NINA SIMONE e DEE DEE BRIDGEWATER: DUAS ÉPOCAS, E DUAS FACES DO R&B

O tempo esvai-se, e as modas vão e vêm.
É sempre bom observar como as coisas se deram, e os conceitos de JAZZ, BLUES, ROCK e vasto etc… se formaram, ao longo da década de 1950, para serem mais bem definidos nos “sixties”.
Mas o assunto, agora, é outro:
Foi lançada, por aqui, uma ilustrativa COLETÂNEA de ‘NINA SIMONE”, abrangendo o que ela fez antes do enorme e merecido prestígio. São coisas entre 1959 e 1963. E apenas SINGLES.
É pertinente lembrar que ela não é “exatamente” cantora de JAZZ. Aliás, Nina sempre foi cantora de R&B; e foi trazida para o “conceito de JAZZ”, nos anos 1960 e 1970.
Erradamente, diga-se. Cantoras monumentais como SARAH, ELLA, BILLIE, DINAH WASHINGTON, e etc… são todas POP e basicamente R&B.
No entanto, NINA é única! Por vários motivos: sua formação sofisticada e erudita, opção de carreira, a voz especialíssima, E, especialmente, mal comportamento e certas atitudes, como andar armada, e dar uns tiros “pelaí “!
Hoje em dia, o que se ouve nesta COLETÂNEA DUPLA é o que está sendo chamado de “VINTAGE”. O conceito de “OLDIES”, parece ter migrado para coisas de 1967 para frente… É, também, um artefato belíssimo e barato! Para os não preconceituosos eu recomendo. Mas TIO SÉRGIO pondera: os mais jovens talvez estranhem o que ouvirão…
“DEE DEE BRIDGEWATER” é outra representante desta linhagem. Boa cantora; em seu repertório, ela flerta dos STANDARDS do “JAZZ” ao POP/R&B sofisticados e modernos. É antenada.
Este álbum foi gravado no MALI, em 2007 e, como a imensa parte do que vem da ÁFRICA, tem sua força principal na percussão e no ritmo.
Neste caso, não somente. “RED EARTH” é um “cross-over”, simbiose de culturas. Quem aprecia muita percussão vai adorar. Os mais calmos talvez dispensem.
Se vocês cruzarem com esses discos – se puderem, tentem. É risco aceitável. Valem a pena!.
POSTAGEM ORIGINAL: 27\05\2019
Nenhuma descrição de foto disponível.

JANIS SIEGEL – A CULTIVADORA DE PÉROLAS

Ela é parte do excelente JAZZY/POP sofisticado e talentoso grupo vocal americano, MANHATAN TRANSFER.
Quatro cantores capazes de elevar em nível máximo COLE PORTER, JONI MITCHELL, DJAVAN, SLY & THE FAMILY STONE, TOM JOBIM, e tantos outros. Os caras sabem cantar tudo!
JANIS SIEGEL tem carreira solo tão virtuosa e versátil quanto em grupo. Vai muito bem com trios, quartetos e outras formações. E ajusta em estado da arte a sua voz expressiva e controlada, bela e quente, ao piano de “FREDDIE HERSCH”.
Aliás, tenham o prazer em conhecê-lo: FREDDIE é músico e artista de altíssima qualidade. Arranjador de bom gosto, capaz de realçar repertórios extensos e inusitados, dando-lhes a tintura jazzística adequada e imprescindível aos que procuram seu talento e competências.
Os discos aqui postados são todos recomendáveis. Relaxantes sem serem vulgares; e melodiosos sem pieguices. São gravações em alto nível artístico e técnico – seguramente!
O meu predileto é “SLOW HOT WIND”, de 1989, em que SIEGEL & HERSCH iluminam compositores modernos como JAMES TAYLOR, JULIA FORDHAN, JUDY COLLINS e outros vários. Escolheram músicas e repertório pouco usuais. E muito interessantes. TIO SÉRGIO garante!
Um instigante bálsamo para esses tempos vorazes e doentios. Descubram e curtam! Valem a pena!
POSTAGEM ORIGINAL:
29\05\2020
Nenhuma descrição de foto disponível.

