FLORESTAN FERNANDES, SOCIÓLOGO – INTELECTUAL ÍNTEGRO E ÚTIL

O epíteto que arrumaram para ele não condiz. Se FERNANDO HENRIQUE CARDOSO, que foi seu assistente, era conhecido como o “Príncipe dos Sociólogos” ( ridículo! ), então o Rei seria quem?
FLORESTAN era um homem de esquerda, mas não militante. Um teórico que sabia sobre o que ensinava. E ouvi de professores que tive formados por ele, que o mestre era inflexível na exigência de estudos e disciplina de aprendizagem.
FHC em seu recente livro de Memórias, “UM INTELECTUAL NA POLÍTICA”, conta que a politização da UNIVERSIDADE veio muito depois, e que FLORESTAN era um professor que trabalhava baseado em teorias e, principalmente, em pesquisas empíricas, de campo. E que só radicalizou-se em função do GOLPE de 1964 – aliás como todos os que sobreviveram, na FFLCH da USP. Eu sou discípulo direto intelectual e politicamente desses professores e daquela condicionante histórica.
O antropólogo AMADEU LANA, meu ex-professor e discípulo direto de FLORESTAN FERNANDES, certa vez disse humoradamente à classe, que aquele bando de “pós-hippies esquerdistas” ( nós ) não tínhamos ideia do que nos aconteceria se fôssemos alunos do mestre! Não haveria oba-oba, moleza ou badalação. Ficamos incrédulos e paralisados!
O professor FLORESTAN ensinava nos EUA quando estive na USP entre 1974 e 1979, do século passado ( pasmem rindo! ). Fui aluno por uns tempos de HELOÍSA FERNANDES, filha dele, e ótima professora da geração 68. FLORESTAN foi mito sem rito possível no meu tempo.
Mas o mundo roda e a pomba-gira!!!! ( que infâmia!!! )
Quando FHC foi eleito Presidente da República, em 1994, no dia da posse FLORESTAN, já Deputado Federal pelo PT, disse a ele a frase seminal: “EU NÃO CRIO GATOS, EU CRIO TIGRES”! ” Pois é, um sociólogo na Presidência do Brasil foi prova cabal!
Pouco tempo depois, foi descoberto um câncer de intestino do mestre FLORESTAN. FHC e todos os amigos, agora postos no governo, ofereceram ao professor tratamento diferenciado no exterior. Ele recusou. Não achava correto ter além do que a média do povo brasileiro teria – e ainda mais às custas do Estado! FERNANDO HENRIQUE também conta que pela vida inteira jamais chamou o velho mestre de “você”. Ele e seus alunos o chamavam de SENHOR!
FLORESTAN FERNANDES tinha caráter. E ser íntegro é pressuposto essencial para um MITO!
Que Deus o tenha. E a História o reverencie.
POSTAGEM ORIGINAL: 6/08/20218

