PAUL WINTER CONSORT – ICARUS – 1972 – PRODUÇÃO GEORGE MARTIN

Dia desses, recebi outro CD do grupo OREGON, um blend bendito entre a FUSION e a “VANGUARDA JAZZY – WORLD MUSIC”.
Lendo alguma coisa a mais sobre eles, descobri que quase todos haviam tocado com PAUL WINTER; um sax soprano que circundou e gravou muita coisa de BOSSA NOVA e MPB; e circulou WORLD MUSIC afora.
Dei de cara com esse disco na estante; e nem me recordava se havia escutado! Peguei, abri e bingo! (pode ser eureka, também).
Estavam lá PAUL McCANDLESS, sopros; COLIN WALCOTT, percussão; e o guitarrista RALPH TOWNER, o núcleo do OREGON. E, juntos com o baterista BARRY ALTSCHULL, o percussionista e baterista MILT HOLLAND; e DAVID DARLING, violoncelista. Todos no futuro cast da gravadora ECM. Ahhh, BILLY COBHAN ( não vou dizer o que ele toca… ) também participa.
E quem produziu a obra? GEORGE MARTIN; sim , ele mesmo! Fez disco delicioso. E, não sei ao certo onde começa o JAZZ FUSION leve, europeu, da linha ECM; ou, os flertes com o ROCK PROGRESSIVO meio SOFT MACHINE 3, ou do 5 em diante; tudo vem mesclado em incursões ao WORLD JAZZ AFRO.
Talvez o termo NEW AGE seja em parte cabível, indeed! É muito bonito e melodioso. Fiquei alegre e surpreso. Resumindo, é muito criativo e antecipatório de novas tendências. O disco é de 1972
Para completar talvez seja o CD com edição mais antiga em minha coleção. Parece que prensado em 1984, pela subsidiária da CBS chamada LIVING MUSIC, o que explica a qualidade hoje precária do áudio.
Ouçam. É colecionável, algo raro e certamente precioso.
POSTAGEM ORIGINAL: 26/07/2020
Nenhuma descrição de foto disponível.

MARIA MULDAUR – BLUES SINGER – IMPRESCINDÍVEL!

VETERANA, CARREIRA E DISCOGRAFIA LONGAS HONRANDO O MELHOR BLUES FEITO NA AMÉRICA.
MARIA TEM CARACTERÍSTICA RARA E PRECIOSA: VOZ SIMULTANEAMENTE ANASALADA E LÍMPIDA!
A PRODUÇÃO, AQUI, É O QUE HÁ DE CHIC EM GRAVAÇÃO E TÉCNICA: É TELARC; PRECISAS. NADA FALTA. SOBRA O TALENTO INFINDÁVEL DESSA MARIA – QUE NÃO VAI COM AS OUTRAS!
PROCURE. VOCÊ GOSTARÁ!
POSTAGEM ORIGINAL:16/07/2020Nenhuma descrição de foto disponível.

GENESIS – EM TEMPOS DE ROCK PROGRESSIVO: 1969/1974

PETER GABRIEL,TONY BANKS, MICHAEL RUTHERFORD E ANTHONY PHILLIPS se encontraram no final dos anos 1960, na “Chaterhouse Public School”, escola inglesa de alto nível, onde os alunos eram tidos como algo esnobes e diferenciados.
Ao contrário da imensa maioria da turma do ROCK, eles não vieram da classe trabalhadora. Os quatro fundaram o GENESIS com a intenção de compor canções, e não apenas tocar ou mostrar destreza nos instrumentos. O foco era quase literário.
O primeiro álbum, “FROM GENESIS TO REVELATION”, lançado em 1969, lembra muito o “ODISSEY & ORACLE”, dos ZOMBIES, clássico de 1968; e as gravações dos MOODY BLUES na fase próxima a “DAYS of FUTURE PASSED”, 1967/1968.
São melodias muito bonitas, mas não definíveis a qual estilo pertenceriam. É um disco carente de produção elaborada; mas apontando direções. Os fãs e os próprios integrantes do GENESIS simplesmente abominam esse disco!
TIO SÉRGIO gosta!
A banda Fechou com a CHARISMA RECORDS, e nesta fase mantiveram linha sonora não muito diferente, de um disco para outro. As letras são geralmente longas e cheias de sub histórias. Imagino que impusessem aos produtores o que desejavam fazer. Sabiam o que pretendiam…
Mas é claro, se o som não fosse interessante e contemporâneo ao de sua geração e concorrentes, certamente não teriam conseguido o sucesso que obtiveram.
Se observarmos o cenário, eles estão mais próximos dos MOODY BLUES que do YES – a referência usual para compara-los. Menos magia e pirotecnia instrumental, e mais integração entre os componentes do grupo.
Os centros de atenção da banda, na fase PROGRESSIVA, sempre foram os teclados exatos de TONY BANKS, e o vocal e a figura cênica espetaculares de PETER GABRIEL.
Os músicos restantes, adequados e competentes, compunham grupo sólido e coeso, e que deu sustentação a um projeto bastante nítido.
Para testar essa hipótese, ouçam GENESIS LIVE, de 1973. Disco que fecha o ciclo dos nitidamente progressivos. Eles fizeram ao vivo com arranjos quase copiados das gravações de estúdio.
“TREPASS”, de 1970, é o meu Genesis predileto, e o último com o guitarrista ANTHONY PHILLIPS. Depois, com STEVE HACKETT, na guitarra, e PHIL COLLINS na bateria; fizeram “NURSERY CRIME”, 1971 e “FOX TROT”, lançado em 1972. O disco seguinte, “SELLING ENGLAND BY THE POUND”, 1973, os confirmou como astros em ascensão. E, para muitos, é o melhor álbum deles, e abre a transição para outro sucesso de público.
Observem o ano de 1973, um marco na história do ROCK, em que 3 estilos e tendências disputavam a atenção do público:
foi quando o PINK FLOYD lançou “DARK SIDE OF THE MOON”. Época em que o HARD ROCK do
LED ZEPPELIN e DEEP PURPLE; e o HEAVY METAL do BLACK SABBATH estavam no auge. E surgiu, também, o GLITTER ROCK; destacando o sucesso POP de BOWIE, BOLAN e o T.REX, ROXY MUSIC, e outros.
E há tantas intercorrências, consequências e opções; que qualquer artista que lançasse discos, daí para frente, teria de compreender o novo e rico cenário.
Se o PINK FLOYD bombava renovando o PROGRESSIVO, o que fez o GENESIS, em 1974?
O sétimo disco da carreira:
” THE LAMB LIES DOWN ON BROADWAY “, álbum duplo obscuramente conceitual. A maioria das músicas são mais curtas, e as letras mais longas; resultando em inequívoco ROCK PROGRESSIVO, porém mais contido…
É disco bem produzido, enxuto e organizado. Foi o derradeiro com PETER GABRIEL no vocal. E TONY BANKS está menos dominante e mais integrado à banda.
Há, inclusive, um elemento fundamental e desconcertante: BRIAN ENO com seu aparato AVANT-GARDE, e a influência recebida estudando compositores como TERRY RILLEY e PHILLIP GLASS – gente ultra CONTEMPORÂNEA. Ele criou efeitos precisos em algumas faixas esparsas, que diferenciaram o álbum do que o YES, MOODY BLUES, PINK FLOYD e outros vinham fazendo. Ter participado desse álbum do GENESIS firmou o diferencial.
ENO havia brigado com BRIAN FERRY e deixado o ROXY MUSIC anos antes. Vinha de discos solo; e também feito álbuns com ROBERT FRIPP, JOHN CALE, e alternativos PROG daqueles momentos… E, assim, BRIAN ENO forjou a ponte entre o GLAM ROCK e o ART ROCK, que foi opção certeira e historicamente importante.
Em seguida, BRIAM ENO envolveu-se com o KRAUT ROCK, e ajudou a criar a famosa TRILOGIA BERLIM com DAVID BOWIE. E tornou-se capítulo importante na música de vanguarda.
O GENESIS migrou, paulatinamente, para um híbrido POP diferenciado que se poderia considerar ART ROCK; que certamente se tornou o período de maior sucesso comercial da banda.
Resumindo o imperfeito: viver e navegar não são precisos! Mas curtir o GENESIS é necessário, agradável, e muito estimulante.
POSTAGEM ORIGINAL: 23/07/2020Nenhuma descrição de foto disponível.

