DAVID BOWIE: A METAMORFOSE PERIPATÉTICA, EM PROGRESSÃO PARA O ROCK SOFISTICADO (1)

TEXTO ALTERNATIVO

A primeira vez que prestei atenção no DAVID BOWIE foi em 1972.

Vi algumas fotos e reportagens sobre aquele rebento franzino, com voz de galinha sendo currada no terreiro, exibindo um visual um tanto apalhaçado. Ele levava Londres à loucura!

Então, comprei o LP. “ZIGGY STARDUST, AND THE SPIDERS FROM MARS”, que estava sendo lançado no Brasil.

Confesso que não gostei. Achei tudo meio fraquinho. Uma banda que não chegava aos pés dos meus ídolos da época. Mas, está no disco SUFRAGETTE CITY, um ROCK vigoroso, e até hoje muito empolgante.

Eu não sou muito chegado ao GLITTER-ROCK, o sub – estilo da época que, em minha opinião, nos legou poucos artistas relevantes.

O melhor de todos foi o ROXY MUSIC, banda do genial BRYAN FERRY; que, no primeiro disco, teve a participação essencial de BRYAN ENO, também.

Break!

Em 1978, fui a um bar excelente e muito em moda, aqui em São Paulo, chamado “LEI SECA”. Era um final de tarde; certamente uma sexta feira, e ainda com pouca gente por lá.

Eu e um amigo bebíamos chope, enquanto rolava um som extremamente interessante! Fiquei fascinado, e perguntei ao DJ o que era?

É o DAVID BOWIE, ele respondeu!

Mal acreditei! Em nada lembrava o BOWIE galináceo que eu conhecia! Outro papo, e gravado ao vivo!!!!

A voz, renovada, atingia registros entre o tenor e o barítono. E um jeito de cantar lembrando “nosso” ídolo – meu e de BOWIE!! – SCOTT WALKER. O repertório teinha músicas mais densas, pesadas, eivadas por arranjos e instrumentação modernos. Foram-se mais de 45 anos…

E, para consolidar, BOWIE estava acompanhado por uma das melhores bandas que eu havia escutado! E olha que eu já colecionava discos, E mais ou menos acompanhava os lançamentos…

O disco era (é) o “STAGE”, o show ao vivo de 1978, que repassa a chamada FASE BERLIN, acontecida entre 1975 e 1977.

Para mim, ainda é o melhor disco ao vivo de BOWIE. A banda voa no palco, e o som é totalmente vanguarda, juntando resquícios do GLAM ao KRAUTROCK. É inspirado, no KRAFTWERK, TANGERINE DREAM, NEU, e outros, da vertente europeia continental, mais precisamente alemã, do chamado ROCK PROGRESSIVO. E, claro, incorporando parte da nascente AMBIENT MUSIC, invenção de BRIAN ENO!!!

É disco obrigatório e ainda atual.

Foi a catarse que consolidou minha atenção para universos musicais fora do BLUES, do HARD ROCK , do HEAVY METAL e do PROGRESSIVO.

Eu já flertava com o JAZZ e alguns CLÁSSICOS. Estava incorporando, ao meu cotidiano, artistas e ideias diferentes.

Certa vez o jornalista PAULO FRANCIS, um elitista consumado, escreveu que “um colega da FOLHA DE SÃO PAULO, o havia convidado para assistir a um SHOW de BOWIE, em Nova YORK”. Ferino, engraçado e cortante como era, disse que não acreditou!

E comentou ter visto o gnomo mutante em um programa de televisão. Notou que DAVID trajava roupa de balé masculino, com uma espécie de repolho no rabo. E avisou ao colega que não iria de jeito nenhum. Nem se fosse torturado pela GESTAPO….

NELSON MOTTA, na Globo, observou que chamar DAVID BOWIE de “Camaleão” era impreciso.

Eu concordo. Ele não se disfarça. Sua proposta estética sempre foi passar pelo que rolava no POP ROCK de sua época. E compreender, redefinir, e melhorar o que ouviu. BOWIE é um Instigador de RUPTURAS. Desafiador do estabelecido.

É ouvir e constatar.

Talvez?

Vamos revisitar um pouco a carreira de BOWIE, começando pela antessala de outra quebra radical de paradigmas do MODERNO POP:

STATION TO STATION, 1976, foi gravado no EUA, e já traz alguns elementos e tecnologias que mudaram a imagem e a carreira de BOWIE, no ano seguinte.

É disco precursor da chamada FASE BERLIM, a cult e altamente influente trilogia, que teve também BRIAN ENO na concepção: em 1977 saíram LOW e HEROES; e LODGER, foi lançado em 1979. No meio do caminho, 1978, o representativo SHOW ao vivo STAGE.

A importância dessas gravações fica nítida com o pedido feito pelo grande compositor clássico contemporâneo, PHILIP GLASS, o criador do minimalismo, para transformar em “SYMPHONYS” os discos “LOW”, 1993, e “HEROES”, 1996. E depois, “LODGER”, lançada em 2022. A SINFONIA número 12, de GLASS.

DAVID BOWIE e BRIAN ENO aceitaram, claro. E os resultados são grandiosos. Procurem conhecer.

