CASSANDRA WILSON E PATRICIA BARBER – OS RÓTULOS RESTRINGEM DUAS ARTISTAS SOBERBAS!

CUIDADO COM RÓTULOS. DOIS DOS MAIS CRIATIVOS, E INTELECTUALMENTE SOFISTICADOS ESCRITORES DO SÉCULO VINTE, NÃO FORAM INDICADOS AO PRÊMIO NOBEL POR PRECONCEITO E INCOMPREENSÃO:

JORGE LUIZ BORGES FOI TACHADO DE CONIVENTE COM A DITADURA MILITAR ARGENTINA, NOS ANOS 1970. E, APESAR DE TER SIDO ESCRITOR MUITO SUPERIOR À CONCORRÊNCIA DE SUA ÉPOCA, JAMAIS FOI CONSIDERADO COMO HIPÓTESE PARA RECEBER A HONRA.

SÓ QUE NÃO FOI BEM ASSIM. BORGES APENAS ACHAVA QUE A ARGENTINA ESTAVA SE DECOMPONDO E SE DEGRADANDO SOB O PERONISMO. E ERA VERDADE!

ALIÁS, CONTINUA SENDO VERDADE!

NENHUM PAÍS, NA HISTÓRIA DA HUMANIDADE, SAIU DO PRIMEIRO PARA O TERCEIRO MUNDO.

A EXCEÇÃO É A ARGENTINA, A PRIMEIRA A FAZÊ-LO. E PROSSEGUE ALTIVA E VELOZMENTE NESTE CAMINHO DECADENTE….

OUTRO ROMANCISTA MONUMENTAL FOI GRAHAN GREENE. INGLÊS, MODERNO, CONSCIENTE E CONSISTENTE.

FOI CHAMADO DE ESCRITOR CATÓLICO!

BOBAGEM!!!

GREENE ERA UM PROSADOR SOBERBO QUE, POR ACASO, ERA CATÓLICO. SÃO COISAS DIFERENTES, VOCÊS NÃO ACHAM?

MAS, VAMOS MUDAR DE PATO A SAPATO. O QUE APROXIMA DUAS CANTORAS INTERESSANTES, CASSANDRA WILSON E PATRICIA BARBER, NESSES DOIS DISCOS?

EU DIGO: O JAZZ CONSTRUÍDO EM CIMA DE BANDAS E INSTRUMENTAÇÕES DO ROCK! É VERDADE! PORÉM, É JAZZ!

O DISCO DE CASSANDRA TENDE A SER UM QUASE TRIBUTO A BILLIE HOLIDAY, E CONSEGUE;

MAS, NÃO DO JEITO CONVENCIONAL. A BANDA É COMPOSTA EM PARTE POR MEMBROS QUE ACOMPANHAM NICK CAVE – THE BAD SEEDS. ESTRANHO?

NADA: BILLIE ERA DARK E NICK MAIS AINDA! O PRODUTOR DO DISCO ENTENDE DE MÚSICA E NÃO SÓ DE ROCK. E O RESULTADO CONSTRÓI O QUE BILLIE PROPUNHA E FEZ A VIDA INTEIRA. É DISCO MAGNÍFICO EM LINGUAGEM ATUALIZADA!

JÁ PATRICIA BARBER FAZ PROSELITISMO. HOMOSSEXUAL ASSUMIDA, FAZ LETRAS E CANTA SUA ORIENTAÇÃO. É ATITUDE RESPEITÁVEL E NÃO HÁ QUAISQUER PROBLEMAS. MESMO PORQUE GÊNERO, OPÇÕES, ORIENTAÇÕES SEXUAIS OU EXISTENCIAIS NÃO DEFINEM A QUALIDADE ARTÍSTICA.

A MÚSICA, OS ARRANJOS E O ESTILO SUI-GENERIS DE PATRICIA CANTAR O QUE DEFENDE, AÍ SIM! É SHOW DE MÚSICA! LETRAS E MELODIAS DEVEM ESTAR CONJUGADAS E, SE BEM FEITAS, SE COMPLEMENTAM.

POUCOS ARTISTAS CONTEMPORÂNEOS SÃO TÃO ORIGINAIS QUANTO PATRICIA BARBER. SE O PROSELITISMO É MARKETING OU ATITUDE, POUCO IMPORTA.

O QUE NOS INTERESSA, NESSE DISCO, É A PERCEPÇÃO DE QUE O JAZZ QUE ELA PRODUZ PUXA A TODOS NÓS PARA A DÚVIDA POR CAUSA DE SUA FRONTEIRA COM O QUASE-ROCK!!! SERIA FUSION? EU ACHO QUE SIM!

