BUBBLEGUM, ROCK DE GARAGEM, BEATNICKS… E OS ENSINAMENTOS DE DOSTOIÉVSKI PARA ANTROPÓLOGOS E MUSEÓLOGOS

Para mim, parte da década de 1960 trouxe dias menos sombrios. Mesmo que imersos na DITADURA MILITAR.
Motivo?
Eu era jovem, perambulava entre a consciência política ainda não adequadamente despertada, e o interesse ascendente em coisas culturais. E a prospectar e colecionar discos de ROCK!
E, quanto mais difíceis e improváveis de conseguir melhor!
No início dos 1970, resolvi melhorar o meu inglês e comecei a procurar curso para fazer com seriedade.
Fui em duas escolas de referência, em São Paulo: a CULTURA INGLESA e a UNIÃO CULTURAL BRASIL – ESTADOS UNIDOS.
Assisti aulas promocionais em ambas. Escolhi a CULTURA INGLESA.
Pois bem, foi quando se deu o que vou descrever e, por consequência, a minha “inflexão” e posterior “reflexão” ética (nossa, TIO SÉRGIO, manera, fru – fru, manera!).
Eu tive em vinil a maioria dos discos da postagem. Todos são legais: Dos FUGS, grupo FOLK BEATNIK ALTERNATIVO, inaudível para os mais sensíveis; até os HUMAN BEINZ, PROTO-PASICODÉLICOS e dançantes, criadores, em 1968, de um dos maiores clássicos dos bailes, na década de 1960: Quem não ouviu ou não dançou NOBODY BUT ME, não foi jovem naqueles tempos!
Há, também, dois discos contidos no CD dos BUCKINGHAMS, excelente banda, gravados na COLUMBIA RECORDS, em 1967 e 1968. São pequenas joias POP; e a primeira intervenção de JAMES WILLIAN GUERCIO, produtor requintado, e o criador do “JAZZ – ROCK”, o antecessor da FUSION.
O que ele fez foi muito contestado na época, principalmente pelos JAZZISTAS e JAZÓFILOS mais clássicos. GUERCIO foi um inovador da linguagem musical POP; até hoje viva e sólida!
Com os BUCKINGHAMS, ele esboçou e produziu o que desenvolveu, depois, com o BLOOD, SWEAT & TEARS, e o CHICAGO TRANSIT AUTHORITY, dois sucessos retumbantes. Procure ouvir!!
Na contramão, há os SHADOWS OF KNIGHT e a CHOCOLATE WATCH BAND, bandas do mais perfeito ROCK DE GARAGEM da História!
Porém, dois LPS, aqui, foram alvo de salvamento da “extinção por maus tratos e tortura”:
“THE MUSIC EXPLOSION”, gravou um LP, e vários SINGLES: “A LITTLE BIT OF SOUL”, 1967, estourou! Curiosamente, o LADO B do , “I SEE THE LIGHT” é garageira radical e matadora. Eu, até hoje, de vez em quando escuto! Só que nem lembro como consegui o SINGLE!!!???! E lembro, também, do LONG PLAY, e conta a história do “salvamento” logo mais…
“THE MUSIC EXPLOSION” foi uma das invenções da dupla de empresários, JERRY KASSENTEZ e JEFFREY KATZ, que produziram e venderam como chicletes músicas comerciais dançáveis, do final dos 1960 até meados dos 1970.
Eles foram um dos criadores do chamado “BUBBLEGUM”, sub-gênero meio fake, festeiro e juvenil, que legou “artistas montados por encomenda”, que transitavam entre as bandas e projetos da dupla, e no entorno.
Ficaram quase famosos “1910 FRUITGUM COM” e “OHIO EXPRESS”, entre os vários e notórios frequentadores das trilhas sonoras dos bailinhos e paradas de sucesso da época. Gravaram muitos SINGLES. E o primeiro disco da “OHIO”, é pura garagem!!!
Certamente, o maior sucesso da era do BUBBLEGUM foram os ARCHIES, criados por “DON KIRSCHNER”, um concorrente forte.
Mas, “KASSENETZ & KATS” eram os caras! Depois, se envolveram em outras formas de ARTE POP, CINEMA, e etc…
Outro disco que “salvei” foi KICKS, com PAUL REVERE & THE RAIDERS, banda que andava mais ou menos por ali. Eram muito melhores, mais bem produzidos, e fizeram muito sucesso entre 1965 e 1972!
Transitavam do POP radiofônico ao ROCK DE GARAGEM, com tudo o que uma… digamos… “BOYS BAND DA PESADA” poderia fazer de melhor! Tinham imenso FAN CLUB, e um grande “TEEN IDOL” , MARK LINDSAY, nos vocais. Tocavam bem; e a sonoridade e produção da COLUMBIA RECORDS garantia o restante!
PAUL & RAIDERS gravaram mais de 30 SINGLES de sucesso, e alguns álbuns que ficam bem em qualquer coleção de BEAT e GARAGE ROCK. Está em KICKS, a cheia de pique CORVAIR BABY, que vale o disco.

