THE WHO – WHOS’ NEXT – EM TRÊS VERSÕES: VINIL e CDS

Eu criei e mantenho uma espécie de ALFARRÁBIO MENTAL, acúmulo mal filtrado de leituras e percepções de passado remoto.

Nascido na década de 1950, mas criatura dos 1960 e 1970, onde formei vocabulário de vida que, independentemente de tudo, ainda resguarda convicções, prazeres, seduções e parte da minha visão de mundo.

Filosofices à parte, hoje recordei frase de crítico em publicação importante, talvez a MELODY MAKER, quando “WHO´S NEXT” foi lançado, em 1971.

O cara escreveu mais ou menos o seguinte: “Se você não for um jovem intoxicado por barulhos e “otras cositas mas”, terá de admitir que o “WHO” evoluiu”!

Claro, eu fui um dos intoxicados por barulhos brancos, ROCKS pesados digeridos feito pedra, mesmo que a única “cosita a mas” que me intoxicava – e continua intoxicando – é a cerveja!

Mas o tempo, senhor absoluto da dissenção, no caso fez-me ver que, realmente, “THE WHO” evoluíra.

Gosto do WHO, como a maioria dos rockers da minha geração, e das posteriores também. Mas, os prefiro na fase antes de TOMMY explodir, em 1969. Vou expor minha visão sobre a música deles no período.

Acho os SINGLES da banda excelentes, talvez os mais violentos, joviais e pesados feitos de meados para o final dos 1960. Há diversos excepcionais como “I CAN SEE FOR MILES”, “PICTURES OF LILY”, “MY GENERATION” e “MAGIC BUS”, para escolher uns poucos!

O primeiro álbum, “THE WHO SINGS MY GENERATION”, 1965, é garageiro, visceral e imprescindível. Colisão efervescente de R&B e BEAT ROCK. Na sequência, “A QUICK ONE”, 1966; “THE WHO SELL OUT”, 1967; e “MAGIC BUS”, 1968, formam a TRIO PSICODÉLICO tipicamente britânico, e são a cara deles, também: ROCK PESADO e bem feito.

Deixo prá lá “TOMMY”, “QUADROPHENIA”, e os discos posteriores.

Resumindo o resumo, e considerando as performances ao vivo, é uma banda de ROCK espetacular!

É interessante, o álbum resultante em “WHO´S NEXT” é o que sobrou de uma ideia maluca e megalomaníaca de PETE TOWNSHEND.

Quiseram ir além do que haviam conseguido com TOMMY, que o tempo demonstrou ser disco profético: afinal, “putativos cegos, surdos e mudos” manipulando “computadores’ em videogames, jogos virtuais; e isolados em si mesmos é o que se vê mundo afora, em qualquer lugar ou cidade. Claro, é uma constatação limite. Operar e interagir com a modernidade tecnológica é essencial, e isso atrai os mais jovens…

PETE queria em “LIFEHOUSE” nada menos do que fazer a obra definidora, e pretensamente definitiva que revitalizasse o ROCK como utopia funcional, usando a energia das ruas, e desvelando uma certa singeleza bem intencionada nas pessoas…Algo um pouco diferente da utopia HIPPIE sessentista.

Ele pensou o ROCK como real veículo de consciência; mais reflexivo, e mais livre de imposições comerciais, integrando o público e todo o ambiente dos concertos à performance da BANDA. E trabalhou para criar algo que envolvesse eletrônica, computadores e teatro. Ou seja, uma performance total, que elevaria o ROCK a outro patamar artístico e existencial. Só isso, modestamente…

Talvez ele não percebesse que tudo que é totalizante pode tender ao totalitário… Mas, aí é outro papo.

Para isso, escreveu material para um álbum conceitual duplo. Queria fazer um filme, também…E fizeram algumas apresentações em teatro… Mas, foi tudo pela escadaria do tempo abaixo, porque impossível e cheio de entraves técnicos e financeiros.

O que restou das músicas já gravadas foram em parte utilizadas na estruturação de “WHO’S NEXT”. E muita coisa foi perdida.

A visão geral revela um disco de HARD ROCK PROGRESSIVO. Há gotas remanescentes do R&B original, de algum FOLK, e tudo embebidos no ROCK PSICODÉLICO pelo qual passaram, mas formando na perspectiva como a de seus concorrentes daquele momento.

Parafraseando CHRISSIE HINDE, que veio bem depois: “Don’t Get me Wrong”. Havia todo um clima e sonoridade que passou pelo JETHRO TULL, HUMBLE PIE, URIAH HEEP, TRAPEZE, o próprio LED ZEPPELIN. O que fez “THE WHO” foi sintetizar esse climão no estilo e do jeito deles. A produção foi da banda, com a participação de todos, e de GLYN JOHNS.

