BEACH BOYS – BOXES E COLETÂNEAS 1962/1988

INCLUSIVE UM BOX EXCLUSIVO, O “MORRETÃO” ACIMA À ESQUERDA!

NEM PROCUREM POR AÍ, PORQUE NÃO ENCONTRARÃO!

SÓ EXISTEM 4 CÓPIAS, EM CAIXAS DIFERENTES, COM DESIGNS PARA O MESMO CONTEÚDO. FORAM FEITAS UMA PARA CADA AMIGO QUE PARTICIPOU DE ALGUMA FORMA NO PROJETO, QUE VOU DESCREVER ABAIXO.

ESTA É A MINHA.

A HISTÓRIA É A SEGUINTE: HÁ UNS VINTE ANOS, EU E UM GRANDE AMIGO CONVERSANDO, CONCLUÍMOS QUE ERA POSSÍVEL CRIAR UMA COLETÂNEA DOS BEACH BOYS QUE FUGISSE DO ÓBVIO. E MANTIVESSE A MAIS ALTA QUALIDADE POSSÍVEL.

FIZEMOS!

ELE SELECIONOU 80 MÚSICAS, EM TRÊS CDS, GRAVADAS ENTRE 1962 E 1970, PERÍODO DE PRODUÇÃO MAIS IMPORTANTE DA BANDA. E FEZ PESQUISAS SOBRE TEXTOS RELEVANTES, PARA O PROJETO..

EU CUIDEI DA PARTE GRÁFICA E DA ARTE. PRODUZI AS CAIXAS E CRIEI COLAGENS E ETC E TAL…

FICARAM BEM INTERESSANTES.

Os seguintes são mais conhecidos.

O BOX THE ORIGINALS saiu em 1997, e traz a produção algo dissociada entre 1965 e 1967. Ou seja SURF BEAT e arremedos de PROTOPSICODELIA (SMILEY SMILE, 1967) São mini LPs bem feitos e de qualidade muito superior ao que as séries ORIGINALS se transformaram. Eu tenho outras edições individuais de cada disco bem melhores. Mas, esta é de estimação.

SMILE 1967/2011, projeto megalomaníaco tentado por BRIAN WILSON, em nome da banda, e que gerou imensas reações internas no grupo.

Aqui, na versão terminada em 2011. É CULT, mas não me convence. A somatória das faixas tentou ser uma espécie de compêndio particular da história musical americana.

Acho mal realizado e não suficientemente pensado. Mas, é minha opinião apenas…Muitos acreditam que supera PET SOUNDS. Eu discordo.

SUMMER DREAMS é uma coletânea de 1991. Vista geral de toda carreira, com um bônus de luxo: a versão de CALIFORNIA DREAMIN´, clássico absoluto dos MAMAS & THE PAPAS, em arranjo à BEACH BOYS, e a participação luxuosa de ROGER McGUINN, dos BYRDS, na guitarra. A música é, também, a cara dos BEACH BOYS!

PET SOUNDS SESSIONS, 1996. Eu tenho somente o BOX, sem qualquer recheio. Ganhei de um amigo.

Eu não compraria, porque demais para mim. Acho imersões em geral um exagero: muita coisa entre a masturbação pura e simples, e a completa falta de “ereção” artística. Bastam dois CDS: o original e as sobras significativas. O restante é pra fãs incondicionais.

Qualquer hora, uso esta caixa para algum projeto com a discografia dos BEACH BOYS adequada à época, e mais a meu gosto…

Agora, THE BEACH BOYS – SOUNDS OF SUMMER, THE VERY BEST OF…, CAPITOL, UNIVERSAL, 2022, é a COLETÂNEA IDEAL!!!

Oitenta faixas, abrangendo a carreira toda! Ótimas remasterizações. Acompanha BOOKLET com texto e fotos, em visão ampla, geral e irrestrita do percurso dos moços pela história da brilhante discografia que construíram!!!

