THE TBM SOUNDS – COLETÂNEA EM ULTRA HD, E OUTROS “ACEPIPES”….

Paciência, perfeccionismo e gosto apurado ao extremo tem TAKESHI TEE FUJI, o criador da gravadora THREE BLIND MICES , a CULT cara e espetacular TBM! Um caldeirão dos feiticeiros da técnica de alguns dos mais perfeitos discos já gravados ou transcritos!
TEE, como gosta de ser chamado, fundou a gravadora em 1970, na expectativa de gravar e produzir JAZZ, no Japão, com artistas talentosos e desconhecidos.
Fez; não ganhou dinheiro, mas desenvolveu técnica de equalização do que foi gravado que, quando transcrita para os discos, a música não perdia “nada” do que estava contido no master original. Um prodígio!
Eu sei de alguns discos por eles produzidos. Consegui esta coletânea com a maioria das gravações realizada entre 1973 e 1977. São vários artistas sensacionais, em catálogos bem recheados, e até cantora japonesa ( boa!!!) fazendo clássicos eternos do JAZZ.
No decorrer do tempo, consegui mais dois “espécimes” – que estão no foto – produzidos pelo “japa” fenomenal, para a T.B.M SOUNDS:
GEORGE KAWAGUCHI´S BIG FOUR, com o baterista – ah tá na cara! GEORGE KAWAGUCHI, – gravado em abril de 1976, E que tem de COLE PORTER – “Love for Sale” – , a uma faixa chamada “Monday Samba”. Disco sensacional, acreditem!
Outro “espécime” é o baixista ISAO SUZUKI, liderando seu TRIO, que traz o pianista TSUYOSHI YAMAMOTO; e o baterista americano DONALD BAILAY – a força rítmica do famosos EARTH, WIND and FIRE.
O disco é ORPHEUS, de fevereiro de 1976, onde está “Manhã de Carnaval” , de Luiz Bonfá, e outras feitiçarias. E mais não consegui…
A qualidade técnica é indescritível! Uns de 50 anos de ultra fidelidade exposta. Nectar para os deuses!
A produção gráfica e as edições japonesas da J.V.C e da SONY, são, também, de primor incontestável; palpável!
Certa vez, ouvi outro disco desta série em uma loja de equipamentos de som. A MÚSICA literalmente invadia o cérebro vinda de algum lugar entre o teto e as caixas acústicas! Subia e descia pelas paredes! “Lagartixas sonoras… ” ( Meu Deus, TIO SÉRGIO!!! você transcendeu a tua insanidade!!!! )
Dá medo tentar descrever o que havia lá; e o que postei aqui é pálido se comparado…. Eu falo de gravações com perto de 50 anos, captadas e trabalhadas, técnica e artisticamente, no ESTADO DA ARTE! Desconfio que não foram superadas pelas tecnologias atuais de nossos amiguinhos de olhos puxados; ou dos priminhos que consomem cervejas, kraut ,e schnapps, nas horas vagas…
Tentem conhecer. São “espécimes” raros e fascinantes!
POSTAGEM ORIGINAL: 12/11/2025
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DEXTER GORDON – BLUE NOTE 60′ SESSIONS – E OUTRAS ANDANÇAS

Uau!!!!
TIO SÉRGIO escrevendo esta resenha escutava “MORE POWER”, o CD da capa “CRIMSON” na foto, com DEXTER GORDON e JAMES MOODY, ambos estilistas do SAX TENOR, acompanhados por time de primeira linha: BUSTER WILLIAMS, no baixo; ALBERT “TOOTIE” HEATH, bateria; e BARRY HARRIS, no piano. É show de música, SAX TENOR, principalmente, gravado na PRESTIGE RECORDS, em 1969!
Bom, DEXTER gravou uns oitenta discos, nas mais diversas gravadoras do mundo. Era quase comum fazer isso, na época dele; e ainda, é, mas para poucos.
Minhas memórias sobre o cara são indeléveis: era o negão COOL, HIP, como dizia a gíria do JAZZ, na década de 1950. GORDON era um sujeito enorme, com vozeirão grave e pinta de pegador! Inesquecível!
E por que digo isto?
Eu o assisti pela televisão CULTURA, em 1980, em concerto no FESTIVAL DE JAZZ de SÃO PAULO. DEXTER deu um show de técnica, feeling e empatia dizendo poucas palavras… Foi um sucesso!
Na época, seu SAX TENOR já soava como GUITARRA COM DISTORCEDOR. Nas palavras de meu falecido tio Juliano Garini, músico da ORQUESTRA SINFÔNICA DO ESTADO DE SÃO PAULO, e que assistiu parte da transmissão comigo, “o som deste sujeito é de taquara rachada”…
“Era não sendo”, é óbvio! Foi todo um desenvolvimento que o levou àquilo. Estilo e sonoridade próprios! Um diferenciado!
Alguns certamente assistiram ao filme “ROUND MIDNIGHT”, 1985, de BERTRAND TAVERNIER, que valeu a DEXTER GORDON o prêmio de ator do ano.
O nosso herói fazia o papel de um músico americano em Paris, nos anos 1950/1960, misto de CHARLIE PARKER com ele mesmo.
A TRILHA SONORA existe e é sensacional; está na foto!
O filme, magnífico, é sobretudo como funcionava o mundo do JAZZ. E a música é inesquecível, como só os grandes sabem “propor”.
GORDON viveu muito tempo na Europa, e fez discos difíceis de encontrar para a cult “STEEPLE CHASE, gravadora errática. Antes, deixou coisas na SAVOY, como a edição magnífica da foto, lançada no JAPÃO, e com tal zelo impossível de não se tentar obter!
DEXTER percorreu, tocou/esteve em quase todas as grandes gravadoras. Deixou obra imensa, entre elas esse BOX coligido pela BLUE NOTE. Pois, então; 6 CDS, libreto e que quisermos gravado por ele, entre 1961 e 1965. Há STANDARDS aos montes; e músicas originais, e a companhia de monstros gentis eternos que nem vou citar – são muitos!
O BOX é graficamente lindo, bem produzido, e o som é de alta qualidade técnica. Tudo considerado, é o “everything” que DEXTER fez por lá, naquela radiante fração do tempo.
