Em 1968, escutei no rádio e pela primeira vez “I GOT A LINE ON YOU”, sucesso e um clássico do SUNSHINE POP.
No ano seguinte, conheci “1984”, um ROCK PSICODÉLICO de primeiríssima linha, faixa de um disco clássico do “SPIRIT: 12 DREAMS OF DR. SARDONICUS”. Foi na RÁDIO ELDORADO, a primeira emissora de SAMPA a programar música de qualidade, principalmente JAZZ, MPB, INSTRUMENTAIS e CLÁSSICOS.
Mas, havia um programa às sextas feiras e sábados, em torno das 11 horas da noite, chamado “DANCE COM A ELDORADO” – se a memória de crateras lunares não falhou. Lá desfilava seletivamente o “HIT PARADE” americano, independentemente de ser dançavel ou não.
Eu não perdia… Até começar a sair pra bailes, e o vasto é delicioso etc…
O primeiro álbum do SPIRIT que comprei foi uma coletânea. Logo depois descolei, também, o disco de carreira “12 DREAMS OF DR. SARDONICUS”, que vi em belíssima reedição atual em VINIL BRANCO – até considerei comprar. É um clássico do ROCK, na transição da PSICODELIA para o PROGRESSIVO.
A história é a seguinte: RANDY CALIFORNIA, o guitarrista, procurou NEIL YOUNG para saber o que achava de DAVID BRIGGS, que trabalhava com ele, para produzir “12 DREAMS…”
NEIL avalizou entusiasticamente.
Há, penso eu, aquele retrogosto de solidão “YOUNGIANA” perpassando o disco, que foi lançado, em 1971, depois da formação original do SPIRIT já desfeita.
Os 4 PRIMEIROS LONG PLAYS do SPIRIT, o primeiro deles de 1967, são todos igualmente ótimos. Estão mais na linha do JEFFERSON AIRPLANE e do LOVE; orbitam à distância, mas escapando feito cometa, o GRATEFUL DEAD. Tipicamente californianos, o grupo era de LOS ANGELES.
A banda faz um compósito de ROCK PESADO, algum FOLK e bastante BLUES. E tingidos por guitarras distorcidas, linhas de baixo quase discretas quanto espetaculares, teclados cósmicos e pesados circundados pela percussão “JAZZY” .
O baterista, ED CASSIDY, havia tocado com DEXTER GORDON, RY COODER e TAJ MAHAL; era do ramo. E os discos são “GUMBOS” originais e deliciosos, em “clima sonoro” algo opressivo. “ORWELLIANO”?
E, para isso, concorrem as ORQUESTRAÇÕES que envolvem certas músicas. Pesadas, tensas, claustrofóbicas…
O que leva, também, à minha irresponsável suspeita de que inspiraram de alguma forma ROGÉRIO DUPRAT nos arranjos de “CONSTRUÇÃO” e “DEUS LHE PAGUE”, obras de arte transcendentes de CHICO BUARQUE, gravadas em 1971! Talvez o mais brasileiro entre os modernos compositores pátrios! É curioso e instigante!
Não esqueçam, DUPRAT é o maestro chave da TROPICÁLIA, a PSICODELIA traduzida para a MPB. Escutem atentamente essas músicas. São PURA VANGUARDA. Em minha leitura, M.P.B.PSICODELICO-PROGRESSIVA: influencia do ROCK PROGRESSIVO e adjacências em expansão?
É A SIMBIOSE PERFEITA ENTRE OS “ROCK PSICODÉLICO, PROGRESSIVO E O JAZZ FUSION”. TRÊS TENDÊNCIAS MAIS EXPRESSIVAS DO FINAL DA DÉCADA DE 1960, FLUINDO PELOS 1970, E DAÍ EM DIANTE…INCLUSIVE NOS TEMPOS ATUAIS.
O CARAVAN SINTETIZOU A VANGUARDA INGLESA ENTRE 1968 E 1975. E PERMANECE CULT E RELEVANTE ATÉ HOJE. PORTANTO, QUAISQUER DESSES ÁLBUNS MERECEM AUDIÇÕES DETALHADAS; ALÉM DISSO, SE ENCAIXAM EM DISCOTECAS E COLEÇÕES DE BOM GOSTO.
TIO SÉRGIO É SUSPEITO, PORQUE VELHO; E ACOMPANHA OS CARAS DESDE O “LONGUÍSSIMO SEMPRE”. MAS, OUSA INDICAR O CLÁSSICO DA BANDA, E APONTA O DEDO PARA “IN THE LAND OF GREY AND PINK”. É ROCK PROGRESSIVO DE REFERÊNCIA, LANÇADO EM 1971. É MANDATÓRIO.
