FUTEBOL E BOTÃO – UMA INTRODUÇÃO A VAGABUNDAGEM

Por volta de 1962, acho, descobri mundo novo jogando botão. Foi uma catarse que iluminou minha curta, mas promissora, vida de vagabundo.

Foi promissora porque desconcentrei gigante dos afazeres de aluno para imersão ( uma expressão atual, heim! ) total no universo da bola.

Fiz o que pude para comprar times de botão e tentar colecioná-los.

E consegui usando metodologia delitiva que repeti com a minha paixão por discos, uns dois anos depois.

Lavei louça adoidado; pedi por aí. troquei tampas (lentes?) de relógio com amigos. E deixei de tomar lanche no recreio no GINÁSIO ESTADUAL RUY BLÖEN, que ainda existe por lá, em SAMPA, no bairro de Mirandópolis.

Quer dizer, fiz de tudo para economizar e investir nos times que tenho até hoje, mas sob outro formato: estavam expostos como fossem quadros, em nosso apto, aqui no Guarujá. Agora, mandei revertê-los em times e vou guardá-los com carinho.

A carreira promissora na vagabundagem desvelou entropia quando tomei pau na primeira série do ginásio, em 1964.

O principal motivo foi cabular aulas, e “estudar” o tempo inteiro as potencialidades do meu time. Reduzindo: foi por causa dos jogos e times de botão.

Eu era fissurad@o em futebol. E me recordo, por exemplo, quando o ZAGUEIRO CENTRAL MAURO saiu do SÃO PAULO e foi jogar no SANTOS, acho que em 1960. E ajudou a compor aquele timeco com PELÉ, ZITO, MENGALVIO, LIMA, PEPE, COUTINHO, etc…que todos reconhecem até hoje. Minha fissura desmedida por futebol e times de botão era total.

Só que houve reação da cavalaria doméstica, pai e mãe aliados se uniram para devastar minha INTENTONA DELITIVA: só não usaram canhão e armamento de guerra. No mais, valeu tudo de bronca a safanão; passando por castigos, gritos e ameaças de porradas várias. Enfrentei galhardamente. E sucumbi.

Mas, guerrilheiro e rebelde, passei a solapar as bases da disciplina achando outro motivo igualmente deletério: cismei de aprender a jogar futebol já que, perna de pau irrecuperável, sempre fui escolhido para não entrar em campo. Nisso, meus amigos e colegas concordavam. SÉRGIO DE MORAES não entrava em campo nem faltando três para compOr o time. Isto sim era sabedoria coletiva, claro…

Mas, insisti. Adiantou quase nada, e reanimou novamente o vagabundo tenaz que havia em mim: tomei pau de novo, na terceira série, em 1966…

A lei seguiu seu destino e fui executado em prisão doméstica por meus pais que radicalizaram geral.

Eis o veredito:

1) Vai passar a estudar à noite e trabalhar de dia; 2) será passado em máquina de fazer salsichas se tomar pau de novo; 3) não ouse desrespeitar essas democráticas decisões familiares, senão em vez de máquina de fazer salsicha vai para o moedor de carne duas vezes – como geralmente pedem as senhoras no açougue do mercado.

Vida vagabunda deletada, fui me tornando o que sou.

Em 1969, entrou seriamente mulher na parada, a ANGELA. E aí todo mundo sabe o que acontece: passei de projeto em em degenerescência a regenerado.

De “brasiliano dissoluto” em bom menino responsável. Rapidamente.

Memórias vivas resguardas sob chibata.

DEUS, O DIABO E OS VALORES SOCIAIS BÁSICOS

 

EU NÃO SOU PAI POR ABSOLUTA FALTA DE VOCAÇÃO. E NÃO SOU, TAMBÉM, PROFESSOR OU PEDAGOGO.

NO ENTANTO, EU PERGUNTO QUE SIMBOLISMO TÊM DEUS E O DIABO PARA UMA CRIANÇA DE SEIS OU SETE ANOS?

A MEU VER, O MAIS SIMPLES DE TODOS: A DISTINÇÃO QUE APRENDEMOS A FAZER, DESDE CEDO, ENTRE O BEM E O MAL.

APENAS A DISTINÇÃO; E SEM A SOFISTICAÇÃO DE CONTEÚDOS, PORQUE O CERTO E O ERRADO, APRENDIDOS NA PRIMEIRA INFÂNCIA, PROVÉM DE IDEIAS SOCIALMENTE ACEITAS E INCULCADAS COMO CORRETAS OU ERRADAS, SOB O PONTO DE VISTA NÃO SÓ DA SOCIEDADE À QUAL ELA PERTENCE, MAS DA MAIORIA DAS CULTURAS.

SÃO COISAS DO TIPO: É CERTO CUMPRIR OBRIGAÇÕES; E É ERRADO AGREDIR E DESRESPEITAR OS MAIS VELHOS. DOIS EXEMPLOS ÓBVIOS E TRANSCENDENTES.

DEUS E O DIABO SERVEM APENAS DE PARÂMETROS CULTURAIS E DE ENSINAMENTO DE COMO PROCEDER NA MAIORIA DOS CASOS. NÃO DEVERIAM SER RELATIVIZADOS TÃO CEDO PARA CRIANÇAS SEM QUALQUER FORMAÇÃO OU ESTRUTURA DE VALORES BÁSICOS.

