PINK FLOYD “FROM THE UNDERGROUND TO THE MOON”.

Outra raridade. PINK FLOYD “FROM THE UNDERGROUND TO THE MOON”. Edição alternativa japonesa… Com OBI e tudo o mais. Box com três cds revestido em seda, e cada um deles guardado em papel de seda! Edição luxuosa e numerada com certificado de garantia…
DISCO 1: São diversos shows raros ao vivo, de 1968 a setembro 1970; DISCO 2: shows gravados entre 1970 e 1971, com faixas como ECHOS , em POMPEI, junho de 1971; ATOM HEART MOTHER, 1970, etc… E, DISCO 3; show e faixas diversas gravadas entre 1971 e 1972, por exemplo DARK SIDE OF THE MOON, integral, em SOUTHAMPTON; A SAUCERFUL OF SECRETS, em POMPEI; e outras menos notadas
É raro e precioso!

Postagem original: 06/03/2017

A DISCOTECA DE ASMODEU: O SENHOR DISCRETO E DOIS JOVENS ESCANDALIZADOS!

Há uns quinze anos, fui tratar de negócios com um casal jovem. Na entrada do sobrado havia algumas caveiras, símbolos esotéricos, e códigos anunciando gente alternativa no pedaço.

Entrei, e dou de cara com dois “OGROS” do bem; mais “pichados” do que o portão do inferno. Ele tatuador; ela artista plástica – boa pintora!

Fomos lá, conversamos, resolvemos as pendências e, enquanto tomávamos uma cerveja, observei que tinham uma coleção de Cds bastante grande. Pedi para dar uma vista. Eles entre o jocoso e o… digamos respeitoso, permitiram.

Não deu outra: ERA UM “ARSENAL”, E NÃO ERA UMA DISCOTECA! Como se dizia nos anos 1990, “PODREIRA” pra todo lado: BATTORY, SOULFLY, OZZY OSBORNE, ANAL CUNT, MISFITS, e outros mais ou menos votados para tocar para ASMODEU em rituais!!!

Perguntaram se eu conhecia. Disse que sim. Pasmo geral!

E perguntei a eles como percebiam a transição entre o HEAVY METAL clássico para as novas tendências da época, DOOM METAL, THRASH METAL…Perguntei sobre PUNKS RAIVOSOS, e etc… Perplexidade explícita!

Para gozar os meninos eu, na altura dos 55 anos, discreto e bem educado senhor, perguntei o que achavam do Cd da dupla horrorosa, mas verdadeiramente PUNK, que eles mantinham na discoteca:

ANAL CUNT, e seu repertório escatológico de músicas curtas!

Muita faixas, todas em torno de 20,30 segundos cada, e títulos do tipo: “VOCÊ É UMA BICHA ESCROTA”; “TEU PAI É UM DECORADOR DE INTERIORES”; “TUA MÃE DEU PRO TIME DE HOCKEY”,… e iluminismos do gênero…Não disse a eles que havia tido lojas de discos, etc…

Na saída, fui mais ou menos escoltado pelos dois. Atônitos…

Escandalizados ficaram eles!!!!
Postagem original: 05/03/2021

JOHN McLAUGHLIN, E OS MEUS DOIS PRIVILÉGIOS INESQUECÍVEIS!

EU TIVE A HONRA E O PRAZER DE ASSISTIR A JOHN McLAUGHLIN NA PLENITUDE DE SUA FORMA.

A PRIMEIRA VEZ, FOI NO GINÁSIO DO ANHEMBI, DURANTE O “SÃO PAULO/MONTREUX JAZZ FESTIVAL”, EM 1978. TAMBÉM PERFOMARAM NAQUELA NOITE, ‘HERMETO PASCHOAL E BANDA”; O BOM TROMPETISTA “MÁRCIO MONTARROYOS”, QUE DEU VEXAME INESQUECÍVEL POR NÃO QUERER SAIR DO PALCO APÓS O TEMPO PREVISTO PARA ELE TOCAR. FOI RETIRADO NA MARRA… E, CURIOSAMENTE, “A ORQUESTRA DE PÍFANOS DE CARUARU”.

EU E MEU AMIGO PAULO CALDEIRA ESTÁVAMOS COM CRACHÁS QUE NOS DAVAM O DIREITO A VISITAR O “BACK STAGE”, ONDE OS ARTISTAS SE REUNIAM, CONVERSAVAM, BEBIAM E TOCAVAM UNS COM OS OUTROS.

O “CLIMA” ERS MARCANTE! VI COISAS E GENTE INCRÍVEIS NOS BASTIDORES. ASSISTI “PINE TOP PERKINS” BRINCANDO NO PIANO, PERTO DO BAR, RODEADO POR MUITA GENTE…VI O GUITARRISTA “SÉRGIO BAPTISTA”, EX-MUTANTES, QUE TENTAVA UMA BOCA PARA TOCAR COM “McLAUGHLIN”, MAS NÃO DEIXARAM.

VI, TAMBÉM, O BAIXISTA “FERNANDO SAUNDERS”, QUE ESTAVA DOIDÃO ATRÁS DA MULHERADA, ABORDANDO O “QUE” APRECESSE, E NEM QUIS PAPO… ELE VEIO ACOMPANHANDO McLAUGHLIN; E, DURANTE A CARREIRA TOCOU, E GRAVOU, COM “JEFF BECK”, “LOU REED”, E UMA “FIEIRA” DE OUTROS CRAQUES.

EU BATI UM PAPINHO COM “JOHN McLAUGHLIN”, NO BACK STAGE, POR ALGUNS MINUTOS. FIZ-LHE PERGUNTAS SOBRE UM PASSADO REMOTO COM A “GRAHAN BOND ORGANIZATION” E MAIS RECENTE COM A “MAHAVSHNU ORCHESTRA”. MAS, ELE FUGIU DO ASSUNTO E PEDIU, GENTILMENTE, LICENÇA, “´PORQUE PRECISAVA SUBIR NO PALCO E TOCAR”.

