ELECTRIC PRUNES: I HAD TOO MUCH TO DREAM LAST NIGHT – REPRISE – 1967

O DISCO QUE BAGUNÇOU MEUS CINCO NEURÔNIOS ( GENTE QUE ME CONHECE DIZ QUE EXAGEREI: SÃO DOIS OU TRÊS NO MÁXIMO…).
EU NUNCA OUVIRA ALGO TÃO VANGUADA! “SEE EMILY PLAY, DO PINK FLOYD” SAIU UM POUCO DEPOIS.
A RIGOR, THE ELECTRIC PRUNES” ERA UM GRUPO DE GARAGEM “FAKE”, PORQUE MONTADO PELO ENGENHEIRO DE SOM E PRODUTOR “DAVID HASSINGER”, QUE HAVIA TRABALHADO COM DEUS E O MUNDO NO POP, DOS “ROLLING STONES” A “FRANK SINATRA””. ELE MONTOU A BANDA PARA O EMPRESÁRIO “LENNY PONCHER”, QUE DETINHA OS DIREITOS DO NOME.
HASSINGER” USOU, NESSE DISCO, TÉCNICAS DE ESTÚDIO E TECNOLOGIAS INOVADORAS: “DELAYS”, “CÂMARA DE ECO”, “POSICIONAMENTO DE MICROFONES”, E VASTO ETC, CRIANDO UM ARTEFATO SEMINAL E INFLUENTE ATÉ OS DIAS DE HOJE.
EU ACHO QUE OS GRUPOS DE “GOTHIC ROCK” SE INSPIRARAM – E MUITO! – NOS “ELECTRIC PRUNES” DESSE ÁLBUM. OUÇO RESQUÍCIOS EM “THE CURE”, POR EXEMPLO. “LUVIN” PODERIA TER SIDO GRAVADA POR “ROBERT SMITH” E SUA INFLUENTE BANDA…
HASSINGER FEZ, TAMBÉM, MAIS DOIS DISCO REVOLUCIONÁRIOS, COM IDEIAS DE “DAVID PONCHER”, E A PRODUÇÃO E COMPOSIÇÕES DE “DAVID AXELROD. TROCARAM A BANDA INTEIRA PARA EXECUTAR PRIMEIRO: “MASS IN F”, MISSA TRADICIONAL, CANTADA EM LATIM, MAS ACOMPANHADA POR UM GRUPO AO ESTILO “BIG BROTHER & THE HOLDING COMPANY”, QUE ACOMPANHAVA “JANIS JOPLIN”… DEPOIS, GRAVARAM UM CERIMONIAL RELIGIOSO JUDAICO, “RELEASE OF AN OATH”, 1968, NESTA MESMA PROPOSTA.
SÃO DOIS ÁLBUNS FANTÁSTICOS, FEITOS POR BANDA MONTADA NO CANADÁ, E ACRESCIDA POR ALGUNS AMERICANOS. NO ÚLTIMO, HÁ PERFORMANCE MEMORÁVEL DA MAIOR BAIXISTA DA HISTÓRIA DA MÚSICA POP, “CAROL KAYE!!!” SÃO DUAS OBRAS DE ASSOMBRO ICONOCLASTA E VANGUARDISTA!
“I HAD TOO MUCH TO DREAM LAST NIGHT” É DISCO DE ECLETISMO ABSOLUTO. ABRANGE DE “MÚSICA RUSSA” RETRABALHADA EM “ROCK”; PASSA POR ALGO DE “JAZZ”; E TUDO EIVADO POR PSICODELIA DO COMEÇO AO FIM, INCLUSIVE EM BALADINHA POP PARA BAILINHOS ADOLESCENTES.
É BOM FALAR DE MÍSSEIS DESTRUIDORES E INESQUECÍVEIS, COMO A FAIXA TÍTULO; E ARREBENTA NA “PUNKISH” “GET ME TO THE WORLD ON TIME”, ENTRE VÁRIOS.
O TIVE O “COMPACTO SIMPLES” “I HAD TOO MUCH TO DREAM LAST NIGHT”, QUE SAIU POR AQUI, EM 1967. E CONSEGUI A EDIÇÃO ORIGINAL DO LONG PLAY, EM MONO, ACHO QUE EM 1968. COMPREI DO FILHO DE UM PILOTO DA FALIDA VARIG, SEI LÁ COMO CONHECI O CARA… O ÁLBUM ESTEVE COMIGO ATÉ UNS TRINTA E CINCO ANOS ATRÁS…
E ESTÁ ENTRE OS DISCOS QUE MAIS OUVI EM MINHA VIDA INTEIRA – E AINDA OUÇO!
LAMBUZEM-SE!
POSTAGEM ORIGINAL: 29/06/2018
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SEARCHERS – TAKE ME FOR WHAT I’M WORTH – PYE -1965

