O PRIMEIRO TIME DA M.P.B. E A LINGUA PORTUGUESA

Permitam-me um pequeno ensaio sem ter ensaiado o suficiente para escrevê-lo. (Ehhh, tio Sérgio! Já começou dizendo bobagens…)
Não tenho conhecimento ou fiz reflexão suficiente para entrar no cosmo individual de um cada desses artistas explêndidos.
E nego que os discos aqui postados estejam, cada um por si, na cogitação do que pretendo dizer.
O papo é outro, mas oblíquo…
Estou encafifado pelo que, há décadas, parece-me injustiça histórica.
A minha geração, os que naceram no início dos anos 1950, penso que observou os estertores de uma visão de Brasil, que oscilava entre o indulgente e o profundamente preconceituoso.
Um Brasil que não se revelava em sua completude a seus habitantes; e, principalmente, à sua elite.
A sociedade brasileira requer análise mais profunda por parte dos que sobre ela pensam.
A minha constatação é que os grandes compositores e letristas brasileiros já deixaram no passado a ideia de uma língua “INCULTA”… Há muito trabalham a beleza sofisticada que nela habita.
A nossa melhor música é conhecida pela qualidade de sua lírica; as letras que dão substância às canções.
OLAVO BILAC escreveu um poema chamado “LÍNGUA PORTUGUESA”, famoso pelo verso inicial “ÚLTIMA FLOR DO LÁCIO, INCULTA E BELA…”
Pois, bem. A intenção de BILAC era uma defesa sentimental-nacionalista da beleza de uma língua ainda supostamente rude. A última entre as línguas latinas criadas a partir do LATIM vulgar, e falada no extremo oeste da Europa… oooopsss: em PORTUGAL, mesmo…
E, de lá, espalhou-se para o BRASIL e a comunidade de países que falam o português.
Se um dia o PORTUGUÊS fora rude e inculto, a partir de CAMÕES e os LUSÍADAS, consolidou-se como língua sofisticada e cheia de recursos.
Lembro-me de um dos grandes professores que tive na FFLCH da USP: José Jeremias de Oliveira Filho. O mestre lecionava LÓGICA e FILOSOFIA DA CIÊNCIA ( não lembro ao certo se o nome das matérias era esse mesmo ).
Certa aula, Jeremias explicou que ao verter um texto complexo, filosofia, por exemplo, do alemão para o português, os recursos da nossa língua permitiam que o texto original se revelasse intacto, do começo ao final, depois de traduzido. O sentido não se perde.
Então, questiono: INCULTA , mesmo que BELA?
Não. Está nítido!
Já em meados dos anos 1990, na CITY RECORDS, uma das lojas de CDS que tive, eu me recordo de duas garotas americanas que iam lá de vez em quando. Elas faziam doutorado em língua e literatura brasileira, na USP. Falavam um ótimo português, e já estavam pra lá de ambientadas com o esculacho tropical pátrio.
Uma delas, ouvindo um CD do CHICO BUARQUE, comentou que o português era a “língua” detentora da mais “perfeita linguagem” sobre o amor que ela conhecia!
O CHICO concordaria, certamente!
TOM JOBIM, CAETANO VELOSO, GILBERTO GIL e CHICO BUARQUE escrevem magnifica e criativamente bem! Todos eles. Não houve revolução, ou moda, que os tirasse do pódio como os quatro maiores entre tantos excelentes!
Depois que BOB DYLAN recebeu o NOBEL DE LITERATURA; e de GERALDO CARNEIRO, poeta e letrista de músicas ( para EGBERTO GISMONTI, por exemplo ) ter sido eleito para ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS, hoje se fala da pertinência de poetas-letristas assumirem cada vez mais a honraria!
Eu concordo plenamente. E dou meu pitaco:
Continuo sobre CHICO. Além das exuberantes canções de amor, e de sua luta intelectual e militante contra a ditadura militar, BUARQUE é arquiteto de letras ultra complexas do ponto de vista poético e de linguagem!
Observem CONSTRUÇÃO, que justaposta a DEUS LHE PAGUE é, para mim, o melhor compósito entre MPB-ROCK PROGRESSIVO -PSICODELIA já feito na MPB!
A orquestração de ROGÉRIO DUPRAT tem ecos claustrofóbicos pertinentes à letra; e, sutilmente, lembra o clima de certas músicas da banda americana SPIRIT, nos anos 1960. É vanguarda pura para 1971!
Somando discos de musicalidade e temas autenticamente brasileiros, aos livros bem escritos e aceitos que lançou; e sempre evidenciando a beleza poética em tudo o que compõe, CHICO BUARQUE é o meu candidato à próxima vaga na ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS.
De certa maneira, TOM, GIL E CAETANO são pontes entre a música brasileira e o POP INTERNACIONAL.
TOM JOBIM, claro, é um dos estruturadores da BOSSA NOVA, e mais afeito ao JAZZ, ao LOUNGE e ao “FALSO EASY LISTENING”. É o mais internacionalizado entre os músicos brasileiros.
Ele foi vítima de versões infantilizadas de suas letras, ou simplificadas de suas músicas, mas soube desfrutar do que lhe trouxe o lado bom da exposição que teve.
GILBERTO GIL, que já chegou à A.B.L. , também pertence ao lado internacionalizado do POP brasileiro. Sempre fez um crossover criativo, que jamais deixou de ser brasileiro, mas é perfeitamente compreensível e absorvido pela linguagem musical internacional.
GIL sempre flertou com sons caribenhos. Afinal, do MÉXICO ao RIO GRANDE DO NORTE, descendo até a BAHIA, são todos “vizinhos” musicais.
A música de GIL propõe, e realiza, uma uma evolução para além do REGGAE e demais sonoridades latinas mais conhecidas. E é orientada por um vasto colorido de ritmos e brasilidades, que dialogam com os latino americanos, mas deles se destacam.
