ANTÔNIO JACINTHO GARINI – JORNALISTA

Os que estão mortos há muito tempo vão sumindo da visão que a memória preserva, esbranquiçando-se como se retornados à placenta – para antes de terem nascido. Tornam-se miragens resguardadas por um líquido que as transparecem, trêmulas, e cada vez mais sem detalhes. “Os mortos são ingratos, eles não nos abandonam “- escreveu o Fabrício Carpinejar, poeta contemporâneo, atuante e atual. Os mortos nos são gratos, nós não os abandonamos…sabemos todos que permanecem.

O Garini foi jornalista conhecido em São Paulo, homem vivido, culto e autodidata. Militou na imprensa do final dos anos 1940, eu acho, até o final dos setenta – tenho certeza. Era enérgico, leitor contumaz e boêmio assumido. Gostava da noite e, como alguns de nós, tinha atração intelectual pelo “wild side”, pela periferia, a vida dura dos humilhados e ofendidos, e a malandragem, que retratou em crônicas de jornal, na Última Hora, nos anos 50 e parte dos 60.
GARINI Cobriu a polícia, foi editor de jornalismo em rádio, principalmente. Era amigo do Jô Soares, do Ignácio de Loyola Brandão, do escritor João Antonio. E orientou o início de carreira do Fausto Silva e do Wanderley Nogueira, entre tantos outros. Foi se recriando como um dos cronistas radiofônicos mais escutados na cidade. E acabou nome de rua habitável no Jardim Imperador, em São Mateus, zona leste de São Paulo.

Tinha humor explícito, inteligente e mordaz. Tratava a mim e ao meu primo Betão como “Analfasérgio” e “Analfabeto”. Faz tempo, estava coberto de razão. Começou a ficar surdo; os irmãos alertaram e ele respondeu: “melhor; assim eu não preciso ouvir besteiras”. Um dia eu e o Betão “nos oferecemos” para sair com ele nas baladas da época. Pirralhos pentelhos e roqueiros que éramos, insistimos. A resposta: -“vocês têm grana para acompanhar?” – Quanto, Tonico? – “Sei, lá. Eu vou ao Gigetto encontrar uns amigos para jantar, e pedir um rabo de galo para começar: Vodca Wiborova com Carpano Punte e Més, italiano. “Ceis encaram?” – Não. Éramos um pouco mais que indigentes, com alguns trocados para tomar cerveja e olhe lá. Sem falar que menores de idade. ´

Cada macaco ficou em seu galho. O do Garini era bem mais em cima, na árvore.

Ele morreu relativamente cedo, em 1979, se não me engano. Tinha perto de 60 anos. Um câncer da pesada o abateu em pouco tempo. Quem cuidou dele, e da melhor forma possível, foi o Dr. Dráuzio Varella. Sua morte repercutiu. Sua arte ficou num livro de crônicas de rádio muito ouvidas, que ele escrevia diariamente, e o tema sempre era a cidade de São Paulo. Vendeu bem, naquele momento. Mas, o livro não refletiu quem ele era e o quanto ele sabia.
Fui honrado pela herança da boa biblioteca que deixou. Conservo muita coisa, e aprendi outras diversas zelando por patrimônio eclético e interessante.

Tudo considerado, provavelmente como a maioria de nós será, certp dia o TONICO foi parado pela blitz que o corpo promove. E, como a maioria de nós, quem sabe, achou que saiu antes do tempo regulamentar.

No entanto, como poucos de nós fez muito mais do que achou que tinha feito. Ele permanece em mim.

postagem original 22/02/2015

FOTO ANTIGA; VERY ANTIGA, 1968!

SOU EU O BAGULHÃO À ESQUERDA, MAGRO FEITO MINHA CARTEIRA. ESTOU COM OS MEUS AINDA HOJE AMIGOS SILVIO DEAN, À DIREITA; E JOÃO RAFAEL DI TOMASO, O JOÃOZINHO, À FRENTE. E, MAIS AO FUNDO À DIREITA, O CHU KAI TSUN, UM TAWIANÊS MUITO PRÓXIMO DA GENTE NAQUELES TEMPOS. E QUE FEZ A FOTO FOI O NAIEFF HAIDAR, ACHO!
EM 1968 ÉRAMOS TODOS INFLUENCIADOS PELA CULTURA HIPPIE. EU E O SILVIO JÁ ÉRAMOS FURIOSAMENTE ROCKERS! USÁVAMOS ROUPAS COLORIDAS E, QUEM PUDESSE – EU NÃO PODIA, POIS TRABALHAVA EM BANCO ULTRA-CONSERVADOR -, DEIXAVA O CABELO CRESCER.
BONS E INOCENTES TEMPOS PARA QUEM TINHA ENTRE OS 14 E 16 ANOS, E NÃO SE METIA EM POLÍTICA. UM ANO DEPOIS, E TUDO MUDOU. E PARA SEMPRE!!!!
SAUDADES DA UTOPIA DO POSSÍVEL, DE VIDA LIVRE E DESAFIADORA.
MAS, FOI TUDO DIFERENTE. E NÃO NECESSARIAMENTE PIOR!!!!
Postagem original: 18/02/2021

FOTO ANTIGA; VERY ANTIGA, 1968!

