JUCA KFOURI – ENTREVISTA NELSON MOTTA : LIBERALISMO E LIBERDADES

A POSTAGEM É ANTIGA, MAS RELEVANTE. DOIS CARAS HONESTOS, QUE TÊM CONVICÇÕES DIFERENTES, MAS CONVERSAM NUMA BOA E COM MÚTUO RESPEITO.
EU PASSEI POR ESSA METAMORFOSE IDEOLÓGICA, ORIENTADO PELO PENSAMENTO DE ESQUERDA, ENTRE OS QUAIS O PRÓPRIO PAULO FRANCIS, DO INÍCIO DOS ANOS 70 ATÉ A SUA CONVERSÃO AO LIBERALISMO – NO INÍCIO DOS ANOS 80 E ATÉ A SUA MORTE.
EU MUDEI IDEOLOGICAMENTE, MAS, NÃO ALTEREI MEUS PRINCÍPIOS. SOU PELA JUSTIÇA SOCIAL ATRAVÉS DO CAPITALISMO. APENAS OPTEI POR MÉTODOS E POSTURAS QUE, PARA MIM, SÃO MUITO MAIS EFICIENTES DO QUE O ESTATISMO ESQUERDISTA QUE NOS ASSOLA E A, TAMBÉM, GRANDE PARTE DA INTELIGÊNCIA BRASILEIRA E LATINO-AMERICANA.
EXISTE UM LIBERALISMO MODERNO QUE NÃO PRESCINDE DE EQUIDADE E JUSTIÇA SOCIAL; DA EDUCAÇÃO DE QUALIDADE PARA TODOS; E DA IMPLANTAÇÃO DE IGUALDADE DE OPORTUNIDADES, QUE POR SUA VEZ, NÃO DISPENSA O “MÉRITO INDIVIDUAL”; E DA DISCUSSÃO LIVRE E ABERTA DOS PROBLEMAS QUE TEMOS E PRECISAMOS MELHORAR.

NA PRÓXIMA ELEIÇÃO EU VOTO EM QUEM PROFESSA TAIS PRINCÍPIOS.

POSTAGEM ORIGINAL: 27/07/2018

YARDBIRDS – LIVE YARDBIRDS FEATURING COM JIMMY PAGE, 1968. E OUTRA HISTORINHA QUE SÓ O TIO SÉRGIO CONTA!

Um grande amigo, também colecionador de discos, no início dos anos 1970 pendurava na parede da sala um pôster antigo dos YARDBIRDS, com o JIMMY PAGE na guitarra.
A imagem era, digamos… um tanto fora do comum para uma banda já de HARD ROCK. Os quatro caras estavam posando envolvidos em peles, um tanto “AQUALIRADOS”, como diria o escritor JOSÉ SARNEY, hummm! Um cenário mais adequado aos PET SHOP BOYS, A-HA, DEPECHE MODE, ou PABLO VITTAR; só para usar exemplos notórios…
E, entra na sala uma tia velhae pergunta:
– Silvinho, quem são esses cabeludos aí na parede?
– São os YARDBIRDS, tia…
– QUEM?!?!?!?!, os VIADOS VERDES?!?!?!
Não eram…
Comecei por piadinha datada e infame; mas o diálogo aconteceu de verdade. E aproveito para juntar a CD, edição argentina e provavelmente pirata, de um LONG PLAY lançado pela EPIC RECORDS só na América, em 1971.
É um show ao vivo, gravado em NOVA YORK, no dia 30 de março de 1968, quando os YARDBIRDS já estavam na gargalhada final. PAGE, na guitarra, é claro; o vocalista KEITH RELF; o baterista JIM McCARTHY; e o baixista CHRIS DREJAS tocavam juntos pelas últimas vezes. Foi a excursão final, que acabou semanas depois.
O destino e sequência é fato histórico sabido: sobraram apenas JIMMY PAGE e CHRIS DREJAS, que contrataram ROBERT PLANT, e JOHN BONHAN, para cumprir uns compromissos finais dos YARDBIRDS pela Europa, e a finito.
Com a entrada de JOHN PAUL JONES, no lugar de CHRIS DREJAS, o LED ZEPPELIN aconteceu.
Este álbum é oportunismo puro e nítido. O grupo quando ouviu o resultado da gravação recusou-se a lançar o disco. É técnica e artisticamente um fracasso. RELF canta nada; PAGE parece exausto. E mesmo tentando reproduzir os HITS mais clássicos da fase com JEFF BECK, a coisa não rolou. A gravação é tão ruim que, a gente não sabe se o público está “apulpando”, ou gostando…
Mas, com o sucesso do LED ZEPPELIN, a EPIC forçou a barra e lançou o disco. Lembro-me que, na época, quando comprei, meus amigos adoraram! É um disco barulhento, garageiro e mal feito. E, admito agora, é um bom motivo para tê-lo!
Hoje, é bastante raro. E não lembro de tê-lo visto em CDS oficiais por aí. Enfim, vale por documentar um velório!
POSTAGEM ORIGINAL: 26/07/2024
Pode ser um doodle de abutre, coruja e texto

