KEITH JARRETT – EXPECTATIONS – 1972 – E 0 DETALHE QUE AUMENTA O PRAZER DA AUDIÇÃO

KEITH JARRETT – EXPECTATIONS – 1972 –
E 0 DETALHE QUE AUMENTA O PRAZER DA AUDIÇÃO
Nesta fase, o “KATARINO” ainda usava “mordaça”. Não têm grunhidos, nem barulhinhos de orgasmos, flatulências ou gritinhos…
Nada disso. Apenas a música excepcional que ele produz!
Eu vou tentar descrever percepção algo fugidia da experiência de ouvir o disco:
Para mim, é um compósito de “FREE JAZZ, “AVANT GUARD” e “FUSION”. Tem algo de “LATIN JAZZ”, pitacos de “PERCUSSÃO À BRASILEIRA”; e um quê recôndito de ROCK transitando do PSICODÉLICO para o PROGRESSIVO. “KATARINO” é um artista cintilante. O estilo de JARRETT, com suas frases longas, e aqui está ladeado por um grupo que participa muito, construindo base harmônica e rítmica para KEITH brilhar.
A bateria de PAUL MOTIAN tem sutilezas e um retrogosto do JAZZ EUROPEU DE VANGUARDA daquela época, início dos 1970. Ela se casa com as percussões latina e brasileira de AIRTO MOREIRA, que sabe conduzir o balanço dançante que sempre permeia as suas intervenções.
O baixo pulsante, onipresente, de CHARLIE HADEN ressalta o andamento da música, e preenche os espaços abertos no ritmo pela bateria, que também funciona como instrumento de SOLO na base da música – se é que assim posso definir.
E DEWEY REDMAN entra com o sax tenor em linguagem de VANGUARDA, criando complemento dissonante ao dedilhado nítido, claro, inteligível de KEITH. Sofisticadíssimos!
Para temperar de vez o caldo saboroso, a menos presente guitarra distorcida no ponto certo, tocada por SAM BROWN, realça o aspecto ROCK alinhavando tudo isso, sem destoar do clima JAZZY total das músicas.
A construção do álbum revela a FUSION de ritmos e tendências diversas. E, se percebi corretamente, é um disco bastante variado, mas sem intenção de ser álbum conceitual. São músicas suficientemente ricas e bem compostas. Portanto, possibilitam outras leituras. E aí cabe o prazer em repetir audições.
Eu gostei! É tecnicamente bem gravado, e a participação dos músicos se revela em recortes claros, discernimento e foco, resultando em textura bem construída e sofisticada.
Os temas de cada música ficam evidentes para o ouvinte durante cada execução. Bem compreendendo ou não, o acontecimento musical é um monumento que merece estar em diversas discotecas e coleções por aqui.
E, para deixar o TIO SÉRGIO e todo mundo contente, chegou na minha casa por menos de $ 8,00 BIDES, uns R$ 40,00 MANDACARUS! Precinho comportado para um CD importado.
Falei.
Será que eu “disse”?
POSTAGEM ORIGINAL 19/02/2023Nenhuma descrição de foto disponível.

HISTORINHAS QUE O TIO SÉRGIO CONTA: AS MEMÓRIAS DA COMPAIXÃO NECESSÁRIA, E DA DELINQUÊNCIA SONORA ESTIMULANTE

Toda vez que paro ao lado de algum carro onde algum moleque está tocando aquele horror atual, RAP, PANCADÃO, ou SERTANEJOS do tipo DENTISTA E CARIADO, LEÃO E LEOPARDO, MAYARA E MARAÍSA… e sei lá mais o quê, eu penso: calma, SERJÃO, você foi muito pior e sabe disso!!!
Tempos atrás, eu assistia a um torneio de GOLFE pela televisão, e um comentarista e instrutor falou o seguinte:
“Todo dia aparece alguém querendo aprender a jogar. Pedem logo um taco para dar uma porrada letal na bola, e mandá-la a sei lá quantas jardas de distância…” E o cara ponderou. “Dar tacada é apenas uma parte do esporte”. Mas, não é assim que a banda toca. “O mais difícil é botar a bola nos buracos”.
O “GREEN” é terra indomada, cheia de armadilhas, então você precisa aprender a “PATHEAR”, tocar a bola nas curtas distâncias, calcular o toque, e adquirir técnica. Demora, é o mais difícil… Em vista disso e incontáveis experiências passadas, aprendi a ser tolerante e manter o bom humor.
Certa vez, TIO SÉRGIO e amigos “comórbidos” estavam em restaurante, quando apareceu um garoto com a mãe. Eles ouviram o papo “ilustrado” da mesa ao lado: Nós! O menino tentou entregar um CD “promo” de REGGAE, gravado pela banda que integrava. Eu fui o único que aceitou, e ainda bati um papo! Ser gentil não custa. É pedagógico, e até hoje obrigatório – eu acho…
O garoto explicou que ainda estavam no início, coisa e tal, e pediu para eu ouvir e dizer o que achei do que “cometeram”. Fiz isso em nome do que é justo, e do meu passado nada recomendável em termos de comportamento frente à música – e vá lá, às vezes frente à vida também…
Resumindo, o disco era muito ruim. Dias depois, liguei para ele e expliquei os meus motivos:
1) letras ruins e português péssimo. Recomendei que estudassem a língua antes de compor. Observei que é essencial, porque um comportamento cidadão exigível de qualquer profissional sério;
2) Argumentei que o REGGAE é enganosamente óbvio. Então, superar-se, evoluir, implica em criatividade e muito ensaio;
3) Elogiei a iniciativa dos meninos, mas ponderei que antes de gravar é preciso lapidar o que se pretende fazer. Ter menos pressa – o que é difícil frente à motivação para fazer o quanto antes…
Não sei o que aconteceu com a banda. Nunca soube no que deram…
Mas penso, também, que conselhos sinceros e adequadamente expostos são fundamentais para qualquer iniciante. E um jeito maduro de ajudar; ensinar, orientar, incentivar…
O TIO SÉRGIO aqui ainda é um tanto da fuzarca! Aprendi em meus compêndios sobre ROCK, JAZZ E MÚSICA “ANTISSOCIAL” em geral, que a boa MÚSICA POP necessariamente precisa incomodar os mais velhos.
É vero, é fato. É assim que as coisas se desenvolvem ( eu escrevi desenvolvem, e não a palavra “evoluem”, diferença de conceitos abissal). Pentelhar o próximo é essencial para o mais jovem se distinguir dos velhos.
Vocês duvidam? Então, respondam: por que será que eles fumam? Porque é perigoso, desafiante, rebeldia e contestação explícitas. A vida é tão medíocre e trivial assim….