E ISTO PORQUE SE ESTARÁ QUEBRANDO REGRAS SOCIAIS IMPORTANTES, E DEIXANDO AS CRIANÇAS À MERCÊ DE ENSINAMENTOS QUE ELA AINDA NÃO PODE COMPREENDER. POR EXTENSÃO, ABRINDO HIPÓTESES DE RELATIVIZAÇÃO SOBRE COISAS MAIS SÉRIAS:

MATAR OU AGREDIR ALGUÉM, POR EXEMPLO, PODEM SER INTERPRETADOS COMO COMPORTAMENTOS “POSSÍVEIS”. ALIÁS, HÁ TEMPOS ISTO JÁ VEM OCORRENDO. E POR FALTA DE INCULCAÇÃO DE VALORES MAIS RÍGIDOS.

EU LI OS DOIS POEMAS QUE DERAM ORIGEM À TAL POLÊMICA LEVANTADA PELA MINISTRA DAMARIS. SÃO DE UM AUTOR CHAMADO PAULO BETANCOURT, QUE ESCREVE PARA CRIANÇAS, E VENDE SEUS LIVROS AO GOVERNO…

Hummm….

O TAL LIVRO SE CHAMA “A MÁQUINA DE BRINCAR”, E OS… DIGAMOS… “POEMAS” …”O QUE DEUS NOS DEU” E “O DIABO QUE ME CARREGUE” SÃO PESSIMAMENTE ESCRITOS. CONTEÚDO NENHUM. APENAS A CONTRAPOSIÇÃO SUPOSTAMENTE CRÍTICA ENTRE DEUS E O DIABO. E O AUTOR DEFENDENDO O LADO DO TINHOSO COMO UM INJUSTIÇADO SOCIAL!!!

A QUESTÃO É: COMO UMA CRIANÇA DE SEIS, SETE ANOS, E NENHUMA INFORMAÇÃO OU FORMAÇÃO MAIS SÓLIDAS, PODE AVALIAR CORRETAMENTE TAL QUEBRA DE PARADIGMA?

EU ACHO UMA TRAGÉDIA POTENCIAL!

A MINISTRA DAMARIS E SUA FALA PARTEM DO LADO RELIGIOSO. CRISTÃO, NO CASO. MAS, NEM POR ISSO ELA DEIXA DE TER RAZÃO EM SEU DESPREZO PELA OBRA.

EU PERGUNTO A MEUS AMIGOS O QUE ACHARIAM DE SEUS FILHOS CRIANÇAS SE SOLIDARIZANDO COM O DIABO?

O MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO PODERIA INDICAR, NO EXAME DO ENEM, UMA CRÔNICA DO FALECIDO ESCRITOR E JORNALISTA RUBEM BRAGA. ELA SE CHAMA “EU E BEBU NA HORA NEUTRA DA MADRUGADA”, ESCRITA EM 1933.

É UM TEXTO PROFUNDAMENTE ARTÍSTICO E CONCISO, NARRANDO O PAPO ENTRE UM HOMEM E O DIABO, EM UM BAR. FOI ESCRITO PARA QUEM JÁ DISCERNE FILOSOFICAMENTE AS COISAS, E SABE AS DIFERENÇAS E OS “50 TONS DE CINZA” ENTRE O CERTO E O ERRADO.

É ASSUNTO PARA ADULTOS, OU JOVENS. MAS, GENTE AMADURECIDA E NÃO PARA CRIANÇAS.

TEMA DE TAL COMPLEXIDADE NÃO PODE SER PROPOSTO POR UM TRÊFEGO BABACA, QUE O TRANSFORMA EM QUESTIONAMENTO INFANTIL POR PURA DISTORÇÃO IDEOLÓGICA.

ENSINAR, INFORMAR E FORMAR INDIVÍDUOS IMPLICA EM ADEQUAR CONTEÚDOS ÀS CIRCUNSTÂNCIAS E MATURIDADE DOS QUE VÃO APRENDER.

VAN MORRISON – FINAL DOS 1960 E INÍCIO DOS 1970. A CONSTRUÇÃO DE UM ESTILISTA DIFERENCIADO

Você pega MICK JAGGER e ERIC BURDON, e convida IVAN GEORGE – sim, o VAN MORRISON. Do chacoalhar da coqueteleira o que saiu?

Três “BLUES SHOUTERS”!

Pois é, os três baixinhos das ilhas britânicas espelharam-se em negros históricos como LEADBELLY, JIMMY RUSHING, e muitos e muitos outros, para suingar a PÉRFIDA ALBION.

VAN MORRISON evoluiu em pouco tempo do sub-MICK JAGGER dos tempos do THEM, para um artista hoje identificado como estilista supremo.

VAN é discreto, determinado, irascível, e dono de sua arte desde 1967, quando gravou o indispensável e indefinível CULT “ASTRAL WEEKS”.

E há MOONDANCE. Ouso, ou devo comentar além do nome desse artefato único?

Sobre VAN sabe-se mais de sua arte do que sua personna – é uma KATE BUSH sem o marketing do retiro e do sumiço planejado.

