STEVIE RAY VAUGHAN & DOUBLE TROUBLE, NAS MEMÓRIAS DE UM SARGENTO DE “MALÍCIAS” – O TIO SÉRGIO AQUI…

Tarde incerta em 1987, fui ao centro velho da cidade para fechar a venda de um imóvel. Era uma boa propriedade, no Paraíso, ótimo bairro de SAMPA.
Um dos vendedores representava mais uns quatro ou cinco, e as reuniões foram com ele. Boa gente, mas chatinho ao limite da exaustão mental. Ele vendia selos e moedas para colecionadores. Detalhista, voz chata e monocórdica feito mantra num templo TIBETANO – não confundir com a SIMONE TEBET… -; o cara perguntava, truncava, voltava, e não definia…Voltei lá umas três vezes até resolver.
Feito; ele propôs “TOMAR UM NEGOCINHO” pra comemorar. E sacou uma garrafa de WHISKY DRURYS, monumento da infâmia etílica brasileira e atentado contra o aparelho digestivo de algumas gerações de brasileiros daqueles tempos…
Por sorte, colocou dois copinhos molambentos, e sem gelo despejou o “limpador de privadas”: Tomamos em gole único!
Saúde! Disse o cara… Duvido, pensei eu…
Ele perguntou o que eu iria fazer em seguida. Eu disse que, dali, daria uma passada no MUSEU DO DISCO, ainda loja ícone que ficava nas imediações. Fui ver as novidades…
E o chato arrematou pra fora: “nem recebeu a comissão e já vai gastar por conta?” Rimos. Eu de raiva, e ele porque era um chato mesmo…
E foi naquela tarde, no MUSEU DO DISCO, que vi e ouvi discos de STEVIE RAY VAUGHAN pela primeira vez. Estava rolando no PICK UP o TEXAS FLOOD, de 1983. Fiquei fascinado!
Eu sempre gostei de HARD BLUES, BLUES ROCK e imediações. E, no final da década de 1980, acontecia um REVIVAL de BLUES mundo afora. E graças principalmente ao chamado TEXAS BLUES, estilo em que as guitarras estão em foco. Solos espetaculares, muito balanço, sensualidade, swing; e tudo o que tornou BLUES uma festa por gerações várias.
Vou contar mais um pouco:
O VINIL ainda imperava, e o MUSEU estava lançando com exclusividade, em acordo com a CBS – COLUMBIA, os três discos feitos por STEVIE RAY VAUGHAN & DOUBLE TROUBLE.
Trio integradíssimo, tanto profissional como pessoalmente, tocavam quase por telepatia. O baixista TOMMY SHANNON, a bateria de CHRIS LAYTON e a guitarra mágica de STEVIE RAY fizeram vibrar a turma do ROCK, e um cenário nascente de BLUES.” Resumo da tarde: comprei os três, e fui pra casa ouvir e comemorar tomando cervejas.
É impossível dizer qual deles é o melhor. Tanto “COULN´T STAND THE WEATHER”, 1983; ou “SOUL TO SOUL”, 1985, estão em mesmo nível do primeiro. Eles fizeram outro álbum de estúdio, em 1989, “IN STEP”, lançado depois de um período inativo de STEVE para tratamento contra o uso de drogas.
STEVIE RAY tinha 1.65m de altura. Era um baixinho de voz BLUESY, intensa, afinada e adequada para o estilo. E guitarrista “infernalmente divino” e muito criativo! Foi indicado 12 vezes ao GRAMMY! Levou SEIS!!! Ele está, é claro!, no “BLUES HALL OF FAME”.
Além de solo, gravou com JACKSON BROWNE e DAVID BOWIE – que todo mundo sabe, cheirava talentos e hipóteses de utiliza-los independentemente de qual estilo proviessem…
STEVIE RAY VAUGHAN é de uma geração posterior a de ERIC CLAPTON, BECK, PAGE, JOHNNY WINTER, MIKE BLOOMFIELD, e vários. Então, além de CLÁSSICOS DO BLUES GUITAR, como ALBERT KING, BUDDY GUY, FREDDIE KING e ALBERT COLLINS, a estirpe que mais diretamente o inspirou, ele observou HENDRIX atentamente. E se percebe uma garoa forte de ROY BUCHANAN e LONNIE MACK, em sua levada e jeito de tocar.
Anos atrás, a SONY lançou este BOX da foto com os três primeiros álbuns. Edição à época barata, CDS remasterizados acrescidos com faixas bônus. Há no exterior o excelente “STEVIE RAY VAUGHAN AND DOUBLE TROUBLE” LIVE AT CARNEGIE HALL, gravado em 1984, e lançado em 1997. Existem “otras cositas mas” pelaí. Porém, o sumo desse guitarrista fantástico está nas fotos.
