FRANK SINATRA – CAPITOL YEARS SINGLES – 1953/1961

SINATRA ERA GÊNIO COMO CANTOR, E GÊNIO COMO ESTRATEGISTA DA PRÓPRIA CARREIRA FONOGRÁFICA.
ELE PERCEBEU E CRIOU O MODELO POP QUE, AOS POUCOS, PREVALECEU NA INDÚSTRIA DA MÚSICA..
QUANDO MUDOU DA “COLUMBIA RECORDS” PARA A “CAPITOL”, EM 1953, FRANK EXIGIU A SEPARAÇÃO ENTRE OS “SINGLES” E OS “LONG PLAYS, O QUE ELE JÁ VINHA FAZENDO ANTES.
PARA OS “SINGLES” SELECIONAVA CANÇÕES MAIS LEVES, MAIS DANÇANTES, COM COMEÇO, MEIO E FINAL. MÚSICAS QUE DAVAM O RECADO IMEDIATAMENTE PARA O MAIOR NÚMERO DE PESSOAS. NÃO ERA QUESTÃO DA QUALIDADE, MAS DA CARACTERÍSTICA E FINALIDADE DE CADA MÚSICA.
SINATRA PERCEBEU QUE FAZER SINGLES O MANTINHA O TEMPO TODO NAS RÁDIO.
E NOS JUKE-BOXES, MÁQUINAS DE TOCAR SINGLES, ESPALHADAS POR BARES BOATES E CLUBES CLUBES, E CONTROLADAS PELA MÁFIA.
FRANK AS UTILIZAVA PARA MANTER-SE ATUALIZADO E LANÇAR NOVOS AUTORES E IDEIAS, QUE PODERIAM OU NÃO, SER DESENVOLVIDAS. ERAM TESTES E EXPERIMENTOS PARA O MERCADO.
E, DEPOIS, OS SINGLES PODERIAM SER REUNIDOS EM COLETÂNEAS. A CRIAÇÃO DOS LPs POSSIBILITOU ISSO TAMBÉM.
MAS, OS “LONG PLAYS” ERAM OUTRO PAPO. O OBJETIVO ERA USA-LOS PARA O REPERTÓRIO MAIS ELABOEADO; MAIS REFLEXIVO, FOCANDO NO OUVINTE INDIVIDUAL.
NOS ÁLBUNS ENTRAVAM AS MÚSICAS MAIS CONCEITUAIS, ABERTAS E INSTIGANTES. ERAM PARA O SEU PÚBLICO MAIS INTIMISTA E SOFISTICADO.
NELES, SINATRA GRAVAVA O QUE HAVIA DE MELHOR E CRIATIVO NA PRODUÇÃO DOS GRANDES AUTORES DE SUA ÉPOCA.
SINATRA, ALÉM DE SER O MAIOR CANTOR DO MUNDO, ERA UM GRANDE INTÉRPRETE. E TAMBÉM GRAVOU “SINGLES” COM A ELITE DOS COMPOSITORES DE SEU TEMPO; MAS O FEZ DENTRO DO CONCEITO QUE ELE CRIARA, A BREVIDADE E A COMUNICAÇÃO INSTANTÂNEA.
ESTA SEPARAÇÃO ENTRE “LONG PLAYS” E “SINGLES” PERMANCEU COMO NORMA POP. VOCÊS LEMBRAM DO INÍCIO DA CARREIRA DOS “BEATLES” E DOS “ROLLING STONES”, POR EXEMPLO?
ERA COMUM OS “SINGLES” NÃO ENTRAREM NOS LONG PLAYS. COMO EU ESCREVI, ESSA ESTRATÉGIA FOI CRIADA PELO PRÓPRIO FRANK, E COM SUCESSO ABSOLUTO NO MERCADO, ATÉ MAIS OU MENOS 1970…
FRANK SINATRA FOI O GRANDE NOME DA MELHOR CANÇÃO AMERICANA. REUNIU COMPOSITORES DA GRANDEZA DE “COLE PORTER”, “GEORGE GERSHWIN”, ENTRE VÁRIOS. E ENFRENTOU CONCORRÊNCIA DO PORTE DE “ELLA FITZGERALD”, “SARAH VAUGHAN:, “TONY BENNETT” E VASTA E SOFISTICADA MINORIA.
SINATRA GRAVOU PARA A CAPITOL “46 SINGLES”, TODOS NESTE BOX EXCELENTE, QUE INCLUI, TAMBÉM, OS LADOS B E ALGUMAS COISAS A MAIS, NUM TOTAL DE 96 MÚSICAS EM 4 CDS!!! A CAIXA VEM COM LIVRETO EXPONDO O QUÊ ESCREVI.
FRANK FEZ, TAMBÉM, “18 LONG PLAYS” EM 8 ANOS DE “CAPITOL”. PARA ALGUNS, O SEU PERÍODO MAIS FÉRTIL E IMPORTANTE.
EM ABRIL DE 1962 ELE FUNDOU A “REPRISE RECORDS”, E PARA LÁ SE TRANSFERIU COM O SUCESSO DE SEMPRE.
O FENÔMENO SINATRA ULTRAPASSA GERAÇÕES. OS MAIS VELHOS ADORAM O SEU REPERTÓRIO E DÃO DE BARATO QUE FOI O MAIOR CANTOR DE TODOS OS TEMPOS – PELO MENOS ATÉ AGORA…
OS JOVENS O ADMIRAM POR SEU LADO REBELDE, A VIDA AGITADA E NEM SEMPRE MUITO RETA.
