THE TBM SOUNDS – THREE BLIND MICE RECORDS – JAZZ JAPONÊS, EM 5 DISCOS EXCEPCIONAIS EM ULTRA HD E OUTRAS TÉCNICAS!!!

 

Paciência, perfeccionismo e gosto apurado ao extremo tem TAKESHI TEE FUJI, o criador da gravadora THREE BLIND MICES , a cult, cara e espetacular TBM. Um caldeirão operado por feiticeiros da técnica de alguns dos mais perfeitos discos já gravados ou transcritos!

TEE, como gosta de ser chamado, fundou a gravadora em 1970, na expectativa de gravar e produzir JAZZ, no Japão, com artistas locais talentosos e desconhecidos.

Fez.

Não ganhou dinheiro, mas desenvolveu técnica de equalização do que foi gravado que, quando transcrita a música, garantia que esta não perdesse “nada” do que estava contido no MASTER original.

Pureza e perfeição total. Um prodígio!

Eu sei de alguns discos por eles produzidos.

Consegui a coletânea THE T.B.M. SOUNDS, com a maioria das gravações realizadas entre 1973 e 1977. São vários artistas sensacionais, com catálogo bem recheado, e até cantora japonesa fazendo clássicos eternos do JAZZ americano.

A qualidade é divinamente indescritível! Mais de 47 anos de ultra fidelidade exposta!

A produção gráfica e a edição da JVC japonesa são, também, de primor tangível.

Agora, consegui mais 4 CDS espetaculares.

O primeiro deles é do baterista GEORGE KAWAGUCHI´S BIG 4, gravado em 1976. A técnica de gravação a serviço da excelência artística do artista.

Há outro com o baixista ISAO SUZUKI & TRIO, acompanhado pelo pianista TSUYOSHI YAMAMOTO e o baterista DONALD BAILEY. O disco é ORPHEUS, baseado na obra ORFEU DO CARNAVAL, e traz a composição de LUIZ BONFÁ, Manhã de Carnaval, e outros standards. Também foi gravado em 1976.

E há dois do TRIO do pianista TSUYOSHI YAMAMOTO, “MIDNIGHT SUN”, gravado em 1978. E MISTY, este de 2021, mas sob o conceito DSD, em processo DIRECTING CUTTING, um avanço em relação à proposta da TBM SOUNDS. Afinal feito 43 anos depois e no JAPÃO…

Não sei o quê dizer sobre a qualidade técnica e artística de cada um desses discos. Apenas que jamais ouvi algo tão perfeito quanto isso!!!

É a essência, a alma dos instrumentos, e da música por eles reproduzida, trazida à tona pela técnica e sensibilidade dos intérpretes! Escutei almas, espíritos materializados. Acho que é isso.

Certa vez, ouvi outro disco desta série da T.B.M em uma loja de equipamentos de som. A MÚSICA literalmente invadia o cérebro, vinda de algum lugar entre o teto e as caixas! Subia e descia pelas paredes!

Dá medo de tentar descrever o que havia lá e o que postei aqui.

Eu falo de 4 discos com gravações realizadas há mais de 40 anos, captadas e trabalhadas no estado da arte!

Desconfio que não ainda não foram pelas técnicas atuais de nossos amiguinhos de olhos puxados.

Cada um desses discos custa uma baba. Os dois de TSUYOSHI e o de ISAO , são reedições atuais. Dois deles, dos MASTERS originais da TBM feitas pela SONY JAPÃO. Chegaram os três por $ 40 BIDENS cada um, impostos incluídos.

Os outros dois não estão disponíveis, e os preços pedidos são estupros financeiros garantidos…

Tente conhecer. São fascinantes!

JOCY DE OLIVEIRA: A MÚSICA SÉCULO XX DE JOCY, 1959

 

Estou algo inseguro para escrever este comentário.

O ideal teria sido estudar mais sobre esta senhora, uma original e verdadeira gênio brasileira, reconhecida internacionalmente.

Mas, no Brasil, muito poucos sabem dela fora do mundo acadêmico e da música de vanguarda. Então, algumas palavrinhas: JOCY é doutora em música, detém outros títulos acadêmicos, e publicou vários livros.