“WHO´S NEXT” é o primeiro disco da história onde os computadores, que foram programados sequencialmente por PETE TOWNSHEND, participam como integrantes estruturais da obra!!!! Depois disso, inundaram o POP e a música em geral para todo o sempre!

Os arranjos estão mais bem elaborados. Além dos sintetizadores, há violino, e o piano com NICK HOPKINS, AL KOOPER, e outros. A pegada de KEITH MOON na bateria está mais disciplinada. E o violão e a guitarra de TOWNSHEND muito bem tocados. Em algumas faixas percebe-se sonoridade à JOE WALSH que, aliás, o havia presenteado com uma cópia da guitarra dele.

O baixo muito eficiente de JOHN ENTWISTLE brilha nesse disco; E a interpretação de ROGER DALTREY continuou incendiária. E talvez ele, PETE TOWNSHEND, e ENTWISTLE nunca tenham cantado tão bem!

Tudo considerado é nitidamente THE WHO, mas cultivando cepas nobres na videira tradicional…Então, agora TIO SÉRGIO acha, sim, que é o melhor álbum feito por eles!

Seria?

Dias atrás, vi este PICTURE DISC recente do “WHO´S NEXT”, lançado em 2023. É muito bonito e eles prometeram VINIL de qualidade com 180gramas. Custou perto de $14,00 BIDENS, uns R$ 75,00 MANDACARUS pátrios, entregues na minha toca.

Postei duas versões em CD; uma japonesa, mais equilibrada, em SHMCD, mas sem quaisquer bônus. A outra, é americana e um tanto mal remasterizada, mas que traz material adicional da época.

Temos aqui um verdadeiro clássico, e ainda bastante atual.

Não deixem de ter!

THE WHO – WHOS´NEXT – EM TRÊS VERSÕES: VINIL e CDS

Eu criei e mantenho uma espécie de ALFARRÁBIO MENTAL, acúmulo mal filtrado de leituras e percepções de passado remoto.

Nascido na década de 1950, mas criatura dos 1960 e 1970, onde formei vocabulário de vida que, independentemente de tudo, ainda resguarda convicções, prazeres, seduções e parte da minha visão de mundo.

Filosofices à parte, hoje recordei frase de crítico em publicação importante, talvez a MELODY MAKER, quando “WHO´S NEXT” foi lançado, em 1971.

O cara escreveu mais ou menos o seguinte: “Se você não for um jovem intoxicado por barulhos e “otras cositas mas”, terá de admitir que o “WHO” evoluiu”!

Claro, eu fui um dos intoxicados por barulhos brancos, ROCKS pesados digeridos feito pedra, mesmo que a única “cosita a mas” que me intoxicava – e continua intoxicando – é a cerveja!

Mas o tempo, senhor absoluto da dissenção, no caso fez-me ver que, realmente, “THE WHO” evoluíra.

Gosto do WHO, como a maioria dos rockers da minha geração, e das posteriores também. Mas, os prefiro na fase antes de TOMMY explodir, em 1969. Vou expor minha visão sobre a música deles no período.

Acho os SINGLES da banda excelentes, talvez os mais violentos, joviais e pesados feitos de meados para o final dos 1960. Há diversos excepcionais como “I CAN SEE FOR MILES”, “PICTURES OF LILY”, “MY GENERATION” e “MAGIC BUS”, para escolher uns poucos!

O primeiro álbum, “THE WHO SINGS MY GENERATION”, 1965, é garageiro, visceral e imprescindível. Colisão efervescente de R&B e BEAT ROCK. Na sequência, “A QUICK ONE”, 1966; “THE WHO SELL OUT”, 1967; e “MAGIC BUS”, 1968, formam a TRIO PSICODÉLICO tipicamente britânico, e são a cara deles, também: ROCK PESADO e bem feito.

Deixo prá lá “TOMMY”, “QUADROPHENIA”, e os discos posteriores.

Resumindo o resumo, e considerando as performances ao vivo, é uma banda de ROCK espetacular!

É interessante, o álbum resultante em “WHO´S NEXT” é o que sobrou de uma ideia maluca e megalomaníaca de PETE TOWNSHEND.