Durante um mês eu frequentei a UNIÃO CULTURAL, mas “não a escolhi”.
Por lá, havia uma discoteca gerenciada por uma senhora que tratava os discos como o BOLSONARO trata os opositores; e LULA cuida da lógica.
Olhando a pequena estante, eu vi os dois LPs jogados, sujos, capas vilipendiadas; claramente manuseados com o desdém estúpido dos desinteressados. Para eles, eram lixos descartáveis…
Uma tarde houve o “descolamento e, ao mesmo tempo, o deslocamento” desses LPS daquela discoteca. Acho que por desmaterialização que só o CAPITÃO KIRK, da nave ENTERPRISE, fazia na época…
Naquele tempo não havia a “INTERNET DAS COISAS”…Acho que a combinação de magia e tecnologia fez os discos migrarem para a minha coleção…hummm!
Eu tratei bem deles. Foram lavados, curados, capas recompostas, entre atos de afeto diversos. Hoje, tenho quase certeza de que sobrevivem por aí.
O que leva aos ensinamentos da ARQUEOLOGIA, da ANTROPOLOGIA e de DOSTOIÉVSKI:
Um ANTROPÓLOGO americano respondeu a colega ARQUEÓLOGO mexicano, que lhe havia questionado sobre os “males do imperialismo, e o desvio das riquezas culturais de seu país…”
Ele simplesmente disse:
“Você está certo. Nós, e outros, tiramos daqui suas relíquias e as levamos para Museus. Foram, também, para coleções particulares metade do patrimônio arqueológico “removido”.
“Mas, eu pergunto: E com a outra metade, o que aconteceu?
E o professor mexicano respondeu:
“pois, é; perdeu-se ou foi destruída…”
E um grande problema ético se instalou:
Roubar, mas preservar. Ao invés vez de “respeitar” e perder um passado relevante e precioso? Uma escolha de Sofia?
Por muito tempo, senti-me um transgressor, pela materialização daqueles discos em outro lugar…
Depois, li CRIME E CASTIGO, de DOSTOIÉVSKI.
É sobre a racionalização de um crime hediondo cometido pelo personagem principal contra uma criatura nefasta e deletéria.
Com as devidas proporções consideradas, eu sou o RASKOLNIKOFF do colecionismo.
Eu e muita gente, né pessoal?
POSTAGEM ORIGINAL: 22/04/2022

BAILES E PARADAS DE SUCESSO, ALGUNS “BRANQUELOS” QUE DOMINARAM A CENA ENTRE 1966 E 1972.

Acho que fui a bailes e bailinhos até 1971. Foi rito de passagem obrigatório na minha geração. E não só nela, claro. Era o ponto de encontros e descobertas entre jovens meninos e meninas…

Aqui está parte dos artistas americanos branquelos mais frequentes em bailes por aqui, e também lá fora.

Alguns não vingaram no BRASL, mesmo sendo populares nas paradas do exterior:

FOUR SEASONS, por exemplo, foram enorme sucesso. Concorriam em prestígio com os BEACH BOYS que, aliás, em termos de vendas não chegavam aos pés deles!

Duas bandas de pouco sucesso no BRASIL, mas grandes vendedores de discos, e “Reis das rádios “AM” americanas, foram os GRASS ROOTS e os RASCALS. Os TURTLES nem tanto, mas “HAPPY TOGETHER” é tocada até hoje em rádios de OLDIES. E os COWSILLS, uma FAMILY BAND seguindo a trilha aberta pelo JACKSON FIVE, manteve o seu espaço com a linda “Sunshine Pop” “THE RAIN, THE PARK AND OTHER THINGS”.

No Brasil, não havia bailes ou bailinhos, sem MONY, MONY e CRIMSON AND CLOVER, gravadas por TOMMY JAMES AND THE SHONDELLS. Boa e popular banda, EXPLORADA pela Máfia italiana de Nova York, que ficava com a parte do leão do trabalho dos caras.

THE MAMAS & THE PAPAS rolavam muito com MONDAY, MONDAY; DEDICATED TO THE ONE I LOVE e CALIFORNIA DREAM…E também o excelente THE ASSOCIATION, criador das belíssimas CHERISH e NEVER MY LOVE. Ambos foram grupos famosos pelo VOCAL HARMÔNICO e PERFEITO!

E houve o CLASSICS IV, com TRACES e SPOOKY. E jamais faltavam músicas do CREEDENCE CLEARWATER REVIVAL, e de JOHNNY RIVERS. Além de outros, como BILL DEAL & THE RONDELLS, em “I’VE BEEN HURTED”; e “JUDY IN DISGUISE”, de JOHN FRED & HIS PLAYBOYS BAND. E o maior sucesso de todos, THE HUMAN BEINZ, com “NOBODY BUT ME”, marcou época e toca até hoje em “festinhas geriatricas”. Entravam, também alguns franceses e italianos, ainda fortes na audiência aqui do HOSPÍCIO DO SUL….

Ahhh, quase ia esquecendo a música pra “Roer Pescoço” da mulherada…. e o “Mela-Cuecas” supremo: “JE T’AIME”, com JANE BIRKIN e SERGE GAINSBOURGH. Era obrigatório! E havia o esperado set com o BREAD, e outras doçuras mortais para “melômanos diabéticos!