TUDO ISSO, É PARA AFIRMAR QUE RÓTULOS RESTRINGEM, FAZEM CALAR PARTE DO QUE INTERESSA, ENSEJAM CAMINHOS ESTREITOS QUE MASCARAM O ESSENCIAL.

EVITAR CLICHÊS É PRECISO. E CENSURAR NINGUÉM PRECISA!

“CÉU” E “TIÊ” – O NOVO POP BRASILEIRO

 

GOSTO, SIM! E POR QUE NÃO!
É POP BRASILEIRO de boa qualidade. Sim, POP.

TIÊ faz o tipo jovial descomprometido, como PAULA TOLLER. E com melodias mais típicas do POP INTERNACIONAL, talvez um retrogosto da RITA LEE.

A banda é boa, alegre, agitada com algo dos paulistas e a nossa risonha e confortável contenção de comportamentos. Os temas e perspectivas dela são os de sua geração; amores andando, cuidar do próprio cotidiano, e o vasto etc.. fora, claro, de minha atual vivência.

Eu gosto desse disco e toco vez por outra!

CÉU é mais elaborada, EXPERIMENTAL e UNDERGROUND. Acho que vê o mundo com mais desconforto e ousadia. E fez um disco variado e surpreendente. É mais brasileira na proposta sonora e rítmica. É moderna, sim!

Assisti a Céu no programa do JOOLS HOLLAND, na BBC. Foi recebida como estrela e apresentou-se “passando roupa”, literalmente.

Encantou pela estranheza e competência. Muito legal!

Acho dois discos excelentes e recomendo aos heterodoxos.

JONI MITCHELL: THE HISSING OF SUMMER LAWNS . A MINHA CANTORA-COMPOSITORA PREDILETA!

 

Um pensador mexicano reclamou desolado: “pobre México, tão longe de Deus é tão perto dos Estados Unidos!”

TIO Sérgio perguntaria: “o que pensariam e diriam os canadenses? Partilham fronteira imensa, estão no frio total, moram em país desabitado; falam duas línguas, e são ao mesmo tempo gozados e mal interpretados pelos americanos! Um Karma leve, certamente.

Mas, diz a maioria dos americanos, o Canadá é o único país pelo qual entrariam em alguma guerra para defender!

Talvez seja possível uma síntese pelas diferenças. São duas culturas distintas, mas bem integradas, e que não perdem suas características notáveis.

Nada mais peculiar do que os grandes astros musicais do Canadá. NEIL YOUNG, GORDON LIGHTFOOT; o RUSH, K. D. LAING, LEONARD COHEN e JONI MITCHELL. Há outros.

O que os aproxima é a fria individualidade de suas propostas. Fazem sucesso no país vizinho, e são diferentes de qualquer outro artista americano. COOL!!!!!

Existe algo de solitário e desolador nesses artistas canadenses todos. Será a geografia imensa, desafiadora e inconquistável? Percebem-se eles protegidos pela certeza da invulnerabilidade, que os preserva únicos, já que são letristas e músicos críticos e perfeccionistas?

Os canadenses se aproveitam da proximidade. Os mexicanos a temem.

E JONI MITCHELL sempre olhou o mundo de cima. Será algo de europeu em seu refinamento intelectual e artístico? Eu diria que sim – mas com restrições: JONI vê a si mesma na paisagem. O Canadá a marca menos do que o BRASIL está marcado em CAETANO VELOSO – por exemplo. Eu acho…

Ainda assim, JONI é artista menos universal, porque não canta a sua aldeia, mas a ideia de si mesma. É pessoalmente tão vulnerável a ela mesma, que teve poliomielite já perto dos cinquenta anos! E é tão transcendente, enquanto artista, que coleciona muitos gatos pingados como seus fãs ao redor deste mundo absurdo.

Eu adoro a JONI. Ela me expõe a pensar sobre eu mesmo. E nesse tempo de coletivos, facebook e massificação isto não é pouco!

Dar uma volta completa em torno de si mesmo é essencial. Conhecer-se; palmilhar a própria alma; observar mais o que o interior expressa.

JONI é a intimista suprema.

Tentem!

VANGUARDA PAULISTANA DE “ONTEM”? – HOJE, PÔ!

 

Fala sério, Tio Sérgio! Se é VANGUARDA não pode ser de ontem, tem de ter uma certa perenidade peripatética, pô!

