JOÃO GILBERTO, O SEMINAL.

Eu e o JOÃO GILBERTO nos defrontamos algumas vezes.
Não, queridões, queridonas e “querides”! Foi por admiração e necessidade que eu o descobri.
Eu sou do ROCK. Mas JOÃO causou ao mesmo tempo em que os BEATLES, STONES, e quem mais você imaginar começaram a existir musicalmente. São mais a minha praia e turma.
JOÃO GILBERTO não fez JAZZ. Ele é um revolucionário da MPB, mais próximo do SAMBA. Seu jeito de tocar e usar o violão abriu possibilidades além do que se ouvia, naqueles tempos.
De certa maneira, JOÃO impôs barreira com o passado, que foi reinterpretado depois que ele surgiu. E quando juntou-se a VINÍCIUS DE MORAES e outros jovens, sofisticaram a música brasileira de tal forma que passou a ser possível tocá-la de outro modo. Na América, a turma de lá o classifica como EASY LISTENING, ou JAZZ.
A BOSSA NOVA é plenamente “JAZZIFICÁVEL”, porque cheia de hipóteses e grandezas que a tornam harmonicamente apta para improvisações jazzísticas, criações além do que parece no primeiro contato. E nem vou falar de STAN GETZ, ASTRUD GILBERTO e diversos tantos que colocaram a nossa música sofisticada além dos HIT PARADES.
Anos atrás, fui fazer exames médicos, e a médica que me atendeu fez as perguntas de praxe; e, puxando papo, eu disse que gosto de música. Ela respondeu que o marido adorava JOÃO GILBERTO e a BOSSA NOVA, e que ela não sabia muito bem o porquê? Expus detalhes, explicações; e confirmei que o maridão tinha muito bom gosto…
Não muito tempo depois, em feira de discos na AVENIDA PAULISTA, apareceu o 78 RPM “CHEGA DE SAUDADES” e, no lado 2, “BIM-BOM”. Eu estava duro e sem cheques. Pedi um tempo ao vendedor para tentar encontrar meios de ficar com o raro artefato. Para mim, o disco simboliza o marco inicial da BOSSA NOVA e da revolução que trouxe à música brasileira.
Não consegui comprar. E nunca mais vi o disco!
Dia desses, encomendei o LONG PLAY da postagem. O disco original não tinha mais do que 23 minutos de duração. Coisa que o que só o DAVE CLARK FIVE cometia em seus tempos áureos, lá por 1964/1966.
A edição nova traz 20 músicas ocupando todo o espaço disponível. É justo, já que o preço final, uns $ 40 BIDENS, perto de R$ 200 mandacarus, justifica entregar algo mais recheado.
Este é o JOÃO GILBERTO. Vai demorar um bom tempo até que eu possa ouvi-lo em VINIL. Não importa: JOÃO GILBERTO é único, ultramoderno, e faz parte dos imortais da cultura POP universal!
POSTAGEM ORIGINAL: 11/07/2023
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ROBERT PLANT: RECONSTRUÇÃO VITORIOSA DA CARREIRA DEPOIS DO LED ZEPPELIN

Gênios a gente conta nos dedos. São poucos.
Artistas como TOM JOBIM, PAUL McCARTNEY, MILES DAVIS, JOHN COLTRANE, e DAVID BOWIE por exemplo, são exceções dentro da minoria que congrega os grandíssimos e talentosos. São gênios!
Os geniais e superdotados existem aos montes – e ainda bem!
Vejam o LED ZEPPELIN. Lá havia três superdotados musicais: JIMMY PAGE, JOHN PAUL JONES ( baixo ) e ROBERT PLANT, “músicos geniais”. E um adequado eficaz: o baterista JOHN BOHNAN.
A conjunção terrena, e astral também, conspirou para a formação da talvez maior banda de ROCK da década de 1970. Eles imperaram; mesmo concorrendo com gente de nível igual, como o PINK FLOYD.
Limpando minhas coisas, observo a estante e vejo uma coletânea de PLANT. Esquento os motores com a vassoura e o espanador, e ponho pra rolar. Eu já gostava, e acho que o compreendi mais a fundo.
Estão no disco dez entre as 40 canções dos CINCO discos que PLANT gravou, entre 1981 e 1990. São muito boas. Melódicas, mas pesadas. E venderam bem; facilitando para que ROBERT reorientasse a carreira.
O LED ZEPPELIN é ícone, e o que fez está disponível para quem quiser ouvir. Explodiu na AMÉRICA e no mundo, e se tornou a referência maior para os nascentes HARD ROCK e HEAVY METAL, gêneros ainda indistinguíveis, em 1969.
ROBERT PLANT é considerado o maior cantor de HEAVY METAL da HISTÓRIA, por muitas publicações e vasto etc… ( Eu concordo!!!).
Mas, TIO SÉRGIO, PLEASE!!!! Como pode!!! se o ZEPPELIN e o PLANT jamais cantaram o HEAVY METAL típico?
Pois, é: essa é mais uma das características de PLANT. Um óbvio potencial vocal para o que viria ser o HEAVY METAL, canalizado para a outra possibilidade nascente: o HARD ROCK.
Sua voz aguda, extensa e clara facilitou que PLANT abarcasse os dois mundos de maneira pessoal, única! Para, no decorrer da carreira, adapta-la a outras possibilidades.
PLANT é bom ouvinte, descobridor e agregador de talentos, e sabe de seus limites e potenciais. Hoje, coloca a voz com pertinência estudada. Administrou-se artisticamente a vida inteira.
A morte de JOHN BOHNAN, em dezembro de 1980, extinguiu o LED ZEPPELIN por falta de clima e outros detalhes. PLANT tinha apenas 32 anos de idade! E sucesso absoluto e inquestionável, por doze!!! Extremamente jovem e vivido!
Então, o quê fazer?
ROBERT é lúcido, estratégico; e mesmo tendo a possibilidade, intuiu que prosseguir carreira fazendo mais do mesmo poderia limitá-lo e torná-lo autoparódia; espelho borrado de um passado onde estivera entre os maiores.
É minha opinião que PLANT sabia mais o quê não queria, e menos sobre o caminho a seguir. Tinha ciência do legado que ajudara a forjar e não poderia ser descartado. Não dá pra imaginar concerto de quaisquer dos ex-ZEPPELIN sem tocar os grandes clássicos atemporais. Não rola; porque são obrigatórios.
Então, o novo jogo seria um sutil equilíbrio entre o “porvir” – nossa TIO SÉRGIO!!! -, a fidelidade a si mesmo, e a base de fãs do LED ZEPPELIN. E PLANT necessitou aprender o “novo”, e observar “o que” funcionava para ele.
Seus discos na década de 1980 são pesados, e incorporam tecnologias e novidades: sintetizadores, teclados, e o uso dos nascentes computadores na música. Mas, não fogem do ROCK, do “BLUES – ROCK” e algo do PROGRESSIVO. Estilos em voga naqueles tempos e parte do acervo de potencialidades de PLANT.