Entre os discos que mais escutei na vida e de vez em quando ponho pra rodar.
É a minha banda predileta entre os “BEATS” ingleses . Para mim, superiores aos Beatles entre 1962 e 1964. Mas, não conseguiram evoluir para o estágio seguinte, a PSICODELIA, mesmo tendo feito alguns SINGLES de alto nível dentro do estilo.
Esse é um disco de transição, com algum FOLK e música de protesto na linha P.F. SLOAN e DYLAN. O SOM de suas guitarras inspiraram os BYRDS e toda a geração seguinte.
A qualidade da gravação e a performance da banda são matadores para tempos, estudios e equipamentos ainda não tão desenvolvidos
Os SEARCHERS venderam mais de 40 MILHÕES DE DISCOS, nos diversos formatos. E continuavam por aí, até recentemente, em shows de “Revival” e etc.
Os que sobraram aposentaram-se por tempo de serviço e velhice. Gente na faixa dos 80 anos. Mas dizem que topam umas canjinhas se aparecerem.

Procurem ouvi-lo, principalmente os SINGLES. Sem contraindicações. Ao contrário!

POSTAGEM ORIGINAL: 26/06/2018

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DOORS: EDIÇÃO DE 50 ANOS DO PRIMEIRO E SEMINAL LONG PLAY DA BANDA, 2017

