JOHN MAYALL – O PROFÍCUO “O DITADOR DO BEM”! ALGUMAS COLETÂNEAS 1964 / 1974

JOHN MAYALL conta, na RECORD COLLECTOR, que para fazer o seu último disco agora lançado, “NOBODY TOLD ME”, “espalhou” que precisava de guitarristas.

Vieram aos montes! e pasmem, ele “selecionou” “TOD RUNDGREN”, “ALEX LIFESON” (RUSH) , “LARRY McCRAY”, blues man famoso. e, também, o cara da hora, “JOE BONAMASSA”! Tá bom assim!

A crítica vem dizendo que o disco, gravado no estúdio dos “FOO FIGHTERS”, é muito bom e a banda está um show!

Só alguém da mítica estatura de MAYALL, décadas de carreira, 93 discos lançados, entre estúdio, ao vivo e coletâneas, fora os SINGLES e E.Ps, poderia trazer na base do “CONCURSO PÚBLICO” gente desse nível!

MAYALL é, antes de tudo, um MAESTRO, um BANDLEADER! Como ele disse, “meu trabalho é escolher o time, orientar cada um em sua função, e explicar o quê eu quero fazer”. Fez, faz e permanecerá fazendo. “É um ditador do bem”, diz “WALTER TROUT”, guitarrista e gaitista , com quem tocou em vários discos.

Aos 89 anos, se apresenta ao vivo cada vez menos. E continua gravando. Teve um piripaque no palco. Foi socorrido e está bem. Tempos atrás, fazia em média 100 concertos por ano, com sucesso de público e casa cheia. Ao vivo, é um dos mais excitantes e dinâmicos shows do BLUES-ROCK e ADJACÊNCIAS. Eu vi! haja energia!

JOHN tem vida artística gloriosa. Nunca vendeu muitos discos, com exceção do clássico “BLUESBREAKERS WITH ERIC CLAPTON”, referência do BLUES ROCK INGLÊS. Porém, grava e vende consistentemente.

Sua discografia viaja por todos os cantos do BLUES e das várias FUSIONS JAZZÍSTICAS, SOULl e R&B; vai do acústico ao elétrico, com bandas enormes ou quartetos. É sempre uma delicia de ver, ouvir e, mais ainda, colecionar.

É argumentável que esteja para o BLUES o que MILES DAVIS está para o JAZZ. Ele é mm inovador; quê o levou a outras fronteiras. É sempre curioso e atento aos movimentos que a música faz. Um superdotado, “por supuesto”! Gravou com os músicos mais significativos das últimas três gerações. MAYALL sempre tem algo a dizer ou acrescentar!

“Se a banda muda, muda também a minha palheta sonora”, disse. Tudo o que gravou vale a pena – com exceções pontuais.

Para não esticar, vá ao GOOGLE e veja discografias, parceiros e tudo o mais.

JOHN MAYALL é uma autoridade no BLUES e no JAZZZ. Seu pai já colecionava discos. ERIC CLAPTON quando morou e tocou com ele, nos anos 1960, dizia que a coleção de discos de JOHN era sensacional e rara. Deve permanecer.

JOHN MAYALL é, também, “CAVALHEIRO DO IMPÉRIO BRITÂNICO”, como ELTON JOHN, GARY BROOKER, PAUL McCARTNEY, JIMMY PAGE, JEFF BECK, BRIAN MAY e, recentemente, TOM JONES. Há outros.

Como fazem os artista prolíficos, lançou várias coletâneas interessantes.Postei algumas que pegam de 1964 a 1974. A produção na EMI / DERAM, e POLYDOR; hoje ambas parte da UNIVERSAL MUSIC.

Começo por uma que tive em vinil, e jamais vi em CDS: “DOWN THE LINE”, album duplo fantástico, lindo de ter e ouvir, coligia os clássicos dos BLUES BREAKERS, entre 1964 e 1969. Foi lançado pela DERAM, no início da década de 1970.

Duas outras espetaculares: “LOOKING BACK”, 1969, clássico do colecionismo, pega SINGLES, LIVES, etc.. E coisas produzidas por MIKE VERNON. Estão aí raridades com CLAPTON, JACK BRUCE, KEEF HARTLEY, ROGER DEAN, MICK TAYLOR, etc.

Há também, “THROUGH THE YEARS”, espécie de complemento da primeira, lançada em 1971.

Ambas saíram pela DERAM.

Também aqui, duas COLETÂNEAS DUPLAS:

LONDON BLUES, 1964/1969, com 40 faixas, abrangendo tudo e mais um pouco,do que interessa, mais livreto, ficha técnica, um “must”.

E “ROOM TO MOVE” , 29 músicas trazendo a fase POLYDOR, 1969/1974, marcada por FUSÕES de JAZZ/BLUES e CONCERTOS AO VIVO EXUBERANTES!

O fino do fino de JOHN MAYALL, estão nas 69 músicas, em 4 discos, lançadas apenas em CDS, em 1992.

A coletânea “SO MANY ROADS” é um BOX COM 4 CDS, que congrega as duas fase mais conhecida de MAYALL, entre 1964 e 1974. Foram juntadas 74 faixas, inclusive o raríssimo EP de MAYALL e PAUL BUTTERFIELD, de 1967.

Eu recomendo este BOX, por trazer a nata do período, em gravações remasterizadas, e digna qualidade e relevância.

Fora esse aqui, ainda temos para ouvir mais uns 48 anos de boa música!