JAQUES “KALEIDOSCÓPIO” GERSGORIN – O CRIATIVO ERRANTE

TIO SÉRGIO é um sujeito discreto. Uma espécie de satélite a vida inteira siderando o universo da música. Mas, profissionalmente, só entrei para valer em 1991, quando eu e meu “amigoirmão”, SILVIO DEAN, criamos a CITY RECORDS. E depois, a CITY MUSIC, com outro amigo nosso, Edison Batistella Jr, o JUNINHO.
Nesse percurso esburacado e divertido, eu convivi com dois radialistas de personalidades opostas, mas exuberantes! Fui amigo do CARLOS ALBERTO LOPES, o SOSSEGO que, acho, foi o primeiro a fazer um programa de rádio exclusivamente dedicado ao ROCK, em meados da década de 1960. De lá em diante, ele sofreu “incontáveis recaídas” – outros programas – mais ou menos reeditando o que fizera nos tempos áureos dos BEATLES, STONES, SEARCHERS, e outros um pouco anteriores, ou logo a frente.
O SOSSEGO se tornou amigo pessoal meu e do SILVIO. Ele nos ensinou a gostar do ROCK clássico.
O purgatório com certeza já o liberou; e sua voz de autofalante “TWITER”, língua ferina e vasto conhecimento do mundo da música, devem estar catequisando anjos, querubins, e outros nem tanto… Que DEUS O TENHA – ou melhor: o “RETENHA”!
O JAQUES GERSGORIN foi outro personagem carismático que passou por minha vida. Aconteceu uns vinte e cinco anos antes de abrir as lojas. Lá por 1977, se bem recordo. Era um carioca de sotaque expressivo, identificável; libertário convicto; homem criativo, que borbulhava ideias. O apresentador adequado para um programa de vanguarda e sem roteiro.
Foi mais ou menos o seguinte: da mesma forma que o Claudio Finzi Foá, e outros por aqui, eu fui atraído por aquele programa de rádio suis-generis, o KALEIDOSCÓPIO, que ia ao ar tarde da noite, diariamente, e tocava, digamos, a “CRISTA DA ONDA” – ooopppsss! – do ROCK PROGRESSIVO, e adjacências!!! Coisas não imagináveis em outras rádios da época!
Eu já gostava, comprava, e colecionava discos não convencionais. Incerta noite, em vez de ir para casa, fui até a RÁDIO AMÉRICA, em VILA MARIANA, São Paulo, e perguntei ao porteiro se poderia falar com o JAQUES. Ele deixou. O KALEIDOSCÓPIO estava no ar, as músicas longas, e no fundo do estúdio enorme estava sentado frente ao microfone a mesma imagem hoje lendária.
Fiquei esperando ele se manifestar. No intervalo, JAQUES me recebeu cordialmente, mas sem efusividade. Entre as músicas, conversamos; eu disse platitudes, o que fazia, onde estudava, e perguntei se de alguma forma poderia colaborar, sei lá, fazer., sugerir ou trazer algum disco para ir ao “AR”. Ou voltar e “assistir” ao programa ao vivo, novamente?
Ele apenas disse: “tudo bem, traz aí, e a gente vê…”
Na década de 1970, era comum estudantes, ou gente com pretensões intelectuais, frequentar o CINE MARACHÁ às sextas feiras à noite. Lá, exibiam filmes de arte, ou não convencionais. Eu estava na fila com o meu amigo SILVIO, quando um sujeito discreto, e de óculos, entregou um panfleto de nova loja de discos que seria aberta na, hoje, Galeria do ROCK. Era o Rene Ferri. E a loja era a histórica WOOP-BOP!. Uns dias depois, fui visitar! Caí de costas!!! Só discos importados sensacionais! Virei cliente.
Eu já estava meio entrosado com o JAQUES, e falei sobre o RENE, a loja, etc…
E ele respondeu: “Pô, convida o cara para eu entrevistá-lo, no KALEIDOSCÓPIO. Fui lá, e marquei. O RENE apareceu de terno e gravata…. 😀😀🤣🤣! O JACQUES fez uma baita entrevista como ele, levantou a bola, e apresentou a loja para a galera!!!
Aos poucos, comecei a trazer alguns K7s, feitos com ajuda de meu amigo PAULINHO CALDEIRA. Gravei músicas que achava legais. Quando o JAQUES gostava, incluía na programação. Ele era razoavelmente eclético. O foco estava no PROGRESSIVO, mas rolava HARD ROCK, alguns cantores fora de esquadro como MICHAEL MURPHY. E, sempre, LED ZEPPELIN, o PREMIATA FORNERIA MARCONI, VAN DER GRAAF GENERATOR, e um progressivo venezuelano muito legal chamado VYTAS BRENNER (na foto).
Ah, ele gostava e tocava o disco de LUIZA MARIA, também na foto, uma loira espetacular; cantora de timbre grave, que gravou um bom álbum acompanhada pelos MUTANTES.
O JAQUES tinha domínio e noção total do que devia tocar. Orientava o técnico de som para fazer MIXAGENS. Marcava os discos com “giz de alfaiate”, para o técnico interromper a música em ponto mais ou menos preciso, “emendando” outro disco em outro pick-up, mantendo clima e o balanço do que ia ao ar.
Acreditem: é uma arte!
Na rádio havia um imenso PASTOR ALEMÃO, vez por outra entorpecido pela fumaça dos cigarros de maconha (que eu odeio!) Maldade carinhosa, que deixava o bicho dócil.
Sempre aparecia por lá o produtor PENINHA SCHMIDT, amigo do JAQUES. Certa vez, conversei com o WALTER FRANCO. Em outra noite, observei o SÉRGIO DIAS BATISTA, dos MUTANTES, ouvindo atentamente o primeiro disco solo de JON ANDERSON, do YES, 1976.
Durante certo tempo, convenci o JAQUES a fazer uma hora de BLUES, de 15 EM 15 dias, às sextas feiras. Mas ele não gostava de BLUES. Achava monótono e repetitivo. Porém, delegou para eu fazer a seleção musical de um programa que ia ao ar nos sábados, antes do KALEIDOSCÓPIO. Eu dei um ar mais dançável, misturando alguma MPB de qualidade. Tocava CAETANO, GIL pelaí; juntava com ROCK, POP, etc… Algumas vezes, selecionei “VOCÊ ME ACENDE”, um FUNK ultra pesado, e faixa solo do CORNÉLIUS, vocalista do MADE IN BRASIL. E assim, eu aquecia o ambiente para o JAQUES, e o KALEIDOSCÓPIO entrarem!
Fizemos essas coisas informalmente por quase um ano. E, por causa de uma bobagem, nos desentendemos. Rompemos. Ele seguiu carreira em outra rádio; mudou-se para Goiânia e, depois, foi pro mundo – errático e libertário que sempre foi.
Nos reencontramos anos atrás, aqui no FACEBOOK. Rimos do assunto no privado, e reatamos.
Um dos anunciantes da rádio AMÉRICA era a DIMEP, famosa fábrica de relógios de ponto, e outras funcionalidades. Hoje, produz sistemas correlatos complexos. O JAQUES precisava dar a hora certa o tempo inteiro, e odiava fazer isso, portanto:
“SÃO 21 HORAS e CENTO E OITENTA MINUTOS”! FAZ A CONTA AÍ PÔ” …
POSTAGEM ORIGINAL: 29/07/2025

FEIJOADA? EU GOSTO!!!