SLY & THE FAMILY STONE & THE TEMPTATIONS – 1968: A VIAGEM AO PSICHEDELIC SOUL

Viver é defrontar surpresas. Todos nós na dinâmica da existência, somos detidos, flechados ou derrubados pelas novidades. Ou, frente a elas, temos algum insight, ou coragem para mudar enfrentando os receios – que são parte da vida.
Os TEMPTATIONS, por volta de 1968 tinham carreira sólida, mas sem grandes horizontes. Aconteciam coisas demais em volta deles, mas poucas tangenciavam a BLACK MUSIC.
HENDRIX à parte, claro. Mas JIMI era um híbrido raivoso que ajudou a refundar o ROCK à partir do BLUES. E foi muito, muito, além dele, claro.
SLY STONE, também preto, de certa forma era um integrado ao sistema que viveu a revolução do ROCK …hummm branco. Era produtor de discos, na CALIFÓRNIA, com algum sucesso. Havia trabalhado com gente talentosa, como os BEAU BRUMMELS, banda BEAT/FOLK, hoje reconhecida como excelente.
E foi com esse background que idealizou e fez a FAMILY STONE, juntando o JAZZ-ROCK em gestação na própria COLUMBIA RECORDS ao ROCK PSICODÉLICO e ao RHYTHM´N´BLUES mais agressivo. Foi tudo para ooooo… liquidificador criativo que sabia mobilizar; e deu em SLY & THE FAMILY STONE, troupe seminal!
Um dia de 1968, em Nova York, OTIS WILLIANS, o líder dos TEMPTATIONS escutou “DANCE TO THE MUSIC”, no rádio. E sacou no ato a novidade. Pegou a banda e o produtor NORMAN WHITFIELD e foram para o estúdio em Detroit. Decompuseram o grupo, por assim dizer, em vários solistas. Atualizaram a sonoridade por completo. Inclusive instrumentação e até arranjos.
Resultado: “CLOUD NINE”! Hit supremo que os levou ao GRAMMY; e abriu caminho para vários sucessos, e nova linha de trabalho. Ouçam BALL OF CONFUSION, por exemplo; é outro SINGLE espetacular! PSYCHEDELIC SOUL é coletânea imperdível, e documenta o giro de 180 graus da banda. Uma revolução no conteúdo, perspectivas e sonoridades.
Neste álbum duplo estão canções imprescindíveis para quem gosta da melhor música feita pelos pretos americanos. E dão uma “palinha” do que veio a ser o R&B atual, menos açucarado, mais cheio de “punch” e sensualidade não romântica…
Então, pessoal, ultrapassem os TEMPTATIONS de “MY GIRL”. Porque os mixes fantásticos de ROCK PSICODÉLICO + SOUL MUSIC ultrapassam em criatividade e visão de futuro aquele HIT histórico, delicioso, mas adolescente além da conta.
Recomendo os dois álbuns!
POSTAGEM ORIGINAL: 25/07/2023Nenhuma descrição de foto disponível.