YARDBIRDS EM METÁSTASE, OS PROGRESSIVOS: RENAISSANCE, ILLUSION E UM POUQUINHO DE ANNIE HASLAN

Todos sabem que THE YARDBIRDS foi banda fundamental, porque lançou três ícones da guitarra, ERIC CLAPTON, JEFF BECK e JIMMY PAGE.
Portanto, estão nas bases do HEAVY METAL e do HARD ROCK, com PAGE e o LED ZEPPELIN. E menos verticalmente com o JEFF BECK GROUP.
Pouco lembrado é que estiveram na gênese da PSICODELIA INGLESA, com várias gravações entre 1965 e 1967. E tão importante quanto: ajudaram a consolidar o desenvolvimento do ROCK PROGRESSIVO SINFÔNICO, com o RENAISSANCE, também consequência do mesmo espólio.
Quando os YARDBIRDS entraram em colapso, o baterista JIM McCARTHY e o cantor KEITH RELF experimentaram outros caminhos com JENY RELF, irmã de KEITH, e também cantora de estilo e voz mais lúgubres. E trouxeram o pianista JOHN HAWKEN e o baixista. LOUIS CENNAMO. Aliás, a mesma base que retomou o PROGRESSIVO em 1977/1978, com o ILLUSION, na cola do sucesso feito pelo RENAISSANCE.
Voltando à história, o pulo do tigre foi a FUSÃO de FOLK INGLÊS e MÚSICA CLÁSSICA DE CÂMARA. E gravaram dois discos: RENAISSANCE, 1970; e ILLUSION, 1971, em que o guitarrista MICHAEL DUNFORD, também participa.
Ambos são criações interessantes, embrionárias, mas longe da experiência SOLAR e de grande sucesso, que o grupo totalmente modificado passou a viver com a icônica vocalista ANNIE HASLAN, o próprio DUNFORD; o tecladista JOHN TOUT, o baixista JOHN CAMP e o baterista TERRY SULLIVAN, ‘a partir de 1972, com o álbum “PROLOGUE”.
A ascensão do RENAISSANCE foi vertiginosa, com discos sempre melodiosos, bem produzidos, muitas vezes excessivamente melífluos, mas colecionáveis e inesquecíveis. “ASHES AR BURNING”, 1973; “TURN OF THE CARDS”, 1974; “SCHEHERAZADE”, 1975; “LIVE AT CARNEGIE HALL”, 1976; “NOVELLA”, 1977, são os que tenho e postei. Há outros.
Os que curtem ROCK PROGRESSIVO SINFÔNICO não deixam de notar a inspiração que o RENAISSANCE buscou nos MOODY BLUES, por exemplo. E que a banda está na origem da música NEW AGE, disseminada e autônoma, de uns 40 anos para cá.
“ANNIE HASLAN” sempre teve carreira própria. Inspirou cantoras como “KATE BUSH” e “ENYA”. E é nítida a influência em “FLORENCE & THE MACHINE” e seu progressivo light contemporâneo.
Ela fez discos instigantes como ANNIE IN THE WONDERLAND, 1977, produzido “ROY WOOD”, notório e CULT maluco beleza criador dos clássicos grupos britânicos “THE MOVE”, e “ELECTRIC LIGHT ORCHESTRA”, na década de 1970.
Em 1989, ela gravou para a EPIC outro disco interessante, chamado simplesmente “ANNIE HASLAN”. A versão de “MOONLIGHT SHADOW”, de “MIKE OLDFIELD”, e “THE ANGELS CRY” , de e com a participação de “JUSTIN HAYWARD”, dos ‘MOODY BLUES”, são deliciosas.
Vale relembrar outro CULT e RARO: “UNDER THE BRAZILIAN SKY”, foi gravado em PETRÓPOLIS, no PALÁCIO DE CRISTAL. Não sei precisar se é o mesmo que vi PIRATA, com “FLAVIO VENTURINI e BANDA”. Mas, é, também, disco imperdível e colecionável.
Curiosamente, em 02 de junho de 2022, ANNIE e o RENAISSANCE, ainda com DUNFORD, tocaram no RIO DE JANEIRO. Estão excursionando com outra “banda discípula”: o “CURVED AIR”, de “SONJA CHRISTINA” – cantora mais na linha de …”JANE RELF”; quer dizer: nada SOLAR.
Os CDs na foto são da minha coleção, e a maioria, edições japonesas. O RENAISSANCE é Imprescindível para compreender e gostar de uma das mais belas e sofisticadas tendências do ROCK: o PROGRESSIVO SINFÔNICO E SUAS ADJACÊNCIAS.
POSTAGEM ORIGINAL: 01\06\2019
Nenhuma descrição de foto disponível.