As produções evitam longos solos de guitarras, mas não o uso correto e instigante do instrumento. PHIL COLLINS está nos dois primeiros discos. E PAGE participou de algumas faixas, mas sem o jeito caudaloso, típico da década de 1970. Gosto já questionado pelo público mais jovens, que exigia mais concisão.
ROBERT PLANT recolocou-se na geração do novo ROCK simpático às tecnologias nascentes, à música eletrônica e às várias formas do PÓS-PUNK e da NEW WAVE. Mas sem ser chato, pretencioso, ou perder a essência do original; e cuidou para não tornar-se datado por modismo escancarado.
Com o tempo, trabalhou com gente graúda, também. Mas, sem esquecer os primórdios; e aproveitou bem o novo, criando discos artisticamente relevantes.
De qualquer forma, ele se manteve antenado com a tradição do COUNTRY, do BLUES, do ROCK AND ROLL CLÁSSICO e do FOLK BRITÂNICO. Acervo imenso!
No entremeio abriu-se para o que acontecia na ÁFRICA, no ORIENTE MÉDIO e na ÁSIA. Flertou muito com o nascente WORLD BEAT, formando bandas e recrutando músicos talentosos para compor o seu “approach” diferenciado com a tradição. Ele encontrou o diferente, mas não assumiu o totalmente exótico.
Em 1993, PLANT criou “FATE OF THE NATIONS”, álbum seminal em seu portfólio. Tocam e cantam lá constelação de craques daquela geração; e gente mais tradicional, como o guitarrista RICHARD THOMPSON, e a vocalista do CLANNAD, MÁIRE BRENNAN.
O disco tem “sonoridade” que recorda “WISH”, excelente álbum do CURE, de 1992, o que reflete a tendência da época.
De algum jeito o disco inspirou a incursão de ROBERT PLANT e JIMMY PAGE na WORLD MUSIC. Culminando em “NO QUARTER”, disco ao vivo de 1994, mesclando “set” que inclui o ZEPPELIN clássico, e certas músicas como KASHMIR – em releituras ultra criativas, juntando orquestra de músicos do Marrocos, e outras paragens.
Uma das consequências foi o “Revival” da dupla por quase quatro anos, com passagem espetacular pelo BRASIL, no ROCK IN RIO, de 1996. Eles fizeram outro disco perfeitamente dispensável, BACK TO CLARKSDALE. E fecham um ciclo na vida de ambos.
PLANT seguiu e formou a STRANGE SENSATION BAND, continuou gravando e mesclando sonoridades ligadas à WORLD MUSIC, e usando instrumentação eletrônica. Os discos tornaram-se mais “ETHEREALS”, viajantes. E fora da “tradição” .
DREAM LAND, 2002, tem parte do repertório composto por covers: coisas de DYLAN, TIM ROSE, etc…, músicas mais tradicionais com tratamento atualizado para aqueles tempos. O disco foi indicado ao GRAMMY.
MIGHT REARRANGERS, 2005, retoma a FUSION AFRO-BLUES-FOLK – WORLD MUSIC – ROCK – CELTA, sei lá… e acrescenta à banda o guitarrista JUSTIN ADAMS. Músico incomum e fora do escopo tradicional do ROCK.
Só que…
O produtor de TV americano, BILL FLANAGAM, convidou PLANT e a excelente cantora e violinista de COUNTRY/ BLUEGRASS, ALISON KRAUSS, para gravarem cantando juntos em seu programa. A ideia era explorar a possível, ou não, integração entre contrastes.
Foi sucesso retumbante!
A voz bonita, educada, afinada e quase angelical de ALISON combinou com a de ROBERT PLANT – contida, bluesy, e adequadamente postada. Fluíram bem no repertório tradicional da COUNTRY MUSIC.
E o resultado foi o belíssimo “RAISING SAND”, gravado em 2007; e ultra bem produzido por T.BONE BURNNET, com a participação de músicos em nível de MARC RIBBOT, na guitarra. A banda soa pesada, com baixos mais nítidos e percussão marcada – afinal, ROBERT está lá! – , mas sem perder afinidade com a delicadeza da música COUNTRY, e ressaltando os talentos de ALISON KRAUSS.
Resultado? Foi 5 vezes premiado com o GRAMMY; e os dois correram o mundo em shows. Que, aliás, recomeçaram para divulgar o novo disco da dupla, RAISE THE ROOF TARGET, lançado em 2021.ROBERT PLANT se considera um cara de sorte – e ela novamente bateu na porta…
A boa experiência com ALISON aproximou ROBERT da versátil cantora COUNTRY, PATTY GRIFFIN. Em 2010, ele formou o BAND OF JOY, com os excelentes guitarristas BUDDY MILLER e DARREL SCOTT, parte da nata dos músicos de NASHVILLE. Gravaram um disco bem sucedido e deixaram outro inédito na gaveta..
Vale a pena procurar no YOUTUBE os shows ao vivo; dinâmicos e mais para o COUNTRY, porém eivados por BLUES e ROCKABILLY, o que dá outro tempero às músicas do LED ZEPPELIN e da carreira solo dele. Em sentido mais amplo, é uma banda de SOUTHERN ROCK, talvez…
PLANT e PATTY GRIFFIN, eram namorados e romperam, mas são amigos. Ela continua em carreira solo, no TEXAS. E ele aproveitou a guinada ao tradicional para voltar ao país PAÍS DE GALES, descansar, repensar, enfim….
Do retiro resultaram LULLABY AND THE CEASELESS ROAR, 2014; e CARRY FIRE. 2017, mais focados no FOLK CELTA, e muito além… Ambos foram gravados com sua banda de longa data, THE SENSATIONAL SPACE SHIFTERS, uma transmutação ampliada da STRANGE SENSATIONAL BAND.
Estão lá o tecladista JOHN BAGGOTT, que passou pelo MASSIVE ATTACK e o PORTISHEAD – pasmem!!! -, responsável pelo som etéreo e climático dos discos. Também JUSTIN ADAMS, o genial multi – guitarrista e adjacências, e o excelente SKIN TYSON, também na guitarra.
Pelo que assisti, em show de anos atrás, eles conseguiram fundir a MÚSICA CELTA à “AFRICANO MARROQUINA”, e ajustar o que PLANT criou em sua carreira, do ROCK ao BLUES ao FOLK , para a sonoridade atualizada que vêm formatando há tempos.
ROBERT PLANT parece um sujeito sensato, que sabe dirigir o trabalho e prestigiar os que o assessoram. Mas talvez irremediavelmente solitário. Teve filhos; e um deles é dono de Cervejaria. E, depois que separou – se da mulher, na década 1970, namorou a cunhada e fizeram outro bebê… e lá se foi a putativa sensatez…
Sua carreira solo é pequena, uns dezesseis discos, alguns premiados, mas todos comercialmente vitoriosos. Ele continua relevante do ponto de vista musical.
Experimente; ou melhor: deguste.