VOCÊS CONHECEM “MY WAY” COM O”SYD VICIOUS”, DOS “SEX PISTOLS”? É VERSÃO ICONOCLA’STICA DE UM ASTEROIDE QUE RESVALOU EM UM ASTRO IMENSO…IMPERDÍVEL!!!
FRANK VIVEU INTENSAMENTE!! ENSINOU, DEIXOU MARCA, REPERTÓRIO E VIVÊNCIAS SOBRE O QUE PODE SER CONSIDERADO CORRETO OU ERRADO. E, ACIMA DE TUDO, LEGOU OBRA MUSICAL PRÁ LÁ DE RELEVANTE.
UM GRANDE HOMEM ATÉ EM SEUS ERROS, ENGANOS E ALGUNS QUASE – CRIMES.
ACHO QUE ELE JÁ SAIU DO PURGATÓRIO PARA O CÉU!
HI, FRANK !: WE LOVE YOU!
POSTAGEM ORIGINAL: 04/10/2020
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FUSION & BEYOND – TRANSIÇÃO DE MINHA DISCOTECA À PARTIR DO ROCK EM DIREÇAO À FUSION.

 E DAÍ AO PRESENTE, AO PASSADO E AO IMPENSADO…
Quanta pretensão, né TIO SÉRGIO?
What Porra it´s that?
Pois, é; continuo postando a pedido do nosso amigo@Rene Mina Vernice, e fazendo um voo, quem sabe revoada, espantando discos, abrigando outros, tentando compreender a mim mesmo dentro desse HOBBY que eu levo a sério.
Em certo momento, a curiosidade e a oferta de ideias catapultou meu interesse para coisas que jamais ouvira!
Já contei por aqui, uma visita meio involuntária, e única, a um SALÃO DO AUTOMÓVEL. Foi há uns cinquenta anos.
Sei lá. Meu interesse por máquinas é totalmente utilitário: que não me causem problemas, e façam o básico para o quê foram projetados…
Mas, houve uma apresentação de ballet moderno em um stand luxuoso lá. Sei lá por que? Achei que a música era do SOFT MACHINE – que eu jamais tinha ouvido na vida!
Coisas de ainda adolescente. O que rolava era faixa do PINK FLOYD, na trilha do LA VALLÉE!
Não passei muito longe…
Porém, pouco depois comprei o SOFT MACHINE, 4, de 1970. Dei de cara no MUSEU DO DISCO, e comprei.
Nas primeiras vezes que ouvi não entendi nada!!!! Paulatinamente, fui assimilando. Percebi que não era o JAZZ, do jeito que se pensava tradicionalmente. Tinha algo de ROCK, mas a sinuosidade da interpretação da banda, mesmo sobre uma base às vezes algo monótona, denunciava outra coisa.
Diagnóstico, hoje: FREE JAZZ + ROCK PROGRESSIVO, ETC. : FUSION! Ainda hoje ouço bastante, e me comovo e transporto para quando era jovem.
MILES DAVIS – IN A SILENT WAY, 1968. O disco inaugural da fase FUSION de MILES, que ciscou por lá em vários discos essenciais.
O que dizer de banda formada por JOE ZAWINULL E CHICK COREA, teclados; DAVID HOLLAND, baixo; JACK DeJOHNETTE , bateria; e JOHN McLAUGHLIN, na guitarra.
Álbum etéreo, falsamente calmo, e cheio de climaxes, providos por MILES e cada um deles.
Tornou-se outra paixão.
Descolei o disco lá por 1972. Aqui, um BOX com 3 CDS, e todas as sessões de gravação, além do luxuoso livreto, o texto, fotos e tudo o mais que circunda esse gênio do século XX!
JEFF BECK GROUP- ROUGH AND READY, 1971.
A transição do BLUES ROCK para o RHYTHM´N´BLUES + JAZZ: FUSION!!!! Dançável, ultra audível, o encontro de BECK com a STAX , e outras gravadoras de música negra.
E, dentro, a faixa que, para mim inspirou o estilo FUSION que fez a fama e fortuna da gravadora E.C.M: RHAYNES PARK BLUES, rebatizada como MAX TUNE, é o voo da guitarra de BECK, com a proficiência artística do tecladista MAX MIDLETON. É disco de cabeceira, também.
JACK BRUCE – THINGS WE LIKE, 1969 – eu poderia trazer algum outro disco deste gênio irrequieto, polivalente, teimoso e instigante.
É a intersecção criativa entre a guitarra que JOHN McLAUGHLIN, os saxes de DICK HECKSTALL-SMITH e a bateria de JOHN HISEMAN. Grosso modo, é o que fizeram no GRAHAN BOND ORGANIZATION, redirecionado para o FREE JAZZ, esquecendo um pouco o BLUES. Um disco de FUSION algo heterodoxo. E tem JACK BRUCE arrepiando e transcendendo no baixo, logo após o final do CREAM.
Quer experimentar o sabor da vanguarda musical no final da década de 1970? Esteja à vontade.
JONI MITCHELL – THE HISSING OF SUMMER LAWNS,1975 Foi mais ou menos quando iniciei a minha paixão irrevogável, inegociável, irretratável por JONI!!! Poderiam ser vários outros discos dela, porém…
Fusão FOLK + JAZZ + POP recheada de amarguras, doçuras e belezas melódicas e harmônicas e rítmicas irretocáveis! E a voz e as letras dessa gênio memorável, acompanhada por time de primeiríssima linha – como sempre.