Vez por outra, rolavam coisas da JOVEM GUARDA, ROBERTO CARLOS, principalmente. E, eu ainda peguei RAY CONNIFF, JOHNNY MATHIS (PHODIS ?) e EARL GRANT sinônimos de música para dançar, naqueles tempos e um pouco antes…

Claro, baile nenhum dava certo sem a turma não americana, BEATLES e BEE GEES. Mas, se faltasse a inescapável VENUS, com os SHOCKING BLUES; ou coisas dos brasileiros “SUNDAY” não tinha festa! Então, podem ir lembrando aí…

Eu não trouxe para o salão a Música Negra, capítulo vasto e delicioso para ser tratado à parte. E não havia D.Js mais criativos intervindo na festa…

A música brasileira era muito pouco tocada em bailes, naquele tempo. Os jovens mais politizados se rebelaram politicamente contra a música estrangeira, que dominava parte significativa das programações nas rádios brasileiras. Um dos motivos foi a oposição à ditadura, tida como entreguista, também.

O SAMBA entrou pra valer na moda, por volta de 1970. Foi introduzido principalmente por universitários. O chamado “SAMBÃO”, bares especializados em samba e MPB ao vivo, para ouvir e dançar, “viralizaram” rapidamente. E se mantêm até hoje, em rodas e mesas de SAMBA, numa infinidade crescente de botecos pátrios.

O BRASIL prefere a MPB. É um dos poucos países onde a “música americana” não domina o mercado.

E ainda bem!

Um dado histórico curioso: na CONFERÊNCIA DE POTSDAN, reunião diplomática para decidir algumas regras no pós – Segunda Guerra Mundial, a delegação soviética protestou contra a expansão cultural dos ESTADOS UNIDOS no mundo.

Um diplomata disse claramente: “se a coisa continuar desse jeito, daqui uns tempos só vamos ouvir música americana nas rádios de nossos países!”

E não deu outra!
POSTAGEM ORIGINAL 22/04/2023

QUENTIN TARANTINO,”ERA UMA VEZ EM HOLLYWOOD”, CRÔNICA DAS DISTOPIAS E DISTORÇÕES DA DÉCADA DE 1960. E A TRILHA SONORA DO “LADO B” DA CULTURA AMERICANA

A discografia aqui postada é mínima perto do que aparece no filme, e para ser mais claro, em quase todo filme de TARANTINO. Porém é reluzente…

No atual, “ERA UMA VEZ EM HOLLYWOOD”, estão mais de trinta músicas. Há joias dos MAMAS & THE PAPAS, PAUL REVERE & THE RAIDERS, CLASSICS IV e CREEDENCE CLEARWATER. Vêm mescladas com HITS menores e onipresentes, mas quase desconhecidos fora dos E.U.A , como “THE ROYAL GUARDSMAN em “SNOOP X RED BARON; a versão esfuziante de “SUMMERTIME”, com BILLY STEWART; músicas dos BOX TOPS; e “BLACK IS BLACK”, grande sucesso internacional dos espanhóis LOS BRAVOS. Estão lá OHIO EXPRESS, clássicos do “BUBBLEGUM” MUSIC, e THE GRASS ROOTS…E até mais sofisticadas, tipo VANILLA FUDGE e THE ASSOCIATION.

Os interessados na contracultura precisam assistir ao filme de TARANTINO, que vez por outra rola nos canais H.B.O. É uma crônica do lado B dos tempos da “PAZ e AMOR”, na década de 1960. É surpreendente, muito instrutivo, sarcasticamente crítico! Imperdível!

O grande escritor inglês, GRAHAN GREENE, dizia que os americanos são interessantes porque capazes de cometer as maiores atrocidades com leveza e inocência na alma! Esta frase é um clássico em definição precisa. E qualquer indivíduo antenado neste mundo em eterno purgatório percebe isto.

As caras de “bolacha” dos americanos LEONARDO di CAPRIO e BRAD PITT, os atores principais, escondem a imensa disposição para perpetrar violências em legítima defesa, ou porque simplesmente foram provocados. Não há limite ou contenção.

É tipicamente americano, concordo com GREENE. E isto permeia as obras de SPIKE LEE e TARANTINO ( que sobrenome expressivo, heim…), por exemplo.

Mas, está nos filmes de BANG – BANG; sobre a MÁFIA; nos clássicos de guerras; em séries policiais; ou simplesmente nos conflitos juvenis, e nos tiroteios e massacres gratuitos nas escolas!

Pode-se comentar sobre pesquisas e criação de armas para destruição em massa; sempre realizadas em nome da ciência e das melhores causas e intenções. Ou lembrar dos Estados recalcitrantes que ainda aplicam a pena de morte…

A “AMÉRICA” é um país de competição, mesmo quando atenuada pela cooperação e o comunitário, também bases da construção da sociedade americana, segundo o filósofo ALEXIS DE TOCQUEVILLE.

QUENTIN TARANTINO nos revela um “Show Room Sociológico” que entrega o torpe e o sublime misturados em fascinação constante. Ele filma sobre isso. Mescla referências culturais, como a ideia de liberdade e autonomia do indivíduo, em roteiro recheado por metalinguagens, que vão de BRUCE LEE ao POP-ROCK; das rádios AM aos programas deTVs.

Mostra o clima e ambiente de gente em decadência na indústria cinematográfica.

Aborda a contracultura hippie desfigurada em simples vagabundagem; mas desaguando no líder de seita e assassino CHARLIE MANSON.

