CRITÉRIOS PARA ANALISAR BOA OBRA POP/ROCK

Este é o melhor conjunto de critérios que conheço para analisar o que é uma boa música POP ou ROCK.

É uma tabela com vários critérios:

Na coluna vertical, à esquerda as características de cada música a ser analisada. Na horizontal, acima e no alto, as músicas e intérpretes.

Talvez seja algo mecânica. Mas, existem achados como ” se IRRITA OS ADULTOS”, se é “ESTÚPIDA””, “se é SUPERFICIAL” e um impagável: ARTSY-FARTSY: algo tipo “PEIDA ARTE” .

Peguem os exemplos e orientem suas análises. E depois apliquem para coisas mais atuais.

Fica bem interessante!

POSTAGEM ORIGINAL: 14/02/2017

THE BEATLES – WHITE ÁLBUM – REMIX 2018

Gostei muito da nova mixagem feita por GILES MARTIN, filho de GEORGE MARTIN, que produziu originalmente o disco, em 1968.

O espaço entre os instrumentos, o recorte, a intenção dos artistas, e a nitidez sonora deram vida nova ao disco que, para o meu gosto, ainda é obra menor na discografia dos BEATLES.

Mesmo assim, é obra perfeitamente identificável com a PSICODELIA , naquela época já no entardecer, mas em transição para o ROCK PROGRESSIVO.

É bom notar que o WHITE ALBUM é o sucessor temporal, mas não estilístico, do SGT PEPPERS. Este, sim, um marco do ROCK PSICODÉLICO e, para muitos, o melhor disco POP todos os tempos.

Observem, também, que naqueles tempos já havia obras mais avançadas em experimentação, como THE PIPER AT THE GATES OF DAWN, ou A SAUCERFULL OF SECRETS, ambos do PINK FLOYD E outros diversos trazendo novidades, incluindo o CREAM, HENDRIX, MOODY BLUES, PROCOL HARUM, JEFFERSON AIRPLANE, e algum etc…

Em todos há propostas sonoras e artísticas além do que fizeram os BEATLES no WHITE ALBUM.

O disco é agradável. No entanto, para quem estava em luta para manter a hegemonia da VANGUARDA POP, soa como estático para os standards no primeiro time.

Seja como for, a reconstrução melhorou muito o disco original, e é legal de se ter na coleção.

Não percam!
postagem original: 16/02/2019

BRASILIANA – UMA PROPOSTA PARA COLECIONAR DISCOS

Venho tentando vender este peixe saboroso há um tempão!

Vou explicar: Há incontáveis maneiras e multifacetadas formas de entender, organizar ou simplesmente praticar uma coleção de discos.

Em todo canto deste mundo ímpio tem gente observando, gostando, levando música a sério. Enfim, gente que pode ou poderia estar por aqui entre nós.

Então, mostrar o que se gosta e se conhece e tem, não é prazer exibicionista e narcisista. Em minha opinião, vai além. É jeito de compartilhar, identificar-se com mais pessoas e ideias, mesmo as não exatamente em linha ao que prezamos.

Nos EUA, e por decorrência no mundo inteiro, há colecionadores e juntadores para quaisquer gêneros. Dos macro – temas tipo BLACK MUSIC, ou ROCK, COUNTRY, ou CLÁSSICOS em suas variadas opções. E, mais recentemente, surgiu um subtema curioso: AMERICANA!

Mas, tio SÉRGIO, WHAT HELL ( PORRA, em inglês castiço ) IT`S THIS?

É perscrutar e descobrir e colecionar o que é genuinamente americano. Quase autóctone. É circunscrever artistas, músicos e ideias que estejam intimamente ligados ao jeito americano médio de ver o próprio país, cultura e o mundo.

Uma observação não racista, mesmo que pareça: a imensa maioria de músicos e bandas que se adequariam a isto é composta por BRANCOS!

E por que, tio SÉRGIO?

Porque a música negra já está organizada, há tempos, em vários escaninhos da BLACK MUSIC: vai do JAZZ ORIGINAL ao BLUES, SOUL, RAP, R&B, e diversas formas de POP-ROCK.

Então, o que fazem os caras? Identificam os autênticos e seminais, como exemplos: ELVIS, BILL HALLEY, JOHNNY CASH, BRUCE SPRINGSTEEN, e pletora enorme e variada.

Eu vivo insistindo para os que gostam da MPB tentar montar uma BRASILIANA.