GIL, é letrista exímio, e um estilista da PANBRASILIDADE RITMICA. ( Seria? )
O que nos traz a CAETANO VELOSO. O mais eclético, antenado e vanguardista entre os compositores brasileiros. CAETANO é o sintetizador de um vasto arco anárquico, que vai da música brasileira mais tradicional, passa pela revolução feita por JOÃO GILBERTO; e palmilha cada passo da música brasileira atual, usando recursos de vanguarda; instila gotas ácidas de jazz; e ronda o rock alternativo.
Ele é, também, um estudioso da música de seu tempo, como um DAVID BOWIE intelectualizado, ou um MILES DAVIS mais contido. Bagunçou até a música latina tradicional, com arranjos inesperados para clássicos até bregas.
VELOSO discutiu tudo e com todos; escreveu livros e ensaios. Faz letras e poesia explêndidas. E é um dos preferidos pelo professor PASCOALE, o mestre pop da língua portuguesa, para fisgar, em suas letras, exemplos cultos da aplicação gramatical.
Se BOB DYLAN chegou ao NOBEL, CAETANO também poderia e com méritos semelhantes.
Por escrever em português, CAETANO VELOSO pode ter um atrativo diferente.
Ele criou e lançou uma profusão de discos bem recebidos por público e crítica. Além das poesias escritas, musicadas ou não, que poderiam perfeitamente ser traduzidas para um público maior.
CAETANO VELOSO canta muitíssimo melhor do que BOB DYLAN. É um mestre refinado da língua portuguesa, e meu candidato ao prêmio NOBEL DE LITERATURA.
Então, vamos “caetanear o que há de bom”!
POSTAGEM ORIGINAL: 04/09/2021
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RAPPERS, D.Js e M.Cs: O ROCK IN RIO 2022 VISTO DA PONTE.

Uns dez anos atrás, eu estava no centro de São Paulo, na região da Rua Santa Efigênia, procurando alguma coisa relacionada a som ou eletricidade, não lembro direito.
Lá, é o reduto e a meca para esse tipo de coisas – e outras mais… Sempre coalhada de gente de todo tipo, em tempos normais abria possibilidades para o rico, o pobre e os próximos à indigência sobreviverem. Um capitalismo vibrante, oscilando entre a corrupção e o contrabando, e a oportunidade real.
De repente, dou de cara com um garoto de uns 16 anos, elegante, fazendo “performance” na rua, meio arriscando RAP, meio HIP-HOP, tentando vender pilhas, capas de celulares, essas coisas de utilidade clara e sempre abundantes em quaisquer cidades do mundo.
Eu estava indo com um amigo para o BAR LEO, boteco caro e CULT de SAMPA, incrustado entre a área comercial e os redutos de prostituição, ainda hoje abundantes por lá.
O garoto me impressionou. Observei um pouco, cheguei perto dele e disse: “Menino, por que você não se transforma em M.C.? Tô vendo talento aí”!
Acreditem, raramente vi alguém tão radiante com qualquer observação ou palavra de incentivo que eu tivesse dito!
O garoto só faltou me beijar!!!
Vejam só; Juntou-se o incentivo a uma incerta tendência clara e paixão de um jovem à procura de hipóteses na vida. Espero que ele tenha tentado, e talvez conseguido.
Eu não gosto de RAP ( RHYTHM AND POETRY – ahhh, não preciso traduzir… ) e não ligo para o HIP-HOP, seu complemento físico e teatral, a dança que o embala, e com ele forma um compósito cultural abrangente, contestatório, jovial e relevante.
Eu me recordo que, em meados da década de 1990, havia um cliente da CITY RECORDS, uma das minhas lojas, que dirigia um dos sindicatos patronais sediados na FIESP, e ficava quase ao lado da loja,, na Avenida Paulista.
Era um senhor que sempre perguntava se tínhamos discos de RAP – e sempre havia. Um dia, disse para ele que não era comum alguém do tipo dele pedir esse tipo de música.
Ele respondeu: “é por que você não sabe como os meus empregados gostam! E eu aprendi a gostar, também. Então, compro e dou de presente…”
Na mesma época, MARTA SUPLICY disputava a PREFEITURA DE SAMPA, e ganhou. Durante a campanha, ela falava demais na “CULTURA HIP-HOP”. Como política perspicaz, sacou o que rolava de verdade, e onde o eleitor jovem podia ser conquistado. Faz mais de 25 anos… Então, é tendência e história cristalizada.
Assistindo aos shows do ROCK IN RIO, vislumbrei vereda esclarecedora. Assisti aos M.Cs e aos D.Js.
São totalmente diferentes; acho que o inverso um do outro, do ponto de vista sociológico e de influência sobre seus públicos.
Vou teorizar ( meu Buddah, me proteja!!!! )
D.Js. trabalham em duas funções e perspectivas diferentes:
quando em estúdio, realmente podem recriar qualquer música sob outra perspectiva, acrescentando, mixando, fazendo novas versões de um hit qualquer. São quase produtores alternativos.
É fascinante como a mesma “música base” se transforma em coisas diferente. O que explica a explosão havida nos últimos talvez 35 anos. BJORK, por exemplo, é “multifacetada” por diversos D.Js, que ampliam sua música única para outras galáxias…
E serve para todo mundo, SEAL, AMY WINEHOUSE… escolham..
Em frente a uma RAVE ou a um grande salão de baile; ou como criador de música própria, o D.J. mixa e coordena o repertório dele e de outros, dá o tom, detecta o clima e o administra.
O curioso, é que a maioria do repertório estabelecido visa o indivíduo e sua dança solitária. A música eletrônica, sempre tocada muito alto, de certa forma impõe a atomização, e não a intercomunicação entre os indivíduos para dançarem juntos e mais intimamente.
No festival, todos dançavam de frente voltados para o D.J. ALOK, por exemplo. E havia nada para ser visto no palco… A não ser tecnologia cara, portanto mais restrita para quem quiser tentar a sorte na profissão.