Dia desses, acordei com a macaca! Não, não torço pra PONTE PRETA!!! E baixou vontade incontrolável de ouvir o inaudível e o inacreditável…
Eu tenho um lado insalubre, esquisito e provocador; e os meus amigos sabem… Aproveitei para escutar coisas como MERETRIO, WALTER FRANCO, THROBBING GRISTLE, FRANK ZAPPA, SHAGGS, CARLA BLEY; e o FOSSORA, da BJORK.
Outro dia, inverti o jogo e pus pra rolar as pianistas “erudito contemporâneas” HÈLÉNE GRIMAUD e BEATRICE BERRUT, artistas excelentes, e moças belíssimas! As duas merecem audições cautelosas, detidas, detalhadas. Por isso, não estão na foto… A BJORK, também; mas ela é sempre caso a parte….
Voltando ao infernal, ouvi novamente o MERETRIO. É interessante. Mas lembram um pouco a afobação do garoto do REGGAE. Fazem FUSION com certa pretensão e algum discernimento.
Mas, por que músicos da geração deles sempre voltam aos clássicos na MPB, tentando atualizar a linguagem sem observar essências? Honestamente, LUIZ GONZAGA tem nada a ver com JAZZ e nem pretendia. Deixar os mortos em seu lugar e com o devido respeito, talvez seja mais produtivo do que ressuscita-los em Igrejas que jamais frequentaram. Principalmente, se o exorcista não tiver tantos apetrechos artísticos, técnicos e de talento assim…É o caso dos meninos aí…
Seria?
Ouvi outra vez “THE PERFECT STRANGER”, de FRANK ZAPPA, em arranjo e regência de PIERRE BOULEZ, gravado em 1984.
Achei magnífico!!! E concluí o óbvio: craque grava craque. Na metalinguagem do ex-deputado e modista CLODOVIL HERNANDEZ, para referir-se aos homossexuais, “boi preto reconhece boi preto”!!!!
Somando vivências eu vou continuar na direção e procurando tudo que não me lembre o “ÓBVIO ESFOLIANTE”.
Eu acho que tornar-me um COMPÓSITO CONTRADITÓRIO é mais desafiador do que ser uma METAMORFOSE DEAMBULANTE.
Escrevi e pronto! A irresponsabilidade é minha.
POSTAGEM ORIGINAL 23/02/2023
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THE PAUL JONES COLLECTION – SOLO YEARS

Os bancos servem para organizar o fluxo financeiro da economia. Eles intermedeiam capitais e aplicações de quem tem algum sobrando para os que precisam, cobrando taxas de juros e remunerando “rentistas” e poupadores….Well, você sabe disso tudo, claro…
Mas, TIO SÉRGIO por que esse introito desmazelado explicando o óbvio retumbante pra nóis aqui?
Pelo seguinte: as únicas coisas que recebi… digamos de graça do Banco Itaú Personallité foram duas caixas promocionais que acompanhavam cartões de crédito. Faz uns 15 anos. Eu as guardei pensando montar um BOX para alguns CDS específicos.
E fiz este aqui: peguei os 3 CDS e mais um DVD do PAUL JONES, e porca mas criativamente forjei um objeto exclusivo!
Hummmm, Ah, tá!!! Quanta pretensão…
Para os que não sabem, PAUL JONES foi o vocalista da primeira fase da notável banda inglesa MANFRED MANN, entre 1963 e 1966. Ele está em SINGLES de muito sucesso, como DO WAH DIDDY DIDDY; 5,4,3,2,1; e em vários R&B e BEATs nos primeiros e excelentes discos do grupo.
Em 1966, como tornou-se comum, tentaram lança-lo como artista solo, e esses 3 CDS coligem as gravações que geraram LPS, vários SINGLES, e etc…e que podem interessar a colecionadores e completistas.
Comercialmente, não rolou muito; e ele tornou-se também ator… Tentaram de tudo para levantar a carreira solo de PAUL. De arranjos orquestrais, ao BLUES, ao POP, etc…
O Mesmo esquema depois foi tentado com sucesso para ROD STEWART, SCOTT WALKER, COLIN BLUNSTONE, PETER FRAMPTON, VAN MORRISON, PAUL WELLER e outros…
Sempre por ali, e próximo ao R&B e ao ENGLISH BLUES, PAUL JONES acertou o passo novamente no início do anos 1980, quando juntou-se aos profissionais TOM McGUINESS, DAVE KELLY, GARY FLETCHER, HUGH FLINT e vários luxuosos contemporâneos. Gente que havia estado com JOHN MAYALL, MANFRED MANN… ou em carreiras solo algo vistosas na Inglaterra.
E fundaram a BLUES BAND, que perdurou por quase três décadas e muitos discos legais gravados. Inclusive o primeiro deles, BOOTLEG ALBUM, lançado no Brasil, talvez em 1980.
PAUL JONES acho bom lembrar para não ser confundido com o JOHN PAUL JONES, baixista do LED ZEPPELIN – que esteve entre os muitos arranjadores que ajudaram o quase xará. PAUL JONES, vocalista histórico e de talento eclético, foi mais bem aproveitado na BLACK.MUSIC em geral.
Enquanto eu elaborava esse POST escutei o P.J. solo. Entre os quase sucessos houve “I’VE BEEN A BAD, BAD BOY”, deliciosamente regravado por RITCHIE, aquele inglês “exilado” aqui no BRASIL, e incentivado pela RITA LEE.
Além do excelente e grudento MENINA VENENO, grande sucesso que vez por outra ainda frequenta as rádios, RITCHIE gravou, entre outros, um ótimo CD com inesquecíveis HITS da década de 1960.
“RITCHIE 60”, saiu em 2012 e vai alegrar a velha guarda. Gente como eu, Antonio Molitor e um montinho por aqui.
Tentem ouvir os dois, farinhas de sacos diferentes .
POSTAGEM ORIGINAL: FEVEREIRO 2023
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HARMONIA + ENO: TRACKS AND TRACES AMPLIADO, 1976, LANÇAMENTO EM VINIL E ANDANÇAS E VIAGENS DE ALGUNS CRIATIVOS PELOS HANGARES E RADARES DO KRAUTROCK, E DA EXPERIMENTAÇÃO MUSICAL: 1973/1979

Fiquei sabendo que PHILLIP GLASS terminou e lançou em 2022, a sua DÉCIMA SEGUNDA SINFONIA, completando a trilogia BERLIM de DAVID BOWIE, que junta três discos seminais da saga criativa do ROCK através dos tempos.