PAT METHENY GROUP – AMERICAN GARAGE -1979. O primeiro disco que dele ouvi. Adoro seu estilo, toque, composições, talento para melodias e harmonias, e a capacidade para trazer alto astral à espetacular gravadora ECM, sempre algo triste, solitária e fria.
PAT não por acaso conectou-se à música e às mulheres brasileiras. É criatura do sol, mesmo que circunspecto e compenetrado.
Seus discos e a ECM ajudaram que eu me apaixonasse pela música instrumental, e caminhasse para muitos lados, simultaneamente, e sem preconceitos.
RESENHA MUSICAL: 05/10/2023
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LÁ VEM O NEGÃO, CHEIO DE PAIXÃO, PRA CANTAR, CANTAR CANTAR….

Tio Sérgio acordou, hoje, e abriu a porta; e deu cara com a revista VEJA. Na capa, a ministra ANIELLE FRANCO falando sobre o acontecido com o ex-ministro SILVIO ALMEIDA… O bacobufo que resultou todo mundo já sabe.
Bom, eu sou do tipo que não perde a piada. E me veio à cabeça uma historinha que rolou na década de 1990. Dia incerto, entrou em nossa loja, a CITY MUSIC, no Itaim Bibi, em SAMPA, uma simpática e atraente balzaqueana (calma, crazy people, é currículo base de linguagens do passado não muito distante: significa mulher em torno dos trinta anos ).
A moça chegou animada no BETÃO, “primoamigoirmão” que trabalhava conosco cantando: “LÁ VEM O NEGÃO, CHEIO DE PAIXÃO, PRA TE CATAR, TE CATAR, TE CATAR”… e comentou: “eu tô louca para comprar este CD”… Havia no estoque. Afinal, o ART POPULAR que cantava o HIT, bombava nas rádios.
E o BETÃO, um cara simpático e carismático, brincou: “olha, se chegar aqui um NEGÃO CHEIO DE PAIXÃO para me catar, eu atravesso a rua sem olhar pros lados… Risadas geral; ela comprou e saiu alegre pra curtir.
Por isso, cruzando as coisas, TIO SÉRGIO, o magnânimo, trouxe pra vocês um monte de NEGÃO pegador nos CDS; alguns nem tão conhecidos, mas todos emblemáticos.
Vou pontuar: ISAAC HAYES, voz baixo barítono sensual, cantando no limite do assédio. Há o SEAL, famoso, cheio de cicatrizes, mas ícone da volúpia feminina – vi mulheres comentando como seria velejar o pretão só pra conferir o mastro…
Também veio JOHNNY HARTMANN com JOHN COLTRANE. E quem assistiu a “AS PONTES DE MADISON”, 1995, com CLINT EASTWOOD e MERYL STREEP, vai recordar cena em que o os dois dançam ao som da sedutora voz do negão.
E temos muito e muito mais. Basicamente R&B e SOUL; alguns com pitadas de DISCO MUSIC, com O`JAYS. Também o indefectível MARVIN GAYE, famoso pegador; que é bom nem comentar “SEXUAL HEALING”… hummmm!!!
Porém, há um negão poderoso, talvez a voz mais bem desenvolvida e marcante: LOU RAWLS. O cara teria sido exemplar de perfeição, se não houvesse enfrentado um baita problema: sofreu acidente de carro, em 1958, e quase morreu; sobreviveu com sequelas profundas.
LOU tinha dificuldades para se locomover. No palco, ficava quase parado, e não conseguia expressar-se à altura de seu talento e poderio vocal.
Resumindo, LOU RAWLS legou enorme repertório; lançou em torno de 60 álbuns e vendeu mais de 40 milhões de discos. Mas não realizou plenamente o enorme potencial artístico que tinha.
Uma lástima, indeed! E ainda assim, participava do restrito time das vozes cheias de paixão para nos catar, catar, catar pelo ouvido.
Arrisque! São artistas ariscos e afiados!
POSTAGEM ORIGINAL: 06/10/2024
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MARVIN GAYE – O MAIOR NOME DA BLACK MUSIC – E PEQUENA DISCOGRAFIA

MARVIN GAYE TALVEZ SEJA O MAIOR NOME DA BLACK MUSIC. E WHAT´S GOING ON? – 1971 – FOI  ELEITO PELA REVISTA “ROLLING STONE “, EM 2020, O MAIOR DISCO DE TODOS OS TEMPOS!!!
O MUNDO PASSOU POR TRANSFORMAÇÕES CULTURAIS PROFUNDAS DURANTE A DÉCADA DE 1960. ELAS FORAM DO HEDONISMO E OTIMISMO A RADICAIS MUDANÇAS DE COMPORTAMENTOS E PROPOSIÇÕES POLÍTICAS.
COMO SEMPRE, TEMPOS PLENOS DE EVENTOS SIMULTÂNEOS, MUITAS VEZES CONTRADITÓRIOS, E FREQUENTEMENTE NÃO COMPREENDIDOS À ÉPOCA EM QUE ACONTECERAM.
MESMO ASSIM, HÁ UMA VASTA COLEÇÃO DE FATOS ESTRUTURANTES PARA O MUNDO CONTEMPORÂNEO.
A HISTÓRIA PASSADA CONDICIONA A “HISTÓRIA FUTURA”, MAS NÃO A DETERMINA.
OS FATOS NOVOS, NO CORRER DOS TEMPOS E A TODO MOMENTO, ABREM CAMINHOS PARA A REVISÃO DE IDEIAS E CONCEITOS NESSA ININTERRUPTA INTERAÇÃO.
