EU, O PROFESSOR! O RESUMO DE UMA FASE QUE VIVI, MAS NÃO SUSTENTEI

Fui, sim, por um ano. Carteira assinada e tudo o mais.
Quase aventura que devo ao meu cunhado, Toninho Paes, em vez de quem assumi poucas aulas semanais, nos estertores de uma escola tradicional aqui de SAMPA, o LICEU EDUARDO PRADO.
A escola estava sendo incorporada ao COLÉGIO E FACULDADE LUSWELL, ainda hoje no bairro de MOEMA, e precisava formar a sua última turma de alunos, e mudar de rumo.
Quer dizer, coube ao TIO SÉRGIO e a outros enterrar de vez uma escola que havia perdido nexo com o real da época.
O ano de 1981 foi, para mim, intenso, prazeroso e muito, mas muito difícil! Foi assim que rolou:
Em junho, eu havia terminado a FACULDADE DE COMUNICAÇÕES SOCIAIS, na FUNDAÇÃO CÁSPER LÍEBRO, uma das melhores do BRASIL, na época, não é Ayrton Mugnaini Jr.? Meu contemporâneo na famosa e tradicional “CÁSPER”.
Eu estava apto a me tornar JORNALISTA, o que somada à minha formação em CIÊNCIAS SOCIAIS, pela FFLCH, da USP, julguei barbada para entrar no mercado. Fui muito bom aluno nas duas faculdades. Eu provo com meus boletins…
Mas, essa é história diferente. E, entre os hipotéticos talento e vocação, muitas vezes sobrepõem-se a realidade e mil intercorrências. Sou mais “professor”, “jornalista” e “sociólogo” hoje, do que jamais consegui ser quando jovem…
É pretensão minha? Talvez, mas assim interpreto. O mundo está repleto de gente na minha situação.
Pois bem:
Marquei horário e compareci. Conversei com a diretoria da Escola. Eles nem pestanejaram: fui contratado na hora e sem questionamentos.
Valeu a minha formação, currículo, essas coisas; e até atividade profissional, pequeno e sofrido empresário. Eu suponho…
Mas pensando melhor, também não importava. Foi um misto de “só tem tu? então vai tu mesmo”; e, “Graças as Deus! apareceu o coveiro que faltava”!
Foi para lecionar no terceiro ano do CURSO TÉCNICO DE ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS. E as matérias para as quais me contrataram foram “RELAÇÕES INTERNACIONAIS” e “NOÇÕES BÁSICAS DE ECONOMIA”. Ministrei aulas de duas a três horas por semana. Tipo entre 4 ou 6 horas no mesmo dia. Não me recordo exatamente. Entrava as 8 horas e saía as duas horas da tarde, toda sexta feira.
Achei ótimo… Até que houve a primeira reunião com outros colegas professores para tomar conhecimento do conteúdo. Era inespecífico; ninguém sabia ao certo o que fazer, a escola há anos não tinha professores para isso… O importante era tocar a bola, não reprovar ninguém e o jogo seguiu.
Então, eu bolei o que achei ideal.
“RELAÇÕES INTERNACIONAIS”, para mim, era o curso que havia feito na USP, por 2 semestres, com o PROFESSOR OLIVEIROS FERREIRA, na época também editor chefe do “ESTADÃO” e padrasto do jornalista WILLIAN WAACK.
OLIVEIROS era um grande intelectual; Liberal demais para seus colegas na USP, e profundo conhecedor de política externa e seus fundamentos.
Ele nos ensinou a sério os conceitos da GEOPOLÍTICA. Estudamos os interesses de cada país em face de sua geografia e potencialidades de projeção de poder. E compreendi as vulnerabilidades estudando mapas e teorias. O fino!
E não deu outra. Em vez de ensinar jargãos de comércio exterior, como F.O.B e outras siglas, e as coisas pequenas de importância relativa, comecei a orientar e discutir com os alunos as GUERRAS DE INDEPENDÊNCIA DAS COLÔNIAS PORTUGUESAS NA ÁFRICA; a saída dos ingleses da antiga RODÉSIA, hoje ZIMBABWE; e, principalmente, o papel do BRASIL como contraponto à influência cubana – impulsionada pelos soviéticos na região.
Eram temas palpitantes em meados dos anos 1970 e início dos oitenta. Tanto é que, de fato, o Sul da África se tornou independente. E o BRASIL, até hoje, tem claros interesses geopolíticos e econômicos na região. Esse movimento todo fez parte de um contraponto civilizatório, na minha opinião.
É o que o PT com o experiente diplomata CELSO AMORIM tenta fazer, desde o primeiro governo LULA, e até agora. É da tradição o ITAMARATI.
O governo de ERNESTO GEISEL, 1974/1979, introduziu essa política com o ministro das Relações Exteriores da época, AZEREDO DA SILVEIRA. E administrou com outro grande diplomata, ÍTALO ZAPPA, que conseguiu conviver e negociar tanto com os governos estabelecidos, quanto os rebeldes revolucionários.
A História é longuíssima, e vitoriosa do ponto de vista geopolítico para o BRASIL, CUBA, RÚSSIA e até os EUA…
Mas, foi ruim para PORTUGAL, que perdeu suas colônias. Em compensação democratizou-se e modernizou-se, também. Se continuasse colonialista, nossos irmãozinhos ibéricos teriam quebrado de vez.
Hoje, o curso moderno de RELAÇÕES INTERNACIONAIS é estratégico e tem currículo muito mais amplo e diferente. Mas, seja como for, estive lá!
A segunda matéria que lecionei foi “INTRODUÇÃO À ECONOMIA”. E, como cantam FRANK SINATRA e o SID VICIOUS, “I DID IT MY WAY”!