Se consigo decifrá-lo, eu diria que seu fraseado mais longo tem cadência, andamento algo lento, é muito expressivo e próprio! Justifica a gravadora BLUE NOTE tê-lo sob projeto e, ao mesmo tempo, lhe dá a distinção do estilista. Do músico que permanece irrepetível…
Mas TIO SERGIO, o BOX é bom para todo o mundo que gosta de JAZZ?
OOOOOOOOOOOOOOOHHHHH se é!
POSTAGEM ORIGINAL: 12/11/2025
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TOM JONES – THE COMPLETE DECCA STUDIO ALBUMS COLLECTION – 1965 /1975 – 17 CDS BOX SET

“SIR TOM WOODWARD” também recebeu a ORDEM DO IMPÉRIO BRITÂNICO, da mesma forma que seus conterrâneos PAUL McCARTNEY, BRIAN MAY, JEFF BECK, ERIC CLAPTON e outros muitos.
TOM JONES é um patrimônio cultural da GRÃ BRETANHA. Nasceu no PAÍS de GALES; e incerto dia, em 1968, fez temporada de shows em LAS VEGAS; e ganhou um baita fã, e amigo para sempre:
ELVIS PRESLEY quis conhecê-lo, e perguntou como ele conseguia cantar daquele jeito?
A resposta: “Bom, parte da culpa é tua, ELVIS”. E era mesmo. Quem na geração dele não foi influenciado por PRESLEY!!!??? Tio SÉRGIO, do alto de sua língua solta complementa: foi culpa de ELVIS, de JAMES BROWN e dos cantores negros de R&B, também…
Dizem que o sucesso de TOM JONES inspirou PRESLEY a retornar aos palcos.
É interessante lembrar que, mais ou menos de 1962 em diante, grupos musicais produziram a maioria dos sucessos na INGLATERRA. E logo, seus integrantes começaram a criar o próprio material, deixando os compositores profissionais em situação difícil. O espaço para cantores que não criavam o próprio repertório havia diminuído. Este fato poderia ter selado o destino de TOM JONES, que jamais escreveu um verso.
Porém, deu-se o contrário. No final dos 1960, os cantores já estavam de volta. Entre eles, alguns ex-membros de bandas, que partiram para carreira solo aproveitando um mercado crescente de “SINGERS-SONGWRITERS”. E PAUL SIMON, CAROLE KING, LENNON, GILBERTO GIL, CARLY SIMON, CHICO BUARQUE, CAETANO, McCARTNEY, e outros mais mundo afora participaram pra valer.
E o espaço para cantores também ampliou-se. Afinal, surgiram músicas novas, estilos e compositores aos montes…
TOM JONES teve carreira meteórica. “IT´S NOT UNUSUAL”, o segundo SINGLE, explodiu! Foi lançado em fevereiro de 1965, contra a opinião de seu empresário, que a tinha composto, e considerava “light” demais para o estilo dele.
TOM deu uma interpretação mais pesada, mais R&B, para uma “BABA POP” que havia sido pensada para SANDY SHAW!
Em abril de 65, TOM JONES já estava na TV no POL WINNERS da NEW MUSIC EXPRESS, ao lado dos BEATLES, STONES e KINKS. Ele subira feito um míssil!
A gravadora DECCA tinha duas estruturas de produção artística: uma para os SINGLES e outra para LONG PLAYS. Com o sucesso nas paradas, TOM JONES foi imediatamente fazer LPs. E três bastante bem – sucedidos, entre 1965 e 1966: “ALONG CAME JONES”; “ATOMIC JONES” e “FROM THE HEART”.
SIR TOM Ficou dez anos na DECCA, onde gravou incontáveis SINGLES e EPS; e 15 LONG PLAYS. Estão lá canções marcantes na década de 1960, como “GREEN, GREEN, GRASS OF HOME”, “DALILAH”… Ou o clássico “SHE´S A LADY”, de 1971, que voltou às rádios, e se tornou HIT contemporâneo. Ainda toca mundo afora!
Em 1971, ele foi o cantor de maior sucesso, e que mais faturou no planeta! Claro, falo da TERRA… De 1969 a 1970, apresentou show semanal na televisão americana. “THIS IS TOM JONES”, sucesso total vendido para o mundo inteiro. Inclusive o Brasil.
Lá SIR TOM cantou com ARETHA FRANKLIN, ELLA FITZGERALD, RAY CHARLES, JOHNNY CASH… E JONI MITCHELL, JANIS JOPLIN, CROSBY, STILLS, NASH & YOUNG, e incontáveis. Eu cheguei a assistir por lá os MOODY BLUES a caminho do auge da fama !!!!
A fase DECCA foi apenas a primeira. Depois, TOM gravou para a EPIC, mais direcionado à COUNTRY MUSIC, como fez seu amigo JERRY LEE LEWIS. Esteve também na MERCURY – entre diversas…
Até agora, TOM gravou mais de 40 ÁLBUNS!!! 379 SINGLES e EPS; tem 583 COLETÂNEAS e 46 VÍDEOS. Tá bom, não é !!!!
Para escrever o texto escutei os seus discos o dia inteiro. E mudei muito a minha percepção sobre o artista:
TOM JONES é um diferenciado talentoso!
Com dez anos de idade, cantava música religiosa na escola. Um dia, o professor perguntou por que fazia como se fosse um negro cantando GOSPEL?
Ele respondeu que cantava como sentia… TOM sempre foi um cara centrado, realista, seguro, e de percepção aguda!
O nosso SIR TOM JONES WOODWARD tem timbre que se adequa para estilos musicais variados. Sua voz é forte, extensa. Um barítono encorpado, rascante e nítido. E o registro alcança do TENOR ao BAIXO. Talento natural!
No decorrer da carreira na gravadora DECCA, tornou-se progressivamente melhor. Ele é ótimo INTÉRPRETE, e sempre foi um “ACONTECIMENTO” no palco, como vários de seus companheiros de geração!
