CONCORD RECORDS – OUTROS DISCOS BEM-VINDOS!

A CONCORD RECORDS foi fundada em 1972, por um milionário vendedor de automóveis e amante do JAZZ que percebeu, nos final dos 1960, artistas seus ídolos sendo esquecidos. Isto porque o POP ROCK havia tomado o mercado, e o passado maravilhoso de música bonita e relevante estava em ostracismo crescente.
Começou por um pequeno festival de música na cidade californiana de CONCORD, onde morava.
E foram os grandes guitarristas JOE PASS e HERBIE ELLIS que propuseram a criação da pequena GRAVADORA BOUTIQUE. O crescimento da empresa, na data do presente BOX, era avassalador! Havia gravado mais de MIL DISCOS e conquistado 14 GRAMMYS!
A estratégia de CARL JEFFERSON, o visionário criador, foi trazer para o “CAST” grandes nomes do passado. O baixista RAY BROWN foi o primeiro A&R, o profissional que cuida de artistas e repertórios. Ele tornou-se craque na função, além de ter participado em inúmeros discos.
Foi na CONCORD onde seguiram carreira nomes consagrados, cantores, cantoras como ROSEMARY CLOONEY, MEL TORMÉ, JACKIE and ROY, ERNESTINE ANDERSON… E instrumentistas de talentos reconhecidos tipo KENNY BURRELL, DAVE BRUBECK, GEORGE SHEARING, ART BLAKEY, STAN GETZ, HANK JONES, e mais inúmeros históricos e relevantes!
Estiveram ou estão por lá, a brasileira TANIA MARIA e gente relativamente nova e imensa como GARY BURTON, JOHN PATITUCCI, DAVE WEACKL, DIANE SCHUUR, KERRIN ALLISON, CHICK COREA, ROBEN FORD e AVISHAI COHEN…
A produção é geralmente muito boa, e com sabor mais contemporâneo, mesmo que orientada por uma visão digamos de raiz no JAZZ do BE-BOP para cá…
A CONCORD representa uma recuperação cultural estupenda e meritória, e que nos faz lembrar um pouco a grande e relevante gravadora brasileira BISCOITO FINO.
Recomendo para os conservadores não saudosistas, e que aceitam algumas poucas maluquices conceituais.
Há um box com 6 CDS e livreto que é pra lá de adequado. E, também, montão de outros Cds gravados por artistas TOP ao longo dos anos. Estão aqui, mais alguns CDS avulsos de MEL TORMÉ, HANK JONES; e os excelentes veteranos jazzistas JACKIE AND ROY, aqui curiosamente em disco FUSION, de 1981. Há mais, muito mais!
Se encontrarem quaisquer deles, e outros, por aí, não vacilem. Empunhem o cartão de crédito!!
POSTAGEM ORGINAL 2023, REDEFINADA AGORA
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“CAROL” – SOFISTICADO GRANDE FILME PARA ADULTOS E UMA EXPLÊNDIDA TRILHA SONORA COMPLEMENTAR

Há um grande filme que, vez por outra, passa nos canais por assinatura da NET.
É “CAROL”, de 2015, dirigido por TOD HAYES, com CATE BLANCHETT – magnífica! – no papel da protagonista; e ROONEY MARA, também excelente, interpretando THÉRÈZE.
Não vou descrever enredo e a história. São apenas veículos para a realização de uma obra de arte sensível.
É filme para adultos, sem concessão a qualquer vulgaridade, enfocando a paixão entre duas mulheres em tempos de preconceitos nada velados, ainda que, no começo, exercidos com elegância e discrição, pelo menos na classe social de CAROL.
Mesmo não sendo o objetivo do filme, os preconceitos acabam se materializando através de uma das FACETAS MAIS TÍPICAS DA SOCIEDADE AMERICANA MODERNA: o conflito judicial – que acaba bem, se é que se pode dizer assim.
Em cena magnífica, CAROL impõem seus limites e faz concessões, deixando claro que também saberia brigar e se defender ferozmente para manter a posse da filha, se o acordo não fosse feito naquela hora. O marido é um homem civilizado e cede, mas é criatura dos anos 1950 e suas circunstâncias…
A direção de TOD HAYES, segura e controlada, cria imagens, ambientações e climas que deixam entrever o íntimo dos personagens, seus ritmos e dramas. Nada é exagerado. E, como cinema, é magnífico: roteiro, interpretações e trilha sonora, compõem uma obra coesa.
Sempre fica implícito que homossexualidade é um fato da vida, portanto impossível deter o que a natureza expõe e condiciona, mesmo se exercida discreta e contidamente, e fugindo a quaisquer estereótipos vulgares.
Para terminar, CATE BLANCHETT esbanja sensualidade e classe num discreto charme burguês. É mulher forte e determinada, mesmo sendo cool. E ROONEY MARA vai retirando de si um personagem que, aos poucos, se auto-descobre, e se firma porque compreendeu quem verdadeiramente é.
Não deixem de assistir e pensar na amplitude artística desse grande filme!
A trilha sonora do FILME tem parte contida neste BOX magnífico, lançado pela RHINO RECORDS, EM 1994. Em 71 músicas, a essência do POP VOCAL AMERICANO , entre 1942 e 1959. Cruza todo o período em que os personagens do filme viveram.
