RENATO TEIXEIRA & ALMIR SATER: E A MÚSICA BRASILEIRA CAIPIRA DE RAIZ

Certa vez, o GLOBO RURAL, ótimo jornal da TV GLOBO sobre pecuária, agricultura e coisas do campo, fez matéria sensacional, aproveitando o cantor e compositor RENATO TEIXEIRA.

Foi um primor TÉCNICO, ARTÍSTICO e JORNALÍSTICO, realizado pelo veteraníssimo repórter HAMILTON RIBEIRO, profissional ícone da imprensa brasileira, ex-correspondente de guerra que perdeu a perna pisando em mina, no VIETNÃ, em 1968, quando cobria o conflito pela revista “REALIDADE”.

HAMILTON levou RENATO TEIXEIRA para um giro na região de PIRAPORA do BOM JESUS, em São Paulo. E passaram por diversas cidades, filmadas na essência CAIPIRA do interior do Estado.

O texto intercalava citações da clássica “ROMARIA”, gravada por sabe-se lá quantos, mas consagrada na voz de ELIS REGINA, revelando a unidade entre poesia, imagem e sabedoria popular de um jeito emocionante, preciso.

Raras vezes se viu a exposição de alma da gente simples de nosso interior com tanta profundidade, compreensão e humanismo, e ainda conjugados e transmitidos em apenas DEZ minutos!

Para complementar, a revista VEJA também publicou resenha elogiosa sobre o último disco de RENATO TEIXEIRA em parceria com ALMIR SATER. E mais uma vez constatou o óbvio: RENATO escreve soberbamente e compõe a melhor MÚSICA RURAL, CAIPIRA e, vá lá, eu concedo, SERTANEJA! – a definição errada que pegou.

Eu sou insuspeito para escrever sobre isto e dizer para vocês assistirem ao programa no NETFLIX ou GLOBOPLAY (é esse o nome?) . E, claro, lerem a matéria da VEJA.

Digo, também, para vocês comprarem o disco dos caras.

Não é a minha praia, mas poucas vezes fiquei tão comovido e admirado.

RENATO TEIXEIRA está entre os grandes de PINDORAMA!
POSTAGEM ORIGINAL 03/03/2021

CONGRESSO NACIONAL E A DEMOCRACIA

Cercado e coberto é misto de CIRCO e HOSPÍCIO. Se colocado sobre rodas vira CAMBURÃO, e leva a grande maioria dos habitantes direto para a delegacia.

E boa parte ficaria por lá mesmo…

Falar mal dos políticos é ESPORTE RADICAL em qualquer país. A torcida os vaia; eles fazem por merecer. E a gente nunca erra quando os coloca sob suspeitas. Eles aprontam demais! É só observar…

Mas, o que se há de fazer?

Sem eles a DEMOCRACIA não aflora. E a política bruta estupra a maioria de nós, em vez de…uma suave e sedutora defloração… ( Vai dizer bobagem assim lá no sambódromo, TIO SÉRGIO!)

Porém, o CONGRESSO é o ESPELHO da DEMOCRACIA e da BRASILIDADE. Não duvide, é fato comprovado.

Lá convivem santos e decaídos; prostitutas e padres; boçais e intelectuais; burros e casmurros; os ideológicos, os lógicos e os antológicos…

E todos misturados a parlamentares que são “verdadeiros” pâncreas, rins, fígados e estômagos…, de tão FISIOLÓGICOS… Aliás, a maioria…

E lá se ouvem gritos, suspiros e ssssussurros; e as falas dos mentirosos, dos falaciosos, dos justos e dos brutais…

É LUGAR DE GENTE LIVRE COMO UM PÁSSARO, SEM RUMO FEITO PARDAL e IRRESPONSÁVEL COMO… UM DEPUTADO FEDERAL! OOOPA!!!!!!!!!!

E, assim, onde passa um boi, passa a boiada… ou a gente monta uma churrascaria. Fiquemos, pois, com o CONGRESSO.