MIROSLAV VITOUS: GRAVADORA E.C.M.UNIVERSAL SYNCOPATIONS, 2003; MIROSLAV VITOUS & GROUP, 1981, E JOURNEY´S END, 1983

Que delícia, orgulho e vitória pessoal deve ser ligar para os amigos ou parceiros profissionais, gente do nível artístico de JAN GARBAREK, CHICK COREA, JOHN McLAUGHLIN e JACK DEJOHNETTE , e convidá-los para gravar um disco!, e o convite ser aceito!
Tá certo, MIROSLAV VITOUS, toca contrabaixo; é um dos grandes, também. E, mais uma vez, demonstra nos álbuns aqui postados.
Mas reunir um time como este, todos no auge criativo e técnico; e gravar com a solidez e segurança da produção de MANFRED EICHER, um criativo que deixa espaços para que cada músico demonstrar o porquê de estar no disco; um feito que os amantes do melhor JAZZ precisam reverenciar!
Para mim, UNIVERSAL SYNCOPATIONS, lançado em 2003, é um perfeito indicativo de maturidade e conteúdo artístico. Cada integrante da banda intervém a seu tempo com liberdade; estilo, e capacidade técnica para transmitir a mensagem e arte pretendida.
É música de Vanguarda que resguarda melodias, exala harmonias; encanta. A performance individual está, sempre, ajustada perfeitamente ao “timing” coletivo. É álbum de unicidade explícita. Não há onanismo instrumental solitário e narcisista.
Então, aproveitei e trouxe de carona mais dois outros CDS de MIROSLAV VITOUS, artista fantástico! E vem, como sempre, na companhia de time de alto luxo e pertinência: JOHN SURMAN, soprano; JOHN TAYLOR e KENNY KIRKLAND, piano e JON CHRISTENSEN, bateria. É relação de amor completa e completada traduzida em música.
Então, cumpram a sina e ouçam os discos E, se possível, comprem os três! Arrepender-se é impossível!
Pode ser uma imagem de 1 pessoa e textoPOSTAGEM ORIGINAL: 26/07/2023

PAUL WINTER CONSORT – ICARUS – 1972 – PRODUÇÃO GEORGE MARTIN

Dia desses, recebi outro CD do grupo OREGON, um blend bendito entre a FUSION e a “VANGUARDA JAZZY – WORLD MUSIC”.
Lendo alguma coisa a mais sobre eles, descobri que quase todos haviam tocado com PAUL WINTER; um sax soprano que circundou e gravou muita coisa de BOSSA NOVA e MPB; e circulou WORLD MUSIC afora.
Dei de cara com esse disco na estante; e nem me recordava se havia escutado! Peguei, abri e bingo! (pode ser eureka, também).
Estavam lá PAUL McCANDLESS, sopros; COLIN WALCOTT, percussão; e o guitarrista RALPH TOWNER, o núcleo do OREGON. E, juntos com o baterista BARRY ALTSCHULL, o percussionista e baterista MILT HOLLAND; e DAVID DARLING, violoncelista. Todos no futuro cast da gravadora ECM. Ahhh, BILLY COBHAN ( não vou dizer o que ele toca… ) também participa.
E quem produziu a obra? GEORGE MARTIN; sim , ele mesmo! Fez disco delicioso. E, não sei ao certo onde começa o JAZZ FUSION leve, europeu, da linha ECM; ou, os flertes com o ROCK PROGRESSIVO meio SOFT MACHINE 3, ou do 5 em diante; tudo vem mesclado em incursões ao WORLD JAZZ AFRO.
Talvez o termo NEW AGE seja em parte cabível, indeed! É muito bonito e melodioso. Fiquei alegre e surpreso. Resumindo, é muito criativo e antecipatório de novas tendências. O disco é de 1972
Para completar talvez seja o CD com edição mais antiga em minha coleção. Parece que prensado em 1984, pela subsidiária da CBS chamada LIVING MUSIC, o que explica a qualidade hoje precária do áudio.
Ouçam. É colecionável, algo raro e certamente precioso.
POSTAGEM ORIGINAL: 26/07/2020
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MARIA MULDAUR – BLUES SINGER – IMPRESCINDÍVEL!

VETERANA, CARREIRA E DISCOGRAFIA LONGAS HONRANDO O MELHOR BLUES FEITO NA AMÉRICA.
MARIA TEM CARACTERÍSTICA RARA E PRECIOSA: VOZ SIMULTANEAMENTE ANASALADA E LÍMPIDA!
A PRODUÇÃO, AQUI, É O QUE HÁ DE CHIC EM GRAVAÇÃO E TÉCNICA: É TELARC; PRECISAS. NADA FALTA. SOBRA O TALENTO INFINDÁVEL DESSA MARIA – QUE NÃO VAI COM AS OUTRAS!
PROCURE. VOCÊ GOSTARÁ!
POSTAGEM ORIGINAL:16/07/2020Nenhuma descrição de foto disponível.