Tudo o que importa em BOX/ALBUM com 3 CDS! E o preço final na porta de casa na faixa de $ 25 BIDENS!!!!!!!!!!!!!! Uns R$

140,00 MANDACARUS.

Assediem a FADINHA MASTERCARD, e a obriguem a trazer para vocês neste natal!!!

Vale cada centavo!!!!!

BUD POWELL – BLUE NOTE & VERVE REEDIÇÕES 1947/1963

A sorte de nós, contemporâneos, e independentemente de idade ou geração, é termos acesso a material histórico, gravado em décadas anteriores, e recuperados por tecnologias que os trazem com excelente qualidade técnica para os dias de hoje.

É curioso acompanhar as discografias. Há uma característica mais ou menos comum aos “boxes” de CDS feitos dos anos 1990 em diante, principalmente no jazz.

Todos enfatizam e relevam as sessões de gravações, e seus inúmeros “takes” alternativos, OUT TAKES, e outros quitutes. Isto significou uma riqueza de músicas, arranjos, detalhes e técnicas artísticas. E, principalmente, o relançamento de álbuns originais, e a criação de vários outros que já despontam como clássicos.

E porque são!

Todos foram produtos de sessões de gravações recuperadas, geralmente as mesmas de onde foram retirados os discos originais.

Naqueles tempos, gravava-se em série diversas músicas, e depois selecionava-se o que sairia e o que seria arquivado.

Desse ponto de vista, e também do colecionismo, os boxes trazem a produção bruta e integral. Mas, nem sempre as capas dos discos originais e das edições posteriores do material lançados em outros discos, e todos novos clássicos e colecionáveis.

Por isso, é um misto de satisfação pela overdose, e frustração por termos de ir atrás, se quisermos, dos prodigiosos discos e suas capas concebidas originalmente.

A indústria musical sempre faturou e continua ganhando bastante grana conosco, os colecionadores. Eu sou exemplo: tenho quase tudo de BUD POWELL. No entanto, se aparecer uma nova seleção do mesmo, outra capinha, e se não custar caro, ela vem pra minha toca!

Colecionadores são todos infantis. Movem-se no lúdico!

POWELL era um gênio. Reconhecido por MILES DAVIS, CHARLIE PARKER, DIZZY GILLESPIE, THELONIOUS MONK, e o monte de gente com quem também gravou do final dos anos 1940 até meados da década de 1960: J.J.JOHNSON, MAX ROACH, SONNY ROLLINS, craques deste calibre.

Para muitos, BUD fui juntamente com CHARLIE PARKER – com quem não se dava bem – o maior nome da revolução ocorrida no JAZZ em meados do século passado.

O BE BOP, estilo que teve seu ápice nos ano 1940 e 1950, batizado com este nome porque os músicos associavam o andamento rápido, “notas pequenas” e dissonantes, ritmo sincopado e frases que às vezes terminavam abruptamente, com o atrito das marretas pregando trilhos nos dormentes de estradas de ferro!

JAZZ com inspiração nos barulhos que a sociedade Industrial produzia?

BUD POWELL viveu 42 anos. Teve a saúde fragilizada, inclusive a mental, depois de uma surra que levou da polícia ao ser preso por suposta vadiagem, no final dos anos 1940. Ele sofreu muito com diversas internações e acabou por pegar tuberculose, na Europa, que o consumiu e matou.

E para os que se recordam do filme “ROUND MIDNIGHT”, o músico representado pelo personagem de DEXTER GORDON, é um compósito entre BUD POWELL E LESTER YOUNG…

As coleção da BLUE NOTE está recheadas de obras primas. A da VERVE, também, que tem um acabamento gráfico belíssimo e luxuoso, com textos, e relatos de seguidores como HORACE SILVER e TOSHICO AKIYOSHI; fotos e tudo o mais.

Juntei ao material uma foto de POWELL com o trombonista J.J.JOHNSON, cool como quase tudo o que se refere àquele período rico, enfumarado, cult. E, também, um discasso de CHICK COREA chamado REMEMBERING BUD POWELL!