MCs., ao contrário, visam a comunidade. Falam, dizem suas “poesias e rimas” para um público presente, que dança mais coletivamente, curte e absorve o que ele diz. M.Cs. fazem músicas que ultrapassam o dançar; falam de fatos e relacionamentos; são, também, transmissores de ideologias, e visões de mundo.
O M.C. XAMÃ, que também se apresentou , disse que tomou gosto pela poesia e a rima nas aulas de português que teve na escola. É emblemático: uma das características da boa MPB é o cultivo da palavra. Portanto, nada mais pedagógico do que tentar incentivar o estudo e o desenvolvimento pessoal dos alunos utilizando a arte e sua tecnologia comparativamente mais barata, para ensinar. Faz todo sentido…
Os RACIONAIS MCs são fenômeno artístico-social indiscutível. Assisti a performance deles. São nitidamente veiculadores de consciência. Enquanto grupo eles se impõem, são respeitados e respeitáveis. Não estão simplesmente para brincar. E o público sabe disso, apoia e vai lá por causa da identificação com a mensagem e as vivências.
Os RACIONAIS incomodam. A teatralidade da performance deles, calcada na vida das periferias pobres da cidade de SÃO PAULO, é pesada, intimidadora, violenta. E deixa claro os descontentamentos, os problemas reais que os mais pobres sofrem.
Assisti-los é respeita-los. Porque criadores de linguagem contrastante com a normalidade que as classes mais integradas e privilegiadas cultivam.
A vida dos mais pobres consegue ser expressada pelos RAPPERS, e identificada por seus fãs; porque na sociedade foi desenvolvida linguagem falada muito própria, criativa, inesperada, e talhada verdadeiramente a partir das condições objetivas de vida deles.
Artistas populares e seus admiradores autênticos compartilham de linguagem comum. Com a turma do RAP e do FUNK isto fica muito claro.
Talvez?
Mas, TIO SÉRGIO, WHAT PORRA IT´S THAT AÍ NAS FOTOS?
Tá bom, tá bom! Confesso que me desfiz de alguns discos que hoje fizeram falta para escrever com mais consistência.
Eu tive o primeiro disco do D.J.SHADOW, cuja capa simbolizava como ele criava a sua arte. É a foto ultra expressiva de uma loja de discos de vinis.
Sumiu! E ninguém sabe e ninguém viu…
Outro que tive e gostava era o CD do RAPPER francês GURU. Ultra interessante, e gravado na BLUE NOTE. Era ACID JAZZ de primeira linha. A sofisticação maior a que havia chegado o RAP.
Mas, como sempre, era falatório desabrido, monocórdico, em flagrante contraste com a base instrumental magnífica.
Cadê?
Eu vi o disquinho no ponto de ônibus perto de minha casa, quando morava em SAMPA. Acho que a condução passou e ele tomou…
Esses que estão na foto são R&B de várias “gestações”. E tem algum RAP incluído. Inclusive GIL SCOTT-HERON & BRIAN JACKSON que, muitos argumentam, já faziam RAP antes de virar moda.
E se o TIO SÉRGIO postou pode confiar. São todos muito bons!!!!
POSTAGEM ORIGINAL: 04/09/2022
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WALKER BROTHERS – A RESTAURAÇÃO ANTI-BEAT

Eu poderia começar a postagem de duas ou três formas diferentes. Uma delas bastante acadêmica. Mas vou em minhas memórias e vivências.
Ouvi os WALKER BROTHERS pela primeira vez em 1967, na rádio ELDORADO, em SAMPA, que tinha um charme especial: vez por outra tocavam lados B de SINGLES de sucesso.
E tocaram sabe-se lá porquê “AFTER THE LIGHTS GO OUT”, música sensacional! E lado B de um dos maiores HITS da história dos HIT PARADES na Inglaterra: “THE SUN A’INT GONNA SHINE ANYMORE”!
Pois, é; TIO SÉRGIO conseguiu este SINGLE em uma troca com o Ayrton Mugnaini Jr., mais de quatro décadas e meia atrás. Trocamos por COMPACTO SIMPLES NACIONAL de um errático, maluco, e até hoje incompreensível artista chamado NAPOLEÃO XIV. Ele narrava uma fuga do hospício e a polícia atrás, com sirenes e tudo! É objeto CULT até a bengala!!!!,
“THE SUN AIN’T GONNA SHINE ANYMORE” subiu feito foguete em direção ao topo do HIT PARADE, e caiu feito míssil no gosto popular! O sucesso foi tão estrondoso que era cantado nas ruas por sorveteiros, donas de casa, empresários e gente do povo.
E, claro e principalmente, pelas meninas, que promoviam verdadeiro caos em shows e apresentações da banda. Eu vi fotos dos três com as roupas arrebentadas na pista do aeroporto de HEATHROW, em 1966. Obra das garotas em chamas, incentivadas pela comoção geral!!!
Os WALKER BROTHERS, que de Walker e muito menos Brothers tinham nada, eram considerados bonitões, e faziam um POP quase de bons moços, não muito longe da iconoclastia BEAT, mas muito bem arranjado, com orquestras e tudo o mais dentro de sonoridade mais conservadora que, sempre convive nas artes com o lado radical. É muito, muito bom! Ouçam.
Foram uma das primeiras BOYS BAND da história, amados como NSYNC, MENUDOS, e os meninos do COREAN POP até recentemente.
A turma até hoje idolatrada, como os BEATLES, STONES, ANIMALS… de público odiavam os WALKER BROTHERS!
Foram a concorrência inesperada vinda de um grupo algo meloso, e ainda por cima de americanos.
No particular era um pouco diferente: JIMMY HENDRIX excursionou com eles, se davam muito bem, e cada um na sua, em turnês pelo Japão etc…
Em qualquer época foi assim. Lembrem-se que os PUNKS, abalo sísmico de onze anos depois, conviveram no gosto popular com o PINK FLOYD, PROGRESSIVOS e outros “conservadores”.