O tipo humano que você não encontra nesse CONDOMÍNIO PECULIAR – nem procurando com telescópio ou microscópio – é o INGÊNUO. Desses o céu e o inferno estão cheios! No CONGRESSO NACIONAL os síndicos barram na porta. E eles não resistem a um mandato e nem à próxima eleição… É uma das regras do jogo, e do CONDOMÍNIO…

A perfeição prática da DEMOCRACIA é admitir a imperfeição constatável em cada cidadão, e das próprias INSTITUIÇÕES. Ela é a salvação; sempre.

O segredo, tentamos aprender, mas adianta pouco, é não ter ilusões; e tomar conta dessa boiada marota.

Ainda assim, é melhor garantir os direitos e obrigações cidadãs, em vez de lutar por SALVADOR DA PÁTRIA, ou por uma PUTINIZAÇÃO, BOLSONARIZAÇÃO, ou autoritarismos “pseudo-salvadores”.

Como vai, vai ruim. Mas, sem democracia e seu representante maior, o CONGRESSO, pode ter certeza de que vai piorar.
postagem 01/03/2024

GOVERNO DILMA: LAVA JATO E CONSEQUÊNCIAS:

NA PÁGINA 304, OS AUTORES DESCREVEM UM DIÁLOGO ENTRE “DILMA E LULA”, NA REUNIÃO HAVIDA NA GRANJA DO TORTO, EM NOVEMBRO DE 2014, PARA A COMPOSIÇÃO DO SEGUNDO GOVERNO DILMA E OS ANDAMENTOS DA OPERAÇÃO LAVA-JATO.

A CONVERSA FOI TESTEMUNHADA POR MUITA GENTE, E A INFORMAÇÃO FOI PASSADA AOS AUTORES DO LIVRO POR UM MINISTRO:

LULA: DILMA, VOCÊ SABE QUAL É A LIÇÃO QUE DEVEMOS TIRAR DESSA ELEIÇÃO?

DILMA: É QUE SOMOS NÓS CONTRA ELES, E NÓS SOMOS MAIORIA, PRESIDENTE.

LULA: NÃO, DILMA, É QUE NÓS ESTAMOS FODIDOS!

E ESTAVAM MESMO. LULA SEMPRE FOI LÚCIDO!
Texto original 20/02/2020

GOVERNO BOLSONARO, O INÍCIO

Lula quando assumiu deu continuidade à política econômica de Fernando Henrique durante os primeiros quatro anos. O Brasil que ele havia recebido organizado bombou, porque os fundamentos foram mantidos e a conjuntura internacional ajudou incrivelmente. Foi bom para todos.

Mas, Lula precisava “demarcar o governo petista”. Então, os seus robozinhos na imprensa espalharam que o PT pegara o país quebrado. Era tudo mentira, como o tempo comprovou. Mas, infelizmente coisas da política…

Havia uma certa confluência ideológica e de princípios entre tucanos e petistas. Cada qual a seu modo era socialdemocrata. Petistas mais à esquerda, estatistas e corporativistas, não se importavam com as contas públicas. Os tucanos mais à direita, gostavam da presença do Estado em parte da economia, e haviam aprendido que manter as contas em dia é fundamental. E, por isso, tenderiam ao híbrido social democracia/liberalismo econômico. Conviviam, portanto, mesmo que às turras.

Mas, na esteira da tragédia econômica perpetrada pelos governos de DILMA ROUSSEFF, a conjuntura levou a quem sobrara na luta política: BOLSONARO, que há muito vinha se posicionando e herdou o antipetismo da sociedade daquela hora, e ganhou a eleição.

Há um problema ideológico insolúvel entre petistas e bolsonaristas. Então, eu pergunto: Como seria possível enfrentar uma oposição que, literal e necessariamente, seria radical? BOLSONARO partiu para o confronto direto e permanente, que foi se cristalizando no governo dele, com projeção para o futuro.

Ele, tem razão! Por melhor que faça sempre será contestado e não reconhecido. E, até o momento está ganhando a disputa.

Conseguiu passar a reforma da Previdência; e conseguiu por vias ortodoxas diminuir radicalmente o custo dos juros anuais pagos pela dívida pública interna.

Em 2015, DILMA pagou 583 bilhões de reais. Em 2019, Bolsonaro pagou algo com 373 bilhões de reais. E mesmo com a dívida bem maior do que ele herdou, a queda radical no pagamento de juros gerou sobras de caixa para 2020.