E nos recorda o cineasta ROMAN POLANSKY e sua vida sexual de completa falta de limites, usando usando como personagem SHARON TATE, mulher de ROMAN – que foi assassinada pela seita de MANSON, em 1969. Personagens e pessoas reais que viraram referência mundial dessa galopante metamorfose doentia.

A “Geleia Geral Cultural” flagrada pelo cineasta desvela o lado B americano. E, no filme, explode em violência exagerada pateticamente levada a extremos “cômicos”. Ou será que defender-se de alguém quase inoperante usando um lança-chamas, e depois tomando algumas com os vizinhos, pode ser considerado legítima defesa?

No contexto americano, lembrando GRAHAN GREENE, TARANTINO e SPIKE LEE, é perfeitamente possível.

Com o filme temos uma trilha sonora bastante original. O bom e o ruim lado a lado. Estão lá, também, o DEEP PURPLE psicodélico do final dos 1960; um HIT menor de NEIL DIAMOND; os ingleses CHAD AND JEREMY e JOE COCKER; a SOUL MUSIC de ARETHA FRANKLIN; e o FOLK REFINADO e COSMOPOLITA de SIMON AND GARFUNKEL.

Postei aqui um BOX mexicano barato, e meio TABAJARA, com 6 CDS abarcando o universo sonoro utilizado nos filmes de TARANTINO. Mas, quase nada neste filme…

É interessante, mas contém “tabajarices obscenas” , como versões das versões dos originais e outras raridades, descoladas sabe-se onde…

Para finalizar, dá pra escutar “BUFFY SAINT MARIE”, boa cantora FOLK, mas digamos uma sub-JUDY COLLINS. Ela canta versão famosa e deliciosa da belíssima “THE CIRCLE GAME”, de JONI MITCHELL.

Mas, depois de ouvir, a gente fica desconfiado, e com uma pulga de uns 2 quilos atrás da orelha: é que a conhecida “AQUARELA”, versão de TOQUINHO e VINÍCIUS DE MORAES para a música de um compositor francês, parece “inspirada” demais nela…

Será que fiquei intoxicado por TARANTINO e seu universo?
POSTAGEM ATUALIZADA DE ORIGINAL EM : 22/04/22

ELTON JOHN, THE ROCKET MAN! O NOME DELE É REGINALDO!

ASSISTI A “ROCKET MAN”, FILME SOBRE A VIDA E CARREIRA DE “ELTON JOHN”. GOSTEI!

NO FUNDO, É UM GRITO DE AUTO-LIBERTAÇÃO EXPONDO AS MAZELAS DE SUA CRIAÇÃO TRAUMATIZANTE, RELACIONAMENTOS COM OPORTUNISTAS, E OUTROS PERRENGUES DO VIVER. E SUAS MÚSICAS EMOLDURAM ESSA HISTÓRIA DE VIDA RICA, E DIFÍCIL.

O QUE HOUVE COM “ELTON” ACONTECE MUITO. LEMBREM-SE DE “ERIC CLAPTON” E DE “JOHN LENNON”: AMBOS NÃO TIVERAM O ACONCHEGO FAMILIAR DE CAETANO VELOSO OU MILTON NASCIMENTO, QUE FORAM CRIADOS COM AFETO. A FRIEZA INGLESA TAMBÉM AJUDOU A QUEBRAR O GAROTO SENSÍVEL E TALENTOSO.

HOUVE COISAS BOAS, TAMBÉM, CLARO. ELE É “SIR ELTON HERCULES JOHN”, TEM A ORDEM DO “DOS CAVALEIROS DO IMPÉRIO BRITÂNICO”, COMO VÁRIOS OUTROS, “TOM JONES” E “BRIAN MAY”, POR EXEMPLO.

E TORNOU-SE MERECIDAMENTE UM MILIONÁRIO, É ÓBVIO….

O FILME TEM ERROS E OMISSÕES. O NOME “ELTON JOHN” É A JUNÇÃO DE “ELTON DEAN”, JAZZISTA INGLÊS DE ALTO NIVEL; E O JOHN NÃO VEM DE LENNON, MAS DE “LONG JOHN BALDRY”, UM PIONEIRO DO R&B E DO BLUES INGLÊS. OS TRÊS ERAM AMIGOS.

FALTOU DIZER QUE “REG” É ÓTIMO CARÁTER E MUITO GENEROSO. SEUS AMIGOS CONFIRMAM.

AQUI ESTÁ UM EXCELENTE BOX ALEMÃO COM OS CINCO PRIMEIROS LONG PLAYS DE “ELTON JOHN”, LANÇADOS EM CDS. SÃO DISCOS RECONHECIDAMENTE IMPORTANTES, E MUITO BEM GRAVADOS E PRODUZIDOS; TÊM ALTO NÍVEL ARTISTICO-MUSICAL; GRÁFICO E TÉCNICO; E DÁ PRA OUVIR TUDO EM FIDELIDADE ABSOLUTA!

JUNTO NA FOTO, O DISCO DE “ELTON” COM “LEON RUSSELL”, EVENTO DA MELHOR MEMORABILIA EM MÚTUA HOMENAGEM ENTRE DOIS PIANISTAS FUNDAMENTAIS DA HISTÓRIA DO POP.

