BATERISTAS: DOIS MÚSICOS IMENSOS!!! EARL PALMER E BILLY HIGGINS!!!

 

São contemporâneos, estiveram no auge mais ou menos ao mesmo tempo. E não poderiam ser tão diferentes um do outro!

EARL PALMER, nasceu em 1924 e morreu em 2008. Foi o primeiro músico de estúdio a entrar para o ROCK AND ROLL HALL OF FAME, em 2000. Um honra enorme!

A sua noção de ritmo, drive, tempo e andamento eram magistrais! Usava um kit de bateria de poucos componentes, e os dominava à perfeição. Fez parte do histórico WRECKING CREW, grupo meio mutante de músicos de estúdio que dominou o cenário POP da costa leste americana, à partir do início dos anos 1960…

Por lá passaram LEON RUSSELL, GLEN CAMPBELL, NEIL DIAMOND, CAROL KAYE e outros que sabiam tocar de verdade.

Há um vídeo de PALMER com a grande baixista CAROL KEYE, os dois ensaiando no estúdio e combinando como fazer atuar em uma gravação. É uma aula de “DRUM AND BASS”… ooopppsss, estou antecipando o futuro em algum tempo… Ali se percebe a leveza da batida de EARL combinada com o “PUNCH” de CAROL!!!!

Os dois tocaram com com Deus, Shiva, e todo mundo . Ela fez mais de dez mil sessões de gravação, e ele certamente outro tanto.

Vou citar alguns poucos entre os artistas que PALMER acompanhou, sem mencionar a longa lista de CLÁSSICOS e HITS em que participou: FRANK SINATRA, DUANE EDDY, BOB VEE, JULIE LONDON, RICK NELSON, THE BYRDS, MAMA´S AND THE PAPAS, BEACH BOYS, NEIL YOUNG, TOM WAITS, B.B.KING, SUPREMES, IKE AND TINA TURNER, ELVIS COSTELLO, DR. JOHN, RAY CHARLES…

Ele também está em versão de LOU RAWLS fazendo “GAROTA DE IPANEMA”. E em “YOU´VE LOST THAT LOVIN FEELING”, dos RIGHTEOUS BROTHERS; e “SUMMERTIME BLUES”, de EDDIE COCHRAN, clássicos supremos. Além de incontáveis gravações com a turma do JAZZ!!!

Para os BYRDMANÍACOS, há um REMIX fantástico de GENE CLARK na lindíssima “THE SAME ONE”, acompanhado por PALMER, LEON RUSSELL, e GLEN CAMPBELL. É imperdível!

EARL PALMER era a precisão incorporada, estilizada e aplicada. O baterista craque supremo nas gravações de POP, ROCK e R&B de sua época.

É possível argumentar que BILLY HIGGINS tenha sido o “inverso”, artisticamente falando, de EARL PALMER. Ele foi um dos criadores do idioma da BATERIA no JAZZ EXPERIMENTAL, NO FREE e na AVANT GARDE.

O grande clássico de ORNETTE COLEMAN e outros, “FREE JAZZ”, de 1961, tem HIGGINS em uma das baterias. Ele tocava com muito SWING, batida precisa, e capacidade de interagir de maneira complexa com os solistas.

Músico sofisticado, ele deu aulas na UNIVERSIDADE DA CALIFÓRNIA. Participou em mais de 700 sessões de gravação, e foi um dos mais ocupado músico de seu tempo. Sabia acompanhou do HARD BOP ao POST BOP.

O portfólio gravado em que BILLY participou inclui DONALD BYRD, DEXTER GORDON, GRANT GREEN, HERBIE HANCOCK, THELONIOUS MONK, JOE HENDERSON, MAL WALDRON, e muita gente da BLUE NOTE RECORDS.

E, também, PAT METHENY, JOSHUA REDMAN, TONINHO HORTA, e o compositor vanguardista meio maluquete LaMONTE YOUNG.

Aqui estão dois LPs solo que o TIO SÉRGIO descolou a preços em torno dos $ 13 BIDENS, cada. Uns de 70 MANDACARUS, entregues na porta de casa:

THE SOLDIER, é onde BILLIE HIGGINS expõe sua classe, técnica e verve. E, “DRUMSVILLE” é o disco onde PALMER faz versões de CLÁSSICOS em participou das gravações originais. Fica nítida a sua veia para o POP.

São duas pedradas muito bem arremessadas! Procure no YOUTUBE.

EARL PALMER e BILLY HIGGINS foram dois monumentos extra-classe em seus instrumentos, a serviço da melhor música popular produzida em seus tempo!

Arrisque!
Publicação original 03/03/2024

RENATO TEIXEIRA & ALMIR SATER: E A MÚSICA BRASILEIRA CAIPIRA DE RAIZ

Certa vez, o GLOBO RURAL, ótimo jornal da TV GLOBO sobre pecuária, agricultura e coisas do campo, fez matéria sensacional, aproveitando o cantor e compositor RENATO TEIXEIRA.

Foi um primor TÉCNICO, ARTÍSTICO e JORNALÍSTICO, realizado pelo veteraníssimo repórter HAMILTON RIBEIRO, profissional ícone da imprensa brasileira, ex-correspondente de guerra que perdeu a perna pisando em mina, no VIETNÃ, em 1968, quando cobria o conflito pela revista “REALIDADE”.