TOM JONES tinha o carisma, e a performance em nível de JAGGER e FREDDIE MERCURY. Fazia shows dinâmicos, cheios de energia, e punha a turma pra dançar! E se destacava da concorrência por sua figura e personagem MACHO ALFA.
Existe historinha engraçada contada em documentário para JEFF BECK, a cantora LULU, e outros músicos, que riam adoidados:
O lendário produtor JOE MEEK, homossexual e assediador, tentou apalpar o nosso herói-garanhão. Ganhou olhar fulminante! Tentou novamente, levou bronca homérica… Na terceira vez, tomou umas porradas pra valer, pra deixar de ser folgado!
SIR THOMAZ casou-se aos 16 anos de idade com MELINDA, que morreu em 2016. Ela suportou incontáveis puladas de cerca. TOM JONES é um clássico do POP internacional; passou dos oitenta anos, e mais de 100 milhões de discos vendidos!
TOM JONES consegue cantar quase tudo. O extenso repertório é na maior parte de bom gosto. Abarca os clássicos da grande canção americana e inglesa. Gravou imensa variedade compositores; de SMOKEY ROBINSON a BURT BACHARACH.
Estão nesse BOX performances pessoais de incontáveis HITS das décadas de 1950/60 até a metade dos 1970. E haja STANDARDS e CLÁSSICOS!
E, como alguém disse, SIR TOM JONES vai da delicadeza de BROOK BENTON à garra de um JERRY LEE LEWIS. Profissional muito adequado e antenado às variações de sua época, e o tempo inteiro.
Este BOX é muito bom. São quinze CDS de carreira. E mais um álbum duplo com SINGLES, RARIDADES, e etc…, onde estão músicas como THUNDERBALL, da trilha de JAMES BOND; e WHAT´S NEW PUSSYCAT, também de trilha sonora e HIT na carreira dele.
Os discos têm ótima qualidade de som; e inclusive a remasterização do original ficou ótima! A apresentação do box é bonita. Há LIVRETO simples, porém bem feito. Mas, faltam mais informações da parte técnica. Não ficamos sabendo quem toca em qual faixa, quem produziu, essas coisas fundamentais para tecer um elogio ou crítica mais bem dirigidos. E a qualidade da capa dos discos, imitações de LP, é ruim, como tem se tornado comum, infelizmente…
Em compensação, os CDS são imitação do rótulo original da DECCA, em VERMELHO; que, na época, identificava as gravações em MONO. Expressa o clima daqueles tempos, recorda os tempos do vinil original. É bonito e “aconchegante” da gente ver e tatear.
Mesmo com “falhas” , é divertido e não é caro. A FADINHA MASTERCARD deixou-o na porta de casa por $55,00 BIDENS, uns R$ 250,00 mandacarus. Vale a pena para quem gosta do estilo dele.
TOM JONES não tem o rigor técnico de um MATT MONRO, o cantor POP INGLÊS de REFERÊNCIA em seu tempo. Porém, é ótimo cantor de MÚSICA NEGRA ( ooopss PRETA ) em geral. Deixa um pouco a desejar no BLUES… Mas, é excelente no RHYTHM´N’ BLUES e muito bom na SOUL MUSIC. Domina os estilos da STAX e da ATLANTIC.
Seu disco de 1975, “MEMORIES DON´T LEAVE LIKE PEOPLE DO”, sua despedida na DECCA, é MOTOWN década de 1970 da melhor qualidade! A produção de JOHNNY BRISTOL é marcante; e a banda – aliás, como em todos os seus discos – é de alto nível técnico e artístico.
Experimentem ouvir o disco “13 SMASH HITS”, de 1967, onde TOM canta sucessos de outros, em versões adequadas para sua voz, e estilo. É boa referência para testar o cantor e sua versatilidade.
SIR JONES é muito bom cantor de COUNTRY, também. Por isso, ao mudar para a EPIC RECORDS focou no estilo. E, nesse BOX, há inúmeras canções do gênero, que vão do romântico ao mais energético.
Ele sempre mantém a veia POP exposta e muito eficaz. Existe SINGLE, da década de 1990, onde TOM canta muito bem KISS, do “PRINCE”, acompanhado pelo “ART OF NOISE”! – grupo alternativo de referência. Foi mais outro sucesso!!!
TOM JONES ainda faz coisas por aí. Sempre foi fisicamente privilegiado. E tem muita energia pra queimar!
E TIO SÉRGIO aconselha a vocês colocarem fogo na festa ouvindo e tocando este BOX sensacional!
É um compêndio. Tente!
POSTAGEM ORIGINAL: 12/11/2022
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THE BRITISH INVASION – HISTORY OF BRITISH ROCK – 9 CDS BOX SET – RHINO – 1991

Aqui, um dos tesouros da coroa do TIO SÉRGIO!
Os SINGLES de artistas britânicos que fizeram sucesso na América, entre 1963 e 1969! Quase todos estão aqui, menos os três notórios muquiranas que mais bem administravam os próprios acervos: BEATLES, ROLLING STONES E DAVE CLARK FIVE.
Cada faixa é uma história. Pensou nos HOLLIES, ou PROCOL HARUM? Ahhh, mudou para o DONOVAN, PETER & GORDON, ou SMALL FACES? Todos entraram! E mais um monte de montão!!!!
São 180 gravações originais com a qualidade técnica da RHYNO RECORDS, em um BOX matador! A produção gráfica é de alto nível; inclui um livro de verdade com fotos e texto! É artefato raro e precioso, e faz colecionador uivar pra lua!
Penso que o revival para muitos desses artistas iniciou-se por aqui. Portanto, está claro porque jamais foi reeditado: o preço dos royalties seria proibitivo!
Então, quem tem, tem; os que não conseguiram tomam cerveja, ou pagam preço que é um estupro em dólares no e-BAY – se conseguirem encontrar.
Houve alguns discos deste BOX lançados individualmente. Mas, sumiram. Despencaram na cachoeira dos tempos, para discotecas mundo afora….
Ah, enquanto escrevia esta resenha eu escutava “HURDY GURDY MAN”, com DONOVAN – dizem que há outra versão com JEFF BECK na guitarra, mas jamais comprovaram. Pus pra tocar “ITCHICOO PARK”, com SMALL FACES; “PICTURES OF MATCHSTICK MAN, do STATUS QUO, todos clássicos da psicodelia inglesa.