Fotografei 4 discos dele gravados entre o final dos 1960 e início dos 1970. São de sua fase gravada na WARNER RECORDS. Primorosa!

A banda que MORRISON reuniu e exigiu o aprimororamento ao infinito, consegue fundir o BLUES ao JAZZ com naturalidade talvez inédita.

O bom gosto no arranjo dos metais, ao mesmo tempo LÍRICO & JAZZY garante o swing, balanço, e convida para dançar! Retrato da receita que tornou seus discos clássicos. E até imprescindíveis.

Dia desses, “acariciando” meus disco, pus para tocar “HARD NOSE THE HIGHWAY”. Acho que não escutava há mais de 30 anos! E percebi certas integrações instrumentais entre guitarra e metais; e nuances de cordas e teclados que não havia sacado antes.

Para culminar, um coro construído com algo de CLÁSSICO/LÍRICO/GOSPEL e FOLK IRLANDÊS, que me levou a perceber coisas mais “ETHEREALS”, como se feitas por COMPOSITORES CLÁSSICOS NÓRDICOS MODERNOS.E tudo integrado em BLUES e JAZZ.

Porém, VAN MORRISON, como ROBERT FRIPP, não permite que você enleve a alma sem o componente da iconoclastia, que só a música realmente popular pode legar.

FRIPP quebra sequências sofisticadas da “FUSION PROGRESSIVE” que opera com a sua guitarra às vezes crua; cortante e aparentemente sem nexo…É para mudar a música no ato.

VAN MORRISON sempre canta BLUES. Portanto, grita a dor e, curiosamente, mostra a você quem realmente ele é: um CANTOR DE ROCK! E por mais sofisticado que seja o entorno por ele construído!

Escute IVAN GEORGE. E vá muito além dos anos 1970… Ele é gênio e artista único até hoje…

Nenhuma descrição de foto disponível.

Todas as reações:

1Sergio Luiz Simonetti

POP / ROCK AMERICANO DURANTE DÉCADA DE 1960

OS QUE MANDARAM NA PARADA DE SUCESSOS ENTRE 1963/1972!

Vendiam SINGLES e tocavam direto em RÁDIOS A/M. Eram muito populares, e concorriam com OS BEATLES e o DAVE CLARK FIVE – INGLESES, ÓBVIO – em quantidade de lançamentos, quase sempre simultâneos.
CLARO, há outros, muitos e muitos outros.
Vou só ficar no topo do “POP BRANCO”. FALAR DOS NEGROS E MÚSICA COUNTRY e outros, requer outros e vastos capítulos diferentes.
Aqui, vale venda de SINGLES, e tocar no RÁDIO, ser popular em rádios.
Todos falam dos BEACH BOYS, cults e celebrados na década de 1960, que empolgavam na COSTA OESTE AMERICANA.
Mas, quem rivalizava com eles eram os FOUR SEASONS, NEW JERSEY, costa leste. Por baixo, 100 milhões de discos vendidos. 29 super hits, entraram no ROCK AND ROLL HALL OF FAME, EM 1999.
O consórcio de BOB GAUDIO, tecladista e compositor, que saiu dos palcos; e FRANK VALLI, 90 anos, grande cantor, e até agora em atividade, são as marcas registradas do grupo. Fizeram o CROSSOVER entre o DOO WOP, negro; e o POP branco dançável, vitorioso e influente em quem vocês pensarem nos últimos 50 anos – no mínimo.
THE ASSOCIATION: Grupo vocal excepcional, com pelo menos quatro canções entre as mais tocadas da história do POP (CHERISH, NEVER MY LOVE, ALONG COMES MARY e WINDY).
É uma estrutura ainda em atividade com, é claro, outros membros, mas popularíssimo em cassinos, e outros locais onde OLDIES continuam fazendo a vida.
PAUL REVERE & THE RAIDERS, A banda GARAGE ROCK que deu certo. Incontáveis HITS, e de certa forma, antecessores do BON JOVI, com MARK LINDSEY, o vocalista, que era tão desejado pela mulherada quanto RICK MARTIN, e tantos e tontos que surgiram de BOY BANDS. Muito legais, também.
GRASS ROOTS – Banda cheia de mutretas, mudanças e etc. Foram do FOLK de protesto ao POP descarado, e de boa qualidade. Uns 15 HITS. Eram muito bons. Veja qualquer filme do TARANTINO, sempre tem músicas deles.
RASCALS: A grande banda POP americana, entre 1966 e 1972, talvez. Foram do R&B, POP, gravaram álbum psicodélico, terminaram em tipo de FUSION jazística, na linha do STEELY DAN.
FELIX CAVALIERI ainda é um grande cantor e performer.
TIO SÉRGIO tem a honra de dizer que eram a banda americana predileta dele, naquele período. Erráticos, mas sensacionais, com álbuns e SINGLES imperdíveis….
CREEDENCE CLEARWATER REVIVAL. Ora, até hoje no imaginário POP. Ótima banda, com letras legais e um drive Country/Southern Rock/ Rockabilly notória e identificável. Citar JOHN FOGERTY, e´ desnecessário. Sucesso imperdível. Quase todo mundo tem!!!
E por aí, caminham …

PENA DE MORTE – SOU RADICALMENTE CONTRA!