Parte das aparências, sempre integrantes do marketing…
Mas, teve um lado sério: e você fosse um produtor, arranjador ou profissional de gravadora o que faria se desse de cara com SCOTT WALKER? Um barítono mais colorido do que ELVIS PRESLEY; cantor de baladas contagiosas como SINATRA, e carisma enorme frente ao público em geral, mesmo sendo tímido e recatado?
Eu faria o que a PHILLIPS fez: encontraria um jeito de aproveita-lo de acordo com seus talentos e potencial.
Então, a empresa propiciou ao trio os melhores arranjadores. Juntou músicos eficientes e eficazes, e montou repertório eclético, que ia de clássicos como SUMMERTIME, ou R&B como PEOPLE GET READY, até assombros do POP ADULTO, como o super sucesso, gravado em1965, “MAKE IT EASY ON YOURSELF”, de BURT BACHARACH. A gravação que põe no chinelo qualquer outra que você tenha escutado dessa música. E há centenas, inclusive com DIONE WARWICK.
É sempre curioso saber. Mas, a maior parte dos arranjos foram feitos pelo maestro YVOR RAIMONDS, pai de SIMON RAYMONDS, o criador da DARK DREAM POP banda, cult e importante da década de 1980/1990 COCTEAU TWINS .
A música, como as tentações, surge de onde menos se espera; e sempre faz muito sentido…
A histeria com eles durou perto de três anos, três LONG PLAYS, e vários SINGLES. Depois, vieram outros tempos. Nos anos 1970 gravaram mais três discos sem grande repercussão, e a vida seguiu.
Antes disso, em 1968 SCOTT WALKER já estava gravando solo. e fez quase uma dezena de LPS. Rejeitou uma proposta feita por ANDY WILLIANS, ótimo e conhecido cantor, profissional ao extremo, que ofereceu a SCOTT dois milhões de dólares, e toda a estrutura para que se tornasse o novo FRANK SINATRA, na América.
Grana a beça há 55 anos!!!!
Ele rejeitou!
SCOTT seguiu carreira independente, livre, cantando e compondo do jeito que quis, e cultivando o recato e a timidez. Atitude que sempre lhe deu ar de mistério e um séquito de fãs, como DAVID BOWIE, e o PULP, banda BRITPOP de sucesso – para quem SCOTT arranjou e orquestrou disco excelente, nos anos 1990…
SCOTT WALKER é um herói do POP ALTERNATIVO.
E há também, e paralelamente, incursões periódicas feitas por SCOTT na música EXPERIMENTAL ELETRÔNICA. Gravou talvez uns 8 discos que, mesmo quase quatro anos após sua morte, ainda não foram adequadamente avaliados.
Eu espero – e faz tempo! – algum BOX com as loucuras, pesquisas e sei lá mais o quê feitos por ele.
Seja como for, a História com os WALKER BROTHERS, e os excelentes discos solos “normais” permanecem.
SCOTT é um “futurista” ainda não totalmente mapeado, estudado ou compreendido. Mais um excêntrico superdotado para importunar a “boa ordem” que a vida costuma pedir…E de vez em quando é bom rejeitar….
POSTAGEM ORIGINAL: 03/09/2020
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ANNIE HASLAN AO VIVO NO BRASIL!!

A
DISCO RARO E PRECIOSO. GRAVADO NO PALÁCIO DE CRISTAL
EM PETRÓPOLIS, TALVEZ 20 ANOS ATRÁS.
ANNIE ATÉ HOJE CANTANDO MUITO BEM. HÁ CLIP DELA COM FLAVIO VENTURINI
GRAVADO AGORA, 2023, NO MARAVILHOSO ‘SONASTÉRIO”, ESTÚDIO EM LUGAR PARADISÍACO
NA SERRA, EM MINAS GERAIS,
´”POETRY OF BIRDS” É MUITO BONITO. PROCURE NO YOUTUBE
POSTAGEM ORIGINAL: 03/09/2023
Moonlight Shadow

NINA SIMONE – INTÉRPRETE SENSACIONAL!

“NINA” SERIA, TAMBÉM, GRANDE CANTORA, ALÉM DE UMA DAS MAIORES INTÉRPRETES DA HISTÓRIA DA MÚSICA POPULAR? E A FREQUÊNCIA DESSAS DUAS CARACTERÍSTICA, ESTARIAM
PRESENTES EM TODA OBRA QUE REALIZOU?
EU SEI DE “NINA SIMONE” HÁ QUASE 50 ANOS; ELA É UM MITO TRANS-GERACIONAL. O INTERESSANTE É PERGUNTAR SOB QUAIS RITOS ELA DEVE SER DESVENDADA?
UM BOM COMEÇO É DIZER QUE “NINA” NÃO É CANTORA DE JAZZ – QUE, A RIGOR, SÃO POUCAS.ELA E PARTE DOS MÚSICOS NEGROS DE SUA IMENSA E MARAVILHOSA GERAÇÃO, É CANTORA DE “RHYTHM´N´BLUES”, NA BEIRA DO ABISMO COM A VARIANTE “SOUL MUSIC”, PORÇÕES GENEROSAS DE “BLUES”, TEMPERADOS POR GOSPEL…
NINA SIMONE TEM VOZ FORTE, EXTENSA E INCONFUNDÍVEL. UM PATRIMÔNIO ESTÉTICO RARAMENTE ALCANÇADO EM TAL MAGNITUDE. PORÉM, DE VEZ EM QUANDO DESAFINA, DESANDA; E DESANDA…E AÍ MOSTRA O SEU LADO HUMANO EXPLICITAMENTE; REVELA O SEU INTERIOR AGRESSIVO, CONFUSO. ELA CHEGOU A DAR TIROS POR AÍ…
EM COMPENSAÇÃO, SABE ESCOLHER REPERTÓRIO COMO POUCOS! SEUS DISCOS SÃO MISCELÂNEAS DE STANDARDS DA MÚSICA POPULAR. ELA TEM FARO PARA O HIT DO MOMENTO; OS ESTUDA, E CRIA INTERPRETAÇÕES MAGNÍFICAS, PESSOAIS, INTRANSFERÍVEIS, E QUASE SEMPRE CLÁSSICAS.