Quiseram ir além do que haviam conseguido com TOMMY, que o tempo demonstrou ser disco profético: afinal, “putativos cegos, surdos e mudos” manipulando “computadores’ em videogames, jogos virtuais; e isolados em si mesmos é o que se vê mundo afora, em qualquer lugar ou cidade. Claro, é uma constatação limite. Operar e interagir com a modernidade tecnológica é essencial, e isso atrai os mais jovens…

PETE queria em “LIFEHOUSE” nada menos do que fazer a obra definidora, e pretensamente definitiva que revitalizasse o ROCK como utopia funcional, usando a energia das ruas, e desvelando uma certa singeleza bem intencionada nas pessoas…Algo um pouco diferente da utopia HIPPIE sessentista.

Ele pensou o ROCK como real veículo de consciência; mais reflexivo, e mais livre de imposições comerciais, integrando o público e todo o ambiente dos concertos à performance da BANDA. E trabalhou para criar algo que envolvesse eletrônica, computadores e teatro. Ou seja, uma performance total, que elevaria o ROCK a outro patamar artístico e existencial. Só isso, modestamente…

Talvez ele não percebesse que tudo que é totalizante pode tender ao totalitário… Mas, aí é outro papo.

Para isso, escreveu material para um álbum conceitual duplo. Queria fazer um filme, também…E fizeram algumas apresentações em teatro… Mas, foi tudo pela escadaria do tempo abaixo, porque impossível e cheio de entraves técnicos e financeiros.

O que restou das músicas já gravadas foram em parte utilizadas na estruturação de “WHO’S NEXT”. E muita coisa foi perdida.

A visão geral revela um disco de HARD ROCK PROGRESSIVO. Há gotas remanescentes do R&B original, de algum FOLK, e tudo embebidos no ROCK PSICODÉLICO pelo qual passaram, mas formando na perspectiva como a de seus concorrentes daquele momento.

Parafraseando CHRISSIE HINDE, que veio bem depois: “Don’t Get me Wrong”. Havia todo um clima e sonoridade que passou pelo JETHRO TULL, HUMBLE PIE, URIAH HEEP, TRAPEZE, o próprio LED ZEPPELIN. O que fez “THE WHO” foi sintetizar esse climão no estilo e do jeito deles. A produção foi da banda, com a participação de todos, e de GLYN JOHNS.

“WHO´S NEXT” é o primeiro disco da história onde os computadores, que foram programados sequencialmente por PETE TOWNSHEND, participam como integrantes estruturais da obra!!!! Depois disso, inundaram o POP e a música em geral para todo o sempre!

Os arranjos estão mais bem elaborados. Além dos sintetizadores, há violino, e o piano com NICK HOPKINS, AL KOOPER, e outros. A pegada de KEITH MOON na bateria está mais disciplinada. E o violão e a guitarra de TOWNSHEND muito bem tocados. Em algumas faixas percebe-se sonoridade à JOE WALSH que, aliás, o havia presenteado com uma cópia da guitarra dele.

O baixo muito eficiente de JOHN ENTWISTLE brilha nesse disco; E a interpretação de ROGER DALTREY continuou incendiária. E talvez ele, PETE TOWNSHEND, e ENTWISTLE nunca tenham cantado tão bem!

Tudo considerado é nitidamente THE WHO, mas cultivando cepas nobres na videira tradicional…Então, agora TIO SÉRGIO acha, sim, que é o melhor álbum feito por eles!

Seria?

Dias atrás, vi este PICTURE DISC recente do “WHO´S NEXT”, lançado em 2023. É muito bonito e eles prometeram VINIL de qualidade com 180gramas. Custou perto de $14,00 BIDENS, uns R$ 75,00 MANDACARUS pátrios, entregues na minha toca.

Postei duas versões em CD; uma japonesa, mais equilibrada, em SHMCD, mas sem quaisquer bônus. A outra, é americana e um tanto mal remasterizada, mas que traz material adicional da época.

Temos aqui um verdadeiro clássico, e ainda bastante atual.

Não deixem de ter!
Postagem original: 03/03/2024

BATERISTAS: DOIS MÚSICOS IMENSOS!!! EARL PALMER E BILLY HIGGINS!!!

 

São contemporâneos, estiveram no auge mais ou menos ao mesmo tempo. E não poderiam ser tão diferentes um do outro!

EARL PALMER, nasceu em 1924 e morreu em 2008. Foi o primeiro músico de estúdio a entrar para o ROCK AND ROLL HALL OF FAME, em 2000. Um honra enorme!

