INCERTO SÁBADO À TARDE, EM 1973…

Eu me lembro com bastante nitidez de certo sábado, em 1973. Recordo a luminosidade daquele dia; deve sido entre e abril e maio.
Por motivo que não identifico claramente, eu estava tranquilo e feliz. Não alegre eu sei. Mas, desfrutando momento de rara completude. Palavra mágica e conclusiva.
Quase 50 anos se foram, mas aquele sábado reteve-se em mim.
Em 1973, ainda não existiam a WOP BOP ou a BARATOS AFINS, as duas lojas que fizeram história por conseguir congregar um certo público que curtia o UNDERGROUND, o ROCK e arredores.
Informações do exterior existiam, mesmo poucas e truncadas. Aguçavam desejos. Estavam condensadas em publicações como a ROLLING STONE, já circulando por aqui; e jornais alternativos onde esforçados jornalistas, como LUIZ CARLOS MACIEL, nos informavam sobre o novo “perenizado” pós a suposta revolução trazida por HIPPIES e a NOVA ESQUERDA INTELECTUAL. Claro, não durou o suficiente, mas deixou marcas não removidas – feito tatuagens.
Existiam grandes lojas que importavam, traziam discos e novidades. Mas eram tão caros como hoje é, e sempre foram…
Não consigo visualizar claramente se foi na BRUNO BLOIS ou na BRENO ROSSI, onde naquela tarde inesquecível comprei dois entre os discos de que mais gosto até hoje.
Eu já conhecia o BOB SEGER. Cantor potente, BLUESY e pesado. Teve dois SINGLES lançados por aqui, “2+2” e “RAMBLING GAMBLIN MAN”, estilingadas certeiras!
SEGER é uma espécie de antecessor de BRUCE SPRINGSTEEN, naquela coisa do americano solitário contra o sistema, e sempre “ON THE ROAD”; torturado pela imprecisão psicológica, feito um JAMES DEAN ou JIM MORRISON, que os antenados de minha geração conheceram. Vem daí o fascínio que me causou.
BOB chegou ao sucesso de verdade alguns anos depois, lá por 1977/1978, Mas, jamais fez álbum tão bom e consistente quanto “BACK IN 72”. O disco foi gravado no “MUSCLE SHOALS STUDIO”, onde a elite da SOUL MUSIC e do R&B gravava. Gente como ARETHA FRANKLIN, por exemplo.
Nesse álbum ele está acompanhado por craques, como J.J.CALE, JIMMY JOHNSON, BARRY BECKETT, DAVID HOOD e ROGER HAWKINS, para ficar no primeiro time. E mescla SOUL, R&B e ROCK com eficiência e sofisticação. É um grande e desconhecido disco, TIO SÉRGIO garante. Brilhando no fundo do poço do ROCK. Experimente.
Também me recordo de ter visto o disco de BOB SEGER e separado para comprar. Enquanto isso, rolava no PICK UP outro chegado naquele momento, o primeiro álbum do BLUE OYSTER CULT. Mais um Impacto fulminante. Míssil direto no cérebro e no corpo! Para mim, até hoje é o melhor disco que fizeram.
Está entre o HARD ROCK e o PROGRESSIVO. Tem pegada BLUESY, algumas novidades tecnológicas, como “delays” e outros “babados”; faixas interligadas e sem espaço, e dão sensação de continuidade, não importando as músicas que se sucedem.
O BLUE OYSTER CULT foi grande sucesso, na década de 1970. E fez outros discos bastante bons. É álbum bastante original de ROCK PESADO americano. Sim, claramente “Made in America”, como um CAPTAIN BEYOND e o KANSAS; ou o GRANDFUNK RAILROAD.
Um pouco antes, eu havia comprado o HUMBLE PIE – ROCK ON, de 1971. Eu lembro bem: estava aberto e foi no MUSEU DO DISCO. Os meus amigos SILVIO DEAN, FRED FRANCO JR. e ALDAHYR RAMOS, estavam lá!
A capa bizarramente americana não descreve o conteúdo magnífico. E a sequência é matadora: começa com SHINE ON, prossegue em altíssimo nível e repertório variado, expondo habilidades instrumentais e vocais de STEVE MARRIOTT e PETER FRAMPTON; e as performances corretas do baterista JERRY SHIRLEY e de GREG RIDLEY, no baixo.
O álbum vai do BLUES ao HARD ROCK em fogo crescente; explodindo feito vulcão. Não tem jeito de não empunhar um “AIR GUITAR” no final, quando FRAMPTON E MARRIOTT duelam e se complementam. E você jamais ouvirá ROLLING STONE, de MUDDY WATERS, em gravação tão precisa, empolgante e explosiva como aqui. É um dos melhores discos da década de 1970! Só isso! Obra de arte vibrante, incomparável!
Se você está ou esteve com uns 19 anos; e acha que a vida pode sorrir para sempre, observará que certas coisas e momentos marcam no “fundo profundo…”
Aproveitei para trazer outros discos que rodeavam o meu espírito, naqueles tempos. São parte e também motivos de a memória daquele inesquecível sábado me sequestrar até hoje.
Desejo a todos que tenham ou venham a ter experiência tão cativante…
Justificam viver!
POSTAGEM ORIGINAL REDEFINIDA : 06/08/2025
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FLORESTAN FERNANDES, SOCIÓLOGO – INTELECTUAL ÍNTEGRO E ÚTIL

O epíteto que arrumaram para ele não condiz. Se FERNANDO HENRIQUE CARDOSO, que foi seu assistente, era conhecido como o “Príncipe dos Sociólogos” ( ridículo! ), então o Rei seria quem?
FLORESTAN era um homem de esquerda, mas não militante. Um teórico que sabia sobre o que ensinava. E ouvi de professores que tive formados por ele, que o mestre era inflexível na exigência de estudos e disciplina de aprendizagem.
FHC em seu recente livro de Memórias, “UM INTELECTUAL NA POLÍTICA”, conta que a politização da UNIVERSIDADE veio muito depois, e que FLORESTAN era um professor que trabalhava baseado em teorias e, principalmente, em pesquisas empíricas, de campo. E que só radicalizou-se em função do GOLPE de 1964 – aliás como todos os que sobreviveram, na FFLCH da USP. Eu sou discípulo direto intelectual e politicamente desses professores e daquela condicionante histórica.