NÃO VOU CITAR EXEMPLOS. SÓ UMA DICA: “I PUT SPELL ON YOU” – EM MIM PEGOU; E EM VOCÊ TAMBÉM.
BASTA ESCUTAR QUAISQUER DE SEUS DISCOS: SÃO FANTÁSTICOS.
EU TENHO VÁRIAS COISAS DELA; ADORO SABOREAR! ACHO “NINA” INTÉRPRETE SEMINAL, QUASE SEMPRE ALGUNS TONS DE ESCURO ACIMA DE SEU CANTAR – QUE É BELO – MAS FREQUENTEMENTE IMPRECISO.
AINDA ASSIM, “NINA SIMONE” É
PRESENÇA OBRIGATÓRIA NA DISCOTECA!
PERCAM – SE COM ELA!
MAS, CUIDADO: ELA ERA ENCRENQUEIRA, ANDAVA ARMADA, E GOSTAVA DE ATIRAR.
POSTAGEM ORIGINAL: 03/09/2018
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RENAISSANCE – A SONG FOR ALL SEASONS – BOX SET – 2019

SIM, UM EXCELENTE ÁLBUM DE ROCK PROGRESSIVO SINFÔNICO!!!
Conhecer a HISTÓRIA é jeito confiável para consolidar conhecimentos válidos. E, também, para relativizar saberes, recuperar detalhes, confirmar certezas.
E principalmente para preencher lacunas, ou desfazer eventuais erros.
A HISTÓRIA do RENAISSANCE é parte de uma lacuna obscurecida pelo brilho intenso que o foco nos “super guitarristas” ERIC CLAPTON, JIMMY PAGE e JEFF BECK, deu aos YARDBIRDS, durante a curta existência da banda, entre 1963 e 1968.
Quando o grupo terminou PAGE, o último LEAD GUITAR, formou o LED ZEPPELIN, portal imenso para o HARD ROCK e o HEAVY METAL.
ERIC CLAPTON, que saíra em 1964, já era tido como “GOD” na Inglaterra, e consagrava-se no CREAM ampliando sua experiência com o JOHN MAYALL’S BLUESBREAKERS.
E JEFF BECK iniciou histórica, sem paralelos e multifacetada carreira solo.
Mas, TIO SÉRGIO, e o vocalista KEITH RELF e o baterista JIM McCARTHY, o que fizeram?
Criaram o conceito inicial, e gravaram os dois primeiros discos do RENAISSANCE, com JANE RELF, no vocal, em 1969. Dois fracassos de vendas, e a primeira formação do grupo foi totalmente remodelada. Sobrou ninguém.
Mesmo assim, o RENAISSANCE foi a dorsal PROGRESSIVA surgida no “desfazimento” do histórico, abrangente e seminal “THE YARDBIRDS”…
“So Beggins The Task”, parafraseando o nome de bela canção de STEPHEN STILLS…
Tenho por aqui, sei lá onde, postagem mais completa sobre o RENAISSANCE. Então, vou ater-me a esse belo disco, que antes deste relançamento, eu não apreciava muito. Aqui, eu adiciono algumas “bolocotas” informativas e interpretações para tentar situar a banda.
ANNIE HASLAN, tem um incrível alcance vocal de 5/8!!! Estudou canto, tem dicção perfeita e clara. Sua voz tem a leveza e a doçura das cantoras de música CLÁSSICA. ANNIE foi selecionada através de um anúncio na revista MELODY MAKER, em 1971.
Então, juntou-se ao diferenciado baixista JON CAMP; ao baterista TERENCE SULIVAN; ao excelente pianista e tecladista JOHN TOUT; e também ao violonista e guitarrista MICHAEL DUNFORD, o compositor da maioria das melodias.
É curioso: o RENAISSANCE usou guitarra elétrica pela primeira vez neste neste álbum!
Como o KING CRIMSON e o PROCOL HARUM, o RENAISSANCE tinha uma letrista exclusiva: BETTY THATCHER, que morava em outra cidade, e recebia as partituras e uma fita com a melodia via correio.
Ela escrevia as letras e devolvia ao grupo. Pelo que ouvimos na discografia disponível, o entrosamento foi perfeito!!!
O RENAISSANCE sempre foi mais popular na AMÉRICA, incluindo o CANADÁ, do que na INGLATERRA – essa eterna reveladora de ídolos e talentos, que precisaram ganhar a vida fora, porque lá o mercado é comparativamente pequeno e os impostos enormes.
Então, mudaram-se para os Estados Unidos por dois anos, e tentaram aproveitar o culto que foram despertando.
No começo, ficaram em um “limbo” de mercado. Fizeram turnês com o BLUE OYSTER CULT, o KISS, EAGLES e outros, até encontrarem o nicho mais adequado: a turma do PROGRESSIVO e redondezas.
Excursionaram com o JETHRO TULL, GENESIS, GENTLE GIANT…
Os cinco primeiros álbuns da nova fase foram paulatinamente vendendo melhor. Mesmo assim, nunca estouraram.
“A SONG FOR ALL SEASONS”, o sétimo, foi o primeiro sucesso de verdade, com 60.000 LPS vendidos, graças a “NORTHERN LIGHTS”, lançada em SINGLE, em 1978.
Para a surpresa de todos, atingiu o décimo lugar nas paradas inglesas. Eles foram 3 vezes no TOP OF THE POPS.
ANNIE vivia na época com ROY WOOD, o famoso guitarrista, líder da banda psicodélica inglesa THE MOVE, e fundador da ELECTRIC LIGHT ORCHESTRA. Ele produziu e tocou no primeiro disco solo dela: ANNIE IN THE WONDERLAND, 1977.
ANNIE HASLAN era, também, muito amiga de BETTY THATCHER, e inspirou a linda e romântica letra de “NORTHERN LIGHTS”.
BETTY usou a Aurora Boreal, vista por ANNIE de dentro do avião partindo, e servindo como guia para voltar para casa. É uma canção sobre saudades, amor e retorno ao lar.