O PIANO E SUAS VANGUARDAS EM DOIS CONCEITOS

Se você quiser construir uma casa, é bom pensar o projeto desde o início.
Supondo-se que já exista o terreno e uma certa grana disponível, a próxima atitude é “ESBOÇAR” o que pretende. Ter ideia básica de tamanho e funcionalidades.
Em seguida, contrate um arquiteto para refinar o projeto, torna-lo o mais exato possível à sua necessidade, beleza e intenção. Com isso, “o espírito da tua vontade ” toma a sua primeira materialidade formal. Mas antes de pôr mãos à obra, há um terceiro passo imprescindível: a elaboração de um PROJETO EXECUTIVO, onde tudo estará definido: os roteiros, etapas, prazos, custos, etc.
Agora, observe as semelhanças com a COMPOSIÇÃO MUSICAL ESCRITA. Principalmente na MÚSICA CLÁSSICA, por aqui conhecida como ERUDITA.
O COMPOSITOR tem uma ideia, desenvolve e sugere a melodia. Em seguida, vai escrevendo a PARTITURA, onde constam o ritmo, o andamento, harmonias… Estabelece no curso desta CONSTRUÇÃO outros elementos constituintes que procuram expressar o que ele esboçou.
A PARTITURA É O PROJETO EXECUTIVO DA MÚSICA!
O local onde as orientações para a execução da obra estarão definidas. É o parâmetro para a SENSIBILIDADE de cada músico, e a correta regência do maestro realizarem a intenção do COMPOSITOR.
Se na MÚSICA ESCRITA é possível orientar para que não se improvise, na vida e na arte nem sempre é possível, necessário, ou até desejável que isto ocorra. O acaso e a criatividade contam e também constroem.
Dia desses, comprei CDS na lojinha do SESC de São Paulo. Um deles deixou-me fascinado! “PIANO PRESENTE”, 2013, da exímia pianista, pesquisadora e professora JOANA HOLANDA; é obra de ousadia exata e planejada.
O PIANO é a maior invenção musical da humanidade, leio na apresentação do álbum. É instrumento de incontáveis recursos. Nele, é possível “reproduzir tudo”; o que o torna ideal para criar composições, ajustar ideias, e até conceber iconoclastias várias.
O PIANO É UMA ORQUESTRA EM SI MESMO.
JOANA neste seu único disco – pelo que sei – grava composições de NOVE autores da vanguarda musical CLÁSSICA CONTEMPORÂNEA brasileira ( vá lá, ERUDITA, como se prefere no Brasil ) abrindo mentes e possibilidades para um gênero difícil, pouco divulgado e necessariamente elitista – ao menos em um primeiro momento….
JOANA HOLANDA expõe o trabalho deles como foram escritos, e nos faz perceber as dificuldades técnicas impostas por cada uma das obras escolhidas. Os COMPOSITORES são todos professores universitários de música, renomados em suas respectivas cátedras, e atuantes em sala de aula e recitais.
É instigante perceber, em cada uma das obras, as linhas que as compõe, os impasses em que chegam, e as soluções encontradas. Todas pensadas para fugir de algum desfecho óbvio, vez por outra parecendo inevitáveis.
Um dos papéis da ESCRITA MUSICAL é controlar os impasses, exibir soluções; portanto, procurar não perder o artístico que sempre se reivindica. E ajudar a encontrar o diferente, mesmo quando “NÃO NOVO” – se me expressei de maneira inteligível.
Quanto à intérprete, é pianista estudiosa, competente e dedicada à música ERUDITA DE VANGUARDA CONTEMPORÂNEA brasileira. JOANA literalmente estuda e dedilha o instrumento buscando expressar o inédito, com seus detalhes e armadilhas; é difícil. É como recriar, e não apenas armar um quebra-cabeças. Encaixando as peças adequadamente com fluidez, ritmo; e, muito importante, naturalidade. É preciso ser craque para transmutar o lido e pensado na PARTITURA em espontaneidade artisticamente reconhecida.
JOANA HOLANDA pertence ao universo de outras duas professoras brasileiras fundamentais: JOCY DE OLIVEIRA, a pioneira no BRASIL da música ELETROACÚSTICA. E MARISA REZENDE, pianista e compositora CLÁSSICA DE VANGUARDA, também representada nesse disco, e com extensa obra escrita e gravada.
Realizar esse trabalho imenso requer apoio. Compor e dedicar-se à MÚSICA DE VANGUARDA, ou a qualquer outra ARTE DE PONTA, é atividade com riscos de mercado evidentes. E só pode ser realizada se houver incentivos e subvenções oficiais, de INSTITUIÇÕES NÃO GOVERNAMENTAIS, como o SESC. Ou de a gatos pardos dedicados ao mecenato.
É também, necessariamente, permeada pelo mérito. Mas, é preciso descobrir os talentosos ou esforçados nas escolas e ambientes propícios. Portanto, é imprescindível incentivar, desenvolver e financiar uma certa postura de iconoclastia consciente para atingir outro nível de criatividade.
Criar arte do futuro exige um sentido de cidadania que hoje, no BRASIL, está em falta
E isso nos leva à hipótese de que A MÚSICA CLÁSSICA CONTEMPORÂNEA seja a antítese da IMPROVISAÇÃO JAZÍSTICA.
Ambas são plenas de criatividade. Porém, a atitude frente o piano, é fundamental.
JOANA HOLANDA, obviamente não é e nem pretende ser KEITH JARRETT, CHICK COREA ou HERBIE HANCOCK. Mas na coletânea PIANO 1 estão outros pianistas também chegados ao JAZZ FUSION, e de criatividade variada:
Temos o consagrado RYUICHI SAKAMOTO, que trabalhou de TOM JOBIM a DAVID SYLVIAN, passando por outros mundos. EDDIE JOBSON, conhecido pela turma do ROCK também como violinista; esteve com o CURVED AIR e o ROXY MUSIC;
E JOACHIM KUHN, um craque alemão com vários discos gravados para ECM; aqui fazendo versão criativa da “internacional-brega” “FEELINGS”.
Ah, a versão dele ficou bem legal!
Então, deem uma chance à Professora JOANA e seus múltiplos conhecimentos. Vocês não se arrependerão!
POSTAGEM ORIGINAL: 22/07/2022Pode ser uma imagem de 1 pessoa