A trilogia BERLIM original foi concebida à partir das propostas e inovações do KRAUTROCK – nome genérico dado a diversos tipos de ROCK PROGRESSIVO de base eletrônica feitos na Alemanha, desde o final dos anos 1960.

A participação de ENO é indissociável do resultado da trilogia. E de tal forma que, a “AMBIENT MUSIC” que ele havia criado, proliferou de outras formas em associação com artistas alemães de música eletrônica. E dali expandiu-se; e está presente na modernidade musical na obra artistas como ENYA, KATE BUSH, e inúmeros “esvoaçantes” que flutuam na NEW AGE, ELETRONIC LOUNGE, WORLD MUSIC, RAVES, duplas de TECHNO POP, e vasto etc…

Há um monte de discos e propostas interessantes, à disposição de quem se dispuser a pesquisar o KRAUTROCK e seu incomparável legado.

Mas, BOWIE, como ENO, também não cessou. De certa forma, a experiência de BERLIM orientou sua produção para o restante da vida.

Aos que se interessam por vanguardas heterodoxas, recomendo ir à caça de JOHNNY ROTTEN, durante a sua produção na década de 1980, e procurar as inovações PUNK/ METAL / VANGUARDA ELETRÔNICA criadas pelo PILL, sua banda. Por lá passou a fina flor do lodaçal…

E, no disco LODGER, BOWIE incorpora ROTTEN, em “IT´S NO GAME”.

Dois músicos de vanguarda! Rótulos à parte; dois inovadores.

E assim prosseguiu BOWIE. Gravou UNDER PRESSURE, em dueto com FREDDIE MERCURY, em 1982. Redefiniu o falecido “guitar hero”, STEVE RAY VAUGHAN, craque do BLUES, trazendo-o para disco pop dançante, juntamente com NILE RODGERS, do CHIC – importante e memorável grupo R&B/DISCO. E os três deram cores ao álbum “LET´S DANCE”, de 1983.

DAVID convidou, em 1985, PAT METHENY, guitarrista espetacular de JAZZ FUSION, e gravaram juntos “THIS IS NOT AMERICA”, hit pop clássico e memorável.

Em1993, RODGERS produziu outro clássico dançante e sofisticado: BLACK TIE, WHITE NOISE, onde estão as sensacionais “NITE FLIGHTS”, de SCOTT WALKER; e “I FEEL FREE”, clássico do CREAM!

Aos poucos adentrou a década de 1990, já em simbiose com a nova MÚSICA ELETRÔNICA DE VANGUARDA, as técnicas de mixagens, participação em trilhas sonoras, e atuação em filmes.

Em BASQUIAT, por exemplo, ele interpretou de ANDY WHAROL.

Também em 1994, BOWIE lançou outro disco magnífico, OUTSIDE. Ousado CROSSOVER de ELETRÔNICA DE VANGUARDA e ROCK PESADO e lúgubre. Um dos subprodutos é um SHOW AO VIVO, de 1995, com a presença de TRENT REZNOR, do NINE INCH NAILS – talvez a banda símbolo daqueles tempos.

Eu acho DAVID BOWIE artista quase tão completo e instigante quanto MILES DAVIS.

E, certamente é comparável a CAETANO VELLOSO, o artista mais versátil do Brasil – que ziguezagueou da PSICODELIA AO INFINITO, passando por quantas “brasilidades” se imaginar – por enquanto…

DAVID BOWIE trabalhou dialogando, tangenciando, penetrando, ou ultrapassando as vanguardas com as as quais cruzou.

Viver e ser contemporâneo a ele foi um privilégio indiscutível.

Lágrimas eternas para o DAVID.

ROLLING STONES – LIVE – ATRAVÉS DOS TEMPOS

Claro, quem mais clássico, esperado, visto e revisto do que eles?

Mais do que o ROBERTO CARLOS, e mesmo ELVIS PRESLEY ou FRANK SINATRA.

E nem cito os BEATLES, também fenômeno global, mas que já não se apresentavam em público, quando a mídia visual tomou conta dos mercados musicais.

Os ROLLING STONES têm vários CDS, LPS, DVDS, e “ESCAMBAUÊS” AO VIVO…

Se fazem turnês, aparecem ao vivo nas tvs. mundiais. Ou, no mínimo, lançam ÁLBUM, VÍDEOS e o vasto aparato visual que todos conhecem, esperam… E não se cansam de ver, e nem de ouvir aquele monte de HITS imortais.

Devo dizer quais?

Não, não precisa. A turma sabe de cór, salteado, assaltado; e todo mundo se cansa de dizer que não aguenta mais!

E assiste a tudo outra vez…”Sucesso” tem nome, endereço e tradição…

Postei alguns artefatos que tenho, mas não importa. Eu quero, mesmo, é que vocês atentem para a foto dos quatro, bem ao centro, em “live” que fizeram no meio da pandemia. Saiu mundo afora, inclusive na VEJA.

Dá o que pensar: temos O RONNIE WOOD, o bom e velho RON. Adequadíssimo para a banda. Entrosou-se ao time e não concorre com MICK JAGGER e nem KEITH RICHARDS. Mantém o som e o pick. E é suficientemente maluco para suprir a mística sem atrapalhar o conjunto.

MICK? É o de sempre. Concentrado, auto-referente, auto-suficiente. Alguém encara? De jeito nenhum!