Vou citar apenas alguns da discografia entre 1950/1954, onde o filme se desenvolve: tem TONY BENNETT, JOHNNY RAY, ROSEMARY CLOONEY ( a tia do George Clooney ), BILLY ECKSTINE, DEAN MARTIN, DORIS DAY, e um monte de ORQUESTRAS POP-ROMÂNTICAS…
Não é para a maioria da turma por aqui. É VINTAGE de alto nível, que mal atinge a época em que o TIO SÉRGIO começou a “fazer ponto e rodar a bolsinha” na eterna esquina da música popular!!!!
Mas, procure ouvir… Eu adoro!!!!
POSTAGEM ORIGINAL: 15/06/2023Pode ser uma imagem de 4 pessoas e texto

JAZZ E ADJACÊNCIAS EM COLEÇÕES DE ALTA QUALIDADE EM AMPLO ESPECTRO:

Eu chamo de COLEÇÃO uma discoteca específica bem formada, variada, mas constantemente ampliada e onde se vai adicionando outros discos dos mesmos artistas; ou de certa tendência; ou motivo qualquer. Em resumo, coleção ou coleções são DISCOTECAS DENTRO DE OUTRA MAIOR.
Os discos aqui são partes de COLEÇÕES. Eu tenho outros dos caras e bandas apresentados, e pretendo conseguir tudo o que fizeram.
É assim que prefiro. Faço aos poucos e me divirto!
1) Acima, à esquerda, uma dupla CULT e conhecidíssima durante a década de 1960, que avançou em direção aos 1990 – e talvez mais…
Formam um casal, JACKIE CAIN AND ROY KRALL; ela cantora ele pianista, se juntaram durante atividades profissionais na década de 1950. Gravaram intensamente no “lusco – fusco” integrador entre um POP SOFISTICADO e o francamente JAZZÍSTICO, em sua melhor acepção.
Este álbum é um achado. Está entre o ROCK PROGRESSIVO E O JAZZ FUSION. Um tanto fora do espectro criativo deles, mas a cara daqueles tempos mutantes e nada translúcidos. “A WILDER ALIAS” funciona bem para quem gosta dos MANHATAN TRANSFER, mas curte mesmo o RETURN TO FOREVER e o WEATHER REPORT. É muito legal!
2) OREGON é grupo americano de perfil inteiramente europeu, formado na UNIVERSIDADE DO OREGON – hummmm!!!
Os músicos são Intelectuais, estudiosos, e cultores de FUSION totalmente original. São tão diferenciados que acabaram gravando muito na ECM, a CULT e indispensável gravadora alemã.
“DISTANT HILL” é álbum obrigatório em qualquer DISCOTECA sofisticada!!
3) JANIS SIEGEL & FRED HERSCH. Vocal e piano em repertório ultra moderno com o retrogosto da mais clássica e artística CANÇÃO POPULAR AMERICANA. Mas, no fundo, é abertura para o imortal em JAZZ.
Indispensável; Absolutos!
4) PATRICIA BARBER – “MYTOLOGIES”. Funciona assim: ela é cantora excelente e pianista múltipla; é feminista e gay convicta; e milita musicalmente nos escaninhos do “não óbvio”.
A moça vai de excelentes performances em nightclubs, no clássico formato piano, baixo, vocal e bateria. E se expande aos limites do JAZZ FUSION, quase ROCK, como nesse disco.
É para quem gosta de guitarras distorcidas e outros fragmentos de dubiedade. Para ROCKEIROS , ‘(é assim que se escreve Ayrton Mugnaini Jr. ?) “não é permitido não conhecer o disco aqui postado”. Vão lá. Não duvidem do TIO SÉRGIO…
PATRICIA é o desafio; enigma ainda não resolvido!
5) JOHN MAYALL & ALLEN TOUSSAINT – “NOTICE TO APPEAR”, lá por 1973.
É tão simples assim: a maior figura do BLUES INGLÊS em conluio ( conúbio? ) artístico com um dos maiores do R&B americano.
Resumo: redefinição do R&B em BLUES dançante e elegante ao extremo. Eu danço, tu danças, eles e nós dançamos. Não é pouco e não veio tarde. Procurem por aí! Já!
6) Um box de JAZZ da gravadora francesa VOGUE. É o JAZZ MODERNO redefinido na EUROPA. É descritível, sim; muita gente conhecida, mas vá atrás. Um monumento CULT aos prazeres de ouvir.
7) IAN CARR & NUCLEUS: JAZZ VANGUARDA em estado da arte feito na INGLATERRA, na década de 1960. JÁ escrevi sobre eles… Procurem. Não é para todos os gostos, mas TIO SÉRGIO gosta – e muito!
😎 😎8) SADAO WATANABE, CHICK COREA, MIROSLAV VITOUS, JACK DE JOHNETTE: “ROUND TRIP,” gravado em 1974. JAZZ VANGUARDA PÓS FREE, gravado na VANGUARD RECORDS. Bagunça organizada por artistas hoje consagrados, mas muito jovens quando fizeram… Reservo-me o direito de inquirir vocês. Virem-se. Traduzam o que perceberam! E escrevam sobre o que compreenderam.
9) CARLA BLEY : ESCALATOR OVER THE HILL. Lá por 1971. A vanguarda inglesa aliada à grande maestrina e pianista em obra transcendental. Quase todo mundo, na Inglaterra, que na época tinha importância, está nesse álbum. Procurem nas redes e confirmem o vaticínio que o TIO SÉRGIO faz!
Saiam atrás, salvem e curtam!
10) CHARLIE PARKER: YARDBIRD SUÍTE: O que dizer? imprescindível! Comecem por este para invadir universos distantes… Ahhh, claro; a banda seminal inglesa, THE YARDBIRDS cavocou o próprio nome por causa desse disco.