 

A existência e aplicação da PENA DE MORTE sempre me consterna e apavora! Evito, inclusive assistir a filmes em que ela é parte do enredo.

A PENA DE MORTE é o suprassumo do niilismo e da negação do civilizado. Discordo frontalmente de sua existência e sempre combaterei, dentro da lei, um Estado que a tenha em sua Constituição.

A CONSTITUIÇÃO DO BRASIL a impede por cláusula pétrea. Concordo e tenho orgulho disso!

Muitos argumentarão que há gente irrecuperável, que não pode conviver junto aos cidadãos de bem. Concordo; não penso como ROUSSEAU; e já fui vítima de gente que precisava, ou precisa permanecer atrás das grades.

Eu sou favorável a penas mais fortes e a redução da maioridade penal – assuntos polêmicos, porém contidos às fronteiras da civilização. São discussões eticamente possíveis.

É minha opinião, que o Estado tem sempre de estar acima da barbárie de alguns; e deve aplicar leis que deem exemplos e punam os criminosos.

Mas, o ESTADO jamais deve igualar-se a qualquer assassino, matando com o aval da justiça. Repito, é questão de ética.

A pena de morte não é pedagógica, porque não ensina; além de equiparar moralmente o executor ao condenado. E tornando indistinguível, nesse caso, a justiça da vingança pura e simples.

Considero a PENA DE MORTE tão covarde quanto um atentado a civis pacíficos; ou um homicídio premeditado; e a qualquer latrocínio. Porém, com o agravante de ter a legitimação social e legal para imobilizar e executar o condenado. É atroz. Simplesmente.

Sem comentar muito, é óbvio que a existência e aplicação da PENA DE MORTE é, também, filosoficamente indefensável. Eu não autorizo, como cidadão, que o ESTADO que representa a minha NAÇÃO, desça ao nível de barbárie planejada e ritualística que aquilo implica.

Mas, por que, TIO SÉRGIO?
Imagine a cena: o condenado é amarrado, e friamente e protocolarmente executado, sem qualquer possibilidade para reagir ou defender-se. Do ponto de vista do “ato em si”, ele é assassinado covardemente!
E há, também, os executores, médicos, enfermeiros e toda camarilha de psicopatas amparados em lei para fazê-lo! Não consigo imaginar algo tão repugnante!

Hoje em dia, usa-se a injeção letal. No entanto, a maioria das INDÚSTRIAS QUÍMICAS se recusa a coonestar a barbárie. E não vende anestésicos e preparados indolores para esta finalidade. Um baita drama ético: recusar-se a coonestar a barbárie, ao mesmo tempo que impinge sofrimento inimaginável ao condenado!!!!

EXECUTAR ALGUÉM é de imoralidade e falta de ética ímpar! E gente civilizada deve opor-se a isso, independentemente do instinto de vingança que alguns facínoras suscitem na maioria de nós – em mim, inclusive!

Anos atrás, dois rapazes brasileiros, idiotas e criminosos, foram executados em uma prisão na Indonésia. Foram condenados por tráfico de drogas. Eram dois típicos irresponsáveis, que julgaram outro país pela leniência de nossas Instituições legais. E há, hoje, outra brasileira condenada aguardando a fila andar…

Tenho compaixão por eles todos! E tenho sérias críticas, e até raiva, de quem os educou; e censuras a eles mesmos, é claro!, que traficaram por hedonismo e “boa vida”. São vítimas da quebra de valores crescente que assola o planeta….

Eram dois vagabundos que pagaram com a vida pelos medíocres que se tornaram. E foram detidos para a consumação suprema de uma barbaridade maior! Onde faltou a inserção da educação humanista eficaz, um bem histórico negligenciado demais nesses tempos?

Existe um aspecto político que não vi comentaristas dando conta, à época: o BRASIL interveio e apoiou a separação do TIMOR LESTE, da INDONÉSIA. E devem ter ficado sequelas diplomáticas; portanto, o governo indonésio certamente não levou em consideração quaisquer pedidos de clemência feito pelo governo brasileiro. Aliás, um jeito de mostrar distância diplomática. Foi um gesto deplomático….

Naqueles tempos, jamais havia visto tanta gente torcendo pela execução dos caras, como aqui nas redes sociais.

Na escala evolutiva, estamos macaco abaixo. Deus e a lucidez nos livrem disso tudo.

Rezo uma prece, e faço um repúdio a mais!

P.F.M. – PREMIATA FORNERIA MARCONI –

MANTICORE YEARS – 1973 / 1977

Por volta de 1975/1976 “COOKING”, o disco deles gravado ao vivo no Canadá e no Central Park, em Nova York, tocou muito no melhor programa UNDERGROUND já transmitido pelas RÁDIOS BRASILEIRAS!!!!

KALEIDOSCÓPIO, na RÁDIO AMÉRICA de SAMPA, durava 4 horas diariamente! Era esperado pela galera alternativa. Foi criado e apresentado por um maluco talentoso chamado Jaques Sobretudo Gersgorin , e tocava o “up-to-date” em ROCK, principalmente PROGRESSIVO.

Oi, Jaques Sobretudo Gersgorin!!!!