Agora, vou escutar DUSTY SPRINGFIELD, THEM, MANFRED MANN e TREMELOUS; depois, LULU, CILA BLACK, WALKER BROTHERS, WAYNE FONTANA…
É um mundo VINTAGE que se recusa a ter fim.
Vou tomar algumas beers por vocês!
POSTAGEM ORIGINAL:10/11/2019
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E.C.M. RECORDS – MUSICA PARA INTROSPECÇÃO: UMA GALÁXIA QUASE INFINITA

Não quero deslizar sobre o superficial. Porque álbuns produzidos pela E.C.M. RECORDS não podem ser decifrados pela epiderme. Mas também não se escondem sob as pedras. Porém, “exigem exegese da essência” – para cunhar frase pernóstica, e inconclusiva.
Os conteúdos sempre teimam em escapar, já que dentro de um conceito bem tramado pela produção, que os tornam clara, mas sutilmente diferenciados de um artista para outro. Ahhh, levam a marca de MANFRED EICHER, o produtor e criador da gravadora – sempre!
Muitas vezes, essa turma imensa extrapola para o “FUSION – JAZZ”; ou viajam como “ROCK PROGRESSIVO”; ou se encalacram pelo “JAZZ EXPERIMENTAL”; pelas múltiplas formas do “JAZZ CONTEMPORÂNEO”; da “MÚSICA ERUDITA”; ou de FOLKS VANGUARDESCOS de terras menos plausíveis:
Há um planeta inexplorado de artistas e idéias ainda pouco desvelados. É gente da EUROPA ORIENTAL; AFRICANOS, ou por onde este planeta nos faça viajar! É bom saber que sempre trafegam além da NEW AGE e do LOUNGE habituais.
De algum jeito, os percussionistas, bateristas e outros potenciais espancadores de tambores, pratos, e etcs…, jamais ficam abaixo da linha de sutilezas necessárias para gravar na E.C.M.
Observem PETER ERSKINE, JACK deJOHNETTE, NANA’ VASCONCELOS, MANU KATCHE’, PAUL MOTION, e diversos mais. Podem escolher! Ninguém espanca os instrumentos. Essa turma cria sonoridades contidas, perfeitas.
Agora, pulem para os guitarristas: PAT METHENY, TERJE RYPDAL, JOHN ABERCROMBIE, ou próprio EGBERTO GISMONTI – que não é SACI de um instrumento só!!! Todos se inserem nesta imensa cartografia sonora, que é a E.C.M. E de forma sutil, algo circunspecta, e jamais tímida!
Tá, marcou viagem com pianistas? Existem aos montes a bordo; exuberantes, todos! JOHN TAYLOR, MARILYN CRISPELL, WOLFERT BREDERODE, MARCIN WASILEWSKI; e claro, a única exceção espetacular, e longe do circunspecto: KEITH JARRETT.
Contrabaixistas encontramos solistas ecléticos, estilistas, e o que se puder imaginar: ARILD ANDERSEN, MIROSLAV VITOUS, EBERHARD, WEBER…
Eu paro por aqui. Porque há outros artistas; muitos mais! E um dia eu retorno.
Como em qualquer galáxia, há supernovas, buracos negros, cometas, planetas, estrelas cadentes, astros incandescentes feito o sol, e choques interplanetários. O arcabouço é amplo, e a beleza mais ainda!
Então, é isso: a E.C.M. produz música moderna e original! Portanto, curtam os discos da foto, ou quaisquer que trombarem com vocês. Porque artefatos preciosos, e alguns não tão raros ou caros.
POSTAGEM ORIGINAL: 07/11/2025
Pode ser uma imagem de texto que diz "ECM PETER ERSKINE TRIO JOHN TAYLOR PALLE DANIELSSON AS IT WAS OLD AND NEW MASTERS SERIES Susanne Abbuehi MANU KATCHE TOMASZ STANKO JAN GARBAREK MARCIN WASILEWSKI SLAWOMIR KURKIEWICZ NEIGHBOURHOOD ECM lackDalitinats SAANR GaryPoscock ရေးထိသါေ KalnJuma Tribute Marilyn Crispeli HotoCcsp MarilynCrispeli Amaryllis Gary Peacock Paul Metion"

FLEETWOOD MAC – DISCOGRAFIA 1968/2005 DO BRITISH BLUES AO POP SOFISTICADO, PASSANDO PELA FASE BLUESY-PSICODÉLICA.

Em um dos meus “alfarrábios, ” NEW MUSIC EXPRESS ENCYCLOPEDIA OF ROCK” , edição de 1976 – muito mais de 40 anos atrás ! -, o FLEETWOOD MAC já tinha verbete bastante longo refletindo a importância deles na época.
Formado em 1967, e até 1975, antes de explodirem na América com o álbum “FLEETWOOD MAC”, 1976; havia gravado 13 álbuns originais! Bela performance para 8 anos de vida errática, tumultuada, complexa, complicada e, ao mesmo tempo, excelente do ponto de vista musical e criativo.
O “epicentro” da banda se formou quando MICK FLEETWOOD, baterista; o baixista JOHN MAC VIE, e PETER GREEN, guitarra, deixaram o JOHN MAYALL’S BLUESBREAKERS, em 1967. Esta fase, na gravadora BLUE HORIZON, de MIKE VERNON, está no box à esquerda, item de coleção, e tipicamente BRITISH BLUES.
A outra peça indispensável, a tecladista CHRISTINE PERFECT, eleita nada menos que a melhor cantora de BLUES da Inglaterra, entre 1967 e 1968, no auge do BRITISH BLUES, fazia parte do CHICKEN SHACK, outra Blues Band concorrente e ativa no período.
CHRISTINE teve um HIT, a versão excelente de I’D RATHER GO BLIND, conhecido BLUES. Era casada com JOHN MAC VIE e já estava em carreira solo, mas participando anonimamente de gravações do FLEETWOOD MAC.