Há mais duas ou três fases, na carreira de JOHN MAYALL, todas longas e profícuas, mais ou menos demarcadas por décadas ou gravadoras por onde passou.

Eu sou fã de carteirinha e “colecionador completista”.

Infelizmente não vou poder comprar o HIPER BOX 1964/1974, que colige TUDO o que ele gravou na LONDON/POLYDOR, em 30 CDS, ou seja a ampliação destes na foto da postagem, em discos com as capas originais e vasto etc…

Eu tenho quase tudo o que ele gravou, e mais: o ingresso autografado de seu primeiro show no Brasil.

A performance de MAYALL, vital e discográfica, é digna de MILES DAVIS! E ambos se destacam pela incrível qualidade do conjunto das obras!!

Perca-se na música de JOHN MAYALL. Ele está vivo, ainda atuando, e vai muito além do MITO!!!
POSTAGEM ORIGINAL: 16/03/2023

NOUVELLE CUISINE – 1988 – MÚSICA DE QUALIDADE, E CAPA MATADORA!!!

DIA DESSES, ZAPEANDO A TV DEI DE CARA COM O EXCELENTE PROGRAMA DE CHARLES GAVIN, “O SOM DO VINIL”.

ERA REPRISE DE UMA ENTREVISTA COM A CULT, ECLÉTICA E MULTI TALENTOSA BANDA BRASILEIRA “NOUVELLE CUISINE”. E. TALVEZ EM VIRTUDE DA MORTE DE CARLOS FERNANDO, O CROONEER, UM CANTOR TÉCNICO E INSPIRADO.

GAVIN REPASSOU TRAJETÓRIA COM A BANDA, DESTACANDO OS DIVERSOS DISCOS QUE GRAVARAM.

O PRIMEIRO ÁLBUM DELES, NA FOTO, CHAMOU MINHA ATENÇÃO PELA CAPA, UMA REPRODUÇÃO DE OBRA DE ARCHANGELO IANELLI. EU ADOREI!

E FUI ATRÁS DO VINIL POR CAUSA DA ARTE GRÁFICA. ACHEI; COMPREI E PAGUEI R$ 11,00 MANDACARUS, UNS TRÊS DÓLARES!

MAS, COMO NÃO TENHO PICK-UP, DEMOREI UM POUCO, E FUI OUVIR NO “STREAMING”: TIVE UM “INSIGHT SIGNIFICATIVO E DEVORADOR!!”

DEPOIS, OBSERVANDO O REPERTÓRIO, IDENTIFIQUEI MÚSICAS NÃO TÃO CONHECIDAS MISTURADAS A CERTOS STANDARDS “POP/JAZZÍSTICOS”, EXECUTADOS POR MÚSICOS DE QUALIDADE INDIVIDUAL INDISCUTÍVEL!

“ACERTEI NO MILHAR”, COMO DIZ CLÁSSICO E QUASE FAMOSO SAMBA DO PASSADO. É BOM ALÉM DO MÁXIMO!!!!

TENTE!

Postagem original: 15/03/2019

WALKER BROTHERS – A HISTERIA CONSERVADORA ICONOCLASTA!

Se você acha que as fãs dos BEATLES e de ELVIS PRESLEY foram as mais selvagens e ardorosas, vá ler sobre a histeria que esse trio americano de sucesso monumental causou, na INGLATERRA, entre 1965 e 1967!

Quem olha à distância pode concluir que lideravam uma certa volta ao passado, uma sonoridade mais conservadora em meio às maluquices da época.

Em parte foi verdade. Porém, o motivo principal do impacto causado se chamava SCOTT WALKER, um sujeito boa pinta, e uma das mais belas vozes da história da música POP!

Quando a gente escuta os discos do trio fica a pergunta: o quê faria um maestro, ou produtor antenado, com uma voz daquelas?

A resposta é quase óbvia: deixar cantar, lógico, e com repertório que a destacasse.

E este BOX cobre “EVERYTHING UNDER THE SUN”, nome de uma das músicas deles. Cinco CDs Coligindo os 5 LPS que gravaram, todos os SINGLES e vasto etc, fotos e texto.

Está ali, inclusive, a versão original de “NITE FLIGHTS”, regravada brilhantemente por DAVID BOWIE.

Mas, curiosamente, falta uma das melhores músicas que gravaram, AFTER THE LIGHTS GO OUT, na versão original do lado B do grande HIT deles, THE SUN AIN’T GONNA SHINE ANYMORE – que consegui em uma troca com o Ayrton Mugnaini Jr., faz mais de 45 anos, acho.

Mas, houve problemas. SCOTT WALKER não era um medíocre. O que aumentou o mistério sobre ele:

Imaginem! Em 1969 ele recusou uma oferta de

DOIS MILHÕES DE DÓLARES para tornar – se o novo FRANK SINATRA!

SCOTT preferiu seguir carreira solo, cantando repertório mais Cult. E com bastante sucesso. Mas, recusou a se tornar um super astro. Ele aparecia pouquíssimo em público.

De uns 30 anos para cá, e até a sua morte, fez música experimental e quase inaudível.

SCOTT foi, aos poucos, se tornando ídolo para muita gente. Inclusive DAVID BOWIE que, de meados dos anos 1970 em diante, passou a cantar emulando WALKER. E foi abandonando progressivamente o timbre algo desagradável da fase GLITTER.