Entre as bandas frequentes por lá, causava merecido furor o PREMIATA FORNERIA MARCONI; que para entrar no mercado global do ROCK teve o nome reduzido para P.F.M.

O grupo sofria influências, como todos, de PROGRESSIVOS feito YES, GENESIS, KING CRIMSON, MOODY BLUES…

Era formado por excelentes músicos veteranos da CENA POP ITALIANA e foi, digamos “descoberto”, por PETER SINFIELD, membro-letrista do KING CRIMSON, que os apresentou a GREG LAKE, do EMERSON, LAKE & PALMER, e daí para um contrato com a gravadora MANTICORE.

SINFIELD havia deixado o CRIMSON, em 1971, e criou as letras em inglês para os dois primeiros discos do P.F.M, “PHOTOS OF GHOSTS”, 1973; e “THE WORLD BECAME THE WORLD”, 1974, ambos lançados com sucesso na Inglaterra e América.

É argumentável que PETER tentou prosseguir com o PREMIATA, do ponto em que o KING CRIMSON fez inflexão para novos tipos de ROCK PROGRESSIVO e de VANGUARDA.

Aliás, FRIPP e a constelação de craques que o acompanham permanecem, até hoje, em auge criativo aparentemente inesgotável!

Porém, talvez o disco ISLAND, de 1971, simbolize o final de uma das fases conduzidas pelo genial e autocrático ROBERT FRIPP, líder e dono inconteste do CRIMSON.

Em minha opinião, o ponto fraco do P.F.M. estava nos vocais; abaixo do nível técnico e artístico do grupo.

Mas de CHOCOLATE KINGS, o quarto disco em diante, contrataram BERNARDO LANZETTI – bom cantor, na linha de PHIL COLLINS e PETER GABRIEL. E o grupo virou espécie clone talentoso do GENESIS – da mesma forma que o MARILLION também foi, quase uma década após.

Excelente e colecionável, o PFM revela originalidade ao combinar traços de música italiana tradicional ao ROCK PROGRESSIVO. E ao utilizar-se muito de violões acústicos combinados com o ROCK necessariamente elétrico.

Este ótimo BOX de 4 CDS, lançado pela gravadora inglesa ESOTERIC RECORDINGS, traz os 4 primeiros discos da banda. É bem acabado, com as capas duplas originais, e boa masterização.

Se você conseguir o “COOKING”, ao vivo, acho que o legado da banda estará perfeito para qualquer coleção.

Procure.

DON McLEAN – AMERICAN PIE – A ODE AO ROCK CONSERVADOR

Geralmente não gosto muito do ROCK AMERICANO. E este CD entrou em baita rolo com velho amigo. Foi bom para os dois.

DON McLEAN é um bom

cantor FOLK. Suas melodias e arranjos são algo recorrentes e datados. E, mesmo fazendo boas letras, bem encaixadas, está longe do talento de um GORDON LIGHTFOOT. E, claro, nem é possível compará-lo a DONOVAN e outros mais votados.

Acontece que DON compôs um clássico absoluto. Tão significativo que só não tornou-se um STANDARD, porque tem mais de 8 minutos e letra imensa para ser repetida.

Foi entendida como homenagem à morte de BUDDY HOLLY. E falta completar que, no mesmo desastre aéreo, em 1958, morreram também RICHIE VALLENS ( LA BAMBA) e BIG BOPPER, um quase famoso em ascenção.

HOLLY já era artista pronto. Com vários Hits tocando e cantando seu ROCKABILLY agitado, e tão relevante que virou inspiração para o nome dos ingleses THE HOLLIES, sucesso na década de 1960, e parte dos 1970.

DON McLEAN compreendeu a extensão artística de HOLLY, sua interação com os jovens americanos, e o que significava em termos de aspirações, história, e o emocional dos fãs.

E escreveu essa ODE ao ídolo que, ultrapassa e muito, do que apenas ele.

AMERICAN PIE é um compêndio histórico do que aconteceu com a música, principalmente o ROCK, seu desenvolvimento, problemas. E, mais do que isso, contestação estética, filosófica, existencial, aspirações e destruições consequentes.

McLEAN compôs e cantou sobre esses fatos. E conseguiu, através de METÁFORA, expressar a ruptura do cotidiano:”AMERICAN PIE” , uma torta “americana”, quer significar sobre a rotina, o conservadorismo, e o esperado; que foram rompidos quando um ídolo integrado desaparece, abrindo fenda que revela vulcões, o inesperado, o subversivo.

No decorrer da música, ficamos sabendo que a grande aspiração dos jovens dos 1950, de comunicar-se romanticamente, através dos bailes, casarem-se, foi sendo rompido…

Ele não intui ELVIS, outro contemporâneo entre o integrado e o subversivamente sensual.

Mas, diz poeticamente sobre os ingleses, que iniciaram emulando os americanos; e acabaram por subverte-los, pondo em risco existencial a geração que ouviu e compreendeu os BEATLES, em SGT PEPPERS, ou em HELTER SKELTER.

E, também, os contemporâneos americanos e suas experiências com drogas, Há citação nada encoberta dos BYRDS, em EIGHT MILES HIGH.