ALLAN BLOOM, crítico literário e cultural, classifica a gravação de “UN POCO LOCO”, pela BLUE NOTE, em 1951, entre as grandes obras de arte produzidas nos EUA! A música veio em três TAKES. É o piano rápido e peculiar de BUD POWELL, acompanhado por baixo, e principalmente pela bateria de MAX ROACH – que engata ao jazz uma percussão latina da pesada, quase trombando com o samba!!!

Realmente, é MUCHO LOCO!

DAVE CLARK FIVE – BEAT/R&B – MITO DOS ANOS 1960!

DAVE CLARK foi o primeiro super – astro POP a impor respeito à indústria do disco.

Logo depois do início profissional da banda, em 1963, tomou as rédeas do negócio e da produção. Jamais permitiu ser explorado pela máquina.

Eram um tanto diferentes dos BEATLES, dos STONES e da turma BEAT em geral: uniram órgão ao saxofone, o que lhes dava simultaneamente um som ROCK- RETRÔ e vínculo direto com o R&B americano, mas sem perder a essência inglesa do BEAT.

E vou destacar o vocal “negão da pesada” do algo esquecido e excepcional VOCALISTA/TECLADISTA MIKE SMITH. Eles

produziram dezenas de SINGLES de grande sucesso.

O DAVE CLARK FIVE gravou em média 3 LPs por ano, com o poder de síntese de um JOÃO GILBERTO: alguns não chegam a 22 minutos de duração! E todos têm qualidade sonora superior. Coisas da E.M.I – COLUMBIA mundo afora, naqueles tempos!

E detalhe, a produção era deles e os direitos sobre os discos, também! Coisa impensável naqueles tempos!

Foram sucesso na AMERICA em nível dos BEATLES! E venderam milhões de discos no mundo inteiro.

Fizeram centenas de shows em locais totalmente lotados. Estiveram mais vezes no show de ED SULLIVAN, visto de costa a costa nos E.U.A, do que os astros pop de sua época, BEATLES incluídos.

E negociaram e receberam cachês maiores do que quaisquer deles, inclusive JOHN, PAUL GEORGE e RINGO!

Quando o período de sucesso retumbante já definhava, por volta de 1968/1970, já estavam milionários.

É argumentável que, ao contrário da imensa maioria de seus concorrentes, eles tinham formação superior. Na banda havia dois engenheiros eletrônicos, por exemplo.

E, claro, cuidar diretamente da administração dos negócios fez total diferença!

Talvez seus contraexemplos tenham sido o BEATLES, que quase faliram; e os ROLLING STONES – que só há pouco tempo retomaram em parte o controle sobre discos gravados na década de 1960. É onde estão os grandes clássicos. E, apesar de MICK JAGGER ser formado na LONDON SCHOOL OF ECONOMICS…

Após o final da banda, DAVE CLARK recusou diversas propostas milionárias para reuni-la novamente, e fazer alguns shows. Achava que não fazia sentido. E eles também não precisavam.

Porém, o mito sobrevive mesmo que, oficialmente, a imensa maioria de seus Lps não tenham sido reeditados em nenhum formato. Parece que, agora 2022/2023 isto será feito. Finalmente. Já há coletânea nova deles na praça, e muito bem produzida. Eu ainda não escutei.

A melhor coletânea oficial deles em Cd saiu em 1993, e tem 50 músicas.

Está aqui postada; e vendeu barbaridade! Os outros discos formam a obra completa da banda. São edições australianas.

Está na foto também, outra miscelânea dividindo sucessos com os HERMAN´S HERMITS.

DAVE CLARK é amigo de ELTON JOHN e, como dizem em Portugal, também “salta pocinhas”. Sua vida pessoal é bastante discreta e seu fã Club oficial muito ativo.

Uns 35 anos atrás, saiu um livro sobre o destino de vários ídolos POP no pós-sucesso. Um tsunami de falências e infelicidades.