NÃO ESQUEÇAM: O NOME DELE É “REGINALDO”, “REGINALD KENNETH DWIGHT”; E QUEM CONSEGUIR O SINGLE DO “BLUESOLOGY” – QUE “APARECE” TOCANDO EM UMA CENA DO FILME, GANHA O “CHATINHO GARIMPADOR DE OURO”, PRÊMIO ALTERNATIVO INSTITUÍDO PELO “TIO SÉRGIO” PARA OS COLECIONADORES IGUALMENTE CHATINHOS – COMO ELE!

NÃO PERCAM!
TEXTO ORIGINAL: 19/04/2020

BLUES AMERICANO ORIGINAL, EM BOX DE PRODUÇÃO LUXUOSA!

Esta é a melhor homenagem a um gênero musical que conheci, no caso o BLUES, e vem num BOX raro e preciso, e hoje muito difícil de conseguir!

Estão nele 5 LONG PLAYS de DEZ POLEGADAS, como se fazia no final da década de 1940, início dos 1950. E traz 44 gravações originais, remasterizadas, e totalmente representativas do melhor BLUES já feito na HISTÓRIA!

Estão aqui todos os principais artistas: MUDDY WATERS, B.B.KING, BUDDY GUY, HOWLIN` WOLF, ELMORE JAMES, SLIM HARPO, CHUCK BERRY, JOHN LEE HOOKER, ROBERT JOHNSON, JIMMY REED, BO DIDDLEY; e outros mais e tão importantes como estes.

A seleção de repertório e intérpretes foi feita pelos quatro “ROLLING STONES” remanescentes à época: MICK JAGGER, KEITH RICHARDS, CHARLEY WATTS e RON WOOD. A capa foi pintada por RON WOOD. Há FOTOS dos artistas homenageados; um libreto, e belos texto nas páginas internas do projeto.

A produção GRÁFICA é de alta classe: O BOX reproduz aqueles “álbuns” antigos que armazenavam diversos discos de de 78 RPM. E que, talvez, muitos por aqui ainda não tenham visto. Eram bastante normais no passado.

Resumindo, interessa a todos que apreciam e se interessam pelo BLUES, e sua evolução, antes de sua face moderna e mais conhecida e curtida por todos. É uma edição limitada feita pela B.M.G. / Universal, e lançada em 2018. Um sumário histórico imperdível, e um objeto de arte altamente colecionável!
POSTAGEM REVISTA EM 16/04/2024

PHILIP MORRIS GLASS, NASCIDO EM 1937, E RUMO À ETERNIDADE!

TIO SÉRGIO fez um rolo com Mauricio Gonçalves Seabra, amigo agora dileto aqui do FACEBOOK. Trocamos alguns CDS, nos conhecemos pessoalmente, e gostamos do que fizemos.

Entre os discos que trouxe para a minha toca há uma eclética e muito bem montada COLETÂNEA do THE PHILIP GLASS ENSEMBLE, chamada THE ESSENTIAL PHILIP GLASS, lançada pela SONY MUSIC, em 2009.

É o grupo de GLASS em algumas parcerias muito curiosas do compositor com gente CULT do POP: Há “LIGHTNING”, com letra de SUZANE VEGA, e cantada por JANICE PENDARVIS, que trabalhou para o BOWIE, o STEELY DAN, STING, e outros luminares. Está no repertório “A GENTLEMAN´S HONOR”, com letra de DAVID BYRNE. Ambas gravações interessantes.

E, também, “CHANGIN OPINION”, com letra de PAUL SIMON, e cantada meio inadequadamente por BERNARD FOWLER, que gravou com CHARLIE WATTS, e faz parte da estrutura de “backing vocals” dos ROLLING STONES. Achei a voz R&B de BERNARD algo fora do contexto. Mas, enfim. É opinião, apenas.

Completando os 75 minutos do CD. há estratos da ópera SATYAGRAHA ( Oooopppps…. que não se perca pelo nome!!! ), lindíssima, com o tenor DOUGLAS PERRY. E outros fragmentos de obras instigantes, como “AKHNATEN”, “EINSTEIN ON THE BEACH”. E, também “DANCE 8”, “METAMORPHOSIS 4 “e “CLOSING”.

Achei o disco EXUBERANTE! Curti-lo é aula de sofisticação musical e transcendência sobre uma suposta algo simples “repetição estudada” que o MINIMALISMO revelaria… Nada disso!

GLASS é um gênio. Estudou violino aos 6 anos de idade, migrou para a flauta até os 15, quando percebeu que era um instrumento com repertório “limitado” para as suas pretensões. Entrou na Universidade de CHICAGO, formou-se em filosofia e matemática, ao mesmo tempo em que praticava no piano. Concentrou-se em compositores contemporâneos, como CHARLES IVES e ANTON WEBERN.

Mas, foi para a “JUILLIARD SCHOOL”, N.Y, onde descobriu AARON COPLAND, e WILLIAN SCHUMAN. Aos 23 anos já havia estudado com gente em nível de DARIUS MILHAUD. Então, abandonou o “SERIALISMO”, foi “pras cabeças”, voltou a IVES, estudou HENRY COWELL e VIRGIL THOMSON. E foi a PARIS imergir intensivamente por dois anos com a professora e compositora NADIA BOULANGER – que, muitos sabem, também ensinou FRANK ZAPPA e EGBERTO GISMONTI – A mestra é referência imprescindível para a modernidade musical!