SCOTT também influenciou a geração do BRIT POP, no início da década de 1990. E produziu e orquestrou arranjos para o grupo PULP. Era um talento muito versátil.

Ouçam os WALKER BROTHERS, POP mainstream de muita qualidade vocal, e cheio de hits grudentos.

Um deles, THE SUN AIN´T GONNA SHINE ANYMORE”, de 1966, tornou-se FENÔMENO PSICOSSOCIAL NA INGLATERRA. Era cantarolada por “todo mundo” e em todos os lugares!

No entanto, tornaram-se odiados pela turma do ROCK mais pesado, mesmo sendo capazes de fazer incursões na melhor música negra americana. Eles têm versão excelente de SUMMERTIME, e outras.

OS WALKER BROTHERS deambularam por muitas praias, em menos de quatro anos de carreira.

Lembram a dupla RIGHTEOUS BROTHERS, detentores de um recorde raro: o grande sucesso UNCHAINED MELODY, várias vezes retornou às paradas, e ficou famoso pela música tema da trilha do filme GHOAST!

SCOTT, GARY e JOHN ,os WALKER BROTHERS não eram irmãos, claro. E o furor que causaram teve curta duração.

Valem olhadinha pelas frestas das portas do POP!
Postagem original 09/03/2018

THE OUTSIDERS – BEAT/GARAGE / R&B AMERICANO 65/68.

Eu adoro! E um dos discos lançados na época, “IN”, foi um dos LONG PLAYS que adquiri com o meu primeiro salário, em julho de1967!

Saiu também, por aqui, o ÁLBUM que os consagrou, “TIME WON’T LET ME, 1966, aproximação entre o BEAT e a MÚSICA POP NEGRA dos anos 1960.

OUTSIDERS estavam longe da fusão original conseguida pelos YOUNG RASCALS, e não conseguiram o sucesso radiofônico e de vendas dos GRASS ROOTS – aliás, outra banda excelente! – no mesmo período.

Mas, gravaram um clássico do GARAGE ROCK, “TIME WON’T LET ME”; e seus três long plays são agradáveis e colecionáveis.

Talvez não seja para todos os gostos, porque algo datados. Mas, para fãs do BEAT / GARAGE valem o risco!

Postagem original: 07/03/2020

PINK FLOYD “FROM THE UNDERGROUND TO THE MOON”.

Outra raridade. PINK FLOYD “FROM THE UNDERGROUND TO THE MOON”. Edição alternativa japonesa… Com OBI e tudo o mais. Box com três cds revestido em seda, e cada um deles guardado em papel de seda! Edição luxuosa e numerada com certificado de garantia…
DISCO 1: São diversos shows raros ao vivo, de 1968 a setembro 1970; DISCO 2: shows gravados entre 1970 e 1971, com faixas como ECHOS , em POMPEI, junho de 1971; ATOM HEART MOTHER, 1970, etc… E, DISCO 3; show e faixas diversas gravadas entre 1971 e 1972, por exemplo DARK SIDE OF THE MOON, integral, em SOUTHAMPTON; A SAUCERFUL OF SECRETS, em POMPEI; e outras menos notadas
É raro e precioso!

Postagem original: 06/03/2017

A DISCOTECA DE ASMODEU: O SENHOR DISCRETO E DOIS JOVENS ESCANDALIZADOS!

Há uns quinze anos, fui tratar de negócios com um casal jovem. Na entrada do sobrado havia algumas caveiras, símbolos esotéricos, e códigos anunciando gente alternativa no pedaço.

Entrei, e dou de cara com dois “OGROS” do bem; mais “pichados” do que o portão do inferno. Ele tatuador; ela artista plástica – boa pintora!

Fomos lá, conversamos, resolvemos as pendências e, enquanto tomávamos uma cerveja, observei que tinham uma coleção de Cds bastante grande. Pedi para dar uma vista. Eles entre o jocoso e o… digamos respeitoso, permitiram.

Não deu outra: ERA UM “ARSENAL”, E NÃO ERA UMA DISCOTECA! Como se dizia nos anos 1990, “PODREIRA” pra todo lado: BATTORY, SOULFLY, OZZY OSBORNE, ANAL CUNT, MISFITS, e outros mais ou menos votados para tocar para ASMODEU em rituais!!!

Perguntaram se eu conhecia. Disse que sim. Pasmo geral!

E perguntei a eles como percebiam a transição entre o HEAVY METAL clássico para as novas tendências da época, DOOM METAL, THRASH METAL…Perguntei sobre PUNKS RAIVOSOS, e etc… Perplexidade explícita!

Para gozar os meninos eu, na altura dos 55 anos, discreto e bem educado senhor, perguntei o que achavam do Cd da dupla horrorosa, mas verdadeiramente PUNK, que eles mantinham na discoteca:

ANAL CUNT, e seu repertório escatológico de músicas curtas!

Muita faixas, todas em torno de 20,30 segundos cada, e títulos do tipo: “VOCÊ É UMA BICHA ESCROTA”; “TEU PAI É UM DECORADOR DE INTERIORES”; “TUA MÃE DEU PRO TIME DE HOCKEY”,… e iluminismos do gênero…Não disse a eles que havia tido lojas de discos, etc…

Na saída, fui mais ou menos escoltado pelos dois. Atônitos…

Escandalizados ficaram eles!!!!
Postagem original: 05/03/2021

JOHN McLAUGHLIN, E OS MEUS DOIS PRIVILÉGIOS INESQUECÍVEIS!