Eu a conheço faz tempo. Mas, reativei a curiosidade quando, recentemente, assisti a um documentário sobre música eletrônica brasileira, chamado “ELETRÔNICA MENTES”.

Lá, aparece JOCY cultuada por D.J.s, músicos de vanguarda, críticos, e etc… porque foi a primeira a compor, gravar e divulgar a MÚSICA ELETROACÚSTICA, no Brasil.

Era novidade revolucionária dos anos 1940, em diante, e que nos legou STOCKHOUSEN, LUCIANO BERIO, XENAKIS, LUKAS FOSS, JOHN CAGE, CLAUDIO SANTORO, PIERRE HENRI, e incontáveis…

JOCY DE OLIVEIRA é importante criadora da modernidade musical, que deu na MÚSICA ELETRÔNICA DE VANGUARDA. E por consequência, em parte do ROCK PROGRESSIVO e seus CROSSOVERS históricos, que inundam a cena atual e alimentam D.J.s., RAVES, o HIP-HOP, FUNKS DE PERIFERIA, e vastíssimo etc…, mundo afora, e Brasil adentro.

A criadora/criativa JOCY nasceu em 1936, e foi amiga, parceira, e correspondente de quase todos aqueles compositores citados. Alguns até compuseram especialmente para ela. Pianista de primeiro time, e carreira internacional com 25 discos gravados.

A mestra também dedicou-se a estudar OLIVIER MESSIEN, e fez álbuns com músicas dele.

JOCY teve a orientação de grandes maestros. Inclusive foi regida por STRAVINSKY, de quem era amiga, e trocava correspondências.

E também por ROBERT CRAFT, talvez o maior e mais cultuado especialista internacional em STRAVINSKY.

De certa maneira, ela desistiu de ser concertista de piano para concentrar-se em “óperas” – entre aspas, mesmo!

O que JOCY faz e cria abrange música, teatro, textos, performances de plásticas diversas. Quer dizer: é e sempre foi artista de vanguarda; a pioneira da arte MULTIMÍDIA no Brasil.

Observem o escopo da professora!!!!

Em 1961, JOCY compôs e tocou no primeiro espetáculo feito por aqui de música eletrônica e MULTMÍDIA, no THEATRO MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO.

No palco, a nata da vanguarda do teatro brasileiro, daqueles tempos: FERNANDA MONTENEGRO, FERNANDO TORRES, SÉRGIO BRITO e ITALO ROSSI.

“APAGUE MEU SPOT LIGHT” é um “DRAMA ELETRÔNICO”, escrito por JOCY; e teve a parte musical dirigida pelo grande maestro e compositor LUCIANO BERIO!!!! Foi sucesso total, durante dez dias! Depois, virou história, correu a Europa…

Um feito artístico de larga envergadura!!!!

A partir daí, JOCY DE OLIVEIRA, professora da UFRJ, pessoa organizada, assertiva e determinada, dedicou-se a compor.

Ela revolucionou a ópera moderna no Brasil, trazendo-a para novo formato, bem mais contemporâneo!

Há nove peças compostas e encenadas por ela, Todas estão registradas em DVDS. São difíceis de achar.

Eu assisti a duas.

JOCY dirige e atua com seu “ENSEMBLE” de músicos sensacionais, onde há um “GUITAR HEROE” peculiar: ALOYSIO NEVES, é o primeiro acadêmico, “professor doutor” em guitarra elétrica do Brasil. Pulou na cova, EDDIE VAN HALEN?

JOCY tem iniciativas. E agrega em suas apresentações cantores e cantoras afinados com sua proposta artística.

Procurem saber da sensacional “CANTATRIZ” GABRIELA GELUDA, por exemplo, e sua performance em “LIQUID VOICES”, um… digamos, duplo monólogo e performance entre dois atores; mediada por “ENSEMBLE” dirigido por JOCY.

Nos últimos 40 dias, eu já assisti duas vezes, no ART CHANELL, Adorei!!!

O disco A MÚSICA SÉCULO XX DE JOCY, foi lançado em 1959.