Ou seja: ortodoxia monetária funciona! Só entre Previdência e Dívida pública a perspectiva de melhora fica evidente. Sem falar em concessões e privatizações. Haverá outras reformas que reforçarão os fundamentos da economia.

Um amigo observou que, no governo Bolsonaro, não foi anunciado nenhum plano de obras. O que é muito bom para o país que, pela primeira vez, está focando terminar o que foi iniciado, antes de propor outras coisas. E está sendo feito. É um mérito enorme do governo atual!

E quando o executivo reclama da castração orçamentária proposta pelo legislativo, o faz com muita razão. Ele cortou dinheiro que o próprio executivo conseguiu. O legislativo deveria ter a compreensão de que há necessidades que também são prementes no executivo. E fiscalizar. Mas, já estão conversando e, certamente, se entenderão – de um jeito ou de outro…

Há enormes dificuldades pela frente e, muitas delas, criadas pelo próprio governo e a sua incapacidade de fomentar diálogo com os adversários. Paciência. Apenas um outro detalhe: não há, por enquanto, nada, nadinha contra Jair Bolsonaro. Ao contrário; durante o pouco tempo de governo dele não se ouviu falar em corrupção diretamente criada ou forjada no executivo.

Portanto, isto me leva a uma perguntinha capciosa: NÃO TERIA SIDO MELHOR SE O AÉCIO TIVESSE GANHADO AS ELEIÇÕES CONTRA DILMA, em 2014? Ao menos não teríamos a crise política que se seguiu, e o governo dele teria tomado as providências saneadoras muito antes. O Brasil jamais teria chegado ao ponto ao qual chegamos! E hoje a disputa política provavelmente estaria centrada entre adversários e não entre inimigos.

Texto original 29/02/2020

RECORDANDO O “SR. SPOCK”, “DR. HOUSE” E A “ESCRAVA ISAURA”. TRÊS ÍCONES MUNDIAIS!

 

Se houvesse ocorrido um encontro na BRACARENSE, lá no Rio; ou no VALADARES, aqui sem São Paulo entre os atores “LEONARD NIMOY”, “HUGH LAURIE” e “LUCÉLIA SANTOS”, os “cavalos de santo” do “SR. SPOCK”, “DR. HOUSE” e da “ESCRAVA ISAURA”, eu adoraria ter estado presente, e até pagaria a conta!

Vocês talvez tenham reparado o que têm em comum esses três: tornaram-se ÍCONES INTERNACIONAIS (INTERGALÁTICOS?) muito além da cultura que os projetou.

De Miami a Mianmar, de Pretória a Monróvia, de Pequim a Quixeramobim, do Taiti a Madri, todos mundo sabe ou soube quem são eles!

Quando LUCÉLIA interpretou a Escrava Isaura eu nem quis saber da história. Como todo pretendente a intelectual, naqueles tempos, e respaldado em arrogância e um sempre negado elitismo, eu achava que a televisão era mesmo, e apenas, máquina de fazer doidos.

Houve tempos onde o TIO SÉRGIO se negava a assistir novelas, e ver TV só programas de noticias. Preferia ir com a Angela ao cinema e a outras “atividades-cabeça”, que viventes nos anos 1970 achavam imprescindíveis.

Mas, com o passar do tempo, a vida mais assentada e doméstica, passamos a assistir algumas novelas, etc…

Eu gosto da construção da linguagem, e de um certo contato organizado com a vivência do cotidiano. Então, filmes, séries e o vasto etc… hoje acessíveis via STREAMING e outros meios tornaram-se imprescindíveis.

Eu sei o quanto LUCÉLIA SANTOS extrapolou a si e ao Brasil. O personagem foi “case” cultural de alto impacto.

E tanto a brasileira como HUGH LAURIE, o Dr. HOUSE; e LEONARD NIMOY, o SR SPOCK de Jornada nas Estrelas, todos tornaram-se vítimas do próprio sucesso, nessa viagem à fronteira final que seus inesquecíveis personagens fizeram.