HAMILTON levou RENATO TEIXEIRA para um giro na região de PIRAPORA do BOM JESUS, em São Paulo. E passaram por diversas cidades, filmadas na essência CAIPIRA do interior do Estado.

O texto intercalava citações da clássica “ROMARIA”, gravada por sabe-se lá quantos, mas consagrada na voz de ELIS REGINA, revelando a unidade entre poesia, imagem e sabedoria popular de um jeito emocionante, preciso.

Raras vezes se viu a exposição de alma da gente simples de nosso interior com tanta profundidade, compreensão e humanismo, e ainda conjugados e transmitidos em apenas DEZ minutos!

Para complementar, a revista VEJA também publicou resenha elogiosa sobre o último disco de RENATO TEIXEIRA em parceria com ALMIR SATER. E mais uma vez constatou o óbvio: RENATO escreve soberbamente e compõe a melhor MÚSICA RURAL, CAIPIRA e, vá lá, eu concedo, SERTANEJA! – a definição errada que pegou.

Eu sou insuspeito para escrever sobre isto e dizer para vocês assistirem ao programa no NETFLIX ou GLOBOPLAY (é esse o nome?) . E, claro, lerem a matéria da VEJA.

Digo, também, para vocês comprarem o disco dos caras.

Não é a minha praia, mas poucas vezes fiquei tão comovido e admirado.

RENATO TEIXEIRA está entre os grandes de PINDORAMA!
POSTAGEM ORIGINAL 03/03/2021

R. I. O: “ROCK IN OPOSITION”

MAIS ESTA AGORA? POIS É, FAZ ALGUM TEMPO TROUXERAM ESTA DEFINIÇÃO PARA UM MONTÃO DE COISAS DIVERSAS. AARTISTAS, BANDAS MAIS OU MENOS NÃO DEFINÍVEIS COM TANTA PUREZA OU CRITÉRIOS. NO FUNDO, TALVEZ MAIS UM ESTADO DE ESPÍRITO, OU DE ATITUDES DO QUE OUTRA COISA QUALQUER.O PERCURSO É IMENSO: DE PUNKS NÃO AJUSTÁVEIS, A ROCKS EM SUBGÊNEROS ALGO EXPERIMENTAIS, MAS SEMPRE DESCONFORTÁVEIS PERTO DE OUTROS CONTEMPORÂNEOS. DIFÍCIL EXPLICAR?LÁ FORA, BANDAS OBSCURAS COMO “VOX LUMANIA”, PUNKS COMO “LYDIA LUNCH”, E QUASE PROGRESSIVOS COMO ESSE AMÁLGAMA DE CRAQUES: “FRENCH, FRITH, KAISER &THOMPSON”, HENRY COW…E, TAMBÉM, O FOLK ALERNATIVO DAS “UNTHANKS”, QUE GRAVARAM UM SHOW COM MÚSICAS DE “R.I.O.S” CELEBRADOS ( VELADOS ?) COMO ROBERT WYATT E ANTHONY HEGARTY.E, NO BRASIL? SIM, CLARO! WALTER FRANCO? ITAMAR ASSUMPÇÃO, MAE EAST, ARRIGO BARNABÉ E MEU RECÔNDITO VISÍVEL AMIGOAyrton Mugnaini Jr.. ACHO QUE DEFINI O FENÔMENO.EU RIO, TAMBÉM!!!!ENTÃO, VOU TOMAR A LIBERDADE DE JUNTAR COMENTÁRIOS PERTINENTES DE AMIGOS POR AQUI:

 