DAVE CLARK ainda morava em se PENTHOUSE, em MAYFAIR, um bairro chique e caro de LONDRES.

Escutem o DAVE CLARK FIVE, é muito legal e animado. E, com discos altamente colecionáveis.

JESUS CRISTO. HOMEM OU MITO? OU MÍSTICA?

MITO E MÍSTICA. A HISTÓRIA, AS NARRATIVAS E OS RITOS.

JESUS ESTÁ DE VOLTA, COMO A GERAÇÃO DO ROCK DE 45 ANOS ATRÁS!

DÚVIDAS E INCERTEZAS PERMANECEM. E A ÚNICA CERTEZA SOBRE O HOMEM HISTÓRICO SÃO AS “INCERTEZAS NAS DÚVIDAS”!

ATUALMENTE, O PROFESSOR LEANDRO KARNAL ESTÁ TENTANDO DECIFRAR (DESLINDAR?) A FIGURA DO MESSSIAS. ALIÁS, CRISTO SIGNIFICA MESSIAS EM GREGO, O QUE VAI-NOS RESTAURAR PARA A FÉ, TRAZER A BOA NOVA DO SENHOR….

E COMO FICAMOS?

COMO SEMPRE ESTIVEMOS: MISTÉRIOS ENVOLTOS EM MÍSTICA; ENREDADOS POR NARRATIVAS, REPERCUTIDOS EM VALORES…

AQUI, O PROFESSOR CORTELLA, EM PLENA FORMA, E LONGA ENTREVISTA. NO FINAL DE SEMANA, VEREMOS O PROFESSOR KARNAL E SUAS PERSPECTIVAS, UNS 30 ANOS DEPOIS DE CORTELLA…

E NÓS TODOS COM ISSO?

PRA MIM É ÓBVIO: NÃO IMPORTA. PORQUE A DIMENSÃO MÍSTÍCA E DOS VALORES TRANSCENDE A IMPORTÂNCIA DO HOMEM HIPOTETICAMENTE HISTÓRICO.

EU REZO TODOS OS DIAS.

E VOCÊ?

https://www.facebook.com/sergio.demoraes.92/posts/pfbid02LFHVLtu3ZPFYK6xMGN2RKSvNFDxXd3bAJcQAmF4vH4wTECG1hogDFEWJRZviVDb1l

HANK MOBLEY – PRESTIGE E BLUE NOTE YEARS

SE VOCÊ QUISER ENTENDER O SIGNIFICADO DA EXPRESSÃO “HIP”, VEJA A CAPA ICÔNICA DO LP “WORK OUT”, DE 1961.

SE PROCURAR O SOM QUENTE, CHEIO DE SWING SOFISTICADO E LONGE DE CLICHÊS , OUÇA ÁLBUNS DE MOBLEY. E ATENTE PARA “HANK’S OTHER BAG”, NO DISCO “A SLICE OF THE TOP, DE 1966, UMA DAS INTRODUÇÕES MAIS CULTS E CONHECIDA DO JAZZ MODERNO!

AGORA, OBSERVE OS MÚSICOS QUE JOGAM NO TIME DE HANK MOBLEY!!!

VOU CITAR APENAS O PIANISTA ANDREW HILL, UM DOS RESPONSÁVEIS PELA MODERNIDADE “TRONCHA”, COMO BEM DESCREVEU UM DOS NOSSOS, E QUE TAMBÉM PERMEIA O SOM DE MOBLEY.

QUE ESSES DISCOS VÃO RECHEAR A TUA DISCOTECA, AHHH, ISSO VÃO.

 

AS PONTES DE MADISON – TRILHA SONORA – 1995

FILME SENSÍVEL ONDE “MERYL STREEP” E “CLINT EASTWOOD” DÃO SHOWS DE INTERPRETAÇÃO.

E, PARA COMPLETAR, UMA TRILHA SONORA DE ALTÍSSIMO NÍVEL COM CERTAS CANÇÕES TOTALMENTE COMPATÍVEIS COM A ÉPOCA E O “CLIMA” DO FILME.