MOODY BLUES – EM OITO DISCOS DE TIRAR O FÔLEGO, LANÇADOS ENTRE 1967 E 1978 – EDIÇÕES JAPONESAS

OS MOODY BLUES SÃO CONTEMPORÂNEOS DE GERAÇÃO E INGLESES COMO “THE BEATLES”. INICIARAM CARREIRA COM O BEAT/R&B, EM 1964, MAS SEM GRANDE EXPRESSÃO. GRAVARAM UM BOM “LONG PLAY”, EM 1965, “THE MAGNIFICENTS MOODIES, E UMA SÉRIE DE SINGLES DE ALGUM PRESTÍGIO E VENDAS. ESTAVAM PELA BOLA SETE NO BILHAR DA CARREIRA, QUANDO, EM 1967, FIZERAM RADICAL MUDANÇA DE RUMO ARTÍSTICO.
A ENTRADA DO GUITARRISTA “JUSTIN HAYWARD”, NO LUGAR DE “DANNY LANE” – QUE FEZ LONGA TRAJETÓRIA TOCANDO INCLUSIVE COM “PAUL McCARTNEY”, NOS WINGS -; E DE “JOHN LODGE”, NO BAIXO; FOI DEFINIDORA E DEFINITIVA PARA O REINÍCIO DE CARREIRA COM ENORME ÊXITO, NAS DÉCADAS DE 1960, 1970 E 1980, PRINCIPALMENTE…
ESTÁ AQUI UMA DAS COLEÇÕES QUE TENHO DOS MOODY BLUES, SÃO EDIÇÕES ESPECIAIS JAPONESAS. ÁLBUNS TODOS DE EXCELENTE NÍVEL TÉCNICO E ARTÍSITICO; E OS DOIS PRIMEIROS SEMINAIS:
“DAYS OF FUTURE PASSED”, DE 1967, É O MARCO ZERO DO “ROCK PROGRESSIVO SINFÔNICO”. E “IN SEARCH OF THE LOST CHORD”, DE 1968, É FUSÃO DE PSICODELIA E TEMAS ORIENTAIS. FOI ELEITO PELA REVISTA “RECORD COLLECTOR”- A MINHA BÍBLIA E REFERÊNCIA PARA O COLECIONISMO -, ENTRE OS DEZ DISCOS MAIS IMPORTANTES D0 ROCK PSICODÉLICO INGLÊS.
TAMBÉM NA FOTO, “A QUESTION OF BALANCE”, 1970, O PRIMEIRO DISCO A FALAR ABERTAMENTE SOBRE TEMAS ECOLÓGICOS; É MAGNÍFICO POR ELE MESMO; É “ROCK PROGRESSIVO” MELÓDICO, E AGRADA A TODOS; PORÉM É MENOS EXPERIMENTAL.
OS DISCOS “ON THE TRESHOLD OF A DREAM”, 1969; “TO OUR CHILDREN, CHILDREN, CHILDREN”, 1970; “EVERY GOOD BOY DESERVES FAVOUR”, 1971; SEVENTH SOUJORN, 1972, SÃO IGUALMENTE ESPETACULARES.
MUITOS NÃO CONSIDERAM BOM “OCTAVE”, 1978, DA MESMA SAFRA. MAS É O ÚLTIMO COM A FORMAÇÃO ORIGINAL DE GRANDE SUCESSO. DEPOIS DELE, O TECLADISTA MIKE PINDER DEIXOU A BANDA, MAS CONTINUOU SÓCIO NOS BASTIDORES, CUIDANDO DOS “NEGÓCIOS” E AJUDANDO NA PRODUÇÃO.
O CONJUNTO DA OBRA DESTA FASE MERECE UM ENSAIO MAIS AMPLO PARA CADA UM DOS DISCOS. POIS TÊM TEMÁTICA E CONCEPÇÕES PRÓPRIAS; EXPLORANDO NOVIDADES TÉCNICAS, E COMBINADAS AO REQUINTE DAS PRODUÇÕES DE “TONY CLARKE”, E A EXECUÇÃO INSTRUMENTAL DE ALTA QUALIDADE ARTÍSTICA.
OS VOCAIS SUBLIMES DO GUITARRISTA “JUSTIN HAYWARD” E DO FLAUTISTA “RAY THOMAS”, EM HARMONIA COM AS VOZES DO BATERISTA “GREAME EDGE”; DO BAIXISTA “JOHN LODGE”; E O TECLADISTA “MIKE PINDER”, FORMAM ENTRE OS MELHORES DA HISTÓRIA DO ROCK. SÃO DESTAQUES E PARTE DA RAZÃO DE EXISTIR E DO GRANDE SUCESSO DA BANDA.
MUITOS CRITICAM OS “MOODIES” PELA INCONSTÂNCIA NA QUALIDADE DAS LETRAS. A EXPLICAÇÃO, AO MEU VER, É A ENORME DEMANDA DO MERCADO AMERICANO, ONDE O PÚBLICO OSCILA ENTRE O GOSTO PELO QUASE BREGA E SIMPLISTA; E AS COISAS SUBLIMES QUE FIZERAM COMO”NIGHTS IN WHITE SATIN” E “TUESDAY AFTERNOON”.
EXEMPLO COMPARATIVO CLARO É A “BOSSA NOVA”. NO COMEÇO, “NORMAN GIMBEL”, O LETRISTA PARA AS VERSÕES INGLESAS DE “TOM JOBIM”, “JOÃO GILBERTO”, E OUTROS, JAMAIS ESTEVE `A ALTURA DA QUALIDADE POÉTICA DOS ORIGINAIS!!
OS DISCOS POSTERIORES A 1978 SÃO CONVERSAS DIFERENTES QUE FICARÃO PARA OUTRA OCASIÃO.
OS MOODY BLUES FORAM GRANDES E FIZERAM ENORME SUCESSO COMERCIAL E DE CRÍTICA, PRINCIPALMENTE NOS ESTADOS UNIDOS; ONDE ATÉ HOJE ENCHEM TEATROS QUANDO FAZEM CADA VEZ MAIS RARAS EXCURSÕES; E AGORA, LIMITADOS A “LODGE” E “HAYWARD” – OS DOIS SOBREVIVENTES DA FORMAÇÃO CLÁSSICA – JÁ SEM O BRILHO DE ANTES, PORQUE PRÓXIMOS A 80 ANOS DE IDADE.
DADO PITORESCO: O NOME DA FILHA DE JUSTIN HAYWARD É “DOREMI”, AS TRÊS NOTAS MUSICAIS EM SEQUÊNCIA! HOMENAGEM E VOTO DE FÉ MAIOR EU NÃO CONHEÇO!
POSTAGEM ORIGINAL: 22/07/2023Pode ser uma imagem de texto