Mas, somente encontrou-se musicalmente quando foi contratado por um cineasta para transcrever a música de RAVI SHANKAR para notações que pudessem ser lidas por músicos ocidentais. Este CD aqui postado tem tudo a ver com a experiência prévia…

Daí, voltou para NOVA YORK, e metamorfoseou-se novamente: passou a pesquisar música do HIMALAIA e do NORTE DA ÁFRICA. E a fazer trilhas sonoras para teatro e cinema. E a desenvolver composições para outros gêneros, como ópera.

Muitos lembrarão de um HIT CULT do cinema dos anos 1970, KOYAANISQATSI”, de GODFREY REGGIO, um libelo pró ecologia, filmado com reputada originalidade, e trilha sonora essencial até hoje, composta por PHILIP GLASS.

Bem, para uma resenha simples, as dicas sobre esse GÊNIO consumado estão dadas.

Percam-se na música dele!
POSTAGEM ORIGINAL: 14/04/2024

EDIÇÕES SUECAS DE DISCOS DE ROCK E POP DE 1954 A 1969

A Escandinávia e principalmente a Suécia, frequenta o imaginário ocidental há décadas.

Sociedade igualitária e livre sem ser socialista; desenvolvida, mas não luxuosa; educação e cultura requintadas; desenvolvimento econômico e político; e, dos anos 1960 em diante, liberdade existencial e sexual.

É a terra da VOLVO, automóveis refinados. E, hoje, os caças GRIPEN são disputados, e fazem parte da OTAN e também estarão da nossa FAB.

Quem tinha intenções mais intelectuais, nos anos 1960, 1970… não deixou de conhecer o cinema de INGMAR BERGMAN, e suas crises existenciais burguesas…; as peças de IBSEN; e até a conversão definitiva do FERNANDO GABEIRA de guerrilheiro urbano para o socialismo maduro, ou à socialdemocracia. Marcos verdadeiros da civilização ocidental em seu ápice.

Mas, há também, o grande filme “O BANQUETE DE BABETTE”, 1987, dirigido por GABRIEL AXEL, relatando o choque causado pelos prazeres da culinária francesa em um país tão conservador, fechado, e quase rústico.

No início dos século vinte, a SUÉCIA era uma sociedade pobre. Mas,

Tudo isso para chegar à música. Não, não vou falar do grande fenômeno POP sueco, o ABBA. Sucesso retumbante até hoje, porém musicalmente tão sueco quanto o o o o… ah, escolham: BON JOVI, ADELE?

A conversa retroage à década de 1960. Pra quem não sabe, as edições suecas de discos de ROCK dos 60 ao início dos 70, eram peculiares e diferenciadas. As capas, e os lançamentos dos BEATLES, ROLLING STONES, THE WHO, BEACH BOYS e um universo grande de artistas, eram diferentes da maior parte do mundo. A maioria trazia de designs exclusivos.

Colecionar as edições suecas sempre foi difícil, porque tiragens relativamente pequenas, tanto de LONG PLAYS, quanto os SINGLES e EPS, onde se concentram as raridades, curiosidades e diferenças. Portanto, partes do fino da confeitaria POP.

Por isso, quem se interessar dê uma olhadinha no livro abaixo. Pode ser muito legal! É edição revista e cheia de curiosidades. A turma de lá pensava e fazia de jeito local.

E legaram variedades imensas, pra fazer o TIO SÉRGIO salivar feito um BULLDOG! Qualquer hora eu tento conseguir esse livro aí!
POSTAGEM ORIGINAL: 13/04/2019

ROCK PSICODÉLICO DE SÃO FRANCISCO: NUGGETS 1965 – 1970 – RHYNO RECORDS

Se por foto a capa desse álbum espetacular parece bonita, imagine de perto!

É um box com 4 CDS e um livro HARD COVER em prata, azul e preto. E tem fotos, textos introdutórios, biografias, discografias, memorabilia; e tudo o que faz uma publicação valer a pena.

Esteticamente é sensacional!

Pois, é! A RHYNO, gravadora hoje de algum porte especializada em relançamentos, no final dos anos 1980 começou a editar o melhor ROCK UNDERGROUND dos EUA e da GRÃ BRETANHA.

Os discos são caprichados gráfica e tecnicamente. E foram pesquisados e coligidos pelo especialista “ALEX PALAO”, da revista “RECORD COLLECTOR”. Ele manteve a base dos trabalhos de origem, feitos na década de 1970, e lançados em álbum duplo arrasador, com o mesmo nome de NUGGETS.

O som do UNDERGRPOUND foi trazido ao proscênio. À luz vieram do COUNT FIVE aos ELECTRIC PRUNES, passando pelo BLUE CHEER e vasto elenco.

A primeira série NUGGETS em CDS. é de tirar o fôlego! Três volumes iniciais com o fino do “SEGUNDO TIME” do ROCK AMERICANO!

Estão por ali GARAGEM E PSICODELIA, além de sucessos mais óbvios do SUNSHINE POP, vislumbrando panorama vasto do WEST COAST ROCK AMERICANO, em meados dos 1960.

Muita coisa foi recuperada e, depois, revalorizada a ponto de ser relançada pelas gravadoras originais, ou não, até hoje. Os artistas são, simultaneamente, CLÁSSICOS E CULTS!

