WALTER FRANCO – E A POESIA DAS SENSAÇÕES PERTURBADORAS.

Eu procurei, escarafunchei a minha discoteca atrás de dois discos seminais de WALTER FRANCO. Escafederam-se. Porra, TIO SÉRGIO, vai ser pernóstico e superado assim no QUIRGUISTÃO!
Agora, encontrei “OU NÃO” e “REVOLVER”; que talvez sejam mais pertinentes ao que escrevi, do que o “VELA ABERTA”.
Não à toa, WALTER FRANCO causava tumultos. Eram tempos de “suposta racionalidade explícita “, que vazava poros e mentes afora, e desembocava em política militante. Eu assisti a isto – estive por lá….
Era inadmissível alguém lúcido, à esquerda, consciente de Brasil e suas mazelas criar música e arte não engajadas! Questão de ética – imposta pela oposição à ditadura de 1964.
A música brasileira de qualidade, lá por 1972, estava dominada por CAETANO, CHICO, GIL e TOM JOBIM. É possível argumentar que o cenário pouco mudou. Mesmo com a falta de TOM.
Entraram outros diversos – o que é ótimo! Mas permanecem os mesmos, faz meio século e uns dez por cento de tempo a mais… E ainda com força! GILBERTO GIL, por exemplo, está na ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS, e permanece astro onipresente, em ascensão imparável…
São quase seis décadas de um latifúndio produtivo bem cultivado, e politicamente correto. Mas, latifúndio ainda é. Muitos arranham, mas ninguém tasca!
WALTER FRANCO foi um radical. Desafiou isso tudo arquitetando experimentalismo sonoro deslavado, conjugado a letras repletas de sensações sobre o viver, e coisas não tão definidas. Nada é explícito em suas músicas perfeitamente compostas.
A poética de WALTER é construída em cima do que ele “sente” sobre o que pretende expressar. Falava e escreveu pouco. É sintético; e quem o escuta interpreta. E tenta desvendar a intenção .
Claro, isto incomoda – e muito! Porque não se coaduna à nossa cultura racionalista e verborrágica. WALTER era, delicadamente, o anti-DYLAN; o anti-CHICO; e o anti-GIL.
Talvez haja na música dele aspectos convergentes a CAETANO. Existe certo consenso de que o revolucionário e destemido ARAÇÁ AZUL, de 1973, em parte foi “desafiado” pela ousadia de WALTER, detonada por “CABEÇA”, em 1972.
Que o novo tenha prioridade, quem sabe tenha pensado CAETANO VELOSO, captando energias liberadas pelos CONCRETISTAS, a professora JOCY de OLIVEIRA, SMETAK, os TROPICALISTAS e o ROCK PROGRESSIVO, que já rolava solto. CAETANO reagiu rapidamente….
Eu sei, é “conversa de urubu” enfiada nesse texto, feito JABUTIS nos Projetos de lei do nosso CONGRESSO.
CABEÇA, é um misto de “KRAUTROCK ELETROACÚSTICO”, totalmente experimental, e MÚSICA e POESIA CONCRETA de verdade. Havia concorrido no F.IC. – SÉTIMO FESTIVAL INTERNACIONAL DA CANÇÃO, em 1972; onde WALTER encarou o auditório com atitude que misturava o “ZEN, o CONFORMADO e o CORAJOSO”. Esteve sob vaias, ameaças, apupos e adorações!
Depois, a obra foi incluída em “OU NÃO” álbum concebido em 1972, mas lançado em 1973.
CAETANO VELOSO é, também, um racionalista que sabe trabalhar com o sensível elaborado, e é menos conservador na forma do que os seus companheiros de geração.
Hoje, WALTER FRANCO certamente seria um anti-RAP e contra o falatório POP imperante na música.
A cultura brasileira é barulhenta demais para um sujeito reflexivo até quando faz um ROCK PESADO e incômodo.
Quando apresentou CANALHA, em outro FESTIVAL, na década de1980, causou reboliço, também!
ZIRALDO, o grande cartunista e artista gráfico, foi o excelente MESTRE DE CERIMÔNIAS. E quando foi anunciar, sorriu irreverente: “Xiiiiii, agora vamos ver o que acontece!!! Aqui, no palco, um iconoclasta único”!!!
CANALHA tem letra tão boa, sui-generis e impactante, que você a decora e viaja perseguindo e praguejando contra essa dor de alma indefinida, sorrateira, “mau caráter”, CANALHA! E, claro, é ROCK poderoso emulando FEITO GENTE, que abre REVOLVER, de 1972.
Eu me recordo quando entrei na FFLCH da USP, em 1974, e aconteceu um seminário com luminares da política, sociologia, artes, psicologia, etc… Foi um passaporte para outro universo ao mesmo tempo integrado e paralelo ao Brasil.
Quem falou de música, quase sob vaias, foi a jornalista e crítica ANA MARIA BAHIANA, detentora de legitimidade incontestável.
Questionada sobre censura e outras violências do regime militar, ela propôs: “se as palavras, e as letras das canções estão fragilizadas, censuradas, impedidas; então, por que não focar mais na construção da “música” para expressar o protesto?”
Imaginem o bacobufo que ela causou!!!!
Pedi, recentemente, para ficar amigo de ANA MARIA aqui nas redes sociais . Ela aceitou. Então, comentei o episódio, e se ela recordava aquele momento. Resposta precisa: “Eu não esqueço de nada”. Dou fé!
Então, se bem o interpreto, WALTER FRANCO fez isso: conjugou a experimentação sonora à não explicitude racionalista de suas mensagens. Viagens contínuas; recado passado; efeito retumbante – Inclusive politico!
WALTER FRANCO antecedeu a ARRIGO BARNABÉ, outra persona não grata e imprescindível! E ambos tornaram-se incômodos quase invisíveis, mas presentes e perceptíveis, …
Afinal de contas, nem a MÚSICA CONCRETA é tão palpável assim!
REVOLVER… OU NÃO?