GUSTAVO LANDIM: RIO pode até ter sido aplicado como rótulo a muita coisa. Mas surgiu para classificar bandas que faziam um rock próximo ao progressivo, só que mais experimental e com influências de jazz e música erudita contemporânea e algo de música folclórica, para dar conta das cinco que inauguraram o (sub)gênero, a partir de um concerto na Inglaterra em 1978. Henry Cow e Etron Fou Leloublan tinham mais de jazz e música erudita contemporânea; Univers Zero, de música de câmara; Stormy Six, de folk, inicialmente, bem antes de 1978, lembrando às vezes CSN&Y; Samla Mammas Manna, de música folclórica e experimentalismo à Zappa. Esses artistas brasileiros certamente só tiveram contato com a concepção de RIO mais recentemente. Então, acho que acertei. Um imenso estado de espírito disseminado por todos os cantos. Veja O F.F.K &T. Próximos ao Henry Cow e ao Slapp Happy. E as Unthanks, então, meu Deus!5 aResponderGustavo Landim SoffiatiQuem sou eu pra dizer… Só quis, modestamente, trazer um pouco de contribuição histórica para a postagem. Há vários textos sobre o assunto e, inclusive, um livro do talvez ideólogo mor do movimento-gênero, Chris Cutler, “File under popular”, que tive… Ver mais5 aResponderEditadoSérgio de MoraesGustavo Landim Soffiati Acho que você definiu muito bem o fenômeno. Não é estanque, é muito dinâmico e com tendência a ampliar-se. No fundo , um macro-tema.5 aResponderRenato de Moraesmeus 2 centavos sobre o assunto: R.I.O. foi um festival com o Henry Cow e 4 bandas amigas, Univers Zéro, Etron Fou Leloublan, Stormy Six e Samla Mammas Manna. Pouco tempo depois o Chris Cutler inaugurou a Recommended Records que começou a distribuir os… Ver mais5 aResponderGustavo Landim SoffiatiRenato: fora talvez o Stormy Six, com mais influência de folk (americano, até) e música tradicional italiana, as outras bandas me parecem com um estilo mais ou menos parecido, apesar das particularidades. Mas, como já conversarmos, não parece apropriad… Ver mais5 aResponderRenato de MoraesGustavo Landim Soffiati acho que se você ouvir as bandas ANTES do festival e DEPOIS do festival há diferenças marcantes. O Stormy Six ganhou uma influência gigante do Henry Cow (a Georgie Born do Henry Cow foi tocar com eles), o som o Samla ficou mais … Ver mais5 aResponderSérgio de MoraesRenato de Moraes interessante. Então peguei a conversa numa versão mais contemporânea. Onde muita coisa vem se juntando ao original? Ou o correto é restringir o conceito ao que você é o Gustavo Landim Soffiati estão propondo?5 aResponderGustavo Landim SoffiatiAh, tá, Renato. Entendi que seu primeiro comentário se referia a tais bandas até o momento do RIO 78. Depois desse festival, bandas e artistas associados ao movimento, de Present a Miriodor, passando por Art Bears e Cartoon, têm bastante semelhança, cr… Ver mais5 aResponderEditadoGustavo Landim SoffiatiDeixo a bola com Renato, Sérgio. Ele até teve contato pessoal com figuras ligadas ao RIO.5 aResponderRenato de Moraeseu acho que rótulos não servem para muita coisa. O festival RIO atual na França que rola tem 10 anos já teve de tudo, magma, UZ, Art Bears, Miriodor, Albert Marcoeur, a nova geração da vanguarda de Lyon etc etc etc. O que interessa é ouvir música boa, … Ver mais5 aResponderSérgio de MoraesRenato de Moraes o assunto está indo fundo! Vou tentar saber mais. Mas, parece que o conceito foi expandido e extrapolou. Seja como for, muito instrutiva a intervenção de vocês.


Postagem original 24/02/2018

KEITH JARRETT ( parte 2 )- E.C.M. RECORDS – “A EXATIDÃO INTUITIVA”

Fiz IMERSÃO nos poucos discos que tenho dele, e fiquei convencido de que JARRETT é imprescindível, apesar da irritante antecipação dos solos com sua VOZ DE PATO DONALD, simultaneamente induzida à música genial que constrói nas gravações ao vivo.

É uma chatice não evitável. Mas, tem remédio. É bem possível no decorrer dos tempos, que muitos de seus discos venham a ser tratados em estúdio para eliminar o… “PROBLEMA”. A “falas” desconcentram o ouvinte. São ruídos inseridos que tornam a música feia e chata. Tornam esquisita a obra em desenvolvimento..

Em resumo, KEITH JARRETT realizou, pela ECM, quatro tipos de trabalhos.

1) Iniciou acompanhado por um quarteto de músicos europeus, em contraste à sua formação clássica e jazzística nos Estados Unidos.

Sua música peculiar, e bela por definição, casava-se perfeitamente ao JAZZ FRIO do SAXOFONISTA JAN GARBAREK; do baixista PALLE DANIELSSON, e do baterista JON CHRISTENSEN, músicos típicos da ECM.

Com esse conjunto, KEITH gravou diversas composições de sua autoria, todas ALÉM-JAZZÍSTICAS, e que destacam sua reconhecida HABILIDADE PIANÍSTICA. O exemplo aqui é o disco “MY SONG”…

2) KEITH tem enorme vocabulário artístico, e talento para construir frases inusitadas no piano; estendê-las ou encurta-las, e mesmo terminá-las inesperadamente. JARRETT sabe usar o intervalo entre as notas, espaços, e fazer música totalmente pessoal. Ele cria “PONTOS e VÍRGULAS” na concepção instantânea de sua música, talento que o tornou concertista solo de grandeza ímpar.

KEITH JARRETT praticamente criou o improviso ao vivo no piano solo. Há enorme discografia nesta linha. Aqui, por exemplo, estão “THE KÖLN CONCERT”, que vendeu muito; “THE VIENNA CONCERT”, e o excepcional “STAIRCASE”.

Há muito tempo caiu em minhas mãos um box com 10 LPs da ECM, chamado THE SUN CONCERTS, gravados ao vivo no Japão. Uma doideira de improvisos inacabáveis! Louquíssimos! Álbum caríssimo, que acabei me desfazendo e hoje lamento “abissalmente”…. BURRAGENS do COLECIONISMO…

3) Talvez o trabalho mais profícuo e de maior sucesso seja, também, o mais “conservador”. O trio americano que formou com o baixista GARY PEACOCK e o baterista JACK DEJOHNETTE, teve duração enorme para os padrões do JAZZ. Mais de 25 anos. Começaram no início dos 1980, e foram até aproximadamente 2010 – e quem sabe além disso.

A CRÍTICA AMERICANA considera essa formação talvez o melhor TRIO de JAZZ história! Não é pouca fama!!!! Os três juntos gravaram coisas vanguardistas e originais; principalmente STANDARDS JAZZÍSTICOS, mas sob outra ótica…

Veja exemplo aqui em “TRIBUTE”. Um álbum duplo composto por coleções de standards recriados não sob a perspectiva do compositor original, mas com base nas versões que a banda considerava relevantes.

