JOHN COLTRANE – PRESTIGE RECORDINGS – 1957/58

OUTRA ENXURRADA DE GRAVAÇÕES, MAS POUCOS DISCOS COMO LÍDER DE SEUS PRÓPRIOS GRUPOS.
ENTRE OS AQUI POSTADOS, APENAS “COLTRANE” É DISCO DE CARREIRA. NOS RESTANTES ELE PARTICIPOU.
DESTA FASE, DEZ PODEM SER ATRIBUÍDOS A ELE, MAS FORAM CONFIRMADOS SOMENTE TRÊS.
CLARO, É UM TRABALHO HISTÓRICO, ARTÍSTICO E ANTROPOLÓGICO LANÇAR TUDO O QUE ELE GRAVOU E PARTICIPOU. O CAPITALISMO INCLUI E ACEITA O OPORTUNISMOS – PARA O BEM E PARA O MAL!
SEJA COMO FOR, JOHN COLTRANE JAMAIS É MENOS DO QUE ÓTIMO.
LAMBUZE-SE E LOCUPLETE-SE! 

PINK FLOYD – “VARIATIONS ON A THEME OF ABSENSE” – 1994 – BOOTLEG DE ALTÍSSIMO NIVEL! E BREVE NARRATIVA SOBRE BOOTLEGS E A PIRATARIA

 

Vocês talvez nem imaginem!

Mas, antes da sórdida pirataria tomar conta do mercado musical brasileiro com seus objetos mal feitos, houve disseminação de miscelâneas de sucessos variados e da hora.

CDs fabricados quase profissionalmente, que eram distribuídos por “vendedores alternativos” – tambem cúmplices de bandidos, claro – e vendidos quase livremente em lojas normais.

Esta profusão da incúria ajudou na destruição do mercado musical, principalmente no segundo e terceiro mundos.

Os CDs, nos 1990, eram caríssimos. Como sempre, por causa da corrupção, ganância e desprezo das gravadoras tradicionais. Mal administradas, irrealista e imediatistas.

O consumidor se vingava comprando esses discos não tão clandestinos. A pirataria e a falsificação grotesca acabaram com a INDÚSTRIA CULTURAL DA MÚSICA como a conhecíamos…

Os “BOOTLEGS” também eram discos ilícitos, mas diferentes. Geralmente gravados em shows ao redor do mundo, foram sendo aprimorados, e chegaram ao cúmulo de provirem das próprias mesas de gravação das bandas! Há shows espetaculares editados em BOOTLEGS!!!

Eu mantenho alguns.

Durante a década de 1990, fui dono de três lojas de CDS. A última delas encerrei em 2002. Não aguentei a concorrência da pirataria e a ganância das gravadoras.

A decisão final foi depois de ter abastecido a loja pela última vez, Paguei, na época em um grande distribuidor, R$ 34,50 por um disco nacional do ERIC CLAPTON, o RAPTILE.

Inconcebível!! Por quanto deveria eu vender o artefato, vinte anos atrás? Foi o prego final no caixão do meu negócio.

Por volta de 1996, eu visitei uma grande distribuidora de “BOOTLEGS”, no ABCD paulista. Era estocada com a fina flor da produção “alternativa” mundial!

Vi BOX com 10 CDS do LED ZEPPELIN, esmerado, com ensaios, shows e o quê o “tinhoso” dispusesse!

Vi CDS dos BEATLES de todos os jeitos!

Eu mesmo mantenho em minha coleção coisas do PINK FLOYD, entre elas um BOX japonês, revestido em seda, numerado, ultra bem acabado, com shows gravados ao vivo!

Tenho, também, um concerto raro e fabuloso de DAVID SYLVIAN. E outro precioso dele com ROBERT FRIPP. Guardei um show espetacular do DAVID BOWIE com o NINE INCH NAILS. E tive outro sensacional do “LIVING COLOUR”, entre os poucos e variados, mas de qualidade superior que achei valer a pena ficarem na minha discoteca.

Consegui algumas reproduções esmeradas, e à época inéditas de CDs históricos da gravadora VERTIGO, tudo em alto nível. E BOOTLEG!!!