HÁ DINAH WASHINGTON,QUE DISPENSA INTRODUÇÕES MAIORES, EM DUAS FAIXAS SOBERBAS!

E, PARA QUEM NÃO CONHECE AINDA, QUATRO FAIXAS DE JOHNNY HARTMAN, CANTOR DE TIMBRE BAIXO/BARITONO, E INTERPRETAÇÕES PERFEITAS.

UMA DELAS É DO LP CLÁSSICO ABSOLUTO GRAVADO COM JOHN COLTRANE!

É DISCO IMPERDÍVEL E, HOJE, NÃO TÃO FÁCIL DE ENCONTRAR.

SE CRUZAR COM ELE, NÃO RESISTA: SAQUE A “FADINHA MASTERCARD” , OU ALGUMA DE SUAS IRMÃS, E COMPRE!

HOT TUNA – “IN A CAN” – O BOX NA “MARMITA” – EDIÇÃO LIMITADA

O HOT TUNA SURGIU DE UM PROJETO PARALELO À GRANDE BANDA DE ROCK DA CALIFORNIA, O “JEFFERSON AIRPLANE”.

DEPOIS, VIROU DISSIDÊNCIA E SEPARAÇÃO DEFINITIVA. JORMA KAUKONEN, GUITARRISTA ESTILOSO, DE SONORIDADE RECONHECÍVEL, E JACK CASSIDY, BAIXISTA CRIATIVO, RESOLVERAM, EM 1969, APROFUNDAR EM SENTIDO AO COUNTRY, COM ALGUMAS PITADAS DO FOLK.

O “JEFFERSON AIRPLANE” CONGELARA NA ENCRUZILHADA, DEVIDO À PERDA DE FORÇA COMERCIAL DA PSICODELIA POR VOLTA DE 69/70.

E, POR ISSO, MUITOS ARTISTAS TRILHARAM PARA O ROCK PROGRESSIVO.

O AIRPLANE TORNOU-SE JEFFERSON STARSHIP, DEPOIS STARSHIP, VERTEU PARA O POP E TEVE CARREIRA DE SUCESSO ENTRE OS ANOS 1970 E 1980.

O HOT TUNA PERMANECE; E OS DOIS FUNDADORES TÊM CARREIRA SOLO, E MUITOS E EXCELENTES DISCOS GRAVADOS.

A “MARMITA” SAIU EM 1992 E É COLECIONÁVEL PRA CARAMBA!!!!

RENAISSANCE – A SONG FOR ALL SEASONS – BOX SET – 2019

SIM, UM EXCELENTE ÁLBUM DE ROCK PROGRESSIVO SINFÔNICO!!!

Conhecer a HISTÓRIA é jeito confiável para consolidar conhecimentos válidos. E, também, para relativizar saberes, recuperar detalhes, preencher lacunas, ou até corrigir eventuais erros.

A HISTÓRIA do RENAISSANCE é parte de uma lacuna obscurecida pelo brilho intenso que o foco nos “super guitarristas” ERIC CLAPTON, JIMMY PAGE e JEFF BECK, deu aos YARDBIRDS, durante a curta existência da banda, entre 1963 e 1968.

Quando o grupo terminou PAGE, o último LEAD GUITAR, formou o LED ZEPPELIN, portal imenso para o HARD ROCK e o HEAVY METAL. ERIC CLAPTON, que saíra em 1964, e tido como “GOD” na Inglaterra, agora consagrava-se no CREAM, onde ampliou a sua experiência acumulada com o JOHN MAYALL’S BLUESBREAKERS. E JEFF BECK, depois de 1966 seguiu multifacetada e sem paralelos carreira solo.

Mas, TIO SÉRGIO, e o vocalista KEITH RELF e o baterista JIM McCARTHY, o que fizeram?

Criaram o conceito inicial, e gravaram os dois primeiros discos do RENAISSANCE, com JANE RELF no vocal, em 1969. Foram dois fracassos de vendas, e sobrou ninguém da primeira formação do grupo.