POSTAGEM ORIGINAL: 23/11/2022
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“NO REINO DA BAIXARIA”: ARTISTAS QUE USAM O BAIXO DE MANEIRA EXPRESSIVA E ALÉM DO CONVENCIONAL.

Ora, perguntarão vocês, damas e cavalheiros, o que têm os cinco discos em comum?
E tio SÉRGIO lhes responderá: superlativos trabalhos de CONTRABAIXO no ROCK, e redondezas! E, para misturar e quase confundir, são estilos, gêneros e épocas diferentes.
1) THE ELECTRIC PRUNES era só um nome. E as bandas sempre foram montadas e remontadas por DAVID PONCHER e o produtor DAVID AXELROD, os donos do conceito e do nome.
Em cada disco gravado os músicos são diferentes. Fizeram uns cinco ou seis. Entre eles, três obras primas do ROCK PSICODÉLICO:
O primeiro, “THE ELECTRIC PRUNES”, 1967, é ROCK DE GARAGEM e PSICODELIA seminal.
O segundo, “MASS IN F MINOR”, é missa católica cantada em latim, e tocada como se JIMI HENDRIX e o BLUE CHEER tivessem entrado em colisão na porta de uma catedral! Mais outro álbum magnífico!
“RELEASE OF AN OATH”, lançado em 1968, é um ritual e prece judaicos, criado por AXELROD e o engenheiro de som DAVID HESSINGER. Foram contratados músicos de estúdio de alto nível para realizá-lo em 48 horas!
Nele tocou CAROL KAYE, para o TIO SÉRGIO, a “MAIOR BAIXISTA DA HISTÓRIA DA MÚSICA POP”, que dá um show! Aliás, era o que TIA CAROL costumava fazer gravando com gente tão variada como FRANK SINATRA e os BEACH BOYS. Ela participou em mais de dez mil sessões de gravação!!!! Ensinou gerações de craques a tocar baixo e guitarra!
2) Na outra ponta, “crossovers” em direção ao JAZZ FUSION: o BACK DOOR e o MORPHINE são trios; e têm SAX, muitos e distintos SAXES! Além, claro de “BAIXARIA” fenomenal!!!!
Tempos atrás, o meu amplificador pifou. Mandei consertar, voltou; e fui fazendo testes para ver se ficou bom.
Sim!
Sempre uso o MORPHINE, o CARAVAN e o MASSIVE ATACK para AJUSTAR os GRAVES. São discos soberbos tecnicamente, por causa da dinâmica, e do som saturado perfeitamente captado durante as gravações.
Eu observo o som do BAIXO para ajustar a posição das caixas acústicas em relação ao ambiente; e extrai o som mais correto possível do instrumento. A exigência maior é que se destaquem os “Recortes” – termo técnico da audiofilia, para identificar nas gravações a correta posição de cada instrumento em relação aos restantes.
O teste é fundamental para desclassificar ou aprovar a qualidade técnica, e a adequação de um “Amplificador” e das caixas acústicas também. Ouça com atenção, porque funciona.
3) Eu adoro o CARAVAN! Principalmente o álbum “WATERLOO LILLY”, gravado na DERAM em 1974. É FUSION JAZZ e ROCK PROGRESSIVO condensados de maneira única e inconfundível.
O trabalho de RICHARD SINCLAIR, no BAIXO, é um show de precisão, ritmo, andamento e criatividade. Experiência Imperdível!
4) O MORPHINE é bem conhecido, e mais atual. Destaca o SAX BARÍTONO de DANA CULLEY – carregado, denso, roncando ao limite das caixas! – em diálogo com a BATERIA.
E há, é claro, o BAIXO estonteante, onipresente; andamento e ritmos perfeitos, conduzido por MARK SANDMAN, precocemente falecido. É aula de gingado e fúria; técnica e “SOUL”.
E o VOCAL de MARK, entre o TENOR e o BARÍTONO, completa e faz integrar o conjunto que leva o uso do GRAVE ao espetáculo, e ao limite técnico das caixas que, se bem posicionadas, fazem a gente perceber o SHOW DE BOLA que o trio faz acontecer!!!!
O MORPHINE é banda essencial. E “CURE FOR PAIN”, lançado em 1992, é o disco resumo do estilo e arte que legaram.
5) Já o BACK DOOR é conhecido por poucos. Trio excelente, criado em 1972, na INGLATERRA, fez três discos irrequietos, estranhos; que obtiveram nenhum sucesso de vendas.
Mas são originais, para dizer o mínimo. RON ASPERY, o SAX ( geralmente ) ALTO, se autodeclarava um cruzamento de CHARLIE PARKER, ORNETTE COLEMAN, JOHN COLTRANE e KING CURTIS. Um cara modesto, é claro…
Porém, o coração do grupo é o extraordinário baixista COLIN HODGECKINSON. Onipresente, ele garante a base FUSION/ROCK/PROGRESSIVA, mesclada com doses de BLUES à ROBERT JOHNSON e LEADBELLY. Sensacional, para resumir!
Por óbvio, o batera TONY HICKS é suficientemente bom para encarar e segurar as estripulias dos outro dois.
HODGECKINSON fez carreira prolífica. Acompanhou Deus e o mundo: de WHITESNAKE a MICK JAGGER. E assumiu o baixo no TEN YEARS AFTER, por volta de 2014. É Um virtuose algo exibicionista e inquieto.
6) Para completar, procure ouvir o MASSIVE ATACK. Este disco, MEZZANINE, lançado em 1998, é um portento do chamado TRIP-HOP. Absolutamente DARK, claustrofóbico, e uma profusão de tons e execuções em GRAVE. É treino para retumbar os tímpanos, desterrar os vizinhos, e testar a qualidade do equipamento de som.
Discos, ou CD, são artefatos que não tocam legal se o sistema não estiver bem ajustado. Mas são espetáculos à parte, quando as caixas e cabos estão bem postos. Eu uso seguidamente o MASSIVE ATACK para sentir o peso dos instrumentos. Recomendo de verdade para quem gosta de ROCK, POP, FUSION, e sei lá mais o quê…Quando toco MEZZANINE alto a “gataria” da vizinhança mia mais do que a “cachorrada” late!!!