O LONG PLAY original e os outros relançamentos, tocam em 45RPM. É um tanto fora do convencional. São 13 músicas, com total de 20 minutos! A duração é mais curta dos que os discos de “JOÃO GILBERTO” e do “DAVE CLARK FIVE” considerados “concisos”… hum!

O disco não foi ignorado, mas execrado pela crítica e o público, porque intencionalmente mal compreendido.

JOCY tinha 22 anos, naquela época!!! E tinha cabeça muito além de um barquinho e um violão…

No decorrer de décadas, tornou-se caso à parte na música popular brasileira. Eu diria que é a “anti – BOSSA NOVA”!

Por isso, coloquei foto de CD com os três primeiros discos de JOÃO GILBERTO. Falsos parâmetros para algo tão inovador e contestador.

Mas, como assim, TIO SERGIO??!!!

Vou tentar descrever:

Começo citando algumas faixas do disco: SOFIA SUICIDOU-SE; UM ASSALTO NO MORUMBI; INCÊNDIO; BRASÍLIA SÉCULO I; UM CRIME; A MORTE DO VIOLÃO; SAMBA GREGORIANO, entre outras iconoclastias.

E, agora, algumas do JOÃO: CHEGA DE SAUDADE; DESAFINADO; LOBO BOBO; NOSSO AMOR; A FELICIDADE; AMOR CERTINHO; O BARQUINHO…e uma fieira de clássicos…

Sacaram a VIBE em termos de lírica?

JOÃO, TOM, VINÍCIUS e os bossa – novistas nos brindavam com o otimismo da era JUSCELINO. Cantaram o amor, o sorriso e a flor.

E João trabalhou em seu violão sofisticando o samba. Sua voz foi cuidadosamente posta, em canto com as divisões musicais alteradas, e muito estudadas. Obras de arte.

Uma evolução sofisticada, mas conservadora e de bom gosto evidente. A turma da Bossa Nova conseguiu “jazzificar” o samba, tornando – o rico em estrutura harmônica, o que enriqueceu e favoreceu as improvisações.

Pois, saibam: o contraste com o disco de JOCY é chocante! Procurem escutar no YOUTUBE. É rápido; instigante, diferente, dolorido; e talvez desagradável ao primeiro contato.

É um retrato certeiro de um Brasil despontando, e visto por outro tipo de classe média intelectualizada!

JOCY de OLIVEIRA é paranaense, bem formada, e também da classe média alta.

Ouvir “A MÚSICA SÉCULO XXI”, é descobrir que ela se utiliza – talvez o verbo correto seja emular – de modernidades e ensinamentos dos bossa novistas para subvertê-los e contradizê-los.

Em vários momentos, você “acha” que é Bossa Nova. Mas, não é!

O grupo faz introduções nitidamente inspiradas em STRAVINSKY e outros clássicos modernos. E JOCY os amalgama com rupturas de andamentos, mudanças abruptas de ritmo na narrativa musical, e quebra de métrica; mas que se adaptam livremente ao discurso cantado por ela.

A música de JOCY é uma crítica aberta à sofisticação conservadora de seus companheiros de geração da Bossa Nova. É feita de propósito para contrapor-se ao bom-gosto absorvível de imediato. É constante ela cantar quase à beira da desafinação, fazendo harmonizações na ladeira do atonal… Seria???

As letras de JOCY inspiram-se em cenas de violência e desespero. Expõem o vazio e a depressão de seus personagens, através de sua poesia peculiar, e de observações agudas.

É ironia e iconoclastia combinadas o disco inteiro. Ela escreve bem e criativamente.

JOCY arquitetou essa desconstrução. E a música que ela faz está sintonizada ao caos. Afinal, a mestra entende e se especializou em operar os sons incidentais e sem explicações, que habitam ou recaem sobre as pessoas e as cidades, em colagens eletrônicas, os ancestrais dos SAMPLERS de hoje.

Ela sempre operou na criação do inusitado, que a música de vanguarda, e os computadores de hoje permitem a cada vez mais.

Claro, tudo isso requer organização. E ela existe nitidamente. As músicas sempre acabam abruptamente! O que dá impressão de síntese reticente e inconclusa. Um nada mais a dizer repentino. E pronto! Para não dizer F@-se!