Mesmo assim, o RENAISSANCE foi a DORSAL PROGRESSIVA surgida no “desfazimento” do histórico, abrangente e seminal “THE YARDBIRDS”…

“So Beggins The Task”, parafraseando o nome de bela canção de STEPHEN STILLS…

Tenho por aqui, sei lá onde, postagem mais completa sobre o RENAISSANCE. Então, vou ater-me a esse belo trabalho, que antes deste relançamento eu não apreciava muito. Aqui, eu adiciono algumas “bolocotas” informativas e interpretações para tentar situar a banda no contexto da época.

ANNIE HASLAN tem um incrível alcance vocal de 5/8!!! Estudou canto, tem dicção perfeita e clara. Sua voz tem a leveza e a doçura das cantoras de MÚSICA CLÁSSICA.
ANNIE foi selecionada através de um anúncio na revista MELODY MAKER, em 1971, e juntou-se ao diferenciado baixista JON CAMP; ao baterista TERENCE SULIVAN; ao excelente pianista e tecladista JOHN TOUT; e também ao violonista e guitarrista MICHAEL DUNFORD, o compositor da maioria das melodias. É curioso: o RENAISSANCE usou guitarra elétrica pela primeira vez neste neste álbum!

Como o KING CRIMSON e o PROCOL HARUM, o RENAISSANCE tinha letrista exclusiva: BETTY THATCHER, que morava em outra cidade, e recebia as partituras e uma fita com a melodia via correio Ela escrevia as letras e devolvia ao grupo. Pelo que ouvimos na discografia disponível, o entrosamento foi perfeito!!!

O RENAISSANCE sempre foi mais popular na AMÉRICA, incluindo o CANADÁ, do que na INGLATERRA – essa eterna reveladora de ídolos e talentos, que precisaram ganhar a vida fora, porque lá o mercado é comparativamente pequeno e os impostos enormes. Então, mudaram-se para os Estados Unidos por dois anos, e tentaram aproveitar o culto que foram despertando.

No começo, ficaram em um “limbo” de mercado. Fizeram turnês com o BLUE OYSTER CULT, o KISS, EAGLES e vários, até encontrarem o nicho mais adequado: a turma do PROGRESSIVO e redondezas. Excursionaram com o JETHRO TULL, GENESIS, GENTLE GIANT…

Os cinco primeiros álbuns da nova fase foram paulatinamente vendendo melhor. Mesmo assim, elesnunca estouraram.

“A SONG FOR ALL SEASONS”, o sexto, foi o primeiro sucesso de verdade, com 60.000 LPS vendidos, graças a “NORTHERN LIGHTS”, lançada em SINGLE, em 1978; que para surpresa de todos, atingiu o décimo lugar nas paradas inglesas. Eles foram 3 vezes no TOP OF THE POPS.

ANNIE vivia na época com ROY WOOD, o famoso guitarrista, líder da banda psicodélica inglesa THE MOVE, e um dos fundadores da ELECTRIC LIGHT ORCHESTRA. Ele produziu e tocou no primeiro disco solo dela: ANNIE IN THE WONDERLAND, 1977.

ANNIE HASLAN era, também, muito amiga de BETTY THATCHER, e inspirou a letra de “NORTHERN LIGHTS”, que tem nada a ver com a Aurora Boreal… É uma canção sobre saudades, amor e retorno ao lar. Afinal, eles viviam na estrada…

Para fazer “A SONG FOR ALL SEASONS” eles contrataram DAVID HENTCHEL, que produzira com sucesso ELTON JOHN e o GENESIS. Era experiente, tolerante, e sabia operar sintetizadores, um upgrade necessário naqueles tempos.

O disco foi concebido como ROCK PROGRESSIVO SINFÔNICO.