Estes cinco discos excepcionais são peças para colecionadores de VANGUARDAS, FUSÕES, ROCK PROGRESSIVO …, e o mais sei lá o quê!
Procurem e ouçam. São fundamentais, instrutivos e bastante divertidos!
POSTAGEM ORIGINAL: 26/11/2022
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STACEY KENT – JAZZ SINGER VERSÁTIL

GOSTO MUITO!
STACEY É ECLÉTICA E DEDICADA. ENTENDE O QUE ESTÁ CANTANDO, INTERPRETA COM VIGOR, E NÃO BALBUCIA PALAVRAS ININTELIGÍVEIS, PORQUE ESTUDA AS LÍNGUAS E OS COMPOSITORES.
SEU “APPROACH” COM A MPB É INTENSO. TOM JOBIM É DESTAQUE PELA QUANTIDADE E A ÓBVIA QUALIDADE DO REPERTÓRIO.
CANTANDO EM FRANCÊS, STACEY KENT FICA TÃO CONFORTÁVEL QUANTO NAS INTERPRETAÇÕES EM INGLÊS. ELA É CANADENSE, UM FACILITADOR MULTICULTURAL.
STACEY TEM VOZ DELICADA, FEMININA, AGRADÁVEL. CANTA MUITO BEM! A BANDA É PRECISA, E OS MÚSICOS EXCELENTES!
TIO SÉRGIO RECOMENDA QUAISQUER DOS CDS DA FOTO.
AOS BRASILEIROS, INDICO PRINCIPALMENTE O COMBO “AO VIVO COM MARCOS VALLE”,
JUNTANDO CD E O DVD – UM MUST EM ALEGRIA E ARTE, FEITO COM ESTE MÚSICO, CANTOR E COMPOSITOR ÚNICO! MARCOS É MUITO MAIS APRECIADO LÁ FORA DO QUE NO BRASIL.
A TODA VEZ QUE SÃO LANÇADOS DISCOS DE STACEY KENT EU VOU ATRÁS! HÁ QUEM PREFIRA MELODY GARDOT. QUESTÃO DE GOSTO.
OUÇA AS MOÇAS. DEPOIS, ENTRE NA DISCUSSÃO E OPINE. APOSTO QUE VOCÊ VAI FICAR COM AS DUAS!
POSTAGEM ORIGINAL: 24/11/2028
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BLUE NOTE – COLLECTOR’S EDITION – 25 CDS BOX – LIVRO “THE COVER ART OF BLUE NOTE”

Coleções a gente amplia buscando a adequada literatura, a “memorabilia” compatível e qualquer objeto que expanda sua abrangência.
O LIVRO e o BOX foram comprados separadamente, não formam COMBO. São 240 páginas. O livro é a coleção de capas criadas pelo designer REID MILES, em conceito um tanto indefinível; mas captando o MOOD, o SOUL o HIP que perpassa o acervo magnífico de LONG PLAYS lançados pela BLUE NOTE RECORDS – principalmente entre os anos 1950 e 1960, claro!
E os CDs?
Estão no BOX OS 25 principais e fundamentais discos da gravadora BLUE NOTE! Por lá, GRANT GREEN, THELONIOUS MONK, ART BLAKEY, JOHN COLTRANE, SONNY CLARK, JIMMY SMITH, DEXTER GORDON, SONNY ROLLINS, KENNY BURRELL, CANNONBALL ADDERLEY, LEE MORGAN, MILES DAVIS…
Em princípio, formam edições atualizadas, buscadas nos “MASTERS “ES” ) ORIGINAIS”. E as capa são MINI-LPS com faixas bônus. Acompanha o LIBRETO, inclusive, falando sobre cada disco, ficha técnica e vasto escambau a quatro….
Um artefato muito bonito, “por supuesto” , feito no Japão, mas um tanto simples. E a preço bastante popular quando fo lançado, há uns… alguns… anos.
Paguei menos de R$ 500,00 mandacarus, R$ 20,00 por CD, cerca de $ 4 dólares por disco. O som é muito bom!
A MÚSICA?
Ora, é a Nata da produção dos caras.! Panorama sobre a importância e o significado artístico da gravadora.
Pode ser o princípio ou a essência de uma coleção de discos de JAZZ, com vocação para expandir- se – e muito!
É objeto CULT e COLECIONÁVEL ao infinito! Em alto nível, como outros diversos feitos por gravadoras como PRESTIGE, VERVE, e por aí adentro.
Um BOX dessa monta, é Jeito adequado de apreciar quitutes incomparáveis!
Vale tentar! Se liguem!
POSTAGEM ORIGINAL: 24/11/2019
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ARTISTAS RECALCITRANTES, INVENTIVOS OU SIMPLESMENTE EVAPORADOS

Eu sou um recalcitrante.
E que porra é isso, TIO SÉRGIO, seu “VAGO LUME DEAMBULANTE”?
Eu tenho dificuldades para adequar-me; resisto a obedecer. Meu espírito é antiautoritário. Mantenho a ilusão de ser independente. E pratico um ritual: se os tempos vão à esquerda, eu os espreito à partir da direita, para assestar o foco.
E vice-versa; porque o vício sempre versa… hummm!!! Tenho críticas – quase sempre. Não sou gregário – e menos ainda, partidário. Concordo muito comigo mesmo. ‘A exceção de frequentemente…
Então, o TIO SÉRGIO trouxe para vocês coisas um tanto oblíquas que mantenho na discoteca. Discos estranhos, entranhados na alma, e que estão comigo há anos. E a maioria permanecerá.
Será?
