THE “BLUE HORIZON” STORY 1965/1970 – SENSACIONAL!

Gravadora “BOUTIQUE” inglesa especializada em BLUES e criada pelo produtor “MIKE VERNON”, em 1965.
Foram cinco anos de vida, mais de 70 SINGLES e 60 ÁLBUNS com gente histórica. Vou começar pelo BLUES AMERICANO. Gravaram por lá “CHAMPION JACK DUPREE” ; “BUCKA WHITE”, ” B.B.KING”, “HUBERT SUMLIN” e vários diversos…
No entanto, importante mesmo foi a capacidade que VERNON demonstrou para trazer ao proscênio e promover os futuros ídolos do BLUES INGLÊS!
Despontaram com VERNON músicos do calibre de “PETER GREEN & FLEETWOOD MAC”; “JOHN MAYALL”; “ERIC CLAPTON”; “CHICKEN SHACK”; “AYNSLEY DUNBAR” e pletora ultra significativa.
“MIKE VERNON” era muito arrojado; empreendia sem medo. Você sabe quem é a portorriquenha “MARTA VELEZ”? Então procure saber, porque a banda juntada por VERNON, na BLUE HORIZON, para gravar o LONG PLAY da moça era uma cordilheira de ícones! Estavam o estúdio “ERIC CLAPTON”, “JACK BRUCE” E “MITCH MITCHELL” em meio a outros craques destacados! O CD existe por aí. E, claro, é muito legal!
A “BLUE HORIZON” era um prodígio de abrangência: MIKE VERNON xeretou pra valer! Enxergou onde havia talentos potenciais, e conseguiu formar bandas de estúdio estupendas para gravar os contratados. Não tão recentemente, foram relançados vários desses LONG PLAYS na versão em CD, enriquecendo a coleção de quem gosta de BLUES. “TIO SÉRGIO”, descolou alguns…
“CHRISTINE McVIE”, por exemplo, entrou para o “FLEETWOOD MC” depois do sucesso artístico e comercial da versão de “I’D RATHER GO BLIND”, clássico do R&B de “ETTA JAMES”, que levou CHRSTINE ao topo da parada inglesa em 1969. Claro, a gravação e lançamento foi da BLUE HORIZON.
Em poucas palavras, este é um BOX pra lá de colecionável. Está na capa que seria o primeiro de uma série – mas acho que não rolou. Eu não conheço outros.
Então, vá atrás, porque vale a pena de verdade. TIO SÉRGIO recomenda de olhos fechados e garrafas abertas!
POSTAGEM ORIGINAL: 01\08\2020
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UM SÁBADO A TARDE, EM 1973… COM BOB SEGER e THE BLUE OYESTER CULT!

Eu me lembro com nitidez de certo sábado à tarde, em 1973. Recordo a luminosidade daquele dia e suponho que tenha sido entre e abril e maio.
Por motivo que não identifico claramente, eu estava tranquilo e feliz. Não alegre, eu sei. Mas desfrutando raro momento de completude. Mais de 50 anos se foram. Porém, aquele sábado reteve-se em mim.
Em 1973 já havia grandes lojas que importavam discos e novidades. Eram tão caros como hoje é – e sempre foram. Mas ainda não existiam a WOP BOP e a BARATOS AFINS, duas lojas que fizeram história por terem congregado um certo público UNDERGROUND que curtia ROCK e seus arredores.
Informações do exterior existiam; e mesmo poucas e truncadas aguçavam desejos. Estavam condensadas em publicações como a ROLLING STONE – já circulando por aqui. E, também, nos jornais alternativos onde esforçados jornalistas, como LUIZ CARLOS MACIEL, nos informavam sobre o “novo’: as notícias da pós suposta revolução trazida por HIPPIES e a NOVA ESQUERDA INTELECTUAL.
Claro, não duraram o suficiente, mas deixaram marcas feito tatuagens mal removidas.
Não consigo visualizar claramente se foi na BRUNO BLOIS ou na BRENO ROSSI, onde naquela tarde inesquecível comprei dois entre os discos de que mais gosto até hoje.
Eu já conhecia o BOB SEGER. Cantor potente, BLUESY e pesado. Teve dois SINGLES lançados por aqui, na segunda metade dos 1960: “2+2” e “RAMBLING GAMBLIN MAN”. Estilingadas certeiras.
