio virtual.
Tomei nave direto para o BOX com os dois gélidos CDS cometidos por NICO, entre 1968 e 1970: THE FROZEN BORDERLINE, que traz “The MARBLE INDEX” e ” DESERT SHORE”.
Pois, é!
O que vocês acham da seguinte frase: “Esse disco é um artefato, e não uma mercadoria. Você não pode vender suicídio!… É JOHN CALE, parceiro de LOU REED, no VELVET UNDERGROUND, comentando a respeito do LP “THE MARBLE INDEX”…
Na mosca! – Ou na lápide?
NICO é um caso à parte na história do ROCK! Voz cavernosa e comportamento digno de admiração e concordância por sua companheira de geração, a inglesa MARIANNE FAITHFULL.
Ou seja, são duas artistas claramente autodestrutivas. MARIANNE, quando jovem, namorava e se drogava com KEITH RICHARDS.
E, se você já ouviu falar de SYD VICIOUS e NANCY LAURA SPUNGEN, agora acabei de apresentar o modelo acabado seguido pelos dois….
Alemã, bonita, e modelo na FACTORY, de ANDY WARHOL; a notória NICO participou do CULT e seminal primeiro disco do VELVET UNDERGROUND, “cometido” em 1966.
Bem, se você pensa que a segunda metade anos 1960 foi um período só de alegria inconsequente, cheio de perspectivas otimistas; coalhado de HIPPIES, e pelo SUNSHINE POP de grupos como MAMAS & THE PAPAS, 5TH DIMENSION, THE ASSOCIATION… é porque não assistiu “ERA UMA VEZ EM HOLLYWOOD”, de QUENTIN TARANTINO…
O VELVET UNDERGROUD e a NICO não entraram na trilha do TARANTINO. Porque formaram a outra vertente que influenciou o futuro. São, de certa forma, os ancestrais de ALICE COOPER, IGGY POP, STOOGES, DAVID BOWIE. E o espírito lúgubre que assombrou bandas do “DARK WAVE” inglês, no início da segunda metade da década de 1970, em diante. GOTHIC ROCK como SIOUXIE and the BANSHEES, THE CURE, FIELDS OF THE NEPHLIN, ou JOY DIVISION…
E, se refinarmos um pouco mais, marcaram de niilistas, como LEONARD COHEN, a TOM WAITS, a NICK CAVE…
Alguns discos dessa gente lembram as trilhas sonoras de FILMES DE TERROR. E coisas de BORIS KARLOFF, ou NOSFERATU…
Ouvir NICO, MARIANNE e o VELVET UNDERGROUD, nesses tempos infernizantes, é um jeito de pavimentar caminhos para o cemitério ou a depressão.
Mas, há consolo sublime: eles também enriquecem esteticamente o presente desesperador que observamos e vivemos…
Dias e tempos melhores certamente chegarão. ( Será?)
Veremos?
POSTAGEM ORIGINAL:: 12/09/2021
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ROLLING STONES – DÉCADA DE 1970 – A RESTAURAÇÃO DO RITO