TONY BENNETT, A “VIAGEM SENTIMENTAL” E OUTROS BEM VOTADOS QUE NOS DEIXARAM

Há 30 anos eu recebo religiosamente a revista RECORD COLLECTOR, minha bíblia mensal para ficar atualizado com a música e seu vasto mundo.
Por “VÍCIO INERENTE” – meu, é claro! -; e sentado toda manhã em local adequado e recorrente, hummm…., dou olhada na revista.
Hoje, chegou o último número e fui direto à “NOT FORGOTTEN”, a sessão de obituários, para render homenagens e memórias aos abatidos no duro enduro da vida no mercado da música.
De cara, na primeira página das despedidas encontro, certamente por ordem de importância para os ingleses, TONY MCPHEE, guitarrista e frontman dos GROUNDHOGS, 79 anos; em seguida PETE BROWN, 82, músico, poeta e letrista do CREAM, e principalmente de JACK BRUCE. E, também, a talvez mais bem sucedida comercialmente de todos eles, a nossa RITA LEE, que mudou para o andar de cima, aos 75 anos.
São artistas notáveis e merecedores de nossas condolências e saudades. Todos eles!
Como a vida e portanto a morte não nos dão folga, partiu TONY BENNETT, aos 96 anos. O mais velho da safra que saiu do mercado. Ele foi um pouco depois de JOÃO DONATO, outro vinho “VINTAGE” de safra espetacular e consagrada.
Que a triagem ao Paraíso seja breve e certeira com todos eles.
AMÉM!
Vou falar um pouco de BENNETT, que tinha um vozeirão. Revirando estantes, percebi que não tenho discos dele. Apenas duas faixas com a orquestra de PERCY FAITH: a estreia, em 1952, foi “BECAUSE OF YOU”, um clássico “VINTAGE”, romântico e insalubremente adocicado, desses que os mais jovens não conhecem e não lhes faz falta. E, “JUST IN TIME”, 1957.
Aliás, quem quiser descer à cova iluminada do POP AMERICANO feito entre 1942 e 1959, deve buscar os 4 CDS que compõem o box “SENTIMENTAL JOURNEY”, lançado pela RHYNO RECORDS em 1993.
A maioria são cantores brancos.
Estão lá, entre vários diversos, a geração dos grandes cantores descendentes de italianos: SINATRA, VIC DAMONE, DEAN MARTIN, AL MARTINO e ANTHONY DOMINIC BENEDETTO, oops!!!!! o nosso TONY. Os que assistiram ao “O PODEROSO CHEFÃO” entenderão as possíveis conexões com a MÁFIA, e outros fatos poliíticos e culturais.
O HIT mais reconhecido e apreciado de TONY BENNETT, foi gravado em 1962. “I LEFT MY HEART IN SAN FRANCISCO” é considerado JAZZ por alguns! – Sei lá, Seria? – Curiosamente, TONY jamais viveu na CALIFÓRNIA. Era da costa leste, NOVA YORK e vizinhanças.
Na década de 1950, BENNETT foi aconselhado a fugir do “MAINSTREAM” do POP romântico habitual, e “trasfegar” o seu talento para proximidades do JAZZ e do POP mais contemporâneo.
Ele fez.
No decorrer da carreira, gravou com BILL EVANS, COUNT BASIE, e outros mais identificados com o JAZZ. Modificou, e aprimorou a forma de cantar. Deixou o meloso habitual da sua geração por um canto mais firme, algo rústico, vizinho da “BLACK MUSIC”;
BLUESY? talvez!
BENNETT assumiu um jeito mais contemporâneo de fazer os “STANDARDS” de grandes compositores do “AMERICAN SONGBOOK” – COLE PORTER, GERSHWIN, BERLIN, etc…
E também do POP de épocas subsequentes, o que lhe rendeu fãs no decorrer dos tempos.
TONY gravou com AMY WINEHOUSE, DIANA KRALL, e incontáveis da modernidade. Convidou ROBERTO CARLOS para dueto em seus “discos – tributos”. Não rolou por causa de agenda. Então, foi de ANA CAROLINA e MARIA GADU, mesmo.
Todos gostavam pessoalmente dele. Era um sujeito legal, simpático, acessível. TONY fez discos de muito sucesso com LADY GAGA, e os dois saíram em concerto pelo mundo. Era artista de muitos talentos: pintava e muito bem! Tem obras espalhadas por museus e coleções.
Não consegui contar quantos discos ele gravou. Li que fez mais de 70 LONG PLAYS, em mais de 70 anos de atividade! Eu não apurei a quantidade real; difícil de fazer devido aos percalços de sua carreira longa, etc…TONY vendeu mais de 60 milhões de discos.
Eu não sei exatamente porque não tenho discos dele! Talvez suas características como intérprete não me tenham feito nota-lo melhor… É uma falha, admito. Mas, em tempo de corrigir.
BENNETT é um grande ícone, e foi cantor de primeiro time.
Para se viver bem e com equanimidade é necessário ser justo e reconhecer talentos. Mesmo gostando mais de outros artistas.
Eu prefiro FRANK SINATRA.
Pode ser uma imagem de 10 pessoas e texto
Curtir