Afinal, eles viviam na estrada trabalhando…
Para fazer A SONG FOR ALL SEASONS eles contrataram DAVID HENTCHEL, que produzira com sucesso ELTON JOHN e o GENESIS. Ele sabia operar sintetizadores, um upgrade necessário.
O disco foi concebido como ROCK PROGRESSIVO SINFÔNICO.
Trouxeram a ROYAL PHILHARMONIC ORCHESTRA, e os arranjos foram feitos por LOUIS CLARK, que também havia escrito para a ELECTRIC LIGHT ORCHESTRA.
A regência coube ao maestro HARRY RABINOVITZ. E gravaram separadamente a banda e a orquestra, como fizeram os MOODY BLUES, em DAYS OF FUTURE PASSED.
As orquestrações têm ecos de DEBUSSY, SCHOSTAKOVICH e PROKOFIEV.
Eu percebo traços da canção-tema dos “filmes do “007”. E acho os arranjos simultaneamente pesados, intensos e dramáticos. Mas, sutis e refinados.
Lembram o PROCOL HARUM e, claro, o GENESIS. Tem algo dos MOODY BLUES, também. Da conjugação desses três ícones na orquestração; e com a banda e o vocal etéreo e refinado de ANNIE HASLAN, talvez tenham gerado o melhor disco do RENAISSANCE.
Na opinião do grupo, é a MASTERPIECE deles. Apesar da capa desenhada pela HIPGNOSIS, que ninguém gostou ou entendeu direito…Afinal, se era pra exibir a foto de moça qualquer, por que não ANNIE?
O box lançado pela ESOTERIC RECORDINGS, em 2019, é bem realizado. Traz livreto, poster, comentários, e as letras, em caixa bem apresentável.
A remasterização do disco original está ótima! A mixagem do baixo ficou excelente, o piano soa claro, inteligível, e o som do restante da banda está muito bem remixado e coeso.
A voz de ANNIE HASLAN nítida e afinadíssima, como sempre. A orquestra integrou-se muito bem, e os instrumentos utilizados estão com recortes bem audíveis.
O box traz outras faixas adicionais. E mais dois CDS bônus de concerto gravado no TOWER THEATER, na PHILADELPHIA, EM 1978; e na B.B.C.
O som está razoavelmente audível. Mas com certeza não foi remasterizado. São as limitações de um projeto muito bonito.
Os cantores do coro pediram para receber seus cachês em caixas de cerveja, ao invés de dinheiro…
Certamente foi uma honra também para eles trabalhar em disco tão belo.
Recomendo a todos!
POSTAGEM ORIGINAL: 03/09/2023
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OS PRIMEIROS ÁLBUNS CONCEITUAIS DA HISTÓRIA – PIONEIROS

A revista “RECORD COLLECTOR” no mês de julho de 2017, pinçou o que teriam sido os dois primeiros discos conceituais da história:
Esqueçam MOODY BLUES, “DAYS OF FUTURE PASSED”, 1967; ou THE WHO, “TOMMY”, 1969; ou álbum clássico dos PRETTY THINGS, “S.F.SORROW”; e mesmo SARGENT PEPPERS LONELY HEARTS CLUB BAND, dos… ahh, vocês sabem de quem…
O papo é reto; o primeiro foi:
1) MANHATTHAN TOWER, criado pelo maestro e arranjador GORDON JENKINS, que trabalhou com nata musical do JAZZ e do POP desde a década de 1940 até os 1970. Foi lançado pela DECCA RECORDS, em 1946, em um álbum duplo com dois 78 discos de rotações.
Um tema em cada lado, sobre a vida em um bloco de aptos em Nova York: tem jazz, narrações, barulhos de carros, buzinas e declamações. tudo compondo uma suíte musical integrada. É um disco conceitual, sem dúvidas! E muito interessante e inovador. Tio Sérgio tem em CD, para gáudio de si mesmo, e para desfilar pimpão para os amigos. HUM…..
Com o lançamento dos Long Plays, em 1948, a obra foi posta neste novo formato, muito mais adequado para proposta como esta.
2) CALIFORNIA SUITE, foi composta e gravada por MEL TORMÉ, em 1949; e retomou a proposta de JENKINS já dentro da nova tecnologia. Ele cantou sobre a CALIFÓRNIA e suas modernidades . O som é considerado POP , antecipando de alguma forma o que aconteceria uns 18 anos mais tarde.
O passado é imprescindível para entendermos o presente . E desconfiarmos, sempre, que se recria muito mais do que realmente se cria.
É Tema para infinitas discussões.
Procurem pelaí nos YOUTUBES!
POSTAGEM ORIGINAL: 16/08/2017
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ÁLBUNS CONCEITUAIS HISTÓRICOS 2 – OS AMERICANOS

AGORA, TRÊS ARTISTAS AMERICANOS E UM JAPONÊS.
O ÁLBUM MAIS FAMOSO É O “SMILE”, A OBRA DE “BRIAN WILSON” PARA OS “BEACH BOYS”; VETADA NA ÉPOCA PELA GRAVADORA E PARTE DA BANDA, PORQUE ESTRANHA E FORA DO ESTILO DELES.
É CONTROVERSO; MAS SEM DÚVIDA É OBRA CONCEITUAL. A IDÉIA É MOSTRAR A IMENSA VARIEDADE DA MÚSICA AMERICANA EM TODAS AS DIMENSÕES. FOI LANÇADA SOMENTE ANOS DEPOIS, JÁ NA DÉCADA DE 1990. CONFESSO QUE NÃO ME AGRADA MUITO. SINTO FALTA DE COESÃO E ACABAMENTO ESTÉTICO. MAS, É ORIGINAL E INSTIGANTE. UM CLÁSSICO UNGIDO MEIO EXTEMPORANEAMENTE.
OUTRO DISCO INESPERADO É “THE MOTH CONFESSES” DO “THE NEON PHILHARMONIC”, QUE SAIU EM 1969; E GANHOU UM GRAMMY DE ARTISTA REVELAÇÃO.
