JOHNNY MATHIS, UM FENÔMENO MUSICAL DE VÁRIOS TALENTOS

Eu fui jovem quando JOHNNY PHODIS…OOOOOPPPS MATHIS, ainda permanecia no auge.
O apelido maldoso foi dado pela geração dos que o contestavam. Lá por 1967/68, comecei a frequentar bailinhos, o jeito herdado das geração anteriores para socialização de jovens a caminho do mesmo: nascimento, escola, profissão, (casamento, casamento, casamento), velhice e morte.
As perspectivas ainda não haviam aflorado para fora do óbvio tradicional. Ao menos aqui no Brasil, na classe média bem média, refletindo o que vinha das “elites”, e atingindo a toda a escala social.
Os bailinhos mais ou menos respeitavam ( e acho que ainda respeitam ) duas sequências mutantes dependendo do clima e do ardor da turma nas pistas.
Havia as músicas RÁPIDAS, para dançar separados, e as esperadas “LENTAS”, para chegar junto, tentar alguma intimidade mais consistente, e geralmente sem maiores consequências – ao menos quando se tinha uns 14 ou 15 anos…
O JOHNNY, como o RAY CONNIFF eram resquícios dos romantismo da década de1950, naqueles meados dos 1960 em profunda transição.
Mas, não os desprezem. Já por aí, entrou JOHNNY RIVERS, nas LENTAS, e em seguida o CREEEDENCE CLEARWATER, para as RÁPIDAS, e mais tantos e tão diversos HITS fugazes.
Claro, fora o escurinho dos bailinhos, o negócio já era o ROCK, e a música brasileira de contestação, pontuando a progressiva subversão e desmonte do consolidado por gerações.
No correr dos tempos, mudou a tecnologia, repertórios; e apressou-se o avanço das liberdades individuais em vários sentidos.
Do final da década de 1960 em diante, o romantismo foi sendo progressivamente substituído por luxúria e liberdades mais plenas nas pistas.
Acho que até hoje canções como “TEACH ME TIGER”, de APRIL STEVENS; e a mais ousada ainda “JE T’ AIME”, MA NON PLUS… de JANE BIRKEN e SERGE GAINSBOURGH, são instigantes, “libertárias e libertadoras”…
Em meio a tudo isso, JOHNNY MATHIS é personagem único.
O pai já havia notado seu talento natural e o colocou para estudar canto. E MATHIS sempre foi persistente, aplicado e disciplinado.
Foi do canto LÍRICO ao JAZZ , e daí ao POP que o consagrou. Dizem que até hoje, quando não está em turnê, começa a praticar às 5,30 da manhã, diariamente, para manter em dia a sua marca registrada há 66 anos, batizada pelos admiradores de VELVET VIBRATO.
O mais interessante é que simultaneamente, na escola, tornou-se atleta de alto rendimento. É inacreditável, mesmo tendo pouco mais de 1,70 metros de altura, JOHNNY bateu comprovadamente UM RECORDE MUNDIAL NA QUADRA DE BASQUETE da escola onde jogava e estudava!
Ele é um dos quatro atletas da História que conseguiram saltar acima de 1,95Metros de altura para arremessar uma bola à cesta!
E só não se tornou profissional, porque aos dezenove anos GEORGE AVKIAN, produtor da COLUMBIA RECORDS, o descobriu e o transformou em SUCESSO IMEDIATO e ABSOLUTO.
JOHNNY MATHIS é um dos mais longevos artista do CAST da gravadora.
Certa vez, declarou que lá descobriram a “essência de sua educação musical”. Ficou na COLUMBIA de 1956 a 1998, e periodicamente alguns de seus discos são relançados.
No começo da carreira, ele foi dirigido por RAY CONNIFF, grande MAESTRO e ARRANJADOR. E sua voz aveludada, quente e personalíssima que os críticos situam como “MIDDLE TENOR”, é capaz de atingir o FALSETTO, nas escalas mais altas, e descer ao TENOR beirando o BARÍTONO.
Ele é considerado grande cantor, do ponto de vista técnico. Mesmo que artisticamente seu repertório muito vasto e nada restrito, muitas vezes não tenha qualidade suficiente para realçar o seu potencial. Mas, isto é opção que assumiu.
Muitos dizem que JOHNNY MATHIS é o cantor perfeito para o “THE GREAT NEW AMERICAN SONGBOOK”, por sua técnica, escolhas e dicção perfeita. Da mesma forma que BILLIE, SARAH, ELLA e FRANK SINATRA encararam e encarnaram o SONGBOOK CLÁSSICO.
Seria?
Mesmo aberto a novos autores, JOHNNY nunca foi chegado a vanguardas musicais. E seu repertório consiste, em grande, de covers de HITS e STANDARDS de seu tempo de carreira. Ao escuta-lo se constata que é recheado por compositores brancos – como sempre foi e ainda é o seu público principal.
JOHNNY é um cantor pouco associado à BLACK MUSIC. A sua voz discrepa muito do cantor mais típico de R&B. Curiosamente, em seu período áureo, muitos fãs não sabiam que ele era preto!!!!
Porém, no início da década de 1970, MATHIS investiu mais no repertório da SOUL MUSIC e do R&B melodioso e romântico.
E, no decorrer do tempo, gravou músicas brasileiras, como AQUARELA DO BRASIL; e de várias partes do mundo também. É um eclético cantor POP.