GLASS havia acertado com BOWIE que também comporia sobre o terceiro o disco, LODGER, original de 1979. Já havia feito magnificamente sinfonias baseadas em LOW, em 1993; e HEROES, em 1996.
Agora, esse triatlo artístico de grande fôlego e pertinência já está disponível.
Não percamos. É obrigatório; e DAVID e PHILLIP merecem.
O histórico e pioneiro do ROCK PROGRESSIVO nas rádios de São Paulo, Jaques Sobretudo Gersgorin, dizia no KALEIDOSCÓPIO, o seu programa,😀 que ROCK era o encontro da “MAGIA COM A TECNOLOGIA”.
E a tecnologia recuperou a magia desenvolvida por um SUPERGRUPO alemão de KRAUTROCK formado em 1973.
O HARMONIA foi um trio em coalisão – colisão? – que juntava MICHAEL ROTHER, guitarrista e multi-instrumentista, que iniciou a carreira emulando KINKS, HENDRIX e o THEM. E, depois, os desconstruiu no NEU, a dupla CULT que formou com KLAUS DINGER, outro fora de esquadro.
Para construir o HARMONIA vieram mais dois músicos com sobrenomes que parecem retirados de algum alfarrábio escrito em latim:
HANS-JOACHIM ROEDELIUS, e DIETER MOEBIUS, ambos em teclados, percussão e instrumentos eletrônicos vários, formavam desde 1971 o CLUSTER, dupla que subsistiu longamente em idas e vindas, associações, e vasto etc… existencial.
Para simplificar, NEU + CLUSTER = HARMONIA, nome que escolheram quase ironicamente, tanto por causa da beleza de FORST, no interior da ALEMANHA onde viviam, quanto pela tensão criativa gerada pelos três, quase um amor à primeira vista, brincavam.
Em frase brilhante que li sobre eles, os três sabiam perfeitamente que a ALEMANHA OCIDENTAL não era o QUINQUAGÉSIMO PRIMEIRO ESTADO AMERICANO!
Portanto, desfigurar, reconstruir, e recriar um ROCK à imagem e semelhança da sólida e independente cultura ALEMÃ, era mais do que ESTÉTICA. Ladeava com a ÉTICA!
Vocês recordam BELCHIOR quando canta que um TANGO ARGENTINO LHE CAÍA BEM MELHOR DO QUE UM BLUES?
Pois, é!
STOCKHAUSEN e a MÚSICA DE VANGUARDA falava aos meninos. E dava o tom para quase a totalidade do KRAUTROCK, visto como ROCK PROGRESSIVO alemão de características próprias:
É PLENO DE ELETRÔNICA, IMPROVISAÇÃO e POLIRITMIA. E vai da MÚSICA ESPACIAL à NEW AGE; comporta percussão inspirada em diversos lugares do mundo. E, nele viajam do TANGERINE DREAM, ao CAN, passando pelo KRAFTWERK e incontáveis e apreciados militantes…
O KRAUTROCK não é um modismo, e nem movimento xenófobo.
Ao contrário, é um enorme criadouro cultural. Um compósito versátil de ROCK, WORLD MUSIC e o PROGRESSIVO tradicional. Abrange e integra o FOLK, o HEAVY, e o BEAT; e articula elementos do JAZZ de VANGUARDA e da música CLÁSSICA.
Todos combinados, ou não, misturaram-se a essa estética poderosa e produtiva, que se instalou na EUROPA, e mantem-se.
O tempo e a criatividade perfuraram as camadas que se abriram para o ROCK INDUSTRIAL, o TECHNO e o GOTHIC ROCK. E, vertiginosamente fertilizou o RAP, e as diversas variações da MÚSICA POP ELETRÔNICA atual.
ENO disse que o HARMONIA era o “melhor grupo do mundo, entre 1973 e 1975”!!!!
Mas, duraram apenas 3 discos, nenhum sucesso de público, e terminaram!
Porém, juntaram-se por umas semanas, em 1976, para fazer “TRACKS AND TRACES”, por iniciativa de BRIAN ENO, que levou para a ALEMANHA um gravador de 4 pistas e o histórico sintetizador VCS3.
Gravaram tudo em fita cassete, e o produto final resultou em baixa qualidade técnica.
Os tapes se extraviaram!
E quase perdemos esse disco lindo, que mistura a crueza do ROCK ELETRÔNICO alemão à concepção melódica da AMBIENT MUSIC – que ENO já vinha desenvolvendo, e intensificou à partir dali.
Os tapes só foram localizados mais de vinte anos depois! Mas, a MAGIA DA TECNOLOGIA atual possibilitou recompor tudo, e utilizar faixas extras, também feitas durante onze dias de gravação e convivência entre os quatro músicos.
O produto está aí. E, para os mais curiosos, existe BOX com 7 CDS e tudo o que o HARMONIA gravou. Para mim, é overdose. Para muitos, um importante reconhecimento histórico!
Mas, tio SÉRGIO, e o BOWIE, como entrou nisso?
Perfeitamente:
Vou acrescentar o IGGY POP na equação, também!
BOWIE e ENO eram fãs e ouviam muito KRAUTROCK . Ambos gostavam do HARMONIA, do CLUSTER e do KRAFTWERK. Perceberam a importância da nova música que estava sendo feita na ALEMANHA, desde o início dos 1970.
Antes da fase BERLIM, os indícios de outra mudança na carreira de BOWIE já despontavam.
O LP “STATION TO STATION”, 1976, pode ser considerado o primeiro da fase eletrônica de BOWIE. A influência do KRAFTWERK é notória!
Em 1977, BOWIE produziu dois discos para IGGY POP, e excursionou com ele para promover os discos tocando teclados meio na penumbra dos palcos.
“THE IDIOT” é, também, claramente marcado pelo KRAUTROCK, e LUST FOR LIFE, mais pesado, segue por ali.
Logo depois da gravar com o HARMONIA, adivinhem o que ENO fez?
Encontrou-se com BOWIE e TONY VISCONTI em BERLIM e gravaram “LOW”. Metade é instrumental, KRAUTROCK eivado por AMBIENT MUSIC.
ENO participou intensamente dos três discos da TRILOGIA BERLIM, arranjando, compondo, etc. E consolidou sua marca e criação.
As produções foram de TONY VISCONTI, parceiro de DAVID desde sempre.
A bem da exatidão histórica, HEROES, 1977, foi gravado na FRANÇA. E a guitarra “icônica” é tocada por ROBERT FRIPP, do KING CRIMSON, outro fã das vanguardas musicais, e participante com ENO em discos criativos e ousados de música eletrônica.