POSTAGEM ORIGINAL:16/07/2022
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FEIJOADA? EU GOSTO!!!

No Guarujá existe um restaurante muito popular e tradicional chamado PANELA VELHA.
SÉRGIO REIS cantou os benefícios das caçarolas e suas parentes, em metáfora com o “sabor” das mulheres mais velhas, experientes, afirmando que se faz com elas comida boa.
Ahhn, nem sempre…
O restaurante é, para o meu gosto, agradável de ficar. Eu aprecio lugares simples, com atendimento simpático, bebidas geladas e comida honesta.
Gosto, também, de comer e beber sozinho acompanhado por um livro ou jornais. Sou amigo de botecos.
O PANELA é um desses lugares onde mais ou menos tudo funciona…
Mais ou menos. A comida transita entre o razoável e o medíocre; viés gastronômico é de baixa.
Quarta feira passada fui, sozinho, enfrentar uma feijoada. Prato popularíssimo da casa, pela quantidade oferecida, e o número de pessoas por lá comendo.
Bom, vou comentar: a dos caras deixa e sempre deixou a desejar, apesar do sucesso de público.Eu cozinho e gosto de cozinhar, portanto sei que não há justificativas para certos pratos serem mal feitos. A feijoada é um deles.
O que é uma feijoada além de um ensopado de feijão com carnes de porco e boi, temperados por ervas e condimentos do cotidiano, e acompanhado por couve, farofa, arroz e um bom molho?
Este, aliás, tem de ser um dos pontos fortes, senão desmerece; não ressalta o sabor.
Eu tenho uma receita básica: Depois dos procedimentos para dessalgar, coloco o feijão e os pertences numa panela de pressão com cebola, alho, cebolinha, louro e um pouco de sal.
Cozinho tudo junto; frito nada. Eu acho que dá certo e agrega sabor ao feijão, temperado por todos os ingredientes e tudo junto ao mesmo tempo na hora. O feijão fica divino – pelo menos no conceito do tio Sérgio.
O molho eu faço com pimenta dedo de moça, retirando um pouco das sementes; agrego louro, alho, cebola, cebolinha e limão para dar o acento final. Misturo tudo isto com o caldo do feijão; e pronto.
Um contêiner de cervejas e a perplexidade de nossas mulheres acompanham o banquete . Mas, a caipirinha e a trilha sonora garantem o prazer final. É fácil e muito eficaz.
POSTAGEM ORIGINAL: 15/07/02017

A TERCEIRA MARGEM DO RIO: A INSÔNIA E AS VIAGENS QUE ELA ME OBRIGA, E A SAGA INDEPENDENTE DO ROCK PSICODÉLICO NORDESTINO,

Noite insone dessas, dei de cara com o vídeo dessa conjunção extraordinária entre ZÉ RAMALHO e ROBERTINHO DO RECIFE.
Ambos, casos à parte na cultura nacional: profundamente brasileiros, porém ligados, “quase soldados”, ao ROCK INTERNACIONAL.
Talvez seja o que os torne distintos de “OS NOVOS BAIANOS”. A constatação, é que BABY, MORAES, GALVÃO, PEPEU e turma, estavam “ligados cronicamente” à MPB. O lado ROCK dos NOVOS BAIANOS é incidental.
Não basta ter guitarras e eletrificação dos instrumentos para ser ROCK. E ZÉ RAMALHO e ROBERTINHO conhecem perfeitamente os pontos de integração e da completa distinção.
Ambos criaram no último trabalho, que não encontrei ainda em CD, outra intersecção possível.
ZÉ RAMALHO, para os que sabem dos escaninhos do POP BRASILEIRO, é um dos autores de PAEBIRÚ, fantástico álbum FOLK-PSICODÉLICO com vestimenta nordestina. É, talvez, o disco mais raro e colecionável do Brasil; e com história trágica que o tornou internacionalmente CULT:
A gravadora ROZEMBLIT, no RECIFE, estocava a produção inteira do PAEBIRU, gravado pelo SOLAR, o selo de música experimental e alternativa da gravadora, quando houve a inundação que destruiu quase tudo. A tragédia levou o disco original a tornar-se raro, precioso e, portanto caro.
É bom expor que não basta ser raro; tem de ser bom. ROBERTO CARLOS e o LOUCO POR VOCÊ é, também, raríssimo, colecionável – mas ruim….
Na filmagem das gravações desse novo disco vemos um ZÉ RAMALHO que é ouro puro e duro. Metal bruto.
Durável?
Cantando bem, com vozeirão entre o barítono e o baixo; extensão, intensidade e pique, contrastando com seu atual e frágil visual, consequência de vida derretida em… viver!
Se a voz de DYLAN envelheceu sem gás; se WILLIE NELSON retumbou pra baixo; e se BRUCE SPRINGSTEEN expõe maturidade sorumbática e baixo-astral que nos lega decepção; ZÉ RAMALHO impõe a voz e assume o ROCK com a naturalidade do veterano. E se mescla à sonoridade criada pela banda METALMANIA: 3 jovens + ROBERTINHO DO RECIFE – guitarrista de talento imenso!
Senhoras, senhores e adjacências: o som resultante é ZÉ RAMALHO + HEAVY METAL+GÓTICO+FOLK DE MATIZES DIVERSOS.
Há versões do MOTORHEAD e de OZZY, com a qualidade lírica de ZÉ RAMALHO! Barulhinho bom, concordaria MARISA MONTE!
Acho que haverá repercussão do trabalho desses dois. Por via das certezas, veja o vídeo no YOUTUBE:PORTAL DAS ENTIDADES, Autor: Zé Ramalho e Robertinho de Recife Intérprete: Zé Ramalho e Robertinho de Recife Avôhai Music 2019
TIO SÉRGIO vai comprar esse disco!
POSTAGEM ORIGINAL:12/07/2023
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JETHRO TULL: DO FOLK – BLUES AO ROCK AO PROGRESSIVO: 1968 / 1972

Há possíveis mitos e verdades sobre o JETHRO TULL. Aprendi com meus alfarrábios que IAN ANDERSON foi assistir a um show de SIMON & GARFUNKEL, e comentou com amigo: “Mas é só isso? Pô, eu consigo fazer melhor!!!”
E fez, em minha opinião! Aliás, fizeram… Mito ou verdade?
Em um dos encartes que li ANDERSON conta que trocou sua guitarra, que havia pertencido a LEMMY – AHHHH… vocês sabem quem é!!! – por uma flauta Selmer “de entrada”.
E foi o que deu o tom diferenciado à banda e fama a si mesmo. Mas não a “paternidade”: o TRAFFIC já usava flautas e sopros e, sabe-se lá, pode ter sido inspiração…
É também verdade que TOMMY IOMMI, futuro BLACK SABBATH, tocou uns meses no TULL, em 1968. Gravou?
Descobriram que sim! Conhecem aquele disco de época, que saiu posteriormente, chamado “ROLLING STONES ROCK AND ROLL CIRCUS”? O JETHRO TULL participa e o guitarrista é o TOMMY!
