GRAND FUNK RAILROAD – MARK, DON & MELL – 1972 – COLETÂNEA JAPONESA, LUXUOSA, E ÁLBUNS ORIGINAIS

Japonês é japonês – no singular soa melhor. São mais ortodoxos do que sexo papai-mamãe, e relançaram essa coletânea exatamente como a original: um resumo dos cinco primeiros LONG PLAYS.

Sem preliminares, e outros quitutes…Apenas doze músicas, todas relativamente longas. O primeiro disco tem 39 minutos, e o segundo 41. Claro, caberiam mais coisas. Daria para engrossar com faixas bônus dos 4 primeiros discos de estúdio, o que deixaria os fãs da banda mais satisfeitos ainda!

No mais, japonês é japonês!

O álbum duplo é produção que só os irmãozinhos de olhinhos puxados fazem! A bem da verdade, eles e também os alemães – aqueles grandalhões rústicos.

Os orientais são meticulosos, preciosistas; e oferecem produtos refinados, de altíssima qualidade gráfica, com poster, e letras em inglês e japonês. As capas internas são cópias das originais, com a reprodução de matérias de jornais da época.

Agora, e o texto? Bom, é só pra quem chama, Fumiko, Massataka, Kunio, Hiromi…, e lê e compreende o que está escrito. Japongagem como sempre se espera…

Chegou dia desses. Eu ainda não escutei pra valer. Mas, dou fé ao meu amigo Fábio Dean. Ele disse que a tecnologia MQA-CD x UHQCD = sei lá o que está escrito no adesivo que acompanha… é qualquer coisa de sensacional!!!

Aliás, já percebi! Saberei com mais profundidade.

Eu não sou muito “GRANDFUNKEIRO”, mas gosto muito do som rascante, pesado e genuinamente ROCK´N´ROLL dos caras.

Principalmente os três primeiros: ON TIME, GRAND FUNK RAILROAD, ambos de 1969; e CLOSER TO HOME, 1970 – o meu predileto da discografia inteira.

Estão também aqui na foto, o LIVE ALBUM, gravado em 1972, que tem uma de minhas capas prediletas em todos os tempos! E colige em show a fase inicial. E mais o SURVIVAL, incluído na coletânea, já que do período abrangido.

TIO SÉRGIO, aqui, estava entre os que achavam a banda rústica demais, para um tempo em que o ROCK PROGRESSIVO já estava botando os teclados e guitarras em outros contextos. Até THE WHO já não era mais o mesmo… Hummmm!

Tudo considerado, há décadas acho impossível gostar de ROCK e não ter e colecionar discos do GRAND FUNK RAILROAD.

Eles eram diferenciados, reconhecíveis a milhas de distância, e faziam som combinando HARD ROCK, BLUES, HEAVY METAL, FUNK… e aquela agressividade respingada pelo BLUE CHEER, o MC5 e os STOOGES, todos contemporâneos.

Sem o GRAND FUNK não haveria o KISS, nem o GUNS & ROSES; e quem sabe, nem RAMONES ou RED HOT CHILLI PEPPERS. Seria?

Resumindo, é o barulho branco odiado pela crítica e adorado pelos garotos e garotas daqueles tempos em diante…

Hoje, eu gosto e coleciono! E com muito prazer!
POSTAGEM: 26/04/2023

FAMILIAS HIME & MORELEMBAUM: COADJUVANTES DE LUXO DA MODERNA MÚSICA POPULAR BRASILEIRA

TALVEZ SEJA CRUEL E INJUSTO ESCREVER ISSO. MAS, HÁ UMA ELITE IMUTÁVEL NA MODERNA MÚSICA BRASILEIRA; UM QUASE LATIFÚNDIO INVOLUNTÁRIO DO BEM, QUE DOMINA GOSTOS, TENDÊNCIAS, PRESTÍGIO, E OS CORAÇÕES E MENTES.

ESTÃO NO PRIMEIRÍSSIMO TIME, E COM JUSTIÇA. HÁ QUATRO GÊNIOS IRREMOVÍVEIS QUE DEFINIRAM A MODERNIDADE NA MPB: TOM JOBIM, CHICO BUARQUE, CAETANO VELOSO E GILBERTO GIL. E SÃO QUASE SEIS DÉCADAS DE REINADO ABSOLUTO!