O currículo original supunha noções básicas de MICROECONOMIA, teoria que trata as condicionantes econômicas a partir de empresas, famílias, e os indivíduos. Os detalhes, digamos…
Eu mesmo fiz o curso técnico de ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS, no COLÉGIO OSWALDO CRUZ, de onde saiu a FACULDADE com o mesmo nome. Foi um jeito de mais ou menos viabilizar alguma profissão. No meu tempo, uma certa objetividade era necessária. Eu já trabalhava desde os 14 anos. Portanto,
Só que, eu não era… digamos…, assim.
Seguindo o jogo, como professor e aproveitando o tanto faz reinante, achei melhor tentar explicar a MACROECONOMIA para a meninada.
É mais fascinante, mais abrangente, e se coadunava com o entendimento que eu havia escolhido para tentar falar de RELAÇÕES INTERNACIONAIS. Tentei explicar um pouco sobre inflação, essas coisas…
E cometi um deslize criativo: peguei um texto fabuloso de KARL MARX, na INTRODUÇÃO À CRITICA DA ECONOMIA POLÍTICA, chamado PRODUÇÃO, CIRCULAÇÃO, TROCA E CONSUMO, e tentei explicar para a meninada como tudo se comunicava, se encaixava, na vida econômica.
Fiz isso, porque até hoje considero uma portentosa lição de ANTROPOLOGIA CULTURAL. O alemão tenta expor o funcionamento da sociedade. É uma visão de conjunto.
Claro, as coisas são muito, mas muito mais complexas. Mas, fosse como fosse, havia uma visão explicativa bem didática.
Explicação que o marxismo vulgar se utiliza para expor dialeticamente “a realidade”.
Mas, deu algum Tilt…como se dizia, oooops!
Fui chamado à direção da escola: religiosa, protestante e ultra-conservadora, que também não sabia o que propor. Quiseram saber de onde eu tirara os ensinamentos?
Enrolei. Eles toparam, porque tanto fazia…
Resumindo, até o final tentei ensinar aos garotos e garotas a ler jornais. Um caminho de aproximação sucessiva com o mundo. Era muito mais realista do que tentar passar conceitos, principalmente marxistas, para filhos de banqueiros, ou no mínimo gente de classe média alta e consumista… Brasil de outros tempos…
Mas, aí entra o fator humano, as circunstâncias da implosão daquela escola, e o passo seguinte da meninada na vida. Iriam para a faculdade.
A escola em total desconstrução liberava os alunos para porra nenhuma.
Eu enquanto professor improvisado não tinha a menor ideia do que era didática. Não sabia ensinar.
Em contrapartida, a sala de aulas era zona total! No primeiro dia de aulas, um gaiato perguntou se podia fumar durante as aulas.
Eu, recém saído da USP e da CÁSPER, nem titubeei:
“É claro que pode”, disse!
Houve explosão atômica a céu aberto! vinte minutos de fumacê, e lá veio o diretor me “explicar” que era terminantemente proibido!!!
Minha autoridade foi pro espaço. Mas contornei com a turma, disse que na faculdade tudo era mais liberal, essas coisas…
Ainda assim, o cheiro de fumaça no fundão, sempre me obrigava a dizer quê…etc, e tal…
A segunda provocação foi quando um simpático vida boa perguntou se eu reprovaria alguém…
“Não, de jeito nenhum”, respondi! E aí não teve mais jeito. Instalou-se a entropia…
A maioria não dava bola pra nada. Mas, alguns gostavam e se interessavam. Tentei mais ou menos encaminha-los…
Fui levando…
Era preciso fazer avalição, dar notas.
De novo, fiz bobagem. E Lembrei da USP.
Para ECONOMIA, pedi que dissertassem sobre a seguinte questão: se o crescimento do Estado na vida econômica não restringiria as liberdades individuais?
Em 1981, a presença da Estado hipertrofiado estava em seu auge. E o país era uma ditadura, com a inflação lá no alto. Eu baseei a pergunta em um texto do economista liberal ROBERT HEILBRONER, que saíra na REVISTA EXAME, e suscitou algum debate.
A ideia do professor era dizer que sem iniciativa privada não haveria liberdades individuais. Uma verdade, aliás…
A minha ideia era ver se a garotada ligava uma coisa à outra – muito difícil até pra mim, que também não acreditava em ideias liberais. Quando eu entrei na USP eu me achava socialista. Na verdade, lentamente, entendi que nunca fui…
No final da década de 1970, eu estava em dolorosa transição ideológica para algum tipo de ideia socialdemocrata. Sofri indizivelmente com essa dúvida, acreditem!
No trabalho final teve de tudo como resposta.
Porém, fiquei impressionado com uma dondoca ( ahhh, como existiam… ) que não estudava nunca, e apresentou um texto bem escrito e correto.
Chamei a moça e não deu outra: o namorado havia escrito por ela. Eu delicadamente disse para refazer com os próprios argumentos. Ficou possessa! Como eu poderia pensar uma coisa daquelas… Refez…
Todo mundo passou, claro. Imagine um libertário sem noção como eu reprovando quem quer que fosse?
No final do ano de 1981, a escola acabou. Eu fui demitido por telegrama.
Daqueles meninos eu soube do destino de três. Um tornou-se médico. Outra era filha do presidente à época do Clube Paulistano, até hoje reduto da elite tradicional paulista. E, como diria o professor OLIVEIROS, “seguiu seu destino manifesto”, que era continuar rica…
Uma terceira, talvez a melhor aluna da turma, tocava piano, era bela e gostava de artes. Não consegui confirmação explícita, mas tornou-se cantora de JAZZ e pianista. Não cito o nome, por enquanto.
E a vida seguiu… Foi muito divertido e instrutivo. Eu deveria ter persistido, procurado dar algumas aulas, essas coisas.
Provavelmente, ninguém se recorda mais de mim!!

THE ANIMALS – DISCOS ORIGINAIS – 1963/1966

Eles, o MANFRED MANN original, ZOMBIES, os ARTWOODS entre outros, discrepavam um pouco da concorrência: usavam ÓRGÃO COMO DIFERENCIAL, instrumento que os BEATS mais próximos ao R&B gostavam muito.