Falei! Vocês digam!
POSTAGEM  ORIGINAL 10/04/2017
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Marcos Almeida, Humberto Garini Neto e outras 9 pessoas

“THE DREAMERS” – FILME MAGNÍFICO DE “BERNARDO BERTOLUCCI”, 2003. A CONTRACULTURA E AS REVOLTAS ESTUDANTIS DE 1968.

Três artistas “suicidas” e CULTS, ainda não datados, e SEMINAIS para a cultura POP, estão no centro da TRILHA SONORA na foto. Claro, há DYLAN, também, a consciência que permeia dando consistência “artístico – intelectual” a tudo aquilo. Vou descrever o filme por alto. Às vezes, passa nas madrugadas profundas, onde apenas insones like me frequentam.
O palco é PARIS. Maio de 1968, e a Revolta popular-estudantil que fazia o mundo tremer.
Há dois irmãos gêmeos, menina e menino filhos de intelectuais engajados e bem sucedidos, e certamente de esquerda. Porém, como era e é comum, omissos afetivamente com seus rebentos. Os pais viajavam durante o filme inteiro, retornando para deixar um cheque e ver se nada estava “tão fora de lugar”.
Tudo estava fora de lugar…
Na visão da época, e na dos tempos conseguintes, se bem pensantes e conscientes os pais colocavam seus filhos em escolas também bem pensantes e vanguardistas, onde o acesso à cultura e à boa educação faria a diferença independentemente da presença deles in loco.
Não funcionou. Não funciona.
Anos 1960 foi época do fascínio intelectual com o cinema. Na França, o “CAHIERS DU CINEMA” glorificava, ou execrava, pretendentes a um lugar na tela. Mas calor por calor, podiam ser remetidos ao inferno sem escalas. O poder da revista era imenso…
Os gêmeos amavam o cinema, artes, e viviam alienados em cenas famosas de filmes eternos. E tudo isso regado ao ROCK PSICODÉLICO AMERICANO!
Oh, Yeah: DOORS, JANIS JOPLIN e HENDRIX e DYLAN iluminando a França em metástase destrutivo-criativa. (Mas, justo os americanos?!?!) A distorção das guitarras acompanha as vidas distorcidas.
Dois cineastas italianos filmaram sobre as catarses francesa e inglesa: MICHELANGELO ANTONIONI, em BLOW UP; e BERNANDO BERTOLUCCI em “THE DREAMERS”…
Vamos em frente com a tela: vida solta, relações incestuosas e os gêmeos conhecem o menino americano, também amante de cinema, que veio à França para estudar. Os três belos se juntam, coabitam, se engalfinham, e vivem isolados por uns dias no grande apartamento dos pais dos gêmeos, no centro de Paris. Passam o tempo em orgia, descaso, preguiça e sujeira.
Enquanto isso, a vida escorre lá fora para o inimaginável! E que vida! Nada menos do que MAIO de 1968!
Barricadas, contestações ao status quo, reforma educacional na marra, e a cidade parada e inviabilizada por greves monumentais que deixavam o lixo da altura de um prédio de 2 andares!!!!
Uau, as PASSEATAS atuais ANTI-RACISMO; ou até de LGBTQIA+ e adjacências mundo afora; perdem feio para a quase revolução de verdade, que ameaçou levar para o bueiro da História as elites da época. O partido comunista francês entre elas….
O MAOÍSMO explícito de parte da esquerda política na livre e aberta FRANÇA, fascinada pelo “único livro” que orientava a juventude chinesa e a REVOLUÇÃO CULTURAL capitaneada por MAO TSE TUNG, dava o tom na desordem que se pretendia criativa!
Um contrassenso explícito: o ” É PROIBIDO PROIBIR” do mundo ocidental e sua democracia disfuncional, lado a lado com disciplina cega, militarizada e inquestionável dos maoístas! Só naqueles tempos mesmo! Loucos demais até para o cardápio de horrores e contradições contemporâneo….
Caras, o menino americano, MICHAEL PITT, e seu resquício de moralismo e pragmatismo, aos poucos saca tudo. E, apaixonado pela gêmea linda e sensual, EVA GREEN, começa a perceber as virtudes do egoísmo quando se trata de sentimentos e paixões.
E que, afinal de contas, MAOÍSMO e LIBERDADES não “ornavam”; portanto, não se aglutinavam!
Todos acabam nas passeatas e revoltas de rua. Mal se dão conta que DE GAULE e o GOVERNO FRANCÊS faziam um arreglo com o PARTIDO COMUNISTA de GEORGES MARCHAIS, e ambos põe fim à balburdia da estudantada.
Moral possível da história: POLÍTICA é coisa séria demais para ficar nas mãos da molecada!
Mas, o ROCK, não!
Vai aqui a discografia básica dos “suicidas”, com exceção de BOB DYLAN, que TIO SÉRGIO esqueceu-se de colocar…
POSTAGEM ORIGINAL: 11/06/2020
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DAVID BOWIE – THE MAN WHO SOLD THE WORLD E SUA CONSEQUÊNCIA – THE METROBOLIST, 1971

DESDE 1969, “BOWIE” E A FUTURA MULHER, ANGELA BARNETT, DIVIDIAM COM O AMIGO E PRODUTOR”TONY VISCONTI” E A NAMORADA, LIZ HARTLEY, UM VELHO CASARÃO CHAMADO “HADDAN HALL” .