Seria?

É argumento possível que nem tudo se pereniza, e o que foi significativo ontem não necessariamente se derramou sobre os dias de hoje, ou terá relevância no futuro.

Tá; mas se é bom, se permeou o tempo com significados, é muito provável que tenha deixado rastros e raízes.

Falo aqui da chamada VANGUARDA que se instalou e se expressou no TEATRO LIRA PAULISTANA, nos 1980, em São Paulo. E de lá teceu artes, criou portas, que se abriram, lógico…e deram, entre outras coisas, nesse disco, décadas depois.

Estou comentando isso, porque no mix bêbado da trilha sonora que está rolando, hoje, há um CD GRAVADO AO VIVO, no SESC POMPEIA, também em SAMPA.

São três artistas de VANGUARDA: ARRIGO BARNABÉ, LUIZ TATIT e LÍVIA NESTROVSKI, com e o nome do disco é instigante “DO NADA MAIS A ALGO ALÉM”:

A frase é bem paulistana, e está em ANO BOM, canção emocionante que talvez deva ser interpretada como alento para sofridos quase conformados; e que encontram, de repente, a oportunidade para voltar a perscrutar a hipótese de ser feliz com alguém.

É canção de amor não linear.

Aliás, como é todo ato que expresse um afeto motivador para se construir um relacionamento emocional significativo; e talvez uma situação para amar; ou mesmo o amor.

Papo de urubu?

Pode ser. Mas, é melhor do que papo de Urutu, aquele veículo blindado que o Brasil produzia…

A maioria das letras no disco são de TATIT; E a maior parte das música são de ARRIGO.

E, ambos, apesar de coetâneos e contemporâneos, nunca haviam composto juntos. Há, também, parcerias com NÁ OZZETI e ZECA BALEIRO;

E JOSÉ MIGUEL WISNIK – que também escreveu o texto de apresentação, com a precisão sofisticada de sempre. Uma aula de como “ver” e “ler” o que as músicas nos mostram.

O disco, claro, é musicalmente belíssimo!

Estão nele, os vários arranjos de ARRIGO BARNABÉ, que também empresta sua “VOZ algo BLUESY meso pós PUNK”, como as intervenções de ELVIS COSTELLO, em discos “melhores” do que a voz dele permite, dando um sabor entre o convergente e o destoante no projeto.

E há LÍVIA NESTROVSKI, e seu cantar dinâmico, preciso, em clara e linda voz; e o canto correto e interpretação sensível de TATIT.

Todos juntos acompanhados por músicos como o guitarrista MÁRIO MANGA; o cantor RENATO BRAS; o baterista EDU RIBEIRO e o pianista PAULO BRAGA. Gente acostumada com a música de vanguarda…

Tudo considerado, ficou bom; muito bom!

Mas, se quiser compreensão imediata, mensagens diretas e simples, emolduradas por arranjos óbvios e decifráveis no ato, o disco não é para você.

Essa verborragia toda que depus, a mim parece definir um jeito paulistano de se expressar. Eu falo demais; sempre buscando dizer com o máximo de precisão o que penso, sinto ou percebo.

A maioria das pessoas que conheço também fala demais!

E nesse disco também se fala demais!

Agora, por que essa turma tão encastelada veio parar aqui nesse texto? É o contexto? talvez pretexto?

Foi principalmente por causa de uma estrofe, na música BABEL:

“Ser humano é tudo igual;

É bom, mas é falho;

Ser humano é cerebral;

Cerebral, o caralho!”

Nítido e verdadeiro!

WALTER LACERDA – SOFT JAZZ

 

Surpresas para quem prospecta. Saí com a fadinha MASTERCARD pra xeretar uns cds e comprei este ótimo disco.

WALTER LACERDA é flautista e gravou com gente grande da música brasileira. Nesse “Por onde você andava “, Lacerda e banda tocam composições dele, um SOFT JAZZ delicioso e muito bonito. Disco bom para quem pega leve e gosta de relaxar, mas vai um tanto além do lounge .

Comprei na Pops anos atrás. Recomendo aos de bom gosto, PRINCIPALMENTE aos mais velhos.

TRAPEZE 1970/1972: DO PROGRESSIVO AO HARD ROCK – RHYTHM ‘N´BLUES.

 

Na história da música, épocas, nuances, o percurso de cada banda e outros artistas contemporâneos, ajudam a montar uma “cartografia” que aproxima as várias tendências do quadro real do que realmente está acontecendo. Sutilezas cabem em tudo.