Os ANIMALS além do órgão pilotado por ALAN PRICE, tinham um dos mais espetaculares cantores do Rock: ERIC BURDON. Voz fortíssima, rústica e totalmente bluesy; eu o assisti ao vivo e em forma na década de 1990, em São Paulo, acompanhado pelo grandíssimo e histórico tecladista BRIAN AUGER.
Nem vou falar de alguns dos hits dos ANIMALS, principalmente a óbvia e indefectível HOUSE OF THE RISING SUN, hit supremo, e inclusive imenso também aqui no Brasil, na primeira metade dos anos 1960!
É sempre interessante lembrar que CHAS CHANDLER, o baixista da banda, foi quem descobriu JIMI HENDRIX tocando no CAFE WHA, em NOVA YORK ( TIO SÉRGIO, já esteve lá!!!! ), o levou para a Inglaterra e o colocou no proscênio!
Os ANIMALS foram tão sensacionais quanto os ROLLING STONES. E TIO SÉRGIO recomenda imersão total nesta fase da banda!
Tente!
POSTAGEM ORIGINAL: 04/09/2019
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K. D. LANG – HYMNS OF THE 49TH PARALEL – BELÍSSIMO!

O paralelo 49, no título, divide quase a totalidade da fronteira entre os Estados Unidos e o Canadá. E foi um jeito poético encontrado para nomear um disco de compositores canadenses, interpretados pela excelente K.D LANG, também nascida no Canadá.
O disco é simplesmente sensacional!
Há composições de astros como LEONARD COHEN, JONI MITCHELL, NEIL YOUNG e outros, interpretados com alma, técnica e um “calor de espírito” tipicamente canadense. Certa simbiose entre o intimista e o simplesmente desolador: metáfora possível seria as florestas nevadas, imensas, e os corações quentes e solitários.
K.D. LANG arrasa na compreensão das músicas e no jeito de transmiti-las, passando para o ouvinte as peculiaridades marcantes desses artistas, e dela mesma.
A belíssima e delicada voz contrasta com o peso de alma e do corpo que ela carrega: leve e triste; e atarracada, profunda e contida.
KATE não é piegas, e muito menos brega. Leiam na foto o repertório escolhido.
E procurem escutar nesse disco HALLELLUJAH, de LEONARD COHEN, versão gravada em estúdio, que eu, você e vários ouvimos em casamentos; inconsequentemente escolhida por incontáveis casais, neste Brasil….
Depois, procurem a histórica, e emocionalmente demolidora gravação de KATE cantando ao vivo!
Ambas são magníficas!
Música é coisa séria para os canadenses, governo incluído, que a protegem.
Eles rivalizam com os americanos no mercado imenso em que coabitam e competem. Há contenciosos abertos e outros velados.
Mas, são dois povos mais integrados do que se imagina. Mesmo ligados politicamente à Inglaterra, os canadenses são, do ponto de vista musical, muito mais próximos aos Estados Unidos.
Porém, com os vizinhos não se confundem estética e artisticamente. Quem os escuta sabe que não são americanos e muito menos ingleses. Têm personalidade única e identificável. E isto sem mencionar o óbvio: a imensa e inescapável influência linguística e cultural da França.
O CD acima é excelente prova do que afirmo.
Recomendo entusiasticamente!
POSTAGEM ORIGINAL: 04/09/2018
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RAPPERS, D.Js e M.Cs: O ROCK IN RIO 2022 VISTO DA PONTE.

Uns dez anos atrás, eu estava no centro de São Paulo, na região da Rua Santa Efigênia, procurando alguma coisa relacionada a som ou eletricidade, não lembro direito.
Lá, é o reduto e a meca para esse tipo de coisas – e outras mais… Sempre coalhada de gente de todo tipo, em tempos normais abria possibilidades para o rico, o pobre e os próximos à indigência sobreviverem. Um capitalismo vibrante, oscilando entre a corrupção e o contrabando, e a oportunidade real.
De repente, dou de cara com um garoto de uns 16 anos, elegante, fazendo “performance” na rua, meio arriscando RAP, meio HIP-HOP, tentando vender pilhas, capas de celulares, essas coisas de utilidade clara e sempre abundantes em quaisquer cidades do mundo.
Eu estava indo com um amigo para o BAR LEO, boteco caro e CULT de SAMPA, incrustado entre a área comercial e os redutos de prostituição, ainda hoje abundantes por lá.
O garoto me impressionou. Observei um pouco, cheguei perto dele e disse: “Menino, por que você não se transforma em M.C.? Tô vendo talento aí”!
Acreditem, raramente vi alguém tão radiante com qualquer observação ou palavra de incentivo que eu tivesse dito!
O garoto só faltou me beijar!!!
Vejam só; Juntou-se o incentivo a uma incerta tendência clara e paixão de um jovem à procura de hipóteses na vida. Espero que ele tenha tentado, e talvez conseguido.
Eu não gosto de RAP ( RHYTHM AND POETRY – ahhh, não preciso traduzir… ) e não ligo para o HIP-HOP, seu complemento físico e teatral, a dança que o embala, e com ele forma um compósito cultural abrangente, contestatório, jovial e relevante.
Eu me recordo que, em meados da década de 1990, havia um cliente da CITY RECORDS, uma das minhas lojas, que dirigia um dos sindicatos patronais sediados na FIESP, e ficava quase ao lado da loja,, na Avenida Paulista.
Era um senhor que sempre perguntava se tínhamos discos de RAP – e sempre havia. Um dia, disse para ele que não era comum alguém do tipo dele pedir esse tipo de música.