LODGER, 1979, o último da trilogia, foi gravado em NOVA YORK. E a guitarra é de ADRIAN BELEW, muito próximo de FRIPP ao longo da vida, e integrantes de várias bandas que BOWIE montou.
Uma perspectiva histórica mais correta consideraria a TRILOGIA BERLIM uma “TETRALOGIA”.
E a isso tudo é bom parear as duas produções de BOWIE para IGGY POP. E tratar os discos instrumentais de ENO, por exemplo ANOTHER GREEN WORLD, como pioneiros daquela modernidade em ebulição.
E dou meu pitaco final: o HARMONIA “harmoniza” muito bem com isso tudo!
Tentem, vale a pena conhecer.
POSTAGEM ORIGINAL FEVEREIRO 2022
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ELETRONICA: MENTES – A INTRODUÇÃO AOS FEITOS DE UMA GÊNIO BRASILEIRA: JOCY DE OLIVEIRA. E INDIVIDUAL INDUSTRY : POP ELETRÔNICO BRASILEIRO DE VANGUARDA, ANOS 1990.

A memória trai e atrai; a frase é um possível simplismo e jogo de palavras. Mas dia desses assisti no CANAL CURTAS, um documentário muito interessante sobre a música eletrônica brasileira, abrangendo dos “CLÁSSICOS/ERUDITOS” ao meramente POP/ROCK. Uma recuperação da importância de um cenário nada marginal, mas apocalíptico e integrado simultaneamente, por assim dizer.
Assistir ao filme trouxe à memória o histórico das vanguardas musicais não convencionais do século XX. Gente como LUCIANO BERIO, KARLHEINZ STOCKHOUSEN, IANNIS XENAKIS, LUCAS FOZZ, JOHN CAGE, CLAUDIO SANTORO; e uma pletora de “exóticos” vinculados de alguma forma à música elétrica e eletrônica, ou seja: não identificados com a modernidade da música “CLÁSSICA” mais conhecida.
Por assim dizer, eles formavam a nova concorrência outsider dos grandes “CLÁSSICOS – vá lá, ERUDITOS MODERNOS” – , gênios como ARNOLD SCHOEMBERG ou STRAVINSKY; e muito além de DEBUSSY, RAVEL ou mesmo OLIVIER MESSIAEN. Todos esses, claro, acústicos. Gente ousada por meios de expressão ainda bem tradicionais.
Seriam?
E, neste enorme ESPAÇO/TEMPO abrangido pelas duas macrotendências destaca-se a participação de uma das maiores artistas e teóricas da música contemporânea: a criativa professora, grande pianista, poetisa, e compositora brasileira JOCY DE OLIVEIRA, ainda viva e influente aos 86/7/8 anos!!!! E que os deuses a preservem!
Não vou me estender. Porque a estatura de JOCY é de tal magnitude, que estou fascinado estudando o que me é compreensível de sua multifacetada obra. Voltarei especificamente à mestra, qualquer outro dia…
Mesmo assim, vão aqui uns “parangolés” sobre JOCY. Vou apenas fazer duas citações:
1) JOCY gravou cantando e tocando piano, em 1958, o primeiro LONG PLAY de MPB DE TRANSVANGUARDA da história: “A MÚSICA SÉCULO XX DE JOCY DE OLIVEIRA”. Eu arriscaria dizer que é a “ANTI-BOSSA NOVA”. Disco inimaginável pelo conteúdo musical sofisticado e as letras não convencionais; e sobre o qual pretendo abordar outro dia.
2) Ela é o grande nome brasileiro da música “ELETROACÚSTICA”, designação apropriadíssima a parte da vanguarda musical, que surgiu na década de 1940. JOCY é uma teórica complexa; artista MULTIMÍDIA, compositora de “digamos”, ÓPERAS – porque ela mesma discorda do termo” – e outras invenções.
A sua primeira composição nesta linha, “APAGUE O MEU SPOTLIGHT” foi encenada em 1961, e sacudiu o TEATRO MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO durante dez dias. Depois, viajou mundo afora.
A obra foi regida pessoalmente por LUCIANO BERIO, coautor com JOCY. No elenco, FERNANDA MONTENEGRO, FERNANDO TORRES, SÉRGIO BRITO e um “ENSEMBLE” criado para isso, tendo JOCY no piano. Foi a vulcânica introdução da nova música de vanguarda no BRASIL… JOCY é a grande inspiradora, no BRASIL, para o surgimento da CENA ELETRÔNICA no erudito e no POP!
Há uns dez anos, promovi um bota-fora seletivo e controlado de um monte de música eletrônica. Ter coisas demais excede ao controle possível; abre arestas e desperdícios. Mas, a parte ruim é que avaliações posteriores sempre trazem arrependimentos.
Naquela “razia” mandei para a cachoeira dos tempos, eletrônicos de vanguarda mais ligados à música pesada e dançável.
E por dois motivos:
Ganharam a concorrência contra sons mais intimistas; viraram “sal” na lista de produtos: baixo valor e “consumo inelástico”; ou seja, música superficial, que não vou escutar novamente.
Fiquei, portanto, com a vanguarda eletrônica mais cerebral; herdeiros do KRAUTROCK, anos 1970, e dos clássicos eletrônicos tipo STOCKHAUSEN, PIERRE HENRI, etc..; que são indutores de tendências dos anos 1980/1990: GÓTICOS, COLD-WAVE, NEW WAVE, ETHEREAL, DREAM POP, e o que se imaginar que possa trazer um pouco de melodias e criatividade ao POP.
ALEX TWIN, que hoje é dono da WAVE RECORDS, foi um dos visionários incrustado no underground paulistano. Eu o conheci quando era dono da a “MUSIC” – grafada em grego -, lá por 1994. Foi das primeiras lojas e distribuidoras a operar com a vanguarda eletrônica europeia. Fui lá por curiosidade; e acabei fascinado!
Ele e o sócio, ENÉAS NETO, as trouxeram para o Brasil em suas duas tendências: os “FRIOS”, e os “PESADOS” – e muitos dançáveis. ENÉAS produziu para a GRAVADORA ELDORADO, na década de 1990, coletâneas abrangendo as duas tendências eletrônicas.
E TWIN fez mais: entrou na tendência com seu projeto “INDIVIDUAL INDUSTRY”. Frequentemente, um trio com MAURÍCIO BONITO e as cantoras oscilantes – LILIAN VAZ e DANIELA ROCHA. Trabalharam com alma e garra na tendência internacional mais vanguardesca daquele tempo. Todos estão citados no filme, “ELETRONICA: MENTE”.