CLARO, DEAR JOHN!!!! FOREVER AND EVER!!!!!

ASSISTI AO SHOW DE FRENTE PARA O PALCO. E McLAUGHLIN CHAMOU HERMETO PASCHOAL PARA UMA CANJA, E DUELARAM: GUITARRA CONTRA FLAUTA, PANELAS, E OUTROS APETRECHOS QUE A GENIALIDADE INIGUALÁVEL DE HERMETO SACASSE NA HORA!

FOI ANTOLÓGICO! ELE DESAFIAVA McLAUGHLIN, TIRANDO SONS COMPLEXOS DA FLAUTA, E FALAVA: “VAI LÁ GRINGO “F.da.P”, É A TUA VEZ”.

E A RESPOSTA VINHA CERTEIRA FEITO MÍSSIL: GUITARRA EM TOM COMPATÍVEL, REPETINDO A “PERGUNTA”, E RESPONDENDO COM AS FRASES CURTAS QUE O CELEBRIZARAM….

EU ESTAVA A MENOS DE CINCO METROS DE DISTÂNCIA…E JAMAIS ESQUECEREI!

A SEGUNDA VEZ, FOI NO GINÁSIO DA PORTUGUESA DE DESPORTOS, TIME TRADICIONAL, QUE VIVE OSCILANDO ENTRE A MORTE E A RESSURREIÇÃO. ACHO QUE FOI EM 1982.

O SHOW TEVE ABERTURA DE “EGBERTO GISMONTI” E BANDA, QUE, DE CARA, CUMPRIMENTOU A PLATEIA ASSIM:

“OLÁ, PESSOAL, VOCÊS NÃO VÃO SE ARREPENDER DE TEREM VINDO”: SENTOU-SE AO PIANO, E INICIOU UM DOS MELHORES CONCERTOS QUE ASSISTI NA VIDA!

DEPOIS, ENTROU “Mc LAUGHLIN”! SOBERBO; BANDA PERFEITA, E UMA APRESENTAÇÃO ARREBATADORA A PONTO DE, NO ÚLTIMO BIS, ELE E A BANDA TENTAREM CANTAR, JÁ QUE NÃO CONSEGUIAM MAIS TOCAR TAL O CANSAÇO!

JOHN É UM ESTILISTA DA GUITARRA, TEM FRASEADO ÚNICO, PESSOAL. ALÉM DE BOM GOSTO NA ESCOLHA DO REPERTÓRIO, E DO APURO TÉCNICO REFINADO EM DÉCADAS DE ENCANTAMENTO, LEGADO EM GRAVAÇÕES PRIMOROSAS.

VALE PESQUISAR SUA VASTA E VARIADA DISCOGRAFIA!

AQUI, UNS DISQUINHOS PARA VOCÊS CURTIREM.

“JOHN McLAUGHLIN” PODE TRANQUILAMENTE SER CONSIDERADO UM GÊNIO!
postagem original:05/03/2022

“EU SEI QUE VOU TE AMAR”, ALGUNS DISCOS QUE MAL ESCUTEI, E A DICOTOMIA EXTREMA NA MÚSICA BRASILEIRA ATUAL.

 

Há um lado da cultura brasileira que costumava nos orgulhar: a MÚSICA POPULAR.

Mas, seguindo a nossa tendência histórica ao desequilíbrio, nunca os extremos de qualidade estiveram tão pronunciados!

É curioso, mas ao contrário do que aparenta, a M.P. B vive, nos últimos trinta anos, BOOM CRIATIVO próximo ao espetacular!

E, tudo junto e ao mesmo tempo agora, está nítida a queda geral de qualidade no segmento da MÚSICA POPULAR, digamos boa, porém menos sofisticada.

O que levou a uma concentração nos dois polos:

o MAIS SOFISTICADO que está bombando em qualidade. E a MÚSICA MAIS POPULAR, que vem se transformando em POPULARESCA, e descendo a níveis artísticos e técnicos antes inimagináveis!

O meio de campo praticamente desapareceu. E sem meio campo os times não jogam!

Artistas populares, como o ROBERTO CARLOS, entre tantos vários, migraram em letras para o POPULARESCO, e estacionaram no óbvio em termos puramente musicais. E mesmo a produção técnica continuando excelente – o que disfarça a falta de conteúdo, ou puro mau gosto!

Seria um desperdício de potencial, ou foram os talento que se esgotaram sem que tenha havido uma renovação?

O mais provável, talvez, é que as circunstâncias do mercado em que eles sempre atuaram tenha exigido esse movimento. Para baixo…É justamente nessa faixa do meio que as coisas foram “down the river” – e não é de hoje.

Foi nela que se instalou o novo POP BRASILEIRO: o SERTANEJO, O AXÉ, e o novo R&B/RAP à brasileira, de gente como ANITTA, e esse monte de RAPPERS e MCs. Tudo grandioso e bem produzido, mas ralo. Entre o meio tolo e o puramente vulgar. O segredo de todos eles é se concentrarem no ritmo e no dançante. E no PRIMÁRIO evocando o PRIMATA que existe em todos nós.

Dançar é preciso. Mas já dançamos ouvindo coisa melhor…

Existe o muito pior. O que dizer uma banda chamada “PICIRICO”, executando – literalmente – um troço chamado LEPO-LEPO?

E esta apropriação brasileira da parte péssima da música negra americana?

O RAP e suas letras ofensivas, mal escritas, mal pensadas, de conteúdo difuso refletindo má educação e ignorância, e não protesto, como alguns bem-pensantes acreditam.

Há o FUNK PANCADÃO e sua monotonia rítmica, ausência de harmonia e melodia mesclados por samplers vulgares? Sem falar do que pensam sobre, e de que jeito agem com as mulheres!

Nos anos 1960, os mais velhos se horrorizavam com as letras dos BEATLES, STONES e do JIM MORRISON. Tentem comparar com as de hoje…

Porém, há o lado oposto.