E “aproximar” é a palavra central. Não há verdades “originais” que se mantenham perante as releituras que o tempo sempre traz. E pra todo mundo.

Em 1968, a memória de HENDRIX e do CREAM, e um HARD BLUES PSICODÉLICO ecoavam na música. Mas, já havia IRON BUTTERFLY, DEEP PURPLE, os MOODY BLUES, e até THE WHO, depois de TOMMY, testando outros limites.

Mas, a essência do BLUES ainda permeava parte do cenário. E o advento do LED ZEPPELIN foi crucial para um novo formato de música, bem mais pesada, baseada em, mas transcendendo o BLUES, e ventilando para o HEAVY METAL, que começaria a sedimentar-se, a partir de 1969, com o BLACK SABBATH.

Tudo junto e ao mesmo tempo, uma nova geração de bandas começou a despontar com forte influência no futuro. Na Inglaterra, KING CRIMSON, GÊNESIS, YES, o CARAVAN, e o URIAH HEEP, chegavam e apontavam para o ROCK PROGRESSIVO em desenvolvimento.

Na outra ponta, o HUMBLE PIE testava fusão do BLUES com o RHYTHM´N´BLUES, e toques de POP e HARD ROCK. PETER FRAMPTON e STEVE MARRIOTT, nas guitarras e vocais, faziam a diferença.

O TRAPEZE surgiu em1970, como quinteto resultante da junção de duas outras bandas, naquele ambiente rico e de mudança rápida, e não bem definida.

O grupo foi assediado pela APPLE, a gravadora dos BEATLES; mas fechou com a THRESHOLD, dos MOODY BLUES.

Os dois primeiros discos tem capa e produção gráfica esmerada, como de hábito para os MOODY BLUES.

JOHN LODGE, baixista dos MOODIES, produziu os dois primeiros LPS. Procurou realçar o som que faziam, mas sem grandes intervenções.

Deu liberdade aos garotos. E quem conhece o estilo de compor e cantar de LODGE, logo identifica o PROGRESSIVO LIGHT do primeiro LP: TRAPEZE, 1970.

No segundo disco, MEDUSA, também de 1970, o guitarrista MEL GALLEY, o baterista DAVE HOLLAND e o baixista GLENN HUGHES, muito jovens e bons músicos, assumiram a banda e a reduziram a um trio; e deram uma guinada para fora do PROGRESSIVO, em direção ao HARD-ROCK.

Os três cantavam. Mas, HUGHES se destacava pelo extensão da voz, o timbre e o jeito de cantar mais na linha de STEVE MARRIOTT, em um “blend” com ROCK, RHYTHN`N`BLUES e SOUL. De certa forma, do jeito que ROD STEWARD seguia em sua carreira.

O TRAPEZE não privilegiava o BLUES-ROCK, mas foi se tornando mais próximo do HUMBLE PIE, e da JAMES GANG, em sonoridades. O ROCK PESADO, mas com andamento lento e pouco teclado; que era uma das tendências naqueles tempos.

Talvez o BAD COMPANY tenha sido o exemplo mais bem sucedido entre todos.

A THRESHOLD aceitou a mudança de estilo com alguma reticência… Mas, continuou apoiando, e eles saíram em turnês abrindo para os MOODY BLUES, mundo afora.

Tocaram no ROYAL ALBERT HALL, em Londred; no CARNEGIE HALL, em Nova York e no FORUM de LOS ANGELES.

Aos poucos, estabeleceram seguidores na AMÉRICA, onde estavam indo muito bem.

Por isso, para o terceiro disco “YOU ARE THE MUSIC, WE´RE JUST THE BAND”, 1972, na minha opinião o mais consistente dos três que gravaram, trouxeram NEIL SLAVEN, que produzira KEEF HARTLEY BAND e o SAVOY BROWN, um produtor especialista em BLUES e música negra em geral.

A mudança foi notável. Ouve-se, claramente, as levadas típicas de bandas americanas da época, como os DOOBIE BROTHERS, JAMES GANG e o Z.Z.TOP. BILLY GIBBONS era fã; e os considerava o melhor POWER TRIO do início dos anos 1970!

E tudo isso mesclado com vocais cada vez mais “SOUL/R&B”, de GLEN HUGHES, muitas vezes lembrando BOZZ SCAGGS, OTIS REDDING, e artistas da MOTOWN e STAX.