O antropólogo AMADEU LANA, meu ex-professor e discípulo direto de FLORESTAN FERNANDES, certa vez disse humoradamente à classe, que aquele bando de “pós-hippies esquerdistas” ( nós ) não tínhamos ideia do que nos aconteceria se fôssemos alunos do mestre! Não haveria oba-oba, moleza ou badalação. Ficamos incrédulos e paralisados!
O professor FLORESTAN ensinava nos EUA quando estive na USP entre 1974 e 1979, do século passado ( pasmem rindo! ). Fui aluno por uns tempos de HELOÍSA FERNANDES, filha dele, e ótima professora da geração 68. FLORESTAN foi mito sem rito possível no meu tempo.
Mas o mundo roda e a pomba-gira!!!! ( que infâmia!!! )
Quando FHC foi eleito Presidente da República, em 1994, no dia da posse FLORESTAN, já Deputado Federal pelo PT, disse a ele a frase seminal: “EU NÃO CRIO GATOS, EU CRIO TIGRES”! ” Pois é, um sociólogo na Presidência do Brasil foi prova cabal!
Pouco tempo depois, foi descoberto um câncer de intestino do mestre FLORESTAN. FHC e todos os amigos, agora postos no governo, ofereceram ao professor tratamento diferenciado no exterior. Ele recusou. Não achava correto ter além do que a média do povo brasileiro teria – e ainda mais às custas do Estado! FERNANDO HENRIQUE também conta que pela vida inteira jamais chamou o velho mestre de “você”. Ele e seus alunos o chamavam de SENHOR!
FLORESTAN FERNANDES tinha caráter. E ser íntegro é pressuposto essencial para um MITO!
Que Deus o tenha. E a História o reverencie.
POSTAGEM ORIGINAL: 6/08/20218

A SAGA DE DICK ROWE, O ANJO CAÍDO

Acasos fazem parte da vida e tanto premiam quanto punem.
O produtor DICK ROWE e o goleiro BARBOSA, da seleção brasileira de 1950, foram escrachados enquanto viveram por terem cometido falhas imperdoáveis!
BARBOSA, um grande goleiro, ficou associado à vitória do URUGUAI naquele fatídico jogo na final COPA DO MUNDO de1950. Ele não pegou o chute de GIGHIA, sempre hipótese possível quando se dá de cara com um adversário habilidoso.
E o pobre MOACIR BARBOSA DO NASCIMENTO frustrou o Brasil inteiro, porque “todo brasileiro homem” estava literalmente no MARACANÃ… Eu conheci um monte de gente que jurou haver assistido tudo de perto… HUMMMM!!!! Pela minha conta, havia uns dois milhões de compatriotas no estádio…
Talvez mais…
DICK ROWE cuidava do departamento de A&R (artistas e repertórios) da GRAVADORA DECCA quando BRIAN EPSTEIN, naquele primeiro dia de janeiro de 1961, levou os BEATLES para gravar umas demos, e ver se a gravadora os aprovava.
No estúdio estavam MIKE SMITH, famoso produtor da casa; TONY MEEHAN, ex-baterista dos SHADOWS, que dirigiu a sessão – e ficou tristemente famoso por garantir que BANDAS DE GUITARRA já estavam fora de moda, em 1961…
Perspicácia com certeza não era o forte do moço. Afinal de contas, os SHADOWS gravaram mais do que CEM Long Plays. E em mais 70 anos de ROCK não faltaram guitarristas e GUITAR BANDS… Mas há dois fatos: o histórico THE DECCA TAPES, que resultou daquela sessão, é ruim de fazer porco mugir! E TONY MEEHAN sabia o que era um bom ROCK AND ROLL…
Se querem contraexemplo nítido, ouçam o disco de CLIFF RICHARDS gravado ao vivo em estúdio, em 1959, acompanhado pelos DRIFTERS, o primeiro nome da banda que se tornou THE SHADOWS.
Ladys and Gentlemen, TIO SÉRGIO garante: aquilo sim é ROCK AND ROLL: LONG PLAY vibrante, que também foi lançado no BRASIL com o nome sonoro de ROCK TURBULENTO!!! álbum colecionável de primeira linha!
Terminando o “início”, a DECCA não aprovou. E coube a DICK ROWE, o chefe da turma e notório queixo duro, dizer na lata para BRIAN EPSTEIN que eles não gostaram do som da banda, e por isso, etc…e tal.
Sorte dos BEATLES. Se tivessem ido para a DECCA não teriam sido produzidos por GEORGE MARTIN, na PARLOPHONE. E, certamente, discos seminais, como REVOLVER, RUBBER SOUL e SGT PEPPERS não existiriam.
Mas como estigmas persistem, poucos observam que DICK ROWE não era bobo. Ele sentiu o baque das críticas, mas não perdeu tempo. E contratou para a DECCA os ROLLING STONES, e os MOODY BLUES; lançou os ZOMBIES, o THEM de VAN MORRISON e os SMALL FACES. E até JOHN MAYALL & THE BLUESBREAKERS!!!
Cuidou da carreira de BILLY FURY (esqueci de postar..) lançou TOM JONES, e também POP HIT MAKERS anos 1960, como THE MARMELADE e os TREMELOES para ficar em poucos…
Ao contrário do nosso lendário e triste BARBOSA, um estigmatizado sem glória, DICK ROWE deu a volta por cima e continuou se lixando…
POSTAGEM ORIGINAL: 04/08/2022
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ART BLAKEY & THE JAZZ MESSENGERS – HARD BOP NA VEIA!

Senhoras e senhores leitores, amigos e conversadores:
serei breve e ultra claro.
Se vocês querem ouvir JAZZ MODERNO pra valer; sem fricote, sem frescura e cheio de balanço; com piano e metais ultra bem tocados; e a bateria em sua função primeira, que é garantir o ritmo; então, caiam de boca, pernas, ouvidos e coração no HARD BOP!
O estilo é uma evolução do BEBOP, que teve o seu período áureo entre 1955 e 1965. Mas ainda inspira seguidores e fãs.
Ele se desenvolveu contra o COOL JAZZ e seus maneirismos, delicadezas e sofisticações. É TAMANCO SEM COURO: PAU PURO! E “ART BLAKEY e os JAZZ MESSENGERS” foram os representantes mais famosos do HARD BOP.