Nossa MÚSICA INSTRUMENTAL É DE ALTÍSSIMA CLASSE executada por músicos nunca menos que brilhantes. Procurem por “VENTO EM MADEIRA”, “PAU BRASIL “, NELSON AYRES, MAURO SENIZE, ANDRÉ MEHMARI, e CDs da gravadora Biscoito Fino, em geral. E por alguns novos postados na foto.

É interessante, mas com a queda das grandes gravadoras expandiu-se, no Brasil – e pelo mundo -, um série de pequenas e médias, que contrataram artistas como a GAL, a BETHÂNIA e o CHICO, resumindo em alguns. Eles continuam produzindo com qualidade “as ever”…

E há os consagrados menos famosos como JOYCE, OLIVIA BIYNGTON, VANIA BASTOS – a melhor cantora do Brasil – TONINHO HORTA, EGBERTO GISMONTI. E os novos, cantores e cantoras de diversos estilos como FABIANA COZZA, CÉU, TULIPA RUIZ, e outras tanta!.

E, claro, os excelentes de sempre como MARISA MONTE, CAETANO, ZECA PAGODINHO…

Procurem conhecer a obra monumental e algo fora do esquadro de MARCOS VALLE – respeitadíssimo lá fora!

Achem o disco feito com uma das melhores cantoras de JAZZ DO MOMENTO, STACEY KENT. Um primor!

Enfim, são impressões de um coroa meio elitista, mas que não tem preconceitos nessa área. Tenham certeza, ainda fazemos direito e gostoso – oopsss!

Mas, está na hora de ajudarmos a descontaminar esse ambiente. É a opinião de um CIDADÃO dessa PATÓPOLIS TROPICAL, cansado de pagar o pato, mesmo sabendo que são os PATOS-CIDADÃOS que sempre quitam o preço da bagaça.

Boa música, porque ela existe de montão. E “Quá, Quá” pra vocês!
Postagem original: 04/03/2023

MILES DAVIS – COLUMBIA RECORDS, EDIÇÕES LIMITADAS DE LUXO

QUEM PROCURA MILES DAVIS ENCONTRA EXCESSOS. É DOS POUCOS ARTISTAS QUE NÃO ENJOAM, MESMO QUANDO ALÉM DA CONTA.

AQUI ESTÃO ALGUNS ÁLBUNS LUXUOSOS E, CLARO, COLECIONÁVEIS ATÉ A MEDULA!

1) HÁ “MILES E COLTRANE COMPLETOS”, 1955-1961. DIZER O QUÊ? ENTRE AS PRECIOSIDADES ESTÁ “KIND OF BLUE”,1959, VOCÊS CONHECEM?

HÁ, TAMBÉM “MILESTONES”, 1958; “SOMEDAY MY PRICE WILL COME”, 1961; “ROUND ABOUT MIDNIGHT”, 1962, E ALGUM ETC…

2) “OS QUINTETO COMPLETOS” 1965-1968; SÓ GENTE “PEQUENA”: WAYNE SHORTER, HERBIE HANCONCK, RON CARTER & TONY WILLIANS.

DENTRO ESTÃO “ESP”; “MILES SMILES”; “SORCERER”; “NEFERTITI”; “MILES IN THE SKY”; “FILLES DE KILIMANJARO”, E RESPECTIVAS SESSÕES. É FARTURA DE RODÍZIO DE CHURRASCO!

3)TUDO DE “MILES E GIL EVANS” 1958-1968. “MILES AHEAD”; “PORGY AND BESS”, SKETCHES OF SPAIN”; “QUIET NIGHTS”, O FANTÁSTICO “MILES + 19”, E ENORME SESSÕES, E TUDO, TUDO MAIS!

4) “IN A SILENT WAYS” INTEGRAL 1968-69, SÃO VÁRIOS DISCOS ALÉM DO TÍTULO;

5) E FINALMENTE “BITCHES BREW”, 1969, EDIÇÃO COMPLETA DE 40 ANOS. O MESMO ESQUEMA, TUDO O QUE FOI PENSADO, FEITO, GRAVADO, E COLETADO.

AS CAPAS SÃO O FINO: BORDAS EM METAL, COM A GRAVAÇÃO DOS NOMES, E OS LIVRETOS SOBERBOS.

CERTAMENTE FALTAM ALGUNS. INFELIZMENTE!

TUDO O QUÊ MILES DAVIS FEZ FOI EXCESSIVO E SUPERLATIVO. ERA UM WORKAHOLIC, UM AMERICANO TRABALHADOR AO EXTREMO!

FICOU MILIONÁRIO, E MERECEU CADA CENTAVO, CADA GOLE, OU CAFUNGADA.

CRIOU ESTILOS, ÉPOCAS, MODAS. E INFLUENCIOU EM TUDO QUE FOI FEITO EM MÚSICA, ENTRE 1948, E SUA MORTE – E BEYOND!

MILES EXIGE POSTAGEM, ATENÇÃO, ANÁLISE, E CRÍTICA DETALHADA PARA CADA GRAVAÇÃO QUE FEZ, OU DISCO QUE LANÇOU OU VENHA A SER LANÇADO!

ELE É UM GÊNIO IMORTAL, E POR ENQUANTO INIGUALADO.

SERIA INIGUALÁVEL?

EU VIVO CAÇANDO DISCOS DO PRETINHO DESDE SEMPRE, E FOREVEER AND EVER!

FAÇAM AS SUAS APOSTAS!
Edição original: 04/03/2018

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THE WHO – WHOS’ NEXT – EM TRÊS VERSÕES: VINIL e CDS

Eu criei e mantenho uma espécie de ALFARRÁBIO MENTAL, acúmulo mal filtrado de leituras e percepções de passado remoto.

Nascido na década de 1950, mas criatura dos 1960 e 1970, onde formei vocabulário de vida que, independentemente de tudo, ainda resguarda convicções, prazeres, seduções e parte da minha visão de mundo.

Filosofices à parte, hoje recordei frase de crítico em publicação importante, talvez a MELODY MAKER, quando “WHO´S NEXT” foi lançado, em 1971.