Três bons atores, certamente. Mas, carregam o KARMA do pretenso “único personagem”, sambinhas de uma nota só que injustamente ostentaram. Eles fizeram mais do que isso, e LUCÉLIA é um exemplo nítido.

Porém, como nas discussões políticas eivadas por ideologia, isso não importa: eles são eternamente culpados…

O Sr. SPOCK e o Dr. HOUSE adentraram o meu imaginário e não sairão mais dele.

Claro, são personagens diferentes entre si, mas têm característica em comum: inteligência acima da conta; e fé na razão e na ciência como instrumentos para a resolução de problemas. Sejam lá quais forem…

Eles são de épocas diferentes. Nos tempos do COMANDANTE KIRK nem se cogitava o conceito de inteligência emocional. E, se SPOCK era a razão pura, o Dr. McCOY, o médico da espaçonave, era a expressão do emocional. E a síntese funcional era o CAPITÃO KIRK, a simbiose que tudo decidia, conduzia e fazia dar certo.

Hoje, sabe-se que não é “bem assim” que funciona…

É interessante notar que o “JORNADA nas ESTRELAS”, que estreiou em 1965, é uma série de TV contemporânea ao surgimento do ROCK PSICODÉLICO, do TEATRO do ABSURDO, e da expansão das DROGAS LISÉRGICAS. Entre as novas expressões artísticas e comportamentais que privilegiavam a liberação emocional e comportamental dos indivíduos. Dois anos depois, tivemos 1968 e suas decorrências. Portanto…

A expressão da racionalidade como aspiração deve conter verdades que ainda não sabemos. E a predominância do “non-sense” também continua mistério não solucionado. Dualidades prevalentes na ópera bufa do viver.

Com o Dr. HOUSE é diferente. Em tempos em que se procura o uso da “INTELIGÊNCIA EMOCIONAL” vem esta série onde os personagens são profundamente inteligentes, e abissalmente desequilibrados.

GREGORY HOUSE é um infeliz com problemas crônicos de saúde, abuso de drogas, arrogância sem limites, e relativização da ética beirando o criminoso. Ele foi preso, em alguns capítulos e no final apagou sua identidade aproveitando para “morrer” em incêndio…

Porém, é a criatura genial que resolve problemas raros e complicados – é o que me parece, porque não tenho a menor ideia da parte médica… Como líder, ele constituiu uma equipe heterogênea, composta por outros médicos superdotados e eficazes.

O fascínio dos filmes da série está nos diálogos inteligentes, corrosivos, no “humor do mal”, e nas atitudes politicamente incorretas que HOUSE toma.

E, como quase tudo o que é interessante, também vai contra a moral estabelecida de sua época. Viver é contestar e aprender para aprender…

Pensando um pouco além, e retomando o fiozinho de arrogância que não abandona minh´alma, às vezes eu me surpreendo porque “OSOUTROS”, “OSAMIGOS” e “ASAMIGAS” não fazem o que eu prego e muito menos pensam como eu penso… Que gente cabeça dura, não é mesmo?

É nítido e claro que a maioria não é irracional, mas simplesmente filtra emocionalmente as suas próprias conclusões. Somos todos racionais…

O problema é que muitas vezes “eu gostaria” que muitos fossem mais, hummm, cerebrais…Arrogância nítida, pura e simplesmente.

E, como a gente viu no Sr. SPOCK e vê no DR HOUSE, não é assim que o bicho homem funciona.

Então, vida longa, saudável e próspera! E com muita dissenção e bagunça criativa, o verdadeiro motor da existência e da vida neste SANSARA PSICODÉLICO que coabitamos!

AS BELAS DA TARDE PERDIDA NO TEMPO

HISTORINHAS QUE O TIO SÉRGIO LEMBRA

Uma tarde, paulistana tarde, em bairro próximo a bairro nobre da zona sul da Capital de São Paulo, eu e o então meu amigo Ricardo visitamos outro amigo dele. Evento perdido no tempo. Talvez há uns 49, 50 anos.

Era um cara legal e mais velho do que nós dois. Italiano e algo reservado; arquiteto em fase de projeção que, depois, tornou-se famoso. Morava em casa moderna e ampla que havia construído. Intrigante, cool!