Mas, tudo isto é acessório e imagem. O que vale é a obra concebida, parida e burilada pela banda. É curioso que não tenham ao menos tangenciado a PSICODELIA.
O primeiro álbum “THIS WAS”, era algo garageiro e próximo ao “ENGLISH BLUES” daqueles tempos. Damos graças à guitarra de MICK ABRAHAMS. Curioso: o JETHRO justapôs o BLUES ao FOLK, e ornamentou com tingimentos JAZÍSTICOS. É rude e áspero, mas tem algo de DAVE BRUBECK, digamos, “EASY LISTENING” … tipo assim injetado: está lá “Serenade to a Cukoo” de ROLAND KIRK!
O uso da flauta expandiu a banda em direção ao JAZZ. E IAN ANDERSON tocava fazendo “scating” com a voz, como ROLAND KIRK. O caminho não ficou tão longe…
JETHRO TULL, FLEETWOOD MAC, SAVOY BROWN, TEN YEARS AFTER, PINK FLOYD, FREE e HUMBLE PIE, para citar poucos, são “vizinhos” de geração. E todos, entre 1967 e 1969, estavam naquele lusco-fusco sonoro até hoje ainda não bem titulado. Porque não é PSICH, nem FOLK, e nem BLUES. Ainda não se havia definido completamente o ROCK PROGRESSIVO. Não durmam com um barulho desses!!!!
O JETHRO TULL como o conhecemos surge à partir do segundo disco, “STAND-UP”, de 1969; e se estabiliza no magnífico BENEFIT, em 1970; ambos entre o pesado e o FOLK; o urbano e o bucólico.
JETHRO sempre foi banda excelente, e prestem atenção ao craque JOHN EVANS arrasando no piano! Ouçam e tenham o imprescindível e “quase”- coletânea “LIVING IN THE PAST” (1972). Atentem, principalmente, para o lado gravado ao vivo! Eles foram e são grande sucesso nos EUA, e até hoje. Ultra merecidamente, diga-se!
Em 1971, eles sobem como foguete em ACQUALUNG, com o riff histórico e matador. É álbum conceitual que marcou época, inclusive pela capa impactante.
Para a imensa legião de fãs, é o melhor disco deles. Ainda bem que não há concordância plena! Já que alguns de seus LPs estão em mesmo nível.
E, por que tal impulso?
Uma das razões é a simbiose entre o IAN e o novo guitarrista. MARTIN BARRE incrustou no grupo a essência da guitarra pós HENDRIX, BECK, PAGE E CLAPTON:
Distorção controlada, agressiva e, ao mesmo tempo, melódica e fora dos cânones do BLUES. É a guitarra soando mais próxima a DAVID GILMOUR, portanto mais progressiva; mais tempos futuros…
MITO e RITO prontos; e o foguete permaneceu siderando. É o JETHRO TULL clássico e inconfundível que paira na estratosfera da música! É magnífico, até hoje.
“THICK AS A BRICK” é o começo de nova história. Tão grande e variada quanto essa. Mas cheia de percalços exigindo outras atenções para decifra-la. Qualquer hora eu tento…
Ah, tá; se vocês não lembraram quem era o LEMMY, eu refresco a memória. Foi o histórico baixista, cantor de voz rouca, e fundador do MOTORHEAD. Nada a ver com eles? Tenho dúvidas…
Percam-se no som e talento desta banda inigualada!
POSTAGEM ORIGINAL: 14/07/2020
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GOLPE DE 1964, OS MILITARES, E O NACIONALISMO POSSÍVEL. E A BOA MÚSICA JOVEM DA ÉPOCA!

Minha vida é pautada por música. Boa, de preferência. Quem me conhece, sabe que o meu interesse como cidadão vai além da música. Por isso, trouxe trilha sonora representativa do que rolava naquela época. Um pouco antes, um pouco depois, mas precioso e relevante.
Então,
1) Em 1964 houve, sim, um GOLPE de ESTADO e os militares assumiram o poder. Eu, democrata radical fui, e permaneço contra o movimento golpista.
E acho que faltou, por aqui, luta ideológica e intelectual pela imprensa e academia. Não houve discussão aberta e pública de ideias. Lembra muito os tempos correntes, de 2021 pra cá: muita gritaria e nenhum diálogo produtivo.
No início da década de 1960, já tínhamos gente como os franceses RAIMOND ARON e JEAN PAUL SARTRE que, do final dos anos 1950 a meados dos 1970, incendiaram os debates político-existenciais dentro da democracia francesa.
Porém, no BRASIL, faltou-nos o ativismo de ideias de intelectuais como ROBERTO CAMPOS, à direita; e CELSO FURTADO, pela esquerda. Ambos eram economistas preparados, atuantes, lúcidos e patriotas. Cito duas inteligências de peso, e que poderiam ter redirecionado as elites para uma solução “emotivo-racional” dentro de um regime democrático. Não aconteceu, infelizmente!
Eu partilho da opinião de que quase todos os grupos políticos daquele momento tinham projetos de golpe em andamento.
A começar por JOÃO GOULART, seus aliados e colaterais, que forçavam a reeleição dele, mesmo sabendo que era ANTICONSTITUCIONAL. E, inclusive por isso, mobilizavam ferrenha oposição ao governo de JANGO. E, da mesma forma, CARLOS LACERDA e grupos de direita. No final, deram o golpe os que detinham armas; e ponto. Os militares, claro!
Golpe nefasto, sob qualquer ponto de vista: porque a próxima eleição presidencial teria sido um ano e meio depois, em 1965. E os favoritos disparados eram LACERDA e JUSCELINO KUBISTCHEK.
Mas a geopolítica da época, Soviéticos versus Americanos – para variar – fermentada pela guerra fria, e principalmente pela “REVOLUÇÃO CUBANA”, feita na cara e no quintal dos americanos, incentivou os EUA desestabilizarem politicamente os países latinos. O Brasil, incluído, porque o maior da região.
O prejuízo maior e irremediável, para o BRASIL, foi INSTITUCIONAL. Até agora se fala do fatídico março de 1964, mobilizando nervos e cérebros; e estendendo a conversa, agora fiada, para os dias atuais, com BOLSONARO x LULA, na horrenda calcificação que nos desvia da solução do que importa.
Deu ruim!!! E assim permanece.
2) Para colocar pimenta nessa FEIJOADA PSICODÉLICA, vou lembrar fato interessante contado por OZIRES SILVA, fundador do ITA e da EMBRAER, no programa RODA VIVA, da TV CULTURA. Mostra bem o papel do acaso e da oportunidade na HISTÓRIA.
O coronel contou que, certo dia em 1968, o ditador – presidente, COSTA e SILVA rumava para SÃO JOSÉ DOS CAMPOS (SP) e o aeroporto de lá estava fechado. Não teve jeito e o avião pousou em CAÇAPAVA (SP). Quem o recebeu foi o então CAPITÃO OZIRES SILVA.