O cara escreveu mais ou menos o seguinte: “Se você não for um jovem intoxicado por barulhos e “otras cositas mas”, terá de admitir que o “WHO” evoluiu”!

Claro, eu fui um dos intoxicados por barulhos brancos, ROCKS pesados digeridos feito pedra, mesmo que a única “cosita a mas” que me intoxicava – e continua intoxicando – é a cerveja!

Mas o tempo, senhor absoluto da dissenção, no caso fez-me ver que, realmente, “THE WHO” evoluíra.

Gosto do WHO, como a maioria dos rockers da minha geração, e das posteriores também. Mas, os prefiro na fase antes de TOMMY explodir, em 1969. Vou expor minha visão sobre a música deles no período.

Acho os SINGLES da banda excelentes, talvez os mais violentos, joviais e pesados feitos de meados para o final dos 1960. Há diversos excepcionais como “I CAN SEE FOR MILES”, “PICTURES OF LILY”, “MY GENERATION” e “MAGIC BUS”, para escolher uns poucos!

O primeiro álbum, “THE WHO SINGS MY GENERATION”, 1965, é garageiro, visceral e imprescindível. Colisão efervescente de R&B e BEAT ROCK. Na sequência, “A QUICK ONE”, 1966; “THE WHO SELL OUT”, 1967; e “MAGIC BUS”, 1968, formam a TRIO PSICODÉLICO tipicamente britânico, e são a cara deles, também: ROCK PESADO e bem feito.

Deixo prá lá “TOMMY”, “QUADROPHENIA”, e os discos posteriores.

Resumindo o resumo, e considerando as performances ao vivo, é uma banda de ROCK espetacular!

É interessante, o álbum resultante em “WHO´S NEXT” é o que sobrou de uma ideia maluca e megalomaníaca de PETE TOWNSHEND.

Quiseram ir além do que haviam conseguido com TOMMY, que o tempo demonstrou ser disco profético: afinal, “putativos cegos, surdos e mudos” manipulando “computadores’ em videogames, jogos virtuais; e isolados em si mesmos é o que se vê mundo afora, em qualquer lugar ou cidade. Claro, é uma constatação limite. Operar e interagir com a modernidade tecnológica é essencial, e isso atrai os mais jovens…

PETE queria em “LIFEHOUSE” nada menos do que fazer a obra definidora, e pretensamente definitiva que revitalizasse o ROCK como utopia funcional, usando a energia das ruas, e desvelando uma certa singeleza bem intencionada nas pessoas…Algo um pouco diferente da utopia HIPPIE sessentista.

Ele pensou o ROCK como real veículo de consciência; mais reflexivo, e mais livre de imposições comerciais, integrando o público e todo o ambiente dos concertos à performance da BANDA. E trabalhou para criar algo que envolvesse eletrônica, computadores e teatro. Ou seja, uma performance total, que elevaria o ROCK a outro patamar artístico e existencial. Só isso, modestamente…

Talvez ele não percebesse que tudo que é totalizante pode tender ao totalitário… Mas, aí é outro papo.

Para isso, escreveu material para um álbum conceitual duplo. Queria fazer um filme, também…E fizeram algumas apresentações em teatro… Mas, foi tudo pela escadaria do tempo abaixo, porque impossível e cheio de entraves técnicos e financeiros.

O que restou das músicas já gravadas foram em parte utilizadas na estruturação de “WHO’S NEXT”. E muita coisa foi perdida.

A visão geral revela um disco de HARD ROCK PROGRESSIVO. Há gotas remanescentes do R&B original, de algum FOLK, e tudo embebidos no ROCK PSICODÉLICO pelo qual passaram, mas formando na perspectiva como a de seus concorrentes daquele momento.

Parafraseando CHRISSIE HINDE, que veio bem depois: “Don’t Get me Wrong”. Havia todo um clima e sonoridade que passou pelo JETHRO TULL, HUMBLE PIE, URIAH HEEP, TRAPEZE, o próprio LED ZEPPELIN. O que fez “THE WHO” foi sintetizar esse climão no estilo e do jeito deles. A produção foi da banda, com a participação de todos, e de GLYN JOHNS.

“WHO´S NEXT” é o primeiro disco da história onde os computadores, que foram programados sequencialmente por PETE TOWNSHEND, participam como integrantes estruturais da obra!!!! Depois disso, inundaram o POP e a música em geral para todo o sempre!

Os arranjos estão mais bem elaborados. Além dos sintetizadores, há violino, e o piano com NICK HOPKINS, AL KOOPER, e outros. A pegada de KEITH MOON na bateria está mais disciplinada. E o violão e a guitarra de TOWNSHEND muito bem tocados. Em algumas faixas percebe-se sonoridade à JOE WALSH que, aliás, o havia presenteado com uma cópia da guitarra dele.

O baixo muito eficiente de JOHN ENTWISTLE brilha nesse disco; E a interpretação de ROGER DALTREY continuou incendiária. E talvez ele, PETE TOWNSHEND, e ENTWISTLE nunca tenham cantado tão bem!

Tudo considerado é nitidamente THE WHO, mas cultivando cepas nobres na videira tradicional…Então, agora TIO SÉRGIO acha, sim, que é o melhor álbum feito por eles!

Seria?

Dias atrás, vi este PICTURE DISC recente do “WHO´S NEXT”, lançado em 2023. É muito bonito e eles prometeram VINIL de qualidade com 180gramas. Custou perto de $14,00 BIDENS, uns R$ 75,00 MANDACARUS pátrios, entregues na minha toca.

Postei duas versões em CD; uma japonesa, mais equilibrada, em SHMCD, mas sem quaisquer bônus. A outra, é americana e um tanto mal remasterizada, mas que traz material adicional da época.

Temos aqui um verdadeiro clássico, e ainda bastante atual.

Não deixem de ter!