No Guarujá existe um restaurante muito popular e tradicional chamado PANELA VELHA.
SÉRGIO REIS cantou os benefícios das caçarolas e suas parentes, em metáfora com o “sabor” das mulheres mais velhas, experientes, afirmando que se faz com elas comida boa.
Ahhn, nem sempre…
O restaurante é, para o meu gosto, agradável de ficar. Eu aprecio lugares simples, com atendimento simpático, bebidas geladas e comida honesta.
Gosto, também, de comer e beber sozinho acompanhado por um livro ou jornais. Sou amigo de botecos.
O PANELA é um desses lugares onde mais ou menos tudo funciona…
Mais ou menos. A comida transita entre o razoável e o medíocre; viés gastronômico é de baixa.
Quarta feira passada fui, sozinho, enfrentar uma feijoada. Prato popularíssimo da casa, pela quantidade oferecida, e o número de pessoas por lá comendo.
Bom, vou comentar: a dos caras deixa e sempre deixou a desejar, apesar do sucesso de público.Eu cozinho e gosto de cozinhar, portanto sei que não há justificativas para certos pratos serem mal feitos. A feijoada é um deles.
O que é uma feijoada além de um ensopado de feijão com carnes de porco e boi, temperados por ervas e condimentos do cotidiano, e acompanhado por couve, farofa, arroz e um bom molho?
Este, aliás, tem de ser um dos pontos fortes, senão desmerece; não ressalta o sabor.
Eu tenho uma receita básica: Depois dos procedimentos para dessalgar, coloco o feijão e os pertences numa panela de pressão com cebola, alho, cebolinha, louro e um pouco de sal.
Cozinho tudo junto; frito nada. Eu acho que dá certo e agrega sabor ao feijão, temperado por todos os ingredientes e tudo junto ao mesmo tempo na hora. O feijão fica divino – pelo menos no conceito do tio Sérgio.
O molho eu faço com pimenta dedo de moça, retirando um pouco das sementes; agrego louro, alho, cebola, cebolinha e limão para dar o acento final. Misturo tudo isto com o caldo do feijão; e pronto.
Um contêiner de cervejas e a perplexidade de nossas mulheres acompanham o banquete . Mas, a caipirinha e a trilha sonora garantem o prazer final. É fácil e muito eficaz.
POSTAGEM ORIGINAL: 15/07/02017

MEMÓRIAS: HORRORES DA VIDA ESCOLAR, E O PERRENGUE ENFRENTANDO PELO “PATO DONALD”!