Em 27 de agosto de 1990, depois de um show e sob tempo ruim, STEVIE RAY aproveitou lugar no helicóptero que levava a equipe técnica de ERIC CLAPTON – que já flertou com a morte várias vezes! Mas naquele dia escapou por sorte e acaso, porque embarcou em outro aparelho. Resguardo feito pelos Deuses? Sob nevasca, o piloto dirigiu o helicóptero para o lado oposto, chocou-se com uma pista de SKI e todos morreram!
STEVIE RAY encerrou a carreira cedo demais e possivelmente por causa de negligências. O DOUBLE TROUBLE, consternado, entrou em crise por algum tempo. Depois, acompanharam guitarristas, como NUNO MINDELIS – ótimo BLUESMAN moçambicano bem conhecido por aqui.
Sobre o cliente chatinho nunca mais tive notícias. Mas de alguma forma ele me jogou nos braços de STEVIE RAY VAUGHAN. Então, uma dose de “OLD EIGHT” pra ele!!!
POSTAGEM ORIGINAL: 30\077\2023
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COM BOB SEGER e THE BLUE OYESTER CULT – NUM SÁBADO A TARDE EM 1973…

Eu me lembro com nitidez de certo sábado à tarde, em 1973. Recordo a luminosidade daquele dia e suponho que tenha sido entre e abril e maio.
Por motivo que não identifico claramente, eu estava tranquilo e feliz. Não alegre, eu sei. Mas desfrutando de raro momento de completude. Mais de meio séeculo se foram, porém aquele sábado reteve-se em mim.
Em 1973, já existiam grandes lojas que importavam discos e novidades. Eram tão caros como hoje é – e sempre foram. Mas ainda não existiam a WOP BOP e a BARATOS AFINS, duas lojas que fizeram história por terem congregado um certo público UNDERGROUND que curtia ROCK e seus arredores.
Informações do exterior existiam, mesmo poucas e truncadas; e aguçavam desejos. Estavam condensadas em publicações como a ROLLING STONE – já circulando por aqui – e jornais alternativos onde esforçados jornalistas como LUIZ CARLOS MACIEL, que nos informavam sobre o novo “perenizado” ; e, também, o pós suposta revolução trazida por HIPPIES, e a NOVA ESQUERDA INTELECTUAL.
Claro, não durou o suficiente, mas deixou marcas feito tatuagens mal removidas.
Não consigo visualizar claramente se foi na BRUNO BLOIS, ou na BRENO ROSSI, onde naquela tarde inesquecível comprei dois entre os discos de que mais gosto até hoje.
Eu já conhecia o BOB SEGER. Cantor potente, BLUESY e pesado. Teve dois SINGLES lançados por aqui, na segunda metade dos 1960: “2+2” e “RAMBLING GAMBLIN MAN”, estilingadas certeiras.
SEGER é uma espécie de antecessor de BRUCE SPRINGSTEEN naquela mística do americano solitário contra o sistema, sempre “ON THE ROAD”, e torturado pela imprecisão psicológica, feito JAMES DEAN ou JIM MORRISON. E daí o fascínio que me causou.
BOB chegou ao sucesso de verdade anos depois, em 1977/1978. Mas jamais fez álbum tão bom e consistente quanto “BACK IN 72”.
O disco foi gravado no “MUSCLE SHOALS STUDIO”, onde a elite do SOUL e R&B gravava. Gente como ARETHA FRANKLIN, por exemplo.
“BACK IN 72” é um “espécime” perfeitamente integrado ao HARD ROCK & RHYTHM ‘n’ BLUES, também em voga naqueles tempos. Aqui, BOB SEGER está acompanhado por craques: J.J.CALE, JIMMY JOHNSON, BARRY BECKETT, DAVID HOOD e ROGER HAWKINS, para ficar no primeiro time. E mescla SOUL, R&B e ROCK com eficiência e sofisticação. É um grande e mal conhecido álbum, brilhando para ser pescado no fundo do poço dos tempos. Experimente. Vale a pena!
Também recordo ter separado o BOB SEGER, na loja, enquanto rolava no PICK UP disco chegado naquele momento: o primeiro álbum do BLUE OYSTER CULT. Impacto fulminante! Um míssil direto no cérebro e no corpo!
Para mim, é o melhor disco que fizeram. Está entre o HARD ROCK e o PROGRESSIVO. Tem pegada BLUESY e algumas novidades tecnológicas como “delays” e outros “babados”. As faixas estão interligadas sem espaços, o que emite a sensação de continuidade, não importando as músicas que se sucedem.