O nome é pomposo, como determina o bom gosto e a etiqueta ingleses. E era velho, mesmo! E grande, espaçoso, mas sem confortos.
Mesmo após uns quatro anos de carreira, três álbuns e vários SINGLES gravados, “DAVID” e “TONY” continuavam duros. O casarão imenso não tinha mobília. E cada casal habitava em um quarto enorme. Havia uma cama, e mais nada. Com algum esforço, “TONY” e “LIZ” conseguiram comprar a mesa de jantar que todos utilizavam. Tempos duros, mas intensos, lembra “VISCONTI”.
O LONG PLAY play anterior, “SPACE ODDITY”, lançado em 1969, até havia ido bem. E, como sabemos, a música tornou-se um HIT CULT na discografia de BOWIE.
Mas, grana que é bom…
Em 1970, havia encomenda para o próximo disco. Ideias não faltavam, mas o orçamento era curto. Então, começaram eles mesmos a reformar a velha adega do casarão. Limparam tudo e colaram nas paredes as conhecidas “caixas de” – sei lá, um tipo de papelão – até hoje usadas para acondicionar ovos. Pronto: isolamento acústico feito, transformaram o ambiente em algo parecido com um estúdio para ensaiar.
E formaram uma banda. “JOHN CAMBRIDGE”, baterista do primeiro disco, indicou o amigo, “MICK RONSON”, para a guitarra. “BOWIE” e “VISCONTI” gostaram! “MICK” era fã de “JEFF BECK” e disse a “TONY”, que era baixista, que emulasse “JACK BRUCE”, adorado por ambos. Fizeram.
De quebra, “MICK RONSOM”, amigão da onça, foi buscar o baterista MICK WOODMANSEY para o lugar de “CAMBRIDGE”. E com esta formação gravaram “THE MAN WHO SOLD THE WORLD”; foi em 1970. Depois, sem VISCONTI, a banda tornou-se a base para os próximos discos da fase GLAM.
Uma obra é, em primeiro lugar, o que diz ser quem a fez. “VISCONTI” analisa e descreve a talvez mais complexa e interessante faixa do disco, “ALL THE MADMEN”, da seguinte forma:
“Introdução de guitarra “ARÁBICA/ANDALUSIANA”, em semi-tons, foi feita por “BOWIE”; “EU” aumentei o volume do baixo para dar a sensação de mistério; WOODMANSEY fez um brilhante trabalho na bateria com os pratos; “EU” e “RONSON” acrescentamos sons “BARTOKIANOS” em um dos canais, com instrumentos não feitos para tal tipo de música.
A canção vai em um crescendo, como o BOLERO ( de “RAVEL” ), mas tocado como fosse “JAZZ”. Houve um break para 3 vozes, e o uso do sintetizador pelo virtuose “RALPH MACE”, diretor do departamento de música clássica da “PHILIPS RECORDS”, e agregamos a isto ROCK PESADO” pesado!!!!!!!!!!!” Fizemos uma “SINFONIETA”!!!
LHALHALHO!!!!!!!!! – observa o TIO SÉRGIO:
“JEFF BECK” e “JACK BRUCE”, mais “BOWIE”, mais “BELA BARTÓK”, mais “RAVEL”; e chamam um virtuose do SINTETIZADOR, e acrescem “otras cositas mas” , para uma faixa de apenas de 5,25 minutos!!!!!!!!!!!
Depois de ensaiar bastante eles contrataram horário no TRIDENT STUDIO. A verba da gravadora dava para 6 semanas de trabalho. “TONY” conta que BOWIE, ao longo da carreira, muitas vezes não trazia as letras prontas. O tempo inteiro havia esboços e ajustes se amoldando para um produto ainda em processo.
O disco é bom e interessante. A sonoridade é típica daquele momento. Soa um compósito entre um “quasi – BLACK SABBATH” domesticado; laivos de “WISHBONE ASH”; e pitadas do “HUMBLE PIE”. Há quem ouça um “KING CRIMSON” escondido em algum lugar…
Se é possível sintetizar, é um meio caminho entre o ROCK PESADO quase METAL dos primórdios dos anos 1970, e o ROCK PROGRESSIVO nascente. E tudo temperado com aquele vocal indefinível que “MARC BOLAN” introduziu no ROCK, e “DAVID BOWIE” desenvolveu. Ambos eram amigos, e chegaram quase ao mesmo tempo ao conceito futuro de “GLAM ROCK”. Hoje, daria para catalogar a obra como PROG.
As duas edições aqui postadas são iguais. A capa mais conhecida, na parte superior da foto, saiu na Inglaterra e no resto do mundo. Mas, sob o protesto de “BOWIE”, que desejava a outra capa, lançada somente na Alemanha e nos EUA. O CD também foi reeditado no Brasil, a uns tempos atrás, com o nome antes pretendido por eles: THE METROBOLIST.
“BOWIE” disse que THE MAN WHO SOLD THE WORLD é mais de TONY VISCONTI do que dele. A remasterização destaca bastante o trabalho do baixo e da guitarra. Ainda não é “GLAM-ROCK”: (pop/rock pesado + frescura) . Porém, está a caminho de. O que fica nítido com as produções posteriores de BOWIE, mesmo as produzidas por “VISCONTI”.
Mas, TIO SÉRGIO, tem mesmo escondidos aí os espírito de “JACK BRUCE” e do “JEFF BECK”?
Tem! Mas acabou!