Há um magnífico restante que quase em mesmo nível: MILTON NASCIMENTO, EGBERTO GISMONTI, IVAN LINS, ROBERTO CARLOS, e você inclua talvez mais uma dezena de grandes nomes. São todos artistas de talento comprovado.

A turma nessa postagem compõe os coadjuvantes de luxo que, de um jeito ou de outro assessora, toca, cria e produz muito em função do primeiríssimo time.

FRANCIS HIME E JACQUES MORELEMBAUM são ligadíssimos à carreira de CHICO e TOM JOBIM, principalmente. Assim como suas respectivas mulheres, OLÍVIA HIME e PAULA MORELEMBAUM.

Não há problema algum que assim seja. E sobre as duas famílias cabem opiniões e preferências.

Hoje, eu fiz uma “razia” em minha coleção de MPB procurando excessos ou obras desfocadas do meu gosto, e de minhas preferências atuais.

Separei uns 40 discos que pretendo me desfazer. E fiquei surpreso com as escolhas que fiz! Por exemplo: ouvindo melhor a família HIME, resolvi manter dois discos de FRANCIS: ARQUITETURA DA FLOR e O TEMPO DA PALAVRA E DAS IMAGENS; fiz uma quase homenagem relutante…

Mas, vou mandar embora todos os que tenho de OLÍVIA HIME! Cinco. Ela é boa cantora mas, da mesma forma que o marido, canta de maneira soporífera, andamentos lentos e arranjos anódinos. Os discos do casal são, em geral, um tédio cósmico!!!

Os MORELEMBAUM têm mais talento, em minha opinião. As músicas são mais dinâmicas, criativas e aceitam algumas soluções que, para os mais ortodoxos, tangenciam a heresia.

Sem dizer de JACQUES MORELEMBAUM é músico mais completo do que FRANCIS HIME. Vou manter na coleção tudo o que tenho deles. Eu realmente gosto. Então, façam suas apostas ou xingamentos…
POSTAGEM ORIGINAL: 25/04/2021


DAVID BOWIE – STAGE – 1978 – SHOW ESPETACULAR!

Dia desses eu ouvi, por acaso, a versão de HEROES em alemão. Já conhecia, mas não havia dado conta de que é diferente da original. Mais pura e leve, palco sonoro mais bem distribuído, achei mais bonita.

RAUL SEIXAS se auto definiu como “metamorfose ambulante”. E era como ser humano e inquietude existencial. Mas, artisticamente falando, nenhum ídolo pop chegou ao vanguardismo e aos frequentes rompimentos com o passado artístico, como DAVID BOWIE.

O primeiro disco que tive dele foi ZIGGY STARDUST…, que hoje gosto ainda, principalmente de “Sufragette City”. Um ROCK portentoso.

Mas, àquela época, a figurinha delgada e algo patética saltitando no lusco-fusco andrógino com sua vozinha de cabra currada, não me agradava muito.

Pois bem, certo fim de tarde, em 1978, eu estava tomando uns chopes em um bar vazio, que se tornou da moda e, ao fundo, sobressaía um show ESPETACULAR, PROGRESSIVO, VANGUARDESCO! Fiquei totalmente tomado! Então, perguntei ao dono do bar o que era aquilo.

Resposta: DAVID BOWIE!

Pensei, pasmado: é impossível! E pedi para ver o disco. Resultado: o persegui como a ignorância persegue a inteligência até encontrá- lo!

O DISCO é inquietante e sensacional!

A banda exímia está integrada à perfeição, como fazem os alemães do KRAUTROCK, tendência a que o show, e toda a fase Berlim de BOWIE, se filiam.

E principalmente para o meu gosto, ele já estava em transição vocal para um timbre tenor/barítono e jeito da cantar à SCOTT WALKER. Que manteve até o final da carreira.

Tudo considerado, com o tempo DAVID tornou-se o meu artista predileto entre os grandes do ROCK.

Escutem. Colecionem.
POSTAGEM ORIGINAL: 24/04/2020

NEIL YOUNG – SERÁ QUE ELE VALE ALGUMA COISA?