Ficaram boas suas versões?
Certa vez, ao ser entrevistado, JOHN ROYCE MATHIS disse que se dava bem com gente variada, como a cantora lírica LEONTYNE PRICE, MILES DAVIS, ELLA, SARAH e NAT KING COLE.
Entre seus fãs estão BARBRA STREISAND e DENEECE WILLIANS, com quem também gravou – e afirma que JOHNNY é um dos homens mais bonitos que conheceu.
Dizem que é um cara legal, e muito discreto. Não fala demais, até para preservar-se e manter a voz; e é meio apolítico, mesmo apoiando causas sociais.
O guitarrista que o acompanha, GIL REAGERS, está com ele há 48 anos. E o pianista da banda, o mais novinho da “troupe”, já completou 27 anos por lá. Ele, ao que tudo indica, sabe conviver e manter sua quase orquestra.
Escreveram que JOHNNY MATHIS é o terceiro maior vendedor de discos da América, atrás de ELVIS PRESLEY e SINATRA. Não sei se é verdade…
Mas, JOHNNY vendeu mais 400 milhões de cópias pelo mundo inteiro. São 107 LPS originais ( seis só de canções de natal! ); 239 coletâneas; e, pasmem: 386 SINGLES e EPS!!!!, segundo consta no DISCOGS e a BILLBOARD endossa…E não contei participações e vídeos vários…
Para se ter a dimensão de sua fama, a primeira compilação “JOHNNY MATHIS GREATEST HITS” saiu em 1958, ficou entre os cem mais vendidos da BILLBOARD por quase dez anos. Foram 490 SEMANAS CONSECUTIVAS!!!! E só foi superada por “THE DARK SIDE OF THE MOON” – e vocês sabem quem gravou… – que, em 1983, completou 491 SEMANAS entre as 100 mais…
JOHNNY É PHODIS.
“THE REAL JOHNNY MATHIS” , é uma coletânea tripla e chegou recentemente. Foi lançada em 2014, e tem embalagem bastante caprichada, se comparada ao lixo que tenho visto e até recebido. São três CDS, 54 músicas, abrangendo a sua fase na COLUMBIA RECORDS. Traz nome e data de gravação de cada musica, e seus compositores. Não há qualquer livreto, como ficou “normal” nos tempos correntes. É bastante boa, custou em torno de $ 10,00, com frete e tudo. Resume bem a carreira do JOHNNY. É bem gravada, e para mim basta.
Para encerrar, o moço disse, também, que as três coisas de que mais gosta estão nesta sequência: cantar – por isso não para; cozinhar e JOGAR GOLFE…
A tá, ele é um “ATLETA NATURAL”, como vimos, e quase foi profissional desse esporte, também!!! Dizem pela mídia que encaçapou 9 buracos seguidos em um torneio!!!!
Algum comentário?
JOHNNY MATHIS andou com mulheres – elas o adoram!!! – e homens. E abriu o jogo com o pai, quando tinha 15 anos. Contou que era GAY, e se sentia bem com isso. Mas, assumiu discreta e publicamente, somente em 1982.
Até onde sei, JOHNNY fazia anualmente 35 SHOWS, de duas horas cada. É muito para quem tem 86 anos de idade! Mesmo com histórico de atleta.
Ele é um homem riquíssimo, sua fortuna é calculada em $400 milhões de dólares; coleciona automóveis, e mora sozinho em sua mansão em BEVERLY HILLS. A mesma que um dia fora totalmente destruída por um incêndio.
Quando JOHNNY soube do desastre limitou-se a perguntar se alguém havia ficado ferido. E, como ninguém se machucara, apenas comentou que eram só “coisas”, e tudo estava bem….
JOHNNY MATHIS é gente boa, um americano típico de bem.
E andava sem namorado.
POSTAGEM ORIGINAL:19/08/2022
Pode ser uma imagem de 2 pessoas e texto que diz "THEREAL MATHIS LLUAA 3C.D"

POSTAGEM SEM IMPOSTURAS, DISCOS OUVIDOS RECENTEMENTE

TIO SÉRGIO anda ocupado, e sem tempo para fazer andar a fila de discos não escutados, que já vai longa… Vez por outra, perco a vontade. Então puxei alguns CDs aleatoriamente e coloquei pra rodar, enquanto cuidava da cozinha e preparava o almoço:
1) LEE RANALDO: “BETWEEN THE TIMES AND THE TIDES”, 2012, MATADOR Records.
LEE era um dos guitarristas da SONIC YOUTH. Aqui, em viagem solo em ótimas companhias. Em linhas gerais, é menos experimental, e mais próximo ao HARD ROCK e ao PROGRESSIVO. Na linguagem de hoje, dá para enquadra-lo como PROG. Eu gostei bastante; custou merreca: uns 7 dólares com frete , etc…, incluídos.
2) GRAND FUNK RAILROAD: E PLURIBUS FUNK, 1971, CAPITOL
Edição japonesa bem masterizada e com ótima qualidade sonora. Esta capa é vagabunda demais!!!!! Frustrante. Eu quero, mesmo, é a cópia da edição original, redonda feito a moeda que representa.
O GRAND FUNK é ícone da minha juventude, e das gerações posteriores, também. Na década de 1960/70 fizeram bastante sucesso, mesmo execrados pela crítica.