Vi, por aí, naqueles tempos, os famosos: “OLHO DE PEIXE”, de LENINE; e o “OUTRO OLHO”, DE TOMZÉ. Discos raros e preciosos, mas que as gravadoras não se interessaram em “repor”…

A fofoca terminal foi que BRUCE DICKINSON recusou-se a lançar no BRASIL o sensacional disco ao vivo gravado aqui, “SCREAM FOR ME SÃO PAULO, por causa da pirataria.

Não adiantou. Foi lançado em edição exata como a original, e vendeu aos milhares nas rotas do ROCK pelo Brasil e América Latina…

E todos “EXTRAOFICIALMENTE”…

Isto foi sendo eliminado lá fora. É o justo e o correto. Era usurpação; e hoje viraram peças raras para colecionadores!

Quando artistas e gravadoras começaram a liberar seus arquivos, a curiosidade mudou de foco, porque vieram trabalhos mais profissionais e bem feitos. E esse tipo de “contravenção” deixou de ser interessante.

Os BOXES de “IMERSÃO” total nos discos, talvez sejam decorrentes dessa demanda do mercado por algo que as gravadoras não pretendiam liberar. BOOTLEGS E PIRATARIAS forçaram a barra e aí estão…

O PINK FLOYD foi, talvez, a banda mais pirateada do planeta. Vi dezenas e dezenas de shows, roubos escancarados; bandidagem explícita. E, como todo crime, eram e são predatórios e antissociais.

O BOX postado aqui eu o mantenho há 28 anos. É uma grande CAIXA DE PIZZA feita em madeira e papelão, com 8 CDS de shows variados e sobras de estúdio. É tudo razoavelmente bem gravado.

Há na caixa um vídeo K7 filmado no “MADISON SQUARE GARDEN”, em Nova York, em 1987. E, também, livro com muito texto e fotos. A camiseta que acompanhava o set sumiu! Quem sabe um dia eu consiga outra…

Esta é uma curiosa raridade que vai deixar os “floydianos” babando. É muito difícil consegui-la hoje em dia. Mas, os conteúdos estão disponíveis nas séries de BOXES lançados oficialmente pela banda.

Só pra recordar, sei lá quantos atrás o PEARL JAM lançou oficialmente uma série de CDS gravados ao vivo em vários shows.

Foram feitos para conter a pirataria.

DONOVAN – E O FIM DE UMA ERA

Entre 1966 e 1968, o mundo POP brilhou e parte dele apagou-se como um buraco negro.

Pensem em DYLAN e sua poesia pós-beatnik; sua viagem do FOLK à PSICODELIA, olhando com atenção para a vida do americano em suas raízes; para o país profundo e suas mediocridades, grandezas, absurdos e inconsistências…

Do ponto de vista musical, DYLAN ajustou-se, com o tempo, ao que a turma do colecionismo identifica como “AMERICANA” – sonoridade consistentemente feita “IN USA”.

BOB DYLAN passou pelo ROCK URBANO, com as letras elaboradas e influentes, uma de suas marcas definidoras. Vem construindo obra atemporal, mas de certa maneira contra o esteticamente estabelecido.

DYLAN jamais cantou bem. E parece que, intencionalmente, passou a cantar pior e com a voz gutural do dissabor. Ele constrói uma “literatura” ainda não totalmente desvendada. Um caminho truncado, e totalmente pessoal, mas rumo a quê?

Não importa; ele maior e mais completo do que quaisquer rótulos ou intenções a ele imputados. Um NOBEL DE LITERATURA já conquistou. Merecidamente, quase todos concordam. Seu texto apurado, criativo, personalíssimo fala de tudo o que a vida moderna e algo atemporal oferece. Sofrido, único e, mais interessante ainda, em grande parte musicado – o grande veículo para a poesia e literatura desses tempos. Portanto, um NOBEL PARA UM “LÍTEROMÚSICO”, mais vanguarda é difícil encontrar.

Mas, seria?

Em 1967, surgiu LOU REED, com o VELVET UNDERGROUND & NICO. No início, talvez o anti – DYLAN. O realismo explícito, a vida como ela é, sem autocompaixão, sem ilusões. Mas, de certa forma caminhando de encontro ao âmago do que talvez DYLAN tenha se apercebido antes.