É bom constatar o pioneirismo da obra nos escaninhos geográficos onde habitamos. Eu gosto muito; tenho os discos e os manterei. Foram construídos, forjados em cima do fogo, na hora em que tudo acontecia. Estão em nível com a concorrência lá de fora.
Por isso, trago para vocês curtirem. É viagem no tempo para universos muito próximos.
É bom notar que essa mesma vanguarda que partiu da EUROPA, passou por JOCY, e desembocou na música eletrônica mundial, influenciou certos horrores contemporâneos que nos assolam.
As meninas e meninos do “PROTO DANCE GLÚTEO RETAL” não devem ter ideia de quem foi JOCY DE OLIVEIRA.
Quem sabe um dia aprendam.
TEXTO ORIGINAL: 09/02/2022
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INSÔNIA COM PROCOL HARUM, GRATEFUL DEAD e THE PIXIES

“In the autumn of my madness, when my hair is turning gray”…canta GARY BROOKER, em uma das faixas do disco “SHINE ON BRIGHTLY”, 1968, do genial, subavaliado e não repetível “PROCOL HARUM”.
Clássico do rock em transição entre o PSICODÉLICO e o PROGRESSIVO, é acessível para quase todos os paladares musicais. É lindo, e é triste. A construção das letras é sublime. Eles mantinham um letrista exclusivo, KEITH REID; sofisticadíssimo! Ouçam; é marcante!
Quase sempre me vem à cabeça esta faixa, quando a insônia recorrente assola e desencadeia os medos, paranoias, e as desconexões entre os fatos objetivos… Talvez por isso, realce o lusco-fusco sonolento que tranca o raciocínio, e me faz sofrer antecipadamente por algo que, talvez, jamais ocorra.
É parte do outono da minha vida – loucura? – Não; estou envelhecendo!
Claro, aproveitei e trouxe outros discos gravados por eles; também ótimos, porém menos badalados: “SOMETHING MAGIC”, 1977, já sem ROBIN TROWER, que foi substituído por MICK GRABHAM, um guitarrista bem menos luminoso, porém circunstante na turma deles.
E, posto um projeto sinfônico gravado entre 1994 e 1995, com a LONDON PHILHARMONIC ORCHESTRA, revezando com LONDON SYMPHONY ORCHESTRA.
Estão reunidos a formação da época: GARY BROOKER, o líder e dono incontestável; e o marcante GEOFF WHITEHORN, na guitarra; e outros convidados, entre eles, TROWER. E, fiquem assustados!, TOM JONES canta a lúgubre e tétrica SIMPLE SISTER! Fez sentido, acreditem…
O PROCOL HARUM é das melhores atrações ao vivo da História do ROCK. Procure os vídeos e DVDS. E é das raras bandas capaz de conjugar-se a orquestra sem soar “FAKE”. O repertório é exuberante – só para variar!!!! É minuciosamente escolhido para justificar possuir este “THE LONG GOODBYE”. Não perca!
Certa vez li, no “Estadão”, que BILL KREUTZMANN, baterista e fundador do GRATEFUL DEAD, estava lançando um livro de memórias…
As que ficaram, sobreviventes do excesso de drogas, álcool, sexo e tudo o mais que mitificou os doidos anos 1960; da cultura hippie à contestação política e comportamental.
BILL não se lembra dos concertos, “JAM SESSIONS” ininterruptas, “RAVES SEM D.Js.” JERRY GARCIA, mito do ROCK, líder e guitarrista, e também fundador do GRATEFUL DEAD, morreu durante um processo de desintoxicação.
Sintomático, ou emblemático? Ele teve um infarto aos 53 anos, EM 1995. Preferiu ser livre e se drogar indefinidamente. Ele não teve tempo de escutar o professor, filósofo e historiador, LEANDRO KARNAL, que recentemente ponderou: “é preciso ter cuidados nesse debate sobre a liberação das drogas. Porque todo viciado é um dependente”.
Mais claro, impossível.
O GRATEFUL DEAD é certamente a banda americana de ACID-ROCK, também conhecido como PSICODELIA, mais famosa da época. Hoje, é uma empresa que produz, vende e mantém o mito em movimento. E quem não faz isso é explorado e morre. Mito sem rito contínuo enfraquece a fé dos fãs!
Eles começaram como todos. Inspirados nos Beatles, Stones e na turma do country e do blues. O primeiro disco é bastante convencional. Do segundo em diante, para usar a expressão da época: desbundaram. E nunca mais rebundaram!
O charme do GRATEFUL DEAD é a constante improvisação, principalmente nos discos ao vivo. Lembra resquícios de FREE-JAZZ pela tentativa de expandir a música “ad-infinitum”.
Mas, percebe-se nitidamente alguma limitação técnica e repetição no desempenho dos músicos. É forma livre de ver e executar as música, que mesclam BLUES, ROCK, e algo de JAZZ; e exalam, sempre, um quê da COUNTRY MUSIC.
Estão aqui duas reedições de originais famosos:
“AOXOMOXOA”, não se percam por causa do PALÍNDROMO… É duplo: O primeiro disco traz o MIX original, de 1969, e um REMIX feito em 1971. No segundo, show ao vivo em duas sessões no AVALON BALROOM, em SÃO FRANCISCO, realizadas em janeiro de 1969.
O outro álbum é famoso: GRATEFUL DEAD, 1971. Gravado ao vivo, e muito mais dinâmico e pesado. São apresentações variadas pelos Estados Unidos. E, o disco dois foi gravado em um dos templos prediletos da banda e dos “DEAD HEADS” – o extenso e leal fã clube que os idolatra acima de tudo: o FILLMORE WEST, em São Francisco. Ainda preciso ouvir essas reedições… Não tive tempo…
Confesso que entre os contemporâneos e concorrentes, eu prefiro o JEFFERSON AIRPLANE, também americano da Califórnia. É mais enxuto e musical. Faz ROCK experimental na medida certa; e é tão desviante comportamental e filosoficamente quanto o DEAD. Ambos faziam ROCK com estilo imediatamente identificável. Um charme indiscutível.
Por causa da insônia acabei assistindo a show dos PIXIES, feito em 2006. É a diferença entre o pato e o sapato. É ROCK, claro. Mas de outra estirpe. Talvez seja a banda que mais bem definiu a expressão ROCK ALTERNATIVO. Brilharam entre 1987 e 1991, e influenciaram decisivamente a geração GRUNGE, e bandas como o NIRVANA (US) e todo o novo ROCK que decolou de lá e resiste até hoje.
Já estiveram por aqui. E continuam por aí … impunes.
É interessante notar que são o inverso tanto do GRATEFUL DEAD quanto do PROCOL HARUM. Eles criam música dura, curta, visceral, mas bem tocada.