EDIÇÃO BONITA, EM CAPA DURA, COM LIVRETO E LP DE 180G MASTERIZADO EM MONO. E MAIS 2CDS, COM AS VERSÕES EM MONO E STEREO DO ÁLBUM ORIGINAL, LANÇADO EM 1967.
E, AINDA, UM TERCEIRO CD CONTENDO O HISTÓRICO “CONCERTO” NO “MATRIX CLUB”, EM 1967. ALIÁS, É HORROROSO E AMADOR! MAS, QUEM JÁ OUVIU OS “DOORS” AO VIVO SABE QUE MUSICAL E TECNICAMENTE, NÃO ERAM LÁ ESSAS COISAS; MITO E ESTARDALHAÇO A PARTE… MAS, A ENERGIA EMANADA….
O TEXTO NO BOX DIZ QUE EM “PELO MENOS ALGUMAS FAIXAS”, FOI O PIANISTA E TAMBÉM BAIXISTA, “LARRY KNECHTEL”, QUEM TOCOU OS BAIXOS. PARA MIM ESTÁ CLARO QUE ELE TOCOU NO DISCO INTEIRO!
“LARRY” , MUITO COMPETENTE, FEZ O PIANO EM “BRIDGE OVER TROUBLED WATERS”, DE “SIMON & GARFUNKEL”, TAMBÉM GRAVAÇÃO ICÔNICA E INESQUECÍVEL. E, DEPOIS, TORNOU-SE PARTE DO “BREAD”, BANDA POP DE ENORME SUCESSO, NO INÍCIO DA DÉCADA DE 1970.
EU OUVI O CD COM VERSÃO STEREO. A REMASTERIZAÇÃO FICOU BOA, MUITO TRANSPARENTE E MUSICAL. O BAIXO AGORA ESTÁ BEM EVIDENTE E PULSANTE. TUDO NO LUGAR.
O PRIMEIRO ÁLBUM DOS “DOORS, QUANDO FOI LANÇADO ERA MATADOR! O ÓRGÃO DE “RAY MANZAREK”, A GUITARRA DE “ROBBIE KRIEGER” E, PRINCIPALMENTE, A VOZ EMOCIONANTE E DOMINADORA DE JIM MORRISON, TORNARAM LENDÁRIAS CANÇÕES COMO “THE CRISTAL SHIP”; O HARD BLUES EM “BREAK ON THROUGH”; A SENSUALIDADE PESADA, BLUESY E CONFUSA DE “BACK DOOR MAN”; O ROCK DINÂMICO DE “TAKE AS IT COMES”. E, O GRANDE “BLUES-ROCK-PSICODÉLICO” CANTANDO O LASCÍVIA EM “LIGHT MY FIRE”, COM OS RIFFS E SOLOS DE ÓRGÃO TOMANDO O MUNDO…
E TUDO ISTO CULMINANDO EM “THE END”; INCESTO, VIOLÊNCIA E POESIA CANTADOS EM CLIMA “DARK”; UMA DAS PRIMEIRAS CANÇÕES ENUNCIADORAS DO QUE FARIA A TURMA DO ‘GOTHIC ROCK” DEZ ANOS DEPOIS; E TUDO PENETRADO E CONDUZIDO PELA VOZ BARÍTONO DE “JIM MORRISON” EM SEUS ESCRITOS E POESIAS ÚNICOS.
THE “DOORS”, O ÁLBUM, É UM CLÁSSICO IRRECORRÍVEL. MARCA AO MESMO TEMPO A CHEGADA TRIUNFANTE E O INÍCIO DA PROGRESSIVA E DECADENTE CARREIRA DE JIM MORRISON RUMO À PRÓPRIA DESTRUIÇÃO FÍSICA E MENTAL…
COMO SEMPRE, O DISCO DEMOROU MUITO PARA SAIR NO BRASIL – JÁ EM 1968, SE BEM RECORDO. E, QUANDO VEIO, A QUALIDADE GRÁFICA DA CAPA, E DO SOM TAMBÉM, DEIXARAM MUITO A DESEJAR. O ENTUSIASMO INICIAL JÁ ESVAÍA…
NO LONG PLAY SEGUINTE, “STRANGE DAYS, 1968, A VOZ DE MORRISON JÁ NÃO ERA A MESMA. APESAR DA EMOÇÃO QUE CONTINUAVA A TRANSMITIR…
PORÉM, JIM MORRISON PERMANECEU MUITO ALÉM DE SEU PRÓPRIO MITO. OS RITOS SEGUINTES CRIARAM A LENDA CONSTATANDO A NARRATIVA DE UM ARTISTA MALDITO, E ASTRO ALTERNATIVO DE FAMA CRESCENTE, E PERFORMANCE DESCENDENTE.
ENTRE 1968 E 1971 HOUVE OUTROS DISCOS COM ALGUMAS FAIXAS BOAS, MAS, A GANGORRA DE SEMPRE. E A QUEDA PAULATINA E NÃO REVERTIDA DA BANDA SE EXPÔS…NO CAPÍTULO FINAL, O LENDÁRIO E CULT “L.A. WOMAN”, 1971, APARECE O JIM “MATURADO” EMULANDO OS “BLUES SINGERS” QUE LHE INSPIRARAM… É UM EXPÍLOGO DIGNO PARA UM ÍDOLO SUPERIOR.
A MORTE DE “JIM MORRISON” O REPOSICIONOU AO LONGO DO TEMPO. E SUA RESSURREIÇÃO CONSUMOU-SE EM 1991, COM “THE DOORS, O FILME”, QUE MOSTROU A TRAJETÓRIA METEÓRICA, OSCILANTE E TRÁGICA; QUASE SEIS ANOS DE UM PERSONAGEM ÚNICO, IDÍLICO E MUNDANO, AO MESMO TEMPO…
MAS, TIO SÉRGIO, VALE A PENA COMPRAR O BOX?
PARA OS FÃS, SIM – E MAIS COMO EFEMÉRIDE E RECORDAÇÃO.
PARA MIM, FALTOU A VERSÃO EM “SINGLE” DE “LIGHT MY FIRE”, MAIS PESADA E IMPACTANTE DO QUE A VIAGEM LONGA E PSICODÉLICA DO LONG PLAY. OS “SINGLES” SERVEM PARA ISSO: DAR A REAL! O MURRO DEFINITIVO…