E JANIS JOPLIN, caricaturizada em uma cantora de BLUES a quem perguntou sobre “alguma novidade mais alegre” – e ela fugiu, porque não havia… Coisas daqueles tempos…

O refrão “THE DAY THAT MUSIC DIE” repetida a música inteira, pode ( e eu acho que deve ) ser interpretado como os vários dias, e as tantas vezes em que a música morreu, perdendo sua característica de algo construtivo e afetivo, tornando-se metáfora para algo ruim, corrosivo, preocupante, inconclusivo…

Se bem compreendi, essa ODE AO PROFUNDO E ATÉ AO DESAGRADÁVEL, teve outro alvo claro: OS ROLLING STONES, e principalmente o “JESTER” , O JUMPING JACK FLASH, O GRANDE PALHAÇO SINISTRO dos palcos, MICK JAGGER.

Ninguém representou tão bem a quebra de valores como religião, tradição e ordem, quanto JAGGER. Talvez um Pan sexual promíscuo buscando o fogo do inferno, e que “sentava-se em um castiçal de velas em chamas”.

Tudo isso está lá, no vasto poema; de maneira quase figurada, mas sem qualquer dúvida para quem acompanhou o féretro da civilização ocidental, sob alguns pontos de vistas nítidos na segunda metade dos anos 1960…

Para terminar, mas bem no começo, há citação sobre LENIN lendo MARX, como a subversão dos valores americanos mais estimados.

E concluindo, uma alusão ao “LAST TRAIN” para sabe-se onde… lembranças dos alienados MONKEES?

Quer dizer: DON McLEAN regurgitou e expeliu um CLÁSSICO. Para mim, fica nítido que ele apreciava a estabilidade conservadora da cultura americana.

Mas, como é muito bem escrito, vários talvez discordem.

Se DON McLEAN é conservador, reacionário não é.

AMERICAN PIE INCOMODA.

Bye, Bye..

SLOWDIVE, LUSH, RIDE e OUTROS RESGATADOS. A VOLTA DO “SHOEGAZE”

A sensação de que tudo na vida, artes incluídas, se transformou em um “eterno presente”, mais ou menos à partir de 1970; e revelando tendência à permanente “atemporalidade”, até hoje me deixa perplexo!
Quando se pensa no desenvolvimento da música, e nem sempre por causa de cada obra em si que, em sua imensa maioria, surgiu para ser consumidas no ato. Mas, pela sobrevivência de parte do passado, que se mantém no presente quase incólume, através de vários estilos e artistas.
Vide, por exemplo, a influência do mais que cinquentenário HEAVY METAL, e a persistente atualidade de bandas como LED ZEPPELIN e BLACK SABBATH, ainda a base sacrossanta do gênero, apesar de evoluções, mudanças, e outras propostas.
A perenidade é luxo. Geralmente existem apenas a criação, divulgação, acontecimento e fim. Arquiva-se e vamos para outra…
Porém, na sociedade contemporânea, com evolução da tecnologia, a massificação promovida pelo marketing, e à parte as qualidades intrínsecas da criação, a memória do acontecimento sempre pode ser recuperada.
E dela podem surgir outras fusões, entendimentos, e suportes para além do imediato. Há “momentos vindos do pretérito, e estendidos no presente eterno imediato”…
Seria?
O ROCK é pleno de “revivals”. Recuperações de ídolos do passado, e suas influências nas propostas do presente.
Neste momento, artistas surgidos 45 anos atrás, e até mais tempo, voltaram à tona. E os melhores entre eles, portanto já “estendidos indefinidamente”, se mantiveram no circuito.
Recentemente, vimos THE CURE, SIOUXIE & THE BANSHEES, PRETENDERS, NEW ORDER…, em meio a outros, se apresentando renovados.
E, o mais interessante, incorporando estilos e técnicas da turma que os sucedeu, lá pelo início dos 1990. Isto fez e faz a diferença…
Quando houve, no BRASIL, em 2023, o festival PRIMAVERA SOUNDS, estava anunciado o inglês SLOWDIVE. Banda desconhecida por aqui, e com certo prestígio, mas vendas pequenas.
Eu gosto. E tanto quanto do LUSH, e o RIDE. E postei os CDs que deles todos mantenho.
O SLOWDIVE veio meio capenga, porque a vocalista principal, RACHEL GOSWELL, estava com problemas de saúde desde a passagem da “troupe” pelo CHILE, onde foram recebidos efusivamente!!!
Mesmo assim, RACHEL esteve nos palcos pilotando os teclados sem grande encantamento, mas provendo a “base bem anos 1990” que o grupo segue.
Eu assisti ao show no CHILE , via YOUTUBE. A qualidade técnica do evento está ruim. Mas, fiquei surpreso quando soube que vinham se apresentando há muito tempo com o repertório curto, insuficiente.
A banda gravou pouco…Mas, permanece agitando…
Em linhas gerais, o SLOWDIVE é mistura do “DREAM POP” com “AMBIENT MUSIC”. Destacando o vocal da baixinha RACHEL…
E, quando estão no palco, “encenam” o …”SHOEGAZE”.
O efeito geral é melódico, “esvoaçantes, e agradável.
Aprendi com meninos e meninas que trabalharam comigo na CITY MUSIC, uma das lojas que tive na década de 1990, sobre a mudança das perspectivas musicais nos 1980/1990.
O ROCK ALTERNATIVO, à época emergente, prescindia e recusava o virtuosismo egoísta. Gente como SATRIANI, ALVIN LEE e MALMSTEEN passavam anos luz dos alternativos.
A música passara a ser interpretada como uma concepção de grupo. Um Coletivo; conceito que se instaurou, nas últimas décadas…
Mas, francamente, juntando os discos que tenho do SLOWDIVE, o somatório daria um excelente álbum POP.
No entanto, um dos quase HITS da banda, ALLISON, tem melodia perfeita, linda! E, para mim, está entre as dez canções meio desconhecidas mais bonitas e viajantes do POP ROCK!
Em nível e companhia de “EXPECTING TO FLY”, 1967, música PSICH/PROG solitária de NEIL YOUNG, gravada pelo BUFFALO SPRINGFIELD; “JILL”, pepita psicodélica instantânea e simultaneamente recatada e reluzente gravada por GARY LEWIS & THE PLAYBOYS; e “PRETTY SONG OF PSICHED OUT”, outra beleza explícita feita pelos também americanos da “GARAGE BAND” “STRAWBERRY ALARM CLOCK” – e ambas em 1968.
Porra!!!! ( hummm…), TIO SÉRGIO!!!! Estas são velhas demais!!!
Sim, e muito delicadas, e contendo o travo psicodélico “histórico” que perpassou os tempos…
O último disco que o SLOWDIVE lançou, EVERYTHING IS ALIVE, foi considerado entre os melhores de 2023… Sei lá…, mas bom é; e reafirma o estilo da banda…
Eles ganharam matéria destacada na imprensa inglesa, sublinhando a volta do “SHOEGAZE”
à moda. A rigor, é apenas uma postura das bandas no palco: a turma toca baixo e guitarras olhando para os próprios sapatos, como se concentrados na execução da música…
Com o tempo, virou sinônimo de um “estilo” do início da década de 1990!
RIDE, LUSH, SLOWDIVE, e uma penca neste “BRIT BOX”, tipo MY BLOOD VALENTINE, CURVE, PALE SAINTS, CATHERINE WHEEL, MOOSE, etc… se apresentavam desse jeito…e soam na mesma linha.
O som que produzem tem nada com esse “olhar cabisbaixo concentrado”, é claro! E ficou associado às bandas que focam nas guitarras distorcidas e pesadas; arranjos viajantes e vocais geralmente femininos e melódicos, ou seja, o DREAM POP… e suas variações.
Quem assistiu ao THE CURE, recentemente, observou que a turma das guitarras e baixo, estava “analisando os sapatos feito engraxates”… E criaram um BLEND muito sugestivo entre os ROCKS ALTERNATIVO e o PROGRESSIVO.
É a evolução sobre aquele passado de 45 anos atrás, que retornou revigorada pela sonoridade da turma da década de 1990 … Resumindo, algo bem novo e interessante!