GENESIS – EM TEMPOS DE ROCK PROGRESSIVO: 1969/1974

PETER GABRIEL,TONY BANKS, MICHAEL RUTHERFORD E ANTHONY PHILLIPS se encontraram no final dos anos 1960, na “Chaterhouse Public School”, escola inglesa de alto nível, onde os alunos eram tidos como algo esnobes e diferenciados.
Ao contrário da imensa maioria da turma do ROCK, eles não vieram da classe trabalhadora. Os quatro fundaram o GENESIS com a intenção de compor canções, e não apenas tocar ou mostrar destreza nos instrumentos. O foco era quase literário.
O primeiro álbum, “FROM GENESIS TO REVELATION”, lançado em 1969, lembra muito o “ODISSEY & ORACLE”, dos ZOMBIES, clássico de 1968; e as gravações dos MOODY BLUES na fase próxima a “DAYS of FUTURE PASSED”, 1967/1968.
São melodias muito bonitas, mas não definíveis a qual estilo pertenceriam. É um disco carente de produção elaborada; mas apontando direções. Os fãs e os próprios integrantes do GENESIS simplesmente abominam esse disco!
TIO SÉRGIO gosta!
A banda Fechou com a CHARISMA RECORDS, e nesta fase mantiveram linha sonora não muito diferente, de um disco para outro. As letras são geralmente longas e cheias de sub histórias. Imagino que impusessem aos produtores o que desejavam fazer. Sabiam o que pretendiam…
Mas é claro, se o som não fosse interessante e contemporâneo ao de sua geração e concorrentes, certamente não teriam conseguido o sucesso que obtiveram.
Se observarmos o cenário, eles estão mais próximos dos MOODY BLUES que do YES – a referência usual para compara-los. Menos magia e pirotecnia instrumental, e mais integração entre os componentes do grupo.
Os centros de atenção da banda, na fase PROGRESSIVA, sempre foram os teclados exatos de TONY BANKS, e o vocal e a figura cênica espetaculares de PETER GABRIEL.
Os músicos restantes, adequados e competentes, compunham grupo sólido e coeso, e que deu sustentação a um projeto bastante nítido.
Para testar essa hipótese, ouçam GENESIS LIVE, de 1973. Disco que fecha o ciclo dos nitidamente progressivos. Eles fizeram ao vivo com arranjos quase copiados das gravações de estúdio.
“TREPASS”, de 1970, é o meu Genesis predileto, e o último com o guitarrista ANTHONY PHILLIPS. Depois, com STEVE HACKETT, na guitarra, e PHIL COLLINS na bateria; fizeram “NURSERY CRIME”, 1971 e “FOX TROT”, lançado em 1972. O disco seguinte, “SELLING ENGLAND BY THE POUND”, 1973, os confirmou como astros em ascensão. E, para muitos, é o melhor álbum deles, e abre a transição para outro sucesso de público.
Observem o ano de 1973, um marco na história do ROCK, em que 3 estilos e tendências disputavam a atenção do público:
foi quando o PINK FLOYD lançou “DARK SIDE OF THE MOON”. Época em que o HARD ROCK do
LED ZEPPELIN e DEEP PURPLE; e o HEAVY METAL do BLACK SABBATH estavam no auge. E surgiu, também, o GLITTER ROCK; destacando o sucesso POP de BOWIE, BOLAN e o T.REX, ROXY MUSIC, e outros.
E há tantas intercorrências, consequências e opções; que qualquer artista que lançasse discos, daí para frente, teria de compreender o novo e rico cenário.
Se o PINK FLOYD bombava renovando o PROGRESSIVO, o que fez o GENESIS, em 1974?
O sétimo disco da carreira:
” THE LAMB LIES DOWN ON BROADWAY “, álbum duplo obscuramente conceitual. A maioria das músicas são mais curtas, e as letras mais longas; resultando em inequívoco ROCK PROGRESSIVO, porém mais contido…
É disco bem produzido, enxuto e organizado. Foi o derradeiro com PETER GABRIEL no vocal. E TONY BANKS está menos dominante e mais integrado à banda.
Há, inclusive, um elemento fundamental e desconcertante: BRIAN ENO com seu aparato AVANT-GARDE, e a influência recebida estudando compositores como TERRY RILLEY e PHILLIP GLASS – gente ultra CONTEMPORÂNEA. Ele criou efeitos precisos em algumas faixas esparsas, que diferenciaram o álbum do que o YES, MOODY BLUES, PINK FLOYD e outros vinham fazendo. Ter participado desse álbum do GENESIS firmou o diferencial.
ENO havia brigado com BRIAN FERRY e deixado o ROXY MUSIC anos antes. Vinha de discos solo; e também feito álbuns com ROBERT FRIPP, JOHN CALE, e alternativos PROG daqueles momentos… E, assim, BRIAN ENO forjou a ponte entre o GLAM ROCK e o ART ROCK, que foi opção certeira e historicamente importante.
Em seguida, BRIAM ENO envolveu-se com o KRAUT ROCK, e ajudou a criar a famosa TRILOGIA BERLIM com DAVID BOWIE. E tornou-se capítulo importante na música de vanguarda.
O GENESIS migrou, paulatinamente, para um híbrido POP diferenciado que se poderia considerar ART ROCK; que certamente se tornou o período de maior sucesso comercial da banda.
Resumindo o imperfeito: viver e navegar não são precisos! Mas curtir o GENESIS é necessário, agradável, e muito estimulante.
POSTAGEM ORIGINAL: 23/07/2020Nenhuma descrição de foto disponível.