ENFIM, É JIM MORRISON. O REVERENCIEM COMO QUISEREM…

POSTAGEM ORIGIANAL> 27/06/2017

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TRILHAS SONORAS INTERESSANTES FEITAS NA DÉCADA DE 1960

A mais óbvia delas “GET YOURSELF A COLLEGE GIRL” comédia adolescente com sucessos POP da época, principalmente DAVE CLARK FIVE bombando geral na América, entre 1963 e 1966, rivalizando direto com os BEATLES.
Há outros grandes como ANIMALS, STAN GETZ & ASTRUD GILBERTO com Garota de Ipanema, e JIMMY SMITH TRIO.
O Interesse maior enquanto TRILHA SONORA, talvez seja trazer JAZZ, BOSSA NOVA e BEAT, todos contemporâneos, para festas e a música em geral.
As outras todas são mais bem elaboradas, criadas para filmes cults por motivos diversos. E tendo como elementos de ligação a transição da PSICODELIA para o ROCK PROGRESSIVO. Cada uma vale a pena em si mesma.
CANDY, por exemplo, teve elenco estelar. Gente como RINGO STARR, MARLON BRANDO, RICHARD BURTON e a estreante e sexy EWA AULIN.
De quebra, ANNITA PALEMBERG namorada de KEITH RICHARDS e tão drogada quanto ele. A brasileira FLORINDA BOLKAN está, também, por lá.
Enredo? menina e suas “desventuras eróticas.”
A TRILHA é do Guitarrista DAVID GRUSIN, que explora a PSICODELIA com tons JAZZY, , com SITAR, e MÚSICA ELETRÔNICA. Muito curiosa e adequada. Tem BYRDS e STEPPENWOLF para alegrar a festa. É legal de se ter!
A grande crítica de cinema americana, PAULINE KAEL, achou o filme bagunça incompreensível.
“HERE WE GO ROUND THE MULBERRY BUSH”, é
bobagem juvenil: rapaz babaca querendo perder a virgindade. Roteiro de HUNTER DAVIS, biógrafo oficial dos BEATLES.
A TRILHA é boa. SPENCER DAVIS GROUP, sem STEVIE WINWOOD, mas transitando entre o BEAT, o R&B e o ROCK PSICODÉLICO. Está por lá o TRAFFIC na fase PSICODÉLICA. Colecionável!
PSYCH-OUT, 1968, é a estreia de JACK NICHOLSON, que depois atuou em filmes CULTS, como “SEM DESTINO” e “FIVE EASY PIECES”, sempre como anti-herói deslocado existencialmente. É Uma viagem ao Underground de São Francisco.
E a trilha sonora é excelente, transitando entre o GARAGE ROCK dos SEEDS e outros. Destaque para uma das mais belas e sofisticadas canções do SUNSHINE POP: ” THE PRETTY SONG FROM PSYCH-OUT”, com “THE STRAWBERRY ALARM CLOCK” .
UP THE JUNCTION, 1968 , fala sobre as relações pessoais e amorosas entre duas pessoas de classes sociais diferentes.
A trilha sonora e AULA DE ROCK é de MANFRED MANN.
A faixa título em várias versões, do BEAT/R&B ao ROCK PSICODÉLICO ao ROCK PROGRESSIVO.
Temos MANFRED MANN, enquanto músico e grupo, transitando com a mestria que o consagrou no ROCK. Ele está entre os poucos que saíram – se muito bem nas três vertentes.
BLOW-UP 1966 e ZABRIESKY POINT 1970
Visões do grande cineasta MICHELANGELO ANTONIONI, sobre as mudanças geracionais e a entropia das sociedades inglesa e da norte americana, respectivamente.
ZABRISKIE foi um monumental fracasso financeiro. Custou, na época, 20 milhões de dólares e faturou menos de 900 mil dólares!
Hoje, é visto como profético e obra de arte.
TRILHA SONORA ESTUPENDA. O ROCK LISÉRGICO visto em duas vertentes:
PINK FLOYD, na viagem exterior, espacial. E JERRY GARCIA, em périplo interior, mais pessoal.
Você raramente ouvirá um BLUES como LOVE SCENE VERSION 6, out-take do PINK FLOYD. Temos RICK WRIGHT mostrando seu domínio da “intenção” do JAZZ, e o porquê sem o piano e órgão dele a banda não teria decolado.
ANTONIONI, que curtia JAZZ, gostava do GRATEFUL DEAD .
JERRY GARCIA fez a sua parte sozinho, em um enorme teatro vazio, tocando guitarra e criando enquanto assistia às cenas que musicou. O resultado foi tido como coisa de gênio!
Pois bem, GARCIA trabalhou um dia e foi regiamente remunerado. O suficiente para pagar todas as dívidas do GRATEFUL DEAD com a WARNER.
Com o restante do cachê, ele comprou uma casa para morar.
Maluco também habita.
POSTAGEM ORIGINAL: 28/06/2020
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GENE CLARK E O FOLK TRANSCENDENTE