Então, há “SOLAR”, de MILES DAVIS, na versão da perspectiva de BILL EVANS; e SMOKE GETS IN YOUR EYES, vista como fosse por COLEMAN HAWKINS; ALL THE THINGS YOU ARE, de JEROME KERN, no olhar de SONNY ROLLINS e por aí vai…

E não deixem de ouvir o espetacular YESTERDAYS. Foi gravado ao vivo no Japão, e a qualidade técnica da gravação é extraordinária. Disco imperdível; o trio está no auge criativo e em total sinergia aproveitando cada nota em razão da vantagem de haver um tema condutor nas músicas. É coisa relativamente recente, feita em torno de 2010. E explica muito da grandeza dos três músicos. É Fantástico, acredite.

4) Como gênio complexo e produtivo, JARRETT meteu-se com a música CLÁSSICA, e fez discos considerados entre os melhores sobre as composições que escolheu. Gravou com estilo BACH, por exemplo.
E fez versão para TABULA RAZA, obra do estoniano ARVO PART, talvez o maior compositor de música “CLÁSSICA CONTEMPORÂNEA”!

O catálogo enorme e em trânsito de KEITH JARRETT está entre os grandiosos da produção contemporânea. É música de alta qualidade, melódica sem ser vulgar ou brega, e muito acima e além dos rótulos. JARRETT toca sem parar; fraseia e harmoniza o tempo inteiro, e tem noção absoluta de ritmo.

Vou buscar mais coisas dele. É inevitável e prazeroso demais!
Postagem original: 25/02/2020

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MEMÓRIAS DA NECESSÁRIA COMPAIXÃO, E DA DELINQUÊNCIA SONORA!!!

Toda vez que paro ao lado de um carro onde algum moleque está tocando aquele horror atual, RAP, PANCADÃO, ou SERTANEJOS tipo DENTISTA E CARIADO, LEÃO E LEOPARDO, MAYARA E MARAÍSA…e sei lá mais o quê, eu penso: calma, SERJÃO, você foi muito pior e sabe disso!!!

Tempos atrás, eu assistia a um torneio de GOLFE pela televisão, e um comentarista e instrutor disse o seguinte:

“Todo dia aparece alguém querendo aprender a jogar. Pedem logo um taco para dar uma porrada letal na bola, e mandá-lo a sei lá quantas jardas de distância…”

E o cara ponderou. “Dar tacada é apenas uma parte do esporte”.

Mas, não é assim que a banda toca. “O mais difícil é botar a bola nos buracos”.

O “GREEN” é terra indomada, cheia de armadilhas, então você precisa aprender a “PATHEAR”, tocar a bola nas curtas distâncias, calcular o toque, e adquirir técnica. Demora, é o mais difícil…

Em vista disso e muito mais, aprendi a ser tolerante e manter o bom humor.

Certa vez, TIO SÉRGIO e amigos “comórbidos” estavam em restaurante, quando apareceu um garoto com a mãe. Eles ouviram o papo “ilustrado” da mesa ao lado. Nós.

O menino tentou entregar um CD “PROMO” de REGGAE gravado pela banda que ele fazia parte.

Eu fui o único que aceitou, e ainda bati um papo! Ser gentil não custa. É pedagógico, e até hoje obrigatório – eu acho…

O garoto explicou que ainda estavam no início, coisa e tal, e pediu para eu ouvir e dizer o que achei do que “cometeram”.

Fiz isso em nome do que é justo, e do meu passado nada recomendável em termos de comportamento frente à música – e vá lá, frente à vida também…

Resumindo, o disco era muito ruim. Dias depois, liguei para ele e expliquei os meus motivos: 1) letras ruins e português péssimo. Recomendei que estudassem a língua antes de compor. Observei que é essencial, porque um comportamento cidadão exigível de qualquer profissional sério.

2) Argumentei que o REGGAE é enganosamente óbvio. Então, superar-se, evoluir, implica em criatividade e muito ensaio.

3) Elogiei a iniciativa dos meninos, mas ponderei que antes de gravar é preciso lapidar o que se pretende fazer. Ter menos pressa, o que é difícil frente à motivação para fazer o quanto antes…

Não sei o que aconteceu com a banda. Nunca soube no que deram…

Acho, também, que conselhos sinceros e adequadamente expostos são fundamentais para qualquer iniciante. Um jeito maduro de ajudar.

O TIO SÉRGIO aqui ainda é um tanto da fuzarca! Aprendi em meus compêndios sobre ROCK, JAZZ E MÚSICA “ANTISSOCIAL” em geral, que a boa MÚSICA POP necessariamente precisa incomodar os mais velhos.

É vero, é fato. É assim que as coisas se desenvolvem ( eu escrevi desenvolvem, e não a palavra “evoluem”, diferença de conceitos abissal).

Pentelhar o próximo é essencial para o mais jovem se distinguir dos velhos.

Vocês duvidam?

Então, respondam? Por que será que eles fumam?

Porque é perigoso, desafiante, rebeldia em explícita. A vida é tão medíocre e trivial assim.

Dia desses, acordei com a macaca! Não, não torço pela PONTE PRETA!!! E baixou vontade incontrolável de ouvir o inaudível e o inacreditável.