É disco bastante original de ROCK PESADO americano. Sim, é claramente americano; como o CAPTAIN BEYOND e o KANSAS. Ou o DUST e o GRANDFUNK RAILROAD.
O BLUE OYSTER CULT foi grande sucesso na década de 1970/80. E gravou outros discos bastante bons. O BOX aqui postado, aliás lançado no BRASIL não sei exatamente quando, traz os três primeiros álbuns da banda. São bons. Mas nenhum se equipara ao primeiro; na foto, inclusive em edição para audiófilos.
Talvez seja por causa desses LONG PLAYS que a memória daquele inesquecível sábado me sequestra até hoje. Desejo a todos experiência tão definidora e cativante quanto a que o TIO SÉRGIO teve.
POSTAGEM ORIGINAL: POSTAGEM ORIGINAL 30\07\2022 Nenhuma descrição de foto disponível.

MANIA DE VOCÊS: OS BENDITOS DISCOS QUE ME ASSOLAM!

HOJE, R&B MODERNO E CLÁSSICO, PARA ESQUENTAR O SÁBADO!
E a querida RITA LEE entrou na postagem não à revelia do próprio gosto e vício! Ela também era gamada (nossa, TIO SÉRGIO, essa é do seu tempo! ) por discos, etc…, eternos objetos do desejo.
Acabei de receber do correio mais outra “intimação” para o pagamento das taxas e impostos sobre a compra de umas “rodelas prateadas” que busquei nas “estranjas”.
Aviso de curra: R$ 137,00! Eu já esperava. Ficaram retidas por quase trinta dias pela Receita Federal. São dois CDs japoneses: Um do “JEFF BECK”; e o “RARE EARTH” que me faltava: “MA”. São edições caras, especiais!
O detalhe é que o “RARE EARTH” EU COMPREI EM DUPLICATA!!!
Errei! Coisa rara de acontecer. Chegou dias atrás… Agora, virá outro… Meu SANTO COLOMBINO!
Brasileiros adoram impostos escorchantes. Contanto que aplicados sobre os outros. E não faltam argumentos: é o social que requer; a péssima distribuição da renda exige; há mil desculpas e motivos.
Mas controlar o Estado e seus gastos mal realizados? ahhh… aí caímos em ideologias e seus interesses, explicações, justificativas. Azar dos que pagam, porque fiscalizados à lupa!
Estou postando discos de RHYTHM ‘N’ BLUES. Sim! Prefiro o nome genérico em vez de reter-me a filigranas discutíveis. Discos antigos e recentes. Porque são bálsamos para dias turbulentos. Geralmente melodiosos, músicas belas e “atemporais”, agradam a muito mais gente.
1) Dois são de “JOSS STONE”: INTRODUCING, 2007; e COLOUR ME FREE, 2009. Tenho alguns outros. É boa cantora da geração surgida em meados da primeira década de 2000. Ela faz o R&B moderno, às vezes com algum RAP e cheio de referências históricas. Dá pra “dissecar” ARETHA FRANKLIN, DINAH WASHINGTON , um quê de GLADYS KNIGHT, e tantas e nada tontas.
São dois CDS muito bons; cheios de ritmo, batida e bateria que se pretendem diferenciadas. “JOSS” é boa de palco; faz grandes shows e instalou-se pelo mundo. Busca alternativas, mas assumiu o R&B. Segue intensa e continua linda! Seus discos são joviais e dançantes.
2) “MICK HUCKNALL” já é veterano e ainda a cara “SIMPLY RED”. Tocou a carreira bombardeando tendências várias, graças à sua voz versátil e capacidade para oscilar do R&B ao ROCK. E até navegar pela música latina, como visto em DVD de sucesso gravado em Cuba. O ruivinho segue. E a mim agrada. Então, duas opções na foto.
3) “SEAL”. Acho que é o grande nome do POP/R&B/ NEO SOUL. E talvez o melhor dos últimos 35 anos. Seus dois primeiros e sensacionais álbuns foram brindados com oceano de craques participando; gente em nível de JEFF BECK, por exemplo.
Aqui estão três discos relativamente recentes: SEAL, 7; STANDARDS; e SOUL 2. Seguramente bons. Acredite. O cara continua ativo “pelaí” cantando, fazendo e agradando.
Agora, alguns clássicos da “BLACK MUSIC”:
4) “MARVIN GAYE”. COLETÂNEA TRIPLA com 50 músicas. O essencial de um cantor imenso. Não tem erro! Gosto demais desse pretão cheio de problemas emocionais e tangenciando a psicopatia.
5) “ISAAC HAYES”, THE POLYDOR YEARS. Coletânea muito diferente da fase STAX. Aqui também o SOUL e R&B muito identificáveis e a classe de sempre. Tente – se for barato.