SOU EU O BAGULHÃO À ESQUERDA, MAGRO FEITO MINHA CARTEIRA; MEUS AINDA HOJE AMIGOS SILVIO, À DIREITA, E JOÃOZINHO À FRENTE. E, MAIS AO FUNDO À DIREITA, O CHU, UM TAWIANÊS MUITO PRÓXIMO DA GENTE NAQUELES TEMPOS.

EM 1968, ÉRAMOS TODOS INFLUENCIADOS PELA CULTURA HIPPIE. EU E SILVIO JÁ ÉRAMOS FURIOSAMENTE ROCKERS! USÁVAMOS ROUPAS COLORIDAS E, QUEM PUDESSE – EU NÃO PODIA, POIS TRABALHAVA EM BANCO ULTRA-CONSERVADOR -, DEIXAVA O CABELO CRESCER.

BONS E INOCENTES TEMPOS PARA QUEM TINHA ENTRE OS 14 E 16 ANOS, E NÃO SE METIA EM POLÍTICA. MAIS UNS TEMPOS E TUDO MUDOU. E PARA SEMPRE!!!!

SAUDADES DA UTOPIA DO POSSÍVEL, DE VIDA LIVRE E DESAFIADORA.

MAS, FOI TUDO DIFERENTE. E NÃO NECESSARIAMENTE PIOR!!!!

 

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A BENDITA CHUVA SOBRE SÃO PAULO

Aqui, na Praça da Árvore, bairro de MIRANDÓPOLIS, em São Paulo, nesse 13 de fevereiro de 2014, à 14 horas, está chovendo pra caramba!

São Pedro eliminou a burocracia e liberou o alvará para mandar água pra valer em cima da gente! Nós precisamos, e todos merecemos! Calor insuportável!

Eu moro aqui desde o início de janeiro de 2014, e é a primeira vez que chove o necessário. Deu uma ligeira arrefecida e eu abri janela para ventilar um pouco. O calor é bravo, incontido, meio que transformado em abafamento – se é que é assim que a coisa se processa.

Existem duas árvores magníficas em minha frente. Uma delas sacode tanto que parece uma ala de escola de samba mal ensaiada: todo mundo bêbado. Talvez lembre, também, um bando de manifestantes frente à polícia – que seria a outra árvore, contida, vigilante, meio impávida, até ser provocada…

Depois, tudo parou; e só água nelas, sem o vento para dar o clima, a beleza e o movimento. O fato é que choveu e muito – e ainda está chovendo. Um bom indício para que a cidade retome o seu lado mais aprazível, seu quê civilizado. Que seja bem vinda essa água benta. Mas, sem o dilúvio destrutivo que, vez por outra, nos atinge.
Rezar, torcer, e conformar-se. Água é vida.
Texto original, 13/02/2014

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CONSCIÊNCIA POLÍTICA E POLARIZAÇÃO

Em política raramente alguém é convencido através de argumentos racionais. A pessoa se torna de esquerda, ou direita, por um insight, um impulso, uma tendência pessoal.

Tem pouco a ver com o caráter, ou construção bem pensada sobre as ideias “lógicas e conscientes”, de quem assume posição entre as diversas posições políticas possíveis. Acho isso bem possível,

principalmente em tempos de polarização e radicalização, como atualmente.

Há santos e canalhas em quaisquer espectros e visões políticas.

Quando eu era jovem, achava impossível alguém de esquerda ser canalha!

Pura ingenuidade! Eu estava errado. A canalhice abunda, porque humana e incrustada no caráter do individuo.

Os bandidos tendem a existir em maior número militando à direita, pelo fato simples de que o individualismo e a eventual defesa dos próprios interesses podem aparecer mais nitidamente.

O que nem sempre é uma posição desonesta, mas pode ser facilmente confundida com falta de compostura e outras mazelas.