Certa vez, escrevi para o meu amigoLuiz Sérgio Do Espírito Santo “reclamando” não; “declamando” para ele o quanto são parecidas nossas coleções de discos de ROCK dos anos 1950, 1960 E 1970!
Luiz posta e eu sorrio redimido! É vice-versa com certeza! Eu nos CDs e ele – que invejidade! ( óoops… neologismo para mistura de inveja e saudade ) nos LPS , quase sempre edições originais!!!
Então, fizemos um pacto luminoso. A toda vez e por um tempo, que um ousar postar “quase plágios indecorosos”, o outro revida… Vai acabar em almoço! Assim que o bichinho arrogante, o PET COVID, a todos nós liberar.
Pra confirmar que só falamos de flores, o LUIZ mandou um míssil com GENE CLARK!!!
Ahhh, seu incauto! Lá vai um drone com minhas granadas letais!
Somos dois old boys BYRDMANIAXS! E GENE é afeto velho, irresolvido, saudoso! Pra quem não sabe, foi o vocalista dos BYRDS, nos primeiros discos. Um jeito de cantar único. Ele saiu pra solo, em 1966/1967. É cult, é cult, é cult, cult,cult… torço eu, feito o GALVÃO BUENO!
GENE CLARK oscilava dos extremos do FOLK-ROCK para o COUNTRY nem sempre ROCK, com bom gosto
inusual, algo melancólico e alternativo.
Compositor inspirado, melodista irrepreensível, cantor reverenciado e trans-geracional, produziu comparativamente pouco. Mas, quem ouve não esquece; procura, adere!
E você ralhará: po, tio Sérgio, trans-geracional? Cravo no sim! Ele está representado no colecionável “THIS MORTAL COIL”, projeto inglês de ROCK ALTERNATIVO, por seu cold moody , dark e depressivo jeito de cantar, lançado no final dos anos 1980.
GENE era um “ECLÉTICO SELETIVO” e repertório e parceiros. E gravou com os COUNTRY quase RAIZ “THE GOSDIN BROTHERS” e a PÓS PUNK e HEAVY SOUTHERN ROCK, CARLA OLSON!

Está por aqui tudo isso e muito mais! Faça o seguinte: procure o imortal GENE CLARK, que nos deixou há uns 30 anos e não pediu licença pra nenhum dos Sergios aqui…

POSTAGEM ORIGINAL: 28/06/2020
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JOE COCKER – 1944/2014 – E AINDA NÃO REVISITADO –

JOHN ROBERT COCKER tinha talento natural, voz rouca e potente, diferenciada e personalíssima. Era cantor mais para o SOUL, o RHYTHM´N´BLUES e o FUNK. E menos para o BLUES.

Era um cantor emocional, derramado, mas não tão arrebatador como seus contemporâneos ERIC BURDON, VAN MORRISON e o menos conhecido, mas “terrivelmente perturbador”, TIM ROSE.

No festival de WOODSTOCK, em 1969, há pelo menos quatro performances espetaculares: TEN YEARS AFTER, com ALVIN LEE, o pai dos “atletas da guitarra”, em ” I´M GOING HOME’, aula de ROCK de quase dez minutos. Estava lá JIMI HENDRIX, se expondo ao mundo e, ao mesmo tempo, consolidando e transcendendo um novo jeito de tocar. E houve THE WHO, visceral, barulhento, sujo e arrepiante.

E, também JOE COCKER, expressivo e emoções explícitas à flor da epiderme, em performance eletrizante com “WITH A LITTLE HELP FORM MY FRIENDS” – canção dos BEATLES, de quem ele gravou algumas outras canções. Existe um BOX com 4 CDS onde tudo isso e mais ainda estão presentes.

COCKER teve carreira longa, quase 50 anos, mas irregular. A discografia é contínua, mas inconsistente. Fez 22 álbuns de estúdio, 9 ao vivo, deixou 14 compilações, e 68 SINGLES.

Em seu disco de estreia, ‘WITH A LITTLE HELP FROM MY FRIENDS”, 1969, juntou-se banda estelar, com JIMMY PAGE, na guitarra, e STEVIE WINWOOD, nos teclados, todos já famosos, e em ascensão.

JOE COCKER se apresentou no Brasil pela primeira vez, em 1972. Ele e banda tocaram em São Paulo, no ginásio da Portuguesa de Desportos. Mas, as críticas foram muito ruins. Na linguagem da época, “ele estava devagar, quase parando”.