O ÁLBUM CONSIDERADO CULT É “IF I COULD DO ALL OVER AGAIN…”, QUE SAIU EM 1970, E DESTACA FORTE TRANSIÇÃO PARA O “ROCK PROGRESSIVO”. ELE SEGUIU AO PRIMEIRO DISCO, “CARAVAN”, 1969, MAIS IDENTIFICADO COM O “ROCK PSICODÉLICO”.
O MEU PREDILETO, E UM DOS DISCOS QUE MAIS CURTO E OUÇO, VIDA ADENTRO, É ‘WATERLOO LILY’, LANÇADO 1972. MESCLA MUITO BEM SUCEDIDA ENTRE O “ROCK PROGRESSIVO” E A “FUSION JAZÍSTICA”.
É ÁLBUM DE REFERÊNCIA PARA AUDIÓFILOS. LÁ TEMOS GRAVAÇÕES DE EXCELENTE QUALIDADE TÉCNICA PARA REGULAR, AJUSTAR, PRINCIPALMENTE OS GRAVES DAS CAIXAS ACÚSTICAS. É SENSACIONAL ESCUTÁ-LO POR ISSO, ALÉM DE SUAS QUALIDADES EVIDENTES!
ESSE TALVEZ SEJA A OBRA MAIS PRÓXIMA AO “JAZZ FUSION” QUE FIZERAM.
O DISCO TAMBÉM SAIU POR AQUI, NA ÉPOCA. E “TIO SÉRGIO” SE RECORDA MUITO BEM DA CRÍTICA POSITIVA DO MALUCO EMBLEMÁTICO “EZEQUIEL NEVES”, CRÍTICO MUSICAL MUITO ESTIMADO, NA DÉCADA DE 1970; QUE DEPOIS ESTEVE DIRETAMENTE ENVOLVIDO COM A BANDA “BARÃO VERMELHO”.
A RESENHA DE EZEQUIEL PRATICAMENTE ME OBRIGOU A OUVIR E COMPRAR O ÁLBUM! ENTÃO, FUI À “BRENO ROSSI”; HIPER LOJA SOFISTICADA DE SÃO PAULO, QUE INFELIZMENTE NÃO EXISTE MAIS, ESPECIALIZADA EM JAZZ, CLÁSSICOS E MÚSICA ADULTA DE QUALIDADE. ESTIVE LÁ COM MEU “AMIGOIRMÃO” SILVIO DEAN, E COMPRAMOS NA HORA!!!!!!
AHHHH, VOLTANDO À PARTE SÉRIA DO MEU DISCURSO, A BANDA É ARTÍSTICA E TECNICAMENTE IMPECÁVEL. DEVO COMENTAR QUE O BAIXISTA “DAVID SINCLAIR” É DE PRIMEIRA GRANDEZA!
O CARAVAN GRAVAVA NA “DERAM INGLESA”, A MESMA GRAVADORA DOS “MOODY BLUES”, DA PRIMEIRA FASE DO “TEN YEARS AFTER”, E DO “SAVOY BROWN”.
A BELEZA GRÁFICA DE ALGUMAS CAPAS ESTÁ ENTRE AS MELHORES FEITAS NAS DÉCADAS DE 1960 / 70. ESTÉTICA E CRIATIVIDADE CONDIZENTES COM A QUALIDADE ARTÍSTICA E ARTÍSTICAS DAS BANDAS….
TEMPOS ÁUREOS, SIM!
EU RECOMENDO MESMO! PENSANDO MELHOR: EXIJO QUE VOCÊS CONHEÇAM! INCLUSIVE OS LONG PLAYS RESTANTES, E AQUI POSTADOS. TODOS DIFERENTES ENTRE SI, MAS PRESERVANDO TALENTOS E O QUÊ MOSTRAR.
O “CARAVAN” COM O TEMPO TORNOU-SE BANDA DE REFERÊNCIA PARA UM SÉQUITO ENORME DE OUTRAS BANDAS E ARTISTAS. PRESERVA MUITOS FÃS; ESSA TURMA QUE APRENDEU A OUVI-LOS E LÊ-LOS, COMO O TIO SÉRGIO AQUI!
TENTEM. EU GARANTO QUE NÃO SE ARREPENDERÃO! POSTAGEM: 23/03/2018
Sim, a BANDA POP NACIONAL. Nunca os achei grande coisa e não são. Mas, fui à festa dos formandos da POLI / USP, entre eles meu sobrinho e amigo Fernando Lopes. E fez o show principal o CAPITAL INICIAL.