Impressiona!

Eu imagino o susto e a perplexidade do ouvinte comum, uns 64 anos atrás, dando de ouvidos com essa cacofonia mascarada por uma tentativa de JOCY ser doce, contemporânea e alegrinha, de violão “em punho!

Em uma das audições que fiz, sei lá porque este LP juntou-se a outro gravado por JOCY: “HISTÓRIA PARA VOZ, INSTRUMENTOS ACÚSTICOS E ELETRÔNICOS”, lançado em 1981. Disco magnífico, e certamente dificílimo de achar.

Pois bem, de alguma forma casaram-se, e não me perguntem o motivo!

E acabou.TIO SÉRGIO ESTÁ TODO PIMPÃO!
GANHEI ELOGIO DA PROFESSORA JOCY DE OLIVEIRA!

DISCOS DE VINIL – ALGUNS MUITO LEGAIS!!!

 

Pois, é. Vez por outra, eu compro ou troco, ou recebo alguma coisa.
Vamos lá, então:

1) DOORS : o primeiro, reedição recente, edição especial, remasterizado, etc. e tal;
2) HOLLIES: TRÊS VINIS, reeditados uns 20 anos atrás. São reedições americanas, da IMPERIAL RECORDS, diferentes das inglesas. Vinis sofisticadíssimos, lacrados, etc… Eu tenho os CDS e edições inglesas, capas originais;
3) HOLLIES, box com DEZ singles SUECOS RAROS, que rolaram uns quinze anos atrás, por aí;
3 VAN DER GRAAF GENERATOR: DO NOT DISTURB, VINIL, EDIÇÃO ESPECIAL. EU GANHEI DA REVISTA RECORD COLLECTOR;
4) JEFF BECK – ROUGH AND READY, edição para DJ. original, 1971;
5) WISHBONE ASH – PILGRIMAGE, edição original inglesa. Pintou barato e eu comprei;
6) THELONIOUS MONK – IN EUROPE, raro e precioso;
7) ZOMBIES – ODISSEY AND ORACLE – REEDIÇÃO DE LUXO;
😎 SUN RA ARKESTRA – VINIL duplo, edição especial com CD bônus;
9) MILES DAVIES – KIND OF BLUE – REEDIÇÃO DUPLA. MONO E STEREO;
10) HORACE SILVER QUINTET – FINGER BOPPIN, Edição original da BLUE NOTE – raro e precioso. achei pelaí;
11) MOODY BLUES – DAYS OF FUTURE PASSED, Edição original americana, 1967
12) ROBERT JOHNSON – COMPLETE COLLECTION, REEDIÇÃO DUPLA DE LUXO;
13) CONFESSIN THE BLUES – EDIÇÃO LIMITADA , COM 3 LPS DE BLUES CLÁSSICO, REPEERTÓRIO SELECIONADO PELOS ROLLING STONES. E CAPA DE RON WOOD!
Tenho mais, e qualquer hora posto.
São aperitivos para aguçar o apetite dos amigos. 

PHIL COLLINS – FACE VALUE – 1980

 

NA ÉPOCA DO LANÇAMENTO EU DESPREZEI.

FOI CONSIDERADO DISCO ELEGANTE E BEM FEITO. VENDEU MUITO, E ALGUMAS FAIXAS TORNARAM-SE CLÁSSICAS , E ATÉ HOJE ESTÃO PRESENTES NAS RÁDIOS.

DE CERTA FORMA, EU REAGI À MUDANÇA NA PROPOSTA INICIAL DO GENESIS, ROCK PROGRESSIVO SETENTISTA E COM VÁRIOS BONS DISCOS.

DOS ANOS 1980 EM DIANTE, MUDARAM INSPIRADOS NA CARREIRA SOLO DE COLLINS, UM ARTISTA ANTENADO PARA OS TEMPOS E OS VENTOS DA MÚSICA. FIZERAM TODOS BEM!

FACE VALUE, QUE ESTOU OUVINDO PELA PRIMEIRA VEZ INTEIRO É, SIM, MUITO BOM NO CONTEXTO INTERGERACIONAL DO POP.