E aí, tio SÉRGIO, o que entraria nesse clube?

Turma quase infinita. Porém, só aqueles que fazem MÚSICA BRASILEIRA AUTÊNTICA. Não necessariamente de raiz; a mais pura, incluindo também, a mais moderna possível!

É preciso faro e observação.

Eu colocaria o CHICO BUARQUE, ZECA PAGODINHO, JOÃO BOSCO, ALDIR BLANC, SAMBISTAS DE MORRO, OS CAIPIRAS AUTÊNTICOS, tipo ALMIR SATER E RENATO TEIXEIRA. E PAULINHO DA VIOLA, e os que publiquei aqui, se não cometi heresias.

É óbvio, sempre restará pontos contestáveis. Muitos, inúmeros, e cada um descobrirá, incluirá, excluirá. É HOBBY pra gente meticulosa, exigente talvez. E, quem sabe, chata….

Por contraste, não entrariam nesta coleção TOM JOBIM, e nem CAETANO, GIL, MILTON NASCIMENTO, EGBERTO GISMONTI, SERGIO MENDES ou EUMIR DEODATO, e a imensa maioria dos novos da MPB.

E por motivo ululante: são todos impregnados por FUSÕES diversas entre o brasileiro e o que rola mundo afora. E nem pense em qualquer ROCK.

E o RAP? De maneira nenhuma! Pois transcrições quase literais do inventado por pretos americanos. Portanto, nesse ônibus embarcam músicas e artistas longe da FUSION, ou qualquer influência estrangeira.

É duro. Seria limitado ou infinito?

Depende de gosto, visão, e talento para conceber. Sempre!

Teria graça fazer isso? E como cada um faria? Eu tenho curiosidade em saber.

De minha parte, jamais construiria uma coleção limitada por tais princípios. Eu vivo nos limites e nas bordas, portanto o raiz e o essencialmente autêntico moram em cantinhos pequenos de minhas estantes.

E você?
Texto original: 11/02/2021

MPBI – MÚSICA POPULAR BRASILEIRA INSTRUMENTAL

Eu gosto muito e compro sempre. Os nossos músicos são de primeiro time. A maioria mantém aquela relação direta com a MPB, mas de tal maneira multifacetada e expandida, que raramente se esbarram ou se copiam. É gente competente e artisticamente original!

Por absurdo que pareça – mas, não é – a crise das maiores gravadoras abriu espaço para os novos. Ficou mais barato produzir por conta própria e aparecer.

Por difícil que seja – e é! – o nivelamento pelo alto entre todos eles faz despontar gente muito interessante.

Talvez não apareça um sucesso estonteante. Mas, certamente carreiras estão sendo forjadas. E o tempo e produção de cada qual vai enriquecer o futuro artístico do BRASIL.

Posto alguns CD que tenho de épocas variadas.

Recomendo em bloco, mesmo destacando:

CHET BAKER com o pianista brasileiro RICK PANTOJA é um clássico do colecionismo e a da integração jazz com um toque de MPB.

GIS BRANCO é o duo de pianistas formado e batizado pelos sobrenomes das moças: BIANCA GISMONTI – claro, filha de EGBERTO; e CLAUDIA CASTELO BRANCO. Gosto muito. Fizeram outros discos; e BIANCA montou um trio JAZZY/MPB e vai caminhando…

Há OS CINCO-PADOS, em disco raro; e o de BOSSA 3; e, também, EUMIR DEODATO e os CATEDRÁTICOS, fase do mestre anterior à sua consagração internacional. Os três discos são focados em BOSSA NOVA.

Mais recentes e modernos, os grandes GILSON PERANZZETTA, pianista, e MAURO SENISE, no sax. E “O QUINTETO” do saxofonista TECO CARDOSO e da flautista LEA FREIRE.

Mais próximos à VANGUARDA o violonista HENRIQUE LISSOVSKI, indicado e premiado por PHILIP CATHERINE, em concurso internacional. Ele vem acompanhado por MAURO SENISE, ROBERTINHO SILVA e outros, fazendo SAMBA JAZZ atualizado.

E, o ponto final fica para o ÂMAGO TRIO. É gente nova e alguns convidados muito além do especial: CELIO BARROS, TONINHO FERRAGUTTI, MÔNICA SALMASO, TECO…

Tio SÉRGIO quer significar para vocês o quanto é sofisticada a grande música instrumental brasileira!