A DINÂMICA HISTÓRICA, A CADA INSTANTE DO PRESENTE DESTACA A PERCEPÇÃO DO PASSADO, E POSSIBILITA NOVAS CONCLUSÕES, MESMO QUE TRANSITÓRIAS.
O PASSADO, DESSE PONTO DE VISTA, NÃO ESTÁ “MORTO”. OS FATOS ANTES DE SERVIREM COMO BASE DE ANÁLISES, REQUEREM CERTO CONSENSO SOCIAL PARA SE IMPOREM COMO DE IMPORTÂNCIA EFETIVA.
AINDA ASSIM, O QUE É COMPREENDIDO NO PRESENTE COMO A “VERDADE”, SEMPRE PODERÁ SER CONTESTADO E RECUSADO NO FUTURO.
A INCERTEZA E A IMPERMANÊNCIA SÃO AS “CONSTANTES INCONTESTÁVEIS” NA HISTÓRIA DOS HOMENS.
O CONSENSO ATÉ 2018 CONSIDERAVA A OBRA PRIMA DOS BEATLES FEITA EM 1967, “SGT PEPPER´S LONELY HEART CLUB BAND”, O MAIOR, MAIS AMPLO E INOVADOR DISCO DE MÚSICA POPULAR GRAVADO EM TODOS OS TEMPOS. UM ESTÁGIO ADIANTE SOBRE O QUE HAVIA SIDO REALIZADO ATÉ AQUELE MOMENTO.
O ÁLBUM DOS BEATLES COMBINA EM ALGUMAS FAIXAS O MAIS MODERNO DO ROCK COM A MÚSICA ERUDITA DE VANGUARDA. E PRESERVA, EM OUTRAS CANÇÕES, ARRANJOS E RITMOS TRADICIONAIS.
E TUDO EMBALANDO LETRAS BEM FEITAS, COMENTÁRIOS SOCIAIS E POLÍTICOS QUE DESCREVEM O PANORAMA CAMBIANTE DAS RELAÇÕES SOCIAIS EM MEADOS DA DÉCADA DE 1960. EM CONSEQUÊNCIA, ECOAM ATÉ O PRESENTE.
O DISCO FOI GRAVADO COM AS
TECNOLOGIAS DE ESTÚDIO MAIS INOVADORAS DA ÉPOCA, QUE POSSIBILITARAM SONORIDADES E RESULTADOS ATÉ HOJE PERCEBIDOS COMO “CONTEMPORÂNEOS”.
O DISCO DOS BEATLES SOBREVIVEU E TRANSCENDEU AS DECADAS. É OBRA GRANDIOSA E AINDA VIVA.
“SGT PEPPER´S… ” REFLETE CERTA CONSTÂNCIA DA HISTÓRIA HUMANA EM ALGUNS DE SEUS MACRO-TEMAS: LIBERDADE, DROGAS, POBREZA, SOLIDÃO, CONSERVADORISMO, REBELDIA, SOLIDARIEDADE. É O COTIDIANO E SUAS MÁS NÓTÍCIAS, AS GUERRAS, E VÁRIOS ETCs…
“SARGENT PEPPERS…” É UM EXEMPLO DE ARTE EM COMPASSO COM A REALIDADE MUTANTE. E É, TAMBÉM, UM SUMÁRIO DA CONTEMPORANEIDADE.
NO ENTANTO, PROFÉTICO MESMO FOI “TOMMY”, OBRA CONCEITUAL CRIADA POR “THE WHO”, EM 1969: METÁFORA SOBRE A ALIENAÇÃO E ATOMIZAÇÃO DO INDIVÍDUO, REPRESENTADO POR “TOMMY,” GAROTO SURDO E MUDO, MAS CRAQUE OBSECADO POR UMA MAQUINA DE PEBOLIM – A ANTECESSORA DOS ATUAIS JOGOS ELETRÔNICOS.
OS “TOMMYS” CONVIVEM CONOSCO HÁ DÉCADAS. ESTÃO NOS LARES, NOS BARES, NAS ESCOLAS; EM ÔNIBUS E METRÔS. E PROVAVELMENTE NOS ULTRASSARÃO, PORQUE LINKADOS À VIDA COTIDIANA, QUE É ELETRÔNICA, VIRTUAL, ATOMIZADA.
MAS, ANTES DE COCEITUALIZAR OUTRO DISCO MONUMENTAL TOMOU A LIDERANÇA NESSE ETERNO PRESENTE, É BOM DAR UMA CISCADA EM SEU PASSADO E ATIVIDADES.
MARVIN GAYE SEMPRE FOI UM CRAQUE, E ÍDOLO DE PRIMEIRA GRANDEZA.
SUA CARREIRA DISCOGRAFICA NO RHYTHM’N’BLUES E SUA VERTENTE HISTÓRICA, A SOUL MUSIC, É SIMPLESMENTE ESPETACULAR.
POUCOS ARTISTAS DESENVOLVERAM TANTA PRESENCA DE PALCO E IDOLATRIA QUANTO MARVIN!
TANTO ANTES COMO DEPOIS DE “WHAT’S GOING ON?”.
ELE TEVE PLETORA DE HITS TANTO NA “MOTOWN” QUANTO NA “SONY CBS”. SUA VOZ, ESTILO E MUSICALIDADE TALVEZ TENHAM CHEGADO AO AUGE COM SUA “OBRA MAGNA”!