6) “DR JOHN”, THE VERY BEST. Coleção de clássicos de outro diferenciado que jamais decepciona: BLUES, R&B, COUNTRY, e tudo junto e misturado por um artista único e obrigatório.
7) Encerro com um CLÁSSICO MODERNO, artistas CULTS do R&B. E desconfio, só o TIO SÉRGIO aqui ousaria indicar. É BOM PRA LHALHALO!
A conjunção astral entre dois grandes e históricos: STEVE CROPPER, mestre da guitarra e reverenciado músico do arco R&B, ROCK, COUNTRY, SOUL, e o que vier. Ele vem com FELIX CAVALIERI, tecladista e a voz dos RASCALS – o bem sucedido e famoso grupo americano da década de 1960.
FELIX, era o principal cantor da banda e fez OTIS REDDING invadir o estúdio da ATLANTIC RECORDS, em 1968, onde os RASCALS gravavam porque duvidou quando lhe disseram que era um BRANCÃO “italiano/americano” cantando; e não um NEGÃO!
E não era mesmo! FELIX foi um dos inventores do BLUE EYED SOUL!
Eles gravaram dois álbuns sensacionais; soltos, bem captados e produzidos; cantados com charme e arranjados em alto estilo. Na postagem, o álbum lançado em 2008. Anima quaisquer festas e reuniões.
Procure por essa turma no Youtube, e confira.
POSTAGEM ORIGINAL: 29\07\2023
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ZÉ RAMALHO E A SAGA INDEPENDENTE DO ROCK PSICODÉLICO NORDESTINO.

VIAGEM AO SUB REINO DOS DISCORDANTES, A TERCEIRA MARGEM DO RIO:
Insone como sempre, noite qualquer assisti ao vídeo dessa conjunção extraordinária entre ZÉ RAMALHO e ROBERTINHO DO RECIFE.
Ambos são casos à parte na cultura nacional: profundamente brasileiros, porém ligados, e quase soldados de muitas formas ao ROCK INTERNACIONAL.
Talvez seja o que os torne distintos, por exemplo, de “OS NOVOS BAIANOS”. Há clara percepção que BABY, MORAES, GALVÃO, PEPEU e turma eram, antes de tudo, “ligados basicamente” à MPB. O lado ROCK dos NOVOS BAIANOS é incidental. Não bastam guitarras e a eletrificação dos instrumentos para ser ROCK.
E ROCK é ROCK e ponto! ZÉ RAMALHO e ROBERTINHO sabem perfeitamente os pontos de integração e da completa distinção. Criaram no último trabalho, que ainda não encontrei em CD, outra intersecção possível.
ZÉ RAMALHO e LULA CÔRTES, para os que sabem dos escaninhos do POP BRASILEIRO, são os autores de PAEBIRÚ, o fantástico álbum duplo de FOLK-PSICODÉLICO com vestimenta nordestina, lançado em 1974. É talvez, o disco mais raro e colecionável do Brasil, decorrência da história trágica que o tornou internacionalmente CULT.
Vou contar: a gravadora ROZEMBLIT, do RECIFE, estocava a produção inteira do PAEBIRU, álbum gravado pela SOLAR, o selo de música experimental e alternativa que fundara. Foi quando houve a inundação que destruiu 700 das 1.000,00 cópias estocadas. A tragédia levou o disco original a tornar-se raro, precioso e, portanto caro. E no meio foram os MASTERES ORIGINAIS, e os discos de outros contratados, que também são comentados nesse texto.
É bom explicar que o disco não basta ser raro; tem de ser bom, também. ROBERTO CARLOS e o LOUCO POR VOCÊ é, também, raríssimo – mas ruim….
Na filmagem das gravações desse novo disco vemos um ZÉ RAMALHO que é ouro puro e duro. Metal bruto.
Durável?
Está cantando bem, com vozeirão entre o barítono e o baixo, extensão, intensidade e pique, contrastando com a sua frágil atual aparência – consequência de uma vida derretida em… viver!
A voz de DYLAN envelheceu sem gás; WILLIE NELSON retumbou pra baixo; e BRUCE SPRINGSTEEN em maturidade sorumbática e baixo-astral, nos lega lega decepção.
ZÉ RAMALHO, ao contrário , impõe a voz e assume o ROCK com a naturalidade do veterano. E se mescla à sonoridade criada pela banda METALMANIA: 3 jovens + ROBERTINHO DO RECIFE – guitarrista de talento imenso e comprovado!
Senhoras, senhores e adjacências: o som resultante é o “PORTAL DAS ENTIDADES”, que saiu em 2019: ZÉ RAMALHO + HEAVY METAL+GÓTICO+FOLK DE MATIZES DIVERSOS.