Ouçam, curtam.
Publicação original: 10/02/2019

CAMINHAR CONTRA O VENTO, A CHUVA, E O ÓBVIO

Tarde bela, mas sentimentos algo mórbidos passam em FLASH BACK pela memória.

Não adiantou HUMBLE PIE, JIMMY WITHERSPOON, e um PROGRESSIVO que não tenho, ainda, a menor ideia do que seja: BORDERLINE, em “Sweet Dreams and Quiet Desires”… Do you?

E peguei a “clássica” Country Rocker / Rockabillier BRENDA LEE, em excepcional CD com 36 faixas da série ROCKS. Em seguida, uma das miscelâneas de DOO WOOP – vocês sabem o que é? Qualquer hora eu escrevo a respeito – da coleção STREET CORNER SYMPHONIES. E ali tem de tudo: de SHIRELLES, a FOUR SEASONS, IMPRESSIONS, DRIFTERS, TEMPTATIONS, SUPREMES, aos ISLEY BROTHERS; e ambos discos lançados pela incomparável BEAR FAMILY RECORDS!

Desfilaram também, pela “VITROLA”, o grande maestro PIERRE BOULEZ regendo THE PERFECT STRANGERS composta por FRANK ZAPPA, em lançamento de 1984… De fato, é uma luz sobre a inteligibilidade possível para a obra iconoclasta e criativa de ZAPPA.

Escutei, mesmo, foi o último do DAVID BOWIE, “STARS”. Disco terminal pós “THE NEXT DAY”, portanto, o “DERRADEIRO ÚLTIMO” do gênio peripatético-mutante-transeunte -“PERMANECENTE”… Opa!!!! criei neologismo!!!!

Como eu nunca digo, “QUANDO O CORPO JAZ É NADA JAZZ”. E, como prefere um amigo, “O VELÓRIO É A ÚLTIMA HUMILHAÇÃO” a que quase todos nos submeteremos”.

É fato, e acho inevitável, porque rito de passagem obrigatório “para os que ficam”. Prometo ouvir melhor, mais…amiúde… Mas, não tenho clima para tanta coragem que o BOWIE exala e certifica….

Sem pressa, dona Vida. Vá mais devagar!

Eu jamais disse, mas confirmo: “A VIDA É UM SEGMENTO DE RETA, COM TRILHA SONORA OSCILANDO DE LOU REED a ROBERTO MENESCAL. Vivemos passeando no “WILD SIDE”. E o “BARQUINHO” vai singrando do ritmo em BOSSA NOVA, ao THRASH METAL e HARD CORE”. O LOU eu trouxe para cá em disco algo … algo… algo… ah! qualquer hora escuto melhor….E terminei com BILL EVANS, que não tem erro, com algumas exceções meio fora de foco que perpetrou.

Foi tudo feito meio fora dos orifícios sexuais legitimados. Quer dizer, ouvi meio nas coxas…

Então, ofereço um chopinho por conta de cada um de vocês. E, em vez do viva!, “VIVAM”!

O carnaval é metáfora algo restrita para o que viver realmente implica…
Texto original 09/02/2024

DAVID BOWIE E A MORTE: O PÉRIPLO RUMO AO FIM

CAZUZA definhou em praça pública; FREDDIE MERCURY em casa, e DAVID BOWIE no estúdio.

Três artistas corajosos, ousados e três atitudes reveladoras.

É muito comum. O fluxo da vida é interrompido, vem o choque e a espera pela inexorável hora de acabar. Tudo estanca e a nave aponta para o derradeiro pouso. Câncer no fígado é difícil…

BOWIE revelou um desprendimento e uma coragem que boa parte de nós duvidaria. Foi até o final, e deixou dois álbuns feitos no período de luta e perda.

Já cansado, voz sem força, mas a determinação de sempre para estender a vida até o seu limite. ENCAROU A MORTE, VITÓRIA DA VIDA…E acabou no ESTÚDIO.

Depois, viajou para LONDRES, reviu sua origem e caminhou para o adeus. PÉRIPLO CONSCIENTE PARA O APOGEU CONSTRUÍDO POR LIBERDADE PESSOAL ABSOLUTA, certezas cultivadas e, talvez, a melhor obra entre seus pares mais famosos no mundo POP-ROCK-OUSADIA.