BASTANTE AGRADÁVEL DA BASE AO TOPO, APESAR DA FALTA QUE SEMPRE SINTO DE UM PESO NOS BAIXOS MAIS DEFINIDOR. ISTO DECORRE DO PERFIL POP QUE COLLINS ASSUMIU, DEIXANDO PRA TRÁS O ROCK.

EU RECOMENDO. E, TAMBÉM, O BOX EM QUE ESTÁ INSERIDO COM OUTROS SETE DISCOS DE ESTÚDIO.

ESTOU GOSTANDO DE OUVIR, APESAR DE UM FEELING ALGO ETÉREO DE QUE HÁ CONSISTÊNCIA SUTIL DEMAIS PARA O MEU PALADAR ALGO “HARD”…

KINKS – “ARTHUR, THE DECLINE AND FALL OF THE BRITISH EMPIRE” – 50 ANOS DO CULT QUE VIROU CLÁSSICO.

 

RAY DAVIES gosta e jogava bem futebol, como o CHICO BUARQUE, o ROD STEWART e o ROBERT PLANT. Participava daqueles jogos que reúnem celebridades para levantar grana para projetos sociais, etc… RAY é torcedor do Arsenal.

E talvez seja o maior letrista inglês de sua geração. Um observador arguto, irônico e sensível da vida social do reino. Escreveu e cantou clássicos do ROCK dos anos 1960 e 1970, e até recentemente. Escreve muito bem.

RAY é um cara do povo, sem ser popular ou populista. No final dos anos 1960, comprou meio a contragosto mansão em lugar nobre de LONDRES.

Odiou; não conseguia dormir, e voltou para MUSWELL HILL, onde nasceu, um bairro, hoje, de classe média.

Ele mora lá, e toca o estúdio KONK, construído no início dos anos 1970 com o irmão DAVE DAVIES e o baterista MICK AVORY, também moradores por lá.

Como PAUL McCARTNEY, ELTON JOHN, ERIC CLAPTON e variado etc…, recebeu o título de CAVALEIRO DO IMPÉRIO BRITÂNICO. ELE deve ser chamado SIR. Tem 78 anos de vida comparativamente até discreta, se pareada à de outros ídolos.

E introduzi com isso tudo, para falar sobre a ressurreição de um clássico: ARTHUR.

ÁLBUM CONCEITUAL que narra parte da História recente da GRÃ BRETANHA, via observações de familiares, lugares próximos, hábitos e pessoas. Fala do jeito de ser do povão inglês, suas ilusões, crenças, grandeza e …mediocridade.

É uma análise “clínica” do pequeno mundo em que RAY e família viviam, em contraste a um painel histórico que a todos moldava. A grandeza da obra foi aos poucos se evidenciando. É imperdível!

A síntese que RAY e DAVE DAVIES conseguiram, em 1969, hoje espelha quase à perfeição a Inglaterra que optou pelo BREXIT. O jeitão insular dos ingleses contra a associação com outros povos, culturas, a Europa moderna.

Os KINKS cantaram a própria Vila sem aperceberem-se de que ela era maior, mais forte e vasta do que ironizou a obra.

ARTHUR concorria com TOMMY, do THE WHO, referência óbvia que discute, via metáfora, a perspectiva do jovem sob outro ponto vista: descobrir-se alguém via jogos eletrônicos, pebolim, à margem do que se “esperaria” num mundo mais sério e maduro. O prazer alienado e alienante.

TOMMY como ARTHUR é obra de vidência. O mundo que ambos criaram e descreveram tornou-se muito próximo ao real!

Mas, será que faz sentido a reedição da obra no tamanho do que está postado, alto luxo e tudo o mais?

Eu acho que sim. Mesmo porque musicalmente é tão tímida e conservadora quanto TOMMY. Um BEAT clássico que o próprio WHO não transcendeu no disco – à exceção da abertura. Mas, tem a grandeza do POP em sua essência. ARTHUR é mais inglês do que qualquer disco de PETER TOWNSHEND ou THE WHO.