THE WHO – WHOS´NEXT – EM TRÊS VERSÕES: VINIL e CDS

Eu criei e mantenho uma espécie de ALFARRÁBIO MENTAL, acúmulo mal filtrado de leituras e percepções de passado remoto.

Nascido na década de 1950, mas criatura dos 1960 e 1970, onde formei vocabulário de vida que, independentemente de tudo, ainda resguarda convicções, prazeres, seduções e parte da minha visão de mundo.

Filosofices à parte, hoje recordei frase de crítico em publicação importante, talvez a MELODY MAKER, quando “WHO´S NEXT” foi lançado, em 1971.

O cara escreveu mais ou menos o seguinte: “Se você não for um jovem intoxicado por barulhos e “otras cositas mas”, terá de admitir que o “WHO” evoluiu”!

Claro, eu fui um dos intoxicados por barulhos brancos, ROCKS pesados digeridos feito pedra, mesmo que a única “cosita a mas” que me intoxicava – e continua intoxicando – é a cerveja!

Mas o tempo, senhor absoluto da dissenção, no caso fez-me ver que, realmente, “THE WHO” evoluíra.

Gosto do WHO, como a maioria dos rockers da minha geração, e das posteriores também. Mas, os prefiro na fase antes de TOMMY explodir, em 1969. Vou expor minha visão sobre a música deles no período.

Acho os SINGLES da banda excelentes, talvez os mais violentos, joviais e pesados feitos de meados para o final dos 1960. Há diversos excepcionais como “I CAN SEE FOR MILES”, “PICTURES OF LILY”, “MY GENERATION” e “MAGIC BUS”, para escolher uns poucos!

O primeiro álbum, “THE WHO SINGS MY GENERATION”, 1965, é garageiro, visceral e imprescindível. Colisão efervescente de R&B e BEAT ROCK. Na sequência, “A QUICK ONE”, 1966; “THE WHO SELL OUT”, 1967; e “MAGIC BUS”, 1968, formam a TRIO PSICODÉLICO tipicamente britânico, e são a cara deles, também: ROCK PESADO e bem feito.

Deixo prá lá “TOMMY”, “QUADROPHENIA”, e os discos posteriores.

Resumindo o resumo, e considerando as performances ao vivo, é uma banda de ROCK espetacular!

É interessante, o álbum resultante em “WHO´S NEXT” é o que sobrou de uma ideia maluca e megalomaníaca de PETE TOWNSHEND.

Quiseram ir além do que haviam conseguido com TOMMY, que o tempo demonstrou ser disco profético: afinal, “putativos cegos, surdos e mudos” manipulando “computadores’ em videogames, jogos virtuais; e isolados em si mesmos é o que se vê mundo afora, em qualquer lugar ou cidade. Claro, é uma constatação limite. Operar e interagir com a modernidade tecnológica é essencial, e isso atrai os mais jovens…

PETE queria em “LIFEHOUSE” nada menos do que fazer a obra definidora, e pretensamente definitiva que revitalizasse o ROCK como utopia funcional, usando a energia das ruas, e desvelando uma certa singeleza bem intencionada nas pessoas…Algo um pouco diferente da utopia HIPPIE sessentista.

Ele pensou o ROCK como real veículo de consciência; mais reflexivo, e mais livre de imposições comerciais, integrando o público e todo o ambiente dos concertos à performance da BANDA. E trabalhou para criar algo que envolvesse eletrônica, computadores e teatro. Ou seja, uma performance total, que elevaria o ROCK a outro patamar artístico e existencial. Só isso, modestamente…

Talvez ele não percebesse que tudo que é totalizante pode tender ao totalitário… Mas, aí é outro papo.

Para isso, escreveu material para um álbum conceitual duplo. Queria fazer um filme, também…E fizeram algumas apresentações em teatro… Mas, foi tudo pela escadaria do tempo abaixo, porque impossível e cheio de entraves técnicos e financeiros.

O que restou das músicas já gravadas foram em parte utilizadas na estruturação de “WHO’S NEXT”. E muita coisa foi perdida.

A visão geral revela um disco de HARD ROCK PROGRESSIVO. Há gotas remanescentes do R&B original, de algum FOLK, e tudo embebidos no ROCK PSICODÉLICO pelo qual passaram, mas formando na perspectiva como a de seus concorrentes daquele momento.

Parafraseando CHRISSIE HINDE, que veio bem depois: “Don’t Get me Wrong”. Havia todo um clima e sonoridade que passou pelo JETHRO TULL, HUMBLE PIE, URIAH HEEP, TRAPEZE, o próprio LED ZEPPELIN. O que fez “THE WHO” foi sintetizar esse climão no estilo e do jeito deles. A produção foi da banda, com a participação de todos, e de GLYN JOHNS.

“WHO´S NEXT” é o primeiro disco da história onde os computadores, que foram programados sequencialmente por PETE TOWNSHEND, participam como integrantes estruturais da obra!!!! Depois disso, inundaram o POP e a música em geral para todo o sempre!

Os arranjos estão mais bem elaborados. Além dos sintetizadores, há violino, e o piano com NICK HOPKINS, AL KOOPER, e outros. A pegada de KEITH MOON na bateria está mais disciplinada. E o violão e a guitarra de TOWNSHEND muito bem tocados. Em algumas faixas percebe-se sonoridade à JOE WALSH que, aliás, o havia presenteado com uma cópia da guitarra dele.

O baixo muito eficiente de JOHN ENTWISTLE brilha nesse disco; E a interpretação de ROGER DALTREY continuou incendiária. E talvez ele, PETE TOWNSHEND, e ENTWISTLE nunca tenham cantado tão bem!

Tudo considerado é nitidamente THE WHO, mas cultivando cepas nobres na videira tradicional…Então, agora TIO SÉRGIO acha, sim, que é o melhor álbum feito por eles!

Seria?

Dias atrás, vi este PICTURE DISC recente do “WHO´S NEXT”, lançado em 2023. É muito bonito e eles prometeram VINIL de qualidade com 180gramas. Custou perto de $14,00 BIDENS, uns R$ 75,00 MANDACARUS pátrios, entregues na minha toca.