Estive escutando e gostando de uma versão mais sofisticada de seu penúltimo disco: “THE NEXT DAY”. Faixas bônus de montão, portanto trabalho pra valer. Tudo muito bom, tudo muito Bowie. E, principalmente, tudo gloriosamente humano.

DAVID BOWIE: IMENSO, OUSADO E INSUBSTITUÍVEL!

Texto original 09/02/2019

LAMONT DOZIER – INSIDE SEDUCTION – 1991

COM ERIC CLAPTON E PHIL COLLINS

 

LAMONT DOZIER era parte do trio que levantou a MOTOWN RECORDS, na década de 1960, escrevendo e, no caso dele, arranjando para artistas como “THE SUPREMES”, “FOUR TOPS”, “ISLEY BROTHERS”, entre incontáveis .

Ele conhece por dentro SOUL, R&B, e tudo o que se refere a fazer música negra de sucesso, como prova a grife HOLLAND – DOZIER – HOLLAND, a base do MOTOWN SOUND.

Nesse disco, LAMONT trouxe dois amigos e fãs para ajudar. CLAPTON na guitarra – é óbvio! – e PHIL COLLINS na bateria. O restante foi com ele mesmo: teclados eletrônicos em profusão.

E o problema é precisamente esse. Tentou de alguma forma atualizar sua “griffe”…

Publiquei o disco porque exemplo típico do pior, mais irritante e brega foi feito nos anos 1980/1990, com SINTETIZADORES e PARAFERNÁLIA ELETRÔNICA. Acho que não ornou, digamos assim…

Músicas e arranjos melosos a ponto de levar diabéticos ao coma. E feito quando a eletrônica já estava sendo mais bem utilizada. É disco datado, mesmo que “COLECIONÁVEL “.

E quanto a CLAPTON e COLLINS? O trivial.

Ouçam e constatem.

Ou, não?
texto original: 09/02/2020

 

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ERIC CLAPTON, DAVE BROCK & HAWKWIND LIVE – NOVEMBRO 2019

Quanto mais rezamos, mais despertamos fantasmas que nos habitam. E isso é muito bom!

E ficou melhor ainda quando ERIC CLAPTON subiu ao palco do ROYAL ALBERT HALL, em Londres, para tocar em show comemorativo de 50 anos do HAWKWIND!

Era para ele ter feito duas ou três músicas, mas permaneceu o CONCERTO inteiro por iniciativa própria. Pode significar que está melhorando da doença degenerativa que o impedia de andar normalmente e tocar guitarra.

Graças ao universo e suas divindades; à medicina, aos médicos; e à torcida organizada urbi et orbi! ERIC merece e nós precisamos!

Mas, dirão vocês e o TIO SÉRGIO concordará: “WHAT PORRA WAS THAT?” Tocar com HAWKWIND?

Precisamente, madames e cavalheiros: CLAPTON e DAVE BROCK são amigos desde os anos 1960. São amantes do BLUES.

Aliás, é a simplicidade formal do BLUES que orienta a pauleira brava do HAWKWIND. Um compósito MÚSICA AMBIENTE, KRAUTROCK, e ROCK PROGRESSIVO algo meio MOODY BLUES, nesta poção mágica pesada e inusitada conhecida por SPACE ROCK.

O HAWKWIND está e permanece na área junto com os 78 anos de DAVE BROCK, na época! A banda é, também, ponto de encontro da modernidade pesada do ROCK. Jamais esqueçam que O MOTORHEAD saiu dali. O PROTO-PUNK METAL do trio é fatia indigesta desse bolo sonoro. LEMMY KILMINSTER tocou por 4 anos no “WIND”, antes de partir para a gandaia total…

E onde entrou CLAPTON no enredo? Nos slides de guitarra e HARD BLUES de base da banda. Foi certamente inesquecível ver ERIC solando “ASSAULT AND BATTERY”, e outras iconoclastias. Uma festa de RITMOS, ELETRÔNICA e ROCK PESADO.

LEMMY deve ter gostado. E o público, disseram os críticos, amou! Mas, faltamos eu, vocês e uns PINTS de cerveja naquela noite talvez histórica!
Texto original: 08/02/2020

MILES DAVIS – BLACK BEAUTY – 1970

O disco foi gravado AO VIVO no FILLMORE WEST, em São Francisco, o “planetário” do ROCK PSICODÉLICO e PROGRESSIVO do início dos anos 1970.