LERAM O VERBETE? NÃO?!!!? NEIL YOUNG VENDEU, RECENTEMENTE, 50% DOS DIREITOS SOBRE SEU CATÁLOGO – PASSADO, CLARO – DE MÚSICAS E GRAVAÇÕES PARA UMA FIRMA DE INVESTIMENTOS, A HIPGNOSIS.…

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PURE BOSSA NOVA – “A VIEW ON THE MUSIC OF…” SÉRIE COM 12 CDS LANÇADOS PELA UNIVERSAL EM 2005.

Você gostou?

Eu “gostou”, também – mas em termos….

Quando foram lançados custavam uma “baba forte” em reais! Próximo de uma curra financeira! É coisa pra pescar “nossa gente” e a “gringolândia”, que já experimentava o final da “NEW WAVE BOSSANOVISTA” nas “estranjas”…ooops…

TIO SÉRGIO, o iconoclasta POP da terceira idade, rides again…

“Tudo muito bem; tudo muito bom…mas, realmente …, nos ensinou a “BLITZ,” na década de 1980, faltou algo mais que o chope e as batatas fritas.

É coleção com artistas da BOSSA NOVA e suas adjacências, provindos de várias gravadoras, como PHILIPS e a VERVE. Mas, para esse projeto foram juntados sob outro selo original, a MERCURY RECORDS. Já naquela época e até hoje estão todos sob controle da UNIVERSAL MUSIC.

São DOZE CDS, cada qual coligindo gravações de um artista importante, e nem sempre as mais conhecidas e, de certa maneira, garante um diferencial enriquecedor para o ouvinte não iniciante.

Estão aqui, e foram lançados separadamente, CARLOS LYRA, LÚCIO ALVES, NARA LEÃO, ANTONIO CARLOS JOBIM, SYLVIA TELLES, TAMBA TRIO, SERGIO MENDES, ROBERTO MENESCAL, WALTER WANDERLEY, OS CARIOCAS, E VINÍCIUS DE MORAES. E mais outro CD ‘MISCELÂNEA’, chamado “THE BEST OF BOSSA”, destacando canções de cada artista, algumas interpretadas por outros também conhecidos.

A produção gráfica é muito bonita. O Rio e sua enormidade sempre evidente, sexy e belo.

Há letras reproduzidas? Claro; e finalmente…

Mas, cadê os textos, as explicações e o contexto? Onde está o derramar orgástico dos devotos?

Nem um ” textículo ” para nos fecundar o cérebro e o espírito?

Estará bom pra você?

Pra mim, como bem sintetiza o meu amigo Silvio Dean, é pouco e veio algo tarde… Ainda assim, é colecionável, bonito e agradável de ter. E serve de complemento a outros discos na coleção de BOSSA NOVA.

Eles vão permanecer na discoteca.
POSTAGEM ORIGINAL: 23/04/2020PURE BOSSA NOVA –

THE PERFUMED GARDEN – COLETÂNEA BOX SET – 5 CDS. 83 RARIDADES DO UNDERGROUND INGLÊS – 1965 / 1973

Muito legal!

SINGLES obscuros e faixas de LPs desconhecidos de bandas com gente luminosa, tipo CARL PALMER, PHIL COLLINS, AYNSLEY DUNBAR… É, também, um vasto etc… de “NO ONE HIT WONDERS”.

Misto de cartilha e mapa da mina, com som de ótima qualidade técnica. Talvez o melhor possível. Tem BOOOOKLET contando a história geralmente breve de pequenas maravilhas perdidas no SUBMUNDO POP. E de gente que se deu melhor.

Vou citar poucos e CULTS: JULY; ERIC BURDON & THE ANIMALS; SYN; SMOKE; BIRDS; CRAIG, FLEUR DE LYS; BLONDE ON BLONDE; e até JOHN McLAUGHLIN!…

Você conhece a caterva?

A maioria não? Então, melhor ainda!

Há clones e inspirados por THE WHO, PINK FLOYD, BYRDS, STEPPENWOLF, YARDBIRDS… Multidão de bandas exterminadas pelo eterno “CORONAVÍRUS” que sempre assolou o POP. Tipo aquelas músicas legais que você ouviu, não esqueceu e perdeu a referência para sempre?

Podem estar por aqui.

De quebra, há produções de JIMY PAGE e muitos outros bem conhecidos.