REED vem palmilhando através dos anos, expondo veredas e feridas à sua maneira. Os dois são muito diferentes; mas, são americanos de olhar profundo para o país e a vida lá.

LOU REED também não cantava bem – em minha opinião. A América em carne viva canta mal. Que sinais daí emanariam da imperfeição?

Do outro lado do Atlântico surgiu um HEDONISTA PERSISTENTE, bom cantor de voz agradável.

DONOVAN propôs-se, em 1965, como um sonhador algo melífluo, influenciado pelos que orientaram o gosto de BOB DYLAN. Os mesmos WOODY GUTHRIE e RAMBLIN JACK ELLIOT, mas essencialmente sorveu de BOB DYLAN, já dominante sobre o POP daqueles tempos.

DONOVAN entrou com tudo na hipótese de que uma sociedade alternativa, mais humanitária e integral, estava em processo de construção. Suas letras, sempre metáforas de fuga de nosso mundo habitual, apontam para outras formas diversas de existir e viver.

Trouxe culturas também acessíveis para um britânico, como se quisesse agregar ao repertório dos indivíduos saída possível e até fácil, porque “ali ao lado”.

DONOVAN LEITCH é um dos criadores do FOLK PSICODÉLICO de tinturas orientais. O SITAR e outros instrumentos indianos estão na maioria de seus discos, lançados pela EPIC, nos anos 1960.

Na dialética da política, o imperialismo britânico na Ásia, aproximou da metrópole a Índia, sua música, existência e cultura milenares.

Talvez tenha sido mais fácil para DONOVAN permanecer um “alternativo” ao longo de décadas. Os discos, aqui, pegam o auge da carreira dele. São melodicamente lindos e literariamente impecáveis e originais. Recomendo todos.

Mas se você quiser escolher comece por MELLOW YELLOW, 1966, um susto pop que tirou a atenção do tio Sérgio do jogo de botões; vá para SUNSHINE SUPERMAN, também de 1966 – disco lindíssimo.

DONOVAN era íntimo dos BEATLES. Esteve na ÍNDIA com eles para “cursar meditação transcendental e outros babados”, digamos, com o MAHARISH MAHESH. E foi a primeira estrela pop a ser presa com drogas. Casou-se com Linda Lawrence, ex de BRIAN JONES, dos ROLLING STONES, e assumiu o filho dos dois. Trajetória pra lá de marcante!

E continuou ascendente. Derive, então, para a “FUSION ABRANGENTE” de HURDY GURDY MAN, que saiu em 1968.

E, se quiser colecionar, mesmo, procure a versão inglesa em vinil de A GIFT FROM A FLOWER TO A GARDEN, também de 1968, um álbum duplo em caixa belíssima e preciosa!

Em todos eles, o fino do fino do ROCK INGLÊS da época. Participaram os suspeitos de sempre: JIMMY PAGE, JOHN PAUL JONES, ALLAN HOLDSWORTH, BIG JIM SULLIVAN, JACK BRUCE… para ficar em alguns.

DONOVAN suspeita que a inspiração suprema para a formação do LED ZEPPELIN foi a gravação do disco HURDY GURDY MAN, 1968. Porque também estavam lá JOHN BOHNAN e ROBERT PLANT…para ajudar nessa obra complexa e impecável do ROCK PSICODÉLICO + FUSION “ORIENTAL” feita na Inglaterra!!!!

E, provando que era parte relevante do auge da época, do LP BARABAJAGAL, 1969, participa o JEFF BECK GROUP, em duas faixas.

DONOVAN é “Cult” e imperdível. Tem, inclusive, um DOUTORADO HONORIS CAUSA PELA UNIVERSIDADE HARTFORDSHIRE, conseguido em 2003, pelo conjunto de sua obra relevante, esquisita, única e original. Seguiu passos que DYLAN, depois, confirmou com o PRÊMIO NOBEL.

Em 2012, DONOVAN entrou para o ROCK AND ROLL HALL OF FAME. O discurso de indicação foi feito por JOHN MELLENCAMP, cantor de COUNTRY ROCK PESADO, primo irmão do SOUTHERN ROCK.

A fala é obra de arte em retórica, sentimento, profundidade e veemência. Procurem no YOUTUBE, é instrutivo e imperdível!