O repórter perguntou a RAY DAVIES se ele já havia composto alguma coisa sob influência de drogas. E RAY disse que não. Primeiro, ele trabalhava, compunha e depois tomava uma coisinha ou outra.

Menino aplicado e trabalhador.

O CORINTHIANS NA “FAZENDINHA”, E A SAGA DO “BUIÃO”! HISTORINHAS QUE TIO SÉRGIO LEMBRA:

 

Foi antes de LUIZ INÁCIO meter o bedelho para o CORINTHIANS endividar-se, e conseguir fazer o estádio ITAQUERÃO, em SAMPA. Transcorria o seguinte: o CURINGÃO havia décadas mandava jogos no PACAEMBU e outros recantos – vários sem encantos!

O estádio oficial do clube era conhecido por FAZENDINHA, e ficava na Avenida “Marginal sem número”, gozação que as torcidas adversárias faziam com o time. Era acanhadíssimo e perigoso.

Não estive ainda no “PENHORADÃO DA ZONA LESTE”, o ITAQUERÃO, estádio confortável, afirmam todos, inclusive o meu amigo@Paulo Aristeu@Rensto Renato Cesar Curi Antonio Augusto Souza Cesar Lima corinthiano e frequentador regular, reverente e “organizado”….hum….

Mas, quando eu era adolescente, assisti a um jogo na FAZENDINHA junto com o meu falecido amigo e primo BETÃO. Era o CORINGÃO contra outro time do interior de SAMPA. Sei lá qual…

A historinha é a seguinte:

Estávamos na geral – claro! – bem junto ao alambrado do campo. Era tão perto que o bandeirinha tinha de andar em cima da linha lateral, para não ser esbofeteado, assediado fisicamente, receber saquinho de urina, ou quase currado pela massa ignara e fanática!

“Nossa, tio Sérgio, você esteve em lugar como esse?”

Sim, e até piores! Qualquer hora eu conto sobre assistir jogo no estádio do JUVENTUS, na MOOCA. Ou do NACIONAL, na BARRA FUNDA, outro time histórico em fase de extinção total!

Mas, voltando à FAZENDINHA, MÚÚÚÚ!!!, primeiro vou descrever o contexto do jogo.

O CORINTHIANS havia contratado um ponta direita que fazia sucesso no ATLÉTICO MINEIRO, lá por 1968 em diante, acho. O nome dele era onomatopeia pura: BUIÃO!!!!

Pois, bem; jogo lânguido, tarde preguiçosa e o BUIÃO, nada! Não se deslocava, não corria; tomava bronca o tempo inteiro do técnico e xingamentos da torcida! Um zero à direita! É metáfora bobinha, acalmem-se…

Então, perto de nós e junto ao alambrado, um torcedor enlouquecido berrava “carinhos”, ameaças, e tudo a que tinha direito em meio ao coro de urros que trucidava emocionalmente o time!

E o BUIÃO paradão…

De repente, veio a bola pra ele; fácil de alcançar, se deixasse de lado o bicho-preguiça e se transformasse em… um “quelônio”! Era dar um passo!

Mas, nosso anti-herói não deu!

E o torcedor, ensandecido, tirou a SANDÁLIA HAVAIANA, que devia ser número 45, e tacou na orelha do BUIÃO! Pegou em cheio! fez barulho e atiçou de vez a torcida!!!!

Daquele momento em diante, o BUIÃO virou lebre, correu, pediu bola, etc… mas bem longe do alambrado. Foi jogar perto da meia-direita!!!!

Moral da história?

Nada como a “pedagogia” adequada para resolver problemas “psicológicos-comportamentais”!!!!!

E.C.M. RECORDS, A ORIGINAL, ULTRA – ECLÉTICA E ESPECIALÍSSIMA MÚSICA FUSION DE VANGUARDA PRODUZIDA POR UM GÊNIO!

EU QUERIA SER MANFRED EICHER!

Eu admiro muita gente. Mas, invejar invejo poucos – muito poucos. Entre eles está MANFRED EICHER.