Uma verdadeira XEPA do ROCK. É bom e talvez ainda barato.
POSTAGEM ORIGINAL: 23/04/2020

BUBBLEGUM, ROCK DE GARAGEM, BEATNICKS… E OS ENSINAMENTOS DE DOSTOIÉVSKI PARA ANTROPÓLOGOS E MUSEÓLOGOS

Para mim, parte da década de 1960 trouxe dias menos sombrios. Mesmo que imersos na DITADURA MILITAR.
Motivo?
Eu era jovem, perambulava entre a consciência política ainda não adequadamente despertada, e o interesse ascendente em coisas culturais. E a prospectar e colecionar discos de ROCK!
E, quanto mais difíceis e improváveis de conseguir melhor!
No início dos 1970, resolvi melhorar o meu inglês e comecei a procurar curso para fazer com seriedade.
Fui em duas escolas de referência, em São Paulo: a CULTURA INGLESA e a UNIÃO CULTURAL BRASIL – ESTADOS UNIDOS.
Assisti aulas promocionais em ambas. Escolhi a CULTURA INGLESA.
Pois bem, foi quando se deu o que vou descrever e, por consequência, a minha “inflexão” e posterior “reflexão” ética (nossa, TIO SÉRGIO, manera, fru – fru, manera!).
Eu tive em vinil a maioria dos discos da postagem. Todos são legais: Dos FUGS, grupo FOLK BEATNIK ALTERNATIVO, inaudível para os mais sensíveis; até os HUMAN BEINZ, PROTO-PASICODÉLICOS e dançantes, criadores, em 1968, de um dos maiores clássicos dos bailes, na década de 1960: Quem não ouviu ou não dançou NOBODY BUT ME, não foi jovem naqueles tempos!
Há, também, dois discos contidos no CD dos BUCKINGHAMS, excelente banda, gravados na COLUMBIA RECORDS, em 1967 e 1968. São pequenas joias POP; e a primeira intervenção de JAMES WILLIAN GUERCIO, produtor requintado, e o criador do “JAZZ – ROCK”, o antecessor da FUSION.
O que ele fez foi muito contestado na época, principalmente pelos JAZZISTAS e JAZÓFILOS mais clássicos. GUERCIO foi um inovador da linguagem musical POP; até hoje viva e sólida!
Com os BUCKINGHAMS, ele esboçou e produziu o que desenvolveu, depois, com o BLOOD, SWEAT & TEARS, e o CHICAGO TRANSIT AUTHORITY, dois sucessos retumbantes. Procure ouvir!!
Na contramão, há os SHADOWS OF KNIGHT e a CHOCOLATE WATCH BAND, bandas do mais perfeito ROCK DE GARAGEM da História!
Porém, dois LPS, aqui, foram alvo de salvamento da “extinção por maus tratos e tortura”:
“THE MUSIC EXPLOSION”, gravou um LP, e vários SINGLES: “A LITTLE BIT OF SOUL”, 1967, estourou! Curiosamente, o LADO B do , “I SEE THE LIGHT” é garageira radical e matadora. Eu, até hoje, de vez em quando escuto! Só que nem lembro como consegui o SINGLE!!!???! E lembro, também, do LONG PLAY, e conta a história do “salvamento” logo mais…
“THE MUSIC EXPLOSION” foi uma das invenções da dupla de empresários, JERRY KASSENTEZ e JEFFREY KATZ, que produziram e venderam como chicletes músicas comerciais dançáveis, do final dos 1960 até meados dos 1970.
Eles foram um dos criadores do chamado “BUBBLEGUM”, sub-gênero meio fake, festeiro e juvenil, que legou “artistas montados por encomenda”, que transitavam entre as bandas e projetos da dupla, e no entorno.
Ficaram quase famosos “1910 FRUITGUM COM” e “OHIO EXPRESS”, entre os vários e notórios frequentadores das trilhas sonoras dos bailinhos e paradas de sucesso da época. Gravaram muitos SINGLES. E o primeiro disco da “OHIO”, é pura garagem!!!
Certamente, o maior sucesso da era do BUBBLEGUM foram os ARCHIES, criados por “DON KIRSCHNER”, um concorrente forte.
Mas, “KASSENETZ & KATS” eram os caras! Depois, se envolveram em outras formas de ARTE POP, CINEMA, e etc…
Outro disco que “salvei” foi KICKS, com PAUL REVERE & THE RAIDERS, banda que andava mais ou menos por ali. Eram muito melhores, mais bem produzidos, e fizeram muito sucesso entre 1965 e 1972!
Transitavam do POP radiofônico ao ROCK DE GARAGEM, com tudo o que uma… digamos… “BOYS BAND DA PESADA” poderia fazer de melhor! Tinham imenso FAN CLUB, e um grande “TEEN IDOL” , MARK LINDSAY, nos vocais. Tocavam bem; e a sonoridade e produção da COLUMBIA RECORDS garantia o restante!
PAUL & RAIDERS gravaram mais de 30 SINGLES de sucesso, e alguns álbuns que ficam bem em qualquer coleção de BEAT e GARAGE ROCK. Está em KICKS, a cheia de pique CORVAIR BABY, que vale o disco.