Tá bom! A DECCA RECORDS recusou os BEATLES, em 1962, mas não titubeou e contratou os ROLLING STONES, pouco tempo depois. Então, pessoal, jogo empatado.
Digam o que disserem, o mais completo espírito do ROCK pós ELVIS PRESLEY foi erguido pelos ROLLING STONES!
Mas TIO SÉRGIO, você perdeu a razão? Como é possível esquecer o CHUCK BERRY, LITTLE RICHARDS e outros seminais?
Não esqueço; mas argumento:
JAGGER e RICHARDS são antípodas e complementares. A energia e saúde que MICK esbanja nos palcos se contrapõe à progressiva e, até agora, não consumada autodestruição de KEITH. EROS E THANATOS em dupla inseparável.
Nenhum ícone foi mais explícito do que a somatória de qualidades e defeitos desses dois: Rebeldia, insurgência, sexo, drogas e ROCK´N´ROLL expostos à visitação pública por décadas! Mais de 60 anos em cena, e ainda incólumes ( ou nem tanto…)
A morte da rainha ELIZABETH II, símbolo do conservadorismo aceitável; e da integração do REINO UNIDO à sua ideia de existência; representou a vitória da ALBION constatada intelectual e artisticamente, pelos KINKS – mesmo que, por eles, expressa por injeções de ironias quase mortais. Quase…
Já MICK JAGGER e KEITH RICHARDS simbolizaram e mantiveram o MITO da desagregação que não houve. Mas eles bem que tentaram… contanto que não atrapalhasse as finanças…
E do RITO destrutivo exarado da década de 1960, os dois começaram a construção do MITO; que expandiu-se mais ainda a partir dos 1980, e sobrevive até hoje.
O RITO maior é a DISCOGRAFIA, realizada e consolidada. Se nos tempos dos 1960 tiveram o período mais produtivo; durante os 1970 pretenderam expandir, e até conseguiram. Inclusive para compensar o roubo descarado que sofreram durante a década de 1960.
Até hoje, os STONES mantêm a “empresa” no jogo. Porém, exauriram a criatividade que outrora tiveram. Aliás, é comum acontecer:
Na década de 1970, “Los ROLLINGS” fizeram SETE discos de estúdio. Nos 1980, diminuíram a produção. E a mesma coisa fizeram de 1990 em diante. Da escassez ao culto crescente…
Então, expandiram o MITO. Realizaram shows milionários e bem recebidos; e lançaram uma profusão de discos ao vivo; e permanecem fazendo até hoje; e ainda bem! MITO E RITO precisam conviver. É da dinâmica para inserção na História.
Quase todos nós gostamos dos ROLLING STONES; e muitos colecionam seus discos, etc… – inclusive o TIO SÉRGIO, aqui.
Notem: todo artista mantém faixas gravadas e não lançadas, que garantem a preservação do MITO e a gana dos fãs. Os STONES legaram poucas, muito poucas… Mas venderam cerca, e supostamente mais de 250 milhões de discos durante a carreira, e em vários formatos. Deve ser mais; bem mais…
Os discos aqui postados fazem parte de uma série limitada americana. Saíram no decorrer dos 1990; e são itens de coleção.
Uma boa definição para MITO, afirma ser “algo que sempre existiu; mas jamais aconteceu”. Com os STONES foi diferente. São mitológicos porque existiram de fato; mas ultrapassaram em fama as próprias realizações. Como todo mundo, eles também envelheceram.
Porém, sem os excessos de JAGGER no palco, e sem o comportamento exuberante de RICHARDS pelaí na vida; não haveria FREDDIE MERCURY, OZZY ou AXL ROSE; nem a performance iconoclasta do THE WHO; ou a transgressão de LIAN GALLAGHER – isto para resumir em poucos.
E o ELVIS, TIO SÉRGIO?
Certamente, o MITO supremo do ROCK. Mas convenhamos: era um sujeito conservador por vocação. E dominado pelo sogro, o boçal e reacionário CORONEL PARKER, também seu empresário.
A autodestruição de PRESLEY provavelmente está ligada à falta de autonomia pessoal; o que não falta a MICK e KEITH. Através de JAGGER, o rebolado que ELVIS iniciou e divulgou tornou-se muito mais crível e autêntico. Um símbolo de autonomia lúdica, descontração e autoconfiança de uma geração contestadora.
Seria?
Com a palavra ANITTA.
POSTAGEM ORIGINAL:09/09/2023
Pode ser uma arte pop de 2 pessoas e texto

CANTAR EM PORTUGUÊS É DIFÍCIL!

A MPB fascina a turma lá de fora. Quando é vertida para outras línguas, os bons cantores geralmente vão bem. O duro é quando tentam cantar em português. A nossa língua não é habitual mundo afora. É muito difícil para estrangeiros aprender, entender e falar. Portanto, interpretar as canções é complicado.
Comprei disco da americana KARRIN ALLYSON, cantora razoável, que transita pelo JAZZ, o BLUES, e o POP . Se encontrarem pelaí, arrisquem.
No CD da foto, ela tenta a MPB; e se estrepa brigando contra a pronúncia. Mas, quando abandona a “inculta e bela”, o disco fica divertido.
Fotografei outros discos. JOHN HENDRICKS, um dos pioneiros a enfrentar a BOSSA NOVA, nesse disco de 1963; e, também, a cult JACINTHA. Ambos cantam bem, mesmo tropeçando na pronúncia.
JAN PARELES, crítico musical do THE NEWS YORK TIMES, entusiasta da MPB, foi estudar português para entender as letras e constatou o que muitos já sabiam: as versões americanas das letras são muito abaixo da poesia original! TOM JOBIM foi vítima disso!
O mesmo fez a melhor entre as cantoras da foto: STACEY KENT é canadense, profissional estudiosa e culta. Fala, entende e canta em português, francês e italiano com perfeição! E tem discografia ampla e variada. Gravou inclusive com MARCOS VALLE álbuns excelentes, por sinal! Inclusive show em DVD encantador!
Recomendo os discos aqui mostrados. São jeitos diferentes de ver e apreciar a melhor música brasileira. Tente.
POSTAGEM ORIGINAL:
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