Na esquerda, a manipulação feita pelos pulhas é menos distinguível, porque a mística da defesa dos mais fracos, da solidariedade, e do combate à injustiça social atrai quase todo mundo; e principalmente os mais jovens. Já que, por definição, é causa eticamente correta, e idealista.

Em épocas de crise ou radicalização política, cada um procura o seu ninho, e o aconchego das certezas pré – estabelecidas. Quem apoia a esquerda, vota no mal menor à esquerda porque simplesmente está à esquerda. E isto vale para a direita, também. Ou será que os votos dados ao MALUF, no COLLOR e recentemente no BOLSONARO existiram porque os três são flores que perfumam nossos jardins?

O diabo, claro, se abriga nos detalhes.

No Brasil, tentou-se igualar o PSDB ao PT, alegando que nos dois há corruptos (o que é verdade), mas esquecendo o fato de que, pela primeira vez na história brasileira, houve uma conspiração para manter o partido (PT) e sua ideologia, através de DILMA ROUSSEFF, no poder a qualquer custo.

A sentença que condenou os réus do mensalão fala disso. Talvez se encontre em alguma investigação atos subversivos do PSDB nesse sentido. Até agora, não!. E é aí que o PT coabita com os demônios e não o PSDB.

Venho escrevendo, respondendo, debatendo com muita gente aqui, na rede. Para cada fato citado há um contra-argumento geralmente baseado em adjetivos, tangenciando o fato principal.

Ou seja, contra fatos não há contraposição de argumentos, mas uso de versões criadas para negar a existência ou a legitimidade dos fatos puros.

É comum respostas como ” O mensalão não existiu” ; “o PSDB fez a mesma coisa”. “É da política, não tem jeito”. Tudo sempre eivado por ideologia – o que é legítimo e até desejável.

Mas, no caso revela o quanto o subjetivo habita o nosso dia-a-dia, principalmente na política e na economia, onde precisamos de mais objetividade para um consenso mínimo necessário para administrar o país.

Porém, como a REGRA no BRASIL é a EXCEÇÃO ÉTICA; em 2022 vimos a EXTREMA DIREITA fazer a mesma coisa que fez o PT: fraudar, prevaricar, roubar para manter o poder.

E com agravante inédito nos últimos 45 anos: a tentativa de GOLPE DE ESTADO, em 8 de janeiro de 2023.

Sim, existem pecados mortais no SUL DO EQUADOR! E não basta rezar, para evitar a extrema unção…

Enquanto a polarização política determinar o cotidiano da atuação política não haverá solução…
Texto original 13/02/2023

PRIVATIZAÇÃO: QUANTO VALE A “VALE DO RIO DOCE”?

“Quanto vale a Vale?

Outro mito é de que vendemos nossas empresas “a preço de banana”. A Vale, por exemplo, foi entregue ao capital privado por menos 3,4 bilhões de dólares, sendo que hoje ela vale US$190 bilhões! Realmente ultrajante se visto de longe, mas pior ainda se visto de perto.

O que há para se ver de perto? Primeiro que é ridículo analisar o preço de uma companhia hoje com quando ela foi vendida. A Vale do Rio Doce valia, em 1997, por volta de 9 bilhões, com a estimativa mais otimista colocando o valor de mercado da empresa em 10,3 bilhões de dólares – valor usado pelo governo. Mais que isso: a venda do controle acionário foi acompanhada de uma transferência da estonteante dívida de 4 bilhões de dólares! 7,3 bilhões ainda parece pouco? Isso equivalia, na época, a 7,4 bilhões de reais. A inflação acumulada entre 1997 e 2014 foi 178,66%, o que corresponderia a 20.5 bilhões de reais atuais, dos 28 bilhões que a empresa valia. E quanto às reservas da Vale, a capacidade produtiva? A empresa tinha o lucro pífio de 756 milhões de reais – 49 vezes menos do que hoje -, e o ferro, maior fonte de receita da empresa, valia em 1997 apenas 17% do que vale hoje!

A Vale não só valia muito pouco como foi vendida por muito. E as outras empresas? A Embraer era deficitária, a Telebrás não possuía infraestrutura alguma, a CSN produzia quase nada e empresas como Fosfértil, Goiasfértil, Ultrafértil (!) e COBRA eram tão economicamente irrelevantes que você provavelmente nunca ouviu falar. A Telebrás foi vendida por 22 bilhões de reais e as licenças de operação para outras operadoras foram vendidas por 45 bilhões de reais. A Eletropaulo e outras companhias de distribuição elétrica foram vendidas por 22 bilhões de dólares. Bom seria se mais coisas por aqui tivessem esse precinho de banana.”