Eu gosto deles; e os coleciono por causa do HARD ROCK duro, garageiro, tecnicamente limitado, mas perfeitos neles mesmos e do jeito que sempre foram.
Muita gente acha que JOHN BOHNAN, baterista do LED ZEPPELIN, é um espancador impiedoso! Eu discordo. Mesmo porque se comparado a DON BREWER , do GRANDFUNK, ele é um Master Class…
3) SONIC YOUTH: DAYDREAM NATION – “Noise Experimental Band” seminal! Estilistas criativos e memoráveis. Todos compõem e cantam. E os dois guitarristas são espetaculares: LEE RENALDO e THURSTON MOORE. Há um baterista, STEVE SHELLEY, adequado para o estilo musical que desenvolveram. E, também, a baixista, KIM GORDON – ícone do ROCK ALTERNATIVO como PATTI SMITH e algumas.
E este disco é sensacional! Havia tempo que eu não curtia! Levantou o meu astral!
4) BESIDE BOWIE – TRIBUTE TO “MICK RONSON”, SOUNDTRACK – 2018 – UNIVERSAL MUSIC.
Ele foi guitarrista de BOWIE, principalmente na fase GLAM. Tem estilo próprio. Sonoridade algo quebrada, mas reconhecível. Aqui, há faixas dele com BOWIE, ELTON JOHN, IAN HUNTER eJOE ELLIOT. E participação com BOWIE e os remanescentes do QUEEN, no tributo ao FREDDIE MERCURY. É disco interessante, e valeu a pena porque o preço foi de “Leite de Pato”: $ 6,00 – com frete e tudo!
5) TEMPEST: Foi uma das bandas de JON HISEMAN, o excelente baterista britânico que tocou e gravou com JOHN MAYALL e vasta “entrourage”. Ele vai escorreito do BLUES ao JAZZ; à FUSION; ao ROCK PROGRESSIVO; e o que mais viesse…
Postei dois álbuns, edições japonesas muito bem remasterizadas, ambos lançados originalmente pela BRONZE RECORDS:
A) TEMPEST, 1973, é disco de ROCK PROGRESSIVO. O time é de primeira divisão: PAUL WILLIANS, vocal; MARK CLARKE, baixo; E o famoso “guitar heroe” ALLAN HOLDSWORTH dando um show!
B) LIVING IN FEAR, 1974. Aqui é um trio com HISEMAN, CLARKE e o guitarrista craque OLLIE HALSALL. É POWER TRIO de verdade, siderando entre o PROGRESSIVO e o HARD ROCK – ao estilo inglês do início dos 1970. É outro discasso!
TIO SÉRGIO trouxe diversão pra todo mundo!
Desfrutem!
POSTAGEM ORIGINAL: 16/08/2025
Pode ser uma imagem de 2 pessoas, catraca e texto que diz "香翻 LERANILDO-BETWETHETE THE TIMES AND HE TIDES R LEE RANALDO BETWEEN 大 አነያ PERIBIS SONIC SONICYOUTH YOUTH DAYDREAM NATION BESIDE BOWIE THEMICKRONSONSTORY THE MICK RONSON STORY SOUNDTRACR SOUNDTRAC TEMDEST TEMPEST"

JOE TURNER – PRAZER EM APRESENTAR!

TIO SÉRGIO é “Apenas um rapaz latino-americano”, como canta o BELCHIOR. E cultor do BLUES desde sempre. Por andanças das quais não me recordo; visitando loja que não me lembro, em dia e local não determinados; eu dei de cara com o CD aí, quase completo – faltava a parte de trás, que depois consegui.
Garimpar é como exterminar pragas urbanas: foco por foco, disco por disco. É ganhar prazer perdendo horas no balcão de algum SEBO xeretando coisa intrigantes; e, às vezes, dar de cara com disco imprescindível!
“Foi assim”, cantou WANDERLÉIA, algures em sua carreira. E eu descobri o CD na foto. Susto bem-vindo!
Bom, primeiro vou falar sobre o que ouvi:
Um espetacular disco lançado em 1967, com banda prá lá de afiada, em gravação remasterizada em alto nível, pela “MOBILE FIDELITY SOUND LAB”. A data do relançamento não está no encarte. Mas, é coisa de uns 30 e tantos anos.
JOE TURNER é clássico do BLUES moderno, entendendo-se por isso gente que veio da década de 1930, influenciou a geração do ROCK AND ROLL e, posteriormente, o “Revival” do BLUES, dos anos 1960 e daí em diante. Seu grande clássico, “SHAKE RATTLE AND ROLL” ultrapassou décadas. Ah, ele deixou outros vários…
JOE TURNER é para ROCKERS, e cultores do BLUES, artista em nível de pós graduação em colecionismo.
Tio Sérgio garante e põe a mão no… copo!
Saúde!
POSTAGEM ORIGINAL: 11/08/2018
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EU E A T.F.P – A EXTREMA DIREITA CATÓLICA DO PASSADO

A extrema direita em geral sempre existiu. Vez por outra preponderou, mas talvez com menos visibilidade do que hoje.
Essa gente sempre me fascinou! São inabsorvíveis; sempre viveram em guetos específicos, fechados em si mesmos; porém, exportando alguns dos seus para o poder do momento.
Conheço um montão de histórias.