A sua noção de ritmo, drive, tempo e andamento eram magistrais! Usava um kit de bateria de poucos componentes, e os dominava à perfeição. Fez parte do histórico WRECKING CREW, grupo meio mutante de músicos de estúdio que dominou o cenário POP da costa leste americana, à partir do início dos anos 1960…

Por lá passaram LEON RUSSELL, GLEN CAMPBELL, NEIL DIAMOND, CAROL KAYE e outros que sabiam tocar de verdade.

Há um vídeo de PALMER com a grande baixista CAROL KEYE, os dois ensaiando no estúdio e combinando como fazer atuar em uma gravação. É uma aula de “DRUM AND BASS”… ooopppsss, estou antecipando o futuro em algum tempo… Ali se percebe a leveza da batida de EARL combinada com o “PUNCH” de CAROL!!!!

Os dois tocaram com com Deus, Shiva, e todo mundo . Ela fez mais de dez mil sessões de gravação, e ele certamente outro tanto.

Vou citar alguns poucos entre os artistas que PALMER acompanhou, sem mencionar a longa lista de CLÁSSICOS e HITS em que participou: FRANK SINATRA, DUANE EDDY, BOB VEE, JULIE LONDON, RICK NELSON, THE BYRDS, MAMA´S AND THE PAPAS, BEACH BOYS, NEIL YOUNG, TOM WAITS, B.B.KING, SUPREMES, IKE AND TINA TURNER, ELVIS COSTELLO, DR. JOHN, RAY CHARLES…

Ele também está em versão de LOU RAWLS fazendo “GAROTA DE IPANEMA”. E em “YOU´VE LOST THAT LOVIN FEELING”, dos RIGHTEOUS BROTHERS; e “SUMMERTIME BLUES”, de EDDIE COCHRAN, clássicos supremos. Além de incontáveis gravações com a turma do JAZZ!!!

Para os BYRDMANÍACOS, há um REMIX fantástico de GENE CLARK na lindíssima “THE SAME ONE”, acompanhado por PALMER, LEON RUSSELL, e GLEN CAMPBELL. É imperdível!

EARL PALMER era a precisão incorporada, estilizada e aplicada. O baterista craque supremo nas gravações de POP, ROCK e R&B de sua época.

É possível argumentar que BILLY HIGGINS tenha sido o “inverso”, artisticamente falando, de EARL PALMER. Ele foi um dos criadores do idioma da BATERIA no JAZZ EXPERIMENTAL, NO FREE e na AVANT GARDE.

O grande clássico de ORNETTE COLEMAN e outros, “FREE JAZZ”, de 1961, tem HIGGINS em uma das baterias. Ele tocava com muito SWING, batida precisa, e capacidade de interagir de maneira complexa com os solistas.

Músico sofisticado, ele deu aulas na UNIVERSIDADE DA CALIFÓRNIA. Participou em mais de 700 sessões de gravação, e foi um dos mais ocupado músico de seu tempo. Sabia acompanhou do HARD BOP ao POST BOP.

O portfólio gravado em que BILLY participou inclui DONALD BYRD, DEXTER GORDON, GRANT GREEN, HERBIE HANCOCK, THELONIOUS MONK, JOE HENDERSON, MAL WALDRON, e muita gente da BLUE NOTE RECORDS.

E, também, PAT METHENY, JOSHUA REDMAN, TONINHO HORTA, e o compositor vanguardista meio maluquete LaMONTE YOUNG.

Aqui estão dois LPs solo que o TIO SÉRGIO descolou a preços em torno dos $ 13 BIDENS, cada. Uns de 70 MANDACARUS, entregues na porta de casa:

THE SOLDIER, é onde BILLIE HIGGINS expõe sua classe, técnica e verve. E, “DRUMSVILLE” é o disco onde PALMER faz versões de CLÁSSICOS em participou das gravações originais. Fica nítida a sua veia para o POP.

São duas pedradas muito bem arremessadas! Procure no YOUTUBE.

EARL PALMER e BILLY HIGGINS foram dois monumentos extra-classe em seus instrumentos, a serviço da melhor música popular produzida em seus tempo!

Arrisque!
Publicação original 03/03/2024

RENATO TEIXEIRA & ALMIR SATER: E A MÚSICA BRASILEIRA CAIPIRA DE RAIZ

Certa vez, o GLOBO RURAL, ótimo jornal da TV GLOBO sobre pecuária, agricultura e coisas do campo, fez matéria sensacional, aproveitando o cantor e compositor RENATO TEIXEIRA.

Foi um primor TÉCNICO, ARTÍSTICO e JORNALÍSTICO, realizado pelo veteraníssimo repórter HAMILTON RIBEIRO, profissional ícone da imprensa brasileira, ex-correspondente de guerra que perdeu a perna pisando em mina, no VIETNÃ, em 1968, quando cobria o conflito pela revista “REALIDADE”.