Postei duas versões em CD; uma japonesa, mais equilibrada, em SHMCD, mas sem quaisquer bônus. A outra, é americana e um tanto mal remasterizada, mas que traz material adicional da época.

Temos aqui um verdadeiro clássico, e ainda bastante atual.

Não deixem de ter!
Postagem original: 03/03/2024

BATERISTAS: DOIS MÚSICOS IMENSOS!!! EARL PALMER E BILLY HIGGINS!!!

 

São contemporâneos, estiveram no auge mais ou menos ao mesmo tempo. E não poderiam ser tão diferentes um do outro!

EARL PALMER, nasceu em 1924 e morreu em 2008. Foi o primeiro músico de estúdio a entrar para o ROCK AND ROLL HALL OF FAME, em 2000. Um honra enorme!

A sua noção de ritmo, drive, tempo e andamento eram magistrais! Usava um kit de bateria de poucos componentes, e os dominava à perfeição. Fez parte do histórico WRECKING CREW, grupo meio mutante de músicos de estúdio que dominou o cenário POP da costa leste americana, à partir do início dos anos 1960…

Por lá passaram LEON RUSSELL, GLEN CAMPBELL, NEIL DIAMOND, CAROL KAYE e outros que sabiam tocar de verdade.

Há um vídeo de PALMER com a grande baixista CAROL KEYE, os dois ensaiando no estúdio e combinando como fazer atuar em uma gravação. É uma aula de “DRUM AND BASS”… ooopppsss, estou antecipando o futuro em algum tempo… Ali se percebe a leveza da batida de EARL combinada com o “PUNCH” de CAROL!!!!

Os dois tocaram com com Deus, Shiva, e todo mundo . Ela fez mais de dez mil sessões de gravação, e ele certamente outro tanto.

Vou citar alguns poucos entre os artistas que PALMER acompanhou, sem mencionar a longa lista de CLÁSSICOS e HITS em que participou: FRANK SINATRA, DUANE EDDY, BOB VEE, JULIE LONDON, RICK NELSON, THE BYRDS, MAMA´S AND THE PAPAS, BEACH BOYS, NEIL YOUNG, TOM WAITS, B.B.KING, SUPREMES, IKE AND TINA TURNER, ELVIS COSTELLO, DR. JOHN, RAY CHARLES…

Ele também está em versão de LOU RAWLS fazendo “GAROTA DE IPANEMA”. E em “YOU´VE LOST THAT LOVIN FEELING”, dos RIGHTEOUS BROTHERS; e “SUMMERTIME BLUES”, de EDDIE COCHRAN, clássicos supremos. Além de incontáveis gravações com a turma do JAZZ!!!

Para os BYRDMANÍACOS, há um REMIX fantástico de GENE CLARK na lindíssima “THE SAME ONE”, acompanhado por PALMER, LEON RUSSELL, e GLEN CAMPBELL. É imperdível!

EARL PALMER era a precisão incorporada, estilizada e aplicada. O baterista craque supremo nas gravações de POP, ROCK e R&B de sua época.

É possível argumentar que BILLY HIGGINS tenha sido o “inverso”, artisticamente falando, de EARL PALMER. Ele foi um dos criadores do idioma da BATERIA no JAZZ EXPERIMENTAL, NO FREE e na AVANT GARDE.

O grande clássico de ORNETTE COLEMAN e outros, “FREE JAZZ”, de 1961, tem HIGGINS em uma das baterias. Ele tocava com muito SWING, batida precisa, e capacidade de interagir de maneira complexa com os solistas.

Músico sofisticado, ele deu aulas na UNIVERSIDADE DA CALIFÓRNIA. Participou em mais de 700 sessões de gravação, e foi um dos mais ocupado músico de seu tempo. Sabia acompanhou do HARD BOP ao POST BOP.

O portfólio gravado em que BILLY participou inclui DONALD BYRD, DEXTER GORDON, GRANT GREEN, HERBIE HANCOCK, THELONIOUS MONK, JOE HENDERSON, MAL WALDRON, e muita gente da BLUE NOTE RECORDS.

E, também, PAT METHENY, JOSHUA REDMAN, TONINHO HORTA, e o compositor vanguardista meio maluquete LaMONTE YOUNG.

Aqui estão dois LPs solo que o TIO SÉRGIO descolou a preços em torno dos $ 13 BIDENS, cada. Uns de 70 MANDACARUS, entregues na porta de casa:

THE SOLDIER, é onde BILLIE HIGGINS expõe sua classe, técnica e verve. E, “DRUMSVILLE” é o disco onde PALMER faz versões de CLÁSSICOS em participou das gravações originais. Fica nítida a sua veia para o POP.

São duas pedradas muito bem arremessadas! Procure no YOUTUBE.

EARL PALMER e BILLY HIGGINS foram dois monumentos extra-classe em seus instrumentos, a serviço da melhor música popular produzida em seus tempo!

Arrisque!
Publicação original 03/03/2024

RENATO TEIXEIRA & ALMIR SATER: E A MÚSICA BRASILEIRA CAIPIRA DE RAIZ

Certa vez, o GLOBO RURAL, ótimo jornal da TV GLOBO sobre pecuária, agricultura e coisas do campo, fez matéria sensacional, aproveitando o cantor e compositor RENATO TEIXEIRA.

Foi um primor TÉCNICO, ARTÍSTICO e JORNALÍSTICO, realizado pelo veteraníssimo repórter HAMILTON RIBEIRO, profissional ícone da imprensa brasileira, ex-correspondente de guerra que perdeu a perna pisando em mina, no VIETNÃ, em 1968, quando cobria o conflito pela revista “REALIDADE”.

HAMILTON levou RENATO TEIXEIRA para um giro na região de PIRAPORA do BOM JESUS, em São Paulo. E passaram por diversas cidades, filmadas na essência CAIPIRA do interior do Estado.