Tentar seguir o mestre é muito difícil; foi um grande baterista que tocava direto, pesado e limpo. “ART BLAKEY” não era PRIMA DONA egocêntrica. Sua performance como LÍDER sempre foi garantir a seus músicos o espaço, e a eficiência do ritmo e do andamento para que brilhassem, e fizessem JAZZ divertido e autêntico!
“BLAKEY” passou por por umas 15 gravadoras! Entre elas, a COLUMBIA, BLUE NOTE, ATLANTIC e CONCORD. E mesmo ficando se gravar entre 1966 e 1972, ele deixou 47 álbuns originais de estúdio; e 21 gravados ao vivo – o que dá ideia do que era o JAZZ pra ele: arte popular direta para a plateia.
O “JAZZ MESSENGER” foi criado em 1953 por BLAKEY e o pianista HORACE SILVER – que saiu logo em seguida. E a quantidade de artistas do primeiro time que tocaram em seu grupos, até 1990, é espantosa!
Gente como os saxofonistas LOU DONALDSON, HANK MOBLEY, LEE MORGAN, BENNY GOLSON, WAYNE SHORTER, TERENCE BLANCHARD, e SONNY STITT. E trompetistas da estirpe de CLIFFORD BROWN e DONALD BYRD, para citar muito poucos!
O piano era estrutural para o HARD BOP. E passaram pelas variadas configurações dos “JAZZ MESSENGERS” pianistas em nível de KEITH JARRETT e CEDAR WALTON; e o magnífico JAMES WILLIAMS, que dá um SHOW no LP “REFLECTIONS IN BLUES”, na foto, gravado em 1978. Vocês precisam ouvir este LP!!!!
E se quiserem ver a bateria de BLAKEY aplicada ao ROCK e ao BLUES, procurem ouvir “MOVING ON”, de JOHN MAYALL, gravado AO VIVO em 1974. KEEF HARTLEY, discípulo direto de ART BLAKEY, introduz de cara, na primeira faixa, a sua bateria precisa: É HARD BOP na veia!!!!
Cultivem!
POSTAGEM ORIGINAL: 03/08/2023
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DOORS – THE SINGLES – JAPANESE EDITION – SHMCD

“I WOKE UP THIS MORNIN’
I GOT MYSELF A BEER”
THE FUTURE´S UNCERTAIN
AND THE END IS ALWAYS NEAR..”
“Roadhouse Blues”
THE DOORS talvez tenha sido a BANDA AMERICANA ÍCONE da segunda metade da década de 1960. E o motivo “é” JIM MORRISON (sim, no presente, porque transcendeu épocas e permanece).
Não, não foram os melhores no cenário; e nem os que mais venderam discos. Mas se tornaram de importância capital para a definição daqueles tempos de rebeldia, contestação e quebra de valores tradicionais.
JIM MORRISON “é” uma espécie de gênio anárquico. Tinha inteligência enorme, carisma gritante; foi criatura exuberante. E, para excitar legiões de garotas, e adjacências, era um cara bonito e sensual, que sabia expor-se.
A bela voz de “baixo – barítono” marcou época – enquanto não foi inteiramente destruída por gandaia, falta de cuidados, e excessos múltiplos.
MORRISON transitou, em seu auge, em constante decadência pessoal, e irrequieta vida sexual. Emulava seus ídolos negros do R&B e da SOUL MUSIC, bebendo e se drogando meio sem rumo, e coalhado por poesia e retórica. Aguentou até 1971, e morreu em PARIS. Destino poético e muito simbólico!
JIM foi uma contradição peripatética. Filho de almirante da frota americana, com quem jamais entendeu-se – é claro! -; era semelhante a um BEATNICK da década anterior, porém “trasfegado” para o seu tempo.
MORRISON estudou cinema na U.C.L.A, em LOS ANGELES, onde foi colega de FRANCIS FORD COPPOLA. Fez um filme “curricular” experimental Era um romântico; hedonista.
As composições que fez têm algo de “visual”; e são misteriosamente imprecisas. Desafiadoras. JIM MORRISON “escreve” muito bem. É autor estudado em UNIVERSIDADES, e objeto de teses por suas poesias originais, enigmáticas… e vasto sei lá o quê!
Sua maluquice meteórica juntou-se a RAY MANZAREK, ROBBY KRIEGER e JOHN DENSMORE, em 1966. AHHH, vocês sabem quais instrumentos tocavam… Os três se tornaram veículos para a voz e rebeldia de MORRISON. Formaram banda, criativa e adequada – enquanto duraram. Transitaram pela BLACK MUSIC de maneira peculiar. Alguns SINGLES impressionam pela FUSION que conseguiram entre o PSICH ROCK e o R&B; sempre arranjados com muito requinte, bom gosto e ímpeto!
No estúdio, foram excelentes; apesar das loucuras de JIM. E o tempo inteiro tiveram dificuldades para colocar MORRISON em condições de cantar. Mas, fizeram….
Quem assistiu ao filme sobre os DOORS percebeu que os shows eram rituais de horror; geravam rebeliões em teatros, e deixavam a polícia em ponto de bala para intervir.
JIM era um libertário extravagante o suficiente para desafiar a caretice “intrínseca” da sociedade americana, e dar conteúdo simbólico a um período histórico riquíssimo.
O filme catapultou para a História JIM MORRISON e os DOORS. Definitivamente!
Em essência, THE DOORS era um grupo BEAT/R&B mesclado com ROCK PSICODÉLICO. Aquele órgão inesquecível de RAY MANZAREK, que transita – e transcende – por todas as faixas e discos, é marca de um tempo preciso e glorioso.
Eu tinha uns 14 anos quando ouvi LIGHT MY FIRE pela primeira vez. Foi em 1967; e percebi algo que vinha mudando em mim, desde a primeira vez que escutei THE BYRDS, em 1965.
O RIFF com teclado, no início da faixa, vale a música. A voz BLUESY e a interpretação de JIM MORRISON são antológicas. Percebi a conotação sexual irresistível, cinquenta e tantos anos atrás! É um dos maiores SINGLES da história do ROCK!!!
Os DOORS consolidaram em mim “mutação existencial” irreversível. O primeiro quadro “que cometi” – porque horrendo! -, tem o JIM e suas ideias como tema!!!
O SINGLE e, claro, o COMPACTO SIMPLES trazem a versão reduzida, sem a parte JAZZY/R&B/ PSICODÉLICA da extensão do solo do “FARFISA” de MANZAREK, parte da versão original do primeiro LP.