Assisti parte da performance, e confesso que me surpreendeu. Entre vários músicos agregados, estava o núcleo duro do grupo, DINHO OURO PRETO, vocal; FÊ LEMOS, bateria; FLÁVIO LEMOS, baixo, e YVES PASSARELLI, guitarra. São veteranos, da geração PÓS-PUNK, gente que entrou no ROCK na década de 1980, e persistiu. São profissionais acima de tudo.
A banda é muito bem entrosada e sabe tocar ao vivo. É POP ROCK simples, sem maiores sofisticações. O repertório é o pegajoso de sempre, mas funciona. Um monte de HITS, várias canções POP de repertório, que deram boa sustentação ao SHOW.
DINHO OURO PRETO é um excelente performer: é eficientemente simpático, levanta a plateia, dá dinâmica ao show, aguentou a onda por duas horas sem desafinar, ensinou para a público os futuros HITS. O cara é bom, e muito profissional! Ficou explicado porque estão por aqui há mais de 40 anos!
O palco, no meio do enorme CENTRO DE CONVEÇÃO DE SÃO PAULO, no início da RODOVIA DOS IMIGRANTES, comportou o que supus ser a banda original e alguns agregados. Talvez quase duas bandas simultâneas e integradas, para serem visualizadas pelo maior número de pessoas possível. MARKETING eficiente.
Foi tudo montado de maneira que o vocalista, DINHO OURO PRETO, o foco do CAPITAL INICIAL, circulasse e se apresentasse nos dois lados, para talvez umas 8 mil pessoas!
Acho que levantaram um cachê legal!
Fizeram apresentações, também, uma certa banda do SARGENTO PIMENTA, que justapõe BEATLES com TIMBALADA. Não dá certo. Oscila entre o ridículo e o tremendamente chato…
E mais o BONDE DO TIGRÃO, que graças a Deus não assisti, mesmo ouvindo o mau gosto e horror do repertório chulo, que essa gente supõe divertir os mais jovens, mas ofende profundamente o público em geral. Afinal, estavam lá, pais, mães, parentes, vovós…
Pra terminar uma indefectível banda de – sei lá, SERTANEJO UNIVERSITÁRIO – (eu também esqueci o nome ), mas que levava jeito de que estar subindo… Foram eficientes.
O local é imenso e bem organizado! Mas, os banheiros masculinos montados em contêineres eram de uma sujeira digna da LAVA-JATO! Um horror!
Juntando tudo, foi divertido e valeu a pena. Postagem original 16/03/2016
“ISTO É BOM PRA CELULITE, PRO CORAÇÃO E PRA ENERGIA…”
Alguém que formula frase como esta certamente é candidato a OZZY OSBOURNE, aqui nessa PATÓPOLIS TROPICAL.
Candidato, não. O TIM era o OZZY de nossas bandas. Doido militante, errático, talentoso, non-sense e irresponsável.
TIM MAIA tinha vozeirão peculiar, e era cantor nitidamente brasileiro. Cantava temas universais com o gingado FUNK, SOUL/R&B/BOSSA NOVA, orbitando os PRETOS do Norte e do Sul do planeta.
TIM era um preto brasileiro entrosado com o mundo. Um PRETO FUSION, moderno. Aos que estranham a mistureba – e também podem estar certos, claro! – gosto de argumentar que há uma natural fraternidade que distingue os pretos, enquanto músicos, do que fazem os brancos.
Não é a similitude cultural, o quê seria impossível. Mas um jeito que os justapõem entre si, e, ao mesmo tempo, os distinguem do resto.
A MÚSICA FEITA PELOS PRETOS É IDENTIFICÁVEL, SEMPRE; mesmo sendo tão variada mundo afora. Há elos e, paradoxalmente, “contrastes complementares” que fazem um TIM MAIA, UM MONARCO, um ZECA PAGODINHO; e um WILSON PICKETT, ou B.B.KING, simultaneamente compreensíveis e aproximáveis.
Talvez?
Hoje, eu estava cozinhando e comecei a reouvir o grupo FOLK JAZZ JAZZ/FUSION escocês THE PENTANGLE, para tentar compreender e escrever algo por aqui, quando minha mulher insistiu para eu animar os trabalhos domésticos tocando TIM MAIA AO VIVO.
Fomos à festa.
Claro, conhecia o disco, mesmo não sendo parte de minha coleção particular. E aproveitei para prestar mais atenção.
Gostei? Sim.