E quando vocês lerem que os PRETTY THINGS gravaram três discos com o nome ELECTRIC BANANA, fiquem sabendo que é uma frase da música MELLOW YELLOW, e se refere ao um “vibrador” amarelo da cor do açafrão! Ele deve ter usado, vai saber…

DONOVAN fez parte daqueles artistas dos 1960, que apagou-se no buraco negro, mesmo continuando firme gravando e se apresentando.

Dia desses o canal 620 passou um show dele, em 2015, na Alemanha. Plateia cheia. DONOVAN LEITCH continua violonista de nível alto, e cantando bem. Mesmo com as limitações que a idade e a poliomielite lhe trouxeram.

É um diferenciado imprescindível! Vital!

Resgate-o!

HOT TUNA – IN A CAN – EDIÇÃO LIMITADA

 

BOX E COLECIONÁVEL, COM CINCO MIL CÓPIAS NUMERADAS. A EMBALAGEM REPRODUZ A CONHECIDA MARMITA DE ALUMÍNIO. É INSTIGANTE; BONITA?

E TRAZ CINCO DISCOS DA BANDA, EM CDS: HOT TUNA; FIRST PULL UP; BURGERS; AMERICA´S CHOICE e HOPPKORV.

O HOT TUNA FOI FORMADO PARA MANTER EM ATIVIDADE “JORMA KAUKONEN”, GUITARRISTA; E “JACK CASSIDY”, BAIXISTA, NOS RECESSOS DO JEFFERSON AIRPLANE – A EXCELENTE E ICÔNICA BANDA AMERICANA DE ROCK PSICODÉLICO.

EM 1973, OS DOIS SAÍRAM DO GRUPO E SEGUIRAM COM O HOT TUNA ENTRE ALTOS E BAIXOS ARTÍSTICOS E COMERCIAIS. FAZIAM UM BLEND ENTRE FOLK, BLUES E PSICODELIA, QUE VARIAVA DO MUITO BOM AO TREMENDAMENTE CHATO.

CASSIDY E KAUKONEN SÃO MÚSICOS EXCELENTES, E GRAVARAM E PRODUZIRAM MUITO. MAS, OUÇAM ANTES DE COMPRAR. NÃO É PARA TODO GOSTO.

ABBA – ICON – BEST OF

 

DIVERTINDO A TURMA E TESTANDO UM CABO NOVO, PUS O COMPUTADOR PRA TRABALHAR.

PEDIRAM, E O TIO SÉRGIO TOPOU. BOTEI O BABBA ( OOOOPPPPSSS… O ABBA, CLARO ) PARA TOCAR.

TODO O MUNDO GOSTA, UNIVERSO AFORA! CANÇÕES GRUDENTAS FEITO CHICLETE MASCADO. QUEM NÃO OUVIU “DANCING QUEEN”, “MAMA MIA”, E UM MONTE DE OUTRAS, NÃO VIVE NESTE PLANETA DE LÁGRIMAS…

POIS, É; COM O TEMPO, O QUARTETO VIROU CULT! MATÉRIAS NA “RECORD COLLECTOR”, ETC…, A CRÍTICA ACHANDO QUE É MELHOR DO QUE PARECE, ETC… DEIXEI ROLAR!

MAS, O TIO SÉRGIO É, DIGAMOS, ALGO CHATO. ESCUTOU, E ATÉ GOSTOU. MAS ENCAFIFOU…RECORRI AOS MEUS ALFARRÁBIOS, QUE CHAMO DE BIBLIOTECA. NO PRINCIPAL DELES, EDITADO EM 1976, NEM SINAL DOS SUECOS…

CLARO, ERAM POP. ENTÃO, DEIXEI PRA LÁ E CONTINUEI ESCUTANDO…

BOM, AS MENINA SÃO TERRÍVEIS: CANTAM EM UNÍSSONO O TEMPO TODO. TIMBRES SEMELHANTES, CANTADOS LÁ “EM CIMA”!!! ATÉ ACHEI QUE TOMARAM COMO BASE O VOCAL DE MAMA CASS E MICHELLE PHILLIPS, DOS MAMAS & THE PAPAS, CÉLEBRES NA DÉCADA DE 1960…

MAS, AS SUECAS NÃO DÃO TRÉGUA! AS DUAS CANTANDO É TAMANCO SEM COURO; PAU PURO NO OUVIDO!