HEAVENLY VOICES, DREAM POP, NEW AGE – O ELETRÔNICO DE VANGUARDA MELODIOSO

INÍCIO DOS ANOS 1990, O POP EM ERUPÇÃO, EFERVECENTE, E PARA GOSTOS DIVERSOS, ABRANGIA DA NEW AGE À WORLD MUSIC, ENTRE AS VARIADÍSSIMAS E RICAS POSSIBILIDADES DA MÚSICA ELETRÔNICA. INCLUSIVE, CLARO, “CROSSOVERS” IMPENSÁVEIS.
AQUI, O LADO ELETRÔNICO MAIS LEVE, MESMO QUANDO “DARK ” OU “GÓTICO”. GRUPOS E DUPLAS COM VOCAIS FEMININOS; E OUTRAS DELÍCIAS E SONORIDADES PLENAS DE SENSIBILIDADE, ESTRANHEZAS, QUE MEIO PERDERAM-SE NA CACHOEIRA DAS ERAS.
HOJE, ESSA TENDÊNCIA É MAIS CONHECIDA POR “DREAM POP”.
EU GOSTO MUITO DISSO E TENHO ESSAS COLETÂNEAS GUARDADAS NA LINDÍSSIMA CAIXA AO LADO, FEITA ORIGINALMENTE PARA APENAS DUAS DELAS…
SÓ QUE O “TIO SÉRGIO” AMPLIOU, PORQUE APARECERAM OUTRAS TAMBÉM “ABDUZIDAS”.
É MÚSICA E SONIRIDADE PARA QUEM CURTE “BRIAN ENO”, “COCTEAU TWINS”; GOSTA DE “ENYA”, “LOREENA McKENNIT”, E SE BOBEAR “KATE BUSH”.
AS VIZINHANÇAS E ADJACÊNCIAS TAMBÉM SÃO BENVIDAS; ATÉ A FRONTEIRA COM O “KRAUTROCK”… ESTE BOX E OUTRAS BELEZAS RECÔNDITAS SÃO UM MUST IMPERDÍVEL. E, CERTAMENTE MUITOS E MUITOS POR AQUI GOSTARÃO!
PORÉM, HOUVE UMA GUERRA UNDERGROUND EM DISPUTA POR TERRITÓRIOS – E MUITOS FORAM ANEXADOS PELAS FORMAS DE DANCE ELETRÔNICO; D.J.s E RAVES.
É FATO QUE A VITÓRIA FOI DO TECHNO ET CATERVA…, QUE POVOAM E INSPIRAM A MÚSICA ELETRÔNICA ATÉ HOJE…
TODAVIA, “OS VENCIDOS” TAMBÉM FINCARAM BASES DE SEUS EXÉRCITOS NAS FRONTEIRAS; E UMA ESPÉCIE DE ARMISTÍCIO DO BEM JÁ VEM DURANDO UNS 30 ANOS…
“ATÉ UM DIA; ATÉ TALVEZ; ATÉ QUEM SABE”…. SOME DAY, ONE DAY…
PROCURE CONHECER. É BONITO, DIFERENTE, AGRADÁVEL, E COLECIONÁVEL.
POSTAGEM ORIGINAL: 23/07/2019
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O PIANO E SUAS VANGUARDAS EM DOIS CONCEITOS