EU TIVE A HONRA E O PRAZER DE ASSISTIR A JOHN McLAUGHLIN NA PLENITUDE DE SUA FORMA.

A PRIMEIRA VEZ, FOI NO GINÁSIO DO ANHEMBI, DURANTE O “SÃO PAULO/MONTREUX JAZZ FESTIVAL”, EM 1978. TAMBÉM PERFOMARAM NAQUELA NOITE, ‘HERMETO PASCHOAL E BANDA”; O BOM TROMPETISTA “MÁRCIO MONTARROYOS”, QUE DEU VEXAME INESQUECÍVEL POR NÃO QUERER SAIR DO PALCO APÓS O TEMPO PREVISTO PARA ELE TOCAR. FOI RETIRADO NA MARRA… E, CURIOSAMENTE, “A ORQUESTRA DE PÍFANOS DE CARUARU”.

EU E MEU AMIGO PAULO CALDEIRA ESTÁVAMOS COM CRACHÁS QUE NOS DAVAM O DIREITO A VISITAR O “BACK STAGE”, ONDE OS ARTISTAS SE REUNIAM, CONVERSAVAM, BEBIAM E TOCAVAM UNS COM OS OUTROS.

O “CLIMA” ERS MARCANTE! VI COISAS E GENTE INCRÍVEIS NOS BASTIDORES. ASSISTI “PINE TOP PERKINS” BRINCANDO NO PIANO, PERTO DO BAR, RODEADO POR MUITA GENTE…VI O GUITARRISTA “SÉRGIO BAPTISTA”, EX-MUTANTES, QUE TENTAVA UMA BOCA PARA TOCAR COM “McLAUGHLIN”, MAS NÃO DEIXARAM.

VI, TAMBÉM, O BAIXISTA “FERNANDO SAUNDERS”, QUE ESTAVA DOIDÃO ATRÁS DA MULHERADA, ABORDANDO O “QUE” APRECESSE, E NEM QUIS PAPO… ELE VEIO ACOMPANHANDO McLAUGHLIN; E, DURANTE A CARREIRA TOCOU, E GRAVOU, COM “JEFF BECK”, “LOU REED”, E UMA “FIEIRA” DE OUTROS CRAQUES.

EU BATI UM PAPINHO COM “JOHN McLAUGHLIN”, NO BACK STAGE, POR ALGUNS MINUTOS. FIZ-LHE PERGUNTAS SOBRE UM PASSADO REMOTO COM A “GRAHAN BOND ORGANIZATION” E MAIS RECENTE COM A “MAHAVSHNU ORCHESTRA”. MAS, ELE FUGIU DO ASSUNTO E PEDIU, GENTILMENTE, LICENÇA, “´PORQUE PRECISAVA SUBIR NO PALCO E TOCAR”.

CLARO, DEAR JOHN!!!! FOREVER AND EVER!!!!!

ASSISTI AO SHOW DE FRENTE PARA O PALCO. E McLAUGHLIN CHAMOU HERMETO PASCHOAL PARA UMA CANJA, E DUELARAM: GUITARRA CONTRA FLAUTA, PANELAS, E OUTROS APETRECHOS QUE A GENIALIDADE INIGUALÁVEL DE HERMETO SACASSE NA HORA!

FOI ANTOLÓGICO! ELE DESAFIAVA McLAUGHLIN, TIRANDO SONS COMPLEXOS DA FLAUTA, E FALAVA: “VAI LÁ GRINGO “F.da.P”, É A TUA VEZ”.

E A RESPOSTA VINHA CERTEIRA FEITO MÍSSIL: GUITARRA EM TOM COMPATÍVEL, REPETINDO A “PERGUNTA”, E RESPONDENDO COM AS FRASES CURTAS QUE O CELEBRIZARAM….

EU ESTAVA A MENOS DE CINCO METROS DE DISTÂNCIA…E JAMAIS ESQUECEREI!

A SEGUNDA VEZ, FOI NO GINÁSIO DA PORTUGUESA DE DESPORTOS, TIME TRADICIONAL, QUE VIVE OSCILANDO ENTRE A MORTE E A RESSURREIÇÃO. ACHO QUE FOI EM 1982.

O SHOW TEVE ABERTURA DE “EGBERTO GISMONTI” E BANDA, QUE, DE CARA, CUMPRIMENTOU A PLATEIA ASSIM:

“OLÁ, PESSOAL, VOCÊS NÃO VÃO SE ARREPENDER DE TEREM VINDO”: SENTOU-SE AO PIANO, E INICIOU UM DOS MELHORES CONCERTOS QUE ASSISTI NA VIDA!

DEPOIS, ENTROU “Mc LAUGHLIN”! SOBERBO; BANDA PERFEITA, E UMA APRESENTAÇÃO ARREBATADORA A PONTO DE, NO ÚLTIMO BIS, ELE E A BANDA TENTAREM CANTAR, JÁ QUE NÃO CONSEGUIAM MAIS TOCAR TAL O CANSAÇO!

JOHN É UM ESTILISTA DA GUITARRA, TEM FRASEADO ÚNICO, PESSOAL. ALÉM DE BOM GOSTO NA ESCOLHA DO REPERTÓRIO, E DO APURO TÉCNICO REFINADO EM DÉCADAS DE ENCANTAMENTO, LEGADO EM GRAVAÇÕES PRIMOROSAS.

VALE PESQUISAR SUA VASTA E VARIADA DISCOGRAFIA!

