“DESTES É O REINO DOS CÉUS”

Esta é última frase do magistral livro de Aldous Huxley, “CONTRAPONTO “escrito entre os ano 20 e 30 do século passado. O contexto é a observação que o autor faz de um momento em que dois personagens, Burlap e Beatrice, “fingiram que eram duas criancinhas e tomaram o banho juntos…. E que folia grossa fizeram”.

E aí entra a frase…

Agora há pouco, desci ao jardim do prédio, aqui no Guarujá. O Atlântico, sempre na dele, costuma inspirar iniciativas da moçada a pretexto de sua beleza e majestade. ( Mas, a culpa não é dele ).

Eu cheguei perto do muro para observar o mar e percebi que um carro sacolejava como num show da Ivete Sangalo. Fiquei preocupado: ôpa, vai ver que é terremoto, maremoto, e daqui a pouco vai ter tsunami!

Bom, pensando bem foi mesmo o encontro de duas placas tectônicas no banco de traz do automóvel. Só percebi que o tsunami tinha passado quando o casal abriu a porta e bem na frente da guarita do meu prédio, se ajeitou, e foi aliviado curtir o reino dos céus longe dali.

Como gosta de dizer o tio Sérgio, Sexo é banal; todo o mundo faz.
POSTAGEM ORIGINAL: 04/04/2017

BEATLES – FASE PSICODÉLICA -1966/1968

SENDO BEM CHATINHO, TALVEZ A PRIMEIRA FAIXA QUE PODERÍAMOS CHAMAR “PSICODÉLICA” ESTEJA NO LP “RUBBER SOUL”, QUE FOI LANÇADO NO FINZINHO DE 1965, NA PRÁTICA, PORTANTO, INCLUÍDA DE 1966:

“IF I NEEDED SOMEONE”.

Esta fase não durou mais do que dois anos. Menos, provavelmente.

E, pessoal, Não! os BEATLES NÃO INVENTARAM A PSICODELIA.

O som que fizeram naquele momento estava “na ponta da guitarra” de muitos. Principalmente, nos Estados Unidos.

Na Inglaterra, os HOLLIES, um dos concorrentes de peso, também já estavam nessa. Assim como os ROLLING STONES, os YARDBIRDS, e os SEARCHERS – em alguns singles.

E sem esquecer o MANFRED MANN, THE WHO, KINKS, SMALL FACES; e outros que conseguiram, ou tentaram, ultrapassar o BEAT clássico.

Há diversos SINGLES e LPS na mesma linha do que fizeram os BEATLES, em REVOLVER (1966), e daí em frente…

Quando lançaram SGT. PEPPER`S LONELY HEARTS CLUB BAND, em 1967 – e até pouco antes – os BEATLES soltaram simultaneamente uma profusão de SINGLES “experimentais” – RAIN, PAPERBACK WRITER, HELLO GOOD BYE, PENNY LENNY … obras de produção e tecnologia de estúdio mais bem elaboradas.

Houve, é claro, ” THE MAGICAL MYSTERY TOUR” e “YELLOW SUBMARINE” , feitos em 1967. São álbuns mais complexos, não convencionais, e que exigiram esforço do pessoal técnico no estúdio, e talvez revelem o centro da fase de ouro da banda.

Temos aqui uma coletânea da época, “THE BEATLES YESTERDAY AND TODAY”. É algo irregular, pois junta gravações de estúdio, parte de LPs e SINGLES, a maioria envolta em psicodelia.

Você verá um EP, de nome simplesmente THE BEATLES, que é confusão total: 2 faixas de 1963/64 e duas de 1967/68; totalmente diferentes entre si!

E por que ele está aqui, TIO SÉRGIO?

É possível que “THE INNER LIGHT” seja a última faixa do período PSICODÉLICO. Entrou como lado B do single “LADY MADONNA”, 1968 – que já era outra estética, outro mundo…

Estão aí duas versões de cada um dos discos que tenho . A primeira edição em CD de SGT PEPPERS, de 1987, é uma delas. E tenho a recente, e mais bem remixada por GILES MARTINS, que não entrou na foto.