Eu garanto que são de alguma forma interessantes. Parte deles, apenas pelo fato de existirem e trazerem um quê indefinido. Outros, porque feitos por gente criativa, não conformista e nem conformada. Não são para curtir direto. E alguns, uma vez só já foi bom demais…
Vamos farejar:
1) CID CAMPOS, filho do poeta AUGUSTO DE CAMPOS, É músico e produtor. Cara bem formado e culto. Saiu da turma do TEATRO LIRA PAULISTANA, fábrica informal de contestações, propostas, ideias não alinhadas ao sistema. Coisas acontecidas no princípio dos 1980. CID é da mesma geração de ARRIGO BARNABÉ, VANIA BASTOS, GRUPO RUMO, LÍNGUA DE TRAPO e etc…
“NO LAGO DO OLHO” saiu em 2001. Foi susto POP sofisticado. Por injunções imprescindíveis, também está nesta gravação ARNALDO ANTUNES – garantia de boa poesia. E a produção estava em dia com a vanguarda: instrumentação eletrônica e o vasto etc…. daqueles tempos.
Se cruzar com isto compre.
2) Eu conheci PRISCILLA ERMEL. Fomos rigorosamente contemporâneos na FFLCH da USP. Entramos em 1974 e nos formamos em 1979. Convivemos, mas nos falamos pouco. Eu estudava a noite e ela de tarde.
PRISCILLA é muito inteligente e criativa; pessoa querida pelos colegas. Ela se dirigiu prioritariamente para a ANTROPOLOGIA. Hoje, é pós doutora, dá aulas de ETNOMUSICOLOGIA, e sobre as várias integrações possíveis entre a antropologia, a música, e as artes visuais.
Além de textos acadêmicos, fez uma peça de teatro infantil, BOI BONIFÁCIO. Gravou, também, discos do que hoje chamamos NEW AGE / WORLD MUSIC. Tudo bem pesquisado, interessante, bonito e musicalmente relevante.
Aqui, uma coletânea retirada de seus três primeiros LPs, lançada em 1994. Se encontrarem, não percam. Este ficará comigo para sempre. E espero um dia saber da PRISCILA; ou cruzarmos nas redes sociais.
3) Na linha de PRISCILLA, há o interessante disco de MAY EAST, ex-GANG 90 E ABSURDETES – grupo CULT formado por JÚLIO BARROSO em plena NEW WAVE pátria.
TABAPORA foi lançado pelo meu amigo@Rene Ferri em sua gravadora WOP BOP, em meados dos 1980. A minha edição é de 2000, e vai continuar comigo.
MAY EAST “simplesmente” inventou a WORLD MUSIC!!!!” Hoje, tem vida acadêmica, e é referência internacional em sustentabilidade. Se encontrarem por aí, devorem! Não tenham pudores…
E mais três recalcitrantes:
4) MARCONI NOTARO, compositor, escritor e vida torta, fez esta pedra basilar do colecionismo, em 1973. NO SUB – REINO DOS METAZOÁRIOS” está entre os discos que foram para o ralo numa inundação, que destruiu a imensa maioria do estoque, no depósito da gravadora ROSEMBLIT, em Recife:
Inclusive o mítico PAEBIRU, de LULA CÔRTEZ e ZÉ RAMALHO.
MARCONI é tipo juntar RAUL SEIXAS com SAMBA “ANÁRQUICO” – meu Zeus, TIO SÉRGIO…. O disco tem letras bem escritas e instigantes. O vinil você não encontrará, e talvez nem este CD. É de coleção, mesmo.
5) WALTER FRANCO?
Bem, é WALTER FRANCO. O álbum “OU NÃO”, de 1973, traz CABEÇA ( um “KRAUT talvez ROCK” ?) totalmente experimental e certamente inspirada pela obra de nossa “compositora – gênio alternativa”, JOCY DE OLIVEIRA.
“CABEÇA” foi vaiada pela turba “MPBÓIDE” radical, em um festival de música, no ano de 1972, aqui no HOSPÍCIO DO SUL.
Os alemães começaram com isso: são os pioneiros da música ELETROACÚSTICA, na década 1950, com STOCKHAUSEN e outros.
Depois, no final dos 1960, início dos 70, criaram o PROGRESSIVO da terra dos SCHNAPS, apelidado mundo afora por KRAUTROCK. Hoje, é estilo consagrado e cheio de descendências e consequências. WALTER FRANCO trouxe para cá e CAETANO caiu de… hummm… cabeça dentro da nova perspectiva por ele aberta., com ARAÇÁ AZUL, 1973.
CABEÇA é obra Imperdível e inolvidável -deixa de ser pernóstico, TIO!
6) Mais recente, outra gravação fora do óbvio. O encontro ao vivo, em 2015, de ARRIGO BARNABÉ, LUIZ TATIT e a cantora LÍVIA NESTROVSKY. É tudo o que você tem direito em letras não convencionais, instrumentação experimental e estranhamento explícito. Muito legal! Mas para poucos orgasmos. É para conhecer, ter e, vez por outra, retomar.
Ahhh, Favor não esquecer do verso definidor e definitivo em BABEL:
“Ser humano é tudo igual
É bem bom mas é falho;😀😀
Ser humano é cerebral
CEREBRAL, O CARALHO!”
Alguém duvida?
7) FREE BOSSA é obra fora do esquadro do NOUVELLE… hã… CUISINE. É disco criativo, mesclando eletrônica e instrumentos convencionais. Vai de “I LOVE YOU PORGY” a “MULHER RENDEIRA”. E passa pelo delicioso quase HIT recôndito: “SAIR DO AR”. Excelente!
😎 NEYDE FRAGA? Sim, “MAIS BALANÇO” é disco mesclando SAMBA, BOSSA, SWING – JAZZ, e com direito a câmara de eco e reverberação em uma das músicas! Foi gravado em 1965!!
Pois, é; por isso está na coleção.
9) MORENA BOSSA NOVA”, é de 2003. CLARA MORENO, é filha de JOYCE E NELSON ANGELO, e fez disco agradável de NEW BOSSA dançável e moderninha. Mescla BOSSA NOVA com MÚSICA ELETRÔNICA. Dá festa!
10) Por falar em dançar, pulem com DAÚDE. “SIMBORA”, 1999, é TECHNO SAMBA-POP com PERCURSÃO AFROBAIANA.
Tudo junto ao mesmo tempo, tio SÉRGIO? Será?
É.