TIM MAIA era único em sua intervenção no universo da “MPB-AMPLA”. Sempre brasileiro no jeito de cantar, eventualmente compor, escolher repertório, e comunicar-se com o público; tinha, também, aquele vínculo com os bailes e os bailinhos. Ouvir “PRIMAVERA”, “ME DÊ MOTIVOS” e outras, evoca uma certa cumplicidade entre os hits estrangeiros, anos 1960/1970 e as emulações brasileiras.
As coisas se comunicavam. E TIM era elo hábil entre os dois mundos; o que não é pouca coisa!
O disco em si, parece somatório de vários shows. Há momentos mais técnicos, outros piores em termos de captação do som. Há audível dificuldade em manter um standard de qualidade.
TIM MAIA era doido demais para ser administrável, e mesmo mantido em nível aceitável de performance, a produção tinha de “medicar” o tempo inteiro: juntar shows diversos, equalizar o som para que parecesse uno; e claramente complementar falhas como performances da banda, “estranhas”, digamos, ao momento do show.
Achei pouco natural a junção de “momentos bossa nova” à festa proposta. Não há espontaneidade.
Em compensação, a introdução do show feita pela BANDA VITÓRIA RÉGIA é cativante; emocionante, até. E os momentos mais FUNK sempre dançáveis, alegres, compatíveis com o TIM que todos gostam.
Claro, juntar em performance longa um cara talentoso, carismático, mas anárquico e sem-noção como TIM MAIA, exigiu alguém na produção e supervisão como NELSON MOTTA, para edulcorar para o público mais amplo um artista barra pesada em comportamentos; e mesmo que não em intenções explícitas.
NELSON MOTTA é ótimo nisso. Consegue transmitir o melhor possível do jeito mais simples. Sempre rodeando algo mais sofisticado em um tom adequado e compreensível para mais gente. Ele fez de MARISA MONTE um tantinho menos do que ela potencialmente era. E de TIM MAIA, um pouco além do que ele conseguia.
TIM é artista perfeito em suas limitações e qualidades. É popular, é Brasil e POP, legal de ouvir e dançar!
ENTRE AS BANDAS MAIS INFLUENTES DE TODOS OS TEMPOS. PONTO!
TIO SÉRGIO afirma: o KRAFTWERK, ao lado dos BEATLES – que encerraram carreira em 1970, são as duas banda mais INFLUENTES DA HISTÓRIA da música moderna. O que foi referendado, em 2014, quando ambos foram indicados para o “GRAMMY´S LIFE TIME ACHIEVEMENT”, pelo conjunto das respectivas obras . Estarem na mesma premiação não é mero acaso…
Há uma SINCRONICIDADE, coincidência significativa, uma pletora de vivências sem conexão causal, que nos faz suspeitar que o KRAFTWERK seja a continuação do POP/ROCK de onde os BEATLES cessaram.
E as tecnologias disponíveis tem muito a ver com isso. Mas, é papo eterno pra botecos ao longo dessa “AUTOBHAN”, a VIDA vertiginosa e rápida que vivemos pela “TRANSCONTINENTAL EXPRESS” ininterrupta; até que a morte sobrevenha. E quem sabe por “RADIOACTIVITY” – já que somos todos “MEN MACHINES”…
Hummm…. TIO SÉRGIO exuberou….
Em 1970, o KRAFTWERK iniciou o périplo em DUSSELDORF, claro, na ALEMANHA “OCIDENTAL” da época. E, aos poucos, tornou-se a banda mais influente da atualidade musical POP”.
Mas, TIO SÉRGIO, o quê fizeram “OSALEMÃOS”?
Usaram as descobertas e conceitos da MÚSICA ELETROACÚSTICA da década de 1950, criados por STOCKHOUSEN, entre vários. E os combinaram com a música MINIMALISTA de gente como TERRY RILEY e PHILLIP GLASS. Revestiram tudo em um ENSOPADO POP/ROCK da turma que se iniciava no KRAUTROCK, combinado com outras experiências de seus contemporâneos. Em tudo há diálogos, etc…
O resultado, como diria o Jaques Sobretudo Gersgorin, é um somatório de “magia e tecnologia”. Ouvi-los é experiência hipnótica. No BOX há CD com REMIXAGENS que transportam o ouvinte para pistas de dança, desvelando o lado D.J. dos caras. Fica um sabor de RAVE, esvoaçante, com tempero algo alucinógeno. As “viagens de hoje”, vieram sendo tramadas há mais de meio século. E, curiosamente, repletas de “RACIONALIDADE TÉCNICA”, digamos….mas, basta adicionar algum “aditivo lícito ou ilícito”, para voar…
O som do KRAFTWERK está por traz da criação dos beats, mixagens e crossovers de AFRIKA BAMBAATA, tido como o primeiro D.J. a usar a eletrônica como base para dançar. Resumindo, eles foram seminais na criação do HIP-HOP, na ornamentação sonora do RAP e do ACID JAZZ… São considerados “pais”, entre aspas mesmo, da DANCE MUSIC. E, certamente, são os principais inspiradores das modernas RAVES.