QUEENS LOGIC – TRILHA SONORA – 1990, MÚSICAS LEGAIS E UMA PÉROLA ESCONDIDA

O FILME não é grande coisa. Foca em jovens nem tão jovens, de classe média bem média do BROOKLIN, em NOVA YORK. Mostra suas pequenas aventuras e amores, a mediocridade esperada; a vida comum. Vez por outra, passa nas TVS.
A TRILHA SONORA é, digamos, sociologicamente interessante. Mistura SOUL MUSIC, com “MARVIN GAYE”, “EMOTIONS” e “DELPHONICS”. Estão lá, R&B e “DISCO”, sucessos de “EARTH WIND AND FIRE”, “SLY & FAMILY STONE”, “EDDIE MONEY”, ‘WILD CHERRY”, e “CHERYLL LYNN”. E o toque fino do bolo: “VAN MORRISON” e sua absoluta distinção artística. Também não faltam ROCKS, presentes com “ARGENT”, “CHEAP TRICK” e ‘MOTT THE HOOPLE”.
É tudo bem legal, dançável e emblemático. Era o que a turma ouvia em rádios, e dançava em clubes e bailes: o som POP do meio pro final da década de 1970, início dos 1980.
Nem tudo aqui é bem gravado, mas é gostoso de ouvir. Animado sem ser esfuziante.
Porém, há um grande sucesso inesperado: “FOOLED AROUND AND FELL IN LOVE”. A gravação original é de “ELVIN BISHOP”, excelente guitarrista, que participou do lendário “PAUL BUTTERFIELD BLUES BAND”.
A história da composição é a seguinte: Em 1975, quando foi completar o sétimo disco solo, “STRUTTIN´MY STUFF”, o produtor de nome impronunciável, “BILL SZYMCYZK”, percebeu que havia espaço para mais outra faixa. E
revira de lá, busca daqui, “BISHOP” sugeriu essa música, bem longe do estilo e repertório que ele fazia.
Porém, “FOOLED AROUND AND FELL IN LOVE” é um grande e marcante POP/ SLOW DANCE – canção deliciosa, jovial, com um quê de macho pegador; e o final inevitável quando o “mocinho” cai de quatro por uma … “presa”. A letra e a música se integram.
Mas ainda havia um problema: para ELVIN cantar não dava. Sua voz é algo “BLUESY/INSOSSA” – inadequada. E ficou para um dos membros da banda, MICKEY THOMAZ – bom cantor que, depois, substituiu MARTY BALIN, no STARSHIP. E assim, ELVIN BISHOP obteve o maior HIT de sua carreira bem construída.
O curioso é que a trilha abre com “FOOLED AROUND AND FELL IN LOVE”, em versão feita pelo obscuro HENRY LEE SUMMER, com JOE WALSH – o guitarrista de estimação do “impronunciável”. Só! Diferencial berrante!
Se você bobear, acaba confundindo com a original, tal a proximidade entre os vocais e o arranjo! “É igual, mas é diferente”- epistemologicamente definindo…
Há outras versões ‘pelaí’. ROD STEWART fez uma AO VIVO, adequadamente boa, no estilo dele combinando falta de capricho com despretensão. E a cantora COUNTRY / POP, “MIRANDA LAMBERT” também gravou, e pôs seu pitaco… sei lá…
Eu adoro ouvir esse POP extraordinário! Um clássico nas FMS americanas de OLDIES. E sigam o conselho de ELVIN BISHOP: se pular a cerca, cuidado para não se apaixonar…
POSTAGEM ORIGINAL: 29\05\2022
Pode ser uma imagem de 6 pessoas