Com o tempo, extremos foram ampliados em outras “sub-séries” ao longo dos anos 1990, em diante. E culminaram em DOIS BOXES excepcionais, já neste século XXI.

Um deles é este aqui. “LOVE IS THE SONG WE SING”, prospectando os fundões do ROCK DE SÃO FRANCISCO. Colecionável no “úrtimo” furo da cinta. Ou colchete do soutien…” – que mal gosto, TIO SÉRGIO…

Está todo mundo aí . De COUNTRY JOE & THE FISH ao GRATEFUL DEAD; Do JEFFERSON AIRPLANE folk e “beatleniano”; aos BEAU BRUMMELS, “searcherianos” (eita!!!!); e mais SLY STONE, STEVE MILLER, SANTANA, CHOCOLATE WATCH BAND, COUNT FIVE, GRASS ROOTS. E até a versão de sucesso no Brasil com o obscuro grupo PEOPLE, de “I LOVE YOU” – gravação original desimportante gravada pelos ZOMBIES; além de vastíssima “entourage”.

SÃO FRANCISCO era um vulcão cultural e de experimentações. Terra do JAZZ de DAVE BRUBECK ao POP CLÁSSICO de JOHNNY MATHIS – “PHODIS”, segundo a irreverência de roqueiros amigos meus, aqui na MANDACARULÂNDIA.

SÃO FRANCISCO é a cidade onde foi criada a REVISTA ROLLING STONE; e, foi sede dos grandes teatros e salões de baile onde o ROCK PSICODÉLICO, o FOLK ROCK, e o que mais aconteceu em termos musicais foi desenvolvido. Era o entreposto lúdico das drogas; e a da CONTRACULTURA.

Foi, também, onde as rádios FM começaram a tocar LONG PLAYS INTEIROS orientando o que viria a ser o futuro do ROCK e da cena POP.

Há tanto a dizer!!! e muito mais, ainda, para ouvir.

Este BOX começa com a emblemática GET TOGETHER, na voz do autor, DINO VALENTI, e termina com a versão CULT , famosa e clássica dos YOUNGBLOODS.

O espírito de JANIS JOPLIN, GRACE SLICK e JERRY GARCIA alegres, mas tragicamente, assombram a paisagem até hoje.

Vale a pena ir atrás!

TIO SÉRGIO recomenda de olhos fechados. E ouvidos abertos!
POSTAGEM ORIGINAL: 11/04/2020

ABOUT THE BLUES 1: ALGUNS AMERICANOS NÃO CONVENCIONAIS

Na minha geração, para a turma que está entre os 50 e os 60 anos de idade, gostar de BLUES era decorrência quase “natural” se você gostasse de ROCK.

É o meu caso. Eu adorava as variações do BLUES, nos anos 1970 e 1980, e ainda gosto. Compro CDS e DVDs, já que coleciono, e os escuto até hoje.

O BLUES que nós gostávamos, na época, não era o TRADICIONAL, de ROBERT JOHNSON, JOHN LEE HOOKER, MUDDY WATERS, entre vários. Mas, o BLUES ELETRIFICADO e modernizado, que os ingleses desde o início dos anos 1960, descortinaram para o mundo.

Pois é, o BLUES é música americana de raiz, antes mais associada ao JAZZ; e recuperada, reverenciada e trazida para o mundo POP pelas bandas inglesas dos anos 1960.

Se não fossem os ROLLING STONES, YARDBIRDS, FLEETWOOD MAC, ANIMALS, MANFRED MANN, e infinidade de artistas até hoje em atividade, ícones como B.B. KING e toda a tradição americana teriam tido menos força e, quem sabe, menos influência.

Muitos deles já estavam no ostracismo, quando o BLUES ressurgiu forte na GRÃ BRETANHA.

Diz a lenda que os STONES cruzaram com MUDDY WATERS, em 1964, quando foram gravar nos estúdios da CHESS RECORDS, nos E.U.A. E Waters pintava as paredes da casa…, o que horrorizou a banda! Destino trágico para quaisquer ídolos em qualquer tempo…

Graças a JOHN MAYALL, o grande incentivador da geração de ingleses que faziam BLUES. E artista com mais de 70 discos gravados que, literalmente, acompanhou ou performou com quase todos os grandes nomes tradicionais e contemporâneos, ingleses ou americanos, o BLUES espalhou-se.

Foi MAYALL quem projetou ERIC CLAPTON, em 1964 considerado o melhor guitarrista da Inglaterra, desde quando estava com os YARDBIRDS. E, para saber quantos astros MAYALL revelou, procure no Google.

JOHN MAYALL é um dos que ostentam a comenda de Cavaleiro do Império Britânico. Está ao lado de PAUL McCARTNEY, ELTON JOHN, JEFF BECK, JIMMY PAGE, e incontáveis.

Ele é estelar, continental e, aos 92 anos ainda grava e excursiona.

Eu o assisti ao vivo, aqui em São Paulo, há uns 25 anos – e tenho os ingressos autografados por ele!!!!! -; No final de um show de quase 3 horas, o velho voltou ao palco e ajudou a desmontar os equipamentos!!!! Vitalidade de Milton Neves; e da rainha da Inglaterra!

Mas, por que o BLUES explodiu na GRÃ BRETANHA?