O TRAPEZE estava ganhando consistência, mas os discos não vendiam suficientemente. Teriam tido sucesso caso tivessem persistido? Difícil dizer…

O empresário deles tentava leva-los para a WARNER quando, de repente, em setembro de 1973, o DEEP PURPLE fez proposta e GLENN HUGHES deixou o grupo.

Com o PURPLE ele teve bastante sucesso. E de lá saiu para carreira solo, em que permanece. HOUGHES tem vários discos gravados. E, até hoje, está na cena HEAVY. Exemplo marcante é o CD ao vivo aqui postado. Pauleira Brava!

GALLEY, com o tempo juntou-se ao WHITESNAKE e ao PHENOMENA; e HOLLAND gravou diversos discos com o JUDAS PRIEST e outros artistas. E ambos sentiram-se traídos por GLENN HOUGHES.

Mas, se você fosse GLENN o que faria se tivesse tido uma proposta como aquela?

ABOUT THE “BLUES”

 

UM DOS PRIMEIROS TEXTOS QUE PUBLIQUEI NO FACEBOOK

Na minha geração, para a turma que está entre os 50 e os 60 anos de idade gostar de BLUES era decorrência quase “natural” se você gostasse de rock. É o meu caso. Eu adorava, nos anos 1970 e 1980 e ainda gosto. compro CDS e DVDs e escuto até hoje.
O BLUES que nós gostávamos, na época, não era o tradicional – ROBERT JOHNSON, JOHN LEE HOOKER, MUDDY WATERS, entre vários. Mas o BLUES ELETRIFICADO e modernizado, que os ingleses desde o início dos anos 1960 descortinaram para o mundo.
Pois é, o BLUES é música americana de raíz, antes mais associada ao jazz, mas que foi recuperado, reverenciado e trazido para o mundo pop pelas bandas inglesas dos anos 1960.
Se não fossem os ROLLING STONES, YARDBIRDS, FLEETWOOD MAC, ANIMALS, MANFRED MANN, e uma infinidade de artistas até hoje em atividade, ícones como B.B. KING e toda a tradição americana teriam tido menos força e, quem sabe, menos influência.
Muitos deles já estavam no ostracismo. Diz a lenda que os STONES cruzaram com MUDDY WATERS, em 1964, quando foram gravar nos estúdios da CHESS RECORDSChess Records, nos E.U.A. ELE Waters pintava as paredes da casa…, o que horrorizou a banda!
Graças a JOHN MAYALL, o grande incentivador da geração de ingleses que faziam BLUES, artista com mais de 60 discos gravados, que literalmente tocou com ou acompanhou quase todos os grandes nomes – tradicionais e contemporâneos, ingleses ou americanos – o BLUES espalhou-se.
Foi MAYALL quem projetou Eric Clapton, já em 1964 considerado o melhor guitarrista da Inglaterra, desde quando estava nos YARDBIRDS. Para saber quantos outros artistas, procure no Google. JOHN MAYALL, é um dos artistas que ostentam a comenda de Cavaleiro do Império Britânico, como PAUL McCARTNEY e ELTON JOHN. Ele é estelar, continental e, aos 92 anos, ainda grava e excursiona.
Eu o assisti ao vivo, aqui em São Paulo, há uns 25 anos – e tenho os ingressos autógrafados por ele!!!!! -; No final de um show de quase 3 horas, o velho voltou ao palco e ajudou a desmontar os equipamentos!!!! Vitalidade de Milton Neves; da rainha da Inglaterra!
Mas, por que o BLUES explodiu na Inglaterra? Provavelmente porque os jovens ingleses queriam música vibrante como o ROCK AND ROLL da primeira fase – ELVIS PRESLEY e CHUCK BERRY entre vários – que já estava meio para o decadente e sem perspectiva, até que houve a explosão dos BEATLES e da chamada BRITISHJ INVASION, por volta de 1962/1964.
Grosso modo, na época e como hoje, as diversas tendências conviviam, os BEATLES seriam mais conectados aos ROCK e os ROLLING STONES ao BLUES…
Os clubes e pubs ingleses em geral apresentavam bandas de JAZZ. O JAZZ é como a BOSSA NOVA: música urbana para jovens mais sofisticados. A garotada em geral queria agito, daí o SKIFLE, depois o BLUES, música mais simples que bate direto nos sentimentos. E tem guitarras elétricas e combina com paqueras e cervejas.
Pouco a pouco os locais onde se ouvia JAZZ foram migrando para o BLUES, que se revestiu de ROCK e o resto é o que temos até hoje. É claro que houve um renascimento do BLUES também nos EUA – mas curiosamente, inicialmente também por influência e exemplo dos ingleses.
O BLUES chegou forte no BRASIL no começo dos anos 1990 e permanece mais discretamente. Hoje temos uma linguagem de pop e rock genuinamente nacional. Mas não há BLUES com identidade brasileira, apesar de alguns bons artistas e ótimas bandas como NUNO MINDELIS e ANDRÉ CRISTOVAM – que chegou a tocar uns tempos com JOHN MAYALL.
Hoje, no mundo inteiro o BLUES continua firme. Procurem escutar SONNY LANDRETH, JOE BONAMASSA, SUSAN TEDESCHI & DEREK TRUCKS, por exemplo. Sem lembrar do “imorrível” ERIC CLAPTON e e da memória do imortal B.B.KING.
Há muito, mas muito mais mesmo a ser dito e infinitamente mais a ser escutado. The BLUES WILL NEVER DIE!