DA MESMA FORMA QUE “TOMMY”, A EVIDÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO QUASE PROFÉTICA FICOU MAIS UMA VEZ EXPLÍCITA.
MAS, SERIA “WHAT´S GOING ON”, DE MARVIN GAYE, LANÇADO EM 1971, MELHOR, MAIS ADEQUADO E ATUAL DOS QUE OS BEATLES?
Em primeiro lugar, repare que ambos têm mais de cinquenta anos! E a diferença entre o lançamento um e outro foram menos de quatro anos.
Mas que quatro anos!!!!!
Quando o disco de MARVIN GAYE saiu, o pessimismo e o desencanto haviam tomado conta do mundo.
A utopia hippie entrara em desuso; e continuaram as guerras e disputas entre potências com seus arsenais nucleares nas alturas. Ficou escancarado que ditaduras se espalhavam por todo o planeta. Trivialidades que se repetem, em 2023, os tempos atuais. Tudo se reposicionou. Mas, essencialmente pouco mudou…
Observe também, que em 1967 já havia nascido um ROCK PSICODÉLICO PESSIMISTA, realista e marginal, e longe do “SUNSHINTE POP” e dos BEATLES.
De certa forma, o “VELVET UNDERGROUND”, de LOU REED, anteviu o quê em 1971 já estava explícito, e continua regra até agora…
Sobreviveram do passado vários temas trabalhados por MARVIN GAYE em seu disco imprescindível: pobreza, vida marginal, violência, drogas…desigualdade racial…
Para entender o “MARVIN GAYE de WHAT´S GOING ON?”, é preciso notar que em 1970/1971 foram lançados discos importantes abordando as mazelas constantes, com muita crítica social militante. E todos eivados por tom pessimista e algo resignado.
Inclusive o novo assunto daquele momento, e que todos nós, dali para frente, passamos a nos preocupar: a ECOLOGIA!
Naqueles tempos “JONI MITCHELL” lançou “Blue”, e “NEIL YOUNG” fez “AFTER THE GOLD RUSH”. E, um pouco além, o “JETHRO TULL” criou “ACQUALUND” – um olhar esquivo e duro sobre religião, educação, marginalidade e outros temas eternos.
E os “MOODY BLUES”, havia lançados álbuns muito vendidos. “A QUESTION OF BALANCE” e “EVERY GOOD BOY DESERVES FAVOUR”, são os pioneiros em falar sobre ECOLOGIA.
E não vamos esquecer CHICO BUARQUE, na mais perfeita descrição poética das agruras da pobreza que nos assola, em “CONSTRUÇÃO”, para ficar em um exemplo, entre tantos vários. Há dado fundamental que une as obras daquele contexto histórico relevante: todos são DISCOS DE VANGUARDA, MUSICALMENTE FALANDO. E de acordo com o espírito de final dos tempos!
MARVIN GAYE, é produto de seu tempo: um “SINGER/SONGWRITER”, a tendência que tomou conta do mercado musical no início dos anos 1970. É também contemporâneo de outros grandes artistas, como PAUL SIMON, CARLY SIMON, JAMES TAYLOR, GIL, CAETANO e vasto etc…
MARVIN GAYE não foi um precursor, mas articulou artisticamente várias ideias de seu tempo…O disco “WHAT´S GOING ON?” é, antes de tudo, um ÁLBUM CONCEITUAL, e de BLACK MUSIC. Um diferencial único entre seus pares.
A faixa título é considerada a “quarta música mais importante da discografia americana”.
Da segunda à sexta faixa é uma SUÍTE “SOUL/FUNK- com percussão latina mesclada ao JAZZ: verdadeira FUSION dançante, com faixas ininterruptas e interligadas. E tocada pelos magníficos e precisos “FUNK BROTHERS”, a banda principal, à época, da gravadora “MOTOWN”, garantia de excelência.
As três faixas restantes esbanjam qualidade e ritmo, com destaque para a melhor de todas: “RIGHT ON”, um show!
O álbum é um resumo dos desencantos e desesperanças; e a observação da violência e das iniquidades da sociedade americana, misturadas a um tom espiritualizado típico da melhor BLACK MUSIC do “Hospício do Norte…”
MARVIN canta sobre desemprego, inflação e a crise econômica da época. Cita inclusive a poluição, a superpopulação e outros temas candentes ligados À ECOLOGIA, e ainda onipresentes.
E constata o racismo, a violência policial, o ódio e as injustiças contra os pobres e, principalmente, contra os pretos.
O disco chama a atenção sobre aqueles que lutaram guerras para nada. Vamos recordar um filme com TOM CRUISE chamado “Nascido em 4 de Julho?
Pois bem, MARVIN GAYE é um preto que entendeu o drama daquele “branco” aleijado e descartado, o personagem de TOM CRUISE, que a seu modo interpreta um deserdado da utopia americana, e sentiu as iniquidades da sociedade que o usou e o abandonou.
Como acontece com a maioria dos pobres. E muitos e muitos pretos pobres, e pobres e pretos, que também viraram buchas de canhão nas constantes guerras do Império americano mundo afora…
MARVIN GAYE cantou a América nua e crua, pela perspectiva dos pretos! Mesmo que os temas centrais das letras magistralmente compostas por ele e “RENALDO BENSON”, um dos “FOUR TOPS, já estivessem sido expostos quando ele foi gravado.
Pois bem, os passos que a HISTÓRIA abriga tornou o disco dia-a-dia mais relevante. Os tempos de TRUMP, a recorrente violência contra os negros, e o recrudescimento do racismo mundo afora elevaram o disco ao status que agora tem.