Provavelmente porque os jovens queriam música vibrante como o ROCK AND ROLL da primeira fase – ELVIS PRESLEY e CHUCK BERRY entre vários – que já estava meio para o decadente e sem perspectiva, até que houve a explosão dos BEATLES e da chamada BRITISHJ INVASION, por volta de 1962/1964.

Grosso modo, na época e como hoje, as diversas tendências conviviam, os BEATLES seriam mais conectados aos ROCK e os ROLLING STONES ao BLUES…

Os clubes e pubs ingleses em geral apresentavam bandas de JAZZ. O JAZZ é como a BOSSA NOVA: música urbana para jovens mais sofisticados. A garotada em geral queria agito, daí o SKIFLE, depois o BLUES, música mais simples que bate direto nos sentimentos. E tem guitarras elétricas e combina com paqueras e cervejas.

Pouco a pouco os locais onde se ouvia JAZZ foram migrando para o BLUES, que se revestiu de ROCK e o resto é o que temos até hoje. É claro que houve um renascimento do BLUES também nos EUA – mas curiosamente, inicialmente também por influência e exemplo dos ingleses.

O BLUES chegou forte no BRASIL no começo dos anos 1990 e permanece mais discretamente. Hoje temos uma linguagem de pop e rock genuinamente nacional. Mas não há BLUES com identidade brasileira, apesar de alguns bons artistas e ótimas bandas como NUNO MINDELIS e ANDRÉ CRISTOVAM – que chegou a tocar uns tempos com JOHN MAYALL.

Hoje, no mundo inteiro o BLUES continua firme. Procurem escutar SONNY LANDRETH, JOE BONAMASSA, SUSAN TEDESCHI & DEREK TRUCKS, por exemplo. Sem lembrar do “imorrível” ERIC CLAPTON e e da memória do imortal B.B.KING.

Há muito, mas muito mais mesmo a ser dito e infinitamente mais a ser escutado. THE BLUES WILL NEVER DIE!
POSTAGEM ORIGINAL: 12/04/2023

OS FRANCESES E O AMOR PELO JAZZ

Um dos encantos da vida é ver o belo, ou trabalhos de qualidade serem reconhecidos fora de casa pelos curiosos dessa Terra.

A miopia não é somente uma deficiência visual. É, também, e talvez principalmente, uma constatação da limitação humana e da mediocridade existencial irremediável.

O BLUES AMERICANO foi recuperado, expandido e amado pelos ingleses, na década de 1960.

Quem palmilhou, buscou e colecionou a MÚSICA BRASILEIRA, da raiz ao contemporâneo e até hoje, foram em grande parte os colecionadores japoneses!

Mais um viva, então, ao espírito empreendedor, à paixão universal e à beleza compartilhada!

Os FRANCESES deram vida nova ao JAZZ AMERICANO – e ao deles próprios! – dos anos 1940 em diante.

O intelectualismo e cosmopolitismo francês obrigaram e abrigaram a ruptura de barreiras culturais e raciais. Tornaram popular e inteligível para os europeus o JAZZ, uma forma de arte radical, moderna, não linear e sofisticada.

Seria? O que escrevo é radical?

É possível argumentar.

Aqui vai um BOX da minha coleção, muito interessante e fruto da paixão dos franceses pelo JAZZ. É a recuperação do acervo das gravadoras “SWING e VOGUE DISQUES”. São reproduções em MINI-DISCS dos Lps de 10 e 7 polegadas da época.

As capas são originais; fizeram o melhor trabalho técnico possível, e foram aqui reunidos sob a orientação da sucessora SONY MUSIC. Um must!

Fundada em 1947, a VOGUE durou até 1987. Lançou por lá, e divulgou com empenho e paixão o JAZZ clássico de SIDNEY BECHET, STEFHANE GRAPPELLI, DJANGO REINHARDT e CLIFFORD BROWN…

Depois, assumiu a ruptura do BE-BOP e da vanguarda com THELONIOUS MONK, DIZZY GILLESPIE, LALO SCHIFRIN, MARTIAL SOLAL, HENRY RENAULD e GERRY MULLIGHAN. E flertou, prensou e divulgou o RHYTHM and BLUES e o BLUES de MARY LOU WILLIANS e BIG BILL BROONZY, por exemplo.

E, também, o GOSPEL de MAHALIA JACKSON, e diversos e váriados artistas.

Esses VINTE Cds, com 35 DISCOS originais, é para ter, pegar e ouvir! Tentem escutar.

Pois, é; em linhas gerais foi muito além. Um dos fundadores que manteve o controle da gravadora até o final, o visionário colecionador CHARLES DELAUNAY, expandiu a VOGUE para o POP/ROCK de jOHNNIE HALLIDAY e FRANCOISE HARDI, mas sempre gostou e cuidou do JAZZ. O legado é soberbo.

Então, quando vocês assistirem novamente ao filme de Bernard Tavernier, “ROUND MIDNIGHT”, de 1986, observem a performance e interpretação do grande saxofonista DEXTER GORDON, no papel principal.

E não esqueçam de notar o jeito “HIP” de GORDON, e o clima DARK da PARIS retratada, que têm tudo a ver com a VOGUE DISCS, e muito, muito com todos nós!

“Se” percam por aí…
POSTAGEM ORIGINAL: 10/04/2020