No início do trajeto, se tornaram símbolos do KRAUTROCK, e deles surgiu o NEU, quase dissidência, pois MICHAEL ROTHER e KLAUS DINGER, tocaram lá. De certa maneira, a música do KRAFTWERK tangenciou os “climas e invenções” desenvolvidos por contemporâneos como o TANGERINE DREAM.
Teriam?
Foram inspiração na gênese da fase BERLIM de ENO e BOWIE; e de várias bandas do pós PUNK. O JOY DIVISION tinha no SET LIST versão de AUTOBHAN, o primeiro sucesso musical de RALF HUTTER e FLORIAN SCHNEIDER.
Os dois estudaram música em conservatório, e são o núcleo formador do KRAFTWERK, que incluiu outros músicos ao longo dos tempos.
Sem eles não haveria DEPECHE MODE, NEW ORDER e nem o TECHNOPOP; ou a COLD WAVE inglesa… Não há como deixar de lado os PET SHOP BOYS, e a infinidade de duplas e outros autônomos, como THE WEEKEND; e até seguidores mais radicais feito o NINE INCH NAILS. E até MADONNA, ou quaisquer das sucessoras não seriam o que são…
Enfim, continuem citando e lembrando influências e influenciados. O KRAFTWERK há mais de meio século esteve e ainda está na base de tudo! E continuará no futuro, também!
Este BOX foi concebido para ARRASAR QUALQUER CONCEITO, principalmente do ponto de vista do design:
Cada um dos oito CDs está em MINI LP. E foram remasterizados usando os MASTERS originais, gravados no estúdio KLING KLANG, pertencente a FLORIAN e RALF. E há um BOX dentro do BOX principal, com oito livros do tamanho dos LONG PLAYS originais, trazendo fotos, desenhos feitos por computador e poucas informações.
Porém, faz falta um livreto com texto e informações históricas básicas, e mais analítico sobre o quê fez o grupo. Mas, talvez eles achassem que não fosse importante. Portanto, quem quiser que procure detalhes pelaí. Eles são o que fizeram em música, e talvez seja o recado principal.
Ainda assim, é um artefato de ALTO NÍVEL, e que abrange os lançamentos feitos pela gravadora EMI.
Complementei a postagem com os dois primeiros discos gravados pela PHILIPS, em 1970 e 1972. Estão no lado direito da foto. Eu “criei” um pequeno BOX para abriga-los. E há coisas que ainda não tenho. E, quem sabe, um dia compre o DVD mais ou menos com o repertório usado na TURNÊ MUNDIAL, que passou pelo BRASIL, anos atrás…
Eles gravaram pouco, e o suficiente. E CONSTRUÍRAM CARREIRA E OBRA
INCONTESTÁVEL, INVEJÁVEL e INIGUALÁVEL. POSTAGEM ORIGINAL 20/03/2018
BELA, CHARMOSA, CANTA BEM E SEMPRE ESTEVE PRÓXIMA ÀS VANGUARDAS. COMO ARTISTA, DAVA DE DEZ NA CONCORRÊNCIA DE SEU TEMPO DE GLÓRIA, A DÉCADA DE 1960 – SYLVIE VARTAN INCLUÍDA.
FRANÇOISE HARDI FOI UM MISTO DE “NARA LEÃO” E “RITA LEE”; SOFISTICAÇÃO E REBELDIA EM DOSES PRECISAS. E SEMPRE ESTEVE NO LUGAR CERTO, ONDE O JOGO ESTAVA SENDO JOGADO.
DOS 1960 PARA CÁ, ‘FRANÇOISE” TRANSITOU DO “BEAT” AO “BLUR” E AOS “PET SHOP BOYS”; PASSOU PELA “BOSSA NOVA”, POR “SERGE GAINSBOURG”, “MICK JAGGER” E DESAGUOU, RECENTEMENTE, NO “POP ROCK ALTERNATIVO”.
FRANCISQUINHA É VERSÁTIL, ATUALIZADA, CURIOSA E COMPETENTE.
É POPULAR, E PROGRESSISTA SEM SER CHATA OU VULGAR.