Com a saída de PETER GREEN, e a partir do LP KILN HOUSE, 1970, os três formaram um centro coeso e sinérgico, em torno do qual houve diversos bons guitarristas, como BOB WELCH, DANNY KIRWAN E JEREMY SPENCER.
Sempre com retro-gosto forte de BLUES, experiências com ROCK PSICODÉLICO, alguns ensaios “para-progressivos”, e o que mais viesse… chutavam para todos os lados criativamente, e desenvolveram um fundo POP característico.
Entre 1970 e 1975, foram de vez para os ESTADOS UNIDOS e gravaram sete Long Plays, todos saborosos e com o “jeito” daqueles tempos. BARE TREES, foi lançado por aqui, em 1972.
Sem muito sucesso mas estabelecidos, em 1976 o acaso deu as caras e tudo mudou: MICK FLEETWOOD foi checar um estúdio em Los Angeles, e tocou uns demos feitos por uma dupla desconhecida, BUCKINGHAM – @NICKS, e resolveu convidar o guitarrista LINDSEY BUCKINGHAM para integrar a banda. Ele respondeu que só aceitaria, se STEVIE NICKS também entrasse. E FLEETWOOD bancou a parada. Houve discussões com os “MACs”, mas toparam.
Assim, um dos grandes sucessos de todos os tempos, a integração entre os 3 veteranos ingleses e os dois jovens americanos, se revelou. A linda voz ultra pop, sensual, americaníssima de STEVIE NICKS, e a elegância bluesy peculiar no cantar de CHRISTINE MC VIE casaram-se perfeitamente.
LINDSEY BUCKINGHAM, muito bom guitarrista, versátil e pop-rocker, casou bem com a sólida cozinha de MICK FLEETWOOD e JOHN MCVIE – já treinada nas curvas que a música deles havia dado.
Tudo junto e ao mesmo tempo, desaguaram uma das mais bem sucedidas bandas do pop rock de qualquer época!
O sucesso foi imediato, o primeiro álbum desta fase, FLEETWOOD MAC, 1976, foi disco de platina e vendeu adoidado mundo afora. O segundo, o histórico RUMORS de 1977, FICOU “APENAS” 31 SEMANAS EM PRIMEIRO LUGAR!!!!!!!!!!, na América; e vendeu 17 MILHÕES DE CÓPIAS. Não vou repetir e nem desenhar…
AHHH, e sem falar dos singles “Go your own way”, “Don´t Stop” e “DREAMS”, que venderam como chicletes…
Não sei dizer quantos discos foram vendidos até hoje, desse álbum. Em 2002 ultrapassavam 30 milhões de cópias! Talvez não tão curiosamente, quando RUMORS saiu as relações entre eles todos já estavam dilaceradas: JOHN e CHRISTINE; LINDSEY e STEVIE não estavam mais casados. O pau cantava seguidamente. Mesmo assim, os discos posteriores, TUSK, THE DANCE, MIRAGE, e TANGO IN THE NIGHT todos foram sucesso.
Se juntarmos o histórico de idas e vindas de membros na banda, com a catarse pós sucesso internacional, dá pra desconfiar que ali estava gente muito difícil de lidar…
Permanentes ímãs de crises, CHRISTINE MAC VIE aposentou-se; STEVIE NICKS virou cult, e os restantes estão por aí – se algum já não morreu – acho que não…
Larguei a lenha neles! Como bom roqueiro da periferia do mundo capitalista, chamei-os de traidores do blues e outros acintes etílico – juvenis!
Ainda bem que nem sei onde foi parar aquela revista. Eu havia entendido nada sobre o disco magnífico, e a enorme influência que o pop refinado, dançável e delicioso que gravaram tinha, e ainda tem, sobre a música e artistas até hoje !
Então, para de ser arrogante, TIO Sérgio! E põe um ponto final nesta resenha também.
POSTAGEM ORIGINAL:06/11/2020
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TERJE RYPDAL, “MELODIC WARRIOR” , 2013: O DISCO MAIS INTERESSANTE QUE OUVI EM 2022!

É comum eu escrever sobre certos músicos, músicas ou discos sobre os quais tenho a impressão de tocar a epiderme do acontecimento musical. E, por isso, de estar apenas no começo para compreender a profundidade da obra composta, ou executada à minha frente.
Tento acondicionar um presente para eu mesmo, e para o leitor. Procuro descrever percepções que não penetram na carne técnica de obras, cujas belezas muitas vezes recônditas, e outras explícitas, vêm com tal carga de sofisticação que exigiria, talvez, exegese para a qual não estou habilitado.
TIO SÉRGIO acha, no entanto, que o belo tem mais a ver com a melodia, sempre a cara do amor à primeira vista!
Claro, música é compósito de vários elementos: harmonia, ritmo, tempo, arranjos e vasto etc… Eu tento fugir do simplismo, mesmo alcançando pouco além do primeiro subsolo do encantamento.
TERJE RYPDAL quando criança estudou piano e instrumentos de sopro. Com o tempo, passou a tocar guitarra inspirado em HANK MARVIN, guitarrista dos SHADOWS.
RYPDAL passou há muito dos 70 anos de idade; portanto, é da mesma geração de CLAPTON, BECK, PAGE, HENDRIX, GILMOUR e ZAPPA. Ele é norueguês. Estudou musicologia e composição na UNIVERSIDADE DE OSLO. E dedicou-se, paulatinamente, à música de vanguarda em diversas vertentes.
O repertório estilístico de RYPDAL conjuga elementos do ROCK PROGRESSIVO, do FUSION JAZZ/ROCK, e principalmente, da MÚSICA CLÁSSICA e do JAZZ CONTEMPORÂNEO.
A geração de jazzistas e músicos clássicos de vanguarda, descendentes da música mais livre do final da década de 1950 em diante, foi se desenvolvendo no sentido da pesquisa de timbres, harmonias e ritmos elaborados.
É comum a proeza técnica sustentando um fascínio pelo “não melódico”, trazer resultados muitas vezes desagradáveis ( para o meu gosto, claro!!!). BRANFORD MARSALIS tem muito disso.