ELTON DEAN – DOIS MOMENTOS DO JAZZ INGLÊS DE VANGUARDA, ANOS 1970 / 1980

TIO SÉRGIO está envelhecendo, e continua resguardando.
Uso máscaras, tenho anti-térmicos e caixas de “Parabucetamol”, oooopppsss. Tudo pra fugir do COVID 19.
Agora, estou à espreita da VARÍOLA DO MACACO. Mas já estou vacinado (contra o MACACO, não, pô…).
Só falta a antirrábica, pra aguentar a vida e a política.
Porém, uns anos 40 anos atrás, TIO SÉRGIO esteve todo pimpão com a patroa no “TEATRO CULTURA ARTÍSTICA, em SÃO PAULO, que passou por incêndio destruidor, e lá assistimos a um show do mito inglês do SAX, ELTON DEAN, e sua banda de craques! O ticket do ingresso está na foto.
Detalhes marcam a memória: ELTON subiu no palco com chinelos tipo havaianas, em quente noite de março. Foi em 1986.
Na banda, o incrível e complexo BATERISTA, JOHN MARSHALL, exposto fielmente por Fernando Naporano, em artigo na FOLHA de SÃO PAULO, como a “MÁQUINA PERCUSSIVA”. Ele é, mesmo, um espetáculo, e mostrou os porquês!
Meninos, meninas e intervalos de orientação sexual entre um polo e outro: esteve por aqui a VANGUARDA JAZZÍSTICA INGLESA daquele momento! EMPOLGANTES e ANTI-ÓBVIOS deram aula sem monotonia. Sensacional!
Aqui, estão exemplos da arte incrustada em discos por ELTON DEAN. Experimentos PÓS-FREE JAZZ, mas com suas tradições e cacoetes:
O quarto álbum do SOFT MACHINE, de 1971. E outro de seus filhotes, o quarteto composto pelo baixista HUGH HOPPER; ELTON DEAN; o pianista de vanguarda KEITH TIPPETT; e o baterista JOE GALLIVAN, em “CRUEL BUT FAIR”.
Ambos discos recomendáveis de montão para a turma que transita pelas aerovias siderais da FUSION RADICAL.
Aos que assistiram ao filme-biografia do “REGINALDO” DWIGHT, também conhecido por ELTON JOHN, vou esclarecer: seu nome artístico é homenagem ao xará ELTON DEAN, de quem é fã e com ele tocou. E o JOHN é referência ao “BLUESMAN” inglês LONG JOHN BALDRY, e não ao BEATLE “LENNON”, como foi insinuado.
Referências refinadas, heim pessoal?
Então, mergulhem de cabeça na obra de ELTON DEAN! O arrependimento vai matar quem não fizer…
POSTAGEM ORIGINAL: 30\05\2020
Nenhuma descrição de foto disponível.

TIERNEY SUTTON – CANTORA DE JAZZ “I’M WITH THE BAND” – TELARC, 20O5

Faz tempo que você não ouve uma cantora de JAZZ de verdade? E discos onde certas regras, repertório e orientação da banda não deixam dúvidas?
Demorou; e a fumaça branca apareceu: o conclave consagrou nova PAPISA!” Habemus TIERNEY SUTTON!
Mas TIO SÉRGIO, a moça é loira, branquela e nada novinha! E “tem nenhum” pretão na banda?!?!? Perfeitamente, BOYS and GIRLS e adjacências! É tudo impecavelmente moderno e no solfejo final da tradição jazzística. Aqui, não há “FUSION” ou “EXPERIMENTALISMO” gratuito. Apenas VOZ e CANTO muito bem acompanhados e adequadamente arranjados. O álbum foi gravado ao VIVO no “BIRDLAND”, em março de 2005. Mais adequado e respeitoso impossível: a plateia fica em silêncio durante a performance, e urra no final de cada música. SHOW!
Vocês conhecem a tradição do “VOCALISE”, arte que os melhores do gênero cultivam – ou cultivavam?
Pois ali tem, sim!
Aliás, a moça abre cada música com um perfeito, afinadíssimo e diferenciado vocal. Tão puro e “clássico”, que lembra CHRISTIANE LEGRAND, dos “SWINGLES SINGERS” – lembram-se deles? –
O repertório escolhido équase 80% de STANDARDS ou CLÁSSICOS. O restante, e completado por músicas de clara beleza, escolhidas muito bem em contexto contemporâneo e nada óbvio.
TIERNEY além de cantar muito bem interpreta cada música de um jeito que você nunca ouviu. Ela estudou e recriou cada canção. Estão lá “S’WONDERFUL”, “CHEEK TO CHEEK” , “I GET A KICK OUT OF YOU”, “SOFTLY, AS IN A MORNING SUNRISE” e outras e mais outras, todas adequadas para repertório de luxo – e impecavelmente jazzístico! É criativo e artístico de verdade!
A banda desempenha – e como! E há dois baixistas: um deles somente para solar ou pontuar o fraseado da moça. Estratégia eventualmente usada pela turma da “FUSION” e do “ROCK PROGRESSIVO”.
.
A gravação, mixagem e masterização estão em altíssimo nível. Afinal, é um lançamento da TELARC… Garantia de qualidade técnica.
POSTAGEM ORIGINAL: 27\05\2020
Nenhuma descrição de foto disponível.