Durante um mês eu frequentei a UNIÃO CULTURAL, mas “não a escolhi”.
Por lá, havia uma discoteca gerenciada por uma senhora que tratava os discos como o BOLSONARO trata os opositores; e LULA cuida da lógica.
Olhando a pequena estante, eu vi os dois LPs jogados, sujos, capas vilipendiadas; claramente manuseados com o desdém estúpido dos desinteressados. Para eles, eram lixos descartáveis…
Uma tarde houve o “descolamento e, ao mesmo tempo, o deslocamento” desses LPS daquela discoteca. Acho que por desmaterialização que só o CAPITÃO KIRK, da nave ENTERPRISE, fazia na época…
Naquele tempo não havia a “INTERNET DAS COISAS”…Acho que a combinação de magia e tecnologia fez os discos migrarem para a minha coleção…hummm!
Eu tratei bem deles. Foram lavados, curados, capas recompostas, entre atos de afeto diversos. Hoje, tenho quase certeza de que sobrevivem por aí.
O que leva aos ensinamentos da ARQUEOLOGIA, da ANTROPOLOGIA e de DOSTOIÉVSKI:
Um ANTROPÓLOGO americano respondeu a colega ARQUEÓLOGO mexicano, que lhe havia questionado sobre os “males do imperialismo, e o desvio das riquezas culturais de seu país…”
Ele simplesmente disse:
“Você está certo. Nós, e outros, tiramos daqui suas relíquias e as levamos para Museus. Foram, também, para coleções particulares metade do patrimônio arqueológico “removido”.
“Mas, eu pergunto: E com a outra metade, o que aconteceu?
E o professor mexicano respondeu:
“pois, é; perdeu-se ou foi destruída…”
E um grande problema ético se instalou:
Roubar, mas preservar. Ao invés vez de “respeitar” e perder um passado relevante e precioso? Uma escolha de Sofia?
Por muito tempo, senti-me um transgressor, pela materialização daqueles discos em outro lugar…
Depois, li CRIME E CASTIGO, de DOSTOIÉVSKI.
É sobre a racionalização de um crime hediondo cometido pelo personagem principal contra uma criatura nefasta e deletéria.
Com as devidas proporções consideradas, eu sou o RASKOLNIKOFF do colecionismo.
Eu e muita gente, né pessoal?
POSTAGEM ORIGINAL: 22/04/2022

BAILES E PARADAS DE SUCESSO, ALGUNS “BRANQUELOS” QUE DOMINARAM A CENA ENTRE 1966 E 1972.

Acho que fui a bailes e bailinhos até 1971. Foi rito de passagem obrigatório na minha geração. E não só nela, claro. Era o ponto de encontros e descobertas entre jovens meninos e meninas…

Aqui está parte dos artistas americanos branquelos mais frequentes em bailes por aqui, e também lá fora.

Alguns não vingaram no BRASL, mesmo sendo populares nas paradas do exterior:

FOUR SEASONS, por exemplo, foram enorme sucesso. Concorriam em prestígio com os BEACH BOYS que, aliás, em termos de vendas não chegavam aos pés deles!

Duas bandas de pouco sucesso no BRASIL, mas grandes vendedores de discos, e “Reis das rádios “AM” americanas, foram os GRASS ROOTS e os RASCALS. Os TURTLES nem tanto, mas “HAPPY TOGETHER” é tocada até hoje em rádios de OLDIES. E os COWSILLS, uma FAMILY BAND seguindo a trilha aberta pelo JACKSON FIVE, manteve o seu espaço com a linda “Sunshine Pop” “THE RAIN, THE PARK AND OTHER THINGS”.