FRANCISQUINHA É O FINO!
ESSA COLETÂNEA É AMBRANGENTE E MUITO BEM FEITA. TEXTO E SELEÇÃO MUSICAL SUPERIORES. TODOS GOSTARÃO!
SE ENCONTRAREM DISCOS DA MOÇA PELAÍ, NÃO EXITEM; COMPREM.
É JAZZ MODERNO SEM ESQUISITICES. ÓTIMA PIANISTA, E ACOMPANHADA POR “RON CARTER” , NO BAIXO; E TONY WILLIAMS” NA BATERIA. CARTÃO DE VISITA MELHOR É IMPOSSÍVEL!
A GRAVAÇÃO É BLUE NOTE FEITA, EM 1994 Postagem original: 21/03/2018
Entre 1963 e 1965, os BEATLES gravaram 99 músicas, fizeram dois filmes de sucesso “A HARD DAYS NIGHT’ e “HELP”, ambos em 1964. Viajaram se apresentando mundo adentro, explodiram em sucesso global.
A BEATLEMANIA espalhou o novo POP, e confirmou o conceito de tietagem já experimentado por ELVIS PRESLEY, FRANK SINATRA e outros, no passado não distante.
Mas, grana conseguiram relativamente pouca. Muito trabalho e recompensa financeiramente medíocre pelo empreendedorismo e criatividade, e a influência cultural reconhecida.
Verdade: na Inglaterra da época, os impostos ultra extorsivos levaram artistas e outros ricos a emigrarem; houve fuga de capitais e investimentos. É bom pensar nisso para compreender os limites da extração fiscal …
A canção TAXMAN expressa a revolta dos BEATLES contra o Fisco inglês.
REVOLVER, O ÁLBUM
Do ponto de vista artístico é obra marcante.
Por exemplo, o guitarrista GEORGE HARRISON em várias faixas se inspira, na minha opinião, no JEFF BECK “yardbirdiano” e sua guitarra eivada por recursos e sonoridades inovadoras, com muito uso da distorção, sempre controlada mas onipresente, como determinava o figurino. Eram tempos de PSICODELIAS…
REVOLVER mantém a marca dos BEATLES desde RUBBER SOUL, também de 1965. Explosão de ousadias, novas ideias, inovações técnicas e artísticas, vinham num crescendo.
E a preservação dos “Backing Vocals” consagrados de JOHN, PAUL e GEORGE, da bateria eficiente de RINGO STARR, e a produção de GEORGE MARTIN, garantem a identidade marcante do grupo.
Se destaca em REVOLVER a consistência melódica de tirar o fôlego na imensa maioria das composições do quarteto. As músicas são todas diferentes entre si, independentemente da tendência estilística.
Em TAXMAN, por exemplo, a remixagem de GILES MARTIN destaca GEORGE no centro e mais à direita. O baixo de PAUL McCARTNEY está na caixa esquerda, com LENNON na outra guitarra mais atrás. A nova mixagem deixou a música muito mais equilibrada. Abriu espaço para a expressão de cada um deles, submersas nas edições anteriores.
No disco há para todo gosto. Do romantismo de “HERE, THERE AND EVERYWHERE”, até a fantástica “FOR NO ONE” e seu arranjo sofisticado.
Estão lá, também, o R&B de “GOT TO GET YOU INTO MY LIFE”. O PÓS – BEAT ROCK em transição “DR. ROBERT”; e o SUNSHINE POP de “AND YOUR BIRD CAN SING” – em que a guitarra RICKENBACKER tocada por GEORGE, soa ao estilo de ROGER McGUINN, nos BYRDS – grupo americano ícone daquele momento.
O álbum, em geral, tende ao ROCK PSICODÉLICO, com uso de técnicas de estúdio e ELETRÔNICA DE VANGUARDA – para aqueles tempos – em nítido objetivo de transpor os limites do POP usual.
Ouçam “I’M ONLY SLEEPING”, “TOMORROW NEVER KNOWS”, “SHE SAID, SHE SAID”, “I WANT TO TO TELL YOU”, e “GOOD DAY SUNSHINE”. Prestem atenção na fantástica mixagem para o “STEREO” dos SINGLES “”RAIN” a “PAPERBACK WRITER”, que revelam outro mundo!
E sem esquecer YELLOW SUBMARINE, pensada desde o início para RINGO cantar. É “MÚSICA PARA CRIANÇAS” com velados respingos “alucinógenos”… Talvez uma sutil lembrança de outro clássico da “inocência envolvida em fumaças mágicas”: “PUFF…THE MAGIC DRAGON, gravada por PETER, PAUL & MARY, em 1963. Canção que o tempo redefiniu seu “verdadeiro” conteúdo.