LITTLE RICHARD – “HERE IS” – SPECIALTY. 1956 e “ROCKS” – COLETÂNEA ESPETACULAR DA BEAR FAMILY, 2010

Disco seminal da história do ROCK, “HERE IS”, É o primeirão dele. Aliás, esse disco e o segundo, “LITTLE RICHARD, VOL 2, de 1958 – que aproveitou as sobras de estúdio do primeiro – formam um imenso latifúndio de clássicos essenciais. Tudo o que importa está nos dois…Para os completistas, é indispensável.
Mas, para arrasar mesmo, nada como a excepcional coletânea ROCKS, da veneranda BEAR FAMILY RECORDS. Está lá tudo o que ele fez em suas diversas fases, em masterização soberba. É “o” disco para se ter!!!!
RICARDINHO nasceu em Macon, Georgia, em 1935. São de lá os também “enormes” ALLMAN BROTHERS BAND.
Ricardinho da mesma forma que Miguelzinho era talentoso bailarino e cantor. RICARDINHO com 7 anos levantava uns trocos na rua dançando e cantando. Com essa grana, aos poucos, foi pagando lições de piano.
MIGUELZINHO sofreu mais. Ele e os quatro outros irmãos JACKSON foram domados a pau pelo pai psicopata que, na marra, lhes desenvolveu a arte e arruinou o emocional.
Eram, pois, duas crianças; e ambos geniais e históricos.
RICARDINHO tocava muito. Ele e outro contemporâneo irrequieto e trabalhoso fincaram a estaca do piano no ROCK: JERRY LEE LEWISs acrescentou ao RHYTHM AND BLUES, a praia de RICHARD, a levada melódica do COUNTRY. Ambos são a linguagem pianística fundamental do ROCK. “As consequências vieram depois”…
O disco da postagem é o primeiro de LITTLE RICHARD. Este Cd reproduz a edição original do LP para a SPECIALTY, gravado entre 1955 e 1956, todo recuperado, e masterizado em Mono, e som de qualidade. Há livreto e esse poster grandão.
Estou com preguiça de enumerar. Mas, sete faixas são STANDARDS e clássicos do rock. Tá bom, tá bom; tem “Tutti Frutti”? Tem, sim senhor! Tem “Slipping and Slidin`? Tem, sim senhor! E “Long Tall Sally”; “Miss Ann”; “Rit it up”; “Jenny, Jenny”; e “Ready Teddy” também estão todos na marmita. As clássicas restantes: “Good Golly Miss Molly”; “Keep on knocking” “Lucille” e “Girl Can´t help it”, todas gravadas nas mesmas sessões, ficaram para o volume 2. E, claro, estão no BOX ROCKS, aí na postagem.
Em poucas e berrantes palavras, um escandaloso império de clássicos compostos e gravados em menos de 3 anos! O restante da carreira, seus problemas e dilemas? Bem, vieram depois.
LITTLE RICHARD tinha talento esfuziante e característico: Cantar! Era um … digamos “RHYTHM AND BLUES “SHOULTER!” Nenhum dos fundadores, nem ELVIS, nem CHUCK BERRY ou quem você recordar soltava a voz como ele!
Isso mesmo! O cara é influência direta em JAMES BROWN, MICK JAGGER, VAN MORRISON, ROBERT PLANT, JOHN LENNON e quaisquer rockers que não se envergonhassem de cantar, expor entranhas e vísceras. Sua rouquidão controlada é o lusco-fusco entre o cantar bem e corretamente e o simplesmente berrar.
RICARDINHO ERA UM GRANDE CANTOR!
Nesse disco, existe uma faixa pouco notada. Mas, é a minha predileta porque faz a ponte que a turma do ROCK sabe existir entre o “DOO-WOP” e a “SURF MUSIC” dos BEACH BOYS e companhia, na década de 1960.
Então, saiam do óbvio e procurem ouvir “TRUE, FINE MAMA”. Está tudo lá, BRIAN WILSON deve ter escutado até aprender. É o fino!
Não vou comentar sobre a vida, opções e outras influências pioneiras de RICARDINHO. Mas, quero pontuar que a turma dos anos 1950 fazia ‘ROCK AND ROLL”. E o AND é fundamental para separar eras e consequências. A redução “N” foi coisa de meados dos anos 1960.
E devo lembrar que a primeira loja brasileira de discos usados só de ROCK foi “composta” por outro fundamental, e se chamava eloquentemente: WOOP-BOP! – as palavras iniciais de “TUTTI FRUTTI”. Rene Ferri não cantava. Mas, conhece muito bem quem sabe fazê-lo, inclusive o LITTLE RICHARD!
POSTAGEM ORIGINAL: 14\05\2023
Pode ser uma imagem de 4 pessoas e texto