BRIAN PETER GEORGE ST. JOHN LE BAPTISTE DE LA SALLE ENO.

 

O mais deslumbrante nome pelo qual um artista POP foi batizado, ou em parte adotou…

ENO é um artista multimídia de vanguarda, criativo ao extremo, e muito conhecido como produtor, músico e inventor de técnicas de gravação.

Foi além: é escritor, pintor e criador de instalações temáticas em museus, escolas, etc…

BRIAN ENO é o pioneiro da chamada AMBIENT MUSIC. Conceito da MÚSICA ELETRÔNICA CONTEMPORÂNEA para um amálgama de sons não necessariamente interdependentes, mas que podem ser acompanhados individualmente dentro da obra proposta.

Difícil entender?

Então, imagine-se em uma cidade com o trânsito, sirenes, vozes, barulhos diversos, eventos simultâneos e o vasto etc…, mas que você observe e concentre-se em um ou diversos segmentos, e deixe passar o resto…

Na “MÚSICA AMBIENTE” de BRIAN ENO “a participação ativa” do ouvinte é realizada assim. É inovação inusitada!

Mas, a grande obra que realizou, e marca indelével, foi na produção de discos. Da fase BERLIM, de DAVID BOWIE, 1977/1979, ao conceito sonoro mais refinado do U2, em discos como “UNFORGETABLE FIRE”.

Ele avançou para DAVID BYRNE, COLD PLAY e LAURIE ANDERSON, entre incontáveis.

É influência decisiva na obra da BJORK, por exemplo…

BRIAN ENO é seguidor dos princípios e ideias de compositores CLÁSSICOS CONTEMPORÂNEOS, como TERRY RILLEY, KARLHEINZ STOCKHAUSEN e JOHN CAGE.

Seu lado “NÃO – MÚSICO” , como preferia definir-se, participou e criou o ROXY MUSIC, com BRIAN FERRY e PHIL MANZANERA. Gravou com ROBERT FRIPP. E é um dos desenvolvedores do KRAUTROCK contemporâneo, com incontáveis coparticipações em discos, projetos, grupos e associados.

E fez mais; muito e muito mais!

ENO é ativo, enciclopédico e versátil em termos de criação e parcerias.

É um artífice de sonoridades, um “NÃO-MÚSICO” e, talvez, como se auto concebe, um “EVANGELISTA ATEU”.

Com certeza é um “ultra-dotado”; é, seguramente, um gênio!

Em 2019, ele entrou para o ROCK AND ROLL HALL OF FAME, junto com o ROXY MUSIC, de onde “foi saído ” na metade da feitura do álbum “FOR YOUR PLEASURE”, o segundo disco da banda. Brigou com BRIAN FERRY; porque inevitável. Um choque de egos; e concepções musicais não afinadas…

Ele e eu compartilhamos da convicção de que existe uma “certa fatalidade casual”.

ENO conta que, certo dia, aguardando o metrô, conheceu o saxofonista ANDY MACKAY, também fundador do futuro ROXY MUSIC e, papo vai papo vem, foi convidado para ir ao ensaio… e lá integrou-se ao grupo.

E pondera: “Se eu tivesse me posicionado uns dez metros à frente, certamente não o teria conhecido e hoje seria um professor…”

Eu acredito piamente nisso. Porque também comigo acasos tiveram significativas consequências…

Talvez com todos nós isso aconteça.

O BOX que postei, luxuoso e sofisticado, colige sua obra solo entre 1973 E 1993, em dois distintos volumes: VOCAL e INSTRUMENTAL. É um “must” e orgulho de minha coleção.