É interessante observar a influência do hinduísmo e do misticismo, vividos por todos eles em meados da década de 1960, e representados em arranjos com SITAR, TABLAS e TAMBOURA. A espetacular LOVE YOU TO é deferência ao clima musical desafiador daqueles tempos.
O álbum inteiro é excelente. E seu ponto mais alto e definidor é a melhora técnica exponencial:
“ELEANOR RIGBY” foi ideia concebida por McCARTNEY, depois de ouvir as 4 ESTAÇÕES DE VIVALDI, principalmente o “INVERNO”. GEORGE MARTIN criou o arranjo emulando o “PADRECO”, misturando a obra dele aos picos de suspense da trilha do filme “PSICHO”, de “ALFRED HITCHCOCK”. Lembrem-se da cena antológica onde a personagem é esfaqueada durante o banho!
Resumindo, a combinação de “dois clássicos” gerou uma das melhores músicas da história do ROCK, até hoje CULT e reverenciada.
O fantástico REMIX atual faz juz à obra de arte!
“ELEANOR RIGBY”, é correta e magnificamente cantada por PAUL McCARTNEY, que está posicionado no centro da faixa.
O DUPLO QUARTETO DE CORDAS, com 4 VIOLINOS, 2 VIOLAS e 2 CELOS, perfeitamente dispostos no estúdio, cria um som impactante!
O coro formado por GEORGE, PAUL e JOHN, também está ao centro da faixa, porém posicionados e mais atrás de PAUL. O palco sonoro conseguido nessa nova mixagem é de tirar o fôlego!!!! Intensa, e talvez definitiva!
Há gravação alternativa das cordas, no segundo disco. Mas, soa “clássica” demais… A opção escolhida foi acertadíssima.
O álbum inteiro melhorou muito do ponto de vista técnico e sonoro! Vou falar “como foi conseguido” mais à frente.
REVOLVER E ALGUMAS EDIÇÕES HISTÓRICAS
Não sou BEATLEMANÍACO, mas coleciono discos da banda.
Estes aqui são as versões que tenho e mantenho.
De maneira geral, as versões em ESTÉREO mixadas por GEORGE MARTIN são ruins. Emboladas. A pior delas é a primeira edição em CDS: HORROROSA.
a captação das gravações feitas por GEOFFREY EMERICK, em minha opinião deixam algo a desejar. O som “transborda”, e não se define com clareza…
Por isso, eu prefiro as mixagens feitas em MONO. O resultado é mais natural, mais bem distribuído no palco sonoro criado pelas duas caixas.
Entre as gravações MONO que ouvi, a melhor de todas foi a utilizada na edição americana lançada pela CAPITOL, em 1965. O disco está abaixo e ao centro.
Vocês conhecem as primeiras gravações ao VIVO dos ROLLING STONES, lançadas em EP chamado “FIVE BY FIVE”, e depois ampliadas, em 1966, para o LONG PLAY com o nome de “GOT LIVE IF YOU WANT IT”?
Pois bem, ali fica muito claro o que era remixar para o ESTÉREO o que estava feito em MONO com baixa qualidade: em uma das caixa toca a banda. Na outra, apenas MICK JAGGER canta ( e mal ), e bate palmas. O resultado técnico é horroroso! Mas, quem ligava pra isso? O SHOW é demoníaco! Bom demais!!!!
Foi esse tipo de problema que GILES MARTIN e equipe conseguiram resolver!
A NOVA MIXAGEM 2022
Antes de tudo, é bom lembrar que estúdios mais sofisticados com doze, dezesseis canais, só apareceram em torno de 1967. O álbum SGT. PEPPERS, dos BEATLES, já foi gravado com muito mais recursos do que REVOLVER.
Dito isso, vamos combinar que fazer MIXAGENS ou REMIXAGENS é arte combinada à técnica. Se o trabalho for refinado, a diferença no resultado é abissal!!!!
Há semelhanças com a montagem de um filme. Onde o diretor orienta o trabalho dos atores, e também dos câmeras, da fotografia, etc…, e diz como e o quê deve ou não ser filmado.
A arte do montador realça, constrói a narrativa visual das ideias pretendidas.
O diretor de cinema tem função similar à do produtor de discos, que organiza a história “gravada”. A incumbência do engenheiro de gravação é fazer a música tocada pelos artistas soar conforme o planejado, e com boa qualidade para o passo seguinte: as mixagens.