No Brasil, não havia bailes ou bailinhos, sem MONY, MONY e CRIMSON AND CLOVER, gravadas por TOMMY JAMES AND THE SHONDELLS. Boa e popular banda, EXPLORADA pela Máfia italiana de Nova York, que ficava com a parte do leão do trabalho dos caras.

THE MAMAS & THE PAPAS rolavam muito com MONDAY, MONDAY; DEDICATED TO THE ONE I LOVE e CALIFORNIA DREAM…E também o excelente THE ASSOCIATION, criador das belíssimas CHERISH e NEVER MY LOVE. Ambos foram grupos famosos pelo VOCAL HARMÔNICO e PERFEITO!

E houve o CLASSICS IV, com TRACES e SPOOKY. E jamais faltavam músicas do CREEDENCE CLEARWATER REVIVAL, e de JOHNNY RIVERS. Além de outros, como BILL DEAL & THE RONDELLS, em “I’VE BEEN HURTED”; e “JUDY IN DISGUISE”, de JOHN FRED & HIS PLAYBOYS BAND. E o maior sucesso de todos, THE HUMAN BEINZ, com “NOBODY BUT ME”, marcou época e toca até hoje em “festinhas geriatricas”. Entravam, também alguns franceses e italianos, ainda fortes na audiência aqui do HOSPÍCIO DO SUL….

Ahhh, quase ia esquecendo a música pra “Roer Pescoço” da mulherada…. e o “Mela-Cuecas” supremo: “JE T’AIME”, com JANE BIRKIN e SERGE GAINSBOURGH. Era obrigatório! E havia o esperado set com o BREAD, e outras doçuras mortais para “melômanos diabéticos!

Vez por outra, rolavam coisas da JOVEM GUARDA, ROBERTO CARLOS, principalmente. E, eu ainda peguei RAY CONNIFF, JOHNNY MATHIS (PHODIS ?) e EARL GRANT sinônimos de música para dançar, naqueles tempos e um pouco antes…

Claro, baile nenhum dava certo sem a turma não americana, BEATLES e BEE GEES. Mas, se faltasse a inescapável VENUS, com os SHOCKING BLUES; ou coisas dos brasileiros “SUNDAY” não tinha festa! Então, podem ir lembrando aí…

Eu não trouxe para o salão a Música Negra, capítulo vasto e delicioso para ser tratado à parte. E não havia D.Js mais criativos intervindo na festa…

A música brasileira era muito pouco tocada em bailes, naquele tempo. Os jovens mais politizados se rebelaram politicamente contra a música estrangeira, que dominava parte significativa das programações nas rádios brasileiras. Um dos motivos foi a oposição à ditadura, tida como entreguista, também.

O SAMBA entrou pra valer na moda, por volta de 1970. Foi introduzido principalmente por universitários. O chamado “SAMBÃO”, bares especializados em samba e MPB ao vivo, para ouvir e dançar, “viralizaram” rapidamente. E se mantêm até hoje, em rodas e mesas de SAMBA, numa infinidade crescente de botecos pátrios.

O BRASIL prefere a MPB. É um dos poucos países onde a “música americana” não domina o mercado.

E ainda bem!

Um dado histórico curioso: na CONFERÊNCIA DE POTSDAN, reunião diplomática para decidir algumas regras no pós – Segunda Guerra Mundial, a delegação soviética protestou contra a expansão cultural dos ESTADOS UNIDOS no mundo.

Um diplomata disse claramente: “se a coisa continuar desse jeito, daqui uns tempos só vamos ouvir música americana nas rádios de nossos países!”

E não deu outra!
POSTAGEM ORIGINAL 22/04/2023

QUENTIN TARANTINO,”ERA UMA VEZ EM HOLLYWOOD”, CRÔNICA DAS DISTOPIAS E DISTORÇÕES DA DÉCADA DE 1960. E A TRILHA SONORA DO “LADO B” DA CULTURA AMERICANA

A discografia aqui postada é mínima perto do que aparece no filme, e para ser mais claro, em quase todo filme de TARANTINO. Porém é reluzente…

No atual, “ERA UMA VEZ EM HOLLYWOOD”, estão mais de trinta músicas. Há joias dos MAMAS & THE PAPAS, PAUL REVERE & THE RAIDERS, CLASSICS IV e CREEDENCE CLEARWATER. Vêm mescladas com HITS menores e onipresentes, mas quase desconhecidos fora dos E.U.A , como “THE ROYAL GUARDSMAN em “SNOOP X RED BARON; a versão esfuziante de “SUMMERTIME”, com BILLY STEWART; músicas dos BOX TOPS; e “BLACK IS BLACK”, grande sucesso internacional dos espanhóis LOS BRAVOS. Estão lá OHIO EXPRESS, clássicos do “BUBBLEGUM” MUSIC, e THE GRASS ROOTS…E até mais sofisticadas, tipo VANILLA FUDGE e THE ASSOCIATION.