É uma catarse concisa. Tudo resolvido em menos de três minutos! Inesquecível!
Aqui estão todos SINGLES, lados A e B, inclusive os sem JIM MORRISON. Foram lançados pela ELEKTRA RECORDS, e nesta edição, coligidos pela RHYNO, em 2017. A maioria em MONO. Na época não existia o STEREO para SINGLES, EPS e COMPACTOS.
O repertório vai das seminais BREAK ON THROUGH e PEOPLE ARE STRANGER, passando pelas esfuziantes HELLO, I LOVE YOU, TOUCH ME e LOVE HER MADLY, até a expressiva e horrendamente macabra THE UNKNOWN SOLDIER. E deságua em ROADHOUSE BLUES e na bela RIDERS ON THE STORM.
Sobram estilhaços como GLORIA, de VAN MORRISON, em interpretação visceral de JIM! E
CHANGELING, um HEAVY BLUES sensacional e meio desapercebido. São 44 mísseis “transtemporais”!!!!!
Eu adoro os SINGLES gravados com JIM! E o meu predileto é uma das canções mais enigmáticas e bonitas que fizeram: WISHFUL SINFUL, 1969.
Após a morte de JIM MORRISON, o óbvio foi confirmado: THE DOORS não existe sem ele.
Nem preciso recomendar este CD duplo, também lançado no BRASIL. Aqui estão partes suficientes da alma de um grande artista, e de uma banda histórica!
Guerreiem, se preciso, para tê-los!
POSTAGEM ORIGINAL: 23/07/2023
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MOODY BLUES – A FASE ÁUREA – (1967 – 1972 ) – (1978)

ELES FIZERAM SETE DISCOS DE TIRAR O FÔLEGO, LANÇADOS ENTRE 1967 E 1972! E MUITA GENTE INCLUI, TAMBÉM, “OCTAVE”, 1978 – QUE APESAR DE “TEMPORÃO”, FOI O ÚLTIMO COM A FORMAÇÃO CLÁSSICA: “JUSTIN HAYWARD”, GUITARRA; “RAY THOMAZ”, FLAUTAS; “GREAME EDGE”, BATERIA; “MIKE PINDER”, TECLADOS E “JOHN LODGE”. TODOS CANTAVAM BEM, E CRIARAM A FABULOSA HARMONIA VOCAL QUE OS DISTINGUIU POR DÉCADAS!
DEPOIS DE “OCTAVE”, O TECLADISTA “MIKE PINDER” DEIXOU A BANDA E CONCENTROU-SE NA ADMINISTRAÇÃO DO GRUPO. EM SEGUIDA, DEDICOU-SE À TECNOLOGIA TRABALHANDO NO DESENVOLVIMENTO DE TECLADOS, MELOTRONS E APETRECHOS QUE DOMINAVA EM ESTÚDIO E PALCO.
SÃO OITO ÁLBUNS EXCELENTES. E OS DOIS PRIMEIROS SEMINAIS:
“DAYS OF FUTURE PASSED”, DE 1967 – O MARCO ZERO DO “ROCK PROGRESSIVO SINFÔNICO”. E “IN SEARCH OF THE LOST CHORD”, LANÇADO EM 1968, É FUSÃO DE ROCK PSICODÉLICO E TEMAS ORIENTAIS; ELEITO ENTRE OS DEZ ÁLBUNS MAIS IMPORTANTES DA PSICODELIA INGLESA, PELA REVISTA “RECORD COLLECTOR” – LEITURA MENSAL SACRADA PARA OS COLECIONADORES.
TAMBÉM NA FOTO, “A QUESTION OF BALANCE”, 1970; É O PRIMEIRO DISCO A FALAR ABERTAMENTE SOBRE TEMAS ECOLÓGICOS. LONG PLAY MAGNÍFICO POR ELE MESMO: “ROCK PROGRESSIVO MELÓDICO” QUE AGRADA A TODOS; PORÉM, É MENOS EXPERIMENTAL.
OS “MOODY BLUES” EM CADA NOVO ÁLBUM EXPLORARAM NOVIDADES TÉCNICAS, COMBINADAS A REQUINTES DE PRODUÇÃO, E EXECUÇÃO DE ALTA QUALIDADE ARTÍSTICA.
A DISCOGRAFIA DA BANDA, NESTE PERÍODO, MERECE UM ENSAIO MAIS AMPLO.
OS VOCAIS SUBLIMES DO GUITARRISTA “JUSTIN HAYWARD” E DO FLAUTISTA “RAY THOMAS”, SEMPRE MUITO BEM HARMONIZADOS ÀS VOZES DO BATERISTA “GREAME EDGE”, DO BAIXISTA “JOHN LODGE”, E DO TECLADISTA “MIKE PINDER”, ESTÃO ENTRE OS BONITOS DA HISTÓRIA DO ROCK.
GRANDES E ORIGINAIS ARTISTICAMENTE, OS “MOODY BLUES” ESTÃO LIMITADOS A “LODGE” E “HAYWARD”, ÚNICOS SOBREVIVENTES. ELES FORAM ENORME SUCESSO COMERCIAL E DE CRÍTICA, PRINCIPALMENTE NOS ESTADOS UNIDOS – ONDE ATÉ HOJE LOTAM OS TEATROS, QUANDO FAZEM CADA VEZ MAIS RARAS TURNÊS POR LÁ.,
OS “MOODY BLUES” SÃO CONTEMPORÂNEOS DE GERAÇÃO DOS BEATLES. INICIARAM CARREIRA COM O BEAT E O “R&B” SESSENTISTA, MAS SEM GRANDE EXPRESSÃO. EM 1967, FIZERAM MUDANÇA RADICAL COM A ENTRADA DE “JUSTIN HAYWARD” E “JOHN LODGE”, REINICIANDO A CARREIRA DE ENORME ÊXITO, PRINCIPALMENTE NAS DÉCADAS DE 1970 E 1980.
EM 2018 ENTRARAM, FINALMENTE, PARA O “ROCK & ROLL HALL OF FAME”, PELO CONJUNTO DA OBRA. FORAM APRESENTADOS POR “ANN WILSON”, VOCALISTA E GUITARRISTA DO “HEART” – NOTÓRIOS FÃS DO GRUPO”.
O DISCOS POSTERIORES VÁRIOS – SÃO PAPO PARA OUTRA OCASIÃO.