SEGER é uma espécie de antecessor de BRUCE SPRINGSTEEN naquela mística do americano solitário contra o sistema, sempre “ON THE ROAD”, e torturado pela imprecisão psicológica, feito JAMES DEAN ou JIM MORRISON. E daí o fascínio que me causava.
BOB chegou ao sucesso de verdade anos depois, em 1977/1978. Mas jamais fez álbum tão bom e consistente quanto “BACK IN 72”.
O disco foi feito no “MUSCLE SHOALS STUDIO”, onde a elite do SOUL e R&B gravava. Gente como ARETHA FRANKLIN, por exemplo.
“BACK IN 72” é um “espécime” perfeitamente integrado ao HARD ROCK & RHYTHM ‘n’ BLUES, também em voga naqueles tempos. Aqui, BOB SEGER está acompanhado por craques: J.J.CALE, JIMMY JOHNSON, BARRY BECKETT, DAVID HOOD e ROGER HAWKINS, para ficar no primeiro time. E mescla SOUL, R&B e ROCK com eficiência e sofisticação. É um grande e quase desconhecido álbum! E continua brilhando para ser pescado no fundo do poço do tempos.
Experimente. Vale a pena!
Também recordo ter separado o BOB SEGER enquanto rolava no PICK UP disco chegado naquele momento: o primeiro álbum do BLUE OYSTER CULT. Outro impacto fulminante! Um míssil direto no cérebro e no corpo
TIO SÉRGIO considera o melhor disco que fizeram. Está entre o HARD ROCK e o PROGRESSIVO. Tem pegada BLUESY e algumas novidades tecnológicas como “delays” e outros “babados”. As faixas estão interligadas e sem espaços; o que emite a sensação de continuidade, não importando as músicas que se sucedem.
É álbum bastante original de ROCK PESADO americano. Sim, é claramente americano; como o CAPTAIN BEYOND e o KANSAS. Ou o DUST e o GRANDFUNK RAILROAD.
O BLUE OYSTER CULT foi grande sucesso na década de 1970/80. E gravou outros discos bastante bons. O BOX aqui postado – aliás lançado no BRASIL não sei exatamente quando – traz os três primeiros álbuns da banda. São bons; mas nenhum se equipara ao primeiro – na foto, inclusive em edição para audiófilos.
Talvez seja por causa desses discos que a memória daquele inesquecível sábado me sequestra até hoje.
Eu desejo a todos vocês uma experiência tão definidora e cativante quanto a que tive. Foi um dia que vivi, e existi de verdade.
POSTAGEM ORIGINAL: 31\07\2025
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VERVE RECORDS – THE SOUND OF AMERICA – 2013 THE SINGLES COLLECTION – 1947 / 2001

COLEÇÃO DESSA DEMOCRÁTICA E REVOLUCIONÁRIA MARAVILHA: OS “SINGLES”
Há dias em que o TIO SÉRGIO agradece à vida e as Céus por existir, e ter o privilégio de ser contemporâneo a certas maravilhas quase indescritíveis!
O tempo inteiro estamos submetidos a quantidade imensa de irrelevâncias ou a bens culturais simplesmente ruins. Em geral, há pouco incentivo para ultrapassar o hipermercado de vulgaridades que nos oferecem.
Mas nem sempre. E, se procurarmos bem, há muita coisa além do meio-fio. E como há!
Dia desses, caçando “pelaí” via internet, dei de cara com esta caixinha espetacular! Eu já sabia dela; havia dado uma biscoitada, anos atrás. Mas, como a FADINHA MASTERCARD não aceita desaforos, fui adiando até que rolou cachoeira virtual abaixo…e sumiu.
Hoje, é um objeto raro e precioso!
É BOX com cinco CDS contendo CEM SINGLES de JAZZ e seus arredores, lançados pela VERVE RECORDS durante sua fase áurea. E traz artistas magníficos e gravações mais ainda!
O BOX em si não está bem conservado. Mas o LIVRETO, os CDS e respectivas capas estão em núpcias com a perfeição! Custou relativamente pouco. Anos atrás, saiu por uns R$ 160 mandacarus, incluindo o frete. Algo em torno de $ 35,00 TRUMPS. Foi comprado através da AMAZON.