Eu sempre os li com muita curiosidade, perplexidade e certo desprezo. Durante a década de1970, havia os religiosos e os simplesmente reacionários. E, como hoje, pessoas que pretendiam ideologizar e representar a “Revolução de 1964” – quer dizer, o Golpe. Um deles, era o professor JORGE BOAVENTURA, que escrevia na FOLHA DE SÃO PAULO. Legou sua visão, por exemplo, para o ex-deputado ENEAS CARNEIRO. Mas deixa pra lá, por hoje.
BOAVENTURA rendeu para mim uma das “notas dez” que consegui na FFLCH, da USP, na cadeira da excelente professora MARIA LÚCIA, que nos ensinava sobre questões políticas brasileiras. Qualquer hora eu volto a este assunto.
Mas legal, mesmo, eram os religiosos integristas da TFP, A TRADIÇÃO, FAMÍLIA e PROPRIEDADE. Incomparáveis! Uma cabeça de ponte medieval em meio da modernização conservadora dos milicos de 1964.
Pois bem, lá por 1977/78, eu descobri onde os caras se reuniam para comer pizza. Era em uma padaria/pizzaria semi – xexelenta no começo da Av. Rangel Pestana, logo depois do largo da Concórdia, em São Paulo.
O dono lá só usava farinha autenticamente argentina. E PLÍNIO CORREIA DE OLIVEIRA, o aiatolá da TFP, ia lá com hora marcada e padaria com lugares reservados para que o velho reaça, et caterva, pudessem comer in – loco a tal pizza. Eu os vi. Bebiam comedidamente.
A TFP, para os que não a conhecem, era uma organização política fechada, de extrema direita religiosa. Eram católicos integristas; e funcionava como milícia militarizada. Vez por outra, saíam para as ruas fazendo passeatas. Todos de terno e cabelo cortado à escovinha – que voltou à moda, anos depois, por motivos puramente estéticos.
Os TEFEPISTAS portavam estandartes vermelhos. Urravam palavras de ordem execrando o comunismo. Era um RITUAL RIDÍCULO E MEDIEVAL. EXORCIZANTE, talvez.
Quando começou a guerrilha urbana, em 1968, depois da decretação do AI-5, os caras entraram em êxtase!
A modernização conservadora dos milicos era… progressista, urbana, industrial e capitalista. A TFP tinha a sua base social no mundo rural. E era, obviamente, contrária à reforma agrária; uma reivindicação popular contra a concentração de terras e propriedades nas mãos de poucos.
Porém, a revolução agrícola, da década de 1970 em diante, de certa forma inibiu as reformas na propriedade da terra. E, ao mesmo tempo, destruiu o poder da velha aristocracia rural! E sem a velha base social, a TFP mais ou menos encolheu-se no limbo da História brasileira.
Mas continuando, contei para alguns colegas e os incitei para irmos à tal padaria em grupo, e fazer observações sociológicas!!!! Quer dizer: pretexto para beber e concluir contra alvo tão óbvio.
Claro, eu já havia ido antes, umas duas vezes e sozinho, para ver o que rolava, e se dava pra beber. O chope era xoxo, e muitas vezes completado com “jacarés” – uma jarra cheia de sobras e espumas tiradas de chopes, que eles recuperavam e completavam as tulipas que iam saindo. Engodo, roubo mesmo…
Eu reclamei. Fui olhado como… tá, comunista – o que nunca fui, mas era… – se vocês me entendem. Comi a tal pizza. Achei palatável, porém nada demais. TIO SÉRGIO sempre gostou de sair da normalidade, ir para outros mundos, e ver o que rolava.
Bom, a minha turma na USP se recusou terminantemente! Não quiseram ir de maneira nenhuma! Houve, por parte dos mais chegados, a desconfiança de que eu, um… “esquerdizado não comunista”, portanto avis – rara na USP dos anos 1970, estava derivando para lados insalubres e imperdoáveis.
Eu não estava; jamais transgredi a tal ponto…
Anos depois, já estudando na FUNDAÇÃO CASPER LÍBERO, tive colega de classe, Mônica, excelente aluna, muito reprimida e excelente pessoa – foi, inclusive, em meu casamento -; e contou-me que o pai dela, militante direitista, era dono e alugava um casarão no Jardim São Bento para a TFP.
Aliás, até o final dos anos 1970, a FUNDAÇÃO CASPER LÍBERO E a “FOLHA DE DE SÃO PAULO” eram considerados “Diário Oficial da TFP”. Tive aula com alguns poucos professores saídos da “milícia medieval”. Aliás, foi por lá que o grupo LÍNGUA DE TRAPO criou e gravou o HINO OFICIAL DA T.F.P. Uma palhaçada sensacional, que desnudava o cerne do pensamento da “ORG”. Lembra disso@Ayrton Mugnaini Jr?
Anos depois, intermediando um negócio imobiliário tive contato com um advogado, aliás grande profissional, que também contribuía para a TRADIÇÃO, FAMÍLIA E PROPRIEDADE. Que, parece, está em remissão, entocada, mas ainda viva…
O Brasil melhorou muito. Mas, recaídas autoritárias estão sempre no radar dos que pensam e observam nossa política. Então, BOLSONARO e sua pretensa “cristandade” não me assustam. Porém, o que é muito marcante é a substituição das elites cristãs religiosas. Parece que estamos a caminho da troca dos católicos pelos evangélicos. E os católicos, mesmo os mais radicais, são mais cultos e estudados. E essa troca poderá trazer diferenças fundamentais na vida política e social do BRASIL.