POSTAGEM ORIGINAL: 21/07/2022
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ALEXIS KORNER & CYRIL DAVIES, E AS ORIGENS DO BRITISH BLUES

O ACASO É UM GRANDE CONSTRUTOR DE MUNDOS, MITOS E VIDAS.
O fundador ou primeiro catalizador do BRITISH BLUES, portanto um dos “irresponsáveis” pelo ROCK MODERNO, nasceu em PARIS, em 1928.
Foi por acaso, também. ALEXIS ANDREW NICHOLAS KOERNER, era filho de mãe GRECO-TURCA (PASMEM!!!), e pai AUSTRÍACO descendente de aristocratas russos. A família girou pela Europa, após a primeira guerra mundial, até fixar-se em LONDRES.
ALEXIS era tido como superdotado, indisciplinado, e com problemas mentais. Foi expulso de escolas, e aprendeu sozinho a tocar violão e ukelele.
Dia incerto, começou a praticar no piano da família. Era “BOOGIE – WOOGIE”. O pai bateu “a tampa” e trancou o instrumento, proibindo ALEXIS de tocar “aquele tipo de música”. Mas, não adiantou muito. Ele foi tocar guitarra e continuou subvertendo valores … KORNER era, antes de tudo, ativo e determinado. Basta passar a vista em sua carreira para concluir.
Em 1947, ele já tocava semiprofissionalmente, e colecionava discos de JAZZ. Fez o serviço militar na ALEMANHA, onde enturmou-se com os americanos e os discos que eles traziam de casa.. Apaixonou-se pelo BLUES ACÚSTICO depois de assistir a um concerto do cantor FOLK-BLUES americano LEADBELLY. Foi em Paris, 1949.
Nas décadas de 1940 a 1960, a FRANÇA foi lar para grandes músicos que o mundo e a vida exilou . Os franceses estavam muito influenciados pelo JAZZ e a BLACK MUSIC AMERICANA. A discografia de JAZZ lançada ou produzida neste período naquele país, é grandiosa e culturalmente importante.
Quando saiu das forças armadas, ALEXIS KORNER caiu direto na música. Sua primeira gravação conhecida é de 1954, como parte do KEN COLLIER SKIFFLE GROUP.
Aliás, o SKIFFLE era a grande sensação da música popular inglesa, no início dos 1950. Um “blend” feito por “JAZZ+BLUES+FOLK +REGTIME”, tocado com instrumentos acústicos e “WASHBORD” – a popular tábua de lavar roupa.
Em 1956, havia bares e clubes especializados no gênero espalhados pela Inglaterra. Foi em um deles, onde ALEXIS e CYRIL DAVIES, também cantor, guitarrista e gaitista se conheceram e perceberam afinidades.
CYRIL, “O ARQUITETO DO BRITISH BLUES”, era proprietário do ROUNDHOUSE, um PUB no SOHO londrino. E propôs a ALEXIS fechar o PUB, reformar o local e sair direto para o BLUES, deixando o SKIFFLE de lado. Fizeram. Virou HISTÓRIA.
Na inauguração do “LONDON BLUES & BARRELL HOUSE CLUB” apenas 3 gatos molhados apareceram; e a coisa não engrenou muito bem. No entanto, lá foi concebido o disco que sintetizou a primeira experiência que desaguou no BRITISH BLUES:
O histórico BLUES FROM ROUDHOUSE do “ALEX KORNER´S BREAKDOWN GROUP featuring CYRIL DAVIS” ( escrito errado mesmo ), foi gravado em 1957, na minúscula “77 RECORDS”. É Long Playing de dez polegadas e 8 músicas. Foram prensadas somente 99 cópias, o padrão inglês para que ficassem isentas de impostos.
Pois bem, meninos, meninas e adjacências que pretendam colecionar: este é o disco a ser buscado! É o “CHEGA DE SAUDADES”, do moderno “BLUES-ROCK” inglês! Só que podem esquecer: existem algumas cópias do original em mãos de grandes colecionadores e custam o terceiro olho. Nem é cotado em revistas especializadas…
A minha edição em compact disc traz o disco original e mais os dois outros EPs., lançados posteriormente pela DECCA RECORDS, e também impossíveis de serem conseguidos. Complementam o CD as gravações de KORNER com o KEN COLLIER SKIFFLE GROUP.
A História é longa; e, aqui faço apenas uma introdução…
O BLUES pegou mesmo na Inglaterra, depois que MUDDY WATERS fez histórica performance por lá, em 1958, apresentando o ELECTRIC BLUES DE CHICAGO. Até 1961, o JAZZ dominava quase totalmente as noites inglesas. Mas, aos poucos, foi sendo solapado. E o motivo é nítido! O BLUES ELÉTRICO era muito mais afeito aos jovens, já inebriados pelo ROCK AND ROLL e o POP crescentes. E, é bom para tomar cervejas, curtir em grupo, dançar, essas coisas…
Então, ALEXIS KORNER abriu o EALING RHYTHM AND BLUES CLUB, e não deu outra: o BLUES, já destacado do JAZZ, pegou de vez.
O ALEXIS KORNER´S BLUES INCORPORATED que abriu a primeira noite, em 17/03/1962 trouxe CHARLIE WATTS, na bateria – ahhh, vocês sabem quem é; KORNER, guitarra, CYRYL DAVIES, harmônica; e o vocal de ART WOOD, irmão de RON WOOD, dos STONES.
Para iluminar a estrada imensa, eis alguns memoráveis que passaram pela banda naqueles tempos: ERIC BURDON, GINGER BAKER, JACK BRUCE, DAVE GRAHAN, JOHN SURMAN… E surgiu o tsunami que revelou e arrastou bandas como os ROLLING STONES, ANIMALS, YARDBIRDS, JOHN MAYALL`S BLUESBREAKERS, MANFRED MANN, e tantos e tão variados que é impossível de serem totalmente citados!
O seminal “R&B FROM THE MARQUEE”, do ALEXIS KORNER´S BLUES INCORPORATED, foi gravado ao vivo por insistência de JACK GOOD, produtor e homem de televisão. Só que a contragosto da gravadora DECCA. E foi lançado em novembro de 1962.
Vocês certamente se lembram que a DECCA também rejeitara os BEATLES… Então, dá pra arriscar que eles estavam, mesmo, “por fora”, como se dizia por aqui, na década de 1960/70… Claro, a gravadora não promoveu o disco, que era vendido a preços de liquidação antes de firmar-se cult e colecionável.