Procure ouvir. 

SLOWDIVE & OUTROS RESGATADOS. A VOLTA DO “SHOEGAZE”

Entre os fatos e coisas que me surpreendem, é constatar a tendência à atemporalidade, que a vida – artes incluídas – tomaram no mundo pós 1970.

A sensação é que tudo se transformou em um eterno presente. Principalmente, quando se fala de artes, e nem sempre por causa das obras em si que, em sua maioria, surgiram para ser consumidas no ato.

Perenidade é luxo. Geralmente existem apenas a criação, divulgação, acontecimento e fim. Arquiva-se e vamos para outra…

Porém, na sociedade contemporânea, com evolução da tecnologia, a massificação promovida pelo marketing, e à parte as qualidades intrínsecas da criação, a memória do acontecimento sempre pode ser recuperada.

E dela podem surgir outras fusões, entendimentos, suportes para além do imediato. É o “momento vindo do pretérito, e estendido no presente eterno imediato”…

Seria?

O ROCK, por exemplo, é pleno de “revivals”. Recuperações que podem trazer os ídolos do passado, assim como as influências deles nas propostas do presente.

Neste momento, artistas surgidos 45 anos atrás voltaram à tona. Mesmo que os melhores entre eles, portanto estendidos indefinidamente, jamais tenham saído do circuito.

Recentemente, vimos THE CURE, SIOUXIE & THE BANSHEES, PRETENDERS, em meio a vários, se apresentando renovados, mas incorporando estilos e técnicas da turma que os sucedeu, lá pelo início dos 1990. E isto fez e faz a diferença.

Quando houve o festival PRIMAVERA SOUNDS por aqui, em 2023, estava anunciado o inglês SLOWDIVE, grupo de certo prestígio, mas vendas pequenas. Eu gosto. Agora, postei os CDs que deles mantenho.

O grupo veio meio capenga, porque a vocalista principal, RACHEL GOSWELL, estava com problemas de saúde desde a passagem da “troupe” pelo CHILE, onde foram recebidos efusivamente!

Mesmo assim, RACHEL esteve nos palcos pilotando os teclados sem grande encantamento, mas provendo a “base bem anos 1990” que o grupo seguiu.