FRANK BLACK, o vocalista gorducho e gritalhão, rebatizado BLACK FRANCIS, é lenda no PUNK e no GRUNGE; assim como KIM DEAL, a baixista; e o guitarrista JOEY SANTIAGO, também.
O digamos cantor BLACK FRANCIS é improvável misto de querubim e rebelde sem nenhuma, mas nenhuma causa mesmo! Vocifera frases desconectadas, que contam fragmentos de histórias ou sensações de alguma vivência. A vida em estado bruto, quem sabe…
Se BOB DYLAN “KNOCKS ON THE HEAVEN´S DOOR”; e LOU REED espreita os portais do inferno urbano; FRANCIS BLACK et caterva parecem saídos de um curso para dragões, e cospem fogo para todo lado!
O público, muito jovem, adora. A gritaria que surge de repente casa com o instrumental insinuante e nem sempre óbvio; são enérgicos, íntegros! E fazem show legal para assistir…
Mas será que eu gosto disso? Tenho dúvidas…E acabei pegando no sono; dormitei e acordei – como está óbvio! Mas a vida nem sempre é óbvia! E ainda bem!
TEXTO REVISADO: 25/01/2025
Pode ser uma arte pop de texto

JORGE DEGAS – XIAME – BAIXISTA NOTÁVEL – FUSION

JORGE FOI BRASILEIRO, MAS NATURALIZOU-SE DINAMARQUÊS. É EXCELENTE BAIXISTA DE FUSION – JAZZ, E TEM CARREIRA PROLÍFICA E BEM AVALIADA PELA CRÍTICA – A EUROPEIA, PRINCIPALMENTE.
CRIOU UM ESTILO TÉCNICO E MUITO LÍRICO DE TOCAR. FUNDE A MÚSICA BRASILEIRA COM O FOLK DA ESCANDINÁVIA E JAZZ NA LINHA DA GRAVADORA E.C.M..
MUITO INTERESSANTE, É SOFT E AGRADÁVEL DE ESCUTAR, FAZ ALGUMAS EXPERIMENTAÇÕES NOTÁVEIS, MAS NÃO AGRESSIVAS.
OS DISCOS DA FOTO FORAM GRAVADOS O PRIMEIRO NA DINAMARCA, O OUTRO NA ALEMANHA.
O JORGE DEGAS QUARTET ESTÁ DISPONÍVEL POR AÍ A UM PREÇO ACESSÍVEL, CERCA DE r$ 15,00 E RECOMENDO AOS CURIOSOS DE BOM GOSTO.
POSTAGEM ORIGINAL: 4/11/2018
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LANA DEL REY – ANGUSTIADA E BELA; CRAVO E CANELA

LANA DEL REY é a “IMPERATRIZ DA ANGST”, disse a revista RECORD COLLECTOR.
ANGST é a definição para um estado de espírito que mistura medo e apreensão antecipada por algo, ruim ou não, que vai ou possa acontecer. Um estado de solidão e ansiedade .
Seu último disco, “DID YOU KNOW THAT THERE´S A TUNNEL UNDER OCEAN BOULEVARD?”, lançado recentemente, tem quase 78 minutos de duração. Há muito eu não vejo disco original tão longo em único CD!!!
A capa saiu em 3 versões diferentes, à escolha do freguês, ou todas juntas em um BOX com três Compact Discs. Os LONG PLAYS devem estar, também, em álbuns duplos, e capas diferentes. Eu ainda não conferi.
LANA é moça de pulcritude indiscutível. Mostrou sua bela e instigante “CARTOGRAFIA” na capa de uma das três versões em que o disco foi lançado. Exatamente a que eu possuo.
A exposição do relevo da fronteira entre vales, colinas e os picos que os consagram, tem despertado exames acurados de observadores. A vista é muito bonita…
Ela esteve por aqui recentemente, retomando a carreira de shows. Disseram que os cinco anos que passou sem excursionar a tornaram menos delgada, mais cheinha. LANA DEL REY teria extrapolado a silhueta que apresentava em 2013, aos 27 anos, na primeira vez em que deu concerto no Brasil.
Certamente há exagero. Não é possível que tenha se esvaído feito um ARCO-ÍRIS, aquele magnífico espécime que deixou em êxtase meninos, meninas e meninex, os gratificando com simpatia descendo à plateia logo no início da performance para dar autógrafos, fazer selfies; e, apesar da segurança que a acompanhava, suportar até beijos roubados!!!???
A capa do disco comprova a maledicência. LANA continua bela.
Eu li, na RECORD COLLECTOR, que este disco é muito bom. Talvez o mais bem realizado dentro de seu estilo algo recorrente e perto do repetitivo no andamento e nas melodias. LANA é cantora reconhecível porque suas canções mantêm características…hum já testadas e conhecidas…( minha nossa!!! A que ponto cheguei???!!! )
Eu já a conhecia. E desta vez LANA conseguiu fazer melhor. Tipo construir algo além, mais refinado, e que consagra um jeito de cantar, compor e postar-se enquanto artista. Não é inovador, mas é o ápice de uma proposta.
Eu ouvi o disco diversas vezes. E com muito interesse e prazer. É belíssimo.
A sonoridade, em minha opinião, busca e mescla elementos do DREAM POP e tem muito do FOLK PROGRESSIVO MODERNO.
Ela conseguiu ultrapassar o ROCK ALTERNATIVO, do qual é mais ou menos parte. É, também, contemporânea do HIP-HOP, e a presença no disco de JON BATISTE, quase-astro em ascensão, serve à diversificação necessária elegantemente encaixada.
Há um condimento explícito e onipresente de JAZZ/BLUES/GOSPEL que permeia as músicas. Além de algumas experimentações adequadas, mas sem exageros.
O ritmo e andamento continuam lentos, como em tudo o que dela escutei. E o clima sombrio, DARK, envolve feito placenta o transcorrer da obra, e se revela paulatinamente. É fascinante!
A voz distinta e delicada de LANA DEL REY, uma contralto de timbre encorpado, é simultaneamente melodiosa e seca. Talvez lembre LIZ FRAZER, do COCTEAU TWINS. Mas com a doçura e o lirismo de KATE BUSH nas brumas de seus versos uivantes. Porém, quando no limite do grave, recorda MARIANNE FAITHFULL por sua aspereza.
Ela tem jeito e porte de artista de FILME NOIR, mas transposto e atualizado para o presente. LANA é sensual sem ser vulgar. Assume o jeito de uma garota não tão recatada que parece reter, ou controlar, uma explosão vulcânica de sexo e desejos.