Se você quiser construir uma casa, é bom pensar o projeto desde o início.
Supondo-se que já exista o terreno e uma certa grana disponível, a próxima atitude é “ESBOÇAR” o que pretende. Ter ideia básica de tamanho e funcionalidades.
Em seguida, contrate um arquiteto para refinar o projeto, torna-lo o mais exato possível à sua necessidade, beleza e intenção. Com isso, “o espírito da tua vontade ” toma a sua primeira materialidade formal. Mas antes de pôr mãos à obra, há um terceiro passo imprescindível: a elaboração de um PROJETO EXECUTIVO, onde tudo estará definido: os roteiros, etapas, prazos, custos, etc.
Agora, observe as semelhanças com a COMPOSIÇÃO MUSICAL ESCRITA. Principalmente na MÚSICA CLÁSSICA, por aqui conhecida como ERUDITA.
O COMPOSITOR tem uma ideia, desenvolve e sugere a melodia. Em seguida, vai escrevendo a PARTITURA, onde constam o ritmo, o andamento, harmonias… Estabelece no curso desta CONSTRUÇÃO outros elementos constituintes que procuram expressar o que ele esboçou.
A PARTITURA É O PROJETO EXECUTIVO DA MÚSICA!
O local onde as orientações para a execução da obra estarão definidas. É o parâmetro para a SENSIBILIDADE de cada músico, e a correta regência do maestro realizarem a intenção do COMPOSITOR.
Se na MÚSICA ESCRITA é possível orientar para que não se improvise, na vida e na arte nem sempre é possível, necessário, ou até desejável que isto ocorra. O acaso e a criatividade contam e também constroem.
Dia desses, comprei CDS na lojinha do SESC de São Paulo. Um deles deixou-me fascinado! “PIANO PRESENTE”, 2013, da exímia pianista, pesquisadora e professora JOANA HOLANDA; é obra de ousadia exata e planejada.
O PIANO é a maior invenção musical da humanidade, leio na apresentação do álbum. É instrumento de incontáveis recursos. Nele, é possível “reproduzir tudo”; o que o torna ideal para criar composições, ajustar ideias, e até conceber iconoclastias várias.
O PIANO É UMA ORQUESTRA EM SI MESMO.
JOANA neste seu único disco – pelo que sei – grava composições de NOVE autores da vanguarda musical CLÁSSICA CONTEMPORÂNEA brasileira ( vá lá, ERUDITA, como se prefere no Brasil ) abrindo mentes e possibilidades para um gênero difícil, pouco divulgado e necessariamente elitista – ao menos em um primeiro momento….
JOANA HOLANDA expõe o trabalho deles como foram escritos, e nos faz perceber as dificuldades técnicas impostas por cada uma das obras escolhidas. Os COMPOSITORES são todos professores universitários de música, renomados em suas respectivas cátedras, e atuantes em sala de aula e recitais.
É instigante perceber, em cada uma das obras, as linhas que as compõe, os impasses em que chegam, e as soluções encontradas. Todas pensadas para fugir de algum desfecho óbvio, vez por outra parecendo inevitáveis.
Um dos papéis da ESCRITA MUSICAL é controlar os impasses, exibir soluções; portanto, procurar não perder o artístico que sempre se reivindica. E ajudar a encontrar o diferente, mesmo quando “NÃO NOVO” – se me expressei de maneira inteligível.
Quanto à intérprete, é pianista estudiosa, competente e dedicada à música ERUDITA DE VANGUARDA CONTEMPORÂNEA brasileira. JOANA literalmente estuda e dedilha o instrumento buscando expressar o inédito, com seus detalhes e armadilhas; é difícil. É como recriar, e não apenas armar um quebra-cabeças. Encaixando as peças adequadamente com fluidez, ritmo; e, muito importante, naturalidade. É preciso ser craque para transmutar o lido e pensado na PARTITURA em espontaneidade artisticamente reconhecida.
JOANA HOLANDA pertence ao universo de outras duas professoras brasileiras fundamentais: JOCY DE OLIVEIRA, a pioneira no BRASIL da música ELETROACÚSTICA. E MARISA REZENDE, pianista e compositora CLÁSSICA DE VANGUARDA, também representada nesse disco, e com extensa obra escrita e gravada.
Realizar esse trabalho imenso requer apoio. Compor e dedicar-se à MÚSICA DE VANGUARDA, ou a qualquer outra ARTE DE PONTA, é atividade com riscos de mercado evidentes. E só pode ser realizada se houver incentivos e subvenções oficiais, de INSTITUIÇÕES NÃO GOVERNAMENTAIS, como o SESC. Ou de a gatos pardos dedicados ao mecenato.
É também, necessariamente, permeada pelo mérito. Mas, é preciso descobrir os talentosos ou esforçados nas escolas e ambientes propícios. Portanto, é imprescindível incentivar, desenvolver e financiar uma certa postura de iconoclastia consciente para atingir outro nível de criatividade.
Criar arte do futuro exige um sentido de cidadania que hoje, no BRASIL, está em falta
E isso nos leva à hipótese de que A MÚSICA CLÁSSICA CONTEMPORÂNEA seja a antítese da IMPROVISAÇÃO JAZÍSTICA.
Ambas são plenas de criatividade. Porém, a atitude frente o piano, é fundamental.
JOANA HOLANDA, obviamente não é e nem pretende ser KEITH JARRETT, CHICK COREA ou HERBIE HANCOCK. Mas na coletânea PIANO 1 estão outros pianistas também chegados ao JAZZ FUSION, e de criatividade variada:
Temos o consagrado RYUICHI SAKAMOTO, que trabalhou de TOM JOBIM a DAVID SYLVIAN, passando por outros mundos. EDDIE JOBSON, conhecido pela turma do ROCK também como violinista; esteve com o CURVED AIR e o ROXY MUSIC;
E JOACHIM KUHN, um craque alemão com vários discos gravados para ECM; aqui fazendo versão criativa da “internacional-brega” “FEELINGS”.
Ah, a versão dele ficou bem legal!
Então, deem uma chance à Professora JOANA e seus múltiplos conhecimentos. Vocês não se arrependerão!
POSTAGEM ORIGINAL: 22/07/2022Pode ser uma imagem de 1 pessoa