E tenho um lado insalubre, esquisito e provocador; os meus amigos sabem…Aproveitei para escutar coisas como MERETRIO, WALTER FRANCO, THROBBING GRISTLE, FRANK ZAPPA, SHAGGS, CARLA BLEY, e o FOSSORA, da BJORK.

Quem sabe ponha pra rolar as pianistas “erudito contemporâneas” HÈLÉNE GRIMAUD e BEATRICE BERRUT, artistas excelentes e moças belíssimas! As duas e a BJORK merecem audições cautelosas, detidas, detalhadas. Por isso, não estão na foto.

Ouvi novamente o MERETRIO. É interessante. Mas, lembram um pouco a afobação do garoto do REGGAE. Fazem FUSION com certa pretensão e algum discernimento.

Mas, por que músicos da geração deles sempre voltam aos clássicos na MPB, tentando atualizar a linguagem sem observar essências?

Honestamente, LUIZ GONZAGA tem nada a ver com JAZZ e nem pretendia. Deixar os mortos em seu lugar e com o devido respeito, talvez seja mais produtivo do que ressuscita-los em Igrejas que jamais frequentaram. Principalmente, se o exorcista não tiver tantos apetrechos artísticos, técnicos e de talento assim…É o caso dos meninos aí…

Ouvi outra vez “THE PERFECT STRANGER”, de FRANK ZAPPA, em arranjo e regência de PIERRE BOULEZ, gravado em 1984.

Achei magnífico!!!

E concluí o óbvio: craque grava craque. Na metalinguagem peculiar do ex-deputado e modista CLODOVIL HERNANDEZ, para referir-se aos homossexuais, “Boi preto reconhece Boi preto”!!!!

Somando vivências eu vou continuar na direção e na procura de tudo que não me lembre o “ÓBVIO ESFOLIANTE”.

Eu acho que tornar-me um COMPÓSITO CONTRADITÓRIO é mais desafiador do que ser METAMORFOSE DEAMBULANTE.

Escrevi e pronto! A irresponsabilidade é minha.
Postagem original 21/02/2023

BLOWING THE FUSE 1955 – SWEET SOUL MUSIC 1966

BLOWING THE FUSE 1955 – SWEET SOUL MUSIC 1966

ESSES DOIS CHEGARAM HOJE. SÃO PARTE DE DUAS SÉRIES ESPETACULARES DA CULT, TECNICAMENTE PERFEITA E IRREPREENSÍVEL “FAZEDORA” DE DISCOS ALEMÃ “BEAR FAMILY RECORDS”. PRODUÇÃO GRÁFICA, TEXTOS E FOTOS TUDO EM ESTADO DA ARTE.

CADA SÉRIE TEM 15 CDS INDEPENDENTES, CADA UM COBRINDO A MELHOR PRODUÇÃO DA MÚSICA NEGRA AMERICANA, ANO A ANO.

A PRIMEIRA SÉRIE, “BLOWING THE FUSE”, É DEDICADA AO FINO DO “RHYTHM AND BLUES” DE 1945 A 1960. A SEGUNDA SÉRIE, “SWEET SOUL MUSIC” , É A SEQUÊNCIA LÓGICO – ARTÍSTICA DEDICADA À SOUL MUSIC, E VAI DE 1961 A 1975.

EM RESUMO, TODOS OS HITS, E O QUE É RELEVANTE EM QUASE 900 MÚSICAS! TUDO O QUE VOCÊ QUERERIA EM MÚSICA DE NEGÕES E NEGUINHAS, EM VOCAIS E INSTRUMENTAIS EXUBERANTES E DANÇÁVEIS. O SUMO E O SUPRA-SUMO!

EU VENHO FAZENDO O PERCURSO EM DOIS CDS POR MÊS. MINHA ESTRATÉGIA É SIMPLES E ATÉ ÓBVIA. O PRIMEIRO “FUSE” QUE COMPREI FOI DO ANO 1960; E VOU DESCENDO, ANO A ANO, ATÉ CHEGAR EM 1945. NA SOUL MUSIC INICIEI POR 1961 E VOU ATÉ 1975 – SE ELES PARAREM MESMO POR AÍ.

TENHO MUITA COISA DE MÚSICA NEGRA EM VARIADOS BOXES, DISCOS E VASTO ETC… MAS, NADA SE COMPARA ÀS DUAS SERIES.

RECOMENDO DE OLHOS FECHADOS – E BOLSO ABERTO. SÃO RELATIVAMENTE CAROS, EM TORNO DE 30 DÓLARES CADA UM – TUDO INCLUÍDO…

COLEÇÃO EM NÍVEL DE DOUTORADO!
Postagem original: 21/02/2018

SUN RA – THE HELIOCENTRIC WORLDS – 1965

Ao contrário do FREE JAZZ, de ORNETTE COLEMAN, onde a liberdade para improvisar era total, a proposta AVANT GARDE de SUN RA é uma construção/desconstrução ativa, mesmo que não-programada, de uma obra musical que requer disciplina, técnica e sensibilidade.

SUN RA é um arquiteto do caos sonoro inteligível. Ele intervinha nas gravações trocando músicos durante a execução dos trechos. Dava o tom, a ideia, e se não gostasse do som de um trombone, digamos, fazia o trompetista, por exemplo, executar aquela parte do jeito que quisesse.