POSTAGEM ORIGINAL: 13/08/2021

SESC – INSTITUIÇÃO DO CAPITALISMO CIVILIZADO E A PECULIAR GRAVADORA DE MÚSICA INDEPENDENTE E NÃO COMERCIAL

TIO SÉRGIO!!! Você enlouqueceu em público novamente?
Isso é título que se proponha para um “texto” em espaço tão pequeno, mas busca de relevância mínima? “What porra it’ s this”?
Peço calma aos sobrinhos. Tá legal; só que ainda está longe do título da dissertação que o PATO DONALD e o TIO PATINHAS tiveram que escrever para passar no vestibular para a UNIVERSIDADE DE PATÓPOLIS: “Faça uma comparação entre a CIVILIZAÇÃO ISLÂMICA PRIMITIVA, e a estrutura contemporânea do CARNAVAL ALEMÃO!!!!
Vai lá, “Pato Cidadão”, morador dessa imensa PATÓPOLIS, chamada BRASIL. Tenta desenvolver…
É o seguinte: tempos atrás, o Nelson Rocha Dos Santos, dileto amigo, contou que fez compras sensacionais na lojinha do SESC. ( e fez, mesmo! ). Aliás, como entusiastas, colecionadores e conservadores de culturas mal vistas ou não amadas; e parte da minoria esfuziante que liga pra essas coisas; ambos, vulgo eu e o Nelson, sabemos perfeitamente que desperdício é, também, não aproveitar oportunidades; ou ficar reclamando hipocritamente de certas iniciativas.
Eu, ele e tantos e tontos mais, mergulhamos direto em busca do peixe grande e insólito; do disco “não óbvio” navegando abaixo da linha d’água. E tá cheio pelaí!
TIO SÉRGIO é consumista quase acrítico de discos e periferias tecnológicas conexas. Não aguentei e fui, mais uma vez, perscrutar o que é que artistas brasileiros e outros “mentes desencaixadas” têm; ou fizeram, ou sei lá…
Tá legal: comprei 25 CDs “sets” – porque alguns têm mais do que único CD – por cerca de R$ 280,00!!! Paguei-os em 6 vezes; e alguns custaram o indignante preço de $ 1,00 ( um Biden ); cerca de R$ 5,00 mandacarus!!!!!!!!!!!!!!!!!
O SESC é mantido pela enorme quantidade de lojas e empresas comerciais existentes; e por seus usuários e associados. Não recebe qualquer subvenção estatal. É INSTITUIÇÃO espalhada pelo BRASIL, que investe em locais ultra aprazíveis e convidativos; promove shows; esporte e muitas e muitas atividades que honram uma associação sem fim lucrativo. Provocando briga, que afirmo que oferece “a seus” associados, e ao público em geral, muito mais do que o sindicalismo puro e simples poderia propor.
O SESC É UMA INSTITUIÇÃO GERADA NO SEIO DO CAPITALISMO COMERCIAL BRASILEIRO. É socialmente relevante e administrado de maneira profissional por gente competente em múltiplas áreas. Propicia à sociedade brasileira contrapartida inestimável! Faz muito, mas muito além mesmo, do que qualquer governo consegue realizar.
A INSTITUIÇÃO não explora o POPULISMO DELETÉRIO de que Prefeitos, governadores, presidentes e políticos em geral se utilizam, trazendo com explícita motivação política ou eleitoral, shows de artistas populares e popularescos; todos muito bem pagos. Mas que contribuem nada para a formação, educação, criação, para a população local, e a sociedade brasileira.
Do acervo do SESC eu adquiri alguns discos e obras nada óbvias, como “Ópera das Pedras”, de DENISE MILAN; QUARTETO CARLOS GOMES; QUARTETOS DE CORDAS DE VILLA- LOBOS; HERMETO PASCOAL e o maestro OLIVIER TONI. Comprei gravações dos eruditos modernos GYORGY LIGETI; LUCIANO BERIO; JOHN CAGE; GILBERTO MENDES; CAMERATA ABERTA; e também do SAXOFONISTA de JAZZ alternativo, ANTHONY BRAXTON – e muitos e muitos outros!
São coisas relevantes, indisponíveis em lojas normais; e imprescindíveis para os que transcendem o cotidiano musical. Tudo isso, acreditem, ajudam ao TIO SÉRGIO aqui, e a outros também, a cometerem suas postagens!
No Brasil, temos gravadoras profissionais (poucas) que acessam e promovem artistas e obras de qualidade. Por exemplo a “BISCOITO FINO”. Empresa culturalmente relevante, com acervo espetacular, e criação de KATI ALMEIDA BRAGA, milionária herdeira de banqueiro e dono de seguradora.
Ela se uniu à cantora OLIVIA HIME, conhecedora de música brasileira como poucas e poucos. E ambas tocam o projeto de quase mecenato, mas equivalente cultural à GRAVADORAS como VERVE, BLUE NOTE, ECM. Não é pouca coisa!
Muitos dirão que empresas precisam viabilizarem-se por conta própria, e gerar lucro – e foi o caso da BISCOITO FINO.
Porém, além da iniciativa privada que tenta enfrentar o mercado, é possível e muito necessário contar com INSTITUIÇÕES da envergadura do SESC.
E por que, não?
Alguns reclamarão que um liberal democrata, como eu, propondo essas coisas não está sendo franco e nem fiel a um ideário.