Aproximem-se de BRIAN ENO. Mas não por acaso.

EBERHARD WEBER & COLOURS – ECM

 

A GRAVADORA “E.C.M” LANÇOU ALGUNS BOXES COM 3 CDS DE CARREIRA DE VÁRIOS DE SEUS CONTRATADOS. ENTRE ELES, TERJE RYPDAL, JAN GARBAREK E GARY BURTON .

OS BOXES SÃO DESPOJADOS, TODOS BRANCOS E UM LIVRETO EXPLICANDO E ANALISANDO OS CONTEÚDOS. FAZEM FALTA AS CAPAS ORIGINAIS DE CADA UM DOS DISCOS MAS, A MÚSICA É SOBERBA!

ESCUTEI, HOJE, TRÊS DISCOS DE EBERHARD WEBER, CONTRABAIXISTA ESPETACULAR QUE VAI ALÉM DA FUNÇÃO BÁSICA DE CUIDAR DO ANDAMENTO E PARTE DO RITMO.

WEBER É ARTISTA SENSÍVEL E ESTILISTA MARCANTE. E SEMPRE ACOMPANHADO POR MÚSICOS DE SEU NÍVEL.

A MÚSICA É SOFISTICADA, PRECISA, MODERNA, E BELÍSSIMA DENTRO DA CARACTERÍSTICA DO JAZZ FRIO QUE OS EUROPEUS CRIARAM DOS ANOS SETENTA EM DIANTE.

OS BOXES NÃO SÃO BARATOS, COMPARATIVAMENTE FALANDO. APESAR DO SUCESSO ARTÍSTICO, A “E.C.M” É GRAVADORA PEQUENA, POR ISSO DEVEM CHEGAR À CASA DE CADA UM DE NÓS POR UNS R$ 275, 00 MANDACARUS. EM TORNO DE $ 55,00.

VALEM OS ESPINHOS!

Z.Z.TOP – THE COMPLETE STUDIO ALBUMS – 1970-1990 E ALGUNS AMERICANOS DE ESTILO.

 

Fosse no BRASIL e teríamos ALCIONE gritando “NÃO DEIXE O SAMBA MORRER”. Lá, no HOSPÍCIO DO NORTE, mais conhecido como Estados Unidos da América (USA, ou EUA, tanto faz..) há defensores das tradições da música negra.

O BLUES tem e sempre teve gente de toda parte preservando seu legado.

Na primeira onda de ostracismo, no início da década de 1960, veio a turma da “PÉRFIDA ALBION”, para fazer o serviço limpo de resgate e conservação desse gênero popular, repleto de sentimentos e intimamente ligado ao POP global.

Nelson Rocha Dos SantosGerson PéricoCesar LimaAyrton Mugnaini Jr.Valdir ZamboniClaudio Finzi FoáGente que gosta de ROCK, o TIO SÉRGIO aqui, por exemplo, e inumeráveis fãs BRASIL adentro e mundo afora, sabem que sem os ingleses não teria havido jogo.

ERIC CLAPTON, OS ROLLING STONES, JOHN MAYALL, KIM SIMMONDS, RORY GALLAGHER, JEFF BECK, ROBIN TROWER e incontáveis, influenciaram novamente os americanos para não esquecerem a herança dolorosa dos negros expressas no BLUES.

É História, é cultura humanitária, existencial; mas, com o tempo, transformou-se em festa jocosa onde quer que seja tocado. Bares de BLUES são alegres… Metamorfose não rancorosa; eficaz!

O Z.Z.TOP, conhecido na minha turma como “DESENTOPE”, nem lembro mais por quê – inspirou-se muito no CREAM, no HUMBLE PIE e no SAVOY BROWN.

Acho justo e normal.

Apesar do BLUES americano dos veteranos modernizadores como B.B.KING, BUDDY GUY, MUDDY WATERS, FREDDIE KING… estar na base de tudo, o que importava, mesmo, era o elemento ROCK; o BLUES/ROCK resultante.

Foi o que fez a turma jovem se divertir, dançar!!! E comprar discos.

É nítido.

Mas, como negar, ou sonegar a força da natureza do lugar, a construção dos mitos, e o advento das várias fusões realizadas e factíveis?

Quer dizer: e JANIS JOPLIN, por exemplo? e HENDRIX?