Se RA concordasse, ia juntando, gravando tudo de acordo com a sua percepção e gosto.

SUN RA acrescentava ou retirava instrumentos, ideias, frases; e o resultado é uma colagem sonora com liberdade vigiada, livre ‘ma, non tropo”.

Fica estranho, mas é coeso e musicalmente instigante. A metáfora que me ocorre, é consertar o motor do avião em pleno voo…

SUN RA subverteu e rompeu a ideia inicial do FREE JAZZ, e está nas raízes da FUSION, e DO ROCK PROGRESSIVO; e é o precursor “AFRO-FUTURISMO” jazístico. SUN RA é espécie de compositor, arranjador, maestro maluco, que dirige sua orquestra ao sabor de si mesmo.

Diferentemente do FREE JAZZ, onde cada um tocava sua parte sem a censura de outros, nos discos dele o comandante supremo é SUN RA. Ele é o diretor de obras do caos. Não sabia onde queria chegar, mas chegava prospectando, caminhando, perscrutando, tocando, construindo, destruindo, mudando a música.

Depois de gravada, claro, restava a música composta: original, intuitiva, provavelmente não repetível, mas obra “organizada”, porque “petrificada” em disco.

Se o FREE JAZZ é obra coletiva, o AVANT – GARDE parece um produto individual: o conceito é do artista.

A história da música popular é um caminho tortuoso, desruptivo, e, ao mesmo tempo, previsível. Muita coisa díspar convive ao mesmo tempo.

Para muitos, o ápice da sofisticação na música popular foi a GRANDE CANÇÃO AMERICANA, de GERSHWIN, COLE PORTER…, na voz de ELLA, BILLIE, SINATRA, entre vários. E a BOSSA NOVA talvez tenha sido o último ato da grandeza musical “tradicional conservadora”. E tudo isto culminando no final dos anos 1950 do século passado!

No mesmo espaço/tempo, o R&B e o ROCK AND ROLL comiam solto feito por incontáveis grupos de DOO-WOP, ELVIS PRESLEY e contemporâneos.

E nem vou citar as experiências radicais na MÚSICA CLÁSSICA contemporânea – como a MÚSICA ELETROACÚSTICA – também em curso subvertendo o gosto tradicional, e acrescentando mais elementos de ruptura fundamental.

Talvez a década de 1950 tenha sido o período histórico onde ocorreram as mais significativas erupções e terremotos estéticos.

SUN RA não existiria sem este amplo painel, composto por contradições procurando sínteses e saltos à frente.

A entropia foi o FREE JAZZ, sucedido por uma quase-reorganização da vanguarda com o AVANT-GARDE. Ao mesmo tempo, vieram os BEATLES e os formatos tradicionais simplificados tomaram a cena novamente.

Até que…
Publicação original: 21/02/2018

BEATLES – MAGICAL MISTERY TOUR E OS FANTÁSTICOS SINGLES DE 1967

A POSTAGEM É MENOS SOBRE O DISCO EM SI, EM QUE ESTÃO REUNIDOS ALGUNS DE SEUS MELHORES SINGLES, E CANÇÕES NITIDAMENTE PSICODÉLICAS DE ALTA QUALIDADE!

NÃO VOU COMENTAR SOBRE PENNY LANE, STRAWBERRY FIELDS FOREVER, I`M THE WALRUS, E OUTRAS VANGUARDISTAS E ETERNAMENTE BELAS.

O FOCO É UMA PEQUENA E QUASE INGÊNUA OBRA PRIMA CHAMADA “HELLO, GOODBYE”!

UMA CANÇÃO SOBRE INCOMPATIBILIDADES, NEGAÇÕES, DISCÓRDIAS E UM MONTE DE CACOS PERFEITAMENTE ENCAIXÁVEIS NOS DIAS DE HOJE!

“YOU SAY YES, I SAY, NO!

YOU SAY STOP, AND I SAY GO”…

MINHAS CONVERSAS, AQUI NO FACEBOOK, PRINCIPALMENTE SOBRE POLÍTICA SEGUEM ESTA FÓRMULA. ALIÁS, JEITO ETERNO DA HUMANIDADE TAMBÉM RELACIONAR-SE: CONTRAPOSIÇÃO SEM NARRATIVAS; COISA NORMAL ENTRE CASAIS, AMIGOS, E INTERAÇÕES DIVERSAS.

ETERNO AMIGO/IRMÃO FALECIDO, ALDAHYR OLIVEIRA RAMOS, COM QUEM CONVIVI DESDE MINHA PRÉ-ADOLESCÊNCIA ATÉ SUA MORTE, TINHA COMIGO ESSAS INCOMPATIBILIDADES.

DISCORDÁVAMOS MUITO E SOBRE MUITAS COISAS. EU DIZIA SIM E ELE NÃO; VAI E ELE FICA… BEATLES NA VEIA…

TÍNHAMOS VISÕES DE MUNDO DIVERGENTES, E TEMPERAMENTOS OPOSTOS, MAS QUE JAMAIS INTEREFERIRAM EM NOSSO AFETO, AMIZADE E CONVIVÊNCIA CONTÍNUA POR QUASE 50 ANOS.