Tinha discos, mas o som não era essas coisas…

O que “eram” demais – e se me recordo, um tanto a mais do que demais!!!! – eram as duas namoradas que coabitavam fazendo um Power Trio harmônico, excitante, fora das normas: uma negra e outra branca. Belas. Mas, nada esfuziantes! Naturalmente integradas aos comportamentos que rolavam no anno domini de 1972, por aí…

A dobradinha literalmente sem bucho incendiou minha imaginação, que perscrutava hipóteses, técnicas, táticas, capítulos e integrações possíveis entre aqueles três. Moderno ao cúmulo; mas, improvável pelo que eu conhecia na prática da vida.

Chegamos lá, recepção casual, sem bebidas ou antipatias, mostraram para nós a aranha capturada dentro da casa. Enorme; perigosa, mas rejeitada em vidro de maionese. Era parte da decoração, um contraponto incômodo.

E veio o cachorro, de raça, talvez pastor alemão. Grande, mas abilolado por uma brincadeira que vi, tempos após, em um estúdio de rádio durante o programa “KALEIDOSCÓPIO”, do Jaques Sobretudo Gersgorin, em meados dos anos 1970:

O pessoal fumava maconha e soltava a fumaça no focinho dos bichos! Eu garanto: cachorro voa; aqueles pobres, ao menos, voavam…Maldade, ontem; e crime, hoje em dia…mas, parte do underground, da contestação periférica à caretice da ditadura…

Este pessoal era da ala psicodélica da esquerda…

A visita foi para bater papo, distrair o ócio. Coisas entre vizinhos, que Ricardo, o meu amigo, e o arquiteto eram.

O quarteto fumou maconha; eu não. Odeio a erva. E ficou a observação do natural improvável; e, depois disso, os perfeitamente possíveis trios, ou quartetos, quintetos, múltiplas escolhas e conúbios que sempre aconteceram e acontecem…Sexo é banal…

O tempo passou, nunca mais ouvi falar do Ricardo. Sobre o arquiteto famoso eu soube, mas não falo; das moças não sabia e jamais soube.

Discrição e naturalidade são meios de se penetrar no âmago dos pequenos segredos. Quem fofoca não é convidado. E, antes de tudo, eu sempre fui um cavalheiro…

RENATO VON GLEHN, O BEM-VINDO

Conheci Renato a uns quarente anos. É pai da Isabela, casada com o Toninho, meus cunhados. Nos víamos vez por outra em festas familiares ou ocasiões especiais, e minhas impressões sobre ele sempre foram as melhores. Renato é ( eu mantenho no presente ) das raras pessoas bem-vindas em quaisquer ambientes.

Papeamos diversas vezes. A mesa, os copos, a música – geralmente o bom samba que o Toninho e sua turma sempre nos propiciam -, e mais gente conversando, agregando assunto à vida sempre curta.

Conversar é preciso – porque para gente como “seo” Renato papear é viver! Viveu, vive…

Renato é ( continuo no presente ) um dos grandes contadores de histórias que conheci. Começo, meio e fim. Experiências, invenções, exemplos catados em fragmentos de memória, e transformados no papo que seguia ( segue? )…

Entre os melhores momentos em que cruzamos não foge de mim um final de ano, talvez 20 atrás, em Cotia, na casa do Toninho e da Isabela.

À mesa na varanda, idosa, digna, cult estávamos eu, Renato, meu pai Fernando, o Antonio meu sogro, e um velho e querido amigo de todos nós, Naiff Haidar.

Arrisco afirmar que as pedras de gelo poucas vezes sentiram-se tão honradas e à vontade. A conversa regou o prazer da convivência; esticada ano novo adentro…Inesquecível!

Há três anos Renato deu um passo a frente de todos nós. E estivemos lá honrando sua existência. E, depois, fizemos o que ele fez em incontáveis ocasiões: fomos ao Restaurante do Clube Colping, um aconchegante lugar para comer e beber, no Campo Belo, São Paulo, e ocupamos várias mesas.

Cerca de 50 pessoas entre parentes e amigos. Repetimos a preferência do Renato com dor na vida e alegria triste no coração.

Quando saí, disse a todos: quando eu estiver pela bola sete, e depois de ela cair na caçapa, que todos se encontrem num bar para celebrar a vida pontuada pela morte.