Há várias gravações lançadas em 78RPM, e principalmente SINGLES – aqui no BRASIL conhecidos por COMPACTOS – simples ou duplos. São artefatos que simbolizaram o máximo da popularização e popularidade que um artista podia almejar.
É o produto mais democrático que a indústria da música criou e dispôs para os seus consumidores. Satisfazem do milionário ao pobre. É o hit em “gotas” pronto e barato para os fãs; ideal para as rádios; e meio simpático para divulgação do artista. Todo mundo gosta!
Dos anos 1940 em diante, o SINGLE tornou-se tão importante, que em 1956 havia mais de 750 mil JUKEBOX, as máquinas de tocar os discos, espalhados pelos EUA!!! Não vou repetir!!!
Os SINGLES deram vida aos bares; foram instrumentos para disseminação de HITS; portanto, fomentadores de vendas. Além de meio eficaz de produzir receitas financeiras através de royalties, sempre que postos a tocar em JUKE BOXES que formavam o “STREAMING” da era do vinil.
FRANK SINATRA foi quem modernizou a estratégia de marketing da música. Ele exigia das gravadoras lançar SINGLES um atrás do outro. Era o seu compromisso com os fãs, e ele jamais deixou de lado.
SINATRA somente trocou a COLUMBIA RECORDS nos 1950, quando teve certeza de que a CAPITOL usaria os LPS para o seu trabalho mais refinado; e manteria para o consumidor normal SINGLES em profusão. Um respeito à livre escolha do cliente…E uma ideia de gênio!
A VERVE mesmo especializada em JAZZ, BLUES e imediações, aproveitou-se bem esse mercado. Usou e divulgou talentos como CHARLIE PARKER, LESTER YOUNG, OSCAR PETERSON, ELLA FITZGERALDO, JIMMY SMITH, BILLIE HOLIDAY e tantos e tontos…
Depois, lançou a BOSSA NOVA com STAN GETZ, TOM JOBIM, ASTRUD e JOÃO GILBERTO, já na fronteira com a década de1960. O SINGLE “GAROTA DE IPANEMA” vendeu feito chicletes.
A VERVE foi além do JAZZ e do POP sofisticado e incentivou lançamento em SINGLES de canções temas de filmes.
E gravou, também, artistas como WES MONTGOMERY, BILL EVANS e WILTON KELLY em HITS melodiosos e melosos – precursores do LOUNGE.
A gravadora jamais perdeu o foco no que era vendável. E animou festas incontáveis através de seu elenco primoroso tocando músicas dançáveis em alto astral! Jamais se ouvirá HOOCHIE COOCHIE MAN, de MUDDY WATERS , como na versão de JIMMY SMITH! Suprema!
A gente costuma esquecer, mesmo porque fora do “core” da gravadora VERVE, que o VELVET UNDERGROUND; THE BLUES PROJECT, RIGHTEOUS BROTHERS, RICK NELSON e FRANK ZAPPA & THE MOTHERS OF INVENTION também gravaram por lá! Mas não fazem parte desse BOX – focado no JAZZ, BOSSA e algum BLUES.
Tudo considerado, o SINGLE é o artista em essência iluminado para consumo. A maioria dos LONG PLAYS, em qualquer época, não resiste ao filtro de audição mais crítica. Grande parte das músicas é para preencher o espaço. Um SINGLE, ou um EP são mais honestos. Os tempos que fogem e os custos de produção poderão impor um novo padrão.
Seja como for, é um BOX espetacular, animado e variado; retrato perfeito do talento de seus artistas. Se aparecer na frente, não deixe passar!
POSTAGEM ORIGINAL: 31\07\2021
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NINA SIMONE “SINGS ELLINGTON” – COLPIX, 1962

VINIL BRANCO – 180 GR – EDIÇÃO LIMITADA
Eu recordo de versão sacana de OH, SUZANA, canção popular do folclore americano que a garotada no início da década de 1960 costumava cantar pra chatear a professora no recreio. Vai aí:
“OH SUZANA, NÃO CHORES POR MIM… PORQUE VOU PRO ALABAMA TOCANDO BANDOLIM” . A segunda frase os pequerrucho substituíam, gargalhando, por: “JACARÉ COMPROU CADEIRA, E NÃO TEM BUNDA PRA SENTAR…”
Pois, é: eu vez por outra compro algum LP, alguma edição oficial alternativa à primeira no país de origem. Sempre da mesma época, mas lançada em outro país, essas coisas. Acho bonito.