Há versões do MOTORHEAD e de OZZY com a qualidade lírica de ZÉ RAMALHO! É barulhinho bom, concordaria MARISA MONTE!
Acho que haverá repercussão do trabalho. Por via das certezas, postei abaixo. E o restante que ouvi é, também, da melhor qualidade. Procure o vídeo no YOUTUBE.
Eu vou comprar esse disco!
Aproveitando o ZÉ e o ROBERTINHO, junto à saga outros retumbantes mal conhecidos.
MARCONI NOTARO é um médico sanitarista criador de híbrido curioso entre o SAMBA e o RAUL SEIXAS.
NO SUB-REINO DOS METAZOÁRIOS é diferente de tudo o que conheço! O VINIL original também é raro e precioso. Há, porém, reedição em VINIL e CD lançados pela gravadora SHADDOCK, especializada em raridades brasileiras colecionáveis.
Postei, também, outra raridade CULT, mas… sei lá… FLAVIOLA é FOLK PSICODÉLICO com jeito de JETHRO TULL, mas devidamente
curtido em baião mais comportado.
SATWA, de LULA CÔRTES e LAILSON, 1973, é mais ou menos na linha do PAEBIRU, mas feito um ano antes. E HUGO FILHO, com PARAIBÔ, 1978, faz psicodelia menos escancarada, mas nítida.
Há o próprio ZÉ RAMALHO, em seu álbum de estreia em 1978, onde está o clássico AVOHAI!
E, talvez o melhor de todos, porque mais distante do ROCK: o álbum ELOMAR, EM CONCERTO, lançado pela QUARUP, em 1990. É um espetáculo à parte! Conjunto de Câmara com motivos de música do sertão, acompanhando este ultra original artista brasileiro. Eu ouso dizer que é o “JETHRO TULL” do sertão. Um FOLK PROGRESSIVO à brasileira de beleza e criatividade surpreendentes…
Eu defendo que o discos
nas fotos são a essência da PSICODELIA NORDESTINA.
“Por assim dizer”, já que somam além dos rótulos; e são mais originais e importantes do que muitos imaginam!
TIO SÉRGIO recomenda: conheçam, desfrutem e colecionem!
POSTAGEM  ORIGINAL: 27\07\2023
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MEDESKY, SCOFIELD, MARTIN & WOOD: JUICY, 2014 e LIVE – IN CASE THE WORLD CHANGES ITS MIND, 2011

Eu conheci o M.M&W quando era apenas o trio, sem o JOHN SCOFIELD. Foi em dia incerto, talvez 25 anos atrás. Um amigo jornalista havia recebido da gravadora e iria fazer uma RESENHA para o ESTADÃO, se bem recordo. Naqueles tempos, quem trabalhava na imprensa especializada tinha essas regalias: recebia um monte de CDS, a maioria tralha, ouvia e repassava para as lojas em troca de coisa melhor…
Ouvimos juntos. Eu achei tipo assim…. Ritmo quebrado, andamento interrompido, como estava na onda no final do século passado e início deste. Aliás, todo mundo, inclusive a turma do R&B entrou nessa parada. Baixou a bola, partiu para o coito interrompido, e a vida seguiu. É meio chato.
TIO SÉRGIO, você gostou do que ouviu hoje?
Hummmmm, sei lá entende! Agrega JAZZ, há um teclado pesado, e os caras tocam bem a ponto que persistirem e continuarem por aí desenvolvendo o estilo. É diferente, sem dúvida. Tem certo charme recôndito demais para o meu “paladar” ….
Enquanto rolava o disco ao vivo que o quarteto pariu, eu fui cozinhar; fazer outras coisas. É CD duplo, uns 80 minutos cada um. É tremendamente longo e sem clímax  – interminável! Cozinhei, lavei a louça, limpei a cozinha – e o disco não acabava!!!!
Talvez algo semelhante ao que dizem do SEXO TÂNTRICO: muito toque delicado, muita filosofia, muita procura sutil, muita extensão de afetos – diálogos entre instrumentos – mas cadê o “Gran Finale”?!?!
Mas diz aí, tio, que tal?
Hummm! é tipo assim: sei lá, entende?
Escute quando perder o sono.
POSTAGEM ORIGINAL: 27\07\2025
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CHET BAKER – O PARADIGMA DO CANTO MODERNO

Falar bem do CHET é fácil: modelo para gênios como CAETANO VELOSO e JOÃO GILBERTO, e incentivo para qualquer pessoa com voz de pequena extensão cantar.