O texto intercalava citações da clássica “ROMARIA”, gravada por sabe-se lá quantos, mas consagrada na voz de ELIS REGINA, revelando a unidade entre poesia, imagem e sabedoria popular de um jeito emocionante, preciso.

Raras vezes se viu a exposição de alma da gente simples de nosso interior com tanta profundidade, compreensão e humanismo, e ainda conjugados e transmitidos em apenas DEZ minutos!

Para complementar, a revista VEJA também publicou resenha elogiosa sobre o último disco de RENATO TEIXEIRA em parceria com ALMIR SATER. E mais uma vez constatou o óbvio: RENATO escreve soberbamente e compõe a melhor MÚSICA RURAL, CAIPIRA e, vá lá, eu concedo, SERTANEJA! – a definição errada que pegou.

Eu sou insuspeito para escrever sobre isto e dizer para vocês assistirem ao programa no NETFLIX ou GLOBOPLAY (é esse o nome?) . E, claro, lerem a matéria da VEJA.

Digo, também, para vocês comprarem o disco dos caras.

Não é a minha praia, mas poucas vezes fiquei tão comovido e admirado.

RENATO TEIXEIRA está entre os grandes de PINDORAMA!
POSTAGEM ORIGINAL 03/03/2021

R. I. O: “ROCK IN OPOSITION”

MAIS ESTA AGORA? POIS É, FAZ ALGUM TEMPO TROUXERAM ESTA DEFINIÇÃO PARA UM MONTÃO DE COISAS DIVERSAS. AARTISTAS, BANDAS MAIS OU MENOS NÃO DEFINÍVEIS COM TANTA PUREZA OU CRITÉRIOS. NO FUNDO, TALVEZ MAIS UM ESTADO DE ESPÍRITO, OU DE ATITUDES DO QUE OUTRA COISA QUALQUER.O PERCURSO É IMENSO: DE PUNKS NÃO AJUSTÁVEIS, A ROCKS EM SUBGÊNEROS ALGO EXPERIMENTAIS, MAS SEMPRE DESCONFORTÁVEIS PERTO DE OUTROS CONTEMPORÂNEOS. DIFÍCIL EXPLICAR?LÁ FORA, BANDAS OBSCURAS COMO “VOX LUMANIA”, PUNKS COMO “LYDIA LUNCH”, E QUASE PROGRESSIVOS COMO ESSE AMÁLGAMA DE CRAQUES: “FRENCH, FRITH, KAISER &THOMPSON”, HENRY COW…E, TAMBÉM, O FOLK ALERNATIVO DAS “UNTHANKS”, QUE GRAVARAM UM SHOW COM MÚSICAS DE “R.I.O.S” CELEBRADOS ( VELADOS ?) COMO ROBERT WYATT E ANTHONY HEGARTY.E, NO BRASIL? SIM, CLARO! WALTER FRANCO? ITAMAR ASSUMPÇÃO, MAE EAST, ARRIGO BARNABÉ E MEU RECÔNDITO VISÍVEL AMIGOAyrton Mugnaini Jr.. ACHO QUE DEFINI O FENÔMENO.EU RIO, TAMBÉM!!!!ENTÃO, VOU TOMAR A LIBERDADE DE JUNTAR COMENTÁRIOS PERTINENTES DE AMIGOS POR AQUI:

 

GUSTAVO LANDIM: RIO pode até ter sido aplicado como rótulo a muita coisa. Mas surgiu para classificar bandas que faziam um rock próximo ao progressivo, só que mais experimental e com influências de jazz e música erudita contemporânea e algo de música folclórica, para dar conta das cinco que inauguraram o (sub)gênero, a partir de um concerto na Inglaterra em 1978. Henry Cow e Etron Fou Leloublan tinham mais de jazz e música erudita contemporânea; Univers Zero, de música de câmara; Stormy Six, de folk, inicialmente, bem antes de 1978, lembrando às vezes CSN&Y; Samla Mammas Manna, de música folclórica e experimentalismo à Zappa. Esses artistas brasileiros certamente só tiveram contato com a concepção de RIO mais recentemente. Então, acho que acertei. Um imenso estado de espírito disseminado por todos os cantos. Veja O F.F.K &T. Próximos ao Henry Cow e ao Slapp Happy. E as Unthanks, então, meu Deus!5 aResponderGustavo Landim SoffiatiQuem sou eu pra dizer… Só quis, modestamente, trazer um pouco de contribuição histórica para a postagem. Há vários textos sobre o assunto e, inclusive, um livro do talvez ideólogo mor do movimento-gênero, Chris Cutler, “File under popular”, que tive… Ver mais5 aResponderEditadoSérgio de MoraesGustavo Landim Soffiati Acho que você definiu muito bem o fenômeno. Não é estanque, é muito dinâmico e com tendência a ampliar-se. No fundo , um macro-tema.5 aResponderRenato de Moraesmeus 2 centavos sobre o assunto: R.I.O. foi um festival com o Henry Cow e 4 bandas amigas, Univers Zéro, Etron Fou Leloublan, Stormy Six e Samla Mammas Manna. Pouco tempo depois o Chris Cutler inaugurou a Recommended Records que começou a distribuir os… Ver mais5 aResponderGustavo Landim SoffiatiRenato: fora talvez o Stormy Six, com mais influência de folk (americano, até) e música tradicional italiana, as outras bandas me parecem com um estilo mais ou menos parecido, apesar das particularidades. Mas, como já conversarmos, não parece apropriad… Ver mais5 aResponderRenato de MoraesGustavo Landim Soffiati acho que se você ouvir as bandas ANTES do festival e DEPOIS do festival há diferenças marcantes. O Stormy Six ganhou uma influência gigante do Henry Cow (a Georgie Born do Henry Cow foi tocar com eles), o som o Samla ficou mais … Ver mais5 aResponderSérgio de MoraesRenato de Moraes interessante. Então peguei a conversa numa versão mais contemporânea. Onde muita coisa vem se juntando ao original? Ou o correto é restringir o conceito ao que você é o Gustavo Landim Soffiati estão propondo?5 aResponderGustavo Landim SoffiatiAh, tá, Renato. Entendi que seu primeiro comentário se referia a tais bandas até o momento do RIO 78. Depois desse festival, bandas e artistas associados ao movimento, de Present a Miriodor, passando por Art Bears e Cartoon, têm bastante semelhança, cr… Ver mais5 aResponderEditadoGustavo Landim SoffiatiDeixo a bola com Renato, Sérgio. Ele até teve contato pessoal com figuras ligadas ao RIO.5 aResponderRenato de Moraeseu acho que rótulos não servem para muita coisa. O festival RIO atual na França que rola tem 10 anos já teve de tudo, magma, UZ, Art Bears, Miriodor, Albert Marcoeur, a nova geração da vanguarda de Lyon etc etc etc. O que interessa é ouvir música boa, … Ver mais5 aResponderSérgio de MoraesRenato de Moraes o assunto está indo fundo! Vou tentar saber mais. Mas, parece que o conceito foi expandido e extrapolou. Seja como for, muito instrutiva a intervenção de vocês.