Ele respondeu: “é por que você não sabe como os meus empregados gostam! E eu aprendi a gostar, também. Então, compro e dou de presente…”
Na mesma época, MARTA SUPLICY disputava a PREFEITURA DE SAMPA, e ganhou. Durante a campanha, ela falava demais na “CULTURA HIP-HOP”. Como política perspicaz, sacou o que rolava de verdade, e onde o eleitor jovem podia ser conquistado. Faz mais de 25 anos… Então, é tendência e história cristalizada.
Assistindo aos shows do ROCK IN RIO, vislumbrei vereda esclarecedora. Assisti aos M.Cs e aos D.Js.
São totalmente diferentes; acho que o inverso um do outro, do ponto de vista sociológico e de influência sobre seus públicos.
Vou teorizar ( meu Buddah, me proteja!!!! )
D.Js. trabalham em duas funções e perspectivas diferentes:
quando em estúdio, realmente podem recriar qualquer música sob outra perspectiva, acrescentando, mixando, fazendo novas versões de um hit qualquer. São quase produtores alternativos.
É fascinante como a mesma “música base” se transforma em coisas diferente. O que explica a explosão havida nos últimos talvez 35 anos. BJORK, por exemplo, é “multifacetada” por diversos D.Js, que ampliam sua música única para outras galáxias…
E serve para todo mundo, SEAL, AMY WINEHOUSE… escolham..
Em frente a uma RAVE ou a um grande salão de baile; ou como criador de música própria, o D.J. mixa e coordena o repertório dele e de outros, dá o tom, detecta o clima e o administra.
O curioso, é que a maioria do repertório estabelecido visa o indivíduo e sua dança solitária. A música eletrônica, sempre tocada muito alto, de certa forma impõe a atomização, e não a intercomunicação entre os indivíduos para dançarem juntos e mais intimamente.
No festival, todos dançavam de frente voltados para o D.J. ALOK, por exemplo. E havia nada para ser visto no palco… A não ser tecnologia cara, portanto mais restrita para quem quiser tentar a sorte na profissão.
MCs., ao contrário, visam a comunidade. Falam, dizem suas “poesias e rimas” para um público presente, que dança mais coletivamente, curte e absorve o que ele diz. M.Cs. fazem músicas que ultrapassam o dançar; falam de fatos e relacionamentos; são, também, transmissores de ideologias, e visões de mundo.
O M.C. XAMÃ, que também se apresentou , disse que tomou gosto pela poesia e a rima nas aulas de português que teve na escola. É emblemático: uma das características da boa MPB é o cultivo da palavra. Portanto, nada mais pedagógico do que tentar incentivar o estudo e o desenvolvimento pessoal dos alunos utilizando a arte e sua tecnologia comparativamente mais barata, para ensinar. Faz todo sentido…
Os RACIONAIS MCs são fenômeno artístico-social indiscutível. Assisti a performance deles. São nitidamente veiculadores de consciência. Enquanto grupo eles se impõem, são respeitados e respeitáveis. Não estão simplesmente para brincar. E o público sabe disso, apoia e vai lá por causa da identificação com a mensagem e as vivências.
Os RACIONAIS incomodam. A teatralidade da performance deles, calcada na vida das periferias pobres da cidade de SÃO PAULO, é pesada, intimidadora, violenta. E deixa claro os descontentamentos, os problemas reais que os mais pobres sofrem.
Assisti-los é respeita-los. Porque criadores de linguagem contrastante com a normalidade que as classes mais integradas e privilegiadas cultivam.
A vida dos mais pobres consegue ser expressada pelos RAPPERS, e identificada por seus fãs; porque na sociedade foi desenvolvida linguagem falada muito própria, criativa, inesperada, e talhada verdadeiramente a partir das condições objetivas de vida deles.
Artistas populares e seus admiradores autênticos compartilham de linguagem comum. Com a turma do RAP e do FUNK isto fica muito claro.
Talvez?
Mas, TIO SÉRGIO, WHAT PORRA IT´S THAT AÍ NAS FOTOS?
Tá bom, tá bom! Confesso que me desfiz de alguns discos que hoje fizeram falta para escrever com mais consistência.
Eu tive o primeiro disco do D.J.SHADOW, cuja capa simbolizava como ele criava a sua arte. É a foto ultra expressiva de uma loja de discos de vinis.
Sumiu! E ninguém sabe e ninguém viu…
Outro que tive e gostava era o CD do RAPPER francês GURU. Ultra interessante, e gravado na BLUE NOTE. Era ACID JAZZ de primeira linha. A sofisticação maior a que havia chegado o RAP.
Mas, como sempre, era falatório desabrido, monocórdico, em flagrante contraste com a base instrumental magnífica.
Cadê?
Eu vi o disquinho no ponto de ônibus perto de minha casa, quando morava em SAMPA. Acho que a condução passou e ele tomou…
Esses que estão na foto são R&B de várias “gestações”. E tem algum RAP incluído. Inclusive GIL SCOTT-HERON & BRIAN JACKSON que, muitos argumentam, já faziam RAP antes de virar moda.
E se o TIO SÉRGIO postou pode confiar. São todos muito bons!!!!
POSTAGEM ORIGINAL: 04/09/2022
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JOGAR FUTEBOL DE BOTÃO, UMA DAS MINHAS PERDIÇÕES NOS ANOS 1960/1970!

Esse texto também dedico a meu “novo amigo”, na verdade “RE-AMIGO” Renato Cesar Curi, a quem descobri pelo Facebook. E que foi companheiro nas torturas e humilhações que a professora de matemática, dona MARILIA, nos submeteu lá por 1965/1966.
Renato, eu, e outro que não consigo reencontrar, CRISTÓVÃO DE ARAUJO, cabula’vamos aulas no RUY BLOEN, para jogar botão.
Juro que é verdade pura!
O TIO SÉRGIO FOI ALUNO MEDÍOCRE NO ENSINO FUNDAMENTAL.
CABULEI VÁRIAS AULAS PARA JOGAR BOTÃO! PAGUEI CARO, PRINCIPALMENTE QUANDO MEU PAI E MINHA MÃE SOUBERAM!!!! HOUVE HECATOMBE SOBRE UM JOVEM SÓ! EU!