POSTAGEM ORIGINAL: 06/06/2021
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Luiza Angélica Guerino, Jonas André e outras 43 pessoas

OREGON – THE MOON AND MIND – VANGUARD – 1979

“TIO SÉRGIO” NÃO CONHECIA O DISCO. PLENAMENTE JUSTIFICÁVEL EM VISTA DA IMENSA DISCOGRAFIA DA BANDA, E A DIFICULDADE PARA SE TER ACESSO; SÃO ARTEFATOS raros, ESCASSOS, E CAROS!
ESTE ÁLBUM É UM POUCO DIFERENTE DOS ANTERIORES EM ORGANIZAÇÃO. EM NENHUMA DAS FAIXA TOCAM OS QUATRO CONJUNTAMENTE – E TALVEZ PELA PRIMEIRA VEZ.
MAS, SERIA PARA REALÇAR A INDIVIDUALIDADE E O TALENTO ENORME, EXPRESSIVO, DE CADA UM DELES?
CERTAMENTE.
O GRANDE “RALPH TOWNER”, VIOLONISTA DE ALTO NÍVEL, AQUI TAMBÉM ESTRAÇALHA NO PIANO. E QUASE EQUIPARANDO-SE AO NOSSO “EGBERTO GISMONTI” – PARA QUEM RALPH PERDE, PORQUE NÃO SABE CANTAR…
AS MÚSICAS SÃO, COMO SEMPRE, INCLASSIFICÁVEIS. EXUBERANTES E BELAS; NO EXTREMO DO BOM GOSTO MELÓDICO, HARMÔNICO E RÍTMICO.
PARA TENTAR DEFINIR, “TIO SERGIO” PROPÕE QUE SEJAM “NÃO – JAZZ JAZZIFICADO”… HUMMMM! “NÃO – FOLK”; “BUCÓLICAS”, “CAMERÍSTICAS” E “NÃO – TRISTES”. VIAJANTES SEM SEREM “LOUNGE”; “PROGRESSIVAS” , MAS NÃO “ROCKS”. INTEGRADAS POR PROXIMIDADE À “WORLD MUSIC”… QUE TAL?
O “OREGON” TANGENCIA UMA ESPÉCIE DE “FUSION – NEW AGE”, MAS LONGE DE SIMPLISMOS E REDUÇÕES COMUNS NO SUB-GÊNERO.
O GRUPO EXISTE HÁ DÉCADAS. FOI CRIADO NA UNIVERSIDADE DO OREGON – SURPREEENDENTE, NÃO! – NOS “SIXTIES”. SÃO MÚSICOS DE FORMAÇÃO ACADÊMICA; GENTE ESTUDADA E CULTA.
“PAUL McCANDLESS” TOCA INSTRUMENTOS DE SOPRO NÃO METÁLICOS. É MUSICO ESPETACULAR! “GLEN MOORE” É BAIXISTA DE ALTA PERFORMANCE ARTÍSTICA. E “COLIN WALCOTT” É RITMISTA MÚLTIPLO. TAMBÉM TOCA SITAR E INSTRUMENTOS ORIENTAIS DE PERCUSSÃO. “COLIN” + O TROMPETISTA DE JAZZ, “DON CHERRY”, + O POLI-RITMISTA BRASILEIRO, “NANÁ VASCONCELOS”, FIZERAM DOIS ÁLBUNS EXPERIMENTAIS MEMORÁVEIS, NA DÉCADA DE 1980, PARA A GRAVADORA E.C.M: “CODONA 1 E 2”. MUITO CONHECIDOS!
O “OREGON” GRAVOU DIVERSOS PARA A “ECM RECORDS”! É BANDA CULT E ULTRA COLECIONÁVEL.
ELES E “EGBERTO GISMONTI” REPRESENTAM, NITIDAMENTE, A “IMAGEM SONORA” DA ” ECM”, PORQUE MEIO ESTRANHOS, NADA CONVENCIONAIS. MAS SE BEM OBSERVADOS, A GENTE PERCEBE DE ONDE VIERAM…
AHHH, E SÓ PRODUZEM MÚSICA DE ALTÍSSIMA QUALIDADE! E, SEMPRE, COM O TEMPERO E RETROGOSTO DO PRODUTOR E CRIADOR DO SELO, “MANFRED EICHER”.
“TIO SÉRGIO” NÃO TEM INVEJA DE NINGUÉM. MAS DE “MANFRED EICHER” EU TENHO! AH, SE TENHO! VAI SER COMPETENTE E PRODUTIVO ASSIM LÁ… NO MUNDÃO, NO UNIVERSO…. ESTÁ BEM?
ENTÃO, MERGULHE COM ESPÍRITO, E DE CABEÇA. “OREGON” É A TRADUÇÃO PERFEITA DESSAS DUAS POSSÍVEIS IMERSÕES!
POSTAGEM ORIGINAL: 04/06/2021
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Nelson Rocha Dos Santos, Paulo Ricardo e 1 outra pessoa

ARCHIE SHEPP, “FOUR FOR TRANE”, 1964 . DON CHERRY, SYMPHONY FOR IMPROVISERS, 1966.

TIO SÉRGIO GOSTA DELES, E OS COLECIONA. MAS HOJE NÃO OS PREFERE…
A  AUSÊNCIA DE MELODIA MAIS EXPLÍCITA E IDENTIFICÁVEL; DE SINTAXE HARMÔNICA MAIS ESTÁVEL; O EXCESSO DE IMPROVISAÇÕES, MUITAS VEZES COM INSTRUMENTOS E TIMBRES APARENTEMENTE “NÃO CONJUGÁVEIS”, ANDA DESORGANIZANDO A MINHA SENSIBILIDADE – GERALMENTE CURIOSA, OUSADA E VANGUARDISTA. QUALQUER HORA, TALVEZ A IMPLICÂNCIA SE DILUA. A VER!