Eu percebo na música de TERJE RYPDAL uma inflexão nítida em direção à beleza melódica. Não é o belo convencional, e traz elementos da tradição. E tudo o que ele faz aponta para o agradável, o viajante, para um som bem cuidado e elegante – por assim dizer.
Seu trajeto artístico passou pelos grupos de GEORGE RUSSELL – pianista, compositor e professor americano, autor do primeiro MÉTODO DE HARMONIA BASEADO EM JAZZ, e não na MÚSICA EUROPEIA.
Estão postados aqui 4 CDS dos conjuntos de RUSSELL, gravados entre 1983 e 1985, onde TERJE e o saxofonista JAN GARBAREK tocaram com outros músicos da gravadora ECM.
Pesquisando pelaí, encontrei 47 discos de RYPDAL – ou com a sua participação. O primeiro deles para a POLYDOR, em 1968. Sua técnica e criatividade foi desenvolvida na gravadora alemã E.C.M, sob a direção do mago MANFRED EICHER. Aliás, o ambiente ideal a música sofisticada, viajante e não restrita a rótulos facilmente definíveis.
Por lá, TERJE participou em discos de GARBAREK, KETIL BYORNSTAD e JOHN SURMAN, pra ficar em poucos. E foi acompanhado por músicos em nível de MIROSLAV VITOUS, JACK DeJOHNETTE, JON CHRISTENSEN e ARILD ANDERSEN,! É a tal constatação imprecisa: “dize-me com quem andas, e eu te direi… Etc… e tal”!
Ao longo dos tempos, TERJE desenvolveu técnica para tocar longas notas delicadamente sustentadas; “sem ataque”. Se houver alguma comparação estilística e musical possível, TERJE RYPDAL “lembraria” DAVID GILMOUR, do PINK FLOYD. E, algumas vezes, JEFF BECK na fase BLOW BY BLOW.
Sua guitarra soa climática, melancólica, cerebral, nórdica e fria; sempre plena de estilo e imaginação. E está inserida no que se poderia chamar ‘EXPERIMENTAL MELÓDICO”…
TERJE cria uma FUSION DE VANGUARDA; ou como li, a “DISSOLUÇÃO DAS FRONTEIRAS ENTRE GÊNEROS MUSICAIS”, que aplica, também, em suas incursões na música clássica contemporânea:
“UNFINISHED HIGH BALLS”, composição dele, foi gravada ao VIVO , em 1976, com a SWEDISH RADIO JAZZ GROUP; e a sua ampla sessão de metais, abarca vários timbres e registros, além de melotron, celesta e percussão. É uma beleza, acredite.
TERJE RYPDAL compôs, inclusive, cinco sinfonias. Entre elas, MELODIC WARRIOR, gravada com o sensacional coro HILLIARD ENSEMBLE, e a BRUCKNER ORCHESTER LINZ, dirigidos por DENNIS RUSSELL. É o melhor disco que escutei em 2022!
Vou tentar descrever um pouco esta obra de arte. Eu adoraria “ver” como a partitura foi escrita; sua disposição interna, já que não sei ler música. É por causa da sonoridade complexa.
Gostaria de saber como se expõe, por escrito, uma “treta” daquelas! É um vasto BLEND que incorpora das “intenções” do ROCK PROGRESSIVO até as composições CLÁSSICAS ( ou ERUDITAS) de VANGUARDA!
A guitarra de TERJE RYPDAL se integra à escrita para CORAL e à ORQUESTRA, onde ficam evidentes a capacidade das vozes expressarem-se circundadas por esses dois meios (coral e orquestra).
Não é um DUELO, mas uma ARQUITETURA onde várias vozes simultâneas, e polifonicamente arranjadas, parecem afirmarem-se acima de qualquer possível criação instrumental.
O resultado é mágico!!! Extremamente belo!!!! Se é que bem compreendi; ou pude expressar através de palavras.
TERJE RYPDAL é um INTEGRADOR DE ESTILOS, um “DISSOLVEDOR DE FRONTEIRAS. Um grande artista suficientemente prolífico e instigante para deixar de ser notado.
Tentem! Já!
POSTAGEM ORIGINAL: 06/11/2022
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JACK BRUCE – MAIS ALGUNS CDS E DVDS EM QUE PARTICIPA.

JACK É UM DOS MAIORES BAIXISTAS DE SUA GERAÇÃO E, TAMBÉM, CANTOR SEMPRE RECONHECÍVEL E MUITO ADMIRADO.
JACK É UM SUPERDOTADO CAPAZ DE TRANSITAR COM PROFICIÊNCIA PELO BLUES; EM DIVERSAS TENDÊNCIAS DO ROCK; NA MÚSICA EXPERIMENTAL; E EM VÁRIAS FORMAS DE JAZZ – DO MODERNO À FUSION.
UM CRÍTICO ESCREVEU QUE JACK FUNDIU “BACH” COM “CHUCK BERRY”. “JACK BRUCE” É UM GÊNIO!
BRUCE esteve com todos que lhe interessaram em sua época.
Acho impossível conseguir todos os discos em que participou ou foi autor. E descrevê-lo, disco a disco, tomaria tempo quase biográfico. Currículo enorme! Encantamento e competência espalhados por décadas!
Com GRAHAN BOND, 1964, na primeira experiência profissional que participou, esteve em banda simplesmente ao lado de GINGER BAKER e JOHN MCLAUGHLIN. Só.
Tocou em discos de MICK TAYLOR, JOHN MAYALL, LESLIE WEST, GARY MOORE, MANFRED MANN… e foi além, muito além….
Participou do espetacular clássico da vanguarda jazzística inglesa, lançado em 1991, ESCALATOR OVER THE HILL, da pianista e maestrina de vanguarda, CARLA BLAY, onde cantou com… pasmem!!! LINDA RONSTAND, em banda e projeto seminal espetacular
Não vou comentar o CREAM, com CLAPTON E BAKER, entre dezenas de reuniões e apresentações. E a fulgurante carreira solo do FUSION JAZZ à VANGUARDA EXPERIMENTAL em dezenas de discos. JACK não negava fogo….
Há entre os discos aqui, um raro e precioso do percussionista KIP HANRAHAN, lançado em 1991, com a participação do pianista de vanguarda DON PULLEN! É doideira brava! Acredite.