BOM, VAI AÍ A PARTE SOFRÊNCIA DO MEU CURRÍCULO ESCOLAR: FIZ OS CINCO PRIMEIROS ANOS, NA ÉPOCA CONHECIDOS POR PRIMÁRIO; DEPOIS, FUI ARREMESSADO PARA O SECUNDÁRIO – O GINÁSIO, HOJE AMBOS REBATIZADOS POR ENSINO FUNDAMENTAL, ACHO .
TOMEI PAU DUAS VEZES ( NO SENTIDO FIGURADO – AINDA BEM!). A PRIMEIRA DELAS FOI POR CAUSA DOS JOGOS DE BOTÃO….
EU ADORAVA!
LAVEI QUINTAL E LOUÇA PARA DESCOLAR TROCADOS, IR AO CENTRO DE SÃO PAULO E TENTAR ENCONTRAR AS TAMPAS, AS LENTES DO VISOR DE CADA RELÓGIO, FEITAS COM PLÁSTICO ESPECIAL, CONHECIDO ENTRE OS JOGADORES POR “CELULÓIDE” – SEI LÁ SE ERA MESMO!!!
PRIMEIRO, ANDEI ATRÁS DAS JÁ USADAS; MUITAS VEZES JOGADAS NO LIXO EM FRENTE DE RELOJOARIAS. OUTRAS, EU SIMPLESMENTE PEDIA AOS RELOJOEIROS.
COM O TEMPO, DESCOBRI AS “FORNITURAS”, LOJAS ESPECIALIZADAS QUE VENDIAM ESSE MATERIAL NOVO, SEM USO, PARA OS PROFISSIONAIS.
E AÍ FOI GRANDIOSO E CONSAGRADOR: LÁ, ELES DEIXAVAM EU ESCOLHER FORMATOS, TAMANHOS E MIL CARACTERÍSTICAS! PARTE DE UMA SÉRIE DE PERIPÉCIAS PARA MONTAR TIMES COMPETITIVOS. FIZ VÁRIOS!
OS VERDADEIROS PRAZERES SÃO DESCOBERTOS QUANDO A GENTE É CRIANÇA. FUTEBOL, BOTÃO E, PRINCIPALMENTE, DISCOS E MÚSICA, SURGIRAM MAIS OU MENOS QUANDO EU TINHA ENTRE OITO E ONZE ANOS DE IDADE. BELEZA!
BOM, MINHA CURIOSIDADE – E DESVENTURA -, TAMBÉM ABRIU PARA QUE EU TENTASSE COMPRAR OS TIMES VENDIDOS EM LOJAS. QUEM SABE DO JOGO PERCEBE QUE ESSES NÃO SERVEM PARA NADA. SÃO INADEQUADOS PARA TOQUES MAIS SOFISTICADOS, COMO LEVANTAR A BOLA E AQUELE VASTO ETC… QUE OS ENTENDIDOS EXIGEM.
MAS, HAVIA UM ATRATIVO QUE HOJE ME TRAZ ORGULHOS: FUI JUNTANDO UMA PENCA DE TIMES DIVERSOS, TODOS BRASILEIROS.
E, NESSA FIXAÇÃO, ALÉM DOS GRANDES, CONSEGUI TIMES CARIOCAS COMO O BONSUCESSO, PORTUGUESA CARIOCA, CANTO DO RIO – ÉHHH, COM FOTO DE JOGADORES!!! O MEIA DIREITA OLHA PARA MIM ATÉ HOJE, E SE CHAMA OU CHAMAVA “DIEICIL”.
TENHO, ENTRE VÁRIOS TIMES PAULISTAS, O JABAQUARA ( DE SANTOS ), FERROVIÁRIA DE ARARAQUARA, NOROESTE DE BAURU E OS GRANDES CORINTHIANS, SANTOS, PALMEIRAS E SÃO PAULO; EM DIVERSAS FORMAÇÕES, ÉPOCAS E ESCALAÇÕES,
ALÉM DE VÁRIAS SELEÇÕES BRASILEIRAS, DA DÉCADA DE 1960 EM DIANTE!
VOCÊS ACREDITAM?
ENTÃO, FIZ BASES DE EUCATEX E OS COLEI. ESTÃO NAS PAREDES DA SALA ONDE OUÇO MÚSICA – MINHA MULHER TOLERA. MAS, ANDO ARREPENDIDO E PLANEJO RETIRA-LOS, CONSERVA-LOS E GUARDA-LOS EM CAIXA APROPRIADA! SÃO PEDAÇOS DE MIM!
DEPOIS DISSO, E COM O TEMPO, ALGUNS ARTESÃOS PASSARAM A PRODUZIR TIMES EM PLÁSTICO, MAIS SOFISTICADOS E ESPECÍFICOS PARA O JOGO. DIGAMOS, MAIS PROFISSIONAIS. EU TENHO UM DELES.
CURIOSAMENTE, A MAIOR LOJA ESPECIALIZADA EM TIMES DE BOTÃO FICAVA NA GALERIA DO ROCK! MAS FECHOU, UNS 35 ANOS ATRÁS!!!!
MEU ÚLTIMO CONTATO AFETIVO COM ESSA COISA FOI QUANDO VISITEI PETRÓPOLIS, E ENCONTREI UM “JOGADOR” DE BAQUELITE – O ANTECESSOR DE TUDO ISSO AÍ! UM SÍMBOLO E PRÊMIO QUE MANTENHO NÃO SEI ONDE…
AH, TOMEI PAU, TAMBÉM, NA TERCEIRA SÉRIE DO GINÁSIO, O FUNDAMENTAL 2!!!I POR CULPA DO “USO INTENSIVO” DO FUTEBOL!
MAS, ESSA É OUTRA HISTÓRIA!