Olhei melhor e vi o Luiz Calanca. Cerveja do lado, pose “joãogilberteana”, com o violão… OOOOOOOOOOOPPPS! Era, não! É o KEITH RICHARDS, PÔ!!!!!!!!!!!!

Mas saquei, mesmo, foi um cavalheiro discreto, e sempre elegante e bem vestido, diga-se. Um dândi com baquetas nas mãos: CHARLIE WATTS. CHARLIE está em frente à estante de LPS que, juro, já conversei com o meu futuro ectoplasma e decidimos, juntos, assombrar o local aconchegante, depois que eu me tornar DE-CUJOS!

Fiquei imaginando, o que teria lá? JAZZ, muito JAZZ, e BLUES, e sabe-se o quê mais!

Vi rabicho de livros. O nosso dândi adora e coleciona sobre arquitetura e cavalos.

De tão magro e discreto ele certamente aparece o tempo inteiro por causa de sua personalidade intrigante. CHARLIE; eternamente um “sider em linha de frente” – existe isso? Compôs com outro eterno que se mandou, BILL WYMAN, uma das melhores cozinhas do ROCK.

Publiquei por causa disso. Vão além de 60 anos de atividade e profissionalismo. Estão próximos à “expulsória”, mas suportam; e para todos nós ainda importam. E muito!

Mas, observem melhor: será que não é, mesmo, o Luis Calanca?

VAN MORRISON – FINAL DOS 1960 E INÍCIO DOS 1970. A CONSTRUÇÃO DE UM ESTILISTA DIFERENCIADO

Você pega MICK JAGGER e ERIC BURDON, e convida IVAN GEORGE – sim, o VAN MORRISON. Do chacoalhar da coqueteleira o que saiu?

Três “BLUES SHOUTERS”!

Pois é, os três baixinhos das ilhas britânicas espelharam-se em negros históricos como LEADBELLY, JIMMY RUSHING, e muitos e muitos outros, para suingar a PÉRFIDA ALBION.

VAN MORRISON evoluiu em pouco tempo do sub-MICK JAGGER dos tempos do THEM, para um artista hoje identificado como estilista supremo.

VAN é discreto, determinado, irascível, e dono de sua arte desde 1967, quando gravou o indispensável e indefinível CULT “ASTRAL WEEKS”.

E há MOONDANCE. Ouso, ou devo comentar além do nome desse artefato único?

Sobre VAN sabe-se mais de sua arte do que sua personna – é uma KATE BUSH sem o marketing do retiro e do sumiço planejado.

Fotografei 4 discos dele gravados entre o final dos 1960 e início dos 1970. São de sua fase gravada na WARNER RECORDS. Primorosa!

A banda que MORRISON reuniu e exigiu o aprimororamento ao infinito, consegue fundir o BLUES ao JAZZ com naturalidade talvez inédita.

O bom gosto no arranjo dos metais, ao mesmo tempo LÍRICO & JAZZY garante o swing, balanço, e convida para dançar! Retrato da receita que tornou seus discos clássicos. E até imprescindíveis.

Dia desses, “acariciando” meus disco, pus para tocar “HARD NOSE THE HIGHWAY”. Acho que não escutava há mais de 30 anos! E percebi certas integrações instrumentais entre guitarra e metais; e nuances de cordas e teclados que não havia sacado antes.

Para culminar, um coro construído com algo de CLÁSSICO/LÍRICO/GOSPEL e FOLK IRLANDÊS, que me levou a perceber coisas mais “ETHEREALS”, como se feitas por COMPOSITORES CLÁSSICOS NÓRDICOS MODERNOS.E tudo integrado em BLUES e JAZZ.

Porém, VAN MORRISON, como ROBERT FRIPP, não permite que você enleve a alma sem o componente da iconoclastia, que só a música realmente popular pode legar.

FRIPP quebra sequências sofisticadas da “FUSION PROGRESSIVE” que opera com a sua guitarra às vezes crua; cortante e aparentemente sem nexo…É para mudar a música no ato.

VAN MORRISON sempre canta BLUES. Portanto, grita a dor e, curiosamente, mostra a você quem realmente ele é: um CANTOR DE ROCK! E por mais sofisticado que seja o entorno por ele construído!

Escute IVAN GEORGE. E vá muito além dos anos 1970… Ele é gênio e artista único até hoje…

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Todas as reações:

1Sergio Luiz Simonetti

POP / ROCK AMERICANO DURANTE DÉCADA DE 1960

OS QUE MANDARAM NA PARADA DE SUCESSOS ENTRE 1963/1972!