Curtam, mas não se restrinjam. E aproveitem as novas edições, remixadas pelo próprio GILES, que vêm sendo lançadas.

Este é um período riquíssimo da música POP!
POSTAGEM: 04/04/2021

A EMBRAFILMES, E O CINEMA BRASILEIRO DURANTE A DITADURA

Entendo nada de cinema. Não vou falar dos filmes propriamente, mas da política de realizações durante a ditadura militar. Principalmente no período dos generais Geisel e Figueiredo, já uma “ditamole”.

Quando a política fecha é comum os costumes abrirem; é preciso algum escape psicossocial. No Brasil e talvez no ocidente inteiro, jamais daria certo um modelo do tipo islâmico, seja saudita ou iraniano. Ser decapitado da política e nem uma transinha, um whisquinho ou um baseado para compensar, não rola!

A Embrafilme foi criada durante a ditadura militar, e o quê produziram de pornochanchadas é notável! Quer dizer, subsidiaram com a grana pública para financiar pornografia light. Foi um jeito de alavancar as produções, criar um mercado.

Os roteiros uniam algumas das fixações brasileiras – talvez inconscientes -, mas claramente expressadas nos enredos: canalhices, sexo, mulher pelada, corrupção, preguiça e violência gratuita.

Quer dizer, o brasileiro era mostrado no cinema como subproduto da deterioração dos valores. E, curiosamente, financiado pelo redentor regime militar! Ironia e hipocrisia explÍcitas!

Suponho que nossa notória quebra ética e de valores já estava em curso: a esquerda filmava, e o Estado de direita financiava. Simbiose sinistra com o dinheiro público muito mau gasto!

Noite dessas, assisti “Luz del Fuego”, de David Neves, filmado em 1982. É um somatório de crueldades, canalhices e sexo gratuito. Uma porqueira oportunista e anti-artística, estrelada por Lucélia Santos… Seguramente o chamariz.

Assisti, por alto, “Nos tempos da vaselina”, de José Miziara, 1979. Indizível, inacreditável, misógino e de QI rebaixado a profundidades abissais! É o de sempre: canalhices, espertezas, sexo banal e roteiro para microcéfalos e masturbadores.

Se entrevistarem os elencos e a direção dos dois filmes, eles dirão que protestavam contra o sistema. Mentirosos! Hipócritas medíocres!

Não sou moralista. Afinal, sexo é banal e todo o mundo faz. Agora, realizar um bom filme requer outros pressupostos. Quanto à descrição dos brasileiros nessas “papas-podres” gravadas em celuloides, incluam a mim e a imensa maioria dos patrícios fora de tais enredos e pressupostos.

Não, não somos isso, é óbvio!

Entre 1978 e 1982, o presidente da Embrafilmes foi o ex-ministro petista das Relações Exteriores, CELSO AMORIM. Na política e no poder até hoje!

Ele foi convidado pelo ministro da Educação de Figueiredo, o acadêmico EDUARDO PORTELA. Naqueles tempos, socialistas e liberais conversavam. Só que a união entre esses dois quase opostos resultou em monturos culturais.

Incontestável, eu acho! e lamentável, mas a imprensa, por exemplo, tolerou, em nome da liberdade de expressão e da abertura dos costumes, contestando a caretice insuportável do regime. Os protestos progressistas, foram raros, com exceções claras e localizadas.
POSTAGEM ORIGINAL 2020

HENDRIX, AUGER E MANFRED MANN: O QUE TÊM ESSES TRÊS DISCOS EM COMUM?

RESPOSTA: SÃO DA SAFRA DE 1968, CONTÊM ELEMENTOS DO ROCK PSICODÉLICO E, O MAIS IMPORTANTE, TRAZEM MÚSICAS À ÉPOCA MENOS CONHECIDAS DE “BOB DYLAN”.