OS DOIS CARAS MAL APARECEM, MAS SÃO OS COMPOSITORES DA BABOLÂNDIA, OS FABRICANTES DA GOMA DE MASCAR SONORA. E A BANDA É SEMPRE ÓBVIA.

UMA DAS MOÇAS, “AGNETTA FALTZKOGH” ( É ASSIM QUE SE ESCREVE? ) TEM UM LP COLECIONÁVEL QUE NUNCA ESCUTEI.

E DESCONFIO QUE PERDI NADA…

 

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2Ayrton Mugnaini Jr. e Claudio Finzi Foá

DAVID BOWIE – AO VIVO!!!! DOIS MOMENTOS EM DOIS CONCEITOS.

 

 

DE BAIXO PARA CIMA, “CRACKED ACTOR”, É CONCERTO DE 1974, NO AUGE DA FASE GLITTER.

COMO SEMPRE, É BOWIE BUSCANDO A PERFEIÇÃO POSSÍVEL. O JEITO DE CANTAR DENUNCIA A ÉPOCA E SUA ESTÉTICA. UM POP DE ARENA A CAMINHO DO ROCK. GOSTAR É DETERMINANTE. EU GOSTO, MAS NÃO PREFIRO.

JÁ “STAGE” NÃO É SOMENTE UM DOS MELHORES DISCOS DELE, MAS UM DOS GRANDES SHOWS AO VIVO DA HISTÓRIA DO ROCK!

HÁ MUITO A SER DITO. PORQUE MUDANÇA RADICAL DE CONCEITO, CAMINHANDO NA DIREÇÃO DE OUTRA TENDÊNCIA MAGNIFICA: O KRAUT ROCK, A VERSÃO ALEMÃ DO ROCK PROGRESSIVO. O DISCO, GRAVADO EM 1977, “FECHARIA” A FASE BERLIN, EM QUE BOWIE E BRIAN ENO CONCEBERAM ÁLBUNS IMPERDÍVEIS.

OS DOIS TAMBÉM SÃO, CURIOSAMENTE, ARTÍFICES DO GLAM-ROCK, E DECOLAM PARA EXPERIMENTAÇÕES ALÉM DO PROGRESSIVO TÍPICO. É AUTÊNTICA EVOLUÇÃO ARTICULANDO ELEMENTOS DE VÁRIAS TRADIÇÕES DO POP E DO ROCK.

UMA DA CARACTERÍSTICAS MARCANTES DE DAVID BOWIE ERA REINTERPRETAR CADA ÉPOCA OU FASE, E REALIZAR O QUE ROLAVA DE JEITO PESSOAL E MAIS SOFISTICADO DO QUE SEUS CONTEMPORÂNEOS.

“STAGE”, ORIGINALMENTE UM ÁLBUM DUPLO, TROUXE NO PRIMEIRO DISCO O REPERTÓRIO DE HITS, EM ARRANJOS ATUALIZADOS. E DEIXOU O SEGUNDO PARA A “FASE BERLIN”, O LADO “KRAUTROCK”.

A BANDA “VOA”, LITERALMENTE. A PERFORMANCE DE TODOS É INTEGRADA NO LIMITE DA PERFEIÇÃO. É UMA AULA SOBRE O USO DOS SINTETIZADORES EM FAVOR DA MÚSICA: DIALOGAM, SE EXPRESSAM, E RESSALTAM AS GUITARRAS, BAIXO, E O VIOLINO PRECISO.

NÃO É ONANISMO DE GÊNIO; É ROCK FEITO POR MÚSICOS EXIGENTES E TALENTOSOS.

VOCÊ NÃO OUVIRÁ “HEROES” EM VERSÃO MAIS ESPETACULAR DO QUE ESTA. E “SPEED OF LIFE” DÁ RAIVA DE TÃO EXPRESSIVA QUE SE TORNOU!!!!!

AH, JÁ TEMOS AQUI O BOWIE “NÃO GALINÁCEO”, JÁ SEM AQUELA VOZ DE FRANGO SENDO DEGOLADO. ELE CONSEGUIU MAIS UMA DE SUAS METAMORFOSES, EMULANDO SCOTT WALKER E A CAMINHO DO CANTOR MADURO QUE SE TORNOU.