Vendiam SINGLES e tocavam direto em RÁDIOS A/M. Eram muito populares, e concorriam com OS BEATLES e o DAVE CLARK FIVE – INGLESES, ÓBVIO – em quantidade de lançamentos, quase sempre simultâneos.
CLARO, há outros, muitos e muitos outros.
Vou só ficar no topo do “POP BRANCO”. FALAR DOS NEGROS E MÚSICA COUNTRY e outros, requer outros e vastos capítulos diferentes.
Aqui, vale venda de SINGLES, e tocar no RÁDIO, ser popular em rádios.
Todos falam dos BEACH BOYS, cults e celebrados na década de 1960, que empolgavam na COSTA OESTE AMERICANA.
Mas, quem rivalizava com eles eram os FOUR SEASONS, NEW JERSEY, costa leste. Por baixo, 100 milhões de discos vendidos. 29 super hits, entraram no ROCK AND ROLL HALL OF FAME, EM 1999.
O consórcio de BOB GAUDIO, tecladista e compositor, que saiu dos palcos; e FRANK VALLI, 90 anos, grande cantor, e até agora em atividade, são as marcas registradas do grupo. Fizeram o CROSSOVER entre o DOO WOP, negro; e o POP branco dançável, vitorioso e influente em quem vocês pensarem nos últimos 50 anos – no mínimo.
THE ASSOCIATION: Grupo vocal excepcional, com pelo menos quatro canções entre as mais tocadas da história do POP (CHERISH, NEVER MY LOVE, ALONG COMES MARY e WINDY).
É uma estrutura ainda em atividade com, é claro, outros membros, mas popularíssimo em cassinos, e outros locais onde OLDIES continuam fazendo a vida.
PAUL REVERE & THE RAIDERS, A banda GARAGE ROCK que deu certo. Incontáveis HITS, e de certa forma, antecessores do BON JOVI, com MARK LINDSEY, o vocalista, que era tão desejado pela mulherada quanto RICK MARTIN, e tantos e tontos que surgiram de BOY BANDS. Muito legais, também.
GRASS ROOTS – Banda cheia de mutretas, mudanças e etc. Foram do FOLK de protesto ao POP descarado, e de boa qualidade. Uns 15 HITS. Eram muito bons. Veja qualquer filme do TARANTINO, sempre tem músicas deles.
RASCALS: A grande banda POP americana, entre 1966 e 1972, talvez. Foram do R&B, POP, gravaram álbum psicodélico, terminaram em tipo de FUSION jazística, na linha do STEELY DAN.
FELIX CAVALIERI ainda é um grande cantor e performer.
TIO SÉRGIO tem a honra de dizer que eram a banda americana predileta dele, naquele período. Erráticos, mas sensacionais, com álbuns e SINGLES imperdíveis….
CREEDENCE CLEARWATER REVIVAL. Ora, até hoje no imaginário POP. Ótima banda, com letras legais e um drive Country/Southern Rock/ Rockabilly notória e identificável. Citar JOHN FOGERTY, e´ desnecessário. Sucesso imperdível. Quase todo mundo tem!!!
E por aí, caminham …

P.F.M. – PREMIATA FORNERIA MARCONI –

MANTICORE YEARS – 1973 / 1977

Por volta de 1975/1976 “COOKING”, o disco deles gravado ao vivo no Canadá e no Central Park, em Nova York, tocou muito no melhor programa UNDERGROUND já transmitido pelas RÁDIOS BRASILEIRAS!!!!

KALEIDOSCÓPIO, na RÁDIO AMÉRICA de SAMPA, durava 4 horas diariamente! Era esperado pela galera alternativa. Foi criado e apresentado por um maluco talentoso chamado Jaques Sobretudo Gersgorin , e tocava o “up-to-date” em ROCK, principalmente PROGRESSIVO.

Oi, Jaques Sobretudo Gersgorin!!!!

Entre as bandas frequentes por lá, causava merecido furor o PREMIATA FORNERIA MARCONI; que para entrar no mercado global do ROCK teve o nome reduzido para P.F.M.

O grupo sofria influências, como todos, de PROGRESSIVOS feito YES, GENESIS, KING CRIMSON, MOODY BLUES…

Era formado por excelentes músicos veteranos da CENA POP ITALIANA e foi, digamos “descoberto”, por PETER SINFIELD, membro-letrista do KING CRIMSON, que os apresentou a GREG LAKE, do EMERSON, LAKE & PALMER, e daí para um contrato com a gravadora MANTICORE.

SINFIELD havia deixado o CRIMSON, em 1971, e criou as letras em inglês para os dois primeiros discos do P.F.M, “PHOTOS OF GHOSTS”, 1973; e “THE WORLD BECAME THE WORLD”, 1974, ambos lançados com sucesso na Inglaterra e América.

É argumentável que PETER tentou prosseguir com o PREMIATA, do ponto em que o KING CRIMSON fez inflexão para novos tipos de ROCK PROGRESSIVO e de VANGUARDA.

Aliás, FRIPP e a constelação de craques que o acompanham permanecem, até hoje, em auge criativo aparentemente inesgotável!

Porém, talvez o disco ISLAND, de 1971, simbolize o final de uma das fases conduzidas pelo genial e autocrático ROBERT FRIPP, líder e dono inconteste do CRIMSON.

Em minha opinião, o ponto fraco do P.F.M. estava nos vocais; abaixo do nível técnico e artístico do grupo.

Mas de CHOCOLATE KINGS, o quarto disco em diante, contrataram BERNARDO LANZETTI – bom cantor, na linha de PHIL COLLINS e PETER GABRIEL. E o grupo virou espécie clone talentoso do GENESIS – da mesma forma que o MARILLION também foi, quase uma década após.

Excelente e colecionável, o PFM revela originalidade ao combinar traços de música italiana tradicional ao ROCK PROGRESSIVO. E ao utilizar-se muito de violões acústicos combinados com o ROCK necessariamente elétrico.