HAMILTON levou RENATO TEIXEIRA para um giro na região de PIRAPORA do BOM JESUS, em São Paulo. E passaram por diversas cidades, filmadas na essência CAIPIRA do interior do Estado.

O texto intercalava citações da clássica “ROMARIA”, gravada por sabe-se lá quantos, mas consagrada na voz de ELIS REGINA, revelando a unidade entre poesia, imagem e sabedoria popular de um jeito emocionante, preciso.

Raras vezes se viu a exposição de alma da gente simples de nosso interior com tanta profundidade, compreensão e humanismo, e ainda conjugados e transmitidos em apenas DEZ minutos!

Para complementar, a revista VEJA também publicou resenha elogiosa sobre o último disco de RENATO TEIXEIRA em parceria com ALMIR SATER. E mais uma vez constatou o óbvio: RENATO escreve soberbamente e compõe a melhor MÚSICA RURAL, CAIPIRA e, vá lá, eu concedo, SERTANEJA! – a definição errada que pegou.

Eu sou insuspeito para escrever sobre isto e dizer para vocês assistirem ao programa no NETFLIX ou GLOBOPLAY (é esse o nome?) . E, claro, lerem a matéria da VEJA.

Digo, também, para vocês comprarem o disco dos caras.

Não é a minha praia, mas poucas vezes fiquei tão comovido e admirado.

RENATO TEIXEIRA está entre os grandes de PINDORAMA!
POSTAGEM ORIGINAL 03/03/2021

CONGRESSO NACIONAL E A DEMOCRACIA

Cercado e coberto é misto de CIRCO e HOSPÍCIO. Se colocado sobre rodas vira CAMBURÃO, e leva a grande maioria dos habitantes direto para a delegacia.

E boa parte ficaria por lá mesmo…

Falar mal dos políticos é ESPORTE RADICAL em qualquer país. A torcida os vaia; eles fazem por merecer. E a gente nunca erra quando os coloca sob suspeitas. Eles aprontam demais! É só observar…

Mas, o que se há de fazer?

Sem eles a DEMOCRACIA não aflora. E a política bruta estupra a maioria de nós, em vez de…uma suave e sedutora defloração… ( Vai dizer bobagem assim lá no sambódromo, TIO SÉRGIO!)

Porém, o CONGRESSO é o ESPELHO da DEMOCRACIA e da BRASILIDADE. Não duvide, é fato comprovado.

Lá convivem santos e decaídos; prostitutas e padres; boçais e intelectuais; burros e casmurros; os ideológicos, os lógicos e os antológicos…

E todos misturados a parlamentares que são “verdadeiros” pâncreas, rins, fígados e estômagos…, de tão FISIOLÓGICOS… Aliás, a maioria…

E lá se ouvem gritos, suspiros e ssssussurros; e as falas dos mentirosos, dos falaciosos, dos justos e dos brutais…

É LUGAR DE GENTE LIVRE COMO UM PÁSSARO, SEM RUMO FEITO PARDAL e IRRESPONSÁVEL COMO… UM DEPUTADO FEDERAL! OOOPA!!!!!!!!!!

E, assim, onde passa um boi, passa a boiada… ou a gente monta uma churrascaria. Fiquemos, pois, com o CONGRESSO.

O tipo humano que você não encontra nesse CONDOMÍNIO PECULIAR – nem procurando com telescópio ou microscópio – é o INGÊNUO. Desses o céu e o inferno estão cheios! No CONGRESSO NACIONAL os síndicos barram na porta. E eles não resistem a um mandato e nem à próxima eleição… É uma das regras do jogo, e do CONDOMÍNIO…

A perfeição prática da DEMOCRACIA é admitir a imperfeição constatável em cada cidadão, e das próprias INSTITUIÇÕES. Ela é a salvação; sempre.

O segredo, tentamos aprender, mas adianta pouco, é não ter ilusões; e tomar conta dessa boiada marota.

Ainda assim, é melhor garantir os direitos e obrigações cidadãs, em vez de lutar por SALVADOR DA PÁTRIA, ou por uma PUTINIZAÇÃO, BOLSONARIZAÇÃO, ou autoritarismos “pseudo-salvadores”.