AQUI, UNS DISQUINHOS PARA VOCÊS CURTIREM.

“JOHN McLAUGHLIN” PODE TRANQUILAMENTE SER CONSIDERADO UM GÊNIO!
postagem original:05/03/2022

“EU SEI QUE VOU TE AMAR”, ALGUNS DISCOS QUE MAL ESCUTEI, E A DICOTOMIA EXTREMA NA MÚSICA BRASILEIRA ATUAL.

 

Há um lado da cultura brasileira que costumava nos orgulhar: a MÚSICA POPULAR.

Mas, seguindo a nossa tendência histórica ao desequilíbrio, nunca os extremos de qualidade estiveram tão pronunciados!

É curioso, mas ao contrário do que aparenta, a M.P. B vive, nos últimos trinta anos, BOOM CRIATIVO próximo ao espetacular!

E, tudo junto e ao mesmo tempo agora, está nítida a queda geral de qualidade no segmento da MÚSICA POPULAR, digamos boa, porém menos sofisticada.

O que levou a uma concentração nos dois polos:

o MAIS SOFISTICADO que está bombando em qualidade. E a MÚSICA MAIS POPULAR, que vem se transformando em POPULARESCA, e descendo a níveis artísticos e técnicos antes inimagináveis!

O meio de campo praticamente desapareceu. E sem meio campo os times não jogam!

Artistas populares, como o ROBERTO CARLOS, entre tantos vários, migraram em letras para o POPULARESCO, e estacionaram no óbvio em termos puramente musicais. E mesmo a produção técnica continuando excelente – o que disfarça a falta de conteúdo, ou puro mau gosto!

Seria um desperdício de potencial, ou foram os talento que se esgotaram sem que tenha havido uma renovação?

O mais provável, talvez, é que as circunstâncias do mercado em que eles sempre atuaram tenha exigido esse movimento. Para baixo…É justamente nessa faixa do meio que as coisas foram “down the river” – e não é de hoje.

Foi nela que se instalou o novo POP BRASILEIRO: o SERTANEJO, O AXÉ, e o novo R&B/RAP à brasileira, de gente como ANITTA, e esse monte de RAPPERS e MCs. Tudo grandioso e bem produzido, mas ralo. Entre o meio tolo e o puramente vulgar. O segredo de todos eles é se concentrarem no ritmo e no dançante. E no PRIMÁRIO evocando o PRIMATA que existe em todos nós.

Dançar é preciso. Mas já dançamos ouvindo coisa melhor…

Existe o muito pior. O que dizer uma banda chamada “PICIRICO”, executando – literalmente – um troço chamado LEPO-LEPO?

E esta apropriação brasileira da parte péssima da música negra americana?

O RAP e suas letras ofensivas, mal escritas, mal pensadas, de conteúdo difuso refletindo má educação e ignorância, e não protesto, como alguns bem-pensantes acreditam.

Há o FUNK PANCADÃO e sua monotonia rítmica, ausência de harmonia e melodia mesclados por samplers vulgares? Sem falar do que pensam sobre, e de que jeito agem com as mulheres!

Nos anos 1960, os mais velhos se horrorizavam com as letras dos BEATLES, STONES e do JIM MORRISON. Tentem comparar com as de hoje…

Porém, há o lado oposto.

Nossa MÚSICA INSTRUMENTAL É DE ALTÍSSIMA CLASSE executada por músicos nunca menos que brilhantes. Procurem por “VENTO EM MADEIRA”, “PAU BRASIL “, NELSON AYRES, MAURO SENIZE, ANDRÉ MEHMARI, e CDs da gravadora Biscoito Fino, em geral. E por alguns novos postados na foto.

É interessante, mas com a queda das grandes gravadoras expandiu-se, no Brasil – e pelo mundo -, um série de pequenas e médias, que contrataram artistas como a GAL, a BETHÂNIA e o CHICO, resumindo em alguns. Eles continuam produzindo com qualidade “as ever”…

E há os consagrados menos famosos como JOYCE, OLIVIA BIYNGTON, VANIA BASTOS – a melhor cantora do Brasil – TONINHO HORTA, EGBERTO GISMONTI. E os novos, cantores e cantoras de diversos estilos como FABIANA COZZA, CÉU, TULIPA RUIZ, e outras tanta!.

E, claro, os excelentes de sempre como MARISA MONTE, CAETANO, ZECA PAGODINHO…

Procurem conhecer a obra monumental e algo fora do esquadro de MARCOS VALLE – respeitadíssimo lá fora!

Achem o disco feito com uma das melhores cantoras de JAZZ DO MOMENTO, STACEY KENT. Um primor!

Enfim, são impressões de um coroa meio elitista, mas que não tem preconceitos nessa área. Tenham certeza, ainda fazemos direito e gostoso – oopsss!

Mas, está na hora de ajudarmos a descontaminar esse ambiente. É a opinião de um CIDADÃO dessa PATÓPOLIS TROPICAL, cansado de pagar o pato, mesmo sabendo que são os PATOS-CIDADÃOS que sempre quitam o preço da bagaça.

Boa música, porque ela existe de montão. E “Quá, Quá” pra vocês!
Postagem original: 04/03/2023

MILES DAVIS – COLUMBIA RECORDS, EDIÇÕES LIMITADAS DE LUXO

QUEM PROCURA MILES DAVIS ENCONTRA EXCESSOS. É DOS POUCOS ARTISTAS QUE NÃO ENJOAM, MESMO QUANDO ALÉM DA CONTA.