“JIMI HENDRIX” É MOLE. A CLÁSSICA VERSÃO DE “ALL ALONG THE WATCHTOWER” TOCA MUITO ATÉ HOJE.

A SENSACIONAL VERSÃO POR “JULIE DRISCOLL & BRIAN AUGER” DE “THIS WHEEL’ S ON FIRE” CHEGOU AO PRIMEIRO LUGAR EM QUASE TODA EUROPA.

“AUGER” SEMPRE FOI TECLADISTA DE PRIMEIRA LINHA. E JULIE DRISCOLL, QUE SE TORNOU “JULIE TIPPET”, É SIMBIOSE ENTRE “JANIS JOPLIN” E “GRACE SLICK”, VOCALISTA DO “JEFFERSON AIRPLANE”, MAS SEM O TALENTO DE AMBAS.

E “THE MIGHTY QUINN” , COM O “MANFRED MANN”, FEZ SUCESSO NAQUELES TEMPOS NO MUNDO INTEIRO. E DYLAN OS CONSIDERAVA A BANDA QUE MAIS BEM FAZIA VERSÕES DE SUAS MÚSICAS.

É DISCUSSÃO PRA MESA DE BAR. MAS TODOS ALI PROJETARAM SUAS CARREIRAS A PARTIR DA INGLATERRA.

PROCURE CONHECER.
POSTAGEM ORIGINAL: 03/04/2019

OS PRETOS NO ROCK PSICODÉLICO AMERICANO!

É curioso, muitos dizem que a PSICODELIA é coisa de branco.

É, não! Aqui, exemplos matadores que negam a falácia.

Vamos começar por SLY STONE ( STEWART ). Antes de fundar a FAMILY STONE era produtor de algum sucesso na Califórnia, de uma das melhores bandas BEAT americana, que também tangenciou a PSICODELIA: “THE BEAU BRUMMELS”, era produzida por ele.

SLY & THE FAMILY STONE foi uma das pontes estendidas dos meados dos anos 1960 até parte dos 1970, entre a SOUL MUSIC e o ROCK PSICODÉLICO. Não é pouca coisa! E fez com tal sucesso a passagem, que “obrigou” o clássico grupo de R&B e da SOUL MUSIC, THE TEMPTATIONS, a migrar para esta fusão, que também deu certíssima.

E tem mais;

Talvez a primeira banda de pretos genuinamente PSICH-ROCK tenha sido “THE CHAMBERS BROTHERS”, em 1966:

“THE TIME HAS COME TODAY” é clássico da época, e com tudo o que o bom ROCK PSICODÉLICO exige. Ouçam; ou melhor, tenham na coleção: Lá está o charme único provindo da cultura dos “PRETOS” em tudo o que produzem!

Claro, quase todo mundo conhece outra delícia do “SUNSHINE POP”, “THE 5TH DIMENSION”. A música que fizeram mesclava o R&B e o POP com tinturas PSICODÉLICAS.

Lembram de “AQUARIUS”, sucesso transcendente aos anos 1960? Pois bem, “THE SECRET GARDEN” é o disco “SUNSHINE POP PSICODÉLICO” que produziram. Lindo e cheio de efeitos! E alí estão duas cantoras pretas de ponta, MARILYN McGOO em destaque. As moças dão show vocal inesquecível!

DISCASSO!

Suspeito com firme certeza que todos conheçam o JAMES MARSHALL. Por supuesto?

Ah, tá; faltou o sobrenome HENDRIX. Intersecção e transcendência de quase tudo o quê veio antes, e forjou o depois na GUITARRA NO ROCK.

E o que fazia o “PRETÃO”?

Um CROSSOVER entre PSICODELIA e BLUES ROCK.

E, finalmente, ARTHUR LEE.

Ah, TIO SÉRGIO, esse a gente conhece. Era o líder do fantástico e originalíssimo LOVE!