POIS BEM, COMPREI OS CDS JÁ USADOS. E SOUBE QUE O ANTIGO DONO É ESCRITOR E USAVA O “FREE JAZZ”,  E ADJACÊNCIAS,  PARA INSPIRAR-SE. MAS SÃO PORTOS INÓSPITOS! MESMO QUE PROFUNDOS E ATRACÁVEIS.
O CARA TROCOU OS CDS POR “NIRVANA”, “PEARL JAM”, ‘GREEN DAY” E QUE TAIS: ROCK DE ENERGIA PURA; MAS FEITO POR MÚSICOS DE CÉREBROS MENOS ARGUTOS… PELO JEITO, O ESCRIBA TAMBÉM ENJOOU…
ENTÃO, ELES POUSARAM EM MINHA DISCOTECA. EU TOPEI E APLAUDO: PORQUE MUITO LEGAIS! NO ENTANTO, SÃO ARTEFATOS QUE TENDEM A FICAR ADORMECIDOS – JÁ QUE VÍRUS PERIGOSOS… E HORA QUALQUER, TALVEZ DESPERTEM E INVADAM O MEU SISTEMA.
AFINAL, TIO SÉRGIO NÃO ESTÁ IMUNIZADO, DEU UMA PAUSA, MAS CONTINUA INTERESSADO NO DIFÍCIL E DURO DE OUVIR.
E VOCÊ?
POSTAGEM ORIGINAL: 03/06/2019
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JANIS SIEGEL E FRED HERSCH – “ECLÉTICOS – SELETIVOS” OURIVES DA MÚSICA

Ela foi parte do excelente JAZZY/POP grupo vocal americano MANHATAN TRANSFER. Quatro cantores sofisticados e talentosos, capazes de elevar em nível máximo COLE PORTER, JONI MITCHELL, DJAVAN, SLY & THE FAMILY STONE, TOM JOBIM, e tantos outros. Eles sabiam cantar tudo! E os arranjos esfuziantes e moderníssimos não deixam quietos quem curte um som, ou quer dançar. Eles animam qualquer festa ou reunião entre amigos!
JANIS tem carreira solo tão virtuosa e versátil quanto em grupo. Vai muito bem com trios, quartetos e outras formações. E ajusta em estado da arte a sua voz expressiva e controlada, bela e quente, com o piano de FRED HERSCH.
Os discos aqui postados são todos recomendáveis. Relaxantes sem serem vulgares; e melódicos sem pieguices. Gravações de alto nível artístico e técnico – seguramente!
O meu predileto é “SLOW HOT WIND”, de 1989, em que SIEGEL & HERSCH dão à luz compositores modernos como JAMES TAYLOR, JULIA FORDHAN, JUDY COLLINS entre vários. Escolheram músicas e repertório pouco usuais. E muito interessantes, eu garanto.
Aliás, tenham o prazer em conhecer FRED HERSCH. É músico e artista de altíssima qualidade. Arranjador de bom gosto, capaz de realçar repertórios extensos e inusitados, dando-lhes tintura jazzística pessoal, imprescindível e adequada.
HERSCH tem sólida formação musical, e carreira como pianista tão cintilante quanto a de JANIS SIEGEL. Esteve com ART FARMER, JOE HENDERSON, LEE KONITZ, STAN GETZ e CHARLIE HADEN, só para citar alguns. E gravou intensamente tanto solo como em grupo. Ele recebeu um GRAMMY, e sua extraordinária versatilidade é aclamada pelo público, e também pela crítica.
Postei os discos que tenho de FRED; muito poucos – por enquanto: “PLAYS JOBIM”, 2009; “PLAYS RODGERS & HAMMERSTEIN”1996; “AT MAYBECK”, 1994; e o extraordinário “THE FRED HERSCH TRIO”, lançado em 1994, com repertório que vai de ORNETTE COLEMAN a HERBIE HANCOCK, passando por WAYNE SHORTER, MILES DAVIS, e reluzentes de igual nível.
FRED HERSCH gravou muito mais, é só procurar. E há pelo menos mais dois que me põem a babar para a LUA: “SILENT, LISTENING”, 2024, feito para a ECM RECORDS; e “SONGS FROM HOME”, 2020, onde há músicas de JONI MITCHELL, PAUL McCARTNEY, JIMMY WEBB e por aí vai… É considerado talvez o seu melhor álbum entre tantos irrepreensíveis…
FRED E JANIS são dois instigantes bálsamos nesses tempos vorazes e doentios.
Descubram e curtam! Valem a pena!
POSTAGEM REVISADA: 01/06/2024
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FRANGOS, UMA REFLEXÃO. E A TRILHA SONORA POSSÍVEL: CHICKEN SHACK, ATOMIC ROOSTER, E OS ROLLING STONES

Eu adoro! Assado, grelhado, cozido, a passarinho, numa bela canja, por aí… É bicho gordurento, mas tanto faz: humanos dão conta disso…
Pensando bem, que pobre bichinho! Há bilhões e bilhões deles espalhados pelo mundo. Valem nada; e crescem para os nossos prazeres e alimentação. Vivem sob nossos desígnios e poderes. São, metaforicamente, os chineses e os hindus, os africanos e os miseráveis do mundo… Custam barato.