DO PRIMÁRIO ATÉ SAIR DO SEGUNDO GRAU, EU FUI ALUNO ENTRE O RUIM E O MEDÍOCRE. COM EXCEÇÃO DAS MATÉRIAS LIGADAS ÀS CIÊNCIAS HUMANAS.
FIZ ESFORÇO ENORME PARA MANTER-ME NA ESCOLA À NOITE E “PASSAR DE ANO”. EU TRABALHAVA DESDE OS 14 ANOS, E UMA VEZ COMENTEI SOBRE O CHAMADO, À ÉPOCA ,”SALÁRIO MÍNIMO DO MENOR”: TRADUZINDO, ERA MEIO SALÁRIO MÍNIMO OFICIAL, CURRANDO ADOLESCENTES, QUE TRABALHAVAM 8 HORAS POR DIA, FEITO ADULTOS!!!
COM O MEU PRIMEIRO SALÁRIO DE “OFFICE BOY, NO EXTINTO “BANCO NOVO MUNDO” , RECEBIDO EM JULHO DE 1967, EU COMPREI DOIS “LONG PLAYS”, “DOIS COMPACTOS” E UM CINTO PARA USAR EM MINHA FUTURA “CALÇA LEE”. E ACABOU. MEU PAI CUSTEAVA O RESTANTE… FOI ASSIM ATÉ DEZEMBRO DAQUELE ANO, QUANDO FUI PARA O BANCO MERCANTIL DE SÃO PAULO, COMO ESCRITURÁRIO, MAS GANHANDO O DOBRO – TAMBÉM MERRECA, MAS MENOS OFENSIVA…
OS MEUS PROFESSORES, NESTA FASE DE VIDA, LÁ POR 1966/68, ERAM TODOS INSÍPIDOS, ANÓDINOS E ESQUECÍVEIS. ALGUNS, NADA INODOROS… PORQUE O CÉREBRO CHEIRAVA MAL! POUCO ME RECORDO DE QUAISQUER DELES.
NO CURSINHO DO “OBJETIVO”, ONDE GANHEI BOLSA DE ESTUDOS, AS COISAS MUDARAM BEM. OS PROFESSORES ERAM MAIS INTERESSANTES, ANIMADOS E DEDICADOS. CONTINUEI UMA LÁSTIMA EM CIÊNCIAS BIOLÓGICAS, FÍSICA, QUÍMICA E MATEMÁTICA. MAS FUI DE VEZ DESPERTADO PARA HISTÓRIA, GEOGRAFIA, LITERATURA, E DEPOIS SOCIOLOGIA, POLÍTICA, E TUDO O QUE SE RELACIONASSE COM A VIDA EM SOCIEDADE, OU A VIDA INTERIOR.
ENTÃO, NAS DUAS FACULDADES EM QUE ESTUDEI E ME FORMEI, FUI EXCELENTE ALUNO. AINDA ASSIM, VEZ POR OUTRA EU ACORDO SUANDO, TRAUMATIZADO, POR SONHAR COM PROVAS, EXAMES, INSEGURANÇAS E COISAS DO GÊNERO.
PASSEI DÉCADAS LUTANDO CONTRA MIM MESMO EM SONHOS E QUASE VIGÍLIAS… VÁRIAS VEZES SÓ RELAXEI QUANDO LEMBREI O ÓBVIO: EU ESTAVA FORMADO… FOI JOGO DURO!
VALEU A PENA? ACHO QUE SIM.
AGORA, EM HOMENAGEM AOS QUE ME SUCEDERAM, E SOFREM NAS MODERNAS MADRASSAS DE HOJE, VAI AQUI A PERGUNTA QUE O PATO DONALD E O TIO PATINHAS TIVERAM DE RESPONDER EM UM VESTIBULAR PARA ENTRAR NA “UNIVERSIDADE, EM PATÓPOLIS”:
“FAÇA UMA DISSERTAÇÃO COMPARANDO A CIVILIZAÇÃO ISLÂMICA PRIMITIVA, COM A ESTRUTURA CONTEMPORÂNEA DO CARNAVAL ALEMÃO”. E VOCÊS PODEM IMAGINAR OS DOIS ARRANCANDO AS PENAS, E “UIVANDO” GRASNADOS!!!!
EU SOBREVIVI. NA PRIMEIRA PROVA FEITA EM “SOCIOLOGIA 1” MATÉRIA GRANDIOSA MINISTRADA, EM 1974, PELO SAUDOSO “PROFESSOR LUIZ PEREIRA” E SEUS ADJUNTOS, OS TOLERANTES, TALENTOSOS, ÓTIMOS E AMIGÁVEIS PROFESSORA “JESSITA”, E O ATÉ HOJE PROFESSOR “BRASÍLIO JOÃO SALUM”. TIVEMOS QUE DISSERTAR SOBRE O QUE, PARA “MARX”, SERIA LÓGICO E RACIONAL NA VIDA EM SOCIEDADE:
SE PARA “MAX WEBER” A INVENÇÃO DA “CONTABILIDADE” ERA EXEMPLO DE EFICIÊNCIA E RACIONALIDADE NAS SOCIEDADES CAPITALISTAS; PARA MARX, ISTO ERA IRRELEVANTE. PORQUE NO CAPITALISMO, A EXISTÊNCIA DE DUAS CLASSES – BURGUESES E PROLETÁRIOS – E, PORTANTO, DA INEVITÁVEL LUTA DE CLASSES, ISTO SIM DESORGANIZAVA A SOCIEDADE COMO UM TODO. O QUE SÓ UMA SOCIEDADE COMUNISTA PODERIA REORGANIZAR…. ( OS TEMPOS E A HISTÓRIA DEMONSTRARAM QUE NÃO ).
E ASSIM ESCREVEU O “TIO SÉRGIO”, O AQUI EXPOSTO MEIO RESUMIDAMENTE. E ACRESCENTANDO QUE DUVIDAVA QUE MARX REALMENTE NÃO CONSIDERASSE O “INSTRUMENTO CONTABILIDADE” COMO FORMA DE RACIONALIDADE APLICADA. CONSEGUI UM “OITO”, E FUI APROVADO.
COMO VOCÊS PODEM IMAGINAR, NÃO FOI SÓ O GRANDE PATO DONALD QUE TEVE “PERRENGUES” ACADÊMICOS PARA SUPERAR.
TODOS NÓS TIVEMOS, TODOS MUNDO TERÁ!
ENTÃO, QUÁ, QUÁ, QUÁÁÁÁÁÁ´!!!!! PRA TODOS VOCÊS “URBI ET ORBI”!

QUANTO O PAU CANTA, QUEM TÁ FORA SE ENCANTA. O SHOW DE JERRY LEE LEWIS E OUTROS ENCONTROS NADA CIVILIZADOS.