Acertaram, sobrinhos!

Mas, TIO SÉRGIO, há uma pequena observação. ARTHUR LEE, que não era loirinho e nem ruivo, fez ROCK PSICODÉLICO com fortes tinturas do FOLK ROCK BRANCO!!!! Verdade; era preto de verdade, mas não seguia os cânones e os jeitos de compor e cantar dos BLACKS de sua época. Mais uma curiosidade que ressalta a genial originalidade da música que o LOVE tornou imortal.

QUEM PERDER ESSA TURMA VAI VIRAR JACARÉ QUANDO FOR TOMAR A PRÓXIMA DOSE DE VACINA!
POSTAGEM ORIGINAL: 02/04/2021

PRETOS OU NEGROS? O POLITICAMENTE CORRETO E A LIBERDADE DE EXPRESSÃO

Minha intenção não é incentivar polêmica.

Tanto é que postei aqui artistas negros, menos um, o ERIC CLAPTON. Todos eles muito importantes para a música, e socialmente marcantes porque nenhum é racista. O que fez e faz CLAPTON para a integração racial é inequívoco, e suplanta muito a polêmica fútil, pueril a que foi submetido.

Mas, aproveito para me posicionar frente ao “POLITICAMENTE CORRETO. Postura que concordo em grande parte.

E por simples constatação, que para mim é definidora: quem se sente ofendido, comunidade ou indivíduo, tem o direito de impor restrições e estabelecer regras de convivência.

Mesmo achando certas posturas “politicamente corretas” exageradas, e concordando com o Cientista Político FERNANDO SCHÜLER, que acabou de publicar artigo preciso sobre o assunto na REVISTA VEJA, chamado SUBMISSÃO.

Acho um exagero classificar de racista um autor como MONTEIRO LOBATO. Um personagem lateral, aqui, mas injustamente classificado neste campo.

Eu me importo mais com certas imputações feitas a ERIC CLAPTON, sem observar o histórico dele, e o quanto sua obra ajudou a expor o gênio e o talento de artistas PRETOS, auxiliando decisivamente para um mundo mais inclusivo e tolerante, onde o racismo tem de estar eliminado!

Minha tendência é concordar com o POLITICAMENTE CORRETO em suas diversas formas e objetivos. E a comungar junto aos que impuseram certos respeitos e restrições de tratamento, porque sentem na carne a força do preconceito, e cabe a eles definirem o que consideram adequado, ou não.

E vamos combinar: por que eu deveria me opor se alguém exija ser chamado de PRETO e não de NEGRO? E que tal o vice – versa? Eu compreendo que certas liberdades pessoais “egoístas” ou “egocêntricas” tenham de ser evitadas.

E aceito as ponderações, pois não acho que a “MINHA LIBERDADE PESSOAL” esteja sendo ofendida. Uma vez que ser “LIVRE”, na concepção dos bolsonarista, por exemplo, nem de longe passa pelo meu léxico e vocabulário… Há limites para tudo.

No entanto, observo nessa polêmica toda certas nuances antropológicas que precisam ser expostas:

Minha observação da vida, me faz recordar que a expressão PRETO foi abolida do vocabulário corrente da população, lá pela década de 1960, e substituída por NEGRO ou NEGRA – tida como mais respeitosa. E, talvez porque PRETO remetesse à escravidão.

Até recentemente, usava-se tratamento do tipo “um senhor NEGRO”, ou “uma senhora NEGRA”. Parecia mais adequado, talvez edulcorado, mesmo sendo mero eufemismo hipócrita.

Não muito tempo atrás, se aprendia na escola que a HUMANIDADE faz parte de uma ESPÉCIE: “Homo Sapiens”. E que RAÇAS eram subdivisões da ESPÉCIE HUMANA.

Isto foi substituído por outras designações. Hoje, RAÇAS não são usadas pra designar humanos; SÓ OS BICHOS de espécies quaisquer.