Como vai, vai ruim. Mas, sem democracia e seu representante maior, o CONGRESSO, pode ter certeza de que vai piorar.
postagem 01/03/2024

GOVERNO DILMA: LAVA JATO E CONSEQUÊNCIAS:

NA PÁGINA 304, OS AUTORES DESCREVEM UM DIÁLOGO ENTRE “DILMA E LULA”, NA REUNIÃO HAVIDA NA GRANJA DO TORTO, EM NOVEMBRO DE 2014, PARA A COMPOSIÇÃO DO SEGUNDO GOVERNO DILMA E OS ANDAMENTOS DA OPERAÇÃO LAVA-JATO.

A CONVERSA FOI TESTEMUNHADA POR MUITA GENTE, E A INFORMAÇÃO FOI PASSADA AOS AUTORES DO LIVRO POR UM MINISTRO:

LULA: DILMA, VOCÊ SABE QUAL É A LIÇÃO QUE DEVEMOS TIRAR DESSA ELEIÇÃO?

DILMA: É QUE SOMOS NÓS CONTRA ELES, E NÓS SOMOS MAIORIA, PRESIDENTE.

LULA: NÃO, DILMA, É QUE NÓS ESTAMOS FODIDOS!

E ESTAVAM MESMO. LULA SEMPRE FOI LÚCIDO!
Texto original 20/02/2020

GOVERNO BOLSONARO, O INÍCIO

Lula quando assumiu deu continuidade à política econômica de Fernando Henrique durante os primeiros quatro anos. O Brasil que ele havia recebido organizado bombou, porque os fundamentos foram mantidos e a conjuntura internacional ajudou incrivelmente. Foi bom para todos.

Mas, Lula precisava “demarcar o governo petista”. Então, os seus robozinhos na imprensa espalharam que o PT pegara o país quebrado. Era tudo mentira, como o tempo comprovou. Mas, infelizmente coisas da política…

Havia uma certa confluência ideológica e de princípios entre tucanos e petistas. Cada qual a seu modo era socialdemocrata. Petistas mais à esquerda, estatistas e corporativistas, não se importavam com as contas públicas. Os tucanos mais à direita, gostavam da presença do Estado em parte da economia, e haviam aprendido que manter as contas em dia é fundamental. E, por isso, tenderiam ao híbrido social democracia/liberalismo econômico. Conviviam, portanto, mesmo que às turras.

Mas, na esteira da tragédia econômica perpetrada pelos governos de DILMA ROUSSEFF, a conjuntura levou a quem sobrara na luta política: BOLSONARO, que há muito vinha se posicionando e herdou o antipetismo da sociedade daquela hora, e ganhou a eleição.

Há um problema ideológico insolúvel entre petistas e bolsonaristas. Então, eu pergunto: Como seria possível enfrentar uma oposição que, literal e necessariamente, seria radical? BOLSONARO partiu para o confronto direto e permanente, que foi se cristalizando no governo dele, com projeção para o futuro.

Ele, tem razão! Por melhor que faça sempre será contestado e não reconhecido. E, até o momento está ganhando a disputa.

Conseguiu passar a reforma da Previdência; e conseguiu por vias ortodoxas diminuir radicalmente o custo dos juros anuais pagos pela dívida pública interna.

Em 2015, DILMA pagou 583 bilhões de reais. Em 2019, Bolsonaro pagou algo com 373 bilhões de reais. E mesmo com a dívida bem maior do que ele herdou, a queda radical no pagamento de juros gerou sobras de caixa para 2020.

Ou seja: ortodoxia monetária funciona! Só entre Previdência e Dívida pública a perspectiva de melhora fica evidente. Sem falar em concessões e privatizações. Haverá outras reformas que reforçarão os fundamentos da economia.

Um amigo observou que, no governo Bolsonaro, não foi anunciado nenhum plano de obras. O que é muito bom para o país que, pela primeira vez, está focando terminar o que foi iniciado, antes de propor outras coisas. E está sendo feito. É um mérito enorme do governo atual!

E quando o executivo reclama da castração orçamentária proposta pelo legislativo, o faz com muita razão. Ele cortou dinheiro que o próprio executivo conseguiu. O legislativo deveria ter a compreensão de que há necessidades que também são prementes no executivo. E fiscalizar. Mas, já estão conversando e, certamente, se entenderão – de um jeito ou de outro…

Há enormes dificuldades pela frente e, muitas delas, criadas pelo próprio governo e a sua incapacidade de fomentar diálogo com os adversários. Paciência. Apenas um outro detalhe: não há, por enquanto, nada, nadinha contra Jair Bolsonaro. Ao contrário; durante o pouco tempo de governo dele não se ouviu falar em corrupção diretamente criada ou forjada no executivo.