Muito jovem e bom de papo, OZIRES ousou e apresentou ao presidente uma série de ideias para a fundação de uma fábrica de aviões genuinamente brasileira. E foi de tal maneira convincente que, ao subir no avião, COSTA e SILVA disse que iria pensar no assunto.
Semanas depois, o general chamou OZIRES em Brasília, e o encarregou de fazer e dirigir o projeto da EMBRAER – que, hoje, é a potência “industrial – tecnológica” que sabemos.
No decorrer dos tempos, como um patriota verdadeiro e útil, OZIRES SILVA percebeu que a PRIVATIZAÇÃO da companhia era necessária e inevitável. E não se opôs.
COSTA e SILVA era chamado de burro e despreparado pela elite da época. Mas só por ter criado a EMBRAER, para mim o mito foi desmentido. E, convenhamos, COSTA e SILVA foi muito mais perspicaz e eficiente do que muito governo civil que veio após a redemocratização.
Alguém dúvida?
Ah, para dar charme à postagem, vai na foto alguns discos relevantes na época! E bem menos contestáveis do que as minhas opiniões sobre política.
Curtam!
POSTAGEM ORIGINAL: 13/07/2025
Pode ser uma imagem de 6 pessoas e texto que diz "KINKS 凶 แมรูง SEARCHERS THE THE STAR-CLUB CLUB STAR- ANPONTO CARISSN HOENI Wilson Simonal Noma NwboSadasombo Samba @WIL.SONSIMONAL WILSON SIMONAL S G BAMBA NOVO THE THE BEATLES' SECOND ALBUM MTE LONES ONESYB BOLL 0在家 IER BIBUYEA T6O4EM e STONES 12X5 LONON SVLVIA TELLES BOSSA BALADA BAЛbACO CO"

MARISA MONTE, JORGE BEN (JOR) E DAVE BRUBECK QUARTET: SINTONIAS

Várias vezes eu questiono o “por que” de certos discos terem sido tão impiedosamente criticados?
Rondando minha discoteca, enfiei a mão na “braguilha” de uma estante, e puxei o primeiro CD que o meu assédio encontrou: MARISA MONTE: “O QUE VOCÊ QUER SABER DE VERDADE”, lançado em 2011, pela EMI.
Eu meio que conhecia. Mas cansado pelo trampo doméstico de hoje, e pela mudança de lugar e reinstalação de um par de caixas acústicas; sentei, e coloquei o CD. Deixei rolar, e gostei.
É um disco singelo, jovial, e cheio de canções de amor bem contemporâneas, feitas pelo trio de superdotados, MARISA MONTE, CARLINHOS BROWN e ARNALDO ANTUNES.
ARNALDO é letrista telegráfico, escorreito, conciso e claro. MARISA é excelente cantora, muito agradável, e junto com BROWN, DADI e outros, conseguem melodias cativantes. A contrário de muita gente, achei o álbum adequado, bem feito, e até emocional.
Claro, irei além de HITS como “DEPOIS”; há outras pequenas delícias como AMAR ALGUÉM, O QUE SE QUER, ERA ÓBVIO, HOJE EU NÃO SAIO… Tudo funciona a contento, sem a pretensão de ser OBRA DE REFERÊNCIA.
Mas, logo de cara, na segunda faixa está “DESCALÇO NO PARQUE”, de JORGE BEN (JOR) , canção pegajosa, “chicletesca”, gravada em 1964; e, aqui, em versão muito legal!
No entanto, contudo, todavia e porém, os seis neurônios do TIO SÉRGIO ( até outro dia eram apenas cinco ) identificaram, parearam e compararam com TAKE FIVE, do DAVE BRUBECK QUARTET, gravada em 1959.
Conclusão: Eu quero ser “CASTRATI” em ÓPERA BUFA, se não for a mesma música!
Vai lá, e confere!!!!
POSTAGEM ORIGINAL: 12/07/2025
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“INSÔNIAS: E O “OUTONO DE MINHA LOUCURA”! MEMÓRIAS DO PROCOL HARUM; GRATEFUL DEAD; JEFFERSON AIRPLANE. E A INSANIDADE CRIATIVA DOS PIXIES

“In the autumn of my madness, when my hair is turning gray”… canta GARY BROOKER, em uma das faixas de “SHINE ON BRIGHTLY”, 1968, obra maior do genial, subavaliado e irrepetível “PROCOL HARUM”!
Clássico do ROCK na transição entre o PSICODÉLICO e o PROGRESSIVO, é disco acessível para quase todo gosto musical.
É Lindo e triste; “BRITISH”. A construção das letras é sublime. Eles tinham letrista exclusivo, KEITH REID; sofisticadíssimo, em nível da música que o PROCOL HARUM fazia.
GARY BROOKER morreu. Assim, como FREDDIE MERCURY e JIM MORRISON, ele deixou uma cratera intransponível. Não haveria jeito de continuar o grupo. Certas perdas são definidoras e definitivas.
Quase sempre me vem à cabeça esta faixa quando a insônia recorrente assola, e desencadeia medos e paranoias. E ativa desconexões entre os fatos objetivos. Ela realça o lusco-fusco sonolento que tranca o raciocínio, e me faz sofrer antecipadamente por algo que, talvez, jamais ocorra. É parte do outono da minha vida – loucura? É possível. Eu estou envelhecendo….
Algum tempo atrás, eu li no Estadão que BILL KREUTZMANN, baterista e fundador do GRATEFUL DEAD, estava lançando livro de memórias. Detalhe: as que ficaram, sobreviventes do excesso de drogas, álcool, sexo e tudo o mais que mitificou os “1960”; da cultura hippie à contestação política e comportamental. BILL não se lembra dos CONCERTOS, das JAM-SESSIONS ininterruptas, verdadeiras “RAVES SEM D.Js”.
JERRY GARCIA, mito do ROCK, líder, guitarrista, e também fundador do GRATEFUL DEAD, morreu durante um processo de desintoxicação. Teve um infarto, aos 53 anos, em 1995. O estado “natural” dele sempre fora estar constantemente “nublado”. JERRY preferiu ser livre e se drogar indefinidamente. E o corpo definiu: “e finito!”
JERRY GARCIA não teve tempo de escutar o professor, filósofo e historiador, LEANDRO KARNAL que, recentemente ponderou: “é preciso ter cuidados nesse debate sobre a liberação das drogas. Porque todo viciado é um dependente”.
Mais claro, impossível.
O GRATEFUL DEAD é, certamente, a banda americana de ACID-ROCK, também conhecido como PSICODELIA, mais famosa de sua época. Porém, tornou-se empresa que produz, vende, administra, os RITOS que mantêm o MITO em movimento. Estão corretos. Quem não age assim, é explorado e morre.
O GRATEFUL DEAD começou como todos. Inspirados nos BEATLES, STONES e na turma do COUNTRY e do BLUES. O primeiro disco é bastante convencional. Mas, do segundo em diante, para usar a expressão da época, houve DESBUNDE total. Eles nunca mais REBUNDARAM!