E convencionou-se um conceito exato: ETNIA – que mais bem atende à variedade dentro da ESPÉCIE HUMANA.

Por isso, até hoje não entendo o título que batizou álbum do GILBERTO GIL: “RAÇA HUMANA” – pra mim, um compósito sem nexo, digno de um samba do BRANCO ENSANDECIDO…. Eu prefiro ‘BLACK IS BEAUTIFUL”, com ELIS REGINA. Enfim…

É interessante notar que a volta do tratamento de PRETO responde muito mais à questão dentro dos ESTADOS UNIDOS. Já que, por lá, “NEGRO” remete a “NIGGER”, uma expressão racista e tremendamente ofensiva!!!

Portanto, “I`M BLACK, I`M PROUD!, como determinou JAMES BROWN, tornou-se a expressão da luta dos PRETOS, e com toda a razão e justificativa. O aumento de conflitos urbanos, e da morte frequente de PRETOS por policiais brancos, consolidou o novo tratamento.

Outro dado antropológico intrigante, é que a nova nomenclatura também foi assumida no Brasil. E, como o RAP, veio direto, e sem escalas da cultura americana.

Hoje, escrevi postagem sobre artistas PRETOS que fizeram fusões de BLACK MUSIC e ROCK PSICODÉLICO. E, citei carinhosamente PRETOS e PRETAS por NEGUINHAS E NEGÕES.Deu “bacobufo”. E fui alertado principalmente pelos que leram no exterior.

Já corrigi, e nunca mais falarei assim… Algo a contragosto, confesso!

Então, unam-se à turma na foto da postagem. TIO SÉRGIO garante: é arte da maior qualidade, feita por humanos muito acima de suas etnias!
POSTAGEM ORIGINAL: 02/04/2024

FREE – DISCOGRAFIA – 1968/1972

LI ALGUÉM DA BANDA CONTAR O ENCONTRO QUE O “FREE”, NO INÍCIO DE CARREIRA, E “THE WHO” JÁ FAMOSO, TIVERAM EM UM FERRY BOAT, NA INGLATERRA.
ELE DISSE QUE OS QUATRO DO “WHO” VIERAM ELOGIAR “ALL RIGHT NOW”, A MAIS DESTACADA MÚSICA FEITA PELO FREE, E QUE BOMBAVA NAS PARADAS DAQUELES TEMPOS.
É UM BAITA ELOGIO, QUE “TIO SÉRGIO” CONCORDA PLENAMENTE.
NO ENTARDECER DA PSICODELIA E NO RAIAR DO HARD ROCK SURGIRAM GRUPOS COMO O “FREE”, O “SPOOKY TOOTH” E O “HUMBLE PIE”.
TODOS FAZIAM “HARD ROCK” AINDA NÃO TÃO PESADO, COM O ANDAMENTO LENTO DO BLUES E TOQUES DE VANGUARDA DOS CONTEMPORÂNEOS DO ROCK PROGRESSIVO.
NÃO TIVERAM GRANDE SUCESSO. MAS, CRIARAM ESTILOS, SONS DIFERENCIADOS E MUITO APRECIADOS ATÉ HOJE PELO PESSOAL, QUE OSCILAVA ENTRE OS DOIS ESTILOS.
ALIÁS, ERA MUITO COMUM: “TIO SÉRGIO”, Claudio Finzi FoáNelson Rocha Dos Santos E MAIS UM PEQUENO MONTE DE GENTE ESTAVA NESSA.
A DISCOGRAFIA COMPLETA DO “FREE” É INDISPENSÁVEL PARA COLECIONADORES DE ARTISTAS DAQUELES TEMPOS. EU GOSTO DE TUDO, PRINCIPALMENTE “HEARTBREAKER”, QUE É DISCO DE ANDAMENTOS MAIS RÁPIDOS, E TRAZ UM CULT INESQUECÍVEL: “WISHING WELL”.
NO ENTANTO, POR MERO GOSTO PESSOAL, ACHO AS PERFORMANCES AO VIVO UM “TANTO QUANTO… SOBRE UM TANTO QUANTO”. NÃO EMPOLGAM. PARA MIM, DÃO SONINHO….
O “FREE” FOI O LABORATÓRIO QUE LANÇOU UM DOS MAIORES CANTORES CONTEMPORÂNEOS, “PAUL RODGERS”. VOCALISTA EXUBERANTE DE REPERTÓRIO MEIO “QUADRADO” E… HUMMMM… RECORRENTE, REPETITIVO…
NO FREE TAMBÉM ESTEVE “PAUL KOSSOFF”, GUITAR HERO CULT, E ESTILISTA RECONHECIDO, QUE MORREU MUITO JOVEM…. O BAIXISTA ERA , “ANDY FRASER”, QUE TEVE CURTA PASSAGEM PELO “BLUESBREAKERS”, DE “JOHN MAYALL”.
E O BATERISTA “SIMON KIRK”, FUNDADOR COM “RODGERS” DA “BAD COMPANY”. ESTA, SIM, BANDA DE MUITO SUCESSO COMERCIAL, NA DÉCADA DE SETENTA E INÍCIO DOS OITENTA, MAIS DINÂMICA E RITMADA, QUE VEZ POR OUTRA AINDA RENASCE PARA TURNÊS, E ETC…
PARA A MAIORIA, HÁ EXCELENTE COLETÂNEA DUPLA, LANÇADA NA DÉCADA DE 1990, COLIGINDO MAIS DE TRINTA MÚSICAS.
É O SUFICIENTE.
CURTAM O FREE. A SONORIDADE PERMANECE ATUAL, E MUITA COISA INTERESSANTE TEVE O INÍCIO LÁ. 