Mas, estou, sim!
O verdadeiro LIBERALISMO não se constrói em cima de iniquidades sociais. Tornar o indivíduo o instrumento de sua própria política só é possível com incentivo ao mérito; o que não prescinde de uma sociedade equânime, vibrante, organizada, educada, e mais justa para que seja viabilizado.
O apoio coletivo, o incentivo localizado, claro e objetivo têm papel preponderante no financiamento e desenvolvimento para “artes mais difíceis e de resultados menos imediatistas”. É assim no mundo inteiro. E é o caso das obras musicais citadas…
Esse monte de discos adquiridos, talvez se irradiem, e incentivem outros interessados, que acessarão o SESC e impulsionarão um nicho de mercado sempre necessitado de promoção e ajuda.
O mercado estrito senso visa o lucro. Porém, a grande arte, as grandes descobertas, reflexões, teatro, literatura ou ensaios; também a ciência em geral, nem sempre são lucrativos. Ao menos de imediato. E se formos simplesmente UTILITARISTAS e FINANCIALISTAS, espaços imprescindíveis serão negados para inovações agregadoras de civilidade e progresso.
Então, vivas ao inusitado, ao estranho e ao não comercial.
TEXTO ORIGINAL REFEITO EM 09/08/2025
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INCERTO SÁBADO À TARDE, EM 1973…

Eu me lembro com bastante nitidez de certo sábado, em 1973. Recordo a luminosidade daquele dia; deve sido entre e abril e maio.
Por motivo que não identifico claramente, eu estava tranquilo e feliz. Não alegre eu sei. Mas, desfrutando momento de rara completude. Palavra mágica e conclusiva.
Quase 50 anos se foram, mas aquele sábado reteve-se em mim.
Em 1973, ainda não existiam a WOP BOP ou a BARATOS AFINS, as duas lojas que fizeram história por conseguir congregar um certo público que curtia o UNDERGROUND, o ROCK e arredores.
Informações do exterior existiam, mesmo poucas e truncadas. Aguçavam desejos. Estavam condensadas em publicações como a ROLLING STONE, já circulando por aqui; e jornais alternativos onde esforçados jornalistas, como LUIZ CARLOS MACIEL, nos informavam sobre o novo “perenizado” pós a suposta revolução trazida por HIPPIES e a NOVA ESQUERDA INTELECTUAL. Claro, não durou o suficiente, mas deixou marcas não removidas – feito tatuagens.
Existiam grandes lojas que importavam, traziam discos e novidades. Mas eram tão caros como hoje é, e sempre foram…
Não consigo visualizar claramente se foi na BRUNO BLOIS ou na BRENO ROSSI, onde naquela tarde inesquecível comprei dois entre os discos de que mais gosto até hoje.
Eu já conhecia o BOB SEGER. Cantor potente, BLUESY e pesado. Teve dois SINGLES lançados por aqui, “2+2” e “RAMBLING GAMBLIN MAN”, estilingadas certeiras!
SEGER é uma espécie de antecessor de BRUCE SPRINGSTEEN, naquela coisa do americano solitário contra o sistema, e sempre “ON THE ROAD”; torturado pela imprecisão psicológica, feito um JAMES DEAN ou JIM MORRISON, que os antenados de minha geração conheceram. Vem daí o fascínio que me causou.
BOB chegou ao sucesso de verdade alguns anos depois, lá por 1977/1978, Mas, jamais fez álbum tão bom e consistente quanto “BACK IN 72”. O disco foi gravado no “MUSCLE SHOALS STUDIO”, onde a elite da SOUL MUSIC e do R&B gravava. Gente como ARETHA FRANKLIN, por exemplo.
Nesse álbum ele está acompanhado por craques, como J.J.CALE, JIMMY JOHNSON, BARRY BECKETT, DAVID HOOD e ROGER HAWKINS, para ficar no primeiro time. E mescla SOUL, R&B e ROCK com eficiência e sofisticação. É um grande e desconhecido disco, TIO SÉRGIO garante. Brilhando no fundo do poço do ROCK. Experimente.
Também me recordo de ter visto o disco de BOB SEGER e separado para comprar. Enquanto isso, rolava no PICK UP outro chegado naquele momento, o primeiro álbum do BLUE OYSTER CULT. Mais um Impacto fulminante. Míssil direto no cérebro e no corpo! Para mim, até hoje é o melhor disco que fizeram.
Está entre o HARD ROCK e o PROGRESSIVO. Tem pegada BLUESY, algumas novidades tecnológicas, como “delays” e outros “babados”; faixas interligadas e sem espaço, e dão sensação de continuidade, não importando as músicas que se sucedem.
O BLUE OYSTER CULT foi grande sucesso, na década de 1970. E fez outros discos bastante bons. É álbum bastante original de ROCK PESADO americano. Sim, claramente “Made in America”, como um CAPTAIN BEYOND e o KANSAS; ou o GRANDFUNK RAILROAD.
Um pouco antes, eu havia comprado o HUMBLE PIE – ROCK ON, de 1971. Eu lembro bem: estava aberto e foi no MUSEU DO DISCO. Os meus amigos SILVIO DEAN, FRED FRANCO JR. e ALDAHYR RAMOS, estavam lá!