Trouxeram a ROYAL PHILHARMONIC ORCHESTRA, e os arranjos foram feitos por LOUIS CLARK, que também havia escrito para a ELECTRIC LIGHT ORCHESTRA. A regência coube ao maestro HARRY RABINOVITZ.
A banda e a orquestra gravaram separadamente, como fizeram os MOODY BLUES, em DAYS OF FUTURE PASSED. As orquestrações têm ecos de DEBUSSY, SCHOSTAKOVICH e PROKOFIEV.

Eu percebo traços da canção-tema dos filmes do “Agente 007”. Acho os arranjos pesados, intensos e dramáticos. Lembram mais o PROCOL HARUM do que o GENESIS.

A conjugação orquestra / banda ao vocal etéreo e refinado de ANNIE HASLAN, talvez tenha gerado o melhor disco do RENAISSANCE. Na opinião do grupo, é a MASTERPIECE da carreira. Apesar da capa desenhada pela HIPGNOSYS, que ninguém gostou ou entendeu direito…Afinal, se era pra exibir a foto de moça qualquer, por que não ANNIE?

O box lançado pela ESOTERIC RECORDINGS, em 2019, é bem realizado. Traz livreto, poster, comentários e as letras. Tudo em caixa bem apresentável.

A remasterização do disco original está ótima! A mixagem do baixo ficou excelente, o piano soa claro, inteligível, e o som do restante da banda está muito bem remixado e coeso.

A voz de ANNIE HASLAN está nítida e afinadíssima, como sempre. A orquestra integrou-se muito bem, e os instrumentos utilizados estão com recortes bem audíveis.

O box traz outras faixas adicionais. E mais dois CDS bônus de concerto gravado no TOWER THEATER, na PHILADELPHIA, EM 1978; e na B.B.C.

O som está razoavelmente audível. Mas com certeza não foi remasterizado. São as limitações e lapsos de um projeto muito bonito.

Os cantores do coro pediram para receber seus cachês em caixas de cerveja, ao invés de dinheiro…

Certamente foi uma honra também para eles trabalhar em disco tão belo.

Eu recomendo a todos!

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BLOGUE DO TIO SÉRGIO, APRESENTAÇÃO: Olá pessoal!

O Blogue do tio SÉRGIO DE MORAES é o meu refúgio existencial, lúdico, e principalmente musical. Um espaço para troca de ideias e informações.
Eu publico nas redes sociais faz uns dez anos, e pertenço a vários grupos, onde colaboro quase diariamente… e recebo mais beijos do que tapas…
Coleciono discos e mídias em geral, desde 1968! E por aí você já percebe que eu não sou jovem, mesmo sendo jovial, e sem preconceitos estéticos. Sou conhecido por muitos que também colecionam e gostam de música e discos.
Gosto de ROCK, JAZZ, BLUES, CLÁSSICOS E VANGUARDAS; e, vez por outra incursiono pela MPB. Sou eclético, mas seleciono e escolho. Sou curioso, observo tendências, mas não me atenho a foco específico: uso fragmentos de fatos, intuições, ou coisas que me arrebatam. Faço escrita com certo estilo, digamos… 
Não tenho a pretensão de fazer Crítica Musical. Atividade que, na minha opinião, exige preparo mais técnico, e principalmente ser “alfabetizado em música”. Habilidade específica que não possuo.
E mesmo sendo formado em Ciências Sociais e Comunicações, também não faço jornalismo.
Mas sou, sim, um diletante preparado, e que adora música e seu entorno cultural. Procuro utilizar o máximo de informações e perspectivas possíveis para refinar, ir fundo e com abrangência no assunto.
Escrevo resenhas, crônicas, memórias, e outros formatos convenientes a cada caso ou tema.
Costumo, também, ir além da música, e mergulhar na vida. Então, falo de outras coisas: Política, assuntos gerais do cotidiano, etc…
Muitas vezes, os textos ficam longos. Mas, dizem por aí, que são interessantes.
Portanto, você já está convidado, convidada… e será um prazer a gente conviver por aqui!

SÉRGIO – SETEMBRO/2023