MOODY BLUES – EM OITO DISCOS DE TIRAR O FÔLEGO, LANÇADOS ENTRE 1967 E 1978 – EDIÇÕES JAPONESAS

OS MOODY BLUES SÃO CONTEMPORÂNEOS DE GERAÇÃO E INGLESES COMO “THE BEATLES”. INICIARAM CARREIRA COM O BEAT/R&B, EM 1964, MAS SEM GRANDE EXPRESSÃO. GRAVARAM UM BOM “LONG PLAY”, EM 1965, “THE MAGNIFICENTS MOODIES, E UMA SÉRIE DE SINGLES DE ALGUM PRESTÍGIO E VENDAS. ESTAVAM PELA BOLA SETE NO BILHAR DA CARREIRA, QUANDO, EM 1967, FIZERAM RADICAL MUDANÇA DE RUMO ARTÍSTICO.
A ENTRADA DO GUITARRISTA “JUSTIN HAYWARD”, NO LUGAR DE “DANNY LANE” – QUE FEZ LONGA TRAJETÓRIA TOCANDO INCLUSIVE COM “PAUL McCARTNEY”, NOS WINGS -; E DE “JOHN LODGE”, NO BAIXO; FOI DEFINIDORA E DEFINITIVA PARA O REINÍCIO DE CARREIRA COM ENORME ÊXITO, NAS DÉCADAS DE 1960, 1970 E 1980, PRINCIPALMENTE…
ESTÁ AQUI UMA DAS COLEÇÕES QUE TENHO DOS MOODY BLUES, SÃO EDIÇÕES ESPECIAIS JAPONESAS. ÁLBUNS TODOS DE EXCELENTE NÍVEL TÉCNICO E ARTÍSITICO; E OS DOIS PRIMEIROS SEMINAIS:
“DAYS OF FUTURE PASSED”, DE 1967, É O MARCO ZERO DO “ROCK PROGRESSIVO SINFÔNICO”. E “IN SEARCH OF THE LOST CHORD”, DE 1968, É FUSÃO DE PSICODELIA E TEMAS ORIENTAIS. FOI ELEITO PELA REVISTA “RECORD COLLECTOR”- A MINHA BÍBLIA E REFERÊNCIA PARA O COLECIONISMO -, ENTRE OS DEZ DISCOS MAIS IMPORTANTES D0 ROCK PSICODÉLICO INGLÊS.
TAMBÉM NA FOTO, “A QUESTION OF BALANCE”, 1970, O PRIMEIRO DISCO A FALAR ABERTAMENTE SOBRE TEMAS ECOLÓGICOS; É MAGNÍFICO POR ELE MESMO; É “ROCK PROGRESSIVO” MELÓDICO, E AGRADA A TODOS; PORÉM É MENOS EXPERIMENTAL.
OS DISCOS “ON THE TRESHOLD OF A DREAM”, 1969; “TO OUR CHILDREN, CHILDREN, CHILDREN”, 1970; “EVERY GOOD BOY DESERVES FAVOUR”, 1971; SEVENTH SOUJORN, 1972, SÃO IGUALMENTE ESPETACULARES.
MUITOS NÃO CONSIDERAM BOM “OCTAVE”, 1978, DA MESMA SAFRA. MAS É O ÚLTIMO COM A FORMAÇÃO ORIGINAL DE GRANDE SUCESSO. DEPOIS DELE, O TECLADISTA MIKE PINDER DEIXOU A BANDA, MAS CONTINUOU SÓCIO NOS BASTIDORES, CUIDANDO DOS “NEGÓCIOS” E AJUDANDO NA PRODUÇÃO.