Para visualizar, é o terceiro disco da terceira fila ao lado do BOX do CREAM.
Nos DVDs, estão presentes BILLY COBHAN. CLEM CLEMPSON, DAVID SANCIOUS, em show na Alemanha, em 1980. Em outro, tocam CARLA BLEY e MICK TAYLOR, apresentação ao vivo em 1975. Excelentes, diga-se! Isso tudo é parte do que JACK BRUCE fez, gravou e felizmente nos legou!
Enquanto eu viver, vou tentar encontrar o que for possível JAACK BRUCE. Eu o assisti, em SÃO PAULO, já doente. E, mesmo assim, mandando ver em seu espetacular e peculiar estilo de cantar e tocar baixo!
JACK é um dos cinco melhores e mais criativos baixistas da História. Não está em primeiro lugar porque, em minha opinião, a honraria pertence à norte-americana CAROL KAYE, craque emérita dos estúdios; lendária e com mais de dez mil sessões de gravação acompanhando de SINATRA aos BEACH BOYS, e até ensinando o pessoal do KISS como fazer as coisas.
Ouçam e cultuem JACK BRUCE. E não esqueçam de CAROL KEYA.
JACK é imprescindível; musicalmente elegante e incomparável!
POSTAGEM ORIGINAL:31/10/2020
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CÉU – E O “NOVO POP UNIVERSAL BRASILEIRO”

RITA LEE há décadas deixou de ser a única “mais perfeita tradução de São Paulo”, como a descreveu CAETANO VELOSO, em SAMPA. E faz todo sentido. Os tempos mudaram, como sempre mudam.
A rebeldia POP de RITA deixou, aos poucos, de chamar a atenção de outras futuras cantoras ícones. E o POP-ROCK foi se tornando um estilo dentro da música brasileira. É parte assumida pela M.P.B.
VANIA BASTOS e NÁ OZZETTI, por exemplo, vieram de um background diferente, a esquerda universitária engajadas e militante. No princípio da carreira de ambas, início dos 1980, fazia sentido uma brasilidade chegada à vanguarda, mas não fundada nas tradições da MPB. Eram desafios ousados. Seguiam mais o WALTER FRANCO de CABEÇA, ou o CAETANO VELOSO em TRANSA.
Com o tempo, principalmente VANIA BASTOS foi assumindo a MPB moderna, mas de moldes mais tradicionais, e tornou-se uma das melhores cantoras do Brasil. A maneira de falar, sentir, compor, cantar e viver das meninas paulistas, tornara-se outra, na década de 1980.
A paulistana Céu é da geração que despontou neste século XXI; e é bem diferente da geração anterior. Seu primeiro disco, lançado em 2005, foi sucesso internacional. Vendeu muito bem nos Estados Unidos e Europa.
Eu assisti pela TV apresentação dela no programa do JOOLS HOLLAND, na BBC de Londres, anos atrás. CÉU foi anunciada como a “INCREDIBLE CÉU”. Ela e a banda excelente deram show!
CÉU faz POP em FUSÃO com a MÚSICA ELETRÔNICA. Tudo muito bem dosado e atual. Assimila tradições e ritmos da música brasileira, e gera um híbrido ousado, dançável, de irreverência calculada, que interage continuamente com a brasilidade e o mundo. CÉU é moderníssima e contemporânea.
Há um estilo de MÚSICA POP BRASILEIRA rolando. Talvez desde BEBEL GILBERTO, que podemos batizar por “Nova Música Universal Brasileira”, da qual Céu talvez seja, no momento, a representante mais talentosa e expressiva.
Ela vem desenvolvendo jeito próprio; é boa compositora, e faz discos interessantes e muito bem produzidos, arranjados e gravados.
Sua voz é delicada, diferente e diferenciada; e CÉU canta deliciosamente, com sensualidade não escancarada, mas evidente.
Aqui, os três discos que tenho da moça: “VAGAROSA”, de 2009; “CARAVANA SEREIA BLOON”, de 2011; e “TROPIX” de 2016. Todos bem diferentes entre si, mas nitidamente evoluindo de um para o outro.
Aos poucos, ela deixa de ser menina paulistana de classe média, e vai se tornando cantora madura, mas sem perder o frescor e a jovialidade…
Eu gosto e recomendo. CÉU é muito legal para ouvir e curtir.
POSTAGEM ORIGINAL: 31/10/2020
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CHRISSIE HYNDE & THE PRETENDERS, E A GERAÇÃO PÓS-PUNK RETORNAM MAIS PESADOS

Em 1981, em MEMPHIS, no TENESSEE, CHRISSIE HYNDE e os PRETENDERS estavam em um bar lotado. Ela, apertada, foi ao banheiro. Lá, fila imensa de mulheres esperando a vez.
CHRISSIE não teve dúvidas: entrou no banheiro dos homens. Os seguranças tentaram impedir; ela xingou e reagiu. Chegou a polícia, foi algemada e colocada na viatura.
Sentada no banco de traz, CHRISSIE conseguiu soltar as mãos, abriu a janela e chamou o guarda, entregou as algemas: “Isso aqui é teu”.
Aí, piorou: algemaram os pés e as mãos Ela esperneou, chutou e quebrou os vidros da viatura.
Foram pra delegacia, e ela dormiu na cadeia e foi processada por danos ao patrimônio público.
A história correu mundo, viralizou, o que aumentou sua fama de independente, assertiva e isca de encrencas – mas, há um certo exagero aí.
CHRISSIE é americana do OHIO. Adorava os BEATLES, SOUL MUSIC e IGGY POP!
Em 1973, decidiu ir para a INGLATERRA porque falava a língua, e a maioria de seus ídolos eram de lá. Queria viajar e dar um jeito na vida, que andava perigosa. Ela tinha se metido com drogas e gente barra pesada.
CHRISSIE tem 72 anos. Está no ROCK profissional gravando faz 45! É personalidade muito interessante. Teve duas filhas belas com dois músicos conhecidos: NATALIE RAY-HYNDE, 40 anos, é fruto de um relacionamento com RAY DAVIES, compositor importante, um de seus ídolos, e líder dos KINKS, banda cult e inevitável à partir da década de 1960.