“STAGE” É DISCO IRRECORRÍVEL E IMPRESCIDÍVEL. É MANDATÓRIO PARA QUALQUER DISCOTECA E COLEÇÃO DE ROCK!

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2Fábio Góis e Fábio Francisco

CÉU E TIÊ – GOSTO, SIM! E POR QUE NÃO!

POP BRASILEIRO de boa qualidade. Sim, POP.

TIÊ faz o tipo jovial descomprometido, como PAULA TOLLER. E com melodias mais típicas do POP INTERNACIONAL, talvez um retrogosto da RITA LEE.

A banda é boa, alegre, agitada com algo dos paulistas e a nossa risonha e confortável contenção de comportamentos. Os temas e perspectivas dela são os de sua geração; amores andando, cuidar do próprio cotidiano, e o vasto etc.. fora, claro, de minha atual vivência.

Eu gosto desse disco e toco vez por outra!

CÉU é mais elaborada, EXPERIMENTAL e UNDERGROUND. Acho que vê o mundo com mais desconforto e ousadia. E fez um disco variado e surpreendente. É mais brasileira na proposta sonora e rítmica. É moderna, sim!

Assisti a Céu no programa do JOOLS HOLLAND, na BBC. Foi recebida como estrela e apresentou-se “passando roupa”, literalmente.

Encantou pela estranheza e competência. Muito legal!

Acho dois discos excelentes e recomendo aos heterodoxos.

FADINHA MASTERCARD E SEUS MILAGRES

SOU DEVOTO DOS FEITOS QUE ELA PODE REALIZAR. E NO DIA 22 DE CADA MÊS FAÇO MINHA OFERENDA COMPULSÓRIA.

BASTA DEIXAR DISPONÍVEL NO BANCO, E ELA VAI LÁ E PEGA.

NÃO DÁ TRABALHO…

E ELA ME AGRACIOU COM ALGUNS DISQUINHOS:

1) “BLOWING THE FUSE, 1958” . JÁ COMENTEI A COLEÇÃO QUE VENHO FAZENDO.

O PRIMEIRO VOLUME TRAZ O FUNDAMENTAL EM RHYTHM’N’ BLUES LANÇADO EM 1945.

A COLEÇÃO TERMINA EM 1960. É O FINO DO R&B ORIGINAL EM PRODUÇÃO ESMERADA FEITA PELA BEAR FAMILY, GRAVADORA ALEMÃ DE ULTRA QUALIDADE. CLASSICOS E “STANDARDS” EM PROFUSÃO, EM CDS ESPECIALÍSSIMOS E COLECIONÁVEIS ATÉ O INFINITO.

2) JAN GARBAREK, SAXOFONISTA DINAMARQUÊS CULT E ORIGINAL, EM PRODUÇÃO DA GRAVADORA E.C.M. DE QUALIDADE TÉCNICA E ARTÍSTICA INDISCUTÍVEL.

TRÊS DISCOS DOS ANOS SETENTA, COM BANDA MEMORÁVEL. O FINO DO JAZZ NÓRDICO, EVOLUINDO À PARTIR DO EXPERIMENTAL PARA A SONORIDADE QUE O CONSAGROU.

IMPERDÍVEL!

3) TYRANNOSAURUS REX, O ANTECESSOR DO “T.REX”, AQUELE CHATO SUCESSO MONSTRO DOS ANOS 1970.

NESTE BOX, OS QUATRO PRIMEIROS CDS SÃO FOLK PSICODÉLICO.

O QUINTO DISCO, “ELECTRIC WORRIOR” , ESTOUROU E TORNOU “MARC BOLAN” UM ÍCONE POP. VALE PARA COLECIONAR.

A MINHA FIDELIDADE À FADINHA TEM SUAS VANTAGENS. O RESTO É COM A RECEITA FEDERAL…

DISCOS DE VINIL – ALGUNS MUITO LEGAIS!!!