Artefato excelente, anima qualquer rastapé; e é muito, mas muito mais legal do que IVETE SANGALO et caterva. DAÚDE é diferenciada.
11) Para encerrar, o BATACOTÔ, traz BRASILIDADES AFRO em música de primeira linha. Estão no projeto os convidados DIONNE WARWICK, GILBERTO GIL, ERNIE WATTS, LENINE, e o violinista JERRY GOODMAN, ex – MAHAVSHNU ORCHESTRA! Todos acompanham um grupo sui-generis em disco inusitado, sofisticado e algo difícil de encontrar.
Pra exemplificar a zoeira, um verso de “QUITAMBÔ”:
” No meio do mês de maio
É festa do véio laio
que inventou a gandaia
que toca tambô na praia
pra gente qui num trabaia
Pra gente da tua laia
Por isso é que nóis num faia…”
Se encontrar por aí vai ser baratinho. E num faia!
Pois é, turma: postei seleção de recalcitrantes e inesperados de verdade. Gente que disse “NÃO” a várias coisas. Porém, a o caminho para o “SIM” em outras muito mais interessantes!
Mas, quem “faiou fui eu”. Acabei vendendo este exemplar e o disco da DAUDE… Enfim;
POSTAGEM ORIGINAL: 23/11/2020
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E.C.M. RECORDS – PRODUÇÃO ECLÉTICA E GENIAL: EU QUERIA SER MANFRED EICHER!

Eu admiro muita gente. Mas invejar, invejo poucos – muito poucos! Entre alguns, está MANFRED EICHER.
Pois, não, madame, cavalheiro e adjacências, vou dizer um pouco sobre o incensado: MANFRED é alemão, músico e produtor de discos. Fundou a E.C.M. RECORDS (EDITION OF CONTEMPORARY MUSIC ), em 1969; gravadora única, dirigida ao JAZZ, WORLD MUSIC, CLÁSSICOS, e MÚSICA CONTEMPORÂNEA; é criadora de linguagem própria. Seus artistas e repertórios têm alguns “quês” e qualidades originais, distintos do cotidiano.
MANFRED tem feeling para escolher músicos formidáveis do mundo inteiro; às vezes, combiná-los com outros; e sempre garantindo liberdade criativa produzindo, ao mesmo tempo, sonoridade diferenciada, mas identificável. Ele é um gênio da produção, deixa sua marca sem descaracterizar – muito ao contrário! – a obra do artista.
Entre centenas de músicos, grupos e pequenas orquestras, MANFRED EICHER produziu e revelou para o mundo talentos como PAT METHENY, KEITH JARRETT, EGBERTO GISMONTI, JACK DeJOHNETTE, RALPH TOWNER, JON GARBAREK ; e o talvez maior compositor CLÁSSICO ( vá, lá, ERUDITO… ) CONTEMPORÂNEO, o armênio ARVO PART – que grava na subsidiária E.CM. NEW SERIES..
EICHER é eficiente, eficaz e prolífico. Grava os artistas em dois dias, e mixa o material em mais um! Três dias e você tem uma obra de arte pronta! E, sempre, no mínimo significativa e de muita qualidade!
Ele Já “fez” mais de 1.200 discos!!! Por isso, foi eleito o produtor do anos pela revista especializada em JAZZ. “DOWN BEAT” dez vezes, em 1976, 2008, 2009, 2010, 2011, 2012, 2013, 2014 e 2015 … e por aí vai – por enquanto.
Os LONG PLAYS da ECM começaram a sair no Brasil no final dos anos 1970. Eram magníficos! Capa, produção e sonoridade de
primeira, verdadeiros objetos de coleção.
Hoje, posto “algoutros” ( tá, tá, tolerem: contração que inventei para “alguns + outros”… ) CDS: CARLA BLEY – BIG BAND THEORY, 1993; JAN GARBAREK – IN PRAISE OF DREAMS, 2004; JOHN SURMAN…, NORDIC QUARTET, 1995; BOBO STENSON TRIO – INDICUM, 2012; CHRISTIAN WALLUMROD ENSEMBLE, FABULA SUITE LUGANO, 2009; e quatro de ARVO PART – TABULA RASA. 1984; MISERERE, 1991; LITANY, 1996; SAMCTUARY, 1998.
Por isso, se budistas e hinduístas tiverem razão, quando eu morrer quero voltar “remasterizado” em MANFRED EICHER.
Eu juro que aviso vocês se isto acontecer!
POSTAGEM ORIGINAL  REVISTA E ATUALIZADA DE: 21/11/2027
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MARISA MONTE: MAESTRINA DE SUA PRÓPRIA POLÍTICA E CRIAÇÃO

MARISA MONTE é um elo curioso entre a tradição da música brasileira e a vanguarda que a excede e transcende.
A nova MPB e o POP NACIONAL contemporâneo têm parte da genética trazida por ela, e cultivados milimetricamente por sua estratégia de carreira, com muita paciência,O bom gosto e calma.
Para uma cantora excelente, versátil e talentosa, quase 40 anos de sólida reputação e grande sucesso de crítica e comercial, MARISA gravou pouco e esparsamente.
Apenas doze discos originais, e alguns DVDs. Participou de projetos e lançou coletâneas. Em compensação, fez shows, muitos shows, todos de enorme sucesso de público.
Mas fiquei intrigado que tenha vendido em torno de dez milhões de álbuns, em tanto tempo de carreira. É pouco demais.
Seria?
MARISA MONTE soube colocar-se no ápice do mercado: é simultaneamente lúdica e lúcida; cult e popular; um mito sem permitir que se transforme em ícone expostos à luz do templo, e à “sanha” das massas.
Ela começou muito jovem, aos 19 anos. Gravou MM, 1989, disco ao vivo em que demonstra seu potencial e talento. Vai do jeito GAL COSTA de cantar, passa por algo BLUESY no vocal, e repertório eclético, de samba a PORGY and BESS. Foi muito bem sucedida, inclusive graças à produção de NELSON MOTTA. Dali, foi HIT atrás de outro…
MARISA é carioca típica, mas discreta. A gente percebe o acento inconfundível daquele RIO DE JANEIRO sofisticado, classe média alta. E vou tomar emprestados dois verbos para tentar definir: “escandindo” tradições, e “instilando” vanguardas e novidades. MARISA MONTE conjuga esses dois polos que ela, também, tornou complementares.