É, também, uma reação cultural ao ultraconservadorismo excludente desses tempos de ignorância, falta de compaixão e pouca empatia.
“WHAT´S GOING ON?” é disco de altíssima relevância social. E traz músicas perfeitamente apreciáveis 50 ano depois.
É um verdadeiro marco artístico. Mas, não promoveu a REVOLUÇÃO ou inovação musical como fizeram os BEATLES, em “SARGENT PEPPERS”.
Por isso, eu tenho dúvidas de que seja o melhor disco da história do POP. Se é que isto realmente existe… A revista RECORD COLLECTOR faz listas por gêneros, estilos, etc., o que parece mais realista.
Seja como for, é obra que sempre estará entre as dez melhores. E a sua história e peripécias acompanharemos por muito tempo.
Ouçam e tenham na discoteca: é mandatório.
POSTAGEM ORIGINAL 06/10/2023
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MUJICIAN: THE JOURNEY – gravado no Festival de BATH, em 1990, e transmitido ao vivo pela B.BC.

 Um grupo da pesada, com músicos em  alto nível como KEITH TIPPET, piano; TONY LEVIN, ( não confundir!!! homônimo do baixista do King Crimson!!!! ) bateria e percussão; PAUL ROGERS ( não confundam!!! ) baixo; PAUL DUNMALL, sopros.
QUEM PROCURA DISCOS DE JAZZ E ARREDORES ENCONTRA, COM ALGUMA FREQUÊNCIA, OBRAS EXPERIMENTAIS EM OFERTA. ACHO QUE NO MUNDO INTEIRO É MAIS OU MENOS ASSIM…
É EXPLICÁVEL. A MAIORIA NÃO GOSTA, PORQUE É MÚSICA NÃO LINEAR, OU CHEIA DE INVENÇÕES. É MAIS DIFÍCIL PARA ESCUTAR E ATÉ APRECIAR.
EU GOSTO. TENHO CURIOSIDADE E VÁRIOS DISCOS, MESMO NÃO ESCUTANDO O TEMPO INTEIRO.
COMENTAR MÚSICA ESPONTÂNEA É, TAMBÉM, MAIS DIFÍCIL E COMPLICADO, PORQUE EXERCÍCIO DE “PERCEPÇÕES”, QUE PEDEM PARA SER EXPRESSAS IDENTIFICANDO MENOS SUBSTANTIVOS E, TALVEZ, MAIS ADJETIVOS. QUER DIZER, O PAPEL DA LINGUAGEM “SUBJETIVA” GANHA RELEVÂNCIA.
RESENHAR DISCOS NÃO É UM EXERCÍCIO QUE A SE FAÇA EM “LABORATÓRIOS DE ANÁLISES CLÍNICAS”, COM AMOSTRAGEM DE FLUÍDOS, MATERIAL ORGÂNICO DEFINIDO, UM MOSTO, OU SEJA LÁ O QUE SE POSSA VISLUMBRAR CONCRETAMENTE.
ESCUTA-SE A MÚSICA MUTANTE E É PRECISO CAPTAR SUA INTENÇÃO. UM TRABALHO DE ABSTRAÇÃO QUE TODA MÚSICA REQUER. E AS EXPERIMENTAÇÕES DE VANGUARDA EXIGEM MAIS AINDA DE QUEM A ESCUTA.
THE JOURNEY é obra de fôlego. 55 minutos numa tacada só, direta! Um “HOLE IN ONE”, como dizem os golfistas.
É tapeçaria sonora entre a MÚSICA CLÁSSICA CONTEMPORÂNEA, O FREE E O FUSION JAZZ de “cara europeia”; e, por assim dizer, “um fio terra sexual”… com elementos do ROCK PROGRESSIVO”.
É espontaneamente anárquico, “ma non tropo”; habilmente concatenado e executado. Uma longa interação gravada ao vivo, na Inglaterra; uma JAM SESSION culta e acadêmica até, rompendo o limite de cada um dos participantes.
E todos são da elite da música europeia de vanguarda, com vasta experiência em gravações e participação em grupos consagrados.
O disco é para “corações e ouvidos de inverno”, algo frios, mas propensos ao experimental em busca do melódico instigante; e dos solos primorosos e difíceis.
Mais próximo à vanguarda muito bem desenvolvida pela ECM RECORDS de hoje. E com espaço para individualidades quase no limite do ego.
Não é FREE ANÁRQUICO, como na experiência de ORNETTE COLEMAN, em 1962 (acho…) É liberdade incontida – mas vigiada. Coisa para músicos de altíssimo gabarito, como o quarteto MUJICIAN.
Antes de tocar FREE ou AVANT GARDE, primeiro é preciso estudar, praticar ao limite, tornar-se íntimo dos instrumentos e domina-los o tempo inteiro, na fronteira de seu limite técnico.
Exige, também, tenacidade, curiosidade, cultura histórico-musical, paciência, imaginação e capacidade para admirar caminhos difíceis e traiçoeiros. É algo exclusivista e transgressor, mesmo não sendo agressivo.
Nada do que está aí é gratuito. Um disco recheado de propostas, e para ser escutado aos poucos; aos goles curtos feito whisky de primeiríssima linha.
O público passou o tempo todo quieto e comportado, em respeito aos músicos. No final aplaude torrencialmente – e muito!
Nem todos apreciarão. Mas eu recomendo vivamente que escutem.