 

Pois, é. Vez por outra, eu compro ou troco, ou recebo alguma coisa.Vamos lá, então:1) DOORS : o primeiro, reedição recente, edição especial, remasterizado, etc. e tal;2) HOLLIES: TRÊS VINIS, reeditados uns 20 anos atrás. São reedições americanas, da IMPERIAL RECORDS, diferentes das inglesas. Vinis sofisticadíssimos, lacrados, etc… Eu tenho os CDS e edições inglesas, capas originais;3) HOLLIES, box com DEZ singles SUECOS RAROS, que rolaram uns quinze anos atrás, por aí;3 VAN DER GRAAF GENERATOR: DO NOT DISTURB, VINIL, EDIÇÃO ESPECIAL. EU GANHEI DA REVISTA RECORD COLLECTOR;4) JEFF BECK – ROUGH AND READY, edição para DJ. original, 1971;5) WISHBONE ASH – PILGRIMAGE, edição original inglesa. Pintou barato e eu comprei;6) THELONIOUS MONK – IN EUROPE, raro e precioso;7) ZOMBIES – ODISSEY AND ORACLE – REEDIÇÃO DE LUXO;😎 SUN RA ARKESTRA – VINIL duplo, edição especial com CD bônus;9) MILES DAVIES – KIND OF BLUE – REEDIÇÃO DUPLA. MONO E STEREO;10) HORACE SILVER QUINTET – FINGER BOPPIN, Edição original da BLUE NOTE – raro e precioso. achei pelaí;11) MOODY BLUES – DAYS OF FUTURE PASSED, Edição original americana, 196712) ROBERT JOHNSON – COMPLETE COLLECTION, REEDIÇÃO DUPLA DE LUXO;13) CONFESSIN THE BLUES – EDIÇÃO LIMITADA , COM 3 LPS DE BLUES CLÁSSICO, REPEERTÓRIO SELECIONADO PELOS ROLLING STONES. E CAPA DE RON WOOD!Tenho mais, e qualquer hora posto.São aperitivos para aguçar o apetite dos amigos.

RAVI SHANKAR – O PRECURSOR DA WORLD MUSIC.

 

MAIS GEORGE HARRISON & PHILIP GLASS DOIS SEGUIDORES E PARCEIROS

Uma tarde, na década de 1990, ANOUSHKA SHANKAR, filha e a aluna de RAVI, chegou em casa com vários discos de ROCK. E o abraçou por trás carinhosamente, bem ao estilo ocidental.

Foi repreendida.

Menos talvez pelo afeto, mas porque não deveria esquecer suas origens e as tradições indianas, se envolvendo demais na cultura do ocidente.

Hoje, ANOUSHKA SHANKAR é sitarista e concertista de nível internacional. E continua gostando de ROCK. Há um vídeo de 2007 com ela e o JETHRO TULL, em MUMBAI. É bem legal!

RAVI SHANKAR além de ser o grande nome do SITAR, e pioneiro da WORLD MUSIC, foi um professor comprometido, maestro, e pasmem… era cantor afinado!

Ele sempre recordava a seus alunos sobre o propósito da música, um meio de aproximar-se do divino. Para o hindu, ela não existe sem a integração com o espiritual. Não é apenas “destreza técnica”, mas disciplina mental.

O RAGA, a moldura dentro da qual a música é desenvolvida, não existe sem o RASA, a inspiração que orienta a composição e sua execução, que geralmente é improvisada.

Porém, o RAGA segue regras tradicionais e, ao mesmo tempo curiosamente dá liberdade ao artista para fazê-la a seu modo. Não há um RAGA igual a outro.

RAVI foi um PANDIT; um mestre integral dedicado à música clássica indiana.

No final dos anos 1950, RAVI SHANKAR era um astro de seu instrumento, e já havia gravado nos EUA a música tradicional da Índia.

Em 1962, ele gravou com o flautista de JAZZ, BUD SHANK, uma das primeiras tentativas de integração, ou ao menos justaposição, entre as culturas musicais ocidente-oriente.

Porém, virou mundialmente famoso em 1966, quando GEORGE HARRISON tornou-se discípulo seu, e fez imersão de seis semanas com RAVI, para aprender os rudimentos e tocar o SITAR.