Os interessados na contracultura precisam assistir ao filme de TARANTINO, que vez por outra rola nos canais H.B.O. É uma crônica do lado B dos tempos da “PAZ e AMOR”, na década de 1960. É surpreendente, muito instrutivo, sarcasticamente crítico! Imperdível!

O grande escritor inglês, GRAHAN GREENE, dizia que os americanos são interessantes porque capazes de cometer as maiores atrocidades com leveza e inocência na alma! Esta frase é um clássico em definição precisa. E qualquer indivíduo antenado neste mundo em eterno purgatório percebe isto.

As caras de “bolacha” dos americanos LEONARDO di CAPRIO e BRAD PITT, os atores principais, escondem a imensa disposição para perpetrar violências em legítima defesa, ou porque simplesmente foram provocados. Não há limite ou contenção.

É tipicamente americano, concordo com GREENE. E isto permeia as obras de SPIKE LEE e TARANTINO ( que sobrenome expressivo, heim…), por exemplo.

Mas, está nos filmes de BANG – BANG; sobre a MÁFIA; nos clássicos de guerras; em séries policiais; ou simplesmente nos conflitos juvenis, e nos tiroteios e massacres gratuitos nas escolas!

Pode-se comentar sobre pesquisas e criação de armas para destruição em massa; sempre realizadas em nome da ciência e das melhores causas e intenções. Ou lembrar dos Estados recalcitrantes que ainda aplicam a pena de morte…

A “AMÉRICA” é um país de competição, mesmo quando atenuada pela cooperação e o comunitário, também bases da construção da sociedade americana, segundo o filósofo ALEXIS DE TOCQUEVILLE.

QUENTIN TARANTINO nos revela um “Show Room Sociológico” que entrega o torpe e o sublime misturados em fascinação constante. Ele filma sobre isso. Mescla referências culturais, como a ideia de liberdade e autonomia do indivíduo, em roteiro recheado por metalinguagens, que vão de BRUCE LEE ao POP-ROCK; das rádios AM aos programas deTVs.

Mostra o clima e ambiente de gente em decadência na indústria cinematográfica.

Aborda a contracultura hippie desfigurada em simples vagabundagem; mas desaguando no líder de seita e assassino CHARLIE MANSON.

E nos recorda o cineasta ROMAN POLANSKY e sua vida sexual de completa falta de limites, usando usando como personagem SHARON TATE, mulher de ROMAN – que foi assassinada pela seita de MANSON, em 1969. Personagens e pessoas reais que viraram referência mundial dessa galopante metamorfose doentia.

A “Geleia Geral Cultural” flagrada pelo cineasta desvela o lado B americano. E, no filme, explode em violência exagerada pateticamente levada a extremos “cômicos”. Ou será que defender-se de alguém quase inoperante usando um lança-chamas, e depois tomando algumas com os vizinhos, pode ser considerado legítima defesa?

No contexto americano, lembrando GRAHAN GREENE, TARANTINO e SPIKE LEE, é perfeitamente possível.

Com o filme temos uma trilha sonora bastante original. O bom e o ruim lado a lado. Estão lá, também, o DEEP PURPLE psicodélico do final dos 1960; um HIT menor de NEIL DIAMOND; os ingleses CHAD AND JEREMY e JOE COCKER; a SOUL MUSIC de ARETHA FRANKLIN; e o FOLK REFINADO e COSMOPOLITA de SIMON AND GARFUNKEL.

Postei aqui um BOX mexicano barato, e meio TABAJARA, com 6 CDS abarcando o universo sonoro utilizado nos filmes de TARANTINO. Mas, quase nada neste filme…

É interessante, mas contém “tabajarices obscenas” , como versões das versões dos originais e outras raridades, descoladas sabe-se onde…

Para finalizar, dá pra escutar “BUFFY SAINT MARIE”, boa cantora FOLK, mas digamos uma sub-JUDY COLLINS. Ela canta versão famosa e deliciosa da belíssima “THE CIRCLE GAME”, de JONI MITCHELL.