No entanto, exemplifica muito bem o BLUES BOOM, que juntamente com a nova música BEAT assolaram a Inglaterra… e depois o mundo!
A edição original do álbum é, hoje, raríssima e ultra colecionável! Alguma dúvida? E traz músicos históricos e artisticamente profícuos. Estão ali o saxofonista DICK HECKSTALL-SMITH; na harmônica CYRIL DAVIES, também revezando o vocal com LONG “JOHN” BALDRY – de quem ELTON JOHN pinçou o nome artístico; e o baixista DANNY THOMPSON – enorme na cena inglesa, e fundador do PENTANGLE, grupo espetacular que executa uma FUSION entre o FOLK e o JAZZ . É suficiente?
Se eu tivesse de escolher alguns discos entre os muitos que KORNER gravou, ficaria com este; e principalmente “ALEXIS KORNER ALL STAR´S BLUES INCORPORATED”, lançado em 1964.
Mas TIO SÉRGIO, por que?
É a síntese do “principal rumo” que ALEXIS pretendeu dar à sua obra: o encontro do JAZZ com o BLUES; ênfase nos metais, muito ritmo, e principalmente o gosto de modernidade que seus discípulos – os nossos ídolos dos anos 1960! – escutavam nas baladas, clubes e pubs que frequentavam: é a fusão animada e dançável entre o JAZZ e o R&B, coalhada por BLUES e retro gosto de ROCK AND ROLL!
A receita base foi seguida, entre vários, por GRAHAN BOND ORGANIZATION ( JACK BRUCE+GINGER BAKER+JOHN McLAUGHLIN… ); GEORGIE FAME & THE BLUE FLAMES; e ZOOT MONEY BIG ROLL BAND. E, principalmente, pelo maior de todos, JOHN MAYALL’S BLUESBREAKERS – também descoberto e trazido à cena por ALEXIS KORNER.
Todos foram inspirados em jazzistas americanos, como JIMMY SMITH, RAY CHARLES, LOU DONALDSON, e tantos e tão variados. Além, “por supuesto” de BLUESMEN da estirpe de B.B.KING, SONNY BOY WILLIANS, JOHN LEE HOOKER, e não restrito etc….
E tudo desaguou no estuário do ROCK moderno.
Não à toa infinidade de outros britânicos, alguns eminentes ou evidentes, como NICK HOPKINS, ROBERT PLANT, MICK JAGGER, PAUL JONES ( vocalista do MANFRED MANN, etc… ), MIKE PATTO, KEITH RICHARDS, STEVE MARRIOTT… de um jeito ou de outro cruzaram a carreira de ALEXIS.
Em 1970 KORNER, já amplamente reconhecido, teve algum sucesso com o C.C.S. ( COLLECTIVE CONSCIOUSNESS SOCIETY ), em versão bem legal de WHOLE LOTTA LOVE, do LED ZEPPELIN. O disco também saiu no BRASIL.
Porém, o mais inusitado talvez tenha sido o SNAPE, grupo juntado por ALEXIS KORNER para acompanha-lo, em 1972. Nada menos que gente saída do KING CRIMSON: MEL COLLINS, IAN WALLACE e BOZ BURRELL… Vai entender as “FUSIONS” que o nosso “francês” quase fake prospectava!
ALEXIS KORNER, de quem tenho poucos discos, continuou gravando e “deambulando” por aí. Morreu em 1984. E CYRIL DAVIES, o arquiteto do BRITISH BLUES, também gravou pouco. Morreu de Leucemia, em 1964. Mas, é impossível esquecê-lo porque imprescindível coadjuvante na criação do BLUES nas terras do REI CHARLES – não confundir com o grandíssimo cantor, claro!
A coletânea PREACHIN´ THE BLUES colige tudo o que ele fez. É notável a participação do CYRIL DAVIES ALL STAR, em algumas faixas de uma série de LPS chamados BLUES ANYTIME, organizados, em 1966, por MIKE VERNON, para a cult BLUE HORIZON RECORDS.
Curiosamente, dois álbuns duplos, juntando os 4 Long Plays originais, foram lançados por aqui pelo selo ELDORADO, no início dos anos 1990. Meu amigo Ayrton Mugnaini Jr., traduziu e complementou o texto! São álbuns imperdíveis! Tente acha-los; porque aulas magnas de história do BRITISH BLUES.
Outra coisa, TIO SÉRGIO, que “eu não entendeu”:
por que estão na foto esses discos: VAN MORRISON, THE SKIFFLE SESSIONS, com LONNIE DONEGAN & CHRIS BARBER, lançado de 2000? E o DICK HECKSTALL-SMITH AND FRIENDS, BLUES & BEYOND, lançado em 2001?
Seguinte, sobrinhos and beyond: porque exemplos modernos do que é o SKIFFLE. E ALEXIS ANDREW NICHOLAS KOERNER substituiu LONNIE DONEGAN, guitarrista, no grupo de CHRIS BARBER, trombonista e baixista, no início da década de 1950. A conexão é histórica!
E o DICK está na origem e sequência da carreira de ALEXIS, “et MONDO” no BRITISH BLUES!!! Ahh! observem quem está com ele: PETE BROWN, JACK BRUCE, CLEM CLEMPSON, PETER GREEN, MAYALL, MICK TAYLOR e outros! São mais dois disquinhos pra vocês procurarem!
Procurem conhecer os discos do “MITO” (oooopaahhh, não aquele que vocês já imaginaram) !!!! “”.
Por aqui, eu demonstrei o “RITO”. Esfalfem-se, e consigam o ALEXIS KORNER!!!!
POSTAGEM ORIGINAL: 17/07/2023
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ROBERT PLANT: RECONSTRUÇÃO VITORIOSA DA CARREIRA DEPOIS DO LED ZEPPELIN

Gênios a gente conta nos dedos. São poucos.
Artistas como TOM JOBIM, PAUL McCARTNEY, MILES DAVIS, JOHN COLTRANE, e DAVID BOWIE por exemplo, são exceções dentro da minoria que congrega os grandíssimos e talentosos. São gênios!
Os geniais e superdotados existem aos montes – e ainda bem!
Vejam o LED ZEPPELIN. Lá havia três superdotados musicais: JIMMY PAGE, JOHN PAUL JONES ( baixo ) e ROBERT PLANT, “músicos geniais”. E um adequado eficaz: o baterista JOHN BOHNAN.