E assim, chegaram JOHNNY WINTER, STEVE RAY VAUGHAN, e os ALLMAN BROTHERS. Veio BONNIE RAITT; e também o GOV´T MULE, e GEORGE THOROGOOD. Todos contemporâneos do Z.Z.TOP; e todos mais ao sul…

Os texanos BILLY GIBBONS, bom e algo “sustenido” guitarrista; DUSTY HILL, baixista adequado e FRANK BEARD, baterista, se juntaram em 1969. A ideia era fazer BLUES.

Gravaram o primeiro disco em 1970, BLUES ROCK clássico, mais duro, e sem os refinamentos dos ingleses. Foram tateando, tocando a bola. Aprendendo a fazer.

Em alguns momentos, álbuns como TRES HOMBRES e RIO GRANDE MUD deixam entrever resquícios do HUMBLE PIE. E, também, que a direção está apontada para o SOUTHERN ROCK, onde fincaram estacas para, à partir dali, acrescentar as novas informações do BLUES ROCK em moda, no decorrer da carreira.

TEJAS, de 1976, também foi disco de ouro, e algo diferente dos anteriores. Um tanto mais lento e com menos solos…

A excursão mundial para promover o disco foi enorme sucesso: um saldo de 10 milhões de dólares! que permitiu que parassem por dois anos para descansar. Estavam a sete anos no pau contínuo.

O Z.Z.TOP Estava acostumado a fazer 300 shows por ano, o que integrou e melhorou a performance do grupo. Tocavam quase por telepatia.

Nesta adequação, houve sonoridades lembrando bandas como o BAD COMPANY. E, também o SAVOY BROWN, na formulação de um digamos SOUTHERN BOOGIE, com inovações – para o estilo deles – como o uso de “DELAYS” expresso em DEGÜELLO, 1979. Forjaram certa continuidade no inexpressivo EL LOCO, 1981.

Ambos são discos de transição.

E o processo culmina no grande sucesso de vendas do trio, em 1983. Foram, no decorrer do tempo, vendidas mais de 11 milhões de cópias de ELIMINATOR. A última faixa do disco é BAD GIRLS, e tem um RIFF emulando YOU REALLY GOT ME, dos KINKS!

Dá para perceber sonoridades BLUESY mais diluídas em POP, algo do tipo um FOREIGNER mais pesado, sempre ritmado e dançável. E um acento do tipo que a guitarra de ROBIN TROWER veio trazendo para o jogo do BLUES/PROGRESSIVO(?) Seria?

E que tal uma levada à BACHMAN, TURNER OVERDRIVE?

Teria o Z.Z.TOP perdido a essência e o vínculo com suas raízes?

Acho que não. Mas, foram de encontro ao que a maioria de seu público da época gostava.

Dá pra notar que não queriam seguir o conselho de RORY GALLAGHER e tornarem-se o “último dos independentes” americanos.

Eles continuaram a carreira, muito além do que está coligido neste BOX. E com sucesso. Cruzaram a década de 1990, 2000, 2010 e finda em 2020. Mais 40 anos para escutar!!!!

Mesmo após a morte de DUSTY HILL, recentemente, dizem que vão prosseguir. Acho compreensível.

Parar pra quê? Imagino que a falta de DUSTY não elimina os compromissos com o espólio e o passado profissional dele.

Os três estavam juntos há mais de 50 anos. Nenhuma banda conseguiu manter-se por esse tempo sem a troca de participantes. É recorde. É uma empresa.

O BOX valeu a pena comprar. O conteúdo é bom, mesmo não sendo integralmente do meu gosto.

Mas, o preço final pago com a FADINHA MASTERCARD, ficou em torno de $30,00 (trinta BIDENS). Pechincha total: É money pra tomar uma cerveja no bar da esquina. Uns R$ 16,00 MANDACARUS por CD!!!!

O BOX é bonito e bem construído. Mas, não há qualquer livreto explicando… porra nenhuma. Os CDS estão em de MINI LPS, inclusive respeitando a capa dupla em TRÊS HOMBRES; e a tripla para TEJAS. A qualidade melhor do material é superior ao das outras séries populares por aí. Não há design qualquer nos CDS, todos iguais.

O custo de produção é o mais barato possível. Mas, a qualidade de som é adequada. Acho que não houve qualquer remasterização posterior ao lançamento original. E também não há faixas bônus.

Da minha parte, paro por aqui com eles.

Agora, o Z.Z.TOP é o último nome na ordem alfabética de minha coleção, que terminava nos ZOMBIES!

Ninguém irá suplantar o Z.Z.TOP!!! Tenho quase certeza!