Este ótimo BOX de 4 CDS, lançado pela gravadora inglesa ESOTERIC RECORDINGS, traz os 4 primeiros discos da banda. É bem acabado, com as capas duplas originais, e boa masterização.

Se você conseguir o “COOKING”, ao vivo, acho que o legado da banda estará perfeito para qualquer coleção.

Procure.

DON McLEAN – AMERICAN PIE – A ODE AO ROCK CONSERVADOR

Geralmente não gosto muito do ROCK AMERICANO. E este CD entrou em baita rolo com velho amigo. Foi bom para os dois.

DON McLEAN é um bom

cantor FOLK. Suas melodias e arranjos são algo recorrentes e datados. E, mesmo fazendo boas letras, bem encaixadas, está longe do talento de um GORDON LIGHTFOOT. E, claro, nem é possível compará-lo a DONOVAN e outros mais votados.

Acontece que DON compôs um clássico absoluto. Tão significativo que só não tornou-se um STANDARD, porque tem mais de 8 minutos e letra imensa para ser repetida.

Foi entendida como homenagem à morte de BUDDY HOLLY. E falta completar que, no mesmo desastre aéreo, em 1958, morreram também RICHIE VALLENS ( LA BAMBA) e BIG BOPPER, um quase famoso em ascenção.

HOLLY já era artista pronto. Com vários Hits tocando e cantando seu ROCKABILLY agitado, e tão relevante que virou inspiração para o nome dos ingleses THE HOLLIES, sucesso na década de 1960, e parte dos 1970.

DON McLEAN compreendeu a extensão artística de HOLLY, sua interação com os jovens americanos, e o que significava em termos de aspirações, história, e o emocional dos fãs.

E escreveu essa ODE ao ídolo que, ultrapassa e muito, do que apenas ele.

AMERICAN PIE é um compêndio histórico do que aconteceu com a música, principalmente o ROCK, seu desenvolvimento, problemas. E, mais do que isso, contestação estética, filosófica, existencial, aspirações e destruições consequentes.

McLEAN compôs e cantou sobre esses fatos. E conseguiu, através de METÁFORA, expressar a ruptura do cotidiano:”AMERICAN PIE” , uma torta “americana”, quer significar sobre a rotina, o conservadorismo, e o esperado; que foram rompidos quando um ídolo integrado desaparece, abrindo fenda que revela vulcões, o inesperado, o subversivo.

No decorrer da música, ficamos sabendo que a grande aspiração dos jovens dos 1950, de comunicar-se romanticamente, através dos bailes, casarem-se, foi sendo rompido…

Ele não intui ELVIS, outro contemporâneo entre o integrado e o subversivamente sensual.

Mas, diz poeticamente sobre os ingleses, que iniciaram emulando os americanos; e acabaram por subverte-los, pondo em risco existencial a geração que ouviu e compreendeu os BEATLES, em SGT PEPPERS, ou em HELTER SKELTER.

E, também, os contemporâneos americanos e suas experiências com drogas, Há citação nada encoberta dos BYRDS, em EIGHT MILES HIGH.

E JANIS JOPLIN, caricaturizada em uma cantora de BLUES a quem perguntou sobre “alguma novidade mais alegre” – e ela fugiu, porque não havia… Coisas daqueles tempos…

O refrão “THE DAY THAT MUSIC DIE” repetida a música inteira, pode ( e eu acho que deve ) ser interpretado como os vários dias, e as tantas vezes em que a música morreu, perdendo sua característica de algo construtivo e afetivo, tornando-se metáfora para algo ruim, corrosivo, preocupante, inconclusivo…

Se bem compreendi, essa ODE AO PROFUNDO E ATÉ AO DESAGRADÁVEL, teve outro alvo claro: OS ROLLING STONES, e principalmente o “JESTER” , O JUMPING JACK FLASH, O GRANDE PALHAÇO SINISTRO dos palcos, MICK JAGGER.

Ninguém representou tão bem a quebra de valores como religião, tradição e ordem, quanto JAGGER. Talvez um Pan sexual promíscuo buscando o fogo do inferno, e que “sentava-se em um castiçal de velas em chamas”.

Tudo isso está lá, no vasto poema; de maneira quase figurada, mas sem qualquer dúvida para quem acompanhou o féretro da civilização ocidental, sob alguns pontos de vistas nítidos na segunda metade dos anos 1960…

Para terminar, mas bem no começo, há citação sobre LENIN lendo MARX, como a subversão dos valores americanos mais estimados.

E concluindo, uma alusão ao “LAST TRAIN” para sabe-se onde… lembranças dos alienados MONKEES?

Quer dizer: DON McLEAN regurgitou e expeliu um CLÁSSICO. Para mim, fica nítido que ele apreciava a estabilidade conservadora da cultura americana.

Mas, como é muito bem escrito, vários talvez discordem.

Se DON McLEAN é conservador, reacionário não é.

AMERICAN PIE INCOMODA.

Bye, Bye..