ESTIRPE – MODOS DE OBSERVAR

A turma chamada para este CONDOMÍNIO METAFÓRICO, é parte do supra sumo da música popular. Vou chamar ERIC CLAPTON para exemplo, e talvez síndico;
Quando iniciou a carreira, em 1963, foi nada menos do que genial no restrito esquadro do BLUES e do ROCK. Na opinião do TIO SÉRGIO, depois de 1972, com altos “E” baixos permaneceu competente, fazendo música deliciosa para se ouvir, curtir; e, vez por outra, ressuscitou o TOQUE de GÊNIO.
CLAPTON está entre os poucos que se pode cogitar, e até afirmar, não ter gravado DISCOS RUINS. Alguns são bastante medianos. Porém, MEDÍOCRES JAMAIS!
Neste sentido, pertence a uma ESTIRPE, ELITE MUSICAL, em que despontam não tão poucos, mas certamente RAROS ARTISTAS. Aí vão, sem comentários e alguns em fotos.
Então, acordem com o “barulhos deles”:
KING CRIMSOM, CHICO BUARQUE DE HOLANDA, JOHN COLTRANE, DAVID BOWIE, MILES DAVIS, CAETANO VELOSO, BJORK, ROLLING STONES, BEATLES, EGBERTO GISMONTI, PROCOL HARUM, TOM JOBIM, RADIOHEAD ( ATÉ AGORA ), GILBERTO GIL, JOHN MAYALL, PAT METHENY, MARISA MONTE, DAVID SYLVIAN, PAUL McCARTNEY…
Não estamos sós. E, GRAÇAS AOS DEUSES, existe vasta MINORIA em meio à INESGOTÁVEL PRODUÇÃO MUSICAL em todos os tempos.
Sintam-se bem acompanhados, quando cruzarem com quaisquer deles – e outros.
POSTAGEM ORIGINAL; 21\05\2026
Pode ser uma imagem de texto