 

Comentar

TONY BENNETT, O ÍCONE POP SUPREMO – DA “VIAGEM SENTIMENTAL” À “TURNÊ FINAL”

Há 30 anos eu recebo religiosamente a revista RECORD COLLECTOR, minha bíblia mensal para ficar atualizado com a música e seu vasto mundo.
Por “VÍCIO INERENTE” – meu, é claro! -; e sentado toda manhã em local adequado e recorrente, hummm…., dou olhada na revista.
Hoje, chegou o último número e fui direto à “NOT FORGOTTEN”, a sessão de obituários, para render homenagens e memórias aos abatidos no duro enduro da vida no mercado da música.
Como a vida e portanto a morte não nos dão folga, TONY BENNETT, partiu em 21 de julho de 2023, aos 96 anos. Ele era o vinho fino mais velho da safra que saiu do mercado. Levantou voo um pouco depois de JOÃO DONATO, outro “VINTAGE” desta safra espetacular e consagrada.
Que a triagem ao Paraíso lhes seja breve e certeira.
AMÉM!
Vou falar um pouco de BENNETT, que tinha um vozeirão. Revirando estantes, percebi que não tenho discos dele. Apenas duas faixas com a orquestra de PERCY FAITH: a estreia, em 1952, foi “BECAUSE OF YOU”, um clássico “VINTAGE”, romântico e insalubremente adocicado, desses que os mais jovens não conhecem e não lhes faz falta. E, “JUST IN TIME”, 1957.
Aliás, quem quiser descer à cova iluminada do POP AMERICANO feito entre 1942 e 1959, deve buscar os 4 CDS que compõem o box “SENTIMENTAL JOURNEY”, lançado pela RHYNO RECORDS em 1993.
A maioria são cantores brancos. Estão lá, entre vários diversos, a geração dos grandes cantores descendentes de italianos: SINATRA, VIC DAMONE, DEAN MARTIN, AL MARTINO e ANTHONY DOMINIC BENEDETTO, oops!!!!! o nosso TONY. Os que assistiram ao “O PODEROSO CHEFÃO” entenderão as possíveis conexões com a MÁFIA, e outros fatos políticos e culturais.
O HIT mais reconhecido e apreciado de TONY BENNETT, foi gravado em 1962. “I LEFT MY HEART IN SAN FRANCISCO” é considerado JAZZ por alguns! – Sei lá, Seria? – Curiosamente, TONY jamais viveu na CALIFÓRNIA. Era da costa leste, NOVA YORK e vizinhanças.
Na década de 1950, BENNETT foi aconselhado a fugir do “MAINSTREAM” do POP romântico habitual, e “trasfegar” o seu talento para proximidades do JAZZ e do POP mais contemporâneo.
Ele fez.
No decorrer da carreira, gravou com BILL EVANS, COUNT BASIE, e outros mais identificados com o JAZZ. Modificou, e aprimorou a forma de cantar. Deixou o meloso habitual da sua geração por um canto mais firme, algo rústico, vizinho da “BLACK MUSIC”;
BLUESY? talvez!
BENNETT assumiu um jeito mais contemporâneo de fazer os “STANDARDS” de grandes compositores do “AMERICAN SONGBOOK”, gente em nível de COLE PORTER, GERSHWIN, BERLIN, etc… E também do POP de épocas subsequentes, o que lhe rendeu fãs no decorrer dos tempos.
TONY gravou com AMY WINEHOUSE, DIANA KRALL, e incontáveis da modernidade. Convidou ROBERTO CARLOS para dueto em seus “discos – tributos”. Não rolou por causa de agenda. Então, foi de ANA CAROLINA e MARIA GADU, mesmo…
BENNETT era artista de muitos talentos: pintava e muito bem! Tem obras espalhadas por museus e coleções pelaí. Todos gostavam pessoalmente dele. Era um sujeito legal, simpático e acessível. TONY fez discos de muito sucesso com LADY GAGA, e os dois saíram em concerto pelo mundo. Aliás, foi a última turnê dele.
Não consegui contar quantos discos gravou. Li que fez mais de 70 LONG PLAYS, em mais de 70 anos de atividade! Eu não apurei a quantidade real; difícil de fazer devido aos percalços de sua carreira longa, etc…TONY vendeu mais de 60 milhões de discos.
Eu não sei exatamente porque não tenho álbuns dele! Talvez suas características como intérprete não me tenham feito notá-lo melhor… É uma falha, admito. Mas, em tempo para ser corrigida.
BENNETT é um grande ícone POP, e foi cantor de primeiro time.
Para se viver bem e com equanimidade, é preciso ser justo e reconhecer os talentos, mesmo gostando mais de outros artistas contemporâneos a ele.
Eu prefiro FRANK SINATRA
Pode ser uma imagem de 1 pessoa, toca-discos e texto
POSTAGEM ORIGINAL AGORA REDEFINIDA: 21/07/2023

CHET BAKER – O PARADIGMA DO CANTO POP MODERNO

FALAR BEM DO CHET É FÁCIL: MODELO PARA GÊNIOS COMO CAETANO E JOÃO GILBERTO, E INCENTIVO PARA QUALQUER UM COM VOZ DE PEQUENA EXTENSÃO CANTAR.
CHET LIBEROU “EXISTENCIAL E CONCEITUALMENTE” PARA GENTE TIPO ERIC CLAPTON, NARA LEÃO, E UMA CORDILHEIRA DE OUTROS TALENTOSOS QUE SERIAM POSTOS DE LADO, POR CAUSA DAS VOZES LIMITADAS.
BAKER ERA UM CARA BONITO. MAS, O CONSUMO DE DROGAS INJETÁVEIS DESTRUIU E TORNOU SUA CARA MAIS VINCADA DO QUE A DO KEITH RICHARDS!UM DIA, DESPENCOU DA JANELA DE UM HOTEL, E “REALIZOU” SUA MORTE QUE “SEMPRE OCORRERA”.
POBRE E SENSÍVEL CHARLES BAKER!
CRÍTICAS LHES SOBRAVAM: AUTO-DESTRUTIVO, ERRÁTICO, E O MONTE DE ADJETIVOS E MALEDICÊNCIAS QUE SE POSSA LEMBRAR, OU LHE IMPUTAR. PORTANTO, SER JUSTO COM CHET TRANSCENDE A DECÊNCIA E A NECESSÁRIA EMPATIA E COMPAIXÃO:
ELE ERA MUITO ALÉM DO TALENTOSO. FOI TROMPETISTA CLASSE MUNDIAL, TOCAVA O FINO E COM ESTILO, ALÉM DE COMPROVADO PARADIGMA DE MODERNIDADE NO CANTO.
CHET BAKER ERA MUITO PRODUTIVO, APESAR DE SEUS NOTÓRIOS PROBLEMAS. GRAVOU BASTANTE; LEGOU BELEZAS INDISCUTÍVEIS.
NA FOTO, PARTE DOS DISCOS QUE TENHO EM MINHA COLEÇÃO. ELE VAI VAI SOBREVIVER A TODOS NÓS. ESCUTÁ-LO É CONTATAR O DIVINO! É DISTINGUIR UM GÊNIO NA TORMENTA, EM SUA VIAGEM INTERMINÁVEL AO SOFRIMENTO. É PARTE DA CONTÍNUA REDENÇÃO QUE OUTRAS GERAÇÕES CERTAMENTE VERÃO.
CHET BAKER É IMPRESCINDÍVEL!
Nenhuma descrição de foto disponível.
POSTAGEM ORIGINAL: 20/07/2017
Todas as reações:

Elvio Paiva Moreira, Rodrigo Marques Nogueira e outras 19 pessoas

RARIDADES, COLECIONADORES, CÃES E GATOS

TRÊS ANIMAIS DE INSTINTOS AGUÇADOS: SENTEM CHEIROS, E VÃO ATRÁS DAS CAÇAS. OS GATOS, OUVI DE UMA VETERINÁRIA, DEIXAM TUDO E PERSEGUEM UM CHEIRO QUALQUER QUE LHES INTERESSOU POR QUILÔMETROS, DIAS…E OS CÃES FAREJAM, ENCONTRAM, APONTAM…E OS COLECIONADORES FAZEM MAIS OU MENOS A MESMA COISA: CORREM ATRÁS OBSESSIVAMENTE DE UMA IDEIA, UM SOM, UM LIVRO, UM SEI LÁ O QUÊ…POR DÉCADAS… NO MEU CASO, CISMO COM DETERMINADA MÚSICA MUITAS VEZES OUVIDA POR AÍ TRINTA, QUARENTA, CINQUENTA ANOS ATRÁS…
OS DISCOS DA POSTAGEM SÃO EIVADOS POR CANÇÕES MEMORÁVEIS – AO MENOS PARA MIM… E ILUSTRAM O TEXTO.
ESCUTEI AO LONGO DA VIDA INCONTÁVEIS MELODIAS, E NÃO ESQUECI. EU NÃO SABIA QUEM ERAM OS ARTISTAS, ONDE ESTAVAM AS GRAVAÇÕES, MAS FUI BUSCAR, TENTAR CONSEGUIR. DESDE CRIANÇA, ALGUMAS IMPREGNAM MINH’ALMA, SE INSTALAM NA CABEÇA, E TOCAM DURANTE ANOS DENTRO DO CÉREBRO. SÃO “COISAS” QUE, “ACHO, TENHO CERTEZA”, DE CERTA MANEIRA EU OUVI…
ANTES DA INTERNET ERA MUITO DIFÍCIL ENCONTRAR OS DISCOS. EU EXERCITAVA UM JOGO DE MEMÓRIA E COMPARAÇÕES PARA TENTAR CONCLUIR QUEM ESTARIA CANTANDO, TOCANDO… ESSAS COISAS.
NO FINAL DOS ANOS 1960, COMPREI POR PREÇO EXTORSIVO TRÊS “FITAS K7”, GRAVADAS POR UM SUJEITO QUE TINHA GRANA E ACESSO A DISCOS E TAPES. SEI LÁ COMO CHEGUEI ATÉ O CARA! JOAQUIM ERA UM “PLAYBOY” CURTIDOR DA NOITE E POSSUÍA UM AMONTOADO DE COMPACTOS E TAPES IMPORTADOS, E OS TOCAVA EM BOATES DA MODA – LUGARES ONDE JAMAIS ESTIVE -, E DEPOIS SE PERDERAM NA CACHOEIRA DOS TEMPOS.
AS MÚSICAS FORAM CAPTADAS ESSENCIALMENTE DA PARADA AMERICANA, EM ALGUM MOMENTO DETERMINADO DAQUELES TEMPOS. COISAS ESCONDIDAS, ESCORREGADAS NO PICK-UP DE UM D.J. ANÕNIMO, EM RECANTO QUALQUER DA AMÉRICA, E QUE MAL ATINGIAM A PARADA NACIONAL!!! AMONTOADOS DE LIXOS E PRECIOSIDADES CONVIVENDO LADO A LADO, E JOGADAS PELAÍ.
ERAM TEMPOS E ACESSOS DÍFICEIS; E, COMO SEMPRE, IMPERMANENTES, SURPREENDENTES, COALHADOS POR DISCOS LEGAIS QUE NINGUÉM CONHECIA. E A IMENSA MAIORIA PERMANECEU NO LIMBO.
POIS BEM, COMPREI MUITA COISA POSTERIORMENTE, E OUTRAS NÃO ME INTERESSARAM. PORÉM, ALGUMAS PASSEI DÉCADAS PROCURANDO, E FUI DESCOLANDO AOS POUCOS.
CERTO DIA, UNS VINTE E POUCOS ANOS ATRÁS, LENDO MATÉRIA NA “RECORD COLLECTOR” SOBRE UM PRODUTOR DOS ANOS 1960, “CURT BOETTCHER”, O JORNALISTA CITAVA O HIPOTÉTICO NOME DA MÚSICA… “MRS. BLUE BIRD”…
ERA UMA DE MINHAS MEMÓRIAS! FUI ATRÁS, ESCUTEI E COMPREI O CD DOS “ETERNITY´S CHILDREN”, DELICIOSO SUNSHINE POP PARA QUEM APRECIA “MAMAS & THE PAPAS”, VIU@Antonio MolitorClaudio Finzi Foá
DESCOBRI, TAMBÉM, CERTA MÚSICA NO PRIMEIRO LP DO “BLOOD SWEAT & TEARS”, “CHILD IS A FATHER TO THE MAN”: “MORNING GLORY” É UM ENCANTO. ENCONTREI MAIS UMA COM O “VANILLA FUDGE”, “SOME VELVET MORNING”; OUTRA COM O GRUPO “OHIO EXPRESS”, “BEG BORROW & STEAL” (SENSACIONAL!); E UM LADO B ESPETACULAR, “I SEE THE LIGHT”, DA BANDA “GARAGE-FAKE” “THE MUSIC EXPLOSION”; ENTRE DIVERSAS, SURGINDO FEITO ESPINHA NA CARA DE ADOLESCENTE…
PROCUREM CONHECER “THE GOODEES”, TRIO DE MULHERES BRANCAS, QUE GRAVOU UM “PSICHEDELIC SOUL” MATADOR CHAMADO “CONDITION RED” , NA LINHA DE “NATHAN JOHN”, EXCELENTE E QUASE SUCESSO DAS “SUPREMES”. PEGUEI, TAMBÉM!
FALTARAM UMAS TRÊS OU QUATRO NAQUELAS FITAS QUE JAMAIS DESCOLEI; E, CONFESSO, TENHO “RETROGOSTO AUDITIVO” – HUMMM!!! – APENAS DE UMA; E NÃO FAÇO IDEIA DO QUE SEJA, ERA VIOLENTÍSSIMA PARA 1968!
NO MAIS, CACEI E COMPREI O QUE APARECEU NA MINHA FRENTE. TENHO COLETÂNEAS MIL DE “NUGGETS” E “BANDAS DE GARAGEM”.
NO ENTANTO, HOUVE COISAS ESCUTADAS SEI LÁ ONDE, E QUE FAZEM PARTE DO REPERTÓRIO DE BANDAS COMO “SOUTHWEST FOB”, “FORUM QUORUM”, “THE GOODEES”, “THE HOBBITS”, “NEW COLONY SIX”, “BEAU BRUMMELS”…, ENCONTRADAS NO CHEIRO E NA RAÇA, EM DÉCADAS DE CHUTES, CARPINAGENS POR SEBOS, LIVROS, ACASOS E O VASTO ETC… QUE VIDA PROPORCIONA.
FAZ MAIS DE UMA DÉCADA QUE DESCOBRI OUTRA CANÇÃO QUE ME TORTURAVA DESDE 1971… OUVI EM UM FILME BANAL NA T.V., E IMPREGNOU A IMAGINAÇÃO… DESCANSANDO CERTA NOITE, A MÚSICA INVADIU MEU CÉREBRO, E TIVE A IDEIA DE POSTAR NO GOOGLE UM TRECHO DA LETRA QUE RECORDEI. INFORMEI APROXIMADAMENTE A ÉPOCA, E QUE PODERIA ESTAR EM ALGUMA TRILHA SONORA. E – VÁ LÁ – BINGO!!!
ENCONTREI! É UM FILME FRANCÊS CHAMADO “UN BEAU MONSTRE”, A MÚSICA SE CHAMA “STAY”, E FOI GRAVADA POR UM GRUPO “POP/PROGRESSIVO” BELGA QUASE FAMOSO NA ÉPOCA: “WALLACE COLLECTION”. A MÚSICA É BABA PURA E HOJE PARECE-ME UM TANTO ÓBVIA… MAS, O QUE IMPORTA, NÃO É MESMO? DESCOBRI, E ESTÁ GUARDADINHA EM MINHA DISCOTECA!
OS QUE APRECIAM O POP DAQUELES TEMPOS VÃO GOSTAR MUITO. MAS, CUIDADO COM O DIABETES, O EXCESSO DE AÇÚCAR PODE MATAR…
POSTAGEM ORIGINAL: 20/07/2022Pode ser uma imagem de 5 pessoas