Quem sabe ela esteja construindo personagem magnífico! Mas, até que ponto seria ela mesma?
Infelizmente, as letras não acompanham o CD. Uma perda e um empecilho para mais bem compreendê-la. Mesmo assim, tudo combinado resultou em trabalho amplo, pensado e coeso.
Algo neste último disco recorda os arranjos de ANGELO BADALAMENTI para a trilha sonora da série TWIN PEAKS: uma languidez nervosa, componente de certa ANGST…
A senhorita ELIZABETH WOOLRIDGE GRANT nasceu em NOVA YORK, é filha de dois publicitários que entraram em BURNOUT ( estresse total ), e resolveram mudar para uma pequena cidade vizinha que, segundo LANA – oooopsss – lembra a fictícia “TWIN PEAKS”.
E os GRANT refizeram suas vidas e profissões.
LANA DEL REY, é um pseudônimo, ela cresceu por lá. É moça de classe média, estudou filosofia, gosta de escrever, e lê gente alternativa como NABOKOV, de quem emula falsamente uma quasi-LOLITA. Ela é madura demais para posar de ninfeta. Já disse gostar de homens mais velhos… Há fotos comprovando…
LANA é, também, fã da poesia da geração BEAT. Mas, leu outros poetas americanos, como WALT WHITMAN e SILVIA PLATT. Assistiu a filmes NOIR. E gostou de CIDADÃO KANE…
Ela diz ter sido inspirada pelo GRUNGE. Principalmente o NIRVANA, de quem empresta aquela ansiedade explosiva – e nela apenas latente. Tornou-se muito amiga de COURTNEY LOVE, a mulher de KURT COBAIN. Mas, claro, LANA artisticamente foi por outros caminhos. É madura, e compõe como tal. Mesmo quando age feito adolescente.
Eu procurei ouvir os SINGLES de sucesso de sua carreira. São bons. Ela tem um jeito pessoal de compor letras que viajam do explicitamente romântico flertando com o idilicamente trágico – como despedidas dolorosas de namoros, vistas como pequenas mortes, ou suicídio anunciados. Há sempre um quê de incestuoso rondando suas letras. Que fazem menções a drogas, e a sexo às vezes explicitamente.
A solidão, outra constante, é descrita para e do ponto de vista da geração dela. Deixa a impressão imprecisa de “estar sempre vestida para ir a lugar nenhum”…
Depressiva? Quem sabe. Solitária ela certamente é. Solitude?
Há o fascínio pela vida bandida, e por marginais e Bad Boys. Mas, visto de um ponto de vista das garotas educadas e de classe média, que eventualmente se envolvem com o perigo… Acho que ela não se expôs, mas flertou, excitou-se com isso. E escreveu.
Talvez essa criatividade revele apenas estilo, letras ousadas de menina sonhadora. Mas, quem sabe seja estrutura de um projeto de marketing (seus pais eram publicitários), como jeito de consolidar sua já peculiar persona artística.
As músicas de LANA incorporam parte da mitologia americana do indivíduo livre, indomável, fora do sistema. Há um quê de BRUCE SPRINGSTEEN, e aquela vontade de fugir das amarras da sociedade – um fascínio pelo BORN TO RUN; ou, como em um dos hits dela, BORN TO DIE…
É também possível identificar influências de LOU REED; alguma irreverência à ALANIS MORRISETTE, e um não sei o quê de SINEAD O´CONNOR… Escavei pelaí a urgência ansiosa de ALISON MOYET (lembram dela? )
Se bem compreendi, é um ótimo COMBO, talvez um GUMBO artístico…
No seu primeiro SHOW em São Paulo, no FESTIVAL PLANETA TERRA, em 2013, a garotada urrava enquanto LANA desfilava no palco sua elegância de modelo, o corpo escultural, e o rosto hummm…. angelical.
Ela ria e brincava com a banda; e todos pareciam adorar estar ali, apresentando a irreverência construída que LANA criou.
Para mostrar a quê veio e provocar, o SET abre com música dizendo explicitamente que a VAGINA dela tem gosto de PEPSI COLA!
E LANA enfatiza que é verdade, e que foi um namorado quem constatou… Aquilo deixou onanistas à beira de uma “PAN ESPERMIA”!
Tá bom;
Se tem gosto de PEPSI COLA, então: LANA, ANGUSTIADA E BELA; CRAVO e CANELA!
Tentem; mesmo sob tentação….
POSTAGEM ORIGINAL: 26/06/2023
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THE MAMAS AND PAPAS – A REFERÊNCIA VOCAL SUPREMA DO FLOWER POWER

O SUNSHINE POP foi o momento mais cativante, do ponto de vista do astral e das melodias, na segunda metade dos anos 1960.
Talvez até uma “REAÇÃO CONSERVADORA” ao BEAT, SURF, e FOLK DE PROTESTO, destacando apuro vocal, melodias trabalhadas, e oposição a horrores políticos, como a guerra do Vietnã.
Não há quem não se lembre dos MAMAS & THE PAPAS, ASSOCIATIONS, THE 5TH DIMENSION, ou SPANKY AND OUR GANG , entre centenas, talvez milhares de outros. Todos criativamente alienados, porém mantendo a sanidade em tempos sofridos, e cheios de revoltas e lutas políticas.
Esse THE MAMAS & THE PAPAS – COMPLETE ANTHOLOGY colige tudo o que eles gravaram. Os cinco LONG PLAYS, também lançados no BRASIL, e todos os SINGLES de imenso sucesso. Estão ali faixas solo de MAMA CASS, entre várias outras parcerias e participações.
A qualidade técnica, gráfica e informativa é de alto nível. Um must para os fãs!
Eu os assisti ao vivo, em São Paulo, na boate do Hotel MACKSOUD PLAZA, a bem mais de trinta anos.
O local era pequeno, a banda ótima e reforçada por SCOTT MACKENZIE, um dos maiores “ONE HIT WONDER” da história do POP, com a inesquecível SAN FRANCISCO. Ele substituiu DANNY DOHERTY, da formação original.
O lugar de MAMA CASS foi ocupado por SPANKY McFARLAND, da concorrente de grande sucesso SPANKY AND OUR GANG.
E, claro, o membro original e “dono da banda”, JOHN PHILLIPS, e sua filha MACKENZIE PHILLIPS, que atuou no filme “AMERICAN GRAFFITE”, e veio substituindo a mãe MICHELLE, a “Mama” original.
Foi um belo show. Correto, emocionante, e digno do legado “HIPPIE – FLOWER POWER que eles simbolizaram.