POSTAGEM 2 E MAIS ADEQUADA: 27/03/2019

GERMANO MATHIAS – MARIA ESPINGARDINA

TEMPOS ANTIGOS, VIDA MAIS ESPERANÇOSA E ARTE DE PRIMEIRA ORDEM!

GERMANO MATHIAS É ARTISTA URBANO E POPULAR. LEVAVA A PERFORMANCE DO SAMBA A LIMITES DA ARTE. TIMBRE VOCAL PECULIAR, RITMO CONTAGIANTE E A BANDA QUE O ACOMPANHA NESSE DISCO DE 1961 É EXUBERANTE.

VEJAM A CONJUGAÇÃO ENTRE O TECLADO E O RESTO DO GRUPO, MODERNÍSSIMO ATÉ HOJE. TOCARIA NOS CLUBES DE LONDRES, NO INÍCIO DOS ANOS 1960, FÁCIL, FÁCIL!

SE HOUVER EM CD EU VOU ATRÁS. COLECIONÁVEL PRA CASCALHO!!!!
POSTAGEM 31/03/2020

TIO SÉRGIO E AS MEMÓRIAS DO “GÓRPE!” DE 1964

Em 31 de março de 1964, eu estava recebendo aula de piano da PROFESSORA LYDIA.

Excelente mestra, senhora conservadora e recatada, e não só do lar: lecionava para meninos e meninas que pudessem pagar e aprender.

Eu não podia pagar. Eram tempos dificílimos para os meus pais, e muita, muita gente mesmo. Algum tempo depois, desisti das aulas…que tentei retomar uns 38 anos atrás.

Porém, a minha falta de determinação e pouco tempo disponível boicotaram a iniciativa…A música me persegue e fascina. Mas, tocar um instrumento, ou cantar, não fazem parte da coreografia da minha “ópera” existencial….

Em 1964, eu tinha onze anos de idade. E ideia nenhuma do que seria a política, a vida, e essas coisas todas que vieram quando tornei-me adolescente. A POLÍTICA nunca mais deixou de ser preocupação cotidiana: Eu vivo intensamente a movimentação, transformação, e aflições decorrentes. Estou sempre discutindo, opinando e propondo com amigos, adversários e até gente que não gosta de mim…

Na antevéspera do GOLPE, recordo muito bem o clima de tensão nas pessoas, rádios e televisões, com o movimento de tropas e a iminência de algo já esperado…

Ansiedades sibilavam no ar feito serpentes.