SLOWDIVE, LUSH, RIDE e OUTROS RESGATADOS. A VOLTA DO “SHOEGAZE”

A sensação de que tudo na vida, artes incluídas, se transformou em um “eterno presente”, mais ou menos à partir de 1970; e revelando tendência à permanente “atemporalidade”, até hoje me deixa perplexo!
Quando se pensa no desenvolvimento da música, e nem sempre por causa de cada obra em si que, em sua imensa maioria, surgiu para ser consumidas no ato. Mas, pela sobrevivência de parte do passado, que se mantém no presente quase incólume, através de vários estilos e artistas.
Vide, por exemplo, a influência do mais que cinquentenário HEAVY METAL, e a persistente atualidade de bandas como LED ZEPPELIN e BLACK SABBATH, ainda a base sacrossanta do gênero, apesar de evoluções, mudanças, e outras propostas.
A perenidade é luxo. Geralmente existem apenas a criação, divulgação, acontecimento e fim. Arquiva-se e vamos para outra…
Porém, na sociedade contemporânea, com evolução da tecnologia, a massificação promovida pelo marketing, e à parte as qualidades intrínsecas da criação, a memória do acontecimento sempre pode ser recuperada.
E dela podem surgir outras fusões, entendimentos, e suportes para além do imediato. Há “momentos vindos do pretérito, e estendidos no presente eterno imediato”…
Seria?
O ROCK é pleno de “revivals”. Recuperações de ídolos do passado, e suas influências nas propostas do presente.
Neste momento, artistas surgidos 45 anos atrás, e até mais tempo, voltaram à tona. E os melhores entre eles, portanto já “estendidos indefinidamente”, se mantiveram no circuito.
Recentemente, vimos THE CURE, SIOUXIE & THE BANSHEES, PRETENDERS, NEW ORDER…, em meio a outros, se apresentando renovados.
E, o mais interessante, incorporando estilos e técnicas da turma que os sucedeu, lá pelo início dos 1990. Isto fez e faz a diferença…
Quando houve, no BRASIL, em 2023, o festival PRIMAVERA SOUNDS, estava anunciado o inglês SLOWDIVE. Banda desconhecida por aqui, e com certo prestígio, mas vendas pequenas.
Eu gosto. E tanto quanto do LUSH, e o RIDE. E postei os CDs que deles todos mantenho.
O SLOWDIVE veio meio capenga, porque a vocalista principal, RACHEL GOSWELL, estava com problemas de saúde desde a passagem da “troupe” pelo CHILE, onde foram recebidos efusivamente!!!
Mesmo assim, RACHEL esteve nos palcos pilotando os teclados sem grande encantamento, mas provendo a “base bem anos 1990” que o grupo segue.
Eu assisti ao show no CHILE , via YOUTUBE. A qualidade técnica do evento está ruim. Mas, fiquei surpreso quando soube que vinham se apresentando há muito tempo com o repertório curto, insuficiente.
A banda gravou pouco…Mas, permanece agitando…
Em linhas gerais, o SLOWDIVE é mistura do “DREAM POP” com “AMBIENT MUSIC”. Destacando o vocal da baixinha RACHEL…
E, quando estão no palco, “encenam” o …”SHOEGAZE”.
O efeito geral é melódico, “esvoaçantes, e agradável.
Aprendi com meninos e meninas que trabalharam comigo na CITY MUSIC, uma das lojas que tive na década de 1990, sobre a mudança das perspectivas musicais nos 1980/1990.
O ROCK ALTERNATIVO, à época emergente, prescindia e recusava o virtuosismo egoísta. Gente como SATRIANI, ALVIN LEE e MALMSTEEN passavam anos luz dos alternativos.
A música passara a ser interpretada como uma concepção de grupo. Um Coletivo; conceito que se instaurou, nas últimas décadas…
Mas, francamente, juntando os discos que tenho do SLOWDIVE, o somatório daria um excelente álbum POP.
No entanto, um dos quase HITS da banda, ALLISON, tem melodia perfeita, linda! E, para mim, está entre as dez canções meio desconhecidas mais bonitas e viajantes do POP ROCK!
Em nível e companhia de “EXPECTING TO FLY”, 1967, música PSICH/PROG solitária de NEIL YOUNG, gravada pelo BUFFALO SPRINGFIELD; “JILL”, pepita psicodélica instantânea e simultaneamente recatada e reluzente gravada por GARY LEWIS & THE PLAYBOYS; e “PRETTY SONG OF PSICHED OUT”, outra beleza explícita feita pelos também americanos da “GARAGE BAND” “STRAWBERRY ALARM CLOCK” – e ambas em 1968.
Porra!!!! ( hummm…), TIO SÉRGIO!!!! Estas são velhas demais!!!
Sim, e muito delicadas, e contendo o travo psicodélico “histórico” que perpassou os tempos…
O último disco que o SLOWDIVE lançou, EVERYTHING IS ALIVE, foi considerado entre os melhores de 2023… Sei lá…, mas bom é; e reafirma o estilo da banda…
Eles ganharam matéria destacada na imprensa inglesa, sublinhando a volta do “SHOEGAZE”
à moda. A rigor, é apenas uma postura das bandas no palco: a turma toca baixo e guitarras olhando para os próprios sapatos, como se concentrados na execução da música…
Com o tempo, virou sinônimo de um “estilo” do início da década de 1990!
RIDE, LUSH, SLOWDIVE, e uma penca neste “BRIT BOX”, tipo MY BLOOD VALENTINE, CURVE, PALE SAINTS, CATHERINE WHEEL, MOOSE, etc… se apresentavam desse jeito…e soam na mesma linha.
O som que produzem tem nada com esse “olhar cabisbaixo concentrado”, é claro! E ficou associado às bandas que focam nas guitarras distorcidas e pesadas; arranjos viajantes e vocais geralmente femininos e melódicos, ou seja, o DREAM POP… e suas variações.
Quem assistiu ao THE CURE, recentemente, observou que a turma das guitarras e baixo, estava “analisando os sapatos feito engraxates”… E criaram um BLEND muito sugestivo entre os ROCKS ALTERNATIVO e o PROGRESSIVO.
É a evolução sobre aquele passado de 45 anos atrás, que retornou revigorada pela sonoridade da turma da década de 1990 … Resumindo, algo bem novo e interessante!