TIO SÉRGIO já vai esclarecendo que as fotos de discos do JERRY LEE LEWIS; e dos AMBOY DUKES, a banda do guitarrista TED NUGENT, aqui em sua fase psicodélica; são meros pretextos para contar historinhas.
Os dois sempre foram “ISCAS DE POLÍCÍA”, para recordar ITAMAR ASSUMPÇÃO que, até onde sei, não era encrenqueiro, mas atraía a repressão, por outros motivos e preconceitos.
TED NUGENT é um reacionário e militante de extrema direita. Conta-se que acompanhava a polícia, dentro dos camburões, à procura de bandidos nas ruas…
E minha casa ele não entra…
Nunca fui de briga.
Sou um sujeito light e diplomático. Da turma do deixa isso pra lá…
Passei minha vida negociando, construindo convivências e conveniências, considerando o lado do carneiro… E dialogando com a onça pra ver se ela se interessava por um gambá, digamos; ou, quem sabe, por uma saladinha de tomates e alface… essas coisas.
Compus vários acordos em situações inacreditáveis. Perdi outros. Na média, ainda pago e como a minha pizza com eventuais transações e negócios no mercado imobiliário.
Mas, tio SÉRGIO, what porra was that? Você era arregão?
Eu diria que fui e sou um profissional da “Porrada Interrompida”. Um administrador de contrariedades. Muito comuns entre condôminos, proprietários e inquilinos, e outras picuinhas cotidianas.
Convenhamos: vou além de um mero “coito interrompido” – ou na linguagem explícita, mas não candente da molecada de hoje, eu não sou “Corta Fodas”.
Porém, sempre que o ápice do impasse culmina em porrada, lá vou eu ver se dá pra contornar, deixar a coisa menos brusca, acomodar… Mas vi coisas. E não tão poucas; em que não intervim, e nem deveria.
Vou contar algumas;
Lá pelos doze anos de idade, tarde incerta cabulei aula junto com outros coleguinhas. Sei lá como ou por que?, fomos parar em campinho no PLANALTO PAULISTA, perto da escola, e jogamos futebol contra a molecada dos arredores. Tudo foi de mal a pior, e acabamos enxotados pela turba local debaixo de pedras. Ainda bem que fuga foi em uma descida. Você se recorda disso Renato César Cury?
Mais uma; Acho que até hoje existe a “PORTUGUESINHA”, que tinha um digamos…. estádio…. em terreno vago perto da rua LOEFGREN, nos limites da hoje CHÁCARA INGLESA.
Estávamos eu e meu “primoirmão” BETÃO assistindo a um jogo/batalha entre duas milícias futebolísticas rivais. Terminou em briga. Não tínhamos nada a ver com aquilo. Mas um delinquente grandalhão tentou me afogar em um córrego, na verdade um corredor de fezes a céu aberto.
Apareceu sei lá de onde um adulto que impediu a minha execução.
Fui crescendo e as histórias melhoraram. Assisti a uma das grandes brigas em campo de futebol do meu tempo. Foi no estádio do NACIONAL ATLÉTICO CLUBE, time hoje quase inexistente, mas que defendia sua honra em um estádio razoável, na Barra Funda, naquela época, bairro operário de SAMPA.
Era a final do campeonato da segunda divisão, lá por 1969, sei lá…
Fomos assistir eu e o BETÃO, levados pelo tio ANTONIO GARINI, o TONICO, jornalista que virou nome de rua.
Tudo corria mal, muito mal, quando de repente eclodiu bacobufo generalizado. Começou dentro do gramado e, como bomba de napalm, espalhou-se e incendiou geral e arquibancadas.
Só foi contido quando chegou a polícia, muitas vezes Instituição especializada em transformar desentendimento em guerra fratricida… e botou pra quebrar.
Não fugiu de minha memória o “huno barrigudo” sentado no topo do alambrado, que cobria de porrada e porretadas qualquer um que se aproximasse. Até que, derrubado por uma facção de torcedores, teve a bunda chutada, ritmicamente, por uns 5 minutos enquanto tentava escapar.
Não conseguiu…foi resgatado pela milicada, que aproveitou para “crismá-lo” para ver se acalmava.
Outra;
Eu tinha, sei lá, uns 19 anos, quando em um bailinho duas tropas de joviais projetos de criminosos se confrontaram, depois que um dos líderes foi jogado escada abaixo na casa da menina que os convidou para o aniversário… A coisa ficou incontrolável, e a polícia cercou as duas pontas da pequena e bucólica rua, onde a infeliz e chorosa aniversariante morava.
Estávamos eu e meu outro “amigoirmão” Aldahyr Ramos. Conseguimos, milagrosamente , fugir da festa sei lá como… Foi literalmente todo mundo preso! Menos a gente.
A última encrenca de que me recordo foi no SHOW que o grande pianista e ROCKER , JERRY LEE LEWIS, deu em SAMPA, anos atrás.
O PALACE, casa de shows que não existe mais, no bairro de MOEMA, estava cheio. A banda segurava o foguete, enquanto a produção tentava trazer JERRY LEE para o palco. Ele estava bebasso, e demorou a eternidade!!! A plateia estava indócil, xingando, gritando. Havia muita gente tão bêbada e drogada quando o astro.
Em certo momento, entra o JERRY. Senta-se ao piano e detona do jeito que conseguiu uma sequência de seus clássicos. A turba reagiu empática, dançando, gritando, e alguns tentando invadir o palco, e sendo impedidos pela segurança.
Em meio ao furdunço, um guapo etilizado suspendeu a namorada no ombro. Tampou geral a visão dos hooligans em volta… As consequências vieram imediatamente. Uns sujeitos reclamaram na base da grossura. Mas, nem a bunda desceu do ombro, e nem os braços do namorado recolocaram a bunda e a moça no chão…
E, não deu outra: alguém tascou certeira dedada no centro do rabo da menina, que ainda estava suspenso no pescoço do cara. Um berro! xingamentos e o pau cantou perto de mim mais alto do que o JERRY LEE!!!!!
Separa daqui, tira de lá; enquanto os seguranças distribuíam fartamente pescoções, porradas e chutes. Um festival de MMA ao som de ROCK AND ROLL. Um monte de gente foi “convencida” a se retirar.
O show inteiro durou menos do que uma hora. JERRY LEE saiu de cena sob protestos generalizados. A banda procurou manter o clima, com o baixista tentando cantar, etc. e tal.
Resumo: foi uma merda. Inesquecível merda para esses nada tristes trópicos… 😀Daquele momento em diante, fugi da maioria dos shows ao vivo.
POSTAGEM ORIGINAL AMPLIADA: 21/06/2025
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FRANGOS, UMA REFLEXÃO