O CONJUNTO DA OBRA DESTA FASE MERECE UM ENSAIO MAIS AMPLO PARA CADA UM DOS DISCOS. POIS TÊM TEMÁTICA E CONCEPÇÕES PRÓPRIAS; EXPLORANDO NOVIDADES TÉCNICAS, E COMBINADAS AO REQUINTE DAS PRODUÇÕES DE “TONY CLARKE”, E A EXECUÇÃO INSTRUMENTAL DE ALTA QUALIDADE ARTÍSTICA.
OS VOCAIS SUBLIMES DO GUITARRISTA “JUSTIN HAYWARD” E DO FLAUTISTA “RAY THOMAS”, EM HARMONIA COM AS VOZES DO BATERISTA “GREAME EDGE”; DO BAIXISTA “JOHN LODGE”; E O TECLADISTA “MIKE PINDER”, FORMAM ENTRE OS MELHORES DA HISTÓRIA DO ROCK. SÃO DESTAQUES E PARTE DA RAZÃO DE EXISTIR E DO GRANDE SUCESSO DA BANDA.
MUITOS CRITICAM OS “MOODIES” PELA INCONSTÂNCIA NA QUALIDADE DAS LETRAS. A EXPLICAÇÃO, AO MEU VER, É A ENORME DEMANDA DO MERCADO AMERICANO, ONDE O PÚBLICO OSCILA ENTRE O GOSTO PELO QUASE BREGA E SIMPLISTA; E AS COISAS SUBLIMES QUE FIZERAM COMO”NIGHTS IN WHITE SATIN” E “TUESDAY AFTERNOON”.
EXEMPLO COMPARATIVO CLARO É A “BOSSA NOVA”. NO COMEÇO, “NORMAN GIMBEL”, O LETRISTA PARA AS VERSÕES INGLESAS DE “TOM JOBIM”, “JOÃO GILBERTO”, E OUTROS, JAMAIS ESTEVE `A ALTURA DA QUALIDADE POÉTICA DOS ORIGINAIS!!
OS DISCOS POSTERIORES A 1978 SÃO CONVERSAS DIFERENTES QUE FICARÃO PARA OUTRA OCASIÃO.
OS MOODY BLUES FORAM GRANDES E FIZERAM ENORME SUCESSO COMERCIAL E DE CRÍTICA, PRINCIPALMENTE NOS ESTADOS UNIDOS; ONDE ATÉ HOJE ENCHEM TEATROS QUANDO FAZEM CADA VEZ MAIS RARAS EXCURSÕES; E AGORA, LIMITADOS A “LODGE” E “HAYWARD” – OS DOIS SOBREVIVENTES DA FORMAÇÃO CLÁSSICA – JÁ SEM O BRILHO DE ANTES, PORQUE PRÓXIMOS A 80 ANOS DE IDADE.
DADO PITORESCO: O NOME DA FILHA DE JUSTIN HAYWARD É “DOREMI”, AS TRÊS NOTAS MUSICAIS EM SEQUÊNCIA! HOMENAGEM E VOTO DE FÉ MAIOR EU NÃO CONHEÇO!
POSTAGEM ORIGINAL: 22/07/2023Pode ser uma imagem de texto