HARRISON compôs “WONDERWALL MUSIC”, em 1968, totalmente baseada e executada em temas indianos, para a trilha sonora do filme de mesmo nome. É uma obra psicodélica interessante. Quanto ao filme…

Na segunda metade dos “sixties”, além dos BEATLES, os KINKS, os BYRDS, os YARDBIRDS o TRAFFIC… incluíram o Sitar em alguns ROCKS.

E não vamos esquecer dos mais ligados ao JAZZ, como JOHN McLAUGHLIN e o SHAKTY, na década de 1980 entrando de cabeça na fusão JAZZ-FOLK-CLÁSSICO hindu!

O SITAR é um instrumento curioso e sofisticado, cuja característica principal é executar MELODIAS. Não serve para construção de HARMONIAS, ou fazer acordes – que aliás não existem na música tradicional da Índia.

PHILLIP GLASS foi atraído para orquestrar RAVI SHANKAR, porque a COMPOSIÇÃO MINIMALISTA não se baseia na harmonia. É uma criação musical fundada em melodias e ritmos. Um RAGA requer geralmente o SITAR para melodias, e as TABLAS – espécie de pequenos tambores – pontuando o ritmo; e sempre respeitando regras tradicionais determinadas para o RAGA e o RASA.

O CD PASSAGENS, de 1990, é composto por RAGAS MINIMALISTAS ORQUESTRADOS. Um encontro de “reciprocidades entre culturas”, eu diria. Muito bonito!

A propósito, quem promoveu o encontro entre os dois magos, por sugestão do dono da gravadora, foi PETER BAUMANN, do TANGERINE DREAM – uma banda de “ROCK MINIMALISTA”…

O BOX “IN CELEBRATION” , aqui postado, foi compilado e produzido por GEORGE HARRISON, e lançado em 1995 pela ANGEL RECORDS.

São 4 CDS: o primeiro, de MÚSICA CLÁSSICA INDIANA; outro com trabalhos orquestrados ou para pequenos combos. Um terceiro de crossovers culturais entre ORIENTE E OCIDENTE; e o quarto com música vocal e experimentos diversos. É altamente PROGRESSIVO e instigante, por este ponto de vista.

É curioso observar a muito bem feita integração realizada pelo maestro ANDRÉ PREVIN, em movimentos do SITAR CONCERTO No. 1. A música é organizada de modo “ocidental”, mas o SITAR de RAVI retém a estranheza da música hindu. Belíssimo!

É imperdível, também, o duo entre SHANKAR e o violinista YEHUDI MENUHIN, talvez a integração mais perfeita que escutei! Foi gravado em 1967. E há o flautista JEAN PIERRE RAMPAL interpretando outro RAGA de maneira totalmente ocidentalizada e realizando justaposição de conceitos. Um desvio bem-vindo?

Há outras maluquices mais ali dentro.

RAVI participou do festival de MONTEREY, em 1967. Assistiu e gostou de JANIS JOPLIN e OTIS REDDING.

Assistiu a HENDRIX, de quem admirava a técnica. Mas ficou profundamente incomodado quando ele colocou fogo na guitarra. Reprovou, também, THE WHO e a destruição que fizeram dos instrumentos. Porque ofensivo para visão de harmonia que a música representava para RAVI.

Revendo as cenas, passei a concordar integralmente com ele: poluição e desperdício; protesto de perdulários irresponsáveis, acho hoje.

SHANKAR foi um cidadão do mundo, viveu na Europa e nos EUA – onde deu aulas na Universidade de Los Angeles e Nova York. E, como é culturalmente tradicional, orientou os próprios filhos na carreira dentro da música hindu.

RAVI é pai da cantora NORAH JONES – meia irmã de ANOUSHKA SHANKAR – que estudou piano e virou artista conhecida no JAZZ, e quase totalmente integrada ao ocidente. Tem, mesmo assim, música gravada pelas duas em conjunto. Muiti legal!

Quando GEORGE HARRISON, seu grande amigo, estava nos últimos momentos de vida por causa do câncer que o matou, RAVI ficou na cabeceira de seu leito tocando RAGAS adequados em seu SITAR celestial.

Além de um gênio diferenciado da música, SHANKAR era, também, um excelente sujeito e muito bom caráter.

Espero que RAVI e GEORGE não tenham reencarnado. Este mundo definitivamente não os merecem!