Na começo dos 1960, era normal as edições inglesas e americanas serem diferentes. Algumas totalmente modificadas combinando dois, três LPS em um só. Inclusive com outras fotos de capas.
E comparem, também, com os lançamentos da época no BRASIL! Se considerar edições suecas e japonesas, então… permitam o neologismo, eram muitas vezes, “reoriginalizadas” da capa ao conteúdo. Com o tempo, isso tudo virou item de coleção. E me interessa.
Eu venho pensando: se tenho todas as músicas do artista em algumas das edições em CDS; então, por que não conseguir, aos poucos, outras peças interessantes em VINIL? E mesmo que eu não as ouça; e apenas para completar coleções?
E assim, dei de cara com este LONG PLAY atualizado: NINA SIMONE “SINGS ELLINGTON”, original da COLPIX, lançado em 1962! A capa tem foto ultra expressiva! E a prensagem em VINIL BRANCO é de qualidade e beleza nítidas.
O álbum chegou via “FADINHA MASTERCARD” por $ 20,00 – uns R$ 100,00 MANDACARUS…Aproveitei porquê a festa pode estar acabando…
A maioria das músicas eu tenho em CDS. E, claro, posso ouvir o disco inteiro via “STREAMING” – se eu quiser…
É um bom disco, e pega EUNICE WAYMAN já artista madura, com 29 anos, e a voz expressiva de sempre. Porém, ainda sem o acento grave e rústico que desenvolveu posteriormente – e a celebrizou.
O repertório é DUKE ELLINGTON, clara garantia de qualidade, mesmo sem a orquestração do mestre.
Os “VINTAGES” como o TIO SÉRGIO aqui, identificam a intenção e sonoridade em gravações de orquestras acrescidas por corais de gostinho GOSPEL pós DOO-WOP. Por exemplo, em RAY CHARLES, no mega HIT “I CAN´T STOP LOVING YOU”, que explodiu mundo adentro, em 1962, também…
Resumindo, o disco segue mais ou menos por este caminho: conteúdo algo POP, comercial, e não jazzístico. Ainda assim, está presente aquela fleuma BLACK – BLUESY, do RHYTHM´N´BLUES quase ROCK do final dos 1950, até por volta de 1964.
Nem sempre NINA SIMONE é boa cantora. Contudo e todavia, ela e LOUIS ARMSTRONG são os mais expressivos intérpretes da negritude vocal americana!
NINA SIMONE é o nome criativamente artístico que EUNICE adotou juntando a expressão espanhola “NINA”, que significa “MENININHA”, com homenagem à grande atriz francesa SIMONE SIGNORET.
NINA pretendia tornar-se a primeira americana preta pianista de música clássica. Estudou pra valer. Tinha talento, técnica e determinação. A vida, no entanto, a levou para polo correlato.
Para manter-se começou a tocar e cantar em clubes, bares, e foi descoberta. O vozeirão magnífico a desviou da meta.
Gravou os compositores essenciais da canção americana. Foi de GERSHWIN a COLE PORTER, passando por o que você lembrar… Trouxe ao repertório do POP ululante dos BEE GEES ao refinamento alternativo de LEONARD COHEN. Passou por SANDY DENNY… ziguezagueou OVER, UNDER , SIDEWAYS DOWN…
Muito sintética e inteligente, ela dizia fazer “BLACK CLASSIC MUSIC”, aquela somatória imensa de influências da cultura negra na moderna música popular americana.
NINA SIMONE é um patrimônio da humanidade! Deixou 69 ÁLBUNS; deu 3535 concertos e gravou 152 SINGLES e EPS. Construiu STATUS enorme como cantora e intérprete diferenciada, até morrer ao 70 anos, em 2003.
Eu adoraria encontrar um EP. onde estão três músicas em gravações estelares que ela deixou: “I LOVE YOU PORGY”, “I PUT SPELL ON YOU” e “DON´T LET ME BE MISUNDERSTOOD”. Cairia bem na coleção que vou fazendo com os discos dela.
E se JACARÉ COMPROU CADEIRA E NÃO TEM BUNDA PRA SENTAR; O TIO SÉRGIO COMPRA VINIL MAS SEM PICK UP PRA TOCAR!
POSTAGEM ORIGINAL: 01\08\2023
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