QUANDO ELE MORREU, EU E OS OUTROS NOSSOS AMIGOS, TAMBÉM ÍNTIMOS DELE, TIVEMOS REAÇÕES CATÁRTICAS!

ELE ERA BEATLEMANÍACO FANÁTICO E AGUERRIDO MAS, EM SEU VELÓRIO, AS IRMÃS TOCARAM O “WE ARE THE CHAMPIONS” DO QUEEN, BANDA QUE ELE TAMBÉM GOSTAVA.

PORÉM, A MÚSICA PERANTE TODOS NÓS QUE MAIS O BEM EXPLICAVA É

“HELLO, GOODBYE ” .

HOJE, ACHO EU , É A MÚSICA DEFINIDORA DOS TEMPOS ATUAIS. LOCUÇÕES SINTÉTICAS, CONTRAPOSTAS SEM MAIORES EXPLICAÇÕES.

SEM OS BEATLES TUDO FICARIA MAIS DIFÍCIL E SEM GRAÇA!
postagem original: 23/02/2021

BECK: MUTATIONS, 1998 & SEA CHANGES, 2002.

OS DISCOS NEOPSICODÉLICOS DE UM ARTISTA ORIGINAL NO ROCK ALTERNATIVO.

BECK talvez desafiando a esfinge tenha proclamado: DEVORA-ME. EU TE DECIFREI!

Mas, tio SÉRGIO!!! Você bebeu e ouviu tudo errado de novo?

Quem sabe.

Afinal, uma resenha não é uma crítica. Não tem abrangência e nem pretensão.

Foca em algumas ideias que podem, ou não, refletirem parte do real analisado. É um pequeno sumário de hipóteses. Espécie de MICRO-ENSAIO sobre futilidades não cotidianas.

Conheço e tenho os discos da postagem desde o lançamento. Eles me interessam. Integram a coleção pela inquestionável qualidade, e até relevância histórica.

Ambos retomam o ROCK PSICODÉLICO dos anos 1960 em duas perspectivas que, penso, são complementares e inclusivas.

Em meados da década de 1990 ressurgiu, principalmente na Inglaterra, um movimento de recuperação da herança artística e despojos da PSICODELIA original.

A NEO-PSICODELIA foi assumida por bandas BRIT-POP como RIDE, THE VERVE, CHARLATANS (UK) , RAIN PARADE, entre vários. Há discos notáveis dessa gente toda.

BECK é americano, e talvez tenha fechado a tendência com esses dois discos. Mas, o fez “on his way”: MONTOU SABOROSAS SALADAS DE FRUTA À PARTIR DE UMA SALADA DE “TRETAS”.

MUTATIONS – 1998

Quando escutei identifiquei prontamente que ele fizera um disco sob a visível influência dos PSICODÉLICOS AMERICANOS.

Homenageou a turma do FOLK-ROCK; do COUNTRY – ROCK e os GARAGEIROS CULTS recuperados à partir do final dos 1970.

O início do disco tem gosto de JEFFERSON AIRPLANE; e um quê discreto de ELECTRIC PRUNES. Mas, o cerne é o BOB DYLAN ELETRICO, pós FOLK, enveredando para o COUNTRY ROCK (John Wesley Harding ). Há, também, tinturas dos BYRDS da mesma leva ( Sweetheart of the Rodeo ).

E a tudo isto se adiciona o LOVE, PEARLS BEFORE SWINE, e GENE CLARK – algo esmaecidos…

Mas, quando pensei que havia decifrado a esfígie, BECK entra com ‘TROPICALIA”, num misto inusitado de GILBERTO GIL E TOM ZÉ. E, não para por aí: surge um lusco-fusco de TOM WAITS, no vocal dele. E uma lembrança meio LED ZEPPELIN / YARDBIRDS – talvez ecos de “House of the Holly” .

Assim que o caminho parecia orientado, BECK faz aparição cantando feito RAY DAVIES. E culmina emulando SYD BARRETT!!!!

Se entendi o despiste, parte de DYLAN resvala em TOM WAITS, caminha para RAY DAVIES, e faz o rito de passagem para o SYD BARRET, do primeiro PINK FLOYD. Seria?

SEA CHANGES – 2002

É a sequência mais bem elaborada do MUTATIONS, a meu ver.

Um disco fundamental da primeira década do milênio.

O foco é a PSICODELIA INGLESA, onde até o “FLOWER POWER” é triste, desencantado, e lúgubre.! A Inglaterra é fria, pouco sol, chuva, nevoenta. Então…

Os mais otimistas, feito DONOVAN, também eram sorumbáticos.

BECK toma como base o PINK FLOYD , lado 2 do “ATOM HEART MOTHER”, a pegada FOLK PSICODÉLICA de “Summer 68”. A guitarra à DAVE GILMOUR transpassa o álbum todo.

Eu vejo traços de compactos PÓS-BEAT dos SEARCHERS. Quem puder escute “Second Hand Dealer”. de 1965. Há algo dos STONES buscado em “Dandelion”, e outras. E tangencia os BEATLES no Rubber Soul.

Tudo ruma para retomar SYD BARRET, temperado com NICK DRAKE, SANDY DENNY – os depressivos de sempre -; mas envolvidos em sombras dos melotrons à MOODY BLUES, um pouco do THE MOVE, e outros nada alegrinhos…

Para vocês terem uma ideia menos escura é como se “PERFECT DAY”, de LOU REED, fosse música sobre um domingo alegre!