KID VINIL: MINHAS MEMÓRIAS NA “WOP BOP” E PELAÍ

Eu recordo a morte do KID VINIL, em 2017, aos 62 anos. Eu e ele sempre tangenciamos. Gostamos de ROCK e colecionamos discos. Não chegamos a ser amigos; porém, nos conhecíamos e cruzamos em incontáveis lojas de discos, feiras e ambientes do ROCK, do meados dos anos 1970 até sua morte.
Quando eu tinha lojas de CDs, ele de vez em quando aparecia por lá. Depois que fechei a CITY RECORDS nos encontrávamos , vez por outra, principalmente na encantadora e também falecida concorrente a “NUVEM NOVE”.
Por temperamento e interesses fomos um o inverso do outro. Ele gostava e colecionava discos de PUNK e adjacências. Eu sou do BEAT, do BLUES , do ROCK PROGRESSIVO, PSICODELIA, JAZZ e arredores. Com o tempo, nossos gostos se expandiram, se aproximaram, e, claro, houve alguma convergência musical.
No entanto, para mim foi marcante termos participado de um artefato cultural inédito e que teve pouca divulgação: Ambos escrevemos no primeiro FANZINE brasileiro sobre ROCK , em 1976/77, chamado “WOP BOP”.
Durou poucos números, e hoje é objeto de colecionadores. A revisteca mimeografada foi criada por outro mito recôndito do ROCK PAULISTA, Rene Ferri – que era dono da loja de discos do mesmo nome, a WOP BOP. Aliás, a primeira a se instalar na hoje GALERIA DO ROCK. O Facebook também reaproximou-nos bastante. E eu sou grato à vida!
A revista WOP-BOP era necessariamente precária, mas circulou bem entre os roqueiros e a turma da contracultura.
Eu escrevi no primeiro número, março 1977, sobre os YARDBIRDS. Há outras colaborações minhas ao longo do tempo… No índice o meu nome saiu correto, SÉRGIO de MORAES. No editorial cometeram equívoco recorrente na minha vida inteira, grafaram o MORAES com I” grrr!!!
O KID escreveu muito por lá sobre o PUNK, usando o próprio nome: “Antonio Carlos Senefonte”. Também publicou no FANZINE muita gente interessante e conhecedora de música, como o advogado Valdir Montanari dos Santos, que escreveu livros sobre ROCK; um deles bastante instrutivo sobre “ROCK PROGRESSIVO”.
Valdir é outro escondido, que vez por outra ressurge.
Enfim, KID VINIL foi ( é ) um ícone alternativo paulistano muito conhecido. Merece nome de logradouro, se já não houver. Por onde passasse distribuía autógrafos e simpatia. De fã a cantor de ROCK, viveu sua própria decisão com dignidade.
Além da música e da escrita vai ser lembrado, principalmente, por seu personagem, estilo de vida, propósitos e ilusões a que deu forma.
KID VINIL era um anti-herói do Brasil. E faz muita falta neste hospício.
POSTAGEM ORIGINAL: 20\05\2025
Pode ser uma imagem de 1 pessoa, canhoto de ingresso, diário e texto