E traz MILES DAVIS acompanhado por CHICK COREA nos teclado; DAVID HOLLAND tocando baixo; JACK De JOHNETTE, baterista; STEVE GROSSMAN, sax soprano; e o brasileiro AIRTO MOREIRA, na percussão.

É JAZZ FUSION ELÉTRICO da melhor qualidade, e bem no clima dos grandes concertos de bandas americanas de ROCK PROGRESSIVO PSICODÉLICO, como o GRATEFUL DEAD, JEFFERSON AIRPLANE, CHASE, MADURA e outras daqueles tempos.

É o MILES da fase BITCHES BREW “ENROQUECENDO” o “FREE JAZZ” e as experimentações de vanguarda.

Como de hábito, é um show de bola com músicos em via de consagração. Alguns por aí ainda hoje!

Os que acusaram o JAZZ de haver decaído, não se deram conta do quanto o ROCK se sofisticara e evoluíra!

Hoje, fusões de todos os tipos são o MAINSTREAM do POP. Só que MILES DAVIS é vanguarda em quaisquer de suas fases, e em qualquer tempo, C.Q.D…

Não percam, este álbum faz parte de alguns ” quase piratas ” do imenso acervo que a COLUMBIA RECORDS preserva, e foi lançando no decorrer dos tempos…
postagem original em 05/02/2019

MILES DAVIS – DARK MAGUS – 1974

Esse disco é a base do concerto que MILES DAVIS e banda fizeram quando passaram pelo Brasil pela segunda vez, em 1974.

Eu estava lá, no TEATRO MUNICIPAL DE SÃO PAULO, e vi aquele gênio original, ousado e vanguardista, tocando seu TROMPETE acoplado a uma pedaleira de guitarra, wah-wah, eco e tudo o que a tecnologia da época permitia!

Devastador!

Para um rocker como eu e amigos que estavam lá comigo, foi um bacanal sonoro iconoclasta.

Na metade da apresentação houve intervalo; e os mais velhos se retiraram protestando. Não era o MILES que por aqui estivera em fins dos anos 1950!

Ao contrário, havia aderido ao JAZZ FUSION. E trouxe uma banda jovem, com 3 guitarristas, baixo, bateria, dois percussionistas, e mais dois nos sopros. Foi tamanco sem couro: pau puro!

Quanto chegamos ao MUNICIPAL passamos por um preto magrinho e COOL, usando enorme echarpe; e postado nas escadarias fora do teatro. Era MILES DAVIS observando as potenciais vítimas ou futuros e reverentes cultores.

O que fizeram MILES e músicos é vanguarda até hoje, passados perto de 50 anos! Música livre, entrosada, mas sem roteiro muito definido. Na prática, um ROCK DA PESADA e sem piedade ou concessões. O concerto abalou o conservador, histórico e recatado principal teatro da cidade!

O repertório saiu pela primeira vez em disco no Japão, nos anos 1990 do século passado, após a morte de MILES DAVIS, em 1991. Depois, uma avalanche de discos inéditos, shows e vasto escambau foi despejado mundo afora!

Eu calculo que mais de 120 discos/CDs foram lançados ou relançados. Uma universidade sonora para estudo e curtição dos fãs, e todo o mundo.

Na edição limitada acima, o saxofonista e flautista DAVID LIEBMAN, que estava na banda, escreve um livreto expondo como o trabalho e os arranjos foram organizados.

Ele cita a criatividade, conhecimento musical e intuição de MILES DAVIS para fazer tocar a enorme máquina sonora que forjou. MILES dava organicidade ao caos domando a liberdade dos jovens músicos da banda.

Mas, não é disco para todos. É duro, multirrítmico, percussivo, e mescla o FREE JAZZ ao FUNK, algo entre SUN RA, JAMES BROWN e SLY & THE FAMILY STONE, em cima de um sub-reptício e recorrente ROCK (JAZZ?) MINIMALISTA.

E, claro, há os sopros, madeiras e metais, também nada convencionais. A começar por DAVIS, e sua engenhoca barulhenta: um trompete soando a galáxias do BE-BOP e de qualquer racionalidade tradicional!

Como disse um integrante da banda, à época, “MILES IS MILES AND MILES AWAY!” Um vulcão arrasador!

Verifique – se aguentar ou duvidar!!!! É para joviais e inconformistas. E, principalmente, para os que não perderam o humor e a curiosidade.
Original publicado em 04/02/2019