Na minha família, que oscilava entre a classe média e a média baixa, a maioria estava a favor do golpe, pelo que depreendi algum tempo adiante.

A inflação, instabilidade e nenhum diálogo político preenchiam o vácuo de poder existente no governo JANGO – resultado da fracassada tentativa de auto golpe do ex-presidente JANIO QUADROS, um palhaço sinistro, despreparado e autoritário…

Meus pais trabalhavam muito e lutavam para sobreviver na fronteira da pobreza. Eu suponho que não tivessem opinião formada sobre aquilo tudo…

Certamente queriam estabilidade, emprego e inflação controlada – algo fora de foco naqueles tempos doentios, mas interessantes.

A exceção visível, dentro da minha família, era o TIO TONICO, Antonio Garini, jornalista que teve seu destaque do final dos anos 1950, até os 1970.

TONICO foi dos primeiros que orientaram e despertaram o meu interesse em política, uns quatro anos depois do golpe. Ele era de esquerda, autodidata, lia muito, e também fazia traduções. Era interessado em assuntos culturais. Principalmente literatura.

Os INTELECTUAIS NÃO ACADÊMICOS foram personagens atuantes dos anos 1920 até meados da década de 1970. Depois, foram ultrapassados pelo conhecimento legitimado pelas universidades. No entanto, o jargão acadêmico e metalinguagens, por princípio e necessidade, são não-jornalísticos. Se ampliam perspectivas para o conhecimento, simultaneamente restringem acesso a público maior.

As resenhas de livros, artes e discos, feitas por não acadêmicos que sabem sobre o quê escrevem, são mais gostosas e interessantes de ler. Prenhes de humanismos e opiniões enriquecedoras.

O acesso à cultura geral pelos grandes jornais era muito possível, aos alfabetizados interessados, até o final dos anos 1970. Eu e meus amigos SILVIO DEAN e NAIEFF HAIDAR éramos leitores costumazes da caudalosa EDIÇÃO DE DOMINGO do ESTADÃO. Formou a base humanista que nós jamais renunciamos.

Agora, volto ao rugido dos leões cutucados com a vara curta: os militares – sempre assediados pelas elites e a classe média de direita. A sanha golpista não começou com BOLSONARO. Ela é falha geológica na cultura e no “caráter” político brasileiro.

Entre 1961 e 1964, todas as tendências políticas tinham os seus planos de golpe. Da extrema esquerda à extrema direita, todos pregavam insurgências.

Até que os militares deram o esperado golpe; e acabaram com a democracia, defenestraram os liberais, e reprimiram a esquerda. E destruíram as INSTITUIÇÕES POLÍTICAS, com reflexos até o presente…

O golpe não era necessário. Haveria eleição presidencial em outubro de 1965. Os candidatos que lideravam a disputa eram JUSCELINO KUBISTCHEK e CARLOS LACERDA, direita notória!

E a desculpa de que os COMUNISTAS tomariam o poder não se sustentava. Nas eleições anteriores, o P.C.B jamais ultrapassara 3% dos votos!

E poderia ter sido evitado se personagens como ROBERTO CAMPOS e CELSO FURTADO, por exemplo, intelectuais bem preparados, mantivessem enfrentamentos pelos jornais, e mídias em geral. Na FRANÇA, RAYMOND ARON e SARTRE polemizaram pelas vias institucionais o tempo inteiro. E essa válvula de escape, via fala e escrita, reduz sim, as tensões mantendo o diálogo e os desacordos políticos nas vistas do público.

Sempre pensei sobre isso.

Nos tempos de JOÃO GOULART, personagem politicamente inábil e sem legitimidade, as coisas estavam difíceis. E continuaram durante os primeiros três anos do novo regime.