O charme do GRATEFUL DEAD é a constante improvisação, principalmente nas gravações ao vivo. As performances lembram resquícios do FREE – JAZZ , na tentativa de expandir a música “ad-infinitum”. Mas percebe-se nitidamente alguma limitação técnica, e repetição nos desempenhos.
É a forma livre de ver e executar obras que mesclam BLUES, ROCK e algo de JAZZ; sempre e exalando um quê da COUNTRY MUSIC…. O GRATEFUL DEAD têm um extenso fã clube, que os idolatra acima de tudo: os DEADHEADS! Eita nominho!!!!
Entre os contemporâneos, eu prefiro o JEFFERSON AIRPLANE, também americano da Califórnia. Faz músicas mais enxutas; EXPERIMENTAL e MUSICAL na medida certa. O caras eram tão desviantes comportamental e filosoficamente quanto o DEAD. Ambos faziam ROCK com estilo e imediatamente identificável.
Deixei exemplos dessa turma “nublada” na foto…
Por causa da insônia, noite incerta acabei assistindo a show dos PIXIES, feito em 2006. É a diferença entre o pato e o sapato: avesso do avesso total do GRATEFUL DEAD, PROCOL HARUM, e os nublados PSICH/PROGS em geral.
PIXIES fazem ROCK, claro; mas de outra estirpe. Talvez seja a banda que mais bem definiu a expressão ROCK ALTERNATIVO. Brilharam entre 1987 e 1991; e influenciaram decisivamente a geração GRUNGE, e bandas como o NIRVANA (US) e todo o novo ROCK que decolou de lá, e resiste até hoje. Já estiveram por aqui, no HOSPÍCIO DO SUL, conhecido como BRASIL. E continuam por aí, impunes…
A música dos PIXIES é dura, curta, visceral, mas bem tocada. FRANK BLACK, o vocalista gorducho e gritalhão, é a improvável mistura de querubim e rebelde sem nenhuma, mas nenhuma causa mesmo! Ele vocifera frases desconectadas, que contam fragmentos de histórias, ou sensações de alguma vivência… FRANK é lenda no PUNK e no GRUNGE; KIM DEAL, a baixista, também é! e JOEY SANTIAGO, o guitarrista eficaz ajuda na gandaia non-sense generalizada.
Se BOB DYLAN “KNOCKS ON THE HEAVEN´S DOOR”; e LOU REED espreita os “WILD SIDES”- os portais do inferno urbano; FRANK BLACK et caterva, parecem saídos de um CURSO PARA TREINAR DRAGÕES: cospem fogo pra todo lado! O público, muito jovem, adora. A gritaria que surge de repente casa com o instrumental insinuante e nem sempre óbvio; são enérgicos, e “anarquicamente organizados”!
Fazem show legal para assistir! Mas, será que eu gosto daquilo? Tenho dúvidas… Em meio ao caos acabei pegando no sono; dormitei e acordei – como está óbvio! Mas a vida nem sempre é tão óbvia assim!
E ainda bem!
POSTAGEM ORIGINAL: 11/07/2022
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TEN YEARS AFTER – BOX SET – 1967/1974 – DERAM, CHRYSALIS RECORDS, E OUTROS COMPLEMENTOS.

A SAGA DE ALVIN LEE, LEO LYONS, CHIC CHURCHILL e RIC LEE nesta BANDA SEMINAL na HISTÓRIA DO ROCK!
Imagine-se na pessoa do guitarrista e cantor de BLUES americano, GEORGE THOROGOOD, quando compôs HAIR CUT? Talvez a música mais legal, em um dos melhores discos que gravou!
GEORGE descreve minuciosamente, com humor e ironia, em um “BLUES – ROCK” da pesada, como era ser cabeludo, meio revoltado, aluno medíocre, e a vida inteira correndo atrás de discos!
A família dele tinha algumas receitas para desentortar o pepino. Mas não adiantou… Ele canta a própria vitória no underground com talento e algo mais…
Vá na estante, pegue e coloque um disco de BRUCE SPRINGSTEEN para rolar. E fique sabendo de frase corrosiva e lapidar que THE BOSS disse pelaí: “Na minha casa havia duas “coisas” impopulares: eu e a minha guitarra…”
Agora, cruze o Atlântico e dê uma parada na IRLANDA. E tome ciência de que o pai de VAN MORRISON era colecionador de discos de JAZZ e BLUES – e sua mãe também gostava e cantava…
Depois, pegue voo até NOTTINGHAM, na INGLATERRA, onde nasceu ALVIN LEE. E descubra que SAM e DORIS LEE, o papai e a mamãe de ALVIN, tinham discoteca “HIP”, fabulosa e rara, de BLUES E JAZZ, inclusive originais em 78 RPM…
Certa noite, foram ao concerto de BIG BILL BROONZY, o histórico BLUES MAN americano, que excursionava por lá. Na saída, carregaram BIG BILL para a casa deles.
ALVIN LEE tinha doze anos, em 1957, e conta que os pais o retiraram da cama para apresenta-lo ao ídolo. E depois, DORIS, BILL e SAM passaram a noite tocando BLUES no violão e cantando…
Conclusão: o JAZZ e o BLUES já circulavam pela GRÃ BRETANHA antes da explosão do BRITISH BLUES, no meio dos “1960”. E alguns pais eram suficientemente abertos para ouvir, comprar discos, e até incentivar aquela geração revolucionária! Ou seja, não faltou motivação. E deu no que deu…
Cortando caminho, o TEN YEARS AFTER desde o embrião, em 1962, e daí em diante, é criação de dois jovens músicos determinados e trabalhadores: ALVIN LEE, guitarrista e cantor; e LEO LYONS, baixo – o mais insistente, empreendedor e resiliente dos dois. Foi LEO quem cavou os primeiros contratos, impulsionou o fazer.
Aguentaram o papo das namoradas e o clássico atemporal: “ou eu, ou a banda”, ecoado universo afora…; Eles resistiram por todo “o” sempre… Foram amigos e parceiros de negócios o tempo inteiro. A banda era deles.
Juntos, toparam comer o pão que Asmodeu fermentou. Estiveram como JAYBIRDS em HAMBURGO, em 1962, no STAR CLUB, o caminho “natural” dos ingleses do BEAT/R&B da época. Lá, ALVIN LEE e LEO LYONS desenvolveram habilidades para tocar em conjunto. O SET da banda durava horas e não dava para cantar o tempo inteiro. Eram dois craques em seus instrumentos; e são a base JAZZY/BLUESY do futuro grupo.
Quando retornaram à INGLATERRA, aos poucos armaram o TEN YEARS AFTER. Veio CHIC CHURCHILL, tecladista e pianista excelente; em nível de ALVIN E LEO. E acharam RIC LEE, o baterista ideal e sem frescuras, que sabia garantir o ritmo e o andamento para os três outros brilharem. Cozinha e sala completadas, botaram pra quebrar.