JOÃO DONATO E A DANÇÁVEL E SOFISTICADA FUSION LATIN-JAZZ, BOSSA NOVA, MPB, FUNK, etc…

Vou começar por uma historinha meio cafajeste.
Até uns 15 anos atrás, alguma conversa imprópria era admissível em rodas masculinas. Vez por outra, confissão de ousadias, ou meros comentários sem fundamentos apareciam após ingestão excessiva de álcool.
Numa dessas, a moça chegou e cumprimentou geral; beijou alguém no grupo, e foi embora.
O incerto alguém comentou olhando o rastro do rabo do cometa que partira; “pois, é: era linda! Hoje, virou nome possível pra música do JOÃO DONATO: “EMBARANGÔ”!!!
Alguns risos, e sei lá se alguém compreendeu a “metonímia sórdido-sofisticada”: O DONATO tem música chamada “EMORIÔ”, o nome sonoro de um de seus clássicos, e que nada tem com o
neologismo criado pelo colega.
Embarangar, viria de baranga… uma ofensa injustificável sob qualquer pretexto…
Voltando à parte séria do meu discurso, postei aqui os discos que tenho dele. Talvez insuficientes para forjar uma ideia mais clara da produção artística do JOÃO. Mas, vou tentar..
Talvez seja adequado dizer que os dois pianistas mais importantes da MPB contemporânea tenham sido TOM JOBIM com suas harmonias. E JOÃO DONATO e sua visão alargada, e capacidade de criar ritmos e andamentos através do instrumento.
Assim como os violonistas JOÃO GILBERTO e ROBERTO MENESCAL pela paternidade e difusão da moderna MPB.
JOÃO DONATO era um músico superdotado.
Mas, não gostava de poesia, da mesma forma que o poeta JOÃO CABRAL DE MELO NETO não ligava para música. CABRAL era indivíduo sério, escrevia seco e pungente.
DONATO era musical, intuitivo, leve e solto. E teve diversos parceiros de escrita. Alguns geniais como CAETANO VELOSO, GILBERTO GIL, VINÍCIUS DE MORAES e CHICO BURQUE de HOLANDA.
O que faltava para DONATO sobrava em seus parceiros, e vice-versa. E a ponto de CAETANO ter feito música citando veladamente, em versos precisos, os dois “JOÃOS”.
O dom da palavra conjugado à constante e inevitável presença da música é essencial para os brasileiros.
Porém, JOÃO DONATO não canta bem. Jamais cantou. Tem voz inexpressiva, inadequada; o que também não importa – é só minha opinião. O seu forte foi a composição e os arranjos musicais que fez. Ele intuía melodias e ritmos.
No 39 DISCOS de série que gravou, ele canta em diversos. O primeiro deles é “QUEM É QUEM”, gravado em sua volta ao Brasil, em 1973.
DONATO é caso único de artista brasileiro que iniciou sua carreira nos EUA tocando LATIN JAZZ. Foi no grupo de “MONGO SANTAMARIA”, em 1965. Quando saiu foi substituído por ninguém menos do que CHICK COREA!
JOÃO já gravara no Brasil acompanhando outros artistas. Porém, o início de sua carreira solo foi em 1962, com o “JOÃO DONATO e seu TRIO”, formado por dois excelentes e históricos músicos: o baterista MILTON BANANA, e o baixista TIÃO NETO; talvez a mais eficiente “cozinha” que o SAMBA-JAZZ produziu!
“MUITO À VONTADE”, 1962; e “A BOSSA MUITO MODERNA DE JOÃO DONATO”, 1963; foram captados na mesma sessão de gravação, antes da partida de JOÃO para a América, e aproveitar o BOOM aberto pela BOSSA NOVA. São dois artefatos CULTS da BOSSA INSTRUMENTAL.
Nos Estados Unidos, ele gravou um clássico da BOSSA-JAZZ, “BUD SCHANK e JOÃO DONATO”. E, também em 1965 fez um de seus discos mais conhecido: “THE NEW SOUND OF BRAZIL, PIANO OF JOÃO DONATO”, com a participação do guitarrista LUIZ BONFÁ, outro CRAQUE de sucesso na AMÉRICA.
O LP. veio na cola do grande sucesso conseguido por “ANTONIO CARLOS JOBIM, THE COMPOSER OF DESAFINADO PLAYS” , 1963, disco de BOSSA – LOUNGE, com TOM ao piano e violão.
Os dois discos seguem modelo semelhante, e são acompanhados por orquestra regida pelo famoso maestro e arranjador CLAUS OGERMAN, de extensa carreira em gravações de SINATRA a DIANA KRALL…
JOÃO comentou que OGERMAN ligou de madrugada pra ele no Hotel. E fez algumas consultas sobre as músicas que entrariam no disco a ser gravado no dia seguinte. Ainda faltavam quatro arranjos!
Então, DONATO pergunta: “Mas CLAUS, os arranjos ainda não estão prontos? É daqui a algumas horas!!! Como é que você vai fazer”?
E o MAESTRO responde: “Fica tranquilo, é fácil”. “Eu sempre escrevo a primeira ideia que me vem à cabeça…”
JOÃO DONATO, que era um intuitivo antenado e perspicaz, concluiu para a vida: Pra conseguir isso “É PRECISO ESTAR PENSANDO BEM O TEMPO INTEIRO”…