Seus melhores discos são os três primeiros, entre 1969 e 1971, base de seu extenso, mas nem sempre convincente repertório.

O seu vibrante show ao vivo de 1991, “JOE COCKER LIVE”, lançado em disco com bastante sucesso, é bem produzido, cheio de balanço, e destaca o bom trabalho da banda.

Ali, COCKER repassou a carreira e os seus predicados, e talvez ainda seja a melhor sugestão para quem quiser conhecê-lo.

No decorrer do tempo, ele conseguiu alguns HITS, e manteve-se em atividade.

JOE COCKER era um grande cantor? Tenho minhas dúvidas. Mas, seja como for, era um intérprete inconfundível e se tornou um ícone.

Ele foi substituído, no estilo, pelo também britânico SEAL; mais jovem, moderno e ótimo cantor de SOUL e BLACK MUSIC em geral.

A obra de JOE COCKER ainda não foi posta à prova. Mas, com o tempo, ficará mais claro o quanto de seu talento natural foi realmente lapidado.

Curiosamente, mais de dez anos transcorreram desde a morte de JOE COCKER, e ainda não houve um projeto de relançamento mais amplos de sua discografia. Não há coletânea mais ampla, e nem um BOX para uma compreensão melhor do que ele deixou.

Não é bom sinal.

24 de dez de 2014 02:15

A VANGUARDA PAULISTANA DE “ONTEM”? – HOJE, PÔ!

 

Fala sério, Tio Sérgio! Se é VANGUARDA não pode ser de ontem, tem de ter uma certa perenidade peripatética, pô!

Seria?

É argumento possível que nem tudo se pereniza, e o que foi significativo ontem não necessariamente se derramou sobre os dias de hoje, ou terá relevância no futuro.

Tá; mas se é bom, se permeou o tempo com significados, é muito provável que tenha deixado rastros e raízes.

Falo aqui da chamada VANGUARDA que se instalou e se expressou no TEATRO LIRA PAULISTANA, nos 1980, em São Paulo. E de lá teceu artes, criou portas, que se abriram, lógico…e deram, entre outras coisas, nesse disco, décadas depois.

Estou comentando isso, porque no mix bêbado da trilha sonora que está rolando, hoje, há um CD GRAVADO AO VIVO, no SESC POMPEIA, também em SAMPA.

São três artistas de VANGUARDA: ARRIGO BARNABÉ, LUIZ TATIT e LÍVIA NESTROVSKI, com e o nome do disco é instigante “DO NADA MAIS A ALGO ALÉM”:

A frase é bem paulistana, e está em ANO BOM, canção emocionante que talvez deva ser interpretada como alento para sofridos quase conformados; e que encontram, de repente, a oportunidade para voltar a perscrutar a hipótese de ser feliz com alguém.

É canção de amor não linear.

Aliás, como é todo ato que expresse um afeto motivador para se construir um relacionamento emocional significativo; e talvez uma situação para amar; ou mesmo o amor.

Papo de urubu?

Pode ser. Mas, é melhor do que papo de Urutu, aquele veículo blindado que o Brasil produzia…

A maioria das letras no disco são de TATIT; E a maior parte das música são de ARRIGO.

E, ambos, apesar de coetâneos e contemporâneos, nunca haviam composto juntos. Há, também, parcerias com NÁ OZZETI e ZECA BALEIRO;

E JOSÉ MIGUEL WISNIK – que também escreveu o texto de apresentação, com a precisão sofisticada de sempre. Uma aula de como “ver” e “ler” o que as músicas nos mostram.

O disco, claro, é musicalmente belíssimo!

Estão nele, os vários arranjos de ARRIGO BARNABÉ, que também empresta sua “VOZ algo BLUESY meso pós PUNK”, como as intervenções de ELVIS COSTELLO, em discos “melhores” do que a voz dele permite, dando um sabor entre o convergente e o destoante no projeto.

E há LÍVIA NESTROVSKI, e seu cantar dinâmico, preciso, em clara e linda voz; e o canto correto e interpretação sensível de TATIT.

Todos juntos acompanhados por músicos como o guitarrista MÁRIO MANGA; o cantor RENATO BRAS; o baterista EDU RIBEIRO e o pianista PAULO BRAGA. Gente acostumada com a música de vanguarda…

Tudo considerado, ficou bom; muito bom!