A capa bizarramente americana não descreve o conteúdo magnífico. E a sequência é matadora: começa com SHINE ON, prossegue em altíssimo nível e repertório variado, expondo habilidades instrumentais e vocais de STEVE MARRIOTT e PETER FRAMPTON; e as performances corretas do baterista JERRY SHIRLEY e de GREG RIDLEY, no baixo.
O álbum vai do BLUES ao HARD ROCK em fogo crescente; explodindo feito vulcão. Não tem jeito de não empunhar um “AIR GUITAR” no final, quando FRAMPTON E MARRIOTT duelam e se complementam. E você jamais ouvirá ROLLING STONE, de MUDDY WATERS, em gravação tão precisa, empolgante e explosiva como aqui. É um dos melhores discos da década de 1970! Só isso! Obra de arte vibrante, incomparável!
Se você está ou esteve com uns 19 anos; e acha que a vida pode sorrir para sempre, observará que certas coisas e momentos marcam no “fundo profundo…”
Aproveitei para trazer outros discos que rodeavam o meu espírito, naqueles tempos. São parte e também motivos de a memória daquele inesquecível sábado me sequestrar até hoje.
Desejo a todos que tenham ou venham a ter experiência tão cativante…
Justificam viver!
POSTAGEM ORIGINAL REDEFINIDA : 06/08/2025
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FLORESTAN FERNANDES, SOCIÓLOGO – INTELECTUAL ÍNTEGRO E ÚTIL

O epíteto que arrumaram para ele não condiz. Se FERNANDO HENRIQUE CARDOSO, que foi seu assistente, era conhecido como o “Príncipe dos Sociólogos” ( ridículo! ), então o Rei seria quem?
FLORESTAN era um homem de esquerda, mas não militante. Um teórico que sabia sobre o que ensinava. E ouvi de professores que tive formados por ele, que o mestre era inflexível na exigência de estudos e disciplina de aprendizagem.
FHC em seu recente livro de Memórias, “UM INTELECTUAL NA POLÍTICA”, conta que a politização da UNIVERSIDADE veio muito depois, e que FLORESTAN era um professor que trabalhava baseado em teorias e, principalmente, em pesquisas empíricas, de campo. E que só radicalizou-se em função do GOLPE de 1964 – aliás como todos os que sobreviveram, na FFLCH da USP. Eu sou discípulo direto intelectual e politicamente desses professores e daquela condicionante histórica.
O antropólogo AMADEU LANA, meu ex-professor e discípulo direto de FLORESTAN FERNANDES, certa vez disse humoradamente à classe, que aquele bando de “pós-hippies esquerdistas” ( nós ) não tínhamos ideia do que nos aconteceria se fôssemos alunos do mestre! Não haveria oba-oba, moleza ou badalação. Ficamos incrédulos e paralisados!
O professor FLORESTAN ensinava nos EUA quando estive na USP entre 1974 e 1979, do século passado ( pasmem rindo! ). Fui aluno por uns tempos de HELOÍSA FERNANDES, filha dele, e ótima professora da geração 68. FLORESTAN foi mito sem rito possível no meu tempo.
Mas o mundo roda e a pomba-gira!!!! ( que infâmia!!! )
Quando FHC foi eleito Presidente da República, em 1994, no dia da posse FLORESTAN, já Deputado Federal pelo PT, disse a ele a frase seminal: “EU NÃO CRIO GATOS, EU CRIO TIGRES”! ” Pois é, um sociólogo na Presidência do Brasil foi prova cabal!
Pouco tempo depois, foi descoberto um câncer de intestino do mestre FLORESTAN. FHC e todos os amigos, agora postos no governo, ofereceram ao professor tratamento diferenciado no exterior. Ele recusou. Não achava correto ter além do que a média do povo brasileiro teria – e ainda mais às custas do Estado! FERNANDO HENRIQUE também conta que pela vida inteira jamais chamou o velho mestre de “você”. Ele e seus alunos o chamavam de SENHOR!
FLORESTAN FERNANDES tinha caráter. E ser íntegro é pressuposto essencial para um MITO!
Que Deus o tenha. E a História o reverencie.
POSTAGEM ORIGINAL: 6/08/20218

A SAGA DE DICK ROWE, O ANJO CAÍDO

Acasos fazem parte da vida e tanto premiam quanto punem.
O produtor DICK ROWE e o goleiro BARBOSA, da seleção brasileira de 1950, foram escrachados enquanto viveram por terem cometido falhas imperdoáveis!
BARBOSA, um grande goleiro, ficou associado à vitória do URUGUAI naquele fatídico jogo na final COPA DO MUNDO de1950. Ele não pegou o chute de GIGHIA, sempre hipótese possível quando se dá de cara com um adversário habilidoso.
E o pobre MOACIR BARBOSA DO NASCIMENTO frustrou o Brasil inteiro, porque “todo brasileiro homem” estava literalmente no MARACANÃ… Eu conheci um monte de gente que jurou haver assistido tudo de perto… HUMMMM!!!! Pela minha conta, havia uns dois milhões de compatriotas no estádio…
Talvez mais…
DICK ROWE cuidava do departamento de A&R (artistas e repertórios) da GRAVADORA DECCA quando BRIAN EPSTEIN, naquele primeiro dia de janeiro de 1961, levou os BEATLES para gravar umas demos, e ver se a gravadora os aprovava.