Eu adoro! Assado, grelhado, cozido, a passarinho, numa bela canja, por aí… É bicho gordurento, mas tanto faz: o bicho homem dá conta disso…
Pensando bem, que pobre bichinho! Há bilhões e bilhões deles espalhados pelo mundo. Valem nada, crescem para os nossos prazeres e alimentação. Vivem sob nossos desígnios e poderes. São os chineses e os hindus, africanos pobres do mundo… Custam barato.
O nascimento é uma sentença de morte: 60 e poucos dias e ponto. Sem história, sem glória. São precários por necessidade e condicionamentos que o homem lhes impõem… Talvez os maiores oprimidos do reino animal! São devastados e repostos…
Esses dias comprei um peito para fazer canja. Não reparei, mas o bicho estava crescido, era um galo quando foi abatido. E se vingou de mim e minha panela de pressão: a carne era dura, e sem sabor…
Poucas vezes reclamei deles. E achei um descaso o bicho estar tão sem gosto; então, pensei comigo, seu algoz: nunca mais! Toda a vez em que eu buscar o pobre galináceo vou dar uma geral, e ver se tem o tamanho máximo; e se tenro o meu para meu deleite.
Eu, você e o mundo somos cruéis com criatura tão útil e indefesa. Hoje, hipocritamente faço orações quando meu prato chega. E, quem sabe, ele reencarne homem ou bicho menos vulnerável.
Para se ter uma ideia do “quê” somos basta verificar a nossa posição na cadeia alimentar. O resultado não é lisonjeiro.
POSTAGEM ORIGINAL:28/05/2021
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Carlos Mendes Lupa, Paulo Faciola e outras 8 pessoas

KID VINIL: MINHAS MEMÓRIAS NA “WOP BOP” E PELAÍ

Eu recordo a morte do KID VINIL, em 2017, aos 62 anos. Eu e ele sempre tangenciamos. Gostamos de ROCK e colecionamos discos. Não chegamos a ser amigos; porém nos conhecíamos e cruzamos em incontáveis lojas de discos, feiras e ambientes do ROCK, do meados dos anos 1970 até sua morte.
Quando eu tinha lojas de CDs, ele de vez em quando aparecia por lá. Depois que fechei a CITY RECORDS nos encontrávamos , vez por outra, principalmente na encantadora e também falecida concorrente a “NUVEM NOVE”.
Por temperamento e interesses fomos um o inverso do outro. Ele gostava e colecionava discos de PUNK e adjacências. Eu sou do BEAT, do BLUES , do ROCK PROGRESSIVO, PSICODÉLICO, JAZZ e arredores. Com o tempo, os gostos tangenciaram e, claro, houve alguma convergência musical.
No entanto, para mim foi marcante termos participado de um artefato cultural inédito e que teve pouca divulgação: Ambos escrevemos no primeiro FANZINE brasileiro sobre ROCK , em 1976/77, chamado “WOP BOP”.
Durou poucos números, e hoje é objeto de colecionadores. A revisteca mimeografada foi criada por outro mito recôndito do ROCK PAULISTA, Rene Ferri, que era dono da loja de discos do mesmo nome, WOP BOP. Aliás, a primeira a se instalar na hoje a GALERIA DO ROCK. O Facebook também reaproximou-nos bastante. E eu sou grato à vida!
A revista WOP-BOP era necessariamente precária, mas circulou bem entre os roqueiros e a turma da contracultura.
Eu escrevi no primeiro número, março 1977, sobre os YARDBIRDS. Há outras colaborações minhas ao longo do tempo… No índice o meu nome saiu correto, SÉRGIO de MORAES. No editorial cometeram equívoco recorrente na minha vida inteira, grafaram o MORAES com I” grrr!!!
O KID escreveu muito por lá sobre PUNK, usando o próprio nome: Antonio Carlos Senefonte. Também publicou no FANZINE muita gente interessante e conhecedora de música, como o advogado Valdir Montanari dos Santos, que escreveu livros sobre ROCK; um deles bastante instrutivo sobre “ROCK PROGRESSIVO”.
Valdir é outro escondido, que vez por outra ressurge.
Enfim, KID VINIL foi ( é ) um ícone alternativo paulistano… muito conhecido. Merece nome de logradouro, se já não houver. Por onde passasse distribuía autógrafos e simpatia. De fã a cantor de ROCK, viveu sua própria decisão com dignidade.
Além da música e da escrita vai ser lembrado, principalmente, por seu personagem, estilo de vida, propósitos e ilusões a que deu forma.
KID VINIL era um anti-herói do Brasil. E faz muita falta
neste hospício.
POSTAGEM ORIGINAL: 19/05/2022
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“O QUE É QUE TEM NESSA CABEÇA, IRMÃO? UM DIA ELA VAI EXPLODIR”