O quatro são fundamentais para esse grupo formidável destacar-se já em 1967!
E a sorte ajudou. A gravadora DERAM ficava na sobreloja, em cima do KLOOKS KLEEK, clube de JAZZ e BLUES de LONDRES, onde tocavam JOHN MAYALL, AYNSLEY DUNBAR, o TEN YEARS AFTER e muitos e muitos outros.
Fizeram teste. Os executivos não gostaram. Mas MIKE VERNON, histórico produtor, assistira ao show sensacional que o TEN YEARS AFTER fazia, insistiu na contratação; e produziu os três primeiros discos:
TEN YEARS AFTER, 1967, o primeiro, é basicamente o resumo do SET LIST que faziam ao vivo. O segundo, UNDEAD, 1968, gravado ao vivo no KLOOKS KLEEK, foi antecipado por causa do sucesso do primeiro disco na AMÉRICA. É show vibrante misturando ROCK, JAZZ e BLUES na medida ´precisa. Expõe a dimensão do que conseguiam fazer. Musicalmente, é o melhor AO VIVO que gravaram. Empolgante, irrestrito…
O terceiro álbum, STONEDHENGE, 1969, é mais PSICODÉLICO, EXPERIMENTAL, SOLTO, e revela o potencial da banda para outros caminhos. A turma que gosta de testar equipamentos de som precisa ouvir a primeira faixa, “GOING TO TRY”, e observar a técnica de gravação dos TRANSIENTES. É sensacional!
O primeiro disco do “T.Y.A” acabou nas mãos de BILL GRAHAN, o famoso empresário americano, dono de épicos locais de shows: “FILLMORE EAST e do FILLMORE WEST”, palcos de lendas do ROCK e “beyond”…, nas décadas de 1960 e 1970.
Por lá, tocaram o JEFFERSON AIRPLANE, HENDRIX, GRATEFUL DEAD, DOORS, MILES DAVIS, JANIS JOPLIN e os ALLMAN BROTHERS. É resumo pequeno. GRAHAN contratou o “T.Y.A” para uma série de shows, e foi sucesso retumbante!
A odisseia expandiu-se e se manteve até 1974, consolidando o TEN YEARS AFTER entre os grandes nomes da cena mundial do ROCK.
Em 1969, estiveram em WOODSTOCK. Chegaram e partiram de HELICÓPTERO. O show foi histórico; em minha opinião, o melhor do FESTIVAL. Porém, cheio de contratempos; houve chuva torrencial que atrasou o início por 8 horas, e os deixou sentados no BACKSTAGE esperando com pouca água potável e nenhuma comida …
Um pouco antes, haviam tocado no FESTIVAL DE NEWPORT, mais dedicado ao JAZZ, BLUES e FOLK. E, no dia anterior a WOODSTOCK, fizeram show com NINA SIMONE (uau!!!), onde tudo correu bem.
Entre 1969 e 1974, já estabelecidos como HARD ROCK BAND, gravaram mais três discos excelentes pela “DERAM”:
“SSSSSH…”,1968; “CRICKLEWOOD GREEN”, 1970; “WATT”, 1970. E mais quatro pela “CHRYSALIS”: o clássico “A SPACE IN TIME”, 1971; e “ROCK & ROLL MUSIC TO THE WORLD”, 1972. E fizeram o festejado, mas algo desleixado RECORDED LIVE, em 1973. O álbum final POSITIVE VIBRATIONS, foi lançado em 1974.
Banda integradíssima, o TEN YEARS AFTER atuava destacando a guitarra de LEE, o baixo de LEO e o órgão de CHIC. Em seus momentos JAZZY/BLUESY muitas vezes lembrava WES MONTGOMERY e JIMMY SMITH. Sempre FUNKY, mas com o retrogosto típico do BRITISH BLUES.
No ROCK, o baixo se destacava garantindo um HARD BLUES vibrante, tangenciando o PSICODÉLICO E O PROGRESSIVO.
ALVIN LEE, foi vendido pelo marketing como o “guitarrista mais rápido do mundo”. Mas nem sempre conjugava imaginação aos solos. Ele era notável, mesmo quando repetitivo. A sua “tabelinha” com LEO LYONS era eficaz e pesada. E a participação de CHURCHILL turbinava os dois. O resultado está entre os melhores da história do HARD ROCK.
Uma das marcas registradas da banda era iniciar mais lentamente, e acelerar no decorrer da música. Aproveitavam a competência que desenvolveram para tocar o BLUES e liga-lo ao ROCK. O que dava dinâmica e pique aos discos e shows.
Em vários discos que fizeram há faixas memoráveis como WORKING ON THE ROAD, LOVE LIKE A MAN, MY BABY LEFT ME, 50.000 MILES BENEATH MY BRAIN, ONE OF THESE DAYS, I’D LOVE TO CHANGE THE WORLD e claro, I’M GOING HOME – principalmente a versão em WOODSTOCK , antológica e definitiva!
A saga da banda pela AMÉRICA e o MUNDO, entre 1967 e 1974 foi sucesso notável de grana e público. Mas demolidora do ponto de vista físico para os quatro. Os shows eram quase diários, exigentes. LEO LYONS arrebentou as mãos e os dedos nas cordas do BAIXO, houve dias que chorava de dor, contou.
ALVIN LEE acabou-se psicologicamente, mesmo tendo comprado, em 1970, a mansão no campo, com piscina, quadra de tênis, estúdio, e outros quesitos, onde morou por muito tempo.
Muita grana e trabalho enlouquecedor em tempo curto demais os levou à exaustão. A banda rompeu, em 1974. Não conseguiram transitar para algo hoje normal entre os grandes: abrir tempo e espaço para cada um fazer o que quisesse; diminuir e controlar atividades, e assim manter o grupo.
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ALVIN LEE saiu, em 1974, para carreira solo. Estava rico e queria voltar a ser um artista “comum”. Era basicamente um cara tímido. Disseram suas ex-mulheres, que ele era um grande contador de histórias e muito bem humorado! Teve uma filha, JASMIN, que vive e trabalha em LONDRES.
ALVIN morreu em 6 de março de 2013, de problemas no coração, que sofria há muito tempo, e pouca gente sabia. Ele morava na ESPANHA, desde 1994, e continuava trabalhando.
CHIC CHURCHILL e RIC LEE mantiveram a banda viva. E LEO LYON mudou-se para NASHVILLE, USA.
Este BOX foi feito na REPÚBLICA TCHECA, e traz livreto e dez CDS. A qualidade sonora é adequada. Eu não percebi muita diferença em relação aos CDS originais.
Porém, poucas vezes vi trabalho gráfico tão horroroso e mal feito!
As capas são réplicas dos álbuns originais; só que não há capas duplas onde deveria haver. Os CDS não trazem os logos originais das gravadoras. Falha inadmissível.