A conjunção terrena, e astral também, conspirou para a formação da talvez maior banda de ROCK da década de 1970. Eles imperaram; mesmo concorrendo com gente de nível igual, como o PINK FLOYD.
Limpando minhas coisas, observo a estante e vejo uma coletânea de PLANT. Esquento os motores com a vassoura e o espanador, e ponho pra rolar. Eu já gostava, e acho que o compreendi mais a fundo.
Estão no disco dez entre as 40 canções dos CINCO discos que PLANT gravou, entre 1981 e 1990. São muito boas. Melódicas, mas pesadas. E venderam bem; facilitando para que ROBERT reorientasse a carreira.
O LED ZEPPELIN é ícone, e o que fez está disponível para quem quiser ouvir. Explodiu na AMÉRICA e no mundo, e se tornou a referência maior para os nascentes HARD ROCK e HEAVY METAL, gêneros ainda indistinguíveis, em 1969.
ROBERT PLANT é considerado o maior cantor de HEAVY METAL da HISTÓRIA, por muitas publicações e vasto etc… ( Eu concordo!!!).
Mas, TIO SÉRGIO, PLEASE!!!! Como pode!!! se o ZEPPELIN e o PLANT jamais cantaram o HEAVY METAL típico?
Pois, é: essa é mais uma das características de PLANT. Um óbvio potencial vocal para o que viria ser o HEAVY METAL, canalizado para a outra possibilidade nascente: o HARD ROCK.
Sua voz aguda, extensa e clara facilitou que PLANT abarcasse os dois mundos de maneira pessoal, única! Para, no decorrer da carreira, adapta-la a outras possibilidades.
PLANT é bom ouvinte, descobridor e agregador de talentos, e sabe de seus limites e potenciais. Hoje, coloca a voz com pertinência estudada. Administrou-se artisticamente a vida inteira.
A morte de JOHN BOHNAN, em dezembro de 1980, extinguiu o LED ZEPPELIN por falta de clima e outros detalhes. PLANT tinha apenas 32 anos de idade! E sucesso absoluto e inquestionável, por doze!!! Extremamente jovem e vivido!
Então, o quê fazer?
ROBERT é lúcido, estratégico; e mesmo tendo a possibilidade, intuiu que prosseguir carreira fazendo mais do mesmo poderia limitá-lo e torná-lo autoparódia; espelho borrado de um passado onde estivera entre os maiores.
É minha opinião que PLANT sabia mais o quê não queria, e menos sobre o caminho a seguir. Tinha ciência do legado que ajudara a forjar e não poderia ser descartado. Não dá pra imaginar concerto de quaisquer dos ex-ZEPPELIN sem tocar os grandes clássicos atemporais. Não rola; porque são obrigatórios.
Então, o novo jogo seria um sutil equilíbrio entre o “porvir” – nossa TIO SÉRGIO!!! -, a fidelidade a si mesmo, e a base de fãs do LED ZEPPELIN. E PLANT necessitou aprender o “novo”, e observar “o que” funcionava para ele.
Seus discos na década de 1980 são pesados, e incorporam tecnologias e novidades: sintetizadores, teclados, e o uso dos nascentes computadores na música. Mas, não fogem do ROCK, do “BLUES – ROCK” e algo do PROGRESSIVO. Estilos em voga naqueles tempos e parte do acervo de potencialidades de PLANT.
As produções evitam longos solos de guitarras, mas não o uso correto e instigante do instrumento. PHIL COLLINS está nos dois primeiros discos. E PAGE participou de algumas faixas, mas sem o jeito caudaloso, típico da década de 1970. Gosto já questionado pelo público mais jovens, que exigia mais concisão.
ROBERT PLANT recolocou-se na geração do novo ROCK simpático às tecnologias nascentes, à música eletrônica e às várias formas do PÓS-PUNK e da NEW WAVE. Mas sem ser chato, pretencioso, ou perder a essência do original; e cuidou para não tornar-se datado por modismo escancarado.
Com o tempo, trabalhou com gente graúda, também. Mas, sem esquecer os primórdios; e aproveitou bem o novo, criando discos artisticamente relevantes.
De qualquer forma, ele se manteve antenado com a tradição do COUNTRY, do BLUES, do ROCK AND ROLL CLÁSSICO e do FOLK BRITÂNICO. Acervo imenso!
No entremeio abriu-se para o que acontecia na ÁFRICA, no ORIENTE MÉDIO e na ÁSIA. Flertou muito com o nascente WORLD BEAT, formando bandas e recrutando músicos talentosos para compor o seu “approach” diferenciado com a tradição. Ele encontrou o diferente, mas não assumiu o totalmente exótico.
Em 1993, PLANT criou “FATE OF THE NATIONS”, álbum seminal em seu portfólio. Tocam e cantam lá constelação de craques daquela geração; e gente mais tradicional, como o guitarrista RICHARD THOMPSON, e a vocalista do CLANNAD, MÁIRE BRENNAN.
O disco tem “sonoridade” que recorda “WISH”, excelente álbum do CURE, de 1992, o que reflete a tendência da época.
De algum jeito o disco inspirou a incursão de ROBERT PLANT e JIMMY PAGE na WORLD MUSIC. Culminando em “NO QUARTER”, disco ao vivo de 1994, mesclando “set” que inclui o ZEPPELIN clássico, e certas músicas como KASHMIR – em releituras ultra criativas, juntando orquestra de músicos do Marrocos, e outras paragens.
Uma das consequências foi o “Revival” da dupla por quase quatro anos, com passagem espetacular pelo BRASIL, no ROCK IN RIO, de 1996. Eles fizeram outro disco perfeitamente dispensável, BACK TO CLARKSDALE. E fecham um ciclo na vida de ambos.
PLANT seguiu e formou a STRANGE SENSATION BAND, continuou gravando e mesclando sonoridades ligadas à WORLD MUSIC, e usando instrumentação eletrônica. Os discos tornaram-se mais “ETHEREALS”, viajantes. E fora da “tradição” .
DREAM LAND, 2002, tem parte do repertório composto por covers: coisas de DYLAN, TIM ROSE, etc…, músicas mais tradicionais com tratamento atualizado para aqueles tempos. O disco foi indicado ao GRAMMY.