Postagem original 24/02/2018

KEITH JARRETT ( parte 2 )- E.C.M. RECORDS – “A EXATIDÃO INTUITIVA”

Fiz IMERSÃO nos poucos discos que tenho dele, e fiquei convencido de que JARRETT é imprescindível, apesar da irritante antecipação dos solos com sua VOZ DE PATO DONALD, simultaneamente induzida à música genial que constrói nas gravações ao vivo.

É uma chatice não evitável. Mas, tem remédio. É bem possível no decorrer dos tempos, que muitos de seus discos venham a ser tratados em estúdio para eliminar o… “PROBLEMA”. A “falas” desconcentram o ouvinte. São ruídos inseridos que tornam a música feia e chata. Tornam esquisita a obra em desenvolvimento..

Em resumo, KEITH JARRETT realizou, pela ECM, quatro tipos de trabalhos.

1) Iniciou acompanhado por um quarteto de músicos europeus, em contraste à sua formação clássica e jazzística nos Estados Unidos.

Sua música peculiar, e bela por definição, casava-se perfeitamente ao JAZZ FRIO do SAXOFONISTA JAN GARBAREK; do baixista PALLE DANIELSSON, e do baterista JON CHRISTENSEN, músicos típicos da ECM.

Com esse conjunto, KEITH gravou diversas composições de sua autoria, todas ALÉM-JAZZÍSTICAS, e que destacam sua reconhecida HABILIDADE PIANÍSTICA. O exemplo aqui é o disco “MY SONG”…

2) KEITH tem enorme vocabulário artístico, e talento para construir frases inusitadas no piano; estendê-las ou encurta-las, e mesmo terminá-las inesperadamente. JARRETT sabe usar o intervalo entre as notas, espaços, e fazer música totalmente pessoal. Ele cria “PONTOS e VÍRGULAS” na concepção instantânea de sua música, talento que o tornou concertista solo de grandeza ímpar.

KEITH JARRETT praticamente criou o improviso ao vivo no piano solo. Há enorme discografia nesta linha. Aqui, por exemplo, estão “THE KÖLN CONCERT”, que vendeu muito; “THE VIENNA CONCERT”, e o excepcional “STAIRCASE”.

Há muito tempo caiu em minhas mãos um box com 10 LPs da ECM, chamado THE SUN CONCERTS, gravados ao vivo no Japão. Uma doideira de improvisos inacabáveis! Louquíssimos! Álbum caríssimo, que acabei me desfazendo e hoje lamento “abissalmente”…. BURRAGENS do COLECIONISMO…

3) Talvez o trabalho mais profícuo e de maior sucesso seja, também, o mais “conservador”. O trio americano que formou com o baixista GARY PEACOCK e o baterista JACK DEJOHNETTE, teve duração enorme para os padrões do JAZZ. Mais de 25 anos. Começaram no início dos 1980, e foram até aproximadamente 2010 – e quem sabe além disso.

A CRÍTICA AMERICANA considera essa formação talvez o melhor TRIO de JAZZ história! Não é pouca fama!!!! Os três juntos gravaram coisas vanguardistas e originais; principalmente STANDARDS JAZZÍSTICOS, mas sob outra ótica…

Veja exemplo aqui em “TRIBUTE”. Um álbum duplo composto por coleções de standards recriados não sob a perspectiva do compositor original, mas com base nas versões que a banda considerava relevantes.

Então, há “SOLAR”, de MILES DAVIS, na versão da perspectiva de BILL EVANS; e SMOKE GETS IN YOUR EYES, vista como fosse por COLEMAN HAWKINS; ALL THE THINGS YOU ARE, de JEROME KERN, no olhar de SONNY ROLLINS e por aí vai…

E não deixem de ouvir o espetacular YESTERDAYS. Foi gravado ao vivo no Japão, e a qualidade técnica da gravação é extraordinária. Disco imperdível; o trio está no auge criativo e em total sinergia aproveitando cada nota em razão da vantagem de haver um tema condutor nas músicas. É coisa relativamente recente, feita em torno de 2010. E explica muito da grandeza dos três músicos. É Fantástico, acredite.

4) Como gênio complexo e produtivo, JARRETT meteu-se com a música CLÁSSICA, e fez discos considerados entre os melhores sobre as composições que escolheu. Gravou com estilo BACH, por exemplo.
E fez versão para TABULA RAZA, obra do estoniano ARVO PART, talvez o maior compositor de música “CLÁSSICA CONTEMPORÂNEA”!

O catálogo enorme e em trânsito de KEITH JARRETT está entre os grandiosos da produção contemporânea. É música de alta qualidade, melódica sem ser vulgar ou brega, e muito acima e além dos rótulos. JARRETT toca sem parar; fraseia e harmoniza o tempo inteiro, e tem noção absoluta de ritmo.

Vou buscar mais coisas dele. É inevitável e prazeroso demais!
Postagem original: 25/02/2020

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