Mas, depois de ouvir, a gente fica desconfiado, e com uma pulga de uns 2 quilos atrás da orelha: é que a conhecida “AQUARELA”, versão de TOQUINHO e VINÍCIUS DE MORAES para a música de um compositor francês, parece “inspirada” demais nela…

Será que fiquei intoxicado por TARANTINO e seu universo?
POSTAGEM ATUALIZADA DE ORIGINAL EM : 22/04/22

ELTON JOHN, THE ROCKET MAN! O NOME DELE É REGINALDO!

ASSISTI A “ROCKET MAN”, FILME SOBRE A VIDA E CARREIRA DE “ELTON JOHN”. GOSTEI!

NO FUNDO, É UM GRITO DE AUTO-LIBERTAÇÃO EXPONDO AS MAZELAS DE SUA CRIAÇÃO TRAUMATIZANTE, RELACIONAMENTOS COM OPORTUNISTAS, E OUTROS PERRENGUES DO VIVER. E SUAS MÚSICAS EMOLDURAM ESSA HISTÓRIA DE VIDA RICA, E DIFÍCIL.

O QUE HOUVE COM “ELTON” ACONTECE MUITO. LEMBREM-SE DE “ERIC CLAPTON” E DE “JOHN LENNON”: AMBOS NÃO TIVERAM O ACONCHEGO FAMILIAR DE CAETANO VELOSO OU MILTON NASCIMENTO, QUE FORAM CRIADOS COM AFETO. A FRIEZA INGLESA TAMBÉM AJUDOU A QUEBRAR O GAROTO SENSÍVEL E TALENTOSO.

HOUVE COISAS BOAS, TAMBÉM, CLARO. ELE É “SIR ELTON HERCULES JOHN”, TEM A ORDEM DO “DOS CAVALEIROS DO IMPÉRIO BRITÂNICO”, COMO VÁRIOS OUTROS, “TOM JONES” E “BRIAN MAY”, POR EXEMPLO.

E TORNOU-SE MERECIDAMENTE UM MILIONÁRIO, É ÓBVIO….

O FILME TEM ERROS E OMISSÕES. O NOME “ELTON JOHN” É A JUNÇÃO DE “ELTON DEAN”, JAZZISTA INGLÊS DE ALTO NIVEL; E O JOHN NÃO VEM DE LENNON, MAS DE “LONG JOHN BALDRY”, UM PIONEIRO DO R&B E DO BLUES INGLÊS. OS TRÊS ERAM AMIGOS.

FALTOU DIZER QUE “REG” É ÓTIMO CARÁTER E MUITO GENEROSO. SEUS AMIGOS CONFIRMAM.

AQUI ESTÁ UM EXCELENTE BOX ALEMÃO COM OS CINCO PRIMEIROS LONG PLAYS DE “ELTON JOHN”, LANÇADOS EM CDS. SÃO DISCOS RECONHECIDAMENTE IMPORTANTES, E MUITO BEM GRAVADOS E PRODUZIDOS; TÊM ALTO NÍVEL ARTISTICO-MUSICAL; GRÁFICO E TÉCNICO; E DÁ PRA OUVIR TUDO EM FIDELIDADE ABSOLUTA!

JUNTO NA FOTO, O DISCO DE “ELTON” COM “LEON RUSSELL”, EVENTO DA MELHOR MEMORABILIA EM MÚTUA HOMENAGEM ENTRE DOIS PIANISTAS FUNDAMENTAIS DA HISTÓRIA DO POP.

NÃO ESQUEÇAM: O NOME DELE É “REGINALDO”, “REGINALD KENNETH DWIGHT”; E QUEM CONSEGUIR O SINGLE DO “BLUESOLOGY” – QUE “APARECE” TOCANDO EM UMA CENA DO FILME, GANHA O “CHATINHO GARIMPADOR DE OURO”, PRÊMIO ALTERNATIVO INSTITUÍDO PELO “TIO SÉRGIO” PARA OS COLECIONADORES IGUALMENTE CHATINHOS – COMO ELE!

NÃO PERCAM!
TEXTO ORIGINAL: 19/04/2020