Pois, é! Sonhei com o WALTER FRANCO. Sei lá o quê, e muito menos por que? Em cima do pescoço todo mundo tem uma cabeça. Pelo menos aquela original, fisiologicamente instalada…
Muita gente tem a coisa parecida com uma mortadela ruim, a massa encefálica cheia de gorduras e carne de terceira…
Não dá pra comer, e não adianta usar pra pensar…
Além dos sete buracos originais de fábrica, o jornalista REINALDO AZEVEDO tem mais uns três, por causa de operações que teve de fazer. Coitado! O cantor CHICO CESAR tinha – ou será que ainda tem? – uma beterraba.
E eu ostento um queijo suíço! Um monte de buracos imensos, mas dentro do cérebro: orifícios e crateras de danificando a memória, o desempenho, o processamento… Às vezes, ela anda fraca, desfalcada, confusa. Outras, quando fincada no lado “massa do queijo”, ainda estanca algumas lembranças; talvez sabedorias; e quem sabe pedaços enferrujados de resquícios de leituras e audições.
É por aí, talvez. Não tenho certeza… Vivo tentando repassar algumas lembranças por aqui, no FACEBOOK. Elas surgem, não se fixam e deixo pra lá um monte de histórias, percepções, “sacações”. Alguma hora voltarão – quem sabe. Espero me lembrar quando chegarem…
Acho que os viventes produtivos e com algo a dizer têm obrigação de fazê-lo. Hoje, pensei no DELFIM NETO. Cadê as memórias de um dos caras que mandou pra valer na economia deste país? Ele ajudou a mudar a cara do Brasil – para o bem e para o mal.
DELFIM foi Secretário da Fazenda de SÃO PAULO, no governo CARVALHO PINTO, uns 60 anos atrás. Palpitou no governo CASTELO BRANCO, e atuou forte nos governos MÉDICE e FIGUEIREDO. Todos durante a DITADURA MLITAR… É um estigma, concordo. Mas não esteve metido em torturas e outros excrementos morais.
DELFIM deu conselhos a todos os presidentes da NOVA REPÚBLICA. Com exceção do COLLOR, e do TROGG, OOOOPPSSS, BOLSONARO!
Ele teve vida longa, lúcida, errada, certa, controversa, mas produtiva, interessante, e muito relevante! Então, cadê o livro de memórias do cara, com ou sem buracos, omissões, invencionices propositais ou não?
Eu dou palpite em um montão de assuntos e coisas. Certos ou errados, não importam. Tento participar à partir de meu limitado espaço e conhecimento.
Escrevo muito sobre música, e de vez em quando erro. Mas, não me importo: geralmente tenho copidesques para ajudar, gente mais sã e sábia como Gerson Périco Ayrton Mugnaini Jr. Cesar Lima.
Uma vez estive em show do SEPULTURA com meu falecido amigo JEAN YVES DE NEUFVILLE. Era ele mesmo! porque o único amigo que tive com a cara do STING… Ele foi cobrir para um jornal, não lembro se Folha de São Paulo ou Estadão; ele trabalhou nos dois. E não lembro onde foi o “Concerto”… Excesso de álcool, certamente…
Mas, gostei; foi muito legal! Porque os irmãos CAVALLERA e banda eram barulhentos, amedrontadores, pesados; entregaram o prometido. Saí zonzo e meio com receio deles…
Sei lá quanto tempo atrás, fui na padaria e comprei três “filões” de pão. Perdi um. Quando cheguei em casa, a Angela não acreditou!!! Nem eu. Buracos no cérebro… comportamentos sem compromisso, ou planejamento…
De uns tempos pra cá, eu e ela anotamos o que é preciso comprar ou fazer. Ponho tudo na agenda – tá bom!, tá bom! de vez em quando esqueço a agenda! – mas geralmente dá certo, por causa do monitoramento via ZAPP. Ou nem sempre….
Dia desses, saí para comprar remédio. Cheguei na farmácia, abri a geladeira, peguei uma garrafa de água mineral, paguei e fui embora. Mal entrei na garagem, dei meia volta e fui buscar a coisa…. Tinha acabado. Tive de procurar outra drogaria…
Assim, não dá; assim não é possível – dizia o F.H.C! Eu preciso ficar mais atento, memorizar; tomar jeito, diz a Angela Paes de Moraes e todo mundo concorda! Se é que tudo isso que escrevi aconteceu mesmo….
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CIÊNCIAS SOCIAIS, USP 1975/1979: MEMÓRIAS DE AULAS DE ECONOMIA. A INFLUÊNCIA DO PROFESSOR PAUL SINGER