O nascimento é uma sentença de morte: 60 e poucos dias e ponto. Sem história, e nem glória. São precários por necessidade e condicionamentos que o homem lhes impõem… Talvez sejam os maiores oprimidos do reino animal! São devastados e repostos continuamente…
Esses dias, comprei um peito para fazer canja. Não reparei, mas o bicho estava crescido: era um galo quando foi abatido. E se vingou de mim e minha panela de pressão: carne dura, e sem sabor…
Poucas vezes reclamei deles. Mas achei um descaso o bicho estar tão sem gosto. Então, eu o algoz do bicho, pensei comigo: nunca mais! Toda a vez em que for buscar o pobre galináceo vou dar uma geral, e ver se tem o tamanho máximo; e se tenro para o meu deleite.
Eu, você e o mundo somos cruéis com criatura tão útil e indefesa. Hoje, hipocritamente faço orações quando meu prato chega. E, quem sabe, ele reencarne homem ou bicho menos vulnerável.
Para se ter uma ideia do “quê” somos basta verificar a nossa posição na cadeia alimentar.
O resultado não é lisonjeiro.
Ah, fui buscar na coleção alguns discos e artistas que tenham relação com o nobre e supliciado bichinho, estão na foto:
CHICKEN SCHACK ( galinheiro ); ATOMIC ROOSTER (galo atômico), e os ROLLING STONES no clássico ‘LITTLE RED ROOSTER”, de Willie Dixon.
Có, có, có, cocoreco, có, có!!!!!!!!!
POSTAGEM REVISTA: 31/05/2025
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LORD SUTCH – ENTRE O ENIGMA E O CULT COLECIONÁVEL!

MAL SEI POR ONDE COMEÇAR.
ENTÃO, VOU PELO CAMINHO ESCORREGADIO PERCORRIDO POR FARSANTES, OPORTUNISTAS OU SIMPLESMENTE PERSONAGENS ESQUISITOS, IMPROVÁVEIS E CLAUDICANTES QUE LOTAM AS VEREDAS DO SHOW BUSINESS.
EM MEUS “ALFARRÁBIOS” ENCONTREI UMA ENTREVISTA DO REFINADO PRODUTOR CHRIS THOMAZ (PROCOL HARUM, ENTRE VÁRIOS ARTISTAS ), SOBRE A SESSÃO DE GRAVAÇÃO QUE O EMPRESÁRIO “MALCOLN MC LAREN” CONTRATOU PARA FAZER O PRIMEIRO DISCO DOS “SEX PISTOLS”, “NEVER MIND THE BULLOCKS”, EM 1976.
AUDIÇÃO E VEREDITO:
THOMAS: “TÁ LEGAL! A BANDA DEIXA PRA LÁ. EU TENHO O MEU TIME NO ESTÚDIO E A GENTE FAZ TUDO ISSO AÍ COM UM PÉ NAS COSTAS”. MAS O CANTOR ( JOHNNY ROTTEN ) NÃO TEM JEITO! ARRUMA OUTRO, PORQUE NÃO HÁ CONDIÇÕES DE FAZER ESSE CARA CANTAR!”
E DEPOIS DISSERAM QUE “LORD SUTCH” NÃO SABIA CANTAR!!!!
NÃO SABIA. MAS, E DAÍ?
DAVID SUTCH sempre foi muito pobre. Trabalhou como auxiliar de mecânico de automóveis; foi encanador; e desenvolveu outra obsessão: o ROCK AND ROLL.
O LORD era híbrido mal feito de “quase – cantor” de ROCK; “quase – ator” ;- e performer aloprado. Contradição explícita para um sujeito “quase tímido”, reservado, e que não saía do quarto durante as turnês. Ele nunca tomou drogas ou passou dos limites. E morava com a mãe e a cachorra.
Por suas bandas, sempre efêmeras, passaram alguns históricos: RITCHIE BLACKMORE, depois guitarrista do DEEP PURPLE; o pianista NICKY HOPKINS; e o organista MATHEW FISHER
( PROCOL HARUM ). Ele gravou alguns SINGLES produzidos pelo histórico doidivana e produtor JOE MEEK. Mas, sem qualquer sucesso.
LORD SUTCH já conhecia SCREAMING JAY HAWKINS, “BLUES-SINGER” e performer americano, que entrava no palco dentro de um caixão junto com uma cobra de borracha… Mas legou ao mundo “I PUT SPELL ON YOU”, 1956, clássico do R&B gravado por muitos, como NINA SIMONE e o CREEDENCE CLEARWATER RIVIVAL…
Baseado nas performances de HAWKINS, em 1961 SUTCH, acompanhado por uma banda de ROCK, começou a desenvolver JACK THE RIPPER, um “GRAND GUIGNOL” sobre o famoso estripador e serial killer inglês. De certa forma, ele tornou-se o antecessor de ALICE COOPER, IGGY POP, ARTHUR BROWN e outros malucos “histórico/histéricos” do ROCK. O show do LORD era anarquia e non – sense puros. As fotos do público assistindo testemunham a paralisia frente ao caos!
É argumentável que seu “espectro de insanidade” e contestação também influenciaram o PUNK-ROCK! Afinal, seus “não – atributos” artísticos tornaram-se a essência do LOW-FI ALTERNATIVO; que ditou regra, em vários casos, de meados dos 1970 em diante…
Em meio a tudo isso, LORD SUTCH meteu-se em política e ajudou a bagunçar o REINO UNIDO com o inacreditável partido que fundou, em 1963:
O “NATIONAL TEENAGE PARTY” tinha um lema: “VOTE FOR INSANITY. YOU KNOW, IT MAKES SENSE”, frase típica dos movimentos “político – nefelibatas”, que desaguaram em 1968…
O partido cativou os mais jovens, porque propunha voto aos 18 anos; e descriminalizar as rádios clandestinas, que desafiavam o monopólio da estatal B.B.C.