Depois, estabilizada a economia, iniciou-se período de crescimento que foi até o final da ditadura Medice, em 1973.

Nossa família e muitas e muitas outras aproveitaram esse momento para equilibrarem-se e continuar em frente.

A eficiência econômica passou a ser perseguida; houve progresso e empregos. O Brasil estava sendo modernizado.

Já a política, a evolução institucional e os direitos humanos, tiveram retrocessos que sentimos até hoje!

Em 1967, dei de cara com a ditadura meio sem querer.

Eu estudava em uma escola estadual à noite, e as instalações não eram das melhores. Comentei com o GARINI, que perguntou se eu daria uma entrevista para a televisão onde ele trabalhava, acho que a RECORD. Não tive dúvidas e fiz. Apareci na TV.

De noite, fui chamado à diretoria da escola, repreendido e até sutilmente ameaçado. Lá, também estava um colega de classe, bem mais velho, ao lado do diretor.

Bidú! O cara era informante da ditadura. Sim, sempre existiram, e não só nas UNIVERSIDADES. A coisa deu em nada, mas eu amadureci. E passei me interessar por política.

Mas, essa é outra história, que uma hora eu conto melhor…
POSTAGEM ORIGINAL 31/03/2022

ARI BORGER TRIO E QUARTETO – JAZZ, R&B, BLUES, E BRASILIDADES.

No final dos anos 1980 e princípio dos anos 90 o BLUES, no Brasil e no mundo, reviveu de várias formas e jeitos.

Em mesclas com RYTHYM ´N ´BLUES e SOUL, ROBERT CRAY, por exemplo. E fusões com outros gêneros, também.

Vejam ERIC CLAPTON e sua levada tangenciando a BOSSA NOVA, juntando-se a músicos de JAZZ, e tornando-se mais acústico e FUSION. Tendências claras.

ARI BORGER é um ORGANISTA, PIANISTA e MULTI-TECLADISTA que faz grande aproximação da música negra com ela própria, suas vizinhanças e outras fronteiras.

Em seus discos vai de HORACE SILVER a HERBIE HANCOCK. Dá um alô a PINETOP PERKINS; cruza com HERBERT VIANA; e teve a ousadia na criativa “NEM VEM, MILES”, de fundir “SO WHAT”, de MILES DAVIS com “NEM VEM QUE NÃO TEM”, sucesso “SEMI-RAP” de WILSON SIMONAL, nos anos 1960!

Deu Certo!

Fez o mesmo com “NORWEGIAN WOOD”, a música daqueles caras de LIVERPOOL. E “sugeriu” que um pouquinho de LUIZ GONZAGA era FUSION possível e consistente – e é!

Digo apenas mais, (oooops!), que músico e banda capazes de tocar clássicos do R&B, do FUNK – JAZZ , e de toda a modernidade pós BE-BOP, acrescidos por um “retrogosto” à brasileira, é legal de ser ouvido.

ARI BORGER não é JIMMY SMITH e nem WALTER WANDERLEY, mas orbita. Tem estilo e caráter. E há riqueza na escolha do repertório, também!

TIO SERGIO recomenda: pode e deve tocar em quaisquer festas ou reuniões de amigos. Funciona – e muito!

Para terminar eu conto para vocês que ele é compositor. E de jeito tão interessante que JIMMY JOHNSON, pianista do CHUCK BERRY e uma das referências do piano no ROCK e no R&B, fez uma apresentação para o BORGER, no disco “BLUES DA GARANTIA”:

Lá pelo meio escreveu: “Do jeito que você toca atualmente, está muito bom! Apenas tem que melhorar à medida em que fica mais velho!”

Elogio e conselho melhor eu não imaginaria!

Eu gosto; e tenho certeza de que vocês gostarão. E não é difícil de achar por aí!

Tente.
POSTAGEM ORIGINAL: 30/03/2020