OS MAMAS & THE PAPAS eram ótimos, quentes e e melódicos. Um naco “eterno” e revivido dos sixties. Eu vejo, porém, um detalhe curioso: as duas moças do ABBA com toda certeza ouviram MICHELLE E CASS. E cantavam “lá no alto” como elas . ..
Mas, não duraram mais do que uns cinco anos, e saíram de moda. Seus antípodas e contemporâneo certamente foi o VELVET UNDERGROUND.
E foram superados por tendências musicais mais ensimesmadas, contidas, egocêntricas: CAROLE KING, CARLY SIMON, JAMES TAYLOR, LENNON…
E artistas corrosivos, lúgubres e até indigestos, como o MC 5, STOOGES, e o tormento PUNK, meia década depois.
O sonho havia mesmo acabado.
POSTAGEM: 26/102019
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OS 200 DISCOS MAIS RAROS E CAROS PARA TENTAR COLECIONAR – SETEMBRO 2021

O tio SÉRGIO, como sempre, mata a cobra e dá o endereço do Instituto Butantã, para casos de acidentes com ofídios. Fica na Avenida Vital Brasil, em SAMPA.
De tempos em tempos, a revista RECORD COLLECTOR faz um levantamento de preços dos discos mais raros e colecionáveis que andam por aí.
Quem coordena é o jornalista IAN SHIRLEY, talvez o maior especialista em discos raros do mundo, que é o editor de um catálogo anual, o RARE RECORDS GUIDE, uma das razões para a existência da revista.
Claro, as cotações não são precisas, mas são feitas por consultas de mercado, resultado de leilões e a sempre crescente e volúvel vontade dos consumidores – colecionadores.
A lista, aqui, é recente. E as cotações não são em dólares, mas em LIBRAS ESTERLINAS, R$ 6,60 reais por libra, mais ou menos. O que implica em preço espantoso para a maioria dos itens, e certamente gera incredulidade para outros. Há enorme quantidade de discos quase totalmente desconhecidos!
Tio SÉRGIO pescou na listas alguns dos que tem na discoteca; os mais inusitados ou menos conhecidos – talvez. Claro, eu tenho edições em CDS. Não os vinis originais, que valem e custam pequenas fortunas.
Os meus custam, por aí , o preço de um disco importado normal.
Vamos brincar um pouco.
Para ficar mais bonitinho, em cada disco que postei na foto, coloquei o preço segundo o catálogo. Não esqueçam: são libras!
Tem de tudo! Desta vez, inclusive, uma infinidade de coisas que eu não conhecia, nunca vi e fiquei pasmo quando olhei! Mas vou deixar pra lá:
O fundo da lista começa com um single promocional de 7″ do DAVID BOWIE, com excertos do LP LOW, de 1977. É raro e custa 1,500 libras, algo como R$ 10.200,00! É um SINGLE!!!!
Há 14 variados dos BEATLES. Talvez o mais inusitado seja uma versão do SGT PEPPERS, em que a gravadora remontou a capa do disco com fotos de seus executivos, na época, para distribuir entre eles em uma convenção.
Não se sabe quantos foram feitos, e está avaliado em 70,000 ( setenta mil libras!! ) calcule aí em mil reais… Os caras acham que devem existir uns dois ou três ainda perdidos por aí!!!!
Há dois singles do WHITE STRIPES – eles mesmos! – cotados cada um deles em 8,000 libras!!! Ah, não percam as contas….
Por lá, também, um “Acetato” do VELVET UNDERGROUND, gravado na SCEPTER RECORDS, em 1966, avaliado em 20 mil libras!!!!
Dois singles dos SEX PISTOLS, gravados na AM RECORDS, EM 1977. “GOD SAVE THE QUEEN, vale $ 7,000 libras, em vinil. E $ 10,000 libras o Acetato!!!! Sempre foram caros, mas hoje…
Há dois brasileiros por 3,000 libras cada: LULA CORTES E ZÉ RAMALHO, PAEBIRU, original e com encartes; e ARTHUR VEROCAI, em seu único Lps pela gravadora CONTINENTAL . ROBERTO CARLOS não entrou, talvez porque não tão raro assim, vai saber.
Há uma edição cancelada do BLACK ALBUM DO PRINCE, avaliada e 4mil libras; e o primeiro do saxofonista HANK MOBLEY, original da BLUE NOTE, por 5,000 libras.
As doideiras culminam em terceiro lugar com o grupo de RAP “WU TANG CLAN”, um box com dois CDS!!!!, cópia única, e custa apenas 100,000 ( Cem mil libras !!!!!) . Até postei aí um recorte sobre ele.
É uma viagem ao non-sense: um 78 rotações dos anos 1930, de TOMMY JOHNSON, que eu nunca ouvi falar, “Alcohol and Jake Blues”, existem somente duas cópias e são avaliadas em 35 mil libras, cada!!!!!!!!!!!!
Entre os discos que publiquei, há o grupo DARK entre o HARD ROCK e o PROGRESSIVO, produção totalmente low-fi e artesanal, de 1972, mas que faz colecionadores babar: o LP “Dark Round the Edge” é masturbação contínua há anos, e vale “10,000”: R$ 67.000,00!!!
Ontem, ouvi duas vezes. Não vale!!!
E vamos para o topo da tabela. Olhe a foto e você verá dois “acetatos”. Um deles, de 1953, a primeira gravação de ELVIS PRESLEY. O título está ilegível, mas foi feito para mãe dele: “MY HAPPINESS / THAT´S WHEN YOUR HEARTACHE BEGIN. Existe apenas uma cópia, claro!!!!
O outro é THAT’ILL BE THE DAY, de BUDDY HOLLY, gravada pelos QUARRYMEN, a banda pré-Beatles de PAUL, JOHN e GEORGE, gravado em 1958 do qual, originalmente, havia 5 cópias. Hoje, sabe-se apenas da cópia que PAUL McCARTNEY comprou, em 1981, do pianista que os acompanhou, na gravação.
Pois, bem! São dois discos seminais e históricos. E estão avaliados em 250,000 libras cada um deles! Nem calcule…
Curiosidade.
Quando comprou o acetato original, PAUL mandou restaurar e serviu de base para mandar fazer de 20 a 25 cópias em dez polegadas (10′”) , em 78 rotações. E entre 25 e 50 cópias em singles de 7″, para tocar em 45 rotações. Cada um deles está cotado em 5,000 (cinco mil libras) .
Foram dadas de presente de natal para amigos, etc.
Resumindo: é viagem total. Mas, dizem, há mercado. E, para esses mais top, somente não são vendidos porque os donos não querem se desfazer deles.
POSTAGEM ORIGINAL: 2/10/2021Nenhuma descrição de foto disponível.