A dificuldade encontrada por GEORGE MARTIN para remixar a edição original de REVOLVER para o STEREO, estava nos limites técnicos da captação da música gravada.
Os BEATLES gravavam direto, e as técnicas existentes em 1965 não permitiam, em cada um dos QUATRO CANAIS, que instrumentos ou vozes, fossem totalmente isolados. A música soava em bloco.
Mas, o problema foi contornado, e quem sabe resolvido com técnica desenvolvida na indústria cinematográfica.
Os filmes, em geral, carregavam um problema de “ruído” nos diálogos, muitas vezes inaudíveis, porque encobertos por outros sons gerados durante as filmagens das cenas.
No projeto do filme GET BACK, a equipe do cineasta PETER JACKSON usou uma nova tecnologia para “de – mixar” e separar dentro de uma cena algum diálogo mal captado, e remontá-lo de maneira audível.
A “de-mixagem” deu flexibilidade para que o projeto se tornasse possível. O que GILES MARTIN e sua equipe fizeram foi adaptar essa nova “técnica” para separar as vozes das guitarras, bateria, baixo, etc… que estavam embolados dentro de cada canal. O resultado foi a “MAGIA DA TECNOLOGIA”, e tudo soou com mais nitidez, recuperando alguns detalhes perdidos.
De posse desse novo acervo, GILES seguiu o mais à risca possível a receita original de GEORGE, seu pai. E remontou REVOLVER em ESTÉREO, e com muito mais equilíbrio.
Por respeito à história do disco e dos profissionais envolvidos, talvez uma REMIXAGEM em MONO, com esses novos recursos, jamais seja feita.
Mas, que deixa a gente curioso, ahhh isso deixa!!! Postagem original: 20/03/2023
O QUE DEU NO “TIO SÉRGIO” EM POSTAR, NA MESMA FOTO, DOIS MONUMENTOS À ALEGRIA DA DÉCADA DE 1960, E O TALVEZ MAIS BELO E GRANDIOSO TRIBUTO À DEPRESSÃO GRAVADO NOS 1980? EU ESCLAREÇO: NADA MAIS ALEGRE E ALTO ASTRAL DO QUE OS CALIFORNIANOS “MAMAS & THE PAPAS” E “THE BUFFALO SPRINGFIELD” – BANDA QUE REVELOU “NEIL YOUNG” E “STEPHEN STILLS” – TIDOS COMO REPRESENTANTES DO “SUNSHINE POP” E DA “PSICODELIA SOFT” DE SEUS TEMPOS. EM CONTRAPONTO, O PROJETO INGLÊS “THIS MORTAL COIL” – TRADUZINDO APROXIMADAMENTE, “ESTA GERINGONÇA MORTAL” -, QUE PRODUZIU NA DÉCADA DE 80 OBRAS DE ARTE DO QUE VIRIA SER O “ROCK GÓTICO”. “T.M.C” , UM PROJETO, MAIS DO QUE UM GRUPO, CRIOU CANÇÕES ORIGINAIS E, PRINCIPALMENTE, VERSÕES DE OUTROS DEPRESSIVOS DE DÉCADAS ANTERIORES. O QUE APROXIMA O “THIS MORTAL COIL” AOS DOIS OUTROS SÃO AS ESCOLHAS QUE FIZERAM DE MÚSICAS DOS “BYRDS”, DE “GENE CLARK”, DO “SPIRIT”, DE “TIM BUCKLEY”, ENTRE VÁRIOS, TODOS PRÓXIMOS AOS “HIPPIES” E AO “SUNSHINE POP”. PORÉM, FIGURAS SOMBRIAS E DEPRESSIVAS, O QUE OS LIGOU À PERSPECTIVA DESSES INGLESES, QUE OS HOMENAGEARAM COM O SOL, A LUZ, E O CALOR TÍPICO DAS ILHAS BRITÂNICAS – EU IRONISO, SE VOCÊS ME ENTENDEM… O RESULTADO NOS LEMBRA QUE SUPOSTAS E EXORBITANTES ALEGRIAS, MUITAS VEZES ESCONDEM ALMAS PENADAS E PENALIZADAS… ESCUTEM OS TRÊS. CADA UM A SEU TEMPO E HORA. OU TODOS JUNTOS, DEPENDENDO DE COMO VOCÊ PERCEBE O MOMENTO… A VIDA REAL É MAIS PRÓXIMA AO PURGATÓRIO DO QUE “ASTRUD GILBERTO’ CANTANDO “GAROTA DE IPANEMA”, OU THE”ASSOCIATIONS”, CANTANDO “WINDY… Postagem original: 20/03/2018