Pois, não, cavalheiro e madame, eu vou dizer um pouco sobre o incensado:

MANFRED é alemão, músico e produtor de discos. Fundou a ECM RECORDS (EDITION OF CONTEMPORARY MUSIC ), em 1969, gravadora especial, única, de linguagem própria, que focaliza JAZZ, PROGRESSIVOS, VANGUARDAS, FUSIONS DIVERSAS, ELETRÔNICOS e CLÁSSICOS.

E, sempre, MÚSICA CONTEMPORÂNEA NÃO ROTULÁVEL.

Mas, não quaisquer artistas e músicas: somente os que têm alguns quês e qualidades além do cotidiano.

EICHER tem o feeling para escolher artistas sensacionais do mundo inteiro. E combiná-los de maneira inusitada, dar-lhes absoluta liberdade criativa e, ao mesmo tempo, produzir uma sonoridade inovadora, diferenciada, mas perfeitamente identificável.

Ele é um gênio da produção. Deixa sua marca sem descaracterizar – muito ao contrário! – a obra de artistas e discos que produz.

Entre centenas de músicos, grupos e pequenas orquestras, MANFRED EICHER produziu e revelou para o mundo artistas como PAT METHENY, KEITH JARRET, EGBERTO GISMONTI, JACK DeJOHNETTE, RALPH TOWNER, JAN GARBAREK…

E, o talvez maior COMPOSITOR CLÁSSICO CONTEMPORÂNEO, o armênio ARVO PART, que grava suas obras através da subsidiária ECM NEW SERIES.

MANFRED é eficiente, eficaz e prolífico. Grava seus artistas em dois dias, e mixa o material em mais um!

Em três dias você tem uma obra de arte pronta e, sempre, no mínimo significativa e de muita qualidade! Ele já “fez” mais de 1.250 discos!!!

Por isso, FOI ELEITO O PRODUTOR DO ANO pela revista “DOWN BEAT”, bíblia e referência do JAZZ, em 1976, 2008, 2009, 2010, 2011, 2012, 2013, 2014 e 2015 ( por enquanto )!

Os Lps da ECM começaram a sair no Brasil no final da década de 1970. Eram magníficos! Capa, produção e sonoridade de primeira; verdadeiros objetos de coleção até hoje! Procurem.

Aqui, na postagem, outros discos de minha coleção: o guitarrista TERJE RYPDAL & THE CHASERS, um progressivo diferente; ANAT FORT, pianista israelense de vanguarda; WOLFERT BREDERODE TRIO, escandinavos, ele pianista; a cantora inglesa NORMA WINSTONE; o sensacional e eclético grupo americano OREGON; JAN GARBAREK, saxes tenor e soprano que dispensa introduções; GARY BURTON, vibrafonista espetacular. E o icônico grupo CIRCLE, de ANTHONY BRAXTON, CHICK COREA, DAVID HOLLAND e BARRY ALTSCHUL, gravados ao vivo.

E, também, PAT METHENY GROUP; o colecionável CODONA 2, a FUSION original feita por COLLIN WALCOTT, DON CHERRY e NANA VASCONCELOS.

E, para terminar, dois pianistas além do marcante: BOB STENSON; e o gênio resmungante KEITH JARRET. Nem vou falar dos “acompanhantes de luxo” que a maioria dos discos aqui traz!

Por isso, se budistas e hinduístas tiverem razão, QUANDO o TIO SÉRGIO AQUI MORRER, VAI QUERER VOLTAR “REMASTERIZADO” EM MANFRED EICHER!!!!

Eu juro que aviso vocês se isto acontecer!

Curtam a ECM sempre!!!

BEACH BOYS – A COLEÇÃO

 

Gosto bastante, claro!

Estão entre os meus prediletos, mesmo que talvez não tão ouvidos.

São diferenciados e disputaram com os FOUR SEASONS por muito tempo, e no olho mecânico, o status de banda mais popular da América .

Ganharam por pontos por causa do PET SOUNDS.

Na minha opinião, entre as bandas BEAT – no caso deles na variante SURF – perdem em qualidade para os BEATLES e os ROLLING STONES.

Mas, quem liga pra isso?

Seja como for, é uma autêntica e importante banda americana, e colecionável até o fundo dos olhos!