Sempre inevitável como a dor.

Renato gostou do que a turma fez@

LULA, A MERITOCRACIA, A HIPOCRISIA E O POPULISMO

Poucos cidadãos brasileiros tiveram ou têm uma vida tão original e interessante quanto LUIZ INÁCIO DA SILVA. Sim, ele! Se fosse americano, seria considerado como ícone do sistema.

Não sei se vocês estão lembrados, mas ele e o GEORGE BUSH, o filho, se deram para lá de bem quando se conheceram, já que contemporâneos nas presidências.

E por que isto aconteceu?

Eles se reconheceram muito próximos. O americano em sua cultura. E LULA em um dos valores básicos que os americanos – e cá entre nós, todo mundo – reconhecem, que é o trabalho, o foco, o esforço.

Não sejamos hipócritas, sair de torneiro mecânico para líder sindical e de lá para o proscênio brasileiro e mundial exige esforço, dedicação e, principalmente,vocação, foco e talento.

Quem o consegue tem méritos. E, se chegou lá, é um exemplo do que a ideia de meritocracia deve expor para convencer os que dela duvidam.

Seria um grande exemplo por aqui! E uma advertência para os que dela fogem ou a tentam demolir.

LULA é um exemplo do que o indivíduo pode fazer, apesar das dificuldades. Gente diferenciada tem de ser tratada como excepcional, ter reconhecidos os seus méritos, e receber seus direitos. Inclusive ganhando mais, muito mais, se for possível e se dentro da legalidade.

TOM JOBIM não era um músico qualquer. LULA não é um cidadão comum.

Agora vejam: um dos piores traços da cultura brasileira é achar que todos os que chegam lá o fizeram por seus deméritos, e não por esforço e outros predicados.

Somos assim, desconfiamos dos que se destacam. E, claro, estou falando de uma certa grande minoria entre os cidadãos: aqueles que fazem tudo certo e chegam lá.

Que horror!, dirá a massa de SACIS IDEOLÓGICOS. É preciso equalizar, garantir o mesmo ganho para os professores excepcionais e aqueles normais. Vitória do sindicalismo egoísta que nos assola exigindo isonomias, quando precisamos de gente que se destaque, que fuja da média.

Claro, o que deve existir, porque básico em qualquer sociedade mais justa, são igualdades de oportunidades. E, para isso, é pré condição a existência de uma sociedade mais igualitária na base.

Agora quais são ou foram os problemas como o LUIZ INÁCIO? Principalmente quando acusado no MENSALÃO e no PETROLAO?

Basicamente dois:

POLITICAMENTE falando, é o POPULISMO, que o faz e fez disfarçar de todas as maneiras negando aquilo que conquistou, não assumindo que é um homem rico, porque precisa manter sua “base” sob controle. Em decorrência, pessoalmente ele é um hipócrita.

Imaginem se LUIZ IINÁCIO LULA Da SILVA tivesse dito, em 2016: ” “Escuta aqui, companheiro, eu consigo ganhar uns R$ 150.000,00 reais, por baixo, por cada palestra que eu faço. Então eu consigo tirar bruto R$ 3.600.000,00 por ano, descontando os impostos,eu fico com R$ 2.610.000,00, como eu tô fora há 5 anos, então eu consegui faturar livre por baixo, uns R$ 13.050.000,00. Isto sem falar do meu salário e minhas aposentadorias”.

Bom, ele também não fez porque, segundo a LAVA JATO, havia um acordo para receber, no mole, as benesses no SÍTIO E NO APTO DO GUARUJÁ. Havia evidências e provas disso.

QUA’, Pato-cidadão! se ele tivesse feito isso, não seria votado nem pra gandula no campo do São Bernardo! Acabaria a mística petista!!!!!!

Isto nos leva a algumas conclusões: a) ele poderia ter comprado tranquilamente o tal apto no Guarujá; e o tal sítio, também. Mas, se ele nega isso e for provado que é dele, então é sonegador e corrupto e um péssimo exemplo pra todo o mundo.

Tudo isso para dizer que populismo+hipocrisia+desconfiar da meritocracia não pode dar em nada de bom.