NÃO ERA UM GRUPO, MAS DUPLA: O CANTOR “DON GANT”, E O MAESTRO E ARRANJADOR “TAUPER SAUSSY” – QUE REGEU A ORQUESTRA QUE EXECUTOU AS SUAS COMPOSIÇÕES.
MAL COMPARANDO, TAUPPER É UM ROGÉRIO DUPRAT COM MAIS RECURSOS PARA TRABALHAR. A MÚSICA É PSICODELIA PURA. E A OBRA É UMA METÁFORA SOBRE A INOCÊNCIA E O AMADURECIMENTO.
É UMA CONSTRUÇÃO POÉTICO MUSICAL EM TORNO DA PAIXÃO QUE O PRIMEIRO AMOR SUSCITA. E, QUANDO NÃO DÁ CERTO – A MAIORIA DAS VEZES -, A PERCEPÇÃO DO EX-CASAL NUM EVENTUAL REENCONTRO, DE QUE AS COISAS E OS DOIS MUDARAM. DISCO INTELIGENTE, E IMPERDÍVEL.
PORÉM, DOIDA PRA VALER É A “CERIMÔNIA BUDISTA” EM FORMA DE ROCK, GRAVADA PELO GRUPO JAPONÊS “PEOPLE” – NÃO CONFUNDIR COM O “BABA POP ” AMERICANO DO FINAL DOS ANOS 1960, QUE REGRAVOU CANÇÃO MENOR DOS “ZOMBIES”.
PRA TERMINAR, DOIS DISCOS DE UMA DAS MELHORES “GARAGE BANDS” DE TODOS OS TEMPOS: “THE ELECTRIC PRUNES”.
A BANDA NÃO EXISTIA ENQUANTO UNIDADE; ELA PERTENCIA AO EMPRESÁRIO LENNY PONCHER, E ERA ORIENTADA PELOS PRODUTORES “DAVE HASSINGER” E “DAVID AXELROD”. CADA UM DOS CINCO DISCOS DOS “PRUNES” FOI GRAVADO COM UMA BANDA DIFERENTE! O INTERESSANTE É A MULTIPLICIDADE DOS CONCEITOS DESENVOLVIDOS PELA PRODUÇÃO! DISCOS CLÁSSICOS!
COMEÇO PELA SENSACIONAL “MASS IN F MINOR”, LANÇADA EM 1967 – INCLUSIVE NO BRASIL, PASMEM!!!. É MISSA CATÓLICA TOCADA DE UM JEITO QUE OS PADRES JAMAIS PERMITIRIAM: IMAGINE SE “JIMI HENDRIX” ENTRASSE EM TOTAL COMUNHÃO LISÉRGICA COM OS “MISSAIS” APROVADOS PELO VATICANO; E TOCASSE ACOMPANHANDO O RITUAL!!!!
PRA FICAR MAIS CATIVANTE, A MISSA É CANTADA EM LATIM!
ANTOLÓGICO, E IMPERDÍVEL!
REALIZARAM OUTRO DISCO, “RELEASE OF AN OATH “, EM 1968; QUE SEGUE O MESMO CONCEITO; PORÉM, APLICADO À RELIGIÃO JUDÁICA!!!! É UM ESPETÁCULO DE EXECUÇÃO, COM MÚSICOS DE ESTÚDIO DO MAIS ALTO NÍVEL! INCLUINDO “A MAIOR BAIXISTA DE TODOS OS TEMPOS, CAROL KAYE”!!!! TIA CAROL TOCA EM ESTADO DE GRAÇA, COMO SEMPRE FEZ!
OS “ELECTRIC PRUNES” ORIGINAIS GRAVARAM O PRIMEIRO ÁLBUM E VÁRIOS SINGLES, ENTRE 1967 E 1968; QUE ESTÃO ENTRE OS MELHORES DA ÉPOCA. E FIZERAM OUTROS DOIS LONG PLAYS, TAMBÉM BASTANTE APRECIÁVEIS. HÁ UM BOX COM OS 5 ÁLBUNS A PREÇOS POPULARES PELAÍ!!!! PROCUREM, E OBTENHAM!!! É MANDATÓRIO!!!!
A SONORIDADE DA BANDA TEM INFLUÊNCIA ENORME NO PÓS PUNK, PRINCIPALMENTE NA “DARK WAVE” E NO “GOTHIC ROCK”.
EM MINHA OPINIÃO, NÃO HAVERIA “THE CURE”, POR EXEMPLO, SEM A EXISTÊNCIA DOS “PRUNES”.
OUÇAM E CONSTATEM!!!
PROCUREM CONHECER. FOI BANDA QUE ACONTECEU, “MAS NUNCA EXISTIU DE VERDADE”.
POSTAGEM ORIGINAL: 31/08/2017
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ÁLBUNS CONCEITUAIS – OS INGLESES

PENSOU-SE QUE ERAM IDEIAS DOS 960/1970. MAS NÃO. OS DOIS PRIMEIROS DISCOS CONCEITUAIS, E QUE VÊM SENDO ASSIM CONSIDERADOS ENTRE COLECIONADORES, FORAM FEITOS NO FINAL DOS ANOS 1940, INÍCIO DOS 1950!
O PRIMEIRO DELES FOI DO MAESTRO E ARRANJADOR “GORDON JENKINS”, EM 1946, CHAMADO “MANHATTAN TOWER”. É UMA SEQUÊNCIA DE FAIXAS COMBINANDO JAZZ, MÚSICA POPULAR, BUZINAS DE CARROS, NARRATIVAS E DIÁLOGOS. FALA SOBRE UM CONJUNTO RESIDENCIAL, EM NOVA YORK, TIDO COMO ARQUITETURA MODERNISTA. O DISCO É INUSITADO E INOVADOR.