Quando estudei Ciências Sociais na FFLCH DA USP, entre 1974 e 1979, o professor PAUL SINGER era um mito, e mantinha influência sobre a faculdade, apesar de não lecionar mais por lá.
O curso, na época, previa dois semestres de aulas sobre ECONOMIA.
Foi um PERÍODO CAÓTICO, porque a INTENSÍSSIMA POLITIZAÇÃO e DOMÍNIO da ESQUERDA na Faculdade de CIÊNCIAS SOCIAIS, entrava em choque com o currículo básico de ECONOMIA.
Em resumo, havia um semestre de micro-economia e outro abordando a macro economia.
Os PROFESSORES que lecionaram a matéria eram TODOS da FEA – Faculdade de Economia e Administração. E, na época, uma escola de economia bastante conservadora, em que DELFIM NETO e os chamados “Delfim Boys” tinham poder e predominância.
Mas, os ALUNOS e a influência de ECONOMISTAS de ESQUERDA, como PAUL SINGER, queriam um curso mais voltado para a economia política, o que era e é razoável.
E o impasse acontecia. Eu me recordo que, no segundo semestre de 1975, quando a primeira parte do curso, macroeconomia, foi dada, os professores foram trocados umas três ou quatro vezes.
Na FEA NINGUÉM QUERIA DAR AULAS PARA NÓS, considerados rebeldes e contestadores demais. Mesmo assim, o semestre foi concluído.
No primeiro semestre de 1976, resolveu-se o impasse. E o curso FOCOU um pouco mais a HISTÓRIA ECONÔMICA e, principalmente, as ECONOMIAS CENTRALMENTE PLANEJADAS. Uma clara concessão à esquerda.
A PROFESSORA HELENA FANGANIELLO, uma das craques da FEA, manteve-se “no cargo” e, mesmo com um certo distanciamento de nós, alunos, conseguiu concluir o curso com aulas que traiam uma certa IRONIA, porque as ECONOMIAS SOVIÉTICA e da EUROPA ORIENTAL já davam sinais de esgotamento decorrente da ineficiência.
Eu sempre gostei de economia, ao contrário da maioria de meus colegas. Eu havia feito um curso de técnico de administração de empresas, em lugar do, à época, científico, ou clássico se quisesse optar.
Resumindo, acho que aproveitei o curso e continuei interessado no assunto.
Como até hoje!
POSTAGEM ORIGINAL: 2022

DANDÃO, O PATO DEMÊNCIO, TEM LÁ SUAS RAZÕES

Claro, Dandão é o apelido do ex-Prefeito paulistano FERNANDO HADDAD, depois candidato a Presidente pelo PT contra o incompetente e inominável ogro que elegemos.
Bom, tá certo; talvez a prefeitura de São Paulo seja o pior cargo público do Brasil. Pensando melhor, ser prefeito de grande cidade é mico universal.
Vejam que sorte teve o FHC, Fernando Henrique Cardoso: perdeu a eleição para PREFEITO para o medíocre transtorno vociferante JANIO QUADROS. Mas pensem: se FHC tivesse vencido, provavelmente não teria chegado à PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA. O acaso nos salvou e todo o mundo!
DANDAO foi mal prefeito? Nem tanto. Sua “porção” PATO DEMÊNCIO o fez cancelar a inspeção veicular que, bem ou mal, atenuava a horrenda poluição urbana. Disseram que havia corrupção e etc… Mas ele devia ter engolido esta e mantido o programa. Se havia malfeitos que se apurasse. Se era considerado caro, certamente foi falácia mal construída, porque ninguém que tenha carros, caminhões e etc…pode alegar que pagar uma taxa por anual seja indevido ou muito pesado. Não fez e não faz sentido.
DEMENCIO também era adepto do populismo. Vou contar uma historinha pessoal. Em São Paulo, nós morávamos em um apto de 50m2 de área privativa. Era pequeno. Mas, uma cobertura duplex, em prédio em excelente bairro, com piscina, lavanderia e a 150m do metrô!
Nada espetacular mas, em 2014, pagávamos um IPTU mensal de R$ 69,00, muito adequado pela área etc. Para 2015, a Câmara Municipal e Dandão baixaram para R$ 29,00 mensais e isentaram os meus outros vizinhos…Foi razoável? claro que que não! Não é possível que cidadãos de uma cidade como São Paulo não paguem IPTU – imposto que engloba serviços de coleta de lixo, bombeiros e toda a parafernália urbana necessária.
Em São Paulo, como no Guarujá, 40% da população é isenta do pagamento do IPTU. Eu acho que somente os indigentes, os que moram em locais insalubre, como favelas e cortiços, deveriam ser poupados do imposto.
E isso explica parte das dificuldades financeiras da municipalidade em geral. Ser contra isso também é fundamental. Mas, populistas não topam…
Não basta aumentar impostos, é preciso identificar corretamente os problemas.
Pensei; Haddad nos impingiu as ciclovias; ampliou as vias segregadas para ônibus; baixou a velocidade média nas ruas, um jeito de retardar o colapso. Está certo ou está errado? Ainda não sei. Toda cidade moderna adota ciclovias. Nas paulistanas eu vejo pouca gente usando, e vocês? Quanto aos coletivos, o que mais se poderia fazer? Abrir mais avenidas em espaços que não existem? Talvez caiba ao “Quelônio Alckmin”, nosso governador, apressar o que é urgentíssimo – se houver grana -, a ampliação do metrô e ferrovias urbanas. Estou falando de becos sem saída.
Todo governante que se aventura em Sampa se dá mal. É sina? É incompetência? Não sei. Mas, seja como for, é problema nosso. Tornar a cidade governável, acima de ideologias e ou interesses é questão de sobrevivência.
Eu discordo de Dandão e da maneira como ele pensa o mundo. Mas, tenho compaixão por ele – porque tenho principalmente por nós, que aqui vivemos.
Quando assumiu a Prefeitura, Pato Demêncio reclamou que, certa vez, lhe roubaram um “Max Weber”, “Economia e Sociedade”. Se for o volume dois, eu mando para ele – se ele pedir – eu tenho outro. É mais difícil de encontrar do que qualquer Karl Marx, ainda onipresente por aqui.
POSTAGEM ORIGINAL: 10/10/2015