Mas, se quiser compreensão imediata, mensagens diretas e simples, emolduradas por arranjos óbvios e decifráveis no ato, o disco não é para você.

Essa verborragia toda que depus, a mim parece definir um jeito paulistano de se expressar. Eu falo demais; sempre buscando dizer com o máximo de precisão o que penso, sinto ou percebo.

A maioria das pessoas que conheço também fala demais!

E nesse disco também se fala demais!

Agora, por que essa turma tão encastelada veio parar aqui nesse texto? É o contexto? talvez pretexto?

Foi principalmente por causa de uma estrofe, na música BABEL:

“Ser humano é tudo igual;

É bom, mas é falho;

Ser humano é cerebral;

Cerebral, o caralho!”

Nítido e verdadeiro!

LORD SUTCH & HEAVY FRIENDS – 1970

 

DISCO DE FAMA CICLOTÍMICA FOI TIDO, NO DECORRER DOS TEMPOS, COMO ESPETACULAR, MEDÍOCRE, EXTEMPORÂNEO E ATÉ CAÇA – NÍQUEL EM FAVOR DE UM ARTISTA MEDÍOCRE: O INACREDITÁVEL LORD SUTCH!

O LORD FOI UM ROCKER INGLÊS DE SEGUNDO TIME QUE REUNIU, NO INÍCIO DOS ANOS 1970, A NATA DE CRAQUES PARA FAZER UM ROCK NÃO HARD, NÃO METAL, E OBVIAMENTE A LÉGUAS DO PROGRESSIVO, EM DOIS LPS. ANTOLÓGICOS E COLECIONÁVEIS.

NO DISCO DA FOTO, JEFF BECK E JIMMY PAGE TÊM DUAS PARCERIAS ESPETACULARES AUXILIADOS POR NOEL REDDING, JOHN BOHNAN E NICKY HOPKINS.

EM QUASE TODAS AS FAIXAS PAGE BRILHA E ARREBENTA.

O PROBLEMA – SE HOUVER – É O LORD. ABAIXO DO NÍVEL DA BANDA, MAS GARANTINDO PERFORMANCE MARCANTE E INESQUECÍVEL, O QUE AJUDOU A TORNAR O DISCO CULT, ÚNICO E IMPRESCINDÍVEL.

ESTÁ ENTRE OS MEUS DEZ PREFERIDOS EM TODOS OS TEMPOS E ESTILOS. É FORA DE SÉRIE, ROCK DE PRIMEIRA LINHA FEITO COM MÚSICOS NO AUGE DA FORMA TÉCNICA E ARTÍSTICA.

HOJE, A AVALIAÇÃO CRÍTICA ESTÁ ENTRE 4 E 5 ESTRELAS. EU DOU SEIS!

ESTA EDIÇÃO ESTÁ, HOJE, COM MEU AMIGO@Pierre Mignac

TIO SÉRGIO RECOMENDA!

SOFT MACHINE 4 – ENTRE O FREE, O FUSION JAZZ E O ROCK PROGRESSIVO.

 

Sempre algumas palavras! Este é o disco que me tirou do sério. Começou por um erro:

No Início dos anos 1970, por algum motivo que não sei bem qual – provavelmente cabular aulas – acabei indo a um “SALÃO DO AUTOMÓVEL”, em São Paulo.

Tinha nada a fazer por lá. Não me interesso por máquinas no sentido em que os engenheiros e a maioria gosta. Não levo o meu carro para lavar e jamais lavei eu mesmo um automóvel.

Gosto deles pelo conforto e necessidade, e eles sempre me atenderam. Trabalhei muito visitando clientes e imóveis. O carro era e sempre foi necessário. Eu não o desprezo. Mas, estou longe de achar um objeto interessante. Não é meu cálice de Vodka, nem minha xícara de chá…

Por volta 1972, eu andava em trânsito do ROCK CLÁSSICO mais convencional para o ROCK PROGRESSIVO. E, na medida do acessível, lia revistas buscando hipóteses, novidades. Sempre foi difícil conseguir discos por aqui.

Mas, naquele evento, de repente uma bailarina fez uma dança-performance na frente de um carro .Qual? Nem desconfio – a música era toda vanguarda, e obviamente ritmada. E, por algum mistério insondável achei que fosse o “SOFT MACHINE”.