AQUI ESTÃO ALGUNS ÁLBUNS LUXUOSOS E, CLARO, COLECIONÁVEIS ATÉ A MEDULA!

1) HÁ “MILES E COLTRANE COMPLETOS”, 1955-1961. DIZER O QUÊ? ENTRE AS PRECIOSIDADES ESTÁ “KIND OF BLUE”,1959, VOCÊS CONHECEM?

HÁ, TAMBÉM “MILESTONES”, 1958; “SOMEDAY MY PRICE WILL COME”, 1961; “ROUND ABOUT MIDNIGHT”, 1962, E ALGUM ETC…

2) “OS QUINTETO COMPLETOS” 1965-1968; SÓ GENTE “PEQUENA”: WAYNE SHORTER, HERBIE HANCONCK, RON CARTER & TONY WILLIANS.

DENTRO ESTÃO “ESP”; “MILES SMILES”; “SORCERER”; “NEFERTITI”; “MILES IN THE SKY”; “FILLES DE KILIMANJARO”, E RESPECTIVAS SESSÕES. É FARTURA DE RODÍZIO DE CHURRASCO!

3)TUDO DE “MILES E GIL EVANS” 1958-1968. “MILES AHEAD”; “PORGY AND BESS”, SKETCHES OF SPAIN”; “QUIET NIGHTS”, O FANTÁSTICO “MILES + 19”, E ENORME SESSÕES, E TUDO, TUDO MAIS!

4) “IN A SILENT WAYS” INTEGRAL 1968-69, SÃO VÁRIOS DISCOS ALÉM DO TÍTULO;

5) E FINALMENTE “BITCHES BREW”, 1969, EDIÇÃO COMPLETA DE 40 ANOS. O MESMO ESQUEMA, TUDO O QUE FOI PENSADO, FEITO, GRAVADO, E COLETADO.

AS CAPAS SÃO O FINO: BORDAS EM METAL, COM A GRAVAÇÃO DOS NOMES, E OS LIVRETOS SOBERBOS.

CERTAMENTE FALTAM ALGUNS. INFELIZMENTE!

TUDO O QUÊ MILES DAVIS FEZ FOI EXCESSIVO E SUPERLATIVO. ERA UM WORKAHOLIC, UM AMERICANO TRABALHADOR AO EXTREMO!

FICOU MILIONÁRIO, E MERECEU CADA CENTAVO, CADA GOLE, OU CAFUNGADA.

CRIOU ESTILOS, ÉPOCAS, MODAS. E INFLUENCIOU EM TUDO QUE FOI FEITO EM MÚSICA, ENTRE 1948, E SUA MORTE – E BEYOND!

MILES EXIGE POSTAGEM, ATENÇÃO, ANÁLISE, E CRÍTICA DETALHADA PARA CADA GRAVAÇÃO QUE FEZ, OU DISCO QUE LANÇOU OU VENHA A SER LANÇADO!

ELE É UM GÊNIO IMORTAL, E POR ENQUANTO INIGUALADO.

SERIA INIGUALÁVEL?

EU VIVO CAÇANDO DISCOS DO PRETINHO DESDE SEMPRE, E FOREVEER AND EVER!

FAÇAM AS SUAS APOSTAS!
Edição original: 04/03/2018

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THE WHO – WHOS’ NEXT – EM TRÊS VERSÕES: VINIL e CDS

Eu criei e mantenho uma espécie de ALFARRÁBIO MENTAL, acúmulo mal filtrado de leituras e percepções de passado remoto.

Nascido na década de 1950, mas criatura dos 1960 e 1970, onde formei vocabulário de vida que, independentemente de tudo, ainda resguarda convicções, prazeres, seduções e parte da minha visão de mundo.

Filosofices à parte, hoje recordei frase de crítico em publicação importante, talvez a MELODY MAKER, quando “WHO´S NEXT” foi lançado, em 1971.

O cara escreveu mais ou menos o seguinte: “Se você não for um jovem intoxicado por barulhos e “otras cositas mas”, terá de admitir que o “WHO” evoluiu”!

Claro, eu fui um dos intoxicados por barulhos brancos, ROCKS pesados digeridos feito pedra, mesmo que a única “cosita a mas” que me intoxicava – e continua intoxicando – é a cerveja!

Mas o tempo, senhor absoluto da dissenção, no caso fez-me ver que, realmente, “THE WHO” evoluíra.

Gosto do WHO, como a maioria dos rockers da minha geração, e das posteriores também. Mas, os prefiro na fase antes de TOMMY explodir, em 1969. Vou expor minha visão sobre a música deles no período.

Acho os SINGLES da banda excelentes, talvez os mais violentos, joviais e pesados feitos de meados para o final dos 1960. Há diversos excepcionais como “I CAN SEE FOR MILES”, “PICTURES OF LILY”, “MY GENERATION” e “MAGIC BUS”, para escolher uns poucos!

O primeiro álbum, “THE WHO SINGS MY GENERATION”, 1965, é garageiro, visceral e imprescindível. Colisão efervescente de R&B e BEAT ROCK. Na sequência, “A QUICK ONE”, 1966; “THE WHO SELL OUT”, 1967; e “MAGIC BUS”, 1968, formam a TRIO PSICODÉLICO tipicamente britânico, e são a cara deles, também: ROCK PESADO e bem feito.