POSTAGEM ORIGINAL: 03/09/2023

WALKER BROTHERS – A RESTAURAÇÃO ANTI-BEAT

Eu poderia começar a postagem de duas ou três formas diferentes. Uma delas bastante acadêmica. Mas vou em minhas memórias e vivências.
Ouvi os WALKER BROTHERS pela primeira vez em 1967, na rádio ELDORADO, em SAMPA, que tinha um charme especial: vez por outra tocavam lados B de SINGLES de sucesso.
E tocaram sabe-se lá porquê “AFTER THE LIGHTS GO OUT”, música sensacional! E lado B de um dos maiores HITS da história dos HIT PARADES na Inglaterra: “THE SUN A’INT GONNA SHINE ANYMORE”!
Pois, é; TIO SÉRGIO conseguiu este SINGLE em uma troca com o Ayrton Mugnaini Jr., mais de quatro décadas e meia atrás. Trocamos por COMPACTO SIMPLES NACIONAL de um errático, maluco, e até hoje incompreensível artista chamado NAPOLEÃO XIV. Ele narrava uma fuga do hospício e a polícia atrás, com sirenes e tudo! É objeto CULT até a bengala!!!!,
“THE SUN AIN’T GONNA SHINE ANYMORE” subiu feito foguete em direção ao topo do HIT PARADE, e caiu feito míssil no gosto popular! O sucesso foi tão estrondoso que era cantado nas ruas por sorveteiros, donas de casa, empresários e gente do povo.
E, claro e principalmente, pelas meninas, que promoviam verdadeiro caos em shows e apresentações da banda. Eu vi fotos dos três com as roupas arrebentadas na pista do aeroporto de HEATHROW, em 1966. Obra das garotas em chamas, incentivadas pela comoção geral!!!
Os WALKER BROTHERS, que de Walker e muito menos Brothers tinham nada, eram considerados bonitões, e faziam um POP quase de bons moços, não muito longe da iconoclastia BEAT, mas muito bem arranjado, com orquestras e tudo o mais dentro de sonoridade mais conservadora que, sempre convive nas artes com o lado radical. É muito, muito bom! Ouçam.
Foram uma das primeiras BOYS BAND da história, amados como NSYNC, MENUDOS, e os meninos do COREAN POP até recentemente.
A turma até hoje idolatrada, como os BEATLES, STONES, ANIMALS… de público odiavam os WALKER BROTHERS!
Foram a concorrência inesperada vinda de um grupo algo meloso, e ainda por cima de americanos.
No particular era um pouco diferente: JIMMY HENDRIX excursionou com eles, se davam muito bem, e cada um na sua, em turnês pelo Japão etc…
Em qualquer época foi assim. Lembrem-se que os PUNKS, abalo sísmico de onze anos depois, conviveram no gosto popular com o PINK FLOYD, PROGRESSIVOS e outros “conservadores”.
Parte das aparências, sempre integrantes do marketing…
Mas, teve um lado sério: e você fosse um produtor, arranjador ou profissional de gravadora o que faria se desse de cara com SCOTT WALKER? Um barítono mais colorido do que ELVIS PRESLEY; cantor de baladas contagiosas como SINATRA, e carisma enorme frente ao público em geral, mesmo sendo tímido e recatado?
Eu faria o que a PHILLIPS fez: encontraria um jeito de aproveita-lo de acordo com seus talentos e potencial.
Então, a empresa propiciou ao trio os melhores arranjadores. Juntou músicos eficientes e eficazes, e montou repertório eclético, que ia de clássicos como SUMMERTIME, ou R&B como PEOPLE GET READY, até assombros do POP ADULTO, como o super sucesso, gravado em1965, “MAKE IT EASY ON YOURSELF”, de BURT BACHARACH. A gravação que põe no chinelo qualquer outra que você tenha escutado dessa música. E há centenas, inclusive com DIONE WARWICK.
É sempre curioso saber. Mas, a maior parte dos arranjos foram feitos pelo maestro YVOR RAIMONDS, pai de SIMON RAYMONDS, o criador da DARK DREAM POP banda, cult e importante da década de 1980/1990 COCTEAU TWINS .
A música, como as tentações, surge de onde menos se espera; e sempre faz muito sentido…
A histeria com eles durou perto de três anos, três LONG PLAYS, e vários SINGLES. Depois, vieram outros tempos. Nos anos 1970 gravaram mais três discos sem grande repercussão, e a vida seguiu.
Antes disso, em 1968 SCOTT WALKER já estava gravando solo. e fez quase uma dezena de LPS. Rejeitou uma proposta feita por ANDY WILLIANS, ótimo e conhecido cantor, profissional ao extremo, que ofereceu a SCOTT dois milhões de dólares, e toda a estrutura para que se tornasse o novo FRANK SINATRA, na América.
Grana a beça há 55 anos!!!!
Ele rejeitou!
SCOTT seguiu carreira independente, livre, cantando e compondo do jeito que quis, e cultivando o recato e a timidez. Atitude que sempre lhe deu ar de mistério e um séquito de fãs, como DAVID BOWIE, e o PULP, banda BRITPOP de sucesso – para quem SCOTT arranjou e orquestrou disco excelente, nos anos 1990…
SCOTT WALKER é um herói do POP ALTERNATIVO.
E há também, e paralelamente, incursões periódicas feitas por SCOTT na música EXPERIMENTAL ELETRÔNICA. Gravou talvez uns 8 discos que, mesmo quase quatro anos após sua morte, ainda não foram adequadamente avaliados.
Eu espero – e faz tempo! – algum BOX com as loucuras, pesquisas e sei lá mais o quê feitos por ele.
Seja como for, a História com os WALKER BROTHERS, e os excelentes discos solos “normais” permanecem.
SCOTT é um “futurista” ainda não totalmente mapeado, estudado ou compreendido. Mais um excêntrico superdotado para importunar a “boa ordem” que a vida costuma pedir…E de vez em quando é bom rejeitar….