Há uma sequência de faixas, no final, “Already dead e Sunday Sun”, que dizem bastante sobre o clima do disco. E tudo cantado ao estilo RAY DAVIES, dos KINKS, outro que esbanja alegria pelos poros. BECK focou e criou sobre tudo isso aí.

Seria?

O texto original desta resenha foi dedicado ao meu amigo Elvio Paiva Moreira que, uns quatro anos atrás foi à horta ( a discoteca dele) puxar um maço de cenouras, e levantou uma baita lebre!!!!
Texto original: 23/02/2020

KEITH JARRETT – “THE FOCINHEIRA’S YEARS”. E UMA PITADINHA PARA O BRANFORD MARSALIS

Fiquem tristes, não!

Começar com irreverências faz bem ao espírito, e diz mais perto sobre a música criativa e espetacular de KEITH JARRETT. Para os que não observaram ainda, ele em vários discos nos brinda com grunhidos, orgasmos, gritinhos e imenso repertório não musical.

KEITH sempre fez isto. Mas, nos discos aqui fez menos, ou foi devidamente contido pela pós-produção que pode ter eliminado muitas “sonoridades propositais aleatórias”, ou “glossolalias não pianísticas”. (Que belas definições, TIO SÉRGIO!!!)

JARRET tem 80 anos e, por felicidade, sua inteligência e rápido desenvolvimento foram descobertos por seus pais muito cedo. A precocidade na fala e a memória muito acima do esperado, explicitaram o potencial evidente. Aos 3 anos, KEITH ganhou um piano e começou a estudar e tocar.

Os discos aqui postados são de fases menos conhecidas, mas já revelam o rio caudaloso, rápido e ininterrupto de ideias musicais. Vale a pena curtir!

Recomendo esse antigo e belo BOX, “FOUNDATIONS”, com dois CDS editado pela gravadora RHINO/ATLANTIC, em1994. É rica introdução; e com faixas dos outros dois cds da foto. Vocês encontrarão, por exemplo, seu fantástico piano em “My Romance”, com o ART BLAKEY E OS NEW JAZZ MESSENGERS, em 1966. Um JARRETT com as notáveis características que o levaram ao infinito em sua carreira: frases longas e cheias de criação e fôlego.

Tem, também, faixa retirada do LP gravado por AIRTO MOREIRA, para a CTI, que veio à luz em 1988. “So tender” é PÓS-BOSSA, e tem gente como GEORGE BENSON e RON CARTER!

Já na gravação com o saxofonista “CHARLES LLOYD” e o baterista JACK DEJOHNETTE, é vanguarda experimental que JARRETT encarou com a criatividade de sempre.

Há muita, muita coisa de alto nível. Faixas do espetacular “KEITH JARRETT & e o vibrafonista “GARY BURTON”, de 1971, FUSION de primeira linha em integração musical sinérgica entre os dois.

E, também, a gênese de seus trios com PAUL MOTIAN E CHARLIE HADEN, nos cinco discos feitos para a ATLANTIC RECORDS, entre 1968/1971, onde vai do JAZZ EXPERIMENTAL ao JAZZ MODERNO redefinido para aqueles tempos.

FOUNDATIONS é um BOX imperdível.!

KEITH JARRETT viu o seu talento reconhecido já na adolescência. Um professor de música, da escola onde estudava, o levou para ver um show de DAVE BRUBECK. Ele adorou! Principalmente a clareza da música do mestre. E aprendeu e se dedicou a fazer música complexa e profunda, com vocabulário claro e articulado. Em poucas palavras: a fazer música bonita, muitas vezes experimental, mas sempre bela. Tenha certeza: é muito difícil conjugar as duas qualidades!

De lá KEITH para a BERKLEE SCHOOL OF MUSIC, em 1963. Ficou por lá um ano. Gostava de contraponto e harmonia, mas detestava aulas teóricas.

Foi expulso porque aprontou alguma coisa com um dos “grand-pianos” da escola.

Saiu e continuou desenvolvendo seu estilo e suas aptidões; e tornou-se profissional. Seu fraseado límpido e vocabulário musical extenso, deixaram-no fluir sem limitar as ideias que tinha o tempo inteiro. O tempo, a prática e a ousadia refinaram o estilista supremo e sua “exatidão intuitiva”.

Vocês perguntarão: “Mas, TIO SÉRGIO, o que faz o disco do BRANFORD MARSALIS, numa postagem sobre o JARRETT?

É que MARSALIS, cria comportada e muito bem preparada da mesma BERKLEE SCHOOL, talvez seja em quase tudo o inverso de KEITH. Esse disco aí é um portento de técnica; mas, também, de chatice não melódica. JAZZ VANGUARDA feito por acadêmicos.

BRANFORD nos dá a sensação de que usa camisinha dupla para ejacular sua arte. Tem medo de engravidar a música.

Então, caro MARSALIS, vá tocar na vitrola dos meus amigos@Gil Andersons e@Rodrigo Marques Nogueira! Que andam com mais paciência do que o TIO SÉRGIO aqui!!!!

Escutem KEITH JARRETT e suas idiossincrasias. E, vá lá, o BRANFORD MARSALIS, também…

Dois craques!!!
postagem original 24/02/2020