E este era o segredo dele para as coisas darem certo “espontaneamente”, e com leveza… JOÃO DONATO PENSAVA BEM O TEMPO TODO!
DONATO era curioso, aberto a experimentações e passeios pela vanguarda. Mas sempre mantendo seu estilo imediatamente reconhecível, aprimorado ao longo de anos em busca da eficiência, do ritmo e do andamento adequado; e de maneira inventiva, e talvez única!
É argumentável que DONATO tenha criado um híbrido original. Um tipo de FUSION mais ampla, abarcando o JAZZ MODERNO, o LATIN JAZZ e a BOSSA NOVA; com de algo FUNK, dançável, e pitadas de SOUL e música AFRO-CUBANA. Um “COMBO” ao alcance de poucos.
O uso de metais era essencial, e ajudou a introduzir DONATO em vários cenários, em épocas diferentes, à partir de meados da década de 1960, até pouco antes de morrer.
Seu personalíssimo teclar no piano se manteve intacto. O jeito de trabalhar com o silêncio e os espaços entre notas e acordes, e de relacionar-se com outros músicos e instrumentos da banda permaneceram modernos, inconfundíveis!
A música que ele faz é dançável desde sempre, e seu balanço é contagiante, e alto astral. DONATO mesmo sendo bossanovista de primeira hora, caminhou fora de certa melancolia que a BOSSA NOVA nos inculca.
Ele é um levantador de festas sofisticado e imprescindível! O banquinho e o violão ficaram para o outro JOÃO, o GILBERTO, amigo dele.
JOÃO DONATO há décadas veio desenvolvendo a prática em diversas modalidades de teclados eletrônicos, como FENDER RHODES, FARFIZA, o CLAVINET… e o que mais viesse.
Sob esse aspecto, nos lembra seu contemporâneo ao longo dos tempos, HERBIE HANCOCK, que também surfou em todos os mares e ondas com proficiência, originalidade e qualidade.
EM 1970, foi lançado “BAD DONATO”. Em 1973, fez LP em parceria com EUMIR DEODATO – músico de enorme sucesso internacional naquele ano. Ambos são discos de FUSION JAZZ, o gênero em franca ascensão, que DONATO já vinha moldando, assimilando e fazendo à sua maneira. Esteve na primeira hora de várias coisas!!!
A originalidade da música de JOÃO DONATO atraiu artistas importantes e a realização de muitas parcerias. Para citar algumas, trabalhou com MENESCAL, JOYCE, WANDA de SÁ, PAULO MOURA, CARLOS LYRA, MARCOS VALLE, JORGE BEN, TOQUINHO e até JARDS MACALÉ. Ele gravou bastante nos últimos 40 anos. É artisticamente um dos artistas mais influente da história musical brasileira.
O disco ao vivo LEILÍADAS, 1986, é um exemplo de FUSION moderna, com metais e, observado mais de perto, talvez seja possível considera-lo álbum “CONCEITUAL”. É muito bonito!
De meados para o final da década de 1980, a BOSSA NOVA teve retomada forte, principalmente na EUROPA, e D.JS redescobriram o óbvio: que REMIXAR, SAMPLEAR, FUNDIR e RETRABALHAR o que fizeram seus principais criadores poria a turma para dançar.
O trabalho dos D.Js. trouxe JOÃO DONATO aos PICK-UPS em festas, clubes, e a validação para o JAZZ e outras fusões já testadas.
Ele foi muito sampleado. E coligido em miscelâneas como essas da foto. Existem mais, muito mais, ressuscitando artistas esquecidos.
Já em discos como “PAULA MORELEMBAUM & JOÃO DONATO”, 2010; e “DONATO ELÉTRICO”, 2015, ele tocou à vontade com os participantes mais jovens, tipo seu filho DONATINHO, e os grupos “PARAPHERNALIA”, “BossaCucaNova”, e gente que acompanha as cantoras CÉU, TULIPA RUIZ e ANELIS ASSUMPÇÃO.
Todos são fãs e o admiram; conhecem os discos, os experimentos, e principalmente a capacidade de JOÃO DONATO em traduzir suas ousadias para um estilo de linguagem musical brasileira, mesmo que eivada por outras latinidades e seu gosto pelo JAZZ. É a FUSION com roupagens contemporânea garantindo a perenidade.
E, dali em frente, até o seu último disco, lançado em 2022, aos 88 anos, ele continua festejante: um “latino-brasileiro” da gema!
JOÃO DONATO encerrou sua permanência entre nós talvez no ápice da vanguarda jovem atual.
Ahhhh, EMORIÔ não é palavra, e sim uma frase, que significa “EU VEJO” : “E MORI O” , em IORUBÁ é uma referência a OXALÁ, a divindade relacionada com a criação do mundo e da espécie humana.
É frase existencial e poeticamente muito delicada e perceptiva.
EMORIÔ! JOÃO DONATO fazendo muita falta.
POSTAGEM ORIGINAL: 18/07/2023
Pode ser uma imagem de 6 pessoas e texto