MIGHT REARRANGERS, 2005, retoma a FUSION AFRO-BLUES-FOLK – WORLD MUSIC – ROCK – CELTA, sei lá… e acrescenta à banda o guitarrista JUSTIN ADAMS. Músico incomum e fora do escopo tradicional do ROCK.
Só que…
O produtor de TV americano, BILL FLANAGAM, convidou PLANT e a excelente cantora e violinista de COUNTRY/ BLUEGRASS, ALISON KRAUSS, para gravarem cantando juntos em seu programa. A ideia era explorar a possível, ou não, integração entre contrastes.
Foi sucesso retumbante!
A voz bonita, educada, afinada e quase angelical de ALISON combinou com a de ROBERT PLANT – contida, bluesy, e adequadamente postada. Fluíram bem no repertório tradicional da COUNTRY MUSIC.
E o resultado foi o belíssimo “RAISING SAND”, gravado em 2007; e ultra bem produzido por T.BONE BURNNET, com a participação de músicos em nível de MARC RIBBOT, na guitarra. A banda soa pesada, com baixos mais nítidos e percussão marcada – afinal, ROBERT está lá! – , mas sem perder afinidade com a delicadeza da música COUNTRY, e ressaltando os talentos de ALISON KRAUSS.
Resultado? Foi 5 vezes premiado com o GRAMMY; e os dois correram o mundo em shows. Que, aliás, recomeçaram para divulgar o novo disco da dupla, RAISE THE ROOF TARGET, lançado em 2021.ROBERT PLANT se considera um cara de sorte – e ela novamente bateu na porta…
A boa experiência com ALISON aproximou ROBERT da versátil cantora COUNTRY, PATTY GRIFFIN. Em 2010, ele formou o BAND OF JOY, com os excelentes guitarristas BUDDY MILLER e DARREL SCOTT, parte da nata dos músicos de NASHVILLE. Gravaram um disco bem sucedido e deixaram outro inédito na gaveta..
Vale a pena procurar no YOUTUBE os shows ao vivo; dinâmicos e mais para o COUNTRY, porém eivados por BLUES e ROCKABILLY, o que dá outro tempero às músicas do LED ZEPPELIN e da carreira solo dele. Em sentido mais amplo, é uma banda de SOUTHERN ROCK, talvez…
PLANT e PATTY GRIFFIN, eram namorados e romperam, mas são amigos. Ela continua em carreira solo, no TEXAS. E ele aproveitou a guinada ao tradicional para voltar ao país PAÍS DE GALES, descansar, repensar, enfim….
Do retiro resultaram LULLABY AND THE CEASELESS ROAR, 2014; e CARRY FIRE. 2017, mais focados no FOLK CELTA, e muito além… Ambos foram gravados com sua banda de longa data, THE SENSATIONAL SPACE SHIFTERS, uma transmutação ampliada da STRANGE SENSATIONAL BAND.
Estão lá o tecladista JOHN BAGGOTT, que passou pelo MASSIVE ATTACK e o PORTISHEAD – pasmem!!! -, responsável pelo som etéreo e climático dos discos. Também JUSTIN ADAMS, o genial multi – guitarrista e adjacências, e o excelente SKIN TYSON, também na guitarra.
Pelo que assisti, em show de anos atrás, eles conseguiram fundir a MÚSICA CELTA à “AFRICANO MARROQUINA”, e ajustar o que PLANT criou em sua carreira, do ROCK ao BLUES ao FOLK , para a sonoridade atualizada que vêm formatando há tempos.
ROBERT PLANT parece um sujeito sensato, que sabe dirigir o trabalho e prestigiar os que o assessoram. Mas talvez irremediavelmente solitário. Teve filhos; e um deles é dono de Cervejaria. E, depois que separou – se da mulher, na década 1970, namorou a cunhada e fizeram outro bebê… e lá se foi a putativa sensatez…
Sua carreira solo é pequena, uns dezesseis discos, alguns premiados, mas todos comercialmente vitoriosos. Ele continua relevante do ponto de vista musical.
Experimente; ou melhor: deguste.
POSTAGEM ORIGINAL:16/07/2022
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FEIJOADA? EU GOSTO!!!

No Guarujá existe um restaurante muito popular e tradicional chamado PANELA VELHA.
SÉRGIO REIS cantou os benefícios das caçarolas e suas parentes, em metáfora com o “sabor” das mulheres mais velhas, experientes, afirmando que se faz com elas comida boa.
Ahhn, nem sempre…
O restaurante é, para o meu gosto, agradável de ficar. Eu aprecio lugares simples, com atendimento simpático, bebidas geladas e comida honesta.
Gosto, também, de comer e beber sozinho acompanhado por um livro ou jornais. Sou amigo de botecos.
O PANELA é um desses lugares onde mais ou menos tudo funciona…
Mais ou menos. A comida transita entre o razoável e o medíocre; viés gastronômico é de baixa.
Quarta feira passada fui, sozinho, enfrentar uma feijoada. Prato popularíssimo da casa, pela quantidade oferecida, e o número de pessoas por lá comendo.
Bom, vou comentar: a dos caras deixa e sempre deixou a desejar, apesar do sucesso de público.Eu cozinho e gosto de cozinhar, portanto sei que não há justificativas para certos pratos serem mal feitos. A feijoada é um deles.
O que é uma feijoada além de um ensopado de feijão com carnes de porco e boi, temperados por ervas e condimentos do cotidiano, e acompanhado por couve, farofa, arroz e um bom molho?
Este, aliás, tem de ser um dos pontos fortes, senão desmerece; não ressalta o sabor.
Eu tenho uma receita básica: Depois dos procedimentos para dessalgar, coloco o feijão e os pertences numa panela de pressão com cebola, alho, cebolinha, louro e um pouco de sal.
Cozinho tudo junto; frito nada. Eu acho que dá certo e agrega sabor ao feijão, temperado por todos os ingredientes e tudo junto ao mesmo tempo na hora. O feijão fica divino – pelo menos no conceito do tio Sérgio.
O molho eu faço com pimenta dedo de moça, retirando um pouco das sementes; agrego louro, alho, cebola, cebolinha e limão para dar o acento final. Misturo tudo isto com o caldo do feijão; e pronto.
Um contêiner de cervejas e a perplexidade de nossas mulheres acompanham o banquete . Mas, a caipirinha e a trilha sonora garantem o prazer final. É fácil e muito eficaz.
POSTAGEM ORIGINAL: 15/07/02017