Portanto, isto me leva a uma perguntinha capciosa: NÃO TERIA SIDO MELHOR SE O AÉCIO TIVESSE GANHADO AS ELEIÇÕES CONTRA DILMA, em 2014? Ao menos não teríamos a crise política que se seguiu, e o governo dele teria tomado as providências saneadoras muito antes. O Brasil jamais teria chegado ao ponto ao qual chegamos! E hoje a disputa política provavelmente estaria centrada entre adversários e não entre inimigos.

Texto original 29/02/2020

RECORDANDO O “SR. SPOCK”, “DR. HOUSE” E A “ESCRAVA ISAURA”. TRÊS ÍCONES MUNDIAIS!

 

Se houvesse ocorrido um encontro na BRACARENSE, lá no Rio; ou no VALADARES, aqui sem São Paulo entre os atores “LEONARD NIMOY”, “HUGH LAURIE” e “LUCÉLIA SANTOS”, os “cavalos de santo” do “SR. SPOCK”, “DR. HOUSE” e da “ESCRAVA ISAURA”, eu adoraria ter estado presente, e até pagaria a conta!

Vocês talvez tenham reparado o que têm em comum esses três: tornaram-se ÍCONES INTERNACIONAIS (INTERGALÁTICOS?) muito além da cultura que os projetou.

De Miami a Mianmar, de Pretória a Monróvia, de Pequim a Quixeramobim, do Taiti a Madri, todos mundo sabe ou soube quem são eles!

Quando LUCÉLIA interpretou a Escrava Isaura eu nem quis saber da história. Como todo pretendente a intelectual, naqueles tempos, e respaldado em arrogância e um sempre negado elitismo, eu achava que a televisão era mesmo, e apenas, máquina de fazer doidos.

Houve tempos onde o TIO SÉRGIO se negava a assistir novelas, e ver TV só programas de noticias. Preferia ir com a Angela ao cinema e a outras “atividades-cabeça”, que viventes nos anos 1970 achavam imprescindíveis.

Mas, com o passar do tempo, a vida mais assentada e doméstica, passamos a assistir algumas novelas, etc…

Eu gosto da construção da linguagem, e de um certo contato organizado com a vivência do cotidiano. Então, filmes, séries e o vasto etc… hoje acessíveis via STREAMING e outros meios tornaram-se imprescindíveis.

Eu sei o quanto LUCÉLIA SANTOS extrapolou a si e ao Brasil. O personagem foi “case” cultural de alto impacto.

E tanto a brasileira como HUGH LAURIE, o Dr. HOUSE; e LEONARD NIMOY, o SR SPOCK de Jornada nas Estrelas, todos tornaram-se vítimas do próprio sucesso, nessa viagem à fronteira final que seus inesquecíveis personagens fizeram.

Três bons atores, certamente. Mas, carregam o KARMA do pretenso “único personagem”, sambinhas de uma nota só que injustamente ostentaram. Eles fizeram mais do que isso, e LUCÉLIA é um exemplo nítido.

Porém, como nas discussões políticas eivadas por ideologia, isso não importa: eles são eternamente culpados…

O Sr. SPOCK e o Dr. HOUSE adentraram o meu imaginário e não sairão mais dele.

Claro, são personagens diferentes entre si, mas têm característica em comum: inteligência acima da conta; e fé na razão e na ciência como instrumentos para a resolução de problemas. Sejam lá quais forem…

Eles são de épocas diferentes. Nos tempos do COMANDANTE KIRK nem se cogitava o conceito de inteligência emocional. E, se SPOCK era a razão pura, o Dr. McCOY, o médico da espaçonave, era a expressão do emocional. E a síntese funcional era o CAPITÃO KIRK, a simbiose que tudo decidia, conduzia e fazia dar certo.

Hoje, sabe-se que não é “bem assim” que funciona…

É interessante notar que o “JORNADA nas ESTRELAS”, que estreiou em 1965, é uma série de TV contemporânea ao surgimento do ROCK PSICODÉLICO, do TEATRO do ABSURDO, e da expansão das DROGAS LISÉRGICAS. Entre as novas expressões artísticas e comportamentais que privilegiavam a liberação emocional e comportamental dos indivíduos. Dois anos depois, tivemos 1968 e suas decorrências. Portanto…

A expressão da racionalidade como aspiração deve conter verdades que ainda não sabemos. E a predominância do “non-sense” também continua mistério não solucionado. Dualidades prevalentes na ópera bufa do viver.

Com o Dr. HOUSE é diferente. Em tempos em que se procura o uso da “INTELIGÊNCIA EMOCIONAL” vem esta série onde os personagens são profundamente inteligentes, e abissalmente desequilibrados.