Deixo prá lá “TOMMY”, “QUADROPHENIA”, e os discos posteriores.

Resumindo o resumo, e considerando as performances ao vivo, é uma banda de ROCK espetacular!

É interessante, o álbum resultante em “WHO´S NEXT” é o que sobrou de uma ideia maluca e megalomaníaca de PETE TOWNSHEND.

Quiseram ir além do que haviam conseguido com TOMMY, que o tempo demonstrou ser disco profético: afinal, “putativos cegos, surdos e mudos” manipulando “computadores’ em videogames, jogos virtuais; e isolados em si mesmos é o que se vê mundo afora, em qualquer lugar ou cidade. Claro, é uma constatação limite. Operar e interagir com a modernidade tecnológica é essencial, e isso atrai os mais jovens…

PETE queria em “LIFEHOUSE” nada menos do que fazer a obra definidora, e pretensamente definitiva que revitalizasse o ROCK como utopia funcional, usando a energia das ruas, e desvelando uma certa singeleza bem intencionada nas pessoas…Algo um pouco diferente da utopia HIPPIE sessentista.

Ele pensou o ROCK como real veículo de consciência; mais reflexivo, e mais livre de imposições comerciais, integrando o público e todo o ambiente dos concertos à performance da BANDA. E trabalhou para criar algo que envolvesse eletrônica, computadores e teatro. Ou seja, uma performance total, que elevaria o ROCK a outro patamar artístico e existencial. Só isso, modestamente…

Talvez ele não percebesse que tudo que é totalizante pode tender ao totalitário… Mas, aí é outro papo.

Para isso, escreveu material para um álbum conceitual duplo. Queria fazer um filme, também…E fizeram algumas apresentações em teatro… Mas, foi tudo pela escadaria do tempo abaixo, porque impossível e cheio de entraves técnicos e financeiros.

O que restou das músicas já gravadas foram em parte utilizadas na estruturação de “WHO’S NEXT”. E muita coisa foi perdida.

A visão geral revela um disco de HARD ROCK PROGRESSIVO. Há gotas remanescentes do R&B original, de algum FOLK, e tudo embebidos no ROCK PSICODÉLICO pelo qual passaram, mas formando na perspectiva como a de seus concorrentes daquele momento.

Parafraseando CHRISSIE HINDE, que veio bem depois: “Don’t Get me Wrong”. Havia todo um clima e sonoridade que passou pelo JETHRO TULL, HUMBLE PIE, URIAH HEEP, TRAPEZE, o próprio LED ZEPPELIN. O que fez “THE WHO” foi sintetizar esse climão no estilo e do jeito deles. A produção foi da banda, com a participação de todos, e de GLYN JOHNS.

“WHO´S NEXT” é o primeiro disco da história onde os computadores, que foram programados sequencialmente por PETE TOWNSHEND, participam como integrantes estruturais da obra!!!! Depois disso, inundaram o POP e a música em geral para todo o sempre!

Os arranjos estão mais bem elaborados. Além dos sintetizadores, há violino, e o piano com NICK HOPKINS, AL KOOPER, e outros. A pegada de KEITH MOON na bateria está mais disciplinada. E o violão e a guitarra de TOWNSHEND muito bem tocados. Em algumas faixas percebe-se sonoridade à JOE WALSH que, aliás, o havia presenteado com uma cópia da guitarra dele.

O baixo muito eficiente de JOHN ENTWISTLE brilha nesse disco; E a interpretação de ROGER DALTREY continuou incendiária. E talvez ele, PETE TOWNSHEND, e ENTWISTLE nunca tenham cantado tão bem!

Tudo considerado é nitidamente THE WHO, mas cultivando cepas nobres na videira tradicional…Então, agora TIO SÉRGIO acha, sim, que é o melhor álbum feito por eles!

Seria?

Dias atrás, vi este PICTURE DISC recente do “WHO´S NEXT”, lançado em 2023. É muito bonito e eles prometeram VINIL de qualidade com 180gramas. Custou perto de $14,00 BIDENS, uns R$ 75,00 MANDACARUS pátrios, entregues na minha toca.

Postei duas versões em CD; uma japonesa, mais equilibrada, em SHMCD, mas sem quaisquer bônus. A outra, é americana e um tanto mal remasterizada, mas que traz material adicional da época.

Temos aqui um verdadeiro clássico, e ainda bastante atual.

Não deixem de ter!

THE WHO – WHOS´NEXT – EM TRÊS VERSÕES: VINIL e CDS

Eu criei e mantenho uma espécie de ALFARRÁBIO MENTAL, acúmulo mal filtrado de leituras e percepções de passado remoto.

Nascido na década de 1950, mas criatura dos 1960 e 1970, onde formei vocabulário de vida que, independentemente de tudo, ainda resguarda convicções, prazeres, seduções e parte da minha visão de mundo.

Filosofices à parte, hoje recordei frase de crítico em publicação importante, talvez a MELODY MAKER, quando “WHO´S NEXT” foi lançado, em 1971.

O cara escreveu mais ou menos o seguinte: “Se você não for um jovem intoxicado por barulhos e “otras cositas mas”, terá de admitir que o “WHO” evoluiu”!

Claro, eu fui um dos intoxicados por barulhos brancos, ROCKS pesados digeridos feito pedra, mesmo que a única “cosita a mas” que me intoxicava – e continua intoxicando – é a cerveja!