Não era: tocou e ela dançou PINK FLOYD, uma faixa instrumental do Long Play “MORE”, de 1969, “THE MAIN THEME”. Totalmente viagem, PSICODELIA + WORLD MUSIC! Deslumbrante! Soube uns dois anos depois. E gosto até hoje, também!

Seja como for, no dia do salário mais próximo fui ao MUSEU DO DISCO – loja ícone da época – e dei de cara com o “SOFT MACHINE 4”.

Comprei. Ouvi. Estranhei. Gostei? Não sei…

Ouvi novamente, em seguida outra vez; depois diversas, e forever and ever. Ever!

O disco é um tanto indescritível. Eu acho um arco-íris sonoro, que vai do FREE JAZZ à FUSION fazendo concessões, lá e cá, ao ROCK PROGRESSIVO. É disco esquisito no repertório de uma banda excêntrica. Escutem e opinem.

Certo dia, toquei o álbum para dois tios meus, já falecidos, e músicos profissionais da OSESP.

Um deles, ABRAMO GARINI, o mais aberto e até vanguardista, gostou. O outro, JULIANO GARINI, conservador, achou esquisito, e a linha do contrabaixo monótona. Eu, roqueiro barulhento, fiquei e continuo em transe há meio século!

Seja como for, nos está em minha vida, em local nobre da discoteca.

Vejam lá.

Pensando bem, comprem um e desfrutem, porque é sensacional – e, se “desbundarem”, como se dizia nos anos setenta, rebundem!!!!!!!

JEFF BECK GROUP – ROUGH AND READY – EPIC – 1971

PARA MIM, JEFF BECK ULTRAPASSOU HENDRIX HÁ TEMPOS. É GOSTO E OPINIÃO.

MEU GRANDE AMIGO Sergio Cardoso , SINALIZOU QUE NÃO HÁ DISPUTA ENTRE “MICHELANGELO” E “DA VINCI”, O QUE É PERFEITO, E APLICÁVEL A OUTROS GÊNIOS…

ESTE É UM DOS ÁLBUNS QUE MAIS GOSTO EM MEIO A TODOS QUE TENHO E APRECIO! É IMPECÁVEL. E O MEU PREDILETO NA DISCOGRAFIA DELE.

BECK E BANDA CONCEBERAM OBRA MODERNÍSSIMA NA INTERSECÇÃO DO RHYTHM’N’ BLUES E A SOUL MUSIC, NA CURVA “TABORELLO” ENTRE OS ESTILOS DAS GRAVADORAS MOTOWN” E “STAX”.

MAS, É HARD ROCK, COM PITADAS DE JAZZ E PROGRESSIVO LIGHT, COMO A TENDÊNCIA DAQUELES TEMPOS ORIENTAVA.

E, TUDO CONSIDERADO EM RESUMO ABRANGENTE, “ROUGHS AND READY” É “FUSION” DA MELHOR CEPA E QUALIDADE.

O DISCO TRAZ JEFF BECK ACIMA DO ÓBVIO O TEMPO INTEIRO. É CHEIO DE FUNK E ENERGIA; É DANÇÁVEL; E PARA CURTIR EM ALTO NÍVEL!

E, ACREDITE, NÃO É POUCO: SOU FÃ DO BECK DESDE 1967, TALVEZ A PRIMEIRA VEZ QUE O ESCUTEI. E QUANDO DECIDI QUE OS YARDBIRDS, ATÉ HOJE, SÃO A BANDA “BEAT” QUE MAIS GOSTO, DAQUELES TEMPOS LOTADOS DE CONCORRÊNCIA NOTÁVEL.

HÁ NO DISCO UMA FAIXA INSTRUMENTAL, “MAX’S TUNES”, QUE NA PRIMEIRA EDIÇÃO, NO LP ORIGINAL SAIU COM O BELO NOME DE “RHAYNES PARK BLUES”.

É UMA DAS MÚSICAS DA MINHA VIDA EM QUAISQUER GÊNEROS. É FUSION JAZZÍSTICA MODERNA NO SENTIDO AMPLO, QUE PODERIA TER SIDO CONCEBIDA NA CULT GRAVADORA “E.C.M”.

E, TENHO CERTEZA, INFLUENCIOU O ESTILO DE PAT METHENY. DEFINITIVAMENTE.

IMPERDÍVEL.

Todas as reações:

1Claudio Finzi Foá