POSTAGEM ORIGINAL: 06/10/2024
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COLEÇÃO CULTURA – PARTE 2

Esta é a segunda série com mais dez CDs. Bastante bem concebida e realizada, com design especial e as capas históricas e originais de cada um dos discos.
O produtor foi CHARLES GAVIN, baterista dos TITÃS, pesquisador, e colecionador da história e tradições da melhor música, principalmente da MPB.
A coleção foi concebida e realizada há cerca de 15 anos, e era vendida com exclusividade pela LIVRARIA CULTURA e suas lojas. Hoje praticamente extintas…
Aqui estão combinados MPB não usual de qualidade, com artistas internacionais de algum modo ligados à ela.
Como sou completista, mais uma vez comprei todos. É fatia da imensa pizza formadora de nossa melhor DISCOGRAFIA.
Tem HERBIE MANN com JOÃO GILBERTO, BARNEY KESSEL, JON HENDRICK, MILES DAVIES, EUMIR DEODATO, SERGIO MENDES, HERMETO PASCOAL, TOM ZÉ, ARTHUR VEROCAI, AZIMUTH…
A discografia escolhida é muito difícil de encontrar. Discos menos famosos, mas todos excelentes e colecionáveis.
É tipo assim, noivos em casamento moderninho: quem comeu, comeu; quem não comeu não come mais…
Se acharem “pelaí” não percam!
POSTAGEM ORIGINAL: 06/10/2019
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COLEÇÃO CULTURA – PARTE 1

Houve duas séries com dez CDs cada, organizadas por CHARLES GAVIN, baterista dos TITÃS.
Esta é a primeira, e foi lançada em torno de dezoito anos atrás. E como sou chato e completista fiz as duas.
Só discos raros, interessantes e colecionáveis de nossa cultura e correlatos. Traz artistas importantes, exóticos ou difíceis de encontrar da MPB e arredores.
Há BOSSA NOVA rara e muito interessante, como os IPANEMAS, o EMBALO TRÊS, e RAUL DE SOUZA, o RAULZITO…
E também vanguardas originais tipo KARMA, WALTER FRANCO, DON SALVADOR & ABOLIÇÃO e ZÉ RAMALHO. Inclusive estrangeiros em gravações que têm tudo haver conosco: SONNY ROLLINS e DAVE BRUBECK QUINTET, na foto.
Foi projeto precioso, cultural e artisticamente relevante, e que certamente não se repetirá.
Porque a patrocinadora, a LIVRARIA CULTURA, praticamente deixou de existir. Sem considerar mercados, direitos autorais e vários detalhes que impedem ou tornam inviável relançamentos…
Eu vi diversos deles em edições japonesas. Portanto, é tudo colecionável de verdade!
Se achar algum ou todos quando garimpar por aí, não faça cerimônia….
São discos muito legais!!!
POSTAGEM ORIGINAL: 06/10/2019
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KINKS – PRIMEIRA FASE: 1964 – 1970 – PYE RECORDS

Há várias formas de observá-los na peregrinação pela década de 1960.
Do BEAT autoral e observador da vida cotidiana inglesa, à iconoclastia magistralmente construída de LOLA, talvez a primeira música a falar abertamente sobre um travesti e o fascínio quase ingênuo que despertava, há 50 anos!
No meio disso tudo, SINGLES históricos, como “YOU REALLY GOT ME”; e dois ÁLBUNS CONCEITUAIS “pré – psicodélicos”, e não progressivos:
“…VILLAGE GREEN PRESERVATION SOCIETY”, de 1968, o primeiro disco que conheço discursando sobre ecologia e meio ambiente.
E o clássico ainda não redescoberto “ARTHUR” THE RISE AND FALL OF BRITISH EMPIRE, de 1969, uma história do Império e modo de vida inglês, contada por olhares sarcásticos e debochados nas palavras do letrista excepcional que ainda é RAY DAVIES.
Quero apenas pontuar que, hoje, nem “OLD” esta fase deles é mais considerada, mas “VINTAGE”.
“OLDIES” , ao que tudo indica, virou nomenclatura para tudo o que veio depois da Psicodelia, mais ou menos de 1966 em diante, até talvez 1990…
Acho importante distinguir, porque clarifica a irreverência lúcida e nada vulgar de um tempo de posições e falas contundentes, mas proposições artísticas relevantes.
Não é mesmo, ANITTA, MCs “por aís” e turma do FUNK e do RAP?
POSTAGEM ORIGINAL: 06/10/2019
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KINKS : O ÓBVIO E MUITO ALÉM

TIO SÉRGIO, como Ayrton Mugnaini Jr., JON BONJOVI, TREVOR RABIN, PETE TOWNSHEND, CHRISSIE HYNDE, o SLASH, e o ALICE COOPER, também; e muitos, muitos mais nesse mundo de DEUS – e onde o diabo também dá seus pitacos. Somos todos fãs de RAY DAVIES; e por tabela, história e afeto, também dos KINKS!
Não vou repetir; e já repetindo em parte, coleciono os caras, ultrapassando o normal e o esperado. Sei lá: apareceu, dou um jeito e trago, ou troco. Tudo o que postei, hoje faz parte do acervo da BMG, que assumiu incontáveis gravadoras do passado.
Bom, rolou tempos atrás o BOX abaixo, chamado “THE KINKS – THE ANTHOLOGY” 1964/1971. A edição é fantástica, e feita pelos irmãozinhos de olhinhos puxados – que não são os chineses, e outros; mas aqueles da ilha que tomou uma bomba atômica, na segunda guerra, pra parar de resistir… Ah, desconfiaram?