CHET BAKER liberou, existencial e conceitualmente, para que surgissem astros da grandeza de NARA LEÃO, ERIC CLAPTON e uma cordilheira de outros talentosos, que certamnte seriam colocados de lado por terem vozes limitadas .
BAKER foi um cara bonito. Mas o consumo de drogas injetáveis destruiu e tornou seu rosto mais vincado do que o de KEITH RICHARDS! Certo dia, despencou da janela de um hotel, e “realizou” a própria morte que há muito vinha ocorrendo…
Pobre e sensível CHARLES BAKER!
Críticas sobravam: autodestrutivo, errático, e o monte de adjetivos e maledicências que se queira lembrar, ou lhe imputar.
Portanto, ser justo com o CHET transcende a decência e a necessária empatia e compaixão:
Ele era muito além do talentoso. Foi trompetista classe mundial, tocava o fino e com estilo; além de um comprovado paradigma da modernidade no cantar.
CHET BAKER era muito produtivo, apesar de seus graves e notórios problemas. Gravou bastante; legou belezas indiscutíveis!
Na foto, estão parte dos discos que tenho em minha discoteca. Ele vai sobreviver a todos nós, porque escutá-lo é contatar o divino! É distinguir a existência de um gênio na tormenta de sua viagem interminável ao sofrimento. É, também, parte da contínua redenção que outras gerações certamente reconhecerão e vão desfrutar.
CHET BAKER É IMPRESCINDÍVEL!
POSTAGEM ORIGINAL: 20\07\2017
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YARDBIRDS – LIVE YARDBIRDS FEATURING COM JIMMY PAGE, 1968. E OUTRA HISTORINHA QUE SÓ O TIO SÉRGIO CONTA!

Um grande amigo também colecionador de discos, no início dos 1970 pendurava na parede da sala um poster antigo dos YARDBIRDS, com o JIMMY PAGE na guitarra.
A imagem era, digamos… um tanto fora do comum para uma banda já de HARD ROCK. Os quatro caras posaram envolvidos em peles, um tanto “AQUALIRADOS”, como diria o escritor JOSÉ SARNEY – hummm! Cenário mais adequado aos PET SHOP BOYS, A-HA, DEPECHE MODE, ou PABLO VITTAR – só para usar exemplos notórios…
E, entra na sala uma tia velha e pergunta:
– Silvinho, quem são esses cabeludos aí na parede?
– São os YARDBIRDS, tia…
– QUEM?!?!?!?!, os VEADOS VERDES?!?!?!
Não eram…
Comecei por piadinha datada e infame; mas o diálogo aconteceu de verdade. E aproveito para juntar o CD, edição argentina e provavelmente pirata, de um LONG PLAY lançado pela EPIC RECORDS, em 1971, mas só na América.
É ao vivo, gravado em NOVA YORK, no dia 30 de março de 1968, quando os YARDBIRDS já estavam na gargalhada final. PAGE na guitarra, claro; o vocalista KEITH RELF; na bateria JIM McCARTHY e o baixista CHRIS DREJAS tocavam juntos pelas últimas vezes. Foi a excursão final, que terminou semanas depois.
O destino e sequência é fato histórico sabido: sobraram apenas JIMMY PAGE e CHRIS DREJAS, que contrataram ROBERT PLANT e JOHN BONHAN para cumprir compromissos restantes dos YARDBIRDS pela Europa, e finito.
Com a entrada de JOHN PAUL JONES no lugar de CHRIS DREJAS, o LED ZEPPELIN aconteceu.
Este álbum é oportunismo puro e nítido. O grupo quando ouviu o resultado da gravação recusou-se a lançar o disco. É técnica e artisticamente um fracasso. RELF canta nada e PAGE parece exausto. E mesmo tentando reproduzir os HITS mais clássicos da fase com JEFF BECK, a coisa não rolou. A gravação é tão ruim que a gente não sabe se o público está “apulpando”, ou gostando…
Mas com o sucesso do LED ZEPPELIN, a EPIC forçou a barra e lançou o disco. Eu me lembro quando comprei, na época meus amigos adoraram! É um disco barulhento, garageiro e mal feito. E, admito agora, é um bom motivo para tê-lo!
Hoje, é bastante raro. E não lembro de tê-lo visto em CDS oficiais por aí. Enfim, vale por documentar o velório de uma banda seminal.
POSTAGEM ORIGINAL: 27\07\2024
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PAUL WINTER CONSORT – ICARUS – 1972. A PRODUÇÃO É DE GEORGE MARTIN!

Tempo atrás recebi outro CD do grupo OREGON, um blend bendito entre a FUSION e a “VANGUARDA JAZZY – WORLD MUSIC”.