No estúdio estavam MIKE SMITH, famoso produtor da casa; TONY MEEHAN, ex-baterista dos SHADOWS, que dirigiu a sessão – e ficou tristemente famoso por garantir que BANDAS DE GUITARRA já estavam fora de moda, em 1961…
Perspicácia com certeza não era o forte do moço. Afinal de contas, os SHADOWS gravaram mais do que CEM Long Plays. E em mais 70 anos de ROCK não faltaram guitarristas e GUITAR BANDS… Mas há dois fatos: o histórico THE DECCA TAPES, que resultou daquela sessão, é ruim de fazer porco mugir! E TONY MEEHAN sabia o que era um bom ROCK AND ROLL…
Se querem contraexemplo nítido, ouçam o disco de CLIFF RICHARDS gravado ao vivo em estúdio, em 1959, acompanhado pelos DRIFTERS, o primeiro nome da banda que se tornou THE SHADOWS.
Ladys and Gentlemen, TIO SÉRGIO garante: aquilo sim é ROCK AND ROLL: LONG PLAY vibrante, que também foi lançado no BRASIL com o nome sonoro de ROCK TURBULENTO!!! álbum colecionável de primeira linha!
Terminando o “início”, a DECCA não aprovou. E coube a DICK ROWE, o chefe da turma e notório queixo duro, dizer na lata para BRIAN EPSTEIN que eles não gostaram do som da banda, e por isso, etc…e tal.
Sorte dos BEATLES. Se tivessem ido para a DECCA não teriam sido produzidos por GEORGE MARTIN, na PARLOPHONE. E, certamente, discos seminais, como REVOLVER, RUBBER SOUL e SGT PEPPERS não existiriam.
Mas como estigmas persistem, poucos observam que DICK ROWE não era bobo. Ele sentiu o baque das críticas, mas não perdeu tempo. E contratou para a DECCA os ROLLING STONES, e os MOODY BLUES; lançou os ZOMBIES, o THEM de VAN MORRISON e os SMALL FACES. E até JOHN MAYALL & THE BLUESBREAKERS!!!
Cuidou da carreira de BILLY FURY (esqueci de postar..) lançou TOM JONES, e também POP HIT MAKERS anos 1960, como THE MARMELADE e os TREMELOES para ficar em poucos…
Ao contrário do nosso lendário e triste BARBOSA, um estigmatizado sem glória, DICK ROWE deu a volta por cima e continuou se lixando…
POSTAGEM ORIGINAL: 04/08/2022
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ART BLAKEY & THE JAZZ MESSENGERS – HARD BOP NA VEIA!

Senhoras e senhores leitores, amigos e conversadores:
serei breve e ultra claro.
Se vocês querem ouvir JAZZ MODERNO pra valer; sem fricote, sem frescura e cheio de balanço; com piano e metais ultra bem tocados; e a bateria em sua função primeira, que é garantir o ritmo; então, caiam de boca, pernas, ouvidos e coração no HARD BOP!
O estilo é uma evolução do BEBOP, que teve o seu período áureo entre 1955 e 1965. Mas ainda inspira seguidores e fãs.
Ele se desenvolveu contra o COOL JAZZ e seus maneirismos, delicadezas e sofisticações. É TAMANCO SEM COURO: PAU PURO! E “ART BLAKEY e os JAZZ MESSENGERS” foram os representantes mais famosos do HARD BOP.
Tentar seguir o mestre é muito difícil; foi um grande baterista que tocava direto, pesado e limpo. “ART BLAKEY” não era PRIMA DONA egocêntrica. Sua performance como LÍDER sempre foi garantir a seus músicos o espaço, e a eficiência do ritmo e do andamento para que brilhassem, e fizessem JAZZ divertido e autêntico!
“BLAKEY” passou por por umas 15 gravadoras! Entre elas, a COLUMBIA, BLUE NOTE, ATLANTIC e CONCORD. E mesmo ficando se gravar entre 1966 e 1972, ele deixou 47 álbuns originais de estúdio; e 21 gravados ao vivo – o que dá ideia do que era o JAZZ pra ele: arte popular direta para a plateia.
O “JAZZ MESSENGER” foi criado em 1953 por BLAKEY e o pianista HORACE SILVER – que saiu logo em seguida. E a quantidade de artistas do primeiro time que tocaram em seu grupos, até 1990, é espantosa!
Gente como os saxofonistas LOU DONALDSON, HANK MOBLEY, LEE MORGAN, BENNY GOLSON, WAYNE SHORTER, TERENCE BLANCHARD, e SONNY STITT. E trompetistas da estirpe de CLIFFORD BROWN e DONALD BYRD, para citar muito poucos!
O piano era estrutural para o HARD BOP. E passaram pelas variadas configurações dos “JAZZ MESSENGERS” pianistas em nível de KEITH JARRETT e CEDAR WALTON; e o magnífico JAMES WILLIAMS, que dá um SHOW no LP “REFLECTIONS IN BLUES”, na foto, gravado em 1978. Vocês precisam ouvir este LP!!!!
E se quiserem ver a bateria de BLAKEY aplicada ao ROCK e ao BLUES, procurem ouvir “MOVING ON”, de JOHN MAYALL, gravado AO VIVO em 1974. KEEF HARTLEY, discípulo direto de ART BLAKEY, introduz de cara, na primeira faixa, a sua bateria precisa: É HARD BOP na veia!!!!
Cultivem!
POSTAGEM ORIGINAL: 03/08/2023
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