GREGORY HOUSE é um infeliz com problemas crônicos de saúde, abuso de drogas, arrogância sem limites, e relativização da ética beirando o criminoso. Ele foi preso, em alguns capítulos e no final apagou sua identidade aproveitando para “morrer” em incêndio…

Porém, é a criatura genial que resolve problemas raros e complicados – é o que me parece, porque não tenho a menor ideia da parte médica… Como líder, ele constituiu uma equipe heterogênea, composta por outros médicos superdotados e eficazes.

O fascínio dos filmes da série está nos diálogos inteligentes, corrosivos, no “humor do mal”, e nas atitudes politicamente incorretas que HOUSE toma.

E, como quase tudo o que é interessante, também vai contra a moral estabelecida de sua época. Viver é contestar e aprender para aprender…

Pensando um pouco além, e retomando o fiozinho de arrogância que não abandona minh´alma, às vezes eu me surpreendo porque “OSOUTROS”, “OSAMIGOS” e “ASAMIGAS” não fazem o que eu prego e muito menos pensam como eu penso… Que gente cabeça dura, não é mesmo?

É nítido e claro que a maioria não é irracional, mas simplesmente filtra emocionalmente as suas próprias conclusões. Somos todos racionais…

O problema é que muitas vezes “eu gostaria” que muitos fossem mais, hummm, cerebrais…Arrogância nítida, pura e simplesmente.

E, como a gente viu no Sr. SPOCK e vê no DR HOUSE, não é assim que o bicho homem funciona.

Então, vida longa, saudável e próspera! E com muita dissenção e bagunça criativa, o verdadeiro motor da existência e da vida neste SANSARA PSICODÉLICO que coabitamos!

AS BELAS DA TARDE PERDIDA NO TEMPO

HISTORINHAS QUE O TIO SÉRGIO LEMBRA

Uma tarde, paulistana tarde, em bairro próximo a bairro nobre da zona sul da Capital de São Paulo, eu e o então meu amigo Ricardo visitamos outro amigo dele. Evento perdido no tempo. Talvez há uns 49, 50 anos.

Era um cara legal e mais velho do que nós dois. Italiano e algo reservado; arquiteto em fase de projeção que, depois, tornou-se famoso. Morava em casa moderna e ampla que havia construído. Intrigante, cool!

Tinha discos, mas o som não era essas coisas…

O que “eram” demais – e se me recordo, um tanto a mais do que demais!!!! – eram as duas namoradas que coabitavam fazendo um Power Trio harmônico, excitante, fora das normas: uma negra e outra branca. Belas. Mas, nada esfuziantes! Naturalmente integradas aos comportamentos que rolavam no anno domini de 1972, por aí…

A dobradinha literalmente sem bucho incendiou minha imaginação, que perscrutava hipóteses, técnicas, táticas, capítulos e integrações possíveis entre aqueles três. Moderno ao cúmulo; mas, improvável pelo que eu conhecia na prática da vida.

Chegamos lá, recepção casual, sem bebidas ou antipatias, mostraram para nós a aranha capturada dentro da casa. Enorme; perigosa, mas rejeitada em vidro de maionese. Era parte da decoração, um contraponto incômodo.

E veio o cachorro, de raça, talvez pastor alemão. Grande, mas abilolado por uma brincadeira que vi, tempos após, em um estúdio de rádio durante o programa “KALEIDOSCÓPIO”, do Jaques Sobretudo Gersgorin, em meados dos anos 1970:

O pessoal fumava maconha e soltava a fumaça no focinho dos bichos! Eu garanto: cachorro voa; aqueles pobres, ao menos, voavam…Maldade, ontem; e crime, hoje em dia…mas, parte do underground, da contestação periférica à caretice da ditadura…

Este pessoal era da ala psicodélica da esquerda…

A visita foi para bater papo, distrair o ócio. Coisas entre vizinhos, que Ricardo, o meu amigo, e o arquiteto eram.

O quarteto fumou maconha; eu não. Odeio a erva. E ficou a observação do natural improvável; e, depois disso, os perfeitamente possíveis trios, ou quartetos, quintetos, múltiplas escolhas e conúbios que sempre aconteceram e acontecem…Sexo é banal…

O tempo passou, nunca mais ouvi falar do Ricardo. Sobre o arquiteto famoso eu soube, mas não falo; das moças não sabia e jamais soube.

Discrição e naturalidade são meios de se penetrar no âmago dos pequenos segredos. Quem fofoca não é convidado. E, antes de tudo, eu sempre fui um cavalheiro…