Lendo alguma coisa a mais sobre eles descobri que quase todos haviam tocado com PAUL WINTER; um sax soprano que circundou e gravou muita coisa de BOSSA NOVA e MPB; e circulou WORLD MUSIC afora.
Dei de cara com esse disco na estante e nem me recordava se havia escutado! Peguei, abri e bingo! (pode ser eureka, também).
Estavam lá PAUL McCANDLESS, sopros; COLIN WALCOTT, percussão; e o guitarrista RALPH TOWNER: o núcleo do OREGON. E juntos com o baterista BARRY ALTSCHULL, o percussionista e baterista MILT HOLLAND; e DAVID DARLING, violoncelista sutil e melodioso. Todos no futuro cast da gravadora ECM.
Ahhh, BILLY COBHAN ( não vou dizer o que ele toca… ) também participa.
E quem produziu a obra? GEORGE MARTIN! Sim, ele mesmo! Fez um disco delicioso. Mas não sei ao certo onde começa o JAZZ FUSION leve, europeu, da linha ECM; ou, os flertes com o ROCK PROGRESSIVO meio SOFT MACHINE 3, ou do 5 em diante. Tudo vem mesclado em incursões ao WORLD JAZZ AFRO.
Talvez o termo NEW AGE seja em parte cabível. Indeed! É muito bonito e melodioso. Fiquei alegre e surpreso. Resumindo, é muito criativo e antecipatório de novas tendências. O disco é de 1972
Para completar talvez seja o CD com a edição mais antiga em minha coleção. Parece que prensado em 1984, pela subsidiária da CBS chamada LIVING MUSIC, o que explica a qualidade hoje precária do áudio.
Ouçam. É colecionável, algo raro e certamente precioso.
Especulem.
POSTAGEM ORIGINAL: 26\07\2020
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MIROSLAV VITOUS: EM TRÊS CDS NOTÁVEIS DA GRAVADORA E.C.M.

Que delícia, orgulho e vitória pessoal deve ser ligar para os amigos ou parceiros profissionais, artistas em nível de JAN GARBAREK, CHICK COREA, JOHN McLAUGHLIN e JACK DEJOHNETTE e convidá-los para gravar um disco!
Tá certo, MIROSLAV VITOUS toca contrabaixo. É um dos grandes do instrumento, e demonstra nos álbuns aqui postados.
Reunir um time em que todos estavam no auge criativo e técnico; gravar com a solidez e segurança da produção de MANFRED EICHER, um diferenciado que deixa espaços para que cada músico demonstrar o porquê de estar no disco; é proeza reverenciada por quem ama o melhor JAZZ!
UNIVERSAL SYNCOPATIONS, lançado em 2003, é perfeito indicativo de maturidade e conteúdo artístico. Cada músico intervém a seu tempo com liberdade, estilo, e capacidade técnica para transmitir a mensagem e arte pretendidas.
É música de Vanguarda. Exala harmonia e andamentos bem concatenados e melodias encantadoras. As performances individuais estão sempre ajustada perfeitamente ao “timing” coletivo. É álbum de unicidade explícita. Não há onanismo instrumental solitário e narcisista.
Então, TIO SÉRGIO trouxe de carona outros MIROSLAV VITOUS & GROUP, 1981; e E JOURNEY´S END, 1983. Ele é um artista extraordinário e sempre acompanhado por time de alto luxo e pertinência: JOHN SURMAN, soprano; JOHN TAYLOR e KENNY KIRKLAND, piano; e JON CHRISTENSEN, bateria. É interação de amor completa e completada traduzida em música.
Cumpram a sina e ouçam os discos – e, se possível, comprem os três. É impossível se arrepender!
POSTAGEM ORIGINAL: 23\07\2023
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GENESIS – ROCK PROGRESSIVO: A PRIMEIRA FASE 1969/1974

PETER GABRIEL,TONY BANKS, MICHAEL RUTHERFORD E ANTHONY PHILLIPS estudaram no final dos anos 1960, na “Chaterhouse Public School”, escola inglesa de alto nível, onde os alunos eram tidos como algo esnobes e diferenciados.
Ao contrário da imensa maioria da turma do ROCK, eles não vieram da classe trabalhadora. Os quatro fundaram o GENESIS com a intenção de compor canções e não apenas tocar ou mostrar destreza nos instrumentos. O foco era quase literário.
O primeiro álbum, “FROM GENESIS TO REVELATION”, lançado em 1969, lembra muito o “ODISSEY & ORACLE”, dos ZOMBIES, clássico de 1968; e as gravações dos MOODY BLUES na fase próxima a “DAYS of FUTURE PASSED”, 1967/1968.
São melodias muito bonitas mas não definíveis a qual estilo pertenceriam. É álbum carente de produção elaborada; mas apontando direções nítidas. Os fãs e os próprios integrantes do GENESIS simplesmente abominam o disco!