É “completinho” – ihhh, parece coisa de anúncio de garota programa…. Estão aí um SINGLE em vinil, com “MILK COW BLUES” e YOU REALLY GOT ME” e mais”5 CDS com 140 faixas! Todos os clássicos, os HITS, o importante, out takes, os lado B, e gravações não lançadas, cobrindo toda a fase PYE, entre 1964 e 1971. Qualidade de gravação e remasters, tanto MONO como STEREO? ESPETACULARES!
Claro, há excelente livreto com fotos, textos, informações, etc… Vem, também, capa-álbum com todos os CDS, e mais informações, fotos, etc. Ah, traz imenso OBI; e pequeno etc… E há outro livro com todas letras em inglês, e também em japonês – aliás, acompanhei a audição lendo em japonês. E, sabem? Deu tudo certo! Como eu esperava, não entendi patavina!!!
Quem adorar a banda; conseguir, e quiser ter tipo tudo em edição retumbante e definitiva, é este aqui mesmo!
Postei, também, duas coletâneas recentes, chamadas JOURNEY PART 1 E PART 2, com dois CDS em cada uma delas. São muito interessantes, e trazem clássicos e alguns HITS, todos escolhidos pelos irmãos RAY e DAVE DAVIES, MICK AVORY, os fundadores remanescentes. JOHN DALTON, antigo membro, também ajudou a escolher.
A coleção segue outros critérios, tipo aproximar temas, subtemas, e outras peculiaridades. São artefatos interessantes para colecionadores e os fãs observarem a banda por outras perspectivas. De fato, engrandeceu o legado.
A primeira delas abrange os discos originais. lançados pela PYE. A maioria das músicas são conhecidas, e disponíveis.
Já a segunda coletânea traz o restante da primeira fase. Porém, é bem mais instigante. Porque a primeira abrangendo, também, álbuns da fase gravada na RCA VICTOR, entre 1971 e 1976. Há faixas de “MUSWELL HILBILLIES”, 1971; “EVERYBODY IN THE SHOW BIZ”, 1972; “PRESERVATION ACT 1 & 2”, 1973/1974; “SOAP OPERA”, 1975; e “SCHOOL BOY IN DISGRACE”, 1976. Atualmente edições raras; e obras mais herméticas; digamos, e menos populares. Ainda assim, hoje talvez alguns a classifiquem como próximas ao PROG ROCK, mesmo que acentuando a tendência da banda para o “MUSIC HALL” Inglês.
Os KINKS raramente tentaram algo mais experimental, vanguarda, musicalmente falando. A deles é acentuar o ROCK´N´ROLL com letras bem feitas, e cheias de conteúdos e ironias. RAY DAVIES para muitos é o maior compositor do ROCK INGLÊS. Eu vejo muito poucos que dele se aproximem. Para comprovar, eu trouxe aqui exemplares memoráveis.
POSTAGEM ORIGINAL 07/10/2024
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CHET BAKER E OUTROS: GENIALIDADE, PAIXÃO E MORTE

Madrugada, uma dessas, pronto para encerrar a noite, dei de ouvidos, olhos e compaixão em filme sobre CHET BAKER, com ETHAN HAWKE. O título original: “BORN TO BE BLUE”, trilha excelente com músicas de CHET revisitadas e recriadas.
Filme convincente, emocionante, feito por fã declarado, abordando um período da vida de CHET BAKER. Descreve um de seus momentos de baixa total, lá pelo final dos anos 1950, início dos 1960; vivências infernais que a gente não imaginava que poderia ter sido tanto assim…
Mas, foi.
E aconteceu a incontáveis outros e outras…Muito trabalho, sofrimentos indizíveis, e, para alguns, a glória reconhecida uns 40 anos depois…
Mas, naquele momento, defrontamos um ser humano fragilizado, desconstruído e carente.
Alguém alentoso, assolado por vício quase impossível de ser contido: as drogas injetáveis – não importa quais, talvez todas….
Em muitos períodos da história foi vício glamourizado, legitimado pela genialidade real, ou suposta, do atingido. Décadas de 1950, 1960 e 1970, principalmente essas, onde ser marginal era reforçado pelo discutível elogio de que significaria ser herói.
Mentira. Falácia.
O tempo nos enaltece. Mas, raramente nos honra. Ele é inimigo do corpo, traidor da alma, revelador de fraquezas, fracassos e lapsos.. E inexoravelmente traz a morte… seja lá de que jeito for…
Esse inventário de karmas criou a fama e o estigma de NELSON GONÇALVES, CHET, COLTRANE, PARKER, RAUL, KURT, MORRISON, BRIAN JONES, JANIS, AMY, HENDRIX, CLAPTON, RICHARDS, BILLIE… e vá colocando na fila para a decapitação quem mais você quiser…
Heróicos?
Quem sabe. Todos destruídos. Humanos produtivos, porém esgotados, dilacerados, falidos e falíveis como todos nós…
Mas cobrados, talvez injustamente, por aquilo que poderiam ter sido, se…
O trágico “se”. Inimigo do “ser”.
A compaixão é o maior e mais difícil sentimento que se pode construir ou nutrir em relação ao próximo.
Pobres diabos, todos eles. E todos nós julgamos serem, ou terem sido deuses…
Escrevi esse texto ouvindo CHET BAKER, LIVE IN TOKYO, 1987, veja no YOUTUBE.
POSTAGEM ORIGINAL: 10/10/2023
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