No passado, NARA LEÃO transitou da BOSSA NOVA para o alto do morro. E, de lá, ajudou a trazer a grande tradição popular do SAMBA para os jovens, a classe média emergente, e o confirmado respeito intelectual.
O magnífico SAMBA também foi veículo de resistência àqueles tempos duros, nos 1960/1970.
E, não esqueçamos: foi NARA quem defendeu os novos compositores, as doideiras da TROPICÁLIA, em 1967; e o uso de guitarras elétricas, e a nova imbricação que se intrometia entre o ROCK DE FORA e a mais legítima MÚSICA BRASILEIRA.
Sob esse aspecto, NARA é precursora de MARISA.
MARISA justapõe e às vezes mescla a verdadeira música de raiz brasileira.
Incentivou, sem clubismo, as grandes ESCOLAS DE SAMBA do Rio. Produziu e gravou os compositores da PORTELA, e da MANGUEIRA, também, em discos diferentes, e em seus próprios ambientes. Resumindo: respeito, dedicação e reverência.
Além de moça elegante e bela, MARISA tem como parceiro a mais completa tradução de competência, gentileza e arte das tradições cariocas: PAULINHO DA VIOLA. Credencial e passaporte insubstituíveis!
Compondo seu próprio mosaico, MARISA tem discernimento e critério na seleção de parceiros.
Incentiva arranjos diferenciados, e mantém o pensamento focado em fazer de cada disco uma obra única e, se possível, prima! Conseguiu?
Não vou enfrentar essa discussão.
Mas há tratamentos inusitados em cada projeto, como TUBA em lugar do BAIXO; mais HARPA, CUÍCA, RECO-RECO e SINTETIZADORES. E até um “BABY SITAR” – que mal consigo pensar que porra seja essa – a não ser que todos juntos, e muito bom gosto a bordo, trouxeram resultados.
MARISA MONTE fez dessas e outras mais. Convocou gente da VANGUARDA JAZZÍSTICA AMERICANA para os discos dela. O saxofonista JOHN ZORN; o guitarrista MARC RIBOT; o produtor e cantor ARTO LINDSEY e o cultuado compositor e cantor DAVID BYRNE – todos experimentalistas.
E não esqueceu gente mais FUNK, tipo o tecladista BERNIE WORRELL, mito da BLACK MUSIC.
E todos mesclados com músicos brasileiros, e moderados pelo talento em produzir da própria Marisa, foram amalgamando e criando um som pessoal, novo e contemporâneo a cada disco realizado.
Aqui, a tradição cedeu lugar ao novo.
E tudo junto ao mesmo tempo agora, aliou-se à vanguarda do ROCK PAULISTA. Os TITÃS preenchem outro lado na tela do mosaico criativo de MARISA:
Em NANDO REIS conseguiu o ar juvenil, um POP SOFISTICADO, mas não muito cabeça. Coisa da hora, para recuperar expressão outrora pertinente.
Com ARNALDO ANTUNES, o POETA que ela trouxe para chamar de “seu”, a química soa perfeita.
A precisão e poder incisivo da linguagem de ARNALDO, temperados com – vou chutar – a delicadeza, sensibilidade feminina e o canto de MARISA, juntam-se a urgência POP à vasta possibilidade que a língua portuguesa permite, versos raros, claros. Diretos da poesia para a canção..
A parceria de MARISA MONTE e alguns TITÃS é anterior. Mas tornou-se efetiva nos TRIBALISTAS, à partir de 2002, com ARNALDO e CARLINHOS BROWN – percursionista classe mundial.
Houve rejuvenescimento POP, às vezes pouco mais do que adolescente que foi, aos poucos, tomando o lugar da experimentação mais escancarada.
Em seu disco, “O QUE VOCÊ QUER SABER DE VERDADE”, isto fica nítido. Apesar das críticas não tão favoráveis como antes.
Eu confesso não gostar da interação vocal entre ANTUNES e MARISA. Acho a voz dele seca, antimelódica – para mim feia. Um baixo barítono lembrando o atual DYLAN. Um tanto diferente para alguém que emulava PETER MURPHY, o vocalista do BAUHAUS… Mesmo assim, o dueto é inusitado e funciona.
O que realmente importa é a alta qualidade média dos discos e a efetivação de uma dupla linguagem, quase sempre distintas: o respeito à TRADIÇÃO, e o POP brasileiro moderno assumido. E MARISA navega sobre os dois com igual competência.
Em 2020 ela trocou de gravadora. Deixou 32 anos de EMI e foi para a SONY. Talvez reflexo de algum estancamento criativo na carreira, já um tanto perceptível. Ou da própria mesmice da música popular, em geral.
Houve novidades anunciadas, um projeto chamado CINEPHONIA, em 2020.
MARISA lançou, também, o disco PORTAS, em 2021. De certa maneira, continuidade ao que vinha fazendo, mas com foco mais nítido sobre o POP, sua linguagem mais bem definida. Melodias bonitas, as parcerias tradicionais, e mais outras…
Muitos reclamaram que MARISA fez mais do mesmo. Eu também achei. Mas, por que exigir dela experimentações, descobertas novas em terreno cego e mal arado, como andam as nossas paragens musicais?
Prefiro que ela fique livre cultivando o belo, dando um tempo. Veremos no que dará. Da minha parte, vou observar e continuar gostando, prometo… Não deixem de curtir MARISA MONTE – é pra lá de prazeroso!
POSTAGEM ORIGINAL REDEFINIDA: 20/11/2020
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JOHN MAYALL, O MESTRE. E A ONIPRESETE FUSÃO ENTRE O JAZZ E O BLUES

TIO SÉRGIO, o MAYALL sempre buscou intervalos de estilos. Ele fundiu BLUES e ROCK, também. E foi eclético o suficiente para não deixar sequelas e arestas mal resolvidas?