Procure ouvir. 

SLOWDIVE & OUTROS RESGATADOS. A VOLTA DO “SHOEGAZE”

Entre os fatos e coisas que me surpreendem, é constatar a tendência à atemporalidade, que a vida – artes incluídas – tomaram no mundo pós 1970.

A sensação é que tudo se transformou em um eterno presente. Principalmente, quando se fala de artes, e nem sempre por causa das obras em si que, em sua maioria, surgiram para ser consumidas no ato.

Perenidade é luxo. Geralmente existem apenas a criação, divulgação, acontecimento e fim. Arquiva-se e vamos para outra…

Porém, na sociedade contemporânea, com evolução da tecnologia, a massificação promovida pelo marketing, e à parte as qualidades intrínsecas da criação, a memória do acontecimento sempre pode ser recuperada.

E dela podem surgir outras fusões, entendimentos, suportes para além do imediato. É o “momento vindo do pretérito, e estendido no presente eterno imediato”…

Seria?

O ROCK, por exemplo, é pleno de “revivals”. Recuperações que podem trazer os ídolos do passado, assim como as influências deles nas propostas do presente.

Neste momento, artistas surgidos 45 anos atrás voltaram à tona. Mesmo que os melhores entre eles, portanto estendidos indefinidamente, jamais tenham saído do circuito.

Recentemente, vimos THE CURE, SIOUXIE & THE BANSHEES, PRETENDERS, em meio a vários, se apresentando renovados, mas incorporando estilos e técnicas da turma que os sucedeu, lá pelo início dos 1990. E isto fez e faz a diferença.

Quando houve o festival PRIMAVERA SOUNDS por aqui, em 2023, estava anunciado o inglês SLOWDIVE, grupo de certo prestígio, mas vendas pequenas. Eu gosto. Agora, postei os CDs que deles mantenho.

O grupo veio meio capenga, porque a vocalista principal, RACHEL GOSWELL, estava com problemas de saúde desde a passagem da “troupe” pelo CHILE, onde foram recebidos efusivamente!

Mesmo assim, RACHEL esteve nos palcos pilotando os teclados sem grande encantamento, mas provendo a “base bem anos 1990” que o grupo seguiu.

Eu assisti ao show no CHILE , via YOUTUBE. A qualidade técnica é ruim. Mas, fiquei surpreso quando soube que eles vinham se apresentando há muito tempo com repertório curto, insuficiente. A banda gravou pouco…Mas, permanece agitando…

Em linhas gerais, o SLOWDIVE é mistura do “DREAM POP”, com ênfase no vocal feminino, e “AMBIENT MUSIC”. E, quando estão no palco, “encenam” o …”SHOEGAZE”.

O efeito geral é belo e agradável.

Aprendi com meninos e meninas que trabalharam comigo na CITY MUSIC, uma das lojas que tive na década de 1990, sobre a mudança das perspectivas musicais nos 1980/1990.

O ROCK ALTERNATIVO, à época emergente, prescindia do virtuosismo egoísta. A música passara a ser interpretada como uma concepção de grupo. Coletiva; palavra que se instaurou, nas últimas décadas…

Mas, francamente, juntando os discos que tenho, o somatório daria um excelente álbum POP.

Um dos quase HITS do SLOWDIVE, ALLISON, tem melodia perfeita, linda! E, para mim, está entre as dez canções meio desconhecidas mais bonitas e viajantes do POP ROCK!

Em nível e companhia de “EXPECTING TO FLY”, 1967, música viajante e solitária de NEIL YOUNG, gravada pelo BUFFALO SPRINGFIELD; “JILL”, pepita psicodélica perfeita de GARY LEWIS & THE PLAYBOYS; e “PRETTY SONG OF PSICHED OUT”, outra beleza explícita feita pelos também americanos “STRAWBERRY ALARM CLOCK” – e ambas em 1968.

Porra!!!! ( hummm…), TIO SÉRGIO!!!! Estas são velhas demais!!!

Sim, e todas delicadas; e contendo o travo psicodélico “histórico” que perpassou os tempos…

O último disco que o SLOWDIVE lançou, EVERYTHING IS ALIVE, foi considerado entre os melhores de 2023… Não achei pra tanto, mas é bom; e reafirma o estilo…

Eles ganharam matéria destacada na imprensa inglesa, sublinhando a volta do “SHOEGAZE” à onda!!! Que, repetindo, é apenas uma postura da banda no palco: a turma toca baixo e guitarras olhando para os próprios sapatos, como se concentrada na execução da música… e que se tornou “estilo”, moda, no início da década de 1990!