E YASMIN KERR, 38 anos, que nasceu de relacionamento mais longo com JIM KERR, líder e cantor dos SIMPLE MINDS; sucesso desde a década de 1980. Estão ambos ainda por aí. CHRISSIE HYNDE tem trajetória no POP – ROCK reconhecida e respeitada.
Um entrevistador perguntou se, por acaso, alguém já havia dito “NÃO” pra ela? E CHRISSIE respondeu: “O NEIL YOUNG, quando nos encontramos para gravar fez a mesma pergunta…”
Ninguém diz não para CHRISSIE HYNDE!
Os PRETENDERS iniciaram a carreira com dois SINGLES de sucesso: “STOP YOUR SOBBING”, e “I GO TO SLEEP”, em 1978/9. Duas músicas do repertório dos KINKS, e compostas por RAY DAVIES.
CHRISSIE e a banda são famosos por terem criado o mais nítido e representativo som da NEW WAVE. Eles se juntaram na INGLATERRA. O estilo, sonoridade, e a voz de CHRISSIE HYNDE são emblemáticos e inconfundíveis.
Pessoa carismática, corajosa, assertiva e independente, CHRISSIE tem características da cultura americana como a resiliência e individualismo. É uma empreendedora!
Liderou os PRETENDERS e, ao mesmo tempo, assumiu as filhas. Contratou duas babás e foi pra estrada fazer turnês.
Perguntaram se ela havia sofrido discriminações para construir e tocar a carreira?
CHRISSIE nega. Diz que sofreu tanto quanto os caras da banda, o que sempre deixou as feministas perplexas e contrariadas.
Ela pratica boxe e preferia andar com homens. “Porque falam menos”; “e a relação com eles é mais direta e igualitária”…
É uma BANDLEADER antenada e profissional. Montou e administra os PRETENDERS, desde 1978. E, como JOHN MAYALL, sabe mandar e obter resultados com seus grupos. Dizem que vai no foco, percebe os pontos altos dos músicos e faz acontecer.
Na longa entrevista que deu recentemente à revista RECORD COLLECTOR ela tocou para o jornalista alguns discos. Perguntou se ele conhecia o SPOOKY TOOTH?
Negativo.
Então, tocou o SPOOKY TWO, e comentou que, hoje, não há cantor de R&B tão espetacular quanto MIKE HARRISON!
Depois, tocou “GO NOW”, 1964, do álbum THE MAGNIFICENTS MOODY BLUES. E sentenciou a excelência daquele POP quase LOW FI, curto, rápido, direto na veia. Observou que os PRETENDERS pretendiam mais ou menos aquilo!
E conseguiram, digo eu!
SOUL + POP + adrenalina dos anos 1980, e sem frescura. E, nessa toada, gravaram 12 álbuns, dezenas de SINGLES, e permanecem sucesso.
CHRISSIE tem várias semelhanças com RITA LEE. Cantoras muito boas e contemporâneas, e que articulam o POP e o ROCK com estilos próprios e proficiência.
CHRISSIE morou uns tempos na Avenida São Luiz, em São Paulo. Foi em 2004. Disse que adorou a energia da cidade.
Entrosou-se com MORENO VELLOSO, e grupo, filho de vocês sabem quem. Há um vídeo, no YOUTUBE, de show acústico deles em BUENOS AYRES.
Mas, encaixou?
Tio SÉRGIO achou que não. MORENO, KASSIM e + 2 são lights demais pra ela. Faltou um link para o ROCK, fundamental em CHRISSIE como foi para RITA LEE. O show dá soninho.
No momento, está rolando uma efeméride POP significativa. As tendências do PÓS-PUNK estão comemorando 45 anos!
45 anos, turma! Isto quer dizer que o público original dos PRETENDERS, NEW ORDER, SIOUXIE & THE BANSHEES, THE CURE, SMITHS, U2 e outros, hoje tem entre 50 e 65 anos!
ORRA, MEU???
NÃO: PORRA, MEU!!!
Com exceção do U2 mega sucesso ininterrupto, e de carreira muito específica; os artistas daquela geração de músicos e bandas estão em atividade frenética, fechando grandes SHOWS mundo afora, e no BRASIL, também.
O som que faziam sofreu atualização, “ma non tropo”. E todos se tornaram mais pesados.
Assisti vídeos de diversos deles.
Se interpreto corretamente, a sonoridade básica das bandas se inspira no que fez NEIL YOUNG, na fase RUSTY NEVER SLEEP, ou no disco MIRROR, gravado com o PEARL JAM: ROCK ALTERNATIVO PESADO e AGRESSIVO, de uns 30 anos atrás…
Estão mais ou menos soando como THE CURE em WISH, acrescidos por “DELAYS”, e guitarras como tocava THE CURVE e a turma do “SHOEGAZE”!
Fazem som pesado e alternativo, são inspirados herdeiros da vanguarda a qual pertenceram anos atrás! Talvez a dose certa para que o público deles interaja e curta…
O muito bom último disco de CHRISSIE e os novos PRETENDERS, “RELENTLESS” é isso ai. E os vários bons SHOWS disponíveis demonstram. Inclusive em GLASTONBURY, onde DAVID GROHL e JOHNNY MARR, fãs declarados, subiram ao palco e tocaram com ela…
Estava lá, também, seu grande amigo e confidente, PAUL McCARTNEY ( eu acho que é mais do que isso… ), que saiu do backstage para cumprimentar a plateia.
CHRISSIE HYNDE, que sempre foi bela, continua cantando bem. E, paradoxalmente, as guitarras pesadas atraem o público e poupam a voz de CHRISSIE, que também precisa de backing vocals… Assim, como seguram ROBERT SMITH com THE CURE…
É só uma opinião. Mas, não esqueçam as bandas pesadas atuais formadas por meninas, como a ótima e aguerrida DEMY LOVATTO.
Tudo considerado, o ROCK pesado com retrogosto oitentista / noventista voltou à moda.
Confesso que gosto…
Mas, não fui só eu quem envelheceu…
POSTAGEM ORIGINAL: 31/10/2023
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