Mas o tempo, senhor absoluto da dissenção, no caso fez-me ver que, realmente, “THE WHO” evoluíra.

Gosto do WHO, como a maioria dos rockers da minha geração, e das posteriores também. Mas, os prefiro na fase antes de TOMMY explodir, em 1969. Vou expor minha visão sobre a música deles no período.

Acho os SINGLES da banda excelentes, talvez os mais violentos, joviais e pesados feitos de meados para o final dos 1960. Há diversos excepcionais como “I CAN SEE FOR MILES”, “PICTURES OF LILY”, “MY GENERATION” e “MAGIC BUS”, para escolher uns poucos!

O primeiro álbum, “THE WHO SINGS MY GENERATION”, 1965, é garageiro, visceral e imprescindível. Colisão efervescente de R&B e BEAT ROCK. Na sequência, “A QUICK ONE”, 1966; “THE WHO SELL OUT”, 1967; e “MAGIC BUS”, 1968, formam a TRIO PSICODÉLICO tipicamente britânico, e são a cara deles, também: ROCK PESADO e bem feito.

Deixo prá lá “TOMMY”, “QUADROPHENIA”, e os discos posteriores.

Resumindo o resumo, e considerando as performances ao vivo, é uma banda de ROCK espetacular!

É interessante, o álbum resultante em “WHO´S NEXT” é o que sobrou de uma ideia maluca e megalomaníaca de PETE TOWNSHEND.

Quiseram ir além do que haviam conseguido com TOMMY, que o tempo demonstrou ser disco profético: afinal, “putativos cegos, surdos e mudos” manipulando “computadores’ em videogames, jogos virtuais; e isolados em si mesmos é o que se vê mundo afora, em qualquer lugar ou cidade. Claro, é uma constatação limite. Operar e interagir com a modernidade tecnológica é essencial, e isso atrai os mais jovens…

PETE queria em “LIFEHOUSE” nada menos do que fazer a obra definidora, e pretensamente definitiva que revitalizasse o ROCK como utopia funcional, usando a energia das ruas, e desvelando uma certa singeleza bem intencionada nas pessoas…Algo um pouco diferente da utopia HIPPIE sessentista.

Ele pensou o ROCK como real veículo de consciência; mais reflexivo, e mais livre de imposições comerciais, integrando o público e todo o ambiente dos concertos à performance da BANDA. E trabalhou para criar algo que envolvesse eletrônica, computadores e teatro. Ou seja, uma performance total, que elevaria o ROCK a outro patamar artístico e existencial. Só isso, modestamente…

Talvez ele não percebesse que tudo que é totalizante pode tender ao totalitário… Mas, aí é outro papo.

Para isso, escreveu material para um álbum conceitual duplo. Queria fazer um filme, também…E fizeram algumas apresentações em teatro… Mas, foi tudo pela escadaria do tempo abaixo, porque impossível e cheio de entraves técnicos e financeiros.

O que restou das músicas já gravadas foram em parte utilizadas na estruturação de “WHO’S NEXT”. E muita coisa foi perdida.

A visão geral revela um disco de HARD ROCK PROGRESSIVO. Há gotas remanescentes do R&B original, de algum FOLK, e tudo embebidos no ROCK PSICODÉLICO pelo qual passaram, mas formando na perspectiva como a de seus concorrentes daquele momento.

Parafraseando CHRISSIE HINDE, que veio bem depois: “Don’t Get me Wrong”. Havia todo um clima e sonoridade que passou pelo JETHRO TULL, HUMBLE PIE, URIAH HEEP, TRAPEZE, o próprio LED ZEPPELIN. O que fez “THE WHO” foi sintetizar esse climão no estilo e do jeito deles. A produção foi da banda, com a participação de todos, e de GLYN JOHNS.

“WHO´S NEXT” é o primeiro disco da história onde os computadores, que foram programados sequencialmente por PETE TOWNSHEND, participam como integrantes estruturais da obra!!!! Depois disso, inundaram o POP e a música em geral para todo o sempre!

Os arranjos estão mais bem elaborados. Além dos sintetizadores, há violino, e o piano com NICK HOPKINS, AL KOOPER, e outros. A pegada de KEITH MOON na bateria está mais disciplinada. E o violão e a guitarra de TOWNSHEND muito bem tocados. Em algumas faixas percebe-se sonoridade à JOE WALSH que, aliás, o havia presenteado com uma cópia da guitarra dele.

O baixo muito eficiente de JOHN ENTWISTLE brilha nesse disco; E a interpretação de ROGER DALTREY continuou incendiária. E talvez ele, PETE TOWNSHEND, e ENTWISTLE nunca tenham cantado tão bem!

Tudo considerado é nitidamente THE WHO, mas cultivando cepas nobres na videira tradicional…Então, agora TIO SÉRGIO acha, sim, que é o melhor álbum feito por eles!

Seria?

Dias atrás, vi este PICTURE DISC recente do “WHO´S NEXT”, lançado em 2023. É muito bonito e eles prometeram VINIL de qualidade com 180gramas. Custou perto de $14,00 BIDENS, uns R$ 75,00 MANDACARUS pátrios, entregues na minha toca.

Postei duas versões em CD; uma japonesa, mais equilibrada, em SHMCD, mas sem quaisquer bônus. A outra, é americana e um tanto mal remasterizada, mas que traz material adicional da época.

Temos aqui um verdadeiro clássico, e ainda bastante atual.

Não deixem de ter!
Postagem original: 03/03/2024