Sim; esse foi o negócio dele!
Há formas de fixar o papel do BLUES como inserido no JAZZ – porque sempre aconteceu! Porém, a mestria de MAYALL foi trabalhar doidamente, disco por disco, para explorar os detalhes, as nuances. Criar um catálogo artístico arrancado de si mesmo.
JOHN captou o feeling do BLUES ACÚSTICO de várias maneiras. Adentrou a fusão e sinergia com o ROCK do BEAT/R&B, ao BLUES ROCK, com a formação clássica de guitarra, baixo, bateria e teclado. E foi até a FUSION PSICODÉLICA, por volta de 1967/1968….
Depois, montou várias “pequenas big bands”, com naipes de metal e propostas variadas, subindo as encostas do JAZZ. Chegou à gravadora POLYDOR, em 1969, já pronto; escolado e apetrechado.
JOHN MAYALL tem habilidade, “feelling”, para descobrir; ou buscar a nata dos guitarristas de seu tempo.
MAYALL desvelou CLAPTON, PETER GREEN e MICK TAYLOR. E, também, deu oportunidade para os desconhecidos HIGHTIDE HARRIS e RANDY RESNICK. E trouxe craques da estirpe de JON MARK, FREDDIE ROBINSON e HARVEY MANDEL. Sem citar o alto nível dos vários componentes dos grupos que montou.
Discordando de MAYALL, que achou um trabalho desconexo e bagunçado. Um dos pontos altos de sua carreira foi o álbum duplo BACK TO THE ROOTS, de 1970 – onde ele grava com a maioria dos grandes nomes que o acompanharam na primeira fase, na gravadora DERAM, durante a década de 1960.
Está lá uma das melhores faixas gravadas por ERIC CLAPTON, em toda a carreira dele: a primeira versão de LOOKING AT TOMORROW. Ouçam – é mandatório!
E, outra característica fundamental: apesar de ter gravado, ou lançado quase uma centena de discos, jamais vendeu muito! A exceção foi JOHN MAYALL & ERIC CLAPTON, 1966.
Em compensação, sempre foi sucesso de público e chegou a dar quase 200 concertos por ano! Eu o assisti ao vivo: fantástico!
Os discos que postei aqui compõem o cerne da ULTRA SOFISTICADA e reconhecida FASE POLYDOR, entre 1969/1974, aproximadamente. Porém, falta um disco na minha coleção, o consagrado MEMORIES – gap absurdo!!!! E, há coletâneas exaradas de lá, que deixei de publicar.
Estão aqui postados discos fantásticos explorando de várias maneiras os escaninhos entre o ROCK/JAZZ/BLUES. Bandas com formações diferentes; e intenções artísticas diferenciadas. Eu diria que ele flertou até com opções de um “ROCK/JAZZ PROGRESSIVO”. Gravou ideias amplas, eloquentes e desafiadoras, antes de rumar para a gravadora ABC – mais outra perspectiva muito interessante!
E, detalhe fundamental: JOHN MAYALL não repete repertório, mesmo em discos gravados ao vivo! Um HIGH END POINT inimaginável!!!!!
JOHN MAYALL teve a grandeza, memória, discernimento e capacidade para enfocar sua visão pessoal da vida – porque sempre é, já que escreve sobre experiências próprias, vivências de épocas em que esteve agindo; suas preocupações, e visão de mundo. A ECOLOGIA é tema presente, há bem mais de 50 anos!!!
É claro, ele fez incontáveis covers de seus ídolos – porque viveu, dedicou-se e estudou os mestres.. .E trouxe à cena vários BLUESMEN do passado, revividos e citados ao longo de seus incontáveis discos. Um sujeito grato e solidário.
Ele também é um dos grandes BANDLEADERS da HISTÓRIA ( com H maiúsculo ). Administra o quê pretende atingir; e sempre acrescenta algo novo, dentro deste vasto universo chamado BLUES. JOHN nos legou a dádiva de ampliá-lo além do que fizeram seus antecessores e contemporâneos. Um visionário, às vezes iconoclasta, mas reverente.
TIO SÉRGIO, não seja pândego!!!!
Você o coloca em nível de FREDDIE KING, B.B.KING, ALBERT KING, RAY CHARLES, BESSIE SMITH e muitos outros?
Sim. Eu ouso! E argumento!!!!
Nivela-se aos grandes, ou antecessores. E a contemporâneos e sucessores em vários momentos – e sejam BUDDY GUY, CLAPTON, STEVIE RAY VAUGHAN. E, também, anexos e conexos como ARETHA FRANKLIN e os diversos artistas do R&B desde a década de 1950.
Nenhum desses ousou investigar uma totalidade tão, ou mais amplamente, do que MAYALL!!! E não se trata de ser maior, ou criativamente melhor. Mas de tornar-se mais diverso e abrangente. Ele foi o mestre orientador; o criador diferente, a que tornou- e referência.
JOHN MAYALL dedicou-se ao BLUES e suas adjacências e vizinhanças próximas – ou não – como ninguém mais o fez!
É claro! Não foi perfeito. É cantor algo repetitivo e de recursos limitados; instrumentista adequado, porém meramente acessório à grandeza dos inúmeros que revelou. No entanto, sempre indicou e dirigiu o que pretendia fazer. E fez com entusiasmo e profissionalismo! FRANK ZAPPA, ROBERT FRIPP e JOHN MAYALL forjaram-se instrumentos de suas próprias políticas e destinos. Governadores do próprio legado!
MAYALL É UM MAESTRO, PROFESSOR e PESQUISADOR só comparável aos três acima “convidados” . E mais a uma “dúzia e meia” de uns nove ou dez, como LEOPOLD STOKOWSKY, HERBIE HANCOCK, MILES DAVIS e TOM JOBIM e CAETANO VELOSO…. Por tais virtudes e muito empenho, tornou-se artista fundamental!
JOHN MAYALL está no panteão entre os DEUSES da música popular contemporânea. E a fase POLYDOR é arte da melhor estirpe!