Eu assisti ao show no CHILE , via YOUTUBE. A qualidade técnica é ruim. Mas, fiquei surpreso quando soube que eles vinham se apresentando há muito tempo com repertório curto, insuficiente. A banda gravou pouco…Mas, permanece agitando…

Em linhas gerais, o SLOWDIVE é mistura do “DREAM POP”, com ênfase no vocal feminino, e “AMBIENT MUSIC”. E, quando estão no palco, “encenam” o …”SHOEGAZE”.

O efeito geral é belo e agradável.

Aprendi com meninos e meninas que trabalharam comigo na CITY MUSIC, uma das lojas que tive na década de 1990, sobre a mudança das perspectivas musicais nos 1980/1990.

O ROCK ALTERNATIVO, à época emergente, prescindia do virtuosismo egoísta. A música passara a ser interpretada como uma concepção de grupo. Coletiva; palavra que se instaurou, nas últimas décadas…

Mas, francamente, juntando os discos que tenho, o somatório daria um excelente álbum POP.

Um dos quase HITS do SLOWDIVE, ALLISON, tem melodia perfeita, linda! E, para mim, está entre as dez canções meio desconhecidas mais bonitas e viajantes do POP ROCK!

Em nível e companhia de “EXPECTING TO FLY”, 1967, música viajante e solitária de NEIL YOUNG, gravada pelo BUFFALO SPRINGFIELD; “JILL”, pepita psicodélica perfeita de GARY LEWIS & THE PLAYBOYS; e “PRETTY SONG OF PSICHED OUT”, outra beleza explícita feita pelos também americanos “STRAWBERRY ALARM CLOCK” – e ambas em 1968.

Porra!!!! ( hummm…), TIO SÉRGIO!!!! Estas são velhas demais!!!

Sim, e todas delicadas; e contendo o travo psicodélico “histórico” que perpassou os tempos…

O último disco que o SLOWDIVE lançou, EVERYTHING IS ALIVE, foi considerado entre os melhores de 2023… Não achei pra tanto, mas é bom; e reafirma o estilo…

Eles ganharam matéria destacada na imprensa inglesa, sublinhando a volta do “SHOEGAZE” à onda!!! Que, repetindo, é apenas uma postura da banda no palco: a turma toca baixo e guitarras olhando para os próprios sapatos, como se concentrada na execução da música… e que se tornou “estilo”, moda, no início da década de 1990!

RIDE, LUSH, SLOWDIVE, e uma penca neste “BRIT BOX”, tipo MY BLOOD VALENTINE, CURVE, PALE SAINTS, CATHERINE WHEEL, MOOSE, etc… se apresentavam desse jeito…e soam na mesma linha.

O som que produzem tem nada com esse “olhar cabisbaixo concentrado”, é claro! E ficou associado às bandas que focam nas guitarras pesadas, arranjos viajantes e vocais geralmente femininos e melódicos, ou seja, o DREAM POP… e suas variações.

Quem assistiu ao THE CURE, recentemente, observou que a turma das guitarras e baixo, estava “analisando os sapatos feito engraxates”… E criou um BLEND entre os ROCKS ALTERNATIVO e o PROGRESSIVO.

É a evolução sobre aquele passado de 45 anos atrás que retornou revigorada…

Procure ouvir.

GARY BROOKER, VOCALISTA DO PROCOL HARUM – SOLO

 

Há gente com enorme e reconhecido talento, mas que não consegue transcender em carreira solo o que produziu no grupo de origem.

Alguns casos de ícones óbvios: FREDDIE MERCURY sem o QUEEN; MICK JAGGER fora dos STONES; IAN ANDERSON, à parte o JETHRO TULL.

GARY BROOKER teve criativa, longeva e bem sucedida carreira com o PROCOL HARUM.

Mas, quando o ROCK PROGRESSIVO decaiu, gravou três discos medianos, com boas faixas pontuais, na década de 1980.

Claro, trouxe amigos para participar. Artistas como ERIC CLAPTON – de quem era íntimo -, GEORGE HARRISON, PHIL COLLINS, entre diversos, o que aumentou o interesse do público, e tornou os discos objetos de coleção.

GARY BROOKER sempre foi um grande cantor de “RHYTHM’ N’ BLUES”, e BLACK MUSIC, em geral. O que o tornou um vocalista diferenciado no campo do ROCK PROGRESSIVO.

Seus discos solo são bem distintos do que ele fez em grupo. E a sua fantástica e reconhecida voz SOUL / BLUESY nos discos solo permanece firme e intacta!

BROOKER convidou, também, outros letristas no lugar de KEITH REID, o “poeta responsável pelos textos” no PROCOL HARUM.

Álbuns solo impõem responsabilidade total ao artista.

Expondo, inclusive, seu limite de criatividade. As escolhas de instrumentos, arranjos, e outras atitudes profissionais antes tomadas conjuntamente, tendem a se limitar ao artista e ao produtor.

Talvez a imensa identificação de cada um deles com seus grupos originais, os tenham impedido de criar além e melhor do que haviam feito. O condicionamento reforça o bloqueio criativo.

E há, também, a dificuldade em selecionar os repertórios na composição dos SET LISTS para shows, em caso de poucos discos individuais lançados.

E foi o quê aconteceu a esses três grandes artistas.

Lançar disco solo é outro papo.

Talvez?