DEPOIS, O GRANDE CANTOR DE “JAZZ,” “MEL TORMÉ”, RETOMOU OUTRA COMPOSIÇÃO DE “JENKINS”, CHAMADA “CALIFORNIA SUITE”, TAMBÉM GRAVADA NAQUELE MESMO DISCO SEMINAL; E “TORMÉ” A EXPANDIU, EM 1956.
ESTES SÃO OS PIONEIROS.
NAS DÉCADAS DE 1960/70 A IDEIA FOI RETOMADA E CONFIRMADA, TAMBÉM NA INGLATERRA.
OS TRÊS PRINCIPAIS SÃO “SGT PEPPERS” DOS “BEATLES”; E “DAYS OF FUTURE PASSED”, DOS “MOODY BLUES”, LANÇADOS EM JULHO E NOVEMBRO DE 1967, RESPECTVAMENTE. E “TOMMY”, DO “THE WHO”, DE 1969, TAMBÉM; QUE É ATÉ HOJE VENDIDO COMO A PRIMEIRA “ÓPERA ROCK”, MESMO SENDO CONTESTADA PELOS “PRETTY THINGS” E SEU “S.F.SORROW”, LANÇADO EM 1968.
” TOMMY ” É CLÁSSICO ULTRA CONHECIDO; TEMA INSTIGANTE E ATUAL; É A SAGRAÇÃO DE UMA POTENTE METÁFORA: A DO GAROTO, SURDO, MUDO E CEGO, QUE SE TRANSFORMA EM CAMPEÃO DE “FLIPERAMA”, O ANTECEDOR DO VÍDEO-GAME”. É OBRA ANATECIPADORA DO QUE VEMOS E, HOJE, CONVIVEMOS! É SÓ OLAHR EM VOLTA. O DISCO É CHATO E GENIAL, SIMULTANEAMENTE.
“THE WHO” PRODUZIU MAIS OUTRO DISCO CONCEITUAL, “QUADROPHENIA”, 1972; HOJE SUBINDO NA CONSIDERAÇÃO DOS QUE A PERCEBEM COMO OBRA DEFINIDORA SOBRE A ERA “MOD” – QUE, VEZ POR OUTRA REVIVE, DESDE OS 1960.
MENOS FESTEJADOS, E TALVEZ BEM MAIS INTERESSANTES SÃO OS DOIS DISCOS CONCEITUAIS DOS “KINKS” :”THE VILLAGE GREEN PRESERVATION SOCIETY”. LANÇADO EM 1968, É SOBRE A ECOLOGIA E VIDA… MAIS “NATURAL” …; VISTA POR UM NARRADOR IRÔNICO E ÁCIDO. CLARAMENTE RAY DAVIES E SUA VERVE ALGO DISTANTE.
E HÁ, EM 1969, PRINCIPALMENTE, “ARTHUR, OR THE DECLINE AND FALL OF THE BRITISH EMPIRE”. ESTE SIM! VISÃO BEM HUMORADA E CORROSIVA SOBRE A HISTÓRIA INGLESA, SEU POVO, IDEOLOGIAS E MEDIOCRIDADES. RAY DAVIES É MAIS LETRISTA DO QUE PETER TOWNSHEND; MAIS INCISIVO E CONSCIENTE. MAIS PARA SOCIÓLOGOS E OUTROS PERSCRUTADORES DA VIDA SOCIAL!
EU TROUXE PRA FOTO MAIS OUTRO ÁLBUM… “UM TANTO QUANTO MEIO SOBRE…DIGAMOS… UM TANTO QUANTO”… É “THE STORY OF SIMON SIMOPATH”, DO “NIRVANA” INGLÊS! – SIM, EXISTIU! TAMBÉM FOI GRAVADO EM FINS DOS ANOS 1960. O SOM É ALGO MELOSO E POUCO CONVINCENTE; MESMO FERFEITAMENTE INSERIDO NO “ROCK PSICODÉLICO” DA ÉPOCA.
PROCURANTO, A GENTE SEMPRE ACHA MAIS COISAS E PROPOSTAS. E OS TEMPOS TRAZEM E REVIRAM AS CRIAÇÕES NA PERCEPÇÃO DA GENTE.
DEVE HAVER MAIS COISAS SOB AS CINZAS… BASTA ASSOPRAR.
POSTAGEM ORIGINAL: 31/08/2017
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JULIE LONDON – A DIVA BRANCA DA GRANDE CANÇÃO AMERICANA

Caso raro e exemplar. Mulher lindíssima começou como atriz e fez uns uns vinte filmes. Gostava e frequentava CLUBES DE JAZZ, no início dos anos 1950.
Mas, cantava só para os amigos. Tinha voz pequena, mas afinada, versátil, límpida e sensual. Ela foi incentivada por BOB TROUP, seu marido; músico e produtor, que percebeu o imenso talento potencial de JULIE.
É bom notar que falamos de 1956, onde a grande canção americana imperava. E além de BILLIE, ELLA, DINAH e SARAH, havia cantoras brancas de altíssimo nível.
E, também, um princípio de “revolução cultural” no jeito de cantar, que nos trouxe CHET BAKER, e a própria JULIE LONDON. E, no BRASIL, desembarcou em JOÃO GILBERTO, NARA LEÃO, CAETANO VELOSO e na imensa variedade de estilos e vozes que temos hoje.
JULIE LONDON era muito boa cantora. Gravou mais de trinta LONG PLAYS, e um monte de compactos ( SINGLES ) durante sua curta e sensacional carreira de uns 13 anos!
Ela fez sucesso de verdade, e seus discos são ótimos. Gravou dos clássicos da GRANDE CANÇÃO AMERICANA a COMPOSITORES SEUS CONTEMPORÂNEOS. Ousada e proficiente!
Na foto, estão 17 de seus LPS, e duas coletâneas de SINGLES. Todos são colecionáveis!
JULIE LONDON foi bela, sensualíssima, e com certeza inspiração para uma legião de onanistas frenéticos.
Raramente o visual correspondeu tão fielmente ao conteúdo das obras.
Comprem os discos dela. Principalmente para ouvir…
POSTAGEM ORIGINAL: 31/08/2024
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