Historinha relevante sobre eles. Eram republicanos e tocaram para o ex-presidente RICHARD NIXON na posse dele, no final da década de 1960. Mas, e existe sempre um mas, fumaram maconha no back-stage e dentro da Casa Branca… os anfitriões não gostaram!!!!!🤣

Grosso modo, tiveram três fases distintas, mas consequentes.

A fase SURF, juvenil, praieira e “diletante”.

Mas, em surto de grandeza de BRIAN WILSON, sempre de olho nos concorrentes de LIVERPOOL – os BEATLES, claro -, criaram o PET SOUNDS, tentativa de resposta à evolução que REVOLVER representara para os ingleses.

PET SOUNDS é m grande disco, sem dúvidas. Certamente mais estruturado e diferenciado do que REVOLVER, e plenamente identificado com a PSICODELIA americana em voga. E esta é a segunda fase…

A tentativa de parear com ‘SGT PEPPERS” teria sido “SMILE”. Esboçado e não concluído por discordâncias internas banda. E retomado mais tarde na carreira solo de BRIAN WILSON.

Eu ainda prefiro os BEATLES.

SMILE soa como projeto meio sem rumo. Uma tentativa de construir a história americana através da variedade musical existente no “HOSPÍCIO DO NORTE”.

Pra mim, não rolou. E o restante do grupo também não aderiu…

E neste ponto, termina a fase dois.

Durante a loucura e internamentos de BRIAN WILSON, o grupo evoluiu para um terceiro estágio, em que de certa forma combina o que se fazia no ROCK da Califórnia e nos EUA, naquela época. Um FOLK ROCK mais sofisticado, com tinturas de R&B, algum JAZZ, “costeando os alambrados”, como disse Leonel Brizolla, dos DOOBIE BROTHERS, os ALMANN BROTHERS e, depois, os EAGLES. É diferenciado, mas coerente com aqueles tempos, na década de 1970…

É história que merece outra abordagem.

JETHRO TULL – ACQUALUNG – 1971

ACQUALUNG é um favorito de sempre.

Diz a lenda que IAN ANDERSON, quando amador, foi assistir a um show de SIMON & GARFUNKEL para conferir o FOLK – POP dietético que os americanos sempre fizeram.

Na saída, ele comentou com um amigo: “se fazer ROCK é isso aí, então eu faço muito melhor”.

E fez!

ACQUALUNG eu pedi e ganhei de presente, em 1971, de tia que viajou para os “esteites”. Através da gentileza dela, tive a vida inteira a primeira edição americana. Um assombro.

Hoje, tenho outras deste album, e muitos e muitos outros da banda. A Capa, repertório e a música são espetaculares.

O RIFF inicial de ACQUALUNG, a sequência de LOCOMOTIVE BREATH, a sólida e soft pauleira de WIND-UP; em resumo, o disco inteiro são únicos.

O JETHRO TULL é banda seminal e inaugurou a vertente FOLK – PROGRESSIVA do ROCK. Falar deles é conversa para a vida inteira.

De carreira diversificada, e discos nunca menos que excelentes, poucas bandas têm em suas discografias álbuns do nível deste.

Ou de BENEFIT; ou LIVING IN THE PAST. Sem comentar as sequências de SUÍTES PROGRESSIVAS, como THICK AS A BRICK, 1972; ou A PASSION PLAY, em 1973. Para falar o mínimo, em vista de tantos outros e ótimos, ao longo de 55 anos!!!

Eu os assisti na primeira vez em que vieram a São Paulo, no início dos anos 1980, acho.

Quando se fala de FRONT MEN como IAN GILLAN, ROBERT PLANT, JAGGER, ou FREDDIE MERCURY, esquecer IAN ANDERSON é imperdoável!

E, por favor, ponham MARTIN BARRE na galeria dos GUITAR-HEROES: onipresente, discreto, eficiente para a banda e com muita imaginação para criar e tocar!

Certa vez, JÔ SOARES entrevistou IAN ANDERSON em seu programa. O grande JÔ não tinha a menor ideia de quem ele era ou foi….

O BRASIL mora e sempre morou longe do mundo relevante!

Quem não tem ACQUALUNG não passa de ano em ROCK’ N’ ROLL!

 

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