LORD SUTCH participou de incontáveis eleições e jamais foi eleito. Ele e seu partido foram escorpiões no sapato da elite inglesa.
O nosso “Lorde de araque” atazanou – e muito – a vida da futuro Primeiro – Ministra MARGARETH THATCHER.
Por caminhos não bem explicados começa o foco maior de nosso interesse nele. No início de 1969, LORD SUTCH andava esquecido no mundo do ROCK, e resolveu tentar carreira nos Estados Unidos. Claro, não deu certo!
Mas gravou um disco contestado, de popularidade e aceitação ciclotímica, mal compreendido – ou muito bem compreendido, alegam outros… Horroroso, ou… e inevitavelmente CULT?
LORD SUTCH & THE HEAVY FRIENDS, produzido por JIMMY PAGE, foi eleito o pior disco da história pela BBC, quando lançado em 1970! E ganhou o GUINESS como um “BRILHANTEMENTE INAUDÍVEL CLÁSSICO”. A maioria dos participantes tentaram “esquecer” que lá estiveram, tal o julgamento que à época foi feito…
Porém, TIO SÉRGIO pergunta: como pode ser ruim um disco em que a banda tem a seguinte formação básica?
Estão preparados? JIMMY PAGE e JEFF BECK, nas guitarras; NICK HOPKINS, no piano; JOHN BOHNAN, na bateria; e NOEL REDDING (JIMI HENDRIX ) no baixo; e sem falar em outros músicos de estúdio experientes, e todos no auge da forma artística e técnica?
Vamos em frente:
O segundo álbum, gravado ao vivo em estúdio pelos HEAVY FRIENDS, em 1971, “HANDS OF JACK THE RIPPER”, traz uma sequência esfuziante de ROCK AND ROLL CLÁSSICO, como “ROLL OVER BEETHOVEN”, “GREAT BALLS OF FIRE”, e similares…
Está lá, inclusive, a hilária e estravagante “performance integral ” ao vivo de “HANDS OF JACK THE RIPPER”, com mais de dez minutos de gritos, assassinatos, urros e flatulências. E a inestimável contribuição na algazarra de KEITH MOON ( AHHH vocês sabem quem é ) berrando insanamente ao fundo!
Mais um complemento, a banda que foi ao palco era: RITCHIE BLACKMORE, na guitarra; KEITH MOON, na bateria; NOEL REDDING, no baixo e MATHEW FISHER, no teclado. E mais uns 6 músicos profissionais de estúdio e de outras bandas…
É algazarra beirando a música. É muito legal, sim, majestades!
Eu acho que a má recepção do primeiro disco deveu-se a ele estar totalmente fora do contexto artístico da época. Em 1970, o nascente ROCK PROGRESSIVO ditava as regras. Portanto, o esmero na produção já era indispensável.
Mas os dois álbuns são de ROCK´N`ROLL PESADO PURO E SIMPLES, sem alusões vanguardistas ou vanguardeiras. Não são HARD ROCK; e nem HEAVY METAL E sem quaisquer firulas ou produção mais acurada. Quase LOW-FI! ROCK, e ponto!
De alguns tempos para cá, foram resgatados grupos das décadas de 1960/1970, à época desconhecidos, com a marcante característica de serem básicos, chão duro. Ouçam um deles, o hoje “CULT”: JOSEPHUS!!!!
No primeiro disco dos HEAVY FRIENDS, a banda toca completa em duas faixas, e a dobradinha BECK/PAGE é inesquecível. Nas demais, JIMMY PAGE testa mil coisas, como wah-wahs, delays e câmaras de eco, com liberdade total. Eu diria que são preâmbulos de futuro muito próximo!
Há, também, “BOHNAN” e “REDDING” além do parâmetro básico. E participações excelentes com BECK na guitarra e KENT HENREY, guitarrista do BLUE IMAGE e do STTEPPENWOLF, tocando o fino pesado, também.
Sou suspeito para dizer. Mas este é um dos MELHORES DISCOS DE ROCK QUE OUVI NA VIDA! E a cotação digamos… artística… vem subindo ao longo do tempo.
No último relançamento, há uns dez anos, a RECORD COLLECTOR já deu quatro estrelas para o álbum. E vários elogios, também… Há uma foto histórica nessa postagem: JEFF BECK e JIMMY PAGE no estúdio juntamente com o LORD SUTCH.
Para complicar, observem um aspecto intrigante sobre a “pessoa” do LORD: Os companheiros de banda contavam que se houvesse alguma encrenca, a simples presença dele acalmava os ânimos dos policiais. Os ingleses, sempre formais, o respeitavam por aquilo que ele “representaria”…
DAVID SUTCH foi encontrado morto pela namorada, em junho de 1999. Ele havia se enforcado em casa. Era bipolar, e não aguentou a morte da mãe e da cachorra. Morreu de solidão…
No seu funeral, em LONDRES, estavam centenas de pessoas. E foi a primeira e última vez que se cantou “ROLL OVER BEETHOVEN”, na SAINT PAUL CHURCH.
REST IN PEACE – ou “PIECES”? – LORD DAVID SUTCH!
POSTAGEM ORIGINAL: 29/05/2021
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