RIDE, LUSH, SLOWDIVE, e uma penca neste “BRIT BOX”, tipo MY BLOOD VALENTINE, CURVE, PALE SAINTS, CATHERINE WHEEL, MOOSE, etc… se apresentavam desse jeito…e soam na mesma linha.

O som que produzem tem nada com esse “olhar cabisbaixo concentrado”, é claro! E ficou associado às bandas que focam nas guitarras pesadas, arranjos viajantes e vocais geralmente femininos e melódicos, ou seja, o DREAM POP… e suas variações.

Quem assistiu ao THE CURE, recentemente, observou que a turma das guitarras e baixo, estava “analisando os sapatos feito engraxates”… E criou um BLEND entre os ROCKS ALTERNATIVO e o PROGRESSIVO.

É a evolução sobre aquele passado de 45 anos atrás que retornou revigorada…

Procure ouvir.

GARY BROOKER, VOCALISTA DO PROCOL HARUM – SOLO

 

Há gente com enorme e reconhecido talento, mas que não consegue transcender em carreira solo o que produziu no grupo de origem.

Alguns casos de ícones óbvios: FREDDIE MERCURY sem o QUEEN; MICK JAGGER fora dos STONES; IAN ANDERSON, à parte o JETHRO TULL.

GARY BROOKER teve criativa, longeva e bem sucedida carreira com o PROCOL HARUM.

Mas, quando o ROCK PROGRESSIVO decaiu, gravou três discos medianos, com boas faixas pontuais, na década de 1980.

Claro, trouxe amigos para participar. Artistas como ERIC CLAPTON – de quem era íntimo -, GEORGE HARRISON, PHIL COLLINS, entre diversos, o que aumentou o interesse do público, e tornou os discos objetos de coleção.

GARY BROOKER sempre foi um grande cantor de “RHYTHM’ N’ BLUES”, e BLACK MUSIC, em geral. O que o tornou um vocalista diferenciado no campo do ROCK PROGRESSIVO.

Seus discos solo são bem distintos do que ele fez em grupo. E a sua fantástica e reconhecida voz SOUL / BLUESY nos discos solo permanece firme e intacta!

BROOKER convidou, também, outros letristas no lugar de KEITH REID, o “poeta responsável pelos textos” no PROCOL HARUM.

Álbuns solo impõem responsabilidade total ao artista.

Expondo, inclusive, seu limite de criatividade. As escolhas de instrumentos, arranjos, e outras atitudes profissionais antes tomadas conjuntamente, tendem a se limitar ao artista e ao produtor.

Talvez a imensa identificação de cada um deles com seus grupos originais, os tenham impedido de criar além e melhor do que haviam feito. O condicionamento reforça o bloqueio criativo.

E há, também, a dificuldade em selecionar os repertórios na composição dos SET LISTS para shows, em caso de poucos discos individuais lançados.

E foi o quê aconteceu a esses três grandes artistas.

Lançar disco solo é outro papo.

Talvez?

TERJE RYPDAL – ESTILISTA DA GUITARRA

RYPDAL REFINOU A TÉCNICA DO USO DE ARCOS PARA VIOLINOS E VIOLONCELOS, QUE JIMMY PAGE TENTOU COM OS YARDBIRDS, EM 1967, E USOU MUITAS VEZES COM O LED ZEPPELIN.

DITO ASSIM, É POUCO PARA COMPREENDER A EXTENSÃO E REFINAMENTO DE PROPOSTA E ESTILOS QUE TERJE ULTRAPASSOU.

CLARO, O ARCO É PARTE DA SONORIDADE. ELE É UM GUITARRISTA MAIS COMPLETO, QUE INICIOU NO ROCK E DERIVOU PARA O FREE JAZZ, E A FUSION JAZZÍSTICA. SUA MÚSICA É DE BELEZA EVIDENTE; ELE ESBANJA TALENTOS…

TERJE RYPDAL FEZ CARREIRA NA ALEMÃ E.C.M. RECORDS, ONDE GRAVOU COM DEUS E O MUNDO. E TEM PRODUÇÃO INTENSA NAQUELA MÚSICA SOFISTICADA, CLIMÁTICA E DIFERENTE. TOCOU EM GRUPOS QUE JUNTAVAM TROMPETES, MELLOTRON, ÓRGÃO… ; OU SE ORGANIZAVAM COM FORMAS ALGO CONVENCIONAIS PARA O JAZZ. E, TAMBÉM OUTROS DERIVANDO PARA O VASTÍSSIMO ETC… ALTERNATIVO.

NÃO ESTOU INTRODUZINDO UM ARTISTA COMUM. MAS, COM OUTRAS VISÕES DA MÚSICA, CULTURAS E PERSPECTIVAS.

OS DISCOS ACIMA SÃO DE FASE MAIS PRODUTIVA DA CARREIRA DELE, QUE É DURADOURA E DIFERENCIADA.

PARA CONHECER TERJE RYPDAL, PROCURE “WORKS” , COLETÂNEA EXCELENTE. ESCUTEM. É MUITO INTERESSANTE!