POSTAGEM ORIGINAL: 03/09/2020
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ANNIE HASLAN AO VIVO NO BRASIL!!

A
DISCO RARO E PRECIOSO. GRAVADO NO PALÁCIO DE CRISTAL
EM PETRÓPOLIS, TALVEZ 20 ANOS ATRÁS.
ANNIE ATÉ HOJE CANTANDO MUITO BEM. HÁ CLIP DELA COM FLAVIO VENTURINI
GRAVADO AGORA, 2023, NO MARAVILHOSO ‘SONASTÉRIO”, ESTÚDIO EM LUGAR PARADISÍACO
NA SERRA, EM MINAS GERAIS,
´”POETRY OF BIRDS” É MUITO BONITO. PROCURE NO YOUTUBE
POSTAGEM ORIGINAL: 03/09/2023
Moonlight Shadow

NINA SIMONE – INTÉRPRETE SENSACIONAL!

“NINA” SERIA, TAMBÉM, GRANDE CANTORA, ALÉM DE UMA DAS MAIORES INTÉRPRETES DA HISTÓRIA DA MÚSICA POPULAR? E A FREQUÊNCIA DESSAS DUAS CARACTERÍSTICA, ESTARIAM
PRESENTES EM TODA OBRA QUE REALIZOU?
EU SEI DE “NINA SIMONE” HÁ QUASE 50 ANOS; ELA É UM MITO TRANS-GERACIONAL. O INTERESSANTE É PERGUNTAR SOB QUAIS RITOS ELA DEVE SER DESVENDADA?
UM BOM COMEÇO É DIZER QUE “NINA” NÃO É CANTORA DE JAZZ – QUE, A RIGOR, SÃO POUCAS.ELA E PARTE DOS MÚSICOS NEGROS DE SUA IMENSA E MARAVILHOSA GERAÇÃO, É CANTORA DE “RHYTHM´N´BLUES”, NA BEIRA DO ABISMO COM A VARIANTE “SOUL MUSIC”, PORÇÕES GENEROSAS DE “BLUES”, TEMPERADOS POR GOSPEL…
NINA SIMONE TEM VOZ FORTE, EXTENSA E INCONFUNDÍVEL. UM PATRIMÔNIO ESTÉTICO RARAMENTE ALCANÇADO EM TAL MAGNITUDE. PORÉM, DE VEZ EM QUANDO DESAFINA, DESANDA; E DESANDA…E AÍ MOSTRA O SEU LADO HUMANO EXPLICITAMENTE; REVELA O SEU INTERIOR AGRESSIVO, CONFUSO. ELA CHEGOU A DAR TIROS POR AÍ…
EM COMPENSAÇÃO, SABE ESCOLHER REPERTÓRIO COMO POUCOS! SEUS DISCOS SÃO MISCELÂNEAS DE STANDARDS DA MÚSICA POPULAR. ELA TEM FARO PARA O HIT DO MOMENTO; OS ESTUDA, E CRIA INTERPRETAÇÕES MAGNÍFICAS, PESSOAIS, INTRANSFERÍVEIS, E QUASE SEMPRE CLÁSSICAS.
NÃO VOU CITAR EXEMPLOS. SÓ UMA DICA: “I PUT SPELL ON YOU” – EM MIM PEGOU; E EM VOCÊ TAMBÉM.
BASTA ESCUTAR QUAISQUER DE SEUS DISCOS: SÃO FANTÁSTICOS.
EU TENHO VÁRIAS COISAS DELA; ADORO SABOREAR! ACHO “NINA” INTÉRPRETE SEMINAL, QUASE SEMPRE ALGUNS TONS DE ESCURO ACIMA DE SEU CANTAR – QUE É BELO – MAS FREQUENTEMENTE IMPRECISO.
AINDA ASSIM, “NINA SIMONE” É
PRESENÇA OBRIGATÓRIA NA DISCOTECA!
PERCAM – SE COM ELA!
MAS, CUIDADO: ELA ERA ENCRENQUEIRA, ANDAVA ARMADA, E GOSTAVA DE ATIRAR.
POSTAGEM ORIGINAL: 03/09/2018
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RENAISSANCE – A SONG FOR ALL SEASONS – BOX SET – 2019

SIM, UM EXCELENTE ÁLBUM DE ROCK PROGRESSIVO SINFÔNICO!!!
Conhecer a HISTÓRIA é jeito confiável para consolidar conhecimentos válidos. E, também, para relativizar saberes, recuperar detalhes, confirmar certezas.
E principalmente para preencher lacunas, ou desfazer eventuais erros.
A HISTÓRIA do RENAISSANCE é parte de uma lacuna obscurecida pelo brilho intenso que o foco nos “super guitarristas” ERIC CLAPTON, JIMMY PAGE e JEFF BECK, deu aos YARDBIRDS, durante a curta existência da banda, entre 1963 e 1968.
Quando o grupo terminou PAGE, o último LEAD GUITAR, formou o LED ZEPPELIN, portal imenso para o HARD ROCK e o HEAVY METAL.
ERIC CLAPTON, que saíra em 1964, já era tido como “GOD” na Inglaterra, e consagrava-se no CREAM ampliando sua experiência com o JOHN MAYALL’S BLUESBREAKERS.
E JEFF BECK iniciou histórica, sem paralelos e multifacetada carreira solo.
Mas, TIO SÉRGIO, e o vocalista KEITH RELF e o baterista JIM McCARTHY, o que fizeram?
Criaram o conceito inicial, e gravaram os dois primeiros discos do RENAISSANCE, com JANE RELF, no vocal, em 1969. Dois fracassos de vendas, e a primeira formação do grupo foi totalmente remodelada. Sobrou ninguém.