“HARMONIA MUNDI”, A HISTÓRIA PECULIAR DE UMA GRAVADORA DE ALTO NIVEL, E OUTRAS MEMÓRIAS

Ser velho é tropeçar no Paraíso. E na rua, também!!!!
Dia desses, aqui por SAMPA, fui a um antigo SEBO na zona sul. Anda decadente, e tratado como armazenador de refugos e outras iniquidades que o mercado ou o caminhar da vida mostram.
Fui bem atendido. Ao contrário de outros locais onde tentei me aproximar. Eu dispunha de meia hora e resolvi revolver uns LONG PLAYS. Claro, a imensa maioria era de supérfluos ultrajantes no caminho da ignomínia a que merecidamente foram relegados. Quem vai a SEBOS garimpa monturos buscando joias. E geralmente não encontra…
Mas dei de cara com oito LONG PLAYS de primeira estirpe! A bateia metafórica do TIO SÉRGIO prospectou coisas de seu passado mais profundo.
Dou “cavalo de pau” para 1973/75, imprecisamente…
Dia qualquer, eu li artigo no “De Cujos” ( eepppaaa!!! ) JORNAL DA TARDE, a publicação… digamos… progressista … do grupo que edita o ESTADÃO. Foi por lá que parte do novo escoava naqueles tempos de ditadura.
O jornalista, cujo nome agora não recordo – mas craque em resenhas e informações culturais -, mostrou um pacote de LONG PLAYS lançados no BRASIL pela gravadora alemã “HARMONIA MUNDI”, à época recém assumida pelo grupo BASF.
Agora, uma história sensacional! Em meados da década de 1950, o francês BERNARD COUTAZ e o alemão RODOLF RUBY se cruzaram em uma viagem de trem. Conversando, perceberam afinidades imensas com a MÚSICA CLÁSSICA. Ficaram amigos.
Em 1958, COUTAZ criou em SAINT MICHEL – de – PROVENCE, a gravadora HARMONIA MUNDI. Ao mesmo tempo, RUBY fundou a DEUTCHE HARMONIA MUNDI.
Durante anos, compartilharam o mesmo nome e objetivos como gravar e produzir MÚSICA ANTIGA e BARROCA, com rigor acadêmico na pesquisa de repertórios e na interpretação das obras. Inclusive o uso de instrumentos de época. A produção e gravação sempre foram de alta qualidade. Compartilharam, também o marketing, e vários artistas e lançamentos.
Ou seja, visão revolucionária e civilizada para um projeto realizado por duas empresas distintas, em dois países diferentes, que até 1945 haviam sido inimigos!!!
COUTAZ e RUBY caminharam paralelamente juntos, e conseguiram competir com a inglesa DECCA; a DEUTCHE GRAMMOPHON – ahhh, vocês sabem de onde; e a francesa ÉDITION L’OISEAUX – LIRE. Até que, no início dos 1970, RUBY se associou, e depois vendeu, a DEUTCHE HARMONIA MUNDI para a BASF.
A História se alonga em várias frentes. Mas sob o nome geral de HARMONIA MUNDI houve “mais de 4 mil lançamentos ao longo do tempo”! Um experimento vencedor e original! Hoje, o acervo pertence à B.M.G.
Meninos, meninas e adjacências, a HARMONIA MUNDI é o fino do TOP em certas tendências da MÚSICA CLÁSSICA (tá; também vou escrever ERUDITA para evitar melindres… ): a MÚSICA BARROCA, e ancestralidades várias.
Foram lançados, no Brasil, uns vinte álbuns espetaculares técnica e artisticamente! São do acervo da DEUTCHE HARMONIA MUNDI. O vinil é de alta qualidade, espesso como deve ser; a captação sonora e a masterização feitas em estado da arte! O acabamento gráfico é de muito bom gosto, e há vários com capas duplas. O texto foi redigido por especialistas, e traduzidos em alemão, francês e inglês.
Mas TIO SÉRGIO, please, forgive-me: e por que não em português? Sei lá!!!! Estou descrevendo objetos magníficos de uns 50 anos atrás, e ainda hoje muito acima do que temos por aí!!!
Alguns eu tive. Foram comprados na filial da BRENO ROSSI, em loja situada no BROOKLIN VELHO, aqui em SAMPA. O bairro, a vizinhança, os bares e tudo o mais exalavam “Europa”, e bucolismo. Clima e ambiente perfeitos para esses discos!
Por isso, aqui estão os meus recentes “tropeços no Paraíso”. São oito álbuns memoráveis. Seis estão na foto. Cinco edições nacionais da DEUTCHE HARMONIA MUNDI trazendo o COLLEGIUM AUREUM, entre os mais perfeitos CONJUNTO de CÂMARA de todos os tempos! As gravações, claro, usando instrumentos de época, históricos e raros! A sonoridade é “ANGELICAL”
O sexto, é HERBERT VON KARAJAN regendo a FILARMÔNICA DE BERLIM em BEETHOVEN e TCHAIKOWSKY. Edição alemã da DEUTCHE GRAMMOPHON, em 1969! Há mais outros dois com PIERRE BOULEZ e KARL RICHTER nas regências…
Depois de lavados, recuperados, etc… descobri que a conservação é impecável, apesar do tempo passado! Os preços???? Abaixo do ridículo, eu garanto!
Mas, TIO SÉRGIO, onde fica este SEBO?
Eu só conto depois. Primeiro, vou tentar achar mais algumas coisinhas para restaurar!!!!
Procurem conhecer.
POSTAGEM ORIGINAL: 17\05\2025
Pode ser uma imagem de harpa e texto