TIO SÉRGIO gosta!
A banda Fechou com a CHARISMA RECORD e nesta fase mantiveram linha sonora não muito diferente de um disco para outro. As letras geralmente são longas e cheias de “sub-histórias”. Imagino que impusessem aos produtores o que desejavam fazer. Sabiam o que pretendiam…
É claro, se o som não fosse interessante e contemporâneo ao de sua geração e concorrentes, eles certamente não teriam conseguido o sucesso que obtiveram.
Se observarmos o cenário, eles estão mais próximos dos MOODY BLUES que do YES – a referência usual para compara-los. Menos magia e pirotecnia instrumental, e mais integração entre os componentes e a estrutura do grupo.
Os centros de atenção da banda, na fase PROGRESSIVA, sempre foram os teclados exatos de TONY BANKS, e o vocal e figura cênica espetaculares de PETER GABRIEL.
Os músicos restantes, adequados e competentes, compunham grupo sólido e coeso que deu sustentação a um projeto bastante bem formulado.
Para testar a hipótese ouçam GENESIS LIVE, de 1973. É o disco que fecha o ciclo dos claramente progressivos. Eles fizeram ao vivo com arranjos quase copiados das gravações de estúdio.
“TREPASS”, lançado em1970, é o meu Genesis predileto e o último com o guitarrista ANTHONY PHILLIPS. Depois, com STEVE HACKETT na guitarra e PHIL COLLINS na bateria, fizeram “NURSERY CRIME”, 1971 e “FOX TROT”, em 1972. O disco seguinte, “SELLING ENGLAND BY THE POUND” lançado em 1973, confirmou o GENESIS estrela em ascensão. Para muitos, é o melhor álbum que fizeram. E consolidou a transição para um grande sucesso de público.
Observem o ano de 1973, um marco na história do ROCK, com três e tendências disputando a atenção do público:
O PINK FLOYD lançou “DARK SIDE OF THE MOON”. Em tempos em que o HARD ROCK sofisticado do DEEP PURPLE e do LED ZEPPELIN; e o HEAVY METAL do BLACK SABBATH estavam no auge.
Emergiu, também, o GLITTER ROCK destacando o sucesso POP de DAVID BOWIE, MARK BOLAN e o T.REX, do “evolucionário” e criativo ROXY MUSIC, e outros muitos.
E houve tantas intercorrências, consequências e opções a ponto de qualquer artista que lançasse discos, daí para frente, ter de compreender o novo e rico cenário.
Se o PINK FLOYD bombava renovando o PROGRESSIVO, o que fez o GENESIS, em 1974?
O sétimo disco da carreira:
” THE LAMB LIES DOWN ON BROADWAY “, álbum duplo obscuramente conceitual. A maioria das músicas são mais curtas, e as letras mais longas; resultando em inequívoco ROCK PROGRESSIVO – no entanto, mais contido… É álbum bem produzido, enxuto e organizado. Foi o derradeiro com PETER GABRIEL no vocal. E TONY BANKS está menos dominante e mais integrado, ainda, à banda.
Há um elemento fundamental e desconcertante: BRIAN ENO com seu aparato AVANT-GARDE e a influência recebida estudando compositores como TERRY RILLEY e PHILLIP GLASS – gente ultra CONTEMPORÂNEA e artíficies da música do futuro.
BRIAN criou efeitos precisos em algumas faixas esparsas, que diferenciaram o álbum do que o YES, MOODY BLUES, PINK FLOYD e outros vinham fazendo. Ele ter participado com o GENESIS firmou o diferencial.
ENO havia brigado com BRIAN FERRY e deixado o ROXY MUSIC anos antes. Vinha de carreira solo; e também feito parcerias e gravado com ROBERT FRIPP, JOHN CALE, e alternativos PROG daqueles momentos… Por esta vereda, BRIAN ENO forjou a ponte entre o GLAM ROCK e o ART ROCK – opção certeira e historicamente importante!
Em seguida, ENO envolveu-se com o KRAUT ROCK, ajudou a criar a famosa TRILOGIA BERLIM com DAVID BOWIE; e tornou-se capítulo importante da música de vanguarda.
O GENESIS migrou, paulatinamente, para um híbrido POP diferenciado que pode ser considerado ART ROCK. E que se tornou o período de maior sucesso comercial da banda – e da projeção esfuziante da carreira de PHIL COLLINS.
Resumindo o imperfeito: viver e navegar não são precisos! Mas curtir o GENESIS e os artistas aqui citados é necessário, agradável, e muito estimulante!
POSTAGEM ORIGINAL: 23\07\2020
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