O BOX tem arte é de quarta categoria, e sem qualquer imaginação. Inaceitavelmente pobre para a produção de uma banda tão importante!. A qualidade das fotos e da impressão ofende a banda, os fãs, e os consumidores! E tudo isso pelo preço revoltante de $65,00! Por isso, TIO SÉRGIO recomenda: Fujam desse BOX!!!
Mas, procurem os discos da banda. O três primeiros, lançados pela DERAM, receberam edições duplas e caprichadas. Eu as mantive. O ideal é aguardar reedições melhores. Porque o TEN YEARS AFTER é IMPRESCINDÍVEL!
POSTAGEM ORIGINAL: 09/07/2022
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VETERANOS DO R&B, DO BLUES E DO ROCK, E SEUS DISCÍPULOS

Essa postagem provavelmente atrairá também os mais jovens. Além de discos clássicos, históricos e colecionáveis, a maioria foi produzida nos últimos 40 anos ou menos, e os aproxima do presente. A qualidade técnica e artística é muito boa! Exemplos do melhor BLUES, SOUL e R&B mesclados com o ROCK!
Dia incerto, eu postei algo semelhante concentrado na geração do ROCK INGLÊS dos anos 1960, com seus ídolos e mestres AMERICANOS. Há histórias e discos variados mostrando isso. E, claro, não parou por aí, e nem ficou apenas no REINO UNIDO.
Então, dei busca sem muito empenho em outras correlações e colaborações. Se eu focar mais detidamente, acabo descobrindo outros discos na discoteca. Sem falar no que sei, mas ainda não tenho…
Vão aqui mergulhos que, vez por outra faço, e continuo sem me afogar. A não ser de prazer por conhecê-los e poder contar pra vocês. Preparar o texto foi uma delícia, porque temperado por nova audição de alguns discos que se perderam na coleção.
Então, de cima para baixo, à partir da esquerda:
1) CANNED HEAT & JOHN LEE HOOKER, foi lançado em 1971. Esta edição em CD traz coisas antes deixadas de fora. É a banda americana TOP e CULT, acompanhando um de seus ídolos e motivação para existir. “HOOKER ‘ HEAT” é lição sobre o estilo do velho mestre que inspirou quase todo mundo. Sim, todo mundo!
Alguns recordarão de SHOW dos ROLLING STONES, bem mais de 20 anos atrás, em que HOOKER era um dos convidados, junto com ERIC CLAPTON. O “Seo JOÃO LEE PUTA” tocou seus RIFS de maneira desordenada, mas emotivamente. Ao sair, foi cumprimentado por todos e principalmente KEITH RICHARDS. É um ícone como poucos.
2) ERIC BURDON & JIMMY WITHERSPOON , “BLACK AND WHITE”, 1971. disco raro e precioso. O nome do LONG PLAY original é GUILTY, e traz composições de BURDON e WITHERSPOON, JOHN MAYALL, e etc… Uma das faixas foi gravada na prisão de “ST QUENTIN” com a banda dos presidiários. Iconoclasta como ERIC BURDON sempre foi, em parceria com uma das grandes vozes do R&B. Imperdível!
3) CHAMPION JACK DUPREE & TONY S.McPHEE, ‘THE COMPLETE SESSION”, com o guitarrista dos ingleses GROUNDHOGS. Mais o piano, e voz de DUPREE. É da gravadora inglesa BLUE HORIZON, e saiu em 1967, no auge do BRITISH BLUES.
Os GROUNDHOGS também acompanharam JOHN LEE HOOKER e JIMMY REED em turnês por lá. Foi antes de criarem o próprio estilo de BLUES tendendo ao PSICODÉLICO, que os consagrou.
4) THE ANIMALS featuring SONNY BOY WILLIAMSON, 1963: Misto de empresário e bandido, GEORGIO GOMELSKY montou turnês pela Inglaterra para SONNY BOY. Contratou bandas locais. Em NEWCASTLE, foram os ANIMALS. Ensaiaram na raça uma só vez, e ficou tão vibrante, que gravaram parte de duas apresentações.
5) SONNY BOY WILLIAMSON & THE YARDBIRDS, 1965. GOMELSKI seguindo o esquema, agora gravando ao vivo no CROWDADDY CLUB, em LONDRES. Na guitarra, ERIC CLAPTON. O disco é referência básica do BRITISH BLUES.
6) SONNY TERRY, JOHNNY WINTER e WILLIE DIXON. “WHOOPPING”, 1984. Dizer o quê? Álbum clássico reunindo duas gerações de grandes do BLUES americano. Gravação da ALLIGATOR RECORDS, uma referência na década de 1980/1990.
7) B.B. KING “IN LONDON”, 1971. Gravado por uma das maiores concentração de craques por metro quadrado!
RINGO, PETER GREEN, ALEXIS KORNER, JIM PRICE, BOB KEYS, GARY WRIGHT, STEVE MARRIOT, e outros menos votados. É ter ou se arrepender!
😎 AVERAGE WHITE BAND & BEN E. KING – BENNY AND US, 1977. A sensacional banda britânica que fundia R&B+JAZZ+ROCK + adjacências; com mais de 15 LPS gravados, acompanhando um
grande SOUL MAN americano.
Show de balanço e estilo algo diferente do feitos pela ATLANTIC e outras grandes gravadoras americanas. É prenhe de originalidades, molho e gás! Garante qualquer festa.
9) STEVE CROPPER, POP STAPLES & ALBERT KING – JAMMED TOGETHER, 1988: Três estilistas da guitarra, em show de balanço e técnica. O som é da STAX RECORDS; em resumo, é imperdível. A produção é de ISAAC HAYES. Cabe em qualquer festa e discoteca.
10) GARY MOORE: COLD DAY IN HELL, EP de 1992, com trechos de famoso SHOW ao vivo da época. Tem versão “não superada” de STORMY MONDAY BLUES, com ALBERT KING na outra guitarra. Para BLUES ROCKERS e HARD ROCKERS não botarem defeito. Fiquei uivando na janela do apartamento!
11) MUDDY WATERS, JOHNNY WINTER e JAMES COTON – BREAKIN’N IT UP, BREAKIN’ IT DOWN. É a tour dos craques acima, gravada em 1977. Completa o time BOB MARGOLIN, guitarra, PINETOP PERKINS, piano, para ficar nos mais famosos.
BLUES como deve ser; e é.
12) JIMMY ROGERS ALL STAR. BLUES, BLUES, BLUES , 1999. Homenagem ao grande JIMMY. Estão aqui ERIC CLAPTON, LOWELL FULSON, JEFF HEALEY, MICK JAGGER, TAJ MAHAL, JIMMY PAGE, ROBERT PLANT, KEITH RICHARDS e STEPHEN STILLS.
Tá bom, né!?!?
13) B.B.KING & ERIC CLAPTON – RIDING WITH THE KING, 2000.
Bem, é ERIC CLAPTON E B.B.KING juntos. Um marco, talvez mais CULT do que original. Porém, obrigatório!
POSTAGEM ORIGINAL: 09/07/2023
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