POSTAGEM ORIGINAL: 17/11/2023
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DISCOS MENOS BADALADOS DE ARTISTAS CONHECIDOS:

Todos craques, todos pertinentes em gravações antológicas. Cultivem, é a sugestão do TIO SÉRGIO:
1) PHIL MANZANERA, 801, LIVE. Show de bola, com ENO, SIMON PHILLIPS, FRANCIS MONKMAN, e outros. ROCK PROGRESSIVO diferenciado. Uma lição de contrabaixo com BILL McCORMICK, que tocavacom ROBIN TOWER.
2) CARAVAN, WATERLOO LILY, 1973, entre a FUSION e o PROGRESSIVO. Quem não tem precisa conseguir. O melhor disco da banda, na opinião de Tio SÉRGIO…
3) JEFF BECK, ROUGH AND READY, 1973. FUSION de R&B, linha MOTOWN, e fronteiras inebriantes com o JAZZ. Impecável!
Pensando bem, pecado é não ter. A instrumental RAYHNES PARKS BLUE antecede PAT MATHENY e seu JAZZ POP em uns dez anos. É uma das músicas mais bonitas que já ouvi!!!
4) GENTLE GIANT, IN A GLASS HOUSE, 1974. Entre a magia e o artesanato sonoro puro. O quê acontece após os vidros estilhaçarem é surpreendente e inesquecível.
5) KING CRIMSON, LIZARD, 1970, ROCK PROGESSIVO no melhor estilo clássico. Com JON ANDERSON, DO YES, em alguns vocais; o pianista de vanguarda KEITH TIPPEP; e o genial sax de MEL COLLINS, que esteve com a banda no Brasil, quase 50 anos depois.
6) JETHRO TULL – LIVING IN THE PAST, 1972. Dizer o quê? Tio SÉRGIO diz: é MÚSICA DE CÂMARA executada por exímia banda de ROCK!
7) CURVED AIR, THIRD ALBUM, o melhor da banda, a única páreo para o RENAISSANCE, em 1972. A vocalista SONJA LINWOOD é inebriante com sua contenção e sutil. beleza. ROCK Progressivo de alto nível, e no momento certo.
😎 GENESIS, TRESPASS, ROCK PROGRESSIVO algo BARROCO, com a formação clássica da banda. PETER GABRIEL no vocal. Um espetáculo em lirismo e melodias algo tristes.
9) PROCOL HARUM, SHINE ON BRIGHTLY, no lusco-fusco entre o ROCK PSICODÉLICO e o PROGRESSIVO, 1968. O uso da orquestra, no lado B “IN HELD TWA IN I” é outra aula de pertinência. A lado A é encantamento puro. Espetacular como poucos!
10)) JACK BRUCE, “THINGS WE LIKE” , JAZZ FUSION VANGUARDA, com JOHN Mc LAUGHLIN – ah, não vou dizer o que ele toca…; JOHN HISEMAN, na bateria e o espetacular SAX JAZZY/BLUESY de DICK HECKSTALL-SMITH, pedra preciosa de 1970.
Deu pra ti?
Para mim é encanto puro no decorrer de uns 50 anos!
Tentem!
POSTAGEM ORIGINAL: 15/11/2017
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KEEF HARTLEY BAND -1969/1973 – DERAM RECORDS

Ele é profissional pra valer, habitante dos círculos de BLUES, R&B, ROCK e JAZZ na GRÃ BRETANHA.
Bem no início dos “sixties”, KEEF HARTLEY substituiu RINGO STARR na banda de RORY STORM.
Depois, esteve no ARTEWOODS – banda notável, talvez a melhor do gênero, na frias ilhas britânicas.
O nome vem de ART WOOD, vocalista, e irmão de RON WOOD, guitarrista dos ROLLING STONES. E, junto com JON LORD, tecladista no futuro e lendário DEEP PURPLE; DEREK GRIFFITS, ótimo guitarrista de estúdio; e MALCOLN POOL, baixista, cravaram e gravaram este COMBO excepcional!
Para o TIO SÉRGIO, foi a melhor banda do gênero na Inglaterra em torno de 1964/1965. Procurem escutar…
KEEF HARTLEY saiu de lá para tocar e projetar-se artisticamente nos BLUESBREAKERS, de JOHN MAYALL. Depois, partiu para carreira solo.
Claro, sucesso comercial teve pouco.
Mas realizou discos de qualidade e muito prestígio. Legaram sofisticada FUSION entre JAZZ e outros ritmos e conceitos, o que ajudou a construir mitos naquele rico lusco-fusco sonoro do final dos anos 1960.
As bandas que KEEF forjou foram usinas de experimentalismo, e vanguardas variadas. Parte dos melhores músicos do circuito participou nos discos dele: os saxofonistas CHRIS MERCER, o trompetista HARRY BECKETT, o baixista GARY THAIN, que fez parte do URIAH HEEP, e o vocalista e baixista MILLER ANDERSON. Todos por lá.
Procure conhecê-lo.
Entre os sete LONG PLAYS há de tudo e para todos. O meu predileto é HALFBREED, que elegi em escolha difícil e renhida. Porém, há um show clássico e “barulhento”, todo mixado para destacar a bateria de KEEF – é óbvio! -, gravado no MARKEE CLUB, em junho de 1971. O disco é LITTLE BIG BAND, o de capa azul.
Mas tio SÉRGIO, é bom!
Acho que sim, mesmo que um tanto “over”, e à beira do desequilíbrio em busca de “garantir” que é o disco de um “baterista” – o chefe…
Eu prefiro KEEF HARTLEY esbanjando feeling e técnica em álbuns como MOVING ON, de JOHN MAYALL, gravado ao vivo em 1973; lição de “FUSION JAZZ BLUES e ADJACÊNCIAS”.
No entanto, se você gosta de JOHN MAYALL, BLOOD, SWEAT & TEARS, COLOSSEUM, TEMPEST, e nada restrita companhia, procure saber da KEEF HARTLEY BAND, e seu líder, um craque fulgurante!
POSTAGEM ORIGINAL: 15/11/2019
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