Mesmo assim, o RENAISSANCE foi a dorsal PROGRESSIVA surgida no “desfazimento” do histórico, abrangente e seminal “THE YARDBIRDS”…
“So Beggins The Task”, parafraseando o nome de bela canção de STEPHEN STILLS…
Tenho por aqui, sei lá onde, postagem mais completa sobre o RENAISSANCE. Então, vou ater-me a esse belo disco, que antes deste relançamento, eu não apreciava muito. Aqui, eu adiciono algumas “bolocotas” informativas e interpretações para tentar situar a banda.
ANNIE HASLAN, tem um incrível alcance vocal de 5/8!!! Estudou canto, tem dicção perfeita e clara. Sua voz tem a leveza e a doçura das cantoras de música CLÁSSICA. ANNIE foi selecionada através de um anúncio na revista MELODY MAKER, em 1971.
Então, juntou-se ao diferenciado baixista JON CAMP; ao baterista TERENCE SULIVAN; ao excelente pianista e tecladista JOHN TOUT; e também ao violonista e guitarrista MICHAEL DUNFORD, o compositor da maioria das melodias.
É curioso: o RENAISSANCE usou guitarra elétrica pela primeira vez neste neste álbum!
Como o KING CRIMSON e o PROCOL HARUM, o RENAISSANCE tinha uma letrista exclusiva: BETTY THATCHER, que morava em outra cidade, e recebia as partituras e uma fita com a melodia via correio.
Ela escrevia as letras e devolvia ao grupo. Pelo que ouvimos na discografia disponível, o entrosamento foi perfeito!!!
O RENAISSANCE sempre foi mais popular na AMÉRICA, incluindo o CANADÁ, do que na INGLATERRA – essa eterna reveladora de ídolos e talentos, que precisaram ganhar a vida fora, porque lá o mercado é comparativamente pequeno e os impostos enormes.
Então, mudaram-se para os Estados Unidos por dois anos, e tentaram aproveitar o culto que foram despertando.
No começo, ficaram em um “limbo” de mercado. Fizeram turnês com o BLUE OYSTER CULT, o KISS, EAGLES e outros, até encontrarem o nicho mais adequado: a turma do PROGRESSIVO e redondezas.
Excursionaram com o JETHRO TULL, GENESIS, GENTLE GIANT…
Os cinco primeiros álbuns da nova fase foram paulatinamente vendendo melhor. Mesmo assim, nunca estouraram.
“A SONG FOR ALL SEASONS”, o sétimo, foi o primeiro sucesso de verdade, com 60.000 LPS vendidos, graças a “NORTHERN LIGHTS”, lançada em SINGLE, em 1978.
Para a surpresa de todos, atingiu o décimo lugar nas paradas inglesas. Eles foram 3 vezes no TOP OF THE POPS.
ANNIE vivia na época com ROY WOOD, o famoso guitarrista, líder da banda psicodélica inglesa THE MOVE, e fundador da ELECTRIC LIGHT ORCHESTRA. Ele produziu e tocou no primeiro disco solo dela: ANNIE IN THE WONDERLAND, 1977.
ANNIE HASLAN era, também, muito amiga de BETTY THATCHER, e inspirou a linda e romântica letra de “NORTHERN LIGHTS”.
BETTY usou a Aurora Boreal, vista por ANNIE de dentro do avião partindo, e servindo como guia para voltar para casa. É uma canção sobre saudades, amor e retorno ao lar.
Afinal, eles viviam na estrada trabalhando…
Para fazer A SONG FOR ALL SEASONS eles contrataram DAVID HENTCHEL, que produzira com sucesso ELTON JOHN e o GENESIS. Ele sabia operar sintetizadores, um upgrade necessário.
O disco foi concebido como ROCK PROGRESSIVO SINFÔNICO.
Trouxeram a ROYAL PHILHARMONIC ORCHESTRA, e os arranjos foram feitos por LOUIS CLARK, que também havia escrito para a ELECTRIC LIGHT ORCHESTRA.
A regência coube ao maestro HARRY RABINOVITZ. E gravaram separadamente a banda e a orquestra, como fizeram os MOODY BLUES, em DAYS OF FUTURE PASSED.
As orquestrações têm ecos de DEBUSSY, SCHOSTAKOVICH e PROKOFIEV.
Eu percebo traços da canção-tema dos “filmes do “007”. E acho os arranjos simultaneamente pesados, intensos e dramáticos. Mas, sutis e refinados.
Lembram o PROCOL HARUM e, claro, o GENESIS. Tem algo dos MOODY BLUES, também. Da conjugação desses três ícones na orquestração; e com a banda e o vocal etéreo e refinado de ANNIE HASLAN, talvez tenham gerado o melhor disco do RENAISSANCE.
Na opinião do grupo, é a MASTERPIECE deles. Apesar da capa desenhada pela HIPGNOSIS, que ninguém gostou ou entendeu direito…Afinal, se era pra exibir a foto de moça qualquer, por que não ANNIE?
O box lançado pela ESOTERIC RECORDINGS, em 2019, é bem realizado. Traz livreto, poster, comentários, e as letras, em caixa bem apresentável.
A remasterização do disco original está ótima! A mixagem do baixo ficou excelente, o piano soa claro, inteligível, e o som do restante da banda está muito bem remixado e coeso.
A voz de ANNIE HASLAN nítida e afinadíssima, como sempre. A orquestra integrou-se muito bem, e os instrumentos utilizados estão com recortes bem audíveis.
O box traz outras faixas adicionais. E mais dois CDS bônus de concerto gravado no TOWER THEATER, na PHILADELPHIA, EM 1978; e na B.B.C.
O som está razoavelmente audível. Mas com certeza não foi remasterizado. São as limitações de um projeto muito bonito.
Os cantores do coro pediram para receber seus cachês em caixas de cerveja, ao invés de dinheiro…
Certamente foi uma honra também para eles trabalhar em disco tão belo.
Recomendo a todos!
POSTAGEM ORIGINAL: 03/09/2023
Pode ser uma imagem de 1 pessoa, polaroid e texto que diz "Renaissance SONG FOR LL SEASONS"